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domingo, 8 de maio de 2011

Objetos de um predicado coletivo

“(...) consistem em maneiras de agir, pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude do qual se lhe impõem” (DURKHEIM, p.3)
Os fatos sociais, desse modo definido por Durkheim, correspondem,em suma, a determinações advindas da sociedade sobre os indivíduos que as compõem.

Tais fatos, por conseguinte, devem ser objetos de estudo de uma ciência sociológica, sendo tratados como “coisas”. Além disso, pré-noções, juízos de valor provocam obstáculos ao conhecimento científico, recomendando-se, então, que sejam evitados. Nessa perspectiva, defende, primeiro, a observação do concreto e, posteriormente, a ideologia.

Ao realizar essa análise, adentram-se exemplos como o da educação. Ensina-se a maneira correta de comer, beber, a ter hábitos de higiene, a respeitar as pessoas. Essas regras, portanto, contribuem para a permanência de uma ordem, uma sincronia, passando pelo respeito mútuo.

Porém, há casos “negativos”, os quais, preceitos já adquiridos se contrapõem aos do grupo em que, no momento, insere-se. Diante disso, existem dois caminhos. Um deles consiste na adesão aos novos valores para integrar-se ao círculo social: muitas vezes, a referida atitude gera “desgaste” físico, psicológico e emocional no indivíduo, prejudicando-o. Exemplo clássico da Literatura, pode tratar-se do personagem português Jerônimo, da obra O Cortiço: adentrando ao ambiente promíscuo do cortiço, abandonou, ao longo do tempo, sua tradição, passando a ter hábitos desse meio, permitindo seu envolvimento com Rita Baiana, fato este que provocou a dissolução de seu matrimônio, além de torná-lo pródigo.

Outra possibilidade encontra-se na recusa às normas de determinado grupo. Quanto a isso, o autor deixa clara a exclusão sofrida: “(...) a consciência pública(...) reprime todo ato que a ofende” (DURKHEIM, p.2), ou, ainda, exemplificação mais estrita: a vestimenta utilizada em desacordo com a ocasião gera relativo impacto nos demais.

Confrontando-se, portanto, os casos expostos, percebe-se, de fato, a preponderância da sociedade nos modos de se expressar, de falar, de ser educado. O conflito, todavia, reside na validade de se abandonar o que se tem como certo, objetivando a aceitação do circulo social; ou na recusa dessas imposições (o que deve ser analisado em cada situação). Porém, caso o objeto esteja em consonância com o predicado coletivo em que se insere, ressaltando o respeito aos demais complementos, contribui-se para um bom funcionamento desse corpo social.

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