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domingo, 28 de agosto de 2011

Arcaicos e modernos.

Durkheim em seu capítulo três trata, desta vez, da solidariedade orgânica. Se a mecânica é tipica das sociedades pré-modernas como uma expressão colérica, passional da consciência coletiva, ao contrário, a solidariedade orgânica que se manifesta - em tese - em comunidades de maior racionalidade, nestas, o autor diz ser característico a maneira como a restituitividade das penas contribui para a divisão do trabalho capaz de manter a ordem.

De fato e com efeito, no cenário mundial estão presentes diversos exemplos cabíveis à Durkheim. Países onde o arcaico e o moderno convivem ou em outros quais o arcaicaismo se supera e vice-versa.

Serra Leoa, país africano cuja instabilidade é marcante, vive em constante desagregação, com diversas guerras civis, devido à falta de um governo estável e eficaz. "Tal situação foi favorável ao surgimento ou aumento de atos de violência, de corrupção, de desmandos, de práticas clientelistas ou de favoritismos, problemas fiscais, roubos, saques, criminalidade, tortura, enfim, uma situação insustentável" (fonte) a qual, acrescento, beira à anomia. O Direito nos moldes como o conhecemos, não vigora em tal lugar a medida que não consegue atingir a população que vive numa situação tão complexa de desordem que só o que resta pra se defender é o que consegue encontrar. É a completa lei de talião.

Ao contrário, nos países nórdicos - que rankeiam as pesquisas de IDH - temas básicos como saúde, alimentação, segurança, analfabetismo já foram há anos superados ou encontraram uma estabilidade; o Direito também, como fenômeno dinâmico, têm acompanhado tais aclamações. São países que estão partindo para discussões ditas supérfluas para a maioria dos outros e que exportam até a maneira de se fazer o Direito. Pois, estão em outro estágio de desenvolvimento aproximando - se de índices zero.

O Direito pois, como fenômeno social que descansa numa aceitação voluntária humana, se encontra difuso, e consolidado a depender do estágio moral, ético e religioso em diferentes locais.

domingo, 21 de agosto de 2011

Lutar por mim ou pelo social?



Fotos estrangeiras tão emblemáticas como as ao lado apenas extirpam um tipo de fenômeno raro no Brasil: o sentimento de bem público. O que muitas vezes acontece na França ou mesmo na vizinha Argentina poucas vezes toma forma no Brasil – a não ser por minorias momentâneas.

Não há como negar que o individualismo é a bandeira do século. O liberalismo econômico trouxe consigo não só a possibilidade de uma vida pessoal promissora, mas também o medo e a insegurança, fazendo com que as pessoas se voltem exclusivamente para si, num abismo egocêntrico. Assim não é tão difícil ver levantes de grupos distintos defendendo ideais que privilegiam apenas minorias, já que é impossível num país de regionalidades como o nosso se falar de união de forças por um fim público.

Nem é preciso ir longe. Em Franca, há algum tempo, o prefeito decretou que todas as barraquinhas de lanches veiculadas em espaços públicos – ruas, calçadas, etc. – fossem proibidas de continuar nesses locais. (ver reportagem completa). Imediatamente nunca se viu tantas pessoas na câmara dos vereadores de Franca, repetidas vezes, em sua totalidade vendedores de lanches, clamando pela não aprovação do decreto. Pergunta: quantas vezes essas pessoas já haviam ido às seções semanais anteriormente para ao menos acompanhar o que seus eleitos vereadores discutiam sobre as escolas, os hospitais o transporte da cidade? Arrisco-me a dizer que sequer se lembram em quem votaram. É um erro, admito, de todos nós. Mas essa situação só deixa claro o quanto as paixões privadas estão presentes em nosso dia – a – dia. Ou quando somos bombardeados cotidianamente por notícias de corrupção, suficientes para nos contrariar, mas incapazes de nos fazer mover do sofá. Porém, se roubam meu tênis, minha casa, aí sim, defendemos de pronto, a pena de morte. Paixões públicas.

Durkheim, na leitura da semana, discorre sobre essas paixões como resultado de uma consciência coletiva ainda marcada por pontos arcaicos. Ou sobre a racionalização, presente em sociedades mais esclarecidas, que as possibilitam um juízo mais próximo da utilidade. O que falar do Brasil? Um país tão regionalizado a ponto de ser difícil encontrar um consenso econômico, mas que, ao mesmo tempo, esta tão longe do racionalismo, pois encontra dificuldades com questões do tipo a união homoafetiva.

Assim , o que se cria no Brasil, nas pessoas, uma aceitação das condições políticas e por parte dos eleitos, um descaso pela população, em partes por conta de nossas más escolhas eleitorais; Alimentando paixões, cada vez mais, individuais e muito menos as públicas.

domingo, 14 de agosto de 2011

Um burguês barroco.

Até a baixa Idade média, os âmbitos social, político e religioso eram bem definidos com classes e pessoas pré determinadas para ocupar tais postos.
Somente certas castas participavam ativamente da política e o social dividido em três estamentos mantinha - se indiscutível através da legitimação religiosa. O homem era obediente à uma crença cuja finalidade era ressaltar nada além da grandiosidade divina. Prova disso é o sentimento introspectivo e de pequenez quando se entra em uma igreja medieval.

O burguês, portanto, é uma pessoa atormentada, barroca, que obteve o poder material mas que não obteve o consentimento da Igreja. É uma pessoa dividida, que a todo momento se indaga: devo seguir a Deus ou ao dinheiro? Moralmente a burguesia afastara - se da Igreja. E para esta, o burguês era uma pedra no sapato que jamais conseguiu engolir.

Assim, a lógica protestante tinha o terreno fértil para germinar.O burguês jamais abriria mão de seus juros, ao mesmo tempo em que se via moralmente indigno perante a ética católica. Surge uma ética protestante regada de axiomas dialéticamente reversos aos católicos. A ética econômica não se infiltrou na ética protestante, ela germinou junto, como ideia central, justamente porque foi criada sob medida ou adaptou - se à certa realidade de classe. Era como se a religião agora alcançasse o patamar horizontal legitimando o burguês.

Para Weber então, o alheamento das coisas mundanas, típico da moralidade católica, já não impedia o burguês em seu empreendimento material.

Aplicando a observação de Weber ao Brasil, é bem comum ouvir no sudeste que as pessoas no nordeste são preguiçosas ou que não têm a mesma dinamicidade característica da vida no sudeste e sul brasileiros.Claro, muitas são as diferenças a começar pela linguagem e por extensão, as religiosas. O nordeste brasileiro possui poucos protestantes, uma região, portanto, profundamente marcada pelo tradicionalismo. Não querendo dizer que por serem de maioria católica, eles estejam optando pela vida tão simples a que vivem e que sabemos poucas características. O que há, diferentemente do que há no sudeste, é uma aceitação de suas condições, as quais concluo, influenciada pelo tradicionalismo religioso da região.

Desespero, ansiedade ou tentativa de manusear o tempo, características típicas das regiões metropolitanas brasileiras não se apresentam em outras, como exemplificado na música do cantor Fagner, Último pau de arara:

''(...)Só deixo o meu Cariri
No último pau-de-arara
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocoalho
Pendurado no pescoço
Vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude (...)''

Assim, concluo, classes sociais ou nichos continuam a existir, identificados como um mesmo grupo por terem características próximas ou comuns. Contudo, nunca deve ser desconsiderada, principalmente na investigação sociológica, a carga valorativa, muito mais por esta nunca ser a mesma e por constar em diferentes culturas.