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segunda-feira, 16 de setembro de 2013



Karl Marx expõe aquele que seria o pontapé inicial de uma teoria que repercutiria por séculos com uma linguagem acessível. Para que a mensagem contida atingisse a classe trabalhadora o Manifesto Comunista foi escrito em caráter simples e com uma leitura de grande fluidez.

Nos capítulos iniciais é descrita a bravura e o sucesso da burguesia ao enfrentar os senhores feudais em seu processo de libertação. Libertação das amarras políticas, culturais e econômicas vigentes no período medieval. Essa libertação e ascensão burguesa trazem consigo uma doutrina que seria o estandarte para uma real expansão: o liberalismo como uma possibilidade infinita para a fluidez de novas ideias e iniciativas. Essa seria a libertação da força produtiva, ou seja, de todo aquele elemento que interage e intervém no cotidiano da vida em sociedade.

A burguesia, portanto, constitui uma classe vencedora que conseguiu transgredir e criar um novo mundo. Um mundo sem limites para a transformação. Porém, a experiência prática do correr dos anos revelou um extremo dessa capacidade de se transformar e reinventar: revelou uma necessidade de transformação exigida pelo capitalismo. É o caso da “destruição criativa” exposta por Joseph Schumpeter em Capitalismo, Socialismo e Democracia segundo a qual o capitalismo dissolveria tudo aquilo criado por ele com uma rapidez muito grande, decorrente da sua necessidade  de criação de novos artefatos a cada ciclo, sendo essa destruição necessária para a sobrevivência e continuidade do próprio sistema capitalista.

Posto isso, cabe questionar essa “ética do moderno” da qual os homens não conseguem se desatar e que existe como um princípio que incita e que nutre a lógica capitalista. De certo modo é válido dizer que a vitória burguesa a escravizou, a tornou refém de um consumismo não condizente com a necessidade humana. Um consumismo ofuscante, que torna cegos aqueles ávidos por seus iPhones 5, 6 e 7. 

Em seu livro "O Manifesto Comunista", elaborado por Karl Marx com a ajuda de Friedrich Engels, ele
conclama os operários a se juntarem contra os abusos do sistema capitalista. O livro mantém uma linguagem clara e didática, buscando atingir seu público alvo de forma concisa, a classe proletária. A análise se dá principalmente em como o capitalismo se firmou, ressaltando as inúmeras lutas de classes travadas ao longo do tempo e seus fundamentos.
Durante uma época marcada por mudanças nunca antes vistas, fez-se necessário que se levantasse uma
voz para guiar os oprimidos. A velocidade de informação foi um ponto crucial do método aplicado por
Marx para atingir seus objetivos, visto o tamanho do Manifesto. Sua repercussão foi muito efetiva, como pode se notar em certos líderes que adotaram tal sistema com a esperança de combater o capitalismo, tal qual Lênin e sua Revolução Russa.
No entanto, apesar do aparente sucesso, os sistemas socialistas não vingaram. Poderia atribuir-se a causa aos defeitos humanos, pois assim que atingiram o poder, revelaram ser tão egoístas quanto aqueles que combatiam. Após muitos anos, é visível a decadência e a conversão dos sistemas socialistas para capitalistas, devido diversos fatores como a pressão exercida pelos principais polos capitalistas. Assim, seria necessário antes uma mudança de mentalidade, para que o mesmo que ocorresse com Stálin não voltasse a acontecer, pois como diz Nietzsche, "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."

Renan Souza
1º ano diurno

José

                Em 1929 assistiu-se a algo impensável alguns décadas anteriores: a crise de super produção.
                Como assim? O que deu errado em 29,era o sonho do século anterior: produzir o suficiente para o mundo. Meta atingida, e agora, José? A festa acabou?
                Ai entra (ou melhor, já era pra ter entrado) “O manifesto comunista”, que começa quase como num elogio ao capitalismo, cuja mais nobre feição foi aumentar tanto a força produtiva a tal ponto. Mas, e agora, José?
                Bom, agora começa o deslouvor ao até então elogiado capitalismo. A classe burguesa, outrora oprimida pelos senhores feudais, passou a oprimir a classe operária. E agora, José?
                Agora, “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”, e se soltem desses grilhões que amarram os salários lá em baixo. Paremos com esse ideal que faz os dominados, se sentirem obrigados a entrar nessa antecipação do futuro tão pretensiosos e saiamos dessa falácia do ideal que todos, no capitalismo, têm as mesmas oportunidades.

                

O manifesto

Partindo de uma análise da conjuntura social de seu tempo, e utilizando-se de uma ‘linguagem acessível”, Engels e Marx convocam os operários à luta, através do Manifesto Comunista. Mais do que isso, essa obra panfletária possibilita uma interpretação acerca do momento histórico da época, baseado nos ditames do capitalismo.

A ascensão da própria burguesia é analisada, de modo a reafirmar seus valores, uma vez que tão grande foi sua projeção que derrubou o Antigo Regime, garantindo o sucesso do capitalismo industrial. O capital se expandiu para o mundo todo, buscando novos mercados e consumidores através de sua força motriz, configurando sua internacionalização. Assim, surge uma ideia cosmopolita de sociedade em que há interdependência de todos: mercado e consumidores.

É partindo da premissa do capital, ou seja, através de elogios às ações burguesas para a tomada do poder que os autores, analogamente  baseiam sua teoria de que para que a revolução do proletário desse certo, deveria possuir caráter internacional de modo que as transformações abarcassem o mundo todo. Somente assim, o alvo de suas críticas ao sistema capitalista – propriedade privada - seria extinguida.



 Gustavo Lelles de Menezes                                       Direito noturno

Até que ponto?

    Muito se afirma no Manifesto Comunista de Marx e Engels a necessidade de mais uma transformação na ordem da sociedade, eliminando-se a possibilidade de criação de mais um acirramento entre diferentes classes, presente desde quando a sociedade começou a se organizar, cita-se o antagonismo entre senhores e servos, na idade média, ou proletários e burgueses contemporaneamente.
     Esta transformação é extremamente necessária, no ponto de vista dos autores, pois a sociedade burguesa deturpa o conceito de liberdade limitando-a a relações comerciais, além de prejudicar a formação humana no seu princípio e ninho. Quando não estão escravizando crianças em seus trabalhos repetitivos e desumanizadores, estão controlando escolas de acordo com seus objetivos, pois os autores são categóricos em afirmar que o desenvolvimento científico está intimamente ligado ao material.
     Contudo, é dificílimo afirmar com precisão até que ponto outra mudança nas classes sociais seria de forma efetiva. Elevar o proletariado a tal nível de perfeição e altruísmo é arriscado, porque dificilmente ele não se acomodará no poder, tal qual a famosa frase de Abraham Lincoln: "se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder."
     Tal fato pode ser comprovado em tentativas falhas de uma organização comunista, onde os revolucionários acabaram tomando o poder e passaram a exercê-lo de forma extremamente autoritária. Exemplo típico é a Ditadura dos irmãos Castro de Cuba, onde há bloqueio à liberdade de imprensa ou, até mesmo, casos que feririam os Direitos Humanos ou a Dignidade da Pessoa Humana.
      Assim sendo, resta-se a análise de três pontos: ou o exemplo de Cuba não tenha seguido formalmente as 10 regras propostas pelos autores, ou caso este país não pudesse adotar tais medidas tão rapidamente, porque não possuía uma organização de país desenvolvido ou, por fim, estabelecer possibilidades de que tal teoria "revolucionária" não seria mais nada além de apenas mais uma mudança da classe social hegemônica, criando-se outra realidade com novos atritos entre elas.

Não aos dogmas

Weber em uma de suas passagens afirma: “jamais pode ser tarefa de uma ciência empírica proporcionar normas e ideias obrigatórias, dos quais se possa derivar ‘receitas’ para a prática”. Dessa forma, o pensador procurar esclarecer eu ciências como a Sociologia não podem se pautar na criação de regras e leis, ou na sujeição de fórmulas. Deve-se, portanto, pautar os estudos e análises na observância na realidade de cada contexto em sim, com destaque para a ação individual mesmo no que é tido como coletivo.
Talvez seja possível supor que Weber buscasse certo relativismo ao se estudar as sociedades, pois leva em consideração os caracteres individuas nas conjunturas sócias em geral. A partir do estudo dos indivíduos, seus valores e consciência o estudo da sociedade se daria de forma mais solida. O método weberiano propõe então um estudo intrusivo, de dentro para fora, do caráter mais particular (indivíduo) até o mais geral (sociedade). Dessa forma critica o dogmatismo do materialismo histórico, por acreditar que assim algumas hipóteses estariam sendo descartadas, opondo-se também á aplicação forçada te tal materialismo. Apesar de parecer relativista em certos pontos, Weber defendia uma metodologia científica universal, a fim de comprometer-se com a verdade e credibilidade de certo ordenamento conceitual da realidade empírica seja onde for.

Weber opõe-se ao dogmatismo puro e simples numa ciência sociológica, dessa forma seus métodos e análises são de extrema importante para os estudos contemporâneos e perspectivas sociológicas atuais. 




Dayana Moura Dezena, Direito diurno. 

Sistema capitalista: imediatismos e contradições

A análise marxista acerca do sistema capitalista, apesar de originária do século XIX, mostrou-se muito consciente em diversos aspectos, os quais condizem com a realidade contemporânea. Os esforços de Karl Marx e Engels conjugados, na elaboração do Manifesto Comunista, propõe uma análise crítica e funcional de como a classe burguesa se estabeleceu e como o capitalismo se arraigou na sociedade.
Com respeito aos elementos destacados por Marx em Engels ao retratar o sistema capitalista, pode-se destacar dois deles visivelmente presente no nossa atual sistema senso eles: o imediatismo e o a contradição. Não obstante, Marx não usa o termo imediatismo ao caracterizar o capitalismo ou o ideal burguês, nota-se que é um fator mercante e determinante em nossa conjuntura atual.
Dessa forma, partindo de pontos revelados por Marx tais como: necessidade generalizada de expansão constante do mercado; o descontrole das forças de produção, da propriedade devido às enormes proporções tomadas pelo capital e pelo mercado; a superprodução; a incapacidade da sociedade burguesa de abranger toda a riqueza aquilo por ela criada. Tais elementos são expostos na obra como pontos contraditórios do referido sistema, à medida que ele próprio incentiva mecanismo que o corrompe. Associado a isso Marx faz referência às crises periódicas enfrentadas pelo sistema capitalista.
Logo, observa-se o imediatismo intrínseco do ideal burguês, pois o que está sempre em primeiro plano é o lucro, os benefícios, os desenvolvimentos, os crescimentos imediatos. Sem muita preocupação com as consequência a longo prazo, ou os possível efeitos da exploração da produção, entra-se na questão das contradições. As contradições se expressam ao passo que o sistema, ao mesmo tempo em que busca de desenvolvimento, produz obstáculos contra si mesmo.

Alguns exemplos práticos de como o sistema entra em contradição está na própria maneira de explorar os recursos naturais. A produção em grande contingente, e a expansão irrefreável do consumo e do mercado implicando em disponibilidade de recursos naturais e energéticos, porém a esse passo tornar-se-á insustentável ecologicamente, dessa forma o sistema capitalista pode entrar em colapso. Um caso recente de extrema polêmica e divergência acerca do Novo Código Floresta ilustra bem tal situação. A bancada de maior representatividade, composta pelos chamados ruralistas, em vários momentos foi relutante em assumir medidas de preservação tendo em vista os interesses econômicos que possuem. Assim como ressalta Marx o lucro, no modo de vida capitalista, suplanta outros aspectos também importantes para a vida em sociedade, a exemplo do pensamento ao logo prazo. É dessa forma o sistema vigente se mostra imediatista e possivelmente contraditório, já que não combate àquilo que certamente o prejudica. 

Dayana Moura Dezena, Direito diurno.

Instável necessidade

    "Lugar de gente feliz", "Energia que dá gosto", "Feito pra você" são exemplos de slogans publicitários que tentam empurrar seus produtos para a nossa sociedade consumista - capitalista. Junto com a publicidade, o capitalismo continua se mantendo firme no seu objetivo que é manter as pessoas comprando aquilo que elas acham q necessitam. Cada vez ela dissolve-se criando outros produtos que acabam passando os outros para trás, dando a entender que aquele outro produto que o consumidor possui é ultrapassado e não irá satisfaze-lo. 
    O "Manifesto Comunista", de Marx e Engels, inicia tecendo elogios à modernidade podendo até confundir o discurso como um manifesto capitalista. Tais elogios feitos provam que Marx, na verdade, era a favor da modernidade, a favor de que o ser humano se superasse a cada dia com novos experimentos e inovações que trouxesse benefícios à sociedade em geral. Porém, o capitalismo apossou-se dessa capacidade humana de inovar a cada dia fazendo com que ela tornasse uma característica própria sua.
    A revolução do proletariado não teria por tarefa a destruição do capitalismo, mas sim a incorporação da visão burguesa e ultrapassá-la, assim como eles ultrapassam as barreiras na inovação. Logo, a fase do capitalismo seria necessária para que tal evento ocorresse mais frente como cientificamente Marx havia provado que aconteceria. 
        Apesar das amarras que ainda estão submetidos os seres humanos sob a vigilância do capitalismo, em um mundo de interdependência universal que junto com a publicidade induz e torna possível a "destruição coletiva" das coisas e pessoas, a modernidade continua dando seus galopes e um dia será escutado o pedido de Marx e Engels: "Trabalhadores do mundo, uni-vos!" 

A mudança segundo o Manifesto Comunista

        Sob a perspectiva da eterna luta de classes na qual seria a responsável pela formação da historia, em um momento histórico de grandes transformações em meio ao crescimento da atividade industrial Marx e Engels escrevem o Manifesto Comunista. Neste manifesto os autores destacam a evolução e o domínio econômico da classe burguesa sob o proletariado a fim de chamar a atenção desses últimos para as condições sociais da época, para as injustiças cometidas pela burguesia e a exploração a que estavam sendo submetidos.
          Tal domínio se deve ao fato da classe burguesa ser detentora dos meios de produção, desta maneira controlam as fabricas e ditam a forma de trabalho a qual o proletariado deve ser submetido, sem condições de escolha. Os proletários passam então a serem vistos como mercadoria, uma simples peça para a maquina de produção sem qualquer habilidade construtiva, conduzidos diretamente para a alienação e subordinação.
          Desta maneira Marx e Engels propõem a uma revolução do proletariado, que seria de interesse da maioria e levaria ao fim a divisão por classes. Isto seria possível através do fim da propriedade burguesa, sendo todos parte do Estado e trabalhando em conjunto para sua construção.

          Assim, o Manifesto Comunista leva a tentativa de convencimento do proletariado a romper com a estrutura social imposta pela burguesia sob a forma de dominação econômica que visa apenas o beneficio próprio e vá a busca de uma estrutura destinada ao bem comum, em que não haja opressores nem oprimidos.


Ricardo Mendes Jr. - Diurno

Burguesia sem poesia


"As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução"



Esse trecho pertence à música de Cazuza chamada "Burguesia" que, mesmo escrita em 1989, possui notáveis semelhanças com o que foi descrito no Manifesto Comunista, de 1848. Isso mostra que Marx e Engels realmente acertaram boa parte do que esperavam dos acontecimentos futuros, tornando sua obra com mais de um século de idade ainda atual.


"A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras"

Segundo o Manifesto, a história é composta por um ciclo marcado pelo antagonismo de classes que sempre se repete. A burguesia, apesar de criticada, já foi revolucionária, porém suas conquistas tinham em vista apenas seus próprios interesses, o que desencadeou um novo ciclo, no qual esta é a classe dominante e os proletários, a dominada. A exploração tornou-se direta, indiscreta e brutal, não mais velada por ilusões religiosas e políticas. Apesar disso, os burgueses trouxeram avanços principalmente na área de comunicações e tranportes, o que possibilitou não só a globalização e a expansão do mercado, mas também uma maior união dos trabalhadores explorados.

"Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês"

A superprodução torna-se fora do controle e a cultura do excesso entra em processo de autofagia. Conforme descrito no manifesto, caberia ao proletariado unir-se e retomar aquilo que sempre foi seu, acarretando o fim do antes eterno ciclo de antagonismo de classes, pois a existência dessas cessaria. Apesar das críticas, uma série de medidas aparentemente impossíveis em um primeiro momento transformaria o modo de produção e a propriedade em si. Seriam desfeitas as amarras da cultura da sociedade burguesa e a poder que esta possuía.

"A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia"

Comércio solúvel...

    Quando alguém fala sobre o manifesto comunista, tem-se a ideia de que Marx apenas montou sua ideologia, e sua conclamação para os trabalhadores do mundo, do nada. Partindo do zero na sua argumentação para que os trabalhadores do mundo se unissem. Contudo, tal ideia é falsa quando se analisa e, principalmente, se faz uma leitura sem "interferências ideológicas", de "O Manifesto Comunista". Tal ideia fica clara quando percebesse que no primeiro capitulo Marx demonstra que a revolução burguesa não foi algo tão distante da ideia da revolução do proletariado. Na verdade a revolução do proletariado buscaria, segundo Marx, complementar a revolução burguesa, fazendo com que todas as amarras que a revolução burguesa começou a quebrar fossem rompidas de vez.
    Contudo, é no ponto do quase rompimento das amarras da antiga força política e militar que reside a atual força da burguesia. Para que se rompesse com o Ancien Régime, foi necessário a imposição de uma nova doutrina política que atendesse aos interesses da burguesia. Assim, tem-se a criação do Liberalismo: uma doutrina que impele os homens na modificação do mundo e, por consequência, no domínio e conhecimento das forças produtivas.
    Assim, com o domínio das forças produtivas e este "estimulo" na modificação do mundo, é possível observar que nasce o capitalismo e um novo modo de se viver. Mas neste novo modo de se viver tem-se alguns problemas com o avanço descontrolado do capital. Para citar os clássicos problemas, tem-se problemas com as fontes de recursos naturais e as crises econômicas internacionais. Porém, o principal problema apontado por Marx é o fato do mundo se relacionar de forma capitalista, fazendo com que o consumismo crescesse assustadoramente juntamente com a quantidade de produtos que são disponibilizados para a compra. E neste ponto é que a crítica e teoria de Marx tornam-se assustadoramente atuais.
    O fato do número de produtos se elevarem faz com que o descarte destes produtos, para que novos entrem nas prateleiras, seja muito rápido. Sendo este o processo de "Destruição criativa", termo criado por Joseph Schumpeter, que consiste na necessidade cada vez maior de se renovar os produtos para que o ciclo de consumo continue aumentando. A confirmação de tal situação pode vir de exemplos banais como comprar um smartphone num mês, e no próximo este ficar obsoleto frente a outros produtos que entram no mercado.
    Tal situação demonstra que, mesmo tendo sido escrito a um bom tempo, "O Manifesto Comunista" trás críticas atuais sobre nossa sociedade. Críticas que demonstram que a expansão do mercado é algo mais importante que a noção de se preservar os recursos naturais. Sendo que a burguesia, uma classe revolucionária, foi a responsável pela implantação desta nova doutrina. Sendo que neste caso, nos resta saber se será possível romper com todas as amarras de vez, ou se continuaremos presos a "ética da modernização" e a um mundo lotado de produtos que nascem num dia, e se "dissolvem" no outro...

Leonardo de Morais Oliveira Lima - Direito Noturno

Foi da luta e será dela

               Foi a diferença. Nasceu dessa forma. A luta de classes representando a história da humanidade, e não só representando, mas também fazendo a história da humanidade. De uma certa forma, quando nos envolvemos com o estudo da filosofia da história, e até mesmo da própria história, o que revolucionou a sociedade e deixa sua marca na história, representando um fim e um começo de nova Era. Como por exemplo, o renascimento do comércio com o fim da era medieval não aconteceu o fim do antagonismo de classes, somente proporcionou o surgimento de novas classes e se renovou a forma de lutar.
                   O manifesto comunista apresenta em seu primeiro capítulo a classe burguesa não de uma visão maléfica, e sim demonstra a sua exaltação ao Capitalismo, um anuncio de novas possibilidades, acontece a celebração da modernidade. Porém percebe-se que Marx revela essa burguesia  no âmbito da força de exploração, na qual na era medieval estava incumbida nas ilusões religiosas e políticas, agora a burguesia utiliza-se da exploração direta e aberta.
                  O poder do burguês que se manisfesta de maneira direta, e de uma tal forma, que a indústria moderna conquistou o poder do Estado. A administração do  Estado não é só direito, é economia. A burguesia tomou para si, assim, a autoridade política. A forma de governar. O Estado passa a agir em favor da burguesia, a discussão política trata a respeito da discussão política da burguesia, em pró da burguesia. A burguesia não apenas criou as máquinas que geraram a epidemia da superprodução, como criou quem irá operar essas máquinas, e quem será a classe oprimida na sociedade dominada por uma classe dona do capital, a classe trabalhadora, o proletariado!


Luis Eduardo Simplicio de Lima - 1º Ano Direito Noturno
               


          Suscetibilidade à obsolescência

          Estudando a história como uma luta de classes, Marx e Engels trouxeram-nos, em "O Manifesto do Partido Comunista", várias passagens de como a ordem econômica, antes da social, é formada devido à forma pela qual se relacionam as classes, de um modo geral, oprimidas e opressoras. Esse olhar se dá, principalmente, após a crise do sistema feudal, quando ascende a burguesia mercantil e fabril como exploradora dos homens que as moviam, os operários.
          Justamente por crescer em meio de tal crise, Marx e Engels elogiam a burguesia, porém, no ponto em que a mesma começa a pressionar o operariado, torna-se alvo dessa sua própria força central. Ficam visíveis as péssimas condições de trabalho e também de vida do proletário, ainda mais quando comparadas às do patrão. A desigualdade é grande. A insatisfação também se estabelece por conseguinte. É dai que surge a nova luta de classes, dessa época da história, e que de certa forma, perdura até hoje. Diz-se de certa forma, pois, mesmo com conquistas trabalhistas e afins, o que se vê, ainda, é a força descendente em nosso sistema: o consumo, e mais importante, a necessidade para esse consumo, são criadas por uma minoria e emanadas, atingindo uma grande maioria, muito mais que apenas os "operários".
          Voltando para o campo da opressão, da época da obra, temos a forte ideia dos autores de se reunir o máximo possível de trabalhadores oprimidos que, juntos, pudessem remover a burguesia. Ter-se-ia a "superação do capitalismo por seu ator central", a burguesia se autodestruiria justamente por criar mecanismos (homens, meios de comunicação e afins) viáveis para isso, sendo, nesse olhar, apenas um estágio que culminaria ao Comunismo.
          Porém, questiona-se o fato de, quando o proletariado ter atingindo seu fim, estaria o ciclo enaltecido por Marx enfim terminado, não havendo mais luta entre classes? Seriam a justiça e a igualdade social, essências que engrenam seu movimento, duradouras ? Ou teriam obsolescência programada, marcada para findar à medida que os mesmos chegassem ao comando? Até que ponto somos suscetíveis à tentação do poder?
       

Enquanto Houver Burguesia, Só vai Haver Burguesia



          O manifesto do partido comunista é um estudo e uma análise do capitalismo, como também do capital. Alguns podem falar que este foi um mero panfleto de invocação proletária. Porém Marx e Angels antes de proporem o socialismo nesta obra foram, antes de tudo, grande estudiosos do desenvolvimento do capitalismo; da sociedade; da burguesia e do proletariado.
           O primeiro capitulo do manifesto comunista é uma detalhada análise da sociedade burguesa. A burguesia seria a primeira classe revolucionária. Sendo assim esta, com seu surgimento e sua escalada ao poder, traria uma nova doutrina: o liberalismo. O liberalismo foi a forma que a burguesia encontrou de destruir os valores imperantes, para criar um sociedade totalmente livre para consumir. Toda a sociedade teve de se adaptar aos valores e hábitos burgueses, para que essa pudesse vender;lucrar;crescer.Assim com a ciência ela destruir dogmas religiosos, e criou uma nova forma de pensar. Tal padrão de conduta condiciona e estimula a sociedade, até mesmo a classe operaria. Hoje a propaganda é a forma de conduzir esse padrão de conduta. Portando a burguesia e seu padrão de conduta se renovam através do tempo, assim como o capitalismo.
          A burguesia visando o máximo de lucro possível, explora o trabalhador com a mais valia. A burguesia deseja a expansão máxima das forças produtivas, impondo a absorção do mercado. Quebrando as amarras do absolutismo, a burguesia transformou o capitalismo em uma "civilização global". Portando o modo de produção, portanto a exploração,  tornou-se universal.

O Manifesto Comunista Hoje

O Manifesto Comunista é, em síntese, o meio pelo qual se tenta oferecer ao proletariado a possibilidade de compreender sua realidade a partir da Revolução Industrial, momento em que perde a consciência de seu trabalho e seu valor e passa a vender sua força ao capitalista por uma quantia que mal pode garantir sua sobrevivência. Ao contrário do que é comumente pensado, o Manifesto não se define como mero “grito de revolta” da classe operária, mas sim um anúncio de que novas formas de relações humanas estão por vir.
É importante ressaltar que a burguesia é posta, ao longo do livro, como o grande exemplo de classe revolucionária da história, por ter nascido das entranhas do feudalismo, derrubado a nobreza e conquistado o poder e prestígio. A partir desse raciocínio, ela é definida como o “espelho” da possibilidade de mudança da classe operária, tendo em vista que eles poderão, do mesmo modo, alcançar as mudanças desejadas.
Marx e Engels baseiam todo o texto na dita “luta de classes”, travada entre a camada dominante da população (burguesa) e dominada (proletária). Argumentam, inclusive, não ser esta mera teoria, mas sim fundada numa realidade visível e palpável.  No momento em que a burguesia ascende e traz consigo sua doutrina – o Liberalismo -, ela transforma a sociedade como um todo, modificando não só as próprias relações sociais e econômicas como também a da classe operária, incluindo-a em sua lógica capitalista, competitiva e liberal. Ou seja: cria seres humanos à sua imagem e semelhança.
O proletariado, então, é julgado como o instrumento de renovação de que o mundo precisa para romper com todo esse processo, sendo necessária, portanto, uma revolução e consequente tomada do poder das mãos dos donos do capital, dando origem ao socialismo. Apenas a partir daí é que os homens seriam igualados social e economicamente, presenteados com uma vida digna do ponto de vista material e psicológico.

Não é preciso uma análise profunda do Manifesto Comunista para perceber que, apesar dos direitos trabalhistas conquistados até nossos dias, ele ainda é bastante atual. A classe operária permanece subjugada por aqueles que detêm o capital e carece de grandes avanços para reais progressos de sua realidade. Talvez uma revolução, hoje, não seja ideal ou possível, mas, de contrapartida, políticas sociais que visem melhores condições de trabalho em todos os setores; salários dignos; educação pública de qualidade; hospitais em bom funcionamento; melhor distribuição de renda e terras estão ao alcance do governo e este tem a obrigação de fazê-lo.

Ciclicidade da luta de classes




De acordo com Marx e Engels, a história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes. Essa luta teria, ao longo da história, sucessivamente terminado com uma transformação revolucionária ou com a ruína das classes em disputa. Além disso, eles apontam que os opressores e os oprimidos sempre estiveram em constante oposição um ao outro. De tal teoria, depreende-se certa ciclicidade na história.

A repetição da história em diferentes momentos é motivada pelas forças humanas mais relevantes, entre elas a religião, o espiritualismo, a política, a ciência, a filosofia. As classes dominantes e dominadas trocam de lugar e passam a praticar o que antes condenavam. O poder é almejado por aqueles que não são seus detentores e, quando alcançado, é explorado de todas as possíveis formas, até que o ciclo se repita e o oprimido se torne opressor.

Talvez o maior problema dessa conclusão seja o fato de que é impossível determinar “o que” acontecerá, bem como “como”, “quando”, “onde”. Além disso, as tentativas de quantificar o tempo para cada ciclo são sempre inconclusivas, visto que o futuro é incerto. A única certeza que se pode ter sobre a história é que não existe uma linha do tempo, apenas ciclos do tempo com diferentes circunstâncias que estão fadados a se repetirem infinitamente. 



Ana Clara Tristão - 1º ano Direito diurno

Luta de Classes

LUTA DE CLASSES
Não se sabe com certeza as razões que levaram Marx, um intelectual de muita cultura e família rica, a abraçar a causa do proletariado. O certo é que ele foi o primeiro pensador a romper com uma longa tradição de pensadores a romper com uma longa tradição de pensadores e artistas, que sempre se inclinaram para o lado dos senhores, e a defender a emancipação dos trabalhadores.
Marx reza que a luta de classes é o motor da história, isto é, a luta de classes faz a história se mover. A história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes, de modo que o opressor e oprimido estiveram em constante oposição um ao outro (luta que todas as vezes terminou em transformações revolucionárias ou com a ruína das classes em disputa. A classe revolucionária seria o proletariado.
Caberia, segundo Marx, à classe social que possui um caráter revolucionário nesse momento intervir através de ações concretas, práticas, para que essas transormações ocorram. Foi o que aconteceu, por exemplo, na passagem do Feudalismo para o Capitalismo, através das revoluções burguesas.

A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonistas das classes. Estabeleceu novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta no lugar das antigas. É a classe que tem a capacidade de empreender. Não pode existir sem constantemente revolucionar os meios de produção, as relações de produção, ou seja, da sociedade (“destruição criativa”).

Modo de produção e dominação de classe

O ponto em comum de todas as sociedades é a luta de classes. Sempre houve o opressor e o oprimido em constante oposição, em uma luta que sempre culminou em uma enorme transformação ou com a decadência de uma das classes oponentes.
O fim da sociedade feudal, portanto, não significou a abolição do antagonismo de classes. Pelo contrário: novas classes surgiram, e junto delas, novas condições de opressão e luta. Desta forma, o capitalismo e a sociedade burguesa explicitam ainda mais a luta de classes.
Com a insuficiência do sistema corporativo para a demanda crescente dos novos mercados, surge o sistema de manufatura, para substituir o sistema em decadência. Graças ao crescimento vertiginoso e desenfreado dos mercados, a demanda continuou a aumentar cada vez mais, e a manufatura se fazia insuficiente em mesma medida. Devido a isso, a indústria moderna surge no lugar da então obsoleta manufatura.
Surgiam também, em lugar das relações de propriedade feudais, a livre concorrência, uma constituição social e política adaptada a tal concorrência e sob controle econômico e político da burguesia. Esta passa a revolucionar os instrumentos de produção e por conseguinte, as relações de produção e da sociedade como um todo. As relações firmes e sólidas com todos os seus preconceitos e opiniões antigas intrínsecas foram exterminadas, e todas as novas relações tonaram-se também obsoletas antes mesmo de se consolidarem. É a chamada “destruição criativa”, pois as relações se tornavam antiquadas num ritmo desenfreado, e assim, novas eram criadas. Com toda essa rapidez, a burguesia acaba arrastando todas as nações, inclusive as mais bárbaras, para a civilização. Cria um mundo à sua imagem, e caso haja resistência, a pena é a extinção.
O capitalismo toma dimensões globais com os novos meios de comunicação e de transporte. Nascem novas “necessidades” e, assim, novas formas de satisfazê-las, o que acarreta uma interdependência global.

Entretanto, em detrimento de toda a evolução e desenvolvimento, desponta o problema: a superprodução. A sociedade burguesa não consegue controlar seu próprio poder de produção, vivendo um momentâneo estado de barbarismo. E é com o problema que a burguesia cria a própria solução: o operariado. É este que sofre com as horas excessivas de trabalho e com os baixos salários, entre outras diversas mazelas do trabalho industrial exercido por eles. É também através deles que a burguesia consolida o modo de produção capitalista, que encontra no operariado o sujeito perfeito para operar as armas criadas por ela.

Steffani de Souza (1º ano Direito noturno)

A modernização racional burguesa

A obra O manifesto Comunista, 1848, apresenta de modo sucinto a realidade-nova- da época e suas contradições. Segundo Marx, as relações produtivas e trabalhistas estão alicerçadas no mercado a fim de que o Capitalismo possa expandir seus horizontes de dominação. Dentro dessa problemática, a Ciência Moderna exerce um papel de suma importância: ela é instrumento de dominação e de transformação do Capitalismo, visto que, ao diminuir as dimensões espaço-temporais, aproxima os homens da realidade. A burguesia é vista como uma classe revolucionária, uma vez que ela possibilitou a emancipação humana, isto é, o aumento da capacidade humana de dominar a natureza, o mundo. 
“A burguesia, pelo aperfeiçoamento rápido de todos os instrumentos de produção, pelos meios de comunicação imensamente facilitados, arrasta todas as nações, até a mais bárbara, para a civilização”. (...). Pela primeira vez, uma classe passa a não só exercer domínio político, mas também a buscar tornar todos os homens semelhantes. Com isso, a indústria moderna, por sua vez, estabeleceu relações de mercado mundial. Ocorreu uma interdependência universal.
Analisando essa questão, Marx critica a burguesia, a qual, embora tenha expandido a capacidade produtiva, limitou a capacidade de seus principais sujeitos. Apenas uma classe é que se apropria realmente da civilização, a maioria dos homens somente se submete ao mercado e ao trabalho. Esse fato se reflete na Modernidade: uma minoria restrita usufrui de privilégios políticos, econômicos, sociais, enquanto a grande parte da sociedade é marginalizada e alienada.

Como toda dinâmica dialética, a qual é composta por formas antagônicas que, ao mesmo tempo, se complementam, para Marx, é possível incorporar as vantagens do Capitalismo para se chegar a uma nova realidade da mesma forma que a burguesia superou o modo de produção feudal a partir do que ele tinha de contraditório. Assim sendo, o autor acredita na superação do capitalismo pelo operariado.  Marx aborda a necessidade de destituir burgueses de sua propriedade para que os produtos possam ser partilhados por todos e, dessa maneira, ocorra uma revolução socialista. No entanto, hodiernamente, isso não acontece. A luta de classes continua, não obstante, elas não alcançam as dimensões aspiradas pelo autor.

Marina Cavalli - Direito diurno

   

  "O fantasma ronda a Europa: o fantasma do comunismo", com essa frase, Karl Marx e Friedrich Engels começam o Manifesto Comunista, obra didática, que tem como principal finalidade mostrar aos operários a nova natureza a que eles estavam sendo submetidos.
   De acordo com Marx e Engels, a burguesia, que a partir da revolução capitalista se tornou a classe dominante e opressora, ocupou o lugar inverso, de classe oprimida, durante o período feudal. Dentro de um modo de produção extremamente limitado, como o feudal, em que a circulação de mercadorias era rígida, a burguesia foi aos poucos estabelecendo a sua dinâmica de classes, preconizando a liberdade de produzir.        Com sua capacidade de revolucionar constantemente, ela superou as amarras do feudalismo e rompeu com todos os modos de controle feudais, construindo o ideário de sua dominação, o liberalismo, que tornou livre as ações humanas e fortaleceu o ideal burguês de ausência de limites no novo modo de vida.
   Emancipadora e libertadora, a burguesia exerce seu domínio através da operacionalização da ciência e da criação de uma civilização. Desse modo, pela primeira vez uma classe domina por meio de procedimentos que não são políticos.
   Dentro da ordem burguesa, há uma contradição que limita os poderes do capitalismo. Ao mesmo tempo em que o acesso aos meios e produção é restringido, a produção cresce a cada dia, gerando uma situação insustentável. Segundo Marx, tal insustentabilidade levaria a uma dinâmica de superação pela classe trabalhadora e a uma explosão revolucionária, com o objetivo de destituir os burgueses de sua propriedade, partilhar a produção socialmente e promover a hegemonia operária global.

domingo, 15 de setembro de 2013

O escravo da máquina e o servo da burguesia


A palavra “burguesia” é derivada e encontra suas raízes em uma expressão um tanto quanto menos conhecida e menos familiarizada aos conceitos contemporâneos: “burgos”. Os burgos eram pequenas aglomerações que, gradativamente, foram surgindo ao redor dos antigos castelos feudais à medida que as trocas comerciais e o ciclo de capital ressurgiam na Idade Média.  A grande peculiaridade dessas instituições consiste no fato de que elas foram fundamentais para o recuo das relações servis do feudalismo e para a consolidação de um sistema econômico que, cada vez mais, almeja obter de uma maneira única e exclusiva o lucro.
Contudo, para abolir de forma efetiva o feudalismo e atingir a solidificação de um capitalismo pleno, foi imprescindível que as pessoas que conviviam nos burgos, os até então denominados burgueses, intensificassem suas pequenas trocas, seus comércios locais e com isso, aos poucos no decorrer da história, conseguissem autonomia política e econômica para passarem de meras aglomerações do sistema feudal para a poderosa classe dominante que pendura até os dias atuais.
Dessa forma, a burguesia, assim como explicita Marx e Engels no “Manifesto Comunista”, foi durante um significante período da história pertencente ao lado dos oprimidos. Todavia, ela foi capaz, nos embalos de uma luta de classes, de efetivar seus objetivos e legitimar a formação de um capitalismo industrial extraordinariamente expansionista. O capitalismo fortaleceu-se tanto que todos os setores ao seu redor – o de comunicação, transporte, as relações sociais, a estrutura da família – sofreram nítidas transformações e estabeleceram novos padrões. Eram como poderes de um bruxo que não conseguia mais controlar o efeito de seus feitiços.
O mais descontrolado efeito desse bruxo, que analogicamente pode ser reconhecido como a burguesia, é a opressão e a exploração das classes operárias. O proletariado era escravo da máquina e servo da burguesia. Trabalhava incessantemente para aumentar a produção e recebia uma quantia ínfima para sobreviver. Essa é a lógica do capitalismo industrial que garante uma superprodução e, por conseguinte, o lucro exacerbado da classe burguesa.
É em virtude dessa situação de extrema precariedade que Marx e Engels convocam com euforia e entusiasmo a união global de todos os operários para fazerem o mesmo que a burguesia fez com o feudalismo, e assim, após lutas e embates entre a classe opressora e a classe oprimida garantir que o comunismo se consolide, eliminando as desigualdades sociais advindas com a propriedade privada assegurada pelo liberalismo econômico.

Juliana Galina Soares – Direito diurno. Texto referente à aula 10.

 
Manifesto Comunista
Segundo Marx, no Manifesto Comunista, a luta de classes faz parte da historia de todas as sociedades, sempre acarretando em uma revolução que, de alguma maneira, transformou as divisões de classes preexistentes – assim como a formação burguesia deu-se com a falência da sociedade feudal.
Assim como a mudança de classes, houve também a mudança nos meios de produção; a manufatura já não era mais suficiente para acompanhar o crescimento de demanda do mercado, então o surgimento da máquina a vapor revolucionou o modo de produção industrial, permitindo que um sistema industrial gigante substituísse o sistema manufatureiro.
A evolução da industria moderna estabeleceu o mercado mundial, favorecido pelos meios de comunicação facilitados e pela evolução dos instrumentos de produção.
O controle do mercado mundial, proporcionou à burguesia autoridade política no Estado moderno, tornando –o um defensor de todos os interesses capitalistas. No entanto, a burguesia criou um mal com o qual ela mesma não pode lidar depois: a superprodução “As condições da sociedade burguesa são estreitas demais para abranger toda a riqueza que criou. (...) As armas com as quais a burguesia abateu  feudalismo, voltaram-se contra a própria burguesia”.
Tal produção desenfreada obrigou a maior jornada de trabalho e exploração do proletariado, que cresceu também de acordo com a demanda do mercado. Isso possibilitou-lhe maior união, o que favoreceu. De tempos em tempos, o proletariado vence a disputa de classes, mas os resultados não são permanentes, para que fosse seria necessária s união cada vez mais abrangente dos trabalhadores.

E, o que a burguesia demorou séculos para conseguir na idade média,  graças aos desenvolvimentos da industria, das facilidades dos meios de comunicação e locomoção, o proletariado alcançaria, através dessa união, em poucos anos.

Made in China

O Manifesto Comunista de Marx e Engels, de 1848, é um texto de conteúdo que pode ser considerado atual. O mesmo poderia estar estampando as folhas de jornais e livros contemporâneos sem causar estranheza, pelo contrário as palavras e constatações feitas são as vivenciadas pela sociedade capitalista em que se vive.
Esta atemporalidade do manifesto permite que se faça um paralelo com o regime socioeconômico da atualidade facilmente, um trecho encontrado na página catorze do texto de Marx e Engels que traz:
“As indústrias nacionais antigas foram destruídas ou seguem sendo destruídas dia após dia. Elas são desalojadas por novas indústrias (...); por indústrias que não mais trabalham com matéria-prima nacional, mas matéria-prima extraída de zonas remotas; cujos produtos são consumidos não só próprio país, mas em todos os cantos do globo.” Manifesto Comunista
O paralelo que se pode fazer é em relação ao desenvolvimento econômico dos Tigres Asiáticos. A industrialização dos Tigres Asiáticos se deu e continua procedendo da maneira como está no trecho acima colocado. A globalização levou transnacionais para a região asiática que se modernizou, a mão-de-obra barata em relação aos países sedes das indústrias (os considerados, primeiro mundo) e os incentivos fiscais oferecidos foram atrativos para as mesmas.
A modernização que passa os Tigres Asiáticos não atinge a toda a população, há uma disparidade entre o detentor dos meios de produção e os possuidores da força de trabalho. O trabalhador é explorado pelo dono dos meios de produção e recebe um salário, este, porém não equivale a sua produção e aos lucros conferidos. Essa diferenciação que existe hoje em todo o sistema capitalista, que se encontra na economia asiática em questão também foi estabelecida por Marx e Engels no Manifesto como a luta de classes, e para eles a mesma está presente em toda a história.

Camila Gabriele Pereira de Faria
1º ano Noturno
Parece muito estranho que o Manifesto do Partido Comunista, que foi usado desde sua publicação até hoje como arma contra a burguesia, contenha em suas páginas elogios à classe. Marx e Engels reconhecem e enumeraram os acertos na ascensão da burguesia, na trajetória entre classe oprimida pela nobreza do fim da era medieval a dominantes hegemônicos no auge das revoluções industriais. O que explica tamanho poder adquirido é a capacidade empreendedora dos burgueses. Tal capacidade é tamanha que permite a eles não só conquistar espaço em um país, como expandir seu modo de produção à escala global.
No final do Manifesto, os autores conclamam a união dos proletários do mundo para derrubar o modo de produção instaurado pela burguesia, a fim de abolir a ideia de propriedade, em busca de um mundo mais justo. As qualidades da burguesia como empreendedora e "globalizadora" são, implicitamente, evocadas como modelo nesse sentido. Se os operários se espelhassem no modelo burguês de inovação e capacidade de subverter a ordem, seria perfeitamente possível que a revolução socialista acontecesse e se espalhasse pelo mundo. No entanto, o que aconteceu não foi bem isso. Em alguns locais, realmente houve revoluções, mas sem a potência e o alcance previstos por Marx e Engels.
O problema na chamada à revolução do Manifesto é que ela foi baseada muito mais em especulações teóricas do que em dados empíricos e lógicos. O que se verifica até hoje, nos países que adotam o modo capitalista sem terem passado por períodos de revolução socialista, é que a luta entre as classes continua, inclusive bastante forte, mas há mecanismos institucionais para intermediá-la.

O desabafo de um operário

Nós, operários, sofremos muito com o trabalho desumano ao qual somos submetidos nas fábricas industriais dos burgueses. Enquanto eles estão lá sentados saboreando um cafezinho, estamos aqui batalhando, sofrendo, tendo que suportar condições as quais ninguém nunca imaginou sofrer. E ainda, se reclamamos ou nos tornamos inúteis aos olhos deles, somos descartados como objetos e empregam outro em nosso lugar.

Toda a história humana é marcada por esse conflito entre oprimidos, que agora somos nós, e opressores. Mesmo os burgueses de hoje já foram os oprimidos de ontem. Eles já foram vistos na Idade Média como pecadores e punidos por usura; sofreram a opressão do mais forte e agora, são os ditadores do presente. Será que nós, operários, não conseguiremos um dia ser a classe dominante e não a dominada?

Atualmente, eles detêm não só o domínio dos costumes, da moda, detêm também o domínio do mundo. O mar, que era visto como algo abominável, foi “dominado” para levar mercadorias a outros continentes; com a construção de ferrovias, a distância já não se tornou um problema; a água, o vento, os animais foram domados e hoje, servem de força motriz para suas máquinas. Mesmo nós, humanos, fomos dominados por eles e transformados em meros seres que detêm a mão de obra que eles necessitam.

Como fomos dominados por eles, nos tornamos, pois, prisioneiros do mercado por eles construído. Se não trabalhamos, não conseguimos dinheiro; se não temos dinheiro, não somos nada e pior ainda, não conseguimos viver nesse mundo que nos espreita. Os pobres são vistos como algo imundo, que não merece respeito nem compaixão e os ricos são exaltados como deuses. Como o mundo pode ser tão injusto?

Para colocar aqui mais dessa injustiça, as mercadorias não são de acesso a todos. Nós trabalhamos nossa vida inteira para fazer um produto o qual nunca chegaremos a comprar ou mesmo, saber o que fazemos todos os nossos dias. Somos, então, excluídos da sociedade que só vive de aparências frias, de ostentação de riquezas, de palavras vazias e de inveja carregada nos olhos. Somos marginalizados, esquecidos, vistos como ratos que roem a comida dos outros, meros animais que enojam a todos.


Precisamos parar de não pensar em nós mesmos, parar de nos conformar com nossa situação. Somos seres humanos como outro qualquer! Temos que usar as formas de produção a nosso favor, utiliza-los a nosso proveito. Os operários são a classe mais numerosa; juntos conseguiremos. Uma união dos trabalhadores de todo o mundo é o que deve haver. Nos unir contra essa opressão burguesa e lutar pelos nossos direitos, antes que nós comecemos a nos ver como eles nos vem, como ratos imundos e desprezados.


Aula sobre "O Manifesto Comunista", Paola Yumi Shibakura (direito diurno).

Tecendo o amanhã

"Um galo sozinho não tece a manhã: 
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele 
e o lance a outro: de um outro galo 
que apanhe o grito que um galo antes 
e o lance a outro; e de outros galos 
que com muitos outros galos se cruzam 
os fios de sol de seus gritos de galo 
para que a manhã, desde uma tela tênue, 
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos, 
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo 
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo 
que, tecido, se eleva por si: luz balão". 
 

O desenvolvimento tecnológico leva a humanidade a novos patamares de desenvolvimento. Mas como já sabemos, saber é poder, e domínios de novas técnicas leva também ao surgimento de uma nova classe social. Essa nova classe em seu primórdio não tem o monopólio de técnicas sofisticadas, apenas resgata a arte milenar do comercio.
A partir do resgate do comércio, essa classe social, doravante denominada de burguesia, além de romper dinâmica social do feudalismo( aliás, com a falta de dinâmica do feudalismo, pois esse contava com uma sociedade estamental), passa agora a congregar capital suficiente em sua mão de modo a força o surgimento de burgos( cidades) e celebrar aliança com reis de modo a favorecer a formação dos Estados Feudais.
A burguesia, agora já estabelecida como um classe social e congregada na cidade, passa agora a buscar novos meios para aumentar sua produção e incrementar os lucros. Sendo assim, contamos agora com advento das indústrias, fomentadas por maquinarias. Porém, não é só a classe burguesa que surge, junto dela, aparecem os proletários. Mão de obra farta, que estimulada por outros fatores históricos são impelidos dos campos para a cidade.  
Sem dominar técnica ou possuir capital monetário, essa nova classe de trabalhadores conta apenas com sua mão de obra para prover o próprio sustento, o que Karl Marx chama em sua obra de “mais valia”. Surgindo historicamente mais desfavorecida, o proletariado passa a ocupar posição de explorado , passa se submeter a condições sub-humanas , com intenção apenas de garantir sua sustento.
Analisando os fatos históricos do surgimento dessas novas classes, o alemão Karl Marx desenvolve o socialismo cientificista, que usa como base a dialética de classes. Marx considera que a burguesia é uma classe social inovadora, e seus avanços técnico com fundamentais para o desenvolvimento da sociedade, porém, observou que as técnica que deveriam beneficiar a todos, beneficia apenas o acumulo de riquezas na mão de poucos. Marx , acredita portanto, que em um estágio no qual as tecnologia estejam suficientemente desenvolvidas, cessará o papel da burguesia e os proletária então passarão a ditar as regras, de modo que a tecnologia não gere apenas a concentração de capital ou o bem estar para quem possa pagar por ele, mas sim que gere um bem estar para a humanidade como um todo. Só, contudo, só será possível quando os trabalhadores puderem reconhecer sua condição de submissão e se revoltarem contra ela.

 Tiago Fernando Guedes de Carvalho- Noturno


A contraposição de dois métodos


Já durante a leitura do texto de Karl Marx, um ponto ressaltava à concepção particular. Durante a exposição em aula, essa marca foi ainda intensificada.

Trato do método marxista de análise dos elementos da sociedade. Método que não é sequer objetivo primeiro de Marx, por isso não é tratado especificamente, exposto de forma organizada e clara, porém fica implícito em suas obras.

Destarte, haja visto talvez a proximidade do estudo, foi natural contrapôr o método em questão com aquele defendido por Weber. Pelo menos no trecho lido, Weber também não tinha por objetivo escrever um texto metodológico, porém fica bem claro que o sociólogo elencou posturas a serem adotadas por quaisquer que se aventurarem em estudar o domínio da sociologia.

Enfim, uma das ideias mais defendida e reitarada no trecho lido da obra de Weber foi que a sociologia, ou ciência social como ele denominava, não deveria se constituir jamais, sob quaisquer circunstâncias, como uma ciência nomológica. A busca por um denominador comum na história, nas sociedades jamais deveria se constituir como objetivo primeiro. A formações de leis universais, quase que dogmáticas não seria o elemento primário da ciência social.

Contudo, foi isso que Marx fez em toda sua obra. Não há um momento em sua obra que sua análise não esteja sendo feita com base em uma ''lei sociológica'' por ele deduzida. A primeira frase do texto lido essa semana dispensa mais exemplos: ''A história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes.'' Uma das maiores, porém entre muitas outras, leis definidas e fixadas por Marx. Isso para não entrar nos detalhes das outras tantas, como a concepção materialista, o determinismo econômico, e outros.

Como se não bastasse a formulação dessas leis, Marx se apegou a elas de tal forma a torná-las mantras em suas teorias. Ele as tornam rígidas, fixas, atemporais, universais, imutáveis, exatas. Da perspectiva weberiana, não haveria como proceder uma análise desta forma. Afinal, como enxergar essas características das leis marxistas  diante daquilo que Weber iria dar primazia na ciência social, que é a heterogeneidade das sociedades, das suas distinções e da percepção  de suas excentricidades.

Em suma, há alguns outros pontos que poderiam ser detalhados contrapondo esses dois métodos, todavia há de se ver claramente que esse é o principal e mais característico.

Lucas Carboni Palhares - 1o ano diurno

O rompimento dos grilhões feudais

Superando o feudalismo, com a produção industrial monopolizada por corporações fechadas, emerge a classe burguesa em meio às ruínas feudais para suprir a demanda dos novos mercados através da manufatura. No entanto, na análise marxista da situação, não houve uma abolição do antagonismo de classes, sendo estabelecidas apenas novas classes, dando continuidade, naquela mesma análise, à história da sociedade como sendo a da luta daquelas.
No decorrer do tempo, a manufatura como modo de produção passou a não ser mais suficiente e eficiente nas novas condições mercadológicas capitalistas, surgindo assim a máquina a vapor revolucionando a indústria. Além disso, os meios de produção e troca feudais dão lugar à livre concorrência, e assim como Marx coloca que “a burguesia não pode existir sem revolucionar”, substitui-se a exploração marcada pela religião e política pela exploração aberta.
É característico da sociedade burguesa arrastar as nações para a civilização, compelindo-as a adotar seu modo de produção, criando um mundo à sua imagem, como coloca o sociólogo. Desta forma, a indústria moderna estabeleceu um mercado mundial quebrando as fronteiras naturalmente impostas,  criando uma civilização global através da necessidade de instalação das relações de mercado em todos os lugares. Ocorre uma interdependência universal devido ao fato de as antigas necessidades nacionais serem supridas por outras se fazendo necessária a busca de matéria prima em outros lugares.

Em uma de suas críticas ao capitalismo, Marx coloca que a burguesia não deixou restar vínculo entre os homens a não ser o interesse pessoal, desprovido de qualquer sentimento. Além desta, critica a influência burguesa na política moderna, estando o executivo subordinado às suas vontades e, também, a questão da superprodução, chamando-a de epidemia. Por conseguinte, estaria criando as “armas que trazem a morte para si própria”, acreditando o autor na superação do capitalismo pelo operariado, com suas elevadas jornadas diárias, baixos salários, aumento de trabalho exigido, mais valia e divisão sistemática do trabalho. Concentrando-se então suas forças e crescendo as massas para que a revolução novamente ocorra. 

Evolução a seguir

     

     Um dos fatores importantes da transição feudo-capitalista foi a evolução da burguesia. Nos feudos, esta classe não tinha muito espaço. Era oprimida e subjugada. Porém, cansada desse patamar e aproveitando a expansão das cidades cria métodos para ascender socialmente.
     Para isso, primeiro tomou ciência do seu lugar na pirâmide social, depois criou métodos: dominação da natureza, meios de produção que lentamente vão substituindo a mão – de – obra, homens que eram livres passam a se subordinarem aos burgueses através de contratos de trabalho, entre outros. Essa evolução chega a tal ponto que atinge o nível global e faz parte da sociedade contemporânea: a tecnologia e a ciência que temos hoje faz parte do processo histórico de evolução da burguesia.
     Tendo analisado essa perspectiva e todas as consequências, Marx escreve o “Manifesto Comunista” justamente para alertar as massas e recorrer a um pensamento que desde a era cristã já existia: solidariedade e comunidade.
     A ideia de Marx é acabar com o domínio burguês, para isso a classe operária deve ascender socialmente, porque ela é a base de tudo o que movimenta a economia. O autor quer que se baseiam na própria burguesia, que um dia também foi oprimida e subjugada.
     Para ter uma ideia de como as ideias não são uma mera utopia, podemos aplica-las na sociedade atual que não teremos nenhum prejuízo. Isso quer dizer que ainda dá tempo da classe trabalhadora fazer uma revolução e essa deve ser em caráter mundial também. Só assim terá o resultado esperado.
     O manifesto comunista de Engels e Marx é uma análise do modo de produção do capitalismo. Ele representa um esclarecimento do que representa aquele momento histórico oferecendo a classe operária a possibilidade de entendimento da realidade que passaram a viver, a partir do momento que passaram a se submeter a força do capital. Para os autores,  o capitalismo não representava apenas um modo de produzir, mas um novo modo de viver
    Primeiramente é feito um elogio a classe burguesa, que conseguiu enfrentar a classe dominante, os senhores feudais, e com a ajuda do liberalismo possibilitou sua emancipação,isto é, libertar de suas amarras políticas podendo expandir seus horizontes e levar os homens até as ultimas consequências.
    A partir de então o homem foi capaz de dominar o mundo pela ciência, coincidindo com a perspectiva da revolução burguesa. Um novo mundo é criado, onde não há limites para a transformação, permitiu-se a libertação das forças produtivas, que é  tudo aquilo o qual interage no nosso cotidiano e serve de intervenção no mundo.

    Nessa sociedade moderna, para  o capitalismo não poderá  existir limites, e essa perspectiva de expansão insere o mundo nesse sistema, cria-se uma nova ética social a qual permitirá que o capitalismo será um passo para mais capitalismo, trata-se de uma renovação do ciclo de consumo. E cabe a sociabilidade burguesa dispor e alimentar esse sistema, criando um mundo a sua imagem, de modo que os dominados se veem condicionados a assumir esta postura, e somente desta maneira evitar a fragilização do sistema.
Karl Marx em sua obra "O Manifesto Comunista" declara que a intenção dos comunistas é unificar a luta proletária, promovendo seu avanço independentemente de nacionalidades ou interesses locais. Para atingir tal objetivo, no entanto, seriam necessários alguns esforços, tais como a abolição da propriedade burguesa e da educação familiar. A fim de verificar os aspectos gerais da teoria marxista, tomemos por exemplo a proposta de abolição da propriedade.

A princípio, a abolição da propriedade privada soa injusta e arbitrária, pois interfere no livre arbítrio de posse dos cidadãos. Segundo Marx, no entanto, tal abolição se justifica pelo fato de que não serão tomadas todas as propriedades privadas, mas apenas as propriedades burguesas: aquelas que foram "dignamente adquiridas e merecidas" poderiam ser mantidas. Sendo assim, pergunta-se: quem define o caráter de dignidade pelo qual foi adquirido a propriedade, ou se ela é fruto característico da burguesia moderna? Neste ponto, vemos que não há maiores esclarecimentos sobre o método de decisão do governo, deixando claro que a intervenção estatal proposta pelo comunismo, embora alegue andar rumo ao pleno respeito aos seus governados, dá margem ao arbítrio estatal.

A fim de afastar a ideia de que o comunismo serve de controle à população tanto quanto os demais sistemas ideológicos criticados por ele, Marx afirma que o proletariado, após tomar o poder, tornaria-se uma espécie de associação em que todos governariam, ou seja, um poder público sem poder político. No entanto, é claro e evidente que o controle sobre a propriedade, a produção e a educação são atos políticos também.

Considerando os pontos levantados, fica a dúvida: Marx afirmava que o comunismo causava estranhamento às pessoas por estas últimas terem seus conceitos "contaminados" pelas concepções burguesas, no entanto não admite o caráter controlador de seu próprio sistema ideológico. Não teria tido ele também a visão ofuscada pelo êxtase de sua própria teoria?

"Vem ser feliz"

O manifesto comunista é um texto completamente atemporal, pois poderia aparecer em jornais atuais e nem causaria estranheza. Com argúcia, Marx e Engels falam do fenômeno da modernização que a burguesia implantava na época, com técnicas avançadas de navegação, produção de bens e dos meios de comunicação. Assim, seu primeiro capítulo soa quase como uma propaganda do capitalismo e deixa evidente o papel essencialmente revolucionário da burguesia industrial. O desenvolvimento capitalista libera forças produtivas nunca vistas, "mais colossais e variadas que todas as gerações passadas em seu conjunto". O poderio do capital que submete o trabalho é anunciado e nos faz pensar no agora do revigoramento neoliberal, onde, mais do que nunca vale a máxima do “vem ser feliz” consumindo exageradamente. O capitalismo, para se manter precisa incessantemente superar as barreiras e as dificuldades, oferecendo a cada dia um novo motivo para consumir. Assim como sugeria Marx e Engels na época, hoje também a burguesia propõe e impõe a “modernização da modernização”. Em oposição à essa “felicidade” ilusória proposta pelo capitalismo, o socialismo propõe uma felicidade que inclua a emancipação das pessoas, uma sociedade que caminhe não para o paraíso, mas para a luta contra a miséria, a desigualdade e a exploração de uns em benefício de outros. É com o intuito de terminar a revolução iniciada pela burguesia que Marx e Engels fazem um convite : “Trabalhadores do mundo, uní-vos”.

A invocação da revolução

Em uma das obras mais importantes do século XIX, é editado, em 1848,  o Manifesto Comunista, que exprime entre suas principais ideias a tentativa convocar e reunir todos os proletariados, no âmbito global, uma vez que o manifesto infere que a luta de classes é de caráter internacional, sendo impossível uma revolução comunista sem a internacionalização da união proletária.
Diante disso, a obra é mais uma tentativa de tentar frear e acabar com a ideologia capitalista que, de forma predatória, explora e agride o trabalhado, deixando-o em péssimas condições de trabalho e de vida, acentuando assim a diferença social e inflamando a luta de classes
Além disso, é importante também ressaltara finalidade do manifesto em afirmar a necessidade do proletário de assumir, com a revolução, os meios de produção, para ela ser consumada, sendo que assim existiria a propriedade comum dos meios de produção, fator essencial para a implementação do sistema comunista.
Para o funcionamento da sociedade comunista, seria também fator fundamental  o aumento da produtividade, em ordem global, proporcionada pelos ideais capitalistas, sendo que assim, a abundancia proposta por esse sistema, juntamente com a igualdade proposta pelo socialismo, geraria uma sociedade de de bem estar.
em sintese, o manifesto exprime a invocação do proletário e também as condições para o proletário fazer a tão sonhada revolução, para a instauração, a longo prazo, da sociedade comunista.

A continuidade das revoluções burguesas
O “Manifesto do partido comunista”, de Marx e Engels, foi escrito em uma época de efervescência política, uma época de revoluções. A escolha pelo modo panfletário, sua escrita de fácil entendimento e sua distribuição demonstram que essa importante obra não foi feita para a classe social abastada e sim para um público mais numeroso, o proletariado.
Marx e Engels analisam a história como uma constante luta de classes, mas veem a ascensão da burguesia como sendo responsável por mudanças nos próprios padrões de relações sociais. A burguesia revolucionária é exaltada na medida em que liberta as forças produtivas e se emancipa do poder político anterior, tornando o modo de produção capitalista sua forma de conquistar o mundo ideologicamente, fazendo-o à sua imagem.
Entretanto, o capitalismo se afunda em suas próprias contradições, ao mesmo tempo em que liberta as forças produtivas fragiliza o homem, que passa a ser meio e não fim. Marx e Engels então, por meio da análise da luta de classes, teorizam que a classe operária deve dar continuidade à revolução iniciada pela burguesia, já que essa teria mostrado não ter condições para ir além da revolução burguesa e chegar ao socialismo.
Sendo assim, o “Manifesto do partido comunista” tem por objetivo conscientizar a classe operária a dar o próximo passo na revolução iniciada pela burguesia, mas não destruindo o que foi conquistado anteriormente e sim chegando a um estágio mais elevado de desenvolvimento, o socialismo.


Samantha Sayuri de Souza Yabiku – 1º ano Direito noturno

Quem vai saber?

    Marx e Engels nos mostraram - com bases extraordinárias e extremamente racionais - que, para eles, o futuro, ou o agora, seja pertencente à revolução e consequente efetivação proletária. Através do Manifesto Comunista, cientificamente fixaram as diretrizes a serem seguidas pelo proletariado a fim que se acabe com as classes sociais e, consequentemente, com a luta de classes.
    A burguesia teve seu mérito, pôs abaixo o Antigo Regime e instalou a sociedade de Direitos. Agora é a vez do proletário continuar o processo através da revolução e estabelecer o socialismo, não mais utópico, mas de bases científicas fortes e bem definidas.
    Século XXI, globalização, tecnologias surpreendentes... Devemos, pois, pensar se o manual comunista ainda tem vigência na ordem social presente. Apesar de suas concepções científicas, os tempos são outros. A miséria, alienação e necessidade de mudança do proletariado ainda permanecem, mas em outras condições. Se a revolução deverá ter curso agora ou amanhã não sou capaz, como Marx e Engels, caso estivessem vivos, de responder, mas como a própria História mostra, ela é fruto das lutas de classe e nenhum regime ou condição social é eterno. Sempre teremos, portanto, um ruptura, a qual Marx, em seu tûmulo, ainda sonha ser a ruptura do capitalismo (em um estágio avançado e pertinente) em prol do socialismo, quem vai saber?