Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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sábado, 24 de março de 2012
Poder é sobreviver
As ideias de Bacon
Em sua obra, "Novum Organum", Bacon apresenta um método que busca uma ciência eficiente na luta contra a natureza, sendo que para controlar a natureza é preciso antes ter o controle da própria mente, adquirido apenas através da experiência. Apesar de antiga, a ideia de amadurecimento não está presente intensamente na vida do homem contemporâneo, que está inserido em uma cultura imediatista.
Também é de grande valia para o homem da atualidade o pensamento de Bacon sobre as antecipações da mente, visto que estas são a base para o senso comum e para as falsas percepções do mundo (ídolos), representando uma oposição à clareza científica. Fazem parte deste pensamento as críticas aos pensadores gregos, em especial Aristóteles, que fazem das ciências artes contemplativas baseadas não em experimentos, mas em especulações e fantasias.
Assim, com seu método indutivo e sua proposta científica, o homem do passado ensina ao do presente a guiar sua mente pelos caminhos da experiência e a negar a mera contemplação como resposta da busca pela verdade.
”Aplicar é poder"
OS ÍDOLOS BACONIANOS E AS INSTITUIÇÕES ATUAIS
sexta-feira, 23 de março de 2012
Crédito aos ídolos
Busca pelo verdadeiramente real
Hoje em dia, as pessoas estão, cada vez mais, se isolando em seu âmbito particular, pouco compartilham suas experiências, quase nunca tentam algo novo, devido a correria dos dias atuais. Apesar de a ciência, com a participação de alguns, estar muito desenvolvida e trazendo tantas melhorias à humanidade, as pessoas ainda se baseiam no senso comum. Também, hoje, lemos os clássicos como devotos, sem pensarmos se eles realmente nos trazem benefícios práticos e quase sempre foi assim. Francis Bacon, em seu livro ‘Novum Organum’, mostra-nos a sua defesa pelo real, pelo palpável. Ele critica, por exemplo, a sabedoria dos gregos, que é farta em palavras, mas fraca em obras. Por isso, ele propõe um ‘novo instrumento’, a experimentação.
Um bom exemplo para a crítica de Bacon sobre os gregos, no âmbito atual, é o tão defasado “movimento de esquerda”, que, apesar de contraditório, podemos chamar de “comunismo de Lacoste” ou de qualquer outra marca que se utiliza da mais-valia. Algumas pessoas, dizem-se comunistas, brigam entre si, mas não vivem como tal e, portanto, a revolução proposta por Karl Marx não ocorre e a prática de tal ideologia inexiste.
Como sentidos podem nos enganar e a nossa mente (razão) pode nos conduzir a um caminho irreal, é preciso sempre buscar a experiência para se obter conhecimento. A ciência, não deve ser feita como mero exercício da mente humana, mas como exercício prático de descobertas com a finalidade de trazer bem-estar aos homens. Assim como as teorias e ideologias, que visam tal bem-estar, não devem ficar só no papel.
Enfim, para não termos falsas percepções do mundo (Ídolos, como chamadas por Francis Bacon), devemos sempre nos basear na experiência, pois é ela, que, quando a nossa mente viaja com os nossos sentidos, nos traz de volta ao mundo real, simboliza os cavalos da nossa carruagem chamada ‘imaginação’. Podemos, pois, dizer que o método de Bacon é praticamente uma cura da mente, a regulação desta por mecanismos de práticas passadas e já conhecidas por nós.
Dom Quixote de Manhattan
Como é conhecido por todos, a pesquisa foi um
sucesso. No entanto, seu uso não seria necessário, pois a guerra contra a
Alemanha nazista já havia acabado e teve a União Soviética como grande
vitoriosa. Insatisfeitos, os E.U.A. lançaram as bombas em Hiroshima e Nagasaki
para mostrar seu poder a Stálin. Fim prático de Francis Bacon
A idéia do benefício social pode ser retirada da obra e trazida para os dias atuais, pois muito se pesquisa, mas nem sempre as conseqüências (práticas) recaem sobre a população, ou até recaem, porém apenas sobre uma pequena parcela privilegiada, o que é pior ao meu ver, afinal é uma prova clara de desigualdade. O novo e moderno método seria a “cura da mente”, ou seja, a regulamentação da mente pelos mecanismos da experiência e da prática, sobrepondo o real ao ideal.H
segunda-feira, 19 de março de 2012
Descartes e o "Zeitgeist" do Século XXI
Transformações nos pensamentos
O Discurso do Método
Transformações nos pensamentos
Norteados pelo Método
A contestação como método
Cartesianismo: não tão unânime assim.
Até que ponto somos cartesianos?
A Dualidade Do Progresso
A Atulidade analisada a partir do passado.
Pode-se observar que a obra, mesmo tendo cerca de 350 anos continua sendo de fundo extremamente atual, uma vez que a sociedade esta embasada em um fundo totalmente racional e questionador, como aquele pregado por Descartes. Uma vez que o numero de informações e sempre crescente e as pessoas são cada vez mais cobradas pelo mercado de trabalho, cabe a elas serem criticas e céticas com as informações recebidas, estudando e selecionando, a sua maneira, um modo de chegar a sua verdade universal, e não uma pré concebida anteriormente.
Mesmo com tal fundo racional, ainda existem pessoas presas a opiniões alheias e que não tem embasamento e assim não chegam a ``verdade absoluta`` dos fatos. Fazendo um intertexto com a obra, pode se comparar os filósofos antigos a Descartes, como Aristóteles e Sócrates a tais pessoas que estão presas nas idéias apenas pré concebidas e ``imaginadas``, não provadas e pesquisadas de maneira incisiva, o que mostra mais uma vez que a obra ainda ressalta fatos modernos da sociedade.
De forma geral, o obra se enquadra na atualidade, e da um conselho importante as pessoas que querem se destacar e obter a verdade absoluta, a duvida e a ação são as chaves. Portanto pode-se concluir que a formula que Descartes apresentou no passado pode estar ultrapassada em alguns aspectos, como o forte apego que o autor tem com a igreja, um elemento místico não comprovado, que vai contra a sua base racional, mas tem aspectos também muito pertinentes à atualidade, como os citados a cima.
Descartes, atual e inovador.
Ainda Somos Cartesianos?
Pode-secomeçar considerando o termo cartesiano no sentido mais rigoroso. Esse sentido refere-se ao termo“cartesiano” tomando como referência os aspectos mais peculiares do sistemafilosófico de Descartes.
Talsistema procura pensar o conjunto das ciências como passível de ser deduzido dealgumas verdades básicas (ideias claras e distintas) indubitáveis. Esse tipo demetodologia fica bastante claro quando, em o Discurso do método, vemos ogrande racionalista por em dúvida todos os dados da experiência empírica (e,até mesmo, da matemática) e procurar verdades indubitáveis (a existência do“eu”, a existência de Deus e etc.) pelas quais se pode chegar dedutivamente atodos os conhecimentos sólidos. A percepção dessa especificidade matemática dométodo cartesiano nos permite fornecer uma primeira resposta à questão em pauta.
Essaresposta é negativa, uma vez que, na opinião dos principais teóricos da ciênciacontemporânea, esta pode até adotar uma linguagem matemática, porém não podeser identificada com a matemática. Esse tipo de concepção fica claro seprocurarmos ler a obra de filósofos da ciência importantes: Carnap, Popper,Kuhn, Quine e etc. Todos esses autores compõem um circulo de filósofos reunidossob o título de filosofia analítica. Essa escola filosófica é caracterizadapelo fato de os autores que a compõem defenderem a tese de que as proposiçõesque não possuem nenhuma ligação com o plano factual sequer tem sentido emerecimento de serem consideradas pela filosofia ou pela ciência.
Dentro dessa busca por se livrar deproposições não-factuais a filosofia analítica procura, recorrendo, mesmo, àhistória, defender que a ciência épredominantemente empírica e bastante diferente daquele método quase matemáticoque, acima, atribuímos a Descartes. Essa concepção da filosofia analíticaparece, inclusive, ser a mais aceita por aqueles cientistas que procuramrefletir as respeito de sua prática como o muito reconhecido Stephen Hawking.
Sendo assim, pode-se passar a umasegunda consideração do termo “cartesiano” o tomando em um sentido mais amplo.Nesse sentido, o termo “cartesiano” referir-se-ia a um ideal de cientificismoenunciado em O discurso do método. Esse ideal aparece, principalmente,nas partes finais de tal discurso e manifesta-se, principalmente, em umaempolgação, por parte do próprio Descartes, com relação às possibilidades de aciência poder, através de experimentos (que, apesar do ideal matemático queperpassa o Discurso do método, não são negados por Descartes) exercerprevisões sobre a natureza.
Tal forma idealizada de ver a ciência,mas do que qualquer outra coisa faz do pensamento cartesiano o cerne damodernidade, uma vez que essa passa a poder ser vista como uma busca constantepara se exercer um total domínio sobre a natureza e esquadrinhá-lacompletamente. Ao estudar esse ponto de vista, os autores da chamada Escola deFrankfurt chegaram à promissora conclusão de que o cartesianismo, como umaespécie de fantasma, permanece até os dias de hoje: embora o método cartesianonão seja mais tomado ao pé da letra, o ideal de cientificidade inaugurado porDescartes permanece sendo uma espécie de alicerce epistemológico de nossotempo.
Feito esse último comentário conseguimos esgotar a questão de que nos havíamos proposto tratar. Acredita-se ser interessantesintetizar, em poucas palavras, tudo aquilo que foi dito: enquanto métodofilosófico específico, o cartesianismo está morto, porém, enquanto ideal decientificidade, tal forma de pensamento é uma das bases da visão de mundo quepredomina na contemporaneidade.
Danilo Saran Vezzani
A ironia de Descartes
Cartesianismo Pós-Moderno: Ciência X Deus
A Interrogação Como Método Desenvolvimentista
O Enfraquecer do Conhecimento Religioso
Descartes propôs uma nova metodologia, na qual o homem é o centro do universo, pois através da razão pode compreender todas as coisas que o cerca, e desta forma, consegue dominar a natureza. Apesar de colocar o homem no centro das atenções, não há confrontação com a religião, uma vez que, segundo a concepção de Descartes, tudo que existe no homem se originou de Deus. Assim como, ele acreditava na “Gênesis”, ou seja, na criação de todas as coisas por Deus, desde a Terra, o céu até os seres vivos.
Podemos entender que no texto houve uma conciliação entre a religião e a ciência, o que na época era perfeitamente possível, pois não havia, por exemplo, os ensinamentos de Charles Darwin com a Teoria da Evolução, a qual comporta a ideia de que os seres vivos atuais possuem um ancestral comum que através da ação da seleção natural originou as espécies atuais.
O racionalismo proposto por Descartes domina cada vez mais o pensamento científico do homem. Todos os dias novas descobertas são feitas pelos cientistas, colocando o homem como grande dominador da natureza, hoje se desenvolve no laboratório um ser vivo a partir de simples células germinativas. A ciência cada vez mais explica coisas que antes eram explicadas puramente através do conhecimento religioso. Chegaremos ao ponto de explicar cientificamente a existência de Deus ou simplesmente descobriremos que Deus está na razão das coisas que ainda não foram explicadas?
O contexto do discurso.
A matemática da verdade
A razão da razão
Desde os primórdios da civilização o homem busca respostas para as coisas que o rondam, de explicações para uma tempestade até de onde viemos ou para onde vamos quando morremos. Por muito tempo os fenômenos foram explicados através de mitos e crenças, sem serem questionados racionalmente. A partir do século XVII, Renée Descartes apresenta sua teoria racionalista em seu livro "O Discurso do método", mudando por completo o modo de pensar e, consequentemente, o modo de se fazer ciência. Sua teoria afirma que a experiência sensorial é uma fonte permanente de erros e confusões sobre a complexa realidade do mundo e que somente a razão humana, trabalhando com os princípios lógicos, é capaz de atingir o conhecimento verdadeiro.
Descartes mudou radicalmente o pensamento de sua época, estudos puderam ser comprovados e a ciência deu um salto nunca antes visto. Suas teorias continuam atuais e regem vários setores da sociedade. Na medicina, por exemplo, há a certeza do pensamento cartesiano de que a alma é totalmente independente do corpo.
Apesar de suas teorias terem contribuido (e muito) para o avanço científico e para o bem estar da sociedade, elas deixaram uma ideia puramente objetivista do mundo, sem se dar conta que sensações e emoções atuam na mente humana no mesmo plano da nossa racionalidade. Estudos comprovam que não é possível separar inteiramente em nossos comportamentos a parte racional da parte emotiva, o que revela que nosso corpo e nossa mente estão em contínua relação.
domingo, 18 de março de 2012
Aplicações práticas de Descartes no século XXI
O método da dúvida é o ponto de partida de sua obra, no qual duvida-se de todos os conhecimentos adquiridos, duvidando até dos próprios sentidos, para assim então, só restar o que for incontestável. Enquanto o método da desconfiança é utilizado para evitar a crença em conhecimentos previamente concebidos pela sociedade ou conhecimentos ditos "populares".
Com o crescimento dos meios de comunicação em massa, principalmente da internet, as informações se tornaram de fácil acesso, podendo ser formatadas e publicadas por qualquer um, facilitando a divulgação de informações equivocadas. Assim sendo, é possível aplicar os conceitos de Descartes nessa situação, já que não se pode tomar como verdade qualquer informação obtida por esses meios.
Ao obter-se uma informação através desse meio é prudente a utilização dos métodos cartesianos anteriormente citados. Aplicando-se o método da dúvida é necessário considerar todo e qualquer dado fornecido pela rede como duvidoso, sendo assim necessita-se a procura do mesmo dado em outras fontes para certificar-se da sua veracidade, de modo que a informação final se torne o mais incontestável possível.
Quanto ao método da desconfiança, é possível aplicá-lo no que se diz respeito aos sites considerados "confiáveis", pois, mesmo estes podem conter informações que não condizem com a verdade. Desta forma, qualquer conteúdo destes sites deve passar pelo crivo da desconfiança.
Logo, é perceptível a importância de conceitos antigos no contexto da atualidade, fazendo-se necessário o estudo e a reflexão a respeito de tais filósofos. René Descartes é um desses filósofos, suas ideias, apesar de serem criadas baseadas numa sociedade Moderna, demonstram um grande poder de aplicação nos dias atuais.
A ferramenta de busca de Descartes
Tendo por base uma série de máximas enunciadas pelo mesmo, René Descartes inicia um processo de desprendimento de toda e qualquer verdade que lhe tenha sido apresentada anteriormente,de questionamento e contestação,buscando assim alcançar uma verdade absoluta e incontestável.
Essa verdade, o akasha pessoal de Descartes, se apresenta como sua máxima "eu penso, logo existo", uma afirmação inquestionável, que prova a eficácia do metodo empregado pelo autor.
Tal método é o que realmente chama a atenção para a obra, e a torna única. Descartes não se propõe a responder a todas as questões existenciais da humanidade, mas dá ao homem uma ferramenta importante para fazê-lo. O método criado por Descartes liberta o homem das amarras de ideologias, da contaminação de preconceitos, e propõe que o universo seja estudado de um ponto de vista imparcial, tomando por fatos apenas aquilo que se apresentar como fato por si só, e não para atender às expectativas do observador.
Acaba então por traçar um estilo de vida e de concepção de realidade que ainda podem ser considerados atuais, para não dizer ideais a todos os seres humanos, pois não prega a abominação a tudo aquilo que não se mostrar absolutamente correto ( como por exemplo algumas normas de convivência social ), mas sim a concientização das falhas presentes nesses preceitos, o discernimento para saber acatar aquilo que se mostra necessário acatar e abandonar o que se mostra desnecessário, e a força de vontade para levar adiante as decisões tomadas graças às duas características apresentadas anteriormente.
O Discurso do método mostra-se, portanto, uma grande obra não apenas pela revolução de pensamento que causou quando foi concebido, mas também por propor uma linha de raciocínio ainda hoje extremamente adequada para aqueles que buscam obter verdades por si mesmos, e não esperar obtê-las através de terceiros.
Diversidade de Opinião
Pelo Olhar de Descartes
Quem já ouviu falar de René Descartes com certeza o conhece pelas suas incríveis contribuições para as ciências, como a geometria, por exemplo. Não seria uma grande surpresa saber que tal intelectual desacreditava na própria educação que recebera?
Descartes, apesar de estimar muito a eloqüência e, por vezes, reconhecer em parte o valor dado ao que se aprendia nas escolas, mantinha uma opinião de que quanto mais ele tentava se instruir, mais se sentia ignorante. Isso ocorria porque ele acreditava que qualidades como a eloqüência, por exemplo, eram dons de espírito e que apenas um raciocínio ativo seria capaz de auxiliar aqueles que não foram contemplados com tais dons. Descartes não acreditava ser maior ou inferior do que qualquer um de seus colegas de estudo e não alimentava nenhuma esperança de acertar mais do que os outros, já que, segundo sua visão, a base filosófica é vaga e não existe uma única coisa a respeito da filosofia da qual não haja discussão.
Dessa forma, Descartes aprendeu a desconfiar daquilo que lhe era passado com demasiada convicção ou daquilo que lhe era proposto pelo hábito, tentando, assim, provar que a superação da crença nos costumes facilita o trabalho racional e, por conseqüência, a obtenção do conhecimento verdadeiro.
Por: Nicole Santinon




