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domingo, 26 de abril de 2015

Como nossos pais

Na tradição clássica, especificamente para Aristóteles, o poder dividia-se, sobretudo, em poder paterno, poder despótico e poder político. O primeiro tipo, do qual trataremos em particular nesta postagem, baseia-se no domínio que os pais exercem sobre os filhos, a partir, além da natureza de genitor e rebento e da força física, da experiência e sabedoria daqueles.
Francis Bacon estabelece, em sua obra Novum Organum, um método científico para atingir o conhecimento verdadeiro do mundo à sua volta. Este método consiste no uso dos sentidos, na observação e análise racional da realidade. Podemos estabelecer uma relação entre este método e o conceito de sabedoria, que é o conhecimento adquirido através dos anos, ou seja, da experiência.
Tendo experimentado as mesmas situações dos filhos, diferindo em uma coisa ou outra, os pais são a razão daqueles pequenos indivíduos ingênuos e com pouco discernimento entre o certo e o errado, entre o bom e o mau. No caso da adolescência, fase da experimentação e do descobrimento, os genitores são de vital importância para o aconselhamento e a condução da prole para sua própria segurança.
A privação por parte dos pais em relação aos filhos quanto a algumas situações gera um conflito de interesses. Aqueles visam a proteção destes de circunstâncias perigosas que certamente irão gerar, de alguma forma, dor ou constrangimento. Os jovens, por sua vez, sentem frustração e revolta, uma vez que anseiam por ter as próprias experiências.
Bacon interviria a favor dos filhos, argumentando que estes teriam conhecimento sobre o mundo e sua realidade somente se "sentissem na pele", ou seja, se passassem por situações que mostrem empiricamente o que é bom e mau, certo e errado. O filósofo defenderia que somente os conselhos dos pais, por mais que estejam recheados de experiência própria, não bastariam para que os filhos fizessem esta distinção e definissem os caminhos que devem trilhar.
As experiências vividas por nossos pais, que deram a eles a sabedoria e o conhecimento que lhes dão o poder sobre nós, filhos, são também por nós vividas, para que tenhamos, também, nossa própria sabedoria e conhecimento, que serão passadas às próximas gerações. Assim, aqui cito uma conhecida música de Belchior, que dá título a esta postagem: "Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais."

Hiago A. Cordioli
1º ano de Direito, período noturno
Disciplina de Introdução à Sociologia, aula 03.

Fazer ciência é obter uma finalidade prática

     Em sua obra "Novum Organum", Francis Bacon, filósofo londrino, reflete sobre um "novo instrumento", como o próprio nome da obra já diz, para auxiliar a mente humana a realizar novas descobertas e a corrigir as "falsas noções". Para ele, os homens têm a tendência de aceitar como verdadeiro somente aquilo que lhes convêm, sem submeter o conhecimento às experiências devidas.
Bacon afirma que existem dois métodos, "um destinado ao cultivo das ciências e outro destinado às descobertas científicas". O primeiro, chamado de "antecipação da natureza" consiste na tradição, em noções prematuras, e em ideias preconcebidas; e o segundo, a "interpretação da natureza", constitui o método verdadeiro, que tem como base o empirismo.

Este segundo método defende tanto o abandono das "falsas noções", que Bacon chama de "ídolos da mente humana", quanto a realização de um grande número de experiências consecutivas para assim poder se extrair um axioma. Os "ídolos" são quatro: os "ídolos da tribo humana", que são falhas dos sentidos e do intelecto do homem; os "ídolos da caverna", distorções da relação do homem com o mundo à sua volta por conta de suas individualidades, sejam elas sua história de vida, seus hábitos, sua formação ou suas leituras; os "ídolos do foro", falhas na linguagem e na comunicação entre os homens; e os "ídolos do teatro", que são as falsas filosofias e teorias aceitas.

     O filósofo londrino faz críticas à filosofia tradicional como um todo, por ser esta uma filosofia de palavras e não de obras; e principalmente à dialética aristotélica, por ter um método estéril à produção de resultados práticos que beneficiem a vida dos homens, um método que serve somente para alimentar discussões. Ainda nesse meio, ele se opõe ao saber mágico-alquimista, que só alcança algum conhecimento ao acaso e não como resultado de procedimento metódico de experiências.

O conceito de ciência atual tende a concordar com o de Bacon no quesito finalidade prática. As ciências que trabalham com o exercício da mente e com as discussões existencialistas, sofrem grande preconceito na contemporaneidade. Já as ciências que contribuem para o desenvolvimento da tecnologia são vistas com enorme louvor.

                                                       Beatriz Mellin Campos Azevedo
                                                       1º ano Direito Diurno
                                                       Introdução à Sociologia, aula 3.

In Bacon we trust

  Recentemente, o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, desarquivou o Estatuto da Família. Criado, pelo mesmo relator da “cura gay”,em 2013, Anderson Ferreira, deputado membro da bancada evangélica.  O que provocou uma grande mobilização por parte de ativistas nas redes socias. Isso porque, tal estatuto reconhece um único tipo de família: aquela decorrente da união de um homem e de uma mulher. Essa tentativa de supressão dos direito individuais e conquistas sociais da comunidade LGBTT é apenas uma entre várias. Outra medida que causou polêmica diz respeito à pressão pela retirada do kit escola sem homofobia, que visava a esclarecer as diversidades sexuais, combatendo, dessa forma, o preconceito.
 Isso mostra a influência dessa bancada na configuração atual. Tendo em vista que muitos dos deputados que a compõe não conseguem assimilar a ideia da relação homoafetiva, bem como a constituição de uma família a partir dessa relação. Tanto é que, o terceiro deputado mais votado nas eleições de 2014 foi o pastor Marco Feliciano, expressamente contrário à homossexualidade, que certa vez, em seu twitter, publicou: "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição". Usam, portanto, desse corporativismo para defender projetos conforme  sua crença.
  Mas por que isso ainda é recorrente na sociedade atual? E por que se permite que os governantes ajam dessa forma depois de tantos avanços na pesquisa empírica do Direito?  Francis Bacon, filósofo britânico, em sua obra “Novum Organum”(1620), explica:  o espírito dos homens é dominado por falsas impressões da mente, dificultando o acesso à verdade e a instauração da própria ciência. Uma vez que, o exercício da mente por si só não é suficiente, por isso é preciso buscar mecanismos de experiências que viabilizem observações concretas da vida social.
  Diante disso, é possível designar, nesse caso, a crença religiosa como elemento delimitador. Isto é, aquilo que domina a mente dos eleitores, os quais, por sua vez, elegem os representantes que compartilham da mesma. Tal perspectiva, então, exerce controle sobre a visão social, visto que prescinde das demandas advindas das diferentes formas de família e de relações. Indo de encontro ao princípio de dignidade humana consagrado na Constituição e à recente aprovação da união estável entre homoafetivos por parte do Superior Tribunal Federal.

 Assim, na visão baconiana, a realidade seria incompatível com a idealização normativo-dogmática e a superação disso repousaria na pesquisa empírica no campo do direito, a qual busca através de um exame empírico realizar práticas que viabilizem transformações positivas que atentandam às necessidades sociais.


Yasmin Commar Curia - Primeiro ano do Direito noturno

Os ídolos de Bacon e a legislação brasileira

     Francis Bacon foi um renomado filósofo inglês, famoso por contribuir à ciência por meio do empirismo, escola pregada por ele em sua obra "Novum Organum". Segundo Bacon, a compreensão do mundo se dá principalmente por meio da experiência, deixando menos espaço para análises puramente racionais, as quais resultariam em meras "antecipações da natureza".
     Ademais, encontra-se em Bacon um discurso extremamente atual, quando o mesmo diz que "a lógica tal como é hoje usada mais vale para consolidar e perpetuar erros, fundados em noções vulgares, que para a indagação da verdade, de sorte que é mais danosa que útil". A partir desse princípio, surgem os ídolos baconianos, os quais constituem falsas percepções que ocupam o intelecto humano, distanciando o homem da verdade. 
     Nesse contexto, podem-se relacionar os ídolos pregados por Bacon com o atual cenário político brasileiro, no qual grandes líderes políticos e religiosos - dois conceitos cada vez mais fundidos - lançam mão de artifícios ideológicos, via manipulação da realidade, como instrumento de legitimação do poder e manutenção de hegemonia política. Exemplo disso foi a aprovação do projeto de redução da maioridade penal no Brasil e o consequente apoio da maioria da população, quando a experiência vivida pelos países que já adotaram tal medida mostra a ineficácia da mesma.
     Portanto, percebe-se a atemporalidade dos ídolos baconianos e seu impacto em diversas sociedades. Deve-se, acima de tudo, afastar e repelir os ídolos, fazendo uso do remédio apontado por Bacon: a indução. A partir dela, a ciência pode fazer o estudo correto da natureza, visando ao desenvolvimento técnico-científico, enquanto que a sociedade pode promover um maior esclarecimento do homem como animal político.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno

Experiência e manipulação


Ao contrário da filosofia tradicional, o pensamento baconiano afirma que a razão é importante, porém é guiada pela experiência. Bacon, em seu livro "Novum Organum", propõe uma ciência empirista, onde a retórica não tem vez, dando espaço para a investigação dos fatos como método mais adequado para atingir o conhecimento. Ou seja, explorar o mundo é mais vantajoso e construtivo para a ciência que criar teses a respeito dele com base apenas na razão. 
Além da defesa da experimentação como base para o conhecimento científico, o filósofo afirma que nossas falsas percepções do mundo, as quais ele chama de "ídolos", não nos permitem chegar a uma imparcialidade. Somos o tempo todo influenciados por nossas paixões, sentidos, leituras, relações pessoais, sistemas filosóficos, crenças e, também, por nossa educação e criação ao longo da vida. Desse modo, apenas conhecendo esses ídolos e nos despojando deles ao máximo, podemos nos aproximar de um pensamento imparcial. 


A atualidade das ideias de Bacon pode ser percebida ao observarmos a parcialidade na formação do pensamento ocidental, onde desde pequenos somos bombardeados por ideologias e preconceitos, incutidos em nossas essências pela mídia, pela formação acadêmica e pelo senso comum. Somos incentivados desde muito cedo a criar e nos agarrar a ídolos, de maneira que somos responsáveis por uma ciência pessoal extremamente parcial. Sendo assim, a inovação do discurso baconiano se faz presente no mundo contemporâneo, mostrando a perduração de suas ideias através dos séculos. 

Giovana Galvão Boesso
1º ano- Direito diurno, aula 3.

A experiência, o saber e o poder

     Quando crianças nossos pais tentam nos preparar para o mundo da melhor forma possível, ensinando a diferença do certo e do errado, ensinando como agir diante das diferentes situações. Porém,quando chega a hora de usar algum conselho ou ensinamento, muitas vezes não o fazemos e acabamos passando por situações difíceis,para depois vermos como nossos pais, na maioria das vezes, estavam certos. Só então que conseguimos perceber que eles já haviam aprendido por meio de suas experiências anteriores e repassaram esse conhecimento para seus filhos. Assim como fizeram os pais, Francis Bacon acreditava que deveria ser feito com a ciência, uma interpretação do mundo  através da experiência, aquilo que pode ser vivido, e que esta guiaria a razão.
      O filósofo quebra com a filosofia racionalista até então em prática. A razão deixa de ser suficiente, é necessário o uso da experiência para se chegar a ciência útil que pode ser aplicada na realidade do mundo. Para isto, ele lida com o empírico e confronta tudo aquilo que é fantasioso, como a astrologia, a magia e  superstição.Em adição, o autor do "Novo Organum", formula uma crítica as constatações feitas somente pela razão, sem o domínio do real, daquilo que vivemos, defendendo ainda que a mente não pode guiar-se por si mesma, devendo ser regulamentada pela experiência.
     Para Bacon os filósofos gregos são como nossos políticos atuais, falavam muito mas pouco colocavam em prática. As palavras destes não tinham a natureza transformadora necessária a classe emergente da época: a burguesia. Uma vez que esta demandava por uma ciência dominadora, que pudesse colocar a natureza a favor das necessidades humanas. Era necessária uma ciência transformadora, não contemplativa.
         Assim como o burguesia, que, por possuir o saber, teve meios para dominar a natureza e tudo ao seu redor de acordo com seus interesses, atualmente países que possuem mais conhecimentos científicos nas diversas áreas, como da medicina, da engenharia, da educação, de armamentos bélicos, são também aqueles que possuem maior poder em âmbito mundial, fazendo com que seus interesses prevaleçam sobre os das outras nações. E ao mesmo tempo, constitui-se uma disputa entre os diversos países pelo domínio cada vez mais profundo das diversas ciências, instituindo-se assim, uma competição pelo poder. Verifica-se,pois, a atualidade da visão baconiana, onde o saber é sinônimo de poder.
                                                                       Mariana M. Carneiro
                                                                       1ºano direito-Noturno
                                                                       Aula 3

Bacon e a inauguração da ciência pragmática

É perceptível que, assim como afirmou Francis Bacon no século XVII, “o intelecto humano se deixa abalar no mais alto grau pelas coisas que súbita e simultaneamente se apresentam e ferem a mente” e, dessa forma, é comum que os homens se deixem tomar por certos ídolos. Os Ídolos da Tribo são naturais da formação humana e referem-se à interferência das paixões na construção de juízos e à incompetência dos sentidos em fazer analogias não com o universo e sim com a natureza humana, o que é extremamente prejudicial à ciência até hoje; os Ídolos da Caverna consistem naqueles que todos possuem individualmente e os detêm como uma cova particular, fruto de leituras e da educação, e que resultam em hierarquias que produzem pequenos mundos; por sua vez, os Ídolos do Foro são consequência das relações humanas, do diálogo e do comércio, determinando, assim, o poder da Palavra como instrumento de perturbação humana, visto, por exemplo, nos conhecidos resultados que obteve a oratória e retórica de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial; e, por fim, há os Ídolos do Teatro, que figuram mundos fictícios e teatrais, como a magia e a astrologia e conseguem inúmeros adeptos a essa crença do poder sobrenatural.
Todos esses ídolos foram determinados por Bacon como os responsáveis pelo bloqueio da mente humana e a conseqüente dificuldade em fazer ciência daqueles que se pautam unicamente nas perspectivas da razão. Dessa forma, o pensador critica veementemente o racionalismo proposto por Descartes afirmando que este institui a ciência como um “mero exercício da mente humana”, a exemplo do grego Aristóteles que – também crente na razão como único instrumento para alcançar o conhecimento científico- “está sempre pronto para tagarelar, mas é incapaz de gerar, pois, a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril de obras”. Com isso, o pensador busca a materialização do conhecimento científico, isto é, que fosse considerado empírico apenas o que pudesse ser observado, perscrutado, investigado e, dessa forma, aplicado pelos homens na dominação da natureza, como feito pela emergente burguesia da época que iniciava suas primeiras manufaturas.
É evidente, então, que limitar a ciência ao suposto conhecimento inato dos homens (razão) é uma forma de ANTECIPAÇÃO da mente que desconsidera o contexto e resulta inevitavelmente no senso comum e no dogmatismo dos ídolos. Assim, o real conhecimento científico, para o pensador, seria proveniente da INTERPRETAÇÃO da natureza, capaz de antecipar o acaso e o futuro por meio do método indutivo e que geraria, de fato, descobertas científicas, e não apenas o cultivo das ciências. É importante ressaltar também que essa capacidade de interpretar a natureza em seu contexto é um instrumento para o aprimoramento da mente e do intelecto – como um tear que facilita o trabalho do tecelão – resultando na supressão das lacunas da mente humana e na consequente constituição da verdadeira ciência, que seria, para Bacon, a representação das reais intenções divinas.

Dessa forma, aplicando o pensador no Direito, vê-se, por exemplo, que a atual perspectiva de união homoafetiva (formação de famílias) - modificada pelo Judiciário há três anos - levou o Legislativo a modificar também o Estatuto da Família, em uma evidente adaptação das leis diante do contexto que pode ser interpretado. Da mesma forma, a ciência moderna não se faz de antecipações, e sim de explorações, observações e interpretações ilimitadas, consistindo em um dos maiores legados de Francis Bacon ao conhecimento científico. Assim, conclui-se que a falácia dos sentidos – da qual os homens rodeados por ídolos são tão vulneráveis – é o maior obstáculo ao avanço da ciência e que minimizá-la diante da importância de submeter a mente a caminhos empíricos é, então, a melhor maneira de evitar o descartável cultivo das ciências para que a própria possa, enfim, cultivar frutos pragmáticos aos homens.



O Empirismo nas sociedades indígenas

A sociedade atual conta com os grandes avanços da medicina para o tratamento e a cura das mais diversas doenças, de modo que à ciência pouco falta descobrir sobre o corpo humano e o que pode afetá-lo. A evolução tecnológica é grande aliada da medicina nesse aspecto, uma vez que esta possui grande dependência daquela numa série de procedimentos importantes.
Apesar disso, sabemos que há séculos atrás, no Brasil, antes da colonização, os indígenas possuíam grandes conhecimentos a respeito da saúde humana, utilizando apenas da sua vasta experiência e produtos fornecidos pela natureza.

Francis Bacon foi um importante filósofo inglês defensor do Empirismo. Este método aponta que o saber é limitado às experiências e o aprendizado é fruto de testes de tentativa e erro. Bacon acreditava que ícones da ciência ou verdades alcançadas exclusivamente a partir da razão eram ineficazes na construção do conhecimento. A partir disso, podemos associar os ideais baconianos com a sociedade brasileira anterior à chegada europeia.

As tribos indígenas do Brasil muitas vezes associavam seus males (no clima, na saúde, na caça ou na agricultura) a divindades, buscando respostas num plano superior, nos deuses e seus respectivos desejos. Faziam oferendas e rituais para agradar as entidades e acreditavam que desta forma poderiam obter sucesso em seus objetivos. Além disso, os nativos tinham uma imensa sabedoria da Medicina Natural, tanto que esses ensinamentos são valorizados e respeitados até a contemporaneidade. Os índios adquiriam todo o seu aprendizado a partir de gerações passadas e também por suas próprias experiências. Suas tentativas tiveram, de fato, êxitos e fracassos, contudo, esse método possibilitou que aquelas sociedades perdurassem por muitos anos vivendo na simplicidade de suas próprias teses.

Concluímos, então,  que o Empirismo defendido por Bacon é uma maneira brilhante de aprendizagem. Ele não é imune de falhas, mas é construído a partir de cada indivíduo e suas vivências, transformando seu conhecimento em algo que pode ser comprovado, compartilhado e levado através de várias gerações que poderão testá-lo novamente em diversas circunstâncias.

Gabriela Melo Araújo
 1º Ano - Direito Noturno

Ídolos do Teatro na Filosofia Nazista

Francis Bacon, filósofo clássico inglês, discorre em “Novum Organum”, entre outros conceitos, sobre quatro ídolos bloqueadores da mente humana. Esses ídolos são falsas noções e percepções do mundo que não só obstruem o intelecto humano na busca da verdade, como também são responsáveis pelos erros cometidos pelos homens no estudo científico. Tomando particularmente os ídolos do teatro e, trazendo esse pensamento para a realidade, pode-se identificar esses ídolos na filosofia e nos ideais do antigo regime totalitário nazista.

Segundo Bacon, os ídolos do teatro são abertamente recebidos e incutidos na mente humana por meio de mentiras de um sistema, de uma ideologia. Originam-se dos sistemas filosóficos e das regras fundamentadas em falsas e pervertidas demonstrações por esse sistema ou ideologia e, também, da irrestrita subordinação à autoridade. No contexto em que vivia, o filósofo identifica tais ídolos nas crenças, superstições e principalmente na religião que monopolizava o conhecimento “a tal ponto que os homens que as tentam [as novas filosofias] sujeitam-se a riscos, ao desvalimento de sua fortuna, e, sem nenhum prêmio, expõem-se ao desprezo e ao ódio”, como afirma Bacon.

Semelhantemente, é possível identificar os ídolos do teatro na filosofia do regime nazista, no qual foram difundidos ideais racistas, antissemitas, homofóbicos, xenófobicos e outros ideais malsãos à humanidade, todos perversos e com fundo falso; também tem-se o culto à personalidade de Hitler e uma irrestrita subordinação a sua autoridade. Os ídolos foram incutidos na mente de grande parte do povo alemão da época, deixando-os cegos à verdade e à insanidade dos atos nazistas. Aqueles que contestavam esses ideais sujeitavam-se a riscos e ao ódio como na Idade Moderna, vivida por Bacon.

Portanto, constata-se que mesmo após séculos do diagnóstico baconiano sobre os ídolos da mente humana, nesse caso os ídolos do teatro, eles ainda prevaleceram iludindo as pessoas com filosofias falsas e malsãs. Assim, Bacon aponta a busca da verdade à luz da prova e da experimentação como remédio para os ídolos.

Lucas Camilo Lelis
1º ano - Direito Diurno
Aula 03

Estudo recorrente

      Ao ler a obra Novum Organum de Francis Bacon nos deparamos com sua estrita forma de pensar e não aceitação de grande parte das descobertas feitas e ideias tidas pelos pensadores da Antiguidade, como Aristóteles com a sua dialética. Mas isso não se restringe somente ao passado, no presente em que Bacon vivia a maioria das formas de pensar e dos métodos que existiam eram criticados por ele, ou por seguirem os passos da filosofia tradicional ou por seguirem o método empírico, desviando-se do de Bacon, o qual tinha como suas ferramentas a razão e, acima de tudo, a experiência. Portanto é possível perceber que Bacon sempre negou a maioria das descobertas e conceitos, o que torna difícil o entendimento do que é verdade e o que não é se seguirmos sua forma de pensar.
  Forma essa que é ainda mais difícil de adotar, devido à necessidade de negarmos o nosso lado tendencioso e sentimental, e se livrar dos ídolos, que de acordo com Bacon, estão implantados na nossa mente desde a nossa formação como indivíduo. Assim podemos observar quanto radical o método de Bacon é, mas sem ele muitas das nossas descobertas não aconteceriam, já que foi ele que apresentou à ciência a necessidade da experimentação. Com isso Bacon acabou por se tornar um dos grandes nomes da ciência moderna, sendo ele e seu método conhecidos e estudados até hoje. 
  Mas mesmo assim nos deparamos com ideias que contrariam as de Bacon, como no caso de um livro que se tornou bastante popular, principalmente entre jovens de todo mundo, chamado A Culpa é das Estrelas, em que a personagem principal, uma adolescente com câncer terminal diz que “alguns infinitos são maiores do que outros” e como explicação desse pensamento ela utiliza a matemática e compara o espaço entre os números 0 e 1, que tem um infinito de números em seu meio, e o espaço entre 0 e 2, que tem um infinito ainda maior de número entre eles. Isso vai totalmente contrario ao que Bacon acreditava, ao dizer que era absurda a idéia de um infinito ser maior do que outro, pois seria “como se o infinito pudesse se consumir no finito”.
  Bacon poderia dizer que a personagem ao dizer isso não deixou de lado seu sentimentalismo nem seus ídolos, ou que utilizou do pensamento filosófico, sem qualquer experimentação. Assim como também diria que não são uma infinidade, pois em um momento esses números acabarão, pois se chegará ao um ou ao dois. O infinito é algo que não acaba, algo que não pode ter um fim. E com isso se percebe que as ideias de Bacon ainda podem ser usadas para negar ou apoiar outras, tornando-o um objeto de estudo recorrente. 

Paula Santiago Soares 
1º ano Direito - Diurno

Bacon e a ciência moderna

O livro “Novo Organum” de Francis Bacon, publicado em 1620, trouxe um novo método para fazer ciência, incorporando a experiência e o conhecimento empírico (possível de ser interpretado, pois pode ser visto/sentido pela experiência) à razão.
Bacon distinguiu dois métodos: um que cultiva as ciências provenientes da filosofia tradicional, vindas do conhecimento contemplativo, o qual ele chamou de “antecipação da mente” e outro que faria descobertas científicas, buscando o conhecimento por meio da exploração e experimentação da natureza, o qual ele chama de “interpretação da natureza”, que seria capaz de alcançar a verdadeira ciência e de promover a cura da mente através da regulação do pensamento por mecanismos da experiência.
O filósofo preocupava-se com as falsas noções que ocupam o intelecto humano e dificultam o acesso a verdade e que, posteriormente, seriam um obstáculo a instauração das ciências, as quais ele chamou de “ídolos”. Para ele, o método científico deveria ser livre de todos os ídolos. Até hoje tal preocupação é pertinente, pois tudo aquilo que assimilamos pelo senso comum, por “deixar que a mente se guie por si mesma” nos enganam, podendo corromper o conhecimento verdadeiro. Além dos ídolos, o outro obstáculo da ciência é o sentido, algo débil e enganador.
Para Bacon, saber é poder e a exploração da natureza é a única maneira de compreendê-la, interpretá-la e vencê-la, alcançando a verdadeira sabedoria.
A atualidade de Bacon pode ser observada na ciência moderna, que utiliza de seu método de raciocínio lógico e experimentação para elaborar suas descobertas científicas, a qual deve possuir um papel transformador. A ciência jurídica e o Direito também utilizam do método proposto por Bacon, pois mesmo embasados na teoria da lei, as experiências cotidianas e as mudanças sociais são assimiladas na resolução de novos casos. Como exemplo, temos no estatudo da família que o casamento é a união afetiva entre duas pessoas de sexo oposto, no entanto, as alterações sociais da modernidade passam a sugerir que casamento seja qualquer tipo de união afetiva, seja entre pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo. Francis Bacon e seu método trouxeram para ciência moderna maior credibilidade, fazendo com que tenha resultados cada vez mais precisos.

Thais Amaral Fernandes
1 ano -Direito Diurno
Aula 3

Uma criança diante da natureza

Francis Bacon, um dos grandes fundadores do pensamento moderno elaborou uma obra prima, o Novum Organum. Grande crítico da filosofia escolástica e do pensamento aristotélico, Bacon argumentava que essas duas escolas de pensamento valorizavam o conhecimento contemplativo sem se importar com o aspecto pragmático e instrumental da ciência. Ele até afirmou que a filosofia grega se baseava mais em discursos do que em um conhecimento progressista.

Na mesma linha de raciocínio de Descartes, Bacon trabalha o conhecimento em sua obra com intenção de dominação e conhecimento da natureza, entretanto diferente do pensador francês, o método experimental, para o inglês, é fundamental para alcançar o conhecimento verdadeiro.
Para isso, ele formula a teoria dos ídolos que segundo Bacon é necessária para se alcançar á verdade, pois tomando se conhecimento de noções equivocadas e no futuro se desvincular delas, o individuo estaria livre para as descobertas cientifica.

São quatro ídolos:

O ídolo da tribo que diz respeito a própria natureza humana , o individuo enxerga o universo de acordo com suas próprias limitações. A natureza, por ser complexa e multifacetada exige um conhecimento e objetividade, por isso a necessidade de expulsar esse ídolo do individuo.

O ídolo da caverna que descreve aos preconceitos particulares e as ideias equivocadas que os indivíduos no âmbito privado.

O ídolo do foro que aborda a imprecisão da linguagem humana e do escasso entendimento das pessoas em relação os termos e as palavras sem saber exatamente o que significam.

O ídolo do teatro que aborda os conhecimentos filosóficos e científicos mentirosos se passando por representações fantasiosas e teatrais.

Portanto, se livrando desses ídolos e buscando o conhecimento indutivo, Bacon formatou uma obra que busca a essência cientifica e o progresso e a sua aplicação cotidiana. Ele, com seu Novum Organum tentou mostrar que para estar aberto a uma ciência transformativa e presente, visando o domínio e a transformação, rompendo com a concepção aristotélica de ciência e influenciando as próximas gerações deve ser tal qual uma criança diante da natureza, livre de preconceitos e aberta a novas descobertas.

Arthur Resende

1º Ano - Direito Noturno 
Aula 3

"Ídolos do teatro" da atualidade

             Modelos, jogadores de futebol, cantores, atores, pensadores, etc. Todos são modelos de vida para a sociedade moderna, inspiram milhares de pessoas, mexendo com a irracionalidade delas. Eles seriam considerados por Francis Bacon “ídolos do teatro”, isso por que seriam, segundo o autor, representações, impregnadas de equívoco e superstições.

            Para o filósofo inglês, as pessoas não precisam de ídolos, pois a ciência já é a representação do mundo e ela é o suficiente para atender aos anseios humanos. A ciência, para esse autor, é a única forma de chegar à verdade.


Desirrè Corine Pinto
Sensibilidade matemática


Em seu livro “Novum Organum”, Francis Bacon tenta provar a sociedade de sua época a necessidade de se ter um método adequado para se chegar a verdades irrefutáveis. Dessa forma, Bacon analisa a história da ciência e por conseguinte suas falhas, partindo desse ponto para propor seu método de como fazer ciência, como se atingir o conhecimento verdadeiro.
Assim, o autor cria uma série de aforismas ditando como se fazer ciência e a que perigos se deve estar atento para não sair do caminho do conhecimento puro. Para Bacon a única de forma de fazer ciência seria através dos sentidos: as ideias e palavras (razão) deviam estar sempre baseadas em experimentos sensoriais (empirismo). Com essa premissa básica ele refuta os grandes filósofos gregos, alegando uma fundação instável de sua filosofia devido à sua origem puramente racional e dedutiva.
Porém, atualmente temos contrapontos para a veracidade desse método. Stephen Hawking, grande físico da atualidade comprovou matematicamente uma série de eventos que provam singularidade no espaço-tempo; também demonstrou a existência de mini buracos negros e resolveu vários dos problemas da teoria do big bang. A razão pelo qual ele contrapõe Bacon é que ele utilizou somente linguagem para provar sua teoria, através da matemática Hawking alcançou o título de um dos maiores cientistas da contemporaneidade.

Assim, a vasta aceitação do meio científico de sua teoria, nos permite afirmar categoricamente que hoje, a experimentação, o empirismo, não são necessários para se comprovar uma teoria; uma base matemática correta é mais que suficiente e satisfatória para demonstrar um pensamento, principalmente levando em conta áreas do conhecimento em que homem não pode observar um experimento empírico, como é o caso da física proposta por Hawking.



Tiago de Oliveira Macedo- 1ºano diurno- aula 3

Idolatria Religiosa x Homossexualidade

    Francis Bacon, precursor do empirismo indutivo, apresenta em sua obra "Novum Organum", um novo pilar do pensar. Nela, afirma ser possível exercitar a razão por meio da observação e experiência, fazendo duras críticas tanto a lógica aristotélica, quanto a filosofia dos gregos, visto que Aristóteles submetia a experiência de acordo com suas opiniões e os antigos, possuíam uma "sabedoria farta em palavras, mas estéril de obras".
    Para Bacon, fazer ciência é vencer as convicções, por essa razão afirma que os homens necessitam livrar-se das amarras de seus ídolos, separando-os em quarto tipos, os da "tribo"; os da "caverna"; os da "feira" e os ídolos do "teatro".
    A partir da enunciação dos ídolos é possível fazer uma relação com o antagonismo existente entre a religião e a homossexualidade. Para muitos religiosos esse assunto é rodeado de dogmatismo e preconceito, enxergam a orientação sexual de determinadas pessoas como algo pecaminoso, imoral, o que direta ou indiretamente acaba incitando a violência contra os homossexuais.
    O conservadorismo rege a vida de grande parte dos fiéis, visto que acatam tudo o que é proferido por seu chefe religioso. Essa idolatria por tudo o que tange a religião possui laços com os quatro tipos de ídolos enunciados por Bacon, o da "tribo no que refere-se a discriminação e intolerância; da "caverna" relaciona-se a formação do indivíduo pautada no dogmatismo religioso; da "feira" fundamenta-se nas relações interpessoais que levam a falsas apreensões do mundo e por fim o do "teatro" associa-se aos equívocos e  superstições, fazendo os fiéis vincularem homossexualidade como um tipo de doença ou castigo divino.
    Com o intuito de minar o quadro de intolerância causada pela falta de uso da razão no que refere-se a questão religiosa e a orientação sexual, seria fundamental o uso do método baconiano, afinal, como ele mesmo indagou "é preciso que se faça uma restauração da empresa a partir do âmago de suas fundações, se não quiser girar perpetuamente em círculos" , ou seja é de extrema importância que se estabeleça uma reestruturação ao modo de pensar conservador da igreja a fim de que se adeque às novas configurações da sociedade. 
   

Ariane do Nascimento Sousa
1º Ano - Direito Noturno
Aula 3-Introdução à Sociologia

sábado, 25 de abril de 2015

A Barreira do Invisível


“...a observação não ultrapassa os aspectos visíveis das coisas, sendo exígua ou nula a observação das invisíveis. Também escapam aos homens todas as operações dos espíritos latentes nos corpos sensíveis. (...) Até que fatos, como os dois que indicamos, não sejam investigados e esclarecidos, nenhuma grande obra poderá ser empreendida na natureza”. 
Francis Bacon - Novum Organum

Em sua obra Francis Bacon defende a importância da experiência como guia da razão, e não o inverso. Ele crítica veementemente os clássicos gregos, como Aristóteles, quando estes partem da suposição, da inventividade enganosa da mente para formular suas teorias, e só então buscam a comprovação através da experimentação. Bacon, inserido em seu contexto histórico, enxerga na busca por experimentação aquilo que deve guiar o cientista, para que depois de analisar a realidade formule teorias para explicá-la.
No entanto, Bacon reconhece a limitação dos sentidos humanos, e por isso as descobertas sofreriam dificuldades em avançar. Mas o que ele não pode vivenciar foram os progressos tecnológicos que permitiram ao homem superar seus sentidos. Através da instrumentação cada vez mais sofisticada, o ser humano pode continuar desvendando os mistérios da natureza. 
Como exemplo podemos citar a descoberta dos planetas-órfãos, um objeto de massa planetar, que vaga pelo espaço sem orbitar uma estrela. Eles só foram descobertos a pouco tempo, graças ao uso de luz infra-vermelha.
Portanto a recomendação de Bacon não deixa de ser importante em nossos dias, de fazer uso da experimentação para nos auxiliar no avanço da ciência. Todavia é importante ressaltar que o discurso desse pensador, é, em alguns casos, um tanto exagerado. A exemplo a matemática, que utiliza muito a abstração tão rejeitada por Bacon. Embora possamos ignorar, essa ciência contribui de maneira vital no avanço do bem-estar da sociedade, algo que Francis frisa em seus textos, e que faz muito sentido: a ciência deve ser desenvolvida para o bem de todos. No entanto, esses avanços podem ser indiretos, como pesquisas que resultam em ciência pura, o que não muda a vida das pessoas diretamente, mas fornece uma fundação sólida para que outros desenvolvam a ciência que estará acessível a população de um modo geral.

Jansen R. Fernandes
Direito Diurno

Bacon e o Empirismo: do acaso à morte

       Francis Bacon, filósofo londrino que viveu durante o século XVII, é considerado um dos fundadores da ciência moderna. Sua contribuição no pensamento científico baseia-se no empirismo, que em oposição ao racionalismo (conhecimento através da razão), afirma que o verdadeiro conhecimento é adquirido através de experiências sensoriais, observações feitas através dos sentidos. Apesar de serem opostas, as teorias do racionalismo e do empirismo se complementaram formando a base da ciência moderna, o pensar e o sentir usados para transformar o mundo, domar a natureza. Bacon, além da experiência empírica, reconhecia a importância do racionalismo, porém, para ele, a observação empírica e o acaso tem sido mais úteis ao homem que o idealismo dos antigos, como fica explícito no aforismo VIII de sua obra Novum Organum : "Mesmo os resultados até agora alcançados devem-se muito mais ao acaso e a tentativas que à ciência. Com efeito, as ciências que ora possuímos nada mais são que combinações de descobertas anteriores. Não constituem novos métodos de descoberta nem esquemas para novas operações."
        Partindo desse aforismo, podemos perceber que várias descobertas e invenções que vieram após elas ocorreram ou pelo acaso ou pela experimentação, ou seja, basicamente experiências sensoriais e observação, bases do empirismo. O que seria do conhecimento celular se Robert Hooke não tivesse observado pedaços de cortiça em um microscópio? O que seria do microscópio se dois fabricantes de óculos não tivessem pelo acaso deparado com o conceito físico de ampliação e inventado o primeiro aparelho em 1591? O que seria da medicina moderna sem a invenção do microscópio, da descoberta da célula e das inúmeras observações empíricas que sucederam esses acontecimentos? Um dos maiores exemplos da união tripla de ciência, empirismo e acaso é a história da eletricidade, passando de Tales de Mileto até a atualidade, que vem se desenvolvendo constantemente com diversas descobertas e aplicações.
         Mas os sentidos e a observação não apenas servem para transformar a natureza, como propunha Bacon, mas também para estudar conceitos humanos que a muito são vistos com noções metafísicas, conceitos que conseguimos compreender mais pelo empirismo do que pelo racionalismo. Dentre eles podemos citar a fé, o amor, o medo e até mesmo a própria razão. Mas vamos nos concentrar em um deles que é menos abstrato: a morte. O que é a morte? Sem dúvida muitos usaram e usarão a razão, conhecimentos religiosos, idealismos e a metafísica para explicá-la, mas somente aqueles que sentem sua aproximação compreendem seu verdadeiro significado, apenas aqueles que sentem a perda causada pela morte sabem seu efeito, apenas aqueles que observam podem entender suas causas e apenas aqueles que de certa forma convivem com ela sabem o valor do sentido da vida. Não há dúvidas, para descobrir, inventar, compreender e fazer ciência é necessário sentir e observar, é necessário ser empirista.
 
                                                                                                Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
                                                                                                1º ano Direito - diurno
                                                                                                Introdução à Sociologia - Aula 03

Da fundação da Ciência Moderna...

    Desenvolvimento da ciência.Esta sentença resume o principal legado de Francis Bacon,filósofo inglês,nascido no contexto do renascimento cultural e que foi o "pai" do empirismo inglês(conhecimento adquirido através das experiências),além de grande incentivador do método indutivo e da utilização do saber como forma de dominação da natureza.Por tais fatos listados, e mesmo sendo estes apenas alguns,pode-se assim observar a sua grande contribuição para o incremento tecnológico que nos chega até os dias atuais.
   A partir disso,deve-se ressaltar a clara oposição ao grego Aristóteles,o que se deve,segundo o ensaísta, á escassez de experimentos,métodos,técnicas em sua obra,quando,na verdade, deveria se fazer o procedimento contrário,ou seja,dirigir a instrução a fim de se atingir um determinado objetivo, que também seja prático e passível de aplicação.Tal conjuntura pode ser observada na seguinte citação: ..."Aristóteles que de tal modo submete a sua filosofia natural á lógica que a tornou quase inútil e mais afeita a contendas".
   Dentro deste contexto,fica claro visualizar a grande contribuição de Bacon aos dias atuais, o que pode ser visualizado nos ramos de pesquisa&desenvolvimento e ciência&tecnologia; que crescem exponencialmente no mundo globalizado.Isto remonta a superposição da experiência sobre a razão,feita pelo inglês,além da instauração de um método,que seria o indutivo,para guiar a mente e através de experimentos e tentativas chegar a um fim.
    Nesse ínterim,evidencia-se também e mantém concomitância com o exposto acima,a objeção do político inglês no que se refere a utilização da ciência como instrumento de poder de dominação e transformação do meio natural,visivelmente clara no título de sua obra "Novo Organum"(Novo Instrumento), e na sua célebre citação "Saber é Poder".Tal fato pode também contribuir para explicar a destruição da natureza verificada na Europa nos anos posteriores e, que depois se expandiu para o restante do mundo e continua presente nas sociedades até o momento vigente,em um extermínio do ambiente natural por técnicas cada vez mais modernas numa busca desenfreada pelo lucro,esta última advinda com a ascensão do capitalismo.
  Dessa maneira,sendo ao mesmo tempo incentivador da ciência e fomentador da destruição ambiental,Francis Bacon foi um filósofo insigne ao fundar a ciência moderna,e , assim,deixar um enorme legado para os outros subsequentes empiristas.
                                         
                                             Maria Izabel Afonso Pastori. 1° Ano -Direito Noturno.


Abstração científica e valoração


           "Não há nenhuma solidez nas noções lógicas ou físicas.Substância,qualidade,ação,paixão,nem mesmo ser,são noções seguras"-Francis Bacon-Aforismo XV-Novum Organum


    Antecedido por uma época de filosofia dogmática,Francis Bacon teve a coragem de questionar o terreno em que pisava como cientista.Dos próprios sentidos a pautas complexas como o ser,tudo está fundado em bases pouco estáveis e abstração.Para Bacon,a ciência deve ser fundamentada em técnica,prezando pela praticidade do conhecimento e distando-se o máximo possível do desgaste cerebral  vão tão presente em autores clássicos que discorrem sobre os elementos e do estoicismo tão cheio de certezas.Pela importância na renovação da filosofia,é tido como "Fundador da ciência moderna".O autor atribui a culpa das distorções científicas feitas pelo homem nos ídolos,falsas percepções da realidade que,ao serem postas de lado,levarão o homem à verdadeira ciência.
   
     Não  distante do pensamento baconiano acerca dos ídolos,nota-se,especialmente nas ciências humanas uma crescente valoração que polariza o saber de maneira negativa e pouco progressista.Valores como esquerda X direita,ocidente X oriente ou Norte X Sul ainda hoje limitam a universalidade do conhecimento,cobrindo a verdade com uma densa névoa de incertezas e preconceitos regida pelo uso do Senso Comum.Segundo Bacon,o senso comum forma-se a partir das deduções pessoais e da influência inata dos ídolos sobre o homem de mente fechada,ignorando totalmente o processo epistemológico baconiano(contemplar e explorar) e o empirismo por ele proposto.Do senso comum derivam estereótipos que se arraigam,incompatíveis com as incertezas da ciência verdadeira.

Diego Franco Veloso--1o ano Direito Noturno

O domínio sobre as forças da natureza

A fim de ilustrar o raciocínio baconiano, cujo intuito é melhorar a condição humana fundamentado no princípio de exercer o domínio sobre as forças da natureza  por meio de descobertas e invenções científicas, é possível correlacionar seus preceitos ao desenvolvimento da agricultura, uma vez que o método indutivo proposto por Bacon refere-se à observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real. Desta forma, alguns indivíduos de povos caçador-coletores, provenientes do período neolítico, notaram por meio da observação que alguns grãos, os quais eram coletados da natureza para a sua alimentação, poderiam ser  semeados a fim de produzir novas plantas iguais às que os originaram.
Bacon pregava que o conhecimento cientifico daria à humanidade poder sobre a natureza, abrindo caminho para a prosperidade, o progresso social e o bem-estar humano. Para isso, advertia os cientistas quanto à necessidade de adotarem uma cuidadosa atenção aos fatos da natureza. A prática da agricultura permitiu o aumento da oferta de alimento, as plantas começaram a ser cultivadas muito próximas uma das outras. Isso porque elas podiam produzir frutos, que eram facilmente colhidos quando maduros, o que permitia uma maior produtividade das plantas cultivadas em relação ao seu habitat natural, levando a formação de aglomerados humanos com muito maior densidade populacional.
Ao longo do tempo as práticas agrícolas foram evoluindo devido ao advento de utensílios que facilitavam o cultivo, permitindo um crescimento exponencial da produtividade. Uma das maiores conquistas da agricultura contemporânea foi a invenção dos transgênicos, que permitem aumentar a produção, diminuir os custos, facilitar o manuseio, produzir alimentos com melhores qualidades, bem como a mecanização o faz. 
Francis Bacon afirma: ''Se os homens tivessem empreendido os trabalhos mecânicos unicamente com as mãos, sem o arrimo e a força dos instrumentos, do mesmo modo que sem vacilação atacaram as empresas do intelecto, com quase apenas as forças nativas da mente, por certo muito pouco se teria alcançado(...)''.




Juliete Araujo Zambianco
1º ano - Direito Noturno
Introdução à Sociologia - Aula 03


Rompimento científico, abandono de “cavernas"
                                                                                                          
       A proposta de René Descartes em sua obra “Discurso do Método” é apresentar a razão como meio de explicar o mundo e como guia do homem, além de propor regras para bem conduzir o espírito em busca da verdade. Já o filósofo Francis Bacon aponta por meio do método de raciocínio indutivo desvendar a natureza e explicar o mundo a partir da experiência, guiada pela razão. Além disso, o título da obra baconiana refere-se a uma contestação à obra de Aristóteles (“Organum”,que pode ser entendida como “instrumento”), que apresenta caráter contemplativo ou dedutivo como tentativa de explicar a natureza. Desse modo, o intuito de Bacon, em sua obra “Nova Organum”, é propor um novo método de vertente indutiva para guiar o homem no desbravamento da natureza.
       Bacon, na obra em questão, aborda a ideia de que o intelecto humano é como um espelho, ou seja, reflete de forma desigual os raios das coisas e, com isso, as distorce e as corrompe. Nesse contexto, o filósofo critica o mero exercício da mente sem que haja a consideração da realidade, isto é, sem a construção de conhecimento factível. Isso deve-se ao fato de o espírito humano estar sujeito a múltiplas perturbações, o que é apontado pelo autor como acatalepsia, que é uma perturbação mental. Com isso, propõe a regulação da mente por meio da experiência.
        A critica presente na obra em relação à filosofia grega relaciona-se com a citação de que “ não há um único experimento de que se possa dizer que tenha contribuído para aliviar e melhorar a condição humana”. Por exemplo, o silogismo de Aristóteles, que a partir de duas premissas, uma maior e outra menor, e uma conclusão, atinge um objetivo por meio de raciocínio dedutivo. Além de criticar o método grego da retórica, que embora articule bem as palavras, não as transforma em obras concretas.
       É válido ressaltar ainda, no que se refere à filosofia grega, a inovação por parte de Bacon em alterar a forma de pensar, já que propõe um método diferente do aristotélico utilizado até então. A revolução para a ciência moderna, ou seja, o método indutivo, pode ser considerado como uma forma de avançar no campo da ciência ao realizar um estudo investigativo dos fatos. Assim, pode-se relacionar analogamente ao feito de Prometeu, deus da mitologia grega que lutou pelo bem-estar dos homens, como o fato de ter roubado o fogo para o uso comum e ter forçado que a natureza se revelasse.
       No que se refere aos ídolos, que são falsas percepções do mundo, além dos ídolos da tribo, do teatro e do foro (ou feira), têm-se os da caverna, que estão vinculados aos tipos de relações do homem com o mundo em sua volta, além de estarem relacionados com a formação inicial e a origem de cada indivíduo. Desse modo, pode-se destacar o "Mito da Caverna", de Platão, apresentado em sua obra intitulada “A República”, que mostra a característica humana em temer ao novo, no caso, o temor de sair da caverna e se deparar com o desconhecido. Platão retrata na obra referida a permanência do indivíduo no “mundo inteligível”(dentro da caverna, mundo das sombras) ao negar conhecer o “mundo sensível”(fora da caverna, mundo das luzes). Assim, há uma relação metafórica com o medo do homem contemporâneo em deixar sua “caverna” (zona de conforto) e se deparar com as mazelas do mundo, como a forma que a política, em especial a brasileira, encontra-se, e esperar alguma mudança feita pelas mãos de outros.
        Assim, conclui-se que o método proposto por Francis Bacon, embora muito criticado, contribuiu de forma grandiosa para a ciência moderna por ter rompido com a forma contemplativa de Aristóteles. Ainda, percebe-se a importância de exercer o pensamento de modo a desvendar os mistérios que cercam os homens em geral. Além disso, ao relacionar as ideias indicadas pelo autor na obra com o contexto atual, há a necessidade de abandonar “cavernas” e enfrentar os obstáculos para atingir melhorias para o meio comum. 

Gabriela Cabral Roque 
             1º ano - Direito Diurno
             Introdução à Sociologia - Aula 03 


A castidade de Francis Bacon

Em entrevista ao programa Abertura, da extinta TV Tupi, no ano de 1979, o antropólogo e escritor mineiro Darcy Ribeiro faz duras críticas à geração acadêmica então existente no Brasil, alegando e denunciando a falta de atuação por parte dos intelectuais e estudiosos das universidades na época. Darcy caracteriza aquela classe de cientistas sociais como infecunda, por estar mais interessada em reproduzir as falas de consagrados pensadores para formular discursos tidos por inteligentes do que observar a realidade social brasileira e assim poder intervir de maneira positiva e construtiva no contexto político de então.
O apontamento de Ribeiro evidencia a contemporaneidade do pensamento de Francis Bacon, visto que a crítica do escritor brasileiro ao referir-se à geração setentista de intelectuais pode ser posta em paralelo com as restrições feitas pelo pensador inglês em relação ao procedimento dos gregos antigos na elaboração de sua filosofia. Em ambos os julgamentos a condenação é direcionada à fartura em palavras em detrimento da efetiva realização de obras, ou, nas palavras do próprio Darcy, à masturbação teórica - a qual, além de prover tanto prazer quanto a física, ainda resulta na exaltação dos indivíduos que a proferem.
Transpondo reflexões dessa ordem para um contexto ainda mais atual, é possível verificar nas tão frequentes andanças pelas redes sociais um surto pandêmico de 'lascívia teórica', tendo em vista a necessidade de autoafirmação presente no ambiente virtual. Acometidos por tal ímpeto luxurioso, os usuários, em sua maioria, tendem a aliviá-lo utilizando - não pela primeira vez - o infrutífero recurso da masturbação teórica e esbanjam, assim, uma suposta bagagem cultural e seletos raciocínios especulativos a fim de causar impressões no próximo. E mesmo sabendo da diminuta dimensão prática e efetiva de tais abstrações, persistem no erro de elaborá-las, seguindo assim a tradição milenar da humanidade de ceder aos impulsos que a mente tem de deixar-se guiar por si mesma.
Não é difícil, pois, entender por que Bacon concebia que seus princípios para um conhecimento válido e pragmático somente seriam seguidos por alguns espíritos idôneos e capazes, castos o suficiente para não serem seduzidos pelo onanismo da teorização vazia e infrutífera.

André Rodrigues Pádua
1º ano - Direito diurno
Introdução à Sociologia - Aula 03




O empirismo de Bacon

O empirismo de Bacon

A ciência moderna tem como seus pilares Descartes e Bacon, grandes filósofos que baseavam suas teorias na necessidade de explicar a natureza íntima das coisas da forma como ela é, adicionada a transformação do mundo. Francis Bacon (século XVII) criou seu método; que consistia em estabelecer os graus de certeza, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar o labor da mente; baseado no empirismo.
Para ele, há dois métodos: um destinado ao cultivo das ciências e antecipação da mente, e outro destinado à descoberta da ciência e interpretação da natureza. As antecipações da mente são bases para o senso comum e possuem fácil aceitação. Já os verdadeiros filhos da ciência, preocupados com a vitória sobre a natureza buscam a descoberta científica e compreensão da natureza. O principal obstáculo ao avanço da ciência são os equívocos dos sentidos, por isso, a compreensão das matérias invisíveis a eles deve ser alcançada.
Bacon se opõe a Aristóteles ao afirmar que para existir ciência deve existir experimentação, e que a razão deve ser escrava da experiência (sistematizar os elementos essenciais), ou seja, que o fator chave da razão é a observação e interpretação do mundo. Ele busca saber a essências das coisas e superar as antecipações da mente, e vê a ciência como transformação do mundo, que necessita vencer as convicções a partir da investigação.
Para que a ciência seja feita é preciso evitar os ídolos, ou seja, as falsas percepções do mundo. Os ídolos de Bacon são quatro, e podem ser observados até hoje. O primeiro é o ídolo da tribo, que está relacionado às falsas noções do ser humano como indivíduo, assim como o recorrente preconceito e discriminação entre etnias. O segundo é o ídolo da caverna, e diz respeito às relações do homem, podendo ser vista no convívio familiar dentro da nossa própria casa. O terceiro é o ídolo da foro (feira) e se refere à influência das associações que o homem participa, exemplificada pela influência que as instituições religiosas tem sobre os seus fiéis. O quarto e último ídolo é o ídolo do teatro, que se vincula às representações teatrais, observadas nas superstições que os homens acreditam, como por exemplo passar embaixo da escada da azar, quebrar o espelho traz 7 anos de azar, entre outras.
Concluindo, devemos nos afastar dessas percepções equivocadas do mundo e utilizar a experiência para alcançar a verdadeira ciência que Bacon tanto almejava.

Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino
Introdução à sociologia - Aula 03

Bacon: a experiência, a razão, o intelecto humano e seus ídolos

Em Novo Orgum, Francis Bacon formula toda uma tese sobre como e por que o conhecimento deve ser baseado na experiência, sendo ela a melhor forma de se alcançar a verdade. A partir da premissa de que ''nenhum saber é absolutamente seguro'', o autor desenvolve um novo método para se obter maior grau de certeza. 
Primeiramente, devemos rever nossa postura diante de diversas coisas, como os métodos antigos, a filosofia e a ciência. Para o autor, é necessário ter mais respeitos com os antigos, pois só avançamos graças ao caminho aberto por eles, além de que as coisas novas só são compreendidas por comparação e analogia às antigas. Dessa foma, a glória deles deve permanecer intacta. Sobre a filosofia, é preciso aceitar que ela não é acessível ao homem comum e nem serve ao seu bem-estar, uma vez que não podemos encaixar o mundo em nossas ideias. Já a ciência, a partir de uma concepção burguesa, é um instrumento do homem de transformar e dominar a natureza, sendo um meio essencial para qualquer empreendimento. Mas para isso é fundamental liberta-la da concepção de mero exercício da mente. 
Assim sendo, ele desenvolve dois métodos de alcançar a razão, através da geração e propagação de novas doutrinas, a Antecipação da mente e a Interpretação da natureza. O primeiro consiste no cultivo das ciências , através de um conhecimento contemplativo, umas vez que elas são como retratos de descobertas anteriores. Ele é mais superficial por se basear em eventos familiares, e justamente por isso é mais fácil de entender e aceitar, tornando-se a base do senso comum. Já o segundo método tem como base do conhecimento a exploração e a experimentação das coisas, sendo fundamentado na descoberta cientifica. Este exige que os indivíduos se dediquem em vencer a natureza e realmente encontrar a verdade.
A partir disso, o autor faz uma série de críticas a lógica humana. Para ele, nossos sentidos e intelecto são inferiores à natureza, nossa lógica mais serve para consolidar erros do que para encontrar a verdade, e tantos as noções lógicas quanto as físicas são fantásticas e mal definidas por se basearem na indução da mente e não na experiencia. Isso porque nossa mente é bloqueada por ídolos (falsas percepções do mundo), que nos impedem de alcançar a verdade e instaurar as ciências. Existem 4 tipo de ídolos: os da tribo (distorções da mente), os da caverna (influência do mundo a volta), os do foro/feira (influência das relações comerciais, pessoais e sociais) e os do teatro (baseados em equívocos e superstições). Nosso intelecto possui a tendência de encontrar mais ordem e regularidade nas coisas do que realmente elas tem, aceitar mais facilmente eventos afirmativos, receber influência da vontade e do afeto, e ainda, apegar-se à ciência por ser seu criador ou associa-la a suas fantasias. Por tudo isso ele afirma que para encontrarmos a verdade é fundamental se basear na experiencia, que consiste naquilo que realmente acontece, e não apenas no que nossa mente nos sugere.
Isabela- 1o semestre- Diurno.

Bacon e a natureza

           Francis Bacon propôs um novo método de se buscar conhecimento que deu forma ao que conhecemos hoje por ciência moderna. Contrariando e criticando a filosofia grega ao afirmar que se preocupavam demais com dialética e pouco com experimentos (“Os gregos... são incapazes de gerar, pois sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril em obras”) ele demonstra a essência do seu novo método: A experiência como forma de interpretar o mundo e guiar a razão. Fugir do senso comum empírico é essencial para a utilização desse novo método. A necessidade de buscar e investigar aquilo que é invisível aos olhos, imperceptível aos sentidos e embaçados pela superstição, logo, “Não deixar que a mente se guie por si mesma” é fundamental para essa nova ciência; considerando que ciência útil é somente aquela que consegue “vencer a natureza”, ou seja, transformar o mundo a sua volta. Portanto, um instrumento para se conseguir descobertas científicas e não apenas o cultivo da ciência.
         
          Tal método foi amplamente difundido entre a burguesia que, no contexto histórico da obra, estava em sua ampla ascensão. A ideia de “dominar” a natureza era um objetivo e alguns acreditavam na possibilidade de alcance desse objetivo. Em plena revolução industrial, o meio ambiente foi alvo da sede de lucro dessa burguesia que tinha convicção que os recursos naturais pudessem ser controlados pelos seres humanos. Porém, pode ser visto hoje como essa visão era equivocada, lutamos constantemente pela preservação da fauna e flora do planeta. Não se pode vencer a natureza.

Em vista disso, considero os pensamentos em “Novum Organum” pretenciosos e um pouco exagerados; Todavia, compreensíveis dado o contexto histórico da obra. Correto em criticar o método dedutivo da filosofia tradicional, se opondo a ídolos e ao senso comum e trazendo a sociedade um método mais investigativo e rigoroso de se produzir conhecimento.
                          Eric Felipe Sabadini Nakahara
1˚ ano - Direito (diurno)
Introdução a Sociologia - aula 3

Bacon e sua influência na sociedade contemporânea

A ciência vem se modificando ao longo dos séculos, cada vez mais alcançando novas conquistas e avanços para a sociedade global. Um grande avanço da ciência ocorreu com Francis Bacon, em sua obra, Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza, na qual procura sanar a necessidade de se explicar a natureza íntima das coisas como eram de fato, tomando por base a experiência vivida para interpretar o mundo como ele é, usando essa experiência para guiar a razão.
Bacon propõe a ciência não como mera contemplação como os filósofos antigos costumavam fazer para exercitar a mente, mas como modificadora do mundo, para melhorá-lo, desenvolvê-lo. Assim, a ciência passou a ser tratada como ferramenta útil para o homem, principalmente, em seu tempo, para a então emergente burguesia, carente de um instrumento no processo civilizatório da sociedade.
Apesar de ter vivido no final do século XVI e início do século XVII, a obra de Francis Bacon possui grande contemporaneidade. Sua proposta está bem difundida nas sociedades do século XXI, como forma de busca do conhecimento de fato através da experiência. Imaginemos que uma pessoa decida aprender a andar e fazer manobras de skate, sem ao menos nunca ter experimentado algo do tipo, esta pessoa decide ver vídeos na internet com ensinamentos sobre como andar e manobrar, passa horas estudando afinco e decora todas as dicas e passos a serem tomados. Porém, ao primeiro contato como skate, perceberá que ainda não possui o conhecimento verdadeiro para o domínio desse esporte, que apesar de ter os passos a serem dados “gravados em sua cabeça”, não consegue fazer seu corpo agir conforme a teoria, assim, será necessário treino, até que possa ter experiência, para que essa guie a teoria conhecida, para aplica-la de maneira correta, para ter o verdadeiro domínio sobre o conhecimento dessa arte.

Este é apenas um exemplo do quão atual a proposta de Bacon é, podemos vê-la também nos experimentos químicos, físicos, nos testes de produtos das indústrias e até mesmo dentro de um tribunal judiciário, no qual, mesmo se o jurista tiver decorado todo o Vade Mecum (se é que isso seja possível), não conseguirá êxito se não possuir a prática adquirida com a experiência.


Gabriel Magalhães Lopes
1º ano de Direito Noturno 

A experiência de Bacon

  Pautando-se pela experiência como forma de interpretação da ciência, Francis Bacon inovou no conhecimento ao interpretar o mundo de modo diferente dos filósofos antigos, partindo-se principalmente pela comprovação de fatos e não apenas pela observação destes, como fazia os sofistas, por exemplo. O filósofo inglês propõe em sua obra Novum Organum, que o homem habitue-se a complexidade das coisas através da experimentação, saindo da falsa percepção do mundo, sendo representada pelo autor como “ídolos”. Todavia, a obra baconiana também foi um resultado da influência da sociedade em que o filósofo vivia, pois nota-se a presença da figura divina em seu método.
  É notável a transcendência do pensamento de Bacon inclusive na contemporaneidade. No campo cinematográfico, o filme Sociedade dos Poetas Mortos, de 1989, dirigido por Peter Weir, exemplifica o método baconiano por meio de um professor de literatura que propõe experiências de pensamento para seus alunos, saindo do modo passivo de aprendizado que é tão visto na atualidade, principalmente na educação brasileira. Já no campo científico, notabiliza-se o uso de microscópicos que ampliam os sentidos humanos para o estudo de alguma matéria, sendo um exemplo da metodologia experimental proposta por Bacon.
   Dessa forma, Francis Bacon ao associar a ciência ao conhecimento da essência das coisas, alterou o curso da história, pois saiu do conhecimento contemplativo dos séculos XVI e XVII e passou ao método de experiências e explorações que se tornou base para os séculos seguintes, sendo, portanto, inovador e influente na ciência experimental, mas também, em toda a sociedade.

Lara Costa Andrade
1º ano de Direito (Diurno)
Aula 3

A política brasileira e a "antecipação da natureza"


“O intelecto humano, quando assente em uma convicção (ou por já bem aceita e acreditada ou porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e acordo. E ainda que em maior numero, não observa a força das instancias contrárias, despreza-as, ou, recorrendo a distinções, põe-nas de parte e rejeita, não sem grande e pernicioso prejuízo”
Francis Bacon

   Atualmente, com o sistema político representativo, supõe-se que toda a população brasileira acima de 18 anos, com algumas exceções, tenha permissão de voto e dessa forma possa fazer com que seus interesses sejam representados. Entretanto, há uma névoa de antecipações nesse cenário: A política brasileira, desde seus princípios, têm contemplado leis feitas por uma minoria em poder, que vem utilizando-se dos veículos de propaganda em massa, da manipulação do senso comum e através desses, incutindo a uma maioria, seus próprios preconceitos e vontades.
   Mas por que essa maioria da população raramente contestou tais ações? Qual é o cerne desse poder dos veículos de propaganda em massa que manipula tão facilmente o intelecto coletivo?
   Segundo Francis Bacon, considerado o “pai do empirismo”, o conhecimento humano pode ser iludido pelos chamados ídolos, falsas percepções de mundo, fundados na própria natureza humana. No caso da manipulação das massas, tudo começa com a construção de uma imagem de tal emissora, tal revista, fazendo com que a opinião popular confie nesses veículos (ídolo do foro e do teatro). Após essa consolidação de imagem, começa o bombardeamento de um discurso específico na mídia. Tal discurso é absorvido pelas pessoas, que transmitem isso a seus conterrâneos, e assim uma maioria da população edifica e internaliza um pensamento que não é seu, sem criticar ou analisar o teor do mesmo (ídolo da caverna, do foro, da tribo).
  O cenário em questão permite que absurdos sejam proferidos e executados na política do país, sendo a personificação de interesses particulares dos políticos um dos mais em voga. Claro exemplo disso foi a recente pronunciação “Vai ter que passar por cima do meu cadáver para votar” do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, sobre projetos de lei que abordassem o casamento homossexual e a descriminalização do aborto. Essa afirmação baseia-se nos interesses particulares do político em detrimento dos interesses de toda uma população que o mesmo representa. O mesmo também acelerou a tramitação de pautas polêmicas como a redução da maioridade penal e a terceirização da cadeia produtiva, duas medidas que possuem o interesse de lobbys específicos e que são veiculadas como positivas na mídia, a fim de que a massa populacional seja convencida a aceitá-las passivelmente.
   A internalização de percepções sem nenhuma investigação crítica, o intento temerário e prematuro, guiando-se apenas pelas impressões, faz com que haja apenas uma “Antecipação da natureza” pela maior parte da população, e não uma “Interpretação da natureza”, pela qual a investigação e experimentação seriam fatores primordiais para a construção do conhecimento, e nesse âmbito, o conhecimento de seus direitos políticos e reivindicatórios.

Mariana Ferreira Figueiredo
1º ano de Direito (Diurno)
Introdução à sociologia - Aula 03