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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Origem e efeitos do Sistema Capitalista

Cumpre, inicialmente, salientar que Marx, na obra “O Capital”, em seu capítulo XIII, diferencia manufatura da grande indústria, com o objetivo de demonstrar que esta última se apresenta como base mais adequada ao processo de valorização do capital. Faz-se mister reproduzir alguns trechos da obra a fim de compreender essa diferença apresentada por Marx.

"Na manufatura os trabalhos se distribuem em conformidade com a escala hierárquica das capacidades e das forças, segundo o que exija o emprego dos instrumentos de trabalho e o maior e menor grau de virtuosismo necessário."

"Ao contrário disso, na fábrica o esqueleto do mecanismo coletivo consta de diferentes máquinas. Cada uma das quais cumpre particulares e diferentes processos produtivos que se sucedem um ao outro e são necessários em todo o processo de produção. Neste caso, não há uma força de trabalho particularmente escalonada, que utiliza, como o virtuoso, um particular instrumento de trabalho; senão que, pelo contrário, um instrumento de trabalho necessita de serventes especiais e constantemente atentos a seu trabalho. No primeiro caso, o trabalhador se serve de um particular instrumento de trabalho; no segundo, ao contrário, particulares grupos de trabalhadores estão a serviço de máquinas diferentes que desenvolvem processos particulares;".

Por isso, acrescenta Marx, "a escala hierarquia de capacidades, que em menor ou maior medida caracteriza a manufatura, não tem mais razão de ser;"

Sendo assim, prossegue Marx, o que caracteriza a produção na grande indústria "é a nivelação geral das operações, de modo que o deslocamento dos trabalhos de uma máquina a outra pode verificar-se em tempo muito breve e sem um adestramento especial;".

"Na manufatura, a divisão do trabalho exige o fato de que certos trabalhos necessários só podem ser realizados e, em conseqüência, nesse caso deve verificar-se, não somente uma distribuição, senão também uma efetiva divisão do trabalho entre grupos especialista;".

Nota-se, assim, que a manufatura e a grande indústria se apresentam como formas antagônicas de produção capitalista, haja vista que a primeira funda-se numa forma de divisão subjetiva do trabalho, enquanto que a segunda é a negação do princípio subjetivista do processo de trabalho. Este, por conseguinte, racionaliza o processo de trabalho, a fim de adequar, este processo, ao sistema de reprodução e valorização do capital.

Nessa esteira, verifica-se que, contrariamente ao que ocorria anteriormente, os meios de produção empregam o trabalhador.

Por isso, assiste-se a uma verdadeira revolução no processo de trabalho: os instrumentos simples de trabalho operados pelo trabalhador da manufatura transformam-se em máquinas.

Impende conceituar o que são máquinas para Marx, em que esta é "igual a qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, ela se destina a baratear mercadorias e a encurtar a parte da jornada de trabalho que o trabalhador precisa para si mesmo, a fim de encompridar a outra parte da sua jornada de trabalho que ele dá de graça para o capitalista. Ela é meio de produção de mais-valia."

Ademais, a socialização do trabalho na manufatura constituía-se por meio da combinação de distintos órgãos do trabalhador coletivo; na grande indústria, pelo contrário, especializam-se nas máquinas e seu trabalho coletivo. Na grande indústria, as atividades particulares de um dado processo de trabalho estão submetidas a uma unidade técnica baseada em princípios técnico-cientificos.

Como resultado, o capital criou uma base material adequada à sua produção-reprodução. A criação dessa base material é analisada por Marx nos seguintes termos: "com a maquinaria, o meio de trabalho adquire um modo de existência material que pressupõe a substituição da força humana por forças naturais e da falta empírica pela aplicação consciente das ciências da natureza. Na manufatura, a articulação do processo social de trabalho é puramente subjetiva, combinação de trabalhadores parciais; no sistema de máquinas, a grande indústria tem um organismo de produção inteiramente objetivo, que o operário já encontra pronto, como condição de produção material. Na cooperação simples e mesmo na especificada pela divisão do trabalho, a supressão do trabalhador individual pelo socializado aparece ainda como sendo mais ou menos casual. A maquinaria, com algumas exceções a serem aventadas posteriormente, só funciona com base no trabalho imediatamente socializado. O caráter cooperativo do processo de trabalho torna-se agora, portanto, uma necessidade técnica ditada pela própria natureza do próprio meio de trabalho".

Outro fator abordado por Marx refere-se à produção em massa, própria da grande indústria, que exige o emprego em grande escala das forças da natureza, que serão, posteriormente, transformadas em agentes do trabalho social. Assim sendo, a ciência torna-se um poderoso fator de produção de mais-valia, na medida em que o processo de trabalho é comandado pela aplicação consciente de princípios técnico-científicos. Por conseguinte, a grande indústria representa uma ruptura radical com essa forma de conhecimento.

Ressaltam-se, ainda, quais são as conseqüências da mecanização do processo de trabalho sobre a classe trabalhadora, quais sejam: o encarecimento da vida do trabalhador e sua família e o aumento intensivo e extensivo da jornada de trabalho.

A mecanização do processo de trabalho tem como contrapartida imediata a apropriação de forças de trabalho suplementares pelo capital. É o que esclarece Marx na passagem onde ele diz que "esse poderoso meio de substituir trabalho e trabalhadores transformou-se rapidamente num meio de aumentar o número de assalariados, colocando todos os membros da família dos trabalhadores, sem distinção de sexo nem idade, sob o comando imediato do capital". Como resultado desse processo de proletarização da família do trabalhador tem-se o encarecimento de sua reprodução.

A exploração direta do trabalho familiar se constitui num poderoso meio de aumento da mais-valia, pois o trabalho da família, em vez de apenas o do seu chefe, permite ao capital contar com vários dias simultâneos de trabalho em vez de apenas um, e, assim, romper com os limites naturais do dia de trabalho de um único individuo. Com relação a este fato Marx é bastante claro quando diz que, "dada a duração da jornada de trabalho, a massa de mais-valia só pode ser aumentada por meio de um aumento no número de trabalhadores".

Como consequencia da participação da família no processo produtivo, tem-se a deteriorização da qualidade de vida, haja vista as condições a que estas estavam submetidas (excessiva jornada de trabalho, má alimentação, falta de higiene, acidentes de trabalhos, etc.).

Necessário se faz, por fim, discorrer sobre as relações sociais no que concerne ao recrudescimento dos conflitos entre a burguesia, que detinha os meios de produção, e o proletariado, que detinha a força de trabalho. Inicia-se, assim, a luta entre capitalista e assalariado, que se agita por todo o período manufatureiro. Todavia, somente a partir da introdução da maquinaria é que o trabalhador combate o próprio meio de trabalho.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Construção da ciência moderna

Francis Bacon, em seu livro "Novum Organum", estabelece os princípios de sua filosofia e metodologia de pesquisa.
É objetivo do autor criar uma ciência livre de abstrações infrutíferas, seguindo um método racional e experimental na construção do conhecimento. Em seu primeiro aforismo já deixa claro que o homem é intérprete da natureza, portanto não sabe nem pode fazer mais do que lhe é permitido com a "observação dos fatos ou pelo trabalho da mente".
Outro ponto importante é o aperfeiçoamento da técnica de pesquisa científica, pois assim como treinamos as habilidades manuais, também o fazemos com a mente. Defende ainda que nada se descobrirá de novo sobre a natureza se continuarmos a utilizar os mesmos métodos.
Para Bacon, a ciência é um conglomerado de descobertas que se faz com observação e experimentação, e só assim se controi o conhecimento - daí sua classificação como fundador da ciência moderna. Descarta silogismos e deduções, por confundirem-se devido à combinação das coisas. Elabora duas maneiras de pensamento: uma consiste em partir de princípios pessoais (sensações) para axiomas mais gerais, ou seja, certa antecipação da mente quanto aos eventos; a segunda, ascender de dados das sensações até a verdade mais generalizante através de experimentação e observação dos fatos.
O autor contraria toda a construção da filosofia grega, porque ela parte de abstrações para construção do conhecimento e não usa nenhuma doutrina. Para Bacon, o intelecto sem apoio é incapaz de chegar à verdade. Sua negação da dialética advém ademais do uso de axiomas constituídos pela argumentação pelos gregos, posto que a profundidade da natureza lhe é muito superior ao alcance dos argumentos.
Considera a antecipação a forma corrente de pensamento científico à sua época e a faz seu objeto de crítica. Alerta para a dificuldade de instaurar novo paradigma na ciência quando o corrente questiona não só os resultados, mas até o próprio método, principalmente porque a analogia é o principal meio de compreensão de tudo que é novo.
Bacon conceitua também os ídolos, que são bloqueios à mente humana, em 4 tipos: os da tribo, que fazem o intelecto humano, de maneira geral, funcionar como um espelho que deforma toda imagem que passa por ele; os da caverna, que distorcem a realidade pela natureza individual do ser humano, que busca no seu mundo reduzido, não na amplitude do universo; os do foro, que são ilusões dos humanos em decorrência do discurso; e os do teatro, que representam fábulas e mitos. Para exemplificar um ídolo do foro, utiliza algumas palavras tomadas como concretas que têm múltipla significância, como terra, leve, denso, etc.
Bacon descreve minuciosamente as imperfeições da sofística (que pode levar a enganos ao deturpar a experiência, quando se quer chegar a determinado resultado), o perigo do empirismo (que com seu experimentalismo excessivo pode perder o objetivo) e a redundância da escolástica (que abandona de todo a experimentação ao creditar tudo ao plano divino).
Polêmico, visionário e questionado em seu tempo, Francis Bacon foi um brilhante filósofo que elaborou um eficiente método científico. Embora seja hoje demasiadamente pragmático, aplicado à sua realidade, foi uma verdadeira revolução. Bacon foi um verdadeiro filósofo da ciência.

A divisão do trabalho na visão de Durkheim

Durante o trabalho da dupla Marx e Engels, particularmente no trabalho de Marx, poderemos encontrar várias afirmações culpando a divisão do trabalho e a propriedade, mas especialmente a divisão do trabalho, como causas do progresso humano ser permeado de conflitos e revoluções, ou seja, de ele não ter sido contínuo e regular. Durkheim, entretanto, não muito tempo antes, possuía um olhar que se assemelha ao oposto dessa ideia: Essa mesma divisão do trabalho possui papéis fundamentais, como contribuir para uma provisão de um sistema maior, ou ainda, sob um olhar mais voltado para o lado social, essa divisão assegura a coesão social e determina os traços constituintes de uma sociedade.

Durkheim utilizava-se de uma comparação muito interessante. A sociedade poderia ser comparada a um organismo, um corpo, e assim cada indivíduo, como uma célula constituinte desse mesmo corpo, deveria cumprir um papel ou satisfazer a alguma necessidade, tendo em vista, assim, o bem social. É por isso que a solidariedade, ou seja, o agir sempre tendo em vista o bem coletivo, para este pensador, deveria ser algo intrínseco em cada membro de uma sociedade.

A divisão do trabalho, então, é encarada como fator de integração, como unidade do corpo social. Durkheim assim diz: "Ela não serviria somente para dotar as nossas sociedades de um luxo, talvez inegável, mas supérfluo; (...) É através dela (...) que seria assegurada a sua coesão, é ela que determinaria os traços essenciais da sua constituição".

sábado, 4 de junho de 2011

Família Capitalizada

- A revolução industrial, ao alterar as formas de produção, alterou também, na superestrutura da sociedade, drásticas alterações familiares. A imersão da mulher no mercado de trabalho aumentava a oferta de mão-de-obra, diminuindo consequentemente seu custo, o custo da produção. Em nome da acumulação de capital não demorou para que fossem exploradas também as crianças.

- O modelo familiar baseado na divisão sexual do trabalho, em que o homem trabalha fora e a mulher educa os filhos, foi rapidamente capitalizado, as mulheres passaram a trabalhar nas indústrias, deixando os afazeres domésticos e o cuidado dos filhos pequenos para empregadas. Se por um lado essas alterações contribuiram para a emancipação da mulher, por outro representaram diminuição dos vínculos afetivos no seio familiar e da qualidade da criação das crianças.

- Com mãe, pai e filhos submetidos à longas jornadas de trabalho, a instituição familiar na sociedade industrial vê-se resumida a um teto comum ao fim do dia.




Grupo com tema 3 - comentário complementar:


Bruna Mattos dos Santos,

Bruno Amoratti M. de Mattos,

Caroline Salerno,

Guilherme Moraes,

Luis Guilherme Noronha, e

Mário Jonas da Silva


1 ano Direito Noturno

A influência industrial no seio da família

“A burguesia não pode existir sem revolucionar, constantemente, os instrumentos de produção e, desse modo, as relações de produção e, com elas, todas as relações da sociedade.”

Investigando as conseqüências da mecanização do processo de trabalho sobre a classe trabalhadora, tem-se como contrapartida imediata a apropriação das forças de trabalho complementares ao capital. É o que esclarece Marx na passagem onde ele diz que "esse poderoso meio de substituir trabalho e trabalhadores transformou-se rapidamente num meio de aumentar o número de assalariados, colocando todos os membros da família dos trabalhadores, sem distinção de sexo nem idade, sob o comando imediato do capital". Como resultado desse processo de “proletarização” da família do trabalhador leva-se ao barateamento da mão-de-obra, criando a necessidade de novos agentes para obter a mesma renda familiar. Logo, ao aumentar o campo de exploração de capital, amplia-se, ao mesmo tempo, o grau exploratório do material humano.

Antes, a dialética industrial era composta pelo detentor dos meios de produção e o detentor da força de trabalho. No entanto, com o tempo, o capital passa a incorporar pessoas incapazes e parcialmente incapazes, do ponto de vista jurídico, como forma de expandir seu próprio valor. O trabalhador, que vendia somente a sua força de trabalho, vende também mulher e filhos, fazendo-se uma analogia a anúncios a procura de escravos.

Como conseqüência desses fatos, aliado as péssimas condições e extensivas jornadas de trabalho, há o aumento da mortalidade infantil, causado não só pela menor resistência das crianças, mas também pela falta de assistência e alienação dos pais em relação a seus filhos.

Tal mortalidade decorre principalmente do trabalho realizado pelas mães nas indústrias, resultando em crianças abandonadas e mal cuidadas. “Esse desleixo se revela na alimentação inadequada ou insuficiente e no emprego de narcóticos; alem disso, as mães, desnaturadamente, se tornam estranhas aos próprios filhos e intencionalmente os deixam morrer de fome ou os envenenam.”

Com todo o desenvolvimento da indústria moderna, os pais vêem-se submetidos à ganância do capitalismo, e o Estado é forçado a desenvolver instruções e leis para regular a atividade fabril, na falta do aparelho administrativo e da obrigatoriedade do ensino.

“A burguesia arrancou da família o seu véu sentimental e reduziu a relação familiar a uma mera relação de dinheiro.” Do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels.


Grupo com tema 3:


Bruna Mattos dos Santos

Bruno Amoratti M. de Mattos

Caroline Salerno

Guilherme Moraes

Luis Guilherme Noronha

Mario Jonas da Silva


1 ano Direito Noturno

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Relações humanas: um produto das máquinas


       A partir da leitura de O Capital de Karl Marx, pode-se entender  modificações nas relações sociais e no âmbito da família que foram introduzidas na sociedade a partir do advento da produção industrializada. Nesse aspecto, há de se destacar a priori a participação de toda a família no processo produtivo, ou seja, mulheres, crianças e adolescentes passaram a compor a força de trabalho, o que resultou no aumento da mortalidade infantil e deterioração da qualidade vida. As mães exploradas deixavam de cuidar dos seus filhos, não lhes dando alimentação adequada ou suficiente e em certas circunstâncias até mesmo utilizavam narcóticos para aquietar as crianças. Em função da extensão do trabalho, crianças e adolescentes tinham, ainda, o desenvolvimento físico e mental comprometido; tanto que com a situação periclitante o Parlamento inglês foi obrigado a reconhecer uma lei fabril em 1884 que obrigava o capitalista a oferecer instrução elementar a todos os menores de 14 anos que trabalhassem.
      O sistema capitalista de produção teve ainda como característica o reinar de duas classes antípodas: a dos burgueses, que possuíam os meios de produção; e a dos proletários, cuja única propriedade era a força de trabalho. Tomando como base a etimologia da palavra proletariado, é visível o caráter familiar da exploração deste; “proletário” vem do latim proles, que significa “descendência”, “filho”, “progênie”; tal definição demonstra a importância do maior número de elementos que pudessem ser aplicados como mão- de-obra à época da introdução da máquina na produção.
        A situação social determinada pela industrialização ou pela mecanização do processo produtivo é evidenciada no livro O Cortiço; a urbanização levou a marginalização do homem, que com uma vida mais precária passou a habitar ambientes afastados. A mecanização da indústria foi tão impactante na vida do proletariado que o transformou em um ser também mecanizado que age friamente em relação à própria família e  à sociedade, no filme Tempos Modernos de Charles Chaplin, é retratada a racionalização da produção e sua influência na vida do operário, que após passar tanto tempo em função do trabalho, acaba confundindo o meio social com o meio que deriva sua subsitência. Há,ainda, outras literaturas que expressam as relações sociais típicas do sistema capitalista como O germinal,este denuncia a associação do proletariado através de greves. A revolta de tal classe com a   exploração exacerbada  promoveu a união destes e , sobretudo, formou forças contra o sistema, como a que representa os sindicatos.
          Não obstante, como o texto supracitou a ocupação de toda a família na atividade fabril fez com que trabalhos domésticos fossem secundarizados, e atividades como a costura, a higiene do lar, a alimentação que eram realizadas por mulheres e crianças começaram a ser extraídas da produção industrial,é o exemplo de alimentos em conserva e roupas. Esse fato somente ampliou a dependência entre homem e a mercadoria fabril e propiciou o amplo consumismo, do qual a sociedade capitalista alimenta-se expressivamente.
        Atualmente, a cada dia a grande indústria produz um mundo tão encantador de novidades que a exploração do homem tranformou-se em algo sutil, cada vez   trabalha-se mais sem que os indivíduos percebam, essa idéia foi abordada em matéria da  revista Carta Capital na edição 646. A introdução de notebooks, celulares com internet ao material de trabalho de funcionários permite estender a jornada destes, é o caso por exemplo do empresário que fora do escritório lê seus e-mails e os responde enquanto cuida dos filhos em casa, essa configuração moderna mitiga o afeto, o contato entre entes de instituições como a família e cria uma problemática de dimensões colossais, a qual é representada diariamente nos noticiários com as matérias de desrespeito à vida humana, à integridade e aos princípios desta.

  
 Grupo 3) Família\ Relações Sociais
  
   Membros:
  •     Amanda Rufino Leite;
  •     Danielle Tavares;
  •     Gustavo Batista;
  •     Jaqueliny Moraes Larangeiras de Lima Guimarães;
  •     Natalia Bueno Bárbara;

       1º Ano de Direito noturno 2011.

Tema: campo/cidade/novas formas de viver

Em um momento anterior à ascensão capitalista, a produção era artesanal e utilizava o homem como força motriz. Portanto, cada homem era responsável por todas as etapas da produção e dono dos meios necessários para tal.

Já em um segundo momento ( manufatureiro), além da força humana, passam a ser utilizadas forças naturais (vento, água, animais) que se caracterizam como forças motrizes mais eficiêntes, as quais garantem o aumento da produtividade. Entretanto, essa forma de produção ainda se mostra dependente do campo, já que necessita de forças naturais.

O advento da máquina a vapor (segunda máquina a vapor de Watt) revolucionou o sistema produtivo, uma vez que a força motriz ( vapor- água e carvão) passou a ser controlável e móvel. Sendo assim, essas caracteristicas da nova invenção possibilitaram o desprendimento da produção do campo do campo para a cidade, onde houve a intensificação do uso da maquinária.

Esta, por sua vez, gerou mudanças no comportamento do homem. O aumento da utilização de máquinas e a modernização tecnológica destas teve como ambiente produtivo, ou seja, uma menor quantidade de força humana era necessária. Assim, o trabalhador também provava um maior isolamento em sua função no ambiente de trabalho, o que incentivou o individualismo. A alienação do homem dos meios de produção fica evidente nestes trechos do livro "O capital" de Marx: "Quando a máquina-ferramenta, ao transformar a matéria-prima, executa sem ajuda humana todos os movimentos necessários, precisando apenas da vigilância do homem para uma intervenção eventual." "Esse emprego como qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, tem por fim baratear as mercadorias, encurtar a parte do dia do trabalho da qual precisa o trabalhador para si mesmo, para ampliar a outra parte que ele dá gratuitamente ao capitalista. A maquinária é meio para produzir mais-valia."

feito por: Camila Martinelli Sabongi, Camila Salles Figueiredo, Giovana Stella Suniga, Giovanna Turtelli, Jackeline Ferreira da Costa.

Da subjetividade a objetividade no trabalho


Tem-se o trabalhador, em uma época anterior à industrialização. Sem as máquinas, invenção da contemporaneidade, a criação de produtos depende inteiramente dele, produzir é uma coisa artesanal, livre, flexível. Toda a produção é conhecida pelo artesão que cria desde as ferramentas que utiliza até o produto final, ele é a engrenagem motriz de toda a produção, já que tudo dele deriva. Seu trabalho não é padronizado, há a variação entre os produtos, sendo que estes são todos personalizados.

Com a revolução industrial acontece uma mudança dos paradigmas. A produção deixa de ser subjetiva convertendo-se para objetiva; os artesãos, junto a outros homens, para sobreviver em meio à concorrência desleal das máquinas, largam suas ferramentas e dirigem-se às fábricas tornando-se meros operários, deixam de ser criadores e passam a ser uma pequena parte da produção; inserem-se em um trabalho mecanizado que tem apenas o lucro e a produção para abastecer o mercado como objetivo. Há a alienação do trabalhador, já que este trabalha em apenas uma pequena parte da produção e muitas vezes desconhece o produto final, todo seu talento e inventividade são postos de lado para enriquecer burgueses detentores dos meios de produção, do maquinário.

Assim o trabalho subjetivo é substituído pelo objetivo. Vale ressaltar que são duas formas de produção diferentes e não opostas, do mesmo jeito que o operário não é o oposto do artesão. Nessa mudança, portanto, nota-se que o homem deixa de vender seu trabalho, seu produto e passa a vender sua mão-de-obra, característica mais marcante do capitalismo como o conhecemos atualmente.

Arthur Costa Pontes (diurno)

Bruno Alvarenga Vieira (noturno)

Diogo de Souza Mazzucatto Esteves (noturno)

Guilherme Fernandes Porto (noturno)

Leonardo Mendes Freitas de Lima (noturno)

Matheus Morales Banjai (noturno)

Moacyr de Oliveira Melo Neto (noturno)

A máquina e as transformações sociais

GRUPO: Amanda Bessoni Boudoux Salgado
Ana Beatriz Taveira Bachur
Denis Robera Alves
Maria Eduarda Rodrigues
Mateus Perussi de Jesus

TEMA: Dialética e a vida cotidiana

A dialética é o método de análise científica no qual se consideram todas as conexões anteriores que levam a um fragmento final sobre determinado assunto. Seus elementos, basicamente, são: a tese, a antítese e a síntese. O confronto entre as duas primeiras conduz a uma nova idéia com o poder de modificar a concepção vigente das coisas, e assim sucessivamente, gera-se um eterno ciclo de contradições.


Analisando o capitalismo sob uma perspectiva dialética, observamos que a introdução da máquina ao sistema de produção, ao final do século XVIII, gerou profundas mudanças nas estruturas sociais e econômicas da época. Durante o feudalismo, os meios de produção eram adaptados ao uso individual. Cada homem trabalhava com suas próprias ferramentas e a produção era destinada ao consumo familiar. O produto final o pertencia e, portanto, o possível lucro gerado pela comercialização do excedente era seu também.

Com a produção mecanizada, o homem deixa de ser dono dos meios de produção. Agora, ele obtém seu sustento vendendo sua força de trabalho ao dono da fábrica. O homem passa de criador do produto a força motriz que irá propiciar o funcionamento da máquina. Com essa desvalorização do trabalho humano, sua renda também é reduzida, assim passa a ser necessário submeter toda uma família à rotina das máquinas como forma de sobrevivência. Dessa forma a produção passa a ser coletiva, porém a apropriação das mercadorias é individual, ou seja, o dono dos instrumentos de produção acumula capital através da mais-valia.


Essas transformações na estrutura econômica da sociedade provocaram consequências imediatas no cotidiano e na qualidade de vida dos trabalhadores: a maquinaria apenas aumentou o número de assalariados, colocando todos, sem distinção de sexo e idade, sob exploração em péssimas condições.


Com o uso da máquina, a força física do trabalhador já não era necessária como antes, podendo agora crianças e mulheres ser empregadas na produção. Assim a oferta de mão-de-obra multiplica-se. Encontra-se ai uma grande mudança na estrutura familiar dos trabalhadores. O pai da família passava a ganhar menos do que antes, pois sua força e trabalho têm menor valor de mercado, porém tendo a renda familiar complementada com a mãe e as crianças. Entretanto, o custo para sustentar a família cresce, já que mais comida e remédios (necessários pelas condições insalubres do trabalho) são necessários. Havia também crianças que não trabalhavam nas fábricas, mas as mães sim, sendo as crianças deixadas sozinhas, abandonadas e mal cuidadas, fato que também levou ao aumento da mortalidade infantil. Também se via o emprego de narcóticos para aquietar as crianças, prática extremamente perigosa que poderia levá-las a morte.

Ai está a contradição, a medida que se multiplicava o trabalho do operário, sacrificava a estrutura econômica e familiar. Enquanto o dono da fábrica lograva mais lucro, com a enorme produção advinda das máquinas e com a maior oferta de mão-de-obra. O emprego do maquinário alterou mais do que a quantidade de mercadorias, mas também a sociedade.

Em suma, a degradação moral provocada pela exploração capitalista a partir do desenvolvimento das máquinas é indiscutível, e não há como dizer que o advento do capitalismo melhorou a vida dos trabalhadores, porque estes permaneceram na pobreza. Essa é a contradição máxima deste sistema: a geração de tanta riqueza permitida pelo aumento significativo da produção, ao invés de beneficiar a todos, provocou consequências desumanas na vida dos trabalhadores e de suas famílias.

Como vemos, tese e antítese se confrontaram, e infelizmente, assim gerou-se a síntese da exploração do homem pelos meios de produção, que continua beneficiando uma pequena elite em detrimento de toda uma classe trabalhadora.

Máquinas: fabricando uma nova forma de viver

A transformação da manufatura em maquinofatura trouxe consigo inúmeras mudanças na forma de viver das sociedades da época.
O cotidiano era antes estruturado em torno da família, que se utilizava basicamente da terra ou da renda da produção manufatureira para sua subsistência. Com o desenvolvimento da maquinofatura, mudam as relações de poder dentro do núcleo familiar, que passa a se organizar em torno da força de trabalho.
A importância da força de trabalho obrigou os então operários ao êxodo rural, mudando-se para locações mais próximas das fábricas e alterando a estrutura de seus lares.
Para exercer as funções fabris, não era mais necessária a força física, o que possibilitou o trabalho feminino e o infantil, desvalorizando o papel do homem na função de trazer a renda para a família.
Os operários passam a se moldar a situações extremas de exploração, por diversas vezes, como cita o texto “atestados médicos aumentavam a idade das crianças para satisfazer a ânsia de exploração capitalista e a necessidade de traficância dos pais”, além disso, as condições de trabalho eram agora precárias, com pouca segurança e longas jornadas de trabalho.
Essa transformação dos adolescentes em máquinas, cria uma nova forma de ignorância, diferente da ignorância natural, do espírito que não recebe a devida cultura. A nova ignorância faz com que o adolescente perca sua capacidade de desenvolvimento intelectual, acreditando servir apenas para a produção de mais-valia.
Os meios de comunicação e transporte são um exemplo de nova forma de viver que influencia a vida do operário, mas principalmente a do burguês. Os antigos modos de comunicação e transporte tornam-se obstáculos à industria moderna devido principalmente à sua “velocidade febril de produção em grande escala, ao contínuo deslocamento de massas de capital e trabalhadores de um ramo de produção para outro e com as novas conexões que criou no mercado mundial”. É dessa maneira que vemos surgir os navios a vapor, as vias férreas, os transatlânticos e o telégrafo, filhos da industria moderna, que nunca teriam existido se não fosse pelo desenvolvimento tecnológico exigido e possibilitado pelo desenvolvimento da indústria.

Integrantes:

Katiucia Borssato Cortapasso
Vinícius Orso de Brito
Gabriela Bezerra Pucci
Jéssica Costa

A automatização do ser humano

Tema 2: subjetividade/objetividade do trabalho

No capítulo XIII, “A Maquinaria e a Indústria Moderna”, do livro “O Capital”, há um momento em que Marx descreve a diferença entre o trabalho subjetivo e o objetivo.

O trabalho subjetivo consiste na realidade da manufatura, isto é, no fato de o trabalhador desempenhar suas atividades de forma completa para, então, gerar o produto final. Como exemplo, basta analisar uma mesa construída pelo marceneiro. Ele terá de lixar a madeira, cortar todas as partes, pregá-las e pintá-las ou fazer o acabamento da maneira que lhe convier.

Em outra ocasião, já no aspecto objetivo do trabalho, a manufatura é substituída pela grande indústria, a qual fragmenta todos os processos e coloca-os nas linhas de montagem (termo este cunhado após a morte de Marx, mas que exemplifica a automatização dos procedimentos), onde cada funcionário desempenha uma função específica (como o pregar de cada peça ou o corte das madeiras pela máquina, bastando o correto posicionamento delas, entre outros.).

Na primeira situação, a pessoa detém todo o conhecimento das fases de construção do produto. Assim, ela torna-se única por poder criá-lo à sua maneira. Na segunda, cada indivíduo atuará de forma mecânica, focando apenas uma atividade. Neste caso, fica fácil substituí-lo porquanto qualquer outro sujeito pode cumprir suas atribuições.

Dessa forma, o que se percebe é a transformação do ser humano em autômato, pois sua capacidade intelectual é desperdiçada ao converterem-no em mera máquina de repetições.

Foi a partir de tais raciocínios e de tamanha miséria gerada por essa conjuntura que Marx, Engels e outros estudiosos da sociedade formularam propostas de subversão, as quais até hoje influenciam de maneira contundente o nosso cotidiano.

Integrantes:
Gustavo Ronconi
Luiz Antônio Dias
Maciel Oliveira
Rahman Kassim
Renan Mello
Wagner Shiroma

Revolução Industrial: uma transição social


Grupo com o tema 4:

Sara Ferreira
Marina Pereira
Matheus de Alencar e Miranda
Lorena Peterneli
Laís Mazza Sartoreto
Ananda Natalia Michelino

A partir da leitura do texto “A maquinaria e a indústria moderna”, podemos compreender que Marx explana as modificações que ocorreram no processo produtivo na transição do campo para a cidade.

No campo, o trabalhador era peça fundamental no processo produtivo, uma vez que dominava todas as etapas da produção, sendo que esta era artesanal e de pequena escala. Para realizar o seu trabalho, o camponês utilizava ferramentas, sendo que a força motriz era sempre proveniente da natureza ou o próprio homem. O trabalhador tinha menor carga horária e trabalhava com o intuito de suprir suas necessidades mínimas de existência.

Já na fase transitória, houve o aperfeiçoamento técnico, e assim, o desenvolvimento da manufatura graças ao capital acumulado pela burguesia. Isso demandava uma mão-de-obra, que estava disponível na cidade, uma vez que a produção feudal estava em declínio. Portanto, os principais motivos para essa transição foram: o surgimento das máquinas, modificando a força motriz; a mão-de-obra disponível devido ao êxodo rural; matéria-prima de fácil acesso graças à evolução dos meios de transporte.

Por fim, na cidade, com a consolidação da manufatura primordialmente urbana, tivemos como conseqüência a inserção das mulheres e das crianças no mercado de trabalho. Antes, no campo, o homem era a força motriz da produção e somente seu trabalho era necessário. A partir do deslocamento para a zona urbana houve a necessidade e a facilidade de inserção das mulheres e crianças no processo produtivo devido ao fato das máquinas poderem ser manuseadas por qualquer pessoa (sem necessidade de força física). Além da elevação do custo de vida que exigiu que toda a família trabalhasse para que houvesse aumento da renda.

Nesse contexto, o trabalhador deixa de ser peça fundamental do processo produtivo, pois a máquina substituiu seu trabalho. Portanto, a máquina passa a ser a força motriz da produção em oposição ao modo de produção artesanal.

Outra observação é que o homem não domina mais todas as etapas da produção, então, o trabalho especializa-se e tem como conseqüência a alienação.

Com a máquina, a produtividade aumenta, uma vez que é possível produzir em maior escala em menor tempo, junto com o aumento da jornada de trabalho, tendo por conseqüência o barateamento da mercadoria. Com essa nova estruturação do modo de produção, o menor tempo de trabalho é designado para atender às necessidades do trabalhador, enquanto a maior parte corresponde à mais-valia, que é apropriado ao patrão. Não tendo escolha o trabalhador vende sua força de trabalho ao burguês, ficando vulnerável ao sistema capitalista.

Essa situação carrega uma contradição, visto que, apesar da produtividade e dos lucros terem aumentado, a população em geral empobreceu.

Para ter uma melhor perspectiva desse processo, disponibilizamos um pequeno vídeo que demonstra o processo evolutivo de produção. Para visualizá-lo clique aqui.


MÁQUINA PELA MÁQUINA: CATALISANDO A EVOLUÇÃO


A ferramenta difere-se das máquinas pois a primeira é movida pela fora humana enquanto a segunda por qualquer força natural, diferente da humana. Como coloca o autor a ferramenta é uma máquina simples, enquanto a máquina é uma ferramenta complexa, ou seja, ambas se completam e são necessárias para o bom funcionamento da outra.
Não se pode esquecer que diferente do pensamento comum, as máquinas são anteriores às ferramentas, uma vez que a aplicação da força animal é uma das mais antigas da sociedade.
Historicamente, o homem só poderia recorrer, anterior à Revolução industrial às ferramentas como força de trabalho, mas no século XVIII com a invenção da máquina, como conhecemos hoje, criou-se novos de produção, onde em menos tempo , era produzido mais.
O progresso da Revolução industrial é produto da própria revolução, pois teve como elementos fundamentais e evolução da força motriz, a máquina se transforma fazendo com que o homem perca sua função de força motriz, atuando apenas na operação da máquina, podendo em alguns casos, apenas supervisionar o funcionamento das máquinas. Como exemplos existem as bombas utilizadas pelos holandeses de 1836 a 1837, onde estas foram construídas de acordo com as bombas comuns, se diferenciando simplesmente que as máquinas passaram a ser movidas à vapor e não com mãos humanas. e aprimoramento das condições das máquinas.
Vale lembrar que existem dois sistemas de produção principais, o sistema de manufaturas e o sistema de fábricas mecanizadas. O primeiro implica na necessidade da separação e possível interrupção das etapas do processo de produção, afinal o trabalho implica maior dificuldade e um caráter manual, implicando em uma menor quantidade de produtos em mairo tempo. Já a fábrica mecanizada, exige a continuidade das etapas de produção para assim haver um produto mais rápido e em maior escala. Pois a máquina trabalha de forma mais perfeita e eficaz.
A evolução das máquinas claramente criou a necessidade e propiciou o progresso dos meios de comunicação e transporte, que figuravam empecilhos para o desenvolvimento da atividade industrial. Dessa forma, a própria revolução das máquinas voltou-se para o aprimoramento dessas tecnologias.
Com a introdução das máquinas, o valor do trabalho humano diminui, pois o esforço do homem decresceu. Passou-se a valorizar os trabalhos intelectuais em detrimento dos trabalhos braçais.
Por fim, não podemos descartar a relevante importância da manufatura, a qual serviu como base para o advento das indústrias modernas, afinal a máquina deve sua existência à força e habilidades pessoais de certos indivíduos.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Máquina, Ferramenta, Tecnologia (em Marx)

É natural esperar que, com o advento das máquinas, o ser humano passará a trabalhar menos, já que ela é a síntese de várias ferramentas em um único dispositivo. Não foi o que ocorreu. Houve um incremento nas horas de trabalho devido à necessidade de baratear os produtos, buscando vencer a concorrência. Tal situação, por sua vez, leva diretamente à exploração. O apetite pelo lucro fez por insuflar a mais-valia.

Definamos então o que seria a mais-valia: é o lucro gerado pelo trabalhador além do tempo que seria necessário para que este produzisse seu próprio salário. Podemos exemplificar da seguinte forma: Um trabalhador era capaz de produzir 10 vasos de cerâmica em 8 horas de trabalho, com a mecanização da produção, passa a produzir os mesmos 10 vasos em 3 horas. Em menos tempo, este trabalhador gera o mesmo lucro que antes e seu salário. Contudo, nas 5 horas restantes, este mesmo trabalhador produz ainda mais sem receber aumento em seu salário. Dessa forma, o período de trabalho é mantido, o salário também, mas o lucro é significativamente ampliado. Essa é a mais-valia.


Revolucionar o modo de produção depende do instrumental de trabalho. No caso da indústria moderna, isso se configura pelo uso de máquinas. Quando da manufatura, eram as ferramentas. Para distingui-las, adota-se o critério de força motriz. As ferramentas caracterizam-se pela empregabilidade de força humana, enquanto as máquinas utilizam forças naturais diferentes da do homem, exercendo o trabalho de vários deles.

Da necessidade de incrementar a força motriz, o homem buscou alternativas. Num primeiro momento, arranjou-se com o que parecia mais fácil, isto é, apropriou-se das forças do animal. Entretanto, não foi o suficiente: a necessidade de que a máquina produzisse mais fez despertar o gênio para inovações. Eis que, então, surgiram no cenário os moinhos, a força hidráulica, e, de certa forma no auge, a máquina a vapor. Tudo isso, reitere-se, contribuiu para o aumento da produção.

As dificuldades, porém, não se limitaram à modalidade da força motriz. Com efeito, as primeiras máquinas tiveram de ser produzidas pelas mãos humanas. Nisso, não houve problema, pois que elas eram de pequeno porte e de não tão complexa montagem. Contudo, com o passar do tempo, foram elaborados projetos de máquinas ciclópicas. Para que eles fossem realizados, a capacidade estritamente manual do homem seria insuficiente. Surgiu, então, a necessidade de se produzirem máquinas que fossem utilizadas na fabricação de maquinário maior ainda. Vê-se, portanto, a barreira orgânica que o homem rompeu por meio da tecnologia.


Publicado por: Jonas Kulakauskas Sá Freitas, Leonardo Simões Agapito, Marcos Vinícius Canhedo Parra, Murilo Borsio Bataglia, Rafael Maciel Mellado.

Máquina: para o bem ou para o mal?


Karl Marx num primeiro momento no 13° capítulo de sua obra, O Capital, busca a priori discorrer da forma mais clara possível sobre as relações de maquinário, tecnologia e ferramenta no âmbito do meio de produção capitalista.

Tratando-se das dependências entre o que é a máquina e o que é a ferramenta, Marx passa a seguinte definição: ‘’... a ferramenta é movida pela força humana e a máquina por uma força natural diversa da força humana...’’; a partir deste ponto é apresentada uma forte tese que da base a teoria central defendida pelo autor, a pertinência da existência de um maquinário e de uma tecnologia cada vez mais avançada para a sobrevivência do método de exploração burguês para com os proletários numa sociedade voltada ao rendimento do mercado. Tal método é nomeado pelo autor como ‘mais-valia’, que tem por essência a apropriação dos bens de produção sociais por parte do patronado (leia-se burguesia ou donos dos meios de produção).

No entanto, é necessário depreender que a máquina não afeta somente a questão burguês-lucro, ela também atinge de forma direta e incisiva a relação entre o trabalhador e a produção assim como a relação entre trabalhador e o produto de sua força de trabalho. O desenvolvimento do maquinário através da tecnologia condiciona cada vez mais o trabalhador a se alienar de seu próprio trabalho, retirando dele suas especialidades e capacidades próprias, assim tornando-o vulnerável à substituição.

É inegável também que quão maior for a tecnologia empregada no método de produção, maior será o acúmulo patrimonial gerado, logo o maquinário desenvolvido ao menos em tese não se versa de todo o mal, uma vez que permite a produção de riqueza necessária para o cumprimento da demanda social.

Em suma, Marx apresenta em sua obra uma crítica profundamente dialética sobre o desenvolvimento tecnológico de produção permitido pelo capitalismo e suas influências. Ao passo que notamos uma máquina que substitui, aliena, incapacita em termos e banaliza a força de trabalho proletária, temos também uma máquina geradora de riquezas em escalas jamais vistas e que pode, com o devido empenho servir ao bem comum dos mais diversos estratos da sociedade.

Sobre a subjetividade e a objetividade do trabalho

Antes da Revolução Industrial, durante a fase chamada pré-capitalista, os trabalhadores detinham os meios de produção e o conhecimento de todas as etapas do processo produtivo; prevalecia, dessa forma, a subjetividade do trabalho. Os trabalhadores possuíam uma visão integral do processo de fabricação do produto e do seu papel nesse respectivo processo, ou seja, sua finalidade na grande roda da indústria, ou ainda mais anteriormente, em seu grupo social. Além desse conhecimento e a participação integral, é importante frisar o lado subjetivo da especialização do trabalho, ou seja, nas manufaturas, cada trabalhador poderia “escolher”, de acordo com as suas habilidades individuais e ferramentas, o seu papel específico na produção como um todo, e isso é ainda mais claro no meio de produção artesanal.
Pode-se então citar Dejours para ilustrar a diferenciação da subjetividade e a objetividade do trabalho:
” A subjetividade do trabalhador tornou-se fragmentada na atual sociedade capitalista. A busca por pequenos gozos narcísicos, os novos modelos de produção e gestão, representados atualmente pelo toyotismo, e a disseminação de uma ideologia tipicamente alicerçada nos valores sociais e econômicos capitalistas, foram capazes de propiciar o sequestro da subjetividade do trabalhador e, consequentemente levá-lo a enfrentar condições físicas e psicológicas de trabalhos cada dia mais precárias.”
A apropriação dos meios de produção pela burguesia. Êxodo rural gerou um grande exército de reserva, discurso ideológico baseado na produção e consumo. -> Divórcio entre o produto e os meios-de-produção e o conhecimento.
Quanto a objetividade, o êxodo rural, consequência da maquinização do trabalho rural, gerou um grande exército de reserva pronto para atuar na indústria da cidade. Isso leva a um meio de produção mecânico, onde o homem se torna apenas um instrumento de produção para assegurar a manutenção do novo sistema capitalista da sociedade. No entanto isso gera insegurança ao trabalhador da cidade em relação à estabilidade de seu emprego, que sabe que pode ser facilmente substituído por novos maquinários. E então, já não tendo grande influência sobre o produto final, somente obedecendo ordens da classe que realmente detém os meios de produção (burguesia), e ainda desestimulado pela insegurança, a subjetividade dentro de seu trabalho diminui cada vez mais.


postado pelo grupo:
Gabriel Emir Maia Quadrado
Guilherme Augusto Cardoso
Kamila Meneghini Bradan
Lucas Takahashi Tashiro
Luis Felipe Hetem
Maira Barbim
Marina Ferreira Segatti
Matheus Grisolia Elias de Andrade

Direito Diurno

As engrenagens da dialética


A Dialética é um conceito baseado na ideia da existência de três eixos centrais. São eles: a tese, a antítese e a síntese. A tese consiste em uma afirmação; a antítese em uma contra- afirmação e a síntese em um resultado da oposição entre estes. É importante ressaltar que a síntese é estritamente relacionada ao contexto histórico no qual um fato é analisado.

Na capitulo XIII da obra em questão (O Capital), a tese estaria caracterizada pelos donos dos meios de produção. Com a incorporação do maquinário na sociedade industrial, percebemos um fortalecimento da tese. A produção cresceu muito e os operários passaram a trabalhar mais (intensificação do trabalho), sem um respectivo aumento dos seus salários e benefícios. Este aumento produtivo enriqueceu, portanto, somente os donos dos meios de produção (tese).

Com este fortalecimento da tese, a opressão sobre o proletariado, sendo este a representação da antítese, aumentou sobremaneira. A mão de obra era constituída de forma a não fazer distinção entre gênero e idade. Os operários trabalhavam sob carga horária abusiva, condições insalubres e baixa remuneração e tinham sua vida cotidiana e o viver de suas famílias alterado, o que causava descontentamento da população e fazia com que esta se revoltasse. Temos aí, portanto, uma intensificação da antítese.

A expressão do embate entre tese e antítese é a luta de classes, e à medida que ela se energiza, a consequência histórica muda juntamente com a síntese. Em um primeiro momento, no qual a tese prevalece absolutamente, o Estado é liberal e permite o crescimento apenas da burguesia, a síntese tem basicamente o conteúdo da tese. Durante o processo de enrijecimento da antítese, a burguesia se vê pressionada a ceder à demanda por meio de estatutos sociais, efetivação da garantia de direito fundamentais e a tutela de direitos coletivos.

É diante dessa análise que percebemos a importância da dialética marxista sobre a vida cotidiana e sua contribuição para a transformação do viver.

Grupo: Bruna Martins Federici, Carolina Sabbag Salotti, José Arthur Fernandes Gentile, Osvaldo Rodrigues Junior, Victor Nobrega de Abreu.

DIMENSÕES SUBJETIVA E OBJETIVA DO TRABALHO


Anteriormente à Revolução Industrial, o trabalho era desenvolvido por artesãos e produtores manufatureiros, cuja produção estava inteiramente submetida ao seu domínio, sobretudo organizados na forma das corporações de ofício. Nesse formato, o trabalhador tinha grande liberdade de criação, flexibilidade de horário e podia conhecer sua identidade no produto concebido por seu labor.

Com o advento da máquina a vapor e de tantas outras inovações tecnológicas, as relações de trabalho sofreram distorções: o homem perdeu seu papel ativo nos ditames da produção, ficando submetido ao ritmo imposto pelas máquinas e tornando-se o seu mero operador. Deixa de ter autonomia sobre a criação, partindo-se exclusivamente de modelos predeterminados, além de estar restringido a apenas fragmentos do processo produtivo. Como consequência disso, enxerga a sociedade sob uma visão reduzida, como se tentasse observar uma paisagem por uma ínfima fresta de uma janela. Como Marx explica: “O capital faz o operário trabalhar agora não com a ferramenta manual, mas com a máquina que maneja os próprios instrumentos”.

Na medida em que essas transformações ocorrem, o trabalho deixa de lado seu fim social de caráter subjetivo, isto é, que parte da iniciativa humana, e assume um aspecto objetivo que prioriza a dimensão econômica da atividade, vendendo, assim, a força produtiva do homem, bem como de toda sua família. “A maquinaria transformou-se imediatamente em meio de aumentar o número de assalariados, colocando todos os membros da família do trabalhador, sem distinção de sexo e de idade, sob o domínio direto do capital. O trabalho obrigatório para o capital toma o lugar dos folguedos infantis e do trabalho livre realizado, em casa, para a própria família, dentro de limites estabelecidos pelos costumes”.

Portanto, numa conjuntura em que o capital impera e determina a máquina como senhora do processo produtivo, o homem reduziu-se a um simples apêndice da mesma, sem ao menos ter consciência disso – o que é fruto da alienação que decorre do capitalismo e o sustenta, ao lado da mais-valia, instrumento de exploração e garantia do lucro do proprietário dos meios de produção.


Grupo: Ana Carla Pessin de Souza, Henrique Lima de Almeida, Laura Melo Zanella, Laura Soriano Infante França e Letícia Buranello Moura.

O Capitalismo e seus impactos sociais


A Revolução Industrial modificou a estrutura sócio-econômica da Europa, e, posteriormente, do mundo, com a passagem do capitalismo mercantil para o capitalismo industrial. A introdução da máquina provocou o expurgo dos camponeses em direção às cidades, que não conseguiram absorver tamanho contingente populacional, a exemplo dos cercamentos na Inglaterra.

A mecanização das forças produtivas trouxe profundos impactos sociais e familiares devido à reificação do proletariado que ela promoveu. Condicionados às vilas proletárias, sem condições dignas de vida, os proletários se empobreciam à medida que a acumulação capitalista se ampliava, no chamado processo de “pauperização” com o qual Marx trabalha. Ele defende a constante intensificação da mais-valia, com a qual o capitalista é favorecido sempre em detrimento do proletário.

A pauperização e o desemprego contribuem para a modificação das relações familiares e sociais. As longas jornadas de trabalho provocam o distanciamento entre os membros da família e entre os membros da própria sociedade, além do esgotamento físico e psicológico, afetando também a divisão sexual do trabalho então vigente. Os baixos salários geravam a necessidade de complementação da renda familiar pelas mulheres e crianças; as mulheres passam a levar uma jornada dupla de trabalho – nas fábricas e no lar – e se distanciam de seus filhos.

As crianças são forçadas a ingressar precocemente no mercado de trabalho, no qual exercem funções degradantes, inadequadas para sua faixa etária, o que se assemelha ao trabalho escravo. Marx lembra que muitas crianças eram traficadas ou alugadas por seus pais e orfanatos, criando um grande círculo de exploração infantil, muitas vezes anunciada até em jornais.

Tudo isso contribuiu para a deterioração da educação, que já não é mais considerada prioridade, em função da acumulação do capital e da exploração gerada por ela, ensejando uma cultura de consumo e exploração que promove a decadência da cultura das sociedades.

Vale lembrar que houve alguns movimentos em prol de modificações da estrutura capitalista, como o ludismo (quebra das máquinas) e cartismo (movimento operário organizado por maior participação política), mas que ficaram apenas na história, sem obterem grandes resultados.

No entanto, o regime capitalista modificou-se, uma vez que atualmente há leis trabalhistas e políticas sociais que barram parte da brutalidade do sistema, no chamado “Estado de bem-estar social”. Ainda assim, permanece a tendência de esfriamento dos laços familiares e sociais.

Grupo: Ana Cristina Alves de Paula
Edilberto Marassi
Gabrielle Ota Longo
Henry Suzuki

Tema da discussão: Família e relações socias

A influência das máquinas na vida cotidiana

O capitalismo criou um mecanismo que permitiu uma ampliação da produção, através das maquinas foi possível inserir mulheres e crianças nas fábricas.

A máquina, ao aumentar o material humano dentro do sistema de produção, amplia, ao mesmo tempo, o grau de exploração dos trabalhadores. O aumento da produção causou diminuição da qualidade de vida e estabeleceu condições precárias de trabalho.

Nesse contexto, havia “ruina física das crianças, dos jovens, das mulheres, submetidos diretamente pela maquina à exploração do capital nas fabricas mecanizadas”, como por exemplo, “a imensa mortalidade dos filhos dos trabalhadores, nos primeiros anos de vida” que havia.

Nos primórdios do capitalismo, teoricamente, a máquina deveria amenizar a exploração dos trabalhadores e melhorar as condições de trabalho que influem na qualidade de vida dos mesmos. Contudo, percebemos, que o que ocorreu foi o contrário, pois o trabalho foi ainda mais desvalorizado visando o aumento do lucro dos capitalistas com a mais-valia.

O contingente de pessoas em busca de empregos era grande. Apesar dos baixos salários, os trabalhadores se submetiam às péssimas condições, pois, se não fizessem, haveria quem os substituíssem nas fábricas. A remuneração insuficiente obrigava todos os membros da família a ingressarem no mercado de trabalho.

Amanda Mubarak de Oliveira, Maiara Motta, Melina de Araújo Lima, Thalita Moreira.

Família/Relações Sociais

Karl Marx dividia as esferas da sociedade em ‘Estrutura’ – a base material que compreende as relações de produção - e ‘Superestrutura’ – tudo o que deriva da estrutura, e é influenciado por ela (cultura, religião, política, Estado etc.). Sendo assim, as relações familiares, que fazem parte da Superestrutura, estão submetidas à lógica da Economia (Estrutura).

O surgimento do Capitalismo e as alterações provocadas por esse sistema transformaram a dinâmica familiar, tornando todos os membros da família, sejam eles homens, mulheres ou crianças, força de trabalho em potencial. Esse fato acabou por usurpar o sentido da família existente até então.

O valor do trabalho passa a estar vinculado ao tempo de trabalho, não somente à sua qualidade, fazendo com que os trabalhadores fossem submetidos a uma exploração sem limites, enfrentando jornadas de trabalho que se estendiam por um longo período do dia. Sendo o trabalho exploratório o único meio de sobrevivência, cada membro da família exercia uma função ou era inserida em um cargo.

A ânsia dos detentores dos meios de produção para que ela fosse intensificada impulsionou o desenvolvimento tecnológico. Ao longo do tempo, portanto, o trabalho braçal foi substituído pela maquinaria. O trabalhador passa a ser o apêndice da máquina, sendo que sua função passa a ser de controlá-la. Assim, “a maquinaria desde o início amplia o material humano de exploração, o campo propriamente de exploração do capital, assim como ao mesmo tempo o grau de exploração.” (MARX, Karl. “O capital”)

Na concepção de Marx, as relações sociais não passam de relações econômicas. Dessa maneira, o âmbito econômico regia o âmbito social. Da época da análise de Marx até os dias atuais, o Capitalismo se modificou, o que garantiu sua sobrevivência como modo de produção predominante. Sua estrutura, no entanto, conservou-se. Ainda hoje as relações econômicas determinam as relações sociais.