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domingo, 20 de maio de 2012




                           Corpo macabro

             Não são raras as vezes em que, por coerção da sociedade, agimos como em um comercial de pizza: ainda que tristes ou cansados, esboçamos um enorme sorriso para a manutenção da ordem da coletividade. Nossos anseios e medos acabam por ser inibidos e, gradativamente, nossa essência se torna algo inacessível. Tornamos-nos modelos de algo que nem de longe somos.
            Além disso, somos constantemente atacados pelos padrões universais de comportamento. “Por que você faz (ou não faz) isso?”, “já passou da hora de fazer isso!”, “não sente vergonha disso?” e outras falas repressoras são intrínsecas ao cotidiano ao longo de toda a vida.
            Esse corpo macabro e seu organismo social estabelecem tudo vigente na sociedade e, em nome da ordem e da manutenção do todo, matam, devagar, a parte mais frágil e impotente desse conjunto: a pessoa como indivíduo.


Manda quem pode, obedece quem tem juízo!

Uma das coisas que mais me chama atenção em Durkheim é quando ele defende que a realidade social ultrapassa o individuo. A primeira vista é uma ideia muito interessante, no entanto percebemos que a realidade é assustadora.

O que consigo comprender disso é que há uma ditadura social que me impõe o que eu devo ou não falar , o que eu posso ou não fazer. Todavia, por mais que queira me libertar desse padrão eu não consigo, não posso, não devo ( mesmo que esse sentimento de liberdade não seja meu). Por exemplo, o que ocorre com o ensino público no país, onde desde o os primeiros anos até a formação superior, o seus pensamentos são moldados de acordo com a lógica do Estado e , não menos importante, da Economia. A história dos livros didádicos é a história que o governo quer contar. Nessas instituições, independentemente do grau, você encontra vários tipos de adversidades e injustiças, desde a falta de merenda e transporte adequados até problemas com a formação e o salário de professores. Contudo, não pode lutar contra elas pois já existiam antes de você( ja estão enraizadas) e se insistir em confrontá-las, as retaliações podem por em risco a sua formação. Os conselhos que mais recebe é "conforme-se", "acostume-se", seus pais te dizem: Faça o que eles mandam e sem reclamar.

Então você percebe que por mais que os modelos de ensino prezem pela criticidade, esta é apenas uma falácia e que aquele âmbito é apenas uma parte do todo.É o mesmo funcionamento.Durkheim ainda acerta ,mais uma vez, quando diz que o papel da educação é formar as peças da sociedade . Completo ,ainda, dizendo que formando os consumidores dessa economia capitalista. A corrupção se alastra por toda a sociedade dando suporte as mazelas socias, tais como a fome, a violência, a segurança e saúde pública entre muitas outras. E o que você pode fazer a respeito? Reclamar, criticar e revoltar-se?
Nada disso adianta, pois nesse momento você já é uma peça moldada,um alguem alienado que certamente não vai querer mover-se, sua vida está boa desse jeito, sente pelos mais oprimidos mas não há o que fazer. Você até identifica o problema, mas isso não te diz respeito. É mais fácil acostumar-se quando se tem o que comer, o que vestir e alguma perspectiva de futuro. Isso até parece individualismo, mas não é. Isso é a sociedade impedindo que você tome atitudes, deixando-a seguir seu rumo sem intervenções, para que possa continuar oprimindo, marginalizando, roubando e matando. Isso é a tal solidariedade: contentar-se com sua vidinha, desempenhar seu papel sem revoltas. Você é uma celulazinha, se começar a tornar-se cancerígena vai logo ser eliminada em benefício do todo.

(Cap V)

Consciência coletiva


Durkheim, em “As Regras do Método Sociológico”, apresenta-nos o seu funcionalismo social, o qual é baseado na negação dos instintos individuais para contribuir com o organismo social. Essa negação continua sendo ministrada pelas instituições; estas devem moldar o indivíduo para agir conforme a sociedade necessita.
Para o autor, as práticas sociais surgem dessas necessidades e estão vinculadas com o ordenamento social. Para manter essa ordem é preciso que haja sanções, pois aqueles que não cumprem o seu papel, que não agem da maneira correta devem sofrer penalidades a fim de manter a sociedade coesa.
Coesão, este é um ponto importante para Durkheim, pois a necessidade de se manter coesa é que produz o fato social e, para que ocorra essa condição, faz-se mister a inibição dos instintos. A sociedade é, portanto, baseada nestes dois aspectos que a condicionam. Por exemplo, a divisão do trabalho ocorre para que todas as necessidades da sociedade sejam supridas. Não é uma questão capitalista, é a solidariedade, segundo Durkheim. Essa solidariedade seria o “abrir mão” das suas vontades pessoais para atender às necessidades do coletivo, um encaixe perfeito do indivíduo conforme o papel que lhe é designado a fim de manter a harmonia, seguindo a sua função. As instituições podem sofrer modificações de suas funções conforme o passar do tempo sem que se modifique sua aparência.  A Igreja, por exemplo, mantém seus dogmas há séculos, entretanto, não exerce a mesma influência social desde a Idade Média.
Distanciando- se de Comte, mais uma vez, Durkheim coloca que a explicação dos fatos sociais não está na natureza humana conforme dizia aquele, mas sim na natureza da própria sociedade. As transformações sofridas são explicadas por outro fato social, anterior a esta mudança. Portanto, a sociedade representa uma consciência coletiva, não a soma de consciências individuais; somos um todo que age segundo os mesmos princípios, moldados pelas instituições, incapazes de romper o laço que nos une aos fatos sociais.

A Favor do Todo


Segundo Durkheim, os fatos sociais não podem ser explicados apenas pelas vontades pessoais dos indivíduos, pois eles contribuem para manter o organismo social contendo seus instintos e se disponibilizando a contribuir com o todo.
Esse modo de agir dos indivíduos justifica a funcionalidade social, ou seja, as instituições representando seus determinados papéis na sociedade para nao prejudicarem o sistema, pois qualquer falha dessas instituições e dos individuos que as compõem danificaria a funcionalidade social.
Por conta disso os indivíduos, na maioria das vezes, sao coagidos pela sociedade a cumprirem papéis que nao condizem com suas opiniões particulares. Os indivíduos, mesmo sem notar, são vítimas das pressões socias e agem pela necessidade de cumprir sua função social. Qualquer iniciativa que gere desequilíbrio gera punição em forma de exclusão social.
A sociedade é como um organismo vivo, uma corrente social levada pela vontade do povo mas mantendo-se coesa. Para esse organismo social nao basta a vontade das pessoas para a realização de um fenômeno, é necessário que hajam aplicações internas para tal.
Para Durkheim, há uma força maior imposta pela sociedade que move os indivíduos. Como, por exemplo, quando incomodados com um beijo gay, a grande maioria contem-se e utiliza da tolerância, fator imposto pela própria sociedade. Esse tipo de atitude mostra uma falsa aceitação da sociedade perante determinados temas.
Durkheim afirma ainda que a solidariedade do povo em agir de tal modo a favorecer a sociedade contendo seus instintos pessoais, torna-os indivíduos à disposição para atender vontades da sociedade dando origem a uma funcionalidade muito  maior.

Giovanna Cardassi S. Yarid

O corpo social

Na perspectiva de Durkheim, devemos analisar a sociedade como um corpo, como um todo, já que nossas ações não passam de reproduções que vão além do indivíduo, o meio que nós vivemos explica o nosso funcionamento; dentro dessa perspectiva encontramos o objetivo do corpo, que é o equilíbrio, conseguido através do cumprimento de determinadas funções pelos seus componentes, assim como o pulmão tem como função principal a hematose dentro do funcionamento do corpo humano e não terá a mesma eficiência caso o pulmão seja de um fumante, revelando Durkheim como um funcionalista.
Pensando a sociedade como um corpo podemos compreender quando Durkheim afirma que nossos comportamentos são motivados por comportamentos coletivos, o indivíduo pode até querer algo, mas a funcionalidade interna do corpo não permite, por isso a sociedade se sobrepõe ao homem; assim como não podemos analisar comportamentos individuais pensando que estamos analisando o comportamento coletivo, pois existe a necessidade de coesão. Do corpo doente entende-se que internamente algo não está exercendo sua função corretamente, no caso da sociedade Durkheim afirma que as instituições estão falhas, faltam regras, os órgãos paralisaram ou mudaram suas funções, dando o nome para esse estado de anomia.
O funcionalismo seria uma filosofia que tenta explicar as instituições como meios coletivos de resolver as necessidades individuais, tornando-se também uma maneira das instituições resolverem os problemas sociais. Buscando as causas profundas entendemos a função que determinada parte exerce no todo, sendo essa a perspectiva do funcionalismo, que propõe o entendimento dos acontecimentos não pelo valor moral, e sim pelo valor social que esse fato vai acarretar. 
A solidariedade aparece nesse contexto como um lubrificante para as engrenagens do todo, pois faz os homens negarem o que realmente querem em nome de um funcionalismo, sendo orgânica pois os homens se encaixam dentro do corpo. Sem a solidariedade a sociedade entraria em colapso, pois os homens deixariam suas funções, havendo nesse momento uma crítica a sociedade cada vez mais consumista e competitiva que a coloca em risco. As sociedades modificam-se ao longo do tempo, as visões mudam, os papeis também, o que não muda é a explicação de um fenômeno social sempre em outro.

Harmonia Artificial


Durkheim defende a teoria de que o homem, como individuo, é produto da sociedade, sendo coagido, desde o seu nascimento, a cumprir seu papel na sociedade, e assim, acaba por tornar-se um ser social. A sociedade cumpre seu papel sendo a ferramenta de padronização dos indivíduos e dessa forma, faz com que o homem saia de seu estado natural e passe a se comportar como ser social.    
  
  Nesse ponto, a sociedade acaba por inibir as diferenças, o que atenta contra a individualidade das pessoas, facilitando o controle social. Essa ferramenta social acaba, em nome da coesão, segregando os diferentes, marginalizando as pessoas que não se adequam ao padrão imposto pela sociedade. E mesmo as pessoas que atingem os parâmetros impostos pela sociedade acabam transformando-se em seres artificiais, moldados para manter a “harmonia” do sistema.
  
  No entanto, é necessária que se faça uma análise ponderada do fator social, ao mesmo tempo em que a sociedade coíbe as diferenças, ela exerce um importante papel garantindo a convivência entre as pessoas. Sendo assim, são as concessões feitas pelas pessoas, abrindo mão de algumas de suas particularidades, que mantem a o funcionamento da convivência em sociedade.






    Dando continuidade a sua obra, Durkheim expõe suas "Regras Relativas à Explicação dos Fatos Sociais" distinguindo, nesse ponto, sua concepção social da contribuição de Comte.
    Durkheim afasta-se das concepções psicológicas e individuais da sociedade procurando explicar seus fenômenos dentro da própria natureza da vida social, ou seja, por meio de outro fato social. Há, nesse contexto, a percepção da "consciência coletiva".
    Percebe-se que a sociedade não é o espelho da soma das vontades individuais como afirmam alguns contratualistas, mas vítima de uma consciência coletiva diferente, na maioria dos casos, daquela particular.
    Se pararmos para observar, é exatamente a isso, ou a algo semelhante, que estamos submetidos. Cada vez mais nos notamos padronizados. Convencidos a seguir ou buscar caminhos predeterminados calando aquela opinião possivelmente diferente.
    Tendo as diferenças como o motor para a busca de uma sociedade melhor, estamos cravados no abismo das tendências e cada vez mais facilmente governáveis, ou manipuláveis. E isso é um tanto perigoso.


                                                                                                                                           Renan Silveira

Durkheim e as formigas

     Na continuação de sua obra "As Regras do método sociológico", Émile Durkheim afirma no Capítulo V, que práticas sociais não surgem do nada, mas sim da necessidade gerada. Que não basta a necessidade dos indivíduos para uma prática ocorrer, mas que existam implicações internas que gerem tais fenômenos.     Contudo, essa visão não é muito coerente, pois ignora o poder do indivíduo e de toda mudança que apenas ele pode causar em uma sociedade. Falando assim, realmente Durkheim parece mais sensato, entretanto, não vivemos mais a mercê de uma sociedade que leva os rumos que bem entende. Existem líderes, obviamente nem sempre bem capacitados e preparados, mas eles existem, e nas mãos desses líderes existe um grande poder de mudança social, econômica, cultural e etc.
     Dependendo da vontade de um indivíduo, a mudança proporcionada por ele pode ser incontável. Não foi uma implicação interna que condicionou a mudança na sociedade hindu ao fim do século XIX, mas sim a atitude de Mahatma Gandhi que inspirou e proporcionou a mudança. Esse é apenas um exemplo, mas a História mostra como indivíduos, com seus ideais e concepções, proporcionaram grandes feitos por todo o mundo. Exemplos como Martin Luther King, Nelson Mandela, Joana D'arc, exemplificam essa ideia, ideias de um indivíduo proporcionou uma mudança que pode alcançar grandes proporções e alterar o rumo da história.
     Do mesmo modo que essa mudança pode ser grande, pode ser pequena e insignificante, uma celebridade lança um novo tipo de saia,e logo grande parte das adolescentes norte-americanas estará usando. Não há importância real nisso, mas serve para exemplificar como, novamente uma atitude isolada transforma determinada parte da sociedade.
      Durkheim trata a sociedade, portanto, como se fosse um formigueiro, nada que seja individual é relevante. Movida pelo coletivo, apenas forças maiores são passíveis de causar mudanças. A sociedade, não só a contemporânea, mas a moderna, a feudal, a antiga, e todas elas, não são, nem de longe, semelhantes a formigueiros. O coletivo é importante sim, ele permite mudanças, mas a ação individual tem sua devida importância. 
                                 

A interconexão dos fatos sociais, essencial para sua explicação, tem por objetivo a coesão do organismo coletivo. O coletivo, tem assim uma necessidade inconsciente  de manter essa coesão, e exterminar as patologias sociais .A coesão , baseia-se na mentalidade coletiva, que difere da individual; já que a coletividade não é composta da soma de indivíduos , mas sim, dotada de uma força de coerção externa a eles.

Quando novas células surgem, e são, muitas vezes, opostas a consciência do coletivo; para que o corpo não fique enfermo, ele próprio as  incorpora;  seja de forma parcial ou completa . O Estado, portanto, sendo a representação do coletivo, constitucionaliza essas novas células. Então, esse organismo encontra-se em permanente mudança, se adaptando as novas situações.

Um exemplo disso é o surgimento de novas composições no núcleo familiar protegidas pelo Estado; como a união estável heterossexual ou homoafetiva; união homem- mulher pelo casamento; família monoparental ou, ate mesmo, composta pelos avos, tios  e o filho, ou outros parentes.Tal composição se dá pelo surgimentos de novos fatos sociais; como a opressão de gênero (patologia ) e, o seu combate,através da  emancipação feminina( não que seja totalmente efetiva, pois ainda existe essa opressão e violência  de gênero); a violência contra os  homossexuais e, a consequente busca pela tolerância das pluralidades sexuais.Assim todos esses artifícios são necessários para manutenção  da coesão, mesmo que na realidade, as patologias sociais ainda ocorrem e ameaçam o equilíbrio social.

Jessica Duquini  

Todos iguais


 Na sociedade atual há mais que uma força coercitiva do coletivo sobre o individuo, como propôs o filósofo Émile Durkheim. Há na verdade, uma verdadeira padronização dos indivíduos. 

          Todos devem assistir ao mesmo programa de televisão, votar no mesmo candidato, beber o mesmo refrigerante, vestir as roupas da moda e até mesmo a aparência física deve ser igual, cirurgias plásticas, lipoaspiração, aplicações de botox, etc.
          Há uma verdadeira robotização da sociedade, em que todos tem a ilusão de serem livres, quando na verdade estão sendo coagidos a viver seguindo padrões e proibidos de pensar, tornando-se como sempre, facilmente manipuláveis. 

O lado sombrio da consciência coletiva

Existe uma enorme discrepância no que diz respeito a nossa individualidade e ao coletivo. Ao mesmo tempo em que cada indivíduo possui suas peculiaridades e difere de todos os outros seres humanos, a sociedade não deixa de ser uma massa, que opera de forma conjunta e é imputável pelas transformações que ocorrem no seu meio.
Ao longo da história da humanidade, esse sentimento de coletividade, ou a visão do homem como um ser coletivo foi responsável pelos principais acontecimentos históricos, tanto para bem quanto para mal.
Talvez a pessoa que decidiu jogar a bomba nuclear em Hiroshima e Nagasaki, matando assim a milhares de pessoas, não tivesse coragem de matar um indivíduo. Percebe-se assim como a concepção do coletivo pode ser perversa e sombria, ela facilita a quem tem o poder manipular o coletivo e decidir sobre ele com frieza, pois o coletivo exclui a ideia de intimidade e faz com que o conjunto se converta apenas em uma marionete, a qual pode ser movida ao bel-prazer de quem estiver no comando. Tomar decisões no âmbito coletivo é sem dúvidas uma empreitada muito mais fácil do que decidir sobre um único indivíduo.
E essa tendência é ainda facilitada pelo fato de que em qualquer grupo ou sociedade, notam-se formas padronizadas de conduta e pensamento. Padrões éticos, morais, de urbanidade e etiqueta, de concepções políticas e intelectuais caminham de mãos dadas na sociedade. Seguimos um mesmo rumo e qualquer elemento que destoe do todo orgânico é rejeitado e visto como um corpo estranho e prejudicial para manter a ordem do conjunto.
Nesse ponto, podemos então nos perguntar quão livre somos realmente para fazer nossas próprias escolhas. A sociedade já possui seus moldes de comportamento e muito dificilmente um indivíduo conseguirá ir contra esse sistema. O capitalismo, por exemplo, faz com que todos nós sejamos escravos do dinheiro, do trabalho para poder ter um lugar ao Sol e uma vida digna (se bem que essa vida digna é  padronizada na sociedade pelo próprio capitalismo, o famoso “american way of life”). Sendo assim, a sociedade não representa a soma das consciências individuais, mas sim uma única consciência orgânica que se estabelece nas consciências e modo de vida de cada indivíduo, moldando até quando esse indivíduo pode ir com sua liberdade de escolha e seus próprios desejos pessoais. 

                Liberdade. Como você define essa palavra? Terá a mesma definição para todos os indivíduos constituintes de uma sociedade? Não é preciso ir muito longe para se conseguir a resposta. Nada, nem mesmo o mais ínfimo acontecimento, possuirá uma só explicação. Como então definir o que é melhor para a sociedade visando à melhoria da mesma? Para tanto a vontade geral acaba como o caminho a ser seguido, mesmo que esta não represente a vontade individual dos integrantes daquele grupo.
               Sabendo que a vontade individual de cada integrante não será ouvida, resta o questionamento: O que é a vontade geral? A vontade geral não beneficiará um só grupo em demasiado, e da mesma forma não prejudicará um só grupo em exagero. Ela busca uma solução neutra, visando o bem comum em detrimento do bem individual. Resta ainda, no entanto, um obstáculo a ser combatido, convencer o indivíduo a colocar a sociedade em primeiro plano.
   Para tanto, a própria sociedade desenvolveu um mecanismo de uniformização de seus integrantes. Desde o começo de sua vida, o indivíduo é bombardeado com informações e valores prontos, aos quais deve se adequar e aceitar como seu. Muitos ainda conseguem, de algum modo, “escapar” disso, mas se vêem de tal modo coagidos pela sociedade a aceitar o que lhes foi imposto que se sujeitam a “vontade geral”.
   Mantêm-se a ordem sob o cuidadoso olhar da “vontade geral” que, apesar de geral, deve ser imposta e que, apesar de geral, não reflete integralmente a opinião de nenhum individuo. A sociedade deveria valorizar as diferenças e promover a união de seus indivíduos e não a robotização e sistematização de seus componentes.

Solidariedade orgânica na legitimação do pensamento capitalista.


  Diante da objetivação e esclarecimento do funcionamento do fato social e suas derivações dever-nos-íamos enxergar como impotentes sociais, como elementos transitórios de uma forma maior, de um fatalismo coletivista.       

 Falar de fatalismo no caso de Durkheim é analisar a sociedade moderna pautada na solidariedade orgânica (entenda-se solidariedade desvinculada da concepção cristã, e pautada nos laços que mantém os homens unidos).   

 Esta visão de sociedade racional e contemporânea recebe tal denominação por clara relação biológica de elementos divergentes nas funções sociais (órgão) na construção concisa por laços de interdependência de cada um dos organismos que a compõe (sistemática corpórea como um todo).  

 Tal concepção poderia claramente servir de apoio e justificativa na firmação do pensamento capitalista de sustentação das divergências nas classes sociais. Estar determinado a cumprir certo papel na sociedade, e pelo cumprimento do mesmo mantêm-se a ordem social, legítima as desigualdades com a máscara dos individualismos.  

 Acreditar que qualquer ameaça à essa ordem "organicista" deve ser amputada, evitando-se as possíveis anomias como esfacelamento social é negar a raça humana como elemento comum e compactuar com o antagonismo do miserável ao gozador monetário.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

adaptação: auto defesa social

   Na continuação de sua obra (regras do método sociológico), Durkheim afasta-se do pensamento de Comte e cria uma concepção baseada na atividade coletiva, que apesar de representar a vontade geral, não é igual ao somatório das vontades individuais daqueles que compõe esse agrupamento.
   A maioria das sociedades existentes hoje apresentam um padrão comportamental diferente daquele que as originou. Em especial, a sociedade ocidental, marcada desde antes da existência do pensamento grego até a colonização da América, sofreu profundas modificações desde a sua origem. Aquilo que era crime hoje é direito. Aquilo que era imoral hoje não é contestado. A Igreja influenciou nesse processo. A ordem estamental da sociedade influenciou nesse processo. Mas com certeza, essa mudança que engloba a nova vontade geral não é o somatório da vontade particular, que se alia ao psicológico do ser humano.
   Essas mudanças que acontecem na sociedade são resultado de uma auto defesa. É o organismo protegendo-se contra uma doença. Aquilo que antes era visto como errado e hoje é visto como certo (exemplo: homossexualismo) passa a representar valores diferentes na vida das pessoas. Caso esse valor não seja adaptado às normas sociais, temos uma sociedade doente. Então surge o contrato social, desvinculado da vontade individual do homem, sendo um mecanismo de defesa, para que a sociedade se recomponha e seja curada. É através dessa ferramenta também que a sociedade se protege de um recém-nascido, uma célula social sem conhecimento e preconceitos, portanto patológica. Engloba essa nova célula ao seu corpo fornecendo-lhe conhecimento e necessidades que ajustam seu modo de pensar àquela sociedade. fazendo com que se adapte ao meio social sem causar danos providos de um pensamento original.

Admirável gado novo



     Engraçado como podemos notar que em todos os regimes totalitários temos algo em comum. Algo que foge de um governo forte e autoritário, algo que foge de uma característica do Estado. Esse "algo" é a padronização da população.
     Seja no governo nazista alemão, ou no Stalinista russo, é impossível deixar de notar o efeito de padronização da população. Mesmas roupas, mesmas atitudes, mesma mentalidade, mesmo líder... Mas qual o motivo dessa padronização? Muito simples, claro. Essa padronização varia da maior facilidade em que podemos controlar e influenciar um grupo homogêneo. Já reparou o quanto é fácil de se "tocar", ou dar direção, ao gado? Nenhum membro do rebanho irá se revoltar, pois este se sente confortável no meio dos outros, e segue o rumo a que é coordenado.
     Agora vamos trazer essa realidade para nosso país, o ascendente Brasil dos anos 2000. Governo democrático, liberdade de expressão, liberdade de escolha, de imprensa... Parece que vai tudo bem, certo? Entretanto, já reparou em o quanto a população vem se padronizando? Todos assistem ao mesmo programa na TV, todos falam sobre os mesmos assuntos, e o mais impressionantes: todos, ou pelo menos a esmagadora maioria, não discorda de nada que lhe é apresentado pela grande mídia. São todos tocados, por um grande peão, montado em seu cavalo de raça, que move toda a massa na direção a que bem entende.
     Mas de onde vem essa omissão? Essa resposta, também, não demora a surgir. O homem está confortável no meio dos outros! Todos parecem estar se desenvolvendo, todos parecem estar no país do futuro, o país da Copa, o país da olimpíada! Povo marcado... Povo Feliz!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Durkheim, Nietzsche e o Último Homem


O Fato social condiciona a ação humana, unifica e torna o homem socialmente homogênio. Tal homogeneidade garante (ao menos na maior parte dos casos) que padroes de ação socialmente desejáveis sejam reproduzidos. Pode-se conhecer de onde alguém vem, a que parte da sociedade pretence, ou até mesmo seus valores, de acordo suas vestimentas, sua fala, sua história, que refletem fatos sociais. Não obstante ao caráter pragmático, que possui vantagens positivas, cabe a pergunta sobre o limite e a real pertinência de uma cultura na qual a coersão social possui grandes proporções. Não seria uma total aniquilação do que existe de realmente humano, criativo, de essencialmente nosso em troca de uma ilusória segurança?
Nietzsche, em Assim falou Zaratustra, indica os problemas da natureza do homem pequeno e massificado, onde não há “nenhum pastor, e só um rebanho! Todos querem o mesmo, todos são iguais: o que pensa de outro modo vai por seu pé para o manicômio”.
Mas não é demasiado pequeno se resignar a reprimir os próprios instintos, a própria honestidade consigo mesmo, em troca da compania homogênea do rebanho? A que preço?

Em defesa das individualidades

  Estamos em um momento em que tudo está se padronizando. Os comportamentos de diferentes pessoas parecem estar caminhando para a igualdade, as pessoas estão cada vez mais parecidas; sempre com o mesmo corte de cabelo, usando roupas parecidas e as opiniões sempre com diversas semelhanças. Será que estamos nos tornando uma massa homogênea e as individualidades estão morrendo aos poucos? Ou já somos todos iguais e a originalidade é apenas uma ilusão?
    Perguntas como estas surgiram no momento em que comecei os estudos sobre o fato social de Durkheim. Consistindo no agir do homem em sociedade, o fato social para Durkheim é exterior ao indivíduo, ou seja ele é imposto aos homens e está fora do nosso controle estabelecer se eles existirão. O casamento, por exemplo, é algo que muitos afirmam ser uma "instituição falida", mas ao mesmo tempo aqueles que não se casaram são vistos com um certo nível de preconceito por todos. Mas qual a real utilidade do casamento? Se unir a alguém que você ama para o resto da vida formalmente? Para iniciar o processo de constituição de família? Não, o casamento nada mais é do que um padrão que todos querem seguir e não sabem a razão. Ninguém precisa fazer do seu amor um grande evento, a meu ver um compromisso sincero e simples entre duas pessoas vale mais do que um compromisso firmado em uma grande cerimônia. No entanto, nos vemos forçados a seguir rituais como este, porque somos ridicularizados se não o seguirmos.
   Pensamos que a nossa consciência individual é que rege os nossos comportamentos, porém, a consciência coletiva- que tem como expressão mais importante a sociedade- tem uma influência gigantesca em todas as nossas ações. Então, se a consciência coletiva for o nosso verdadeiro guia, não seria a hora de construirmos novas percepções e reformularmos certos valores? Afinal, estamos conservando rituais que não possuem nenhuma utilidade, e valores que não possuem nenhum sentido. E assim, tornaríamos a sociedade mais apta para acolher todas as diferentes consciências; tornando a individualidade algo bom, e não algo digno de coerção.

O Fato Social - Durkheim


Na importante obra sociológica denominada As regras do método sociológico, de 1895, Durkheim afirma que “espera ter definido exatamente o domínio da sociologia, que só compreende um determinado grupo de fenômenos. Um fato social reconhece-se pelo seu poder de coação externa que exerce ou é suscetível de exercer sobre os indivíduos; e a presença desse poder reconhece-se, por sua vez, pela existência de uma sanção determinada ou pela resistência que o fato opõe a qualquer iniciativa individual que tenda a violentá-lo [...]. É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior, ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais”. Os fatos sociais dariam o tom da ordem social, sendo construídos pela soma das consciências individuais de todos os homens e, ao mesmo tempo, influenciam cada uma.
importante é ver a realidade objetiva dos fatos sociais, os quais têm como característica a exterioridade em relação às consciências individuais e exercem ação coercitiva sobre estas. Mas uma pergunta se coloca: de onde vem esta ação coercitiva? Pensemos em nossa sociedade atual. Fomos criados, por nossos pais e pela sociedade, com a ideia de que não podemos, em um restaurante, virar o prato de sopa e beber de uma só vez, pois certamente as pessoas vão rir ou talvez achar um tanto quanto estranho, já que existem talheres para se tomar sopa. Não existem leis escritas que impeçam quem quer que seja de virar o prato de sopa, segurando-o com as duas mãos para beber rapidamente. No entanto, a grande maioria das pessoas se sentiria proibida de praticar isso. Da mesma forma, por que quando trabalhamos em um escritório ou algum lugar formal os homens estão de terno e não de pijamas? Isso é a ação coercitiva do fato social, é o que nos impede ou nos autoriza a praticar algo, por exercer uma pressão em nossa consciência, dizendo o que se pode ou não fazer.
Se uma pessoa experimentar se opor a uma dessas manifestações coercitivas, os sentimentos que nega voltar-se-ão contra ele. Em outras palavras, somos vítimas daquilo que vem do exterior. Assim, os fatos sociais são produtos da vida em sociedade, e sua manifestação é o que interessa a Sociologia.

Arthur Gouveia Marchesi

O fato social e a coerção

          Estudar Durkheim é se deparar com elementos novos e antigos do método sociológico. Seguindo a linha de raciocínio de seus antecessores, ele prega uma sistematização baseada na lógica, com o sociólogo analisando os fenômenos de fora, sem se envolver, sem fazer qualquer tipo de juízo de valor. No entanto, mesmo sendo um conceito já pregado por outros filósofos, continua sendo algo dificílimo de realizar.
          Segundo Durkheim o sociólogo, assim como todas as outras pessoas, é influenciado diretamente pelo meio onde se encontra. É o que ele chama de fato social. Todos que vivem em algum tipo de comunidade e, consequentemente, se relacionam com outras pessoas sofrem ação coercitiva delas. Valores, hábitos e conceitos são impostos diariamente e de modo que se incorpore aquilo e passe a acreditar que veio de dentro de si próprio. Essa imposição faz parte de um modelo maior onde cada indivíduo tem alguma funcionalidade dentro da sociedade e ao sair do padrão é condenado, taxado.
          Entra então o conceito de solidariedade do indivíduo no qual esse último abre mão de algumas vontades individuais e desejos em prol da sociedade. Ele entra em acordo com o sistema para que haja harmonia na convivência.
          É dessa forma que, segundo Durkheim, a sociedade se perpetua, sendo coercitiva e consertando instituições que falhem na hora de incutir os valores desejados.

Seguindo a Linha


A principal ideia defendida por Émille Durkheim é a de que o individuo é produto de uma sociedade. Ou seja, o homem não nasce um ser social, ele se transforma a partir da trajetória que cumpre, exercendo este ou aquele papel social. Ainda,  segundo o sociólogo, caberia a educação moldar os indivíduos, impondo-lhes padrões de agir social.

Sendo assim, haveria uma harmonia  e um certo equilíbrio. Mas qual a explicação dada aos desvios de conduta de alguns cidadãos? Para Durkheim, esses desvios ocorrem porque algumas instituições não estão cumprindo o seu papel de padronização.  Como seria possível  que alguém que não tenha passado pela escola  siga os mesmos padrões de conduta se não foram moldados para isso?

É ai que a sociedade mostra suas contradições, ela exige que todos sigam regras para o seu bom funcionamento.  No entanto, ela “falha” , ela exclui, ela marginaliza é como se quisesse selecionar seus   integrantes;  quanto àqueles que não a interessa de alguma forma (seja por raça, cor, cultura ou classe social), ela simplesmente prefere isola-los, esperar que cometam algum desvio para manda-los para uma reclusão, onde não possam ser vistos e assim serem esquecidos. Pois estes constituem a prova viva de que erraram... de que por mais que ela crie regras , estas não são suficientes para torna-la perfeita ou, no mínimo, padronizada e homogênea.

                DIGNIFICAÇÃO DO HOMEM
Conforme fui lendo  “As regras do método sociológico”  de Émile Durkheim, fui ficando pasma. Em seu texto, ele deixa explicita a ideia de que os indivíduos possuem maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores a eles mesmos. Ou seja, o que eu sinto, não está dentro de mim, aliás, pode até estar, mas a causa disse sentimento e a forma que eu expresso esse sentimento, não partem de mim. Estranho, estranho. Estranho porque eu sempre achei que pelo menos minhas dores, meus sorrisos viessem de mim mesma, eu sentia dentro de mim esses sentimentos, e então leio  essas palavras... Também compreendi o real papel da escola, da família e de qualquer organismo social : negar nossos instintos, para que possamos dispor a contribuir como um todo. E é isso mesmo, contribuímos através do trabalho, do silêncio, da aceitação, tornamo-nos aquilo que deveríamos nos tornar: um ser social coagido.
Não gosto de me sentir assim, um ser social que está em constante coação, até porque coação já dá um ar de algo negativo, forçado, podemos estão trocar o verbo, para imposição, o que não altera o sentido da palavra: não é por espontânea vontade que trabalhamos, deixamos nossas vontades de lado não porque somos solidários, ideia da solidariedade do individuou como um todo, não, e sim porque somos moldados para assim agir, o trabalho dignifica o homem. Para mim, a concepção de dignidade é outra, seria uma pessoa honrosa, não por trabalhar, e contribuir para todo um sistema, mas sim por ser considerada dessa forma, por agir de uma forma boa, e boa nesse caso não conforme toda a ideologia dita.
Entretanto, sim, nessa sociedade, o trabalho dignifica o homem. O homem da imagem se sente feliz, a felicidade é contagiante, o sorriso simples, o rosto sofrido, cansado, toda uma vida de miséria, mas agora, ele possui a carteira do trabalho, é um trabalhador registrado ,agora é um ser dignificado... E a coação existente não foi a seguinte: sorria que tirarei uma foto sua com a carteira do trabalho, para que todos vejam sua felicidade ao trabalhar, não, a coação existe desde seu nascimento, ele acredita nessa ideia de que ele é um ser bom por trabalhar, digno, embora tenha que sustentar sua família, trabalhe de sol a sol, viva na miséria, mas pelo menos ele é digno. Como se agora pudesse realmente se conformar com sua situação.


Ao ver essa imagem, algo me doeu. Uma angústia passou pelo meu corpo. Embora eu não saiba de onde venha esse sentimento, eu senti, não sei se esse sentimento é meu, ou ele vem de fora da minha consciência.
Não quero agir conforme estou condicionada a fazer, não quero me desenvolver da forma que todos devem, todos não deveriam ser assim... O que fazer então? Não sei.


Coisificando

Émile Durkheim, defendia a desvinculação da Sociologia de todas as correntes filosóficas, psicológicas, ideológicas e do senso comum. Sendo no estudo da vida social uma das suas preocupações, com a tentativa de aplicar um método dotado de cientificidade, colocando a Sociologia no palco junto com as ciências empíricas e objetivas.
O autor faz da vida social um fenômeno essencialmente moral, e do fato social, coisa. Neste método, coisa opõe-se à idéia. Visto que na natureza só existem coisas, os fatos sociais são naturais e se submetem às leis naturais. Estas podem ser materiais ou não, existindo em cada uma elementos distintos. Mas tal ideia nos induz a analisar todas de maneira análoga, desse modo o material e o não-material tem a ótica de abordagem semelhante. E assim o fato social é analisado como todas as coisas.
A concepção da coisificação surgiu fundada na ideia das representações destes fatos sociais no seio da sociedade. Tal ideia instituiu-se para que pudéssemos estudar conceitos e impressões, o que não aconteceria se concebêssemos, como fatos sociais, apenas as instituições instituídas.
Uma rebelião penitenciária e a moda. O que os gera senão as impressões? O que os arquiteta senão os pré-conceitos e as paixões? São fatos sociais versados de maneiras adversas, porém em essência constituem-se de impressões de naturezas pares, e muitas delas não estão ainda introduzidas na sociedade.
Que todos os fatos sociais são coisas, já se depreendeu, mas o que quase não se sabe é que nem todos eles são instituições instituídas no seio social.

Vivemos em um mundo ocidentalizado, que prega a garantia dos direitos humanos, o modelo democrático de governo e a liberdade das pessoas. Com isso, criamos a ilusão de que pertencemos a uma sociedade mais justa e que tem maior respeito às necessidades humanas e não percebemos que, a todo momento, sofremos uma enorme coerção social.

Se pensarmos, por exemplo, no uso da burca – tão criticado por alguns no mundo ocidental – e no simples fato de comermos de garfo e faca, conclui-se que ambos são hábitos que foram impostos às pessoas de suas respectivas sociedade e, portanto, limitaram a sua liberdade individual. Aliás, pensando ainda por esse lado, qual a diferença entre a imposição do uso da burca e a imposição dos padrões de beleza nos países ocidentais?

A verdade é que as duas violentam o direito de escolha das mulheres segundo a sua própria vontade e marginalizam aquelas que não seguirem os padrões colocados como corretos na sua sociedade. O reflexo de tal coerção pode ser percebido com o aumento do número de casos de bulimia e anorexia conforme a exploração do padrão de beleza da mulher magra foi intensificado.

Estes são apenas pequenos exemplos, mas seguimos um padrão repleto de imposições, as quais, muitas vezes sequer percebemos: o uso de talheres, o uso obrigatório de nossas roupas – garantido, aliás, por lei -, o modo de andar, a maneira de falar etc. Às vezes, notamos que algumas pessoas não se submetem a tais hábitos e criam uma maneira alternativa de agir, passando a ser, inicialmente, marginalizadas. Entretanto, com o tempo, formam-se grupos que estabelecem um novo padrão, com novas imposições, como é o caso dos hippies, punks e emos, por exemplo.

Assim sendo, percebe-se que é praticamente inevitável a criação de regras e padrões a serem seguidos em uma determinada agrupamento social. Podemos pensar até mesmo em uma única família, que estabelece suas próprias regras e um modo de agir para serem seguidos em casa. O membro da família que não se adequa a esse modelo passa a ser cobrado pelo restante da família, podendo até mesmo ser expulso de casa. Isso é estendido para o restante da sociedade, em vilarejos, cidades ou países.


A continuação do pensamento positivista de Durkheim




Durkheim, no desenvolvimento de seu pensamento positivista, acredita que a explicação dos fatos sociais não está vinculada a necessidades sociais imediatas, ou seja, ele é derivado de vontades que regem a sociedade há tempos. Além disso, as instituições, para ele, não teriam surgido do nada, mas sim dessas necessidades, que se adéquam ao organismo social.
Outro fato interessante desse pensamento relaciona-se a divisão do trabalho: esta seria um exemplo de um condicionamento interno que molda as ações sociais. Comparando a sociedade com um corpo, podemos dizer que cada indivíduo exerceria uma função exata, assim como os órgãos no corpo, para que funcionasse o organismo social.
A sociedade, porém, não seria a soma das consciências individuais. Estas não explicariam o caráter absoluto (geral) dos fatos sociais, ou seja, não seria somando tais aspectos que chegaríamos a explicação do fato social, mas este se encontraria enraizado em outro fato social, e sua explicação adviria das ações internas da sociedade.
Por fim, notamos que no pensamento de Durkheim não existiriam conexões causais que explicassem os fenômenos sociais, senão uma faculdade virtual que impeliria a história para frente. Além disso, ele critica a concepção de sociedade de Hobbes (na qual a sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade natural) e Locke (neste a sociedade trata-se de um direito natural inalienável).


Nossas escolhas como "não-escolhas" (PATE 1 - DURKHEIM)


Tenho controle de minha vida? Essa pode ser uma pergunta que inicia todo o estudo sociológico durkheimiano. Nossas ações, decisões, são pura e simplesmente pessoais ou são internalizadas tão profundamente que nós as tomamos como nossas?
  E assim, com esses questionamentos perturbadores, Durkheim inicia o estudo sociológico não como especulação, mas como ciência fundamentada. O ser, observável em eventos públicos, torna-se componente de uma grande massa com mesmos costumes, cultura e consequentemente com as mesmas ações para determinadas situações. Como cada homem é diferente do outro isso nunca seria possível espontaneamente, a não ser que todas essas concepções fossem introduzidas profundamente no ser, aos poucos, como se fosse algo natural. No filme “A origem” do diretor Christopher Nolan, o protagonista consegue manipular sua esposa de tal forma que ao introjetar uma ideia, muito profundamente, ela absorve tal qual como parte de si, como se fosse algo que partiu dela mesma, bem como a sociedade com seus costumes e cultura.
  Pensamentos e sentimentos em comum não significam que é um fenômeno analisado socialmente e confirmado, comprovado pela sua grande repetição, e sim que as pessoas são predispostas à eles. Dessa forma, nossas escolhas em uma sociedade, se dentro do padrão tido como normal ou aceitável, são ínfimas, ou quase insignificantes, pois somos tomados não só pela não compreensão desse fenômeno, mas também manipulados por diversas instituições e órgãos a aceitar e agir de um mesmo modo para que a sociedade como um todo continue com uma certa coesão, harmonia, interessante à um grupo, ou simplesmente a preguiça toma as pessoas, devido à diversos fatores diários que não possibilitam toda a sociedade refletir sobre si, pela falta de tempo, oportunidade e dinheiro.
  Então, ninguém está acima dessas ideias introjetas, nem mesmo o sociólogo, pois cresceu com uma gama de aspectos que, de tão arraigados, continuarão nele, mesmo depois de ter consciência desse fato.

Sociedade guia do homem.

   Considerado o pai da sociologia, Durkheim em sua obra 'Regras do método sociológico' define-a como a nova ciência social. Em resumo das ideias apresentadas em sua obra, fica definido que o estudo dos fatos sociais deve ser feito tratando os mesmos como figuras materiais. Entendemos isso como a ação de tornar fatos imateriais em objetos concretos para o estudo.
    Durheim, Como fruto do seu método de estudo chega a conclusão que a sociedade prevê as ações dos indivíduos que a compõem, sendo qualquer ação cometida por qualquer um já esperada pela organização social.Ou seja, o individuo criado em meio as regras sociais se comporta de maneira a ter suas ações regidas por estas, voltando ao caso do exemplo de usarmos talheres ao envés de comermos com as mãos.
    A partir da conclusão,de que o individuo é regido pela sociedade, o estudo da sociologia se foca no chamado `fato social´. Esta forma de pensar colocando o todo (sociedade) como foco do estudo para entender o ser humano (individuo) elaborada por Durkheim se tornou a matriz do pensamento da sociologia moderna.
Vicente SG Videira.

Ciência do coletivo


Existe uma força que molda os homens nas suas ações e comportamentos, ao passar por um conhecido na rua e dar "bom dia" você estaria sob essa força da sociedade, dos padrões de conduta, que recebe o nome de fato social; essa força é notada ao tentarmos lutar contra ela, mesmo nos nossos momentos mais íntimos não fazemos coisas que seriam consideradas fora dos padrões, pois ao sermos educados algumas condutas foram incutidas no nosso agir. Durkheim foge dos padrões dando pouca margem ao individual, e se preocupa em estudar o coletivo, já que para ele a explicação está na sociedade e não no indivíduo em si.
Desde pequenos recebemos a educação da nossa família, vamos à escola, igreja, faculdade, e por isso nos comportamos de uma determinada maneira; uma pessoa que não teve uma formação de caráter familiar e escolar não terá os mesmo padrões de comportamento de uma que passou. Para Durkheim o homem não é mau por natureza, as instituições que são falhas, por isso devemos buscar nelas a educação, pois algumas visões não surgem espontaneamente, são incutidas em nós.
Até mesmo o que pode parecer espontâneo, como uma insatisfações, é levado por um estado de alma coletivo; fenômenos marcados pelo individual, como nossas escolhas, são o peso de uma trajetória a ser cumprida; o trabalho não passa de uma expressão do coletivo, de contribuir com o todo; uma pessoa que se veste de uma maneira diferente dentro de um grupo será olhada diferente, pois o que não está no nosso coletivo, nos estranha.
A sociologia é a única ciência em que os seres se analisam, por isso devemos nos distanciar para não fazermos parte do objeto que estamos estudando, pois há um perigo quando o objeto é igual ao observador, já que os elementos passionais afetam nossa análise e devemos construí-la a partir da realidade, e não da ideia que se tem daquilo, há uma inversão no modelo, devemos fugir de especulações, ir além da teoria.
O FATO SOCIAL E A CRISE GREGA 




O resultado recente das eleições na Grécia anunciam a possibilidade de um novo patamar da crise, econômica e social, que aflige a Europa desde 2008. No entanto, com o aumento do desemprego, dos suicídios, da emigração, surge a questão se não se trata, também, de uma crise essencialmente social.


A rigidez da Alemanha quanto ao respeito das condições impostas, por parte dos gregos, pelo bail-out financiado pela União Europeia é fruto de uma consciência coletiva anglo-saxônica, de um fato social, de que os gregos não seriam capazes de gerir sua própria economia, sendo adeptos de comportamentos extravagantes, improdutivos e preguiçosos (http://www.smh.com.au/world/german-greek-tensions-ignite-in-war-of-words-20110624-1gjjy.html). Para os alemães, os líderes da nova Europa, a crise se resume aos dados estatísticos dos bancos e da economia falida da Grécia. Entretanto, a suposta racionalidade alemã referente à crise e sua visão coletiva superam o perigo da generalização, comprovando-se estatisticamente, sendo, portanto, um fato social.

O poder de coerção e a força imperativa do fato social, nesse caso, seria a visão majoritária alemã de que os gregos não teriam condições de se recuperar economicamente sem ajuda externa, e, que os problemas profundos da economia Grega são fruto dá própria inabilidade local de se auto-sustentar (http://www.reuters.com/article/2012/02/26/us-eurozone-germany-poll-idUSTRE81P0BW20120226E). Esse poder de força é identificado pela ameaça de sanção, segundo Durkheim, nesse caso, a sanção define-se pela crescente rejeição aberta aos imigrantes estrangeiros de formadores de opinião, visão essa respaldada por apoio popular(http://www.washingtonpost.com/wpdyn/content/article/2010/09/09/AR2010090903264.html). Portanto, os políticos alemães são seres sociais na medida em que sofrem coerção de uma visão majoritária que limita a resposta individual, no sentido que a possibilidade de sanção eleitoral os impede de agir de forma mais original e inovadora.

Nesse sentido, constata-se que aqueles que sofrem as consequências da crise econômica passam por uma crise social desconhecida de muitos não europeus, e, se há a aceitação que as autoridades competentes responsáveis por idealizar o plano de austeridade ao país helênico, e por liderar a execução das medidas, são afetadas por influencias sociais e por fatos sociais, pode-se afirmar que uma resposta adequada à crise deveria enxergar os parâmetros humanos não financeiros e econômicos.

Somente uma resposta mais pluralista e sociológica encontraria vias reais de resolução da maior crise socioeconômica desde 1929. Uma proposta abrangente, nas esferas social, financeira e econômica poderia trazer a receptividade do povo grego para as medidas de austeridade impostas verticalmente por Berlin e Paris. Em um contexto de diálogo e cooperação, concessões podem existir, e assim, os pré-requisitos necessários para o retorno da estabilidade política estariam sedimentos para a reconstrução de uma Grécia arrasada.


A Ilusão da Liberdade

“Liberdade: essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”

Vivemos atualmente sob o signo do liberalismo, palavra que remete, antes de tudo, à liberdade - não apenas econômica, mas política e social. Assim, desde muito cedo somos levados a dar um grande valor à liberdade.
Contudo, será que todas as nossas crenças e opiniões, em que acreditamos estar usando nossa liberdade de escolha, realmente são frutos de nosso livre-arbítrio?
Quando crianças, nossos pais nos “educam”, impondo-nos uma maneira de pensar: quais valores seguir, em quais crenças acreditar... Com o passar do tempo, vamos sendo iniciados em novas instituições além da família, como a escola e a igreja. Dessa forma, muitas outras ideias vão sendo impostas em nossa consciência. Exemplo disso é o desespero que sentimos quando não há nada para fazer ou quando dormimos o dia todo. Há, assim, uma aceitação do ócio como algo prejudicial, legado do protestantismo e base do capitalismo. Percebemos, desse modo, que nossas escolhas não passam de ilusão.
Será, então, que não há nenhum modo de exercer a tão sonhada liberdade? Podemos, primeiramente, agir cartesianamente, colocando em dúvida tudo aquilo que acreditamos como sendo o “correto”. Após essa revisão de valores, devemos buscar conhecer as doutrinas que antes imaginávamos como inadequadas. Assim, se uma pessoa é inicialmente adepta ao capitalismo, deve colocar sua maneira de pensar em questionamento e, totalmente despido de suas crenças, buscar conhecer os outros modelos. Somente desse modo, ela poderá seguir ou não o capitalismo de acordo com sua verdadeira escolha.
Entretanto, ainda que tenhamos escolhido qual doutrina seguir, somos a todo momento levados a agir de acordo com a consciência coletiva dessa teoria. Dessa forma, percebemos que não há como exercer um livre-arbítrio total, uma vez que vivemos em sociedade.
Assim, ainda que procuremos minimizar a falta de liberdade, colocando em dúvida nossas crenças e redefinindo valores, sempre seremos marionetes sociais. A liberdade é uma ilusão. E a única forma de realmente possuirmos livre-arbítrio é, infelizmente, a morte.

   

              Émile Durkheim, filosofo que se dedicou muito mais a sociologia do que a própria filosofia, acreditava que o homem deixou de ser de ser  animal quando aprendeu os hábitos e costumes do grupo social em que vivia, dessa maneira ao se "Socializar" ele passou de animal a um ser Humano. 
              A partir da visão do homem sociável, vivendo em sociedades, ele definiu o que viria a ser um fato social coisificando-o e aplicando para isso três características, na qual seriam elas: generalidade, exterioridade e coercitividade.
              Considerando ainda, fato social como algo social que não necessita do indivíduo, mas sim do agir do Humano dentro do espaço em que vive em decorrência dos hábitos e costumes que aprendeu.
                “que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais.” 
                Durkheim dá a educação o papel de construtor do ser sociável, incumbindo-a de transmitir ao indivíduo as regras, os hábito e costumes que caracterizam o seu grupo social para que assim esses possam viver interagindo uns com os outros. 
                    


     Guilherme Paim

Submetendo-se aos Padrões

Émile Durkheim priorizou o estudo da sociologia como uma ciência capaz de analisar os fatos socias. Essa ciência deveria observar os fatos socias como coisas, sem levar em conta possíveis conceitos pré-estabelecidos, pois isso poderia prejudicar a busca pela verdade científica. No entanto, isso nao significa uma desumanização dos fatos por Durkheim, apenas a intenção de estudar o objeto em si, livre de influências.

Segundo Durkheim, os indivíduos sofrem, a partir do momento em que nascem e sao inseridos na sociedade, diversas formas de imposições de valores e comportamentos. Essas imposições ocorrem por diversas instituições socias como, por exemplo, familia e escola. As regras, apesar de impostas, sao percebidas pelos seres como um comportamento espontâneo. Passamos a aceitar esses valores, interiorizando-os e nos acomodando a eles como se fossem frutos da nossa própria personalidade.

Deve-se, ainda, levar em conta que a transgressão a esses valores leva o indivíduo a uma espécie de marginalização social, pois este fica sujeito a sofrer punições por agir de forma contrária aos comportamentos seguidos pela maioria. Punições de âmbito social, ou seja, exclusão. A partir dai podemos descatar, ainda, o suicídio social, o qual se faz resultado das pressões sociais e da não adaptação aos padrões pré-estabelecidos. Extremo de uma sociedade que molda os comportamentos e rejeita tudo aquilo que os contradiz.

O que pode parecer um impulso pessoal, as vezes, na verdade é um padrão ja estabelecido pela sociedade. Tradições como casar, ter filhos, podem ser consideradas fatos sociais, uma vez que são hábitos ja estabelecidos pela sociedade e quando contrariamos esses conceitos sofremos as pressões sociais. Portanto, o homem é por natureza um ser social, que se transforma a partir de sua trajetória nas instituições sociais, adquirindo comportamentos que nao são propriamente pessoais, mas sociais.

Giovanna Cardassi dos Santos Yarid

 

Durkheim e o Fato Social


  Émile Durkheim é considerado um dos pais da Sociologia moderna. Em seu livro 'Regras do método sociológico', coloca a Sociologia como a nova ciência social. No primeiro capítulo, afirma que os fatos sociais devem ser tratados como objeto, o que veio a ser o tema central de sua obra.

  Ao fazer tal afirmação, Durkheim mostra que cada ação individual ou grupal dentro da sociedade é prevista pela mesma. Mostra que o modo de agirmos, pensarmos ou criarmos é tangenciado pelas normas sociais a que estamos incluídos. Seja por costumes, dogmas morais, religiosos ou pela economia estatal. A existência da sociedade então passa a se tornar independente de manifestações individuais nela ocorridas. Dessa forma, o 'Fato Social' torna-se o objeto de estudo da Sociologia. 


  Com o passar do tempo, esse pensamento ganhou forças e vê-se sua utilidade no mundo contemporâneo. Muitas vezes, é somente pelo estudo do 'todo' que podemos entender suas particularidades. Isso se prova através das correntes morais que formam as diferentes vertentes políticas na sociedade, correntes essas que são formadas pelo Direito Público, e somente pelo estudo desse (o todo) às compreendemos.

Nicole Gouveia Martins Rodrigues

"Selvagens conscientes"


Émile Durkheim, francês, é considerado um dos pais da Sociologia moderna, pois introduziu ao pensamento científico o conceito de fato social.
Para Durkheim, os fatos sociais devem ser tratados como coisas, e se imprimem nelas. Isso pode ser notado ao observarmos os códigos de leis, as modas ou os gostos.
Os fatos sociais, como coisas, têm três características: a coerção, ou seja, o padrão cultural do grupo estudado; a exterioridade, que defende a ideia de que os padrões antes relacionados são exteriores aos indivíduos e, portanto, independentes de suas consciências. Também há a generalidade, que explica que um fato social não existe em um único indivíduo, mas na sociedade em geral. É exatamente aí que se enxerga o padrão social, algo que é imposto a alguém, que já estava lá antes e que continua, não dando escolhas aos indivíduos.
Os fatos sociais, sendo coisas, não têm caráter de um fenômeno orgânico ou psíquico, constituindo maneiras de pensar, agir ou sentir.
Durkheim baseia sua pesquisa no conceito de “Consciência Coletiva”, partindo da ideia de que todo homem é um selvagem que se tornou sociável por necessidade de conviver com seus semelhantes, aprendendo costumes e hábitos. Para ele, a “Consciência Coletiva” seria originada nesse processo de socialização do homem e nela se fixam os fatos sociais. Os fatos variam de cultura para cultura, mas todos têm em comum a base da moral social, que estabelece um conjunto de normas e regras, ditando o que é certo ou errado, legal ou ilícito, permitindo a convivência entre os ‘selvagens conscientes’.