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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Another Brick In The Wall


Uma linha de desenvolvimento de valores universais, a internacionalização de ideias, a interdependência comercial, o alastramento maciço de cultura e notícias, a especulação generalizada e racional de tecnologias mundiais. É este ciclo de ações cosmopolitas que chamamos de capitalismo. Muito além da exacerbação econômico-financeira e da ambição pelo lucro.

É sempre conveniente à expansão capitalista que os seus receptores se tornem parecidos uns com os outros a ponto de possibilitar que o alastramento do mercado aconteça e que os problemas humanitários se solucionem de forma a satisfazer a maior parte do globo e também a sua demanda.

Entretanto, não vivemos em um mundo padronizado, dessa maneira frequentemente nos deparamos com culturas e crenças diversas e ate mesmo opostas àquela pregada pelo capitalismo e aos tão propagados direitos humanos. A pressão capitalista nos leva a um choque cultural que não pode ser superado sem o devido distanciamento do observador e respeito mutuo, mas esse é um tipo ideal de tratamento, e de idealismo não ser sustenta a racionalidade.

A produção em série do pensamento ocidental, caucasiano e capitalista tende a sobrepor seu poder em detrimento das culturais “mal localizadas”. Países mais fechados, como os islâmicos, entre outros, não geram talvez grandes problemas para o desenvolvimento do globo, mas estão sujeitos se manter a margem do capital internacional. O uniforme esta feito, quem deseja fazer parte do time tem que vestir a camisa.

Enfim: “Somos quem podemos ser, somos o que podemos ter” disse Humberto Gessinger. Somos então severamente convidados a fazer parte dessa grande obra, libertos a alcançar todo o lucro que conseguirmos e engessados sobre os trilhos já definidos do capital. Somos mais uma peça no edifício, ele é real, e a cultura, por vezes, um empecilho complicado. Avante! A obra não vai parar!

A religião e o êxito profissional

A relação entre o capitalismo e a religião começa com o advento da Reforma protestante, que introduziu uma nova forma de conceber a economia. Inicialmente, essa nova visão não se manifestava diretamente por meio do protestantismo de Lutero ou Calvino, mas veio a se formar posteriormente. Weber mostra, pois, que a introdução do capitalismo não seguiu os motivos econômicos, mas sim religiosos; veio de algo externo à economia.

A racionalização da vida é um dos temas principais de Max Weber e o capitalismo contribuiu de forma muito significativa para sua introdução na sociedade. Esse processo teve seu inicio no contexto religioso, desenvolvido nos mosteiros e, posteriormente, herdado pelos protestantes, majoritariamente pelos puritanos. Eles concebiam sua fé alegando que o homem existe para Deus, pois por Ele foi criado, e deveriam manifestar sua glorificação nos atos do cotidiano, sobretudo no meio profissional. Alia-se isso ao fato de que o destino de cada um já estava predestinado, segundo Calvino, e a racionalização se faz.

A angústia causada pela predestinação fez com que se formulassem condições para que a eleição por Deus fosse quase uma certeza, entre elas o sucesso no trabalho. O êxito profissional garantia a salvação. Uma passagem do texto que ilustra bem essa afirmação é:

“Vês um homem diligente em seus afazeres? Ele estará acima dos reis”. (Provérbios 22; 29). O ganho de dinheiro na moderna ordem econômica é, desde que feito legalmente, o resultado e a expressão da virtude e da eficiência em certo caminho; A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo - Max Weber, pag. 21

Desta forma, os primeiros artesãos acabavam por empregar seus companheiros de templo em consonância com a expansão de seus negócios, contribuindo de forma expressiva com o desenvolvimento de um capitalismo primitivo, animados pela convicção acerca do trabalho.

Portanto, é possível afirmar que o capitalismo veio das modificações na religião, tornando-a mais racional. Essas modificações produziram diversos resultados, tanto no plano da teologia quanto no da ética e, finalmente, no da economia, desde que a maneira de conceber o trabalho influencia a economia.

Capitalismo: a racionalização da fé?

Na obra “A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, Weber investiga a origem da acumulação do capital por parte dos calvinistas. Aponta que isso ocorre devido às convicções religiosas divergentes. Enquanto que para os católicos o que é valorizado é o desapego às coisas materiais, para os calvinistas a acumulação de capital é vista como um dom atribuído por Deus e que deve ser valorizado. O trabalho duro, a prosperidade, a moderação e a autonomia são sinais da graça divina. Os filhos das famílias protestantes eram criados para atividades que visavam à obtenção de lucros, em oposição ao ensino católico, contemplativo e baseado na renúncia do ritmo de vida em que tempo é sinônimo de dinheiro. Para o protestante, o trabalho é uma vocação, cujos ganhos não são voltados para os prazeres materiais, e sim para o contínuo crescimento.

A civilização Ocidental ruma à racionalização do progresso, abrindo caminho para a ascensão e o crescimento do capitalismo. Essa racionalização econômica, segundo Weber, é liga-se à virtude e eficiência, e não à ganância, desonestidade ou desvio de caráter que marcam o capitalismo neoliberal de hoje, controlado pelo mercado financeiro especulativo. O capitalismo separa os bens da empresa dos bens do individuo, além de promover o surgimento do direito e da administração e o avanço das ciências técnicas e exatas.

Diversamente de Marx, que atribuía a ascensão do capitalismo ao determinismo econômico histórico, Weber critica essa ação determinista, pois o capitalismo resultava das condições da organização social e de uma base extremamente racional. O status e no poder não decorriam da situação econômica do individuo.

Weber e o foco no econômico

Weber analisa a sociedade capitalista nascente como fruto de um contexto permeado por processos de racionalização nos mais diversos âmbitos seja relativamente a bens materiais, a desenvolvimento científico-tecnológico, estruturas juridico-administrativas e até mesmo do homem em si, que talvez inconscientemente, absorveu certas condições de comportamento e padrões de ação conforme a conjuntura lhe demandava. É nesse cenário que se configura, sim, a racionalização da fé. A racionalização, sendo uma tomada de aspectos morais, éticos ou, como nesse caso, religiosos, atribuindo-lhe uma interpretação exclusivamente racional, era considerada por ele, essencial para o avanço do processo civilizatório. Mas será que tratando-se da fé, ela de fato representou um avanço?
Nasce, concomitante à efervescência do protestantismo em face do Catolicismo, uma ética do trabalho. Segundo Weber, os princípios protestantes ajudaram a firmar essa conduta social relativa ao econômico, pois trazia a ideia de produção de riquezas visando sua acumulação e não seu consumo, o que estava fortemente vinculado ao capitalismo moderno, que, por sua vez, tinha uma perspectiva de longo prazo relacionada à possibilidade de investimentos e da dinamização do capital. Um comportamento assim era visto com bons olhos, pois indicava a eficiência da pessoa, suas virtudes e seu comprometimento com o trabalho. A fé entra nesse cenário no papel de legitimadora, a defensora do protagonista - o capitalismo em avanço -, lutando contra o alheamento dos católicos no tocante aos empreendimentos materiais.
Essa análise tão fria desconsidera o papel principal da Reforma Protestante, ou pelo menos, a sua intenção verdadeira. Não duvido que, ainda àquela época, já houvessem capitalistas mais perspicazes que tenham apoiado a Reforma já visando de que forma poderiam dela se aproveitar futuramente para pregar o que era de seus próprios interesses. Mas de semelhante forma acredito que tem se deturpado muito, a partir dessa análise, por exemplo, o papel das religiões na História - seja a protestante, a católica ou quaisquer outras. Weber discordava de Marx quando este dizia que o fator econômico se sobrepunha aos outros, mas ele próprio se basta a discorrer sobre a religião no que concerne às suas implicações relativas justamente a aspecto. Não teríamos aí uma contradição?
Não nego que de alguma forma a Reforma possa ter funcionado como incentivo a princípios implícita ou explicitamente capitalistas. No entanto, a racionalização da fé, acabou por excluir o que nela há de mais importante, que, justamente, independe de explicações lógicas ou comprováveis.

O importante é ter mais dinheiro que Deus, a não ser que Ele venha e acabe com tudo.

No capítulo "O Espírito do Capitalismo", da obra "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Webber, é possível observar suas análises sobre o sistema de produção vigente mergulhadas nos ideais de compreensão da ação social do autor, relacionando a existência e a prática do capitalismo ao protestantismo, à ética protestante, ao uso do direito e tornando possível observar traços de embate cultural.
Para começar, para Webber, a ânsia pelo lucro não gera o capitalismo em si. Essa ânsia ocorre desde tempos mais antigos, em pilhagens e explorações com função de ganhos por exemplo. O que torna o capitalismo o que é, desde seu surgimento até os dias atuais é o caráter de o dinheiro ser como fim em si mesmo, ou seja, em mais dinheiro. Esse contexto preza por quem busca o dinheiro, a produção, e para o autor, esse comportamento seria mais difícil nas sociedades onde predominassem o catolicismo.
Por séculos, a usura foi condenada pelos católicos. Até os dias atuais a religião católica prega votos de pobreza e negação à avareza, por exemplo. Está embutida na ética católica a aversão ao excesso. Já para os protestantes, como pode ser observado nas citações de Benjamin Franklin utilizadas no texto, essa acumulação de bens é vista com bons olhos. É sinônimo de virtude, de eficiência. O crédito e a multiplicação do dinheiro são exaltados positivamente. Tais valores são os mesmos apreciados pelo capitalismo.
Diante disso, Webber conclui ter sido extremamente importante para o capitalismo a reforma protestante. Ainda que os protestantes continuem com a crença forte em Deus, acreditando Nele como mais poderoso que tudo e todos (inclusive mais importante e poderoso que o dinheiro), para eles o acúmulo é forma de demonstrar virtude e até louvor a vida e a Deus. E mesmo não tendo sido o capital o único motivo para o protestantismo, este foi extremamente importante para o desenvolvimento do capitalismo, mesmo sendo fator religioso. E o fator religião não é meramente econômico, é fator cultural. É fator que demonstra embate cultural e não uma questão econômica que seria o argumento de um marxista para o sistema. É a "superestrutura mudando a estrutura".
Outro fator citado é o Direito. O Direito pode ser visto como mola-mestra do capitalismo, pois garante a manutenção do direito de propriedade, o cumprimento de contratos e as regras para os investimentos, ou seja, regula as relações e dá garantias ao modo de produção para que ele continue a existir sem enfrentar grandes problemas para sua existência (desconsideram-se as crises do capital neste caso, que são outro assunto). É mais um caso cultural se for observado que o Direito é reflexo da sociedade onde ele é aplicado e que as sociedades com o Direito mais próximo do que deseja o capitalismo tendem a se sair melhor na prática do capitalismo e vice-versa.
Portanto, enquanto Marx se apoia no caráter econômico das mudanças e na luta de classes, Webber se apoia no embate cultural.
Concluindo, ao ler a obra de Max Webber é possível notar os ideais de análise do pensador, a relação da prática do capitalismo com um embate cultural onde está presente o Direito como uma ferramenta do modo de produção e o protestantismo como importante motor para o desenvolvimento deste em virtude de sua ética protestante de acumulação e temporariedade se opor à pregação católica de aversão ao acúmulo e de importância maior da vida após a morte.

A Ética do Trabalho e o Espírito do Cristianismo

Max Webber, em sua obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, mostra uma visão diferente da até então aceita, de Karl Marx. Este dizia que a grande inovação do capitalismo é seu caráter revolucionário, em que os meios de produção se renovam constantemente, sem que haja transformação nas relações produtivas. Webber, agora, diz que o grande diferencial do capitalismo é sua racionalização da vida, dos relacionamentos... e, até mesmo, da fé!


Max diz que a reforma protestante traz uma nova realidade, pessoas que não veem o lucro como pecado, que não acreditam que devam pagar para receber perdão e gostam de trabalhar. Pessoas que, de acordo com Webber, preferem conquistar seu sustento e conforto através de trabalho árduo.

Para o protestante, não se trata apenas de uma moral, uma ética para os negócios. A grande chave é que, para este, é uma ordem divina. Ele deve se esforçar em tudo quanto fizer, pois não é para si ou para outro igual, porém uma obra para o próprio Deus. A “ética protestante” é o caminho que se deve seguir. Aquilo que fugir disso lhe será cobrado. Para o protestante, a vida é mais do que sua simples vontade. Ela possui um objetivo maior, que transcende o homem que a vive. Todo o lucro e sucesso profissional que vierem (caso venham) são consequências de uma vida reta. Nem sempre o sucesso virá, mas independentemente disso, é um padrão a ser seguido.

Webber considera tudo isso como sendo justificativas. “A circunstância a que ele atribui seu reconhecimento da utilidade da virtude a uma revelação divina que queria encaminhá- lo na trilha da retidão, mostra que algo mais que mera ornamentação de motivos puramente egocêntricos encontra se as envolvida” (A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Webber). Ele diz que a ânsia por lucro não é característica exclusiva do capitalismo, mas pertence ao espírito do capitalismo seguir um determinado padrão de conduta a fim de alcançar tal lucro. Os protestantes seriam aqueles que seguem tal padrão de forma mais disciplinada. Se formos analisar, a reforma calvinista ocorreu na Suíça; os Estados Unidos (maior economia do mundo) surgiu como nação a partir de colonos puritanos; a Coréia do Sul, de maioria presbiteriana, é uma nova potência asiática graças à dedicação de seu povo. Quando se fala em acúmulo de capital e trabalho intensivo, estes, e outros países de maioria protestante, provam tal teoria. No entanto, nos escapa um detalhe.

“Em parte, por causa desta postura bem-pensante, todo o movimento evangélico frequentemente foi condenado pelos progressistas como reacionário, míope, irracional e até mesmo imoral. Entretanto, esse menosprezo casual é profundamente injusto, se considerarmos o movimento como um todo. Ele reflete um tipo de intolerância às avessas, às vezes um fanatismo às avessas, dirigido contra dezenas de milhões de pessoas que na realidade se envolveram cada vez mais na luta contra a pobreza e na defesa da justiça global.” (NICHOLAS D. KRISTOF, The New York Times).

Avaliar uma comunidade como avarenta, presa ao mundano e material, simplesmente por seu esforço e dedicação, é analisar de forma rasa e pouco relevante; é menosprezar o maior trabalho beneficente entre indígenas, a Missão Caiuá; é fechar os olhos para hospitais, escolas e trabalhos sociais mantidos por Igrejas reformadas. Não se trabalha apenas em causa própria. O trabalho se tornou importante em si mesmo, e isso é dito pelo próprio Webber. Não se trabalha mais para viver, mas vive-se em prol do trabalho.

Racionalização da fé? Realmente aconteceu, inevitável! As pessoas passaram a ler a Bíblia, que foi traduzida do latim, primeiramente por Lutero. A missa não precisa ser um ritual em uma língua que poucos entendem, mas um momento de reflexão. Minha fé não está mais sobre o padre, que me diz o que devo orar; nem sobre as tradições, que não se sabe de onde surgiram exatamente. Eu deposito agora toda a minha fé em Deus. Não aquele de quem eu ouço falar, mas aquele que eu mesmo conheço através das escrituras. Minha fé não é mais uma crença cega. Hoje eu posso estudar e obter conhecimento diretamente com a fonte. Racionalização, sim. De acordo com Laurentino Gomes, em sua obra 1822, nos Estados Unidos da América, colônia protestante, o analfabetismo era combatido inclusive entre os escravos; enquanto no Brasil, no mesmo período, apenas 1 em cada 10 habitantes sabia ler. Ler, estudar aprender, crescer. Verbos comuns para os reformadores.

A Confissão de Fé de Westminster é o grande marco teológico da reforma protestante. Webber em sua obra cita algumas de suas passagens, mas não ressalta sua importância. Não se trata apenas de um documento histórico, mas de uma síntese de toda a fé reformada, feita pelos homens mais instruídos da época. Nela se estabeleceu um padrão, uma visão bíblica comum a todos que diziam pertencer a linha Calvinista. A Confissão de Fé prova que a reforma não ocorreu por uma luta política com o Vaticano, ou um pensamento econômico divergente do pensamento papal. Trata-se de uma divergência teológica, interpretativa. Através dela, buscou-se libertar toda a antiga fé católica das tradições e rituais alheios às escrituras.

Agora sim, boa noite!

Max Weber, por meio da ética protestante, intenta em explicar o espírito do capitalismo. É sabido que a doutrina católica condena a usura, dessa forma, é notório que o pensamento predominante na Europa nessa época é herdeiro dessa moral cristã. Logo, embora a Reforma Protestante tenha obtido um alcance significativo, seria tão provável que em alguns anos ela fosse capaz de transformar uma mentalidade milenar?

O capitalismo não nasceu ou se beneficiou do advento do protestantismo, visto que a causa deste foi de caráter religioso. A explicação mais plausível é que o europeu começara a mudar suas concepções e, consequentemente, o capitalismo começara a se desenvolver. Weber traz um exemplo de um produtor que comprava tecidos de camponeses e vendia os produtos a intermediários, os quais os revendiam aos consumidores. Tempos mais tarde, os produtores, para aumentar os lucros, mudaram o método de comercialização: transformaram os camponeses em operários, dispensaram o serviço dos intermediários e forneciam diretamente os produtos aos fregueses conforme seus gostos e necessidades. Para tal transformação, fez-se dispensável a ética protestante como princípio explicativo.

Como fora citado anteriormente, a moral católica condena a usura, entretanto, de forma alguma se opõe ao enriquecimento proveniente do trabalho honesto e digno. Não é verdade que o católico prefere "dormir sossegado", pois uma vez que também é capitalista, irá racionalizar seus investimentos. A mentalidade do europeu passou por uma transformação durante a decadência do feudalismo e o surgimento do capitalismo comercial, quando a economia de subsistêcia deixou de ser predominante em detrimento do lucro.

É inconcebível dissociar o protestante do católico, pois segundo o próprio Weber afirma " O fabricante que se opuser por longo tempo a essas normas será inevitavelmente eliminado do cenário econômico, tanto quanto um trabalhador que não possa ou não queira se adaptar às regras, que será jogado na rua, sem emprego." O espírito do capitalismo está além da ética protestante, caso contrário eu ( católica) preferiria dormir sossegada a discutir esse assunto a essa hora da madrugada.

Adequando religião ao modo de produção

As Reformas Religiosas do Século XVI, das quais surgiram as linhas protestantes tem suas causas e êxitos pautados em interesses de burgueses (encontrar uma religião que apoiasse o acúmulo de capital, a valorização do trabalho...), nobres (queriam tomar as terras da Igreja Católica), e reais (Igreja submissa ao Estado). A análise sociológica presente em"A ética protestante e o espírito do capitalismo" de Weber nos alerta para o fato de que os homens nem sempre se movem pelos valores da classe social que fazem parte, há elementos dos mais variados que estão impregnados nos indivíduos e que os dispõe a agir de um ou de outro modo além do fator econômico,sendo este apenas uma dessas dimensões, assim como a cultura, a tradição e a religião, porém aquele que combina seus valores às conveniências do modo de produção inserido obtem maior probabilidade de glória.
Ao comparar as sociedades católicas e protestantes sob a égide do capitalismo, Weber conclui que as últimas introduzem-se melhor nessa realidade e deselvolvem-se mais; na medida em que a moral católica condena a prática da usura, afirma que somente através da fé e de boas ações se alcançará a salvação, faz apologia a pobreza, ao sofrimento"dos fracos e oprimidos é o reino dos céus", à culpa "essa é a cruz que eu carrego", nega a vida presente em nome da futura....Enquanto que a moral protestante assegura que a vocação é a providência divina, que é através do trabalho que se atinge a realização pessoal e a salvação, glorificando-se à Deus, sustentando práticas capitalistas...logo a religião agrada e se conforma de acordo com interesses políticos e sociais.



domingo, 14 de agosto de 2011

A fé desenvolvendo a economia

TEMA: CAPITALISMO – A RACIONALIZAÇÃO DA FÉ?

A Reforma religiosa introduziu uma nova forma de conceber a economia, cuja importância os próprios protestantes não perceberam imediatamente, sendo hoje o que se chama capitalismo. A análise de Weber mostra que esta introdução do capitalismo não obedeceu inicialmente a uma motivação econômica, porém religiosa, ou seja, o desenvolvimento da economia não depende necessariamente de transformações internas a ela, mas estas podem ter uma fonte externa.

É relevante observar que naqueles tempos os valores religiosos eram predominantes, sendo que eles não determinaram apenas a ética, mas também a conduta prática da vida em todos os domínios, inclusive no da economia.

Sabe-se que a crescente racionalização da vida é um dos temas centrais do pensamento sociológico de Max Weber. O capitalismo introduziu essa racionalização na vida econômica. Com efeito, as convicções religiosas são determinantes no estilo que inauguraram na economia.

Weber estabelece uma relação entre a crença religiosa protestante e a prática de um racionalismo econômico, e a partir disso vai construir o que denominou de espírito do capitalismo, através do qual busca explicar o caráter racional da economia capitalista.

No protestantismo, a relação da religião com o mundo terreno é profundamente modificada e a salvação vai ser centrada na intensidade da existência do indivíduo nesse mundo. Assim, nessa nova religião, a partir de Lutero, e na versão desenvolvida por Calvino, ela passará a encorajar um comportamento econômico particular: a profissão torna-se, perante Deus, um dever, uma vocação, uma prova de fé. Tal modo de viver difunde-se ao longo de toda a Europa e América do Norte pregando um comportamento de busca do lucro.

Em outras palavras, Weber quer explicar o processo de racionalização principalmente como um desenvolvimento de uma orientação religiosa única e particular ao mundo de Lutero e Calvino. Esse conceito na concepção do pensamento social de Max Weber, uma vez que na obra desse autor, a racionalização ocupa um lugar central, sendo, portanto, um dos conceitos mais importantes para a compreensão de sua sociologia.

Economia superando a religião

Em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Max Weber, propõe-se a relação entre essa nova vertente religiosa e a nova proposta de sistema econômico.

Com o fim da Idade Média, a moeda passou a ter sua circulação aumentada gradativamente no ocidente. A diferença consiste no modo de ver o dinheiro. Com o passar do tempo, o dinheiro, para muitos investidores, passou a ter um único fim: produzir mais riquezas. Entende-se que para o autor, assim a união citada acima foi essencial.

Antes, com o domínio do pensamento católico, os burgueses eram acusados de cometer a usura [por exemplo, ao cobrarem juros em empréstimos estariam valorando o tempo, apesar de este não pertencer a ninguém. Aqueles que emprestaram o dinheiro, contudo, argumentavam que cobrariam apenas o que poderiam ter obtido caso houvessem investido o valor emprestado]. A chamada "ética protestante" teria sua importância ao não condenar o pensamento de acúmulo, pelo contrário, este é considerado uma virtude. Trabalhar é o meio da salvação e gastar o mínimo possível para juntar cada vez mais seria uma meta.

Esse ganhar mais e mais presente por onde se fosse vai, aos poucos, parecendo não só natural como essencial, ao que o autor diz na página 21: "É uma obrigação [dever do indivíduo em relação à carreria] que se supõe que o indivíduo sinta em relação ao conteúdo de sua atividade profissional (...)". A economia moderna capitalista mostrar-se-ia " como uma ordem de coisas inalterável, na qual ele [o indivíduo] tem de viver" e, aquele que se opusesse seria "eliminado do cenário econômico".

Ao dizer que "o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto", não pude deixar de pensar em darwinismo econômico. Seriam os protestantes os mais aptos nessa história?

Começaria a pensar na supervalorização da religião em questão para a sobrevivência do capitalismo. Ao falar do tradicionalismo com o exemplo de aumentar o preço pago por tarefa realizada, na página 24, podemos ter inicialmente uma visão negativa: "o homem não deseja 'naturalmente' ganhar mais e mais dinheiro, mas viver simplesmente como foi acostumado a viver e ganhar o necessário para isso". Poderíamos pensar em qualidade de vida - se já temos o necessário para sobreviver, para quê continuar trabalhando em demasia e deixar de curtir o lazer, a família? Seria uma "teimosíssima resistência desse traço orientador do trabalho pré-capitalista. E ainda hoje encontra, e por mais atrasadas que sejam as forças de trabalho (do ponto de vista do capitalista) com que tenha de lidar".

Conversar com adeptos de diferentes religiões me fez questionar a crítica pura ao catolicismo, em especial esse medieval, elogiando apenas o protestantismo com a importância ao trabalho. Entretanto, o possível extremismo entendido pode ser positivo justamente por atrair a atenção e buscar reflexão. Porém, não podemos generalizar e entender que católicos não querem enriquecer e que todos os protestantes são os defensores do capitalismo, contribuem para o avanço deste, mas evitam gastos tanto quanto possível.

Ainda seguindo o que pensava, a aversão à obtenção do lucro fora resolvida, o que interessava ao ideal burguês, e por isso o protestantismo merece destaque na superação do pensamento condenatório, permitindo com que chegássemos ao capitalismo atual independente da religão - ou perguntamos qual igreja o dono da loja frequenta ao comprar?



imagem extraída de: http://www.hermesfernandes.com/2009_02_01_archive.html; acesso: 14/08/2011 às 23h20

Integrados? Acho que não!!!

Max Weber expõe na obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” que a criação e afirnação do Capitalismo deve-se a forma como novas religiões tratavam esse recém criado movimento econômico e lidavam com a fé e com o materialismo. Tais religiões derivavam do Protestantismo e firmavam suas teses no lucro e no bem estar social e do corpo material. Dessa forma, inicio minha crítica expondo de maneira rápida o assunto. Weber diz que a racionalização do homem alterou sua visão no âmbito religioso e por isso a melhor aceitação a acumulação do dinheiro e que aqueles, do Ocidente, que se arraigaram às questões protestantes “comiam bem” ao invés de “dormirem sossegados”.

Essas são visões puramente científicas ao meu ver, de modo que não concordo com a maioria das pregações do autor. Posso, por vez, ter minhas ideias levadas pela religião Católica, a qual fui criada, mas penso que não há exceções entre nós.

Católicos preferem a pobreza e o reino dos céus, enquanto os Protestantes preferem suas moedas e fartura terrena? Creio que não. Misturar religião e economia pra quê? São coisas extremas e que não são dependentes uma da outra. Sou católica, defendo o capitalismo e nem por isso conflituo os dois na minha vida. Não faço voto de pobreza, não me abstenho de bens materiais, mas ajudo minha comunidade da maneira que posso. Acredito naquilo que me fortalece, não misturo racionalismo com fé. Meu Deus é real pra mim e vive no meu consciente e inconsciente, independente daquilo que outros pregam e combatem. Independente, principalmente, se sigo ideais capitalistas ou comunistas.

Além disso, muitas pessoas que seguem religiões de bases protestantes, posso afirmar de maneira convicta, não pregam somente o lucro ou a acumulação de bens materiais. São pessoas religiosas, que creem fielmente naquilo que independe da razão.
Acredito que aqueles que pretendem acumular mais e mais ou procuram riqueza na frugalidade da vida são a hiprocrisia do mundo... “Sou ateu, graças a Deus”.

Talvez eu possa estar errada em algumas partes ou então ser interpretada como “quem é você pra combater Weber?”. Mas minha “ira” se baseia naquilo que pregam mediante pesquisas que não se encaixam com o objeto estudado. Religião e racionalismo são antagônicos. Posso respeitar as opiniões alheias sobre o Catolicismo ou o Protestantismo, mas generalizar seus seguidores e caracterizá-los de acordo com o sistema econômico são maneiras desprezíveis de opinar sobre o assunto.

Podemos ser a favor de qualquer sistema econômico e pregar e seguir qualquer religião... Ser Protestante não significa ser ganancioso. Da mesma forma que ser Católico não significa ser beato.

Dinheiro em detrimento da fé?


Antes de entrar na discussão de fato a respeito do capitalismo, Weber diz que é imperioso levarmos em conta a realidade histórica e social da época investigada para assim entendermos o real significado do ''espírito do capitalismo''.A descrição desse espírito é feita a partir de um documento no qual constam famosas frases capitalistas, como a máxima ''tempo é dinheiro''.Além disso é notável a presença da religião e do questionamento sobre a fé na obra de Weber, comumente relacionando-as com o sistema capitalista e suas influências e comparando-as com esse sistema.

Nessa nova era capitalista vivida pelo autor, a ética ''da moda'' era ganhar mais e mais dinheiro-o summum bonum- independentemente do modo, classe ou instituição e dessa forma o homem passa a ser um fantoche do dinheiro e possuí-lo seria sua única finalidade na vida.Nesse contexto nem a Igreja estava imune aos atos e influências capitalistas, ora cobrar enormes quantias pela salvação é prova disso, portanto é questionável o verdadeiro intuito dessa instituição: visa ao bem social ou à arrecadação para o próprio bem individual e capitalista?É óbvio que o autor não pondera tal assunto diretamente-até porque em sua época tal fato seria suicídio devido ao poder eclesiástico-, porém relaciona o capitalismo à perda de poder e fiéis por parte da Igreja e tal fato ocorre pois, na visão de Weber, as pessoas imbuídas do espírito capitalista tendem a ser indiferentes à Igreja, e isso nada mais é do que o capitalismo em detrimento da fé.

Ao longo do texto o capitalismo parece crescer e tomar forma, acarretando no final a afirmação de que o sistema não precisa mais do suporte de qualquer força, seja ela política, religiosa,...enfim, ele torna-se independente como uma criança que aprende a andar.O capitalismo passa então a querer ser o centro das atenções-como um adolescente- e quem não se adapatar ao seu modo de vida e às condições de sucesso será marginalizado, sobrepujado: ''o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto'', teríamos aí uma relação de Darwin e capitalismo, o que parece extremamente plausível-o mais apto sobrevive.

Por fim, o capitalismo mudou drasticamente a vida de toda uma sociedade, alterando hábitos familiares e de trabalho, tornando a aquisição e o lucro a satisfação social e não mais a fé.Podemos dizer que com sua ascenção o capitalismo desbancou a supremacia da Igreja - por alterar condutas e pensamentosao redor do mundo- e por conseguinte a fé também diminuiu, chegando ao ponto da indiferença com a Igreja e da submissão ao dinheiro.Ainda hoje o capitalismo reina, e apesar de sua crises cíclicas não parece estar perto de sua morte, logo ele é o adulto que governa hábitos, culturas e todo o planeta, pois praticamente inexiste quem não esteve, esteja ou vai estar sob sua grande influência.

Pedágio

Max Weber, em sua obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, em especial no segundo capítulo, discorre a respeito da evolução deste sistema ao longo do tempo. De início, faz a seguinte observação: o impulso de ganhar dinheiro – a auri sacra fames – não é exclusivo do capitalismo, uma vez que existia em tempos remotos (como exemplo, Judas Iscariotes ‘vendeu’ informações sobre Jesus por algumas moedas, ou então, como o próprio autor exemplifica: médicos, apostadores, mendigos possuem tal vontade). Nem mesmo a troca ou o comércio são caracterizadores dele, mas o espírito do capitalismo liga-se à ideia de racionalização, ou seja, à dinamização racional do investimento utilizada de modo a obter maior lucro, a enriquecer. Como base para essa afirmação, Weber cita alguns fatores que confirmam esse ponto de vista: a separação dos bens da empresa em relação aos bens do indivíduo; o impulso dado a ciências e técnicas revertidas na aplicação prática; a estrutura do direito como ferramenta a dar segurança às atividades capitalistas, além da disposição do homem em adotar essa conduta.

Em convergência a esse fato, Max destaca a reforma protestante, a qual, segundo ele, teria sido o ponto chave para essa racionalização: influenciando ainda mais a vida dos seguidores, tornou o acumular com o fim em si mesmo sinônimo de virtude e eficiência. Essa nova ‘ética’, por conseguinte, teria sofrido um embate, uma resistência de um tradicionalismo, associado à doutrina católica, que veria essa conduta como desonesta, um desvio de caráter. Dessa forma, relata: “O católico é mais quieto, tem menor impulso aquisitivo, prefere uma vida a mais segura possível, mesmo tendo menores rendimentos, a uma vida mais excitante e cheia de riscos, mesmo que esta possa lhe propiciar a oportunidade de ganhar honrarias e riquezas. Diz o provérbio ‘coma ou durma bem’. Neste caso, o protestante prefere comer bem, e o católico, dormir sossegado” (WEBER, Max. pg 23). Assim, para o autor, o católico seria acomodado com sua situação, e o protestante preocupado simplesmente com o seu enriquecimento.

Diante disso, coloco-me contrário à posição de Weber. Primeiramente, informo que se a Igreja fora contrária a princípios capitalistas, como a usura, isso decorre da cautela que tem para que se evite que o avanço se sobreponha ao ser humano. Ou seja, impedir que o homem seja despido de sua dignidade. Com a consolidação do capitalismo e por vivermos nesse sistema, por sua vez, observa-se então que tal lucro é necessário, não há como o negar. Ademais, é extremamente saudável ao homem trabalhar, garantir seu sustento e realizar-se no que faz. Isso não quer dizer que deve acomodar-se em sua situação, adotando a lei do mínimo esforço para viver sossegado. Pelo contrário, deve ocupar sua função exercendo o melhor de si, podendo almejar uma melhor condição de vida, enriquecendo, sem ferir os demais. Além disso, se não aceitasse riscos, não se doaria a missões (cuidado a aidéticos na África, por exemplo), à preocupação com o próximo, as quais não possuem nem fins lucrativos.

Quanto a esse último exemplo, devo mencionar inclusive as missões evangélicas que possuem objetivos muito semelhantes. Nisso, portanto, outro ponto questionável é a afirmação de que protestantes focam-se no enriquecimento em si, quando na verdade, o que se vê não corresponde a tal fato: há preocupação com uma formação ética (presente, por exemplo, no âmbito universitário), aplicação e defesa de valores do cristianismo em diversas áreas como na política, na educação, no dia-a-dia.

Divergindo dos aspectos que apresentei, no entanto, há indivíduos que se denominam cristãos mas que, na verdade, defendem uma espécie de “prosperidade” monetária como valor fundamental. Munidos de um discurso convincente, manipulam fieis a doarem seus bens e, por fim, apropriam-se das doações: destinam-nas a empresas, construção de mansões, aquisição de bens próprios. Tal fato sim, caracteriza um domínio da fé por uma razão baseada em interesses capitalistas, de modo frio e calculista, o que não se compactua com nenhum valor cristão.

Dessa maneira, não se trata da combinação de fé e razão, que leva a um equilíbrio do ser (como disse o saudoso João Paulo II, a fé sem a razão é cega, a razão sem fé leva ao caos); mas na irracionalidade de se colocar ‘pedágios’ interesseiros no caminho do fiel, fato que tanto o catolicismo, quanto o protestantismo consideram lamentável.

Um burguês barroco.

Até a baixa Idade média, os âmbitos social, político e religioso eram bem definidos com classes e pessoas pré determinadas para ocupar tais postos.
Somente certas castas participavam ativamente da política e o social dividido em três estamentos mantinha - se indiscutível através da legitimação religiosa. O homem era obediente à uma crença cuja finalidade era ressaltar nada além da grandiosidade divina. Prova disso é o sentimento introspectivo e de pequenez quando se entra em uma igreja medieval.

O burguês, portanto, é uma pessoa atormentada, barroca, que obteve o poder material mas que não obteve o consentimento da Igreja. É uma pessoa dividida, que a todo momento se indaga: devo seguir a Deus ou ao dinheiro? Moralmente a burguesia afastara - se da Igreja. E para esta, o burguês era uma pedra no sapato que jamais conseguiu engolir.

Assim, a lógica protestante tinha o terreno fértil para germinar.O burguês jamais abriria mão de seus juros, ao mesmo tempo em que se via moralmente indigno perante a ética católica. Surge uma ética protestante regada de axiomas dialéticamente reversos aos católicos. A ética econômica não se infiltrou na ética protestante, ela germinou junto, como ideia central, justamente porque foi criada sob medida ou adaptou - se à certa realidade de classe. Era como se a religião agora alcançasse o patamar horizontal legitimando o burguês.

Para Weber então, o alheamento das coisas mundanas, típico da moralidade católica, já não impedia o burguês em seu empreendimento material.

Aplicando a observação de Weber ao Brasil, é bem comum ouvir no sudeste que as pessoas no nordeste são preguiçosas ou que não têm a mesma dinamicidade característica da vida no sudeste e sul brasileiros.Claro, muitas são as diferenças a começar pela linguagem e por extensão, as religiosas. O nordeste brasileiro possui poucos protestantes, uma região, portanto, profundamente marcada pelo tradicionalismo. Não querendo dizer que por serem de maioria católica, eles estejam optando pela vida tão simples a que vivem e que sabemos poucas características. O que há, diferentemente do que há no sudeste, é uma aceitação de suas condições, as quais concluo, influenciada pelo tradicionalismo religioso da região.

Desespero, ansiedade ou tentativa de manusear o tempo, características típicas das regiões metropolitanas brasileiras não se apresentam em outras, como exemplificado na música do cantor Fagner, Último pau de arara:

''(...)Só deixo o meu Cariri
No último pau-de-arara
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocoalho
Pendurado no pescoço
Vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude (...)''

Assim, concluo, classes sociais ou nichos continuam a existir, identificados como um mesmo grupo por terem características próximas ou comuns. Contudo, nunca deve ser desconsiderada, principalmente na investigação sociológica, a carga valorativa, muito mais por esta nunca ser a mesma e por constar em diferentes culturas.

Der Geist Des Kapitalismus

"O homem é dominado pela produção de dinheiro, pela aquisição encarada como finalidade última da sua vida. A aquisição econômica não mais está subordinada ao homem como meio de satisfazer suas necessidades materiais."
Na obra "Die Protestantische Ethik Und Der Geist Des Kapitalismus'' (A Ética Protestante E O Espírito Do Capitalismo), mais propriamente no segundo capítulo, ''Der Geist Des Kapitalismus'' (O Espírito do Capitalismo), Max Weber entende o regime capitalista como um embate cultural e convida seus leitores a analizar a história sub variadas ópticas, jamais satizfazendo-se com o materialismo histórico : '' No estudo de qualquer problema da história universal, um filho da moderna civilização européia sempre estará sujeito à indagação de qual a combinação de fatores a que se pode atribuir o fato de na Civilização Ocidental, e somente na Civilização Ocidental, haverem aparecido fenômenos culturais dotados (como queremos crer) de um desenvolvimento universal em seu valor e significado.O mesmo ocorre com a força mais significativa de nossa vida moderna : o Capitalismo.''.Para Weber, o capitalismo distingüe-se do ''impulso para o ganho'', uma vez que este sistema econômico encontrou a contribuição, na sua formação, de inúmeros outros fatores.Quanto à idéia de que o regime e a ''ânsia do lucro'' se confundem, ele é claro : ''A superação dessa noção ingênua de capitalismo pertence ao ensino do jardim de infância da História da cultura.O desejo de ganho ilimitado não se identifica nem um pouco com o capitalismo, e muito menos com o 'espírito' do capitalismo. O capitalismo pode até identificar-se com uma restrição, ou, pelo menos, com uma moderação racional desse impulso irracional. De qualquer forma, porém o capitalismo, na organização capitalista permanente e racional, equivale à procura do lucro sempre renovado, da 'rentabilidade'''.O autor defende que a racionalidade é elemento imprescindível para a existência e manutenção do capitalismo.Ele, todavia, não despreza o alicerce econômico do regime : ''A organização industrial racional, orientada para um mercado real, e não para oportunidades políticas ou especulativas de lucro, não é, entretanto, a única criação peculiar do capitalismo ocidental. A moderna organização racional da empresa capitalista não teria sido viável sem a presença de dois importantes fatores de seu desenvolvimento : a separação da empresa da economia doméstica, que hodiernamente domina por completo a vida econômica, e, associado de perto a este, a criação de uma contabilidade racional''.Ele também destaca as contribuições jurídicas e científicas (sobretudo das ciências da natureza) para o amadurescimento e perpetuação do capitalismo : ''A forma peculiar do moderno capitalismo ocidental foi, à primeira vista, fortemente influenciada pelo desenvolvimento das possibilidades técnicas. Sua racionalidade decorre atualmente de maneira direta da calculabilidade precisa de seus fatores técnicos mais importantes. Implica isso principalmente numa dependência da ciência ocidental, notadamente das ciências matemáticas e das experimentalmente exatas ciências da natureza. Entre os fatores de importância incontestável, encontram-se as estruturas racionais do direito e da administração. Isto porque o moderno capitalismo racional baseia-se, não só nos meios técnicos de produção, como num determinado sistema legal e numa administração orientada por regras formais''. Weber reconhece também a importância da racionalização do próprio ser humano.O espírito do capitalismo, sintetizado na citação introdutória, é também o resultado de uma ética própria e convencional ao sistema.O sociólogo acredita que esta ética tem sua origem no que denominou de ''protestantismo ascético''. Sob esta denominação ele incluiu algumas correntes protestantes, das quais trata com certa atenção. São elas : o Calvinismo (corrente na qual ela mais se detém), o Pietismo, o Metodismo e as Seitas Batistas. Ao mencionar cada corrente, o autor enfatiza os aspectos de tais doutrinas que ele considera responsáveis pela criação da ética capitalista.Com relação ao Calvinismo, ele nota : ''O Calvinismo foi a fé em torno da qual giraram os países capitalisticamente desenvolvidos - Países Baixos, Inglaterra e França - as grandes lutas políticas e culturais dos séculos XVI e XVII. Por isso, para ele nos voltamos em primeiro lugar. Desapareceu o Pai Celestial do Novo Testamento tão humano e compreensivo, que se alegra com o arrependimento de um pecador como uma mulher com a moeda de prata perdida que encontrou. Seu lugar é ocupado por um ser transcendental, além do alcance do entendimento humano, que, em seus desígnios inteiramente imprevisíveis decidiu o destino de cada um e regulou os mínimos detalhes do cosmos na eternidade. A graça de Deus, uma vez que seus desígnios não podem mudar, é tão impossível ser perdida por aqueles a quem Ele a concedeu como é inatingível para aqueles aos quais Ele a negou''. A ética do capitalismo pode ser sintetizada nos seguintes axiomas de Benjamin Franklin : ''As mais insignificantes ações que afetem o crédito de um homem devem ser consideradas. O som de teu martelo às cinco da manhã, ou às oito da noite, ouvido por um credor o fará conceder-te seis meses a mais de crédito.Lembra-te de que o dinheiro é de natureza prolífica, procriativa. O dinheiro pode gerar dinheiro e seu produto pode gerar mais, e assim por diante.Guarda-te de pensar que tens tudo o que possuis e de viver de acordo com isto''. Outro aspecto desse embate cultural, para Weber, é a resistência que, por vezes, o capitalismo enfrenta ou entrentou : ''O homem não deseja 'por natureza' ganhar cada vez mais dinheiro, mas simplesmente viver como estava acostumado a viver, e ganhar o necessário para este fim. O capitalismo moderno, onde quer que tenha começado sua ação de incrementar a produtividade do trabalho humano através do incremento de sua intensidade, tem encontrado a infinitamente obstinada resistência deste traço orientador do trabalho pré-capitalista; e, ainda hoje, quanto mais atrasadas estejam (do ponto de vista do capitalismo) as forças de trabalho tanto mais têm de lidar com ela''. Por consegüinte, Max Weber concebe o capitalismo como um embate cultural : ''Entretanto, a origem e a história de tais idéias são muito mais complexas do que supõem os teóricos da 'superestrutura'".

O embate cultural esculpindo sociedades

É evidente que as formações culturais das sociedades até então existentes são a base para o comportamento de seus membros, e para o seu desenvolver histórico. Dentre tais aspectos culturais o homem é fortemente influenciado pelo mítico, pelo sobrenatural, desde as mais primitivas formas vistas em periodos anteriores a escrita, passando pelo politeismo clássico e chegando as crenças religiosas atuais.

Tomando a cultura como base Max Weber em A ética protestante e o espirito do capitalismo, demostra a influência da religião no homem que prefere trabalhar menos ao ganhar mais, e também no homem que segue metódicamente os axiomas de Benjamin Franklin.

Notadamente o capitalismo em sua gênese tem seu espirito altamente liagado a fé protestante. Porém se observarmos o momento atual poderemos ver que a cultura se moldou (sendo esta sua caractesrisca mais natural, mobilidade) e os mundos católico e árabe estão insiridos no capiltalismo de maneira tão competitiva quanto os protestantes, para tanto é necessário apenas observar o que se tornou o mercado do petróleo.

O embate e a mobilidade cultural são fatores que fazem esculpem as sociedades, tal fenômeno não poderia ser diferente com o capitalismo.

"religião secular do trabalho” - Albert Curry Winn

O livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” de Max Weber tem como cerne a compreensão do capitalismo a partir do desenvolvimento da ética protestante, analisando as conseqüências culturais e econômicas decorrentes da reforma protestante.

Faz-se mister, inicialmente, depreender a respeito do movimento protestante, cujo surgimento deu-se com a Reforma, iniciada por Martinho Lutero, como crítica ao Catolicismo. Ressalta-se que essa reforma foi impulsionada tanto por motivos religiosos quanto econômicos e políticos. No que tange ao plano econômico, a ética católica condenava a usura, contraponde-se, portanto, aos preceitos capitalistas. Desse modo, era imprescindível, para a burguesia, a criação de uma nova ética religiosa que se adequasse ao seu espírito capitalista. Tem-se, assim, como resultado, a ética protestante, baseada, principalmente, no conceito de predestinação em que somente Deus decide quem será salvo ou não. Essa doutrina diverge totalmente dos dogmas católicos, pois a salvação do homem não é garantida por suas boas ações.

Todavia, a predestinação expõe o indivíduo a uma angústia constante pelo fato de que o seu destino é imutável. Assim, com o intuito de minimizar o sofrimento do fiel, formulou-se a concepção de que o êxito profissional tornava-se uma conformação da salvação. Infere-se, pois, que a riqueza é o sinal da salvação.

Como um dos resultados dos preceitos protestantes, tem-se a racionalização da vida. Vale ressaltar que há diversas vertentes relacionadas ao protestantismo, tais como: Luteranos, Calvinistas e Puritanos, cada qual com seus ideais. Entretanto, foram os puritanos que integraram a racionalização em seu estilo de vida, a partir da harmonização da vida cotidiana com suas convicções religiosas.

A influência do estilo de vida puritano, centrado na concepção de vocação, dignificação do trabalho, favoreceu o desenvolvimento de uma vida econômica racional e burguesa. Nota-se, pois, que o capitalismo fora, em grande parte, resultado imprevisível e indesejado da Reforma.

Impende ressaltar que o espírito capitalista não decorre pura e simplesmente da persecução do lucro, mas, sim, principalmente da dinamização racional do investimento, decorrente, entre outros fatores da racionalização contábil, resultante da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, conforme previsto, atualmente, na Resolução do CFC nº 750-93, Princípio da Entidade; da racionalização científica, cujo desenvolvimento capitalista está intrinsecamente relacionado à evolução científica, visto que aquele aplica as novas técnicas e conceitos na economia; da racionalização jurídica, na qual foram desenvolvidas estruturas que possibilitassem o desenvolvimento capitalista; e, por fim, a racionalização do homem.

Nesse cenário, surge um embate cultural travado pelo tradicionalismo e o espírito capitalista. O primeiro tem como objetivo principal a sobrevivência enquanto que o segundo baseia-se na acumulação de capital.

Verifica-se, hodiernamente, o predomínio do espírito capitalista. Corrobora-se, tal afirmação, a partir da constatação da própria sociedade. O reconhecimento do sucesso de um indivíduo baseia-se primordialmente em seu sucesso econômico, elaborando-se, para isso, até mesmo um ranking mundial das pessoas mais ricas e, consequentemente, influentes do mundo, o que é um despautério. Ademais, os valores são criados ao encontro desse espírito, ou seja, a valorização da educação não está relacionada, principalmente, com a evolução intelectual e, por conseguinte, espiritual do indivíduo, mas, sim, com o intuito de ampliar as possibilidades de sucesso profissional do mesmo. E mais, a escolha da profissão é pautada na perspectiva de riqueza.

Outrossim, os mercados financeiros, a estrutura jurídica, os valores, as políticas públicas, tudo foi desenvolvido e aperfeiçoado para a intensificação e o progresso do capitalismo. Além disso, os meios de comunicação recrudesceram os ideais capitalistas.

Contudo, a propagação desses ideais contribuiu para o aumento das desigualdades sociais, na marginalização e exclusão dos indivíduos, no aumento da violência, na redução da qualidade de vida pela maior parte da população, entre vários outros aspectos negativos presentes na sociedade.

Impende, portanto, retomar e disseminar novas concepções que favoreçam o aspecto mais humano da sociedade, a fim de reduzir o abismo existente entre os indivíduos. Sabe-se, porém, que tal feito é quase impraticável, haja vista os interesses escusos de uma minoria elitista.