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segunda-feira, 11 de maio de 2026

 Sempre haverá um Lich King

Já faz alguns anos que deixei de lado minha rotina gamer, e parei de me identificar como um jogador de World of Warcraft. Ainda assim, ainda me encanto e pela história do jogo ao ver o quanto ela é inspirada na história da própria sociedade. Sei que estamos tratando de ficção, mas você sabe, a arte imita a vida... ou o contrário. Talvez, fazer o “loremaster” foi minha maior conquista nesse jogo.

  • - Está brincando que você fez todas as quests do jogo.

  • - Não, não estou. Fiz todas as quests de todos os mapas do jogo. Foi um desafio.

  • - Eu imagino mesmo. Qual foi o mapa mais difícil.

  • - Creio que foi o da Tundra. Muitos mapas, muita coisa pra fazer, mas ao mesmo tempo, pra mim foi a melhor parte da história.

  • - A do Lich King?

  • - Sim. É uma história triste. Mas representa o que já foi esse mundo, e talvez ainda seja.

  • - Pra mim, Lich King é só um louco que tentou tomar o poder através do medo, comandando um exército de mortosQuem não teria medo? Seria ele o principal dos absolutistas?

  • - Eu não sei... No princípio a ideia era nobre, ele tentou proteger o povo, mas foi corrompido pelos próprios objetivos. Vulgo tentou matar todo mundo para evitar que a praga se espalhasse. 

  • - Será que havia alternativa? 

  • - Bom, essa era a discussão naquele momento. Os que foram acometidos pela praga também não teriam direito à vida? Poderiam ser exterminados como baratas?

  • - Eles até lutaram, mas eram minoria, não podiam fazer muito. Convenceram os humanos e elfos de que seriam os próximos a serem exterminados, pois o rei estava fora de controle.

  • - Sim, mas você sabe... cada um luta pela própria classe, pelos próprios interesses. 

  • - E você viu, uma vez que o rei foi derrotado, todos continuam lutando um contra os outros, cada um pelos próprios interesses.

  • - Você acha que um dia todas as classes viverão em harmonia?

  • - Acho que o estado atual já é de harmonia, não estão se matando, já está bom. Cada um em seu canto. Mas acho que esse mundo do Jonh Lennon não é possível, nem mesmo na ficção. 

  • - Mesmo sem o Lich King?

  • - Como assim sem o Lich King?

  • - Ele foi morto, oras...

  • - Mas outro tomou o seu lugar. Não existe anarquia, nem mesmo entre os tiranos. Quando cai um, outro logo toma seu lugar. O Rei está adormecido, mas jamais morto, e não queira imaginar o caos que seria se estivesse.


Continuo reflexivo sobre isso. No fim das contas, a sociedade é uma mentira. A civilização só se sustenta pela lei e ordem, e talvez não só na ficção. As pessoas por si só, seja de qual classe forem, querem mais é se livrar uma das outras, se isso for em benefício próprio. O sonho dos infectados era apenas viver. Uma vez que permaneceram vivos, almejam exterminar os outros. Sempre haverá um Lich King. Seja de qual classe for, ele irá existir. O mundo não vive sem a dominância, e quem diz que sim, geralmente faz parte dela. O sonho do dominado não é que não haja dominância, mas sim que seja o dominante ele mesmo. Sempre haverá um Lich King.


Tatiane da Silva, 1º ano direito noturno

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