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segunda-feira, 13 de agosto de 2012


 Explorar ou ser Explorado?
Como uma classe social consegue ser tão convincente, poderosa, articuladora, a ponto de criar um mundo à sua imagem, adquirindo os valores que ela considera correto, com o mercado como base de todas as outras relações humanas. O dinheiro, a moeda, o possuir, o comerciar, encontram-se em todas as partes: "Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.".
Como pode um trabalhador oprimido/explorado querer tornar-se burguesia?
Como pode um burguês opressor/explorador querer manter-se burguesia?
Está errado, e muito errado! José levanta, escova os dentes em seu banheiro apertado e com cimento exposto, troca de roupa, corre para pegar o ônibus, e depois o metrô. Há 30 anos ele possui essa rotina, não possui estudos e nem oportunidade para estudar, seus pais eram trabalhadores como ele, nunca foi ao teatro, conhece apenas novelas que assiste e sorri com muito gosto, as babaquices que se passam na tela da pequena televisão. Chega à construção, pega tijolos, carrega sacos de cimento, constrói ... Sua articulação não é mais a mesma, muitos anos carregando peso, trabalho pesado, cama não tão confortável assim para dormir suas 5 horas corridas de sono. Mesmo assim deve terminar a construção em 4 meses. Também não pode esquecer de pagar a conta de energia (já foi ameaçado de cortarem sua energia), ele só precisa fazer mais um biquinho a noite para conseguir pagar. E olha que às vezes nem assiste à novela, pois assim economiza energia em sua televisão de 14 polegadas.
Hoje recebe uma visita dos donos do prédio que está construindo, chegam  com um carrão(José não sabe nome e nem marcas de carro). "Bom dia patrão". E não recebe sequer um "Oba", passam como se José não existisse, mas ele já acostumou ser invisível. Olham a construção e perguntam: "Qual de vocês é o responsável pela construção?". E José se apresenta. "Do jeito que anda essa construção, não será terminada nem em um ano, preciso do prédio em 4 meses!" e vão embora. José não responde, apenas abaixa a cabeça.
 Os donos do prédio refletem de volta para suas casas: " Como são estúpidos esses pedreiros, não sabem nem expor seus pensamentos, não sabem falar, não sabem aproveitar as oportunidades. E ainda creem em desigualdades sociais... Tivemos as mesmas oportunidades, eles que não souberam aproveitar. Não se esforçaram e não estudaram."
José pretende tornar-se burguesia? E humilhar, passar por cima, de outros Josés, assim como ele? Mas tornando-se burguesia, ele não será apenas José, poderá ser José da Silva. Existindo assim um pouco mais de autoridade em seu nome. E os burgueses? Gostam de humilhar? Afirmam que não existe luta entre classes, todos são iguais...
Não é possível que todos, sem exeção, queiram ser dessa forma, queiram apenas comprar, queiram fazer parte de toda essa sujeira. Toda essa opressão, toda essa civilização podre. E sempre da mesma forma: a sociedade do conflito, sem que queiram desfazer esse conflito que perdura desde sempre.
Júlia Godoi Rodrigues

(Tristes) Méritos À Manutenção Reacionária


“Compete a todas as nações, sob pena de extinção, a adotar o modo de produção burguês. Compele-as a introduzirem o que chama de civilização no seu meio, ou seja, a se tornarem burguesas. Resumindo, cria um mundo à sua imagem” (Karl Marx e Friedrich Engels)
A classe burguesa, opressora abjeta da grande maioria da população na sociedade moderna, comprovou, com o passar dos anos, as previsões feitas há mais de um século pelo alemão Karl Marx. O mundo, de forma generalizada, moldou-se à mera vontade dos dogmas burgueses. O capitalismo desintegrou quase que completamente a possibilidade de que uma grande movimentação contra essa vergonhosa ideologia da opressão aconteça.
Isso ocorre porque os próprios membros da massa popular, que é o grande alvo da dominação imposta pelo capitalismo, defendem a manutenção do poder burguês, já que almejam – ilusoriamente, na maioria dos casos, diga-se de passagem – alcançar a mesma posição de burguês opressor e “feliz” por desfrutar das farturas monetárias. Assim, o povo é ferrenho adepto das normas jurídicas que o oprimem, buscando, acima de tudo, ser aceito nos seus meios sociais - isso porque, no mundo atual, ser questionador demais faz com que você seja ridicularizado.
Ademais, o capitalismo teve a capacidade de usar as poucas lutas do povo a seu próprio favor. Exemplos não faltam: Che Guevara como um dos símbolos mais vendidos em estampas de camisas e objetos (mesmo que para pessoas que nem ao menos saibam quem foi Che); o movimento do MST visto como pessoas “vagabundas” que vivem de invadir terras alheias; pessoas de movimentos de esquerda “proibidas” de comer no McDonalds ou comprar objetos de marca, caso contrário se tornam motivo de escárnio pelo próprio povo por quem lutam.
Conclui-se, sem qualquer dúvida, que a grande maioria do povo se faz completamente alienado e, assim, o mundo segue as previsões de Marx e Engels expostas no Manifesto Comunista. Seja por disseminar a ideia de que pessoas de esquerda só poderiam comer aquilo que plantaram, seja por transformar ícones da luta social em lunáticos ou estampas de camisa, a ideologia capitalista consegue manter uma estrutura cada vez mais solidificada e não questionada. Infelizmente.

É nítido que o combustível do mundo, a partir da revolução burguesa, é a ambição de ascender economicamente. Ambição esta de todas as nações e todas as pessoas, pertencentes ou não a grupos privilegiados. O que se vê é que os trabalhadores se motivam unicamente pela esperança que a sociedade capitalista lhes dá de ascender socialmente. Essa esperança era o elemento que faltava na sociedade burguesa do século XIX. Foi a sua falta quem ensejou as idéias comunistas e o movimento proletário. A total ausência de perspectiva, a aniquilação que se consolidava e que piorava exponencialmente a cada dia, fizeram afluir o sentimento humano de dignidade com um ímpeto nunca visto anteriormente. A sociedade burguesa foi a sociedade dos excessos – de lucro, de exploração, de monopólio...
Em busca da esperança, pelo restabelecimento de sua dignidade, os proletários se uniram no mundo todo. Seu belo discurso, porém, não foi o suficiente ante a força do lucro. O capitalismo já havia criado raízes e, astuta e imperceptivelmente, transacionou com a parte proletária, atendendo à maior de suas demandas – a dignidade. Através do direito, que mais uma vez aparece na história com a concepção de instrumento de dominação e conservação do poder. A Segunda Geração dos Direitos Humanos trouxe a igualdade e os direitos sociais que satisfizeram às demandas mínimas e mais urgentes e acalmaram os ânimos da efervescência comunista.
Baixada a poeira, pôde-se notar a supremacia capitalista. Não se pode ignorar (e até mesmo admirar) sua capacidade de sair pela tangente, de se moldar às condições hostis da época, sempre triunfando hipocritamente, através do direito legitimado pelo povo, por um povo que já nasce imerso no espírito capitalista.

Uma naturalização contra a natureza


     Advinda da crítica de Marx e Engels sobre o capitalismo, a ideia da naturalização da sociedade em torno de questões totalmente inaceitáveis, apesar de acontecer na época de publicação do “Manifesto Comunista”, seu efeito pode se estender até a atualidade.
     O conformismo exposto por eles em sua obra, abre um leque de problemas que a sociedade possui e que já estão enraizados nela. A grande massa se conformou com as dificuldades, aceitou seu emprego medíocre proveniente de um sistema dualista e opressor, que é o capitalismo. Contentam-se com meras ajudas do governo que não significam nada diante da riqueza do Estado. Não tem ambições, apesar de quererem mudar a situação, não o fazem pelo puro conformismo criado.
     Há muitas instituições a se culpar por essa problemática criada, partindo do Estado e alcançando a mídia. O Estado, claramente, dita as regras e impõe o que lhe achar conveniente, dentro dos trâmites legais, caso seja uma democracia. A mídia, tem o poder de esconder os reais problemas de uma sociedade, e mostrar coisas fúteis no lugar, portanto, ao unir o Estado e a mídia, ou seja o poder e o meio de comunicação mais acessível, é possível causar a alienação em grande parte da sociedade.
     Infelizmente essa alienação não se detinha ao campo do noticiário, durante o séc. XIX, o proletariado levava essa alienação para seu próprio trabalho e para toda a vida ao seu redor, levando-a assim de modo infeliz e paupérrima. Apesar, de não vivermos mais no séc. XIX, essa situação ainda pode ser observada, levando-se em conta a camada mais pobre do Brasil, que não é pouco. Trabalham exaustivamente, recebem salários ridículos quando comparados com sua carga horária e tem de sustentar toda sua família, enquanto isso a mídia brasileira está está exibindo notícias sobre traição entre famosos, nossas Universidades Federais estão em greve e o país está assistindo a um dos maiores julgamentos dos últimos anos. 
     Portanto, percebe-se essa naturalização, essa acomodação do homem em relação a péssima situação em  que vive, e a solução não parte apenas da solução dos causadores do problema, como Estado e mídia, mas sim do próprio homem recobrir a noção e desenvolver seu senso crítico.

“O Manifesto Comunista” e Hermann Heller


A obra “O Manifesto comunista”, de Karl Marx e Friedrich Engels, traz, em seus capítulos iniciais, além do elogio à revolução burguesa e ao salto dos meios de produção para um patamar impossível para o sistema feudal, a denúncia sobre o excesso de bens que alavancou a pobreza e engessou os indivíduos em classes sociais sem aparente mobilidade, construindo uma sociedade estamental moderna.
A partir dessa constatação, os autores expõem que a forma da sociedade capitalista foi baseada no antagonismo das classes opressoras e oprimidas e, somente assim, alimentou-se a máquina da apropriação por parte dos burgueses, detentores ainda do auxílio dos ordenamentos jurídicos do Estado de Direito que pregam liberdade individual e livre concorrência, valores que escondem os interesses burgueses.
Assim, a iniciativa comunista para desmantelar o Estado burguês somente poderia ser a revolução da classe trabalhadora. Conduzindo o proletariado à posição de classe governante ao arrebatar o poder político para si e, gradativamente, todo o capital da burguesia, e centralizando todos os meios de produção nas mãos do Estado, agora representante do povo, da maioria, por meio dos instrumentos político-econômicos anunciados no “Manifesto Comunista”.
Essas visões econômicas, políticas e sociais claramente se fundamentam nos métodos marxistas. O autor alemão Hermann Heller, que escreveu a obra “Teoria do Estado, trouxe uma nova visão para o socialismo, apontando que a mudança no regime capitalista pode ser feita pela via eleitoral, sendo assim, contra a revolução do marxismo e seu grande enfoque nos aspectos econômicos. Segundo Heller, a luta de classes que Marx descreveu é na verdade um meio positivo para o fim socialista e este seria o “refinamento” do Estado, que tem papel essencial nessa transformação.
A proposta de Heller para o fim da dominação burguesa é o aprofundamento do Estado de Direito pelo Estado Social de Direito, defendendo a subordinação da economia de mercado às leis, a expansão do Estado de Direito às esferas sociais e econômicas, o que demonstra o inicio da transição para o socialismo, dada a impossibilidade, segundo Heller, do estado de classes burguês.

O Socialismo e a Modernidade

No livro "O Manifesto Comunista" Marx e Engels defendem uma Revolução Socialista, incitando a luta armada entre operários e burgueses para por um fim definitivo na luta de classes constante da sociedade. Essa ideia é defendida pelos autores pelo fato da existência, durante toda civilização de uma constante luta entre classe oprimida e opressora, que foi acentuada com o advento do  capitalismo, onde a necessidade de lucro e a livre concorrência fez com que os detentores da força, seja esta adulta ou infantil, feminina ou masculina, fossem demasiadamente explorados pelos detentores dos meios de produção.
E foi essa exploração que fez com que as ideias socialistas se espalhassem pelo mundo, conquistando idealistas ao redor do globo, e foram esses idealistas que realizaram a Revolução Russa e, posteriormente a Revolução Cubana, a primeira fracassou pelo corrompimento de seu sistema e a segunda ainda sobrevive com dificuldades, devido, entre outras coisas, ao embrago econômico imposto pelos Estados Unidos. 
Além disso as ideias socialistas foram derrotadas pela sociedade de consumo, que já não se satisfaz apenas com o essencial, que quer sempre mais e não se importa de trabalhar mais do que as 8 horas diárias para poder ter tudo que a modernidade proporciona. Hoje não há quem não fique tentado ao ver um celular de última geração e uma roupa da moda e ambos mudam a cada estação, se não antes, gerando novos desejos, e todos querem progredir.
A verdade é que seria realmente frustante trabalhar sem uma perspectiva de melhora, sem uma ambição, mas o essencial seria que os itens básicos para a sobrevivência e para dignidade fossem acessíveis, com boa qualidade, à todas as camadas da sociedade, são esses itens: saúde, educação, alimentação e lazer. A parte disso cada um deve ficar livre para buscar suas ambições, porém sem deixar de sua dignidade de lado e sem colocar o supérfluo ma frente do essencial.

Em “O Manifesto Comunista”, Marx e Engels analisam a estrutura da sociedade capitalista, avaliando os seus pontos positivos e negativos. Sabemos que a classe burguesa revolucionária foi responsável pela ruptura da estrutura social que se mantinha na Europa até a Revolução Francesa, ou seja, aquela em que a nobreza e o clero ocupavam o topo da pirâmide social, explorando as demais classes que compunham a sociedade. Nesse sentido, pode-se dizer que conseguimos alguns avanços com os novos direitos adquiridos a partir do discurso iluminista, que pregava a liberdade, a igualdade e a fraternidade entre as pessoas.

No entanto, é valido pensarmos que, no final da Idade Média – quando, aliás, surgiu a burguesia -, o poder era descentralizado, o que prejudicava a organização comercial e, consequentemente, a obtenção de lucros dessa nova classe social. Então, nesse momento, a mesma passou a incentivar, com o seu capital, a monarquia decadente para que esta centralizasse o poder. A união entre essa camada social decadente e o capital burguês deu origem ao Estado Absolutista, que mais tarde será combatido pela própria burguesia.

Detentores do poder econômico, os burgueses passaram a buscar também o poder político, o que seria possível apenas através de uma revolução com apoio do povo, que seria seduzido pelas ideias de liberdade e igualdade entre todos. A revolução foi feita, mas os antagonismos entre as classes não foram abolidos; pelo contrário, ocorreu um fortalecimento do capitalismo e aqueles foram acentuados.

Com tal revolução, a burguesia criou uma constituição social e política adaptada a ela e sob o seu controle econômico e político. A sociedade, estruturada dessa forma, legitima as ações burguesas através de normas e, apesar destas serem estabelecidas em nome da liberdade, trata-se de uma nova maneira de opressão e dominação.

A burguesia – com o auxílio da normatividade jurídica - consegue neutralizar a dominação, pois os seus valores serão defendidos não somente por ela – classe dominadora -, como também pela classe trabalhadora, que é a classe dominada. Percebemos tal fato claramente nos dias de hoje, em que a classe trabalhadora, ao invés de ter seus próprios valores e buscar a sua própria revolução para que deixe de ser explorada, não só aceita, como também compartilha dos valores burgueses e busca alcançar aquilo que a classe burguesa já alcançou.




A necessidade de não se acomodar.



            As ideias de Marx e Engels, expostas em seu “Manifesto do Partido Comunista”, foram responsáveis por causar uma ruptura no pensamento vigente da classe trabalhadora. Provavelmente, uma das obras fundamentais para transformar como Hobsbawm diz: o século XX na famosa “Era dos Extremos”.  Até hoje essa obra encontra respaldos dentro das universidades de todo mundo, incluindo em diversas universidades brasileiras (para não dizer todas).
            A obra, embora construída por meio de uma linguagem simples, carrega dentro de si um potencial gigantesco de convencimento. Cada linha, cada premissa, esta impregnada daqueles sentimentos tão exaltados pela revolução francesa: a liberdade, a fraternidade e, principalmente, a igualdade. E em razão disso, ela conseguiu se espalhar de maneira, bastante rápida, pela classe dos trabalhadores, durante o início do século XX. Acontece, também, que ainda hoje ela constitui o livro de bolso da grande maioria dos indivíduos que se intitulam marxistas.
            Não há dúvidas que “O Manifesto” é um livro base para entender e estudar o que Marx e Engels pensavam a respeito do decorrer da história. Certamente, também é um poderoso manual que descreve bem as vantagens que a revolução burguesa trouxe e também trás os problemas acarretados por esta. Todavia, o problema começa quando o livro passa a ser encarado sobre uma perspectiva dogmática e não científica. O que seria na visão de Weber apenas um tipo ideal, ganha dentro de universidades um caráter divino e intocável. Talvez, seja por temer esse exagero na maneira que alguns enxergavam a obra, que até mesmo o próprio Marx se diz não ser um marxista.
            Esses indivíduos obsessivos e crentes de terem encontrado uma suposta “verdade”, possuem discursos belíssimos a cerca das falácias do liberalismo, da manipulação das massas, do operário alienado, e de como a revolução acarretada pela união dos trabalhadores contra a burguesia será estupenda. Matam diversas aulas, por estarem ” lutando contra o sistema”, e quando o período de aula acaba voltam para suas casas onde passam o restante do dia, sentados em frente a um computador conectado com a página do “facebook”. Sitio este, que é usado com o intuito de compartilhar frases prontas sobre comunismo, combinar próximas festas e contar o quanto se embebedaram na ultima.
            Não percebem que são indivíduos divulgando teses já petrificadas pelo tempo, e já foram absorvidos pelo próprio sistema que criticam. Alias agir da forma como agem só facilita o giro do sistema capitalista. Pois, graças à alta capacidade de mutação do sistema capitalista, ao longo dos anos, ele foi sendo capaz de absorver partes dos outros modelos de sistema e mais promover uma valorização de tudo para produzir todo o tipo de mercadoria (inclusive camisas do "Che" Guevara). Nesse sentido fica evidente, a necessidade, de que se queremos combater o sistema capitalista é necessária à formulação de novas teses. Pois, as teses de Marx não previam as diversas transformações pelas quais passou o sistema capitalista.
            Em suma, é necessário perceber a importância do “Manifesto do Partido Comunista”, mas também é fundamental que os verdadeiros estudiosos de Marx e críticos do atual sistema, abram mão de ouvir os indivíduos que emperraram no tempo e que não contribuem para a formulação de novos estudos visando meios efetivos de combate a esse capitalismo selvagem.

Analises Capitalistas do manifesto comunista

O Manifesto Comunista foi entendido por muitos como um panfleto político, no entanto se apresenta de forma muito mais ampla dotado de um caráter de análise e crítica do capitalismo. Em seu principio trabalha com análises positivas do capitalismo, como o seu caráter revolucionário, ordenamento social e, mormente, o empreendedorismo capitalista.
No decorrer do Manifesto comunista se percebe com enfase a ideia enfadonha da universalidade da luta de classes, claramente apresentada pelo trecho "A historia de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes".Assim, através dessa ideia proporciona a ideia de que só a luta de classes direciona mudanças, visto que na historia essa luta sempre culminou em uma conquista revolucionária. Como maior exemplo temos o da propria sociedade burguesa que para instituir o capitalismo foi necessario que rompesse com o ordenamento juridico feudal, pois um novo ordenamento so surge com a superação de outro, e dessa  maneira o capitalismo poderia ser superado. No entanto, podemos visualizar no Manifesto que a superação desse ordenamento feudal não levou a abolição de antagonismos das classes, de modo a passar por esse manifesto - e através das análises de modelos socialistas no texto- a ser preconizado por todos moldes socialistas como parte da solução para o conflito de classes.
O texto demonstra como parte dos fatores que levam a luta de classes em oprimidos e opressores, proletariado e burguesia, a partir de uma interpretação liberal que a ordem capitalista acabou com o vinculo de ordens materiais, acabando assim com o vinculo entre homem e trabalho, assim as relações passam a ser pautadas por relações de interesse. Dessa forma, o manifesto passa a caminhar para o lado "negativo"do capitalismo ressaltando que este tem a propriedade como principio, uma propriedade que não deve ser extinguida, mas adequada deixando de ser uma propriedade apenas pessoal e concentrada, ressalta também que o elemento jurídico essencial da existência capitalista é a existência do contrato, afinal rege todas as relações modernas. O Manifesto ressalta também a ideia de mercado mundial baseado nesse novo modo de produção que busca adquirir todas as mudanças necessárias ao seu tempo. Outrossim, demonstra que o capitalismo só prosperará com o mercado mundial e abertura de caminhos econômicos. Marx acredita que essa nova normatividade que surge desse modo de produção deve ser dissolvida pela classe trabalhadora. Porquanto, esse modo tem função global, assim levando a dominação da cultura e civilização, ou seja, ao surgimento da cultura de massas que conduz o mundo a massificação de gostos, opiniões, historias... "A burguesia cria um mudo a sua imagem e semelhança"tendo a racionalização como palavra universal.Passasse a inexistir empresas nacionais genuinamente, já que para existir tem que ser global.
Nesse contexto,o direito acaba por se modificar na sociedade capitalista moderna, principalmente o de cunho internacional que passa a ter a dinâmica do livre comercio.
O manifesto possibilita a percepção de Engels da emancipação da sociedade - principalmente no que se trata da analise das dificuldades da revolução alemã - onde a emancipação de uma classe é necessária a emancipação de toda a sociedade. Analisando as analises e criticas do texto, muitas erroneamente traduzem Marx e Engels como antimodernistas, mas estes apenas defendem a modernidade a todos.

                                  

Ensaio sobre a mudança


Muitas vezes, apesar da boa fé e até mesmo da lógica, as previsões a respeito do futuro não se concretizam.    No filme "Ensaio sobre a cegueira", baseado no livro de Saramago -cujo título é o mesmo- a população é acometida por um surto inexplicável de cegueira generalizada, que ao invés de dar fim ao egoísmo e a individualidade, as preservam de alguma forma. Na história, ainda existe margem para a instituição de poder e de violência, ainda existem mortes sem sentido e maldade, mesmo havendo uma característica significativa a qual ocasione a união entre as pessoas: a limitação drástica dos sentidos.

Em sua obra, "Manifesto Comunista", por outro lado, Marx e Engels dissertam sobre várias situações e imaginam o "por vir", o que o tempo traria para a sociedade. Em um momento especial do texto, discorre-se sobre como os meios de comunicação seriam responsáveis por unir o proletariado separado pela distância e assim dar força a luta contra a burguesia. Tal hipótese claramente não se realizou até os dias de hoje infelizmente, afinal, há o real aproveitamento da internet? Utilizam-se os aviões e os celulares em prol de um movimento dos trabalhadores? 

 É perceptível que o uso fruto dos benefícios da tecnologia é limitado pela conveniência dos grupos dominantes, sem contar que a classe trabalhadora talvez esteja mais conformada e inerte, assim como outros grupos os quais antes tinham mais atividade política e social, os estudantes, por exemplo. 

Resta a nós, desse modo, continuarmos sendo espectadores idealistas, que permanecem refletindo e desejando um ensaio próprio sobre a mudança, sobre as conquistas sociais no mundo contemporâneo, ora é justamente isto que alimentará a possibilidade de melhora na vida humana, afinal de contas "A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança."








      Marx e Engels, ao escreverem ‘’O Manifeto Comunista”, analisaram toda a história da sociedade para entender a conjuntura sociopolítica da época, concluindo que “a história da sociedade é a história da luta de classes.” Eles elogiam a burguesia por esta ser a responsável por uma gigantesca revolução, extinguindo todos os resquícios da sociedade feudal, e substituindo-os por novas relações de produção, que se refletem em todas as outras relações pessoais. Contudo, condenam essa classe, que tornou-se a dominante, por concentrarem em suas mãos os meios de produção e, assim, toda a produção e seus lucros, fazendo com que as outras camadas da sociedade ficassem à margem do sistema capitalista. Além disso, a burguesia, por meio do sistema capitalista, intensificou a diferença entre as camadas sociais.
      A burguesia foi quem possibilitou a globalização, tão discutida ainda nos dias atuais, por meio de seus empreendimentos que facilitaram a comunicação entre diferentes partes do globo, assim como o intercâmbio de produtos e matérias-primas entre regiões longínquas.
Marx e Engels discursaram também a respeito da tendência cada vez mais intensa e expansionista do capitalismo de dividir a sociedade em duas classes apenas: a burguesia e o proletariado, sendo esta a classe oprimida e, aquela, a classe opressora.
      Os autores discorrem a respeito da crise da burguesia, sendo que esta difundiu a liberdade econômica, e com ela a livre concorrência, o que ocasionou uma superprodução, impulsionada pelo desbravamento de novos mercados, mas que, pela ausência da imposição de limites, produziu demasiadamente. Engels e Marx, portanto, incitam a classe operária a se unir para revolucionar, afirmando que ela é capaz de uma revolução em proporções ainda maiores que a burguesa, pois teria a seu favor empreendimentos realizados pela própria burguesia, como as estradas de ferro e os meios de comunicação, que permitem uma interação entre os proletários de diversas regiões, fazendo com que as lutas locais tornem-se nacionais.

Animais de toda a fazenda, uni-vos!


  A partir do momento que os homens formaram e se inseriram em uma determinada comunidade ou grupo social amplo, inicia-se uma luta entre homens, que os dividem em classes sociais onde opressores e oprimidos enfrentam-se e se consomem.
  Com o passar das décadas o antigo meio de produção, após um rompimento com o então vigente sistema feudal, foi substituído por um sistema burguês que trazia novas classes e meios de opressão.
  A burguesia trouxe avanços inimagináveis até então; Mas se uma classe se sobressai de maneira exponencial, inversamente outra classe, a dos proletários, sofre devastações assombrosas em prol da mais-valia. Levando a sociedade à barbárie.
  O Capitalismo empregado pelos burgueses é cego à situação dos proletários e a acima de tudo é avarento, tal como o fazendeiro Jones, no livro e filme “A Revolução Dos Bichos” (1999), que é um fazendeiro que adora beber, cruel e que muito explora os animais de sua fazenda, que ao perceberem suas reais condições se organizam contra seu proprietário. Assim como no “O Manifesto Comunista” que em seu ultimo momento claramente reafirma: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.
  Contudo, mesmo com alguns progressos e tendo a seu favor movimentos, declarações – a de Direitos Humanos, em especial – e leis, ainda existe de várias mineiras explorações, umas escondidas e são totalmente desumanas, acaba sendo intituladas trabalho escravo e forçado, mas também existe outra que é mais aceita, a do trabalho pago com um único salário mínimo que é, atualmente, quatro vezes menos que o necessário se viver. Comprova-se ao final que o pensamento capitalista burguês e mesquinho ainda encontra-se consolidado na atual conjuntura social.

LUÍS FILIPE R. RIBEIRO - NOTURNO

O indivíduo e o marxismo.


“Um espectro ronda a Europa: o espectro do comunismo”, assim Karl Marx e Frederich Engels iniciam o chamado “manifesto do partido comunista”, obra a qual tinha como objetivo discutir e expor os fundamentos do comunismo.
No século seguinte, o XX, durante a década de 10, ocorreu a chamada Revolução Russa, onde pela organização dos trabalhadores, o antigo regime, que possuía características semi feudais ruiu e assim teve inicio um governo socialista, que duraria até os anos 90.
Nos acalorados discursos dos líderes revolucionários, o socialismo era a libertação da classe trabalhadora, era uma forma para de fato existir a igualdade entre os homens, como várias vezes descrito o “paraíso na terra”. Mas o fortalecimento do estado, a criação de uma burocracia e do uso da violência, o sistema foi se mostrando incoerente na antiga União Soviética.
Nos primeiros anos do século XX, antes e depois da própria revolução, muitos foram os críticos das ideias marxistas, usando as mais diversas análises e áreas do conhecimento para a argumentação da ineficiência das ideias marxistas, segundo esses pensadores. A se destacar, era a posição de parte dos psicanalistas, área surgida com Sigmund Freud e que se fortalecia cada vez mais, onde afirmaram que era impossível planejar um sistema onde indivíduos eram considerados iguais por parte do Estado, porém, as teses psicanalíticas afirmavam que os seres humanos eram anti sociais, egoístas, e eram profundamente diferentes nas mais diversas análises. Portanto, não caberia ao Estado tentar garantir essa suposta igualdade.
Para ilustrar, posso fazer a retomada de um filme hollywoodiano chamado “circulo de fogo” que trata da decisiva batalha de Stalingrado durante a Segunda Guerra. Certa parte do filme, começa a desenrolar um triangulo amoroso entre um atirador de elite russo, uma tradutora e um oficial do exército vermelho. Ao ver este oficial russo que perderia sua amada para o atirador, diz que “não adianta existir um sistema, um estado que diga garantir a igualdade, pois a essência humana é a da desigualdade, a da diferença”. Lógico que não pode se caracterizar um sistema político com base em uma cena de filme, porém este dialogo representa um pouco dessa ideia mais psicanalítica de interpretar o marxismo.

Desmistificando o comunismo

     O manifesto comunista de Marx e Engels, publicado em 1848, aborda com minucia e de modo a desmistificar tabus e idéias errôneas o "fantasma do comunismo". Tal documento histórico foi utilizado nas décadas subsequentes para estudar a ideologia e consequentemente seu antagonista: o capitalismo. Expunha as idéias que a liga dos comunistas defendia e os incitava a lutar de maneira revolucionária contra o sistema opressor e explorador sob o qual estavam submetidos. 
     Em seu primeiro capítulo discorre sobre a luta de classes, relação responsável por todas as revoluções na qual um lado é explorado e outro explora, sobretudo no sistema capitalista onde essa relação torna-se acirrada e explicita. Qualifica a burguesia como classe revolucionária que liberta os homens dos grilhões políticos que os impediam de empreender, no entanto tal comentário não consiste em um elogio, apenas reitera a capacidade do sistema capitalista de revolucionar as estruturas de maneira nunca antes vista. Diz, ainda, que os abismos sociais criados evidenciavam ainda mais a necessidade da existência do pobre para a sobrevivência do rico. 
    O segundo capítulo é marcado pela defesa da ideologia comunista contra as abjeções lançadas à seu respeito. Tem o intuito de mostrar que o partido comunista não é um partido proletário, mas em defesa do proletariado contra a pseudo-ideia de liberdade e individualidade pregadas pela burguesia, que na verdade são apenas manipuladas em virtude de seus próprios interesses. Enumera o procedimento necessário para a instauração do comunismo, e nesse ponto recebe suas maiores críticas. Os exemplos de procedimento são: trabalho obrigatório, confisco, expropriação de terras e abolição do direto à herança. Críticos alegam que as medidas são autoritárias e abusivas, e se sobrepõe à ideologia. 
    O último capítulo é reservado para a critica irônica, por parte de Marx e Engels, ao próprio socialismo e suas ramificações que pregam idéias que vão de encontro à filosofia original. 
    Por fim, pode-se dizer que nem socialismo e nem capitalismo podem ser considerados sistemas perfeitos, ambos possuem suas contradições e nebulosidades, sendo preciso serem pensados e estudados. 




Liquidez social


Em “O Manifesto Comunista”, Marx e Engels, apresentam uma análise da recém surgida sociedade industrial do século XIX, a qual sofria as transformações do sistema capitalista, propondo o rompimento da classe trabalhadora com a burguesia, surgida através das ruínas feudais.
Através de sua “bandeira”, a classe burguesa almejava o rompimento dos grilhões da forma de produção feudal e a expansão do capitalismo pelo globo, a fim de atingir um comércio sem limites jurídicos. Com isso, os mercados continuaram a crescer e a manufatura não se mostrava suficiente para suprir a demanda, era preciso que houvesse a substituição pelo vapor das máquinas. Forçavam as sociedades a adotarem o novo modo, a se tornarem sociedades de comércio, criavam um mundo à sua imagem e semelhança.
Desse modo, os donos dos meios de produção, revolucionaram os seus instrumentos e as relações de produção, atingindo, inevitavelmente, as relações da sociedade. “Tudo que é sólido derrete-se no ar” (p. 12), as relações humanas tornaram-se líquidas. Baseadas pelo interesse capitalista de agregar consumidores, passamos a nos relacionar por interesse, buscando sempre ganhar algo. Bauman, em “Modernidade Líquida”, apresenta, através da metáfora da liquefação, as consequências trazidas pelas transformações sociais para as relações humanas. O sociólogo mostra que o estado líquido é capaz de moldar-se às diversas estruturas, portanto, o indivíduo teria capacidade para absorver a nova mudança e se adequar a ela.
Logo, o proletariado seria capaz de sobreviver às mudanças oferecidas pelo capitalismo, entretanto, para Marx, a classe trabalhadora deveria romper os laços de exploração, era preciso uma Revolução do Proletariado, para que a sociedade se mantivesse de uma forma justa. Em contrapartida, o alemão coloca que para que uma classe seja libertadora, é necessário que outra classe se revele como opressora.
Conclui-se que o sonho de Marx e Engels apresenta-se utópico, pois se é preciso uma classe opressora, esta encontra apoio no sistema capitalista e na sociedade do consumo, a qual vem apresentando crescimento. Portanto, continuaremos líquidos, capitalistas e proletariados, até que um novo sistema surja e transforme, mais uma vez, as relações econômicas e sociais. 

O Marx Burguês

                        Dentre as várias confusões, preconceitos e malentendidos a partir do estudo das idéias de pensadores, grande parte ocorre com Karl Marx. Há quem o veja desmistificando o fantasma do comunismo e não consiga enxergar o quanto este é especialista na descrição da burguesia, nem sempre tão criticada pelo autor.
                       Uma das primeiras visões importantes de se destacar é o fato de a burguesia ter um grande caráter revolucionário, algo que pouco é observado por ela ser o grande, e talvez invencível, grupo da situação. Porém, esta chegou ao poder de alguma forma, obviamente, e, de fato, de forma magistral.
                      Além de toda essa força revolucioniária para chegar à situação, foi e é este potencial de mudança constante que a manteve por todo esse tempo, e ainda a mantém nos dias de hoje, no poder. Não só nas formas de produção e socialização, essa revolução constante ocorre no principal fator resultante: a mercadoria. Várias inovações são criadas diariamente no Vale do Silício e direcionadas para a venda em todo o mundo. No iphone já se tem o de número 5, o ipad 3, as diversas inovações de windows; evoluções que acabam impondo uma troca anual de celular por exemplo, com uma desvalorização muito rápida, ja que tal aparelho se torna ultrapassado em questão de dias. O mesmo ocorre com carros.
                     Outro fator que alguns nunca ter sido defendido por Marx é a opinião de que a burguesia foi e é capaz de construir as maiores maravilhas do mundo, as quais são capazes de separar imensas construções anteriores como os aquedutos romanos e a muralha chinesa.
                     Contudo, isso não muda o fato de toda a desigualdade social presente no mundo, e a idéia marxista de que a sociedade burguesa aprofundou a luta de classes.
                    Portanto, se o mundo burguês fosse somente criado por burgueses, e não também vivido somente por eles, algo muito valioso haveria de ter sido realizado, em um processo de evolução mais rápido, e ja estariamos talvez no planeta Terra 4s.  


       Murilo Thomas Aires

A questão entre o esforço e a igualdade


                Nos dias de hoje, devido ao grande numero de propagandas e incentivo da mídia, nota-se que as classes mais baixas da sociedade consomem muito. Essa ideologia e vontade de consumo para se chegar a felicidade é fruto da globalização e pelo consumismo causadas pelo capitalismo. Na obra ‘’O Manifesto Comunista’’ de Karl Marx e Friedrich Engels, os autores tratam justamente desses fatos, porém deve-se ressaltar o contexto em que ela está inserida, uma vez que as ideias deles surgiram por volta do século XIX e ainda podem ser aplicadas na atualidade.

                Na obra, os autores pregam que com o avanço da burguesia devido ao sucesso do capitalismo e a substituição do feudalismo por este foi uma revolução importante para a sociedade, porem não foi feita para dividir as riquezas entre a população, e sim concentra-la em um grupo diferente mas também concentrado do povo. Estes burgueses, por sua vez, começam a explorar de maneira abusiva a classe trabalhadora, a ponto de que esta, indignada com a situação em que se encontra, gera uma r     evolução proletária para melhor distribuir as riquezas para aqueles que na visão dos autores realmente as mereciam.

                Porem tal revolução não aconteceu até os dias atuais, e o cenário como já foi citado anteriormente, se mantem parecido, apesar do tempo que se passou. A classe trabalhadora ainda é explorada, e estimulada a consumir todos os produtos que o capitalismo vomita no povo em busca de lucro. A luta de classes esperada e pregada pelos autores ainda é esperança de muitos para que se melhore as condições dos trabalhadores, mas o capitalismo continua a se adaptar a sociedade para continuar vivo.

                Ao se analisar tudo o que foi apresentado, imagina-se que o capitalismo é horrível e opressor dos mais fracos, porem ele é a forma mais humana existente de sistema economico, pois o comunismo e o socialismo não permitem a ascenção, a vitoria, o reconhecimento. Eles permitem a igualdade, que é oque os autores pregam.

                O real fato é, se o ser humano realmente quer ser igual, se ele quer deixar de lado a chance de ser especial, de ter reconhecimento diferenciado para ser uma simples pessoa como todas as outras. A competição é o maior estimulante para a vida, sem ela não evoluíriamos nunca, e não chegariamos a lugar algum. A midia pode realmente impor a vontade da burguesia e o espirito consumista, mas aqui apresento um fato contrário ao dos autores, até que ponto, tal estimulo ao consumo e a se superar fazem mal a sociedade. E é melhor esperar uma luta de classes para cair na mesmice, ou se superar e se tornar vitorioso com as próprias mãos?

Ferramentas burgesas para o proletário


É fácil ver a atualidade da obra de Marx e Engels em cada situação nova que surge no nosso mundo globalizado do século XXI, desde as revoltas na primavera árabe até as crises nos países europeus como a Grécia, por exemplo, sendo que no segundo caso está estampado como a retirada de privilégios não mais do que essenciais de uma população e o abandono de políticas públicas em favor de um fortalecimento da economia pode ser doloroso para um governo e seu povo.
                Para os dois sociólogos, a globalização, mesmo que não enxergada tão claramente em todas as suas inúmeras parcelas, viria com o crescimento da classe burguesa detentora dos meios de produção e ao contrário do desejado pelos mesmos, tal novo período da história mundial seria restrito à aqueles que possuíssem a economia em suas mãos, já que a parte humana seria deixada cada vez mais de lado dando início mais uma vez a uma luta de classes: a menos favorecida em busca de sua parcela do “novo mundo” e a mais favorecida tentando manter sua própria parcela e quem sabe não adquirindo mais algumas.
                Para Marx e Engels a luta de classes seria o motor para o fim do capitalismo, a vontade do proletariado em erguer seus instrumentos de trabalho e se unir em busca de algo melhor traria fim ao capitalismo e se iniciaria outra era, mas não é bem assim que revoluções acontecem atualmente. Se os dois pensadores acertaram em muitas coisas sobre os novos regimes de governo e formas de regimento econômico atuais, erraram, ou não imaginaram o tamanho que poderia chegar o poder do capitalismo e sua influência sobre a população. Tamanho é este poder que as lutas sociais e revoluções do proletário apenas derrubam governantes e mantém a mesma ordem de governo, a mesma sociedade do mérito e do acumulo de capital, transformando a socialismo científico de Marx e Engels em utopia.
                Mas é através do uma das criações do capitalismo, a internet por exemplo, que movimentos em favor de uma maior distribuição daquilo que foi adquirido com a revolução industrial e globalização surgem, nos mostrando que assim como o capitalismo se utiliza de meios para se fortalecer ao utilizar o socialismo, esta idéia mais humanitária também pode começar a usar de ferramentas criadas pelo próprio regime vigente atualmente.

O ideal, a militância e a chatisse

Dentro da universidade, cada aluno possui uma ideia perfeita para mudar o mundo e solucionar todos os seus problemas. E grande parte dessas ideias deriva de uma outra: o comunismo.

Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram "O Manifesto Comunista", um dos mais importantes tratados políticos já escritos, que versa sobre a luta de classes, a opressão do proletariado pela burguesia durante a história.

Muitos universitários adotam "O Manifesto Comunista" como um livro sagrado que deve ser seguido com uma fé cega, pois só o comunismo é capaz de vencer demônio capitalista e livrar o mundo de todo mal. O sonho de uma sociedade igualitária é fantástico, porém, como a história mostra, não é através do comunismo que ele se concretiza. 

É difícil dar credibilidade à um jovem militante desta causa, quando este critica a truculência da Polícia Militar, mas dá total apoio ao regime cubano; quando usa um iPad para disseminar seus ideais na internet;  quando é contra o imperialismo capitalista estadunidense mas almoça um delicioso Big Mac, enfim, as contradições desses jovens acabaram por desmoralizá-los, a ponto de não serem ouvidos por quase ninguém e terem virado motivo de chacota dentro da comunidade universitária.

Marx Chaplin


Em 1848, o Manifesto Comunista, criado por uma das duplas de teóricos mais famosa da história: Marx e Engels, foi publicado e posteriormente suas ideias foram espalhadas com facilidade para a maior parte do globo. Nesse importante documento político fixado na porta de diversas fábricas da Europa, fica claro o objetivo de incitar e também conscientizar o proletariado a lutar contra o opressor e explorador sistema capitalista para, assim, ascender ao poder e garantir seus interesses. Tal troca de posições hierárquicas no poder faz parte de um dos raciocínios marxistas mais notáveis: o materialismo histórico. De acordo com essa ideia, a evolução histórica de toda humanidade se fez através da luta de classes decorrentes da “exploração do homem pelo homem”. Desse modo, notando a intensa exploração do proletário pela burguesia e visando dar um impulso nessa suposta evolução histórica, percebe-se de onde Marx retirou a ideia de provocar o proletariado para a Revolução.

É possível traçar um paralelo entre o Manifesto Comunista e o filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. Em ambos vemos uma crítica ao sistema capitalista e a essa “exploração do homem pelo homem” citada por Marx. No filme, Chaplin passa-nos perfeitamente as condições de trabalho sofrida pelos proletários, os quais ficavam parados em frente a esteiras num apertar de parafusos constante e desumano, sem tempo para descanso nem nos finais de semana. Além disso, revela, através da cena em que Chaplin é preso por conta de participar involuntariamente de um protesto, o Direito, com mais destaque para a área penal, como um dos aparatos burgueses para a manutenção desse sistema opressor e explorador. 

Uma ferramenta da burguesia: Democracia

Desde a época da saída das primeiras embarcações ibéricas em busca de matéria prima, especiarias e novos mercados consumidores até os dias de hoje uma classe ascendeu bruscamente, esta é a burguesia.
A globalização representa nada mais do que a internacionalização dos interesses dessa classe. O capital se dissemina através da globalização. Todas as sociedades estão se aburguesando através da democratização das organizações jurídicas.  
A democracia segundo Marx e Engels seria o momento em que o proletariado atingisse o poder se tornando a classe dominante. Atualmente, a burguesia considera a democracia como sendo um regime de governo a ser estabelecido em todas as sociedades.
Contudo, a democracia é uma ferramenta da burguesia. Temos vários exemplos atuais que podem ilustrar esse pensamento. Por exemplo, a invasão do Iraque pelos americanos com a finalidade de derrubar o regime autocrático de Saddan Russein. Ou então, o apoio às tropas insurgentes da Líbia para a derrubada do seu ditador Muamar Kadafi. Se esse dois países não fossem dois grandes produtores de petróleo talvez a democracia nunca tivesse chegado. Assim como ainda não chegou ao Sudão, país onde os relatórios da ONU apontam genocídio já no ano de 2003.
Matheus da Silva Mayor

"Sua luta contra a burguesia começa com sua própria existência"








O Manifesto Comunista é uma obra de Karl Marx e Friedrich Engels que visa estudar a então situação econômica e social do século XIX. É um discurso inflamado que introduz as revolucionárias ideias do comunismo e denuncia o vigente sistema capitalista. As opiniões expressas durante a obra chamam a atenção por permanecerem ainda atuais, mesmo no século XXI.
O principal objetivo da obra é incitar os trabalhadores de todo o mundo, explorados e descontentes, a se unirem e, assim, constituírem uma grande e invencível força que agiria contra a ordem capitalista. Tal afirmação encontra sua máxima na célebre expressão “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”, que se tornou um dos mais famosos gritos de protesto do socialismo.
A obra trata de assuntos atuais como a obtenção de lucros como principal meta do sistema capitalista e da exploração da mão de obra proletária para a obtenção deste. Marx entende que toda a história humana é impulsionada pela luta entre a classe operária e a classe burguesa, a explorada e a exploradora, respectivamente, demonstrando como o sistema capitalista aumenta ainda mais essa rivalidade, além de agravar a diferença social entre tais classes, aumentando a pobreza e diminuindo as já precárias condições de vida dos que trabalham para atribuir uma maior riqueza aos que exploram.

Globalização marxista




Em pleno século XXI, já se tornou banal a premissa de que o mundo está amplamente interligado, no qual ocorre uma aparente redução dos espaços do globo e o tempo se baseia no momento instantâneo. A internet revolucionou de um modo extraordinário a comunicação entre os indivíduos, possibilitando amplas interligações sociais, além da intensificação das trocas comerciais entre os países. Apesar desses benefícios serem fundamentais, destaca-se as redes sociais como um poderoso instrumento de reinvidicação.
Movimentos como o “Ocupe o Wall Street” nos EUA e os “Indignados” na Europa foram os estopins para que houvesse essa ampla repercussão internacional, no qual os encontros eram marcados nas próprias redes sociais e impossibilitados de serem reprimidos pela grande quantidade de manifestantes. Outro exemplo é a Primavera Árabe, ampla revolução que desmoronou inúmeros “impérios” de ditadores que já haviam se instaurado no poder há décadas.
No dia 15 de outubro de 2011, o mundo alarmou-se com uma série de manifestações que questionavam o atual sistema capitalista. Diversos movimentos foram planejados em 951 cidades de 81 países, o que reverbera a sua relevância, podendo-se estabelecer inúmeros paralelos com a Crise de 1929 ou a queda do Muro de Berlim em 1989. Inúmeros manifestantes inflamavam a população afirmando que unidos, demonstrariam aos políticos e elites financeiras a quem estavam submetidos, superando um aparente estereótipo de que se restringiam a meras mercadorias, reflexo da ideologia consumista em que presenciamos diariamente.
Há 164 anos, Karl Marx e Friedrich Engels concebiam a obra “O Manifesto Comunista”, contendo premissas ainda hoje atuais. De acordo com os autores, a expansão do capitalismo resultaria inevitavelmente em uma economia globalizada, impulsionando consideravelmente o lucro da burguesia. Partindo dessa premissa, ambos deferem um aspecto negativo da globalização que é sua limitação à classe detentora dos meios de produção. Logo, percebe-se a atualidade desses ideais na onda de manifestações contra o sistema financeiro mundial e na reação contra os cortes de gastos públicos feitos pelos governos para combater a recessão recentemente na Europa.
Ressalva-se que apesar dessa crítica, Marx e Engels eram adeptos da ampliação do processo de globalização, desde que não incluísse somente a esfera burguesa. Ambos defendiam uma incorporação e superação do capitalismo, logo propunham a expansão da modernidade para todos igualmente, não se limitando ao aspecto teórico. Consideravam inadmissível as instituições jurídicas proporcionarem mecanismo que somente defendiam a propriedade privada e os donos dos meios de produção, segregando todas as demais classes desfavorecidas da sociedade. Esse quadro seria superado justamente por meio da globalização.
No começo da obra o Manifesto Comunista, explicita-se que a história da humanidade é a de luta de classes e somente por meio da intensificação dessa premissa, o capitalismo poderia ser superado. Inúmeros movimentos atuais, como visto anteriormente, reverberam esse aspecto, entretanto enfocam-se em aspectos mais pragmáticos, pois já compreenderam a impossibilidade de cessação do capitalismo, entretanto proporcionam amenização das injustiças sociais e amplas reflexões de como conciliar esses inevitáveis choques entre dominantes e dominados. A humanidade não deve estagnar-se frente as dificuldades impostas pelo sistema, mas almejar diariamente por aproximar-se o máximo possível de uma efetiva harmonia social.







Progresso paradoxal

     Com o desenvolvimento da indústria houve o agravamento da luta de classes, na qual sempre estiveram como protagonistas a classe burguesa e o proletariado. A massa operária via seu trabalho sendo substituído por máquinas e, simultaneamente suas condições de trabalho tornando-se cada vez mais precárias.
     A industrialização substituía o homem pela máquina, o capitalismo agravava as desigualdades sociais; aquilo que chamavam de progresso parecia ser crescentemente prejudicial à classe trabalhadora. Porém, todo o desenvolvimento elaborado e “patrocinado” pela burguesia finalmente serviu como benefício do proletariado.
     O Capitalismo, fruto de uma criação da burguesia, acabou por auxiliar a mobilização da classe operária. A partir do desenvolvimento tecnológico e do meio técnico científico informacional as massas do proletariado podem se organizar de forma virtual, através da internet, sem a necessidade de se reunirem pessoalmente, o que no passado chamava a atenção da burguesia que se manifestava contra as mobilizações antes mesmo destas se consolidarem.
     Hoje os sindicatos planejam e organizam sua greves e seus manifestos através das redes sociais, muitas vezes se protegendo pelo anonimato inclusive, encurtando as distâncias físicas entre os participantes, e divulgando seus  “planejamentos” através da instantânea internet; o que gera o recrudescimento das mobilizações e a adesão de mais simpatizantes.
     De certo modo, pode-se dizer que o Capitalismo, por fim, acabou por arraigar a luta de classes. E, pra ser sincera, antes a luta do que a submissão. Lutar por aquilo que acredita significa buscar o que se pensa ser o melhor.

Engels x Marx

                O pensamento de Engels inicia-se com o esclarecimento de que não é a razão pensante que nos leva ao socialismo, mas sim as razões históricas.
                Nesse ponto, discorda do Materialismo Dialético de Marx e afirma que o mesmo apenas deixa claro o significado do socialismo, mas não o constrói. Segundo Engels, o papel do Materialismo Dialético seria abordar, interpretar, estimular a classe trabalhadora de modo que gerasse energia revolucionária. Seria o abandono da metafísica no socialismo, transformando-o em ciência.
               Engels debate o socialismo primitivo de Fourier que criticava a exploração burguesa e afirmava que a mesma reproduzia a barbárie como algo natural. Para Fourier, o homem vive como uma borboleta em casulos, se consegue se libertar, leva essa libertação e prosperidade a outros lugares. Engels discorda, argumentando que seria impossível num mundo capitalista em virtude dasedução que o mesmo exerce.
                Engles conclui então que para os utópicos o socialismo aparece como uma verdade a ser revelada por alguns homens especiais. Essa perspectiva seria esperar que homens "iluminados" revelassem o caminho e não as situações históricas, que segundo ele, demonstram o momento correto de ser utilizado.
              Conclui-se então que o Materialismo Histórico, ou seja, a análise das situações históricas para comprovar os fenômenos sociais, seria a verdadeira chave para se conseguir uma verdade mais confiável acerca do socialismo.

Egocentrismo contra o progresso



O rompimento com o feudalismo através dos novos meios de produção vindos da burguesia gerou novas esperanças e sonhos para a população europeia, entretanto a luta de classes e o constante conflito entre opressor e oprimido, não tiveram seu fim.
 Os inúmeros avanços tecnológicos logo se reverteram para a própria exploração do homem, o fluxo de novas ideias contra o bem-estar humano, o capital visto como único e precioso. O estabelecimento de contratos mostra este ideal, apesar de proporcionar uma segurança jurídica e política, mostra que cada vez mais as pessoas estão distantes umas das outras, não existe mais a CONFIANÇA no próximo, a palavra que a dívida será acertada não basta, é necessário que haja punições.
O filme "Batman- O Cavaleiro das Trevas" mostra claramente este problema através do premiado e consagrado "Coringa", onde suas armadilhas deixam como mensagem o egocentrismo presente nos dias atuais e como os seres humanos priorizam apenas o aspecto financeiro.
Marx e Engels relatam que a modernidade estava a favor dos dominados, seria uma ferramenta para uma melhor exposição de pensamentos e a propagação dos mesmos, mas para qual fim foram realmente utilizados? Ao mesmo tempo em que trouxeram progresso, vieram com os moldes da dominação burguesa, o consumismo sendo exaltado, realmente a nova classe dominadora criou um mundo à sua imagem.
Este mundo possuía sim suas ferramentas para a autodestruição, porém a implantação de um Estado Social de Direito amenizou as grandes desigualdades através da concessão de direitos básicos para os trabalhadores, uma migalha se comparado ao que realmente mereciam. Este amortecimento na relação entre explorador e explorado é como uma manta, onde evita o atrito e atribui funções, assim como o contrato, o qual foi fundamental para estabelecer a ordem e o progresso econômico, mas não social. O egocentrismo ainda está presente e de forma rígida, as palavras das pessoas são idealizadas, mas seus atos realmente mostram o que são, seres dominados pela cobiça.

João Pedro Leite- Primeiro ano Direito Noturno


domingo, 12 de agosto de 2012

Antagonismo


O caráter revolucionário e tom belicista do manifesto, resultou em regimes totalitários, campos de concentração, extermínio a opositores, trabalho escravo entre outras atrocidades nas nações que adotaram uma tentativa de socialismo pré-comunista. O Manifesto Comunista nada mais é que uma estratagema para que uma minoria "Comunista" por meio do operariado conquistasse o poder sob o pretexto da extinção do antagonismo social. Podemos notar que nos regimes "comunistas" do início do século XX, ocorreu exatamente essa animosidade. Uma minoria chegou ao poder e se manteve lá, a qualidade de vida dos proletários não teve uma melhora significativa, aqueles que eram contra o regime eram caçados, a liberdade foi limitada.
No texto, há um ponto positivo que é a previsão do mundo se desenvolvendo de uma forma globalizada. Esse desenvolvimento globalizado é marcado pela troca de antagonismos que passa de burguesia x proletariado para Ocidente x Oriente por existir além de culturas extremamente diferentes, há também uma longo vazio desenvolvimentista entre os dois lados.

Arthur Gouveia Marchesi

O proletariado quer o seu carro próprio


A história da humanidade tem como motor a luta de classes segundo Marx  e Engels  a sociedade burguesa, que nasceu das ruínas da sociedade feudal, simplificou o conflito entre classes dominantes e dominadas, de várias classes existentes na sociedade feudal a burguesia conseguiu agrupá-las em apenas dois grupos: a burguesia e o proletariado.
Segundo os dois a burguesia só poderá existir com a condição de revolucionar constantemente os meios de produção, dessa maneira revolucionaria também nas relações de produção e consequentemente as relações sociais.
Com a prevalência desta sociedade tornou-se indispensável a celebração de  contratos para garantir a propriedade privada, evoluímos para uma sociedade em que tudo é baseado em contratos, desde a criação de um e-mail ao registro de um nascimento.
O capital exige livre trânsito logo são necessários sempre novos mercados, assim fenômeno do capitalismo conseguiu invadir grande parte do globo, estabeleceu-se em quase toda parte  e firmou vínculos em diferentes países, hoje isso é extremamente visível uma vez que as multinacionais tem o seu escritório administrativo em um país e a linha de produção em outro.
Referindo-se ao modo de produção burguesa Marx e Engels dizem que: “Sob pena de morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama civilização,isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem e semelhança.” A burguesia criou uma nova sociedade que subordinou o campo à cidade, os povos bárbaros aos civilizados, o Oriente ao Ocidente e centralizou os meios de produção e concentrou-os nas mãos de poucos e consequentemente levou à centralização política o que unificou a moeda e as leis, facilitando o comércio e a expansão dessa classe.
Na atual sociedade nota-se  supremacia econômica, a burguesia prevaleceu não só economicamente como culturalmente fez até com que o proletariado interiorizasse desejos e direitos capitalistas como a garantia dos contratos, o proletariado irá defender os contratos tanto quanto os empresários. O proletariado não irá lutar pelo direito ao transporte gratuito e sim pelo transporte próprio, notando-se que o proletariado possui aspirações do burguês e não pertencentes a sua classe.
O proletariado de hoje portanto, não quer mais acabar com a existência da classe burguesa e sim juntar-se à ela, virar empreendedores e tornarem-se ricos e dispor de uma vida de regalias.

As raízes capitalistas do socialismo


           Marx e Engels quando escrevem o “Manifesto Comunista”, em 1.848, buscam expandir a mente da classe proletária, alardeando a respeito das intempéries do capitalismo e propondo uma revolução em massa dessa classe altamente explorada para que as riquezas deixem de ser concentradas nas mãos de uma pequena classe exploradora e seja repartida entre todas as pessoas, favorecendo o acesso de todos as inovações.
            Ao contrário do que muitos ativistas políticos pensam, o Manifesto não foi escrito por Marx e Engels com o intuito de se desvencilhar de todas as nuances do capitalismo, pois este tem aspectos interessantes para qualquer sociedade e que, na concepção dos escritores, deveriam vigorar mesmo após a implantação do socialismo, como a capacidade de se transformar conforme a conveniência e a busca cada vez maior por integrar o mundo.
            Um modo de produção que desde as suas raízes já traz intrínseco a si a capacidade de unir o mundo todo em um só ideal, em uma única concepção de mundo, para assim expandir seus mercados não pode ser considerado totalmente ruim. Com transformações no modo de produção capitalista para que ele dê origem ao socialismo, o mundo seria totalmente integrado, mas de modo mais igualitário, que é o que Marx e Engels propõem, uma forma de vida que uma todas as pessoas ao redor do globo e possibilite que elas tenham as mesmas oportunidades.

Liberdade ou exploração?


"A democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada,
 condicionada, amputada."
Desde a antiguidade, a classe dominante procura meios de alienar os explorados, de forma que estes não adquiram uma consciência de classe e, consequentemente, não aspirem à tomada de poder. Para isso, sempre se utilizou de um discurso völkisch aliado a uma pretensa democracia.
Assim ocorreu com a República Romana, que alegava ser democrática quando, de fato, era predominantemente demagógica. Para “calar” o povo, utilizavam-se da política “panem et circenses”, concedendo a ele espetáculos popularescos, que traziam à tona o id de cada espectador, aliado à distribuição de alimentos. Dessa forma, criam evitar sublevações populares e garantir a manutenção do poder. Contudo, a República Romana conheceu seu fim em 27 a.C., contendo em seu âmago as revoltas populares.
Na contemporaneidade, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, essa tentativa de alienação não se faz de modo diverso. Na década de 30, por exemplo, transmitiam-se nos cinemas norte-americanos os “Três Patetas”, exemplo de comédia pastelão que, mais uma vez, se valia de um discurso völkisch. Ao tentamos estabelecer um paralelo sobre a criação desse grupo e o momento histórico, percebemos que, concomitantemente, estava ocorrendo nos EUA o pior colapso econômico do século XX: a crise de 1929. Assim, é possível concluir que o que via-se nos cinemas era nada mais do que outra tentativa de alienar os cidadãos. Esses, percebendo haver gente mais desgraçada, riam e pareciam se conformar com a sua situação.
Não dissonante da lógica dos “Três Patetas”, encontramos os programas televisivos da atualidade, tais como “Programa do Gugu”, que nos mostra quadros onde o apresentador – patrocinado, é claro, por renomadas empresas – ajuda “misericordiosamente” aqueles que não possuem condições dignas de existência e lhes dá, por exemplo, uma casa. Em outros quadros e programas, notamos um latente apelo à propaganda völkisch – que desperta nossos piores preconceitos -, com mulheres seminuas e zombarias a travestis e homossexuais. Isso sem levar em consideração programas sensacionalistas como “Brasil Urgente”, que buscam nos fazer acreditar ser o extermínio dos “indesejáveis” a solução para a criminalidade.
Aliada a essa estrutura popularesca dos meios de comunicação, encontramos mais uma vez a pretensa democracia, na qual o Estado utiliza a lógica do “pão e circo” – em sinal digital! – e dá ao povo condições mínimas para que não pensem em se rebelar, enquanto seu dinheiro vai para os bolsos – cuecas e maletas – dos detentores do poder.
Que democracia é essa na qual vivemos? Rousseau já defendia ser a democracia representativa ineficaz para expressar a vontade geral. Heller, por sua vez, afirmava que a democracia atual é, antes de tudo, um meio de dominação e não uma forma de libertação do Homem, porquanto a única igualdade existente é a formal. Pode ser nomeado de democracia o poder do povo unicamente de escolher representantes, enquanto as verdadeiras decisões estão sendo tomadas no âmbito das organizações internacionais?
Heller, conquanto, defendia que quando a população percebesse o que ocorre hoje na democracia, não hesitaria em aspirar ao socialismo. Os dominantes se enganam ao acreditar que as armas utilizadas por eles com o escopo de legitimar seu poder não podem ser usadas também pelos explorados.
Assim, o papel dos formadores de opinião é conscientizar o povo do que está ocorrendo, utilizando-se para isso das ferramentas burguesas, como os meios de comunicação, e unir a força de todos os proletários para que haja a tomada de poder. Como já explicava Marx, isso só ocorrerá quando a burguesia for abertamente a classe exploradora – para isso a conscientização – e, principalmente, quando houver a união dos trabalhadores. Portanto, como já diria Marx, “proletários do mundo todo, uni-vos!”.

O homem que convencia.


  Karl Marx mostra-se não somente um excelente historiador e sociólogo, como também um brilhante argumentador. Uma prova de sua impressionante força argumentativa e de convencimento encontra-se na obra “O Manifesto Comunista”, onde ele facilmente leva o leitor mais impressionável a se convencer por suas ideias.

    O talento de Marx é inegável e muitos dos “fatos” discorridos em tal obra mostram-se existentes quase cento e trinta anos após a execução desta. Marx, ao invés de se acomodar aos problemas sociais de sua época, formou uma visão clara e ampla da sociedade em que vivia. Ele discorre sobre os problemas sociais e econômicos vividos pela massa miserável do século XIX de uma forma direta a assustadoramente verdadeira.

             O sofrimento em que se encontrava a classe operária da Europa naquele século era inegável, e Marx direciona a responsabilidade de todas as mazelas daquela sociedade para a então rica e ascendente classe burguesa. Em “O Manifesto Comunista” ele responsabiliza diretamente a burguesia por uma exploração aberta, imprudente e brutal, por arrancar da família o seu véu sentimental, por alterar constantemente as relações sociais, por arrastar todas as nações para a sua “civilização”, por impor o modo de produção burguês, entre outras atrocidades sociais.

            É inegável que a burguesia do século XIX vivia em plena busca de poder e riqueza cada vez maiores, independente do que fosse necessário para que este desejo se concretizasse. Marx, entretanto, referia-se a esta classe como se ela existisse em uma organização, uma associação ou até mesmo uma empresa que, depois de muito pensar, seus membros organizadamente conduzissem toda a sociedade à situação desejada. Como se os vários burgueses da Inglaterra marcassem uma reunião e nela eles decidissem que iriam, por exemplo, acabar com as relações afetivas da família proletária pois esta, a partir de então, passaria a ter uma relação plenamente comercial entre pais e filhos, entre esposa e marido.

             A classe burguesa era, sim, altamente exploratória, mas o texto marxista não enxerga que muitas das mazelas então geradas na sociedade do século XIX acorreram devido a um processo natural, e não são derivadas de uma ação burguesa previamente pensada. Na ânsia de acusar a burguesia, Marx esquece que é da própria natureza humana a sede por poder e conforto, que esses, quando obtidos, são ainda mais buscados.

         Muitos dos marxistas da atualidade, por exemplo, proclamam o texto do Manifesto como os apóstolos proclamavam a palavra de Jesus Cristo, mas os primeiros, ao mesmo tempo em que se afirmam comunistas, não abrem mão de seus tênis de marcas caríssimas, de sua Coca-Cola e muito menos de seus celulares I-Phones. Eles pregam a igualdade enquanto tentam se destacar dos demais por fatores estritamente econômicos.

                Karl Marx não parou para pensar que, ao se concretizar o comunismo, o mesmo processo de busca por dominação de um homem sobre o outro poderia se instalar por vários outros meios? Dentro do próprio socialismo, algumas classes (quem sabe as mais próximas dos próprios líderes revolucionários) não poderiam ser mais privilegiadas do que as outras? Este fenômeno não foi muito raro em países como a Rússia Soviética e a Cuba de Fidel Castro.

     O socialismo Marxista é, sim, uma teria linda. No papel.

A Primeira Análise Global da Sociedade Humana

        Apesar da atual interpretação do texto " O Manifesto Comunista" ser superficial e redundante quando feita pela maioria das pessoas, devido a diversos fatores, desde a manipulação midiática capitalista, até à imagem negativa deixada pelos governos que pretenderam seguir essa doutrina revolucionária, com o devido estudo e atenção nota-se a profundidade do estudo teórico feito por Engels e Marx e a sua atualidade.
       Esse estudo tornou essa obra um divisor de águas perante a interpretação do homem para com sua própria realidade. Mostrou ao mundo em que sistema está inserido e suas verdadeiras cores. E não foi bonito de se ver, que a exploração do homem tem sua origem no próprio semelhante. Mostrou ao mundo quão escravos somos de promessas que sem respostas, inseridos em um Estado que se diz protetor, mas não supre as mais básicas necessidades de sua população. População essa, dita delinquente quando atenta contra essa organização mãe. Que de mãe, pouco tem.
       Propondo uma revolução da parcela oprimida e a tomada do poder, impondo uma nova organização social baseada na igualdade material e homogeneidade social, Marx e Engels chamam o proletariado à luta. Como visto em exemplos tal qual Cuba, União Soviética e China, nem sempre a tomada do poder se dá por essa classe específica, e mais, é questionável a que preço a igualdade é dada à população. Não era esse o plano previsto, porém é fato que o manifesto e os estudos aprofundados de Marx sobre o sistema capitalista, inspiraram pensadores do mundo todo a, no mínimo, reanalisar a realidade, e questionar o futuro que se propõe.
       Não acredito na interpretação que hoje se dá a esse texto, não vivemos em um mundo polarizado mais, porém um estudo, análogo a esse, deve ser feito, pois é preciso que nessa nova ordem mundial, os valores sejam restabelecidos. 
Hoje mas do que nunca precisa-se dessa segunda análise da sociedade humana, de maneira global, para determinar quais os caminhos que pretendemos trilhar, porque hoje vivemos em um sistema corrompido cujas prioridades nos levarão ao colapso social, esgotamos nossos recursos, escravizamos nossos povos, por uma vida fútil e estéril. 
       
        

Sistema adaptativo


Marx e Engels na obra “O Manifesto Comunista” apresentam os fundamentos do capitalismo e expõem suas falhas, em especial no campo social. A obra visa demostrar o perigo da exploração da classe operária e a mais-valia, e assim, conscientizar todos os cidadãos do mundo dessa exploração. O principal objetivo dos autores é despertar nos trabalhadores o desejo de lutar pelas as mesmas condições de desenvolvimento para todos, para que assim, possam alcançar a igualdade social. Igualdade essa que, na ótica desses dois autores, jamais seria alcançada no sistema capitalista.

Grande parte das discussões ocorridas no século XX, estão relacionadas ao capitalismo, e a maioria delas abordando suas falhas e problemas, no entanto, houveram poucos avanços em relação a um desenvolvimento de alguma alternativa para esse sistema. As poucas tentativas que saíram do papel, acabaram por se mostrar não efetivas e insustentáveis como no caso da União Soviética.

A maior dificuldade, encontrada pelos opositores do capitalismo, é o dinamismo desse sistema. Seu poder de adaptação, a incorporação de signos e teorias de ideologias contrarias, faz com que a maior parte dessas ideias, sejam por ele incorporadas e revertidas à seu favor. Assim sendo, vendem-se livros, camisetas, e objetos estampados com figuras que marcam a resistência contra esse sistema, e que na verdade funcionam apenas como mais lenha para essa “grande fogueira”.

Giovanna Cardassi