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domingo, 8 de março de 2020

Qual a razão que nos move?


Qual a razão que nos move?
A partir da Terceira Revolução Industrial, com o aperfeiçoamento das tecnologias, as relações sociais passaram a serem movidas por contatos virtuais. Dessa forma, ocorreu a necessidade da interação do mundo virtual com o real. Entretanto, apesar das máquinas conectarem o mundo, com a vantagem do fácil e rápido acesso, retardaram o desenvolvimento racional da mente humana. Logo, erroneamente a sociedade contemporânea, pode ser alvo de manipulação do comportamento e perda dos reais valores.
Segundo a teoria dos ídolos, elaborada por Francis Bacon, a cura da mente humana só é possível, por meio da libertação das falsas representações, que limitam a razão. Hodiernamente, os indivíduos ficam presos a pequenas telas, chamadas smartphones, essa necessidade do uso intenso e frequente dos celulares, impedem os seres sociais de manterem comunicações saudáveis e relações que são construídas somente a partir do contato real. Assim, uma ferramenta com o objetivo de auxiliar as atividades humanas, é capaz de agir como impasse para a integração social, sem contribuir de maneira positiva para a melhoria do mundo.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 94,6% dos usuários usam a internet para o acesso de redes sociais. Ademais, o exibicionismo digital presente em tais aplicativos, são responsáveis por determinar a posição do indivíduo na sociedade. Desse modo, internautas com muitas curtidas e visitas no perfil, ganham visibilidade e facilidades no meio virtual, o que dá a tais pessoas, status e prestígio social. Com isso, o mundo se move em prol de acessos e likes, que montam uma ilusão de vida diferente da realidade, em outras palavras, o cenário virtual não mostra as dificuldades, a fome, a miséria, as desigualdades e os preconceitos enfrentados na sociedade.
Portanto, a conscientização do mundo virtual ser uma ferramenta de auxílio aos indivíduos sociais é fundamental para que este não ultrapasse a questão de domínio do ser. Logo, é justo afirmar que o desenvolvimento tecnológico pode trazer impactos positivos aos estudos e, o próprio desenvolvimento da razão, desde que o primeiro não seja capaz de moldar o modo de ser do segundo, pois a partir de tal atitude, toda a forma de pensar perde sua individualidade e passa somente a ser reproduzida. Em outras palavras, o mundo virtual trabalha com máquinas que irão de fato substituir muitas atividades realizadas pelo homem, enquanto a realidade, precisa de seres humanos para construção de um pensamento crítico e racional.

(Des)informação como sinônimo de conhecimento na era da pós-verdade



Em 2018, o discurso de que havia uma “hegemonia cultural esquerdista” a ser derrotada no país ganhou força, culminando na eleição - antes impensável - do representante dessa máxima como Presidente da República. A crença de que as forças políticas de esquerda do país estavam moldando o pensamento de jovens nas escolas e universidades e impondo determinados estilos de vida à população se fixou como verdade absoluta incontestável e se difundiu - muito graças ao advento de redes sociais como o WhatsApp -, intensificando o fenômeno das fake news.
Nesse sentido, grande parte dos brasileiros foi levada a acreditar na chamada dominação esquerdista e no combate que deveria ser travado contra ela, mesmo que muitos dos fatos alegados fossem sequer comprováveis na realidade. Tal situação evidencia uma forte característica relacionada à primazia da pós-verdade, situação na qual os fatos objetivos têm menos influência do que os apelos às emoções e às crenças pessoais. Assim, neste momento, parecemos estar inseridos em um contexto no qual a verdade sobre os fatos não mais importa, dando-se relevância somente às opiniões individuais de cada um, que, de certo modo, não precisam ser mais fundamentadas, sob uma ótica distorcida de liberdade democrática. É como se cada um só fosse capaz de acreditar naquilo que permeia seus pensamentos, se tornando inapto a olhar a realidade do “outro”.
No entanto, como vivemos em uma época em que se dispara informações de qualquer tipo e a todo momento, nos canais midiáticos e nas redes sociais, isso acaba ensejando na consolidação de um senso comum reprodutor dessas noções recebidas, o que seria chamado, por Francis Bacon em sua obra “Novo Organum” (1620), de antecipações. Tais ideias, por soarem mais familiares, penetram o intelecto com maior facilidade, tanto graças às diferenças de impressão, de educação e da natureza própria de cada um (ídolos da caverna), quanto devido às interações pessoais e sociais que evidenciam o poder do discurso - imposto de maneira imprópria - sobre a formação do entendimento de mundo das pessoas (ídolos do foro). O conceito de ídolos, na concepção baconiana, corresponde a falsas noções que obstruem e perturbam o acesso da verdade.
Se essas informações, contudo, fossem sempre checadas e analisadas, de acordo com o que é racional e pode ser comprovado pela experiência, estar-se-ia frente à interpretação dessas informações, processo que seria capaz de construir conhecimento como atividade pública e cumulativa, tal como René Descartes propôs em seu escrito “Discurso do Método” (1637). Do exposto, infere-se que a proposição dos dois supramencionados autores é a de que a ciência, na modernidade, não pode mais se pautar no senso comum, ou seja, é preciso romper com a filosofia tradicional, a qual não tem compromisso com uma transformação de mundo. Entretanto, o que fazer quando o senso comum e simplista mascara-se de visão “antissistema”, tal como tem acontecido na contemporaneidade, sendo que, na verdade, não passa de um discurso mantenedor da ordem e do poder das classes dominantes disfarçado de novidade? Compreender esse fenômeno me parece ser um grande desafio da era pós-moderna, em que prevalece a pós-verdade.

Fabiana Gil de Pádua

Métodos científicos modernos: a base para a ciência atual?

 Desde períodos mais remotos, os indivíduos buscam um meio de desenvolverem a ciência a fim de encontrarem verdades absolutas. Isso, de fato, foi o objetivo de grandes filósofos da época moderna, precipuamente no que tange às pesquisas do conhecimento realizadas por Descartes e Bacon.  
 Sob perspectivas divergentes, esses filósofos utilizaram de meios singulares e essenciais na consolidação da ciência. Primeiramente, Descartes se concentrou na razão, a qual deve ser baseada na dúvida inicial e na posterior análise em etapas. Partindo desse pressuposto, de que a premissa básica do conhecimento é a dúvida, nota-se que, séculos depois de seus estudos, Descartes continua sendo uma fonte imprescindível para a absorção de conhecimentos verídicos. Isso é exemplificado, na atualidade, pelos inúmeros casos de fake news e teorias de conspiração que assolam o âmbito social. Pela falta do uso do método cartesiano, os indivíduos acreditam em falsos conteúdos, acarretando o surgimento de movimentos como o de antivacina. Esse, por sua vez, origina problemas de saúde pública e agrava as medidas de prevenção a doenças. Percebe-se, logo, que a ausência do estudo filosófico de textos do século XVII desencadeia impasses graves na sociedade contemporânea.  
 Contudo, enquanto Descartes prioriza a razão, Bacon defende um posicionamento empirista, que também se enquadra perfeitamente na sociedade do século XXI. Os experimentos são essenciais para as mais diversas áreas da ciência, a fim de comprovar determinados aspectos e tornar verídicas as pesquisas. Entretanto, o estudioso deve compreender que a verdade absoluta, embora seja o objetivo inicial do método científico, nem sempre é alcançada completamente, pois novos estudos podem surgir e desmentir teorias vetustas. No texto de Edgar Morin, “Por uma reforma de pensamento”, o autor demonstra que a ciência é mutável, já que existia no universo uma ordem racional, até que a partir da segunda lei da termodinâmica, a desordem é comprovada. Assim, percebe-se que o método de experimentação defendido por Bacon é dependente de uma aceitação geral de que a ciência pode sempre ser superada por si mesma.  
 Diante das discussões proporcionadas pelas obras de Descartes e Bacon, conclui-se que os métodos da Época Moderna são fundamentais para o alcance tecnocientífico da atualidade, pois servem como um direcionamento para os estudiosos contemporâneos. Tanto a razão quanto a experimentação são princípios de organização não só da ciência, mas também da sociedade. A partir deles, é possível evitar as informações enganosas e o conhecimento superficial dos sentidos. 

Mariana Pereira Siqueira - 1° ano - Diurno.

Conhecimento moderno na contemporaneidade

  René Descartes, filósofo racionalista, físico e matemático francês da Idade Moderna, em sua obra “Discurso do Método” aborda a razão -bom senso- como uma propriedade humana de discernir o que é certo e errado além de discutir sobre o método da “dúvida hiperbólica” que aplicou em si mesmo com o intuito de compreender melhor o mundo, e descobrir algo genuinamente verdadeiro e confiável. Com o mesmo objetivo de Descartes, criar uma nova forma de conhecimento, Francis Bacon, considerado o pai da filosofia empirista em sua obra “Novum Organum”, propôs uma forma de aprendizado pautado nas experiências humanas e discute a importância da vivência empírica na metodologia cientifica. Bacon desenvolveu também o conceito de “Ídolos”, ou seja, noções do mundo que na realidade não são reais, e impedem o acesso a verdade.
  É notável que contemporaneidade brasileira designa um cenário de descrença e incompreensão aos valores das mais diversas culturas, a exemplo dos treze primeiros dias do ano de 2020 que foram registrados ataques violentos contra indígenas e quilombolas. Segundo o site “Brasil de Fato”, cerca de 180 famílias Guarani e Kaiowá sofreram ofensivas de seguranças privados em Dourados, no Mato Grosso do Sul.  Nesse aspecto, é inegável que a sociedade brasileira ainda possui uma visão etnocêntrica em relação as várias etnias do seu próprio país.
  Sob esse viés, o ceticismo que guia o pensamento cartesiano e a filosofia empírica de Bacon, podem ser relevantes na atual circunstância brasileira. Afastar-se de tudo que se acredita a fim de descobrir algo verdadeiro, duvidando e questionando suas ações, é também repensar todos seus valores culturais, crenças, filtrar pensamentos imediatistas, acríticos e preconceituosos, ademais como o conhecimento, segundo Bacon, também pressupõe experiencias e vivência, podemos entender o “outro” mas nunca ser o “outro” já que não estamos no seu local de existência, fato esse que nos ajuda a compreender a importância de respeitar os pontos de vista divergentes. Logo, tais linhas de pensamentos citados, podem contribuir para a sociedade pós-moderna ter atitudes mais relativistas em relação as culturas, quebrando o “ídolo” de uma visão etnocêntrica, além de nos fazer refletir sobre o bom senso, -a razão-, ponto fundamental para que se respeite o outro, já que as vivências dele são diferentes das minhas, portanto, o conhecimento dele apesar de diferente do meu, são iguais relevantes para o mundo.

Maria Clara Ramos Okasaki - Diurno - 1º ano de Direito

A Constituição em seu Estado de Metamorfose

         Durante um jantar corriqueiro, vários amigos de longa data se encontraram e trataram de colocar o papo em dia. Dois dos ali presentes exerciam a magistratura e demonstravam grande interesse na área da sociologia de modo que começaram a discorrer a respeito da necessidade de elaborar uma nova Constituição ou então de alterar a que estava em vigor.
            De imediato encontraram algo em que concordavam: a Constituição de 1988 fora elaborada em um período reacionário à ditadura, um período conturbado, e desde aquela época, a sociedade vislumbrou diversas mudanças no âmbito das relações humanas, por exemplo, de modo que a mesma não mais abrange toda a sociedade e não representa os interesses e necessidades da mesma. Com isso, os dois homens começaram a discutir a respeito de como poderiam usufruir do recurso presente na Constituição que a torna passível à diversas mudanças sem desconsiderar nenhum grupo da população brasileira, a fim de adequá-la a nova realidade que nos norteia. Fazendo um paralelo à Descartes e Bacon, observa-se que o conhecimento é o grande instrumento responsável por gerar essa transformação.
            Um deles foi premeditado e afirmou que a justiça era igual para todos e que qualquer alteração que realizassem atingiria com certeza toda a população, independentemente do grupo ao qual faça parte. O outro discordou imediatamente e questionou seu colega sobre a veracidade da frase “a justiça é igual para todos” pois basta um olhar mais crítico para perceber que essa frase não aplica-se na realidade e que a justiça, na verdade, é parcial. Com isso, o segundo homem sugeriu que utilizassem dos métodos propostos por René Descartes e Francis Bacon, a fim de não se “cegarem” com o senso comum  e acabarem por cometer erros como o observado acima. O erro cometido, para Descartes, não pode ser considerado como evidência para afirmar que uma pessoa é mais racional que outra, e sim que elas percorreram caminhos diferentes para chegar a uma conclusão.
            Após discorrerem durante um grande período de tempo acerca dos novos métodos criados por esses filósofos para chegar ao conhecimento, descobriram a melhor maneira para serem imparciais em suas sugestões de medidas que devem ser alteradas ou incluídas na Constituição favorecendo todos os grupos, sem segregar nenhum indivíduo. Para que isso se tornasse possível, teriam de utilizar da razão e da experiência, que seria obtida com uma grande interpretação da natureza, assim como diziam, respectivamente, Descartes e Bacon. Apenas com a neutralidade, a imparcialidade, e com a análise de diversas variáveis, que seria garantida por meio da interpretação da natureza (da experiência), eles conseguiriam superar o senso comum e obter o conhecimento necessário para transformar a Constituição de 1988 em uma mais justa, que abrangesse realmente toda a sociedade brasileira.
            A partir desse momento, os juízes passaram a realizar pesquisas e observações, evitando ao máximo caírem no senso comum ou serem influenciados pelos ídolos de Francis Bacon (falsas percepções do mundo) e assim, elaboraram diversas emendas que, para eles, trariam a Constituição de 1988 para a atualidade. Assim como Descartes, eles disponibilizaram suas descobertas e suas conclusões ao público para que o mesmo pudesse ajudá-los a ir além e a conquistar a tão almejada justiça para todos.

Júlia Martins Amaral - 1º Ano - Direito Matutino

Negacionismo na contemporaneidade

Muito embora a humanidade tenha desenvolvido métodos e ferramentas de produção e aprimoramento científico, assim contribuindo para a transformação do conhecimento em todos os campos das ciências humanas e da natureza, o atual cenário do pensamento crítico se encontra abalado. Do termo "négationnisme" (francês), o "negacionsimo" designa a negação, a fuga e a refutação infundada de uma determinada ralidade comprovada e dada como concreta, o que se encaixa perfeitamente nos recentes episódios dos movimentos anti-vacina, do "terraplanismo" e da tentativa de reescritura da história, como por exemplo a negação da escravidão e do holocausto. 
Nessa medida, esse termo se torna o oposto e a mais verídica forma de contradição em relação ao desenvolvimento dos fundamentos epistemológicos e de método para a produção de conhecimento, observados tanto em "O discurso do Método", de René Descartes, quanto em "Novo Organum", de Francis Bacon. Ambos, filósofos do século XVII, preocuparam-se em construir fundamentos concretos para o desenvolvimento do pensamento, seja por meio da racionalidade, seja pela experiência. Logo, quando Descartes propõe a utilização da razão como norteadora da construção do conhecimento, ele demonstra a necessidade de se pensar ceticamente e de duvidar de tudo, a fim de eliminar quaisquer dúvidas e, assim, conceber uma verdade irrefutável. Por outro lado, Bacon entende que além da necessidade racional de se pensar as coisas, faz-se necessário o uso da experiência e da experimentação contínua para a promoção de um conhecimento verdadeiro, ou seja, uma certa interpretação da natureza e do cotidiano e da eliminação de ideias atreladas ao senso comum e, tal como utiliza em seu livro, da eliminação dos "ídolos". 
Então, no momento em que a biologia se apoiou no método cartesiano e no empirismo baconiano para a comprovação e efetivação da vacina como meio de se prevenir doenças, como também quando a história concebeu o conceito de "holocausto", pautada nos eventos históricos não tão distantes, e certas pessoas e grupos de indivíduos refutam essas ideias baseados em pensamentos de caráter puramente opinativo e subjetivo, no intuito de promover um tipo de conhecimento infundado, distante de um método e de uma estratégia, os fundamentos do conhecimento e da ciência são amargamente feridos e se comprova a necessidade contemporânea dos pensamentos setecentistas.  
Por fim, apesar da enorme distância temporal existente entre o início do pensamento crítico e científico, com Bacon e Descartes, as proposições desses filósofos são de extrema validade e importância até os dias atuais, principalmente no combate à desinformação e ao "negacionismo" vigentes na sociedade globalizada do século XXI. Portanto, a refutação rasa desses movimentos negacionistas não passa, ou de uma falta de leitura e conhecimento acerca dos autores fundadores da ciência contemporânea, ou de uma onda de más intenções de certos indivíduos. 

João Cenamo Baldi de Freitas - diurno -  1º ano de Direito. 

Ascenção do Obscurantismo


René Descartes e Francis Bacon, no século XVII, versaram sobre os erros da construção de conhecimento tradicional, lançando as bases da produção científica moderna. Seus escritos, apesar de parecerem antigos, ecoam através dos séculos e se mostram extremamente atuais.

Em uma época de fortalecimento dos mitos e ídolos, tradicionalismo e negacionismo científico, é imprescindível que as ideias que formaram o pensamento científico sejam retomadas. Uma literatura que critica o senso comum e o ensino tradicional, a filosofia clássica e o exercício da razão meramente como ocupação, sem propósito, se mostra necessária.

Nos últimos anos, o aumento do obscurantismo no Brasil e no mundo demonstram o desprezo pelo processo de conhecimento construído ao longo dos séculos, com base no método científico. Dessa forma, é essencial retomar as ideias de Bacon e Descartes, valorizando a junção entre razão e experiência, através de mecanismos auxiliares, de modo que os ídolos sejam superados, os mitos expostos, para que a reconstrução científica proposta por Descartes a quase meio milênio possa ter continuidade.

Sofia Malveis Ricci - Direito - Noturno - 1º ano

Sociedade da mediocridade

        No final 2019,brasileiros se reuniram na cidade de São Paulo para discutir sobre o terraplanismo,com diferentes teorias para defender o seu ponto de vista.Esse senso comum vem se intensificando a alguns anos,mesmo com estudos detalhados que demonstram o contrário.Um exemplo desse contraponto são as imagens feitas por astronautas comprovando que a Terra é esférica.Tal falta de percepção do mundo é tratada por  Bacon ,em seu livro Novum Organum,pelo conceito de ídolos.Esse encontro da loucura pode ser retratado como um exemplo de ídolo do teatro ,haja vista que as suposições são baseadas em meras supertições ,sem nenhum embasamento empírico ou racional.                                                                                                                                                         A aceitação de caminhos mais fáceis para a resolução de problemáticas é inerente ao ser humano,os chamados dogmas estão presentes ao longo dos séculos,por teorias,como a Terra plana.Além disso,muitas pessoas seguem determinadas ideologias sem um questionamento prévio e são influenciadas por outros cidadãos.Para Bacon, isso representa os ídolos da caverna,pois assim como na história de Platão ,os homens não conseguiram superar as amarras que os prendem a uma visão limitada de mundo.                                                                                                                                    Logo,fica evidente que ,alguns homens ao invés de seguirem caminhos seguros para obter  conhecimento ,como o método cartesiano que propõem passos cientícos,preferem seguir teorias sem nexo.Tal fato representa um retrocesso,uma vez que essa busca por conhecimento  está a disposição de todos.                                                                                                                                                               João Vitor Sodré Dias Galvão -Direito Noturno(1° ano  )

Entre a luz e a escuridão: abismos do conhecimento


Evolução. Evoluir, segundo a biologia, é o processo no qual ocorrem transformações e variações nos seres vivos, originando uma nova espécie. Porém, considerando a evolução científica, não surgiram novas espécies, mas novas formas de pensamento e de interpretação do mundo que cederam espaço para a ascensão de dois grandes nomes: René Descartes e Francis Bacon, fundadores das bases da ciência moderna, a partir da experimentação e da razão. Nesse contexto, o método científico se estabelece como o instrumento para construção do conhecimento verdadeiro, a partir da observação da natureza, ou melhor dizendo, da experiência sensível como definido por Bacon, através da lógica racional, dispostos como fundamentos da ciência moderna que revolucionaram a percepção de mundo medieval.
Não apenas em meados de 1600 e 1700, os escritos de Bacon e Descartes ainda se fazem presentes e inserem-se na realidade atual de forma a guiar a busca pelo conhecimento, conciliando a observação e interpretação da natureza, orientados pela razão e a partir do uso de instrumentos, métodos aplicados por cientistas na pesquisa de vacinas e remédios para tratamento da Covid-19, ou como mais popularmente conhecido, o corona vírus, mas não exclusivo a esse caso, sendo a base das metodologias de pesquisa de todo o campo. Nesse sentido, a partir do método científico, pesquisadores observam o comportamento do vírus nos infectados, sua evolução e estrutura, para que, seguindo a lógica e fomentados pela dúvida sobre a manifestação de um organismo - até então estranho - possam formular hipóteses e finalmente, desenvolver teorias, pois, assim como defendeu René Descartes, “nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não o conhecesse claramente como tal.”
Entretanto, como toda evolução está sujeita a retroação, assim surge o obscurantismo, que define-se como o estado de quem se encontra na escuridão, privado de luz, ou seja, em paralelo com o Mito da caverna do filósofo Platão, é aquele que não dispõe da luz do conhecimento e da verdade. A ignorância na consolidação do saber verdadeiro, alia-se a correntes de pensamento que não dispõem de bases científicas e podem ser entendidas, na visão de Francis Bacon como ídolos. Ídolos são falsas percepções do mundo que nos levam a conclusões precipitadas ou até crenças desvinculadas da realidade, assim surgem movimentos como o antivacina e os terraplanistas, que tem ganhado força na atualidade e que ignoram a racionalidade e desafiam a experimentação.
Assim, os estudos e levantamentos de René Descartes e Francis Bacon perpetuam a história e consolidam a ciência moderna, que ainda hoje inserem-se em todas as esferas sociais a partir do método, que exige superar nossas convicções e se permitir duvidar, interpretar a natureza de forma a dominá-la, questionar superstições e, principalmente, transformar o mundo, não apenas contemplá-lo, estando dispostos a evoluir.

Ana Carolina de Campos Ribeiro - Direito matutino (1º ano)

Conspiracionismo no século XXI

Com a publicação do livro “O Discurso do Método” no século XVII, o filósofo René Descartes inicia uma revolução na ciência moderna ao propor um método para aquisição de conhecimento e, dessa forma, um caminho mais seguro do que o vigente na época para se chegar a verdades.
Nesse método, ainda em uso pela ciência contemporânea, Descartes convida-nos a utilizar nossa racionalidade para chegar a verdade primordial que é a de que ele existe. A partir dessa verdade, ele propõe que se questione tudo por meio da razão humana. Entretanto, percebe-se que apesar dessas teorias existirem a mais de séculos, pensamentos já refutados pelos cientistas, estão sendo cada vez mais aceitos pela população em geral na sociedade atual. Seja pela falta de informação de alguns, seja pela vontade de desafiar de outros; teorias conspiratórias como o terraplanismo, o movimento anti-vacinação ou até mesmo a de que houve uma falsificação por parte da NASA sobre a chegada do homem à Lua em 1969, evidenciam o quanto o método proposto por Descartes ainda é desconhecido pela maioria da população.
Dessa forma, é inegável que as experiências vivenciadas pelos indivíduos também contribuam para a formulação de seu senso crítico. Sendo assim, além de apenas questionar tudo aquilo que lhes é apresentado, os indivíduos deveriam também considerar as evidências e provas concretas para avaliar a probabilidade de algo ser de fato verdadeiro. Assim, o método indutivo proposto pelo filósofo Francis Bacon mostra-se pertinente a realidade, pois além de se questionar essas teorias conspiratórias racionalmente, deve-se tentar avalia-las de um ponto de vista empírico, buscando na própria natureza elementos que as invalidem, como por exemplo os espelhos retrorrefletores deixados na Lua que medem a distância por meio de um laser; ou a própria sucessão do dia e da noite no planeta Terra, dado que caso a Terra fosse realmente plana, seríamos capazes de ver o sol no céu à noite, invalidando assim a teoria do terraplanismo .

Logo, torna-se evidente que a importância dos métodos tanto de Descartes, quanto de Bacon para se chegar a um conhecimento verdadeiro acerca da realidade. Portanto, é imprescindível que a população de uma maneira geral seja estimulada a conhece-los por meio de incentivos midiáticos do Ministério da Ciência e Tecnologia que busquem ensinar a real relevância da dúvida e do método indutivo, pois com eles é possível um caminho seguro para a obtenção de verdades. 

André Luiz Gonçalves Primo - Matutino - 1º Ano 

Em Terra de Cegos

     No conto intitulado "Em Terra de Cegos", o escritor britânico H.G.Wells descreve um mundo em que a maioria perdeu a capacidade de enxergar e os poucos que enxergam, ao contrário do ditado popular não são reis, tem seus olhos arrancados.
      O conto representa uma excelente metáfora da sociedade atual, com o grande avanço da ignorância, explicitado em casos mais relevantes como o movimentos anti-vacina e o terra planismo. Tais comportamentos obscurantistas revelam uma  ruptura com os métodos propostos por René Descartes e Francis Bacon, bases do pensamento moderno, que influenciam a produção científica a mais de 300 anos.
      Com destaque para Descartes com seu método de aprendizagem revolucionário capaz de colocar em dúvida tudo aquilo que pode ser duvidado,mas com o objetivo de encontrar a verdade e não apenas de um ceticismo sem sentido. Vale ressaltar também, Bacon e seus ídolos (tribo, caverna, foro e teatro), método criado para evitar os erros de natureza humana na síntese do conhecimento.
      Assim, a necessidade de aproximar o pensamento de Descartes e Bacon do ensino infantil, de modo a tornar a educação mais crítica, ensinando desde a base a importância da dúvida no processo de averiguação de de uma informação. Portanto, a educação representa uma cura para a cegueira coletiva da sociedade. Somente assim, os guiados pela razão e experiência não terão seus "olhos arrancados" como no conto de H.G.Wells.
 

Lucas Passos Duran Netto-1°ano Direito-diurno

Descartes e o Homem enquanto máquina


              René Descartes, no seu Discurso do Método, revolucionou todo o pensamento científico e acabou criando as bases da ciência contemporânea. Essas bases são compostas de diversos elementos, dos quais gostaria de chamar a atenção para um especificamente: a compartimentalização dos fenômenos observados.
            No novo método descrito por Descartes, a ciência deve prezar por uma observação dividida, ou seja, se queremos entender o funcionamento de algo, não podemos analisa-lo a partir do todo, mas sim a partir das partes, que somadas formarão o todo. O objeto estudado é decomposto ao máximo em partes menores, a fim de facilitar a compreensão dessas partes diminutas e, portanto, mais simples. Só depois do entendimento dessas unidades, é que se pode reagrupa-las, para então formar um todo, esse sim verdadeiramente compreensível, uma vez que as partes que o formam já foram interpretadas da maneira devida.
          Como havia dito no início, de fato essa nova abordagem redefiniu os rumos da ciência e, quase quatro séculos depois, ainda tem influência. Entretanto, creio que ela causou certas mudanças negativas. Devido a uma série de razões, da qual ela faz parte, a sociedade passou a crer cada vez mais no chamado cientificismo, concepção que acredita que a ciência é a única forma de se compreender a realidade. As religiões, a arte, o senso comum, tudo que não tenha um embasamento na ciência, é tido como falso e inútil.
         Passamos a ver paixões, sentimentos e até pessoas como máquinas, engrenagens, como coisas divisíveis. E diferente do que o método científico cartesiano prega, há certas coisas que não podem ser divididas, sendo o homem uma delas. Não é a razão que diferencia o homem de um verme, mas sim essa indivisibilidade inerente a nós. No mundo em que vivemos, onde as relações interpessoais foram substituídas pelo mercado e pelo Estado, essa visão de mundo com certeza será desprezada e julgada como romântica e ingênua. Talvez ela seja mesmo. Mas mesmo sem conhecer a pessoa de Descartes, eu arrisco afirmar que ele jamais teve a intenção de que sua teoria tivesse esses desdobramentos.
            O homem, antes de ser um animal político ou seu próprio lobo, é um ser altruísta, como nos mostrou o sociólogo Auguste Comte. Não é máquina e sendo assim, não pode ser analisado como tal. Não precisamos de mais ciência para acabar com a fome, o câncer, o aquecimento global ou o desmatamento na Amazônia. A tecnologia, se já não foi descoberta, está para ser. O que falta é amor. Se as pessoas se lembrassem que é só por causa dele que a ciência existe, tudo seria diferente. Enquanto não lembrarmos que “é só amor que conhece o que é verdade”, jamais sairemos desse mundo de fome, doenças e opressão.


           Thiago Campolina de Sousa - Direito Diurno





Poder e saber: a ciência entre a modernidade e a pós-modernidade


         É indubitável o contexto de retrocesso vigente na sociedade pós-moderna no que tange à ciência: ao passo que filósofos do século 17 como o francês René Descartes e o britânico Francis Bacon postulavam fundamentos necessários para a construção do pensamento científico tal como este é conhecido, presencia-se, na atualidade, a ascensão de movimentos que questionam a confiabilidade expressada pela ciência e seus instrumentos. Posto esse cenário, torna-se vital a busca pela origem dessas indagações que colocam em risco o avanço da produção de conhecimento. Encontra-se, então, o diálogo exercido entre o saber e o poder – de tal modo que se compreende a estrutura do obscurantismo intelectual contemporâneo sob a perspectiva de que a nossa razão motriz é a busca pelo controle do meio.
            Paralelamente ao terceiro aforismo de Francis Bacon em “Novum Organum”, que afirmava que “Ciência e poder do homem coincidem”, Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, de 1975, diz que “O poder produz saber (...), não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder”. Sob esse viés, é notável que a produção do conhecimento científico na atualidade volta-se à consolidação da estrutura social de poder e opressão. Isso é decorrente do fato de que a ciência cria custos e demanda investimentos, o que a torna refém daqueles que podem pagar por ela. A exemplo de tal condição, pode-se mencionar a indústria farmacêutica, cuja ciência, necessária para as condições de saúde humana, é comercializada em prol do rendimento de lucros à uma conjuntura econômica capitalista. Ademais, situa-se em uma condição semelhante de rendição a indústria bélica – para qual a ciência atua em favorecimento da destruição através de embates armados e abastece entidades militares em conflitos geopolíticos, favorecendo aqueles grupos que podem financiá-la.
           Diante o cenário supramencionado, cabe ressaltar a maneira com a qual o distanciamento entre a Academia e a grande parte da população colabora na solidificação dos movimentos de anticientificismo. Seja devido à linguagem rebuscada ou por uma dificuldade de acesso à compressão da produção científica, é indubitável que, na modernidade, a ciência está cada vez mais restrita em uma bolha. Enquanto a sociedade apenas se depara com as conclusões dos experimentos e não com os processos e as pesquisas utilizadas para que se alcançasse tal veredito, torna-se popular o questionamento à metodologia e aos instrumentos aplicados. Inflamados pela rapidez da velocidade das informações nas mídias digitais, coletivos contrários à ciência como conhecida passam a ganhar popularidade justamente por dialogarem de maneira horizontal com a população que não está inserida no meio científico. Portanto, embora as constatações dos grupos anticientíficos sejam falaciosas, é relevante que essas ideias não somente sejam desconstruídas, mas também que a origem dessa linha de raciocínio seja avaliada e revertida – reduzindo a distância entre a ciência e o corpo social.
            Assim, entende-se que, embora a discussão no século 17 fosse a construção de um método científico eficaz e confiável, é necessário, no século 21, o debate sobre como mantê-lo, aprimorá-lo e democratizá-lo. Manter o conhecimento restrito a poucos e formulá-lo à luz do interesse do topo da pirâmide social é um comportamento nocivo à própria vitalidade do conhecimento científico, pois torna-o passível da dúvida e do questionamento por parte dos demais. Com efeito, embates como o travado por Bacon e Descartes - considerados pais da ciência moderna - em defesa da racionalidade na produção do conhecimento emergem na sociedade contemporânea e tornam-se cada vez mais atemporais - uma vez que a proteção à gnose deve ser contínua e, sobretudo, efetiva.

Giovanna Spineli de Paiva - Noturno (1º ano)

sábado, 7 de março de 2020

As análises de Bacon que transcendem eras


O inglês Francis Bacon em seu livro Novum Organum faz uma crítica à sociedade moderna e a maneira como a mesma realizava ciência até aquele momento. A obra publicada no início do século XVII buscou demonstrar um método para estruturar o conhecimento de maneira racional. Assim, de acordo com as teses do autor, da mesma maneira que determinadas noções proporcionam um conhecimento verdadeiro, outras podem perpetuar o erro. Tais noções errôneas são denominadas por Bacon de ídolos.
Em primeiro lugar vale destacar que o Inglês cita a presença de quatro ídolos que ofuscam o conhecimento. O ídolo do teatro pressupõe a ideia de que alguns dogmas religiosos, filosofias ou até mesmo ideologias políticas podem reduzir a visão do indivíduo, isto é, a crença exclusiva em determinadas ideias podem comprometer o desenvolvimento da ciência.
Dessa maneira o ídolo do teatro parece atravessar séculos, pois por mais que o texto de Bacon tenha sido publicado somente no século XVII sua critica ao conhecimento duvidoso por meio de noções tendenciosas são extremamente atuais. Assim, após aproximadamente quatrocentos anos ainda nota-se na sociedade determinados grupos que tentam estruturar o conhecimento sem bases teóricas, guiados muitas vezes, pela paixão ou por convicções próprias, que fogem das matrizes acadêmicas.
Assim, no início da segunda década do século XXI é possível observar a ascensão de grupos terraplanistas, o crescente apoio ao movimento antivacina, líderes que buscam confundir a história e entre outros raciocínios que questionam a ciência, porém, muitas vezes, estão associados a visões dogmáticas e tendenciosas.   

Rafael Bronzatto – Direito Matutino   


As Bases da Ciência Moderna e a atual crise na ciência contemporânea


No século XVII houveram vários autores que discutiram a respeito da produção cientifica, suas bases e fins, dentre eles Francis Bacon, e René Descartes. O primeiro, estabelecia a cura da mente e a superação dos chamados ídolos (falsas percepções de mundo estabelecidas por nossas convivências e meio cultural) como o novo método para abordar a pesquisa cientifica. Já o segundo, com uma visão mais moderada, via uma ruptura cautelosa, além da superação das próprias convicções pessoais e a dúvida, como essenciais para um novo caminho para a produção de ciência.
Quatro séculos se passaram, e ao longo desse tempo nossa sociedade acompanhou diversas mudanças no cenário cientifico, seja na evolução da ciência moderna ou no próprio método utilizado. Entretanto, em contramão de todo esse desenvolvimento, houve a ascensão de diversos movimentos que se orientam no obscurantismo, e nos anteriormente citados ídolos da mente, que longe de terem sido superados, parecem estar se consolidando cada vez mais no cenário atual.
Chegou-se a um ponto da ciência, que surgiu-se a necessidade de questioná-la com afinco, sobre tudo, mesmo que já existam respostas e dados apresentados por ela própria, que comprovem muitas de suas respostas. O movimento terraplanista, constatações anti-vacina, e a negação das consequências do aquecimento global são apenas alguns dos exemplos de visões guiadas por esses chamados ídolos, que numa sociedade como a brasileira, fortemente influenciada por mitos, tradições religiosas e conceitos messiânicos, tem ganhado grande apoio e influenciado diversos setores, infiltrando-se até em camadas do governo federal.
“ É o momento da Igreja governar”, disse Damares Alves, atual ministra dos Direitos Humanos, no púlpito de uma igreja evangélica, em vídeo que viralizou recentemente. Frente a isso, apenas me pergunto qual seria a reação de Bacon, frente a uma civilização que ao invés de abandonar seus ídolos em prol do conhecimento cientifico, vem abraçando-os com tamanho fervor em detrimento de qualquer visão que pareça destoar do conhecimento comum, e da crença das massas.

A interação entre a Ciência Moderna e o Homem

 Da ciência moderna 

"Nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal"  René Descartes,  filósofo francês que desenvolve em 1637, pela obra Discurso do Método, o Método Científico pela razão como forma de superar a superstição com que era adquirido o conhecimento. O pensador apenas não imaginaria que após 400 anos, sua obra e seu legado no mundo estariam tão presentes e se fazendo tão necessários como nunca.


O método

  Partindo dos primórdios, Aristóteles, grande filósofo e pensador grego, define que as bases para o método científico se dariam através do mundo (o único, em sua visão), desse modo, não obtendo experiência com o objeto pesquisado, seria impossível de crer por estar inserido no mundo das ideias e ideais platônicos. Já Descartes, partindo do princípio da dúvida metódica, diverge dos pensamentos aristotélicos e escolástico por meio da razão como forma de superar a superstição na construção do conhecimento.
“Efetuar em toda parte relações metódicas completas.” 


Da sociedade

  Com o advento da internet e suas qualidades e males, o princípio de dúvida como fundamental se inverteu em todos os sentidos, trazendo-a tanto para a veracidade do que se é pesquisado quanto para a fonte com que aquele material circula. Podemos tomar como exemplificação o CoVid-19 (popularmente conhecido como Coronavírus), a forma como se alastrou pelo mundo com uma velocidade assustadora, despertando certo pânico e dando margem para inverdades serem transcritas em momentos de desconhecimento.
Ressaltando outro apontamento da Reconstrução Científica, tendo a ciência como elemento voltado para o bem do homem, fazendo com que os cientistas trabalhassem e trabalhem incansavelmente em busca de uma cura ou um melhor tratamento para seus pouco mais de 90 mil infectados ao redor do mundo.


Conclusão

  O ramo da filosofia, a partir da separação através do Método Cartesiano possibilitou uma separação dos conhecimentos e um desenvolvimento tecnológico e científico que reflete tanto na Era Moderna quanto nos dias que correm, dando base para futuros aprimoradores da vertente, dentre eles: Augusto Comte e Albert Einstein. Portanto, apesar de contestações que foram surgindo ao longo do desenvolvimento da ciência através dos séculos que se seguiram, ambos (Francis Bacon e René Descartes) marcaram a história como pessoas que queriam compreender e modificar o mundo à favor do Homem. Partindo para o campo atual, percebemos que a união da comunidade científica pôde assentar sua evolução e reinventar para contribuir não só mais a favor da humanidade, e sim, no que nos rodeia e, eventualmente, nos agride.



GABRIELLE ALVES PINHEIRO - 1º ANO - MATUTINO
    



Teorias Mirabolantes


A partir da ideia de que a ciência é feita usando hipóteses e a contestação delas, a observação do mundo ao nosso redor é essencial, uma vez que é através dos sentidos que cientistas e pesquisadores são capazes de formular novas teorias. É essa a ideia defendida por Bacon em Novum Organum e é o que podemos constatar no dia a dia, quando crianças tentam explicar o mundo ao seu redor através de seus sentidos, por exemplo.
Como na infância tudo é novidade, a criação de “teorias mirabolantes” sobre o mundo é natural, mas quando se chega em outra fase da vida, o uso exclusivo dos sentidos não é suficiente e a razão se faz necessária, com ela é possível deliberar se as constatações físicas fazem sentido e se adequam ao que já é conhecido e estabelecido pela ciência.Com o passar dos anos desde a elaboração do método científico, ele não perdeu sua relevância e independente do surgimento de instrumentos mais precisos, ele provou cada vez mais seu valor, ou melhor, a ciência provou a necessidade do processo para sua existência. O “passo a passo” desenvolvido pelo método científico transformou a ciência e a maneira de se fazer pesquisa, mas não anulou os sacrifícios que precisam ser feitos para tanto. A necessidade de ir além das próprias convicções e verdades, de se libertar de sentimentos (sejam eles religiosos, patrióticos etc) ainda persiste.Apesar da notória importância da verdade e da razão na ciência, ultimamente o crescimento de notícias falsas e de percepções falsas sobre o mundo mostra que a ciência não alcança toda a população. Esse não é um fenômeno apenas de países emergentes, que tem a tendência de não investir tanto em educação, os Estados Unidos, grande potência capitalista, é um dos lugares onde as Fake News surgiram e se espalharam.
Crianças que elaboram teorias sobre o funcionamento do mundo, adultos que acreditam e defendem na internet que vacinas não funcionam, cientistas que perdem bolsas e não são gratificados por seu trabalho são faces de uma mesma ciência que se iniciou há tempos com pensadores como Descartes e Bacon e que agora enfrenta barreiras graças a falta de prudência e a divulgação de informações falsas. Mais do que nunca é preciso ficar atento com o excesso de dados que recebemos e não deixar o método científico apenas nas mãos de quem trabalha com ele, mas adotar os passos de observação, criação de hipóteses e realização de experiências para a vida.

 Aluna: Beatriz Araújo Gomes - RA n* 201223066 - Matutino - Primeiro Ano  

Estou certo de algo?

O homem, em todas as sociedades e em todos os tempos, busca ter conhecimento e, consequentemente, a certeza. Qual tipo de conhecimento? Aqueles que lhes for útil para dominar a tudo que lhe for possível, seja a natureza, seja o corpo humano ou até mesmo o próprio homem. Mas quando que o homem passou a se interessar tanto pelo conhecimento? Sempre, apesar de possuir diferentes objetivos, o conhecimento sempre representou uma ferramenta de poder e de controle.
É difícil imaginar, no entanto, que a ciência como conhecemos hoje tenha sido aplicada a milhares de anos atrás da mesma forma. Obviamente que o método científico foi aplicado de formas distintas, mas possuíam o objetivo de compreensão para que houvesse o controle. Podemos usar, por exemplo, as sociedades nômades do período paleolítico, que, apesar de não usufruir de tanta tecnologia, tinham que estudar o comportamento dos animais para a caça, ou conhecer os frutos do território para não pegarem algo venenoso. Querendo ou não, tal prática requer conhecimento e estudo dos comportamentos animais e as características vegetais das regiões pelos quais passavam. Após a revolução Neolítica, o homem teve que estudar, de forma muito mais intensa, a flora e fauna, visto que, quando a agricultura fora inventada, a fisiologia vegetais e dos animais deveriam ser compreendidos para, respectivamente, a manutenção de plantações e para a domesticação. Enfim, ao longo da história, há inúmeros exemplos de como a ciência fora aplicada sem a aplicação de um método específico.
O que sabemos é que tais estudos funcionaram, e as técnicas desse período conseguiram sustentar civilizações, tanto a europeia, como outras externas. E tais métodos se baseiam na captação sensorial aliada ao raciocínio lógico. De forma extremamente simples e sem levar em consideração outros aspectos, se eu vejo uma semente caindo na terra molhada e, depois de certo tempo, uma planta nasce no mesmo local, eu devo supor que os dois fenômenos estão ligados. Mas e se tal informação não fosse captada? E se, outro exemplo fútil, eu acreditasse que na verdade o que dá origem a outras plantas fossem as fezes dos pássaros, e não as sementes? Seria possível que nunca tivesse existido a agricultura.
Lembro-me do filme Matrix (1999), logo na cena inicial, em que Morpheus, um homem que revela ao protagonista Neo que sua vida não passava de uma simulação de computador, pergunta ao herói o que ele considera “real” e afirma que, se o que ele considera real é aquilo que se pode sentir, cheirar, provar e ver, então real não passa de sinais elétricos interpretados pelo cérebro humano. O filme, ainda que possui forte vínculo com a ação e violência, trata de uma reflexão feita por Platão no mito da caverna, mostrando-nos como nossos sentidos podem ser falhos e acabam apenas nos afastando da verdade. Foi seguindo tal raciocínio que René Descartes escreveu O discurso do método (1637), em que o autor nega a validade do empirismo para a produção de conhecimento, afirmando que o bom senso é a única ferramenta confiável.
Mas será que a razão humana é tão digna de fé assim? Ou na verdade nossa mente que é extremamente falha? O antropólogo Roque de Barros Laraia, ao estudar a cultura e seu impacto nas sociedades na obra Cultura (1986), afirma que diferentes etnias possuem visões de mundo distintos e, portanto, possuem lógicas e raciocínios distintos. Como se pode alcançar a verdade através da razão de cada indivíduo possui uma razão diferente e única? Francis Bacon adota tal desconfiança na obra Novum Organum (1620), afirmando que a mente humana é dotada de vários ídolos que atrapalham na busca pela verdade, e que a única forma da mente humana ser limpa e curada é livrando-se desses vícios.
Ora, se a razão e os sentidos não são confiáveis, como vamos descobrir a verdade se as duas únicas ferramentas não são dignas de fé? Voltemos ao exemplo da agricultura. Como descobrimos, na conquista no conhecimento de botânica para as plantações na pré-história, ou no estudo do comportamento animal para a caça e domesticação, enfim, todos os conhecimentos são considerados verdadeiros simplesmente porque cumpriram seu objetivo. São verdadeiros? Talvez, preferimos acreditar que são porque estamos produzindo tecnologia baseando-se em conhecimentos passados. Mas há certeza absoluta no que já conquistamos?

Bases da ciência moderna e suas aplicações na atualidade



            Teóricos importantíssimos da ciência moderna, René Descartes e Francis Bacon publicaram estudos que revolucionaram a realidade das sociedades da época e que até hoje ditam bases de importantes instituições ou são ainda aplicáveis no estudo da sociologia.
          O método cartesiano, por exemplo, é ainda parte essencial do projeto pedagógico de escolas, principalmente nos cursos pré-vestibular. Esse método é aplicado por professores e posto como ideal no estudo das matérias cobradas nas provas de vestibular no país. Entretanto, características do modelo cartesiano de aprendizado como a expressiva divisão e ausência de interconexão entre os conteúdos e a revisão frequente dos pontos estudados podem não ser benéficas para o efetivo aprendizado dos estudantes. O método cartesiano é, para muitos, uma maneira fácil e prática de se absorver informações, mas, para outros, pode parecer uma forma pouco proveitosa de se estudar, devido à ausência de autonomia e experimentação na construção do conhecimento, elementos estes que confeririam maior verossimilhança ao conteúdo e consequente maior absorção do mesmo pelos alunos que necessitam de uma aplicabilidade da matéria para compreendê-la de todo. Isso faz com que as escolas e cursos pré-vestibular sejam, de certa forma, excludentes ao não variarem o método de ensino ou não disponibilizarem outras opções de projetos pedagógicos, considerando a diversidade de modelos de aprendizado entre os alunos.
         A filosofia baconiana, por sua vez, está presente na realidade principalmente quando levamos em consideração a questão dos ídolos. Estes se expressam na influência que a vida pregressa de alguém e suas experiências possuem acerca da visão de mundo dessa pessoa, fazendo com que seus ideais, valores, opiniões e atitudes dependam do que ela teve ao longo da vida como educação, religião, estruturação familiar e vivência. As consequências disso são distorções da realidade de cada indivíduo, uma vez que os ídolos, por mais diversos que sejam, representam limites à interpretação da vida. Atuam como filtros ou "lentes" na análise social e dos acontecimentos, visto que ditam sob qual espectro o indivíduo age e influenciam diretamente sua leitura do universo

Bases epistomológicas do conhecimento na era da informação

As bases do pensamento moderno, estabelecidas pelas revoluções racionais de pensadores como Descartes e Bacon, foram de extrema importância para o avanço da ciência e da sociedade. O desenvolvimento do método científico permitiu sistematizar a produção de conhecimento, um conhecimento comprovado experimentalmente e feito útil para a sociedade.

No entanto, hoje em dia não é difícil encontrar profissionais e especialistas, supostos homens e mulheres da ciência, expelindo opiniões e teorias insanas, ora de seus próprios campos, ora de outrem. Teorias que seriam facilmente contestadas com a mínima aplicação de um rigor científico, ou identificando os tropeços lógicos em seu desenvolvimento, ou com a simples observação de que as implicações de tais teorias não se sustentam no mundo real.

Como pode isso acontecer tanto nos tempos modernos? Tempos em que muitos dispõem de incríveis ferramentas para a obtenção de informações, para a comunicação com pessoas tão diversas quanto desejarem? A simplística resposta de acusar todas essas pessoas de estarem agindo em má-fé ou serem ignorantes to método científico não me satisfaz. Suspeito que essa "doença" que está infectando todas as áreas da ciência e da sociedade hoje, seja causada por novos fenômenos sociais, e de uma possível obsolescência do método científico, enquanto guia prático da razão do homem contemporâneo.

A adesão de sistemas democráticos em muito do mundo ocidental veio com a implícita responsabilidade de que o bom cidadão deveria estar tão bem informado quanto possível em todos os assuntos que afetam sua sociedade, enquanto isso, os avanços científicos tornaram várias áreas do conhecimento tão complexas que seu avanço agora requeria uma hiperespecialização. Finalmente, com a implementação de uma organização global, todas as sociedades estavam diretamente relacionadas através de sistemas tão complexos como eram diversos, sistemas que o bom cidadão agora deveria entender de forma a poder exercer seu papel democrático.

Então, o homem moderno, envergonhado, exausto e frustrado por tentar e não conseguir ter um conhecimento especializado de tudo (tal oximoro só ressalta a natureza herculeana da tarefa), se viu bombardeado por informações que ele não mais conseguia analisar racionalmente ou comprovar experimentalmente. Desprovido das proteções do rigor científico, mas ainda pressionado a ter que entender tudo para poder ser um bom cidadão e não ser responsabilizado pelas falhas de seu governo, o homem moderno se vê tentado pelos conhecimentos "fáceis", de natureza reveladora e de apelo emocional e psicológico, daí o sensacionalismo, as fake news, as inanidades produzidas por "falar o que o povo quer ouvir".

Enfim, acredito que as bases epistemológicas do conhecimento precisem de renovação, mas não de caráter filosófico e racional, mas de caráter social. Estamos chegando a um ponto em que até o próprio pensamento do homem precisa ser colaborativo para ser efetivo, mas podemos ser muito incompetentes em como colaborar, nos falta a educação e a técnica social para efetivamente distinguir fontes confiáveis de conhecimento, encontrar colaboradores de confiança e competência. E não só no papel de ouvintes, mas também de falantes, quantas vezes já adulteramos a enunciação de nosso conhecimento só para soar mais agradável ao nosso ouvinte?

Proponho que passemos menos tempo minuciosamente analisando o mar de conhecimentos em que estamos mergulhados, e mais tempo analisando seus afluentes, quais estão límpidos, e quais estão envenenados. Afinal, se Bacon zombou da noção de se tentar erguer um obelisco sem as ferramentas apropriadas para demonstrar a necessidade do método científico, eu me permito zombar da noção de se tentar erguer um arranha-céu sozinho, independente de quão bem equipado se acredita estar, para demonstrar a necessidade de uma melhor colaboração social, mesmo que essa ainda implique alguma perda de rigidez e purismo racional (pelo menos até o advento do transhumanismo, mas isso é um assunto para o futuro).

Thiago de Oliveira Lopes - 1º ano de Direito - Noturno

O limiar da racionalidade

 Quando tive a noção última do que eu era, enfim soube que nunca foi o método a minha paixão. Só então desvinculado da engenharia dos meus costumes e jogado à rua compreendi o vazio de vida. E foi esse o motivo do meu sofrimento. Pois é claro que não posso estar certo de tudo, e ser a única certeza aquela alcançada por princípios e validada pela experiência e por matemática. Além do meu escritório, a vida não é matemática e não tem um só risco ortogonal da geometria. Apenas sombras incógnitas. Assim é que saí ao mundo e me deparei com um cachorro morto à rua de casa. Nunca entendi o que nasceu em mim após isso. Talvez uma descrença ilimitável, descrença à minha construção, pois tenho em mim a epistêmica do conhecimento, a dúvida que me motiva a trabalhar meu intelecto e lógica. Creio nisso a ponto de neutralizar a lágrima que me escorre ao rosto? Pois morrer não tem sentido, não há fórmula para a física disso, nem para lhe explicar a tão incerta natureza. E assim mesmo, se não me atrapalha o incerto, atrapalha-me o sono e a miséria de conhecer. Espantei-me por, de repente, haver cachorros e morte unidos em uma sentença. De fato, uma questão ilógica em que me despi de minha racionalidade, espaço vago em que não me pude achar nos preceitos modernos que cria seguir. Não cheguei a analisar o corpo a ponto de entender o que lhe havia acontecido: eu tive medo e fugi, tão desprezível estava, pela primeira vez.
 Se segui fielmente os princípios cartesianos, e até mesmo de Bacon (lembro-me das bases que me alçaram ao voo científico), isso foi de coragem minha. Tive a ousadia de analisar, perceber e modificar a realidade que a mim se me era apresentada. Partindo do racional e dedutivo, do caráter empirista de minha engenharia, os experimentos laboratoriais e a certeza consolidada das coisas mais gerais explicava corretamente o particular de cada questão. E então, sem o meu trabalho, criavam-se outras tantas, pois eu ali seguia fielmente uma análise metodológica nítida e distinta (e logo verdadeira, como afirmava Descartes, em seus quatro princípios). O pensar mecânico a tem como instrumento para a verdade. Só então percebi que meus sonhos eram engrenagens. E aqui o que proponho é exibir um questionamento em que até então eu não me apoiava, pois fora de mim não era necessário. Mas há sempre mais no íntimo, e às vezes a vontade corrompe tudo o que foi trabalhado com razão e frieza. Quanta certeza tinham os pensadores disso. O meu particular era muito maior que qualquer coisa. E isso eu não percebia até que vi a morte de perto, morte insignificante, morte pequena. As pequenas coisas se relacionam até alcançar meu inerte coração. E lhe deveria dar algum grau de atenção? Se o fizesse, fá-lo-ia frio, exterior e separaria suas batidas entre sua utilidade e propósito? Elas surgem de mim descompassadas, não há racionalismo ou empirismo que as signifique. Aqui exemplifico erros científicos, se contasse isso aos meus discentes, diria que errei e tenho errado tanto. Entretanto, ei-los, meus sentimentos, minha compaixão pelo inevitável destino, que me invalida inteiro e até reduz todas as minhas “Interpretações da Natureza” a pó.
 Seriam esses os meus ídolos?

Lucas Rodrigues Moreira - Direito diurno

Et Bilú e o que é razoavel



E então ele desceu do monte, após ter contato com seres estelares e trouxe consigo, “A teoria da terra convexa”. Após a “iluminação”, Urandir Fernandes de Oliveira iniciou sua jornada científica em busca de validar as teorias divulgadas pelo ET Bilú.
Embora o supracitado guarde alguma semelhança com a sinopse de um enlatado do streaming, a história é real, e preocupante. Após a publicação de alguns de seus trabalhos, Urandir e seu instituto de pesquisas, Dakila, já colecionam diversas condecorações e alguns aportes públicos destinados à divulgação de sua ciência, Lilarial. O que até então era algo empiricamente comprovado, o formato da terra, foi questionado, sendo este apoiado pelo povo, por meio de seus representantes, os deputados da ALMS.
Então, o razoável, o fato da terra ser redonda, passa a ser questionado, com ferramentas que encontram sua validade dentro de um meio controlado “Ciência Lilarial” e com os resultados validados dentro desse sistema, uma hipótese que tivera sido descartada por Pitágoras em VI A.C volta à tona.
A derrocada de teorias como a da terra plana, ou então o movimento antivacina, mostra que a razão que rege parte da sociedade não é a que Descartes,  e Bacon  pregavam, pois, a aceitação de teorias sem embasamento é fruto de um contínuo desapreço pela ciência e por como a mesma é feita, desapreço esse que hoje se manifesta por meio de falas dos governantes e também pelo sistemático desmonte da educação pública no Brasil.
Portanto, fica possível notar que a sociedade é em parte orientada por uma visão deturpada pela falta de vontade de buscar o saber, visão essa que oprime a comunidade científica, pois à acomodação da sociedade perante a absorção do conhecimento abre espaço para que teorias infundamentadas, mas com explicações aparentemente simples, o teste da régua na linha do mar, sejam aceitas e replicadas, tornando-se assim algo semelhante à verdade para os indivíduos de determinado grupo.


O desvirtuamento das bases epistemológicas na contemporaneidade

Responsáveis pela ruptura com a filosofia tradicional contemplativa oriunda da Antiguidade, no século XVII, durante o início da ascensão da burguesia como classe dominante, os métodos na busca pelo verdadeiro conhecimento elaborados por Francis Bacon e René Descartes, mediante as publicações de, respectivamente, “Novum Organum” (1620) e “Discurso do Método” (1637)  foram de suma importância para o desenvolvimento da ciência na Modernidade e, consequentemente, para a transformação da humanidade. Contudo, apesar da célebre contribuição e da evidente relevância dessas obras, atualmente, é notório a ocorrência de uma crise epistemológica, em que, sem nenhum tipo de fundamento plausível, movimentos conspiratórios — como o terraplanista e o antivacina — desvirtuam-se dessas bases, refutam comprovações científicas e propagam teorias inautênticas ao senso comum, o que resulta, assim, na desvalorização do pensamento científico.

De acordo com o método empregado por Bacon, considerado “o pai da filosofia experimental”, após a superação de distorções que dificultam a emancipação da mente humana — os chamados “ídolos” , deve-se buscar a verdade por meio do uso de sentidos experimentais, orientados pela razão. Contudo, ao alegarem que seus sentidos simplesmente indicam que a Terra é nivelada, sem nenhum critério ou parâmetro verossímil, os terraplanistas não aplicam nenhum dos critérios ordenados por Bacon ou de qualquer outra base epistemológica coerente, pois da mesma maneira que a esfericidade do planeta, as ondas de rádio, a título de exemplo, não podem ser perceptivas, mesmo estando presentes. Outrossim, outros coletivos, como o antivacina, fazem o uso do ceticismo metodológico de Descartes, a primeira das quatro etapas de seu método, de modo errôneo, ao questionarem conhecimentos irredutivelmente ostensivos — no caso, a procedência das vacinas, que, notoriamente, foram responsáveis pela extinção de várias doenças, o que evidencia, mais uma vez, a falta de bases epistemológicas na  conclusão desses “conhecimentos”.

Ademais, infere-se que, mesmo não tendo nenhuma base epistemológica coesa, os respectivos ideais inexatos do negacionismo científico conseguem perpetuar no senso comum, o que faz com que as massas acreditem nessas inverdades. Isso acontece pois há claramente uma crise nas atuais instituições, especialmente nos meios de comunicação tradicionais que, em tempos da era digital,  não conseguiram acompanhar a necessidade de agilidade na busca por informações pelas populações, o que fez com que uma mídia alternativa — como grupos de WhatsApp e canais do YouTube, principais canais de comunicação utilizados por esses movimentos, que não possuem nenhum tipo de credibilidade, prosperassem, ocasionando, dessa maneira, uma crise epistemológica na contemporaneidade.

Luís Arquimedes Takizawa Albano - Direito Noturno

A Ciência moderna em tempos obscuros


Durante o século XVII, diversos pensadores refletiram acerca da produção científica. Dentre eles, Francis Bacon e René Descartes se destacaram na publicação de obras referentes a tal tema. Embora divergentes em alguns aspectos, Novum Organum, de Bacon e O Discurso do Método, de Descartes, buscam discutir sobre as novas formas de produzir conhecimento e, além disso, sobre como a ciência pode entrar em conflito com os conceitos já pré-estabelecidos na sociedade.
Apesar de carregarem consigo as crenças referentes ao contexto no qual estavam inseridos, os autores discorrem sobre a importância de abandonar o senso comum e relativizar a religiosidade e as superstições para adentrar no campo científico. Sendo assim, a razão e a experiência seriam caminhos válidos para alcançar uma verdade. Cerca de quatro séculos depois, apesar do aprimoramento do método científico e da própria ciência moderna, vemos um retrocesso na maneira que os indivíduos compreendem a produção do conhecimento.
O obscurantismo e o negacionismo científico estão presentes das conversas informais do cotidiano aos discursos dos representantes governamentais ao redor do globo. A existência de uma grave crise climática, fato já comprovado em importantes pesquisas, é fortemente questionada pelo presidente dos Estados Unidos, um dos países mais influentes do mundo e um dos grandes responsáveis pelo agravamento de problemas ambientais. No Brasil, as propostas de Bacon e Descartes sobre o conhecimento ser orientado pela razão e pela experiência, afastando-se dos dogmas religiosos, são desconsideradas em discursos como o da ministra Damares Alves, que afirmou: “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência”.
Dessa forma, podemos entender que o contexto contemporâneo é marcado pela forte influência do que Bacon denomina “ídolos”, elementos do cotidiano que podem surgir como obstáculo à instauração da ciência moderna, já que bloqueiam a mente humana da reflexão e do pensar crítico. Nesse contexto, mesmo que o método científico siga os princípios básicos da razão científica segundo Descartes, como o princípio de “nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal”, a influência dos ídolos parece prevalecer em tempos de obscurantismo científico.

Júlia Scarpinati - 1º ano Direito- Matutino