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segunda-feira, 11 de maio de 2026

A FUGA DOS "DIREITISTAS"

Sobre o contexto atual da direita no Brasil –

Após a Ditadura Militar de 1964, o Brasil se autodenominou de diversas formas, menos com o posicionamento político tradicional de direita. Esse fenômeno é chamado pelos pesquisadores, Marcos Paulo dos Reis Quadros e Rafael Machado Madeira (2018), como a “direita envergonhada”, a qual, uma vez que tal posicionamento político estava manchado pelo sangue do regime autoritário, os deputados não se demonstravam alinhados às pautas conservadoras. Porém, a partir do ano de 2010, com a campanha de José Serra, houve um “desavergonhamento” político devido as mudanças geracionais e, principalmente, ao pensamento reacionário antipetista. Dessa forma, a hegemonia do Partido dos Trabalhadores, políticas públicas progressistas e as investigações sobre a Operação Lava-Jato criaram uma antipatia com a esquerda brasileira e retomaram a coragem da direita brasileira. Assim, os movimentos de direita e de fuga do governo assistencialista brasileiro se tornaram cada vez maiores, chegando a movimentar parcela da população para outros países, como o Paraguai, para se afugentar do suposto “inimigo nacional”, a esquerda. Essa é a principal hipótese a ser debatida nesse blog.[i]

 

Sobre a emigração para o Paraguai –

O Paraguai tem se tornado um ambiente de extrema atratividade e desejo dentre os brasileiros, dentre os motivos para isso estão as exageradas propagandas nas redes sociais, a esperança de enriquecimento do país e a convicção de taxas tributárias inferiores às do Brasil. Tais fatores retêm a atenção dos brasileiros que não se sentem representados pelo governo atual e, então, partem em uma aventura por motivos não só econômicos, mas também políticos e ideários. Essas pessoas, muitas vezes empresários e desempregados, são convencidas pelas políticas do Paraguai que tornam a realidade mais atraente, como o sistema tributário “10-10-10”, que aplica alíquotas de 10% para os três principais impostos: IVA (para os bens e consumo), IRE (para empresas), IRP (para pessoas físicas). Entretanto, esse éden fiscal existe em detrimento de serviços púbicos, como a educação e saúde, os quais necessitam de melhores infraestruturas e investimentos para funcionamento, mas são vistas de outras formas pelos emigrantes tradicionalistas:

“O governo paraguaio, como ele arrecada menos com imposto, ele gasta menos com saúde, educação, infraestrutura, mas vocês falaram que isso é um ponto positivo do Paraguai?”

“Para mim, sim. É porque nós somos libertários e nossa posição política é anarcocapitalista, então a gente prefere um Estado menor, com menos intervenção na economia, menos intervenção na nossa vida pessoal. E isso quer dizer que ele não tem, tipo, uma saúde planificada como no Brasil, mas ao mesmo tempo você tem um plano de saúde ‘top de linha’ num preço muito mais acessível do que você teria no Brasil. Para nós, especificamente, eu prefiro essa maneira de viver.” [ii]

Diferentemente do Brasil, que determina a ilegalidade da educação domiciliar, o Paraguai não chegou a mesma conclusão e, pelo contrário, incentiva a prática com apoio da constituição e da não regulamentação adicional - “Artículo 75 - DE LA RESPONSABILIDAD EDUCATIVA La educación es responsabilidad de la sociedad y recae en particular en la familia, en el Municipio y en el Estado.” [iii]. Mais uma vez, idealizando o cenário conservadorista para o afugentamento dos brasileiros descontentes com as políticas nacionais, como reflete a paranaense Marluize Ávila:

“’Não tem aquele ditado ‘quem está incomodado que se mude’?. Eu falei para o meu marido: 'Não adianta a gente ficar aqui passando ranço'. Vamos para outro lugar onde a gente se sinta bem para criar nossos filhos.’

A paranaense Marluize Ávila, de 42 anos, vendia brigadeiros acompanhada dos dois filhos, Eduardo e Isabela, enquanto esperava para dar entrada nos documentos. Ela pretende cuidar da educação deles de manhã e vender a comida à tarde na porta de universidades.

‘O Paraguai é um país bem tradicional e não prejudica se você fizer a educação domiciliar’, diz Marluize.” [iv]

Esse é o cenário atual da campanha emigratória brasileira para o Paraguai, baseada em valores, crenças e esperanças no futuro paraíso paraguaio e o refúgio da nova direita desavergonhada.


BIBLIOGRAFIA –



[i] Quadros, M. P. dos R.and R. M. Madeira. “Fim Da Direita Envergonhada? Atuação Da Bancada Evangélica E Da Bancada Da Bala E Os Caminhos Da Representação Do Conservadorismo No Brasil”. Opinião Pública, vol. 24, no. 3, Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade Estadual de Campinas, Sept. 2018, pp. 486–522, doi:10.1590/1807-01912018243486.

[ii] A ONDA de brasileiros rumo ao Paraguai em busca de 'sonho da direita'. S.L.: Bbc News Brasil, 2026. (21 min.), son., color. Disponível em: https://youtu.be/QMIT1_CPLZw?si=4VtS1UkVQmmctJJd. Acesso em: 04 maio 2026.

[iii] PARAGUAI. Constituição 1992. Constitución de la República del Paraguay. Assunção: Convenção Nacional Constituinte, 1992.

[iv] OS BRASILEIROS EM BUSCA DO SONHO PARAGUAIO: 'A GENTE NÃO ESTÁ AGUENTANDO O BRASIL'. S.L., 05 maio 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceqp9ydx45vo. Acesso em: 07 maio 2026.

 

Miguel Ferrai Ferreira – Direito/Noturno

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