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domingo, 3 de julho de 2011

Durkheim e o Fato Social

Durkheim estabelece o conceito de Fato Social como principal foco nos estudos sociológicos, diferenciando-os de outros fenômenos sociais que não são objetos de estudo estritos da Sociologia. Ele faz esta discrição baseando-se nos diferentes objetos de escopo da psicologia e das ciências biológicas. Para o autor há muitas diferenças entre os objetos de estudo da Sociologia e das outras ciências (apesar, de que para ele, o Fato Social não difere – em sua essência como “coisa” a ser estudada pelos métodos da razão e observação -). Essas diferenças baseiam-se na visão do autor por um estudo mais profundo dos acontecimentos inerentes à sociedade, ele faz uma crítica ao generalismo com o que certos acontecimentos são chamados de fatos sociais, por exemplo, ele faz uma critica a esse movimento quando diz que alguns estudiosos chamam qualquer fato acontecido no seio da sociedade de fato social, para ele isso é uma iverdade na medida em que vários fatos se sucedem na sociedade, sem de fato serem fatos sociais, pois na medida em que isso é verdadeiro ( qualquer fato ocorrido na sociedade = fato social) a Sociologia fica sem um objeto de estudo definido e delimitado.

Durkheim também critica o método de como alguns autores estudam os objetos de sua análise, pois este método, baseando-se não na análise racional e observatória, mas sim em uma análise ideológica, subjetiva de cada estudioso, desconfiguram o objeto de estudo ao fazer uma analise que vai das idéias às coisas e não das coisas às idéias, atentando e relembrando dos “ídolos da mente” um grande obstáculo da análise cientifica e racional teorizada por Francis Bacon. Há mais, para Durkheim é em sociologia, onde os fenômenos só ocorrem por força humana, que as prenoções e os preconceitos estão em condições mais aptas de “turvar” a visão do estudioso.

Durkheim diverge de Comte no sentido de este último se distanciar das verdades sociológicas, se distanciando dos estudos dos fatos e convergindo sua teorização para uma idéia subjetiva de História e não a História em si. O autor ainda critica Spancer que dizia que a sociedade era erigida na cooperação espontânea dos indivíduos, sem no entanto fazer um estudo objetivo da sociedade. Em verdade, Durkheim crítica os métodos inadequados e/ou ausentes que tais autores se utilizaram para a análise da sociedade.

Para o autor, o conceito de fato social é todo aquele que não depende da vontade do individuo, esta externo a ele, o induzindo a determinadas ações, e tem como substrato o agir do homem em sociedade, de acordo com as regras sociais. Quando o individuo se nega a proceder segundo à vontade social externa e pré-estabelecida ele sofre uma sanção, que visa restabelecer a ordem social vigente. Neste caso, a educação tem um papel fundamental no processo de criar o ser social, interiorizando nele as premissas que a sociedade deseja, dando ao indivíduos visões e idéias que ele não chegaria espontaneamente. Neste processo, o individuo pode até acreditar que algumas idéias são propriamente dele, uma mentira, visto que ele já esta tão acostumado em agir de forma pré-estabelecida que nem se da conta que essas idéias o foram impostas, ele se acostuma e se adapta a elas: “Assim,

também o ar não deixa de ser pesado, embora não sintamos mais seu peso.”.

Para o autor, mesmo que as formas de comportamento que se manifestam no indivíduo traduzem os hábitos forjados em sociedade, daí as ferramentas estatísticas são o melhor meio de se saber como essas predisposições se manifestam em um “estado da alma coletivo”.

Postado por: Rahman Navarro de Freitas Kassim

data: 3 de julho de 2011, às 21:15

A função da divisão do trabalho segundo Durkheim

Para Durkheim existem dois tipos de funções: uma que designa um sistema de movimentos vitais e suas conseqüências e outras vezes aponta a relação de correspondência desses movimentos às necessidades do organismo. É na segunda idéia que reside o termo divisão social do trabalho. Uma função necessária à manutenção da sociedade.

A divisão do trabalho social, para Durkheim, extrapola o limite mais óbvio que é a produção e a reprodução material mais eficiente, para ele, além da divisão prover os meios necessários para a subsistência material (além da acumulação e excedentes produtivos). Essa divisão produz (não tendo em vista fins, pois isso suporia que a divisão do trabalho existe tendo em vista resultados que vamos determinar) esses meios materiais, que somente são alcançadas a partir da concepção da divisão do trabalho como algo solidário e recíproco. Para ele a solidariedade é o elemento chave da existência da vida em sociedade, sem a solidariedade é impossível viver em sociedade, pois é nela que se baseia o convívio social.

A solidariedade acontece na medida em que as necessidades se complementam “Busca-se no diferente aquilo que não se

tem, mas deseja-se”. Isso é fato para causar a amizade e em maior escala é o elemento chave da existência da vida em sociedade “ Somos assim levados a considerar a divisão do trabalho sob um novo aspecto. Neste caso, com efeito, os serviços econômicos que ela pode prestar são pouca coisa ao lado do efeito moral que ela produz, e a sua verdadeira função é criar, entre duas ou várias pessoas um sentimento de solidariedade... “.

A verdadeira função do trabalho social é em suma moral, e não econômica, sua função é gerar solidariedade entre os indivíduos. A partir de definida qual é a função social do trabalho, Durkheim teoriza dois tipos de solidariedade que estão estritamente ligadas ao grau de desenvolvimento da sociedade, e em conseqüência, ao grau de divisão social do trabalho ( quanto mais desenvolvida for a sociedade, maior o grau de divisão social do trabalho, e essas características determinarão o tipo de solidariedade existente na sociedade). Os tipos são: solidariedade mecânica, neste tipo de solidariedade, a sociedade é tão mais coesa (baseadas predominantemente na divisão social familiar e em clãs) e a divisão do trabalho é pouco desenvolvida, sendo esta sociedade primitiva, a ruptura da solidariedade social constitui crime, este crime impõe uma sanção, muitas vezes severa, dado que o que impera neste tipo de sociedade é o direito penal, o crime é punido não de acordo com o seu peso social, mas pelo simples fato de constranger a ordem social. Outro tipo de solidariedade é a solidariedade orgânica, neste tipo de sociedade a divisão do trabalho social é bem desenvolvida, a organização social é mais complexa (mas não exclui os grupos familiares) e esta sociedade sociedade é regida não por um direito penal punitivo, mas outras formas de direito ( civil, administrativo, comercial ...) que são restitutivos. Um crime não abala a ordem social como um todo, tendo um efeito minoritário.

Postado por: Rahman Navarro de Freitas Kassim

data: 3 de julho de 2011, às 21:13

Os porquês dos comportamentos

A sociologia de Weber ao buscar a compreensão do sentido da ação social refuta o materialismo histórico, tido por ele como dogmático, e todo tipo de lei ou ideal obrigatório aplicado à sociologia, uma vez que seu estudo baseia-se, principalmente, na motivação dos indivíduos nas ações sociais.

São levados em consideração no estudo de Weber, enquanto influências na motivação do individuo, mesmo que implicitamente, os valores religiosos, políticos e culturais, além da economia.

Nesse sentido o autor critica Marx ao utilizar o fator econômico como o único e determinante nas ações dos indivíduos, como já dito, ele não o ignora, apenas o considera um dos fatores que, unido aos aspectos culturais, contribui na investigação da ação social. Weber ainda divide as ações sociais em quatro tipos para entender seus procedimentos.

Utilizando-se do método comparativo em suas análises o autor cria um objeto ideal e o coloca em paralelo com o objeto real, existente, conseguindo, assim, organizar a complexidade do real e chegar à verdade científica, fruto dessa comparação.

Observando os métodos de estudo e as idéias de Max Weber (relativização dos aspectos sociais em sua influencia na ação dos indivíduos) é possível perceber sua intenção de buscar uma so­ciologia capaz de revelar as intenções que estão por trás dos comportamentos dos indivíduos.

Proletários, uni-vos!


O Manifesto Comunista escrito por Karl Marx e Friedrich Engels como panfleto político (e não obra científica) para a Liga dos Comunistas trouxe uma visão da história como constante “luta de classes” e uma idéia do capitalismo como sistema econômico criador de uma rede mundial de comércio.

A obra mostrou que o capitalismo e a sociedade burguesa, apesar de terem sido os primeiros a dar provas de que a atividade humana pode empreender, aprofundaram a questão histórica da luta de classes.

A função primeira do Manifesto foi instigar o proletariado a se organizar e derrubar a ordem vigente (capitalista) através da ditadura do proletariado (expropriação do Estado burguês pela classe operária), sendo esse o primeiro passo para o estabelecimento do socialismo (ruptura com a forma de estado vigente através de uma revolução).

Inseridos nesse ideal da obra, os meios de comunicação mais desenvolvidos criados pela indústria moderna auxiliaram a transformação das lutas locais, todas do mesmo caráter, em uma luta nacional entre classes.

Como objetivo final de Marx e Engels ao escreverem a obra tem-se a criação da sociedade comunista a partir da ruína da opressão do poder público, que segundo os autores não passava de um comitê para gerenciar os assuntos comuns de toda a burguesia, e da separação social em classes.


Noções de um socialismo “palpável”

No estudo do socialismo, Friedrich Engels, co-autor do Manifesto Comunista de Karl Marx, notou que o Iluminismo, tido por ele como o momento em que a humanidade desperta para um olhar a si mesma sob a perspectiva da razão, trazendo a emancipação dessa, resultou em uma ordem de privilégios burgueses, focando-se na emancipação apenas da classe burguesa.

O ideal de solidariedade ampla e plena possuída pela sociedade, que geraria um modo de produção onde todos trabalhariam por todos, defendido pelos socialistas utópicos (Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier) foi criticado por Engels, que sabia que a burguesia não abriria mão de seu "egoísmo", ainda mais tendo em mente a luta travada por essa para chegar ao poder.

Sua critica aos utópicos se apresentou em nome da criação de um socialismo forjado como ciência, tendo nas condições históricas, e não na razão pensante, o motivo para seu surgimento.

Ainda na busca por um socialismo cientifico, o autor defende o abandono da metafísica, assim como a necessidade de uma visão ampla (enfoque em dimensões múltiplas) dos objetos de estudo, eliminando a idéia cartesiana de fragmentação para obter mais clareza no estudo.

Tendo como base o que foi apresentado, percebe-se a importância de Engels quanto a noções introdutórias, posteriormente desenvolvidas no Manifesto comunista, de um socialismo cientifico e aplicável, surgido de um percurso incontornável da história e não como obra do gênio humano.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

A intenção do Manifesto comunista.

Em "O manifesto comunista", Marx e Engels buscam, inicialment, esclarecer de que maneira se organizam as relações de trabalho no sistema capitalista. Na visão Marxista, toda a história é marcada pela luta de classes, onde uma explora a outra. Assim, como o sistema capitalista acentua essa exploração, baseando seu modo de produção na obtenção de lucro à qualquer custo.
O Manifesto defende a ideia de que, no sistema capitalista, para que os ricos existam é necessário existirem pobres. e que o Estado é tão somente um comitê organizado para defender os interesses da classe dominante, em qualquer sociedade.
Os autores alertam sobre como o sistema capitalista conseguiu mudar as estruturas sociais, fazendo com que os indivíduos, embora presos como escravos às novas necessidades criadas pela burguesia para viabilizar o comércio, tenham uma sensação de liberdade e igualdade de oportunidades. Com isso, os homens perdem suas relações familiares, perdem suas propriedades, sem, porém perder a convicção de que são livres.
O Manifesto busca resgatar aos proletariados, o sentimento de revolução, de se tornarem donos de seus próprios trabalhos (modos de produção, de troca), sem serem subjugados por outros. Propõe, para isso, a formação do proletariado em uma classe, a derrubada da supremacia burguesa e a conquista do poder político pelo proletariado.

O surgimento do socialismo moderno.

No livro Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, Engels explica que o Socialismo do passado tinha sido utópico - mantendo a crença em quando numa sociedade todos o compreendessem e nele acreditassem. Engels escreveu, "... Os Utópicos tentaram evoluir a partir do cérebro humano. A sociedade apresentaria apenas erros; eliminá-los era tarefa da razão. Era então necessário descobrir um novo e mais perfeito sistema de ordem social e impô-la à sociedade a partir de fora com propaganda, e, sempre que possível, pelo exemplo de experiências modelo.". Porém, ele não deu certo, porque o socialismo verdadeiro deve ser desenvolvido apartir da ciência e não da cabeça de alguns homens iluminados.
O socialismo efetivo não é a descoberta casual de tal ou qual intelecto genial, mas fruto do estudo da concepção materialista da história, um produto necessário da luta entre as duas classes formadas historicamente: o proletariado e a burguesia. Sua missão já não era elaborar um sistema o mais perfeito possível da sociedade, mas investigar o processo histórico econômico de que, forçosamente, tinham que brotar essas classes e seu conflito, descobrindo os meios para a solução desse conflito na situação econômica assim criada, o que ficou mais fácil com a descoberta da mais-valia.
O socialismo moderno é, em primeiro lugar, por seu conteúdo, fruto do reflexo na inteligência, de um lado dos antagonismos de classe que imperam na moderna sociedade entre possuidores e despossuidos, capitalistas e operários assalariados, e, de outro lado, da anarquia que reina na produção. Ele destina-se a pesquisar as condições históricas e, inspirar assim à classe chamada a fazer essa revolução, à classe hoje oprimida, a consciência das condições e da natureza de sua própria ação.

A solidariedade como consequência da divisão do trabalho.

Para Durkheim, apesar da sociedade estar passando por uma crise moral gerada pelo avanço do individualismo e pela expansão das artes, da indústria e das ciências, é justamente a moral que controla a divisão do trabalho. E esta tem como efeito mais importante gerar uma corrente de solidariedade entre dois ou muitos mais indivíduos.
Ao juntar indivíduos que de outro modo viveriam separados, a divisão do trabalho cria vínculos que de outra forma não existiriam. Estes vínculos não ocorrem apenas entre semelhantes, mas também ocorrem entre indivíduos diferentes, como por exemplo, o empregador e o empregado, que buscam um as características do outro e, assim, se completam e harmonizam.
Dessa forma, a divisão do trabalho se torna indispensável para a manutenção de uma sociedade complexa. Ela garante o equilíbrio e a coesão social, através da especialização das tarefas e da necessidade de integração total das diferentes funções sociais geradas por essa especialização.

As normas sociais invisíveis.

Inicialmente, em "Que é fato social?", Émile Durkheim define que é necessário tratar os fenômenos sociais como coisas, pois com isso fica mais fácil análisá-los sob a forma de dados. Ele também critica a análise desses dados sob uma perspectiva ideológica, pois isso atrapalha o estudo objetivo.
Segundo ele, na análise dos fenômenos sociais é necesário eliminar pré-noções e ideologias para chegar ao verdadeiro conhecimento científico. Ao tocar nesse assunto, o autor faz referência aos ídolos de Bacon, que são responsáveis por provocar falsas percepções do mundo em nossas mentes.
Para definir fato social é fundamental classificá-lo como 'coisa' de natureza semelhante a um objeto concreto, sem entrar no metafísico. Além disso, para definir esse conceito é necessário fazer um estudo neutro e objetivo da sociedade.
Por fim, o autor define fato social como um conjunto de regras impostas a um indivíduo, que independem de sua vontade, e influenciam sua maneira de agir na sociedade. Mesmo não sendo impostas pelo Direito ou por outra força coercitiva, tais regras são respeitadas pela impossibilidade de se fugir à elas. O fato social força o indivíduo a ter pensamentos e sentimentos que foram impostos a ele em diversas situações sem que ele percebesse.

Sem ordem não há progresso.

Augusto Comte usa basea sua filosofia positiva em um método de análise do real e do concreto, combatendo as abstrações. Por influência de Bacon, o conhecimento é obtido através da observação sistemática dos fenômenos da natureza e as ciências são voltadas para o estudo para o estudo das causas e leis que os regem.
Essa filosofia representa o amadurecimento do espírito humano, sofrendo forte influência de Bacon e Descartes. Ela usa da união entre ciência e técnica para transformar a natureza e chegar ao bem comum, onde este é representado pelo progresso.
Para permitir esse progresso é necessário a manutenção da ordem. No corpo social esse progresso é representado pelos avanços científicos e tecnológicos que promovem maior bem-estar para toda a sociedade. Por isso, o liberalismo é combatido, já que ele gera desordem, atrapalhando o progresso.
O positivismo visa reestabelecer a ordem na sociedade moderna. Suas leis gerais são baseadas no estudo dos fenômenos do universo. Segundo os fundamentos do positivismo, é necessário romper com o isolamento das ciências. Tudo tem seu lugar social definido, porém para que o corpo todo funcione bem é fundamental que cada célula funcione e cumpra sua função.

O conhecimento verdadeiro.

Francis Bacon defende a observação rigorosa da natureza e experimentação ilimitada para superar o senso-comum e chegar ao conhecimento verdadeiro. Dessa forma, é possível regular a mente a fim de entender a natureza. Ele combate tudo que possa ser obstáculo à construção do conhecimento verdadeiro, entre esses obstáculos estão as diversas ideolgias, os sentidos e os ídolos (ídolo da tribo, da caverna, do teatro e do foro).
Critica a ciência como simples exercício da mente, pois para ele a ciência deve ter uma utilidade prática, a função de ferramenta usada pelo homem em sua luta contra a natureza, visando dominá-la e melhorar a condição da vida humana. Por isso, Bacon afirma que as correntes filosóficas clássica e tradicional são inúteis, já que não promoveram o bem-estar do homem.
Segundo Bacon, a ciência deve ser usada conhecer o mundo real, fugindo do que é fruto dos sentidos, pois eles nos enganam e nos passam uma falsa visão do mundo, os enganos produzidos por eles devem ser combatidos. A exploração científica deve ultrapassar-los e estudar, inclusive, o que é imperceptível a eles (por exemplo, coisas que não vemos ou escutamos, como ondas e partículas). A ciência deve buscar o conhecimento verdadeiro, sem a influência de qualquer visão de mundo, sobretudo no que diz respeito às ideologias e ao senso-comum.

O objetivo do conhecimento científico.

René Descartes elaborou um método científico baseado na razão, contrário à superstição e ao metafísico na busca pelo conhecimento. Ele afirma que para se obter conhecimento verdadeiro é necessário um estudo neutro, objetivo e racional, onde os sentidos e pré-noções não são considerados. O autor ainda define a fonte primária do conhecimento verdadeiro, Deus.
Seu método tem a dúvida como princípio fundamental, ele começa por duvidar de tudo o que conhecia até que ele chegou a uma verdade incontestável: "eu penso, logo existo" e, apartir dela, definiu que a clareza é o critério fundamental para diferenciar o verdadeiro do falso. Para ajudar a perceber isso, o autor faz uso da fragmentação de seu objeto de estudo e foca inicialmente nos fragmentos mais simples, pois segundo ele, isso facilita a observação e compreensão.
A ciência deve ser uma ferramenta, logo, não deve ser objeto de contemplação, mas sim, ter uma utilidade prática, que, para Descartes, é a transformação e dominação da natureza para melhorar a condição de vida do homem. Dessa forma, a ciência compre sua função: ajudar o homem em sua missão de entender e dominar tudo o que foi criado por Deus.

“A objetividade do conhecimento na ciência social e na ciência política”, Max Weber

No texto, Weber promove um debate para estabelecer a distinção entre juízo de valor e conhecimento cientifico. A escolha de valores ou de fins é tarefa do homem pratico, não é tarefa da ciência. Weber ainda critica também o pensamento determinista da ciência.Além do conhecimento dos juízos de valor, a ciência pode ainda avaliá-los criticamente. Portanto, a ciência pode oferecer conhecimentos sobre juízos de valor, propiciando ao homem condições de avaliá-lo criticament
O sociólogo alemão também desaprova o uso metodológico do materialismo histórico, uma vez que a generalidades conceituais provenientes desses métodos deixam de fora da analise as individualidades históricas que não podem ser subsumidos as leis gerais. Adiante, discute sobre os fenômenos sociais. O cientista social pode investigar valores sem glorificá-los ou condená-los, isentando-se da subjetividade. Por ultimo se discute sobre a realidade e método das ciências sociais. A resposta a esse assunto é esclarecida por Weber a partir da construção dos tipos ideais. O tipo ideal é um poderoso instrumento de investigação da realidade. Sua função é a de ordenar a realidade e torná-la acessível a pesquisa como instrumento de conhecimento.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Discurso do Método

Texto base: "O discurso do Método" René Descartes. (Caps. 1, 4 e 6)

A ciência moderna nasce propondo um conhecimento neutro, guiado pela razão e pela experiência, sem carregar juízos de valor e pré-noções. Nesse sentido, Descartes propõe um método científico orientado pela razão para se libertar das superstições, do mágico. Fazia, portanto, uma crítica ao conhecimento sobrenatural.

Descartes acreditava também que todos os conhecimentos que partem da filosofia não podem ser seguros, uma vez que julga a filosofia uma ciência sem bases firmes. Além disso, evitava tomar por conhecimento aquele transmitido pelo hábito.

Descartes acreditava que os cientistas deveriam encontrar maneiras de trazer a ciência para a prática (transformar e dominar a natureza), pois ela poderia ser usada para o bem do homem.

Opunha-se ao conhecimento filosófico porque acredita que a razão supera os sentidos na busca pelo conhecimento. Os filósofos têm pra si que tudo o que existe no entendimento passou primeiramente pelos sentidos.

Para Descartes, a ideia de Deus é a referência para a dimensão real e para o conhecimento (perfeição). Acreditava que só conseguia pensar em algo mais perfeito do que ele porque aquele pensamento fora colocado dentro dele por alguma “natureza perfeita”. Assim, sua ideia de perfeição era dada por Deus.

Seu critério de julgar uma proposição como verdadeira é a clareza de sua exposição, e o caminho para se chegar a essa verdade é a razão.

A Experimentação Como Solução

Francis Bacon, assim como René Descartes, é considerado um filósofo pré-positivista, suas idéias serviram de base para os pensamentos mais profundos e analíticos de Auguste Comte.

Bacon é um experimentalista por natureza, segundo ele a verdade deve ser busca à luz da natureza da experiência, que é eterna. Ele também faz uma crítica forte a civilização grega e à sua filosofia, pois a única coisa que os gregos realizavam era especular sobre ciência, quando a verdadeira ciência seria feita por meio das experiências. "sabedoria farta em palavras, mas estéril em obras".

Ainda segundo Bacon a descoberta científica seria uma nova forma de busca do conhecimento, onde se realizaria por meio da exploração e da experimentação sem limites. Seria a busca de uma ciência útil na luta na luta contra a natureza dinâmica de inovação permanente, a ciência como ação e instrumento para a exploração da natureza em benefício do homem.

Bacon fazendo isso deixa uma espécie de legado para a modernidade, na qual a ciência como exploração do benefício do homem vem sendo aplicada até hoje, e também no fato de dizer que a ciência deveria buscar a observação do que seria invisível aos olhos(que seria o caso das pesquisas em nível molecular), fazendo com que suas idéias sejam até hoje presentes.


Método cartesiano.

Em seu livro “O Discurso do Método Sociológico”, René Descartes propõe uma nova forma de se fazer ciência, que virá mudar o paradigma de sua época, ainda composto por alquimia, magia e explicações metafísicas.
Criticou o conhecimento adquirido pelo hábito, em que não havia nenhuma base racional, somente a repetição. Ele afirma que a dúvida deve guiar o pensamento científico, sempre deve-se verificar as hipóteses, não se confiando nos sentidos, que podem enganar.
Descartes acredita que a clareza é um critério para verificar a veracidade. Utiliza como exemplo a afirmação “penso, logo existo”. É evidente a existência pelo próprio pensamento, é lógico, logo mesmo não tem uma prova, a afirmação é correta. Permitindo-se distinguir claramente duas coisas, é possível tomar por verdadeiras, segundo Descartes. A clareza é uma forma de verificação da verdade, e a razão é o seu caminho. Em detrimento da crença no sobrenatural ou hábito, somente a razão pode ser usada.
O método científico é a base da ciência moderna, é com o pensamento de Descartes que o Homem aprimora seu modo de pensar, desencadeando um novo cenário científico. Apesar de citar Deus como fonte última do conhecimento, Descartes é um dos responsáveis pelo antropocentrismo.

Descartes e suas contribuições para a sociedade atual

Descartes é considerado um filósofo pré-positivista, ele foi um dos primeiros filósofos a colocar a razão a frente da superstição, para ele a ciência era a única maneira adequada para se encarar os fenômenos a sua volta.

Para ele, a dúvida deveria ser uma constante na vida dos indivíduos, e essa só seria sanada com a comprovação da veracidade de tal fato, fazendo assim com que esse pudesse ser inserido na realidade plena(ciência).

Vale lembrar que pra ele a ciência não ia contra Deus, apenas seria um tipo de instrumento que serviria de auxílio para se desvendar as criações divinas, fazendo assim com que o homem cumpra o papel que lhe foi dado pelo próprio Deus.

Dentre as idéias que contribuem até hoje para o modo de pensamento atual de cientistas estão o de não se ter pressa para encontrar uma resposta, fragmenta-la para melhor soluciona-la(aumento o nível de detalhismo), o da análise dos mais simples fragmentos até os mais complexos(conhecimento progressivo) e o da constante revisão após a comprovação de tal fenômeno.

Assim mostrasse que muitas das idéias sobre ciência de René Descartes tem validade até hoje para pessoas que trabalham constantemente com a ciência.

Weber e as Relações Sociais

Max Weber busca a objetividade do conhecimento na ciência social e política, para Weber a função essencial da sociologia está na compreensão do sentido da ação social.

Weber também crítica a idéia determinista da ciência, segundo ele as explicações fornecidas para os fatos sociais não seriam de análise tao simples e rasa como os deterministas pregavam. Ele também acaba por criticar o dogmatismo do materialismo histórico, e da forma como as suas explicações eram meramente econômicas.

Segundo Weber, também se ampliavam os conceitos econômicos até os desfigurarem, de modo que neles seriam encontrados todos aqueles interesses humanos. Weber também classifica a ação social em 4 tipos, sendo 2 deles do tipo racional, uma do tipo afetiva e outra do tipo tradicional(ou por hábitos).

O modo de Weber analisar a sociedade serviu como aprofundamento no modo que eram vistas as ações sociais e os fatos, fazendo com que se desenvolvesse esse ramo de forma mais ampla.

A revolução inevitável

Em "Manifesto do Partido Comunista", Karl Marx e Friedrich Engels discutem o estabelecimento do regime socialista como transição para o regime comunista. Depois de esclarecer a deturpação de sua teoria no cenário político da Europa já ao fim do século XIX, discutem a luta de classes como "motor da história". Defendem que dominante e dominado entram em conflito até que haja uma transformação revolucionária (Revolução Francesa) ou a ruína de ambas (plebeus e patrícios da Roma Ocidental). O capitalismo, para os autores, apenas mudou as classes - o conflito continua, aprofundado nas formas de luta. O capitalismo tem como origem o declínio do feudalismo. Mas seu desenvolvimento transformou a divisão do trabalho, a sociedade e a política, adaptando-os todos ao mercado capitalista. Para manter-se, o capitalismo tem de sempre renovar-se, e acabou impressionando a sociedade ao realizar construções maiores que quaisquer outras vistas na história. E ao valorizar (no sentido puramente econômico) o trabalho, a burguesia destituiu de sentido qualquer vínculo entre os homens que não seja o de interesse - destruiu-se a religião, a hierarquia social e o mérito pessoal.
Por conta da dissolução de "sentido" do trabalho e das relações interpessoais, do aumento da grande massa de trabalhadores explorados e da criação de uma necessidade supérflua de luxo, Marx e Engels afirmam que a burguesia criou seu próprio fim: trabalhadores explorados com desejo de poder material e político.
Os autores defendem também que as maiores vitórias dos trabalhadores não serão aquelas pontuais (aumentos de salários e aquisições de direitos trabalhistas, por exemplo), mas sim a união cada vez maior entre eles. Até mesmo por conta dos meios de comunicação, que pelo próprio progresso capitalista serão muito desenvolvidos, essa união do proletário permitirá, na visão dos autores, que consiga seu objetivo final: tomar o poder e acabar com a desigualdade.

"O Manifesto Comunista", Karl Marx & Friedrich Engels

A luta de classes é o objeto central a ser analisado em “O Manifesto Comunista”. Marx e Engels partem de uma análise histórica, distinguindo as várias formas de opressão social durante os séculos para explicar as relações entre opressor e oprimido e situar a burguesia moderna como nova classe opressor, porém, sem deixar de citar seu importante papel revolucionário ao destituir o poder monárquico e religioso em favor das liberdades econômicas, todavia, cabe agora ao proletariado a tomada do poder por meio de uma revolução socialista.

O Manifesto tem uma estrutura simples: uma breve introdução, três capítulos e uma rápida conclusão.

Na introdução é exposto o medo que as novas idéias comunistas causam aos conservadores, deixando claro a força dessas idéias e seu teor revolucionário. Após a introdução, a historia da humanidade é brevemente contada até os dias atuais, onde o mundo é composto por duas classes antagônicas: a burguesia e o proletariado. A parte II, intitulada "Proletários e Comunistas", inter-relaciona o papel do proletariado e do comunismo, sendo justamente esse proletariado o agente principal da revolução que derrotaria a supremacia burguesa e implantaria o comunismo. A parte III, (Literatura Socialista e Comunista) faz fortes críticas às diferentes correntes socialistas da época, alegando que diversas vertentes não possuíam intenções e objetivos verdadeiramente socialistas. Em sua conclusão, “o manifesto comunista”, de maneira triunfalista e otimista, encerra seu discurso, conclamando a classe operaria a se unir contra a burguesia em uma revolução socialista capaz de mudar o mundo.

"Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico", Friedrich Engels

Recortado de "A subversão da Ciência pelo senhor Eugênio Dühring", livro publicado em 1878 por Engels onde expunha diversas criticas a Eugênio Dühring, professor alemão que tentava através de publicações enfraquecer o Partido Socialista da Alemanha, “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” se tornou um clássico obrigatório da bibliografia marxista, uma vez que exprime de maneira simples e concisa das idéias marxistas, deixando claro a distinção entre o socialismo utópico e o cientifico.

O texto divide-se em três capítulo. Primeiramente Engels assinala os méritos das teorias socialistas anteriores, discutindo sobre seus pontos positivos assim como os negativos, deixando clara a idéia de que para o socialismo ter êxito é necessário situá-lo na realidade, livre das utopias e ilusões. Na segunda parte, Engels sintetiza os pontos principais do método dialético em oposição ao metafísico, e o materialismo em oposição ao idealismo. demonstrando ser, por meio de uma interpretação materialista da história, possível realizar uma análise científica do modo capitalista de produção, o entendimento de como se dá a exploração do trabalho sob esse regime e a demonstração da necessidade e possibilidade de sua superação. Em seu ultimo capitulo, “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” Engels relaciona as contradições básicas do capitalismo (capital x trabalho, burguesia x proletariado), tratando ainda sobre uma revolução encabeçada pelo proletariado visando a socialização dos meios de produção e o fim da exploração.

"A função da divisão do trabalho", Émile Durkheim


Após definir o objeto da sociologia, o fato social, e o método para seu estudo, Durkheim aborda o meio social a partir das funções sociais desempenhadas pelos indivíduos que o compõe. Segundo ele, cada individuo tem sua singularidade, havendo ainda uma necessária interconexão entre os indivíduos para compor o todo, dentro desse todo, cada um teria sua função social.
elemento central é a chamada solidariedade, podendo esta ser mecânica ou orgânica.
A solidariedade mecânica seria resumidamente uma solidariedade ditada por semelhanças, é característica das sociedades primitivas, havendo pouca ou nenhuma divisão do trabalho.
A orgânica por sua vez seria uma solidariedade baseada no “consenso”, onde ha uma intensa divisão social do trabalho, gerando uma intensa especialização de funções, vinculando assim o individuo a coletividade e é típica de sociedades mais avançadas.
A solidariedade social para Durkhein, é, de modo geral, formada pelos laços que ligam os indivíduos membros de uma sociedade, formando uma coesão social.
Os dois tipos de solidariedade já citados anteriormente estão relacionados com o “espaço” ocupado na mentalidade dos membros da sociedade pela consciência coletiva e pela consciência individual.
A primeira seria o conjunto de crenças e sentimentos comuns a maioria dos membros de uma determinada sociedade. a consciência coletiva é em suma o reflexo da própria sociedade e é adquirida pelo individuo através dos processos de socialização naturais que ocorrem ao longo da vida.
A consciência individual, como o próprio termo diz, é aquela especifica de cada um, composta por suas individualidades , hábitos, crenças e pensamentos próprios de cada individuo.

“Que é fato social?”, Émile Durkheim

Em sua obra, Durkhein estabelece regras do que é realmente objeto de estudo da sociologia, o que é fato social.
Os fatos sociais possuem três características fundamentais: exterioridade (vem do exterior, independentemente da consciência individual), coercitividade ( o fato social deve estar fora de nós, valendo-se de um poder autoritário) e generalidade (quanto mais geral for o fato maior será seu poder de imposição sobre o individuo). segundo o próprio Durkhein: “fato social é toda maneira de agir, de pensar e sentir”, está fora das consciências individuais, possuindo um poder de coerção sobre os indivíduos. Para Durkhein, a sociologia cometia o erro de partir das idéias para os fatos e não dos fatos para as idéias, trazendo assim ao estudo social subjetividade e não objetividade. Via ainda com descrença a idéia de Conte de que a humanidade caminha ao aperfeiçoamento pois acredita que a evolução da humanidade não existe no mundo real. O sociólogo francês acrescenta três regras ao método sociológico: A primeira regra é que todos os sociólogos devem afastar os fatos fora da ciência, a segunda é que o cientista deve definir o fato social que ele deseja explicar. A terceira regra é que todo sociólogo explore os fenômenos sociais, esforçando que eles sejam isolados das manifestações individuais. De modo geral, evidencia-se que a sociologia decorre de uma evolução da ciência, os fatos sociais devem assim ser tratados como “coisas”, livres de preconceitos e subjetividades, buscando assim uma análise mais critica e objetiva

"Curso de Filosofia Positiva" e “Condições do estabelecimento do regime positivo”, Augusto Comte

A explicação de fenômenos naturais e sociais por meio de leis científicas é o principal objetivo de Comte em “Curso de Filosofia Positiva”, afirmando três estágios para a analise da realidade: o estagio teológico, o metafísico e, enfim, o positivo. No primeiro, busca explicações baseadas na religião. No segundo, Deus é colocado de lado e o homem se vê sozinho e ignorante, estagio este transicional entre o teológico e o positivo. Já no terceiro, a humanidade baseia-se nas leis que regem a natureza e a sociedade para explicar e compreender os fenômenos existentes.
Sendo assim, comte põe em destaque diferentes aspectos da ordem social, abrangendo aspectos políticos (onde não defende nem a revolução nem a democracia, sendo o regime republicano o modelo político positivista), religiosos e civis, destacando inclusive os aspectos assistencialistas em relação a classe proletária e melhorias educacionais.
Fato é que o positivismo hoje se vê ultrapassado diante da nova ordem social vigente, porém, é inegável sua importância no decorrer da história assim como aspectos importantes até os dias atuais.

Filme: "Ponto de Mutação", Fritjof Capra


Sonia, Thomas e Edwards são os principais personagens de “ponto de mutação”, filme inspirado no livro “The turning point”. Sonia é uma cientista que possui amplo conhecimento sobre a mecânica do universo e do pensamento. para ela, o método mecanicista proposto por Descartes, mesmo tendo importante valor no contexto em que foi proposto, encontra-se ultrapassado tendo em vista as exigências da sociedade atual para um maior desenvolvimento cientifico e intelectual.
Thomas é um poeta, e valendo-se da poesia, em determinado trecho do filme, aborda a idéia de que nenhum ser - humano é uma ilha isolada, mas que cada um faz parte de um todo. Sendo assim, já que tudo se interconecta, é fundamental o conhecimento do todo para compreender determinada parte, e é justamente esse tipo de pensamento o necessário para a sociedade pós-moderna.
Edwards, por sua vez, tenta através do debate ( ponto forte seu já que é um político) demonstrar que as idéias cartesianas ainda são válidas, porém, acaba vendo-se sem mais argumentos que sustentem o emprego de tal método nos dias de hoje.
“Ponto de Mutação” propõe uma nova percepção de mundo onde o pensamento focado no todo, e não nas partes individuais que compõe esse todo, seria solução para a crise paradigmática da sociedade pós-moderna. porém para isso é fundamental que cada um consiga implantar essa teoria em sua própria vida. é justamente nesse ponto que se encontra o maior problema desse novo método, uma vez que mesmo os principais personagens do filme não tiveram êxito em tal tarefa.

"Novum Organum", Francis Bacon

Assim como Descartes, Francis Bacon em sua obra “Novo Organum” propõe novas ferramentas para os homens desprenderem-se do conhecimento metafísico e fazer ele mesmo uma compreensão do real. O plano de bacon era produzir novos caminhos para a verdade, aplicando-os aos estudos da natureza.
Ele buscava uma metodologia cientifica em forma de pesquisa experimental e pensamento indutivo. Visava uma Análise sistemática dos fenômenos naturais, que por meio de métodos experimentais seria possível utilizar a indução para formulação de conceitos verdadeiros.
Palavras chaves para o pensamento de bacon são: pesquisa experimental e pensamento indutivo empirista, deixando claro em seu texto uma critica aos ídolos (“preconceitos e noções falsas que dificultam a percepção da realidade”).
Dessa forma, ao longo de “Novo Organum” fica clara a idéia de que o ideal seria perder os hábitos viciosos da mente para assim poder fazer uma análise intelectual própria e concreta..



"O discurso do Método" René Descartes.

Dedicando-se a diferentes frentes de estudo e com o conhecimento de diferentes culturas, Descartes pode ter uma forma específica de analisar a filosofia e estudá-la, propondo para isso uma forma mecanicista de interpretação e analise. Sendo assim, o método de estudo é fundamental para uma boa interpretação. É necessária uma filtragem, separando o útil do inútil, o necessário do desnecessário, para assim se chegar a melhor analise possível sobre determinado estudo.
Tal racionalidade deve ser aplicada para evitar a alienação e o senso comum. Aplicada de forma correta, tal metodologia de estudo pode ser aplicada em qualquer área, tendo ainda hoje incalculável importância para o maior aproveitamento possível de qualquer conteúdo.



Especializar para unir

Em "A divisão do trabalho social", o principal aspecto discutido por Émile Durkheim na divisão do trabalho é seu efeito moral: a solidariedade coletiva. Por ela, trabalhadores de baixos níveis sociais se resignam a continuar com seu labor desprestigiado e estabelece-se uma consciência coletiva. Essa une diferentes classes sociais em busca de um complemento (por exemplo: os burgueses precisam do trabalho do proletariado, e o proletário precisa do capital burguês). Essa solidariedade coletiva pode ser vista externamente como mera forma de controle; mas para Durkheim, é uma forma de manter a sociedade coesa. Já a consciência coletiva cria modelos de comportamento e, consequentemente, o Direito. As leis são a manifestação observável dessa solidariedade, e o crime é o ato que contraria a consciência coletiva. O Direito Penal é repressivo. Já o Civil, o Processual, o Administrativo e o Comercial são restitutivos.
A solidariedade social (abandonando o sentido filantrópico da palavra) vai além do aspecto econômico. Vincula indivíduos, em busca de um objetivo comum, que outro modo viveriam separadamente. Assim, a divisão do trabalho é condição para que a sociedade exista.
A família é a microsociedade que irradia a forma primordial da divisão do trabalho. Através de sua divisão sexual do trabalho, a sociedade passou a diferenciar o trabalho sexualmente. Daí conclui-se que, para que hoje exista divisão econômica do trabalho, é necessário que tenha existido diferenciação social. E para que todos sobrevivam (dentro da necessária formação social), aceita-se cada qual em sua função - o que aprofunda as diferenças.
Em sociedades mais primitivas, há menor diferenciação social. São baseadas na organização de clãs (com origem familiar), na qual é característica a solidariedade mecânica (imposta pela coletividade) e o direito predominante é o repressivo.
Nas sociedades complexas há maior diferenciação social (e, consequentemente, maior divisão do trabalho) e são baseadas numa organização que vai além dos grupos familiares (instituições de maior coletividade), na qual predonima a solidariedade orgânica e o direito restitutivo (restaura-se a ordem). Durkheim explica as sociedades complexas como contratos individuais que se baseiam no estado de consciência coletiva, ou seja, a estrutura socio-jurídica é reflexo da "opinião geral" sobre comportamentos.

"Evolução" científica

Em "Curso de filosofia positiva", Augusto Comte caracteriza o positivismo como a defesa do método, o distanciamento entre observador e objeto estudado, a objetividade científica. Critica conceitos abstratos que parecem ser científicos, usando como exemplo a psicologia, pois haver psicólogos que leram Bacon e Descartes não constitui ciência objetiva de conclusões concretas.
O autor institui o positivo como etapa final da compreensão de mundo. Declara que é necessário que o homem passe pelas etapas teológica e metafísica, porque são maneiras de se enxergar e explicar o mundo. Deus e a natureza serem explicações últimas de fenômenos demonstram tentativa de entendimento, o que é indispensável para se estabelecer o regime científico do positivismo (sendo Bacon, Descartes e Galileu precursores do mesmo).
De acordo com Comte, a sociedade industrial só pode ser compreendida pela física social, que completa os fundamentos da ciência moderna. A física social é posta como parte de todo o conjunto da ciência, necessária para o entendimento social e dependente do conhecimento de todas as outras áreas (menos importantes, na hierarquia "evolutiva" de conhecimento do autor). Apenas fundamentando-se em todas as outras áreas do conhecimento, o físico social pode tirar conclusões seguras de seus estudos.
A proposta positivista se baseia, fundamentalmente, em: conhecimento das leis mais gerais, sociais, chamadas "leis lógicas" dos fenômenos, sendo a estática as condições orgânicas (individuais) e a dinâmica o fluxo social efetivo (espírito coletivo); instaurar uma educação geral, destruindo a divisão da ciência em ramos independentes; combinação de conhecimento de várias áreas da ciência para a construção de um conhecimento científico de fato, positivo; e acabar com a "anarquia intelectual", gerada pelo convívio das três filosofias diferentes (teologia, metafísica e positivismo) pela instituição da filosofia positiva.
Para Augusto Comte, a desordem político-social decorre da desordem intelectual. Portanto, é preciso fixar a teoria positiva para que não haja mais revoluções intelectuais e, consequentemente, sociais. Para fixar o positivismo, embora possa levar muito tempo, o autor defende a redução do número de possibilidades de explicação para os fenômenos pelo apreço ao método, até que um dia se chegue a apenas uma aceitável.
Comte explicita a importância da teoria como interpretação do mundo e da prática como transformação da natureza e diferencia a ciência (teoria) e a técnica (aplicação). Para superar sua fragilidade física, o ser humano alia a teoria à prática na forma da engenharia. Mas a teoria é posta como a base racional do conhecimento positivo, já que a filosofia positiva busca as leis do universo mais do que vislumbra o mundo concreto.

Manifesto Comunista

O Manifesto Comunista começa falando sobre a luta de classes na história, que sempre existiu um conflito entre classes opostas inerente à época. O que no tempo do Manifesto é o embate entre burgueses e proletários, antes esteve representado nas diferenças entre nobres, servos, clero, ou regressando ainda mais na história: escravos, plebeus e patrícios.
A burguesia já é velha em guerras, antes de dominar a sociedade, esteve também oprimida. Porém através de muito esforço, conquistou seu espaço e ascendeu ao poder. Aquela que era antes o objeto de exploração de tributos reais, antes terceiro Estado, é agora a classe dominante, ela detêm o poder político-econômico. Marx ressalta o aspecto revolucionário da burguesia, e afirma que ela deve estar sempre revolucionando os instrumentos de produção.
O proletariado é de onde é retirada a riqueza da burguesia. Da mais-valia explorada sobre seu trabalho, enriquecem o senhor fabril. Criando um abismo entre o proletariado e o burguês, e ainda diminuindo aqueles que existiam entre os dois extremos, capitalismo intensificou a luta de classes. O capitalismo criou a classe à qual sucumbirá.
É interessante a forma como a burguesia é descrita, se fosse lido somente o começo, isolado do resto, daria uma ideia de exaltação de seus feitos, quase como os trovadores medievais enaltavam um evento em seus canções. Esse tom que beira a exaltação converte-se para o proletariado, mas agora de fato é uma exaltação, um enobrecimento de sua missão.


A Humanidade acima do homem

Ao longo da Terceira Parte do Curso de Filosofia Positiva de Auguste Comte entra-se em contato com visões particulares do autor acerca de seu positivismo relacionado a questões do social (agitação política, classes sociais, moral religiosa e a busca pela felicidade).

Comte disserta a respeito da necessidade de uma reforma das mentalidades como forma de substituir a anarquia intelectual, que é fonte da estéril agitação política. Para tanto seria necessária a superação de conflitos relacionados à intensa especialização cientifica em nome de uma visão que privilegie o todo, despertando, assim, uma visão de conjunto e uma educação universal.

A visão do autor quanto às classes sociais é a de defender a manutenção dos lugares sociais. Existem duas ordens de inteligência (empreendedor e operador direto), de maneira simplificada, a primeira pensa, enquanto a segunda executa. Ocorre uma substituição da perspectiva de participação no poder político por uma “indispensável participação contínua no poder moral” para o proletariado (considerado como tabula rasa pelo autor por ter maior predisposição a educação positiva).

Congruente a manutenção dos lugares sociais a moral resultante da experiência positivista (moral essencialmente humana), traz a sobreposição da sociedade em relação ao individuo (“homem propriamente dito não existe, existindo apenas a Humanidade”), preceito contrario ao da moral cristã, que coloca como finalidade do individuo a busca pela salvação (pessoal) e coloca o bem publico como objetivo final da busca pela felicidade, dando maior importância a essa felicidade relacionada ao bem publico do que à felicidade de ordem pessoal.

É possível notar nesse discurso de Augusto Comte que seu ideal de Humanidade, de primazia da sociedade sobre o indivíduo, de busca da felicidade no bem publico vem paulatinamente sendo substituído por um forte individualismo reforçado pelo incentivo da mídia ao consumismo e ao narcisismo.