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domingo, 15 de março de 2020

O nascimento de uma nova ciência


O domínio das ciências é fundamentado principalmente no pensamento cartesiano e baconiano, ou seja, isolar para entender, pensar o mundo como uma máquina, como algo a se fazer uso o qual pode ser separado em peças. Em decorrência disso, desenvolve-se uma sociedade com alto nível de especificação, e junto dela suas consequências.
Criar uma sociedade hiper especializada suprime a interdisciplinaridade e desenvolve barreiras na compreensão de novas perspectivas. É através da interdisciplinaridade que se alcança maior abrangência conceitual que permite transitar para além dos espaços acadêmicos, além de instruir o indivíduo a “aprender a aprender”, para que se posicione de forma crítica diante das informações, sociedade e do mundo.
O filme “Ponto de Mutação” do diretor Bernt Capra apresenta a teoria dos sistemas, que contesta os princípios apresentados por Bacon e Descartes. Entretanto, não se pode afirmar que as teorias de ambos são falhas, mas que a perspectiva cartesiana se esgota, pois possui limitações próprias que só podem ser superadas por uma nova perspectiva de pensamento. De acordo com a obra “O pensar complexo: Edgar Morin e a crise da modernidade” de Elimar Pinheiro do Nascimento “O problema não é reduzir nem separar, mas diferenciar e juntar. O problema chave é de um pensamento que una”, nesse caso, o novo ao velho, a razão mecânica ao sistema e a contextualização.
Portanto, é indispensável que haja uma reforma de pensamento pois ela é capaz de oferecer um pensamento mais orgânico, assim como afirma a personagem Sonia, além de compreender as conexões e não apenas o problema individualmente consequentemente estabelecendo uma ciência que escapa da zona de conforto e de processos pré-estabelecidos que são reproduzidos e nunca questionados.

Vitoria Talarico de Aguiar – 1º ano diurno

Por uma mudança no pensar científico


René Descartes, um dos grandes arquitetos do método científico, indicou que “repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quanto fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las” seria um dos princípios básicos da razão científica. De acordo com tal perspectiva, portanto, estudar separadamente os desafios enfrentados pela humanidade é a melhor maneira de produzir ciência e, consequentemente, de compreender o mundo. O filme “ O Ponto de Mutação”, no entanto, estabelece um contraponto com o método de Descartes, ainda muito utilizado nos diversos âmbitos científicos, culturais e sociais.
Uma das personagens do longa-metragem, Sônia, é uma física que se opõe fortemente à visão cartesiana, ou seja, uma visão que busca a fragmentação dos problemas para tentar solucioná-los. Para mostrar os malefícios desse modo de pensar aos personagens Jack e Thomas, a cientista dá o exemplo da medicina atual. Para ela, os profissionais da saúde tentam combater uma doença de modo isolado, sem tentar compreender os diversos fatores que levaram àquela patologia. Assim, o paciente muitas vezes é curado apenas momentaneamente, sendo passível de adoecer novamente.
Em outro momento do filme, os personagens refletem acerca de um tema muito atual: a destruição do meio ambiente como consequência desse pensar mecanicista. É por meio de uma visão tradicional de desenvolvimento tecnológico que o homem justifica suas ações prejudiciais ao equilíbrio da natureza. Ademais, é por meio de uma busca obsessiva por crescimento econômico que muitos países, como o Brasil, planejam aumentar ainda mais a criação de gado e, por conseguinte, aumentar o consumo de carne vermelha. Como indicado no filme, essas ações acabam resultando em um aumento do efeito estufa e, portanto, na diminuição dos recursos naturais necessários a humanidade.
Além disso, também podemos relacionar o método cartesiano a uma visão individualista de compreender o mundo e os problemas contemporâneos. Quando o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, declara que “a Amazônia é nossa” e utiliza de tal argumento para negar a influência de outras nações no debate sobre a preservação da floresta, ele compactua com um pensamento de fragmentação, de separação de preocupações que deveriam ser coletivas, como a ameaça ao equilíbrio ambiental.
Assim, é necessário avaliar a aplicabilidade atual do método científico de Descartes que, apesar de ter sido considerado um avanço em sua época, não permite uma visão geral e sistêmica dos desafios contemporâneos. Como dito por Sônia no filme “O Ponto de Mutação”, “Somos todos parte de uma teia inseparável de relações”.

Júlia Scarpinati- 1° ano Direito - Matutino 

A setorização da vida comum


É notório e recorrente o quanto a obra de Descartes exerce influência direta sobre a vida de pobres mortais como nós, brasileiros. Seu teor categórico está presente em películas cinematográficas profundas (mas não tão famosas) como “Ponto de Mutação”, baseado no livro quase homônimo de Fritjof Capra, como também na constituição da máquina pública nacional (essa sim, famosíssima). Postos tais vistosos pratos à mesa, tenhamos a decência de explorá-los.
O filme “Ponto de Mutação, lançado no ano de 1990, conta a história de três personagens no mínimo inusitados: Um senador norte-americano que é candidato à presidência e que sofre de um deserto criativo; Um poeta frustrado amorosamente e que costumava escrever os discursos de seu amigo Senador e de uma física, responsável pelo desenvolvimento de um raio laser com potenciais para ser utilizado para fins militares. Além disso, essa convivência é temperada pela ambientação em uma pequena cidade medieval francesa. Mas até aí nada do francês do plano cartesiano. Ele só dá as caras na cena que na minha breve e humilde opinião, é a melhor do filme. Em determinado momento, os três se encontram juntos em uma sala onde funciona o maquinário de um grande relógio e iniciam um embate filosófico em que a física toma a dianteira ao criticar o modo com o qual a política interpreta a natureza. Para tal, ela se utiliza da analogia do relógio, na qual Descartes dizia que era necessário tratar a natureza como um grande relógio, no qual, ao se desmontar e entender o funcionamento e cada peça, entende-se o todo. Nesse sentido, para ela, o método de governo e interpretação de mundo posta em prática pelo senador e seus pares é instrumentalizado, facilmente se desconecta de sua função designada junto ao povo e tende a incentivar a setorização de muitas áreas, como a do conhecimento.
Outrossim, é necessário trazer para mais perto esses conceitos atribuídos ao ícone racionalista. Para bem ou para mal (na maioria das vezes para mal) o setor de serviços públicos em nosso país é um belo exemplo de como a mecanização e a setorização de certas áreas podem ser prejudiciais ao cidadão comum. Usemos o exemplo das polícias. A polícia no Brasil é dividida em dois grupamentos, a civil e a militar, a primeira sendo responsável pela investigação e a última pela ação policial em si, como conduções a presídios e contenção de tumultos. Embora essa divisão possa fazer algum sentido às altas cúpulas da segurança, na prática a história é outra, haja vista que a existência de uma polícia investigativa inutiliza o poder de investigação da militar, burocratizando coisas simples em outros países, como fazer um simples boletim de ocorrência. Esse é um dos exemplos de como a setorização cartesiana pode ser extremamente prejudicial em muitos contextos, como o nosso.

Teoria geral dos sistemas aplicada ao Direito

fonte: Blog do Carneiro

As ações realizadas pelo Direito são de extrema importância para a vida em sociedade, para que seja possível a regulamentação das atitudes dos cidadãos e a busca de um bem-estar social. Portanto, é perceptível a necessidade de que as ciências jurídicas sejam capazes de compreender a sociedade como um todo, a fim de melhorar suas soluções e aplicações práticas de problemáticas vigentes na sociedade. 
Desse modo, a interdisciplinaridade age como meio de complementação das ciências jurídicas, tendo em vista, sua potencialidade de melhorar a compreensão da realidade social, através da construção de relações entre disciplinas que procuram entender a evolução da sociedade e suas peculiaridades, as ciências sociais, de modo geral. Nessa perspectiva, é função das ciências jurídicas entender e acompanhar as mudanças da sociedade e a partir disso, se adequar as mesmas, se afastando da antiga visão de que o Direito se trata apenas da compreensão de normas. 
Tal pensamento, está diretamente relacionado com a Teoria Geral dos Sistemas, cujo objetivo é estudar de maneira interdisciplinar os fatores que agem sobre o sistema, entendendo esses fatores como interdependentes e correlacionados. Essa ampliação no modo de estudo de um sistema, torna a Teoria Geral dos Sistemas aplicável a diversos campos do conhecimento, até mesmo o Direito. 
Partindo desse pressuposto, é fundamental entender o Direito como um sistema influenciado continuamente por elementos externos, que mesmo não sendo parte do mundo jurídico, são capazes de reproduzir mudanças e interferir nas decisões do Direito.  

Milena dos Santos Camargo- 1°ano Noturno 

O Ponto de Mutação e o Método Cartesiano


O Ponto de Mutação (1990) é um filme baseado no livro de Fritjof Capra de mesmo nome, publicado em 1982. A obra visual traz uma importante reflexão sobre o pensamento cientifico moderno, e a necessidade de adaptar o modelo cartesiano para as atuais necessidades e problemas do século XXI.
Atualmente o padrão vigente no conhecimento é o cartesiano, que divide as ciências e pesquisas em áreas especificas, buscando um estudo centrado como maneira de se aprofundar as descobertas nesses estudos. Por mais que ao longo dos últimos séculos, esse tipo de divisão tenha sido de grande auxilio para o progresso tecnológico, foi a partir dele que foram gerados muitos dos problemas que enfrentamos nos dias de hoje.
A visão mecanicista da natureza, deturpou nossa relação com o meio ambiente, e a adoção do método cartesiano, apesar de auxiliar na formação de profissionais extremamente qualificados em áreas especificas, nos trouxe uma ausência na pluralidade de ideias e capacidade intelectual que pensadores anteriores a Descartes possuíam (Leonardo da Vinci, por exemplo, era pintor, escultor, engenheiro, anatomista, botânico e matemático). A densa cadeia de conhecimentos foi possível graças a interdisciplinaridade, ou seja, a junção e trabalho conjunto de todas as ciências, que atualmente vem sendo discutida como uma alternativa ao já estabelecido sistema de ensino.
Se avaliarmos, a interdisciplinaridade é um caminho muito provável para trazer a mudança necessária para nossa atual realidade. Reconhecer a conexão entre as diversas especializações da ciência, é o primeiro passo para o adquirirmos uma mudança de perspectiva e dessa forma, a superação do pensamento cartesiano. A adoção de novas percepções de mundo são essenciais caso queiramos modificar a atual situação em que nos encontramos e combater as diversas mazelas que vem atormentando nossa comunidade.

“Já se passaram vários anos desde que me dei conta de que havia aceitado, mesmo desde a minha juventude, muitas opiniões falsas como verdadeiras, e que, consequentemente, o que depois baseei em tais princípios era altamente duvidoso; e desde aquela época eu estava convencido da necessidade de me comprometer uma vez em minha vida de me livrar de todas as opiniões que eu havia adotado, e de começar outra vez o trabalho de construir desde a fundação...”
René Descartes, Meditation I, 1641

Crise de percepção


Idade moderna, razão, separação
O que antes era um ato revolucionário
Na contemporaneidade é arcaico
Enquanto o “tik tok” do pensamento mecanicista cartesiano
Ainda age intrinsecamente nos atos humanos
O mundo globalizado e interconectado
Não mais suporta a prática da divisão.

Se da terceira lei de Newton, “ação e reação”,
Apenas existe conclusões exatas e não humanas
Como explicar as reações da natureza
Perante as ações dos homens?

O humano que se diz evoluído
E não percebe que seus atos de dominação
Terão uma reação de mesma direção, modulo e sentido oposto
Está fadado a um pensamento fragmentado,
Parado no relógio da Idade Moderna.

Agrida o meio ambiente, desfloreste, polua
A reação é inevitável, a natureza responderá
Newton não mentiu, mas a aplicabilidade de sua teoria
Não está destinada a apenas um campo do conhecimento.

Eis o “ponto de mutação”:
Uma nova visão de mundo,
A “teoria geral dos sistemas”
A compreensão da dependência comum
Entre todos os seres do universo,
Como uma teia de relações 
Ou, uma teia da vida.


Maria Clara Ramos Okasaki - Diurno - 1ºano Direito

Progresso Civilizatório X Preservação Ambiental

A partir das reflexões acerca do filme “Ponto de Mutação”, percebe-se a influência do sistema econômico capitalista na mentalidade atual consumista, pois o fato da teoria filosófica mecanicista cartesiana, ainda muito presente na sociedades contemporânea, ter dividido o mundo em áreas do conhecimento não comunicantes entre si, contribuiu para a formação de uma mentalidade mais individualista em detrimento de uma coletivista. Por sua vez, isso auxiliou na sustentação do modelo capitalista e, consequentemente, sua lógica consumista, ocasionando a destruição do meio ambiente em prol de uma ideia de progresso civilizatório humano.
Com isso, evidencia-se a necessidade de uma reforma de base na educação, visto que é preciso romper com essa visão mecanicista. Deve-se incentivar o ensino de toda e qualquer disciplina que seja focando na interdisciplinaridade. Somente assim, será possível demonstrar o quanto o passado histórico, a meteorologia, a biodiversidade e até mesmo as condições físico-geográficas estão correlacionadas na formação dos vários biomas existentes no planeta Terra. Dessa forma, ao se desmatar o meio ambiente, todo um ecossistema é afetado. Logo ao se seguir o modelo proposto pela teoria mecanicista para se atingir verdades, legitima-se a degradação ambiental, pois com base em seu método sistemático de separação das disciplinas, torna-se difícil o entendimento da relação entre desmatamento e alteração climática, por exemplo.
Nesse sentido, realizar essa reforma é imprescindível para a manutenção da sustentabilidade e da preservação ambiental. Isso, pois ao ensinar-se nas escolas e no ensino superior de forma mais interdisciplinar, os cidadãos passaram a serem educados a enxergar o mundo como um conjunto de elementos interconectados indissociavelmente entre si. Com essa nova forma de compreensão da realidade, políticas públicas de preservação ambiental e sustentabilidade, bem como a preocupação para com as futuras gerações serão assuntos de maior questionamento na sociedade e, assim, será possível a instrumentalização dos princípios do direito ambiental para a população de maneira geral, tornando-as assim um outro instrumento na luta contra o desmatamento pelas grandes corporações e salvaguardando o meio ambiente.


André Luiz Gonçalves Primo - 1º Ano Direito - Matutino

Uma visão de mundo diferente


                   O filme “O Ponto de Mutação”, produzido por Bernt Capra, que tem por objetivo, analisar as atuais crises econômicas e cientificas pela perspectiva da teoria geral de sistemas, possui três personagens principais: Sonia - uma cientista cheia de ideais, mas que teve vários de seus ideias traídos -, Jake Edwards – um político que quer ser presidente dos Estados Unidos – e seu amigo Thomas Harriman – um dramaturgo que está passando por uma crise pessoal e profissional. Os personagens encontram-se em um castelo medieval do litoral da França e, apenas em um dia, levam à roda de discussão temas diversos e importantes, como ecologia, física quântica, tecnologia, política, economia e guerra, tudo com o intuito de tentarem entender melhor o mundo em que vivemos.
                No filme, grandes estudos da filosofia, sociologia, química, física e biologia são citados, como por exemplo, Descartes, lembrado pela cientistas, a fim de explicar a teoria da natureza comparada a um relógio e compará-lo ao pensamento dos políticos (o quais ela dizia que eram ultrapassados para a época em que vivemos). Sonia afirma que se devem abrir os horizontes para modelos sistêmicos, escapando do conforto dos processos, onde temos controle, mas muitas vezes não há compreensão, pois não se pode olhar separado os problemas globais tentando entendê-los e resolvê-los separadamente.
                Para finalizar o filme, o político discute e até aceita algumas ideias da cientista, mas a grande questão que ele aponta é: como concretizar essas ideias no meio político, como fazer com que as pessoas entendam o ponto de vista citado anteriormente. A resposta dela é simples: Mudando a maneira de enxergar o mundo. Nesta resposta se consegue perceber a transversalidade da educação ambiental e a importância de ser discutido em redes de ensino interdisciplinarmente, sendo trabalhada como uma grande teia ligada a diferentes disciplinas, a fim de analisar um fenômeno.

Matheus Vinícius dos Santos Serafin - 1º Ano Direito - Matutino


O Despertar do Sonho Cartesiano


            É evidente que Descartes e Bacon contribuíram muito com seus novos métodos para chegar ao conhecimento, porém, atualmente, praticamente 400 anos depois, essa contribuição ainda permeia nossa realidade. Será que ainda devemos utilizá-la em nosso dia a dia? Ainda é correto basear-se nela para compreender a situação mundial contemporânea?
            Nesse contexto, o filme adaptado do livro “O Ponto de Mutação”, dirigido por Bernt Amadeus Capra, traz a tona uma nova maneira de interpretar a ciência. A protagonista Sônia contesta os métodos apresentados por René Descartes e Francis Bacon, causando um estranhamento às personagens que contracenam com ela, Jack e Thomas. Inicia-se uma intensa discussão sobre o assunto na qual Sônia defende que as ideias desses filósofos não mais se aplicam à essa sociedade contemporânea e faz-se necessário o desenvolvimento de uma nova maneira de analisar a ciência. Porém, em nenhum momento, sugere-se que o trabalho de Descartes e Bacon estava errado ou que deveria ser tido como irrelevante, mas sim que esses autores elaboraram suas teorias em uma época diferente.
            A ideia proposta por Sônia é de não mais analisar os fatos separadamente, como propunha Descartes, e sim, analisar tudo como um conjunto que se relaciona pois, tudo e todos estão interagindo entre si por meio do movimento de partículas. Dessa maneira, devemos analisar as situações que nos cercam como um sistema integrado e não dissecá-las e analisar parte por parte.
            Tratando das questões ambientais, tem-se que, não devemos ver uma árvore como sendo apenas uma parte ínfima de uma floresta e fragmentá-la em raiz, caule, folhas, flores e frutos, e sim considerar que a mesma faz parte de um ecossistema.  Dessa forma, qualquer ação exercida sobre essa única árvore acarretará em consequências à toda comunidade local. Paralelamente, pode-se citar as queimadas, tanto na Austrália quanto no Brasil. Esse novo método de Sônia nos ajuda a entender como essas queimadas ocorridas na Austrália e no Brasil afetam tanto o ecossistema local quanto acarretam mudanças climáticas que podem ser sentidas no mundo todo. Assim, as florestas devem ser consideradas como pertencentes à todos e não apenas ao país onde se encontram, uma vez que sua destruição não afeta apenas uma única região, mas representa uma questão ambiental mundial.
            A incapacidade dos indivíduos de perceberem que pequenas ações como o descarte de lixo em locais inadequados leva ao crescimento da poluição ambiental corresponde a outro exemplo do impacto negativo do método mecanicista presente no pensamento cartesiano sobre a sociedade contemporânea. Esses indivíduos não levam em consideração a influência e a interação de tudo e todos, fazendo com que muitas pessoas acreditem que a atitude de coletar o lixo das ruas quando o encontram é inútil já que aquela pequena atitude não ajudará à diminuir a poluição.
            Com isso, torna-se necessário a instalação desse novo método de Sônia nas escolas desde o princípio para acabarmos com esse pensamento individualista que o método de Descartes acabou nos trazendo, e para conscientizar todos os cidadãos de que pequenas atitudes importam e que é de grão em grão que iremos conseguir solucionar, por exemplo, os problemas ambientais mundiais. Tudo está relacionado, e tudo que fazemos acarreta em consequências, positivas ou negativas, para outras pessoas e para o próprio meio ambiente.


Júlia Martins Amaral - 1º ano - Direito Matutino


Teoria de sistemas e falhas de conectividade

(alguns termos e conclusões mencionados aqui estão relacionados com o meu texto anterior, que pode ser encontrado aqui)

O filme "Ponto De Mutação", discutido em aula, apresentou uma introdução básica à teoria de sistemas. Enquanto o método cartesiano busca entender o mundo dividindo-o em peças fundamentais, estudando-as uma por uma, e depois remontando o mundo esperando chegar a conclusões significativas, a teoria de sistemas busca entender o mundo olhando apenas para as conexões nele contidas. Para entender alguma coisa, basta apenas entender as interações que tal coisa realiza em seu ambiente, no contexto em que está sendo estudada.

Embora eu acredite que tal perspectiva possa providenciar uma enorme quantidade de conhecimentos úteis que dificilmente seriam teorizados no paradigma cartesiano, não acho que, por si só, a adoção da teoria de sistemas como método predominante seja a revolução do conhecimento que precisamos para a era da informação, poderíamos simplesmente acabar criando "especialistas híbridos", que se focam inteiramente no estudo de apenas um tipo de conexão, levando-os as mesmas vulnerabilidades e ignorâncias que atormentam o homem moderno dentro do sistema cartesiano. Porém, a teoria de sistemas, se usada para estudar as conexões mais importantes, as conexões entre pessoas, pode ser a chave para o desenvolvimento da ciência social e colaborativa que eu acredito será necessária para avançar e efetivar a ciência nos dias de hoje.

Após a discussão do filme, houveram discussões em grupo de diversos temas tangenciais aos temas do filme, meu grupo foi encarregado de discutir diferenças de gênero no direito, meu grupo tinha sete homens e uma mulher (provavelmente um bom reflexo de como muito do jurismo brasileiro trata de problemas de gênero). Apesar das óbvias limitações da desproporção de representatividade, não achei que ninguém em meu grupo era ignorante sobre o assunto, mas eu sentia que muito da discussão, inclusive o que vinha de mim, era apenas uma propagação de um conhecimento gerado por outrem, não só apenas de fatos observados por outros, mas de conclusões tiradas por pessoas que nenhum de nós conhecia. Me perguntava quanto do que dizíamos vinha de nossas próprias crenças e experiências de vida, e quanto vinha da tentativa de conformar com uma expectativa derivada de um consenso social do que devíamos dizer diante de um assunto sensível. Apesar de confiar plenamente na honestidade e integridade de minha colega, em particular eu me preocupava se o que ela dizia era afetado por expectativas do que ela precisava dizer como "A mulher do grupo".

Trabalhos em grupo geralmente vêm com o intuito de ensinar as pessoas a colaborarem uns com os outros, mas raramente tal ensino vem acompanhado de técnica ou metodologia. Como a ciência hoje tem que quase sempre ser colaborativa, eu questiono a eficácia de se tentar ensinar a colaborar e se conectar sem um método. Coisas como estabelecer critérios de confiabilidade, graus de certeza e relevância, estabelecer papéis durante a discussão, geralmente ficam por parte de definições pessoais, que são inevitavelmente sujeitas a falharem. Sem uma "ciência social e colaborativa", acredito que até o jurista mais bem intencionado e bem informado possa estar sujeito a degenerar sua opinião durante uma discussão, e até mesmo cometer "papagaismos" sociais como qualquer outra pessoa.

Precisamos melhor entender as conexões sociais que ditam os nossos processos de comunicação para podermos enfim melhorar as nossas interações, e isso me parece muito mais fazível se utilizando da teoria de sistemas, do que de uma dogmática cartesiana.

Thiago de Oliveira Lopes - 1º ano de Direito - Noturno

O judiciário como reflexo social

No filme ponto de mutação,percebe-se em algumas partes um caráter machista,pois a cientista apesar de ter um elevado conhecimento,ela acaba sendo menosprezada  pelo político.Além disso,o poeta afirma está do lado dela no debate,porque ela é muito bonita,com isso ignora os argumentos apresentados.      No Brasil,esse machismo é visto com frequência na área do direito,já que a maior parte dos estudantes são mulheres,segundo o MEC.Tal fato,entretanto  não se reflete na ocupação dos cargos públicos,uma vez que os trabalhadores  são em maioria compostos por homens.Outro exemplo que sintetiza esse descompasso é a pequena presença de mulheres no STF ,em comparação  com o número de representates masculinos.Essa realidade se deve a diferença de oportunidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho,porque muitos patrões preferem contratar homens mesmo algumas trabalhadoras sendo mais capacitadas,devido ao machismo.               Outra análise que deve ser feita é que a aplicação do direito acaba sendo excludente,pois a constituição prevê que "todos são iguais perante a lei",entretanto  as demandas entre os gêneros são bastante destoantes.Um exemplo disso é que as mulheres notavelmente precisam de mais  aparato legislativo,já que enfrentam um maior número de problemas socias.Essa ideia pode ser percebida por medidas como a Lei Maria da Penha e a delegacia da mulher.      Logo,fica evidente qur a desigualdade de gênero está presente em diversas áreas,no setor judiciário ela acaba sendo intensificada,por ser um espaço  de poder.                                                                                  João Vitor Sodré Dias Galvão( 1° ano direito Noturno)

Diálogo entre Morin e Sonia

No filme "Ponto de mutação", dirigido por Bernt Capra, a personagem Sonia (Liv Ullmann) é uma "ex-física" e "ex-cientista" que deixou de trabalhar e produzir na sua área devido ao uso de suas descobertas na indústria bélica norte americana. Ao decorrer do longa metragem, essa personagem se depara com um candidato à presidência dos EUA (Jake Edwards) e um poeta Thomas Harriman em frente a um castelo francês medieval, de maneira que assim se inicie um diálogo peculiar. Nessa conversa, em determinado momento, a física critica o pensamento cartesiano como improdutivo e ineficiente perante ás atuais necessidades e conhecimentos humanos nos campos da ciência e do cotidiano, visto que a "mecanicidade" desse pensamento não consegue mais abordar as inter-relações do conhecimento científico e prático do mundo. 
Nessa perspectiva, o texto "Uma reforma do pensamento", de Edgar Morin, conversa profundamente em relação ao exposto por Sonia, dado que o sociólogo também questiona a separação e a especialização absoluta dos conhecimentos humanos e da natureza. Logo, tanto no filme, quanto no texto, evidencia-se a compreensão de que a ciência deve explorar e unificar os campos do saber em prol da melhor resolução dos problemas e das dúvidas, pois a abordagem mecânica e cartesiana do pensamento se tornou incapaz de atender a demanda humana por soluções mais efetivas. Prova disso é a explicação física e química de Sonia acerca de questões tangentes a política e à saúde, de maneira a demonstrar a inerente relação e possibilidade de diálogo entre as exatas e as humanidades, por exemplo. 
Por fim, as propostas de Morin sobre a "razão aberta" e o modelo "espiral" do conhecimento são demonstradas na conversação entre Sonia, Jake e Thomas a partir do momento em que a cientista expande os saberes matemáticos e físicos para exemplificar, desenvolver analogias e questionar compreensões acerca da ecologia e da política. Isso significa, primeiro, uma ruptura com a lógica clássica e especializada do conhecimento e, depois, um modo de misturar os saberes a ponto de se desenvolver questionamentos e soluções mais complexos e completos, de maneira a representar, respectivamente, a proposta de uma razão aberta e de um modelo de pensamento em espiral. 

João Cenamo Baldi de Freitas - 1º ano de direito diurno 
  

A importância da ecologia dos saberes no direito e no dia a dia

O Ponto de Mutação de Fritjof Capra aborda, dentre tantas outras coisas, a união das ciências a fim de obter melhores dados acerca da realidade. Dessa forma, entra-se em um tema abordado por Boaventura de Sousa Santos: a ecologia dos saberes. Esta consiste na aceitação de que não há uma ciência pura, que todas dependem uma da outra e que a interligação entre elas é essencial para uma melhor compreensão de mundo. Ela opõe-se ao método cartesiano que baseia-se no estudo isolado das ciências.
Infelizmente, o direito ainda é uma ciência que está presa em sua própria bolha. Até hoje, acredita-se que o direito possa ser estudado isoladamente. Entretanto, isso não é verdade e apenas contribui para manter o direito insensível e elitizado. As questões fora da constituição não são abordadas e esta é complexa, sendo assim, a maioria não tem pleno acesso aos seus direitos.
Atualmente, é possível dizer que a população relaciona o direito com duas palavras: elite e opressão. Por exemplo, não há conhecimento da constituição por parte das mulheres que são abusadas física e psicologicamente por seus parceiros. Elas sentem-se desamparadas pela lei e evitam buscar ajuda tanto por não terem conhecimento, como por acharem que não terão condições de pagar um advogado. Seguindo essa linha de raciocínio, é possível afirmar que uma ecologia de saberes constituiria no ato de tanto levar conhecimento para essas mulheres, quanto ouvir as experiências individuais delas e trazê-las para o âmbito do direito. Dessa forma, a área de atuação seria ampliada e a bolha estourada.
A ecologia dos saberes também pode ser aplicada no dia a dia e o uso dela contribuiria para uma melhor convivência. Nesse quesito, a utilização dela consistiria em aceitar experiências individuais mas também entender que elas não são universais. Seria unir a experiência com a ciência, a fim de expandir as ciências e torná-las menos elitistas.
Portanto, conclui-se que a ecologia dos saberes faz-se necessária na atualidade uma vez que o método cartesiano não funciona mais como deveria. Uma nova abordagem da ciência é essencial nesse mundo contemporâneo.

Entre evolução e progresso

Tem-se principalmente a partir do movimento renascentista uma perspectiva antropocêntrica vigente no mundo. Nesse ínterim, a partir de tal pensamento, o qual atribui ao ser humano uma posição de centralidade em relação a todo o universo, é possível notar que o conhecimento e a manipulação da natureza são regidos com base no interesse humano. 
Consoante ao sociólogo Max Horkheimer, os homens utilizam a “razão instrumental” de acordo com os seus interesses, ou seja, utilizam a ciência para terem cada vez mais conforto. Dessa forma, por meio dela transformaram o mundo e tiveram vários avanços nos campos da engenharia e medicina, por exemplo, sendo assim uma demonstração de evolução, isto é, de mudança. Contudo, nem sempre a razão e a tecnologia são benéficas e classificadas como progresso. Para demonstrar tal situação tem-se a utilização da ciência para criar bombas atômicas que possuem o potencial de destruir grande parte do planeta e da humanidade, como apontado pela personagem Sônia no filme “O Ponto de Mutação”.
Subjacente a tal ideia de que evolução nem sempre é sinônimo de progresso tem-se as relações entre uma perspectiva mecanicista e o meio ambiente. Diante de tal perspectiva em que a natureza é um instrumento do homem para que ele tenha conforto, vê-se muitas vezes a destruição do planeta. Como exemplo disso tem-se relações capitalistas em que indústrias desmatam e poluem de maneira excessiva visando apenas o lucro, ou seja, evoluem uma vez que colocam no mercado diversas inovações mas não progridem, sendo isso um grande exemplo do individualismo e egocentrismo humano, indiretamente relacionados a perspectiva antropocêntrica.
Em suma, devido ao pensamento antropocêntrico o qual colocou o pensamento dos homens como o mais relevante e determinante para a explicação e o entendimento do mundo nota-se que o ser humano, muitas vezes dominado por seu individualismo, utiliza a natureza da maneira que lhe for conveniente, sem se preocupar com a sustentabilidade. Dessa maneira, a perspectiva mecanicista torna-se um exemplo da má relação dos indivíduos com o planeta, uma vez que a destruição dele é muito recorrente no mundo moderno, demonstrando, portanto, que evolução não é sinônimo de progresso.

Mariana Antonietto Alvares Cruz - 1º ano Direito matutino 

A ciência tem história



Assim como a trama de Ponto de Mutação, de Bernt Amadeus Capra, a história da ciência é feita de encontros, desencontros e debates, e assim ela avança. Os estudos de Descartes e Bacon geraram grande avanço no mundo e acarretaram na ciência moderna. Apesar de terem, para a época, grande importância, hoje em dia alguns de seus conceitos se encontram ultrapassados e a tendência é a de que mais mudanças aconteçam e consequentemente, mais a ciência mude.

Na obra de Capra também fica explicito que dividir e especializar demais as áreas de conhecimento é maléfico para o desenvolvimento da própria ciência, algo que para pensadores de antes era algo certo a ser feito e não mais faz sentido. Essas mudanças parecem ruins aos olhos de quem não entende de ciência, mas para quem acompanha e torce pelo avanço científico, ter uma teoria descontinuada é um sinal de progresso e de novas descobertas.

 Diante dessa situação, seria possível deduzir que é o papel das ciências superar os sensos comuns da sociedade e da natureza humana, mas não. A ciência deve também usar os conhecimentos adquiridos a partir da vivência das pessoas mais simples, uma vez que não é só da academia que vem o aprendizado, diferentemente de 400 anos atrás (quando as  obras de Descartes e Bacon foram escritas), quando só eram usados os conhecimentos dos poucos que estudavam.

Talvez seja justamente por causa desse impedimento de imersão entre o conhecimento do dia -a- dia e o conhecimento empírico que tantas ideias equivocadas surgiram. A ciência moderna é transformadora e deve usar todo o conhecimento para modificar e melhorar o mundo, não trazer mais dores e empecilhos, o que de novo fica claro no filme, quando os personagens conversam sobre bombas e como a letalidade delas afeta o mundo e o pensamento das pessoas sobre ele.

Ponto de Mutação se propõe a contar a história do conhecimento científico, mas vai além disso, mostra outros horizontes e como o passado tanto influenciou o presente e as novas descobertas. Uma vez que o filme usa o que já foi estabelecido pela ciência e cria novas hipóteses e respostas para a ciência moderna, pode -se dizer que ele faz ciência e desenvolve o pensamento crítico naqueles que o assistem.

Assim como obras cinematográficas, a ciência tem sua história, cheia de “plot twists” e mudanças repentinas, as vezes encontrando até mesmo alguns “flashbacks” (que nem sempre são negativos ou traumáticos, mas ensinam lições e trazem mais aprendizado). É legal pensar, portanto, que no final a ciência vai chegar ao seu objetivo de tornar o mundo melhor, como um filme cliché de super-herói.

BeatrIz Araújo Gomes 
1* ano de Direito Matutino 

Os impactos da racionalidade no meio natural


 “É como se a natureza funcionasse feito relógio. Você a desmonta, a reduz a um monte de peças simples e fáceis de entender, analisa-as, e aí passa a entender o todo.” A analogia mencionada refere-se à frase da personagem Sonia no filme: O Ponto de Mutação que faz uma critica à como o mundo se comporta em seus processos científicos.
                O pensamento de comparar a natureza a um relógio reforça a ideia da personagem a respeito do mundo ser mecanicista, isto é, toda a relação, de cunho acadêmico, que envolve a natureza, é utilizada um estudo criterioso acerca de seu funcionamento. Da mesma forma que uma máquina (relógio), o modelo mecanicista analisa tudo que compõem o espaço natural de maneira racional, lógica e exata.
                Desse modo, a crítica proposta no filme condiz com a organização da sociedade contemporânea, ou seja, no atual cenário global nota-se uma crescente demanda pelos recursos naturais, para fins diversos. Assim, as trocas comerciais no mundo globalizado assumiram concepções diferentes, no qual o sistema econômico propicia a exploração desenfreada da natureza, uma vez que o consumo e o lucro pautam os debates políticos a fim de suprir as necessidades da sociedade atual. Por conseguinte, em um mundo mecanicista, no qual o desenvolvimento de uma ciência criteriosa e extremamente racional é à base de sua estrutura, é possível observar o descaso com a natureza em detrimento do bem estar humano.
                Portanto, o pensamento acima, criticado por Sonia no filme, a respeito de compreender a natureza não mais como um órgão vivo, mas sim como uma máquina racional, proporciona a exploração de seus recursos em níveis muito altos o que leva a constante degradação do meio ambiente para saciar as vontades humanas.

Rafael Bronzatto – 1° ano de direito matutino         

Poder social: voto


A partir do documentário Ponto de Mutação, elaborado por Fritoj Capra, a personagem Sônia discute sobre sua escolha de não votar nas eleições, apesar de questionar a política norte-americana. Entretanto, o voto é um fator determinante sobre como os problemas sociais e ambientais serão lidados nos anos seguintes. Hodiernamente, muitos indivíduos também optam por realizarem a atitude da personagem, o que resulta em uma sequência de aspectos negativos, que poderiam ser evitados, com uma boa administração pública. Logo, é fundamental entender a interligação dos fatores em um sistema social, a fim de resolver os impasses enfrentados pela sociedade.
Em primeira análise, durante a Guerra Fria, fortaleceu- se a ideia do American Way of Life em âmbito global, o que tornou o EUA, uma influencia aos países subdesenvolvidos. Desse modo, a votação norte-americana, afeta indiretamente as relações sociais dos outros países. Assim, o posicionamento de todos, é relevante para o impacto causado nessas áreas, que na maioria dos casos, de maneira negativa, acabam sendo exploradas e perdem suas individualidades culturais. Logo, é inevitável afirmar que os problemas sociais e ambientais são fruto de um pensamento dominador de países desenvolvidos sob Terceiro Mundo.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 30 milhões de brasileiros não compareceram para votar em 2018, dessa forma, pode-se afirmar que parte da população – por muitas vezes não possuir acesso e informações sobre o processo eleitoral- não considera importante o hábito de votar. Ademais, é notável que tal medida é marca de baixos investimentos na educação, que por sua vez, não irá formar cidadãos portadores de um pensamento crítico. Por conseguinte, uma sociedade com pouco acesso será influenciada a eleger candidatos que prometem melhorias, porém não cumprem.  Desse modo, tudo está relacionado, desde a votação até a corrupção do sistema.
Portanto, é fundamental compreender a relação das sociedades entre si, para assim, obter uma organização adequada desse sistema social interligado. Em outras palavras, é necessária a mudança no sistema como o todo, e não uma divisão de fragmentos para tal resolução, pois uma parte influencia a outra. Dessa maneira, a abstenção do voto é uma negligência aos indivíduos, que infelizmente, encontram-se marginalizados por outros grupos sociais e são vitimas de segregação e desigualdade. Por isso, é necessário que ocorra um rompimento com a normalização da imparcialidade, a fim de, mudar o cenário contemporâneo.



sábado, 14 de março de 2020

Punir e punir

O direito comporta-se como a ferramenta do Estado para controlar as atitudes de seu povo, e acredito que haja unanimidade em tal afirmação. Desde que os homens começaram a organizar-se em grupos, tornou-se necessário o desenvolvimento de uma ética, que definiria e padronizaria o comportamento de todos. Assim fundou-se o direito, a ciência que busca criar regras e punir aqueles que as infringissem. As regras, obviamente, sempre modificaram-se em razão das mudanças de governo e da sociedade, mas sempre estavam envolvidas na estrutura de poder da nação. Quando Michel Foucault inicia sua obra Vigiar e punir (1975), ele estabelece uma comparação entre os métodos de punição do século XVIII e do século XIX, que mudaram, mas conservaram a essência do direito: o da punição a atos que se desviam na norma de quem exerce o poder.
Ora, o direito serve somente como uma ferramenta de repressão? Acredito que sim, visto que ela segue, assim como muitas ciências, a metodologia cartesiana, que teve sua qualidade discutida no livro de Fritjof Capra chamado O ponto de mutação (1982), que discute se o método desenvolvido por René Descartes ainda pode ser aplicado atualmente. De acordo com Capra, o ponto de vista mecanicista proposto por Descartes não funciona mais atualmente, visto que entendia que a ciência deveria compreender o mundo dividindo-o em partes, e, assim, as isolando e as estudando separadamente. Para o autor, tal visão, apesar de ter sido extremamente importante para o desenvolvimento de todas as ciências, não funciona mais, já que, na verdade, tudo está interligado entre si. Logo, tentar compreender essas partes de forma isolada seria perda de tempo, sendo muito mais produtivo estudar as suas relações.
O direito parece comportar-se como as ciências cartesianas. Os julgados pelos seus crimes são apenas julgados pelos seus crimes, não há um esforço maior para descobrir o que levou a tal ato, mas apenas deseja-se, na atividade investigativa, descobrir o autor do crime e leva-lo a punição. Não, não há uma necessidade de integra-lo novamente à sociedade, porque, se houvesse, o nosso sistema carcerário não seria tão problemático como se observa hoje. Essa necessidade de punição pode ser muito bem observada no discurso de muitos políticos conservadores que, buscando resolução da criminalidade, propõem a instalação da pena de morte. Ou seja, o direito brasileiro trabalha baseado apenas, como afirma Foucault, na vigilância e na punição.
Como livrar-se desse vício cartesiano? O direito precisa de um "ponto de mutação", que deve se basear na mudança do ponto de vista em relação à matéria, porque a aplicação no tribunal não resultará em nada a não ser na superlotação de presídios e de cemitérios. O direito precisa observar os dois elementos existentes nessa relação de poder: o Estado e a sociedade. Não há como alterar essa dinâmica sem que o direito se adeque ao povo. Deseja que a ordem e o progresso sejam cumpridos, então mude a forma de aplicar as leis. Não basta enterrar os mortos e prender os julgados, você precisa resolver os problemas apontados pela sociologia, pela história, pela geografia, pela antropologia, pelas ciências políticas, entre diversos outros. Não tem como resolver essas questões sem resolver todos os conflitos sociais. Não basta punir isoladamente um elemento, precisa resolver os problemas de todo o sistema.

Murilo de Oliveira Botaro
1° Ano Direito Noturno

O funcionamento da engrenagem penitenciária

   O atual modelo penitenciário brasileiro simboliza o pensamento mecanicista cartesiano do filosofo iluminista René Descartes, ou seja, o encarceramento que é visto pelo Estado como a forma correta de tratar criminosos é falho, já que não é efetivo na diminuição da criminalidade. Para tal efeito esse problema deve ser visto de forma sistemática.
   Descartes acreditava que a natureza era como um relógio onde era possível reduzi-la à variadas peças que seriam analisadas individualmente e assim ser possível compreender o todo. Porém devemos ter em mente que o mundo tem que ser visto como uma acumulação de relações existentes, onde cada objeto influencia no resultado dessas interações.
   Grandes sociólogos acreditam que as grandes causas da criminalidade são: desigualdade social, desemprego, falta de educação, entre outros. Visto isso para aplacar as taxas de criminalidade é fundamental a preocupação do Estado com medidas para conter esses fatores que a perpetuam. Dessa maneira o número de infrações será reduzido de forma efetiva, ao contrário da efetividade do sistema penitenciário, que na realidade funciona como punitivismo, retirando o indivíduo da sociedade e logo o colocando de volta sem tratar da causa da ocorrência, isto é troca de uma peça no relógio quebrado sem entender o que se conecta à ela, o que resulta na quebra do relógio novamente.
   Devido essa exposição somos levados a acreditar que é necessário mudarmos nossa maneira de ver o mundo. Precisamos trabalhar a análise do fenômeno problemático como uma grande teia de ligações interdependentes de causa e efeito para assim resolvê-los e manter o relógio funcionando.


Paola Santos de Lima
Direito - Noturno
1°Período - UNESP

Somos todos iguais perante o poder judiciário?


Sendo o povo brasileiro composto pelas mais diversas culturas e condições sociais, seria plausível admitir que o direito também seja composto e praticado por pessoas das mais diversas origens e estamentos sociais, uma vez que a constituição assegura a igualdade de todos perante a lei, independente de qualquer natureza.
No Brasil, segundo a Comissão Nacional de Justiça, o poder judiciário é composto por pessoas advindas de um mesmo estrato social, homens, brancos, católicos e com berço em famílias de classe média. Estes dados mostram que a visão de uma determinada camada da sociedade é utilizada para julgar grande parte dos casos de um país.
Além da concentração social já mencionada, a justiça também sofre com o posicionamento político de determinado grupo social, fazendo com que as concepções socias já ultrapassadas exerçam influência sobre as decisões dos magistrados, como por exemplo, a decisão da juíza Adriana Gatto Martins Bonemer, sobre o trote machista da UNIFRAN aplicado em fevereiro de 2019.
Fica então, possível perceber que a justiça brasileira tem cor, religião, classe social e gênero. E que em função da atual falta de pluralidade na composição do judiciário, o mesmo julga, por vezes, de maneira parcial ao que é mais próximo de suas concepções      e costumes.


Mudar é preciso

Na obra “Ponto de Mutação”, que retrata o encontro de três personagens bastante distintos entre si, é possível encontrar uma crítica à maneira atual de conhecimento e a forma como ela é incapaz de lidar com contratempos dos mais diversos.

A princípio, é pertinente ressaltar que o Cartesianismo, postulado pelo francês René Descartes, pressupõe a divisão dos itens que virão a ser analisados em partes isoladas, sendo que cada uma dessas partes devem ser aferidas de forma individual. Uma manifestação clássica desse método de pensamento nos tempos atuais é a separação do saber em áreas distintas. As ciências da natureza, por exemplo, se encarregam de explorar os fenômenos físicos, ao passo em que as ciências humanas abraçam a sociedade humana. Além disso, dentro de cada uma dessas ciências também existem subdivisões ainda mais específicas.

É fato que essas características da ciência moderna ajudaram o ser humano a modernizar o mundo no qual está inserido. Todavia, assim como é demonstrado no filme, esse método é inapto para solucionar uma parcela considerável dos problemas de maneira satisfatória. A compreensão e solução de problemas ecológicos, por exemplo, certamente seria muito mais eficiente se os campos do conhecimento dialogassem mutuamente.

Portanto, é evidente que a elaboração de novas bases para a epistemologia é fundamental para se atravessar as dificuldades na resolução de contratempos. Nesse sentido, o rompimento com a maneira clássica de ensino, onde se prevalece a fragmentação do saber, seria o primeiro passo rumo a isso.

Fábio Eduardo Belavenuto Silva - Matutino - 1° amo de Direito

Pensamento Mecanicista vs Meio Ambiente

 Após assistir Mindwalk, houve uma discussão em aula sobre vários temas relacionados ao filme. A discussão que mais me chamou a atenção foi a da relação entre o pensamento mecanicista e o meio ambiente. Nessa discussão foi discutido como enxergamos o meio ambiente no século 21 após o avanço do pensamento holístico da ecologia e como o costume moderno da separação em partes ainda afeta essa visão que se tem sobre a natureza como um todo.
 Como seres humanos, é natural tentar sistematizar um tipo de conhecimento 

A inviabilidade do método cartesiano na contemporaneidade

A película estadunidense “Ponto de Mutação” , dirigida por Bernt Capra e lançada no início da década de 90, retrata, ao longo de 112 minutos, um diálogo entre três personagens de âmbitos distintos: um político que almeja tornar-se o Presidente dos Estados Unidos, uma cientista-física desmotivada em razão de seus trabalhos estarem sendo utilizados pela área militar e um poeta que está passando por uma crise de meia idade . No diálogo em questão, iniciado a partir de um relógio localizado em um castelo na França, foi debatido diversas noções acerca da aplicação do método cartesiano para a solução de adversidades, principalmente de cunho ambiental, na contemporaneidade, as quais devem ser pontuadas.

Primeiramente, infere-se que, apesar de sua célebre contribuição e evidente relevância para o progresso científico, o método cartesiano na busca pelo verdadeiro conhecimento elaborado pelo filósofo francês René Descartes, no início da Idade Moderna, durante o século XVII, a qual está, predominantemente, vigente até os dias atuais, é um empecilho à elucidação de problemas do contexto capitalista contemporâneo. Ordenado há mais de 300 anos, o ceticismo metodológico propõe a difusão máxima de elementos em unidades de conhecimento para, dessa maneira, estudá-las separadamente. Em razão do emprego desse procedimento na atualidade, impasses como o aquecimento global, a título de exemplo, a qual possui um caráter macro ambiental, econômico e social, não podem ser resolvidos sendo fragmentados de acordo com os critérios orientados por Descartes, ou seja, no caso do acaloramento do planeta, pela simples abolição da emissão de gases do efeito estufa, visto que isso afetaria não só a economia de vários países, mas também inúmeros trabalhadores que dependem do ofício em fábricas e indústrias para sobreviverem. Ademais, nos dias de hoje, é amplamente notório que com o avanço científico conduzido pelo método cartesiano, profissionais dos mais variados segmentos estão cada vez mais especializados em uma única linha de pesquisa, o que torna-os limitados para resolver contratempos complexos que não sejam de sua especialidade.

Com isso, constata-se que, para a resolução de adversidades de uma certa granditude, oriundas do sistema capitalista, muitas delas esplanadas no filme de Capra, como a insegurança alimentar e a falta de saneamento básico em países subdesenvolvidos, faz-se necessário a utilização de um novo paradigma científico, uma reforma do pensamento, em que as distintas áreas do conhecimento, especialmente as ciências exatas e humanas, que, atualmente, encontram-se separadas devido ao ceticismo metodológico vigorante, devem superar suas diferenças e integrar-se entre si para,  assim, formar novas noções epistemológicas, pois é evidente a inviabilidade do método cartesiano na contemporaneidade.

Luís Arquimedes Takizawa Albano - Direito Noturno

Não Existem Ciências Exatas


Após assistir ao filme Ponto de Mutação e participar do debate sobre ele em aula, cheguei a uma ideia que até então nunca havia me ocorrido: a de as ciências exatas não existem. Imagino o choque da maioria ao ler essa frase. Nós temos a tendência de supervalorizar áreas do saber como a Matemática e a Física, ao passo que menosprezamos outras, como a Filosofia e a Sociologia. E é exatamente por isso que a minha afirmação causa tamanho estranhamento.
O que quero dizer com ela não é que esse tipo de ciência não seja importante. Para citar um único exemplo, de centenas possíveis, em que as exatas provaram a sua importância, podemos falar da descoberta dos raios X. Se a Física não tivesse reconhecido a sua existência, um incontável número de vidas já teria sido desperdiçado, uma vez que essas ondas compõem um dos tratamentos contra o câncer.
Dessa forma, não pretendo questionar a relevância das exatas para a solução de problemas, bem como para o entendimento do mundo, mas sim a sua separação das humanas, constituindo-se assim dois campos diametralmente opostos e incomunicáveis. Quando o filme trouxe a Teoria Geral dos Sistemas, oriunda da Ecologia e que tem como uma das suas bases o intercâmbio entre as ciências naturais e sociais, me veio à mente o seguinte pensamento, por que não estender essa teoria a todas às áreas do conhecimento?
Creio que todas as áreas são naturalmente ligadas e interdependentes entre si. Entretanto, me parece que há algo maior, que rege todos esses setores, fazendo com que eles confluam para um mesmo sítio. E isso seriam as ciências humanas e sociais. É aqui que minha fala inicial se apresenta, na medida em que, na prática, não há nada que pode ser separado das humanas. Na sociedade capitalista atual, qualquer coisa que não sirva, pelo menos em alguma instância, para aumentar o lucro das empresas e dos Estados é vista como inútil e acaba ficando sem apoio. Ou seja, os sucessos que as exatas atingiram só foram possíveis pois tinham alguma aplicação palpável. Se eles tinham alguma aplicação, é porque a sociedade e as pessoas abarcadas por ela foram atingidas. Se elas foram atingidas, é porque haverá um efeito social sobre elas, assunto este que é objeto das humanas. Portanto, em última análise, pode-se concluir que não importa do que o estudo se trata, seu fim irá sempre convergir para a sociedade e, deste modo, irá convergir para o campo das humanas. Assim, de uma perspectiva pragmática, afirmo que não existem ciências exatas.


Thiago Campolina de Sousa – Direito Diurno (1° ano)

sexta-feira, 13 de março de 2020

Relógio vacilante


Deus relojoeiro e seu mundo-máquina,
com seus homens-máquina
e suas nuvens-máquina,
ordenou que houvesse luz.

E a luz se fez por meio milênio.

Mas era luz elétrica
e suas plantas-máquina não mais se nutriam,
e seus homens-máquina, racionais e rasos,
se recusaram a perceber o problema.

Mas agora percebem.

A luz nasceu do mero acaso
e o mundo-acaso não se reduz ao relógio.
O homem-acaso compreende então
que seu conhecimento não explica o caos.

E o caos os obriga a pensar.

O mundo-acaso não pode ser dominado,
e a luz secular não é mais suficiente.
A eletricidade não ilumina o caos sozinha.
A razão não nos salvou.


Sofia Malveis Ricci - Direito noturno - 1º ano

Dostoiévski e Ponto de Mutação

  “Se Deus não existe, tudo é permitido?”, é uma frase comumente associada a obra “Os Irmãos Karamazov”, do escritor russo Fiódor Dostoiévski. No livro, Ivan Fiodorovitch Karamazov, publica um artigo questionando que a “morte de Deus” promovida pelo Niilismo e outras correntes filosóficas coloca fim aos freios morais da ação humana. Paralelamente, no filme “Ponto de Mutação”, uma afirmação semelhante é feita pelo personagem Thomas Harrima no momento em que um grupo de jovens joga algumas latas no chão de Saint-Michel, Thomas culpa a bomba atômica, tendo em vista que a bomba teria tornado o mundo descartável na concepção humana. Desta forma, o filme é uma profunda crítica à concepção mecânica da ciência e propondo como solução a Teoria dos Sistemas.   
    A Ciência Moderna nasce com René Descartes, Francis Bacon e Galileu Galilei, autores fundamentais na construção do “Sujeito” moderno como a separação de concepções divinas e sobrenaturais da razão humana. Dessarte, grandes avanços foram conquistados com a Ciência Moderna, desde grandes saltos tecnológicos, institucionais até a cura de doenças. Entretanto, desenvolveu-se uma concepção mecânica da realidade, incapaz de enfrentar os problemas de forma sistêmica. Utilizando uma metáfora do filme: a ciência enfrenta os problemas trocando as “engrenagens” e nunca o “relógio”, uma percepção míope que impede enxergar a real origem dos dilemas a serem enfrentados.  
   Ademais, a obra propõe como solução ao quadro atual a Teoria dos Sistemas. Em primeiro lugar, a teoria apresentada pela personagem Sonia Hoffman, propõe-se a pensar o mundo de forma ecológica e holística, onde o “objeto” nunca é separado do “todo”, propondo soluções de forma empírica e sistemática, pensando nossas ações de forma harmônica. Isso se torna mais claro, por exemplo, na atual pandemia do Covid-19 que está levando diversas nações ao “cataclisma” econômico, social e político. Em tempos como estes, é fundamental combater o reducionismo propondo soluções socias conjuntas para  minimizar a proliferação do vírus, uma tese alinhada a Teoria dos Sistemas. 
     Por fim, na obra “Os Irmãos Karamazov”, o personagem Ivan defende: “... a lei moral da natureza devia imediatamente tornar-se o inverso absoluto da precedente lei religiosa; que o egoísmo, mesmo levado até a perversidade, devia não somente ser autorizado, mas reconhecido como a saída necessária, a mais razoável e quase a mais nobre.” [1]. Ivan compartilha de uma visão míope, incapaz de enfrentar de maneira sistêmica os dilemas, caindo na legitimação das soluções mecânicas. Assim, faz-se necessária a construção de uma ecologia das ações humanas com o fim de orientar nossas decisões levando o “todo” em consideração, seja na ciência ou nas decisões morais do cotidiano. 
  
Referências Bibliográficas: 
[1] Dostoievski, Fiódor. Os Irmãos Karamazov. Abril Cultura,1970 (p. 69).  

Luís Gustavo da Silva - 1º ano de Direito/Matutino.