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domingo, 8 de março de 2020

O empirismo e a razão nos tempos da pós-verdade


Do passado para cá, a maneira como o conhecimento é composto sofreu alterações de grande relevância. Filósofos como René Descartes e Francis Bacon colaboraram para a construção das bases realistas da ciência moderna, pautada na razão e experimentação. Bacon, filósofo inglês, defende o distanciamento dos chamados “ídolos”, empecilhos à ciência e ao conhecimento. Descartes, pensador francês, postulou que a contestação de tudo, mediante a razão, é o pontapé inicial para se alcançar o conhecimento. Com isso, a explicação do mundo baseada na misticidade dá lugar ao empirismo científico, com um viés muito mais sóbrio e racional.
Entretanto, apesar de as bases da ciência moderna serem bastante distintas daquelas de séculos atrás, nota-se um cenário de corrosão sistêmica do conhecimento científico: o ressurgimento de movimentos antivacinas e terraplanistas se choca com modelos científicos amplamente aceitos e atestados. Essa conjuntura de desconfiança do saber não apenas revela traços típicos da atual era da pós-verdade, onde a importância dos fatos empíricos é esmaecida, a medida em que julgamentos puramente pessoais ganham destaque, como também maximiza o processo de desinformação em nível mundial.
Por conseguinte, observa-se o efeito nefasto da indiferença com relação aos métodos idealizados pelos dois pensadores do Velho Mundo: nos últimos anos, de acordo com o Ministério da Saúde, doenças de baixa recorrência voltaram a dar as caras no território nacional. Também, o fortalecimento de métodos alternativos de saúde e a ignorância desenfreada parecem ter arrastado a sociedade hodierna de volta à idade das trevas.
Alguns poderiam indagar se as dúvidas que certos grupos cultivam em relação à esfericidade da Terra, por exemplo, não se encaixariam nas teses postuladas por René. Nesse contexto, deve-se pontuar que, de acordo com o sujeito europeu, as incertezas deveriam vir acompanhadas do aferimento dos fenômenos e a afirmação de algo estaria, desse modo, condicionada à provas que as sustentem. Logo, é evidente que os dizeres desses indivíduos constituem um equívoco, dado que seus apontamentos amparam-se, sobretudo, em apelos sem credibilidade.
Portanto, é evidente que nos tempos da pós-verdade, pelo qual o mundo passa, o questionamento da ciência e de seus fundamentos aparenta ser algo recorrente. À vista disso, o estudo filosófico e o desenvolvimento de um pensamento emancipado e seletivo se faz necessário para que a ciência ainda se mantenha de pé, garantindo, assim, o contínuo progresso da humanidade.


Fábio Eduardo Belavenuto Silva - Matutino - 1º ano de Direito

Bacon, Descartes e o infeliz panorama político nacional


Nada mais interessante do que estabelecer paralelos e relacionar teses de aguda adesão internacional com realidades puramente nacionais. Instintivamente e enquanto imerso num breve lapso criativo, me proponho a tal.
 O ensaísta e filósofo inglês Francis Bacon, considerado o fundador da corrente do empirismo, apresenta em seu livro Novum Organum o que ele chamou de teoria dos ídolos. Esses ídolos seriam ilusões cultivadas e incentivadas dentro de determinados grupos, seitas e até mesmo na própria mente e que teriam, por si só, a capacidade de isolar o indivíduo em um lodo de preconceitos que o impediria de conhecer a verdadeira realidade ao seu redor. Bacon parece, a meu ver, descrever com precisão comportamentos cravados no cenário nacional, vindos de todos os cantos do diagrama de orientação partidária. Poderíamos adicionar a sua linha de pensamento, como exemplo, os “ídolos do sindicato”, concepções equivocadas e reacionárias aventadas dentro de círculos de esquerda sobre a validade e eficiência de abordagens econômicas e sociais no Brasil, como a necessidade do imposto sindical e a negação da emergência de revisões em critérios previdenciários. Igualmente, do outro lado do ringue, os anedóticos “ídolos da caserna”, impulsionados por disparos automáticos em redes sociais e por camisetas verde-amarelas da CBF, nutrem de indignação um diferenciado setor da sociedade brasileira, e os faz temer a perda de empregos enquanto os induz à conivência com a diminuição de direitos trabalhistas, em uma claríssima contradição. Ambas as alegorias dão exemplos sobre como certos ídolos contemporâneos se manifestam no Brasil e tem sucesso no que diz respeito a despir os pobres cidadãos de sua capacidade racional de se orientar por percepções sensíveis e lógicas.
René Descartes, filósofo e matemático francês, é um dos pensadores mais lembrados da corrente racionalista. Em seu livro, O Discurso do Método, discorre sobre temas metafísicos e defende, contrariamente a Bacon, a tese de que o homem não pode alcançar a verdade pura através de seus sentidos e sim por meio de questionamentos eternos, a dita dúvida cética. O filósofo não poderia imaginar, contudo, que suas ideias poderiam ser parodiadas com tanta maestria, anos mais tarde, em terra de coqueiros e coronéis. Armados de suas bandeiras e palavras de ordem, grupos de militantes e coletivos políticos mobilizam grandes porções de simpatizantes para manifestações em prol de causas variadas. Muito embora tais aglomerações de indignados costumem contar com pessoas engajadas, a grande maioria delas, para nossa tristeza, apenas porta reivindicações sem nunca questionar a credulidade delas, o que contribui diretamente para a grave diminuição de racionalidade e pensamento lógico dentro desses movimentos. O questionamento cético, além de ser um instrumento de constrangimento público de charlatões, é a substância do debate ponderado e produtivo, essencial ao prosseguimento de uma política nacional que preze pelo povo e não por partidos e organizações enganosas.
Os queridíssimos Bacon e Descartes, contribuíram para a modelagem do pensamento racional e lógico por meio de métodos diferenciados, mas fulcrais para o entendimento da realidade. Infelizmente, gostaria de encaixar o Brasil e parcela de nosso povo em exemplos exímios no que se refere à aplicação exemplar da dúvida cética e em como um povo fugiu de preconceitos e superstições por meio da desestruturação de ídolos. Fui, contudo, impedido pela realidade.

Será que realmente estamos retornando ao obscurantismo? 

Você se assusta ao notar que os noticiários comumente têm veiculado declarações de servidores do alto escalão da administração pública que relativizam, distanciam e até mesmo negam a existência de determinado fato já comprovado cientificamente? Que essas declarações se baseiam, principalmente, em crendices populares, preceitos religiosos, discurso de ódio e afins. E que, ainda pior, é endossada por diversos seguires em redes sociais?
Há de se pensar que estamos em crise, retornando para a idade média, sobrepondo a fé à razão, experiência, pesquisa e ao método cientifico. Tal método que, orientado pela razão, deveria superar a superstição e o mágico na construção do conhecimento.  
Porém, se submetermos essas mesmas convicções e pré-noções ao método cientifico e à experiência, ou seja, analisar nosso meio, podemos vislumbrar algo que, segundo Steve Pinker, professor e pesquisador da Universidade de Harvard, é chamado de “renascimento do Iluminismo”.
Esta é a ideia que Steve sustenta no seu livro intitulado de Um Novo Iluminismo. Para ele, o mundo nunca esteve melhor. A curva da história do mundo demonstra decréscimo no número de mortes em guerras, melhora nos índices de alfabetização, pobreza e bem-estar humano, mesmo que singelamente ao longo das décadas.
Ocorre que, diante do fluxo de informação grandioso que a sociedade está exposta, uma declaração anticientífica pode ser desferida por alguma figura pública e em questão de minutos estar sendo bombardeava nas redes sociais, tanto por apoiadores quanto opositores. Nos dois grupos é notável a propagação de ideias pré-concebidas, que não passam por qualquer questionamento ou, muito menos, um método cientifico, carregadas de sentimentos cívicos e religiosos.
Porém, esse mesmo fluxo de informações está se tornando acessível aos diversos nichos das massas e cada vez mais temos pessoas alfabetizadas e ocupantes de centros universitários. Facilmente pode-se acessar um artigo baseado nos preceitos da experimentação, do método e dos mais modernos requisitos da produção cientifica atual e, não tão dificilmente, notam-se pessoas buscando e utilizando dessa mesma produção para levantar dúvidas, organizar argumentos e participar de embate de ideias.
Pode-se notar que existe mais conhecimento acessível à população, dessa maneira é maior a capacidade de questionamentos e afins. Não ao acaso, surgem diversas agências interessadas apenas na verificação da autenticidade das informações que circulam. Analisando proporcionalmente, desenha-se um quadro diverso daquele da Idade Média, com uma oferta maior de conhecimento, portanto, mais instrumentos capazes de elevar o conhecimento científico.


Lucas Wellington dos Santos Lopes - Matutino.

Fissão social

Um átomo tem seu núcleo fracionado em dois após ser bombardeado por um minúsculo nêutron. Essa reação, feita por partes intrinsecamente naturais, quando ocorrida, é capaz de destruir milhares de vidas, devastar culturas e induzir cicatrizes em um povo cujas enfermidades tardam à cura. Assim, essa energia liberada pela fissão nuclear que leva à destruição pode ser vista no âmbito social, uma vez que somos todos parte da natureza e, por mais que tentemos superá-la, por também sermos, resta-nos somente a tentativa de compreensão e sua simples manipulação. A exemplificar tal visão, é tida a ascensão de ídolos no cenário político brasileiro em tempos de crise que, em uma reação em cadeia, carrega os não instruídos e renegadores para o fosso até que, dada pressão, explodem com atitudes que outrora haviam sido dubitavelmente extinguidas, destruindo como uma bomba - munida de autoritarismo, repressão, violência e preconceitos - a vida, a cultura a dignidade e a liberdade de muitos.
 Por isso, a supervalorização ilógica de um homem pode acarretar a precarização intelectual e científica de uma sociedade, urgindo a necessidade imperativa da destruição desses ídolos. Logo, as eleições de 2018 revelaram como F. Bacon é contemporâneo, expondo a parcela da sociedade brasileira que é simpatizante e, por ora, adoradora de um sujeito raso que carrega um discurso como ele e, ainda assim, consegue atingir o âmago de seu eleitorado pelo ódio. Ódio, o mesmo que, enquanto humanos, nos é natural, fazendo com que a disseminação de ideias autoritárias em uma sociedade fragilizada seja quase instantânea àqueles que ignoram os fatos e a ciência capaz de compreender os fenômenos político-sociais. Então, para que essa bomba seja cessada, as ciências humanas devem adotar um caráter interrupto na consolidação de ídolos, sejam eles de direita ou esquerda, uma vez que verdades absolutas existem para serem questionadas a formar um pensamento crítico, desvinculando esse cenário de adoradores irracionais e criando afabilidade com a razão e a indução.

O choque entre o real e o abstrato

       Diante ao elevado número de informações disponíveis nos dias hodiernos, tornou-se algo corriqueiro a disseminação de falsas ideias no espectro social. O célebre filósofo Francis Bacon, considerado um dos pilares da corrente filosófica empírica, afirmava que as reais percepções do mundo eram obtidas através da utilização da experiência sensorial humana, rejeitando assim toda e qualquer tentativa de deterioração da verdade.
      Ademais, consonante também na busca pela "Afirmação do Real" , é valido ressaltar um grande personagem, René Descartes. Este sendo conhecido por fazer uso de sua conhecida Dúvida Metódica e ser um dos grandes representantes da corrente racionalista , dizia que o real conhecimento não podia ser alcançado pelas evidências empíricas, mas sim pelo uso direto da razão. Com isso, em virtude desse considerável choque de ideias,  Kant, sintetiza ambas as ideias e introduz o Criticismo no ramo filosófico, para ser assim mais uma ferramenta em busca da pura verdade.
     Sob essa ótica, fica perceptível que o papel da Ciência está voltado exclusivamente para a produção de conteúdos essenciais à vivência humana e que toda atitude que coloque sua integridade em risco necessita de um combate imediato para não permitir que o abstrato assuma a posição do real em uma Contemporaneidade que se encontra em declínio no âmbito científico-social e que possui a audácia de contestar a veracidade de estudos que não estão mais em posição hipotética, mas sim em posição factual.



    Mateus de Oliveira Medeiro - Direito - Noturno - 1º Ano

BASE FORTE, FUTURO BRILHANTE



A palavra base vem do latim “basis”: raiz, aquilo que sustenta. Tudo o que é construído precisa de pilares rígidos. Ao erguer um prédio, toneladas de concreto são derramadas sob o solo afim de criar firmeza para todos os andares que estão por vir, e uma base forte garante uma contrução bem finalizada.
  René Descartes dizia que a razão movia o conhecimento, e usa-la nos poupava de qualquer desvio ideológico e alienador. A racionalidade permite ao homem relacionar-se com centanas de pessoas, viver em uma organização de extrema complexidade e desenvolver teorias e tecnologias capazes de aumentar sua qualidade de vida, é o que viabiliza a reflexão, a compreensão do funcionamento do mundo (em partes) e consequentemente a manipulação dos meios físicos para o bem da espécie. Portanto, é justo que a razão seja um dos pilares da ciência moderna.
  Por outro lado, Francis Bacon afirmava que os motores da sabedoria tiravam energia da experiência. Inegável. O ensino histórico como matéria obrigatória nas escolas brasileiras e de grande parte do mundo explicita isso, veja bem: entender o andamento dos tempos antigos até a atualidade é ter noção do que funcionou e o que falhou. Conhecer o passado evita a ascensão de novos ditadores, novas quebras de bolsas de valores e novas formas de exploração - ou ao menos deveria. O empirismo possibilita a observação de padrões e a criação de teorias baseadas nessas repetições, como a maneira de agir uma sociedade, para aqueles que trabalham para o aprimoramento das relações homanas; ou a forma com que um vírus ataca a uma célula, para os que sonham em curar doenças. Por esse fato a experiência se coloca como um essencial aspecto que sustenta o atual mundo científico.
  A ciência é um edifício que não se sustenta por crendices ou achismos, e por conta disso a razão somada à experiência são os pilares que mantém todo esse trabalho em desenvolvimento, protegendo-o desses percalços que ainda existem em meio a ideias pouco críticas e baseadas em senso comum.

Aluno: Gabriel Nogueira Cruvinel Querino Santos. RA: 201221624

As bases da teoria epistemológica e seus retratos na contemporaneidade

René Descartes, um dos mais importantes filósofos do período moderno, foi autor do livro "O discurso do Método", o qual estuda os métodos para conhecer a verdade e tem como principal fundamento o chamado "ceticismo metodológico" (duvidar de todos os conhecimentos que não sejam irredutivelmente evidentes), ou seja, a obra marca o inicio do racionalismo moderno. É a primeira obra a nos afirmar com convicção, que todos o homens possuem a mesma razão e capacidade de pensar com lógica, portanto, este processo de conhecimento levou Descartes a sua famosa conclusão "Penso, logo existo", uma vez que ao eliminar suas dúvidas, concluiu que as mesmas eram evidências da existência do indivíduo, pois apartir do aparecimento de pensamentos existe, logo a pós, o surgimento de sujeitos pensantes.

Contudo, levando em conta que as percepções do mundo externo, em comparação ao mundo interno, vem a nós sem que as procuremos ativamente, mesmo que involuntariamente, Descartes aceita que deve haver algo para além da mente humana, com isso, Deus continua sendo o referencial último do conhecimento, devido ao fato da ideia de "ser perfeito" remeter a Ele.

Contrário as ideias de Descartes, surge o filósofo Francis Bacon, autor do livro "Novum Organum", defensor do método indutivo de investigação científica, o qual estava baseado no empirismo. Bacon, salienta a primazia dos fatos (o que vale é o que realmente acontece, e não o que está escrito) em relação à teorização e rejeita a especulação filosófica como cientificamente válida.

Além disso, ele também aborda sobre a análise de falsas noções, o chamado "ídolos", que são os erros cometidos pela ciência e pelo homem, os quais dizem fazer ciência. Os ídolos são classificados em 4 grupos: ídolos da tribo (distorções provocadas pela mente humana), ídolos da caverna (relações com o homem e o mundo ao seu redor), ídolos do foro (influência das associações do indivíduo) e ídolos do teatro (representações teatralizadas e impregnadas de equívocos).

Com base nas teorias apresentadas, chega-se a conclusão que tanto René Descartes quanto Francis Bacon são filósofos de suma importância para a ciência moderna e para a sociedade, uma vez que a compreensão da capacidade de raciocinar, compreender, experimentar e solucionar, ajudou a humanidade a avançar e expandir cada vez mais suas tecnologias e seus conhecimentos. Dessa forma, o estudo dos dois pensamentos é fundamental para os dias atuais.

Matheus Vinícius dos Santos Serafin - DIREITO 1º ANO - MATUTINO

Pensamento científico em retrocesso


As bases epistemológicas da ciência moderna são compostas pelas teorias do uso da razão de René Descartes e uso da experiencia e interpretação de Francis Bacon. A maneira de pensar a ciência funciona de forma consolidada, que, apesar de mudanças na tecnologia e metodologia, mantém-se constante através do ceticismo de Descartes e da experiencia empírica e reflexiva de Bacon.
A ciência moderna deve ser um instrumento de intervenção capaz de aprimorar a condição humana, e é fundamental para a prosperidade de uma nação. Isto posto, o retrocesso do pensamento científico faz questionar como introduzir o pensamento crítico de forma mais difundida e profunda em uma sociedade que resiste ao conhecimento.
Os sucessivos cortes na educação, que em 2020 representam uma queda de investimento que chega a 54%, demonstram a falha no compromisso de construção de um projeto extensivo à população no Brasil, bem como a ausência da solidificação de um projeto nacional, que tem como consequência uma nação em retroação.
É, portanto, fundamental que haja uma reforma na pedagogia e no ensino que se inicie logo na escola primaria a fim de tornar os métodos cientifico cada vez mais acessíveis, desenvolver o pensamento critico na juventude e instigar a curiosidade para questionar. O combate a desinformação e ignorância em relação a ciência deve ser feito com o uso da mesma. No século XVII, Descartes e Bacon desenvolviam fundamentos tão concretos na ciência, que ainda hoje são relevantes, e consequentemente serão meios de evoluir uma sociedade historicamente atrasada que cai nas armadilhas de seu próprio conservadorismo e falibilidade.

Vitoria Talarico de Aguiar – Diurno- 1º Ano

A importância do princípio da dúvida de Descartes aplicado na sociologia e seus impactos no direito


    Em sua obra epistemológica intitulada “O Discurso do Método’’, René Descartes disserta sobre o que viria a ser uma das bases da ciência moderna pós século XVII, a necessidade de duvidar dos conhecimentos já propostos. Segundo ele deve-se: “nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele” (p. 11).
    Nessa perspectiva, observa-se como esse conceito foi essencial para o desenvolvimento do conhecimento sociólogo —  restringindo ­à analise a essa área do conhecimento, seu método estende-se para outros campos do pensar —, pois possibilitou criticar hipóteses preexistentes e formular novos entendimentos mais pautados na verdade. Essa realidade fica evidente ao se constatar as reformulações sofridas no positivismo de Augusto Comte, em que via a história das sociedades de maneira linear, ou seja, de um estágio menos evoluído para um mais evoluído, tomando como base comparativa a sociedade europeia. Tais afirmações carregadas de preconceitos acabaram por justificar atitudes imperialistas sobre outros povos, que só puderam ser desconstruídas a partir da dúvida que outros sociólogos, como Durkheim, Weber e Marx tiveram desse pensamento. Concomitantemente, com a reformulação dessas ideias etnocêntricas, surge o Direitos Humanos como forma de contornar os pensamentos predecessores da Segunda Guerra.
    Perante essa conjuntura, fica evidente a importância do questionamento e da dúvida sobre os conhecimentos de todas as ciências, pois há reformulações que são imprescindíveis. Conquanto, essa dúvida deve ter como pilar o método cientifico e a experiência aliada a razão, caso contrário, hipóteses como o terraplanismo podem tornar-se frequentes. Conclui-se, portanto, que o método de absorção e produção de conhecimento deve ser feito com base na dialética entre Descartes e Francis Bacon, utilizando tanto os princípios básicos da razão cientifica (duvida, separabilidade, ordenamento e detalhamento), bem como, negando os "ídolos" que nos levam a uma falsa percepção da realidade. Não se trata de um problema trivial, mas adotando essa postura de dúvida e questionamento do conhecimento, a idealização de Francis Bacon em tornar a ciência mais utilitarista – seja sociologia e direito, como também nas demais áreas - dará mais um passo para sua concretização.

Otávio Eloy de Oliveira - Noturno - 1º ano de Direito


O FENÔMENO DAS PSEUDOCIÊNCIAS E SEU RESPALDO NO SENSO COMUM


Na conjuntura hodierna, ocorre a geração de um fluxo continuo de informações a partir da popularização do uso da internet e das demais tecnologias inerentes ao desenvolvimento humano, tais como o rádio e a televisão. Contudo, todo avanço possui uma consequência e a mesma é a propagação das pseudociências, aquelas que não possuem uma metodologia confiável sobre seus resultados e são respaldadas no senso comum, tais como a Astrologia ou a Homeopatia, e que acabam sendo tratadas como se fossem eficazes para definir as decisões tomadas pela sociedade, tais como o tratamento de doenças ou resoluções de problemas na vida cotidiana.
René Descartes, em sua obra O Discurso de Método, pregava que era necessário a libertação dos dogmas, oriundos da religião, para iniciar a busca pela verdade, sem se ater ao senso comum. Para isso a dúvida logica seria o alicerce fundamental de seu método, tal que a partir dela novas questões e respostas seriam formuladas, o que geraria um bem para a humanidade.
Já Francis Bacon, em seu livro nomeado Novum Organum, dizia que a experimentação empírica e a observação deveriam ser a nova metodologia ou instrumentalização utilizada pela Ciência, tal que seria iniciado o processo de cura da mente de sua amarra comodista, já que sem o uso da mente não teria havido nenhum avanço e a humanidade continuaria estagnada. Ambos concordavam que a Filosofia grega e as ciências naturais, em sua forma vigente, eram muito estéreis para explicar o mundo e suas particularidades. Suas ideias foram unidas de forma simbiótica por Imanuel Kant.
Assim, com a propagação dessas pseudociências, um dos mais emblemáticos casos disso seria a difusão de um suposto remédio homeopático que curaria as pessoas com a Síndrome do espectro Autista ¹, este SEM NENHUM embasamento científico ou comprovação experimental para ser comercializado e utilizado pelas pessoas. Nesse sentido, alguns pais, desesperados pelo devastador diagnóstico da Síndrome, renderam-se a histeria momentânea e introduziram em seus filhos esta solução semelhante a agua sanitária após terem lido sobre isso em grupos de Whatsapp, no qual acreditava -se em seus efeitos milagrosos. Desta forma, isto vai totalmente contra os Princípios da Ciência Moderna.
Os sentimentos causam reações nos indivíduos e, tal como Bacon afirmava, essa atitude dos pais curvou-se aos ídolos, que seriam as falsas percepções do mundo, da tribo, o qual se cria uma distorção na mente humana que os levaram a tomar essa medida precipitada.
Outro exemplo disso é a utilização do mapa astral em uma entrevista de emprego ², independente das qualificações ou competências do profissional. Esta crença de um suposto determinismo astrológico vai totalmente contra a lógica defendida por Descartes, de uma produção do conhecimento voltada para a busca pela emancipação humana. A falta de credibilidade e o alto grau de subjetividade das Pseudociências são indícios de que não se pode confiar em seus resultados, tal como na situação para selecionar alguém para um posto de trabalho oriundo de resultados astrológicos.
Portanto, fica constatado que, apesar dos avanços científicos desde o Renascimento, os seres humanos tem sempre posto em voga as descobertas metodológicas e tem procurado por formas escusas para solucionar seus problemas ou tomar decisões, principalmente por aquelas que lhes agradem ou os gerem alguma vantagem pessoal. Deste modo, é necessário combater esta onda obscurantista com uma maior conexão da Academia com as pessoas comuns, as ensinando a necessidade de sempre consultarem as fontes que estão usando ou aquilo que estão difundindo para os demais. As pseudociências, por serem baseadas no senso comum, podem ser moldadas para objetivos políticos, econômicos ou sociais, e sua existência é um entrave para uma sociedade mais emancipada e com um pensamento critico.


Carlos Augusto Polidoro da Silva
1° Ano de Bacharelado em Direito - Período: Matutino

REFERÊNCIAS:
1-  1-    https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/fantastico/noticia/2019/05/26/formula-e-vendida-com-a-falsa-promessa-da-cura-do-autismo.ghtml
2-         https://www.google.com/amp/s/epocanegocios.globo.com/amp/Carreira/noticia/2020/03/quiseram-fazer-meu-mapa-astral-na-entrevista-quando-o-signo-vira-criterio-para-conseguir-emprego.html

Qual a razão que nos move?


Qual a razão que nos move?
A partir da Terceira Revolução Industrial, com o aperfeiçoamento das tecnologias, as relações sociais passaram a serem movidas por contatos virtuais. Dessa forma, ocorreu a necessidade da interação do mundo virtual com o real. Entretanto, apesar das máquinas conectarem o mundo, com a vantagem do fácil e rápido acesso, retardaram o desenvolvimento racional da mente humana. Logo, erroneamente a sociedade contemporânea, pode ser alvo de manipulação do comportamento e perda dos reais valores.
Segundo a teoria dos ídolos, elaborada por Francis Bacon, a cura da mente humana só é possível, por meio da libertação das falsas representações, que limitam a razão. Hodiernamente, os indivíduos ficam presos a pequenas telas, chamadas smartphones, essa necessidade do uso intenso e frequente dos celulares, impedem os seres sociais de manterem comunicações saudáveis e relações que são construídas somente a partir do contato real. Assim, uma ferramenta com o objetivo de auxiliar as atividades humanas, é capaz de agir como impasse para a integração social, sem contribuir de maneira positiva para a melhoria do mundo.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 94,6% dos usuários usam a internet para o acesso de redes sociais. Ademais, o exibicionismo digital presente em tais aplicativos, são responsáveis por determinar a posição do indivíduo na sociedade. Desse modo, internautas com muitas curtidas e visitas no perfil, ganham visibilidade e facilidades no meio virtual, o que dá a tais pessoas, status e prestígio social. Com isso, o mundo se move em prol de acessos e likes, que montam uma ilusão de vida diferente da realidade, em outras palavras, o cenário virtual não mostra as dificuldades, a fome, a miséria, as desigualdades e os preconceitos enfrentados na sociedade.
Portanto, a conscientização do mundo virtual ser uma ferramenta de auxílio aos indivíduos sociais é fundamental para que este não ultrapasse a questão de domínio do ser. Logo, é justo afirmar que o desenvolvimento tecnológico pode trazer impactos positivos aos estudos e, o próprio desenvolvimento da razão, desde que o primeiro não seja capaz de moldar o modo de ser do segundo, pois a partir de tal atitude, toda a forma de pensar perde sua individualidade e passa somente a ser reproduzida. Em outras palavras, o mundo virtual trabalha com máquinas que irão de fato substituir muitas atividades realizadas pelo homem, enquanto a realidade, precisa de seres humanos para construção de um pensamento crítico e racional.

(Des)informação como sinônimo de conhecimento na era da pós-verdade



Em 2018, o discurso de que havia uma “hegemonia cultural esquerdista” a ser derrotada no país ganhou força, culminando na eleição - antes impensável - do representante dessa máxima como Presidente da República. A crença de que as forças políticas de esquerda do país estavam moldando o pensamento de jovens nas escolas e universidades e impondo determinados estilos de vida à população se fixou como verdade absoluta incontestável e se difundiu - muito graças ao advento de redes sociais como o WhatsApp -, intensificando o fenômeno das fake news.
Nesse sentido, grande parte dos brasileiros foi levada a acreditar na chamada dominação esquerdista e no combate que deveria ser travado contra ela, mesmo que muitos dos fatos alegados fossem sequer comprováveis na realidade. Tal situação evidencia uma forte característica relacionada à primazia da pós-verdade, situação na qual os fatos objetivos têm menos influência do que os apelos às emoções e às crenças pessoais. Assim, neste momento, parecemos estar inseridos em um contexto no qual a verdade sobre os fatos não mais importa, dando-se relevância somente às opiniões individuais de cada um, que, de certo modo, não precisam ser mais fundamentadas, sob uma ótica distorcida de liberdade democrática. É como se cada um só fosse capaz de acreditar naquilo que permeia seus pensamentos, se tornando inapto a olhar a realidade do “outro”.
No entanto, como vivemos em uma época em que se dispara informações de qualquer tipo e a todo momento, nos canais midiáticos e nas redes sociais, isso acaba ensejando na consolidação de um senso comum reprodutor dessas noções recebidas, o que seria chamado, por Francis Bacon em sua obra “Novo Organum” (1620), de antecipações. Tais ideias, por soarem mais familiares, penetram o intelecto com maior facilidade, tanto graças às diferenças de impressão, de educação e da natureza própria de cada um (ídolos da caverna), quanto devido às interações pessoais e sociais que evidenciam o poder do discurso - imposto de maneira imprópria - sobre a formação do entendimento de mundo das pessoas (ídolos do foro). O conceito de ídolos, na concepção baconiana, corresponde a falsas noções que obstruem e perturbam o acesso da verdade.
Se essas informações, contudo, fossem sempre checadas e analisadas, de acordo com o que é racional e pode ser comprovado pela experiência, estar-se-ia frente à interpretação dessas informações, processo que seria capaz de construir conhecimento como atividade pública e cumulativa, tal como René Descartes propôs em seu escrito “Discurso do Método” (1637). Do exposto, infere-se que a proposição dos dois supramencionados autores é a de que a ciência, na modernidade, não pode mais se pautar no senso comum, ou seja, é preciso romper com a filosofia tradicional, a qual não tem compromisso com uma transformação de mundo. Entretanto, o que fazer quando o senso comum e simplista mascara-se de visão “antissistema”, tal como tem acontecido na contemporaneidade, sendo que, na verdade, não passa de um discurso mantenedor da ordem e do poder das classes dominantes disfarçado de novidade? Compreender esse fenômeno me parece ser um grande desafio da era pós-moderna, em que prevalece a pós-verdade.

Fabiana Gil de Pádua

Métodos científicos modernos: a base para a ciência atual?

 Desde períodos mais remotos, os indivíduos buscam um meio de desenvolverem a ciência a fim de encontrarem verdades absolutas. Isso, de fato, foi o objetivo de grandes filósofos da época moderna, precipuamente no que tange às pesquisas do conhecimento realizadas por Descartes e Bacon.  
 Sob perspectivas divergentes, esses filósofos utilizaram de meios singulares e essenciais na consolidação da ciência. Primeiramente, Descartes se concentrou na razão, a qual deve ser baseada na dúvida inicial e na posterior análise em etapas. Partindo desse pressuposto, de que a premissa básica do conhecimento é a dúvida, nota-se que, séculos depois de seus estudos, Descartes continua sendo uma fonte imprescindível para a absorção de conhecimentos verídicos. Isso é exemplificado, na atualidade, pelos inúmeros casos de fake news e teorias de conspiração que assolam o âmbito social. Pela falta do uso do método cartesiano, os indivíduos acreditam em falsos conteúdos, acarretando o surgimento de movimentos como o de antivacina. Esse, por sua vez, origina problemas de saúde pública e agrava as medidas de prevenção a doenças. Percebe-se, logo, que a ausência do estudo filosófico de textos do século XVII desencadeia impasses graves na sociedade contemporânea.  
 Contudo, enquanto Descartes prioriza a razão, Bacon defende um posicionamento empirista, que também se enquadra perfeitamente na sociedade do século XXI. Os experimentos são essenciais para as mais diversas áreas da ciência, a fim de comprovar determinados aspectos e tornar verídicas as pesquisas. Entretanto, o estudioso deve compreender que a verdade absoluta, embora seja o objetivo inicial do método científico, nem sempre é alcançada completamente, pois novos estudos podem surgir e desmentir teorias vetustas. No texto de Edgar Morin, “Por uma reforma de pensamento”, o autor demonstra que a ciência é mutável, já que existia no universo uma ordem racional, até que a partir da segunda lei da termodinâmica, a desordem é comprovada. Assim, percebe-se que o método de experimentação defendido por Bacon é dependente de uma aceitação geral de que a ciência pode sempre ser superada por si mesma.  
 Diante das discussões proporcionadas pelas obras de Descartes e Bacon, conclui-se que os métodos da Época Moderna são fundamentais para o alcance tecnocientífico da atualidade, pois servem como um direcionamento para os estudiosos contemporâneos. Tanto a razão quanto a experimentação são princípios de organização não só da ciência, mas também da sociedade. A partir deles, é possível evitar as informações enganosas e o conhecimento superficial dos sentidos. 

Mariana Pereira Siqueira - 1° ano - Diurno.

Conhecimento moderno na contemporaneidade

  René Descartes, filósofo racionalista, físico e matemático francês da Idade Moderna, em sua obra “Discurso do Método” aborda a razão -bom senso- como uma propriedade humana de discernir o que é certo e errado além de discutir sobre o método da “dúvida hiperbólica” que aplicou em si mesmo com o intuito de compreender melhor o mundo, e descobrir algo genuinamente verdadeiro e confiável. Com o mesmo objetivo de Descartes, criar uma nova forma de conhecimento, Francis Bacon, considerado o pai da filosofia empirista em sua obra “Novum Organum”, propôs uma forma de aprendizado pautado nas experiências humanas e discute a importância da vivência empírica na metodologia cientifica. Bacon desenvolveu também o conceito de “Ídolos”, ou seja, noções do mundo que na realidade não são reais, e impedem o acesso a verdade.
  É notável que contemporaneidade brasileira designa um cenário de descrença e incompreensão aos valores das mais diversas culturas, a exemplo dos treze primeiros dias do ano de 2020 que foram registrados ataques violentos contra indígenas e quilombolas. Segundo o site “Brasil de Fato”, cerca de 180 famílias Guarani e Kaiowá sofreram ofensivas de seguranças privados em Dourados, no Mato Grosso do Sul.  Nesse aspecto, é inegável que a sociedade brasileira ainda possui uma visão etnocêntrica em relação as várias etnias do seu próprio país.
  Sob esse viés, o ceticismo que guia o pensamento cartesiano e a filosofia empírica de Bacon, podem ser relevantes na atual circunstância brasileira. Afastar-se de tudo que se acredita a fim de descobrir algo verdadeiro, duvidando e questionando suas ações, é também repensar todos seus valores culturais, crenças, filtrar pensamentos imediatistas, acríticos e preconceituosos, ademais como o conhecimento, segundo Bacon, também pressupõe experiencias e vivência, podemos entender o “outro” mas nunca ser o “outro” já que não estamos no seu local de existência, fato esse que nos ajuda a compreender a importância de respeitar os pontos de vista divergentes. Logo, tais linhas de pensamentos citados, podem contribuir para a sociedade pós-moderna ter atitudes mais relativistas em relação as culturas, quebrando o “ídolo” de uma visão etnocêntrica, além de nos fazer refletir sobre o bom senso, -a razão-, ponto fundamental para que se respeite o outro, já que as vivências dele são diferentes das minhas, portanto, o conhecimento dele apesar de diferente do meu, são iguais relevantes para o mundo.

Maria Clara Ramos Okasaki - Diurno - 1º ano de Direito

A Constituição em seu Estado de Metamorfose

         Durante um jantar corriqueiro, vários amigos de longa data se encontraram e trataram de colocar o papo em dia. Dois dos ali presentes exerciam a magistratura e demonstravam grande interesse na área da sociologia de modo que começaram a discorrer a respeito da necessidade de elaborar uma nova Constituição ou então de alterar a que estava em vigor.
            De imediato encontraram algo em que concordavam: a Constituição de 1988 fora elaborada em um período reacionário à ditadura, um período conturbado, e desde aquela época, a sociedade vislumbrou diversas mudanças no âmbito das relações humanas, por exemplo, de modo que a mesma não mais abrange toda a sociedade e não representa os interesses e necessidades da mesma. Com isso, os dois homens começaram a discutir a respeito de como poderiam usufruir do recurso presente na Constituição que a torna passível à diversas mudanças sem desconsiderar nenhum grupo da população brasileira, a fim de adequá-la a nova realidade que nos norteia. Fazendo um paralelo à Descartes e Bacon, observa-se que o conhecimento é o grande instrumento responsável por gerar essa transformação.
            Um deles foi premeditado e afirmou que a justiça era igual para todos e que qualquer alteração que realizassem atingiria com certeza toda a população, independentemente do grupo ao qual faça parte. O outro discordou imediatamente e questionou seu colega sobre a veracidade da frase “a justiça é igual para todos” pois basta um olhar mais crítico para perceber que essa frase não aplica-se na realidade e que a justiça, na verdade, é parcial. Com isso, o segundo homem sugeriu que utilizassem dos métodos propostos por René Descartes e Francis Bacon, a fim de não se “cegarem” com o senso comum  e acabarem por cometer erros como o observado acima. O erro cometido, para Descartes, não pode ser considerado como evidência para afirmar que uma pessoa é mais racional que outra, e sim que elas percorreram caminhos diferentes para chegar a uma conclusão.
            Após discorrerem durante um grande período de tempo acerca dos novos métodos criados por esses filósofos para chegar ao conhecimento, descobriram a melhor maneira para serem imparciais em suas sugestões de medidas que devem ser alteradas ou incluídas na Constituição favorecendo todos os grupos, sem segregar nenhum indivíduo. Para que isso se tornasse possível, teriam de utilizar da razão e da experiência, que seria obtida com uma grande interpretação da natureza, assim como diziam, respectivamente, Descartes e Bacon. Apenas com a neutralidade, a imparcialidade, e com a análise de diversas variáveis, que seria garantida por meio da interpretação da natureza (da experiência), eles conseguiriam superar o senso comum e obter o conhecimento necessário para transformar a Constituição de 1988 em uma mais justa, que abrangesse realmente toda a sociedade brasileira.
            A partir desse momento, os juízes passaram a realizar pesquisas e observações, evitando ao máximo caírem no senso comum ou serem influenciados pelos ídolos de Francis Bacon (falsas percepções do mundo) e assim, elaboraram diversas emendas que, para eles, trariam a Constituição de 1988 para a atualidade. Assim como Descartes, eles disponibilizaram suas descobertas e suas conclusões ao público para que o mesmo pudesse ajudá-los a ir além e a conquistar a tão almejada justiça para todos.

Júlia Martins Amaral - 1º Ano - Direito Matutino

Negacionismo na contemporaneidade

Muito embora a humanidade tenha desenvolvido métodos e ferramentas de produção e aprimoramento científico, assim contribuindo para a transformação do conhecimento em todos os campos das ciências humanas e da natureza, o atual cenário do pensamento crítico se encontra abalado. Do termo "négationnisme" (francês), o "negacionsimo" designa a negação, a fuga e a refutação infundada de uma determinada ralidade comprovada e dada como concreta, o que se encaixa perfeitamente nos recentes episódios dos movimentos anti-vacina, do "terraplanismo" e da tentativa de reescritura da história, como por exemplo a negação da escravidão e do holocausto. 
Nessa medida, esse termo se torna o oposto e a mais verídica forma de contradição em relação ao desenvolvimento dos fundamentos epistemológicos e de método para a produção de conhecimento, observados tanto em "O discurso do Método", de René Descartes, quanto em "Novo Organum", de Francis Bacon. Ambos, filósofos do século XVII, preocuparam-se em construir fundamentos concretos para o desenvolvimento do pensamento, seja por meio da racionalidade, seja pela experiência. Logo, quando Descartes propõe a utilização da razão como norteadora da construção do conhecimento, ele demonstra a necessidade de se pensar ceticamente e de duvidar de tudo, a fim de eliminar quaisquer dúvidas e, assim, conceber uma verdade irrefutável. Por outro lado, Bacon entende que além da necessidade racional de se pensar as coisas, faz-se necessário o uso da experiência e da experimentação contínua para a promoção de um conhecimento verdadeiro, ou seja, uma certa interpretação da natureza e do cotidiano e da eliminação de ideias atreladas ao senso comum e, tal como utiliza em seu livro, da eliminação dos "ídolos". 
Então, no momento em que a biologia se apoiou no método cartesiano e no empirismo baconiano para a comprovação e efetivação da vacina como meio de se prevenir doenças, como também quando a história concebeu o conceito de "holocausto", pautada nos eventos históricos não tão distantes, e certas pessoas e grupos de indivíduos refutam essas ideias baseados em pensamentos de caráter puramente opinativo e subjetivo, no intuito de promover um tipo de conhecimento infundado, distante de um método e de uma estratégia, os fundamentos do conhecimento e da ciência são amargamente feridos e se comprova a necessidade contemporânea dos pensamentos setecentistas.  
Por fim, apesar da enorme distância temporal existente entre o início do pensamento crítico e científico, com Bacon e Descartes, as proposições desses filósofos são de extrema validade e importância até os dias atuais, principalmente no combate à desinformação e ao "negacionismo" vigentes na sociedade globalizada do século XXI. Portanto, a refutação rasa desses movimentos negacionistas não passa, ou de uma falta de leitura e conhecimento acerca dos autores fundadores da ciência contemporânea, ou de uma onda de más intenções de certos indivíduos. 

João Cenamo Baldi de Freitas - diurno -  1º ano de Direito. 

Ascenção do Obscurantismo


René Descartes e Francis Bacon, no século XVII, versaram sobre os erros da construção de conhecimento tradicional, lançando as bases da produção científica moderna. Seus escritos, apesar de parecerem antigos, ecoam através dos séculos e se mostram extremamente atuais.

Em uma época de fortalecimento dos mitos e ídolos, tradicionalismo e negacionismo científico, é imprescindível que as ideias que formaram o pensamento científico sejam retomadas. Uma literatura que critica o senso comum e o ensino tradicional, a filosofia clássica e o exercício da razão meramente como ocupação, sem propósito, se mostra necessária.

Nos últimos anos, o aumento do obscurantismo no Brasil e no mundo demonstram o desprezo pelo processo de conhecimento construído ao longo dos séculos, com base no método científico. Dessa forma, é essencial retomar as ideias de Bacon e Descartes, valorizando a junção entre razão e experiência, através de mecanismos auxiliares, de modo que os ídolos sejam superados, os mitos expostos, para que a reconstrução científica proposta por Descartes a quase meio milênio possa ter continuidade.

Sofia Malveis Ricci - Direito - Noturno - 1º ano

Sociedade da mediocridade

        No final 2019,brasileiros se reuniram na cidade de São Paulo para discutir sobre o terraplanismo,com diferentes teorias para defender o seu ponto de vista.Esse senso comum vem se intensificando a alguns anos,mesmo com estudos detalhados que demonstram o contrário.Um exemplo desse contraponto são as imagens feitas por astronautas comprovando que a Terra é esférica.Tal falta de percepção do mundo é tratada por  Bacon ,em seu livro Novum Organum,pelo conceito de ídolos.Esse encontro da loucura pode ser retratado como um exemplo de ídolo do teatro ,haja vista que as suposições são baseadas em meras supertições ,sem nenhum embasamento empírico ou racional.                                                                                                                                                         A aceitação de caminhos mais fáceis para a resolução de problemáticas é inerente ao ser humano,os chamados dogmas estão presentes ao longo dos séculos,por teorias,como a Terra plana.Além disso,muitas pessoas seguem determinadas ideologias sem um questionamento prévio e são influenciadas por outros cidadãos.Para Bacon, isso representa os ídolos da caverna,pois assim como na história de Platão ,os homens não conseguiram superar as amarras que os prendem a uma visão limitada de mundo.                                                                                                                                    Logo,fica evidente que ,alguns homens ao invés de seguirem caminhos seguros para obter  conhecimento ,como o método cartesiano que propõem passos cientícos,preferem seguir teorias sem nexo.Tal fato representa um retrocesso,uma vez que essa busca por conhecimento  está a disposição de todos.                                                                                                                                                               João Vitor Sodré Dias Galvão -Direito Noturno(1° ano  )

Entre a luz e a escuridão: abismos do conhecimento


Evolução. Evoluir, segundo a biologia, é o processo no qual ocorrem transformações e variações nos seres vivos, originando uma nova espécie. Porém, considerando a evolução científica, não surgiram novas espécies, mas novas formas de pensamento e de interpretação do mundo que cederam espaço para a ascensão de dois grandes nomes: René Descartes e Francis Bacon, fundadores das bases da ciência moderna, a partir da experimentação e da razão. Nesse contexto, o método científico se estabelece como o instrumento para construção do conhecimento verdadeiro, a partir da observação da natureza, ou melhor dizendo, da experiência sensível como definido por Bacon, através da lógica racional, dispostos como fundamentos da ciência moderna que revolucionaram a percepção de mundo medieval.
Não apenas em meados de 1600 e 1700, os escritos de Bacon e Descartes ainda se fazem presentes e inserem-se na realidade atual de forma a guiar a busca pelo conhecimento, conciliando a observação e interpretação da natureza, orientados pela razão e a partir do uso de instrumentos, métodos aplicados por cientistas na pesquisa de vacinas e remédios para tratamento da Covid-19, ou como mais popularmente conhecido, o corona vírus, mas não exclusivo a esse caso, sendo a base das metodologias de pesquisa de todo o campo. Nesse sentido, a partir do método científico, pesquisadores observam o comportamento do vírus nos infectados, sua evolução e estrutura, para que, seguindo a lógica e fomentados pela dúvida sobre a manifestação de um organismo - até então estranho - possam formular hipóteses e finalmente, desenvolver teorias, pois, assim como defendeu René Descartes, “nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não o conhecesse claramente como tal.”
Entretanto, como toda evolução está sujeita a retroação, assim surge o obscurantismo, que define-se como o estado de quem se encontra na escuridão, privado de luz, ou seja, em paralelo com o Mito da caverna do filósofo Platão, é aquele que não dispõe da luz do conhecimento e da verdade. A ignorância na consolidação do saber verdadeiro, alia-se a correntes de pensamento que não dispõem de bases científicas e podem ser entendidas, na visão de Francis Bacon como ídolos. Ídolos são falsas percepções do mundo que nos levam a conclusões precipitadas ou até crenças desvinculadas da realidade, assim surgem movimentos como o antivacina e os terraplanistas, que tem ganhado força na atualidade e que ignoram a racionalidade e desafiam a experimentação.
Assim, os estudos e levantamentos de René Descartes e Francis Bacon perpetuam a história e consolidam a ciência moderna, que ainda hoje inserem-se em todas as esferas sociais a partir do método, que exige superar nossas convicções e se permitir duvidar, interpretar a natureza de forma a dominá-la, questionar superstições e, principalmente, transformar o mundo, não apenas contemplá-lo, estando dispostos a evoluir.

Ana Carolina de Campos Ribeiro - Direito matutino (1º ano)

Conspiracionismo no século XXI

Com a publicação do livro “O Discurso do Método” no século XVII, o filósofo René Descartes inicia uma revolução na ciência moderna ao propor um método para aquisição de conhecimento e, dessa forma, um caminho mais seguro do que o vigente na época para se chegar a verdades.
Nesse método, ainda em uso pela ciência contemporânea, Descartes convida-nos a utilizar nossa racionalidade para chegar a verdade primordial que é a de que ele existe. A partir dessa verdade, ele propõe que se questione tudo por meio da razão humana. Entretanto, percebe-se que apesar dessas teorias existirem a mais de séculos, pensamentos já refutados pelos cientistas, estão sendo cada vez mais aceitos pela população em geral na sociedade atual. Seja pela falta de informação de alguns, seja pela vontade de desafiar de outros; teorias conspiratórias como o terraplanismo, o movimento anti-vacinação ou até mesmo a de que houve uma falsificação por parte da NASA sobre a chegada do homem à Lua em 1969, evidenciam o quanto o método proposto por Descartes ainda é desconhecido pela maioria da população.
Dessa forma, é inegável que as experiências vivenciadas pelos indivíduos também contribuam para a formulação de seu senso crítico. Sendo assim, além de apenas questionar tudo aquilo que lhes é apresentado, os indivíduos deveriam também considerar as evidências e provas concretas para avaliar a probabilidade de algo ser de fato verdadeiro. Assim, o método indutivo proposto pelo filósofo Francis Bacon mostra-se pertinente a realidade, pois além de se questionar essas teorias conspiratórias racionalmente, deve-se tentar avalia-las de um ponto de vista empírico, buscando na própria natureza elementos que as invalidem, como por exemplo os espelhos retrorrefletores deixados na Lua que medem a distância por meio de um laser; ou a própria sucessão do dia e da noite no planeta Terra, dado que caso a Terra fosse realmente plana, seríamos capazes de ver o sol no céu à noite, invalidando assim a teoria do terraplanismo .

Logo, torna-se evidente que a importância dos métodos tanto de Descartes, quanto de Bacon para se chegar a um conhecimento verdadeiro acerca da realidade. Portanto, é imprescindível que a população de uma maneira geral seja estimulada a conhece-los por meio de incentivos midiáticos do Ministério da Ciência e Tecnologia que busquem ensinar a real relevância da dúvida e do método indutivo, pois com eles é possível um caminho seguro para a obtenção de verdades. 

André Luiz Gonçalves Primo - Matutino - 1º Ano 

Em Terra de Cegos

     No conto intitulado "Em Terra de Cegos", o escritor britânico H.G.Wells descreve um mundo em que a maioria perdeu a capacidade de enxergar e os poucos que enxergam, ao contrário do ditado popular não são reis, tem seus olhos arrancados.
      O conto representa uma excelente metáfora da sociedade atual, com o grande avanço da ignorância, explicitado em casos mais relevantes como o movimentos anti-vacina e o terra planismo. Tais comportamentos obscurantistas revelam uma  ruptura com os métodos propostos por René Descartes e Francis Bacon, bases do pensamento moderno, que influenciam a produção científica a mais de 300 anos.
      Com destaque para Descartes com seu método de aprendizagem revolucionário capaz de colocar em dúvida tudo aquilo que pode ser duvidado,mas com o objetivo de encontrar a verdade e não apenas de um ceticismo sem sentido. Vale ressaltar também, Bacon e seus ídolos (tribo, caverna, foro e teatro), método criado para evitar os erros de natureza humana na síntese do conhecimento.
      Assim, a necessidade de aproximar o pensamento de Descartes e Bacon do ensino infantil, de modo a tornar a educação mais crítica, ensinando desde a base a importância da dúvida no processo de averiguação de de uma informação. Portanto, a educação representa uma cura para a cegueira coletiva da sociedade. Somente assim, os guiados pela razão e experiência não terão seus "olhos arrancados" como no conto de H.G.Wells.
 

Lucas Passos Duran Netto-1°ano Direito-diurno

Descartes e o Homem enquanto máquina


              René Descartes, no seu Discurso do Método, revolucionou todo o pensamento científico e acabou criando as bases da ciência contemporânea. Essas bases são compostas de diversos elementos, dos quais gostaria de chamar a atenção para um especificamente: a compartimentalização dos fenômenos observados.
            No novo método descrito por Descartes, a ciência deve prezar por uma observação dividida, ou seja, se queremos entender o funcionamento de algo, não podemos analisa-lo a partir do todo, mas sim a partir das partes, que somadas formarão o todo. O objeto estudado é decomposto ao máximo em partes menores, a fim de facilitar a compreensão dessas partes diminutas e, portanto, mais simples. Só depois do entendimento dessas unidades, é que se pode reagrupa-las, para então formar um todo, esse sim verdadeiramente compreensível, uma vez que as partes que o formam já foram interpretadas da maneira devida.
          Como havia dito no início, de fato essa nova abordagem redefiniu os rumos da ciência e, quase quatro séculos depois, ainda tem influência. Entretanto, creio que ela causou certas mudanças negativas. Devido a uma série de razões, da qual ela faz parte, a sociedade passou a crer cada vez mais no chamado cientificismo, concepção que acredita que a ciência é a única forma de se compreender a realidade. As religiões, a arte, o senso comum, tudo que não tenha um embasamento na ciência, é tido como falso e inútil.
         Passamos a ver paixões, sentimentos e até pessoas como máquinas, engrenagens, como coisas divisíveis. E diferente do que o método científico cartesiano prega, há certas coisas que não podem ser divididas, sendo o homem uma delas. Não é a razão que diferencia o homem de um verme, mas sim essa indivisibilidade inerente a nós. No mundo em que vivemos, onde as relações interpessoais foram substituídas pelo mercado e pelo Estado, essa visão de mundo com certeza será desprezada e julgada como romântica e ingênua. Talvez ela seja mesmo. Mas mesmo sem conhecer a pessoa de Descartes, eu arrisco afirmar que ele jamais teve a intenção de que sua teoria tivesse esses desdobramentos.
            O homem, antes de ser um animal político ou seu próprio lobo, é um ser altruísta, como nos mostrou o sociólogo Auguste Comte. Não é máquina e sendo assim, não pode ser analisado como tal. Não precisamos de mais ciência para acabar com a fome, o câncer, o aquecimento global ou o desmatamento na Amazônia. A tecnologia, se já não foi descoberta, está para ser. O que falta é amor. Se as pessoas se lembrassem que é só por causa dele que a ciência existe, tudo seria diferente. Enquanto não lembrarmos que “é só amor que conhece o que é verdade”, jamais sairemos desse mundo de fome, doenças e opressão.


           Thiago Campolina de Sousa - Direito Diurno





Poder e saber: a ciência entre a modernidade e a pós-modernidade


         É indubitável o contexto de retrocesso vigente na sociedade pós-moderna no que tange à ciência: ao passo que filósofos do século 17 como o francês René Descartes e o britânico Francis Bacon postulavam fundamentos necessários para a construção do pensamento científico tal como este é conhecido, presencia-se, na atualidade, a ascensão de movimentos que questionam a confiabilidade expressada pela ciência e seus instrumentos. Posto esse cenário, torna-se vital a busca pela origem dessas indagações que colocam em risco o avanço da produção de conhecimento. Encontra-se, então, o diálogo exercido entre o saber e o poder – de tal modo que se compreende a estrutura do obscurantismo intelectual contemporâneo sob a perspectiva de que a nossa razão motriz é a busca pelo controle do meio.
            Paralelamente ao terceiro aforismo de Francis Bacon em “Novum Organum”, que afirmava que “Ciência e poder do homem coincidem”, Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, de 1975, diz que “O poder produz saber (...), não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder”. Sob esse viés, é notável que a produção do conhecimento científico na atualidade volta-se à consolidação da estrutura social de poder e opressão. Isso é decorrente do fato de que a ciência cria custos e demanda investimentos, o que a torna refém daqueles que podem pagar por ela. A exemplo de tal condição, pode-se mencionar a indústria farmacêutica, cuja ciência, necessária para as condições de saúde humana, é comercializada em prol do rendimento de lucros à uma conjuntura econômica capitalista. Ademais, situa-se em uma condição semelhante de rendição a indústria bélica – para qual a ciência atua em favorecimento da destruição através de embates armados e abastece entidades militares em conflitos geopolíticos, favorecendo aqueles grupos que podem financiá-la.
           Diante o cenário supramencionado, cabe ressaltar a maneira com a qual o distanciamento entre a Academia e a grande parte da população colabora na solidificação dos movimentos de anticientificismo. Seja devido à linguagem rebuscada ou por uma dificuldade de acesso à compressão da produção científica, é indubitável que, na modernidade, a ciência está cada vez mais restrita em uma bolha. Enquanto a sociedade apenas se depara com as conclusões dos experimentos e não com os processos e as pesquisas utilizadas para que se alcançasse tal veredito, torna-se popular o questionamento à metodologia e aos instrumentos aplicados. Inflamados pela rapidez da velocidade das informações nas mídias digitais, coletivos contrários à ciência como conhecida passam a ganhar popularidade justamente por dialogarem de maneira horizontal com a população que não está inserida no meio científico. Portanto, embora as constatações dos grupos anticientíficos sejam falaciosas, é relevante que essas ideias não somente sejam desconstruídas, mas também que a origem dessa linha de raciocínio seja avaliada e revertida – reduzindo a distância entre a ciência e o corpo social.
            Assim, entende-se que, embora a discussão no século 17 fosse a construção de um método científico eficaz e confiável, é necessário, no século 21, o debate sobre como mantê-lo, aprimorá-lo e democratizá-lo. Manter o conhecimento restrito a poucos e formulá-lo à luz do interesse do topo da pirâmide social é um comportamento nocivo à própria vitalidade do conhecimento científico, pois torna-o passível da dúvida e do questionamento por parte dos demais. Com efeito, embates como o travado por Bacon e Descartes - considerados pais da ciência moderna - em defesa da racionalidade na produção do conhecimento emergem na sociedade contemporânea e tornam-se cada vez mais atemporais - uma vez que a proteção à gnose deve ser contínua e, sobretudo, efetiva.

Giovanna Spineli de Paiva - Noturno (1º ano)