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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Um tipo-ideal do eleitor brasileiro e a sua consequente ação social

  No Brasil da atualidade não é desconhecido que por anos houve um enorme esforço para a desmoralização e descrédito da política, levando a eleição deputados e senadores, além do presidente, que se denominam antipolítica e com discursos, evidentemente falsos, sobre anticorrupção, moral, religião e respeito à coisa pública, valores altamente demandados no cenário político dos últimos anos. A partir disso, dois questionamentos podem ser feitos: por que e como os eleitores agem dessa forma contraditória. 

Através da ferramenta weberiana do tipo-ideal, será possível iluminar a questão do porquê de tal ação dos eleitores. O brasileiro médio entende a política como um grande esquema de corrupção que visa a extorsão da população para o benefício da classe política, a qual opera pelo Congresso Nacional, cuja destinação é concentrar todo tipo de saqueador. Por meio da politização do judiciário, até mesmo a cúpula da Justiça Federal passa a ser vista pela população como uma entidade destinada a trair a população em nome da própria ganância ou de interesses estrangeiros, tal como os "comunistas". No campo na política externa, vêm os Estados Unidos como uma nação amiga e aliada do Brasil, a China como arquirrival, a Argentina como a nação acometida pelos adeptos do Comunismo. Já a figura do político se trata de um indivíduo vil, malicioso e mandrião, o qual não merece respeito e nem dignidade justamente por se tratar dessa personalidade destinada a corromper, desviar e prejudicar a nação. 

Dito isso, estabelece-se um tipo-ideal que se encaixa de forma genérica à grande parte dos eleitores dos dias de hoje. É necessário que se diga que o povo brasileiro, na média, é um povo bastante carente de formação intelectual em todos os aspectos (história, política, português...), logo são facilmente manipuláveis, sobretudo quando se é um trabalho consistente, frequente e intensivo, tal como foi visto na última eleição. Além disso, os escândalos de corrupção dos últimos anos foram fatores grandemente relevantes para a formação caricata da política na mentalidade do povo, aliadas a notícias falsas propagadas em massa, campanhas de arruinamento de reputação, demonização de partidos políticos (com a criação de tipo-ideais concebidos para desinformar). 

Com todos esses fatores, embasados nesse tipo-ideal, deduz-se uma parcela do questionamento de como tais eleitores agem dessa forma. Pode-se inferir que foi criada a concepção na mentalidade brasileira uma ação social determinada racionalmente por valores. Ação social porque o voto é uma ação que é orientada, neste caso, pelo comportamento de homens e mulheres públicos que estão situados na extrema-direita, que tentam ludibriar o eleitor para a efetivação de seus valores antidemocráticos, assim como se vê corriqueiramente nos noticiáriostal como senador corruptor, deputado que apoia o fechamento do Congresso, entre outros casos. Já pelos aspectos dos valores que determinam essa ação, são todos aqueles que são todos aqueles altamente demandados supracitados e que constam em todos os discursos antissistema. 

Portanto, é imperioso tratar dessa contradição do eleitor brasileiro, que acredita ter feito uma boa escolha nas eleições de 2018, contudo o que se vê na realidade política é exatamente o oposto daquilo que o brasileiro quis. Se não tratada adequadamente, o quadro eleitoral de 2022 se repetirá, e aqueles que foram eleitos na última eleição tornarão a ganhar novos mandatos. Além disso, a elaboração de diversos tipos-ideais será extremamente útil para a percepção da política interna, o que poderá ser guia para a interpretação das ações sociais das pessoas e, por conseguinte, corrigir os erros que os democratas vêm cometendo nos últimos anos. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Empreenda-te

Escultura: Self Made Man (bronze, EUA). Bonnie Carlyle.

Em suas análises sobre o capitalismo ao final do séc. XIX, Max Weber (1864-1920) distingue o empreendedor do burguês. O burguês propõe-se ao lucro, à acumulação, à exploração e a um propósito qualquer ou fugaz; o burguês é um tipo social com resquícios do período feudal. Já o empreendedor é fruto da sociedade capitalista; ele tem disposição para o trabalho, age com racionalidade e competência e atua de acordo com uma ética. São indivíduos específicos e determinados a desempenhar o papel do novo capitalista. 

Naquele momento, o empreendedor de Weber enfrentava as adversidades que o ambiente mantido pelos burgueses impunha aos que representavam qualquer ameaça ao status quo. A ameaça do empreendedor era a necessária reinvenção que o capitalismo exigia de todos. O empreendedor que insurgia e se estabelecia era elevado à categoria de herói. A ideologia clamava pelo engajamento ao capitalismo. 

A crise do Estado do bem-estar social trouxe uma valorização ainda maior da importância do empreendedor em um capitalismo de mercado. As supostas benesses do livre mercado estão envoltas em um discurso por um indivíduo autônomo, o self made man que, para Benjamin Franklin, é “quem tem caráter, trabalha, trabalha e trabalha, vence”, um tipo gerador de inovação e de riquezas. O discurso em prol do empreendedorismo é ampliado. 

A importância desse tipo especial de capitalista é tamanha que o próprio Estado estimula o engajamento das pessoas. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) busca fortalecer a cultura empreendedora no Brasil. Para isso, o seu discurso é pela ação do próprio indivíduo em busca da satisfação de suas necessidades. Para tanto, promove palestra que difundem a cultura empreendedora, dá consultoria a pequenos empresários e ministra alguns cursos como o Empretec, que nas palavras do próprio Sebrae consiste em: “metodologia que proporciona o amadurecimento de características empreendedoras, aumentando a competitividade e as chances de permanência no mercado”. 

A “permanência no mercado” atinge aquele trabalhador que está desempregado e não encontra mais realocação em um mercado de trabalho cujas relações estão cada vez mais desfavoráveis ao trabalhador. O Estado se nega a intervir nessa relação em prol do trabalhador, mas apresenta supostas soluções como se todos os indivíduos tivessem o atributo empreendedor latente, bastando “o amadurecimento de características empreendedoras”. 

Na abordagem atual, o empreendedor é o indivíduo que se torna empresa, sem distinção entre trabalho e sua vida privada no livre mercado. 

domingo, 21 de outubro de 2012

Realidade x idealização


    Sabe-se que a fertilidade presente, a qual se vivencia na dimensão dos direitos e liberdades individuais, tiveram sua origem nos ideais iluministas. A ‘revolução’ estava carregando o novo, uma nova realidade, um novo ‘código’ que superaria por completo o antigo e uma nova dinâmica para a realidade. Um direito racional surge, mas sem abandonar por completo um tipo de bem valioso, não à sociedade da época, mas ao homem em geral: os valores.
  Sim, a realidade mudou muito, mas não abandonou por completo velhos padrões que convivem até hoje na sociedade. Os valores permanecem, de forma a garantir os interesses de uma classe e garantir os de outra na medida em que for conveniente á primeira. O direito formal – posto pela classe dominante – em choque com os direitos individuais.
  O embate produz uma mescla que impregna a realidade com um contraste duro, o qual envolve as pessoas na busca por compreensão da dinâmica social. Ele se resume no resultado da equação entre o capitalismo e as revindicações da sociedade, entre o direito puramente racional e o direito natural. Não há mais racionalidade cartesiana pura, mas sim mistura e disputa de direitos individuais, de seus valores agregados; de interesses concorrentes.
  Com base nisso, não se pode esquecer que todos os aspectos da realidade moderna estão embebidos nesse ‘conflito’ e que seus fatores devem ser levados em conta. Se as discussões acerca de assuntos tangentes às ações político-sociais antes de começarem levassem em conta como as coisas realmente funcionam¸ que tudo é parte de um jogo de interesses¸ se compreenderia que uma coisa é o que idealizamos e outra o que interessa àqueles que têm de agir. Uma coisa é o que a sociedade tem por justo, legítimo, responsável, digno e por outros valores tantos; outra completamente diferente é o conjunto de aspectos que buscam as pessoas que governam ou àquelas que criticamos por qualquer motivo que seja.
  Não se deve através dessa compreensão se colocar ‘fora’ da realidade e dos acontecimentos das coisas, ou se tornar indiferente – a indiferença que tanto trata a música Solo Le pido a Dios, interpretada por Mercedes Sosa -, mas deve-se ter consciência de como a dinâmica realmente é e não como gostar-se-ia que ela fosse.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desencantamento do Mundo


Weber entenderá a modernidade através do conceito da racionalização. Quanto ao direito não podemos falar somente da racionalização do ponto de vista cientifico, devemos falar da racionalização que tenha como pressuposto uma orientação prática e aquela qual o direito tem como mais intensa, a racionalização formal, que considera as ações e seus efeitos a partir do calculo racional.

A sociedade moderna pode ser chamada de sociedade do contrato. A racionalidade jurídica do contrato substitui toda uma gama de procedimentos “não racionais” (pactos de sangue, juramentos) pela forma jurídica racional, que não está interessada em dimensão outra do indivíduo senão aquela que estabelece o compromisso com o que prescreve o contrato, ou seja, a personalidade jurídica do indivíduo.

As ideias que temos de propriedade mudam, não existindo entraves que não os econômicos para seu acesso. A terra não tem mais perspectiva de produtividade social. Mesmo que permaneça na letra da lei uma ideia de função social da terra, é cumprida através do pagamentos de impostos, entre outros meios. Através dessa mesma “engenharia jurídica” que responde ao cumprimento de função social da terra é que o capitalismo pode prosperar e o mercado se dinamizar.

A doutrina filosófica do liberalismo que sucede ao capitalismo cederá a liberdade jurídica àqueles que detêm o poder econômico, não sendo mais necessário uma condição de sangue, mas apenas a condição econômica. Não existem mais obstáculos à liberdade do contrato, sendo que a modernidade expulsa quaisquer outras formas não econômicas dessa perspectiva.

domingo, 24 de junho de 2012

Ação

"Point to the sky then point to the ground/ certain things can't be defined/ Scream at the gears that turn them around/ Can't escape pass all fallen time" 
Klippa


A formação de um indivíduo em uma sociedade é um processo complexo, visto que é ele produto de múltiplos valores que são nele engendrados desde seu nascimento. Todas as suas ações seriam então resultado dos valores a sua disposição. Para chegar à objetividade social Weber então desvendará todos os fatores que implicam na ação humana.
Preocupava-se com a ascensão da ideia marxista para estudos sociais, que aplicaria pré-noções e determinismos ante a pesquisa, o dogma do econômico. Dedicou-se portanto ao estudo das diversas dimensões do pensamento social, como a religião, a cultura, o direito, a sociologia e também a economia, para poder assim entender quais os valores que movem o indivíduo e combater o dogmatismo na ciência.
Esse combate se dá pois, ao atribuir-se um dogma, uma causa única a um fato científico, elimina-se também a necessidade de sua explicação. Não cabe à ciência ditar o que os atores sociais deverão fazer, mas somente a compreender os fatos que estão sendo analisados, sem neles interferir, buscando suas raízes mais profundas.
Concluirá em seus estudos que as ações de um indivíduo poderiam então se dar por diversas razões: influenciada pelas tradições locais ou culturais; tomadas em momentos de alta emoção, onde não cabe a racionalidade; relacionadas à algum valor que se possui ou que se quer defender; ou tomadas com vistas a determinado objetivo.

domingo, 14 de agosto de 2011

Um burguês barroco.

Até a baixa Idade média, os âmbitos social, político e religioso eram bem definidos com classes e pessoas pré determinadas para ocupar tais postos.
Somente certas castas participavam ativamente da política e o social dividido em três estamentos mantinha - se indiscutível através da legitimação religiosa. O homem era obediente à uma crença cuja finalidade era ressaltar nada além da grandiosidade divina. Prova disso é o sentimento introspectivo e de pequenez quando se entra em uma igreja medieval.

O burguês, portanto, é uma pessoa atormentada, barroca, que obteve o poder material mas que não obteve o consentimento da Igreja. É uma pessoa dividida, que a todo momento se indaga: devo seguir a Deus ou ao dinheiro? Moralmente a burguesia afastara - se da Igreja. E para esta, o burguês era uma pedra no sapato que jamais conseguiu engolir.

Assim, a lógica protestante tinha o terreno fértil para germinar.O burguês jamais abriria mão de seus juros, ao mesmo tempo em que se via moralmente indigno perante a ética católica. Surge uma ética protestante regada de axiomas dialéticamente reversos aos católicos. A ética econômica não se infiltrou na ética protestante, ela germinou junto, como ideia central, justamente porque foi criada sob medida ou adaptou - se à certa realidade de classe. Era como se a religião agora alcançasse o patamar horizontal legitimando o burguês.

Para Weber então, o alheamento das coisas mundanas, típico da moralidade católica, já não impedia o burguês em seu empreendimento material.

Aplicando a observação de Weber ao Brasil, é bem comum ouvir no sudeste que as pessoas no nordeste são preguiçosas ou que não têm a mesma dinamicidade característica da vida no sudeste e sul brasileiros.Claro, muitas são as diferenças a começar pela linguagem e por extensão, as religiosas. O nordeste brasileiro possui poucos protestantes, uma região, portanto, profundamente marcada pelo tradicionalismo. Não querendo dizer que por serem de maioria católica, eles estejam optando pela vida tão simples a que vivem e que sabemos poucas características. O que há, diferentemente do que há no sudeste, é uma aceitação de suas condições, as quais concluo, influenciada pelo tradicionalismo religioso da região.

Desespero, ansiedade ou tentativa de manusear o tempo, características típicas das regiões metropolitanas brasileiras não se apresentam em outras, como exemplificado na música do cantor Fagner, Último pau de arara:

''(...)Só deixo o meu Cariri
No último pau-de-arara
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocoalho
Pendurado no pescoço
Vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude (...)''

Assim, concluo, classes sociais ou nichos continuam a existir, identificados como um mesmo grupo por terem características próximas ou comuns. Contudo, nunca deve ser desconsiderada, principalmente na investigação sociológica, a carga valorativa, muito mais por esta nunca ser a mesma e por constar em diferentes culturas.

Quanto é suficiente?

"A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" é uma interessante fonte de discussões acerca do capitalismo e dos fatores que possibilitaram e contribuíram para o seu surgimento. Max Weber faz uma análise histórica, opondo duas maneiras distintas de se considerar o trabalho e as relações entre o homem e a economia: o tradicionalismo, característico da sociedade pré-capitalista, e o espírito racionalista presente no capitalismo moderno. O tradicionalismo seria uma forma mais simples pela qual os homens regiam suas atividades econômicas, sendo o objetivo principal a sobrevivência, e não o lucro ou a acumulação. Por outro lado, o espírito que surge com o capitalismo moderno, embasado num outro tipo de "ética", é o de ganhar mais e mais, mesmo já se tendo o suficiente. Weber utiliza uma série de citações de Benjamin Franklin para representar essa concepção ("tempo é dinheiro", "crédito é dinheiro", etc), nas quais podemos identificar também a defesa de virtudes como a honestidade, a pontualidade e a frugalidade. Mas na verdade essa ética que Franklin defendia não passava de mero utilitarismo, visto que elas seriam virtudes apenas enquanto fossem úteis ao ser humano, ou seja, enquanto possibilitassem a aquisição.

De fato, mesmo na atualidade, podemos observar o caráter subjugador do capitalismo: a possibilidade de lucro acaba por deslumbrar os homens, que terminam numa situação de inferioridade em relação ao sistema. É evidente a maneira como o mercado força o homem a se envolver em suas relações, quase impossibilitando a existência do pensamento tradicionalista na nossa sociedade. Mas será que o homem é ganancioso por natureza? Será que essa necessidade de ter cada vez mais é intrínseca ao ser humano? E, se for o caso, essa vinculação está relacionada à satisfação das nossas verdadeiras necessidades? Essas questões são controversas, e delas extraímos o "embate cultural" que o capitalismo representa e que Weber aponta.

O autor também analisa esses aspectos do ponto de vista religioso. Segundo sua concepção, o protestantismo estaria intimamente relacionado ao sistema capitalista, tendo exercido grande influência na sua estruturação. Na doutrina católica, qualquer possibilidade de lucro era condenável, ao passo que o calvinismo, por exemplo, favorecia a atividade econômica racional e chegava a estimulá-la, dando-lhe um caráter ético positivo. As práticas econômicas não eram vistas com bons olhos pela Igreja, sendo apenas toleradas. Alguns, depois da morte, chegavam a deixar doações à Igreja como maneira de garantir a salvação e livrar-se do pecado do lucro. Entretanto, é importante ressaltar que o capitalismo não necessita mais do suporte de forças religiosas para se manter. Não se trata de uma questão religiosa, e sim da difusão de um pensamento, um "espírito de acumulação", como o próprio Weber sugere, que atua como causa do capitalismo, e não uma simples consequência. E no centro dessa nova organização econômica está o embate cultural entre os pensamentos anterior e posterior a isso. Trazendo essa discussão para a atualidade, podemos questionar o porquê, por exemplo, de darmos tanto valor a uma boa educação e formação; muitos diriam que a finalidade máxima é conquistar um bom lugar na sociedade, desempenhando uma profissão que possibilite principalmente luxo e riqueza, em detrimento de gratificação e até mesmo felicidade pessoal. É preciso reconhecer que, para a maioria, o suficiente simplesmente não é mais suficiente, e isso nos é transmitido até pela mídia. É esse aspecto que Weber questiona em sua obra, procurando entender a maneira como o capitalismo atuou nessa nova organização e se foi realmente o "culpado" por vivermos num ambiente essencialmente condicionado pelo aspecto econômico. Estaria o tradicionalismo já extinto na nossa sociedade? E mais, se o único objetivo da vida é o trabalho em si mesmo, qual é o limite dessa ideia? Será que vocação e trabalho se manifestam em nós apenas enquanto necessitamos deles, ou enquanto persiste o desejo de acumulação? Por fim, será que amanhã vamos querer mais do que hoje?

(Postagem embasada no tema 2 - Capitalismo: um embate cultural?)

domingo, 26 de junho de 2011

O Método "Ideal"

A ação social é determinada por um sentido e movida por valores, sendo que a função essencial da sociologia é a compreensão do sentido desta ação.

Weber critica a concepção materialista da história e sua característica dogmática. Para o autor, não se deve bastar de uma análise superficial da economia intervindo na sociedade e a determinando, e se satisfazer com essa explicação. Ele alerta ainda que é necessário repelir este conceito enquanto concepção de mundo para não se acomodar com o mesmo, tendendo a não aprofundá-lo, pois em alguns aspectos, o marxismo acaba por criar dogmas para serem universalmente aceitos, mesmo sem ter uma comprovação prática ou válida.

O autor também se utiliza do conceito de objeto sócio-econômico, no qual, a qualidade de “econômico” está ligado à necessidade da subsistência humana. Assim, para Weber, o objeto sócio-econômico é aquele que possui tal característica econômica (condicionamento econômico) e que tenha certa relevância econômica-social.

No que concerne à ação social do indivíduo, Weber classificou em quatro tipos: Ação racional com um objetivo, Ação racional com relação a um valor, Ação afetiva ou emocional e Ação tradicional (apoiada em hábitos e costumes). Desse modo, embora haja uma grande subjetividade neste juízo de valor, alguns valores sociais permanecem como paradigma social, coordenando as ações sociais até certo ponto.

Em uma análise sociológica, Weber critica o uso de “leis”, sobretudo as generalizantes, para conclusão do estudo de uma sociedade, principalmente pelo fato de que agindo dessa maneira, se perderá a análise da causa da ação individual e consequentemente a compreensão dos acontecimentos sócio-culturais. Para Weber as “Leis” são meios e não fins de uma análise sociológica.

Finalmente, tratando do “Tipo Ideal” de Weber, que é uma ferramenta metodológica para análise, seu conceito é basicamente uma acentuação de uma característica do objeto/ação analisada, de caráter utópico e não real (não é o padrão a ser atingido), para servir de análise comparativa e empírica com os fatos reais.