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quinta-feira, 7 de maio de 2015

                           A Visão Mecanicista de Descartes e a Maioridade Penal     

     O filme “Ponto de Mutação” de 1990, dirigido por Bernt Amadeus Capra, é baseado no livro de mesmo nome escrito pelo cientista Fritjof Capra. O filme se desenvolve através de três personagens: Sonia, uma cientista, Jack, um politico, e Thomas, um poeta. Os três personagens passam por crises, cada uma com suas peculiaridades. Jack e Thomas visitam um castelo medieval na França quando encontram com Sonia, e ao iniciarem uma discussão sobre um relógio antigo no castelo convidam Sonia para participar da conversa.
    A cientista logo inicia uma crítica ao filósofo Descartes e sua visão mecanicista do mundo, que funcionava na época de Descartes mas é ultrapassada nos dias de hoje. Descartes descreveu o mundo como um grande relógio, onde desmontando-o e analisando cada uma de suas peças isoladamente seria possível entender o todo. Sonia critica essa visão, alegando que é necessário conhecer o todo, pois nada funciona isoladamente, tudo no mundo possui suas conexões. Basicamente, o filme apresenta uma crítica a política, que, continuando mecanizada, não consiguirá resolver os problemas do mundo.
    Trazendo a discussão do filme para o cenário atual da política brasileira, nos deparamos com a discussão sobre a redução da maioridade penal, colocada em pauta por um Congresso ultraconservador. O projeto pretende diminuir a maioridade penal de 18 para 16, contrariando recomendações de órgãos como a ONU (que recomenda maioridade penal de 18 anos). Aparentemente, a maior parte da população brasileira aprova a redução da maioridade com um princípio de diminuir a violência. A questão, porém, é muito mais ampla e complicada do que acham.
    A redução da maioridade penal não reduziria a violência. É uma falácia acreditar e propagar essa ideia. A resolução da violência no Brasil vai muito além do que encarcerar o jovem. A violência é fruto do meio social que o jovem de periferia vive, sem acesso à educação, à oportunidades, jogado à margem da sociedade, ele é inserido muito cedo no mundo no crime, sendo que esse meio se configura para ele como o único meio de conseguir dinheiro. É errôneo e completamente fora da realidade o discurso de que o jovem de periferia conseguiria sair desse meio de criminalidade se assim ele quisesse e se esforçasse para isso. Muitas vezes o jovem nem sabe que possui outras opções, a concepção de estudar para futuramente conseguir um emprego é longe de sua realidade. A educação pública é precária, as oportunidades são mínimas, mas a necessidade de conseguir dinheiro é urgente, e a criminalidade se apresenta para o jovem como a solução para essa necessidade.
     Adultos aliciam crianças para o crime. Se com a maioridade penal fixada em 18 anos, o jovem de 16 e 17 é aliciado para o crime, diminuindo a maioridade para 16, o jovem de 14 e 15 anos passará a ser aliciado. É ingênuo pensar que a violência ou o aliciamento de menores cessaria com a diminuição da maioridade. Seguindo a mesma linha de raciocínio da personagem Sonia no filme “Ponto de Mutação”, a violência não é algo que pode ser resolvido isoladamente, como as peças de um relógio. Existe uma série de outros problemas e aspectos que devem ser analisados para resolver esse problema, mas infelizmente, tomando as palavras da personagem Sonia, “os sistemas não encorajam a prevenção, só a intervenção”. Uma ação imediata como a redução da maioridade penal poderia até resolver o problema por um tempo, mas logo se desencadearia diversos outros problemas quiçá maiores do que os anteriores. O problema da violência na juventude precisa ser visto de uma percepção mais ampla, analisando todas as suas conexões, deve-se abandonar a visão mecanizada do mundo, não só pra esse, mas para todos os outros problemas a serem resolvidos.

Caroline Setti
1º ano - Direito Noturno

Cartesianismo nas escolas


    O filme "Ponto de Mutação" apresenta um amplo debate de ideias entre as personagens da trama e possibilita uma extensa discussão a respeito de diversos temas atuais, um bastante interessante, que possui conexão com o método cartesiano questionado no longa, é sobre a forma que as matérias escolares são abordadas em sala de aula.
    Somos criados a acatar tudo o que nos é imposto, principalmente quando o assunto é educação. Mas afinal, qual o intuito de existirem tantas disciplinas na grade curricular de uma escola?
    Esse questionamento pode ser explicado por meio da metáfora do relógio desenvolvida por Descartes e discutida no filme "Ponto de Mutação". Segundo esse pensador,  a natureza é como um relógio, complexo quando examinado por inteiro, mas de fácil compreensão quando desmembrado. É certamente desse conceito que houve a separação das matérias, e posteriormente por uma questão "didática" aconteceram as fragmentações dos assuntos abordados em cada disciplina. Por exemplo, a física é subdividida em mecânica, elétrica, dinâmica, etc. e o mesmo acontece com as outras matérias.
    De acordo com muitos colégios e cursinhos, esse método do desmembramento é um dos melhores para a apreensão do conhecimento, no entanto, há controvérsias, uma vez que se o aluno não consegue enxergar o enlace entre as disciplinas, a visão se torna fragmentada e a correlação entre os objetos de estudo, quase impossível. É por essa razão que seria necessário uma avaliação do uso do método cartesiano no que diz respeito ao sistema educacional brasileiro.
    Não podemos, é claro,  desconsiderar todos os avanços que o método desenvolvido por Descartes possibilitou,  contudo, no âmbito educacional não é o mais efetivo, haja visto que o aluno não consegue ter uma visão do todo, para tanto, com o intuito de evitar a visão fragmentada do ensino, é fundamental uma ponderação acerca do cartesianismo, a fim de que haja uma diminuição do uso desse método mecanicista e se amplie a concepção do saber. 


Ariane do Nascimento Sousa
1º ano- Direito Noturno
Introdução à Sociologia
Filme:"Ponto de Mutação"

Mutação na metodologia Científica.

     No filme ''Ponto de Mutação'' de Bernt Capra, há uma discussão muito pertinente na contemporaneidade. Este é centrado em uma conversa que promove o aquecimento dos ânimos de muitos defensores do Discurso do Método de Descartes e da obra de Francis Bacon. Baseada em suas diferentes atividades profissionais três indivíduos com distintas visões e opiniões acerca da vida e sobre o conhecimento científico capturam importantes pontos ao qual se deparam os espectadores ao assisti-los. Nos são apresentados ,como: Sonia, cientista graduada em física, Tom um poeta e Jack ex-candidato a presidência dos EUA. Sonia tenta quebrar os paradigmas e modos de se pensar cartesiano-newtoniano-baconiano que Jack mostra possuir e que muito se vincula a sua atividade política que exige ações positivistas e bem vistas pela sociedade.Sonia crítica a política bem como a visão predominante nos meios acadêmicos e intelectuais ao fazer a analogia  da ciência como uma máquina de relógio, em que ao sistematizar dois períodos na história da humanidade,sendo estes pré-cartesiano e pós-cartesiano, ela nos expõe a questão de como naquela se enxergava o tempo e a natureza de modo orgânico e vivo e nesta é vista apenas  como uma máquina tal como a do relógio, em que é possível fragmentá-la e entendê-la de forma isolada e específica, bem como compreender o tempo não em uma lógica natural , e sim mecanicista.
    Assim que a teoria cartesiano se firmou no mundo como forma correta de pensar e como metodologia científica, para Sonia se perdeu grande noção da estrutura do cosmos que nos envolve,pois se instalou uma crise de percepção da realidade, em que nos limitamos ao pensar nas questões das mais diversas magnitudes,desde ecológicas a socias e globais de forma fragmentada, quando de acordo com ela é necessária uma nova forma de se observar tais enigmas, não como fragmentos específicos e de maneira isolada, mas sim como peças de um todo em uma relação de interdependência e com princípios de organização. Ela simplifica suas ideias a respeito desse assunto na '' Teoria dos Sistemas Vivos''.
    Conclui-se na obra cinematográfica, que se baseia principalmente neste intrigante diálogo, a necessidade de uma ''mutação'' de cunho intelectual em âmbito internacional a respeito do que é ciência e do seu objeto de estudo. Em um mundo calcado cada vez mais no imediatismo, em que não se visualiza o futuro das próximas gerações, em que não está perceptível as relações de mutualismo dentre as grandes questões mundiais,sejam elas sociais ,econômicas ou politicas, pouco se pode esperar em matéria de mudanças e evolução da humanidade,seu conhecimento e sua sabedoria  na visão que o filme tenta propagar.
                                                                                                                           Rafael Cyrillo Abbud
                                                                                                                                 1º Ano               Direito  Noturno .  
O convite ao novo

O filme “Ponto de Mutação” se trata da adaptação cenográfica da obra de Fritjofra Capra que se delineia a partir da conversa entre uma cientista, um dramaturgo e um candidato à presidência; um dos aspectos mais marcantes desse filme é que diferentemente de exemplares de origem “hollywoodiana” - onde a ação é um elemento frequentemente presente- neste longa do diretor austríaco, o dialogo filosófico e acima de tudo bem elaborado ditam o ritmo do filme.
Durante este dialogo são versados de forma geral aspectos pelo qual o homem é influenciado ou influenciador, por exemplo, as condições físicas da terra ou a relação entre os homens. O interessante dentro dessa conversação é que a argumentação dos pontos de vista referente a cada tema leva em consideração preceitos da filosofia e de pensadores modernos e antigos, criando quase uma oposição comparativa entre as duas épocas.
A filosofia de Renne Descartes, por exemplo, é abordada pela cientista que, apesar de reconhecer a importância da teoria do mesmo, a luz da época em que foi escrita, acredita que atualmente essa tese seja um tanto quanto “danosa”. Isso porque faz com que as pessoas enxerguem a parte e não o todo, que tenham, portanto, uma visão fragmentada, uma maior relevância do pensamento micro em relação ao macro.
De fato, um dos prováveis desdobramentos desse tipo de pensamento na sociedade atual é a forma extremamente individualista que se conduz as relações com o mundo em que habitamos: a forma em que os estudos acadêmicos são dirigidos, nossa posição ambiental, a falta de consciência coletiva, a ideia do “self made men”, dentre diversos outros aspectos.
Portanto, um dos “legados” que o filme deixa é um convite a reflexão - por meio da evocação dentro do dialogo de Descartes, Eistein, da política, ecologia etc- dos valores atuais e também, consequentemente, a uma nova e diferente visão de mundo.

Ana Paula De Mari Pereira
1º ano de Direito - Diurno



Mudança de percepção

    Lançado em 1990, o filme "Ponto de Mutação " conta a história de três pessoas com diferentes profissões  e, portanto, visões de mundo distintas. Uma delas é um senador e ex candidato à presidência dos EUA, que se encontra em crise com a sua profissão pela falta de participação real que possui no cargo, uma vez que seus discursos são todos escritos por terceiros. A outra é um professor de literartura e escritor que se encontra na crise da meia idade. A terceira é uma cientista que está em conflito com sua profissão devido à motivos éticos.
    As comparações entre as várias áreas do conhecimento são de grande presença no filme. As partículas subatômicas não tem natureza independente para os estudiosos, mas estão conectadas e vistas como um todo na física atômica. Assim também devem ser analisadas as relações interpessoais e o universo como um todo. Um importante paralelo também feito por Sonia é do modo que a ciência via os homens e animais após Descartes: apenas como máquinas que deviam ser analisadas fragmentadamente . Para ela, há a necessidade de mudar a maneira como vemos o mundo.
   Há também uma observação do lado social e os efeitos de estar analisando o universo constantemente. Vemos os problemas de convivência entre mãe e filha, além de o julgamento feito pelo Senador em relação à Sonia, ao perguntar se aquelas idéias apresentadas foram boladas por ela e se outras pessoas também crêem nelas. Ou seja, vale notar a impressão de loucura que, infelizmente, é dada às pessoas que muito analisam o mundo.

Sofia de Almeida Antunes
1º ano Direito noturno


A evolução necessária

O filme "Ponto de mutação", inspirado na obra literária do escritor australiano Fritjof Capra, é basicamente uma conversa com grande essência filosófica entre três pessoas: um político desmotivado que concorreu à presidência dos Estados Unidos, um poeta que pensa estar em uma crise de meia-idade e uma cientista que sentia-se aborrecida pelo fato de sua pesquisa ser usada para fins malignos.

Em grande parte do filme o tema central da discussão baseia-se nas idéias do pensador René Descartes. Para a cientista, o método cartesiano para a obtenção de conhecimento é equivocado e falho, diferente da concepção do político, que concorda com tal ideia do filósofo. Essa oposição de ideias gera uma boa discussão acerca do tema.

Sonia Hoffman acredita que esse método não é vantajoso e até mesmo prejudicial ao desenvolvimento do ser humano. Para ela, a análise do mundo deve ser feita analisando o todo, e não separando em partes para depois chegarmos a uma conclusão. Ou seja, deve-se entender as relações para depois resolvermos os problemas. Baseando-se no modo de pensar dela, pode-se pensar mais facilmente em um mundo com crescimento sustentável e com melhores condições. E mais interessante ainda, conciliar duas coisas muito importantes, o desenvolvimento econômico e sem comprometer as gerações futuras. Para isso, uma revolução na educação com o rompimento dos modelos clássicos é necessária.

Finalizando, o filme passa a ideia central de que precisamos sempre evoluir, como neste caso da educação, por isso ele se chama "Ponto de mutação".

Caio Mendes Guimarães M Machado
1º ano - Direito noturno


Hoffman contra o mecanicismo

Em Ponto de Mutação , filme de Berntfundou Capra, ocorre um interessante debate entre as três personagens(um político deprimido,uma cientista em crise existencial e um poeta em crise de meia idade) acerca dos efeitos que as ações dos humanos causam para o mundo e para si mesmos.Cada personagem possui uma visão relacionada a sua ideologia e em alguns momentos sua ideias se assemelham e em outros se divergem.
Em certo momento Sonia Hoffman ,a cientista,critica a visão mecanicista de René Descartes e afirma que ela é prejudicial ao desenvolvimento do ser humano.Porém tal maneira de se estudar o mundo pode ser muito mais produtivo do que ela pensa.Uma das maiores preocupações da discussão é a questão ambiental, que por ser muito complexa ,deve ser estudada , analisada e resolvida parte a parte , ``peça´´ a ``peça´´.
Sendo assim o Método Cartesiano é a melhor maneira de se compreender e melhorar o mundo no sentido ambiental.Cada pequena parte do todo deve possuir um dedicação especial e individual para que , ao final do processo, todas tenham sido estudadas e resolvidas .Com isso a questão ambiental poderia ser finalmente resolvida.
Porém vale lembrar que isso não se aplica apenas a essa questão , mas sim a qualquer problema ou objeto de estudo que, por ser complexo demais, está sujeito ao estudo pelo mecanicismo.
Eric Kaoro Okino
Direito Noturno

Mundo em mutação

        Seria possível aplicar o método cartesiano em nosso mundo atual? É a essa pergunta, inclusive, que o filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, tenta responder através da discussão de seus personagens. Contestando filósofos e pensadores consagrados, Sonia, uma cientista, acredita que a visão de mundo atual precisa mudar, visto que ela foi concebida há muito tempo, principalmente por René Descartes, com seu método científico.
         O filósofo via tudo a seu redor, cada indivíduo, os problemas mundiais, como peças, fragmentos (por isso é chamado de mecanicista), os quais poderiam facilmente ser mudados, solucionados. Por conseguinte, ele não tinha a visão de conexão entre todas as coisas, em que um fato leva ao outro. Dessa forma, o obstáculo como um todo não seria solucionado, acarretando na persistência de erros, ao arrumar somente uma parte do problema.
         Portanto, tudo é questão de percepção. Ao não enxergar crises globais da maneira adequada (ou seja, realmente globais), a solução jamais será encontrada, pois os sistemas atuais, segundo o filme, prezam pela remediação, e não pela prevenção. O resultado é a degradação da ciência, que se tornou banal e exclusiva ao não se preocupar com os valores transmitidos e com a responsabilidade daqueles que para ela trabalham. 
        A dificuldade em aplicar o método proposto no filme é que essa aplicação poderia resultar no fim do sistema conhecido hoje, pois traria grandes transformações econômicas e sociais. A sociedade ficaria extremamente temerosa em aceitar essas mudanças, prejudicando sua efetividade. Como exemplificado pela obra, ao diminuir o consumo de carne vermelha para prevenir doenças cardíacas e poupar dinheiro gasto na saúde pública, a economia de determinados países, como o Brasil, por exemplo, entraria em colapso, pois dependemos fortemente da agropecuária. Esse método, assim, poderia privilegiar alguns mais do que outros, devendo passar por análise mais profunda.
      Com uma visão contemporânea do mundo e apontando os problemas dos pensadores clássicos, “Ponto de Mutação” apresenta uma nova forma de ver as relações que nos cercam, sejam elas entre os seres humanos ou desses para com o universo, provocando profunda reflexão sobre o papel que desempenhamos na sociedade e no planeta, apesar de necessitar de maior aprofundamento em suas teses.

Arthur Augusto Zangrandi 
1º ano Direito noturno

Mudança de concepção

O filme ‘’O Ponto de Mutação’’, de Bernt Capra, se passa nos anos 90 na França, próximo ao Canal da Mancha e retrata a discussão de três pessoas, um poeta, um político e uma cientista que debatem diferentes pontos de ser entender e explorar a vida.
No filme, a cientista Sonia exemplifica a visão mecanicista de René Descartes através de um relógio, essa que entendia o mundo como uma máquina e defendia que o objeto de estudo deveria ser repartido para ser melhor explorado e compreendido. Ela critica essa visão e afirma que através desse pensamento a sociedade sempre fazia reparos pontuais e não verdadeiras mudanças. Estas que eram essenciais para a evolução da ciência e do pensamento sobre a natureza e sociedade.
A personagem defende que esta visão mecanicista, por ser reducionista e investigar as ações humanas separadamente, é o fruto dos problemas existentes na sociedade, devido ao fato de ser uma errada percepção de mundo, esta que é patriarcal, cartesiana e newtoniana. Com isso era necessário um pensamento mais abrangente, como o da Teoria dos Sistemas Vivos, o qual propõe uma visão de mundo unificada, em que não haja a repartição do objeto de estudo e a qual estuda a organização dos objetos e os seus sistemas conjuntamente.

Com relação a isso, tem-se no filme a metáfora da praia, a qual a areia representa as antigas percepções de mundo que no andar do filme é preenchida pela água do mar, essa como representação do novo, da concepção mais abrangente e fluida. Resumo do que é defendido no filme. Portanto, podemos concluir que o filme ‘’O Ponto de Mutação’’ procura romper com paradigmas antigos e propõe a busca de novas percepções de mundo. 

Mutação de Pensamento

                          
Ao promover uma reflexão sobre o efeito da percepção humana no entendimento e na estruturação do mundo, o filme O Ponto de Mutação, baseado no livro de mesmo título, de autoria de Fritjof Capra, desmistifica modelos sistêmicos de pensamento vigentes até então, como o Mecanicismo de Descartes, relevante principalmente na área do conhecimento cientifico, e propõe uma nova visão sobre a integração dos mecanismos que regem a natureza.

Como símbolo metafórico da alienação do pensamento, a ilha de Saint Mitchel, isolada temporariamente pelas marés, atua como cenário do debate entre as três personagens principais. Cultiva uma atmosfera propícia ao desenvolvimento do enredo, que propõe uma nova maneira sistêmica de pensar, onde não mais ocorre a divisão do todo em partes, porém a compreensão de uma teia de relações onde a conexão e a interatividade entre as partes é essencial na busca do equilíbrio e do desenvolvimento sustentável.

Por fim, ao defender a cegueira humana como uma falta de abertura para o novo, sendo a abertura uma forma de enxergar o todo, compreendendo sua integração, sem antes fracioná-lo, a seguinte questão é proposta: se o mundo é e se faz de acordo com a visão particular que cada um cultiva dele, e se a visão atual do mundo não é satisfatória, por que não modificar a forma de enxergá-lo?


Alice Rocha - 1° ano Direito Noturno

Ciência e o progresso

Os filósofos Descartes e Bacon criticavam a filosofia antiga por terem uma visão mais contemplativa da natureza, defendendo que esta deveria ter um fim útil para vida do homem. Assim, a natureza passara a servir os interesses do ser humano, que, com o passar do tempo e aprimoramento da ciência e tecnologia, transformara o cenário mundial de forma a contrastar calamidade e sucesso.

Essa dualidade fica bastante expressa nas reflexões feitas pelos personagens do filme Ponto de Mutação, principalmente no momento em que a física Sonia questiona, de certo modo, os valores vigentes no mundo capitalista, além de afirmar que os problemas do mundo estão interligados, e que não era possível apenas visar particularidades de cada adversidade no planeta, tal como o pensamento cartesiano pretenderia.

 Ademais, pode-se notar também uma crítica a experimentação proposta por Francis Bacon, uma vez que homem passara a usar dela excessivamente para obter “os segredos da natureza”, desse modo, tentando controlar um macro sistema no qual ele está inserido com a finalidade de se atingir o que seria o “progresso”, tal como sugere o político Jack durante a conversação da qual se baseia o longa-metragem.


Assim, por essas indagações e pensamentos, Ponto de Mutação desconstrói algumas ideias vigentes na época de seu lançamento, 1990, e que transcorrem até o momento atual em que o capitalismo e suas promessas de modernidade se solidificaram na maior parte do globo.

Gabriel G. Zanetti - Direito Noturno
Novas perspectivas

Ponto de Mutação, adaptação cinematográfica derivada do livro “The Turning Point”, do físico austríaco Fritjof Capra, traz uma forte crítica a visão de mundo mecanicista que se reflete na atual condição humana.
Seus personagens, por meio de diálogos bem construídos, trazem máximas que levam a concluir a existência de uma percepção humana distorcida – a cultura, construída pela ideologia dominante, realiza ações egoístas que colocam em risco a própria sobrevivência do ser humano. A ciência moderna, tendo por ponto inicial as ideias de Descartes, transformou o universo na “metáfora do relógio” – fragmenta-se tudo e pensa-se, que a partir das partes é possível entender e definir realidade. Esquecendo o conjunto, logo, consolidou-se uma filosofia baseada no individualismo e no separatismo, no qual as ações de uns não interferem nas de outros. E partir disto derivam-se os problemas contemporâneos vividos.
Por fim, o filme engendra a reflexão que se faz necessário uma nova visão de mundo, baseada em valores mais fraternos, que evitem a destruição humana.

João Victor Ruiz
1º Ano – Direito Noturno

Filme “Ponto de Mutação”
No filme Ponto de Mutação, de Berntfundou Capra, debate – se as relações entre os pensamentos e as ações humanas de diversas perspectivas, bem como o alcance dessas ações. Nos diálogos entre as três personagens, é possível observar fatos a partir de diferentes pontos de vista – político, físico e literário.
Essa interligação feita entre as diferentes visões tem como objetivo demonstrar a importância da interligação entre as diferentes formas de conhecimento. Consoante a crítica do filme ao método cartesiano, é possível fazer, nesse aspecto, um paralelo com a teoria de Comte: na filosofia positivista, seria buscado o conhecimento único, sendo as separações meramente artificiais, diferentemente do sistema de ensino europeu que trata o conhecimento de forma modular.
Esse problema fica evidente no sistema educacional atual, no qual os programas interdisciplinares são raros e geralmente mal compreendidos. No filme, a "Teoria dos Sistemas" corrobora com a filosofia positivista de Comte, defendendo um sistema todo interligado de conhecimento - na contra mão do que propunha Descartes, segundo o qual o objeto de estudo deveria ser pormenorizado para que fosse compreendido.
É importante ressaltar que a contraposição entre as visões de Descartes e Comte não traz como consequência uma ideia vitoriosa. Considera - se que o pensamento cartesiano não se adequa mais para a compreensão do mundo moderno, mas o valor de sua teoria para o desenvolvimento do racionalismo em pleno século XVII é inestimável - em sua obra, o próprio Augusto Comte elogia Descartes ao falar em sua abrangente contribuição para a matemática com o Plano Cartesiano, gerador também de teorias filosóficas. Da mesma forma, é perigoso tomar as teorias positivistas como verdades absolutas, mesmo considerando a pertinência da defesa de Comte acerca da educação.
Com o filme é possível concluir que a modularização do conhecimento não só é prejudicial, como puramente teórica: não é possível aplicar um conhecimento sem considerar suas relações com as demais formas de conhecimento, sendo todas elas instrumentos entre si. 

Heloisa Areias
1o. ano de Direito diurno.

Transgênese

A tempos não sou eu mesma. Alterada profundamente em meu cerne. 
Meus inimigos não mais me reconhecem.
Fui  cortada por uma máquina. Separada. Sequestrada.
Não conseguia ver a luz do Sol. Me perguntava sobre ele. Me perguntava sobre o Sol.
Fui trancafiada. Fui despejada.
Rostos pairavam sobre mim. Rostos enormes. 
Sentia o toque do ar quente. Sentia meu medo que crescia e crescia.
Fui triturada. Fui fragmentada.
Meu eu tão irreconhecível achou um novo refúgio. Passei a fazer parte de um novo ser.
Fui liquefeita. Fui dissolvida na vastidão do branco.
Meu eu tão irreconhecível achou um novo refúgio. Passei a fazer parte de um novo ser.

De quem seria a culpa?
Dos financiadores da minha transformação ou daqueles que me transformaram?
Fruto da ciência. 
Fruto da razão?

A tempos não sou eu mesma.
A tempos não sou a soja. 


Isabela Ferreira Sastre
1º ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia - Filme: "Ponto de Mutação"

O Efeito Borboleta

"O bater de asas de uma borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez, provocar um tufão no outro lado do mundo". Esta frase da cultura popular define o chamado "Efeito Borboleta" que, em resumo, define a ação que uma pequena ação de uma parte do todo pode desencadear uma ação gigantesca. O pensamento sistêmico pode ser relacionado com esta teoria: todo sistema é composto por partes, e estas partes relacionam-se direta ou indiretamente, cada uma exercendo influência sobre as demais.
Nós, seres humanos, somos uma pequena parte da grande teia formadora do grande ecossistema terrestre. Apesar de sete bilhões ser um número assustador para muitos, não se equipara, por exemplo, ao número de insetos existentes. Não resta dúvida, para os cientistas, de que estes animais - que apresentam de 5 a 10 milhões de espécies -, representem, por si só, um número de indivíduos superior ao de nossa própria espécie. 
É um pensamento extremamente egoísta acharmo-nos donos deste planeta e ignorarmos nossos parentes que coabitam conosco esta grande Casa e fazermos dela o que bem entendermos. É muita mesquinhez olharmos somente para nosso desejo de consumo desenfreado sem olharmos para as pegadas ecológicas que estamos deixando nesta rápida caminhada sobre o solo terrestre. Somos borboletas, e isto é certo. Contudo, nosso bater de asas está balançando toda a teia ecológica de nosso planeta.
Contemplemos o todo. Sintamo-nos parte deste todo. Mudemos nosso pensamento e ajamos antes de termos de remediar. Nossa cultura de descarte ensina-nos a usarmos tudo indevidamente pois o desperdício é fácil e cômodo. Lembremo-nos que somos parte - ainda que pequena - do grande Ciclo da Vida. Nossos filhos e netos também serão parte e usufruirão do que deixaremos de herança. 
É chegado o Ponto de Mutação, em que mudamos nossa maneira de enxergar, compreender a realidade à nossa volta, sentindo-nos parte, e não todo, e assumirmos nosso papel neste mundo, agindo de forma a garantir nosso futuro, bem como o da nossa grande teia de interdependência.

Hiago A. Cordioli
Texto sobre "O Ponto de Mutação"
1º Ano de Direito - Período Noturno

A teoria e seu fim

  O filme Ponto de Mutação, lançado em 1990, derivado do livro de mesmo nome de Fritjof Capra, é construído no desenrolar de um diálogo entre Sonia Hoffman, uma cientista norueguesa, Jack Edwards, político estadunidense, e o poeta Thomas Harriman. No decorrer desta conversa Sonia contesta a visão cartesiana, newtoniana e patriarcal do mundo e argumenta em prol a uma teoria sistêmica, ou seja, um olhar que enxerga tudo como algo único, relacionado e interligado.
  Ao tentar desconstruir a percepção mecânica inicialmente defendida pelas outras personagens Sonia aponta como erro a tentativa de desmembrar o objeto observado e entender suas partes para depois coloca-lo como um de novo e, a partir dai, tentar entende-lo como um todo. Ela defende que há relações e conexões entre tudo que compõe nossa realidade, assim, tornando essa um único sistema não passível de cortes, quebras e desmembramentos, pois, ao entender algo solitário desse meio seria desconsiderado as ligações deste com o todo, portanto, o conhecimento alcançado seria incompleto e parcial.
  Após longa discussão de suas teses, as quais defendem, no cunho social, a remodelação do pensamento (para prevenir problemas em potencial)  e não a intervenção (sanar os problemas após ocorridos), Jack questiona: suas ideias podem mudar a lógica social? Elas são práticas e aplicáveis?
E este é o ponto crucial, em minha visão, de toda a trama do filme, pois, sim há o que mudar, renovar e repensar na sociedade e é a ciência (entenda-se incluído no conceito de ciência a filosofia e sociologia) o meio pelo qual novas teorias e concepções apresentam-se, porém, se tais propostas não são viáveis e aplicáveis na sociedade, ou seja, são apenas ideais utópicos que tentam de maneira irreal transformar a lógica social, qual o fim deles? São eles de alguma importância real?
  Ao defender a mudança do habito alimentar e a diminuição da produção de carne vermelha, por exemplo, Sonia explicita ideais que possuem fundamento lógico: com a diminuição do consumo de carne vermelha e a reeducação alimentar vários problemas de saúde tornariam-se menos incidentes; entretanto, o mundo capitalista contemporâneo dependente da produção em larga escala para sua sustentação e manutenção, logo, tal proposta demonstra-se vazia, pois, não há a possibilidade concreta de que numa visão sistêmica, ou seja, da interligação de tudo e todos, de tal acontecimento e outros de mesma natureza, realizar-se sem a quebra do mesmo, porque, ao romper alguns conceitos baseados nessa lógica (de prevenção e não intervenção) romper-se-iam inúmeros outros devido a ligação entre todos eles causando, assim, em algum momento a dissolução da atual lógica social.
  Portanto, a teses pregada pela cientista não é aplicável, não que seja errônea ou ruim, mas apenas não concretizável na sociedade ocidental atual, devido à lógica a qual aquela funciona, pois não é sensato crer que uma organização direcionaria-se para práticas as quais resultariam em seu fim.    

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Relógio mecânico e antiquado

                A pormenorização do mundo, a partir da razão científica de Descartes,  foi de extrema importância para a Revolução Científica do século XVII. No entanto, ela hoje apresenta-se como um método antiquado para se transformar o mundo. Esta é a problemática tratada em “Ponto de Mutação”, filme baseado na obra homônima de Fritjof Capra, a partir do diálogo entre uma cientista, um poeta e um político.

                A cientista, Sônia, apresenta ao político e ao poeta o pensamento sistêmico, no qual o mundo se apresenta interligado, havendo relações de interdependência entre as partes. Assim, ao contrário de Descartes –que acredita no conhecimento prévio das partes para o conhecimento posterior do todo, a Teoria dos Sistemas visa o conhecimento do todo para que se possa analisar e transformar o mundo. Analogamente, faz-se necessário o entendimento de todos os problemas do globo e a compreensão das ligações entre eles, para posteriormente encontrar-se soluções.

                Frustado por perder as eleições presidenciais, o político, de pensamento reducionista-mecanicista, após muito discutir, se vê, assim como o público, levado por ao menos parte dos ideais da cientista. Neste momento há um interessante questionamento: como fazer com que toda a sociedade, em seu caso, os eleitores, compreendam esta forma de pensar? Afinal, após séculos de perpetuação, o pensamento cartesiano está impregnado nas mentes do povo.

                Mudar a maneira da sociedade ver o mundo. Esta vaga resposta dada pela cientista é o desfecho do debate entre os pensamentos sistêmico e reducionista. Ao incitar a necessidade e vontade de mudança no público, o diretor do longa-metragem, Bernt Amadeus Capra, tem como objetivo a reflexão dos indivíduos, que passam a buscar modos de transformar a visão do povo e, assim, colocar em prática as novas ideias apresentadas.

Letícia Solia
1º ano - Direito diurno

As heranças do cartesianismo

A instrumentalização da ciência, a ávida busca do lucro e o rompimento com a consciência coletiva
                                                                                                                                                         
            Certamente, René Descartes possuia boas intenções ao propor, no século XVIII, o inovador método científico que compreendia a aplicação prática da razão - a função da ciência deixaria de limitar-se ao estudo dos fenômenos e passaria a possibilitar o controle da natureza por parte dos homens. O quê de mais maravilhoso poderia acontecer na evolução da classe burguesa industrial senão isso? De fato, os adventos da introdução do método cartesiano de se fazer ciência foram de suma importância na construção da sociedade como a conhecemos hoje - da medicina à engenharia, o homem quase não encontra mais limites biológicos ou terrenos para expandir suas fronteiras; sejam elas físicas ou sociais.
            No entanto, a oportunidade de dominação da natureza em amplos níveis por parte da elite agrária e industrial também inaugurou uma forte problemática: a exploração abusiva dos recursos naturais, aliada ao rápido avanço tecno-científico, viabilizou a produção em larga escala de mercadorias e, por conseguinte, o aprimoramento do sistema de acúmulo de riquezas. De uma perspectiva marxista; o trabalho, antes exercido por necessidade de sobrevivência, passa a ter como finalidade última o lucro daqueles que empregam, baseado na exploração também abusiva do trabalhador, denominada mais-valia. Dominar a natureza passa a ser, desta forma, deter os meios de produção e submeter as forças produtivas.
            Compreendendo a investigação científica como um trabalho e o cientista como o trabalhador, conclui-se que a instrumentalização da ciência, portanto, também implica na instrumentalização do próprio cientista. O filme Ponto de Mutação, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, aborda justamente esse fenômeno através da demonstração de que, na contemporaneidade, o investimento em pesquisa científica é orientado pelos interesses da elite política global; expresso no dilema enfrentado pela personagem Sonia, uma física que abandona os laboratórios após descobrir que sua pesquisa com lasers estava sendo aplicada na construção de ferramentas de guerra. A cientista pretendia que suas descobertas pudessem ser empregadas na busca pela cura de células cancerígenas e, após a frustação, passa a contestar a limitação do método cartesiano e propor sua superação, de forma a romper com a perspectiva mecanizadora da natureza, das relações sociais e do próprio homem.
            Assim faz-se aqui a reflexão de como a ciência moderna e suas aplicações  representam uma efetiva quebra com a noção de consciência coletiva - o subjugo da pesquisa aos interesses internacionais delineiam claramente essa inversão de valores. O investimento científico visando o bem coletivo é dispensado em benefício da criação e aprimoramento de cada vez mais agressivos métodos de dominação cultural, econômica e política. Reforça-se o aspecto predatório da ciência quando se observa que, após obter os meios de dominar a natureza, o homem usa desta para dominar a seus semelhantes e estabelecer o controle hegemônico da sociedade no intuito de manter o funcionamento do sistema capitalista em seu favor. Prejudica-se assim tanto o espaço social, no que se refere ao aprofundamento da desigualdade entre as classes, quanto o natural, referente aos danos à natureza propriamente dita.
            A obra cinematográfica de Capra, então, contrapõe a visão mecanicista cartesiana de mundo à perspectiva “orgânica” que propõe a superação da primeira; através do diálago entre a personagem da cientista Sonia Hoffman e do político Jack Edwards. Para romper com o método falho de orquestramento político-científico, mostra-se necessário abandonar a compreensão do mundo e do homem como uma máquina composta de engrenagens e instrumentos que podem ser removidos e controlados, e passar a vê-los como um organismo vivo, composto de aspectos interdependentes - tudo está relacionado, do nível subatômico das partículas ao macrossocial das relações de poder, como órgãos que, para seu pleno funcionamento, devem colaborar entre si em mutualidade.
            Fica, então, a conclusão de que, embora a ciência possa ser um instrumento fantástico, limitá-la a um instrumento de dominação é extremamente nocivo e privador - a sociedade evoluiria muito mais caso o interesse científico se libertasse do mundo privado, sustentado pelo sistema capitalista de produção, e pudesse exercer suas aplicações em plenitude, alcançando e satisfazendo as necessidades de todos os homens.

                                                                                               Gabriella Di Piero
                                                                                               1º ano de Direito (diurno)
                                                                                               Introdução à Sociologia

Metamorfose do juízo

    A ciência analítica proposta por Descartes e Francis Bacon nada ajuda hoje em dia e subverte nossa visão de mundo,provocando problemas sociais, individualismo e falta de solidariedade.Essa é a proposta do filme "Um ponto de mutação" ,de Bernt Capra,baseado no livro de Fritjof Capra.Assunto em voga na sociedade atual,teoriza acerca dos cernes da ciência atual e das questões relativas a sociedade moderna capitalista urbanizada.
   Precipuamente,uma das questões principais consiste no conhecimento humano,o qual,de acordo com os três personagens do filme,está muito diferente das ideias propostas do Descartes e Newton.Se, por um lado, positivamente, eles acabaram com as amarras do pensamento teológico,por outro vários eventos de elevada importância já ocorreram,o que mostra que tal teoria não se enquadra mais no presente momento.
    Nesse aspecto, o que a cientista ,o dramaturgo e um candidato a presidência não-eleito admitem é uma sociedade interligada,onde todas as partes se influenciam mutuamente para formar o todo.Dessa maneira,instiga o ser humano a observar sua própria conduta, qual seria a sua contribuição?Seria esta um ente benigno?Ou maligno?.São tais questionamentos e reflexões que nos perseguem até os dias atuais.
    Dentro desse contexto,o que fica evidente é o egoísmo do ser humano,o qual dentro da lógica capitalista urbana,age somente pensando a si próprio e desconsiderando,muitas vezes,a sobrevivência de seu semelhante.Como é visto e vivenciado por todos inúmeros exemplos de tais conjunturas: mendigos jogados nas ruas passando fome e frio,crianças abandonadas,favelas que se expandem...
    É dessa forma que fica clara a crise social em que vivemos.onde o egoísmo se estampa na cara de cada um e a solidariedade atinge índices insignificantes.Assim,resta-nos primeiro ponderação e ,depois ,mudança,uma vez que até qual ponto a lógica baseada na razão,adquiria pelo sistemas filosóficos já ultrapassados,nos controlará? Nos tornaremos mais mecanicistas do que já somos? Isto seria possível? A solidariedade,fraternidade e igualdade seriam valores esquecidos? .São questionamentos que poderão se tornar realidade um futuro bem próximo casa nada seja alterado.



                                                      Maria Izabel Afonso Pastori.
                                                                           Direito-Noturno.

Mutação no Pensamento Humano


Superestimando a razão humana, Descartes inaugurou um pensamento cientificista que, ao mesmo tempo que assola os homens na contemporaneidade, é ainda muito partilhado por eles.  Trata-se da difusão da ideologia do mundo-máquina, metaforizada por um relógio, a partir da qual passamos a encarar todos os seres vivos e coisas como peças soltas de um sistema, ignorando suas peculiaridades , necessidades e importâncias. Um exemplo atual e perceptível dessa visão é o desenvolvimento da Medicina que, cada vez mais avançada e tecnológica, materializou a possibilidade de “corações artificiais” para aqueles que têm problemas cardíacos, sem, no entanto, preconizar mudanças efetivas no estilo de vida das pessoas que pudessem prevenir tais remediações extremistas.
É exatamente essa concepção individualista e pragmática da vida que o filme “O Ponto de Mutação” tenta combater ou pelo menos questionar. Na obra, há o político - que opera sem hesitar conforme os preceitos cartesianos – e a cientista que, apesar da profissão, é adepta a uma forma mais orgânica de posicionamento dos homens diante do mundo, o que gera uma interessante reflexão. Segundo a personagem feminina, é urgente que haja uma “mudança de percepção” nas pessoas que ela mesma adquiriu a partir de decepções causadas pela ciência utilizada de modo inadequado, como a tecnologia da radioatividade aplicada nas bombas atômicas. Tal mudança aconteceria a partir do momento que abandonássemos o pensamento mecânico de Descartes para adotar uma nova visão de mundo essencialmente integrado e coeso.
Esse mundo, também chamado de ecológico, é baseado na Teoria dos Sistemas Vivos (sistemas sociais e ecossistemas), no qual haveria um real entendimento dos seres como parte de um todo que se mantém, se renova e se transcende, abandonando a ótica patriarcal, newtoniana e cartesiana de “fragmentação” do mundo em prol da visão holística em que todos os seres estão interligados. Dessa forma, é destaque também que os sistemas estão - assim como afirmou Heráclito – em contínua mudança, mas sem alteração em seus padrões de organização, o que faz com que a verdadeira dinâmica evolutiva ocorra não pela adaptação, e sim pela criatividade.
Assim sendo, é novamente questionável a lógica inatista e racionalista de Descartes, que limita o conhecimento aos âmbitos da razão. Afinal, se as criações e inovações são fundamentais para a evolução, é primordial que se aplique os conhecimentos obtidos pela experiência, conforme afirmava Bacon, opositor de Descartes, na obtenção dessas mudanças. Com isso, diante das conseqüências vistas nos “corações artificiais” e nas crianças que morrem de inanição para que seus Governos paguem suas dívidas econômicas ( exemplo citado no filme), ter-se-ia a obrigatoriedade de aplicar de fato uma nova lógica – tanto na ciência, quanto na política – que fosse mais harmônica, e não apenas pautada nos mecanismos do hábito.

Olhos de ver, olhos de olhar, olhos de enxergar?

        A abordagem do filme “Ponto de Mutação”, do diretor Bernt Capra, pauta-se em uma das teorias propostas pela física (Sonia) que compreende em solucionar a crise que desencadeia todas as outras: a crise de percepção sofrida pelo homem moderno.                                                                                          A passagem de tempo é algo inexorável. Como já definia Heráclito em sua teoria do Devir: “o que é, enquanto é, não é, porque muda”. Nessa linha de raciocínio, quando chegam à ilha medieval francesa, o senador e possível candidato à presidência dos Estados Unidos, e seu amigo poeta se deparam com vestígios de tempos remotos. E ao encontrarem a cientista referida, passam a debater sobre temas que envolvem o homem em relação com o meio no qual habita. 
     Pode-se perceber, a partir das discussões presentes no filme, que a falta de percepção humana possibilita-se estar associada à transformação do tempo em algo mecânico. Assim, a vida passa a ser meramente vivida sem haver a emoção do existir. Com isso, os problemas como o desmatamento de florestas à proporções inimagináveis, a fome que se alastra de forma desastrosa, entre tantos outros que afetam o mundo todo, deixam de ser perceptíveis, mesmo que isso pareça impossível.
     Segundo o poeta inglês William Blake: “Se as portas da percepção se abrissem, tudo apareceria como é”. Dessa forma, de acordo com a temática desenvolvida na obra artística em discussão, pode-se utilizar como guia para tal feito, a razão. Esta é apresentada por Francis Bacon como o caminho para a verdade, um condutor do ser humano, além de servir como método de explicar o mundo em que se vive. De fato, aumentar a dosagem de racionalidade no homem moderno o faria sair de sua “zona de conforto” de viver de forma mecânica, automática, sem ao menos questionar o mundo ao seu redor.
     Salienta-se ainda a teoria dos sistemas vivos defendida pela cientista referida, a qual consiste em analisar criticamente qualquer objeto, animado ou inanimado pelo todo, e não em segmentos. Por outro lado, a vida não é condensável, portanto, como poderia ser analisada como um todo? Assim, percebe-se que a tentativa de caráter cartesiano de aplicar essa concepção à vida, não seria válida.
   Com efeito, em relação à problemática humana de apenas ver sem sentir, ocasiona uma característica inerente a boa parte da população atual: inércia no tocante aos problemas da humanidade em geral. Desse modo, a abordagem permite o questionamento pessoal de como se tem agido.
                                                                                                                            Gabriela Cabral Roque
                                                                                                                            Introdução à Sociologia 
                                                                                                                              1º ano - Direito diurno



As estrelas sem fim

“Sou só uma rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho como tu, investigando as estrelas sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe dentro do vento.”
 Os Enigmas, Pablo Neruda.

O filme Ponto de Mutação, de Bernt Capra, é uma adaptação da obra homônima de Fritjof Capra. A obra se passa nos anos 90, onde a percepção da produção e do consumo massificados era parte intrínseca do coletivo. Por essa contextualização, percebe-se como a consciência ecológica ainda era pouca expressiva. Dessa forma, o filme trouxe ideias revolucionárias para a época, apresentando a visão holística e sua forma de interpretar o mundo.

O foco principal da obra é uma discussão entre três pessoas que, ao apresentarem seus diferentes pontos de vista, refletem sobre a existência humana e os efeitos e implicações que determinadas correntes do saber têm na natureza e na sociedade.

A personagem Sonia Hoffman, uma física que se afastou do trabalho por questões éticas, mostra para o político Jack Edwards como a visão de mundo dele é simplista e ineficiente. Jack diz ser um homem prático, mas na verdade, procura respostas prontas, muitas vezes baseado em correntes mecanicistas (uma herança cartesiana). Sonia defende o pensamento holístico, que prega que o homem e suas ações não podem ser entendidos por uma análise separada: as partes compõem o todo e o todo regula o comportamento das partes.

O terceiro personagem da trama, o poeta Thomas Harriman, não se posiciona imediatamente a respeito da questão que seus companheiros tão avidamente discutiam. Porém, ao final do dia, expressa que o pensamento holístico, ao sistematizar a vida, também se torna simplista, ineficiente e está destinado a encontrar respostas prontas.

“(...) me sinto tão reduzido sendo chamado de sistema quanto sendo chamado de relógio. A vida não é condensável assim.”
Thomas Harriman, personagem de “Ponto de Mutação”.

Assim, o poema de Neruda, que Harriman cita no filme, indica como a amplitude é algo próprio da natureza e da vida, ao contrário do que afirmam pensamentos reducionistas como o mecanicista de Descartes e o holístico que Sonia tanto defende. Investigar as estrelas sem fim seria, de fato, investigar o homem, suas ações e seu mundo sem respostas prontas. Somente assim seria realmente possível tratar as mazelas da humanidade de forma eficaz.

"Mas lembre-se: a vida sente a si mesma. Diferentemente de suas palavras, talvez e até com as melhores intenções, você errará se esquecer de que a vida, a vida é infinitamente mais que as suas ou as minhas obtusas teorias a respeito dela."



Lívia Armentano Sargi
1° ano, Direito diurno