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segunda-feira, 7 de abril de 2025

As perspectivas da ordem na contemporaneidade

Vivemos em um período em que a humanidade enfrenta inúmeras crises, seja no âmbito político, econômico, ambiental ou social. Esse cenário nos provoca a refletir sobre a maneira como organizamos nossa sociedade e as consequências dela para o planeta e para o futuro. Essa reflexão pode ser vista de duas perspectivas: a de um mundo desorganizado, sem rumo e caótico, e a de uma ordem utópica, imposta sem levar em consideração as necessidades reais do ser humano e do meio ambiente. 

De um lado, é inegável que o mundo parece cada vez mais fora de ordem. A globalização e a revolução tecnológica, embora tenha aproximado as culturas e facilitado a comunicação, também intensificou desigualdades, provocou crises econômicas e ampliou o impacto ambiental. As mudanças climáticas, por exemplo, são um reflexo claro de uma desorganização crescente no uso dos recursos naturais. As queimadas, o desmatamento e a poluição se alastram pelo planeta, ameaçando a biodiversidade e colocando em risco os ecossistemas necessários para a manutenção da própria vida humana (o que é contraditório, já que os responsáveis pela destruição são os mais necessitados, a longo prazo). Além disso, assistimos a crises políticas em vários países, onde a extrema direita com seus ideais desumanos ganha força. Nesse cenário, o caos parece tomar conta do nosso cotidiano, com o sentimento de que as soluções para os problemas globais são cada vez mais difíceis de serem alcançadas. 

Por outro lado, há quem defenda que, na verdade, estamos vivendo uma "ordem fora de mundo". Ou seja, a maneira como a sociedade se organiza atualmente não condiz com as necessidades reais das pessoas e do planeta. A lógica capitalista, com seu foco no lucro e no consumo desenfreado, impõe uma ordem que ignora os limites ambientais e sociais. As grandes corporações, por exemplo, ditam as regras do mercado e, indiretamente, das dinâmicas sociais. A pressão por resultados imediatos, leva ao esgotamento dos recursos naturais e à exploração de mão de obra em condições sub-humanas. Esse tipo de "ordem" prejudica as relações humanas, criando uma sociedade individualista, desigual e desumana. 

Nesse contexto, é fundamental refletirmos sobre qual tipo de ordem estamos citando e buscando. Não podemos continuar ignorando os sinais de que a ordem atual está desajustada, mas também não podemos acreditar que a ausência de uma estrutura idealizada possa ser a solução. A verdadeira mudança não virá da imposição de uma ordem rígida sobre o caos, mas, precisa ser pautada na realidade vigente, que respeite os limites do ambientais, que promova a justiça social e que busque o bem-estar coletivo.  

Laís Alves de Queiroz. 1º Direito- Noturno.

Positivismo no Brasil - A ordem realmente levou ao progresso?

 Tirinha do estudante Yuri Chagas Gomes Maranha - 1º Direito Noturno 


O Mundo é uma Desordem.

 

Ao meu derredor tenho observado que algumas pessoas andam insatisfeitas por pensarem que o mundo em que vivem está uma desordem. No entanto, ouvindo isso, me questiono: “O que seria um mundo em ordem?”. Pensando que “colocar algo em ordem” possa ganhar o sentido de organizar, deixar agradável para todos, me atrevo a dizer que tal situação é uma utopia, pois sempre haverão grupos insatisfeitos com a realidade em que vivem. De mesmo modo, utilizando de um dos conceitos de Zygmunt Bauman “modernidade líquida”, temos que a realidade em um contexto geral é instável e está sempre sujeita a mudanças, sendo impossível manter uma “ordem” no mundo.

Portanto, o mundo, naturalmente, está e sempre estará em desordem. Entretanto, faz-se mister lembrar que a palavra “desordem” aparenta ser utilizada quando sentimos que nossos direitos estão sendo feridos, visto que o estabelecimento de direitos e deveres deveriam compor uma “ordem social”. Nesse caso, é importante que analisemos o que ou que situações ameaçam o pleno exercício de nossos direitos humanos para que possamos agir contra os causadores desse “desornamento”. Cita-se como um agente destrutivo para a ordem social as incessantes guerras por motivos econômicos, políticos e ideológicos, como o conflito entre Ucrânia e Rússia, no qual a população ucraniana é constantemente bombardeada por ataques promovidos pelo governo russo, causando um morticínio dos civis atacados e, consequentemente, ferindo o seu direito fundamental, o direito à vida.

Desse modo, concluo que o mundo sempre viverá uma desordem natural. Porém, devemos nos voltar para os responsáveis da desordem que é destrutiva para o meio social.

Mundo inabitável, Ordem inadmissível

 A sensação de colapso atravessa o debate público global. A intensificação de crises políticas, sociais e ambientais evidencia os limites da ordem internacional vigente. Esta reflexão parte da provocação: “estamos diante de um mundo fora de ordem ou de uma ordem que já não comporta mais nenhum mundo possível?” feita após a palestra promovida pelo movimento estudantil Afronte! a qual foi designada: Estamos no fim do mundo? Trump, Palestina, Ecossocialismo e Cotas trans.


 Através da análise de quatro eixos interligados — o avanço do trumpismo, a urgência ecossocialista, as ações afirmativas trans e a luta do povo palestino — busca-se compreender como tais fenômenos expressam não apenas crises setoriais, mas um colapso sistêmico. Proponho assim, uma leitura interseccional que aponta para a necessidade de ruptura e reinvenção.


O trumpismo como projeto global de desdemocratização


 O mandato de Donald Trump representou de 2017 a 2021 e voltou a representar em 2025 a consolidação de um projeto autoritário global, que ultrapassa o cenário estadunidense e inspira movimentos de extrema direita em diversas regiões. Ao assinalar em suas ordens executivas: “Pela autoridade investida em mim como Presidente pela Constituição dos Estados Unidos da América…” Trump traduziu, constitucionalizou e globalizou sua retórica racista, misógina, antidemocrática, xenofóbica e anticientífica, a transformando em políticas que atacam direitos civis, ambientais e sociais, ao mesmo tempo em que normalizam o uso da violência simbólica e institucional (BROWN, 2019; GIRARDET, 2021).


 Mais do que um sintoma, o trumpismo opera como modelo internacional de erosão democrática — deslegitimando instituições, desinformando deliberadamente a população e promovendo um imaginário político regressivo.


Ecossocialismo : A Primavera que o Capital Não Previu


 A emergência climática atual não pode ser dissociada da lógica capitalista de produção e consumo. Propostas como o capitalismo verde se revelam insuficientes frente à urgência ecológica, pois mantêm intacta a estrutura extrativista e excludente que produz a devastação ambiental (KLEIN, 2016).


 O ecossocialismo, nesse contexto, propõe uma transição radical: é necessário substituir a lógica do lucro pela da vida, garantindo soberania popular sobre os recursos naturais, justiça climática e revalorização dos saberes dos povos originários e tradicionais (LOWY, 2020).


Cotas trans como instrumento de justiça redistributiva e epistêmica


 A transfobia estrutural no Brasil e em outros países se manifesta em desigualdades profundas no acesso à educação, trabalho e cidadania. As ações afirmativas para pessoas trans, como as cotas em universidades e concursos, são respostas a esse apagamento histórico.

 Mais do que medidas compensatórias, as cotas trans desafiam a normatividade cisgênera institucional, propondo a transformação das estruturas que produzem desigualdade (BENTO, 2017). Elas operam tanto no plano redistributivo quanto no reconhecimento epistêmico de existências historicamente silenciadas.


Palestina: Entre o Direito Internacional, Indiferença Estrutural e Resistência


 A ocupação da Palestina pelo Estado de Israel constitui uma violação sistemática dos direitos humanos, configurando um regime de apartheid segundo organizações internacionais e pesquisadores/as (PAPPE, 2016;

BUTLER, 2020). A seletividade da comunidade internacional em relação à Palestina expõe a hipocrisia de uma ordem baseada em interesses geopolíticos e econômicos, e não em valores universais.

 A resistência palestina conecta-se, simbolicamente e politicamente, às lutas contra o colonialismo, o racismo e o imperialismo em escala global, sendo parte fundamental de uma cartografia planetária de emancipação (DAVIS, 2016).


Convergência das lutas como reinvenção do mundo


 Ecossocialismo, cotas trans, Palestina e resistência ao trumpismo não são agendas isoladas. Elas representam fissuras em um mesmo sistema de opressão e apontam para possibilidades de mundos alternativos.

 Em comum, essas lutas denunciam a necropolítica contemporânea

(MBEMBE, 2018) e reivindicam a centralidade da vida — humana e não humana - como horizonte político.

Convergir essas pautas não é apenas estratégia, mas imperativo ético. Em tempos de colapso, a solidariedade entre as lutas é a única forma possível de reconstrução. A única forma, assim como proposto pelo festival, de demonstrar que a vida ainda presta.


                              -Elisama S. Braga, 1º ano Direito Matutino.

Entre Números e Realidade: A Crítica ao Positivismo e suas Implicações nas Desigualdades Sociais

    Desde o século XIX, o positivismo se consolidou como uma das bases do pensamento moderno, ao defender a primazia da razão, da ciência e da ordem como fundamentos do progresso social. Essa filosofia, desenvolvida por pensadores como Auguste Comte, influenciou profundamente a forma como os Estados modernos se organizaram, especialmente no que se refere à administração pública e à formulação de políticas baseadas em dados objetivos. Contudo, ao desconsiderar aspectos subjetivos, históricos e culturais das populações, o positivismo ainda hoje colabora para a manutenção — e, por vezes, o agravamento — das desigualdades sociais em contextos políticos marcados por exclusões estruturais.

    A crítica ao positivismo parte do entendimento de que a realidade social não pode ser reduzida a números ou tratados como problemas meramente técnicos. A busca por uma suposta neutralidade e racionalidade absoluta frequentemente ignora as subjetividades, os afetos, as identidades e as condições históricas que moldam a vida de grupos sociais marginalizados. Nas políticas públicas atuais, isso se reflete, por exemplo, em programas que visam apenas a eficiência administrativa ou o equilíbrio fiscal, sem considerar os impactos humanos e sociais dessas medidas sobre populações vulneráveis.

    Um exemplo claro disso é a maneira como muitos governos tratam a pobreza e a desigualdade de renda. Ao se basearem exclusivamente em indicadores macroeconômicos, como o PIB ou o índice de produtividade, sem analisar as realidades vividas nas periferias e comunidades marginalizadas, tais políticas fracassam em promover justiça social. No Brasil, por exemplo, cortes em programas sociais, como o Bolsa Família, ou na verba destinada à saúde e à educação pública, são frequentemente justificados com argumentos técnicos e econômicos. No entanto, essa racionalidade positivista desconsidera os efeitos dessas decisões na vida de milhões de pessoas que dependem desses serviços para viver com dignidade.

    Além disso, o positivismo contribui para um modelo de Estado tecnocrático, que afasta o cidadão comum do processo decisório e deslegitima saberes populares e experiências subjetivas. Essa lógica reforça desigualdades epistêmicas: ou seja, apenas o saber técnico é valorizado, enquanto as vozes dos movimentos sociais, dos povos tradicionais, das mulheres negras, da população LGBTQIA+ e de outros grupos historicamente excluídos são ignoradas ou tratadas como “não científicas”. Assim, a promessa de “ordem e progresso” — lema positivista estampado na bandeira brasileira — não se realiza para todos, mas apenas para uma parcela da população privilegiada.

    O combate às desigualdades sociais exige uma abordagem que una dados objetivos com escuta ativa, participação popular e reconhecimento da diversidade de experiências humanas. Valorizar os saberes plurais, promover políticas sensíveis às realidades locais e garantir espaços democráticos de construção coletiva são caminhos para superar os limites de uma visão positivista.


Geisa Vitória Monteiro Pereira, 1º Ano - Direito (Noturno)

Racionalidade em Excesso, Liberdade em Falta

O positivismo, corrente filosófica do século XIX, surgiu no contexto da Revolução Industrial e do Iluminismo com a intenção de identificar os diversos problemas sociais presentes por meio de um conhecimento baseado em fatos e dados verificáveis, excluindo explicações metafísicas ou religiosas. Nesse cenário, o positivismo influenciou diversas áreas do saber, como a sociologia, a educação, o direito e, especialmente, o entendimento sobre o comportamento desviante, incluindo a criminalidade.


Para Comte, a humanidade evolui em três estágios: o teológico, o metafísico e o positivo, no qual a razão e a ciência substituem crenças sobrenaturais na explicação da realidade. A criminalidade, nesse último estágio, passa a ser compreendida não mais como um pecado ou uma falha moral, mas como consequência de fatores sociais ou biológicos, que podem ser analisados e tratados. Essa visão influenciou diretamente o surgimento da sociologia e da criminologia modernas, propondo que a organização social deve se basear na ordem, no progresso e na racionalidade.


Essa tentativa de controlar o comportamento desviante com base na ciência e na razão também é explorada de forma crítica no filme Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick. Na trama, o jovem delinquente Alex é submetido a um tratamento experimental chamado “método Ludovico”, que visa reprimir seu impulso violento por meio de condicionamento psicológico. A proposta é reabilitá-lo com técnicas científicas, eliminando sua capacidade de escolha moral. Essa abordagem reflete uma visão positivista extrema, que enxerga a criminalidade como algo a ser corrigido tecnicamente, desconsiderando a subjetividade e a complexidade do indivíduo. Ao transformar o protagonista em alguém incapaz de exercer sua liberdade, o filme questiona até que ponto a ciência pode ser usada para moldar o comportamento humano sem violar princípios éticos fundamentais. A pergunta que emerge, então, é: estaríamos diante de uma ordem fora do mundo, artificial e desumana, ou de um mundo fora de ordem, onde o controle total se impõe como solução? Essa dualidade revela os limites e as contradições do uso da racionalidade para controlar o desvio social.


Portanto, embora o positivismo tenha contribuído para o entendimento racional da criminalidade, sua aplicação rígida pode levar a práticas desumanas e autoritárias. O filme Laranja Mecânica evidencia esse risco ao mostrar os efeitos de um controle social baseado exclusivamente na técnica. Assim, frente à tensão entre uma ordem imposta e a complexidade do real, é necessário equilibrar ciência e ética ao lidar com comportamentos desviantes, reconhecendo que nenhuma sociedade se sustenta apenas na lógica da dominação racional.


Jessyca Pacheco Almeida - direito matutino 

ENTRE RATOS E HOMENS: A BUSCA POR DIGNIDADE EM UM SISTEMA DESIGUAL

 

A obra “ Os Ratos”, de Dionélio Machado, retrata a modesta odisseia vivenciada pelo personagem Naziazeno Barbosa que, ao adquirir uma dívida de 53 mil réis com o leiteiro, encontra-se perdido em um mundo hostil. Dessa forma, o autor ao evidenciar a figura do “pobre diabo” através de Naziazeno, demonstra a intensa alienação social que permeia a realidade do protagonista e, a qual reforça a dominação de classes imposta pelo capitalismo. Entretanto, nota-se que, na contemporaneidade, há diversos fatores que vão de encontro a ordem preconizada pela mentalidade capitalista, instaurando, assim, uma nova perspectiva social.

Em primeiro plano, é fulcral destacar que o “modus operandis” do sistema capitalista impede a consolidação de uma sociedade coesa. Nesse contexto, um dos princípios que justificam tal atribuição cedida ao capitalismo é sua capacidade de implementar uma significativa concentração de renda na estrutura do corpo social , dessa forma uma minoria ao deter o poder econômico, tende a priorizar o “EU” em detrimento da coletividade, ignorando, assim, o cenário de miséria e exclusão enfrentado por amplos segmentos da população, postura essa que compromete o desenvolvimento de uma mentalidade revolucionária e auxilia na perpetuação do status quo vigente.

Perante os fatos apresentados, é perceptível que a luta dos movimentos sociais pela consolidação de um Estado de Direito pleno, encontra-se fora da ordem estabelecida pelo sistema, já que incita a formação de uma realidade paralela. Em outras palavras, esses movimentos ao agirem como atores fundamentais para efetivação de uma sociedade justa e igualitária, incentivam a elaboração de dispositivos de proteção mais abrangentes, constituindo-se, dessa forma, como resistência ativa às contradições e falhas do capitalismo.

Infere-se, pois, que o Estado de Direito é mais que uma formalidade jurídica, trata-se de uma condição indispensável para garantia da justiça, liberdade e convivência democrática entre os indivíduos, sendo necessário para consolidação efetiva desses princípios o esforço coletivo e a vigilância permanente, para que, assim, a sociedade contemporânea afaste-se da realidade descrita pela obra “ Os Ratos”.

LIVIA POCOBELLO ZACARITTO, 1º SEMESTRE, DIREITO MATUTINO 

Um mundo fora de ordem ou apenas a desordem capitalista?

O título "Um mundo fora de ordem ou uma ordem fora de mundo?" do evento promovido pelo “Afronte!” convida à reflexão sobre as disfunções contemporâneas, questionando se o caos atual é uma consequência de um mundo desajustado ou se é a própria ordem imposta que não corresponde às reais necessidades do planeta e de seus habitantes. A partir de temas como a ascensão do populismo, as crises ambientais, o conflito entre Israel e Palestina e a luta por direitos das pessoas trans, é possível perceber que as instituições e estruturas que regem o mundo contemporâneo estão em desacordo com os princípios de justiça social, igualdade e sustentabilidade. Dessa forma, torna-se urgente repensar a ordem estabelecida, que muitas vezes promove desigualdades e destruição, em vez de garantir o bem-estar coletivo.

A ascensão de líderes populistas, como Donald Trump, ilustra a desordem política contemporânea, onde políticas como a retirada dos EUA do Acordo de Paris evidenciam a negligência dos acordos internacionais e do meio ambiente. O nacionalismo e a rejeição da ciência ambiental revelam uma crise na ordem política, motivada por um capitalismo neoliberal que prioriza lucros em detrimento da sustentabilidade. Essa crise ambiental é parte de uma falha estrutural na economia global, com a exploração insustentável dos recursos naturais e o aumento das desigualdades sociais. Assim, o desprezo pelos limites ecológicos agrava problemas como aquecimento global e escassez de água, refletindo um modelo econômico insustentável e distante das necessidades reais da sociedade.

A questão geopolítica também revela a incoerência de uma ordem mundial que ignora os direitos humanos e perpetua conflitos. O caso da Palestina é um exemplo de como a comunidade internacional tem falhado em buscar uma solução justa para as disputas territoriais, permitindo que a ocupação de territórios e a violação de direitos básicos se perpetuem ao longo dos anos. A falta de uma resolução definitiva para o conflito entre Israel e Palestina demonstra como a ordem política internacional frequentemente ignora as demandas por paz e justiça, priorizando interesses estratégicos e geopolíticos que pouco consideram as vítimas desse conflito.

No mais, a luta por direitos das pessoas trans, por meio de políticas como as cotas, também reflete um sistema social desajustado, porque, embora as cotas busquem corrigir desigualdades históricas, elas ainda enfrentam resistência de setores que preferem manter a ordem existente, que marginaliza a diversidade e perpetua a discriminação.

Em suma, o mundo vive uma crise multifacetada, onde a ordem estabelecida não responde às necessidades urgentes do presente. Se a "ordem" que temos é insustentável, discriminatória e destrutiva, seria está de fato uma ordem ou apenas a desordem mascarada? Em vez de um sistema que favorece poucos e prejudica muitos, é preciso buscar uma nova ordem, mais inclusiva, justa e sustentável, capaz de restabelecer o equilíbrio entre as pessoas e o planeta. A desordem que vemos é, portanto, um reflexo de uma ordem que precisa ser urgentemente reavaliada e transformada.


Anna Lívia Izidoro Ferreira, 1° Direito Matutino

A desordem mundial e ordem religiosa

 A polarização ideológica do mundo é um dos principais fatos da contemporaneidade, seja em âmbito político, quanto no religioso, a causa disso é a atual situação geopolítica e social do planeta, com guerras e conflitos acontecendo e crises econômicas, ambientais e sociais por todos os lados, essa desordem mundial fortalece grupos fundamentalistas, uma vez que em momentos de instabilidade, os seres humanos se tornam mais vulneráveis a esses domínios.

Notamos isso ao analisarmos a história: Com o fim do Império Romano do Ocidente, o início da Idade Média e consequentemente o surgimento do feudalismo, a Europa se encontrava dividida politicamente e territorialmente em diversos feudos, controlados por senhores feudais. Essa separação política e territorial foi contida pela unidade de poder religioso exercido pela Igreja Católica, que nesse momento de “crise política” e guerras, conseguiu a conversão de diversos fiéis devido a vulnerabilidade social das pessoas da época, o que garantiu a expansão da fé católica e a garantia dos interesses das autoridades religiosas. Esse aproveitamento da Igreja para instaurar sua supremacia na Europa só foi possível graças a vulnerabilidade que o a sociedade europeia estava, em um periodo de incertezas e inseguranças, o surgimento de uma força capaz de conter e proteger o povo ganha força e consegue instaurar sua soberania.

Tendo isso em mente, notamos que com a desordem no mundo físico, recorremos a ordens extraterrenas, espirituais, através da religião; Notando que não temos controle da situação, recorremos a deuses e santidades na esperança de encontrar um propósito e uma razão para tudo. É nesse sentido que Gabriel O Pensador canta: “Astronauta, tá sentindo falta da Terra? Que falta que essa Terra te faz? A gente aqui embaixo continua em guerra, olhando aí pra lua implorando por paz” Nesse caso, o ato de olhar para a lua e implorar por paz, remete justamente a ação de recorrer ao sagrado nos momentos de tensão.

Sendo assim, podemos concluir que o mundo está sim fora de ordem, o que consequentemente faz com que a ordem fora do mundo ganhe força, essa ordem sendo de caráter religioso e sagrado, isso é justificado pela natureza do ser humano de recorrer ao divino em momentos de instabilidade e tensão,  características essas que se enquadram exatamente no atual contexto mundial.


Entre Darwinismo e Desigualdade: A Crítica de Machado de Assis à Ordem Natural da Sociedade

    Machado de Assis em sua obra “Quincas Borba” elabora uma pseudoteoria intitulada Humanitismo, em que consiste em uma paródia sobre o Darwinismo Social. Sua crítica parte do princípio da popularização de teorias científicas do século XIX, que, junto à Segunda Revolução Industrial e a corrida imperialista por recursos na África e na Ásia, ofereceu instrumentos para as potências da época colonizarem povos, usando como justificativa bases eugenistas. O autor demonstra durante a ascensão e decadência de Rubião, personagem principal, a concretização de sua tese, em que expõe a brutalidade de uma sociedade predatória pelo dinheiro e para ocupar papéis sociais de notoriedade, naturalizando desigualdades e legitimando privilégios, afinal, para a população daquele tempo, existia uma ordem natural para se entender a sociedade, e segui-la era o objetivo para se atingir o progresso. 

    Nesse sentido, o positivismo negligencia as dimensões subjetivas e culturais da experiência humana, como a moral, a religião e a arte ao focar em fatos observáveis, deixando de lado aspectos importantes da vida social. Além disso a teoria se afasta da realidade ao elaborar teses deterministas e uma visão linear da história da sociedade, ignorando a imprevisibilidade e complexidade dos eventos históricos bem como retrocessos e crises. Casos como o que vivemos no governo de Jair Messias Bolsonaro exemplificam a predominância desse pensamento quando o ex ministro da economia Paulo Guedes comentou a vantagem da alto no valor do dólar, uma vez que “empregadas domésticas estavam indo muito para a Disney”. Esse tipo de discurso é reproduzido por instâncias de poder já que não veem problemas em usar lógicas discriminatórias para excluir pessoas de seus direitos e dignidades, como a possibilidade de ter um espaço de lazer e diversão, usando para isso a justificativa de elas não pertencerem naturalmente a esses espaços. 

    Assim, a corrente sociológica discutida encontra dificuldade em explicar a individualidade humana e a realidade social. Ela retrocede nosso pensamento e desenvolvimento como seres humanos justamente por não seguirmos uma ordem natural. Construímos e transformamos a sociedade que vivemos com nosso esclarecimento e experiências, não nos devendo limitar por simples regras naturais, já que a experiência humana é pautada na subjetividade que não pode ser captada totalmente por métodos objetivos.

Sophia Rossato Ferro, 1º Ano - Direito (Noturno)

Ordem e Regresso (Positivismo)



Nome: Júlia Aguiar Silva, 1º ano - Direito (Noturno)






Cotas Raciais e o Positivismo: Quando a Ordem se Torna um Obstáculo ao Progresso

𝐃𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐧𝐨𝐬, 𝐭𝐨𝐝𝐚 𝐯𝐞𝐳 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐚𝐬𝐬𝐮𝐧𝐭𝐨 “𝐜𝐨𝐭𝐚𝐬 𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬” 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚 𝐞𝐦 𝐩𝐚𝐮𝐭𝐚 𝐧𝐨 𝐁𝐫𝐚𝐬𝐢𝐥, 𝐬𝐮𝐫𝐠𝐞 𝐮𝐦 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐢𝐬𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 — 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐟𝐚𝐥𝐚 𝐞𝐦 “𝐦𝐞𝐫𝐢𝐭𝐨𝐜𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚”, 𝐞𝐦 “𝐜𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚”, 𝐞𝐦 “𝐧𝐞𝐮𝐭𝐫𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞”. 𝐄𝐬𝐬𝐞𝐬 𝐭𝐞𝐫𝐦𝐨𝐬 𝐯ê𝐦 𝐜𝐚𝐫𝐫𝐞𝐠𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐚𝐮𝐭𝐨𝐫𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝐫𝐞𝐥𝐢𝐠𝐢𝐨𝐬𝐚, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐬𝐞 𝐟𝐨𝐬𝐬𝐞𝐦 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐚𝐛𝐬𝐨𝐥𝐮𝐭𝐚𝐬, 𝐢𝐦𝐮𝐧𝐞𝐬 𝐚𝐨 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐞 à 𝐜𝐫í𝐭𝐢𝐜𝐚. 𝐌𝐚𝐬 𝐬𝐞𝐫á 𝐪𝐮𝐞 𝐣á 𝐩𝐚𝐫𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐩𝐫𝐚 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐯𝐞𝐦 𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐯𝐞𝐫 𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨? 𝐄 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞: 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐬𝐞 𝐛𝐞𝐧𝐞𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐞𝐥𝐚?

𝐄𝐬𝐬𝐞 𝐦𝐨𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐫 𝐭𝐞𝐦 𝐫𝐚í𝐳𝐞𝐬 𝐥á 𝐧𝐨 𝐬é𝐜𝐮𝐥𝐨 𝐗𝐈𝐗, 𝐜𝐨𝐦 𝐀𝐮𝐠𝐮𝐬𝐭𝐞 𝐂𝐨𝐦𝐭𝐞, 𝐨 𝐩𝐚𝐢 𝐝𝐨 𝐏𝐨𝐬𝐢𝐭𝐢𝐯𝐢𝐬𝐦𝐨. 𝐄𝐥𝐞 𝐚𝐜𝐫𝐞𝐝𝐢𝐭𝐚𝐯𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐞𝐧𝐭𝐞𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚 𝐞 𝐨𝐫𝐠𝐚𝐧𝐢𝐳𝐚𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦𝐚 𝐦á𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚, 𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐟𝐮𝐧𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐬𝐞𝐠𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐥𝐞𝐢𝐬 𝐟𝐢𝐱𝐚𝐬, 𝐩𝐫𝐞𝐯𝐢𝐬í𝐯𝐞𝐢𝐬 — 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐧𝐚 𝐅í𝐬𝐢𝐜𝐚. 𝐀 𝐩𝐫𝐨𝐩𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐞𝐫𝐚 𝐮𝐬𝐚𝐫 𝐚 𝐥ó𝐠𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐜𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐩𝐫𝐚 𝐞𝐧𝐭𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐫𝐞𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬, 𝐚𝐜𝐫𝐞𝐝𝐢𝐭𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐨𝐫𝐝𝐞𝐦 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐨. 𝐌𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐨𝐫𝐝𝐞𝐦, 𝐧𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐨. 𝐀 𝐨𝐫𝐝𝐞𝐦 𝐝𝐞 𝐂𝐨𝐦𝐭𝐞 𝐞𝐫𝐚 𝐮𝐦𝐚 𝐬ó, 𝐞 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫𝐞ç𝐨 𝐜𝐞𝐫𝐭𝐨.

 E𝐬𝐬𝐚 𝐭𝐚𝐥 “𝐧𝐞𝐮𝐭𝐫𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞” 𝐜𝐢𝐞𝐧𝐭í𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐢𝐮 — 𝐞 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐢 — 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐟𝐨𝐠𝐞 𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐝𝐫ã𝐨 𝐛𝐫𝐚𝐧𝐜𝐨, 𝐜𝐢𝐬, 𝐡é𝐭𝐞𝐫𝐨 𝐞 𝐝𝐞 𝐜𝐥𝐚𝐬𝐬𝐞 𝐦é𝐝𝐢𝐚. 𝐎𝐮 𝐬𝐞𝐣𝐚, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞 𝐯𝐞𝐧𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐢𝐦𝐩𝐚𝐫𝐜𝐢𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 é, 𝐧𝐚 𝐩𝐫á𝐭𝐢𝐜𝐚, 𝐮𝐦𝐚 𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫 𝐨 𝐬𝐭𝐚𝐭𝐮𝐬 𝐪𝐮o. 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐜𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐭𝐚 𝐚𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐢𝐠𝐮𝐚𝐥𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐚𝐥𝐠𝐨 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐨𝐮 𝐛𝐢𝐨𝐥ó𝐠𝐢𝐜𝐨, 𝐞𝐥𝐚 𝐟𝐞𝐜𝐡𝐚 𝐨𝐬 𝐨𝐥𝐡𝐨𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥, 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐩𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐦𝐨𝐥𝐝𝐚 𝐚𝐬 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬.

É 𝐩𝐨𝐫 𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐭𝐚𝐬 𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐢𝐧𝐜𝐨𝐦𝐨𝐝𝐚𝐦 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐜𝐞𝐫𝐭𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐭𝐨𝐫𝐞𝐬. 𝐄𝐥𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 𝐭𝐞𝐧𝐭𝐚𝐦 𝐚𝐝𝐚𝐩𝐭𝐚𝐫 𝐨𝐬 𝐬𝐮𝐣𝐞𝐢𝐭𝐨𝐬 à 𝐥ó𝐠𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐚 𝐦á𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥; 𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐦 𝐨 𝐩𝐫ó𝐩𝐫𝐢𝐨 𝐟𝐮𝐧𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐦á𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚. 𝐀𝐨 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐞𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐞𝐦 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐨 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐨 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫, 𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐭𝐚𝐬 𝐩𝐫𝐨𝐩õ𝐞𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚çã𝐨. 𝐄, 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐬𝐞 𝐛𝐞𝐧𝐞𝐟𝐢𝐜𝐢𝐨𝐮 𝐝𝐚 𝐟𝐚𝐥𝐬𝐚 𝐢𝐝𝐞𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐦é𝐫𝐢𝐭𝐨 é 𝐩𝐮𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐢𝐧𝐝𝐢𝐯𝐢𝐝𝐮𝐚𝐥, 𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐬𝐨𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐚𝐦𝐞𝐚ç𝐚.

𝐌𝐚𝐬 𝐬𝐞𝐣𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐬𝐢𝐧𝐜𝐞𝐫𝐨𝐬: 𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐛𝐥𝐞𝐦𝐚 𝐧𝐮𝐧𝐜𝐚 𝐟𝐨𝐢 𝐚 𝐪𝐮𝐞𝐛𝐫𝐚 𝐝𝐚 “𝐨𝐫𝐝𝐞𝐦”, 𝐞 𝐬𝐢𝐦 𝐨 𝐦𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐯𝐞𝐫 𝐚 𝐮𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐨𝐜𝐮𝐩𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐨𝐫 𝐯𝐨𝐳𝐞𝐬 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨𝐫𝐢𝐜𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐬𝐢𝐥𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐝𝐚𝐬. 𝐍ã𝐨 𝐬𝐞 𝐭𝐫𝐚𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐣𝐮𝐬𝐭𝐢ç𝐚, 𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐚 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮çã𝐨 𝐝𝐞 𝐮𝐦 𝐞𝐬𝐩𝐚ç𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐫 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐟𝐨𝐢 𝐫𝐞𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐝𝐨 𝐚 𝐩𝐨𝐮𝐜𝐨𝐬. 𝐀 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐬𝐭ê𝐧𝐜𝐢𝐚 à𝐬 𝐜𝐨𝐭𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 é 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐜𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚 — é 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫.

𝐒𝐞 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 é 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐳𝐢𝐝𝐨 𝐝𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐞𝐱𝐭𝐨𝐬 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐜𝐨𝐬, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐧𝐞𝐠𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐥𝐞 𝐭𝐚𝐦𝐛é𝐦 é 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐫 𝐝𝐢𝐬𝐩𝐮𝐭𝐚𝐬? 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐟𝐚𝐥𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬ã𝐨 𝐧𝐨 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨 𝐬𝐮𝐩𝐞𝐫𝐢𝐨𝐫, 𝐧ã𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐭𝐚𝐜𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐨 𝐦é𝐫𝐢𝐭𝐨. 𝐄𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐥𝐞, 𝐬𝐨𝐳𝐢𝐧𝐡𝐨, 𝐧ã𝐨 𝐛𝐚𝐬𝐭𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐞𝐱𝐢𝐬𝐭𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐡𝐞𝐫𝐚𝐧ç𝐚 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐢𝐠𝐮𝐚𝐥𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐭ã𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐮𝐧𝐝𝐚 𝐧𝐨 𝐩𝐚í𝐬.

𝐍𝐚 á𝐫𝐞𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨, 𝐢𝐬𝐬𝐨 é 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐯𝐢𝐬í𝐯𝐞𝐥. 𝐀𝐬 𝐧𝐨𝐫𝐦𝐚𝐬, 𝐚𝐬 𝐥𝐞𝐢𝐬, 𝐚𝐬 𝐝𝐨𝐮𝐭𝐫𝐢𝐧𝐚𝐬 — 𝐧𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐧𝐚𝐬𝐜𝐞 𝐝𝐨 𝐧𝐚𝐝𝐚. 𝐓𝐮𝐝𝐨 é 𝐟𝐫𝐮𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮çã𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐜𝐚. 𝐄 𝐬𝐞 𝐨 𝐃𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐭𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐦𝐢𝐬𝐬ã𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐨𝐯𝐞𝐫 𝐣𝐮𝐬𝐭𝐢ç𝐚, 𝐞𝐧𝐭ã𝐨 é 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐢𝐩𝐨 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐬𝐭𝐢ç𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐛𝐮𝐬𝐜𝐚𝐧𝐝𝐨: 𝐮𝐦𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐩𝐞𝐧𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐧𝐭é𝐦 𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬, 𝐨𝐮 𝐮𝐦𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐫𝐨𝐦𝐩𝐞 𝐜𝐨𝐦 𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢𝐫 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐟𝐢𝐜𝐨𝐮 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐫𝐚?

𝐓𝐚𝐥𝐯𝐞𝐳 𝐬𝐞𝐣𝐚 𝐡𝐨𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐦𝐞𝐫 𝐚 𝐫𝐮𝐩𝐭𝐮𝐫𝐚. À𝐬 𝐯𝐞𝐳𝐞𝐬, 𝐬ó é 𝐩𝐨𝐬𝐬í𝐯𝐞𝐥 𝐚𝐯𝐚𝐧ç𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐨𝐫𝐝𝐞𝐦 é, 𝐞𝐧𝐟𝐢𝐦, 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐟𝐢𝐚𝐝𝐚.


Yago Storti, matutino.


O retorno em massa dos ideais positivistas

O positivismo, ideal desenvolvido pelo filósofo Auguste Comte no século XIX, é uma corrente filosófica e sociológica que defende a primazia da ciência e da razão como base para a organização da sociedade e a resolução dos problemas humanos. Segundo o escritor francês, a sociedade humana deveria passar por três estágios para o seu desenvolvimento e para a construção do conhecimento: o estágio teológico, o metafísico e, por fim, o científico no qual a sociedade alcançaria a verdadeira ordem, com uma organização social baseada em leis naturais. Para ele, a ordem era um valor essencial e, só seria possível se as instituições sociais e políticas fossem fundamentadas no conhecimento científico e no entendimento das leis que regem o comportamento humano e a natureza. Dessa forma, o positivismo visava à construção de uma coletividade estável, harmoniosa e equilibrava, sem contradições e instabilidades.

Idealizada em um contexto de grandes mudanças políticas e sociais na Europa, marcado pela busca de hegemonia política da burguesia, das Revoluções de 1830 e da Primavera do Povos, com o proletário começando a reivindicar participação e direitos, ou seja, em um momento de desordem e crise, a ideia de ordem proposta por Comte e sua visão sobre a organização política e social surgem como um meio de garantir estabilidade e o progresso da sociedade. Para o autor, as instituições deveriam ser conduzidas por cientistas, engenheiros e especialistas, isto é, pela elite intelectual do período, os quais eram os únicos indivíduos capazes de aplicar os conhecimentos de maneira racional e designar os papéis sociais de cada cidadão, afim de controlar o caos da revolução e as transformações políticas e sociais contrárias ao paradigma vigente.

Posto isto, mesmo em um momento histórico posterior e distinto, é vislumbrado a empregabilidade, mesmo que de forma distorcida, dos ideias positivistas na realidade hodierna brasileira. Fato este é exemplificado no caso envolvendo uma estudante de medicina da Universidade Do Oeste Paulista, no Guarujá, a qual, caracterizando-se como uma mulher preta e de baixa renda, foi vítima de linchamento moral e injúrias raciais por outras quatro estudantes devido ao fato de ser cotista e frequentar uma universidade particular. Desse modo, é notório a tentativa dessas estudantes de manter a "ordem" social vigente, caracterizada pela exclusão e segregação de indivíduos de pouca renda e pretos, os quais não deveriam estar frequentando uma instituição particular pois esta não corresponde ao lugar social previamente estabelecido pela elite intelectual.

Ademais, vale ressaltar que, diante das transformações sociopolíticas, muitos desses indivíduos recorrem a atos de vandalismo e a violência para manter o paradigma social vigente, como o episódio de ataques ocorrido em 8 de Janeiro de 2023 no Brasil, quando, descontentes com o resultado das eleições e com a vontade da maioria, apoiadores do Ex-presidente Bolsonaro invadiram instituições governamentais, depredaram patrimônios públicos e realizaram crimes contra a democracia com o intuito de tentar manter a ordem antes estabelecida.

Em suma, portanto, embora o positivismo de Comte tenha contribuído significativamente para a valorização do conhecimento científico e para a reflexão sobre a organização da sociedade, a ideia de ordem proposta pelo filósofo precisa ser revisitada à luz das questões contemporâneas, visto que, muitas vezes suas ideias foram mal interpretadas ou aplicadas de maneira distorcida ao longo da história, gerando efeitos prejudiciais e antidemocráticos como os citados anteriormente. Desse modo, a aplicação do pensamento positivista, especialmente envolvendo a centralização do poder e da exclusão de vozes dissonantes demonstrou que a tentativa de alcançar a ordem e o progresso pode, paradoxalmente, levar à repressão, marginalização e ao autoritarismo. Assim, a sociedade contemporânea exige uma reflexão mais profunda sobre como a ciência e a razão podem ser utilizadas para promover uma ordem que seja inclusiva e justa.

Letícia Dias dos Santos  - direito noturno 

A esperança de uma nova ordem

    Durante o curso da história do homem e da sociedade pode-se perceber o estabelecimento de uma “ordem” comum no mundo, mas que infelizmente não condiz com a necessidade da população (de qualidade de vida e igualdade), uma vez que é pautada na desigualdade social e na manutenção do poder de uma pequena minoria. A ordem imposta pelo sistema atual é caracterizada por ideais conservadores, preconceituosos e violentos, além disso, crises humanitárias, socioeconômicas e climáticas também são consequências dessa “ordem” desumana.

Diante disso, temos questões como o conflito armado entre Israel e Palestina, que gerou o grande genocídio do povo palestino, além da destruição de sua economia e território, grandes crises climáticas, decorrentes do aquecimento global, grupos negacionistas, pessoas passando fome, como também discursos discriminatórios contra grupos vulneráveis. Esse cenário é triste e traz uma grande sensação de impotência para aqueles que refletem e tem desejo de mudança, entretanto, existe esperança em indivíduos críticos, que desejam um mundo melhor, longe da “ordem” imposta pela elite que rege a sociedade.

Dessa maneira, é imprescindível notar a grandeza das ações feitas por indivíduos com sede de mudança, que organizam-se em grupos objetivando ajudar o próximo, seja ativamente, através de mutirões, doações, mobilizações ou projetos voluntários ou simplesmente lutando por uma causa. Como exemplo, as doações em massa feitas após o desastre natural no Rio Grande do Sul, dando o suporte necessário para os grupos afetados com o ocorrido, já que muitas vezes, o próprio Estado não é capaz de lidar com a situação da melhor forma possível, ou a luta por uma causa como as pressões feitas por grupos, principalmente estudantis, na adesão de cotas raciais, já uma realidade nas principais universidades do estado de SP, e mais recente, as cotas trans, assim, lutando no combate à exclusão social, com foco no ambiente acadêmico universitário.

   

Diante do exposto, tem-se que a esperança para uma reordenação harmônica do mundo é a sensibilização da sociedade para as causas do próximo como se fossem as suas próprias, até porque você e o outro vivem em uma mesma sociedade, portanto, aquilo que afeta a realidade do outro, também afeta a sua, seja isso positivo ou negativo. Sendo assim, a mobilização humana é essencial no enfrentamento da “ordem” excludente que rege a sociedade atual


Por Catharina Passos Tomasella - 1 ano Direito (matutino) , sobre a temática "Um mundo fora de ordem, ou uma ordem fora do mundo"


Ordem para alguns, desordem para outros

          Em um mundo no qual vemos o meio ambiente sendo destruído, a extrema-direita avançando na liderança da maior economia mundial e movimentos sociais sendo desmobilizados, é inevitável se questionar até onde isso vai chegar. E se ,ao invés de estarmos evoluindo e indo atrás do tão almejado "progesso" nós estivermos fazendo exatamente o oposto e caminhando para o fim do mundo? A resposta disso não é palpável por enquanto ,porém deve ser discutida. Podemos sentir tudo menos desesperança, porque em um lugar onde o normal é ser apático e inativo, o mais essencial é sentir e agir, é ver a desordem e fazer barulho.

         O retorno de Donald Trump à presidência, com suas sucessivas ações que limitam e reduzem os direitos das minorias norte-americanas, simboliza uma ruptura com a ordem social hodierna de luta por direitos e de valorização dos movimentos sociais. Seus discursos agressivos e preconceituosos mostram que a pergunta que deveríamos fazer não é se o mundo está fora de ordem mas sim quem está definindo a ordem do mundo. Desse modo, enquanto as parcelas opressoras da sociedade estiverem com as rédeas do poder, a desordem mundial vai passar despercebida,uma vez que ela atinge os grupos mais segregados e silenciados. 

        Assim, tendo em vista a afirmação de Racionais MC's "ninguém quer ser coadjuvante de ninguém", fica nítida a importância não apenas da consciência dessa ordem problemática mas principalmente da organização dos grupos oprimidos para o remanejamento dessa ordem para que consigam ganhar protagonismo no contexto em que vivem. Logo, a apatia e a inação não são opções viáveis, especialmente em tempos em que a lideranças políticas podem ameaçar os direitos das minorias e a saúde do planeta, e por isso a conscientização sobre a desordem existente e a busca por uma nova ordem social são passos essenciais para reverter essa situação, fazendo com que o controle dessa ordem não se prive apenas a alguns e se torne, essencialmente, do povo.

Machismo e positivismo

 O positivismo, através de sua ênfase na ordem e progresso, pode ser utilizado para justificar problemas estruturais em nossa sociedade, como o machismo, pois através de uma visão positivista, pode haver uma sociedade hierarquizada, na qual a mulher é vista como uma figura inferior e adequada a papéis subalternos. Portanto, o positivismo poderia ser uma base para sustentar um sistema patriarcal, defendendo que os papéis de gênero “naturais” eram parte da ordem social e científica. 

 Através de uma visão determinista utilizada por muitos pensadores do positivismo, há uma inferiorização da mulher, pois para esses pensadores, a figura da mulher é frágil, irracional e até mesmo emocionalmente instável, justificando, através desse pensamento machista, a subordinação a autoridade masculina. Além disso, Comte em suas obras retrata uma mulher ideal, mas uma mulher idealizada que deveria ser submissa ao homem. Esse culto a feminilidade poderia ser visto como uma forma de reforçar a ideia de que as mulheres deveriam servir a estabilidade social, de acordo com uma visão patriarcal, mas disfarçada de “respeito” pela mulher.  


Matheus Nicolau Cremm de Sousa - noturno - 1º ano 

Positivismo, ordem e a anistia

 O positivismo é uma corrente filosófica do século XIX criada pelo francês Auguste Comte. Para ele, a sociedade deveria se organizar com base na ciência e na razão, deixando de lado explicações religiosas ou metafísicas. Comte acreditava que o progresso da humanidade só seria possível com ordem, e que a estabilidade social era essencial para alcançar avanços morais e científicos.

Essa ideia está resumida no lema “ordem e progresso”, presente inclusive na bandeira do Brasil. Para os positivistas, sem ordem não há progresso. Por isso, Comte defendia a disciplina, a autoridade e a organização como ferramentas fundamentais para manter a harmonia social.

Esse pensamento ainda influencia decisões políticas hoje. Um exemplo é a recente discussão sobre a possível anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Muitos defensores da proposta argumentam que a anistia ajudaria a pacificar o país, encerrando divisões e restaurando a estabilidade. Essa tentativa de superar as tensões políticas reflete diretamente o pensamento positivista, colocando a ordem acima de tudo, mesmo que isso signifique deixar de lado a responsabilização legal e moral dos envolvidos.

Por outro lado, juristas comprometidos com a democracia, como o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, têm se posicionado com firmeza contra esse tipo de medida. Segundo ele, conceder anistia a quem atacou as instituições enfraquece a democracia e transmite a ideia de que crimes contra o Estado podem ser perdoados sem consequências. Isso pode incentivar novas ameaças no futuro.

Hoje, o positivismo volta a ser usado como justificativa para buscar estabilidade a qualquer custo. Mas quando a ordem ignora leis e direitos, ela passa a ameaçar a democracia e abre espaço para a fragilização do Estado de Direito ainda que seja justamente o que ele busca evitar.

Rafaela Brito do Nascimento, notuno.

Progresso na ótica positivista: Progresso ou dominância das elites?

 

Auguste Comte preconiza que a sociedade é gerida por duas leis universais: a estática, que corresponde à ordem e à imutabilidade, e a dinâmica, relacionada ao progresso tecnológico e científico. Dessa forma, a busca pela individualidade por cada um seria o caos e a desordem, impedindo o progresso, o que constitui o cerne do pensamento positivista. Contudo, tal visão condena a conquista de direitos por parte das minorias, já que esse fato desvia a linearidade que antes se mantinha. Logo, é mantido um “padrão” hegemônico que reina há séculos, no qual o homem hétero, cis e branco é privilegiado e, consequentemente, busca a manutenção de tais garantias.

Nesse contexto, quando analisamos casos como a concessão do uso do nome social para pessoas trans e o reconhecimento da identidade de gênero desses indivíduos na administração pública federal, através do Decreto nº 8.727/2016, sob a ótica positivista, tal cenário seria visto como anormal, por desafiar a “normalidade” da heterossexualidade antes dominante. Assim, deveria ser reprimido e contido, já que impediria o progresso. É por esse motivo que, quando ocorre um progresso real que garante novos direitos para diferentes grupos sociais, que passam a ser amparados pelas leis, juntamente com essa conquista, há uma reação de um movimento retrógrado positivista, que visa retomar a linearidade, como por exemplo, a tentativa de veto do decreto por uma grande parcela da “bancada evangélica”.

Portanto, o direito é de suma importância para romper com esse pensamento e dar voz aos movimentos sociais, tornando negros, trans e mulheres sujeitos de direito, impedindo assim a prevalência dos movimentos de recessão que buscam uma condensação de tais garantias conquistadas. Em suma, o positivismo, pensamento enraizado em diferentes mazelas sociais, como o extermínio de povos originários, episódios de transfobia e diversos outros exemplos, demonstra que os privilégios garantidos somente às elites são insustentáveis, devendo se estender para as diferentes camadas sociais, apesar do consequente movimento regressivo que venha a ser gerado.

Por fim, é perceptível que diferentes grupos tiveram suas vozes silenciadas, seus direitos cerceados e sua identidade minada pelas elites, pelo padrão que lhes é imposto e que os caracteriza como “anormais”, como um retrocesso. Dessa forma, suas identidades, conquistas e lutas são encobertas pela lógica hegemônica que garante o domínio de uma pequena parcela social sobre diversos grupos de indivíduos, com histórias e lutas riquíssimas, que, ao se tornarem sujeitos de direito e terem as suas reivindicações ouvidas, vislumbram uma nova realidade e podem enfim desafiar o que até então era tido como “normal” e se expressarem sem terem seus direitos feridos.

 

Gustavo Zoca Goulart de Andrade, primeiro ano noturno

O Preço do Progresso

 

Durante os séculos XVIII e XIX, a Revolução Industrial se alastra pela Europa e provoca grandes transformações sociais, especialmente no aspecto econômico, iniciando, por conseguinte, uma nova era do capitalismo: o industrial. A economia, antes baseada na acumulação de metais preciosos e na exploração das colônias, entra agora em uma nova fase e nos apresenta um mundo novo, no qual a produção atinge níveis extraordinários — antes inimagináveis — e, portanto, insere a sociedade em uma realidade de abundância e intensificação do comércio. Todavia, por trás de todo esse progresso estavam os trabalhadores, que sucumbiam dia após dia a jornadas de trabalho que variavam entre 14 e 18 horas, na maioria das vezes em condições extremamente precárias e sem qualquer direito trabalhista.

Nesse sentido, o sociólogo francês Auguste Comte, contemporâneo à época, funda a corrente filosófica do positivismo. Tal pensamento buscava compreender as leis naturais que regem a sociedade, para que, através do conhecimento científico e do progresso técnico, fosse estabelecida coesão e estabilidade ao corpo social. Entretanto, essa visão acabou servindo de justificativa às desigualdades sociais geradas por toda aquela busca excessiva por capital, legitimando que a “ordem” estabelecida era um mal necessário para o progresso geral. Essa lógica reduz o ser humano a peças de uma cadeia produtiva, transformando a vida em produto, tudo em prol do “vil metal”. Desse modo, essa forma de enxergar a realidade ainda reverbera na atualidade, uma vez que as jornadas abusivas, mesmo que significativamente menores do que nos tempos da Revolução Industrial, persistem em diversos setores em nome do progresso, que desde aquela época até os dias de hoje é sinônimo de produtividade. Logo, podemos constatar que a engrenagem segue funcionando, agora com novas faces, mas sustentada por uma lógica parecida com a do século XIX: para que alguns possam ter “acesso” ao tão famigerado progresso, muitos precisam ser deixados para trás.

Conclui-se, então, que o positivismo não é apenas uma visão do passado; ele ainda serve como um discurso que ajuda a manter o status quo. Ao colocar os interesses produtivos acima do bem-estar coletivo, não há progresso real, mas sim a fomentação do egoísmo e do individualismo — valores que, ao invés de impulsionarem a sociedade, contribuem para sua degeneração. Por fim, deixo uma pergunta: o progresso vale mais que a dignidade humana?


João Marcos Borges Silva -  1º ano - Direito (noturno)

Positivismo na Hodiernidade: Uma Reflexão Urgente

 Positivismo na Hodiernidade: Uma Reflexão Urgente


Quando criança, vislumbrar a bandeira do Brasil e ler a frase “Ordem e Progresso” era motivo de euforia, uma chama de nacionalidade que percorria meu corpo, queimando qualquer tipo de dúvida ou chateação quanto à minha nação. No Ensino Médio pré-vestibular, quando tive minha primeira aula sobre o Positivismo de Auguste Comte, lembro-me de ficar horrorizado com a explicação do professor acerca do assunto, principalmente depois que explicou a origem da até então grandiosa frase presente na bandeira do Brasil... senti-me bobo, traído como uma criança frente a uma falsa recompensa. Meu amadurecimento com o decorrer dos anos seguintes juntou-se aos conhecimentos adquiridos nas aulas em meu Ensino Superior em curso, culminando em um entendimento progressivamente mais amplo de como a sociedade brasileira se articula na hodiernidade, sob à luz do Positivismo, entendimento este que objetivo explanar, relacionando os axiomas do Positivismo, Ordem e Progresso, com os principais mecanismos de controle positivista da sociedade, os estereótipos, estigmas e as instituições sociais.

Aquele que analisar o cenário político brasileiro na hodiernidade, seja com o mínimo de imparcialidade, verá duas esferas centrais e antagônicas, cujas nomeações são variadas, seja dentre os partidos políticos, seja dentre os diferentes adjetivos que remontam à dicotomia clássica devidamente surgida com a Revolução Francesa, os girondinos e os jacobinos, e posteriormente, reenquadrada nos diversos contextos políticos sequentes, como nas Revoluções Inglesas, com os Tories e Whigs, ou na Revolução Russa, com os Bolcheviques e Mencheviques. Quando Comte analisa a sociedade a partir das Ciências Sociais nascidas de suas próprias análises, ele determina normas rígidas que devem reger a sociedade, entendida por ele como um estado permanente de ordem e desordem, em que essa deve prevalecer, a fim da chegada ao progresso, entendido, por sua vez, como a manutenção da ordem. Para Comte, a ordem não se define como o equilíbrio entre as duas esferas políticas já citadas, as quais, passando por períodos históricos e sociais diversos, continuam suas disputas aparentemente intermináveis; mas sim, define-se como a manutenção de características sociais pré-definidas, surgidas dos costumes ditos tradicionais, a fim de manter a sociedade como um dia fora, regida apenas por um espectro de pensamento, seja político, social, econômico ou religioso, em detrimento de uma pluralidade ideológica.

Sendo assim, Comte baseia-se mais em suas experiências e projeções individuais de seu meio social do que em uma análise minuciosa e primariamente imparcial de aspectos atemporais da sociedade, culminando em uma teoria sociológica que se aproxima muito claramente de um dos espectros político-ideológicos referenciados, ao passo que é importante ressaltar que embora se possa falar de duas esferas político-ideológicas um tanto quanto definidas, não há uniformidade em seus postulados em todos os contextos sociais e históricos, assim como há, na atualidade, ideologias alternativas e que pouco se relacionam com as duas primárias. Dessa maneira, segundo a teoria sociológica positivista, a ordem compreende a manutenção de características como o fortalecimento de instituições sociais sob o regime tradicional, como as famílias tradicionais heteronormativas e binucleares, as instituições de ensino superior majoritariamente exclusivas às classes mais abastadas e influentes politicamente e igrejas ativamente participantes na sociedade e no processo político; e o engendramento de estigmas e preconceitos, como a aporofobia, preconceito com pessoas carentes, ou o estereótipo acerca da mulher ideal, desfavorecendo a mobilidade dos indivíduos dentre os estratos sociais. Estas características são, muitas vezes, relacionadas a alguns grupos políticos pertencentes ao espectro político tido como “Direita Conservadora” ou “Direita Tradicional”; entretanto, não se pode elencar características a espectros políticos com tanta unanimidade devido às suas tantas pluralidades na atualidade.

Na hodiernidade, o Modus Operandi positivista continua latente, uma vez que partidos políticos e movimentos sociais-ideológicos que compartilham objetivos semelhantes aos do Positivismo clássico surgem com tamanha frequência e perpetuam suas atividades com surpreendente facilidade, mesmo quando suas atividades são ilegais, a exemplo do projeto de lei proposto pelo Partido Liberal (PL) no mês de Março de 2025, o qual aguarda a votação na Câmara dos Deputados e no Senado, além da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e objetiva a concessão de anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro de 2023; embora legal, o projeto de lei reflete como o controle, antecessor da ordem na lógica positivista, ainda é buscado por alguns grupos políticos, a exemplo do grupo político responsável pela tentativa de golpe, assim como pelo projeto de lei, que estão dispostos a cometer graves crimes constitucionais para deter controle sob a sociedade, limitando qualquer expressão política contrária e assemelhando-se, assim, a postulados positivistas que justificam o controle político e econômico a fim de manter a ordem apenas sob seus preceitos. Outro exemplo hodierno ocorreu no dia 31 de Março de 2025, no Rio de Janeiro, em que uma professora da Escola Municipal Acre, foi afastada após a família de uma menina trans de 13 anos denunciar um caso de transfobia; o episódio relatado relaciona-se com o Positivismo porque os preconceitos e estigmas sociais nada são senão mecanismos cruéis de controle social, já que exercem uma expressiva coerção nos indivíduos tidos como errantes em relação às regras sociais tradicionais, os quais, segundo o Positivismo, ameaçam a Ordem social, e consequentemente, o Progresso, por afastarem-se dos indivíduos tidos como “ideais”.

Teodoro Susi Alves - 1 Ano - Direito Noturno.

 

Percepção do errado: uma definição que te afeta. 

- Um mundo fora de ordem ou uma ordem fora do mundo? 

A realidade que nos deparamos quando acordamos muitas vezes nos desamina, a sensação de impotência frete a tudo nos engole a cada dia. A partir disso surge um dos dilemas que separa a sociedade: há hoje no mundo muitas coisas “erradas”. Dependendo de como se interpreta essa frase, e do que se atribuí como “errado”, o indivíduo constrói-se no mundo e limita sua percepção do que o rodeia.

É fácil atribuir um discurso conservador quando se fala de “desvios” na atualidade, há inúmeras falácias que vinculam termos pejorativos a comunidades marginalizadas e atribuem a essas o conceito de desviantes. Não é necessário ir longe para ouvir tais discursos. Apresentando-se em mesas do almoço nas típicas famílias brasileiras, seja ao se referir a alguém de dentro dessa ou de um caso de fora presenciado por eles, eles já estão presentes a tempos no país. Para uma visão conservadora o mundo está seguindo por um caminho que o leva a ruína. O mundo está indo para desordem.

Há, no entanto, uma outra visão às “coisas erradas”.

Um segundo ponto de vista nos apresenta a interpretação de que existe na verdade uma imposição social para com massas, majoritariamente compostas de minorias, de costumes ausentes de imaginação sociológica. Tão irreais e impossíveis de se realizar que pouco a pouco adoece essa população, coisas erradas de serem propagadas. Frases famosas como “trabalhe enquanto eles dormem”, ou promessas falsas a partir de receitas milagrosas, seja de dietas esplendorosas que oferecem um rápido emagrecimento ou de remédios milagrosos que curam tudo, vendem-se online diariamente. Nenhum desses produtos cumprem com suas promessas, mas se fixam como uma nova ordem a dominar, não somente a economia, mas outros ramos da vida intima como os afetos, o trabalho e a saúde.

Ainda há costumes errados, seriam aqueles que, normalizados pela sociedade, fomentam a violência no meio. Tais como a objetificação da mulher, que gera ondas de machismo e feminicídio; ou a subalternação da população negra que a matou, e mata muito desses até hoje, além corroborar para criação de um sistema estruturalmente racista que perdura até o século 21.

Ademais, trazendo para o campo sociológico e aprofundando encontramos uma relação dessa percepção de “coisas erradas” na teoria de Auguste Comte ao nos depararmos com as noções de “desorganização” e “reorganização” social. A primeira surge da indignação social com os erros de sua realidade e traria consigo caos e desordem à comunidade, o conflito. A segunda se mostraria na tentativa de reequilíbrio dos pesos, uma compensação que busca a “paz” e organização, um conserto. Num ciclo sem fim de interpretação de “erros” e “desvios” teríamos esses dois polos alternando ou sobrepondo-se.

Por fim, independente de qual percepção que se interprete como “errado”, o ser construirá uma percepção sobre essa que influenciará sua visão de mundo e lhe dirá se está mais fácil ou mais difícil de acordar e encará-lo.

Maria Clara Moro Genesini, 1º ano de direito - noturno.