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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Física Social e o Regime Positivo

Em seu ''Curso de Filosofia Positiva'', de 1830, Augusto Comte apresenta o pensamento positivo ou Positivismo como sendo o estado da virilidade da inteligência do ser humano.Comte declara que as concepções e o conhecimento humano se subdividem historicamente em três estágios.São eles: o estado ''teológico ou fictício'', o estado ''abstrato ou metafísico'' e, por fim, o estado ''científico ou positivo''.Cada um destes estados seria um amadurecimento do próximo, nesta ordem, culminando com a filosofia positiva.O autor defende que era chegado o momento de se abandonar por completo o primeiro e o segundo (para ele um estágio transitório para o positivo).Reconhece, entretanto, que não eram todos os ramos do conhecimento que aplicavam o ideal positivo em sua metodologia.A lacuna era relativa aos fenômenos sociais.Augusto Comte,preocupa-se, então, em tornar positiva a análise social tal como já havia sido feito com outros fenômenos.Havia urgente necessidade de fundar a ''física social'', ou seja, uma ciência social positiva.O positivo preocupa-se com o real, o concreto, o certo e não com a causa e o fim últimos de todas as coisas.O experimentalismo e a idéia de verdade de Francis Bacon são amplamente valorizados, tal como deixa claro o trecho: '' A preponderância da filosofia positiva se afirmou como tal desde Bacon''.As menções a outros cientistas ou pensadores estão presentes em toda a obra; destacam-se, todavia, as referências a René Descartes e às suas propostas e à Isaac Newton.Ambos são valorizados.Quanto ao segundo, seu paradigma da gravidade constituiria um modelo para a ciência moderna.Comte faz severa crítica à psicologia, comparando-a àqueles que, para ele, seriam os estágios primitivos.Defendem-se a observação das leis sociais, fundamentada na lógica dos fenômenos; uma reforma estrutural em todo o sistema de ensino,tornando-o positivo; a integração das ciências na construção de um conhecimento único e uma nova organização social a partir da filosofia positiva.O ideal positivo traria consigo uma homogeinização ideológica que poria um fim à desordem.Ao compreeder-se e ao manter-se a Estática,ou seja, a Ordem, seria possível a Dinâmica, o Progresso, da sociedade como um todo.Vale ressaltar que o Positivismo não desvaloriza a teorização, desde que esta vincule a ciência e a técnica.A técnica aludiria aos pensamentos baconianos de transformação e dominação da natureza.A verdadeira interpretação da natureza só seria possível a partir da ciência positiva.Nas ''Condições De Estabelecimento Do Regime Positivo'', de 1844, Comte discorre acerca da instauração política do Positivismo na sociedade, o que considera seguramente possível.Descreve as instituições de sua época como estreitamente ligadas aos estágios que considera primitivos, sendo caracterizadas pela desordem intelectual.Assistindo as agitações sociais de seu tempo, o autor quer implementar uma revolução mental na sociedade.Defende uma universalização da educação,nos moldes positivistas, aos quais o proleteariado estaria mais predisposto(seria como tábula rasa e estaria mais próximo da natureza).A este último deveria ser dirigido um programa social pelo govervo a partir do qual seu ofício fosse visto como ''doce diversão habitual'' e como o lazer ideal.Haveria, assim, duas ordens de inteligência: os empreendedores e os operadores diretos.O gosto pelo seu trabalho proporcionaria a manutenção da ordem social vigente e a conformação, por parte dos trabalhadores, do seu ''lugar social'', bem como a sua permanência nele.A sociedade positiva deve,assim, ser estamental.A educação valorizaria o trabalho (''a fecunda e salutar apreciação dos diversos deveres essenciais''), mas desprezaria o ócio (''vâ e tempestuosa discussão dos efeitos''), promovendo focalização na realidade da vida e distanciamento das ilusões de mudança.A manutenção da ordem é também verificada na política: ausência do livre exercício direto do poder, mas participação indireta através ''poder moral''.Por ''moral'', Comte entende o espírito de solidariedade a partir do qual há abdicação da mudança de lugar social.Tal preceito tem para ele lugar de centralidade na sociedade positivista, na qual o conceito de felicidade está vinculado ao bem comum (social).Desta forma, ele postula que haverá progresso.

Alicerce na educação

Ausguste Comte, no capítulo de sua obra intitulado "Curso de Filosofia Positiva" divide o conhecimento em três estágios (Teológico, Metafísico e Positivo), os quais correspondem aos períodos pelos quais o desenvolvimento do intelecto humano percorre.
Assim, o autor considera os dois primeiros apenas como insuficientes, defendendo o terceiro como fundamental para a interpretação dos elementos do universo.

No Positivismo, então, Comte baseia seu discurso, centrando suas ideias no príncipio de "Ordem e Progresso", o qual seria a finalidade da ciência.Porém, como ele mesmo reconhece, aplicar essa linha de estudo não é possível, de maneira plena, à "física social". Os fenômenos sociais, por serem inúmeros e tendentes a mudanças não podem ser compilados em um paradigma, como o Newtoniano.

Sua defesa de uma nova classe de cientistas, "preparados por uma educação conveniente" que procure analisar as ciências no que tange aos seus aspectos comuns e nas relações que estabelecem entre si soa falha, uma vez que, embora sjea útil o conhecimento dos padrões a que estão submetidas, parece desconsiderar as particularidades de cada uma, o que pode comprometer sua correta e integral compreensão.

Um aspecto válido apontado por Comte é a reformulação da educação, descartando ou, ao menos, colocando-as em segundo plano, a Teologia e a Metafísica e concentrando os esforços no real, no concreto, no Positivo.Se o objetivo de uma sociedade é, de fato, estabelecer a Ordem e o Progresso, é na educação que encontrará o caminho mais curto.



Do pensamento mecanicista ao sistêmico

O filme " Ponto de mutação", por meio do diálogo entre as personagens, coloca à discussão a visão de mundo sob a ótica cartesiana, representada pelo político, e uma nova percepção , defendida pela cientista.
Descartes introduziu o pensamento de que o mundo funciona como uma máquina, o homem funciona como uma máquina... Desse modo, ao desmontar o todo em pequenas partes, estudá-las e colocá-las novamente juntas seria possível entendê-lo. Entretanto, essa perspectiva mecanicista não cabe no contexto contemporâneo, pois os fragmentos não são independentes, mas interligados.
Para exemplificar sua visão, a cientista traz à reflexão a questão do enfarto: a medicina interventiva desenvolveria corações novos para serem implantados e removeria os enfartados, já a medicina preventiva cuidaria dos procedimentos necessários para evitar a obstrução de artérias. Essa segunda maneira de lidar com o problema é a nova percepção do mundo.
Um ponto relevante da discussão entre as personagens é a dificuldade que as pessoas têm em aderir a uma nova visão. O livro, em que se baseia o flme, foi publicado há algumas décadas, mas ainda hoje estamos como o político, buscando um ponto de partida para começar a resolver os problemas, enquanto deveríamos questionar e perceber que os erros estão na maneira de enxergarmos e julgarmos o mundo.

Mentes reguladas

Não se deve permitir o fluxo contínuo do intelecto. Segundo esse princípio, o filósofo inglês Francis Bacon critica a dialética grega, pautando sua denúncia na premissa de que o uso da mente deve ser contido e regulado. Essa rigidez impede a mente de ser ocupada por falsas convicções, pois os homens tendem a valorizá-las quando funcionam e negligenciam seus erros. Dessa forma, é comprometida a constituição de proposições verdadeiras, as quais devem ponderar os aspectos positivos e os negativos.
Comumente, prendemo-nos às nossas noções e não percebemos suas evidentes limitações, que são as falsas percepções do mundo, as quais Bacon chama de ídolos. Essas impedem chegar à verdade, pois as pessoas costumam pensar, erroneamente, que seus sentidos são "a medida das coisas". Conclui, então, o autor de "Novum Organum", que o método não deve ser refutar os princípios, mas encaminhar os indivíduos aos próprios fatos particulares, para que eles mesmos percebam os equívocos e renunciem às suas noções.
A partir desse ponto, pode-se conseguir o avanço da ciência, firmado na regulação da mente e na experimentação.

Heranças cartesianas

Descartes revela a importância de conhecer os hábitos de diferentes povos e daqueles que viveram nos séculos anteriores, para aprendermos a não considerar tudo aquilo que difere de nossos costumes como inferior ou menos racional. Essa análise pode-se aplicar ao próprio autor, cujo pensamento, embora sofra atualmenete contestações, possui alguns pontos aplicáveis à contemporaneidade.
Dentre eles destaca-se a experiência e a prática como princípios da busca da verdade. A ciência ganhou forte contribuição, haja vista que as especulações dos teóricos precisam ter experimentalmente seu caráter funcional comprovado.
Outro ponto relevante é a contestação da veracidade daquilo que lhe é apresentado. A dúvida é o princípio fundamental do método científico de Descartes, pois para encontrar a verdade refuta tudo o que gera incerteza com intuito de descobrir suas falhas e chegar no incontestável. Esse método deve ser aplicado por todos cotidianamente, considerando a excessiva carga de informações a que somos expostos, as quais exigem precauções quanto à sua autenticidade.
A leitura de textos escritos em outras épocas permite observar algumas questões neles constantes, tais como a busca do conhecimento da verdade. Entretanto, as opiniões de grandes filósofos muitas vezes divergem e dessa forma têm início novas discussões, devendo elas pautarem-se na razão, no bom senso e , claro, na experiência.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O passado não é só o período que antecede o presente, é também sua fonte.

O Novum Organum é uma obra que vem, influenciada pela corrente de pensamento de sua época, tentar estabelecer um método para a construção da ciência, em contraposição ao modo em que o conhecimento era organizado até então, método esse que podemos classificar como Empirismo..
O Empirismo, embasado principalmente na prática e na experiência, é um legado que persiste até os dias de hoje na ciência, e que foi a doutrina seguida por muitos dos agentes do desenvolvimento científico do renascimento em diante.
Submetendo os conhecimentos anteriores à esse método, Bacon concluiu que muitos deles fugiam da esfera do real ou até mesmo eram falsos. Essa quebra de axiomas antigos, a valorização das ciências naturais e as críticas à efetividade do raciocínio humano quando funcionava ingenuamente foram cruciais para o pico de desenvolvimento científico que seguiu o momento histórico em que vivia.
Mas, apesar de em seu contexto histórico essa filosofia ter sido de suma importância, há também de se levantar questionamentos quanto a ela. Não há também possibilidade de erro no raciocínio humano no processo de experimentação? Não seria o trabalho com casos particulares um cabresto que impede de se enxergar o todo? Tal discussão persiste até os dias de hoje, o que prova a força da teoria desenvolvida na obra, e de sua importância na discussão sobre o conhecimento humano.

domingo, 24 de abril de 2011

Ordem (ou unificação) e progresso

Em "Curso de Filosofia Positiva", Augusto Comte defende que para o progresso das ciências é necessária a existência de um único método de estudo, o qual se iniciaria com a abordagem de princípios gerais e simples e gradativamentente se estenderia a princípios específicos e complexos. Partindo desta ideia, Comte sustenta que filosofia natural se divide nas seguintes ciências(da mais geral e simples para a mais específica e complexa, respectivamente):matemática, astronomia, física, química, fisiologia e física social. Essa divisão apresenta um posto qustionável no que concerne à classificação da astronomia como a segunda ciência menos complexa, uma vez que essa ciência pode ser explicada pela matemática, física química e fisiologia. Isso é exemplificado pelo fato de que os fenomenos astronômicos possuem-além de propriedades explicáveis pela matemática-aspectos químicos, fisicos e fisiológicos, como é o caso dos corpos celestes( que são costuídos por elementos químicos e estão sujeitos às leis da física).
Jà existência de um único método de estudo das ciências revela-se ao mesmo tempo benéfica e utópica. Benéfica na medida em que evitaria no meio ciêntífico discordâncias acerca dos métodos de classificação e da nomenclaturas, permitindo aos cientistas em geral uma noção clara acerca das publicações científicas e do trabalho de outros ciêntistas. Tal noção clara possibilitaria que cientistas de diferentes áreas se auxiliassem para a solução de problemas que demandam conhecimentos em uma pluralidade de âmbitos da ciência. O aspecto utópico da existência de um único método de estudo das ciências decorre do caráter efêmero dos métodos de estudo, sujeitos a mudanças no decorrer do processo histórico. Tal caráter dá margem para que diversos métodos de estudo convivam em um mesmo período, uma vez que as referidas mudanças não se processam instantaneamente.

Curso de Filosofia Positiva - Augusto Comte

Ao estudar a história do conhecimento, Comte chega à conclusão de que esse teve três fases: primeiro, a teológica, depois, a metafísica e, finalmente, a positiva, que seria a ciência de feição experimental e racional nascida, para os ramos do conhecimento da natureza, no séc. 16. Observando que a investigação que tinha o meio social como objeto ainda não se encontrava na fase positiva, e achando que essa forma era superior as demais no que produzia de conhecimento, o autor defendeu a criação de um novo campo de estudo, a física social, que teria como característica o olhar científico sobre a sociedade. Nesse contexto, não sei se estou certo, mas as justificativas divinas e transcendentais do direito natural seriam um exemplo do que Comte via como o domínio dos modelos de pensamento do passado sobre o estudo social.

A seguir, falando da ciência em sentido amplo, o autor diz que o filósofo positivista deveria preocupar-se em desvendar as leis que descrevem os fenômenos (naturais ou sociais) e não os motivos absolutos que são suas causas. Esses, para ele, seriam inalcançáveis ao entendimento humano porque não podem ser observados e, por isso, investigados. Comte também critica a visão pragmática da ciência inspirada por Bacon, para a qual toda investigação deveria, antes de se iniciar, ter no seu horizonte uma descoberta com função prática. Para sustentar sua argumentação, dá exemplos de "descobertas" da ciência pura que, sem destinação prática quando foram produzidas, serviram, às vezes séculos depois, para apoiar inovações que viriam a facilitar a vida humana.

Por fim, é interessante também a crítica que o autor faz à fragmentação do conhecimento científico. Defende, para combatê-la, que a formação do cientista deve passar primeiro pelo estudo dos aspectos mais gerais de todas as ciências para só depois ingressar no estudo apronfudado de um campo específico. Esse modelo de educação parece que foi inpiração para o adotado em muitos países, inclusive o nosso, onde, no ensino médio, o estudante é apresentado às linhas gerais de vários ramos da ciência para que só depois, na universidade, se dedique especificamente a um deles com ênfase diferenciada.

sábado, 23 de abril de 2011

Avante, humanidade!

Sendo o primeiro a utilizar o termo "sociologia", Comte cria mais do que uma teoria. Com sua linguagem rebuscada e inspirado na sua esposa falecida, inaugura uma nova religião, um pensamento que, segundo ele, deveria nortear todos os seres na busca do conhecimento. A religião da Humanidade, está presente até hoje em muitos países, inclusive no Brasil. Seu método de pesquisa, buscando o distanciamento do observador preservaria o objeto pesquisado das influências de valoração. Sua forma de pensar seria submeter a imaginação e a argumentação à observação, fato que demonstra grande influência de Bacon e Descartes. A diferença para o empirismo puro se encontra no fato de que não são analisadas as causas dos fenômenos, apenas suas leis puras.
A filosofia comteana tem como carro-chefe seu conhecido tema, expresso em nossa bandeira: "Ordem e Progresso"; ou seja, buscar sempre o melhoramento contínuo da humanidade aliando estabilidade à atividade. Outro lema do método positivista seria o "ver para prever", no qual fica demonstrada a teoria de que, a partir do momento que acompanhamos um fenômeno e a sua relação com outros fenômenos, somos capazes de prever seu desenrolar, o que nem sempre constitui a verdade, já que sempre nos deparamos com fatos ainda estranhos à ciência, o que abre um leque de possibilidades.
Hoje em dia, a tão criticada filosofia comteana por ser "pouco revolucionária", é muito mais aplicável à economia do que qualquer teoria que busque uma mudança revolucionária pois seria irreal. Buscar a ordem é algo bom, calar o ser humano que é inadmissível. Ordem não é necessariamente equivalente à repressão, um contrato social seguido e aceito por todos não deixa de ser ordem. Seguindo-se esses preceitos, inevitavelmente se encontrará o progresso efetivamente.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Auguste Comte e a Filosofia Positiva.

Em 'O discurso sobre o espírito positivo', Auguste Comte define e explica a filosofia positiva, de forma a expor as condições para o estabelecimento do regime positivo. Sua obra revela a oposição direta e radical da escola positiva, a qual considera bastante orgânica e progressiva, em relação às escolas teológica e metafísica, que segundo Comte, comportam perigo de retrocesso ou de anarquia. Revela que a escola positiva tende, de um lado, a consolidar todos os poderes atuais, sejam quais forem seus possuidores; de outro, a impor-lhes obrigações morais cada vez mais conformes às verdadeiras necessidades dos povos. Para isso, o positivismo exige diretamente o espírito em conjunto e a instituição da classe proletária (ou das classes mais inferiores, sem fazer com que o seu ensino venha a excluir outra classe qualquer); e procura constantemente o afastamento de preconceitos e paixões, por sua vez, inerente aos proletários.
Pode-se dizer que o conhecimento positivo busca "ver para prever, a fim de prover" - ou seja: conhecer a realidade para saber o que acontecerá a partir de nossas ações, para que o ser humano possa melhorar sua realidade. Dessa forma, a previsão científica caracteriza o pensamento positivo.
Adotando os critérios histórico e sistemático, outras ciências abstratas antes da Sociologia, segundo Comte, atingiram a positividade: a Matemática, a Astronomia, a Física, a Química e a Biologia. Assim como nessas ciências, em sua nova ciência inicialmente chamada de física social e posteriormente Sociologia, Comte usaria a observação, a experimentação, da comparação e a classificação como métodos - resumidas na filiação histórica - para a compreensão da realidade social. Comte afirmou que os fenômenos sociais podem e devem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, como obedecendo a leis gerais; entretanto, sempre insistiu e argumentou que isso não equivale a reduzir os fenômenos sociais a outros fenômenos naturais (isso seria cometer o erro teórico e epistemológico do materialismo): a fundação da Sociologia implica que os fenômenos sociais são um tipo específico de realidade teórica e que devem ser explicados em termos sociais.
Em conformidade com 'O discurso sobre o espírito positivo', a escola positiva pede apenas, essencialmente hoje, o simples direito de asilo regular nos locais municipais, para aí fazer diretamente com que seja apreciada sua aptidão final para a satisfação simultânea de todas as nossas grandes necessidades sociais, propagando com sabedoria a única instrução sistemática que pode de agora em diante preparar uma verdadeira reorganização, primeiro mental, depois moral e, por fim, política. Sob essas condições, os filósofos positivos buscam a manutenção contínua da ordem interior e da paz exterior, pois vêem nisso, a condição mais favorável para uma verdadeira renovação mental e moral.

sábado, 16 de abril de 2011

Ponto de Reflexão

Em "Ponto de Mutação" Bernt Capra nos imerge no paradoxal mundo da epistemologia através de uma conversa entre uma cientista, um político e um poeta, em uma amálgama característica de Fritjof Capra, autor do romance original.
Em "O Tao da Física" Fritjof Capra estabelece relações entre a filosofia oriental e as novas descobertas da física quântica, em "Ponto de Mutação" a mistura não e menos estranha. A partir de conceitos da física moderna e da teoria dos sistemas, Sônia, a cientista, tenta apresentar a Jack, o político, uma visão de mundo muito diferente da qual não apenas ele, mas também nós estamos acostumados, a visão mecanicista, fundada em conceitos de antigos filósofos e cientistas como Descartes e Bacon.
A nova forma de ver o mundo proposta por Sônia, mais orgânica, propõe novas soluções para os problemas sociais que Jack está acostumado a combater de maneiras tradicionais, buscando estabelecê-los não como peças defeituosas em uma maquina, mas como nós em uma complexa teia de relações.
As opiniões de Sônia são aceitas com ressalvas por Jack, visto que na prática o político enfrenta resistências à sua ação, como lobbys, interesses políticos e problemas no sistema democrático.
Somando-se ao cenário, um castelo francês medieval, Thomas, o poeta, vem dramatizar ainda mais essa quase reflexão do mundo sobre si mesmo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011


Já no início do filme “Mindwalk” é fácil perceber a singularidade do tema proposto. O filme gira em torno de uma interessante conversa entre uma cientista, um poeta e um político. Todos os personagens citados já são adultos e viveram algum tipo de crise existencial, talvez causada sonhos ou ideais frustados. De alguma forma essa conversa muda os personagens ao longo do filme.

Dentre os diversos assuntos e campos do conhecimento abordados, a discussão política se destaca. A cientista tenta doutrinar o político com a evolução do conhecimento, partindo de Descartes, ao mesmo tempo que mostra como a política não acompanhou a mesma. Ela afirma que na mente dos políticos o sistema cartesiano, que fraciona os problemas sociais, distorce a visão da real crise social. Então um novo sistema é proposto em oposição, que encara o problema como um todo, acreditando que só serão resolvidos através de um esforço conjunto, fazendo com que uma solução seja mais difícil e infinitamente mais eficaz.

Através dessa discussão, a ideia de que todo o universo está em constante mutação e uma teia de elementos liga as nossas vidas, faz com que surja uma noção cíclica da existência em si. Assim como uma lenda antiga da Europa Oriental, que era de grande valor na alquimia, propunha a mesma ideia na forma de uma serpente ou dragão que morde a própria cauda. Essa lenda representa o eterno ciclo da vida e o ser é conhecido com Uruboros.

Entre as diversas menções de obras feitas pelo poeta, a que mais me identifiquei é a de Lewis Carroll, em que o poeta cita o monstro “Jabberwocky”. Ele faz referência a esse ser que faz parte de um poema nonsense, conhecidos por representar uma confusão mental, para afirmar que alguém mais entenderia a fala da cientista. Apesar disso, o poeta está errado ao afirmar que esse monstro é do livro “Alice no País das Maravilhas”, já que ele só é mostrado na continuação “Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá”.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Bacon e a Internet

Quando Francis Bancon escreveu sobre os de ídolos da mente, certamente não imaginava que os tais bloqueadores da mente humana ganhariam um reforço tão poderoso: a Internet.

Com o advento das redes sociais e aperfeiçoamento dos sistemas de busca, a quantidade de informações disponíveis foi exacerbada. Muitas vezes as informações espalhadas são falsas, ou baseadas no senso comum. Há inclusive os chamados hoax, que são boatos que acabam sendo tomados como verdade pelos receptores, constituindo um exemplo do que Bacon classificaria como "ídolo do foro", que são as falsas noções provenientes da interação entre os seres humanos.

O processo de "cura da mente", como Bacon se refere, pode auxiliar na filtragem dos megabytes de informações aos quais somos expostos todos os dias, nos livrando das inesgotáveis antecipações que são divulgadas através da rede mundial de computadores.

Bacon dizia que "aquele que começa uma investigação repleto de certezas acabará terminando cheio de dúvidas. Mas aquele que começa com dúvidas poderá terminar com algumas certezas". Portanto, muito cuidado com as certezas que o Google traz.

A Revolução Cartesiana

Interdisciplinar, Descartes foi uma figura importantíssima do Iluminismo. Propôs uma ciência prática, clara e acessível. Queria criar um método universal inspirado em seus conhecimentos matemáticos e na razão.
E assim surgiu o método cartesiano, no qual todo conhecimento não fundamentado era simplesmente excluído, restando apenas a verdade. Ou seja, o ceticismo como método científico. Como forma de facilitar a separação entre verdadeiro e falso, Descartes propôs a decomposição do assunto de interesse em partes isoladas, fragmentadas, para que ao se estudar cada uma delas, se obtenha uma conclusão sobre o todo.
Esse método de investigação é o empregado atualmente nas ciências. Os assuntos são estudados de forma bem específica. O cientista não se debruça sobre questões amplas, pois isso dificultaria a sua análise.
Descartes nasceu sob forte influência da Igreja, num sistema feudal. Sua célebre frase "penso, logo existo" quebrou paradigmas da época e sua obra foi fundamental para o desenvolvimento da matemática e da física, através de cientistas como Isaac Newton, que usaram o método cartesiano em suas experiências.
Descartes nasceu sob forte influência da Igreja, num sistema feudal. Sua célebre frase "penso, logo existo" quebrou paradigmas da época e sua obra foi fundamental para o desenvolvimento da matemática e da física, através de cientistas como Isaac Newton, que usaram o método cartesiano em suas experiências.
O filme "O Ponto de Mutação" retrata uma espécie de crise de meia idade do americano Jack, que vai até a França para visitar um amigo. Já na França os dois encontram uma ex-física chamada Sonia em Mont Saint Michel, que é uma construção antiga, datada provavelmente da Idade Média.
A partir desse encontro eles passam a fazer indagações e a discutir aspectos da vida e da filosofia, retomando inclusive grandes pensadores como Descartes e Bacon.
Um dos temas abordados pelo filme foi a relação de tempo, dizendo que o tempo na Idade Média era visto como algo sagrado e que se baseava na simples noção de manhã, tarde e noite.
Além disso, outro tema bastante recorrente no filme é a ideia de que "Nenhum santo sustenta-se só", outra passagem do filme que explicita esse pensamento também é: "Ninguém é uma ilha". Esses dois trechos tentam sintetizar que o individualismo não é a melhor forma, a melhor perspectiva de se levar a vida, pois seria comum ao homem o pensamento mais coletivista por causa das suas necessidades básicas de relacionamento e também de aprimoramento do pensamento.
A partir de pensamentos de Descartes os personagens do filme também fizeram algumas reflexões sobre como a natureza funcionaria como um relógio, pois a partir de suas "peças" seria possível analisar e entende-la. E ela, do ponto de vista baconiana, e dito pelo filme, deveria ser usada para a transformação, e essa transformação deveria partir de um pensamento mais ecológico e mais coerente com as limitações do planeta. Para Sonia, uma das personagens, tal prevenção ambiental e a prevençã o entendida de forma generalizada deveria ser encorajada pelo sistema, pelo Estado, mas isso não ocorre porque ambos prefereririam a intervenção.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pragmatizar a prevenção

O filme "Ponto de Mutação" dirigido por Bernt Capra desenvolve-se na forma de um diálogo principalmente entre um político e uma cientista. Como em uma conversa casual, muitos temas são tratados e diante deles a cientista afirma com edacidade ser contrária ao método de ação que sobrepuja entre os Estados, aquele que se preocupa em resolver os problemas em detrimento de previní-los.
Diante disso, penso no fato que mais destacou-se midiaticamente essa semana no país, o assassinato brutal das 12 crianças que estudavam na escola primária municipal do Rio de Janeiro Tasso da Silveira, ato promovido por Wellington Menezes de Oliveira que reconhecidamente sofria problemas psicológicos. Após o ocorrido, resta a questão, o fatídico evento poderia ter sido evitado? Muitos especialistas opnam defendendo o treinamento de professores afim de capacitá-los para reagir em situações de violência ou propragam a implementação de medidas de segurança como a presença de identificador de metais nas entradas e saídas das escolas; creio, no entanto, que certamente a medida que deve ser efetivada requer muito mais trabalho com o material humano da instituição envolvendo, por exemplo, psicólogos e educadores e deve visar dirimir casos de bulling, de difícil integração e convívio entre alunos e professores, e é na prevenção defendida pela personagem do filme que se estrutura tal opnião.
São inúmeros os casos de desequilíbrio, como o desrespeito ao professor, a existência de situações de violência física entre doscentes e discentes, de ameaças entre os diversos grupos, de alunos que possuem dificuldade de integrar-se e, além disso, o fato que estarreceu o país na última semana não foi o primeiro, outro semelhante já havia ocorrido em 2002 com um menor número de vítimas. Tais problemáticas brasileiras precisam de ações preventivas. Crianças e adolescentes deveriam ser acompanhados por psicológos que através de atividades de integração aproximariam os alunos, a diferença precisa ser reconhecida e nela o respeito que permite a aproximação, o valor do educador deve ser propragado...
Infelizmente, a ausência de muitos pais em função das imposições do mundo contemporâneo fez nascer uma geração que não adquire em casa valores fundamentais nas relações interpessoais, é necessário, então, que as intituições se reestruturem para suprir tal carência. Se Wellington tivesse naquela escola uma experiência que fosse diferente enquanto ainda era aluno certamente o país não teria entristecido-se dia 7.

Conexões como base da existência

O filme “Ponto de mutação” baseia-se no livro de Fritjof Capra. Um encontro inusitado entre um poeta, um ex-candidato a presidência dos Estados Unidos e uma cientista decepcionada com o mau uso que fizeram de suas descobertas culmina em uma discussão sobre os mecanismos que regem o mundo.


Ao abordarem a evolução da forma de pensar humana analisam o método cartesiano onde o todo é dividido em partes para que seja possível analisá-lo e entendê-lo. O desenrolar o tema leva-os a análise das políticas demagógicas e ineficientes que apresentam-se como regra nos governos da atualidade.


Da grande crítica às ações mecanicistas que tomam conta dos políticos de maneira geral surge uma nova proposta de como governar. O método proposto visa a prevenção em detrimento da reparação. Os resultados viriam a longo prazo mas a intervenção feita nas causas do problema e não em suas consequências tem, sem dúvida, maior eficácia.


O raciocínio ecológico tão priorizado nos dias de hoje também manifesta-se ao longo do filme. As relações humanas com seus semelhantes e com os elementos da natureza são fundamentais e inevitáveis. "Nenhum homem é uma ilha". As conexões são a base da existência. Somos todos parte da teia de relações que coordenam a vida dos homens.


Essa interdependência obriga os seres humanos a pensar coletivamente. A preservação e o uso inteligente dos recursos naturais torna-se imprescindível para que haja qualidade de vida em um futuro que aproxima-se em alta velocidade. O desenvolvimento sustentável faz-se necessário para prevenir o surgimento de grandes feridas que, se abertas, talvez não seja possível remediar.

É chegada a hora de entender a "natureza da árvore"


Ao assistir ao filme Ponto de Mutação, de Bernt Capra (baseado no livro homônimo de Fritjof Capra) somos convidados a participar, infelizmente, apenas como espectadores da conversa de três personagens (um poeta, um ex-candidato à presidência dos EUA e uma Física) sobre temas filosóficos como a vida e a existência humana no planeta.
Com o desenvolver da película notamos o empenho de uma das partes da conversa (física) em elucidar e defender seu ponto de vista de que para a resolução dos problemas do mundo não basta analisá-los racionalmente e resolvê-los separadamente (método cartesiano), sendo necessária, assim, uma mudança na maneira como enxergamos o mundo (todos os problemas desse se resumiriam a uma questão de percepção), frente à parte oposta da conversa (ex-candidato a presidência), que aqui representa não só um indivíduo, mas sim a óptica patriarcal, catesiana e newtoniana hegemônica na maioria dos indivíduos a mais de dois séculos e através da qual se tem sacrificado e forçado os recursos naturais do planeta ao desaparecimento e à exaustão.
Contudo, somente quando a cientista apresenta ao ex-candidato sob que lentes ela promove que o mundo agora deva ser visto que percebemos o quão plausível e potencialmente aplicável é o método por ela defendido, a teoria holística, ou teoria dos sistemas, apresentado pela física, inclui todos os indivíduos em uma teia de conexões e relações que é a essência de estarmos vivos e supera a atual visão que se tem do planeta ao olhar para os sistemas vivos como um todo, provando que a essência da vida é a auto organização e nos ensinando que, utilizando uma metáfora apresentada no filme, na busca pela resolução dos problemas do mundo não devemos analisar as folhas, as raízes ou o tronco da árvore apenas, mas sim o todo, entendendo a natureza dessa.

A essência da evolução humana

O filme “Ponto de Mutação” (Mindwalk), adaptado da obra literária de Fritjof Capra, trás a tona dilemas individuais dos personagens centrais; o político, o poeta e a cientista; que formam um triângulo de discussões levando ao debate de teorias filosóficas como o Cartesianismo, de Descartes, e a posterior constatação pela física Sonia Hoffman de que esse método – que segundo ela é abraçada pelos políticos – estaria ultrapassado e sendo prejudicial ao desenvolvimento humano.
Posteriormente, a mulher argumenta sobre qual seria a melhor forma de ver o mundo. Para ela, deveria ser enxergado como um todo por meio das relações que existem entre cada ente que faça parte da natureza. Assim, busca-se abrir o pensamento de maneira capaz de se esvair da comodidade de modelos anteriormente propostos.
Se cada ente possui um laço com outro e assim forma-se uma teia de relações perfeitas, deve-se entender essas conexões para, na sequência, solucionar as vicissitudes que o ser humano encontra em seu caminho.
Dessa forma seria possível encarar a realidade mundial de uma maneira cabível, com um desenvolvimento sustentável. Logo, romper com modelos clássicos e buscar tais formas novas seria indispensável para o futuro evoluído. O ponto de mutação seria, basicamente, a capacidade humana de se evoluir, adaptar-se, sendo essa a essência da superação do ser humano.


"Ver o mundo como máquina pode ter sido útil por trezentos anos... mas esta percepção, hoje, além de errada, é na verdade nociva."

Teia de relações

O filme "Ponto de mutação" faz uma crítica, através do discurso de uma personagem, ao método científico de Descartes, segundo o filme, a humanidade evoluiu e esse método tornou-se desatualizado, inútil e, até mesmo, prejudicial.


A crítica afirma que a desconstrução e análise de um objeto isolado mecanizou não só os meios de produção, como também, as relações entre: as pessoas, prejudicando o convívio social; e, do homem com o meio ambiente, descriminalizando a exploração do meio ambiente.


Tal crítica baseia-se em uma ciência natural, a física subatômica. Essa ciência, após descobrir experimentalmente que todos os átomos são interligados e interdependentes, defende que as bases de tudo são as relações entre os corpos (matéria).


Aplicando esta teoria às ciências sociais é perceptível a existência das "conexões sociais". Portanto, a humanidade precisa adotar um novo ponto de vista e organizar ao invés de separar, para entrar em harmonia com essa "teia de relações".

Capra e a crítica aos mecanicistas.

No filme "Ponto de Mutação", adaptação feita do livro de mesmo nome do austríaco Fritjof Capra, há o dialogo de três pessoas de diferentes classes sociais e ideologias. A discussão central gira em torno do legado cartesiano e dos malefícios ou benefícios que tal abordagem traz para a sociedade atual.

Capra defende ao “convencer” o seu personagem político e mecanicista, reducionista, cartesiano, de que muitas vezes- principalmente no contexto social- as demandas devem ser observadas de forma sistêmica. Os objetos devem ser tratados como seres indissociáveis e somente assim os problemas sociais seriam resolvidos.

O filme é uma crítica contemporânea à Descartes e Bacon não só por discordar seus métodos de análise, mas também por rechaçar a ideia de escravização da natureza ou do uso abusivo do homem sobre ela. Vale lembrar que na época dos dois pensadores o homem ainda desconhecia as consequências ambientais que suas filosofias poderiam acarretar para o mundo, por isso acredito que cada opinião, a seu determinado tempo teve (ou tem) validade.

Gaia


O filme, “Ponto de mutação”, baseado no livro de mesmo nome, do austríaco Fritjof Capra, faz alusão a um modo de vida integrado e provido de essência. O autor defende a “Teoria dos sistemas vivos”, segundo a qual a essência da vida é a auto-organização. Acreditava-se que um sistema vivo se mantinha, se renovava e se transcendia sozinho. A vida era caracterizada por mudanças estruturais contínuas, com estabilidade nos padrões de organização do sistema, considerava-se a criatividade como elemento básico da evolução.


No diálogo presente no filme, entre Sonia Hoffmann, uma física desiludida com os rumos tomados pela ciência, o poeta Thomas Harrimann e seu amigo Jack Edwards, um político que perdeu as eleições para presidente dos Estados Unidos da América, faz-se uma viagem ao passado do conhecimento humano dentro desses três pontos de vista. É feita uma exposição do pensamento humano desde René Descartes, o pensamento mecanicista, até aos dias de hoje, já com o paradigma científico plenamente identificado com a Física Atómica ou Quântica.


Capra defende uma visão holística e sistêmica do mundo, na qual o todo é tido como indissociável, sendo impossível o estudo das partes isoladamente. "O inteiro é mais do que a simples soma de suas partes." como já afirmava Aristóteles. É preciso ver o todo antes de fracioná-lo para entender sua conexão, integração, interatividade. Assim, Capra se contrapõe ao pensamento cartesiano que serviu de modelo para o método científico, onde se divide o todo em partes, estudando cada uma delas separadamente, para melhor entendê-lo.


Levando isso para um campo mais amplo, podemos afirmar que é preciso ver o impacto global de nossa existência individual, não esquecendo que nossas atitudes separadas refletem num todo indissociável. A maioria dos problemas atuais, como a violência, o desemprego, a crise energética, a poluição são facetas da mesma crise, uma crise de percepção.


O pesquisador e ambientalista James Lovelock em sua Teoria de Gaia (nome da antiga deusa grega que simbolizava a Terra viva), considera a Terra um verdadeiro sistema, abrangendo toda a vida e todo o seu meio ambiente, estritamente relacionados de modo a formar uma entidade auto reguladora. É a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário. Essa concepção é abordada na obra de Capra, na qual somos parte de uma teia de relações, estabelecendo assim uma interdependência.


A obra publicada em 1983 se encaixa perfeitamente na conjuntura atual. Problemas ambientais nela abordados, como o efeito estufa, o desmatamento, entre outros, resultados da busca obsessiva pelo crescimento, ganham cada vez mais destaque nos dias de hoje. A busca pelo progresso equilibrado e pelo desenvolvimento sustentável, no qual nossas necessidades sejam satisfeitas sem diminuir as possibilidades das próximas gerações, nunca foi tão discutida.


Mesmo sem o controle de nossas ações, nosso planeta continua a fluir em um processo vivo, se mantendo, se renovando, se transcendendo. O pensamento voltado aos processos e não as estruturas, nos permite entender o caminho dessa evolução, diferenciando o pensamento clássico cartesiano do sistêmico integrativo, que anuncia o objetivo das sociedades modernas, qual seja, a busca pela perpetuação, no futuro, do desenvolvimento sustentável e do equilíbrio.

Pluralismo de ideias

O filme ‘’Ponto de Mutação’’ consiste num interessante diálogo travado entre três pessoas que, insatisfeitas com os rumos tomados pelo mundo e pelos seres humanos, utilizam uma isolada ilha francesa como válvula de escape. Um político, uma cientista e um poeta apresentam suas diferentes formas de observar o mundo e as suas leis, de modo que embasam grande parte dos seus raciocínios na filosofia e na ciência.

O político, com um pensamento cartesiano, fragmenta seus ideais em várias partes, para estudando e entendendo cada uma, procurar conhecer o todo. Assim, consegue prever e controlar possíveis abalos em seu governo.

A cientista, possui uma forte base do pensamento baconiano, de modo que atribui grande importância aos métodos científicos. No entanto, após frustrações com a ciência, demonstra um grande amadurecimento em conhecimentos intuitivos, racionais, de modo que é a principal articuladora das discussões do filme.

O poeta, por sua vez, possui uma postura mais neutra, de modo que concorda ora com o político, ora com a cientista, uma vez que possui uma visão diferente do mundo. Tudo é poesia: a paisagem, os sons, as pessoas. Assim, suas opiniões acerca dos diálogos são sempre embasadas em versos de antigos poetas.

Com isso, os diferentes pontos de vista se confrontam, principalmente, quando o assunto é a sustentabilidade do planeta. Para a cientista, o mundo não pode ser visto de forma cartesiana, ou seja, deve ser visto como um todo através das relações existentes entre cada ser e objeto que compõem a natureza. Os problemas globais não podem ser resolvidos pensando neles de forma separada. Tudo está interligado e deve ser considerado como um todo.

Toda essa discussão, em suma, demonstra a importância e a necessidade do diálogo, mesmo entre pessoas com pontos de vista extremamente diferentes, principalmente diante de assuntos tão atuais como o desenvolvimento sustentável. Seja pelo método cartesiano, seja pelo método baconiano, essas diferentes formas de pensar não se negam, mas se completam, sendo imprescindíveis para a manutenção do bem estar do mundo.

Necessária mutabilidade

Baseado na obra homônima de Fritjof Capra, o filme "Ponto de Mutação" representa uma reflexão de conceitos científicos e filosóficos, por meio da discussão de uma cientista, um político e um poeta.
Em meio aos dilemas apresentados é importante ressaltar a crise de percepção vigente na contemporaneidade. Da qual a sociedade aceita o que é imposto pelo sistema, sem questioná-lo e desse modo sem aperfeiçoá-lo previamente. Essa análise se enquadra na visão mecanicista de Descartes, utilizada pelos políticos, de refletir sobre os problemas separadamente, enquanto que o todo deveria ser consertado, ou seja, os problemas deveriam ser resolvidos de maneira global.
Há ainda uma crítica em relação ao uso da ciência para o mal, como é visto na construção da bomba atômica. A falta de ética e moral muitas vezes vigente na sociedade, acarreta na entrega de nossos pensamentos sem a análise de seus reais valores e no que pode ser decorrente desse fato, um exemplo seria a entrega de projetos científicos a militares mal intencionados que podem gerar danos a sociedade.
É proposta a ideia de sustentabilidade, tendo em vista as gerações futuras, pois o homem por meio da exploração da natureza de maneira imprudente, visa apenas o crescimento econômico, não relacionando os seus efeitos a longo prazo.
O avanço da ciência, junto a resolução dos problemas de maneira a não prejudicar a sociedade, estabelecerá padrões aceitáveis, éticos e morais, para a harmonia na convivência entre o homem e a natureza, e para isso devemos alterar nossos valores e ideiais.

Mutação com responsabilidade

O filme “Ponto de mutação” traz uma abordagem alternativa a respeito da ciência ao considerar mecanicista o modelo cartesiano até então utilizado. Através da Holística, a proposta é de observação dos processos em vez das estruturas, além de considerar uma conexão única entre todos os fenômenos.

Evidentemente, é louvável a busca por novos pensamentos com vistas ao desenvolver de toda a sociedade. Entretanto, o plano meramente metafísico não proporciona rigor, mas apenas uma interminável divagação por desconsiderar qualquer conhecimento empírico.

Dessa forma, a simples apresentação do ideário constitui um quadro poético em detrimento da busca pela verdade, isto é, valoriza uma realidade mais contemplativa do que fática.

A despeito de sua natureza hipotética, essa reflexão nos permite adentrar às inúmeras possibilidades do saber humano e não deve ser mitigada mesmo pertencendo a um mundo basicamente teórico.

Sistemas interligados

O filme "Ponto de Mutação", do diretor Bernt Capra e baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, mostra uma discussão entre três pessoas que leva à reflexão de diversos assuntos como política, o método cartesiano e física. O filme se passa na França, em um de seus mais famosos pontos turísticos: o Mont Saint Michel, uma ilha medieval cercada pelo mar e pela influência de suas altas marés. Levado pelo amigo poeta Thomas, o político bem sucedido Jack começa uma discussão sobre o mecanicismo do método cartesiano de se dividir os problemas para assim se analisar. Nesse momento entra a cientista Sonia, interpretada pela atriz Liv Ullmann, que critica esse modo de pensar dos políticos por não relacionarem os problemas atuais do mundo entre si.

O filme continua em uma discussão entre esses três personagens, mostrando a visão cética e prática do político, a descrença do poeta na sua própria vida e a tentativa de mostrar a visão sobre a ciência atual que a cientista prega. Entre citações de poetas, escritores, cientistas e físicos, a discussão entra nos problemas que o mundo sofre atualmente, como o desmatamento desenfreado na Amazônia ou a fome que certas regiões do mundo enfrentam para que seus governantes paguem a divida externa. Sonia relata que após ter problemas em relação às suas descobertas físicas e as finalidades que seriam usados, perdeu a crença no sistema.

Segundo a cientista, o mundo não pode ser visto de forma separada, tudo está interligado em um sistema que rege bom funcionamento de tudo. Ela cita o exemplo de uma árvore, que está interligada à uma cadeia que garante a sobrevivência dela e de muitos outros seres vivos. Existe uma interdependência no planeta, que garante a essência de todas a coisas vivas. É o que ela acredita ser a teia da vida. Em metáforas, como a explicação de como a luz chega a nós, ou sobre a renovação que ocorre dia-a-dia em nossas células, pode-se explicar a formação e renovação da vida na Terra.

Dessa forma, o filme aborda como deve ser encarado o funcionamento do sistema que rege o planeta, para que assim se entenda melhor as conexões existentes entre todos os seres vivos e associar com um uso sustentável dos recursos oferecidos. Cheio de conteúdo científico, filosófico e religioso, esse filme nos faz enxergar como os métodos apresentados e aceitos por nós há muito tempo devem ser substituidos pela chamada Teoria dos Sistemas, na qual há uma interconexão com a vida e as matérias, interligando assim os sistemas sociais e os ecossistemas.

O mundo atual contradizendo Descartes e Bacon

O filme "Ponto de Mutação" é uma obra que consiste primordialmente em um debate entre uma cientista, um político e um poeta. Dentre os assuntos das discussões dos três, algumas críticas sobre os ideais de Descartes e Bacon são feitas, sendo estas o assunto de maior interesse deste excerto.
Acerca dos ideais de Descartes, seu método de fragmentar tudo e tanto quanto possível é o mais criticado. O contra-argumento é o de que na verdade, na natureza nada pode ser fragmentado, porque tudo está interligado. A matéria, a energia: tudo está interligado e só por isso há forma.

Tal critica permite uma análise do tema no contexto social. Não é difícil atestar que todas as microrrelações sociais estão interligadas. Para um processo produtivo e consumidor no mundo capitalista, para que as relações sociais atinjam proporções nacionais e até globais é necessário que todos os homens estejam relacionados de alguma forma. Com certeza todos precisam de todos e algo que acontece com um atinge toda a cadeia de alguma forma, mesmo que em pequenas proporções.
Já no que tange aos ideais de Bacon, uma crítica interessante para o contexto atual é a que é feita encima da idéia de que o homem precisa dominar a natureza e se utilizar dela(o tanto quanto necessário) para obter conforto.

O homem claramente sempre necessitou usufruir dos bens naturais para sobreviver e com os números populacionais atuais precisa muito mais. Mas pegando carona na Campanha da Fraternidade amplamente difundida pela Igreja Católica esse ano: "A criação geme em dores de parto." O meio ambiente não suporta mais as condições que lhe estão sendo impostas. O ser humano já tem exagerado, e muito, na degradação de seu maior bem e a natureza claramente implora por trégua. O Japão que o diga...
Portanto, fica evidente que os antigos métodos devem ser repensados na atualidade e não deixando de citar positivamente a genialidade de Descartes e Bacon, o filme e o autor deste post convidam os leitores e espectadores a pensarem além dos métodos, de forma a observar as falhas e adaptar grandes pensamentos aos dias atuais.

Descartes rumo ao passado

O filme “Ponto de Mutação” é um debate entre três personagens, o poeta, o político e a cientista. Ambientado em Mont Saint-Michel, França, o cenário os serve de exemplos para ilustrar suas ideias, sendo também um lugar agradável, no qual os personagens se encontram pra relaxar e escapar um pouco dos seus problemas, mas não conseguem evitar o debate.

Inicialmente o político tenta sustentar sua visão de mundo, baseada em Bacon e Descartes, frente as ideias da cientista, que prega uma reciclagem na atual forma de pensar. A cientista diz que não é necessariamente contra Bacon e Descartes, mas que as ideias deles já serviram por séculos e não se adequam mais ao paradigma contemporâneo. A fragmentação de um problema para resolve-lo parte a parte desconsidera que esses partes podem estar ligadas. O argumento da cientista baseia-se em experiências de Física Moderna, em experimentos que provam parte de seu discurso e também na constatação da incapacidade do método atual em resolver os problemas do mundo. Segundo ela, estamos querendo melhorar a saúde criando remédios cada vez mais caros, ao invés de simplesmente alimentarmo-nos melhor, por exemplo Algumas vezes nós temos que olhar além do fragmento, pois o problema pode necessitar de uma solução que o veja como um todo, considerando todas as interconexões envolvidas.
Outro ponto da cientista é a vontade de sistematizar tudo, que algumas coisas não podem ser precisas, sistematizadas e normatizadas, como o elétron de um átomo. Após o político começar a entender a proposta da cientista, a discussão muda um pouco seu foco à tentativa do político adaptar estas novas ideias à prática, política. Interessante notar que a cientista usa muita de sua didática, a fim de explicar os conceitos de forma bem simples e resumida aos interlocutores e aos espectadores também.
O filme consegue introduzir alguns novos conceitos, ainda sim valorizando os avanços introduzidos por Bacon e Descartes. Acho muito válida a posição da cientista, mesmo apresentada de forma resumida. Fiquei na curiosidade de ver o final do filme e o final da aula da cientista, pois a partir de certo ponto no filme ela se transforma em professora e os outros dois em alunos.

Mutações da visão

O filme é uma discussão de 3 personagens:uma cientista , uma político e um poeta. Há nele várias discussões, sendo que são expostos pensamentos com repulsas à personalidades mortas.
René Descartes foi um gênio, deixando um legado que durou por séculos. Mas como tudo na ciência, o que hoje é considerado certo, amanhã pode ser errado.
O seu pensamento filosófico foi muito importante para a sua época,contudo seu método, o cartesiano, não é o melhor para se usar. Essa é uma crítica do filme "Ponto de mutação". No seu modo de pensar, ele via um corpo separadamente: ele observava apenas os órgãos e não o sistema como um todo.Além de Descartes, Bacon e sua metodologia é questionada no filme pela cientista
Uma outra tese de um famoso cientista, Isaac Newton, é contestada. O pensador inglês descreveu com maestria as leis da gravitação universal e as suas tão famosas "3 Leis de Newton". Elas serviam para explicar o movimento de qualquer corpo existente, até que descobriram um caso no qual ela não poderia ser aplicada; então criaram a física quântica.

A parte ou o todo?

Nossa sociedade tem dado demonstrações de que a maneira como agimos e a analisamos possui falhas. Tragédias e problemas que só parecem aumentar corroboram esta afirmação.

Muitos políticos prometem a resolução de determinadas dificuldades específicas e isoladas e, quando as cumprem, mesmo solucionando o problema designado, ignoram a amplitude da situação, fazendo com que novos problemas surjam.

Caso algum político estivesse realmente determinado a proporcionar uma melhoria significativa, este deveria se lançar à tarefa de resolver os problemas encarando-os como interdependentes, como um sistema e não como órgãos separados, para evitar que, com a solução de um, surja outro novo.

Velhos confrontos, novos caminhos.

Ao assistir ao filme "Ponto de Mutação" encontramos uma intensa interação de idéias e perspectivas que só são entendidos quando colocados numa linha de raciocínio temporal.
A interação da vivencia de personagens como um poeta, uma cientista e um político, abre uma discussão sobre as formas que assumiram o pensamento ao longo do desenrolar da história humana e suas aplicações práticas no mundo cotidiano, seja ela direcionada ao desenvolvimento científico natural ou social. Exemplificando, o pensamento de Descartes de separar as partes de um todo para que se estude as individualmente apresenta paralelo com os modelos de produção marcados pela divisão técnica do trabalho, que evita as particularidades padronizando os produtos e objetos de estudo.
O desenvolvimento de métodos diferenciados de pesquisa e observação do mundo, como o estudos dos sistemas e não dos objetos individualizados ajuda no abandono do modo de pensar dominador e intervencionista abrindo possibilidade para políticas ,no exemplo das ciências sociais, que atendam uma maioria populacional integrada e, no âmbito natural, políticas de sustentabilidade que interfira também nos ecossistemas e não apenas nos indivíduos.
O abandono das antigas teorias tidas como melhores no quesito de aplicabilidade, e a aposta em marcas com qualidade e individualidade para garantir mercados consumidores especializados é novamente um exemplo de aplicação da diversidade de olhares e idéias se livrando das antigas correntes do pensamento mecânico; Retratado na obra apresentada através do conflito entre três mentes conflituosas mas que vêem na discussão de velhos confrontos uma abertura para novos caminhos.

"Nenhum homem é uma ilha isolada;
cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra(…)
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram;
eles dobram por ti."

Da explicação sistemática à volta da contemplação


"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito." – William Blake.






O filme Ponto de Mutação pode, a nós, cartesianos, parecer maluco, progressista demais, mas não, as idéias trazidas por ele fazem parte do rol de idéias mais antigo que já existiu. Idéias, se é que se pode chamar essa atividade de idéia, que nos foram há muito apresentadas sob uma roupagem diferente: a roupagem de uma sabedoria mais “contemplativa” e menos explicativa.

Parte-se da física quântica para colocar-nos em dúvida acerca de vários aspectos decisivos. O micro (átomo) é desvendado e com isso a diferenciação de matéria, pensamento e probabilidade torna-se impossível; como pode um elétron estar, potencialmente, em vários lugares ao mesmo tempo?

Todo o macro, então, pede por uma nova análise. Essa análise não pode, no entanto, ser a análise científica comum. É preciso levar em consideração o todo, as relações e não mais as partes separadamente. “Baba Nam Kevalam”, o mantra dado por Shrii Shrii Anandamurti, fundador e líder espiritual da instituição Ananda Marga, é inspirado em conhecimentos orientais antiquíssimos e sem se utilizar de física quântica moderna, ou qualquer parafernália intelectual cartesiana, traduz o seguinte pensamento: tudo é expressão de um mesmo ser divino, que está em tudo, em todos; tudo é amor, tudo está interligado; somos todos frequências diferentes de uma mesma onda. Por piegas que possa parecer, faz sentido como a física vem descobrindo.

A matéria, posta em xeque, assume caráter de possibilidade, de pensamento, de subjetivismo. O documentário “What the Bleep do We Know!?: Down the Rabbit Hole” traz experimentos interessantes, como o poder de elementos subjetivos sobre elementos objetivos (a capacidade de pensamentos e sentimentos mudarem a estrutura molecular da água, por exemplo). São ensaios, que buscam aproximar ciência e espiritualidade e mostrar o poder do pensamento, sentimento e fé.

O conhecimento objetivo, às suas últimas consequências, se aproxima da sabedoria contemplativa, aquela que não é explicada e sim sentida. Algo que ilustra tudo isso de forma hollywoodiana é o filme Avatar, no qual, em um outro planeta, todos os indivíduos (Na’vi) estão espiritualmente (e até fisicamente) conectados com Eywa, sua divindade, e consequentemente conectados entre si e com a natureza.

A idéia dessa rede de interligação e a idéia de que Deus está em todas as coisas e não fora delas, deixando um pouco de lado o vício de explicação e comprovação ou não comprovação sistemática, são bastante válidas; O mundo atual precisa acreditar nisso, o social seria favorecido já que o famoso bem comum finalmente apareceria de fato a partir do instante em que bem individual e bem de todos (e por todos entende-se todos os seres animados, e até os inanimados) se tornarem a mesma coisa.

Fragmentos de um todo

    O filme "Ponto de mutação"(mindwalk) , dirigido por Bernt Capra, aborda um discussão filosófica sobre teorias e mecanismos que regem a sociedade. Uma cientista( física), um poeta e um político encontram-se em um castelo em uma ilha francesa e começam uma conversa acerca de questões científicas, políticas e sociais que interferem na sociedade como um todo; cada um possui uma formação e ideologias diferentes o que leva a problematização de diversos assuntos.
      A teoria de Descartes e Bacon são mencionadas; o conceito da separação de corpo e alma, negação dos fatos e previsibilidade fazem fundo a discussão, que prioriza a principal teoria cartesiana: fragmentação e busca da verdade. O dilema é que ao analisar os problemas de forma individual e tentar resolvê-los separadamente não conseguimos uma solução eficaz e permanente. A teoria de Descartes não é refutada apenas, percebe-se que não é util em todos os segmentos da sociedade visto que, os humanos relacionam-se e dependem dos outros e da natureza pra sua sobrevivência. A frase citada no filme " nenhum homem é uma ilha" é fundamental para a percepção da relação de cada "parte" no "todo" da sociedade contemporânea: o descaso com a educação, o uso e tráfico de drogas, o sistema penitenciário,o direito;tudo está relacionado.Todo pequeno ato, em conjunto, gera consequências que podem determinar mudanças.
      O impacto ambiental também está relacionado com nossa visão fragmentada do mundo; nossa existência individual, egoista, gera a maioria dos danos. O homem é incapaz de resolver problemas como a fome, o aquecimento global, o crescimento desordenado da população sendo imediatista e atuando em apenas um local.
     O filme " Ponto de mutação" nos leva a refletir sobre o mundo que nos cerca, como o influenciamos e somos modificados por ele.

A busca do equilíbrio

Capra nos traz uma obra de sensibilidade e reflexão sobre as bases da existência e da integração do pensamento e das ações humanas no contexto do desenvolvimento, na busca da equação da vida e do progresso equilibrado e sustentado. Partindo da paradisíaca ilha de Saint Mitchel, onde existe uma fortaleza medieval que com seu isolamento temporário, pelas marés, nos traz do subconsciente a imagem do isolamento do pensamento, temos um político e um poeta em um dilema, cada qual preso em seu mundo, procurando nele o sucesso sua direção, tal qual uma solitária ilha. O terceiro personagem busca o caminho, se transformar no isolamento, na fuga o perdão pelos resultados de suas ações e criações. Na discussão sobre o papel dos mecanismos que regem o mundo, abordam a evolução do pensamento humano, passando por Descartes e chegando aos nossos dias, onde vemos os líderes, as pessoas socialmente aceitas como condutores, pensando unicamente de forma mecanicista, aplicando a forma mais simples de conduzir: o modelo cartesiano, onde dividimos o todo em partes, para estudando e entendendo cada uma, procurar entender o todo. Este entender para os políticos seria controlar, induzir, prever.

Nesta ânsia, não poupam o custo do sacrifício da vida, da existência, aplicada a uma parcela da humanidade presa pelas quatro paredes dos modelos econômicos mecanicistas, que independente do custo social, só pensam na validação econômica de suas teorias e negociações. Os sistemas existentes não encorajam a prevenção, só a intervenção, que não consideram que só se constrói um modelo de sucesso no presente, se estimularmos o futuro. Chega-se a dedução de que precisamos adotar o modelo de intervenção colocado como feminino, nutriente, construtor, ao contraposto do modelo masculino basicamente dominador.

Para o desenvolvimento de uma condição de perpetuidade e oportunidades para o futuro, dentro deste conceito de nutriente, devemos aplicar um raciocínio ecológico, em contraponto ao pensamento cartesiano clássico, pensando em um mundo de recursos exauríveis, orgânicos e espirituais, sejam da natureza ou da capacidade de absorver as injustiças sociais. Para poder entender e aplicar este pensamento, se faz crucial ativar a percepção, sendo que se somente as bordas da percepção aparecessem, tudo se desvendaria como realmente é.

Nesta forma sistêmica de pensar, identificamos os pilares como sendo as conexões, tudo se interconecta, formando mesmo com seus vazios e sem condições de definições exatas, a solidez da matéria, do pensamento e da estrutura do universo tangível. O que não vemos, o que não entendemos, necessariamente não pode ser abominado, relegado , sob pena de nossa cegueira estar baseada somente na miopia da falta de abertura para o novo.

Somos todos uma parte da teia imensurável e inseparável da relações, é nossa responsabilidade perceber as possibilidades do amanhã, pois antes de tudo somos os únicos responsáveis por nossas descobertas, nossas palavras, nossas ações, e os reflexos das mesmas no universo em que estamos inseridos.

Um obstáculo para a expansão este pensamento é a clara e objetiva descoberta da interdependência, do fato de que mesmo sem o controle por parte de nossas ações, que nosso planeta flui em um processo vivo, se adaptando, transcendendo, progredindo, transgredindo padrões, evoluindo.

O pensamento voltado aos processos e não as estruturas, nos dá a ferramenta essencial para poder entender o princípio, os porquês e o caminho possível para esta evolução, conseguindo assim delinear a tênue e interlaçada margem entre o pensamento clássico cartesiano e o sistêmico totalmente integrativo, plotando o objetivo mestre das sociedades modernas, das mentes que buscam a perpetuidade no futuro: o desenvolvimento sustentável, a busca do equilíbrio.

Luís Felipe Hetem