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segunda-feira, 14 de maio de 2012


O que me chama muita atencao , na obra lida de Durkheim e a existencia da forca de coercao do fato social . Esta pode ser explicada como sendo independente  e externa  ao individuo  , e exercida  pelo coletivo sobre o primeiro. Essa forca pode ser ainda: aparente, quando ela se opoe aos desejos individuais; ou mesmo imperceptivel, quando coincidecom a vontade particular ou, acustuma-se a ela. Durkheim exemplifica   melhor  atraves da comparacao desta com a  pressao do ar sobre nos;  nao sentimos seu peso a todo momento, mas o ar nao deixa de estar presente, de existir . E de fato ,essa forca existe.
Vemos ela agir  em inumeros casos: na maneira de se vestir; no padrao de beleza que buscamos; na visao religiosa,politica ; na  maneira de comer , falar etc. Temos liberdade de escolha, mas esta esta condicionada a detrminado padrao.Tudo pois fomos educados ,condicionados e  habituados a esses costumes, que ja existiam anteriormente a nos e independente de nos , e eles acabam se tornando nossas referencias na vida.Assim, somos produtos do meio social.
Se afastando um pouco do pensamento central ,quando analisamos dois jovens  de meios sociais e realidades diferentes, como por exemplo, um jovem da Favela, mais humilde e outro de classe media ou alta; temos que cada um recebe oportunidades diferentes (educacao, estrutura familiar , acesso a bens de consumo etc ), o que faz com que cada um siga caminhos distintos.Mas em total oposicao, temos que a sociedade, o mundo, cobra desses dois jovens as mesmas coisas mesmo sem fornecer lhes oportunidades iguais, ou melhor, proporcionais; por exemplo: quando concorrerem por uma vaga de emprego, espera –se certo padrao do empregado, porem claramente essa sera uma concorrencia desleal . E justamente ai , que o jovem prejudicado acaba por buscar outros meios de diminuir essa discrepancia:  recorre ao crime, ja que e marginalizado pela sociedade( nao que isso seja justificativa para o crime ). Mas porque cobrar ou esperar comportamentos iguais vindos de meis totalmente opostos? E muita hipocrisia nossa esse posicionamento, e ainda mais hipocrita de nossa parte permitir essas patologias sociais na acessibilidade e nas oportunidades . Cabe agora, a nos,fazer um julgamento adequado dos fatos consequentes dessas patologia , levando em consideracao os diversos  meios sociais e oportunidades, e proporcionar uma maior igualdade nessas oportunidades , seja pela combranca ao Estado, ou por iniciativas proprias.

JÉSSICA DUQUINI DOS SANTOS
*Obs: meu teclado não tem acento nem cedilha.

Como moldar um indivíduo.

Émile Durkheim na sua criação “As Regras do Método Sociológico” analisa o fato de que todas as nossas ações e atitudes são baseadas em costumes e imposições culturais que são feitas, muitas vezes sem a percepção de ninguém. Assim ele explica o conceito de fato social como sendo todo fato que independe do indivíduo e tem como substrato o agir do homem em sociedade, de acordo com as regras sociais.
Para ele a educação tem um papel significativo nessa influencia já que serviria para forjar o ser em sociedade, incutindo regras, que aos poucos seriam interiorizadas. Assim, é fácil perceber que a pessoa desde que nasce e recebe a educação dos pais, já é induzida a uma forma de pensamento e a um agir. Por isso Durkheim afirma a dificuldade de se achar a verdade científica, devido ao fato de que não é fácil se desvincular de uma forma de pensar influenciada pelas vivencias e costumes da sociedade, para analisar algo.
Esse modo de vida considerado comum devido a sua influencia na sociedade, passa a ser regido e até defendido por leis ou pela moral. Portanto se alguma atitude é contra essa normalidade, o autor dela pode ser penalizado tanto pelas leis, ou moralmente, consequência que impede, muitas vezes, as pessoas de fazerem algo.
Em suma, podemos perceber que o ser, desde sempre, é influenciado na sua maneira de pensar e agir. Essas influencias passam a ser tão interiorizadas que se tornam algo considerado comum para a sociedade, construindo assim um molde de educação e costumes, que quando são desrespeitados geram uma penalização, mesmo que moral. Percebe-se que um ciclo é formado, já que as pessoas na convivência social acabam se moldando, e geram a dificuldade de se tornarem neutras em relação a algo. 

O Organismo Social de Durkheim


                Emile Durkheim, considerado o pai da sociologia, analisa a sociedade como sendo um organismo vivo, um “organismo social”. Para ele, os integrantes dessa sociedade atuam como partes que colaboram para o funcionamento do todo, ou seja, todos direcionam suas ações buscando o bem geral.
            Além disso, Durkheim propõe que todos os indivíduos são dotados de moral, mas diferentemente do que se imagina, essa moral representa a negação do individual e a doação do indivíduo para o todo social. Dessa forma, infere-se que a sociedade está perpassada de laços de solidariedade e por isso a mesma não representa a soma das consciências individuais, mas sim a expressão da consciência coletiva.
            A partir desses preceitos, Emile tenta explicar os fatos sociais e os fenômenos da sociedade, propondo que tais explicações estão sempre em outro fato social, ou seja, estão presentes na própria natureza da vida social. Sendo assim, a explicação dos fatos sociais deve se valer da investigação do meio social interno, isto é, das partes constituintes da sociedade, pois estas compõem o chamado organismo social.


Durkheim surge com seu objeto de estudo, o Fato Social, nos mostrando que grande parte do nosso comportamento é determinada pelas regras sociais.
No inicio de nossas vidas, estamos cercados por pessoas ou instituições que nos apresentam uma conduta que deve ser seguida. Aos poucos vamos absorvendo esses valores como naturais, sem perceber que na verdade eles são impostos.
Com o tempo, passamos a considerar grande parte desses valores como corretos, pois foi assim que nos ensinaram. Em alguns casos pode haver discordância, mas dificilmente tentaremos desviar do “caminho certo”, pois ao fazer esse desvio, seremos consideramos como “errados”, podendo sofrer punições.
Lembrando que as punições citadas acima não são apenas as do âmbito jurídico, mas também as do âmbito social. Por exemplo, se certa pessoa se comporta de forma diferente das demais, ela provavelmente será vítima de exclusão.
Ou seja, durante nosso desenvolvimento, membros da sociedade nos impõem seus valores, os quais seguiremos durante toda a vida, seja por considerarmos como corretos por influencia dos que nos educaram, seja para evitar punições.

Use, seja, ouça, diga!



O autor de “Regras do método sociológico, Émile Durkheim, é considerado um dos pais da Sociologia moderna, pois foi responsável por definir os métodos e as aplicações dessa nova ciência, além de tê-la consolidado como disciplina acadêmica.
O método utilizado por ele para desenvolver explicações científicas é o distanciamento dos fatos observados para resguardar a objetividade de sua análise, sendo necessário que o sociólogo deixe de lado seus valores e sentimentos pessoais. Para Durkheim, a tarefa do sociólogo é analisar a sociedade e encontrar remédios para a vida social, já que ela pode apresentar estados patológicos.
O que realmente interessa à vertente durkheimiana é a preponderância da sociedade sobre o indivíduo e os mecanismos de coerção daquela sobre este. Ele foi um dos primeiros a analisar os fatores coercitivos que levam o indivíduo a um enquadramento e a uma normatividade estabelecida. Dessa forma, o filósofo define fato social como sendo “toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais”.
Assim, os indivíduos são levados a moldarem-se segundos padrões impostos pelo grupo social no qual estão inseridos e, caso fujam às normas, eles estão sujeitos à repreensão e a penas. Até mesmo o riso que tal indivíduo provoca, por não partilhar dos mesmos costumes que o restante, trata-se de uma forma de coerção.
A pressão para que todos os indivíduos atinjam um padrão de vida ideal gera graves conseqüências, que podem ser facilmente notadas quando analisamos o número acentuado de casos de suicídio no Japão. Isso porque o fracasso advindo da não adequação aos padrões preestabelecidos nesse país é sinônimo de fraqueza e desonra.
Nota-se então a contemporaneidade das ideias de Durkheim, pois a busca pela adequação aos padrões vigentes na sociedade é um fato que enfrentamos todos os dias.

A marca da sociedade


      Diversas sociedades primitivas possuíam como um dos seus principais costumes um ritual, que diferia entre cada uma, o qual representava a passagem dos seus habitantes para a fase adulta. Nesse ritual, utilizava-se de algum tipo de tortura, que, na crença do povo, possuía como função “marcar” os indivíduos como pertencentes àquela sociedade, deixando registros físicos como provas e maneira de nunca esquecerem disso.
     Hoje, não é através de sofrimentos ou tortura que a sociedade marca seus pertencentes – é através da coerção, do chamado fato social, teoria elaborada por Emile Durkheim. Este consiste em um conjunto de regras que regem o comportamento dos seres, desde suas roupas, até a maneira de agir e os gostos. Através deles, ela molda o povo de maneira difícil de ser percebida, uma vez que não age abertamente, entram no indivíduo como hábitos, fazendo-o pensar que está agindo por conta própria, quando na verdade apenas expressa um comportamento pré-determinado. Isso será sentido com mais força a partir do momento em que ele tenta combate-lo, pois aí a reação punitiva, que buscará reestabelecer a norma, se mostrará sobre ele.
     Na função de impor essas normas ao indivíduo, segundo Durkheim, a educação possui o papel mais importante. O homem não é um ser social naturalmente, é preciso moldá-lo, adaptá-lo, e é o que a educação faz: forja os seres sociais, interiorizando neles regras que acabarão por ser aceitas, por costume e resignação, até que passem a reproduzi-las como se fossem frutos de sua própria elaboração.
      Desse modo, os indivíduos são marcados como pertencentes à sociedade em que vivem, apenas de uma maneira mais sutil que a utilizada pelas sociedades primitivas, mas que surte o mesmo efeito. O indivíduo, uma vez que consolidado no modelo padrão social, nunca o esquecerá, e dificilmente o mudará, mesmo que se isole ou mude de cenário, pois são marcas já intrínsecas a ele.  

Sociedade de escolhas?

No livro "Que é fato social?", de Durkheim, se tem a explicação que nenhuma decisão, sentimento ou comportamento de cada indivíduo é própria dele, e sim 'imposta' pela sociedade indiretamente. Seja pela educação escolar, pelos meios sociais ou até em casa, suas decisões e seu comportamento foram forjados pelo modo de pensar do social. No entanto, pode se notar indivíduos que 'mudaram o mundo'. Gandhi, Martin Luther King, Galileu Galilei, pessoas totalmente fora do seu plano de realidade, cuja a única explicação para existência destas é que nós temos, sim, pensamento individual.
Mas estes homens não seriam, no entanto, um fruto da própria sociedade?
Como exemplo, vemos a mudança durante a Idade Média. Durante ela, a religião era o molde coletivo para o comportamento e modo de pensar. Ainda assim, a civilização se modificou até o ponto contrário extremo, o Iluminismo. De certo modo, pode se interpretar que foram mudanças no pensamento individual que causaram essa transformação no coletivo. Mas, visualizando que a passagem da forma de comportamento entre indivíduos de uma sociedade visa o bem desta, o ideal não seria a variação do modo do pensamento, de uma maneira evolutiva, evitando assim a estagnação da sociedade numa única forma de agir? Isso possibilitaria ao ser humano o aumento das suas área de conhecimento e ação, mantendo-se pontos da civilização ultrapassada e adicionando estes a essa nova era.
No entanto, ainda pode ser dito que essas mudanças se originaram do individualismo. É preciso se ter em mente que a constante pressão social para se manter um único modo de pensamento e comportamento é a própria ignição para a busca pelo contrário. É o instinto humano na busca pelo que é proibido e a própria curiosidade do homem em ação. 
Por exemplo,  recentemente, a Carolina do Norte, estado norte americano, proibiu qualquer tipo de casamento numa relação homoafetiva. O que se espera é o enfraquecimento da causa, uma derrota. No entanto, o que se vê é um maior apoio a tais casamentos, mais do que antes da proibição. É possível ver claramente que um modo de pensar e agir, o conservador, consegue intencionalmente direcionar o liberal, mesmo que pelos seus erros.
Portanto, se conclui que, mesmo as mudanças sendo geradas por pessoas específicas, estas são frutos de sua sociedade. Seu surgimento está ligado a forma de comportamento do social no momento em que ela vive, seja essa ligação a favor de tal comportamento ou contra.

Uma visão mais holística

Emile Durkheim expande de maneira fantástica a idéia de como o homem se insere na sociedade, ao introduzir o fato social que implica a coerção que a sociedade exerce sobre os indivíduos e a qual todos os homens sempre respondem, Durkheim explica muitos dos fenômenos individuais que sempre chocaram ou intrigaram os ocidentais durante a história. Comportamentos socialmente deslocados como suicídio, crime e outros para Durkheim são considerados patologias sociais, e que por sua vez são frutos de falhas nas instituições que compõe a sociedade tais como escola, religião, família e estado. Esta tese é comprovada quando se observa com cuidado bilhetes suicidas ou até mesmo depoimentos de criminosos. O estudo de Durkheim é uma das chaves mais importantes para uma atualização do Direito, na obra de Durkheim se encontra o que seria a essência do Direito preventivo e de visão mais holística, aquele capaz de corrigir as deficiências da sociedade em sua base, e não apenas aplicar sanções paleativas e pouco eficazes. Além disso, a importância acadêmica do conceito de fato social extrapola simplesmente as explicações e resultados que podem ser obtidas através desse recurso metodológico, o fato social serviu para que a sociologia lograsse um maior grau aceitabilidade como matéria acadêmica, tirando completamente o estudo social do campo das abstrações.

domingo, 13 de maio de 2012

A necessidade que justifica

Durkheim afirma que todo "fato social" possui uma "causa eficiente", ou seja, uma necessidade que justifique a coerção exercidade pela sociedade. Se analisarmos tal afimativa e a aplicarmos na nossa sociedade veremos que ele estava certo.
Ora, se a sociedade exige determinado comportamento dos indivíduos e estes concordam e seguem esse comportamento, é porque ele é necessério para a convivência e organização social. Não teria sentido a sociedade exigir das pessoas algo que não seria útil para elas, porque elas simplesmente não aceitariam, e a coerção social não existiria, não existindo, assim, fato social.
Se não nos fosse conveniente andarmos vestidos em público e nem comer com talheres, por exemplo, não o fariamos, e a força coercitiva perderia espaço na sociedade.
Assim, a "causa eficiente" é o que garante a manutenção de determinado "fato social", já que é a justificativa, o motivo de aceitamos agir conforme a sociedade exige.

A pressão irracional

   Mesmo mais de um século após a morte de Durkheim, sua teoria do fato social mostra-se extremamente atualizada ao afirmar que o indivíduo está sob constante pressão social. É extremamente comum assistirmos em cenas em que adultos e crianças tomam decisões e agem de acordo não com suas vontades, mas de acordo com a aprovação social.

   De acordo com John Locke o homem é uma folha em branco que é escrita de acordo com sua vivência. Poderíamos pensar a partir de Durkheim que o homem pode nascer como uma folha em branco, o que é impresso em seguida, entretanto, seriam as pressões sociais.

   As pessoas são orientadas desde sua infância no em seu vestuário, alimentação e comportamento, tudo de acordo com as regras da sociedade em que vive. Mesmo sem perceber, toda a sua vida é baseada na pressão que aquela sociedade imprime sobre o indivíduo.

   Qualquer um que saia do padrão de comportamento dentro da cultura em que vive acaba sendo segregado pela sua sociedade e geralmente procura um grupo com que se identifique dentro do seu padrão de comportamento. Um exemplo disso são os grupos góticos que são muitas vezes julgados pelas pessoas e buscam um grupo onde se sintam aceitos.

   Antes de tomar alguma atitude ou de julgar alguém que não se encaixa nos padrões sociais, é prudente fazer uma análise e pensar se tal atitude ocorre apenas porque “todo mundo também faz" ou se há algum motivo racional por trás.

Durkheim e o Relativismo Cultural


    Augusto Comte, certamente foi um dos grandes responsáveis pelos primeiros passos da sociologia. Sua visão prática para analisar a sociedade foi de fundamental importância para sua época, pois permitiu enormes avanços de outros pensadores e da sociedade em geral. Porém, seu pensamento abriu às portas para uma interpretação etnocêntrica das outras sociedades, e tal ponto de vista auxiliado pelos interesses econômicos dentre outros, permitiu a extinção de diversas culturas e populações.
Foi graças ao fato de Durkheim apontar a metafísica que estava presente no “lema” de Augusto Comte “o Amor por principio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. Dá um primeiro passo ao que iremos chamar de relativismo cultural.
         A própria postura que Durkheim nos ensina para lidar com o fato social nos ajuda a melhor compreender e respeitar, e fazer até mesmo uma análise mais profunda das sociedades. Pois ao nos colocarmos como meros observadores, não iremos deixar transparecer, em quantidade impactante, nossas opiniões e preconceitos a respeito das sociedades analisadas.
         É por essa razão que o pensamento contido nas obras de Durkheim deveria ser muito mais divulgado do que é atualmente, principalmente nos meios jurídicos. Pois, somente assim as instituições poderão aplicar o direito de maneira mais ética, buscando evitar os tão perigosos choques culturais que são responsáveis pela perda de culturas e até mesmo vidas.

Investigação Social


            Emile Durkheim ao investigar a sociedade verifica que os seres humanos tem seu comportamento regido por fatos sociais, sendo que a explicação desses sempre se valera da investigação do meio social interno, pois este as determina.
             Durkheim acredita em uma visão relativamente determinista, de que a sociedade se assemelha a um organismo biológico, e que o homem é influenciado pelo meio que vive e pelas condições sociais, culturais e educacionais que obteve em seu período de criação. Por exemplo, acredita que a explicação para o crime esta contida no meio em que o individuo criminoso foi formado, nos preceitos morais a eles cedidos e outros fatores que se consideram deterministas; e que se um menino for criado por animais, por exemplo macacos como o caso do Tarzan, esse não engendrara o comportamento da sociedade, mas sim o de fora dela,o da que foi criado.Ou seja, acredita que é necessário uma implicação interna para que as coisas aconteçam, baseado nas coisas que lhes foram ensinadas e na moral que lhes foi aplicada, não bastando apenas querer.    Sendo moral para Emile, tudo que se diz respeito  a negação do instinto e doação ao todo. Outrossim, Durkheim presa que toda sociedade tem que ter no mínimo coesão e equilíbrio – organização. Assim, a divisão do trabalho é um exemplo desse condicionamento e o crime organizado como o próprio nome diz é organizado e isso que os confere relativo sucesso. Entende também que a sociedade não é formada pela soma de consciências, mas sim por uma consciência coletiva que a fundamenta e baseia.
            Durkheim através de analises passa a verificar, segundo sua ótica, que o componente humano do meio social se define por características da densidade dinâmica e da densidade material. Sendo a Densidade Dinâmica – vínculos morais de conduta e a Densidade Material – volume de habitantes no mesmo espaço físico, também definido pelas possibilidades de interconexões, não existindo conexões causais, mas apenas as que impelem a historia para frente. Embora a explicação dos fenômenos sociais seja interna a cada saciedade especifica e não presente na historia.
       Logo podemos visualizar que Emile Durkhiem tem uma visão cientifica e biológica da sociedade, colocando esta como um organismo social semelhante ao biológico. Ademais, tem uma visão relativamente determinista social em relação ao individuo, pois acredita que a vontade desse é limitada perante a formação concedida pelo meio a este. Vendo também a necessidade da sociedade ser organizada e coesa para seu sucesso, e verifica que isso condiciona seu impulso para frente em relação as outras, determinando seu sucesso ou não. De modo a organização determinar seu “desenvolvimento” e não a historia.

Usos e justificativas


Interpretações. Existem várias quanto ao texto de Durkheim, “As regras do método sociológico”. Contudo, podemos salientar duas.
O autor retrata em seu texto que cada elemento social tem seu papel na sociedade com o objetivo de manter a coesão dela e garantir sua sobrevivência. Com isso, aquele que se rebela contra esse “papel”, segundo Durkheim, deve ser punido.

É possível interpretar esse texto de acordo com uma lógica de justificação da manutenção do status quo. De acordo com ela, a manutenção desse “papel” seria apenas uma forma de as elites manterem-se no topo, controlando os oprimidos operários.

Outra é considerar que o “papel” que cada um tem no meio social, segundo Durkheim, é fundamental e imutável. Para a sobrevivência da sociedade, não deve haver mudanças nessa ordem; a elite continua elite, pois assim ela poderá contribuir para a manutenção social, e o operário continua operário, pois dessa forma ela vai garantir a existência do meio social.

Temos exemplos históricos de ambas interpretações e seus desdobramentos. Dessa forma, podemos avaliar a sociedade por prismas diferentes. Cabe a quem reflete decidir qual visão é de sua preferência, mas, ainda sim, manter a máxima de Émile Durkheim: a sociedade, tal qual o corpo humano, necessita de órgãos que efetuam trabalhos específicos que são fundamentais para sua existência.

A Razão de Durkheim

  Em " As Regras do Método Sociológico", Émile Durkheim descreve a matéria-prima do estudo da Sociologia, sendo o fato social seu principal substrato a ser analisado. O autor determina o fato social como um grupo de eventos (ações cotidianas) que decorrem da força coerciva da sociedade e atuam sobre os determinados indivíduos sujeitos à sua "jurisdição".
  O fato social então depende da existência de bases sólidas, como instituições sustentadas pela tradição.
Enquadram-se diversos exemplos de instituições como: a igreja, o mercado, a família, o direito e etc. Esses grupos então usam dessa força constantemente puxada pelo conservadorismo para criar hábitos e ritos que perduram por anos.
  Os trajes criados por essas peças da sociedade são vestidos todos os dias. Em um mesmo período de 24 horas, um pai de família entra nas vestes sociais de um trabalhador, que precisa se submeter aos espaços que lhe cabem dentro de uma empresa, ou então nas roupas familiares de marido, e sujeitando-se a tais forças comporta-se de maneira esperada pela sociedade.
  A discussão que aqui cabe é: somos todos criados e levados pela vida a desempenhar sempre esses papéis sociais que já existiam antes de nós? Será o individualismo do mais extremista religioso algo já pré-formatado? Eu acredito que sim.
  Essa crença particular deriva do fato de que é impossível fugir da área marcada de atuação humana, que tem como cerca limitante as organizações sociais. Por mais diferente a posição que cada um de nós ocupe nesse espaço, estaremos sempre dentro do esperado, pois aquele que tenta escapar ousa ser excluído do convívio social  e tem como possível fim a morte por meio do suicídio.





 

O SÉC XIX E AS SUAS DIFERENTES VISÕES




Na segunda metade do século XIX a sociologia começava a tomar corpo como ciência através da visão de Émile Durkheim, porém, para tomar tal visão, essa nova ciência deveria ter o seu objeto de estudo assim como a medicina, a química, a física, que possuem seus objetos de estudo sendo os elementos naturais. Após Durkheim, a sociologia passou a ter seu objeto central de estudo,o fato social, ou seja, todos os fatores sociais que se passam no interior da sociedade e se relacionam com os individuos que a constituí.
Outro nome importante da história da ciência, contemporaneo a Durkheim,  e que buscava questionar a sociedade e como o homem se relacionava com a mesma era Sigmund Freud, um médico austriaco considerado o pai da psicanálise. Freud em muitas de suas obras analisa o indivíduo como um ser que submete seus instintos e vontades a diversas normas impostas pela sociedade, e isso tem inicio na própria infância, com os primeiros conflitos entre o corpo, representando o instinto e a repulsa dos adultos, como uma repressão paterna, induzindo certa forma de comportamento.
Qual a relação entre Durkheim e Freud ? Embora, o médico austriaco, analisasse os seres humanos por uma perspectiva individual, fisiológica, característica do estudo da medicina e da psicologia, ao contrário da sociologia, que desconsidera as ações individuais, mas busca estudar a visão geral, através das relações entre os indivíduos vivendo em sociedade, Durkheim também afirmou a existência de "fatores" que exerecem uma coerção sobre o indivíduo, os fatos sociais, que ja existem antes do nascimento do indivíduo e considera-se coercitiva pelo fato de 'moldar' o modo de vida da pessoa.
Durkheim vê os fatos sociais, além da ideia de coerção, como algo que mantem a sociedade em forma de consenso, algo que mantém a ordem, e que o estudo de um determinado fato social, após ser identificado, é algo que auxilia o estudo e a interpretação da sociedade com todas suas complexidades.

Soneto de Durkheim


Por buscar respostas no meio interno
Durkheim supera o positivismo
pois vê a sociedade como um organismo
quando o progresso não é pleno nem eterno.

A sociedade, impulsionadora de todas as ações,
é o que é, e não o que dela se pensa,
não permitindo gestos individuais nas nações
desenvolvendo a solidariedade social e sua presença.

E quem comprometer sua sincronia
deve ser afastado e reabilitado
através dos mecanismos de defesa que o organismo cria.

O desenvolvimento do colapso moral
é pois a ausência dessa regulamentação adotada
que caracteriza tal dinâmica como fato social.

Modelo Social


Segundo Durkheim, em as “Regras do Método Sociológico”, o fato social é “todo aquele que independe do indivíduo e tem como substrato o agir do homem em sociedade, de acordo com as regras sociais.” (PP. 01 e 02), portanto, nossas ações individuais são direcionadas pelas regras estabelecidas pela sociedade. Tais regras são reafirmadas pelas instituições sociais, como a escola, a família, o Estado.
A educação, por exemplo, é uma forma de moldar o indivíduo, incutindo-lhe regras que aos poucos são interiorizadas e passam a ser normais, como o uso de talheres e a vestimenta. Mesmo quando estamos isolados em nossa intimidade, mantemos as regras sociais. Logo, quando as instituições falham, ou ainda quando o indivíduo não passa pelo processo da família, da escola, não podemos cobrar-lhe que aja como “deveria”, como a sociedade estabelece; Para Durkheim, não é o indivíduo que é mau, e sim há uma má funcionalização das instituições.
O filósofo vai além do Positivismo de Comte, pois busca a explicação para o mau funcionamento dessas instituições, analisando os fatos além do indivíduo. Podemos fazer uma breve comparação entre Durkheim e Rousseau. Rousseau no “Contrato Social” afirma que o homem, em seu estado de natureza é impossibilitado de existir, precisa, portanto estabelecer normas de convivência com os seus semelhantes. Estas normas submetem os impulsos naturais aos padrões coletivos. Assim como Durkheim, Rousseau acredita que a sociedade é um conjunto de regras estabelecidas para o bem comum, não privilegiando o indivíduo e quando são quebradas por alguém a própria sociedade aplica-lhe uma sanção. É a preponderância da sociedade sobre o indivíduo.
As escolhas individuais, em alguns casos, diferem-se do imposto pelo social, como por exemplo, a escolha do momento para o casamento, para ter filhos; esta escolha quando destoa do modelo imposto acaba tornando-se uma maneira de coerção social, como foi proposto por Durkheim e Rousseau, pois a própria sociedade começa a cobrar do indivíduo a maneira “correta” de agir. Conclui-se que a compreensão dos fatos sociais é de extrema importância para a análise da sociedade, entretanto não deve ser entendida sempre como uma “verdade”, pois pode tornar-se uma forma de preconceito e repreensão desnecessária para aqueles que não seguem o modelo imposto. 

A sociologia de Durkheim

Durkheim viveu em um período do século XIX em que as instituições estavam degradadas, as pessoas viviam miseravelmente e portanto, influiam no próprio funcionamento da sociedade como um todo. Isso pois, o autor defende que o meio social é como um organismo vivo, no qual todas as partes são integradas e qualquer alteração, por menor que seja, em uma das partes pode causar um desequilibrio maior. Sendo assim, a condição miseravel de algumas pessoas poderiam influir de maneira negativa na vida de outras. Para tanto era necessário que a sociologia resolvesse os problemas sociais. 

O autor defendia, ainda, que o homem era um animal selvagem, e conforme foi se relacionando com outros indivíduos tornou-se sociável. Surge,então, a consciência coletiva, que é formada pelos pensamentos que habitam a mente humana, guiando cada ação do homem.  

Para essa socialização ser completa é importante que existam instituições.Estas, na concepção de Durkheim, devem assegurar a ordem social, para isso precisam ser conservadoras, com regras claras para garantir segurança ao homem. 

Durkheim defende também a importância da educação, visto que , é por meio dela que uma sociedade pode se desenvolver mais. A nação deve , portanto, invertir em educação para um maior desenvolvimento.

Contra a corrente


    Durkheim contribui em muito á sociologia ao apontar a influência que o meio social exerce sobre os indivíduos. Porém, a forma condicionante e quase determinista com que isso se apresenta não esclarece alguns fatos que ocorrem – e ocorreram - nas sociedades. A sociedade apresenta casos nos quais indivíduos assumiram posturas as quais podem ser explicadas apenas por sua vontade individual, por sua individualidade, negando a nulidade desta ultima defendida por Durkheim. Há a participação da coerção social nas ações dos homens, mas também da vontade individual.
  A própria literatura apresenta casos os quais demonstram a influência da vontade individual na postura dos indivíduos. No livro de Jorge Amado, Capitães de Areia, contrariando a tendência que a sociedade bahiana lhes impunha, alguns dos protagonistas foram capazes de buscar outros destinos para si próprios. Levando-se em conta apenas a “influência do meio”, tornar-se-iam ladrões e, no entanto, um torna-se pintor, outro líder revolucionário, outro ainda busca a vida religiosa.
  O próprio Machado de Assis, escritor brasileiro e mulato do século passado, contrariou todas as pressões sociais que existiam entorno da figura do negro ou descendente, ele virou escritor, dominava várias línguas, era autodidata e ainda casou-se com uma mulher branca e de distinta classe social.
  José Bonifácio, Edith Piaffi, Chiquinha Gonzaga, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Santo Agostinho, Sócrates... são também exemplos de personalidades que subverteram as tendências de sua época não por causa de uma “tendência” social, mas por si mesmos. Essas pessoas e suas histórias demonstram que há também participação da individualidade de cada um nas escolhas tomadas, nos comportamentos observados na sociedade e nas trajetórias de vida das pessoas.

Meio de organização ou repressâo?

Émile Durkheim ao analisar a sociedade como um todo, ressaltou que é através dela que o homem sai de seu estado selvagem, sem ordens, para um convívio harmonioso, e que são os fatos sociais que regem esta norma, impondo "obrigações", como andar vestido e alimentar-se com talheres, que são fundamentais para manter a ordem e o bom convívio entre os cidadãos.
Com este pensamento, o autor é visto como um conservador por muitos pesquisadores, os indivíduos que se comportam distintamente dos fatos sociais são passíveis à marginalização ou até mesmo punições segundo a lei.Seria uma estrutura imutável impregnada desde os primórdios da civilização?
O homem é fruto do meio em que vive.Se, por exemplo, um ser humano é criado por animais desde o seu nascimento, irá comportar-se semelhante a eles, seguindo atos convenientes ao meio e a quem está interagindo com ele, se inserido em uma sociedade atual sem uma preparação, seus modos e costumes irão chocar-se diretamente com os fatos sociais, não obtendo uma harmonia.
Com este exemplo é possível ver o que a dimensão do coletivo é capaz de influenciar na vida de uma pessoa, não é necessário um caso tão extremo como este, a idade "marcada" para casar e ter filhos na sociedade atual é um espelho disso, todos esperam que o ser cumpra este papel.
Os fatos sociais são de grande apoio para uma base sólida de um povo, entretanto não se deve ter uma noção extrema deste caso, o próprio exemplo citado acima não constitui um fato social, não é algo que atende as características como generalidade, exterioridade e coercitividade.São propriamente preconceitos impregnados nesta estrutura, deve-se peneirar o que é um fato social e o que é um preconceito ou instrumento de repressão, fazendo com que as teorias se moldem aos fatos e não a situação contrária.



João Pedro Leite - Primeiro ano de Direito- Noturno

A Importância do Método

       Apesar da existência da ciência 'Sociologia' ser anterior à Durkheim, é com esse grande cientista que essa ciência humana passa a ser tratada como uma nova ferramenta para o estudo da sociedade em prol de sua melhora.
      É de extrema importância o conhecimento desenvolvido por Durkeim, esse explicita a maneira como deve-se corretamente analisar os eventos sociais, ou fatos sociais, para que assim possa-se distinguir o que é causa, e o que é consequência dentro da complexa rede de instituições e indivíduos que compõem a sociedade. Ao propor essa indagação, retira-se do fato social o caráter pessoal - portanto parcial - assim possibilita-se encontrar a falha , ou as falhas muitas vezes, nas instituições (família, estado, etc.) com os devidos ajustes evita-se outros casos com essas mesmas características.
     O período vivido por Durkheim foi repleto de mudanças drásticas, como a industrialização, e o êxodo rural, tais mudanças afetaram a vida do ser humano de modo nunca registrado anteriormente, agora o ser humano passa a ser apenas parte do processo de produção, seu conhecimento específico ou 'know how' é substituido pelo maquinário, tornando-o apenas um fornecedor de força bruta extremamente desvalorizada. Os efeitos dessa nova realidade mudaram o ser humano e seu modo de vida, a pobreza, a fome, o trabalho miserável desde a infância, são apenas algumas das chamadas 'falhas do sistema social' que Durkheim propõem analisar, e assim, conhecendo suas causas, seriam devidamente consertadas.
     Essa imparcialidade adquirida com o estudo metodológico de Emile Durkheim traz uma grande segurança sobre a efetividade dessa ciência, assim os profissionais do Estado, os estudantes da realidade social vivida, podem utilizar o conhecimento desenvolvido por essa ciência em prol de reais mudanças na sociedade, esse caráter utilitarista foi um dos grandes focos de Durkheim, que visava criar uma forma de entender e melhorar a vida social.
 

Homem Cultural


  Émile Durkheim, em As Regras do Método Sociológico, exprime seu ponto de vista a respeito das características do fato social. As diferentes facetas culturais são constructos sociais aos quais os seres humanos são submetidos desde seus nascimentos até suas mortes. Assim, o homem é um ser cultural que têm suas opiniões, desejos e ações regidas por sua educação e costumes.

  Essa cultura social está tão enraizada na humanidade que pensamos ser algo natural, no entanto Durkheim afirma haver um motivo para que isso ocorra dessa forma, os fatos sociais são guiados pelos costumes e as tradições que são passados de pai pra filho e assim acabam se perpetuando, parecendo assim, que se trata de desejos naturais quando na verdade são apenas formas de manutenção do equilíbrio.

  O homem se torna esse ser social, pois tem seus instintos inibidos desde o nascimento, recebendo durante sua infância uma alta carga de cultura vinda de seus pais e mecanismos de formação. É na infância que são formados os juízos de bem ou mal, correto e incorreto e é nela que aprendemos a viver em sociedade e a nos comportar perante as outras pessoas. Desse modo, constatamos ao observar diferentes culturas e suas disparidades, o comportamento social e as semelhanças de pessoas que convivem em um mesmo ambiente cultural, que de fato o homem não é um ser social, mas sim um ser socializado em sua essência.




Coletividade acima do individualismo


Para Durkheim a sociedade é composta pela solidariedade, mas a definição que ele dá para este ato não é parecida com a nossa. Ele defende uma solidariedade coletiva, ou seja, cada papel social que exercemos é diferente e contribui para o funcionamento da sociedade. Por exemplo, o fato das pessoas irem ao trabalho, elas estão contribuindo pra que a vida dos outros indivíduos seja facilitada com a prestação de seus serviços. Segundo o autor, cada um tem um papel social a desenvolver. As famílias são células que reproduzem outras células, e assim a sociedade vai evoluindo, cada vez com mais integrantes. 
A criminalidade é considerada uma falha por Durkheim, as pessoas não desenvolveram bem o seu papel social e nem tiveram uma base familiar. Apesar de Durkheim ter vivido em uma época diferente da nossa, os seus conceitos acabam se tornando atuais. Hoje, mais do que nunca temos um grande problema de violência, e isso é a causa da falha de muitas instituições, como a família, governo (que não fornece educação), enfim... Como o autor defende, o indivíduo sozinho não compõe a sociedade, as necessidades mudam de acordo com o tempo e a população se adapta a elas. Indivíduos que não “cumprem” o seu papel social, devem ser corrigidos para o melhor funcionamento do coletivo. Se a criminalidade brasileira cresce cada vez mais, as instituições devem agir em prol do social e da evolução. É por isso que para alguma realidade mudar é necessário que todos ajam. Passeatas, abaixo assinado, protestos, são forma de se impor a situações que não consideramos certas e assim a sociedade muda e evolui.

Conexões Causais


Leo Huberman, em seu livro “História da Riqueza do Homem”, descreve toda a mudança social e política ocorrida na Europa a partir da Idade Média através dos olhos da economia. Segundo sua tese, as mudanças econômicas alteraram e continuam alterando as formas da sociedade se organizar. Sendo assim, entende que a economia ajuda a explicar acontecimentos históricos, causando-os, muitas vezes; e a teoria econômica sem a história, não tem sentido de existir.
Outro autor que se utiliza da interconexão economia-sociedade para explicar a dinâmica social é Marx, quando diz que todas as sociedades passarão pela fase comunista e o ápice da organização social é o comunismo, sendo que essas fases estão inter-relacionadas, são interdependentes, e tem laço causal entre si.
Na contramão desses autores encontramos Durkheim com a visão de que não existem conexões causais que expliquem os fenômenos, de uma forma que “as etapas que a humanidade percorre sucessivamente não engendram umas às outras”. Pois “tudo o que atingimos experimentalmente nesta questão, é uma sequência de mudanças entre as quais não existe laço causal. O estado antecedente não produz o consequente, mas a relação entre eles é exclusivamente cronológica.”
Sua explicação está na perda de individualidade dos povos que decorreria dessa não-independência histórica. Vendo que assim, cada povo seria o prolongamento daquele que o antecedeu, fazendo parte de um momento diverso do mesmo e único desenvolvimento.
Embora não concordando também com os autores que dizem que temos desenvolvimentos sequenciais e SEMPRE dependentes dos acontecimentos históricos; pode-se ver as sociedades como prolongamentos das organizações sociais precedentes, mas essa caminhada social não é uniforme, progride e retrocede conforme as necessidades não só econômicas, mas territoriais, climáticas, de saúde, etc., de uma forma que tenham individualidade, diversidade e possam conduzir a caminhos inesperados, como os encontrados por Durkheim.
Durkheim e o pastoreio social


   Com sua obra, assim como Comte, voltada para a sociedade, Durkheim expõe seu método sociológico apoiado na definição e distinção de fato social.
   Considera-se fato social todo aquele que não é provocado pelo indivíduo em si, mas condiciona o comportamento do homem social de modo intenso orientando a sociedade pela coerção da mesma. Desse modo, há a convergência de padrões de comportamento e a formação de uma espécie de consciência coletiva.
   A partir de tal convergência e com sua sedimentação, o indivíduo, acomodado com essa autoridade coercitiva, passa a acreditar que seus atos e escolhas são de natureza íntima e originalmente individual quando, na verdade, é incitado a agir de tal maneira.
   Assim, confirmado pela educação que recebemos desde o nosso nascimento, somos submetidos a obedecer certos padrões usualmente estabelecidos onde punições e represálias funcionam como meio de manutenção em detrimento de opositores e daqueles que não se enquadram socialmente.


                                                                                                Renan Silveira

Coletividade x Individualidade


Durkheim em seu livro “As regras do método sociológico” tenta infundir na população uma idéia de coletividade da consciência, onde todos devem pensar em favor do bem comum, sem se apegar as noções individualistas, pois somente quando agrupado em uma sociedade o homem pode se diferenciar de animais. Dessa forma ele cria um método sociológico em que as instituições se destinam a manter a unidade social, para sempre integrada ela poder evoluir e se manter em um ciclo constante, como já foi preconizado por Comte.

A falha na doutrina de Durkheim se deve ao fato de que as pessoas são diferentes entre si, o que leva a coletividade a impor suas vontades frente a uma minoria, que muitas vezes é subjugada e inferiorizada. Essa contenção, normalmente, é feita através de normas rigorosas que acabam levando a uma imposição de valores, o que nunca é benéfico para uma sociedade, pois leva a insatisfação e rebeliões de alguma minoria subestimada, e isso, infelizmente, pode gerar o caos social.

Dessa forma, procurar manter a população integrada é fundamental para o bom andamento da sociedade, mas desrespeitar a individualidade de cada um é podar uma característica inerente ao ser humano. Então, deve-se pensar nos fatos sociais como ações ou mudanças que possuem pessoas como protagonistas, e não com a sociedade sendo mais importantes que as pessoas que a constituem.

Pós-positivismo X História


Émile Durkheim analisou profundamente os comportamentos que levam o homem a viver em sociedade. Em decorrer de seu estudo, criou o conceito de fato social, mas o seu conhecimento o levou muito além.
                O sociólogo estudou as Instituições e concluiu que elas surgiram de necessidades, ou seja, causas eficientes que se vinculam à ordem do organismo social. Assim, elas são responsáveis pela manutenção da ordem por meio da coerção social e expressam a consciência coletiva.
                Ainda segundo Durkheim, a essência da consciência coletiva é composta pela densidade dinâmica e pela densidade material, que correspondem, respectivamente, aos vínculos morais comuns – padrões de conduta- que equilibram a vida social, e ao número de habitantes em um determinado território e suas possíveis relações – o que estabelece uma vida comum.
             As transformações dessas densidades refletem na modificação das condições de existência das sociedades. Esse pensamento fez com que Durkheim criticasse a corrente historicista por não estabelecer conexões entre os fenômenos sociais, ou seja, não estabelecer laços entre as mudanças ocorridas na sociedade.
                Assim, o autor infere que a explicação dos fenômenos que ocorrem na sociedade não está simplesmente na história, que divide os acontecimentos e os analisa mecanicamente: tais fenômenos são internos às sociedades, e devem ser analisados de acordo com os fatos sociais e as Instituições, coercitivos da consciência coletiva.