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domingo, 19 de abril de 2015

Descartes e o Direito Brasileiro

      
     Os pensamentos de Descartes fundamentaram-se basicamente no método dedutivo  e na busca da ciência com objetivos práticos,É considerado o percursor da ciência moderna..  Seu racionalismo foi ferramenta fundamental para que a burguesia pudesse financiar e implementar, gradativamente, o capitalismo e um novo tipo de sistema social.
      Embora o método DEDUTIVO  tenha sido  abalado pelo INDUTIVO ( empirismo) de Bacon,  o alcance da ciência com objetivos práticos é amplamente difundido e atual.Nas Ciências Jurídicas, pode-se apontar  o PROCON como exemplo
     O modelo jurídico brasileiro é por  muitos criticado por seus Juízes e Tribunais não discutirem o fenômeno jurídico como um fenômeno científico ,não se preocupando em formular o desenvolvimento de uma teoria científica, que garanta a legitimidade da interpretação.Seus debates ,majoritariamente, são profundamente legalistas, sem qualquer utilização de uma rigorosa metodologia e sem a devida construção de um conteúdo de conceitos e  princípios a serem utilizados nas práticas jurídicas. Isto pode ser explicado pelo  excessivo número de recursos e reformas sentenciais.
   O ordenamento jurídico, em sentido amplo, baseia-se no rigor da meritocracia e legitimidade da propriedade privada, resultado da implementação do método cartesiano, ,utilizado nas ciências da natureza e transportado para as ciências humanas.Entretanto, o filosofo Wihelm Dilthey opõe-se  a utilização dos mesmos métodos para ambas, uma vez que fatores como moral, princípios  e outros , das ciências humanas devem ser ponderados ,observando que a finalidade das ciências naturais  seria a explicação da realidade e das ciências humanas  , da realidade histórico social do homem.
   Sob essa perspectiva, apesar das pesadas críticas , o Direito Brasileiro tem sido uma das poucas ciências que têm conseguido discutir com a sociedade  uma outra essência da realidade- epistemologia- ,tratando sobre assuntos alheios à simpatia  do "senso comum" da maioria.,levando em conta  aspectos como os citados por Dilthey, na relação  cotas raciais e o aspecto histórico social, além de outros em relação ao casamento de homossexuais, aborto de anencéfalos,etc.

Eduardo Guercia- Aula 2-Direito Noturno

Crítica ao Método

‘’ O Discurso do Método’’ de René Descartes aborda uma ideologia referente à dúvida como motor da razão, ou seja, a partir de indagações e questionamentos o ser humano atinge o entendimento dos fatos via o método cartesiano sendo, portanto, mecanicista. Para os filósofos antigos a razão tinha como objetivo contemplar o mundo, diferentemente dos modernos, como Descartes, cuja função da razão implica no processo civilizatório por meio das práticas cotidianas.
            Devido ao fundamento cartesiano, Descartes visava distinguir a verdade do erro em todos os campos do saber. ‘’Toda ciência é conhecimento certo e evidente’’, escreveu ele. ‘’Rejeitamos todo conhecimento que é meramente provável e consideramos que só se deve acreditar naquelas coisas as quais não se pode haver dúvidas’’ (Citado em Garber - 1978).
Segundo o autor: ‘’enfim, que estejamos despertos, quer dormindo, jamais devemos nos deixar convencer exceto pela evidência de nossa razão, de maneira alguma de nossa imaginação ou de nossos sentidos. Porque, apesar de enxergarmos o sol bastante claramente, não devemos julgar por isso que ele seja do tamanho que o vemos (...)’’. Desta forma é possível concluir que o senso comum é regido pelo raciocínio, porém resulta em conhecimentos superficiais. Para maior proximidade da verdade é necessário o uso não apenas da razão, mas também de pesquisas (método).
Na obra ‘’O Ponto de Mutação’’ de Fritjof Capra, o autor afirma que Descartes estava equivocado quanto à verdade plena a respeito de ciência, uma vez que a ‘’física do século XX mostrou-nos de maneira convincente que não existe verdade absoluta em ciência, que todos os conceitos e teorias são limitados e aproximados’’ (p.53). A crença mecanicista sobre a verdade é utilizada ainda nos dias de hoje na cultura ocidental, haja visto sua influência nas descobertas na ciência moderna e os impactos sociais resultantes, como por exemplo, o método ter sido um dos agentes responsáveis na instauração do atual desequilíbrio cultural.
Descartes era um matemático e acreditava que a compreensão e o estudo científico deveriam ser por meio de relações matemáticas exatas, diz ele: ‘’Não admito como verdadeiro o que não possa ser deduzido, como a clareza de uma demonstração matemática, de noções comuns cuja verdade não podemos duvidar. Como todos os fenômenos da natureza podem ser explicados desse modo, penso que não há necessidade de admitir outros princípios da física, nem que sejam desejáveis’’.
É interessante notar que, apesar de Descartes ser categorizado como cartesiano, a sua crença em Deus fere um de seus princípios mais importantes; a comprovação de sua existência. ‘’Para Descartes, a existência de Deus era essencial à sua filosofia científica, mas, em séculos subsequentes, os cientistas omitiram qualquer referência explícita a Deus e desenvolveram suas teorias de acordo com a divisão cartesiana, as ciências humanas concentrando-se nas res cogitan e as naturais, na res extensa.’’(O Ponto de Mutação p.57).

Juliete Araujo Zambianco
1º ano - Direito Noturno
Introdução à Sociologia - Aula 02


Métodos e funções

De que vale a pesquisa se não utilizada como ferramenta para melhorar a vida do homem?René Descartes,físico,matemático e filósofo francês declara guerra à filosofia meramente contemplativa dos antigos e dos místicos.Para Descartes,de nada valiam as homeomerias de Anaxágoras,as definições pitagóricas sobre a construção do universo em números ou os seres de Parmênides e Heráclito.Eram conceitos encontrados sem método e desprovidos de qualquer função à vida nos burgos,o novo cerne da sociedade do século XV.Método e função foram duas palavras que ganharam nova dimensão com a obra de Descartes.Não mais o saber estaria a mercê de alma e amor,apenas da fria razão.

Para as ciências jurídicas,a certeza é fundamental.Pautada no princípio do habeas corpus,o jurídico não pisa em falso,deve caminhar firme sobre documentação e evidências,garantindo uma resolução justa e correta baseada no método vigente.Na maioria dos inúmeros microcosmos sociais,a relação do homem com o homem ou com o ambiente ao seu redor deixa seu caráter de observação para assumir uma postura de controle,racional,prezando pela sobrevivência e optimização da vida.Como em um plano cartesiano,tudo pode ser pautado com números,coordenadas e dados,com abscissas e ordenadas.Perde-se um pouco da fé e da magia,sacrificadas em nome da verdade.A ciência moderna enterra o idealismo da alquimia e as caçadas esotéricas para seguir um rumo mais próspero e concreto.




                                                                                                        Diego Franco Veloso
                                                                                               1o Ano Direito(Noturno)
                                                                                                     Introdução à Sociologia, aula 2

Novo Edifício, Novo Mundo.

‘’ O pai da Filosofia Moderna’’ como é reconhecido, René Descartes escreveu uma das obras mais intrigantes e renomadas da história da literatura, O Discurso do Método. Nele, Descartes discorre sobre seu conflito a cerca do conhecimento cientifico e filosófico que aprendera no colégio de La Fléche e na universidade de Poiters, enquanto estudara como aluno. Essencialmente racionalista em seu pensamento, o autor afirmava que deveria reconstruir o edifício do saber, pois percebeu que todo conhecimento assimilado não poderia ser defendido pela razão, ou seja, era frágil e inseguro, por isso necessitava de ser questionado e duvidado.

Seu objetivo era encontrar a verdade para a construção do conhecimento seguro. Para isso, as verdades filosóficas tradicionalistas e imprecisas deveriam sair da base do edifício e dar lugar a um novo método matemático que por meio dele garantiria que as verdades fossem indubitáveis e assim, precisas e seguras. O Plano Cartesiano revolucionou a matemática e a filosofia, pois possibilitou que as verdades fossem evidentes e impossíveis de se duvidadas.

Além disso, a criação do método cartesiano com o intuito de encontrar a verdade facilitou o levantamento do edifício. As regras da análise, da síntese, da evidência e da enumeração são tijolos importantes para esse processo.

A Partir de todas essas premissas, Descarte finaliza o seu pensamento colocando em duvida tudo aquilo que era considerado como certo. Assim, ele questionava o conhecimento empírico, as realidades do mundo e de si mesmo e ele duvida até das verdades matemáticas, conhecimento que para ele era indubitável. Após isso, Descartes conclui que todo conhecimento deve ser duvidado, exceto o fato de que se pode se duvidar da duvida, ou melhor, do pensamento. Dessa maneira ele encerra sua obra com uma das frases mais emblemáticas e antológicas da historia da filosofia moderna. Cogito, ergo sum – Penso, logo sou. Portanto o filosofo evidencia para o mundo que se o homem deixa de pensar, ele deixa de existir.

Nesse aspecto, a cultura burguesa que estava emergindo nesse cenário do século XVI e XVII, se aproveitou desse contexto racionalista moderno inaugurado pelo Descartes e abraçou esses novos paradigmas. A partir desse momento, ela questionava, indagava e argumentava com intuito de enriquecer e modificar as relações sócias da época, influenciando não só o seu presente, como também o seu futuro.E é com essa obra prima que René Descartes se eternizou na história e abriu portas para a construção de um novo mundo.

Arthur Resende Guimarães
1° ano Direito Noturno

Introdução à Sociologia, aula 2

Cogito ergo sum: a dúvida hiperbólica e o racionalismo cartesiano.

É necessário que ao menos uma vez na vida você duvide, tanto quanto possível, de todas as coisas.” René Descartes.

Nascido em 1596, René Descartes vivenciou o período chamado de Revolução Científica, onde se consolida a separação de ciência e filosofia. Marcada pela Renascença, a sociedade da época encontrava-se mais cética a respeito da possibilidade de um conhecimento genuíno.

Nesse contexto sociocultural, o britânico Francis Bacon publica seu Novum Organum, propondo um novo método para a ciência, baseando-se principalmente no raciocínio dedutivo e em aplicações práticas. Descartes apreciou muito a obra de Bacon pela intenção de expandir o conhecimento e a investigação do mundo. Contudo, discordou fortemente do método estabelecido por Bacon. Assim, em seu Discurso do Método, Descartes apresenta suas ideias para a construção de uma nova forma de organização científica do conhecimento.

Com o objetivo de tornar suas crenças estáveis, Descartes então estabelece o método conhecido por “dúvida hiperbólica”, deixando de lado toda e qualquer ideia cuja verdade possa ser contestada. Ao submeter suas crenças a argumentos cada vez mais céticos, Descartes “salva” apenas duas: Deus e a matemática. Isso porque seriam as únicas crenças cabíveis no conceito de “inatismo”, ou seja, ideias naturalmente nascidas à mente dos homens.

Tal ideal de inatismo traduz a profunda confiança de Descartes na razão ou bom senso, que seria um bem universalmente partilhado dentre os homens e responsável por todo conhecimento seguro. Dessa forma, inaugura a corrente filosófica conhecida por Racionalismo, que viria a ser a oposição à corrente filosófica que Bacon já se enquadrava, o Empirismo.

 A grande questão que Descartes enfrentara ao adotar a dúvida metódica como instrumento de verificação do saber, contudo, seria sua própria existência. Como provar que a existência é real? Santo Agostinho, no início do século V, afirmara em sua obra De Civitate Dei (“A Cidade de Deus”) ter certeza de sua própria existência, pois, se estivesse errado, isso em si provaria sua existência. Ou seja, para estar errado é preciso existir. Por essa mesma lógica – mesmo que desenvolvida distintamente – Descartes supera esse bloqueio e formula a primeira certeza do método: “Penso, logo existo”, fundamental para sua investigação.

O rigor metódico e a reverência pela razão constituem o maior legado do autor. Muitos dos filósofos que o sucederam tiveram em suas ideias traços marcadamente cartesianos, como Bento de Espinosa e Gottfried Leibniz. Mesmo Immanuel Kant, que um século depois refutava Descartes, adota a primeira certeza cartesiana como cerne e início de seu idealismo transcendental em Crítica da Razão Pura. 

Lívia Armentano Sargi
1° ano - Direito (diurno)
Introdução à Sociologia, aula 2.



                                 Tênue Fronteira

  Ser racional. Um dos atributos mais valorizados entre o meio social e, entretanto, poucos o possuem. Descartes, com sua metodologia, há tempos colocou a razão como o cerne da humanidade. Para o filósofo, a imaginação é enganosa e tudo o que é guiado pelos sentidos é passível de dúvida. Contudo, apesar de valorizar esse pensamento,a sociedade atual aproxima-se a cada vez mais da filosofia do hedonismo,trocando a lucidez pela busca ao prazer.
  De fato,a valorização demasiada de bens materiais,o cultivo à aparência e a busca do prazer corporal são atitudes já habituais.O corpo é adorado e a alma,distinta deste e essência do ser humano,é esquecida.Exemplo da dissociação com as ideias de Descartes pelo coletivo é o crescimento do ateísmo.Para o pensador,Deus -o ser ideal- é a manifestação da perfeição suprema,Dele o homem recebe tudo o que possui e Nele os corpos fracos e não dotados desse bem subsistem.Portanto,com o afastamento dessa ideologia,os homens tornam-se ainda mais imperfeitos,imersos em uma  existência deplorável.

  A razão é a fronteira que separa o homem dos animais.Com ela é possível adentrar parte da perfeição e decifrar a ignorância.Porém,como o corpo social encontra-se a cada vez mais distante desse ideal,pregando o culto a coisas dispensáveis,essa fronteira tornou-se ainda mais tênue,aproximando os humanos a seres que estes se vangloriam de dominar.

Cibele Lasinskas Machado
1º ano- Direito noturno
Introdução à Sociologia, aula 2.

Descartes e seu discurso

  René Descartes era, inquestionavelmente, pensador à frente de seu tempo. Com sua proposta de criar um novo método de conhecimento e, portanto, de enriquecer sua razão, questionou valores antigos e ciências até então tidas como absolutamente verdadeiras, resultando em um direcionamento mais correto de seu pensamento.
  Era questionador incisivo da filosofia tradicional, por essa ser objeto de discussão intensa e ter caráter duvidoso. Consequentemente, as outras ciências, pela base na filosofia clássica, já não satisfaziam sua sede de saber, forçando-o a desenvolver seu método. Com ele, chegou à conclusão que questionar e praticar toda erudição obtida era uma forma de deixar de lado a ignorância e pensamentos dados como falsos, trazendo felicidade ao “espírito elevado” e valorizando a razão científica, com o objetivo de transformar e dominar a natureza ao seu redor, conceito pareado com o então mundo burguês emergente.
  Descartes sequer confiava nos sentidos e na imaginação, que, segundo ele, poderiam facilmente se desvirtuar da realidade. Temos, então, a razão como essência humana e o pensamento claro e distinto como o correto. Tudo isso, segundo o pensador, só poderia advir de um “ser superior e infinito”, Deus, que daria ao ser humano, portanto, a capacidade de racionalizar e ter noções e ideias perfeitas. 
  Rompendo com o tradicional e lançando algo totalmente novo, René Descartes revolucionou para sempre a ideia de nossa existência.

Arthur Augusto Zangrandi
1º ano - Direito noturno
Aula 02
Podemos duvidar nos dias atuais?

A ciência moderna teve ascensão após críticas de René Descartes sobre a filosofia antiga em meados do século XVII. Em sua obra “Discurso do Método”, o filósofo pretende mostrar como conduziu seu método para aumentar de forma gradativa o conhecimento, ou seja, alcançar a razão (ou verdade).
Seu método propõe romper com o conhecimento tradicional e se basear no conhecimento racional, se utilizando da razão para transformar e dominar o mundo, além de criar meios para que o conhecimento tenha utilidade e seja produtivo. Acredita também que o conhecimento é a base do conhecimento futuro, e que devemos deixar de lado todo e qualquer sentimento e pré-noção, levando em consideração apenas o conhecimento atingido pela razão (e não transmitido por demonstrações e hábitos). Com a célebre frase “Eu penso, logo existo”, Descartes afirma que sua essência é baseada apenas no pensar, não necessitando de lugar nem coisa material.
Duvidar é o princípio fundamental de seu método; devemos rejeitar o senso comum e atingir a razão científica pormenorizando nossos questionamentos. Para Descartes, o limite para a dúvida era Deus (seu alicerce, sem ele cairia no abismo), o qual não provou sua existência, mas racionalizou-a. Ele acreditava que todo seu conhecimento havia sido “colocado” por um ser superior e mais perfeito que ele, possuidor de todo o conhecimento. Atualmente esse pensamento nos parece um pouco contraditório, mas na época, Descartes o seguia como verdade.
Compartimentar o conhecimento, conduzir do mais simples para o mais complexo e fazer relações entre as partes são os outros princípios básicos da razão científica. Devemos aplicar essas verdades nos dias atuais: ao duvidar de questões que nos parecem verdades absolutas e analisar as situações de maneira crítica, atingiremos à verdade com base na razão. Uma situação muito atual em que essas verdades poderiam ser aplicadas é a discussão nas redes sociais sobre a redução da maioridade penal no Brasil. Pessoas sem o menor conhecimento utilizam argumentos vagos para defender ideais que nem sempre são seus, criando discussões sem fundamento. Ao aplicar a dúvida cartesiana, as pessoas se libertariam do senso comum, e poderiam definir o que é melhor para o país.

Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino
Introdução à sociologia - Aula 02

sábado, 18 de abril de 2015

Racionais?

  A sociedade contemporânea se define como extremamente racional, embasando todo o seu conhecimento no uso da razão e da experiência, como o proposto por René Descartes em sua obra "O discurso do método". Porém, a afirmação de que os seres humanos hoje encontram-se em seu estado mais racional pode ser questionada se analisarmos criticamente as dinâmicas sociais. É possível observar que a maior parte da sociedade não busca refletir frequentemente sobre aspectos fundamentais de nossa existência, contentando-se em seguir qualquer ideologia proposta, atuando como massa de manobra para políticos, partidos, mídias e celebridades.
  Para Descartes, a razão era inata a todos os homens, no entanto, a dúvida era parte essencial da caminhada rumo ao conhecimento, porque ao questionar tudo que era considerado verdade absoluta, o homem buscaria o motivo de tais crenças, aprimorando, assim, sua sabedoria. Contudo, na cultura atual, onde a razão é cultuada e venerada, a dúvida se tornou um princípio elitizado, sendo vista pela maior parte da população como algo que só cabe aos grandes intelectuais e pensadores. A camisa do senso comum é vestida pelas pessoas sem o menor questionamento, por ser mais fácil utilizá-la que procurar um embasamento para criar as próprias opiniões, reflexões, ideologias e conhecimentos, é mais fácil trilhar o caminho já desbravado que se embrenhar por trilhas desconhecidas.
  Desse modo, é paradoxal ver como a sociedade afirma ser racional, mas despreza os métodos sugeridos por um dos expoentes do racionalismo. Caracterizando, assim, a hipocrisia na qual todos os sistemas são embasados, mostrando que a razão só é considerada boa se leva ao conhecimento as pessoas favoráveis às instituições, mídias e governos, enquanto os opositores, reais ou potenciais, devem ser mantidos na ignorância. Ou seja, cabe que sejamos uma comunidade apenas parcialmente racional. 

Giovana Galvão Boesso
1º ano- Direito diurno
Introdução à Sociologia, aula 2.

Manipulação Midiática

    A imprensa é um importante mecanismo de comunicação, contudo, nota-se uma crescente propagação da manipulação daqueles que só têm por base a opinião alheia. Esses equívocos seriam minimizados caso a população fizesse uso dos métodos cartesianos desenvolvidos por René Descartes, conforme difundido no "Discurso do Método".
    Um exemplo bastante relevante e emblemático foi o caso da Escola "Base", instituição de ensino infantil, que foi vítima de uma mídia sensacionalista e de uma investigação despreparada que atribuiu culpa a um crime não cometido. O caso ocorreu em 1994, seis pessoas foram acusadas de pedofilia, dentre elas estavam os pais de um aluno, os motoristas da van escolar e os donos do colégio. Mais tarde, depois de uma averiguação minuciosa foi constatada a falsidade das acusações, mas já era tarde, a mídia já havia feito a sepultura da idoneidade daquelas pessoas e do local de ensino, o qual veio a falência.
    Apesar desse caso e de inúmeros outros, mais recentes, capazes de provar que somente a mídia sensacionalista e irresponsável não é o instrumento mais adequado para a formação de opinião, a população ainda se baseia de forma ardilosa nesses veículos.
    Essa forma de pensar das pessoas, bem como a forma de agir da mídia, baseiam-se no senso comum, sendo contrárias ao método cartesiano. Esse método prega o conhecimento em quatro enfoques, sendo eles: o do questionamento, ou seja, a não aceitação de algo como verdade absoluta; o da repartição das dificuldades com o intuito de melhor solucioná-las; o da investigação mais simples para a mais complexa, e por fim, enumerações completas com o propósito de verificar que nada foi omitido.
    Dessa forma, seguindo esses preceitos estabelecidos por Descartes, haveria menos julgamentos infundados, diminuindo a perversidade midiática que fere de modo indiscutível a vida de inocentes.

Ariane do Nascimento Sousa
1° ano Direito Noturno
Introdução à Sociologia- Aula 2.

Razão Científica x Razão Contemplativa

René Descartes, viveu na época em que ascendia uma nova classe social: a burguesia. Tal fato levou o autor em o Discurso do Método a estabelecer uma crítica aos antigos filósofos, os quais baseavam-se em um conhecimento meramente contemplativo, em uma razão contemplativa. Para Descartes, a vã contemplação do mundo não seria capaz de gerar empreendimentos úteis para burguesia em ascensão e, além disso, o conhecimento empírico fatalmente nos induziria ao erro, pois este cria pré-noções do mundo através de raciocínios superficiais. A razão, para o filósofo, deveria possuir um caráter transformador. E, em função disso, buscou elaborar um método para que se pudesse chegar a razão científica, a qual seria capaz de estabelecer um domínio sobre o conhecimento. 
Descartes, afirmou ser a razão algo inato aos homens, no entanto, apenas alguém com um conhecimento superior, um ser imutável e perfeito, seria capaz de colocá-la dentro de nós. Racionalizou, com isso, a figura de Deus. O que autor propôs, foi um método capaz de chegar a essa razão intrínseca a natureza humana. 
O método cartesiano tem como premissa a dúvida. " Eu duvido, eu penso, logo existo" , significa ser "o eu" o sujeito último do pensamento, ou seja, o fato de duvidar e pensar é suficiente para garantir a existência humana. Sua segunda parte prevê a divisão do pensamento, em quantas parte forem necessárias, a fim de que possamos conhecê-lo profundamente, no entanto, conduzindo-o a partir das ideias mais simples chegando, pouco a pouco, às mais complexas. E, por fim, efetuar revisões de todo o método a fim de nada ter omitido durante o processo. 
Para Descartes, a ciência moderna deveria duvidar de tudo sempre, não aceitando como verdade definitiva nada que fosse baseado no conhecimento empírico. Parar de duvidar e postular algo como verdade encerraria o ciclo de acumulação de conhecimento, levando os homens à inexistência. Ainda que seu método, após séculos, mantenha-se atual, hoje recebe uma conotação pejorativa, devido a exclusão das perspectivas emocionais, tendo como base apenas a exacerbada racionalização. O que, por muitas vezes, pode resultar em ideias imorais, sem preocupação com o ser humano em si. 

Thais Amaral 
1 ano direito diurno 
Introdução à sociologia - aula 2

Alcance da Razão

     Autor da célebre frase "penso, logo existo", Descartes valorizava a razão suplantada sobre o conhecimento adquirido pela magia, revelação divina ou paixão, por isso baseou seu método (modo como os homens passam a conceber o conhecimento) naquela. Por conseguinte, afirma que a razão é inata ao homem e é necessário o método adequado a fim de alcançá-la. Além de utilizar a dúvida como base para destruição de verdades equivocadas e construção de pensamentos válidos, como declarou "ao destruir todas as minhas opiniões que julgava mal alicerçadas, fazia diversas observações e adquiria muitas experiências, que me serviram mais tarde para estabelecer outras mais corretas."
     Deste modo, no progresso realizado na busca pelo conhecimento da verdade por meio da dúvida como método, Descartes estrutura que o conhecimento é pretexto para adquirir mais conhecimento para um avanço ainda mais profundo da razão. Como consequência, a dúvida torna-se base da razão, ou seja, o ato de duvidar traz ao homem conhecimento e este é necessário ao desenvolvimento da razão.
      Ademais, para Descartes, a racionalidade é a racionalidade com um fim, ou seja, deve haver um propósito na busca pelo conhecimento como o exposto na oposição entre as perspectivas sobre a razão para Descartes e para os antigos. Estes viam a razão como ato de resignação do mundo, enquanto o filósofo percebia a razão como transformadora, uma forma de dominar o mundo, isto é, vencer as forças da natureza para a melhor sobrevivência do ser humano.
     Em suma, o método de Descartes foi o traço marcante do advento da ciência moderna visto que quebrou com os paradigmas de que a verdade seria baseada em acontecimentos míticos e não, na razão. 


 Camila Migotto Dourado
  1º ano Direito diurno
 Introdução à Sociologia - Aula 2

Descartes e a racionalidade da dúvida

  Pertencente a uma época em que o ensino baseava-se na tradição, René Descartes buscou romper com o método utilizado a partir do questionamento e da desconfiança de todas as coisas: a dúvida. Assim, partia-se da racionalidade para conhecer mais sobre si e sobre a sociedade, para poder transformá-la e influenciá-la, mas também sendo diretamente influenciado por ela, por meio da burguesia e da religião.
  Com a obra “Discurso do Método”, Descartes expõe o caminho que utilizou para alcançar a razão, algo que almejava conforme crescia, pois encontrava-se repleto de indagações e imerso em sua própria ignorância, a qual o impedia de analisar o presente. Desse modo, o filósofo francês construiu sua metodologia científica cartesiana para obter a verdade de modo que passasse a questionar todos os preceitos.
  Utilizando-se da racionalidade como um instrumento essencial a seu método, Descartes propõe quatro máximas que fundamentam sua metodologia, sendo elas: a dúvida metódica, a partilha do conhecimento, a compreensão da parte mais simples até a mais complexa e a relação metódica entre essas partes. Todavia, para o filósofo e matemático seria preciso um fundamento último para impor a razão e esta seria, portanto, a existência de Deus. Sendo assim, como tudo provém dessa divindade perfeita, o pensamento já verifica a existência: “penso, logo existo”.
  Desse modo, René Descartes buscou ampliar seu conhecimento através da busca da verdade pautando-se na razão, esta que explicaria o mundo, utilizando sua obra para discorrer sobre sua experiência, podendo assim, sair da superficialidade do senso comum e aprofundar-se no conhecimento que seria decorrente, principalmente, da dúvida.


                                                       Lara Costa Andrade
                                                       1° ano de Direito Diurno
                                               Introdução à Sociologia- aula 2

Racionalização exacerbada

Historicamente, a relação entre o homem e a razão é tema frequente de discussões. É habitual relacionar os períodos em que a humanidade deixou de lado a racionalização do pensamento a períodos escuros e de trevas, em que o conhecimento verdadeiro foi sabotado e monopolizado. Da mesma forma, frequentemente associa-se o uso da razão aos períodos de progresso e desenvolvimento do mundo. O problema é que essa visão foi fortalecida ao longo do tempo, e atualmente observam-se muitas sociedades lutando freneticamente pela racionalização de todas as esferas do cotidiano. No entanto, questiona-se: seria esse, de fato, o melhor caminho a ser seguido pela humanidade?
            Em sua obra O Discurso do Método, René Descartes discorre sobre o uso da razão como forma de explicar o mundo, em um período em que grande parte do conhecimento se embasava em princípios filosóficos e abstratos. Sua intenção era a de indicar que as verdades e concepções obtidas através de quaisquer outros métodos, como a superstição ou a paixão, não seriam sólidas.
Porém, o que se nota no momento atual é que a ideia de racionalização da vida pode ter ido longe demais, atingindo domínios nos quais a passionalidade possui um papel decisivo e extremamente importante – a decisão de constituir uma família, por exemplo, que não muito tempo atrás dependia basicamente do desejo dos envolvidos em fazê-lo, hoje depende muito mais da análise de caracteres econômicos, políticos e sociais. Decisões racionalizadas como essa fazem parte de contextos passionais, e por isso não deveriam somente levar em consideração o pensamento, mas também o sentimento.
            Assim, é possível verificar a necessidade em desacelerar e abrandar a aplicação da razão como solução de todos os problemas – o mundo contemporâneo demanda não somente que o homem seja racional, mas também que saiba lidar com as adversidades de forma humana, de maneira a considerar a vida como muito mais do que um problema matemático a ser resolvido de forma lógica. Mais importante ainda que isso é saber valer-se de cada um dos comportamentos nos contextos mais adequados.
Heloísa Ferreira Cintrão

1º ano – Direito (Diurno)

O eco cartesiano no método dialético: Descartes e Hegel


“A faculdade de julgar bem e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente aquilo que se chama bom senso ou razão, é, naturalmente, igual em todos os homens” (Descartes)

  Descartes afirmava que, para conhecer a verdade, é necessário que coloquemos todos os nossos conhecimentos, até aqueles que consideramos mais incontestáveis, em dúvida. Para tanto, o mesmo elaborou um método calcado na razão, elemento marcante da filosofia desenvolvida durante o século XVII.
  A partir desse método cartesiano (adjetivo que deriva de Cartesius, forma latina do nome Descartes), calcado em princípios matemáticos e sintetizado na obra “O Discurso do método”, é depreendido que o conhecimento na verdade é algo que não resulta de simples percepções sensoriais e sim de uma análise lógica e pré-estabelecida, a fim de que se comprove a veracidade do mesmo.
  Hegel, filósofo da contemporaneidade (segunda metade do século XIX até a primeira metade do século XX), por sua vez, ao estabelecer que as idéias são mutáveis e evoluem com a sociedade, ou seja, têm por fundamento um tempo histórico como determinante de sua racionalidade, reforça o modelo racional das mesmas, pois a dúvida continuaria sendo uma constante do conhecimento apreendido. Por meio somente da contestação, da dúvida, seria possível a evolução das ideias.
 Assim, pode-se observar na teoria de Descartes, um embrião do que seria a dialética de Hegel, pois o estabelecimento da “dúvida” no conhecimento como necessidade para o estabelecimento de verdades remete ao processo dialético, formado pela contraposição de duas idéias, tese + antítese, que daria origem à uma síntese, uma nova ideia.
  Ambos pensadores são adeptos ao pensamento racional e crítico, estabelecendo que apenas a contestação e a constante mudança das ideias são a premissa para o estabelecimento do conhecimento. Descartes ao apresentar a possibilidade de unificar uma forma de se buscar conhecimento permitiu que, séculos depois, Hegel pudesse tentar estabelecer premissas para fundamentar um processo eterno de criação do mesmo.
Conhecimento é pretexto para mais conhecimento, para um avanço ainda mais profundo da razão”.

Mariana Ferreira Figueiredo
1º ano de Direito (Diurno) 
Introdução à Sociologia - Aula 02

Sobre Descartes e o Hedonismo no século XXI

Na contemporaneidade, assumir-se “Cartesiano’ revela uma perspectiva pejorativa de extrema realidade, caracterizando o homem moderno como ávido e calculista. Isso é explicado devido às interpretações do mundo construídas por René Descartes baseadas na razão, no conhecimento não valorativo, liberto de sentimentos e pré-noções, contrariando a filosofia antiga estéril que se baseava em revelações, magias ou paixões. 
Dessa forma, conforme discutido pelo filósofo Jürgen Habermas, em suas obras, devido a utilização da Ciência para chegar à verdade, e não mais do conhecimento filosófico, religioso, ou mágico do universo, o homem contemporâneo sente a falta de um discurso norteador da humanidade, uma vez que, a finalidade de uma crença religiosa, por exemplo, é conduzir o homem a um estado de consciência ou paraíso, enquanto a ciência e a razão desconhecem seus destinos. 
Isso acontece pois, para Descartes, a compreensão sistemática das coisas é infinita, visto que, sempre se pode duvidar do mundo, fragmentá-lo, melhor conhece-lo e alcançar a razão última. Por conseguinte, a ciência fica cada vez mais abstrata e o homem contemporâneo depara-se com um grande vazio interno e o preenche com os pretextos capitalistas do consumo, da aparência, e da busca incansável pela acumulação de riquezas.


Heloísa Leonel Silva
1º ano- Direito Diurno
Aula 02

Descartes: a revolução do método científico e a nova face pragmática da razão


Ao longo do século XVII ascendia a classe social que, para Marx, foi revolucionária em seu caráter de aspirações civilizatórias globais: a burguesia. Não mais apenas empenhando-se na compra e venda comerciais, a burguesia passa a empreender e estender fronteiras na sua busca pelo lucro e acumulação de capitais, erguendo consigo o primeiro sistema econômico de face mundial, o capitalismo. Era preciso, para tanto, que não houvesse limitações geográficas ou biológicas para a extensão dessa civilização global, ou seja, era preciso submeter a natureza aos homens por meio do conhecimento científico, para que estes a dominassem e manipulassem a seu favor.

É neste contexto de racionalidade burguesa que se insere René Descartes, filósofo e matemático francês que propôs-se a analisar e discutir o novo papel da filosofia e da razão na sociedade moderna, compilando em sua obra Discurso do Método as etapas de organização do pensamento científico que lhe permitiram ser conhecido como o pai da filosofia moderna por toda a posteridade. 

Para Descartes, as novas necessidades humanas implicam o abandono do conhecimento meramente contemplativo e reflexivo para a adoção de um metódo científico que permita o emprego da razão prática, que exerça uma função ao homem ou produza algo; conceito também trabalhado por Max Horkheimer, séculos depois, e denominado razão instrumental. Não mais apenas conhecer o mundo, o novo papel a ser desempenhado pela ciência era o de transformá-lo com bases em conhecimentos factuais  e comprovados, daí a rejeição cartesiana a quaisquer ciências sobrenaturais (tais como a alquimia e a astrologia), adornos meramente transcendentais e à própria filosofia clássica que, em suas palavras, “um homem de letras forma em seu gabinete a respeito de especulações”. 

Fazer ciência era, para o filosófo, acima de tudo aproximar-se de Deus, uma vez que conhecer o mundo seria desvendar Sua obra, e, portanto, tal ciência e suas descobertas deveriam ser exatas. Descartes, então, elabora um método científico capaz de concretizar o desígnio divino aos homens e buscar a Verdade; o qual compreende como pilares a Dúvida Hiperbólica - duvidar sistematicamente de tudo e jamais aceitar como verdadeiro algo que não claramente o fosse; a compartimentação dos saberes para uma melhor análise aprofundada de cada parte de um objeto estudado em questão; o procedimento de condução de pensamentos do micro para o macro, em ordem de complexidade; e, por fim, o estabelecimento de relações e revisões metódicas entre os conhecimentos para a constante atualização e aprimoração destes.

É possível afirmar, por fim, que Descartes revoluciona o método científico até então aplicado ao tornar pragmático o emprego da razão, possibilitando à humanidade alcançar maiores avanços e superar mais limites - fossem eles naturais ou sociais - do que haviam feito seus antepassados durante milênios. 

Gabriella Di Piero
1º ano de Direito - Diurno
Introdução à Sociologia, Aula 2


A atualidade de Descartes

Descartes foi o filósofo que,no século XVII,concebeu o homem e seu pensamento como a única e exclusiva forma capaz de operar o conhecimento.Desse modo,o método cartesiano tornou-se um marco,pois colocou o ser dotado de razão em uma posição central.No entanto,apesar de se ter passado vários séculos desde Descartes até os dias atuais,sua obra continua extremamente atual

O contexto histórico, no qual o estudioso viveu e pelo qual foi intensamente influenciado,é marcado pelo início da ascensão  burguesa,quando essa classe social emergente utiliza a razão para impor seu modo de vida ao mundo.Isso resulta do fato de Descartes conceber a razão como um instrumento transformador da realidade;o que é nítido nos dias atuais:vive-se,hoje,na consolidada sociedade capitalista,na qual a razão é agora um meio de manter a hegemonia da cultura burguesa


A sociedade atual está inserida no mundo  globalizado,onde o meio técnico-científico-informacional se consolidou e a indústria cultural impõe os valores capitalistas.Nesse ínterim, mais uma vez,a obra de Descartes é relembrada:a vida humana no século XXI é extremamente racionalizada,não há espaço para os sentimentos e para a imaginação,as relações sociais são vazias e solúveis.Será que não é justamente o fato de os homens de hoje serem tão “cartesianos”,ou seja,guiados principalmente pela razão a causa do mundo estar perdendo sua delicadeza,sua beleza,sua subjetividade?

Victória Pastori
Direito-Noturno- 1º ano. Aula 2

O cartesianismo em Piketty

     O filósofo francês René Descartes revolucionou o modo de se fazer ciência e produzir conhecimento, algo persistente nos dias atuais. Seu método consiste no puro racionalismo, em detrimento de elementos tais como os sentidos e o chamado senso comum - o qual não possui embasamento teórico. Em sua obra, "Discurso do Método", o autor prega a existência de uma "filosofia especulativa", a qual não gera informações úteis à vida, dizendo que é possível e preciso chegar a conhecimentos que visem ao "bem geral de todos os homens".
     Nesse contexto, surge Thomas Piketty, autor do bestseller "O Capital no Século XXI". O economista francês, em seu livro, denuncia as mazelas do capitalismo neoliberal utilizando-se de estudos específicos e dados concretos, abrindo mão do senso comum e, dessa forma, confirmando o método cartesiano.
     Ademais, ao contrário de Marx, Piketty apresenta soluções possíveis no terreno do próprio capitalismo, como aumento do imposto sobre altas rendas, maior transparência nas transações bancárias, fortalecimento de grandes instituições democráticas, entre outras. Como pregava Descartes, o cientista deve não apenas descrever informações obtidas por meio do estudo racional, mas também saber utilizá-las com a finalidade de colocá-las a serviço do homem buscando, assim, o bem comum e o domínio da natureza.
     Dessa forma, percebe-se a contemporaneidade do cartesianismo. Mais do que nunca, é preciso perceber também a importância desse método a fim do desenvolvimento técnico-científico, o qual vem beneficiando toda a humanidade. Enfim, os ensinamentos de Descartes devem ser apreendidos a fim de que a ciência atinja seus fins práticos e transformadores.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno

   

Poetizando Descartes

Ó humanidade, onde deixaste sua racionalidade?
Em Quéops, Colosso de Rodes ou zigurates?
Obras de contemplação, sem utilidade,
que não representam as verdadeiras artes?
Ó frágil pensamento
Corroído pelo tempo.
 
Na racionalidade arte encontrará
e o mundo mudará ao todo.
Portanto esqueça Pietà,
use um novo método.
Pense, duvide,
indague e critique.
 
Os sábios conscientes hão
de questionar todas suas certezas.
Não há verdade sem comprovação
não há método com incertezas.
Evidencie, use a análise,
faça uma síntese e enumere.
 
Solitário, longo e sem amor
esse caminho não leva ao adro.
Não temas! Um pintor
fez da vida um quadro.
Isso é para encorajar,
não para voltar a comtemplar.
 
Use sempre o pensamento,
.para isso será encarregado.
Espero que para a razão acrescento,
quando eu partir use meu legado
Na ciência invisto.
Penso, logo existo!
 
 
Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
1º ano de Direito - Diurno
Introdução à Sociologia - Aula 02

O crescimento do ateísmo e a influência do racionalismo.

            Rene Descartes, com o Discurso do Método, lança uma das maiores premissas da ciência moderna: o racionalismo. No contexto da revolução cientifica, momento no qual a ciência se separa da filosofia, o autor francês critica o modelo clássico e eclesiástico de uma ciência de caráter contemplativo, e propõe uma ciência com fins práticos, de caráter transformador, que se adeque a realidade do homem moderno.
            Outro ponto fundamental na obra de Descartes é a relação da razão com Deus. Para analisa – la, é importante deixar de lado a visão contemporânea que ciência e religião não podem concordar, tendo em mente que o autor era um homem do século XVII, num momento em que a influência da igreja era muito grande – mesmo com algumas mudanças no período Renascentista – e a não crença em Deus era algo inimaginável. No Discurso do Método, Descartes afirma com convicção a existência do criador, o que não é, de fato, paradoxal: o próprio autor justifica que somente um ser perfeito, de razão superior, seria capaz de propiciar a razão ao homem. Além disso, na Bília diz – se que Deus fez o mundo para domínio do homem (Gênesis 1:28), sendo a partir da ciência que ele compreende a obra divina e se aproxima de Deus. Dessa forma, Descartes atrela a própria verdade a Deus.
            A evolução do racionalismo, no entanto, fez com que as ideias de Descartes pudessem parecer contraditórias – apesar de não o serem. Isso porque foi a partir da razão que o homem desenvolveu, por exemplo, a teoria do Big Bang e a Teoria da Evolução, que Charles Darwin (1809 – 1882) publica em A Origem das Espécies, de 1859. Essas obras negam um dos dogmas da igreja católica, segundo o qual “Deus criou o mundo a partir do nada”, inaugurando uma linha em que a fé é vista como ausência de conhecimento científico. Essas teorias, além da física quântica (inaugurada por Max Planck no século XX, que é totalmente alheia a física clássica), levaram a humanidade a um racionalismo exacerbado, presente em correntes como a positivista (na qual Augusto Comte defende como estado positivo aquele que busca explicações científicas sobre todas as coisas, visando o conhecimento absoluto e liberto da metafísica) e a comunista (na qual Karl Marx defende abertamente um estado ateu, que leve o racionalismo as suas últimas consequências).
            O fato pode ser relacionado ao crescimento do ateísmo nas últimas décadas. No Brasil, em 1960, 93% da população era católica. Em 2010, o número caiu para apenas 60%. É claro que deve – se considerar também a mudança para outras religiões, mas é uma mudança expressiva: os ateus foram de 0,6% para 8% da população brasileira. Nos países mais ricos o crescimento é ainda maior: cerca de 75% da religião sueca é ateia, mesmo com o ensino básico de todas as religiões sendo obrigatório nas escolas. O Japão, que poderia ser classificado pela corrente de Augusto Comte como sociedade positiva, também tem mais da metade de sua população afirmando não se identificar com qualquer religião.
            Ultimamente, a igreja vem tentando a adequação a realidade contemporânea, tentando chamar atenção principalmente do público mais jovem (no qual mais cresce o ateísmo). Exemplo disso é a teoria do Design Inteligente, que reformula a teoria criacionista numa tentativa de modernização, mas ao mesmo tempo contestação da teoria evolucionista. Ela defende que o simples fato da vida existir tal qual ela é, em toda sua complexidade, não pode ser mero acaso. Podemos aproximar a teoria do Design Inteligente as ideias de Descartes, uma vez que ele visava provar pela ciência a existência de Deus.
            A análise de que os países mais desenvolvidos – portanto, aqueles com maiores avanços científicos – distanciam – se da religião é bastante empírica (apesar de existirem pesquisas que relacionem o QI dos indivíduos com sua fé). Descartes, ao defender o racionalismo, de certo não pretendia esse afastamento da religião. No entanto, há fundamento para acreditar que ele defenderia a tentativa de aproximação das religiões com a ciência, voltando a suas ideias de que a razão justifica a fé.


Heloisa Areias
1º ano de Direito - Diurno
Introdução a Sociologia - Aula 2 

A infraestrutura do conhecimento

                Em sua obra Discurso do método, René Descartes afirma que a construção do conhecimento deve ser feito através da razão, que é capaz de entender, transformar e dominar as forças da natureza em favor do homem. Apenas a contemplação e o bom senso não satisfaziam mais as necessidades do homem moderno. Mas quem poderia ter dado o dom da razão para os seres humanos?
            Segundo o filósofo, apenas um ser superior e perfeito seria apto de criar e colocar no homem a capacidade do conhecimento. E por acreditar que conhecimento é acumulativo, ou seja, uma ideia é capaz de servir de base para outras posteriores, a existência de Deus formaria alicerces muito mais fortes, que suportariam o peso de novos conhecimentos.
            Além disso, sendo a razão uma maneira de explicar o mundo, e o mundo tendo sido criado por Deus, o seu método tem como fim último aproximar-se cada vez mais Dele.

            E, por mais que atualmente a existência de Deus seja muitas vezes contestada, é preciso compreender que havia a necessidade de Descartes escorar-se em uma verdade considerada verdadeira e absoluta, para a partir desse principio único, conseguir desenvolver seu método científico. 

Luiza Macedo Pedroso
1º ano de Direito diurno
Introdução à sociologia, aula 2

Descartes: tempo e espaço

  Descartes em sua obra “Discurso do Método’’propõe uma maneira inovadora para produzir conhecimento. No período em que vivera, os homens concebiam o entendimento do mundo primordialmente por meio dos sentidos e do hábito. Assim, o  uso da razão - inerente ao homem – ainda era um tabu. A filosofia analisava a realidade pela união do homem e do objeto que desejaria conhecer e compreender, noção semelhante à contemplação. Nesse sentido, Descartes propõe uma separação entre o indivíduo e o alvo do estudo; tal definição corresponde ao referido “método’’. A importância dessa diferente visão do autor estende-se até a atualidade, pois o homem valoriza a racionalidade e o cientificismo, em detrimento do sentimento, da constatação puramente empírica. 
  Assim, partindo de Descartes, e vendo seu reflexo em outro autores, podemos presenciar tal contemporaneidade, de forma acumulativa e cíclica. Acumulativa por sua durabilidade, visto a extensão de tempo já decorrido desde sua época e por sua aplicação na sociedade atual. Neste último caso, ao notarmos a intensa racionalização, a partir da valorização das especializações no âmbito profissional, por exemplo. Um autor que reafirma essa noção seria Weber:Neste caso, aos últimos homens desta fase da civilização pode-se aplicar esta frase: especialistas sem espírito, gozadores sem coração’’. Já no viés cíclico, a razão apresenta-se principalmente com o progresso científico, visto que, para seu desdobramento a busca por novos conhecimentos não pode estancar e deve ser renovar. Afinal, pela proposta de Descartes, a inesgotabilidade da capacidade de pensar e adquirir novos conhecimentos é um fato.
   Outro princípio “cartesiano’’ seria o do uso da razão como instrumento. Para ele, o pensamento racional deve ter um fim prático. Tal princípio, na modernidade, se reproduz  a medida em que as ciências exatas adquirem – no geral -  maior visibilidade social e mérito-  por uma perspectiva econômica e política-  enquanto, as ciências humanas ou relacionadas  a  arte têm importância reduzida. Um exemplo seria a distribuição de bolsas do programa “Ciência sem Fronteiras’’, as quais são destinadas apenas aos estudantes dos cursos na área das ciências exatas. Nesse caso a teoria de Descartes encontra luz em Nietzsche, por este afirmar a preferência do homem moderno por Apolo (razão) à Dionísio (sentimentos).
    Afinal, apesar da distância temporal da época de Descartes, este obteve espaço na sociedade desde que inseriu o método racional e técnico de ver o mundo. Tal método apresenta consequências até os dias atuais e tornou-se primordial na compreensão do homem em seu percurso.
                                                                                    

                                        Ana Flávia Toller - 1º ano direito diurno - Introdução à Sociologia, aula 2
                                                                                   





Resgate emocional

Se há algo custoso ao típico cidadão contemporâneo, esse algo é se convencer de que umas e outras durante o correr da vida prescindem de resoluções não simplesmente racionais, metódicas e descuidadosamente ponderadas. É certo também que tal dificuldade se dá, principalmente, pelo fato de que todos na sociedade foram nascidos, criados e ensinados sob enorme influência dessas concepçõezinhas que reduzem as experiências do viver a meros raciocínios simplistas. A utilização dessa conduta, porém, exige que o material expressivo-emocional que necessariamente compõe o ser humano (e com isso me refiro às lágrimas, risos, gritos, gemidos e afins) não seja estimulado e nem desenvolvido, relegando-o pois, a uma situação de atrofia e contenção. Não é preciso nenhum diploma de especialização em assuntos psíquicos para afirmar que talvez aí esteja o gérmen primordial que tanto frutifica os transtornos psicológicos tão comuns nos tempos contemporâneos. Como uma gangrena que se alastra pelos tecidos e danifica a integridade corporal, o trauma consequente da paralisação da atividade emocional passa a corromper a vitalidade plena da consciência do indivíduo e, desse modo, são disseminadas no meio social as ansiedades, depressões e demais angústias oriundas de repressões do fator emocional.
Entretanto, caro leitor, a humanidade não se intimida ante tal estímulo - tanto assim que a mais acessível solução para os já citados distúrbios vem da forma mais concisa, compacta e prática possível: em pílulas e comprimidos. Esse resultado, por sua vez, fora concebido através da brilhante lógica de que seria necessário racionalidade para curar a irracionalidade causada pelo excesso de racionalidade. Seguimos, dessa forma e com a benção de Descartes, obtendo nossa cura racionalizada nas drogarias mais próximas, enquanto a canção Emotional Rescue, do Rolling Stones, serve como um melancólico plano de fundo em nossas trajetórias.

André Rodrigues Pádua - 1° ano Direito diurno
Introdução à Sociologia, aula 2

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Protestos brasileiros sob a ótica cartesiana

Ao confrontar a antiga filosofia clássica e seu conhecimento estéril, René Descartes propõe o uso da razão pelo homem, afim de se chegar ao conhecimento verdadeiro, útil e prático para o funcionamento da sociedade. Em sua obra, O Discurso do Método, Descartes demonstra as barreiras da superficialidade do conhecimento, as quais devem ser superadas, como por exemplo, o senso comum, noções comumente aceitas pela sociedade sobre determinados assuntos, mas que nem sempre correspondem realmente de acordo com a verdade.
Já no Brasil, durante as últimas manifestações, em especial as dos dias 15 de março e 12 de abril de 2015, o senso comum dominou o pensamento e a ideologia da maioria dos manifestantes. Pedidos como: “impeachment”, “Fora Dilma”, “Fora PT”, “Intervenção militar”, dentre outros, foram feitos aos montes, porém, sem um fundamento racional e sem um estudo aprofundado para averiguar se realmente estas medidas solicitadas atenderiam ao bem maior do público ou se resolveriam de fato os problemas que mobilizaram a população brasileira.  O duvidar cartesiano seria de bom proveito para ultrapassar os limites do senso comum para analisar o funcionamento, ou não, destas opiniões generalizadas nos protestos, assim como para chegar ao conhecimento de uma interferência fatual para solucionar os problemas do país.


Gabriel Magalhães Lopes
1º ano de Direito Noturno
Introdução à Sociologia, aula 2

A Ciência Moderna e seus Reflexos nas Relações Sociais Contemporâneas

         A ciência moderna surgiu com o propósito de construir um conhecimento imparcial, baseado na razão (pensamento) e na experimentação além de ser livre de concepções sobrenaturais, filosóficas ,sentimentais e passionais.
        O primeiro filósofo a discutir a ciência moderna foi o francês René Descartes .Em seu Discurso do Método ,Descartes defende que a razão é o caminho que deve ser seguido para se chegar à verdade uma vez que esta supera os sentidos -que por vezes nos enganam- na busca pelo conhecimento. Para o filósofo francês o conhecimento é pretexto para mais conhecimento,formando um ciclo que nunca tem fim.Além disso afirma que a construção de conhecimento deve ser objetiva e ter uma finalidade útil ao homem.
       Tal método de se chegar a verdade foi efetivamente divulgado e adotado entre os séculos XVI e XVII , num contexto histórico de ascensão da burguesia e fez com que a sociedade transformasse vários aspectos do convívio humano. As relações de trabalho são um ótimo exemplo para explicar essas mudanças. Observa-se que as revoluções industriais racionalizaram e automatizaram a produção,tornando a relação patrão-empregado robótica , uma vez que ambos passaram a não ter um envolvimento efetivo entre si ,diferentemente da realidade da relação mestre-aprendiz, na qual o primeiro ensinava o ofício e se relacionava pessoalmente com o segundo,estabelecendo um contato humano direto com trocas de experiências e conhecimento pessoal
      Essa racionalização ganha cada vez mais espaço ao passar das gerações. Hoje na intitulada pós-modernidade vê-se claramente como esse meio de construção do conhecimento afeta as relações sociais. Isso porque tal conhecimento altamente racional se reflete nas relações atuais(como casamento e família)tornando-as líquidas, ou seja, mais do que frágeis,como bem observa Zygmunt Bauman em suas reflexões.

     Infere-se,pois,que o enaltecimento do uso da razão proposto por Descartes danifica a natureza do homem já que o desumaniza porque faz este perder  sua essência sentimental e emocional se transformando em um ser robótico,frio,calculista que toma todas suas decisões racionalmente,que perde suas paixões e se torna um alienado da razão excessiva.
                                      
                                                                              Bruna Krieck Farche
                                                                              1º ano Direito, Diurno
                                                              Introdução à sociologia, aula 2

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Canto da Razão

Já domina a Razão o Mundo?
E destruiu o sentimento,
Racional pensamento?
Tornou o coração mudo?

Se o racional pensar
É o verdadeiro Existir,
O alegre e nobre Sentir
É o viver e o respirar!

Como pode tal vil vida
Ser digna de alegria?
Se a verdadeira poesia
Não é pensada, mas sentida?

A razão plena é Fantasma!
Os vis monstros ela cria!
Trazendo Melancolia
à doce e boa humana Alma...

Octavio Coloza Berganholo
1º ano Direito
Introdução à sociologia, aula 2

quinta-feira, 12 de março de 2015

Bourdieu e o campo jurídico

           Bourdieu alega que é necessária a criação de uma ciência do direito distinta do que geralmente se considera “ciência jurídica”, pois o estudo que delimita esta ciência envolve excessivos formalismos e propõe uma instrumentalidade do direito, ou seja, a utilização do direito como “utensílio ao serviço dos dominantes”. O autor também critica a Teoria Pura do Direito, idealizada por Kelsen, por acreditar que tal teoria distancia o direito da realidade social, como se o direito fosse capaz de se fundamentar em si mesmo.
        Na visão do autor, o campo jurídico não serve apenas à manutenção da ordem social, mas também à própria constituição desta e não se fundamenta em si mesmo, pois não se encontra isolado dos demais campos. O direito opera de maneira relativamente independente apenas, já que influencia e é influenciando pelos demais campos como, por exemplo, o campo social e o campo científico. Quando se analisa a ADPF que trata sobre a decisão proferida pelo STF quanto ao aborto para fetos anencéfalos é evidente o envolvimento desses outros campos.
           O campo jurídico seria, além de um instrumento de conservação, uma instância de relações de poder, que possui a capacidade de definir outras relações de poder sendo um princípio construtor da própria realidade que integrado aos demais campos sociais deve estar a serviço da sociedade.

Ingrid Ferreira - direito noturno

quarta-feira, 11 de março de 2015

Será o STF iluminado?

Para a compreensão de Bourdieu é essencial sua crítica ao formalismo e ao instrumentalismo, isto é, a autonomia absoluta da forma jurídica em relação ao mundo social e ao uso do direito a serviço dos dominantes, respectivamente. Sua discordância com a Teoria Pura do Direito é total.
Não só restringe-se à teoria de Kelsen, mas também aos marxistas estruturalistas que ignoram a estrutura do sistema simbólico do Direito, isto é, consideram-no apenas como instrumento de manutenção da ordem, mas veementemente ignoram a estrutura jurídica em si como dominadora independente e estável, dona de si. Não basta situar-no como produto das forças históricas, o Direito requer profundidade do universo social.
Como o autor afirma, a busca pelo poder não se caracteriza pelo poder em si, mas em uma luta simbólica que busca o "monopólio do direito de dizer o direito", isto é, reproduzir no mundo social a ideologia predominante. Neste ponto, o trabalho contínuo de racionalização próprio aumenta o fosso social entre os profissionais plenamente capacitados e os leigos, fazendo-os duvidar do seu sentido de equidade, e recorrer ao campo jurídico.
O ponto crucial para a discussão do julgamento do STF a favor do aborto em anencéfalos é justamente quanto Bourdieu fala da conversão da conquista dos dominados em saber específico jurídico. Assim, anos de luta para uma conquista de tamanha repercussão tornam-se apenas um notório saber jurídico quanto a garantias individuais em um julgado. Isso produz o que o autor chama de eficácia simbólica, ou seja, a impressão de que a lógica jurídica é necessária para alcançar todos os atos da vida civil e a plenitude dos direitos. É importante ressaltar que a busca pelo Direito afim da resolução de conflitos é consequência do pensamento de neutralidade que transmite este campo, como se os juízes fossem plenamente capazes de julgar de forma avalorativa.
Assim, Bourdieu resume a dinâmica do campo jurídico pelo pressuposto da suposição de universalidade em conflito com a "procura social", e por sua vez, ambas conflitam com a lógica do trabalho jurídico.

Jade Soares Lara - Primeiro Ano Direito Diurno