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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Provocando ações

     "Quem mais mal fez à humanidade: as religiões ou os bancos?". Com esse questionamento, acrescido geralmente de outro polêmico fator, de acordo com a própria vivência do entrevistado, Antônio Abujamra provoca interlocutor e público seus a cada semana, sem categorizar uma definição ou estabelecer um padrão de resposta.

      Pela análise de A Ética protestante e o Espírito do capitalismo, de Max Weber, é possível traçar-se tal fator de comparação. 

     No texto, o sociólogo alemão une uma característica até então singular da religião protestante, a busca da salvação pelo acúmulo de capitais, ou seja, uma verdadeira predestinação de natureza divina a qual seria sinalizada pela prosperidade, à raiz do surgimento da própria ideologia burguesa, na classificação marxista do termo. A competitividade e o não-desmerecimento do acúmulo de capitais, os quais foram instituídos pelo protestantismo, espalharam-se de forma predatória e voraz por toda a Europa, atingindo seus territórios pelo movimento "natural" metrópole-colônias da época. As revoluções liberais, por fim, trataram de assentar "definitivamente" esse modo-de-produção que tanto é questionado até hoje, como percebe-se nas palavras daquele apresentador de televisão.

     Não se deve concluir sem uma opinião. Não se deixa uma questão aberta. Trago uma resposta e outra provocação: as religiões, a exemplo da própria citada acima, se levadas ao rigor do fundamento, presenteiam o ser humano com consequências deveras adversas, como a supremacia atual das instituições financeiras e sua exorbitante exploração. Entretanto, como agentes sociais puros, os bancos e os credos diversos seriam essenciais ao desenvolvimento da própria percepção de homem, seja pela segurança proporcionada pelos primeiros, seja pelo ensinamento de noções de coletividade e solidariedade pelos segundos. Diante disso: "Quem mais mal fez à humanidade: as religiões, os bancos ou a omissão?". 

Eduardo Matheus Ferreira Lopes, 1º Direito diurno.    

Dinheiro e pensamento

É veracidade que Max Weber busca entender e fazer a ciência a partir do agir social concreto, o verdadeiro modo como ocorre a mudança social da sociedade.
Weber entende que a mudança de mentalidade ocorre antes da alteração do modo de produção, faz tal constatação por uma perspectiva empírico concreta e, assim, contradiz o materialismo histórico.
Em seus postulados, o autor discute o processo de ocidentalização do mundo e o disseminar de uma ética ao planeta. De acordo com o filósofo, quanto maior a prosperidade de alguém, maior sua predestinação ao céu, trata-se da ética calvinista, que prega a necessidade de exteriorizar o estado próspero.  A ética calvinista é uma ética de dominação.
O Direito, por sua vez, apresenta-se como responsável por assegurar que o sistema montado e sustentado pelo capital se mantenha, visto que, por exemplo, garante a posse de um valor, na frieza de um contrato. Parte deste pressuposto a ideia de que existem fatores capazes de diferenciar o modo de produção capitalista de qualquer outro, sendo tais vinculados à capacidade de racionalização.
A racionalização jurídica, por exemplo, elucida as estruturas do Direito e da administração como molas mestras da racionalidade capitalista, além da racionalização científica (dependência do desenvolvimento da ciência) e racionalização contábil (separação entre a empresa e o indivíduo).
Provavelmente mais importante que os outros tipos de racionalização está a Racionalização do Próprio Homem, pois, embora dependa da ciência, da técnica, e do Direito racional depende do próprio homem aderir certos tipos de conduta social.
Em contrapartida não basta a pura alteração da consciência, faz-se necessário irradiar tal consciência para outros grupos.
Aquele que não alterar seu modo de vida às condições do capital será, invariavelmente, fadado a derrota.

A reforma protestante, portanto, demonstra a extensão do controle religioso a todas as instâncias da vida de modo mais rigoroso. 

Lucas Oliveira Faria
         O homem faz o capitalismo
O homem como um ser gregário é compelido a se articular pragmaticamente. Uma vez que necessita, ainda mais no mundo hodierno, de dinheiro para sobreviver. Assim, segundo Webber, não é o capitalismo que perverte os homens e os faz agir de maneira agressiva sem considerar os aspectos humanos em seus atos de puro consumismo, mas sim, é justamente por causa de seu espírito de natureza. Aí Webber faz menção a linha hobbesiana de que o homem é mau por natureza e que para isso deve-se criar o Estado, que detendo a soberania sobre todos os membros da sociedade, compõe uma força absoluta. Logo, Max Webber refere-se ao homem como o agente do capitalismo. Sendo portanto, por causa de sua ânsia pela riqueza como finalidade única  é que surge o capitalismo, como artifício dessa postura enviesada na maneira de estabelecer o lucro.
      A maneira de se imaginar o mundo capitalista era impensada na idade média, pois a medida que a Igreja controlava a vida das pessoas era difícil se desvincular da ideia de que o consumismo e a luxúria conduzem para o inferno. O humanista Gil Vicente faz uma sátira dessa ideologia em sua obra   Auto da Barca do Inferno. Nessa obra, uma das únicas personagens que se salvam é o parvo, que justamente por não ter a riqueza como finalidade de vida, é privado de ir para a barça do inferno. Esse tipo de ideia começa a se romper com as reformas protestantes no final da idade média e desde então sua tendência fora e ainda é prevalecer, pois o racionalismo se consolidou no âmago da sociedade. Destarte o homem faz o Capitalismo!

CULTURA ECONOMICAMENTE ATIVA

Max Webber, em sua obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, evidencia a particularidade do ocidente sobre o surgimento de diversos fenômenos culturais, sociais e, em destaque, os religiosos advindos da reforma protestante, principalmente os calvinistas que surgiram, de uma certa forma, com “espírito” diferente do restante da sociedade.
Na singularidade do Ocidente, Webber destaca que o capitalismo que foi  desenvolvido aqui não se limitou a lógica da troca, mas envolveu toda uma racionalização do capital aplicado, ou seja, do investimento, pois foi no Ocidente que se deu o capitalismo racional baseado no trabalho livre.
Com base nesse desenvolver do capital no Ocidente, proporcionou esse “espírito” de vida supracitado, objetivando a racionalização com a finalidade de dominação baseada na predestinação com a prosperidade financeira. Essa prosperidade, segundo Webber, sempre existiu na história da humanidade, porém a ética protestante lançou horizontes de acumulação do capital e expansão da riqueza jamais lançados antes.
Infelizmente, nessa sociedade ocidental, Webber afirmava que ela já atingira um nível do capitalismo no qual ele se tornara superior a quaisquer fenômenos que estão presentes na sociedade ( sociais, culturais, políticos...), comprovando que a economia exerce nítida influência nos padrões que se desenvolvem dentro de uma sociedade.


Luis Eduardo Simplicio de Lima – Direito Noturno

Novos parâmetros, que não a agulha...

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus”. É com essa percepção que a religião católica expressa sua visão de mundo nada estimulante para a incipiente burguesia, que ainda não estava consolidada como classe transformadora, assim como se vê atualmente. Na obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” Weber não faz um estudo da religião Protestante, mas do seu impacto para o surgimento de uma ética capitalista, ou seja, estuda a relação do comportamento econômico com as ideias religiosas.

Nesse contexto, o Protestantismo contraria a majestosa igreja Católica e apresenta uma nova consciência aos indivíduos, que serve de fundamentação às práticas capitalistas e transforma as relações. Essa Revolução Moderna é pautada na predestinação e na racionalização do trabalho. Era considerado predestinado por Deus aquele que com o esforço do trabalho e labor intelectual fosse bem sucedido, ou seja, inverte-se a lógica dominante do catolicismo e passa a considerar um escolhido por deus aquele que acumula riqueza, capital.

De fato, o espirito capitalista foi impulsionado e ganhou notoriedade, entretanto passa a caminhar sozinho, independente da religião. A religião dá lugar a uma “ética” capitalista propriamente dita, que passa a dinamizar todos os setores(econômicos, sociais, culturais, etc). E além disso, a racionalização torna único esse modo de produção.


Percebe-se que a sustentação da essência do sistema capitalista atualmente, independe de tudo e de todos, o que se enxerga é uma dependência do modo de produção, visto que foi consolidado como sistema hegemônico. Nem os fiéis mais católicos conseguem se escusar.  

César Augusto Ribeiro - 1º ano Noturno

T.G.I.M. - O dia de um capitalista

   O despertador toca e acordo para mais um dia de trabalho. Sexta-feira. Último dia da semana para ser produtivo. Logo me arrumo e vou para a cozinha tomar um café enquanto leio um gibi do Tio Patinhas, o meu personagem favorito dos quadrinhos. Assim que termino não há enrolação, vou direto para o meu local de trabalho. A pé, claro, pois a gasolina atualmente custa uma fortuna! Uso meu carro simples apenas quando realmente necessário. Durante o caminho, observo uma padaria que permanece a mesma há 25 anos, sem prosperar. Considero isso quase tão triste quanto a falência da loja de um amigo, fechada por não ter conseguido se adequar às exigências de nossa sociedade capitalista.
   Chegando ao trabalho, mal cumprimento meus colegas. Quero apenas sentar em minha sala e trabalhar, amizades aqui não serão úteis. Em minha pausa, horas mais tarde, entro no Facebook para checar se há algum evento que auxilie a economizar ou prosperar no trabalho. Oh, grande erro. Logo olho com desprezo pessoas usando a gíria boba “T.G.I.F.”(Thank God It's Friday). Agradecer a Deus por ser sexta, sério? Esse amor pelo ócio, por poder trabalhar menos, me dá náuseas. Rio comigo mesmo enquanto penso que talvez “T.G.I.M.” (Thank God It’s Monday) seja mais adequado, pois segunda, ah, essa sim é um dia produtivo!
    Após o término do expediente normal, faço algumas horas extras até o horário de ser realmente necessário ir para minha modesta casa. Obviamente, não haverá alguém para me receber: sou casado com meu trabalho. No caminho, passo pela porta de uma igreja cristã e um conhecido me cumprimenta. Respondo secamente. Sei que ele critica muito meu desejo pelo acúmulo de dinheiro, pois suas crenças pregam exatamente o contrário disso. Mesmo assim, ele tolera.
   Já em casa, janto vendo um episódio de Todo Mundo Odeia o Chris. Muitos de meus colegas dizem que sou parecido com Julius, o pai do personagem principal, que sempre sabe o valor de cada coisa, trabalha muito e se esforça o máximo para economizar, gastando apenas o necessário para aproveitar a vida. Sinceramente? Encaro como um elogio.
   Após um banho, começo a adiantar alguns serviços em casa enquanto assisto um documentário sobre o Protestantismo e como este foi necessário para o desenvolvimento do capitalismo e a posterior racionalização deste. Tal religião apresentava princípios tão inspiradores... Logo vejo semelhanças com minhas próprias ideias, mesmo não sendo protestante, percebendo como essas crenças deixaram marcas mesmo perdendo o tom religioso.
   Vejo as horas. Melhor dormir, pois mesmo um final de semana pode ser aproveitado, mas para isso preciso estar descansado. Deito agradecido por todas as condições que permitem meu trabalho, pois considero este um verdadeiro sinal e caminho da salvação. Durmo tranquilo pois sei que graças a pessoas como eu a economia capitalista se sustenta.
A partir do estudo de Weber,  reforça-se a  relação existente entre o desenvolvimento do capitalismo como novo sistema econômico e o surgimento do movimento protestante como um novo olhar acerca do meio social vigente na época. Em tal contexto, deparamo-nos com a seguinte questão: adequação da religião ao meio social, isto é, a reformulação de conceitos religiosos que não demonstraram-se estranhos ao novo estilo de vida desenvolvido a partir da expansão do capitalismo.

Sendo assim, importante ressaltar que tal adequação da religião às necessidades do homem não se demonstrou apenas com o desenvolvimento capitalista, mas tornou-se mais aparente devido à dimensão histórico - geográfica que tal fenômeno apresentou. Deste modo,  perguntamo-nos sobre os fatos que fizeram de tal relação (protestantismo x capitalismo) um grande objeto de estudo, tanto para Weber como para inúmeros outros pensadores. Poderíamos então  afirmar que, talvez, foi  o espírito protestante que desenvolveu no mundo ocidental a ideia de uma ética capitalista.

Capitalismo: um culto a Deus?

Max Weber consolidou a teoria que evidencia a diferença entre as vertentes protestantes (no caso, luteranas e calvinistas) e as sociedades católicas em relação à ética econômica. Segundo Weber, a teologia protestante deu ao homem liberdade para o ganho monetário. Para o protestantismo, os homens estariam predestinados, alguns seriam salvos e iriam para o céu e outros condenados ao inferno, o que não dependia de obras, uma vez que se tratava de predestinação. A única coisa que poderiam fazer para se confortar era glorificar a Deus através de seu trabalho. Antes dessa doutrina, o trabalho era malvisto. Apenas aqueles que iam para os monastérios estavam assegurando a sua salvação. Os demais homens, que viviam fora dos conventos, trabalhando, provavelmente iriam para o inferno. 
O que a doutrina calvinista e luterana fez foi "democratrizar" o acesso à salvação. Antes, a salvação era obtida através da religião, da compra de indulgências e de outros caminhos que não eram acessíveis a todos, como a realização de obras de caridade e boas ações. Posteriormente, bastava trabalhar, uma atividade mundana que todos realizavam. Foi criada então a ética do trabalho. Trabalha-se, cada dia mais, para glorificar Deus. O trabalho gera riqueza que é, por sua vez, acumulada. O espírito capitalista surge, então, como resultado não intencional da ética protestante.
Max Weber defende também o estabelecimento de um raciocínio lógico capitalista, denominado por ele "racionalismo"; ele expõe através do emprego do método e da pesquisa científica uma das várias faces do capitalismo. O capitalismo ocidental, a separação dos negócios da moradia da família e a implementação da contabilidade racional, que é a origem da classe burguesa ocidental ligada à divisão do trabalho.
O estudo da ética protestante e do espírito capitalista, segundo Weber, explorava meramente uma fase de desencantamento do mundo, uma característica considerada por ele como uma peculiaridade que distingue a cultura ocidental.

Steffani de Souza - 1º ano Direito noturno

                                       A ciclidade da riqueza como fundamento para o poder

          Max Weber, em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", analisará a racionalização dos princípios da ética protestante (outrora de mera concepção religiosa) que universalizaram-se e atingiriam mormente a conduta ocidental. O trabalho e a prosperidade, principalmente a econômica, que nos primórdios do protestantismo eram concebidos como sinal da presença divina e da predestinação, sofreram, por tal racionalização, fatores que infinitamente estimulariam-se a si próprios, em uma ciclicidade que os tornaram fins de si mesmos dentro do exercício do capitalismo.
          O que se quer dizer, na verdade, é que o capitalismo não necessariamente começou na ostentação de bens da ética protestante, mas sim nos reflexos oriundos da racionalização dessa ética, que consolidou a nova conduta avarenta e de veneração da moeda em si, e como fator gerador e multiplicador de si mesma. Esse é, para Weber, o estado inicial do espírito capitalista.
          Porém, o foco principal de sua apreciação consiste em entender como e porquê a ética protestante alastrou-se para essa nova conduta de tal forma peculiar, diferente de seus princípios inicias. Consiste em entender como houve, dentre todas as racionalizações, a racionalização do próprio homem, a partir da universalização daquela ética. Porque essa veneração chegou a um ponto tão extremo? De tal modo que o homem negará a sua própria riqueza, buscando aumentá-la ainda mais? Talvez esses novos "princípios" (e as aspas sugerem que princípio seja referente a bom valor) estejam embutidos na concepção da burguesia nascente de propriedade e poder, como alicerces de sustentação dos mesmos.

Impulso Capitalista

“Tempo é dinheiro”, “Crédito é dinheiro” e “Dinheiro pode gerar dinheiro”.
É a partir de tais afirmações, proclamadas por Benjamin Franklin, que Weber procura em sua obra estabelecer o sentido do denominado espírito capitalista. Este se caracterizaria pela ânsia de lucro, pela aquisição como sentido último da vida. Visa à utilidade, à honestidade, ou ao menos sua aparência. A aquisição não mais é vista como simples forma de satisfazer às necessidades básicas do homem.
A ética capitalista estabelece a acumulação de capital como resultado da virtude e eficiência do homem, uma obrigação que o individuo deve sentir e realmente sente. O capitalismo é estabelecido como ordem inalterável, à qual o individuo deve se adaptar, e à qual se adapta, sob o risco de ser colocado à margem do sistema.
Contudo, a perspectiva do lucro pelo lucro foi presente em épocas passadas. O que caracteriza o capitalismo como único é seu processo de racionalização do investimento. A ânsia pela acumulação não é a ‘superestrutura’ do capitalismo, como muitos teóricos admitem, mas seu fator de desencadeamento. O capitalismo busca a acumulação tendo em vista gerir, investir, com espírito racional.

Assim como afirma Weber em sua obra A Ética Protestante e o Espírito Capitalista, “O ocidente (...) veio a conhecer, na era moderna, um tipo completamente diverso e nunca antes encontrado de capitalismo: a organização capitalística racional assentada no trabalho livre (formalmente pelo menos)”.

Fernanda dos Santos Nogueira - 1º Ano Noturno

Ética protestante?

Em suas reflexões na obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber procura vincular a expansão do capitalismo e de seus ideais com as reformas protestantes, especialmente a calvinista, a qual caracterizava que a desenvoltura pelo trabalho seria a forma de salvação humana, sendo o trabalho árduo e continuo uma das máximas pregadas pelo espírito do capitalismo, favorecendo assim a prática econômica .
Dessa maneira, diferentemente do que pregava a Igreja Católica, os ideais de Weber acreditavam na máxima de que tempo é dinheiro, não condenando o juros como uma prática sujeita a punição e acreditando que o acumulo de capital e sua racionalização sendo essenciais para a pratica do capitalismo.

Além disso, pode-se observar também o caráter individual que Weber exprime ao ser humano, acreditando que cada um se adapta no sistema de produção o qual está inserido.Dessa forma, há a extrema importância da sua conduta social singular para se tornar virtuoso e, assim, ser recompensado.
Portanto, é possível analisar a relatividade no conceito de ética protestante, uma vez que seu sentido já está inserido numa sociedade pré determinada, não tendo a relatividade daquilo inerente a cada sociedade.

Até quando, racionalidade?



                Na atualidade, o dinheiro não vale só como valor pecuniário como também dá ao seu possuidor valor, no sentido de qualidade. O homem capitalista adotou como medida padrão o dinheiro, e por meio dele mensura pessoas, como se isso fosse tão simples quanto dar preço a um simples objeto.
                Contudo, a adoção do dinheiro como algo tão importante não é inédita, o que diferencia a era de supervaloração monetária capitalista das demais, como afirma Weber, é a ideia de extrema racionalidade. A racionalidade espalha-se por todas as áreas da vida do homem, cada ato passa a ser calculado, para que se calcule o prejuízo ou o lucro. As ações não são mais espontâneas, é tudo programado!
                Nesse contexto, no qual a dinamização racional do investimento é algo de extrema importância, as pessoas perdem importância enquanto humanos. O homem abdica cada vez mais do seu lado sentimental para preocupar-se com o lado racional. As pessoas deixam de viver a vida que lhes gera prazer para viver a que lhes gera lucro, o dinheiro é o começo, o meio e o fim de todo e qualquer objetivo. Mas até quando ser tão racional com a vida sentimental é ser racional com si mesmo?
                O corpo precisa ser alimentado, e isso o dinheiro não faz. Amizades, amores, decepções e conquistas sentimentais são o que dá o verdadeiro valor à vida, valor esse que não tem nada de pecuniário. O homem que vive pelos números perde a própria racionalidade interna, pois preocupa-se com seu status e consideração social, e não com si próprio. Não cuida do seu maior bem, que não pode ser comprado, que é o corpo enquanto conjunto de sentimentos e preferências espontâneas. Tanto preparo para uma vida capitalista não ajuda em nada a conquista de uma vida realmente humana.

                Por fim, conclui-se que a racionalidade que o capitalismo precisa diverge muito da racionalidade que o homem precisa. Os objetivos do capitalismo são sobre-humanos, portanto, muitos não alcançam os alvos programados pela sociedade, e por isso são taxados. Contudo, por não terem a racionalidade psicológica, não sabem administrar a derrota capitalista e a interpretam como o fim de tudo, porém esse fim pode ser um grande recomeço para o entendimento da própria existência e dos desejos pessoais. O homem não é exclusivamente racional, e isso não poderá ser exigido dele infinitamente!

Protestantismo e capitalismo

A obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo”, escrita por Max Weber entre 1904 e 1905 em forma de ensaios que foram complementados e publicados em forma de livro em 1920, apresenta uma análise de como a cultura influenciou a economia, particularmente, de como o protestantismo possibilitou o desenvolvimento e a manutenção do capitalismo.
É importante ressaltar que, para Weber, o capitalismo não surgiu devido às religiões protestantes, mas que estas, diferentemente da religião católica, permitiram que ele fosse entendido de forma diferente, contribuindo assim para seu progresso.
Também é interessante pontuar que outros fatores contribuíram para isso e que eles estavam essencialmente ligados à ideia de racionalização (contábil, científica, jurídica e humana).
Na verdade, é esse racionalismo na busca do ganho econômico aplicado através de ideias e comportamentos que, segundo Weber, definem o espírito do capitalismo.
O principal elemento do protestantismo que dá ao capitalismo força e respaldo é o acúmulo de capital vinculado à ideia de virtude e eficiência, o que fez com que o que antes era mal visto e que depois passou a ser relativamente aceito passasse a ser tido como fundamental.
A produzir sua obra, Weber buscava responder uma dúvida de seus contemporâneos: qual o principal fator a influenciar as mudanças sociais? Com "A ética protestante e o espírito do capitalismo” ele conseguiu mostrar de forma consistente que esse fator correspondia às ideias e convicções éticas, se contrapondo assim a Karl Marx que acreditava que eram as condições econômicas responsáveis por essas mudanças e não o contrário.
A defesa de Weber se torna mais eficaz quando ele compara as sociedades ocidentais às sociedades orientais, mostrando que estas não possuíam nenhum sistema econômico desenvolvido parecido com o capitalismo do Ocidente, provando, com isso, a importância do fator cultural.
Porém, é valido ressaltar que Weber já afirma que a sociedade já havia alcançado um ponto onde o capitalismo se sobrepunha a outros fatores culturais, o que se mostra de forma clara na sociedade atual e que, de certa forma, acaba dando apoio à teoria de Marx, ou seja, a cultura pode ter até influenciado a economia, mas, é inegável, que a economia influencia a cultura.

Letícia Roberta Santos

Texto referente ao livro "A ética protestante e o espírito do capitalismo”, mais especificamente ao capítulo “O espírito do capitalismo”.

domingo, 29 de setembro de 2013

A ética protestante


  Max Weber, na obra A ética protestante e o espírito do Capitalismo, evidencia o surgimento de um comportamento singular advindo de um grupo social específico: os calvinistas; e se irradia para a sociedade não com o mesmo espírito que para os calvinistas.
Com um tipo de comportamento singular, no memento posterior À Reforma Protestante, surge no Ocidente uma ética voltada para a racionalização do trabalho, da produção e da vida; uma série de transformações que viriam a modificar todo o mundo e a ideologia reinante.
Essa nova ética provoca a universalização de um novo modo de vida, calcado na racionalização com a perspectiva de dominação do mundo, que propõe a externalização dos sinais da predestinação divina baseados na prosperidade financeira. Segundo Weber a ânsia pela riqueza existiu em todos os momentos da história, porém essa nova ideologia abriu espaço para um “espírito” de acumulação de riquezas e ânsia por maiores lucros como nunca antes havia ocorrido.
Esse novo “espírito” advindo com a Reforma Protestante serviu amplamente às demandas da burguesia nascente. Numa análise weberiana, essa transformação na cultura auxiliou a expansão da burguesia, uma vez que primeiramente viriam as transformações culturais e depois os fatores econômicos. Porém, o que se mostra mais condizente com a realidade histórica é que essa ideologia de acumulação de riquezas permitiu a expansão da burguesia e do capitalismo a níveis extraordinários, porém os fatores econômicos constituíram as molas propulsoras dessa ideologia. É necessário perceber que esse novo “espírito”  vinha de encontro com todo o substrato necessário para a libertação e expansão da classe revolucionária da época: a burguesia.
A pedra de toque da análise desta obra é a revelação de que o novo tipo de comportamento advindo com a ética calvinista transformou completamente o mundo e seus reflexos estão mais vivos do que nunca. A atualidade da crítica weberiana é evidente. Ainda vivemos uma realidade sociocultural onde a externalização da riqueza e da prosperidade é manifestadamente notória. Porém, não mais como predestinação divina, mas sim como sucesso na vida, o que todos buscam equivocadamente desde os primórdios da humanidade.

Ana Beatriz Nunes - direito noturno

Protestantismo e modernidade

  Segundo Max Weber, a ética protestante surge com os calvinistas e se irradia para o resto da sociedade de forma diferente. Com o decorrer dos séculos ela acaba por desprender-se de seu sentido religioso, como na nossa cultura social contemporânea ,com sentido mundano (desprendida de raízes religiosas).
  Segundo ele, surge no ocidente um novo comportamento, singular , que tinha como base a ética voltada a racionalização, mudando a consciência das pessoas, começando então a forjar-se um novo modo de produção.Weber está querendo entender ,a partir do comportamento concreto, como se fixa esta mudança,para isto, foca um grupo social específico.
  Tal comportamento inaugura um novo entendimento da ideia de acumulação de capital e de dominação do mundo. A partir de então se entende que um ser superior abençoe a crescente racionalização.
  As presentes modificações implicam,por exemplo, na transformação do operário , não apenas no que tange ao âmbito econômico , como também nos âmbitos culturais e religiosas.
  Destarte, a ética protestante deve ser entendida a partir deste contexto, não apenas como um capricho para se antepor ao materialismo histórico, Weber busca entender o que Marx analisa sob perspectiva teórica (mudança dos modos de produção) , de maneira concreta analisando cada grupo protestante que surge .
                        Ética para os escolhidos

Weber analisa a ética protestante influenciando o ocidente com sua moral prática e racional entendendo-a como elemento propulsor do espirito capitalista. Tal espirito não se caracteriza no sentido material, mas no sentido de uma ética do trabalho árduo e do ascetismo da ética protestante. O capitalismo se beneficia destes elementos pois traz consigo uma forte racionalização do mundo, para aproveitamento de recursos e desenvolvimento da ciência e tecnologia.

Podemos observar a mudança que o protestantismo trouxe consigo quando vemos o modo pelo qual o indivíduo é, para eles, escolhido por Deus, aqueles que tiverem uma vida próspera e riqueza são os escolhidos e possuem o modo de vida correto, já aqueles desprovidos de riqueza são detentores de um caminho errado que não lhes aproxima de Deus. O que vemos ser uma justificação religiosa para a desigualdade social, mas sabemos que essa desigualdade é própria de um sistema que beneficia aqueles que possuem condições de competir no mercado ou que através do conhecimento consigam gerar riquezas, e os que despossuídos de condições para participar do mercado e despossuídos, de várias formas, do acesso ao conhecimento estarão realocados em postos de trabalho de baixa remuneração.

Sendo assim, a racionalização que a ética protestante trouxe conjuntamente com o capitalismo garantem o benefício de uma certa parcela de indivíduos que adotaram este modelo, em detrimento de uma outra classe que desprovida de certos meios para se alcançar esta competitividade no jogo capitalista continuam a empobrecer e sofrer as mazelas de uma condição socioeconômica baixa.

Renan Rosolem Machado - 1º Ano Direito Diurno

Perspectivas weberianas

O ensaio de Max Weber: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, almeja estabelecer uma relação de causa e efeito entre algo que denomina "ética", advinda do contexto cultural e religioso sob a figura do protestantismo puritano, e o sistema econômico dominante a partir do século XIX, o capitalismo. Busca entender e conceituar a forma de produção capitalista, negando-a como aquela que valoriza exclusivamente o trabalho humano enquanto instrumento para o acúmulo de capital. O homem passaria a ser visto tanto como um instrumento de produção como uma máquina de consumo, estabelecendo a supremacia material e, assim, subordinando os valores morais humanos.
A reforma protestante e a disseminação de seus ideais fizeram com que aflorassem nos indivíduos  a ganância e a ideia incontrolável da busca pelo lucro constante, rompendo com o viés católico que condenava o lucro e a acumulação de riquezas, condições primeiras para a salvação pregada pelo protestantismo. Constrói-se  a ideia de uma “praticidade da moral” contraposta ao conformismo do mundo oriental.  A dispersão protestante foi propulsora para uma revolução que modificaria o modo de produção industrial e a própria concepção capitalista.  

O desenvolvimento do espírito capitalista estaria, de acordo com Weber, relacionado com o processo de racionalização da economia e das técnicas em geral na Era Moderna. Weber cita ainda a fundamentação da racionalização que permeia desde setores contábeis e científicos até a racionalização da conduta humana, condição para que o racionalismo econômico se firmasse concretamente.

Gabriela Giaqueto Gomes - Direito Noturno

Do tradicionalismo ao capitalismo aquisitivo

Weber, em sua obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, tem como objetivo, de modo geral, entender o que leva os homens a pensar diferente e as consequências que isso acarreta no modo de vida da sociedade. Especificamente falando, a o que levou a emersão de um espírito capitalismo moderno originado no ocidente, que teve sua ética universalizada.
Esse espírito do qual se trata Weber é fortemente marcado pelo racionalismo econômico, caracterizando o chamado capitalismo aquisitivo. Nesse, a acumulação de capital tem como fim a si mesmo, não se vinculando a satisfação de necessidades materiais, mas sim gerando uma ideia de obrigação no homem, um dever de ganhar, acumular, reinvestir com uma filosofia própria do ascetismo. Dessa maneira, na mentalidade capitalista moderna, a acumulação de capital desliga-se da imagem de ganância, avareza e adquire a imagem de virtude, eficiência.

         Nesse processo histórico, a ética cultural foi responsável por desencadear a econômica. O capitalismo moderno passou por diversos obstáculos para atingir a universalização, principalmente devido à visão de uma atividade desprovida de autorrespeito, aos hábitos do tradicionalismo como forma econômica, além da visão que a Igreja Católica, tão influente na época, detinha como antiética e anticristã. Mas atravessando essas barreiras, o surgimento da ideia do trabalho como fim em si mesmo, a dinamização do mercado, a disseminação dos valores do protestantismo e, futuramente, a desvinculação de qualquer origem religiosa moldou esse novo sistema econômico que foi fruto da mudança do modo de pensar do homem, o adquirido espírito do capitalismo. A origem dessa mudança é o objeto de estudo de Max Weber.

Virtude e eficiência

De acordo com a análise weberiana sobre o capitalismo, este não se constitui apenas pela ânsia pura e simples por lucro, visto que isto esteve presente em todos os setores da sociedade em todas as épocas. Em sua percepção, o capitalismo está vinculado à troca e às possibilidades de dinamização racional do investimento, sendo a racionalização o fator diferencial em relação aos outros modos de produção, estando dividida em contábil, científica, jurídica e do homem. Assim, o processo de racionalização presente na história humana resulta na superação do dualismo religioso, se realizado através do protestantismo, que de acordo com ele, modifica tanto a consciência dos indivíduos quanto a externa, sendo considerada a efetiva revolução moderna. Como estudioso das peculiaridades do ocidente, faz uma comparação com o oriente na questão do racionalismo. Assim, a ética protestante ocidental propõe uma dominação do mundo, enquanto no oriente predomina a conformação ao mundo.
Weber trata também que a reforma protestante tem o sentido de tornar o controle religioso sobre a vida social mais rigoroso e estendê-lo a toda a sociedade, regulamentando toda a conduta da vida pública e privada. Dentro do espírito capitalista, há uma ética pessoal severa não no sentido de aproveitar a vida, mas no sentido do trabalho árduo típico do protestantismo visando a obtenção de crédito. Diferentemente do que se pensa, o acúmulo de capital liga-se à ideia de virtude e eficiência e não à desonestidade.

Além disso, o capital é repleto de embates culturais, encontrando oposições religiosas, como o catolicismo, que considera  antiética sua conduta e o lucro um pecado. Observa-se também que o homem passa a trabalhar além de suas necessidades reais, pois por natureza ele trabalharia apenas o necessário para manter seu sustento, sem acúmulos. E, junto a isso, há o surgimento da ideia de trabalho como um valor em si mesmo. E, por fim, para o sociólogo, o espírito de acumulação antecede o surgimento do capitalismo, desencadeando-o, e não o contrário, como comumente acredita-se.

As transformações da mentalidade humana

O espírito do capitalismo é, não menos, uma impressão profunda e analista de como o comportamento social tem se voltado para as propriedades do meio de produção fundado no capital. Sua afirmação pautada na resposta de uma ética racionalista proveniente de uma conduta religiosa mostra como a mudança de mentalidade humana retorna em uma transformação eminente no meio produtivo.
o ethos social, passa então por uma disciplina religiosa, imbuída de um caráter racional e utilitário do capital. Esse espírito responde a um novo ânimo de conduta, onde as resoluções sociais são tomadas com uma visão distinta das outras religiões, tornando possível a consumação do pensamento capital.
A implementação que a cultura protestante causou na conduta dinâmica e no consequente desenvolvimento do capitalismo é indiscutivelmente audível.

Em contrapartida, seu aprimoramento na esfera político-econômica-social repercutiu em uma caracterização de conduta única por parte de empregadores e empregados. É notório a força com que o sistema se apresenta e, se não o vemos e atendemos a seus pressupostos, facilmente somos engolidos por seu abismo, tornando-nos presas intransigentes de sua potencia.
O mercado mundial gira por meio da proposta capitalista, desta dinamização infindável de produtos de meios de produção, de uma conduta onde o consumo é característica mínima e sua produção importa-se somente no ver do consumável. Perde-se, logo, com o aprimoramento dessa “maquina” a humanização do ser. Passamos a não ser mais explorados e instrumentalizados como meios de produção do capital, mas tornamo-nos agora somente o alongamento de maquinas e seu simples instrumentalizador. Perde-se noção de importância, de função, de existência no mundo material de produção econômica. O espírito incutido pela ética protestante fez com que o homem não somente abandonasse a simples ânsia de capital, pois isso não caracteriza sua necessidade, é lhe natural sem mesmo haver a fundação do capitalismo moderno; Contudo, o que lhe figura é a racionalização tanto do capital, como da produção como, fundamentalmente, dos produtores.
Há então, não só uma mudança de mentalidade no campo o capital, mas há uma desumanização no campo social caracterizando o giro do mercado, as funções do dinheiro e a incorporação de valores simplesmente materiais e utilitários para a indústria do capital.

Unindo o útil ao agradável

    O mundo do surgimento do capitalismo não poderia ser o mesmo dos grandes Reis e Padres. A difusão do espirito burguês trouxe carecimentos de mudança não só na ordem econômica, mas também na ordem social e cultural. Precisava-se ,portanto, de uma ideologia que unisse o útil ao agradável, que fosse combustível do motor capitalista e ao mesmo tempo não rompesse absolutamente com os ideais do passado.
     Como exemplo de ideologia supridora desses carecimentos ideológicos e como objeto de fundamentação dos novos valores em acensão, temos as ideias evidenciadas pela obra de Max Weber: A Ética Protestante e o espirito do Capitalismo. Nessa obra mostra-se as ideias da ética do protestantismo como fundamentos principais para que o espirito burguês pudesse crescer e se disseminar.
      A ideologia Protestante mostra, como já disse, uma união do útil ao agradável. Há uma alusão ao trabalho e à riqueza exacerbada, o trabalho geraria tal riqueza e quanto mais rico se fosse, mais perto de Deus se estaria. Os ricos ,pois, seriam os escolhidos e, dessa forma, as bases da burguesia se solidificam sem que se rompa completamente com o passado, basta observar a ideia central de Deus.
      Porém, cabe-nos uma indagação, a obra traz a ideia de uma burguesia que só teve seu lugar estabelecido através da adoção da ética protestante, sua base principal. Entretanto, é de se pensar se ,na verdade,não teriamos contrario, ou seja, a burguesia, em ordem de estabelecer-se, "criou" tal ideologia como sua justificação maior.
     Se aconteceu de uma forma ou de outra não sabemos, mas é fato que o capitalismo triunfou de forma nunca antes vista. Hoje não se tem mais esse pensamento de ricos escolhidos tanto quanto antigamente, mas, infelizmente, para muitos a riqueza ainda é o bem maior, talvez a própria divindade materializada.

A análise weberiana

''A ética protestante e o espírito do capitalismo'' de Max Weber mostra ser um livro que rigorosamente busca realizar uma análise profunda sistemática do capitalismo tentanto não olvidar de nenhuma de suas dimensões - históricas, econômicas, culturais, ideológicas,religiosas,políticas, e mais.
Destarte, Weber expõe suas diversas ideias que foram surgem como sintese dessa análise sistemática. Com destaque, no excerto escolhido para a leitura, nota-se a presença de algumas delas interessantes e que merecem serem colocadas em pauta.
A primeira a ser mencionada suscita um debate de cunho axiológico. Weber parte no momento de uma análise da sociedade capitalista, sob enfoque o homem como indivíduo inserido em determinado sistema de produção e que a ele se adapta. Portanto, Weber objetivamente aponta a necessidade econômica-social do indivíduo capitalista desfrutar de crédito, em todos os sentidos. Para tanto, sua conduta é analisada por todos e a todos os momentos. Logo, a conduta do homem adquire importância para sua convivência social e sua sobrevivência econômica, e adquire crédito aquela conduta que se mostra virtuosa; ao homem virtuoso é condedido crédito. E quais são essas virtudes? Qual é a sua natureza? Quem são elas?
Enfim, é nesse momento que Weber descreve aquilo que denomina como ''utilitarismo estrito''. Isto é, são virtudes aquelas qualidades da conduta humana que se mostram ser úteis. Úteis porque lhe trazem benefícios, crédito. Deste modo, tornam-se virtudes na sociedade capitalista a honestidade, pontualidade, laboriosidade, frugalidade, e outras. Weber adiciona ainda, o que particularmente é a parte mais interessante, que ser virtuoso e aparentar ser virtuoso são verdades a serem distanciadas. No entanto, não fará de fato diferença ser virtuoso ou aparentar ser virtuoso desde que os efeitos produzidos sejam o mesmo (despor de crédito). Ou seja, tanto faz na sociedade capitalista que um indivíduo seja virtuoso de fato ou de aparência, uma qualidade suficientemente equivalente à outra desde que os efeitos produzidos sejam o mesmo.
Por fim, há outro conceito válido de ser mencionado. Atendendo ao objetivo posto anteriormente, Weber está buscando transmitir exatamente qual é seu conceito de ''espírito do capitalismo''. Para tanto, o primeiro recurso que dispõe é contrapor o espírito do capitalismo a outro espirito, inclusive seu antecessor. Um espírito que de fato dispõe dos mesmos recursos que o espírito do capitalismo, porém que anima a essência social de outra forma, conduzindo-a de maneira diferente. Esse outro espírito Weber denomina de ''tradicionalismo''. É interessante esse momento pois da ligação entre esses dois espíritos, que são essencialmente excludentes porém chegam a ter um breve convívio, é que diversos fenômenos culturais, políticos, econômicos, sociais, religiosos, e outros tantos acontecem. 
Em suma, o capítulo lido é um belo exemplar da riqueza conceitual das ideias weberianas. Diante dessa admiração, certas passagens foram particularmente escolhidas para serem tratadas com maiores detalhes, ainda que outras tantas existam.

Lucas Carboni Palhares - 1o ano diurno
 
   Em sua obra ''A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo'', o alemão Max Weber descreve o que é chamado espírito do capitalismo, presente nos Estados Unidos e em países da Europa Ocidental, que possuíam uma estrutura capitalista moderna.
   De acordo com Weber, a ética cultural, relacionada ao ''espírito de acumulação'' foi o fator transformador que desencadeou o capitalismo, como ocorreu nas colônias da Nova Inglaterra. Desse modo, o sistema capitalista se originou do modo de vida de um grupo de homens, invertendo a proposição de Karl Marx, segundo o qual o ''espírito de acumulação'' seria superestrutura de situações econômicas.
   Buscando entender como a mudança do modo de produção ocorreu e em que momento há essa transformação, Weber afirma que a natureza mais forte desse processo foi a racionalização com a perspectiva de dominação do mundo. Tal racionalização surgiu com a ética protestante dos calvinistas, que dinamizou uma burguesia embrionária, ainda dominada, afirmando que, ao contrário do que prega o cristianismo, a espiritualização não é importante, mas sim a exteriorização dos sinais de graça, pois quanto maior a riqueza, maior o indício de predestinação.
   Ainda de acordo com Max Weber, o espírito do capitalismo é pautado no trabalho árduo, na moderação e no não consumir e aproveitar a vida. Além disso,  teve como principal oponente a tradição, pois o homem não desejava ganhar cada vez mais, e sim apenas viver como estava acostumado recebendo o necessário para isso.
Progresso pífio e piramidal

       Empreender uma obra arquitetônica deslumbrante como as pirâmides egípcias é indubitavelmente uma tarefa árdua. Todavia, sua finalidade funerária levanta o questionamento se todo a dedicação não foi pífia. Qual investimento foi realizado? Haverá um retorno proporcional aos gastos? As riquezas foram estagnadas? Respectivas respostas: Nenhum. Não. Sim. Notadamente, observa-se nessas conclusões um espírito de valorização do dinamismo do capital.
      Max Weber dedicou-se a entender os desdobramentos da Reforma Protestante na consciência e atitude das pessoas, porquanto tal reforma deu início ao forjamento de um novo modo de produção. Seu enfoque é direcionado aos calvinistas e sua influência na ruptura responsável por alavancar as diferenças entre Oriente e Ocidente. Outrossim, a universalização da ocidental racionalização. O diferencial dessa nova racionalização é visar o domínio do mundo, e não apenas acomodar-se a ele, como um buda ou um cristão que “ao ser ferido na face direita, oferece também a outra.” 
       Para os calvinistas os indicativos de acumulação de riqueza não fomentam a vergonha; pelo contrário, tratam-se de sinais de predestinação, da graça de Deus. Circular a moeda é uma responsabilidade divina e trata-se do sentido da ação social. Ação social a qual tem por embasamento uma racionalização contábil, jurídica, científica e do homem. E, aquele que diverge de tal comportamento, está fadado ao insucesso. “Quem não adaptar sua maneira de vida às condições de sucesso capitalista é sobrepujado, ou pelo menos não pode ascender.”
   A ética cultural promove a diferenciação no comportamento humano, pois primeiramente ela modifica a consciência dos indivíduos para posteriormente externá-la em ações. Após os fugazes apontamentos de Weber acerca do protestantismo, em um contexto atual, esses pensamentos possuem importância e validade? Promover a dinâmica do capital é necessário para as relações sociais. Porém, considerar a relevância de um ser proporcional à sua aquisição de bens traz à discussão o sentido já exposto do caráter pífio piramidal: afinal, um progresso que não atende a todas as faces piramidais, ou seja, à toda a população e apenas àqueles “escolhidos de Deus”, não é também vil, reles?

Daniele Zilioti de Sousa - Direito Noturno

Percepção do Capital

Max Weber em A ética protestante e o espírito do capitalismo vem, diferentemente do que se está acostumado a ver, entender a formação do capitalismo e da sociedade burguesa. Como ela se estabeleceu hegemonicamente no mundo pós revolução francesa, avaliando o processo sob um prisma histórico-cultural e não econômico.
Weber percebe nessa análise que a ética calvinista, a ideia de que o homem que trabalhasse e obtivesse sucesso teria com isso a prova de que pertenceria ao céu, a visão do trabalho como tábua de salvação, como maneira de se manter afastado de pensamento e atos pecaminosos se espalhou pelo mundo. Conforme o tempo foi passando, e esse pensamento foi se difundindo geograficamente o primeiro aspecto, religioso, se perde e apenas a cultura de negócio e mercado se propaga.
Assim, o autor chega à conclusão de que o capitalismo só se difundiu da maneira como vemos graças a uma primeira disseminação da cultura calvinista e burguesa. Com o tempo a burguesia passou a moldar a sociedade à sua imagem e semelhança, estabelecer modelos e ideais que são incutidos desde a infância na vida das pessoas, levando a parecer natural tudo que na verdade é uma construção social.

Essa ideia nós vemos ainda hoje na música de Renato Russo, Geração Coca-Cola. No entanto, nesse caso, o compositor conseguiu identificar essa influência de ideais já construídos, ainda que ela seja para nós algo muito sutil, e os está criticando, fazendo uma ameaça de subversão ao sistema utilizando os meios que o próprio capitalismo difunde.

Carolina Paulino Fontenla 
Direito Diurno

Por que não com o Protestantismo?

A ética protestante e o espírito do capitalismo é um livro escrito por Max Weber entre 1904 e 1905 com uma série de ensaios, no qual ele investiga as razões do capitalismo ter sido desenvolvido inicialmente em países como a Inglaterra e a Alemanha, concluindo que isso se deve à mundividência e hábitos de vida instigados ali pelo protestantismo na época. Neste livro, Weber avança a tese de que a ética e as ideias puritanas influenciaram o desenvolvimento do capitalismo. Tradicionalmente, na Igreja Católica Romana, a devoção religiosa estava normalmente acompanhada da rejeição dos assuntos mundanos, incluindo a ocupação econômica. Tais conflitos eram baseados na luta ascética - não valorização do corpo e desprendimento material. Por que não foi o caso com o Protestantismo? Weber aborda este paradoxo nesta obra.
Ele define o espírito do capitalismo como as ideias e hábitos que favorecem, de forma ética, a procura racional de ganho econômico. Weber afirma que tal espírito não é limitado à cultura ocidental mas que indivíduos noutras culturas não tinham podido por si só estabelecer a nova ordem econômica do capitalismo. Após definir o espírito do capitalismo, Weber argumenta que há vários motivos para procurar as suas origens nas ideias religiosas da Reforma Protestante.
Weber mostrou que certos tipos de Protestantismo favoreciam o comportamento econômico racional e que a vida terrena recebeu um significado espiritual e moral positivo. Deve-se notar que Weber afirmou que apesar de as ideias religiosas puritanas terem tido um grande impacto no desenvolvimento da ordem econômica na Europa e nos Estados Unidos, eles não foram o único fator responsável pelo desenvolvimento. Em conclusão, o estudo da ética protestante, de acordo com Weber, explorava meramente uma fase da emancipação da magia, o desencantamento do mundo, uma característica que Weber considerava como uma peculiaridade que distingue a cultura ocidental.
Ao definir propriamente o que seria a ordem econômica capitalista Weber afirma que tal ordem "é um imenso cosmos em que o indivíduo já nasce dentro e que para ele, ao menos, enquanto indivíduo, se dá como um fato, uma crosta que ele não pode alterar e dentro da qual tem que viver. Esse cosmos impões ao indivíduo, preso nas redes do mercado, as normas de ação econômica. O fabricante que insistir em transgredir essas normas é indefectivelmente eliminado, do mesmo modo que o operário que a elas não possa ou não queira se adaptar é posto no olho da rua como desempregado."
O autor dizia que, antigamente, se o indivíduo tivesse que trabalhar mais para poder ganhar mais, ele preferia trabalhar o mesmo tanto para continuar ganhando aquilo que ele já ganhava. Ou seja, a pessoa procurava trabalhar o mínimo possível para garantir o seu bom sustento e ter como comer e dormir. A ética protestante veio mudar este raciocínio, dizendo que a salvação do indivíduo estaria relacionada com o quanto que ele ganhava, o tanto de dinheiro que possuía, instruindo assim a relação com o capitalismo. Max Weber defende o estabelecimento de um raciocínio lógico capitalista, que o mesmo denomina racionalismo; sendo esta leitura realizada através da comparação da Alemanha do período com outros países civilizados do planeta em condição de desenvolvimento semelhante, ou seja, com existência do capitalismo e de empresas capitalistas, sendo identificado na primeira uma estrutura social, política e ideológica ímpar, que pode se ditar como a condição ideal para o surgimento do capitalismo moderno, que no seu interior defende a paixão pelo lucro como demonstração de prosperidade, fé e salvação.

Vinícius Domingues de Faria - Direito Diurno

O espírito do capitalismo


             Max Weber faz uma análise sociológica sobre a influência do capitalismo em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Ele analisa as mudanças ocorridas na sociedade a partir do declínio das normas da Igreja Católica e a ascensão dos valores burgueses, como, por exemplo, a usura.
            A partir do surgimento de uma nova religião cristã, o protestantismo, transforma-se a análise daqueles que são escolhidos por Deus para ocupar o paraíso de pessoas humildes, que não ostentam muito, que ajudam os outros para sinais materiais, como a o poder econômico. Aqueles que fossem mais ricos seriam os agraciados por Deus, tendo conquistado essa posição privilegiada a partir do próprio trabalho, ou seja, pela primeira vez, a força do trabalho é vista como algo positivo, motivo de exaltação e orgulho.
            Essa valoração do trabalho e os sinais recebidos se encaixavam perfeitamente na ideologia burguesa, uma vez que essa classe procurava um meio para atingir seus objetivos sem, contudo, desrespeitar a vontade divina.
            Weber faz uma análise que não vai diretamente contra às proposições marxistas, contudo, ele acrescenta fatores para a dinâmica social, como por exemplo o fator religioso, enquanto Marx apontava ser o fator econômico o responsável por todas as transformações sociais.
            Ele também percebe que a relação do homem com os fatores naturais também sofre grande modificação, como na célebre frase de Benjamin Franklin “Tempo é dinheiro”, o homem burguês passa a ter controle até mesmo sobre o tempo, controlando seu operário, acrescentando a todo momento capital e lucro para o seu negócio.
   Max Weber é considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia, mas sua influência também pode ser sentida na economia, na filosofia, no direito, na ciência política e na administração. Começou sua carreira acadêmica na Universidade Humboldt, em Berlim e, posteriormente, trabalhou na Universidade de Freiburg, na Universidade de Heidelberg, na Universidade de Viena e na Universidade de Munique.
   Através da leitura do texto "O Espírito do capitalismo", de sua autoria, podemos ver sua visão sobre a ética protestante que surge com os calvinistas e se expande pela sociedade com a dinamização do processo histórico culminando com um novo modo de produção. Weber tenta compreender como essa "ética" se concretiza na sociedade, vendo-a como uma revolução no modo de agir, conscientizar, desencadeando uma série de transformações na história do mundo.
   O olhar que devemos ter ao lermos sua obra é a forma como houve essa transformação no modo de produção, buscando compreender a singularidade do Ocidente, a ocidentalização do mundo, ou seja, caracterizado como a racionalização, possuidora de aspectos singulares de dominação do mundo.
   A máxima calvinista "Quanto mais eu prospero eu serei salvo" seria um novo meio de dominação do mundo, dando sinais de vigor econômico, construção do novo a cada momento. Essa nova acepção moderna, capitalismo, vincula-se não apenas à perspectiva da troca, mas sobretudo às possibilidades de dinamização racional do investimento.
   Para Weber as mudanças só ocorrem se o pensamento, modo de agir, ou seja, tudo em relação ao mundo forem pensadas concretamente, agir concretamente, tanto que Weber absorve a ciência como modo de dominação. Os fatores que diferenciam o modo de produção capitalista de qualquer outro na história vinculam-se, especialmente, à racionalização, e os quatro pilares que sustentam essa racionalização são: racionalização contábil, jurídica, científica e a do próprio homem.

Ana Claudia Gutierrez Kitamura, 1° ano Direito Noturno.

Ditames impostos pela Reforma Protestante



        Em “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber expõem o capitalismo sobre um ângulo distinto do padrão financeiro, analisando o desenvolvimento histórico do modelo capitalista. Portanto, a reforma capitalista seria mais uma revolução da mentalidade da sociedade do que uma revolução econômica.

      A reforma protestante então tinha natureza revolucionária e de rupturas, uma vez que o acúmulo de riquezas e os novos modos ocasionados pela Reforma não estavam apropiados com os parâmetros da religião Católica. Com isso, a Reforma Protestante aos poucos desvinculou da influência religiosa, acarretanto uma universalização da revolução em todo Ocidente. Contudo as atividades capitalistas vistas como pecados tornaram-se a ser considerada a “salvação”. Assim com a ética protestante, a concentração de riquezas era considerada um prenúncio de predestinação, interpretando que todos que conseguissem guardar mais capitais estaria tendo sinais de que teria uma salvação. Logo, essa universalização da ética Calvinista se transformou  em um fragmento da vida pública, incorporando a maioria da nação no âmbito do trabalho.
    
   Além disso, o trabalho livre munido de racionalidade excede com o fundamento básico da organização do capitalismo, de modo a torná-lo distinto dos outros modelos de produção. Ocorre, para Weber, uma racionalização de vários setores como o contábil, do qual ocorreria uma cisão entre as distintas esferas da vida do ser humano, a exemplo a casa, família e trabalho; o científico, que dizia que a ciência seria um meio de expandir o capital; o jurídico, que estabelecia a função do direito como o de dar proteção a empresa; e o humano, em que o homem deve negar sempre sua própria riqueza sobre o fim de cresce-la ainda mais.


Júlia Xavier Rosa da Silva- 1º Direito Diurno