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domingo, 26 de junho de 2022

"A Concepção Weberiana de Economia e Sociedade"

    Segundo Max Weber, a função da sociologia é a de ser uma ciência de cunho interpretativo que, para ele, deve buscar compreender as chamadas ações sociais e buscar explicá-las, afirmando, ainda, que a sociedade seria o resultado das formas de relação entre os indivíduos que constituem essa sociedade, e, justamente, o indivíduo, logo, ocupa um lugar fundamental de destaque na perspectiva de Weber, mesmo em se falando do coletivo, o enfoque deve ser sempre no individual. 

    O conceito de "ação social", criado por Weber, significa um tipo de conduta do indivíduo que tem um sentido, tanto para ele próprio quanto para os outros que também são afetados. Esse conceito, também, pode ser definido como as manifestações de interação entre indivíduos, já que uma ação acontece somente quando indivíduos entram em contato uns com os outros. Considerando as particularidades de cada indivíduo, que é algo em que Weber acreditava, é possível afirmar que as ações sociais são, em sua visão, também, a ocorrência de interferências externas sobre como cada pessoa vive. Por essa complexidade no tecido de interações sociais, mostra ser de bom tom destacar que Weber deu um enfoque multicausal à análise dos fenômenos sociais, destacando fatores culturais e materiais presentes no surgimento das instituições da modernidade, além de analisar o processo de racionalização e desencantamento decorrentes do mundo que acompanham tais instituições, de modo a compreender a sociedade de uma forma mais abstrata e integrada às condições históricas, culturais e sociais. 

    O capitalismo, na visão weberiana, é um sistema que promove uma espécie de racionalização do trabalho e do dinheiro, sendo sustentado por uma prosperidade e por uma grande e crescente capacidade de se gerar dinheiro neste sistema, tal pensamento teve uma enorme influência do pensamento calvinista (pelo qual Max Weber sofreu forte influência) por conta principalmente da ideia de que a pessoa próspera e trabalhadora era uma pessoa abençoada, e quanto maior o seu sucesso financeiro/material, mais agraciado por Deus você será, e, na visão dos calvinistas o pecado era o ócio e a futilidade. Além da influência do calvinismo, Kant e o seu idealismo kantiano são, também, parte da influência que Weber teve em suas ideias e conceitos, especialmente na sua conceção de o que é o capitalismo, e, sob essa lupa kantiana na concepção de Weber, o sistema capitalista é enxergado como um ideal, com um espírito, e a partir disso, esse sistema seria construído de fato, na prática. 

    Com base em tudo que foi dito sobre Max Weber, suas influências e suas ideias, é possível afirmar, também, que a vida política e social na visão weberiana, tende a se balizar nas garantias oferecidas pela legitimidade legal, por meio do Direito, que seria uma ferramenta de consolidação da dominação do status quo, podendo ser visto, também, como uma forma de racionalização e confirmação do poder desse status quo dentro de um sistema capitalista legal e normatizado. Munido de todos esses conceitos que produziu, Weber produziu importantes obras sobre economia (como "A ética protestante e o espírito do capitalismo" e "Economia e sociedade", por exemplo), além de ter analisado a trajetória e o desenvolvimento de diversas economias de vários países do mundo. 


Otávio Aughusto de Andrade Oliveira - 1°Ano de Direito; Matutino

O Breve, mas essencial reconhecimento de Weber sobre a Moral

 Eric Voegelin, jurista europeu que trabalho diretamente com um dos maiores nomes do positivismo jurídico, Hans Kelsen, foi um grande filósofo que abalou muitos fundamentos da filosofia e das ciências sociais, especialmente da modernidade. 

Em sua obra A Nova Ciência da Política, de 1952, Voegelin aborda diversos aspectos do estudo político e dos desdobramentos dele na sociedade de sua época. Em uma de suas análises, o autor discorre sobre um dos grandes problemas que refletiram na decadência da ciência política, a formação da filosofia positivista e suas reverberações. Dentre um dos afetados, foram seus posteriores, como Max Weber. 

Grande defensor de uma ciência isenta de quaisquer valores que fossem, Weber teorizava acerca da influência dos citados para o saber científico e quão poder de ordem eles tinham sobre a política, no chamado demonismo da política ¹, em que os valores tinham significativa importância nas decisões dos políticos, determinando os resultados, este pensamento sendo denominado como sociologia compreensiva. Nesse sentido, Weber, embora estivesse ainda, de certa forma, alinhado a Comte, foi de encontro frontal à ideia positivista de desconsideração total do plano metafísico ou moral da pesquisa científica, contrariamente ao primeiro ideólogo, do qual afirmou a metafísica não possuir mais a força lógica necessária para mudar algo². 

Enquanto se assemelha a algo ultrapassado, a saber a mínima atenção sobre a essencialidade do sistema moral para a vida de um meio social, o ponto tão aclamado pela autora deste artigo acerca da individualidade do ser prevalece como um degrau subido. A volta do crédito à parte valorativa do homem pela perspectiva weberiana levou a uma nova cosmovisão da alma do homem: aquela que tem poder de resistir a qualquer proposta quando há bons valores firmados no caráter - no caso, dos políticos- e que a moral possui sim um vigor que move toda a população rumo a um ideal. 

Em suma, esta breve análise de Max Weber pôde colaborar com a exaltação da unicidade de cada um, apesar do autor ter seguido mais pela linha do Positivismo que esta visão especial sobre os animais políticos, levando estes a um patamar de protagonista que só o homem pode experimentar dentre todos os seres vivos, sendo ele o de fazer suas escolhas, nem que elas sejam a de resistir a tudo que contraria o bom, belo e verdadeiro.Logo, se todos os cidadãos seguirem por esta receita e transformarem como enxergam a si mesmos- não como manipuláveis, mas como grandes responsáveis por si mesmos-, de fato a humanidade irá tender ao progresso, conforme Augusto Comte afirmou. 



¹ Voegelin, Eric. 1952. Pág 25
² Comte, Augusto.1844. Pág 66

Poder e Dominação

 Para Karl Marx, o poder vinha das classes sociais. Já para o intelectual Max Webber, o poder vinha de todos os lados. Mas então, o que é o poder?

Essa questão pode ser respondida como: é uma atividade de dominação. Ou até a "competição entre as vontades". E se ele está em tudo, como essa grande quantidade de poder não entra em conflito?

Webber dizia que essa atividade de dominação não é total, e sim uma probabilidade. Em outras palavras, o poder pode ser entendido como a chance de impor a própria vontade em uma relação social, mesmo com resistências. Dessa forma, ele está suspenso no fio da legitimidade, ou seja, na aceitação dessa dominação. 

Logo, confrontar o poder é não aceitar sua legitimidade, e isso pode ser feito quando essa dominação resulta da apropriação diferenciada de recursos escassos, gerando uma assimetria e instabilidade social. Assim, entende-se que nenhum poder é total, pois é uma probabilidade, e não uma efetividade permanente. 



Giovana Pevarello Parizzi
1° Direito - Matutino

Para toda ação, há uma intenção, com valores intrinsecamente impostos por instituições.

Em meio a busca de compreender a realidade, Weber, não exclui o que Marx até então havia interpretado, mas perpassa a ideia de observar o social apenas pelo meio econômico, haja vista que a ciência de Weber deveria ser capaz de "compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la casualmente em seu curso e em seus efeitos", ou seja, entender os valores sociais, culturais e tradicionais que respondessem a ação dos indivíduos, em que o cientista social, estudioso dessa realidade, não deveria fazer juízo de valor diante das interpretações, mas sim compreender sem pressupostos o porquê da ação, principalmente, o significado daquilo que é motivo da aspiração, resultando, assim, em uma sociologia compreensiva. Diante dessa ideia o método por si não possui significado relevante quando dissociado da ação do indivíduo e de suas motivações que regem essa ação, tendo em vista que o indivíduo é a expressão social com suas complexidades e perspectivas distintas que mudam de acordo com o contexto social, em que perpetua e ratifica a ideia de que toda conduta é dotada de significados.

A busca pela compreensão está associada com as condutas expectáveis, uma vez que não se pode entender, de fato, o comportamento dos organismos vivos proposto por Durkheim, uma vez que é possível apenas explicá-los de acordo com regras causais, ou seja, aquilo que é entendido a partir da lógica dos sentidos e da consciência que tem para o agente o motivador da ação. O indivíduo dentro desse contexto possui um papel central, mesmo quando o coletivo já está formado, uma vez que é dotado de ações que já existem e buscam vigência, ou seja, se encontram na mente de pessoas reais. 

Nesse sentido, a ação sempre se orienta pela ação do outro, carregada de significados dentro de um contexto de relação social como em um almoço de família, aulas na faculdade e, também, no comportamento dentro de um local religioso. Logo, o real significado da ação advém de um processo histórico, ou seja, ganha intangibilidade no contexto de determinadas referências, principalmente, a cultural, a qual consegue moldar as ações dos indivíduos conforme seus preceitos. Segundo Max Weber, o conceito de cultura é um conceito de valor, uma vez que se manifesta e abrange componentes significativos da realidade os quais fazem sentido na consciência e na cosmovisão pessoal de cada indivíduo. Essa ideia está intrinsecamente ligada com a individualidade do indivíduo e o significado das conexões causais desempenhadas pela cultura, tendo em vista que as relações estabelecidas entre ambos possuem o valor que manifesta na realidade, haja vista que toda ação possui significados.

Outrossim, ainda é viável destacar a ideia de "tipo ideal" proposta por Weber, em que expõe pressupostos de como desenrolar uma ação humana baseada estritamente na realidade, a qual necessita suspender o juízo de valor, influenciado por erros e afetos, e conseguir organizar o caos e a complexidade do real. Diante dessas prerrogativas, transpondo para a contemporaneidade, casos de abuso como a da criança de 11 anos, em que a ação imediata de diversos indivíduos foi contradizer o aborto, é preciso ser analisado sem o juízo de valor, ou seja, entender os valores culturais, morais, econômicos e tradicionais que movem os indivíduos a julgarem tal caso, em outras palavras, Weber não está preocupado com o caso em si, mas sim com a ação do indivíduo que problematiza o caso, em seu comportamento e, também, em como esses valores e ideais da ação estão vinculados a determinadas instituições, que estabelecem, mesmo que indiretamente, uma hierarquia valorativa para a manutenção de ideias conservadoras, como no caso da religião e, essencialmente, um enquadramento da ação.

Ademais, o próprio mercado capitalismo e o Estado moderno centralizado, cria os indivíduos como eles são, ou seja, ideias e valores são perpetuados sem que o próprio indivíduo tenha ideia, o qual encontra uma obediência e uma ordem de determinado conteúdo. A dominação, entendida como um modo de condução da vida "vinda de fora", resulta em ações racionais direcionadas a fins e valores, e ações subjetivas afetivas e tradicionais, a qual consegue ser legitimada quando entendida como válida pelo indivíduo. O capitalismo, modelo de sistema vigente, não teria condições materiais de desenvolvimento se essa racionalização da ação fosse inexistente, tendo em vista que os moldes criados por ele estão sendo maximizados para a sua manutenção.

Fica claro, portanto, que o método de ciência proposto por Weber é de extrema relevância para a compreensão da atualidade, principalmente, mediante as inúmeras ações valorativas dos indivíduos, em que são carregadas por instituições que visam manter sua estrutura e, para isso, é preciso que haja dominação. Assim, a ideia proposta por Marx mostra-se relevante, entretanto, as ideias implementadas por Weber trazem à luz as reais motivações, não apenas materialistas, da ação individual. 


Natália Lima da Silva  

1º semestre Direito matutino 

Turma XXXIX

sábado, 25 de junho de 2022

Capitalismo Weberiano

 

Weber, ao contrário de Marx, encara o capitalismo de modo positivo, enquanto Marx via o capitalismo como um modelo de exploração do proletariado pela burguesia, Weber o vê como modelo ideal. Para este, o capitalismo provia a racionalização do trabalho e do dinheiro, garantindo a prosperidade, e capacidade de gerar cada vez mais dinheiro

Weber teve bastante influência do pensamento kantiano, que sustentava o idealismo. Kant acredita que o plano das ideias seria o mais puro e a priori. Baseado neste pensamento, Weber acreditava que o capitalismo era como um ideal, um espírito, e a partir disto esse sistema seria construído na prática.

Weber também utiliza o Protestantismo como base para seus estudos, principalmente o calvinismo. Segundo esta corrente, o homem de valor era aquele que trabalhava muito e não se entregava aos prazeres da vida, acumulando cada vez mais dinheiro. Logo, baseado neste pensamento, Weber analisa o desenvolvimento econômico das diferentes nações, e percebe que as protestantes se tornaram as maiores potências.


Bruno Issamu Ishioka

1° ano Direito - Matutino 

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Os movimentos sociais em uma perspectiva weberiana.

 Nas obras do poeta Allen Ginsberg, sobretudo durante os anos 60 nos Estados Unidos, bem como nas músicas de Bob Dylan e outros expoentes da época, é possível observar uma mudança de paradigma que marcou esses anos. 

Anteriormente, nos anos 50, a cultura era pautada por valores sobremaneira conservadores e tradicionais, como se vê no início da banda The Beatles, a qual originou-se com roupas sóbrias e clássicas, como ternos pretos, e, posteriormente, nos anos 60 e 70, começou a utilizar figurinos mais coloridos e repletos de elementos psicodélicos. 


O historiador Hugo von Hofmannsthal dizia: "Nada está na realidade política de um país se não estiver primeiro na sua literatura". Pode-se substituir, sem prejuízo do sentido que o autor quis transmitir, a palavra "literatura" por "cultura". Nesse sentido, em uma perspectiva de Max Weber, que apresenta a realidade social e ação social em uma maneira objetivamente científica, é possível perceber que os movimentos sociais que se tornaram efervescentes, principalmente na experiência estadunidense, durante os anos 60 e 70, se derivaram de um longo período de instauração cultural baseada em valores novos, contrários ao conservadorismo. Na época, essa tomada cultural foi chamada de "contracultura", justamente por ir contra a cultura vigente. 


Portanto, Max Weber revela que a ciência sociológica consegue transcorrer as experiências com um aparato científico e metodológico, como ele também mostrou em sua análise da economia americana em relação ao protestantismo. 


Cauan Eduardo Elias Schettini - Turma XXXIX - Direito matutino


Visão weberiana

 

Para Weber a sociologia é “Uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la em seu curso e seus efeitos”, bem como a compreensão dos valores movem a ação dos indivíduos. Desse modo o indivíduo ocupa lugar central na análise weberiana, em que a compreensão da sociologia deve levar em conta, que mesmo quando se trata de analisar entes coletivos o foco se mantém na ação dos indivíduos. Desse modo se difere de Durkheim, ao considerar que são às ações individuais que devem ser estudadas e não os fatos sociais reincidentes. Contudo a multiplicidade de conexões se funde resultando na cultura.

A ação social ou “condução da vida” deve ser sempre orientada em relação ao outro, desse modo a ação social relacionada ao outro faz com que se dê a relação social. A ação social é determinada por uma mobilização de valores, o que implica no fato de o “indivíduo decidir com sua própria consciência e cosmovisão pessoal”. Sendo assim a ação social representa a incidência de estímulos externos sobre o modo de conduzir a vida, surgindo assim um cenário de instabilidade permanente em que se faz importante a legitimidade que se caracteriza como a aceitação diante da dominação; a dominação pode se apresentar de modos distintos a exemplo da dominação legal que se dá através dos meios legais, a dominação tradicional que se justifica pela tradição e a dominação carismática que é exercida através de indivíduos carismáticos.

 Weber vê o capitalismo como ideal o qual promove a racionalização do trabalho e do dinheiro, sustentado pela prosperidade e capacidade de gerar dinheiro. A vida política e social tende a se equilibrar nas garantias oferecidas pela legitimidade, considerando que todos procuram despertar e cultivar a crença em sua legitimidade. Nesse sentido o direito é visto como expressão da racionalização do poder e da dominação.


Clara Letícia Zamparo 

Direito 1° ano - Matutino 

terça-feira, 21 de junho de 2022

Marx e Engels e as noções da Sociedade Civil

 Os jovens comunistas se reuniram  em Paris em 1844, Marx e Engels perceberam as conclusões teóricas que haviam  chegado com base na experiência da investigação filosófica e científica. Eles estavam determinados a agir como críticos dos jovens Hegelianos. Tal projeto, que revelaria um novo conceito de materialismo.

  Na obra de Marx e Engels o destaque é o método pelo qual as coisas são analisadas, somente com a compreensão adequada da realidade seria possível transformá-la, por isso os sociólogos discordam daquele idealismo dos Hegelianos.Desse modo, segundo Hegel a sociedade estaria em constante evolução ocasionadas pelas “leis históricas” que são determinadas pela cultura de cada povo, assim o direito serviria como uma forma de suprir as demandas de tal desenvolvimento, representando a superação das dificuldades, logo a lei variava em detrimento das vontades particulares.

  A sociedade civil era a representação da corrupção e da miséria, portanto cabia ao Estado ser a força que organizaria a desordem, constituindo o interesse coletivo universal, mas levando em consideração que o Estado também é produto das dinâmica histórica.Vale também ressaltar que nesse ponto há algumas discordâncias entre os sociólogos, enquanto que para Engels a sociedade civil é aquela burguesa que o Estado representa o centro de tal dinâmica, para Marx a sociedade civil a expressão de todas as classes, com o povo no centro, principalmente proletariado, no centro do dinamismo histórico.

 A Teoria Materialista de Marx está relacionada à matéria social,ou seja, os estados de produção e reprodução da vida social, na qual  o trabalho representa o exercício daquilo que faz a mediação entre os homens e a natureza na produção dos bens materiais, necessários à existência da vida em comunidade. Desse modo, não é possível sem a inter-relação do homem com a natureza. Tal trabalho, sendo explorado ou assalariado, segundo Marx, sempre será a relação do homem com a natureza para produzir os meios de produção e de sobrevivência. Para ele, até a sociedade comunista, que seria a mais evoluída em seu pensamento, teria como base o trabalho associado, livre, coletivo e destinado a atender às causas sociais, mas com o trabalho e os processos de produção ao comando dos próprios produtores.

  No decorrer da história, a sociedade passou por diversas estruturas socioeconômicas, cada uma delas possuía diferentes formas de produção do trabalho. É através de tais alterações  socioeconômicas, ao longo do tempo, que construíram a base sobre a qual se formou outras formas de consciência social, como a arte, filosofia, ciência, direito e as instituições jurídico-políticas (Estado).A formação social é a conexão dos  modos de produção, onde apenas um é dominante.

  Por fim, Marx e Engels dedicaram a vida, seus projetos, contra a exploração social sem conformismos ou adaptações.Enquanto o capitalismo estiver de pé, enquanto houver exploração, miséria, fome e desemprego, a obra de Marx e Engels será atual e somente a partir da assimilação de suas idéias e da experiência do proletariado é possível se pensar na luta conseqüente por uma nova sociedade.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

 

Para Marx e Engels, o materialismo histórico dialético parte de uma análise do contexto histórico do fato analisado. Podemos fazer uma comparação com o Direito, pois este se aplica na sociedade e como tal, contém uma história que o molda. O método de análise dos filósofos, parte do pressuposto da observação da realidade, o que realmente é e não como deveria ser. Esta forma é alterada durante o percurso do tempo e pode adquirir muitas faces. Atualmente, da forma como é, o Direito ligado ao Estado está fundamentado no capitalismo.

Materialismo Histórico-Dialético

 

Contrariamente ao idealismo, surgiu o movimento materialista. Apesar de ser mal interpretado, Karl Marx criou o materialismo histórico, amparado por Friedrich Engels. Suas concepções possuíam uma visão material das coisas no mundo, essa visão tem o fito de buscar uma interpretação sólida sobre as relações, trabalho e bens em todo o período da história.

Um outro ponto sobre o materialismo histórico é o de que todas as relações sociais são relações de produção, pois o sujeito está condicionado a sua condição material, assim como todas as suas relações. Diferenciando classes e suas vidas devido à materialidade.

 Marx diz que a história se transforma a partir da dialética, a qual é a contradição existente entre a classe dominante e a dominada. A dialética também possui a tese (afirmação), antítese (ideia contrária), e a síntese (resultado da contradição entre a síntese e a antítese).

Materialismo Histórico-Dialético

 

O materialismo histórico-dialético de Marx e Engels, surgiu como uma crítica à dialética Hegeliana. A filosofia de Hegel é chamada de idealismo dialético, e ele faz parte de um grupo de filósofos conhecidos como os idealistas alemães. A dialética hegeliana costuma se apresentar em três etapas: uma tese que provoca uma reação; uma antítese que contradiz ou nega a tese; e uma síntese que resolve a tensão entre os dois e toma para si elementos de ambos.

A crítica de Marx a Hegel afirma que a dialética de Hegel é falha porque lida com ideias, focando-se apenas em conceitos. Marx, por outro lado, argumentou que a dialética deveria se concentrar no "mundo material", ou no mundo da produção e outras atividades econômicas, em vez do mundo mental das ideias. Essa foi uma mudança significativa, pois permitiu que a dialética da formação da filosofia fosse aplicada para o estudo das interações sociais baseadas no “mundo material”.

A teoria histórica de Marx baseia-se em um aspecto fundamental da existência humana: a necessidade de trabalhar para manter nossa sobrevivência física. Como resultado, o trabalho humano serve como base materialista para a sociedade e é central para a explicação histórica de Marx. Assim, há uma condição imposta pela natureza para a existência humana, que obriga os humanos a se unirem socialmente para produzir seus meios de subsistência ao longo da história, em todas as sociedades e modos de produção, desde os primeiros caçadores-coletores paleolíticos até as sociedades feudais e modernas economias capitalistas.


Epifanias do ressignificar

 

Certa vez, não inesperada ocasião

Um operador retirou suas luvas,

Rasgou o avental e limpou as suas mãos

Encarou a esteira à sua frente

Deparou-se com os olhares curiosos.

Encontrava-se inquieto

Nunca antes havia sido interpretado.

 

Em direção à porta, ele despediu-se.

Ao lado do instante do adeus, ficaram para trás

A sua depressão, as engrenagens,

Suas relações de produção,

As noites exaustivas após o expediente,

Seus turnos de dezesseis horas,

Sua segurança e, com ela,

O seu título de legítimo cidadão.

 

Eles disseram que ele teria o seu nicho

Eles asseguraram que seria feliz e digno

Eles afirmaram... enfim.

Hipóteses já não mais possuíam importância.

Ele ousou almejar existir como o planejado

Em troca, recebeu o extremo contrário:

Inadequação com o sistema.

 

Ideias e anseios quase o arruinaram.

Contudo, isso não mais aconteceria

Ele, ao ultrapassar a última porta,

Após ter sentido a densidade da poluição,

Tendo enxergado o vermelho acinzentado do anoitecer,

Tendo escutado os rumores do início da vida noturna,

Sentiu os sussurros do vento chamarem-no.

 

Lembrou-se das suas inclinações anteriores

Ouviu o seu eu do passado sedento por luz.

No âmago do recordar, buscou uma memória.

Queria ser escritor.

 

Antes que o seu gerente, irremediável e ranzinza,

O pegasse e o sufocasse por ter paralisado a Mecânica

Ele subiu em sua bicicleta, encarou o horizonte e

Partiu em direção à casa de sua mãe.

Naquele dia, pela primeira vez, apresentaria uma novidade:

Ele seria feliz. 

 Tituba não seria bruxa em um outro contexto histórico-dialético 

O livro "Eu, Tituba, bruxa negra de Salém", de Maryse Condé, conta a história de Tituba, uma mulher preta de Barbados que foi escravizada no contexto do colonialismo e, também, foi uma das mulheres condenadas por "bruxaria" em Salém no século XVII. Pode- se analisar tal situação a partir do método materialista histórico dialético, que foi desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels. 

Este método foi constrúido com a função de analisar a sociedade de maneira científica, com base na realidade. Ao contrário de Hegel, que entendia que a explicação do mundo estava na projeção das idéias, e esta influenciaria o "real", Marx e Engels entendiam que são justamente as bases materiais que influenciam tal projeção. A partir disso, pode-se entender de maneira mais profunda a situação que Tituba estava inserida: essa mulher estava incluída em um contexto que a religião cristã, aliada ao racismo religioso, predominava a materialidade daquela época e, assim, a projeção de idéias desses indivíduos. Dessa forma, caso Tituba estivesse inserida em uma situação não cristã e racista, seu desfecho provavelmente seria outro, como a não acusação de bruxaria (talvez nem mesmo existissem as chamadas bruxas em outra situação política-social-histórica), já que "as coisas não surgem do nada e nossas escolhas não são somente nossas, nem livres, mas existem (e inexistem) dentro de um contexto." (FERNANDES, Sabrina. 2020, p. 67)

Por fim, a concepção materialista da história na dialética de Marx e Engels entende que as representações, como arte, cultura e religião, não possuem total autonomia, mas vinculam-se à base material, isto é, a atividade material e ao comércio dos homens. No caso de Tituba, as relações de produção estavam pautadas no mercantilismo colonial, que necessitava do comércio escravista e do apoio católico, assim, verifica-se que de fato a representação da religião, que a entendia como bruxa, estava intrinsicamente ligada às condições materiais de produção. 

Bárbara Canavês Domingos 

Direito Noturno 








Realidades distintas e a concepção materialista

A nova rede social do momento é o tiktok, uma plataforma de vídeos curtos de diversos conteúdos, de educativos a comédia, porém um nicho que vem ganhando espaço e força é o do “get ready with me” na qual a tradução é “arrume-se comigo”, que consiste em uma pessoa escolhendo roupa e acessórios para sair. A princípio parece algo inofensivo, todavia os maiores produtores de conteúdo dessa temática são pessoas com grande poder aquisitivo, que exibem seus looks realmente de milhões, com bolsas, sapatos e diversos outros itens de grife que possuem um valor irreal para a grande maioria dos brasileiros.

É nessas circunstâncias que nós - meros mortais - nos deparamos com uma realidade utópica, onde há pessoas reais que gastam valores prescindíveis em roupas (que são maiores do que pagamos nossos carros e casas). Consequentemente, nos espantamos e deslumbramos sobre esse cenário ficcional, que por muitas vezes nem imaginamos que poderia realmente existir, entretanto esse impacto que temos ao se deparar com esses contexto é normal e natural, pois a diferença é realmente exorbitante. 

Podemos explicar a diferença de realidades através da concepção materialista da história, no qual é abordado pela perspectiva de Marx e Engels, dois sociológicos que conceituam a sociedade a partir do materialismo histórico, ou seja o modo que a economia está organizada irá estabelecer todas as demais relações, portanto as relações sociais são também relações de produção, já que todas relações possuem um viés econômico, determinando as pessoas, locais que elas vão frequentar, visão de mundo e no caso, como e quanto gastaram para se vestir. 

Podemos notar também que toda sociedade é marcada pelo campo econômico que é a maneira que a sociedade produz  e pelo campo ideológico, que se sustenta pela forma que a sociedade pensa, consequentemente um determina o outro, pois a maneira que a sociedade pensa e se organiza é um reflexo da economia individualista. 

Ou seja, quem possui uma realidade de gastar milhões com roupas e acessórios vive basicamente em outra realidade se comparado aos que não podem, pois possuem acesso a locais, pessoas e eventos que nós não teremos. Fazendo-se assim, uma segregação praticamente automática apenas usando como base o material que a pessoa utiliza, que no caso abordado aqui são as roupas, mas há de se existir muitos outros! 


 Marx e a Sociologia Alemã 

Considerada utópica, a sociologia alemã não traz ideias reais de mudança apenas observações rasas, movidas a pura e simples especulações, essa sociologia não tem a pretensão de analisar a sociedade com um olhar voltado para as bases da sociedade, mas sim observar aquilo que for mais fácil e raso de se presumir, sem motivações ligadas à transformação.

Marx, com suas ideias busca trazer dinâmica à sociologia, enxergando o problema pelas suas raízes, dando aos que compõem a classe operaria toda o reconhecimento da capacidade intrínseca a eles.

Marx enxerga a sociedade como algo em constante movimento, reconhecendo que o homem constrói sim sua realidade, mas utilizando apenas daquilo que a ele é disponibilizado, sendo o homem fruto daquela realidade que a ele é imposta, seus pensamentos, sua consciência, frutos do meio material em que aquele está inserido.

Seu método busca a compreensão da realidade, diferentemente de um socialismo com características utópicas, sua proposta traz a busca pela transformação dessa sociedade, levando em consideração as condições materiais de cada indivíduo, reconhecendo nas relações de produção a maneira com que os indivíduos constroem sua identidade.

O problema da visão idealista

      O materialismo de Marx e Engels é baseado no rompimento de tradições idealistas, para que se compreenda o mundo que vivemos, é afirmado que é necessário a análise concreta e com muito afinco das transformações históricas na sociedade, ademais, essa análise deve ser feita a partir da realidade verdadeira, e não por idealizações e utopias. Vale ressaltar também que a crítica as teorias de Hegel eram constantes, uma vez que  a prática revolucionária e as lutas comunistas estavam em ascensão, e suas ideias de sociedade civil eram distintas.

    Assim, Marx e Engels criaram a teoria que reconhecia a realidade burguesa e tentava a partir dela gerar uma solução, visto que a comunidade era representada pelo burguesia, onde os interesses individuais eram colocados a frente, excluindo o interesse coletivo. Esse contexto pode ser facilmente ser relacionado à sociedade contemporânea, dado que as críticas marxistas oferecem a ideia de que não existe uma "sociedade perfeita", e isso se comprova quando as leis não são de fato efetivas, quando não promovem a igualdade entre classes.

    Dessa forma, entende-se que quando se rompe com as teorias idealistas, a partir da visão de Marx e Engels, se tem uma visão muito mais concreta e válida, pois a sociedade esta diretamente ligada com a desigualdade social, e é preciso encarar esse problema com uma visão realista, para que assim haja uma mudança social que de fato seja válida, como é pregado por Marx quando se trata do materialismo histórico dialético.

Isis Lara Bento Schiavom - 1º ano, Direito Noturno.

    

Prosa de bêbados

 Dois bêbados andavam madrugada afora, rindo alto e tropeçando nos próprios pés. Debatiam um assunto que apenas seus neurônios quase mortos pelo álcool poderiam raciocinar, misturando política e religião, proclamando lamúrias e bradando besteiras. 

"Valdo, 'cê não vai acreditar. Sabia que o nome que eu queria colocar no meu filho é o nome de um demônio? Eu também não! Só fui descobrir quando minha velha me pôs pra fora de casa..."

"Beto, tu é muito pirado, cara, como é que tu não sabia dessas paradas?"

"Oxe, como é que eu ia saber? Não pesquisei nem o significado do meu nome, vou pesquisar o de uma cria que nem nasceu, humph. Ei, mas depois que eu dei um Google, fiquei ligado, os demônios têm até castas, uma hierarquia só deles, acredita? E o nome que eu queria é o de um dos mais fortes deles, não sei do que minha mulher tava reclamando."

"Caraca, maluco, mesmo quando tu faz cagada tu faz ela certo. Ou, parando pra pensar, os demônios têm aqueles lances de contrato também, né? Tava fechando um contrato com a imobiliária, mas aqueles salafrários são tudo bandido ladrão... OPA" Valdo enroscou seu sapato numa quina na calçada e quase caiu, se apoiando no amigo e quase derrubando ele também. 

"HAHAHA, seu besta, presta atenção! Mano, é só falar dessas coisas de capitalismo que já dá tudo errado, tô te falando."

"Meu chapa, não é que tu tá certo? Falar de Inferno e capitalismo é a mesma coisa. E se para pra pensar ainda, Jesus dava pão e peixe igual pra todo mundo, né não?"

"Pois então! Não tem prova maior sabe do quê? Que o Céu é comunista!"

"É o que, doido?"

"O Céu é comunista, lá todo mundo ganha igual todo mundo, nunca ouvi falar que existe alguém mais merecedor que outro por lá. E o Inferno é capitalista, porque lá nois sofre que nem aqui. Pior, talvez"

"E não é que faz sentido? E ainda tem aqueles bagulhos de materialismo histórico e luta de classes, se não tivesse classe entre os anjos, titio Lúcifer não sentiria inveja e não cairia do Céu! Tu é um gênio!"

De repente, um homem de um prédio ao lado abre a janela e grita "calem a boca, seus vagabundos!"

"Cala você, Luci!

Os dois começam a rachar o bico como duas hienas fumantes. 

"Se o velho lá é o Lúcifer, você é o Valdo Marx."

"E você é o Beto Engels!"

Um silêncio se instaurou entre os dois depois de rirem mais um pouco, enquanto caminhavam lentamente para suas casas. 

"Valdo, será que no Céu tem pão?"

FIM


Micaela Herreira - 1o ano Direito - noturno 

 Depois do Marxismo 

O comunismo é a herança de Carl Marx para nós? Certamente não é, o artifício mais incrível que nos foi deixado, é o método. Muito utilizado nas ciências humanas, pode ser abstraído para além delas, mas, os equívocos causados - ainda hoje - sobre esse assunto, são muitos, usar o método para analisar e desvendar o mundo não é sinônimo de ser um comunista. 

Desse modo, podemos dizer que esse método se encaixa com a realidade, pois, a sua principal atividade é transformar. Terra-céu e não o contrário, nesse método não enxerga baseado nas ideias, na verdade, ele inicia-se no concreto e tem seu fim nas ideias, isso significa dizer que os homens são quem são, graças a relação que eles possuem com os meios materiais, nesse modo de pensar, o ser humano difere-se dos outros animais, por produzir bens-materiais, criamos ferramentas, e atribuímos valor e sentimento a elas, o convívio com diferentes produtos, produzem diferentes seres humanos.

Evidentemente que existe um enorme preconceito ao método marxista, antes mesmo de estudar o que é e o seu funcionamento, o senso comum o julga pela epistemologia do nome, veja bem, um exemplo de como os indivíduos - em geral - possuem visões positivistas e superficiais, enquanto nem mesmo conhecem o materialismo-histórico e como sua utilização pode ser útil. O tempo histórico não é uma linha continua, e a evolução humana também não, mas, se a genética e a biologia não seguem uma reta cronológica, por que perguntamos a qualquer criança ou jovem para nos explicar a história dos homens e ele descreve o macaco - primeiramente - então, surge algo mais ereto, os pelos diminuem, posteriormente, esse ser torna-se cada vez mais ereto, com pelos faciais apenas, e poucos pelos no restante do corpo, o cabelo cada vez mais curto e a pele cada vez mais clara, a linha do tempo do progresso humano, engendrada no imaginário de todos, mas, o método marxista, assim como o verdadeiro estudo genético evidência uma teia de relações, a evolução da espécie humana - por exemplo - envolve diversas outras espécies e ancestrais comum, que se sucedem ao longo de milhares de anos, é um uma história vertical ao invéz de horizontal, no mesmo sentudo, uma revolução não ocorre somente porque indivíduos foram abençoados com a dádiva do pensamento transgressivo, na verdade, uma revolução envolve episódios de insatisfação, conflito entre classes, relação do indivíduo, com os produtos, o acesso aos meio de produção e ao bens materiais, mudam o curso do pensamento humano, como se fossem uma mutação biológica, ideias como o uso e desuso, não satisfazem mais as explicações que são buscadas.



    



O discurso das elites


A teoria de Marx e Engels vem para romper com toda a construção da filosofia  até então feita, eles criticam fortemente esse idealismo filosófico dos pensadores anteriores a eles, como Hegel e Kant, e passam a querer que a filosofia passe por uma mudança com o Materialismo Histórico e Dialético, na qual ela parasse de estudar o mundo idealizado de uma sociedade e passasse a estudar a vida real, a realidade alemã vivida por eles e que essa filosofia fosse a filosofia da realidade social de sua época. Junto com isso, Marx e Engels trazem a visão da burguesia que contém o monopólio dos meios de produção e assim, segundo a lógica de superestrutura e infraestrutura, controlam a economia e a ideologia presente na sociedade.

 Assim podemos interpretar a nossa sociedade atual, que com base nos paradigmas impostos pela sociedade burguesa são passados até mesmo para os proletariados, como acontece dos proletários e trabalhadores de baixa renda que defendem as reformas neoliberais, que apoiaram a nova CLT e que apoiam até os dias atuais o governo Bolsonaro. Desse modo, Roberto DaMatta escreve no seu livro “A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil” cita que no Brasil existe um discurso próprio do cidadão de bem, cristão e brasileiro  que consegue misturar dois discursos que não se misturam, a igualdade formal presente na Constituição, que não condiz nem um pouco com a realidade, e a nossa sociedade hierarquizada do jeito que é, mantendo a hierarquia com base no discurso da igualdade, que, dessa maneira, dita as estruturas do Brasil sendo esse o discurso das elites que influenciam a opinião pública e muitos dos discursos da população.



Gabriel Goes Rosella

1 ano de Direito Noturno 

A psicologia marxista

Quem é o dono do pedaço em se tratando de psicologia? 

Freud?!

Não, depende da sua abordagem. 

A psicologia sócio-histórica, ou histórica-cultural, é a psicologia de teor marxista. Criada por Vigotski, bebe da fonte do grande pai Marx. Para ela, o fenômeno psicológico surge da interação do homem e das relações sociais. 

O foco principal está em perceber o indivíduo diante de sua história e do papel que cumpre socialmente. Portanto, como forma de superar a tendência de análise dentro da psicoterapia, que é a preocupação com o meio externo e sua influência, a psicologia marxista inova em observar o contrário, sendo assim, como o indivíduo transforma o meio em que está inserido.

A adequação do marxismo em todos os campos da ciência é muito apropriado e ocorre com louvor. Como seria um Direito marxista?



Existe liberdade quando estamos submetidos ao Capitalismo?

            É comum ver aqueles que repudiam com tanta veemência as linhas ideológicas Marxistas usarem a bandeira da liberdade como argumento. Afinal, qual liberdade, de fato, existe dentro de sociedades submetidas ao Capitalismo, defendida por esses?

            Primeiramente, ao pensar em nossas relações sociais, pode-se ver a influência do sistema capitalista na construção dessas. Tratando de tais relações aqui, pensa-se principalmente nas relações pessoais, como aquelas com nossas famílias, amigos e amores, e quão influenciadas são pelo sistema em que vivemos. Os filhos, como tal, por muito tempo foram vistos como a criação de mais mão de obra e, consequentemente, mais colaboração para a renda familiar. Talvez, ao analisar nossas relações afetivas fora da família, nos deparemos com a oculta necessidade de ter pessoas com poderes aquisitivos similares e com a dificuldade de ter relações fora desse padrão. Afinal, realmente escolhemos nossos círculos sociais?

            Ademais, as liberdades tão gritadas por aqueles que se dizem apoiadores do Capitalismo comumente se relacionam com a liberdade de ir e vir, de ter acesso a produtos e tecnologias que esses veem como fundamentais. Porém, ao analisar o cenário brasileiro atual, por exemplo, qual é a validade existente em ver que um seleto grupo tem a suposta liberdade de viajar, adquirir itens com preços exorbitantes – e utilidades ínfimas –, enquanto a grande maioria da população sequer tem o capital necessário para se deslocar até seus locais de trabalho e manter uma rotina alimentar? A liberdade que tanto se preza é, na realidade, o privilégio de uma pequena quantidade de pessoas frente à miséria da esmagadora maioria.

            Por fim, para Marx, as relações sociais eram delineadas pelas relações de produção e isso é visto, até hoje, no mais simples cotidiano. Para além, até mesmo a mídia e a cultura de massa dentro do Capitalismo criam uma supressão da liberdade, a de pensamento nesse caso. Entende-se, assim, que enquanto estivermos subjugados ao Capitalismo, não haverá uma relação de pessoas livres ou não, mas tão somente a relação entre privilegiados e explorados, que, com forças extremamente limitadas, tentam se ver minimamente livre das tantas manobras que fazem perpetuar o Capitalismo.


Patrícia André - Direito - 1° ano, noturno 

We don't talk about Marx

   Qual relação poderia haver entre um sociólogo e um personagem de animações para a família? Ambos são mal interpretados dentro da realidade em que estão inseridos. Em Encanto, filme da Disney, somos apresentados a uma família não tradicional da América latina que possui dons sobrenaturais, onde cada membro possui sua função e o que é esperado de cada um deles e dessa forma, excluem dois participantes da família, Bruno e Mirabel, onde o primeiro não pode sequer ser mencionado por conta de superstições que afirmam que ele "traz azar". 

     Ainda que seja uma animação com um intuito familiar, Bruno pode ser muito bem substituido pelo sociólogo Karl Marx no contexto atual em que o Brasil está, uma vez que através de falsas informações, falar do mesmo se torna um ato de revolução nas raras as vezes em que o que se é dito possui verdade. O sociólogo possui teorias que criticam o modo de vida capitalista e exemplifica formas que o sistema utiliza de até mesmo alienar os indivíduos, apontando as falhas e um modo de solucionar tais problemas, porém, como forma de embate ao pensamento do mesmo, uma onda de notícias falsas foi estabelecida e uma ideia errada, no Brasil, de que o "comunismo", é o mal propagado dentro do país, mesmo que nunca tenha realmente estabelecido tal regime. 

     No decorrer da obra cinematográfica, percebemos uma reviravolta em que, na verdade, o personagem Bruno, não possuía o poder de trazer mau agouro e muito menos era o vilão como muito traduzido por outros, mas é demonstrado que na verdade, tudo não passou de um mal entendido, uma vez que seu poder era prever o que de fato iria acontecer. Parafraseando novamente com a realidade, é perceptível que Marx busca, muito contrário ao que pensam, trazer uma visão do futuro, um futuro onde as lutas de classe trouxeram a evolução necessária para sanar a desigualdade e a alienação que é proposta pelo capitalismo, pois, assim como a família mencionada no filme, o país vive um momento de cegueira onde não podemos ver além daquilo que estamos fazendo, além daquilo que somos programados para conseguir ver. Para o sociólogo, devemos utilizar da história da humanidade, a história da luta de classes e nos orientar a respeito da realidade, e não de idealizações. 

     Visto isso, tem-se a conclusão de que devemos falar sobre Karl Marx e "devemos falar sobre Bruno", pois eles são aqueles que se propõem a discutir o que é de fora da realidade em que vivem, trazendo a tona os reais problemas e dificuldades, sendo em animações ou no contexto socioeconômico mundial.


Maria Cecília da Silva Mateus, 1° direito noturno

Materialismo histórico de Marx

O materialismo histórico é uma teoria marxista que defende a ideia de que a evolução e a organização da sociedade ocorrem de acordo com a sua capacidade de produção e com suas relações sociais de produtividade ao longo da história. Essa concepção que é fundamentada tanto por Karl Marx quanto por Friedrich Engels, tem um conceito bem diferente dos conceitos iluministas, pois segundo ela, as alterações sociais que acontecem ao longo da história não estão baseadas em ideias, mas sim em valores materiais e em condições econômicas.


Giovanna Cayres 

Direito noturno 

Um objetivo novo

            Diferente das correntes sociológicas da época, Marx Weber compreendeu que para o funcionamento de uma sociedade, não era primordial a necessidade de uma estrutura que impusesse uma função social, mas sim, vontades individuais que geram a demanda de uma ação, a qual consequentemente leva a um equilíbrio social.

           Ao enfatizar o indivíduo, torna-se nítido que o estudo das ciências sociais daquele tempo possuía a utilidade de transformação social, vinculando-se com as políticas dirigentes da época, fato que está em desacordo com a concepção de Weber, ao passo que, em sua visão, a análise social deve visar apenas o entendimento de uma sociedade

          Portanto, esse liame serve de pretexto para uma parcialidade nas conclusões e nos estudos, influenciando políticas públicas afim de satisfazer interesses particulares que se beneficiam dos estudos sociais, perdendo-se, então, a originalidade e a essência desses últimos. 



Ana Júlia Rodrigues Aguiar, 1° Direito Noturno. 


Uma análise da realidade sob a percepção de Marx, Engels e referências artísticas.

“Subiu a construção como se fosse máquina 
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas 
Tijolo com tijolo num desenho mágico 
Seus olhos embotados de cimento e lágrima” 


Não há trecho melhor para iniciar qualquer discussão sobre Karl Marx e Engels do que essa estrofe da música “Construção” de Chico Buarque. Tal trecho mostra a exploração do trabalhador, que trabalhava como se fosse máquina, de modo desumano. A mesma situação é apontada por Marx, uma vez que o sociólogo aponta que o trabalho na sociedade capitalista é caracterizado pelo desprazer, pelo seu carater exploratório e pela alienação, sempre visando o lucro das classes dominantes, de forma que o proletariado vende sua força de trabalho, a qual é responsável por tudo que é produzido e não chega nem perto de receber a quantidade equivalente de rendimentos, ou seja, é aplicado o conceito de mais-valia de Marx, que representa a diferença entre o salário que é pago e o valor que é produzido pelo trabalho. Em vista dos aspectos apresentados, faz- se necessário a análise de um dos trechos de “Tempo Perdido”, canção escrita por Renato Russo. 

 

"Todos os dias quando acordo  

Não tenho mais 
O tempo que passou” 


O trecho nos leva a uma dura reflexão, afinal, quando somos os proletariados, para termos as condições materiais e assim garantir nossa sobrevivência, vendemos mais que nossa força de trabalho, vendemos também nosso tempo, nossa saúde e nossa integridade. Em poucas palavras, vendemos recursos finitos em que seu esgotamento significa o fim da vida para termos direito a uma vida digna, irônico, não é? Tal reflexão se torna ainda mais árdua quando pensamos em pessoas que trabalham mais que o necessário a fim de colecionar bens materiais e assim ter a concepção de “vida ganha”. Por fim, caro leitor, te deixo os seguintes questionamentos: Quanto vale uma hora do seu tempo? Caso a morte te concedesse uma última hora de vida antes do fim, quanto você pagaria por uma hora do seu tempo? Vale a pena perder a vida tentando “ganha-la”? 

A ideia de “ganhar” a vida está atrelada a ideia de possuir uma série de aquisições materiais, possuir um carro do ano, celular da moda, vestir aquilo que é socialmente aceito, utilizar diversas coisas não por gosto ou preferência, mas sim para manter o status, não apenas para a manutenção do ego, mas também, porque as pessoas te tratam de acordo com o que você possui e não o que você de fato é. Tal fenômeno é explicado por Marx e Engels através do capitalismo, para eles as relações socias são seriamente comprometidas pelo sistema capitalista e as pessoas enxergam as outras como objeto ou mercadoria. Essa realidade é retratada no poema de Carlos Drummond de Andrade “Eu, Etiqueta “, nessa obra o eu-lírico retrata que está o tempo todo estampando marcas e logotipos de coisas que ele nem conhece, servindo de vitrine, de anúncio ambulante e que mesmo estando na moda, isso lhe causa agonia, uma vez que se sente como quem perdeu sua individualidade e está exatamente como os outros, já deixou de ser um homem, agora se tornou uma “coisa”. 


“Em minha calça está grudado um nome 
que não é meu de batismo ou de cartório, 
um nome... estranho. 

(….........) 

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, 
minha gravata e cinto e escova e pente, 
meu copo, minha xícara, 
minha toalha de banho e sabonete, 
meu isso, meu aquilo, 
desde a cabeça ao bico dos sapatos, 
são mensagens, 
letras falantes, 
gritos visuais, 

É duro andar na moda, ainda que a moda 
seja negar minha identidade 

(….........) 

Por me ostentar assim, tão orgulhoso 
de ser não eu, mas artigo industrial, 
peço que meu nome retifiquem. 
Já não me convém o título de homem. 
Meu nome novo é coisa. 
Eu sou a coisa, coisamente.” 


Em relação ao verbo “coisificar”, faz-se indispensável discutir também sobre a “coisificação” do trabalhador, uma vez que no livro “O capital”, Marx afirma que no capitalismo, os bens materiais passam a ser fetichizados e vangloriados,conforme já vimos acima, entretanto, o proletariado, por sua vez, perde seu valor de ser humano e passa a ser visto apenas como mero instrumento de trabalho para gerar lucro, sendo, então, “coisificado”. Peguemos, como exemplo, outro trecho da música “Construção”, mas, dessa vez o trecho final da história retratada: 


“E tropeçou no céu como se fosse um bêbado 
E flutuou no ar como se fosse um pássaro 
E se acabou no chão feito um pacote flácido 
Agonizou no meio do passeio público 
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego” 


Infelizmente, esse trecho retrata o quão desprezível se tornou a vida do trabalhador, o quão banal foi considerado a situação, o evento não choca, não causa preocupação tão pouco comoção. O trabalhador é considerado como um objeto, como uma coisa que pode ser facilmente substituída por outra que irá desempenhar a mesma função, a única preocupação aparente é com tráfego que está sendo atrapalhado graças ao corpo, já sem vida, do trabalhador que está na contramão. Dessa forma, é possível perceber da forma mais dolorosa possível a “coisificação” do trabalhador e a insensibilidade das pessoas umas com as outras. Tal insensibilidade está presente principalmente na burguesia quando é para com as classes que não são dominantes, conforme de denuncia Cazuza em sua canção “Burguesia”: 


“A burguesia não repara na dor 
Da vendedora de chicletes 
A burguesia só olha pra si 
A burguesia só olha pra si” 


Por fim, Marx e Engels afirmam que o Estado, apesar da visão da sociedade de que ele serve para garantir o bem comum, a democracia, a garantia dos direitos fundamentais e o interesse público acima do privado, atua para manter a sociedade capitalista e os respectivos interesses de quem detêm os meios de produção. Desse modo, a perspectiva de que o Estado é uma representação “universal” do interesse coletivo não passa de uma ilusão. O mesmo ocorre com o Direito, Marx quebra a visão idealista sobre o Direito e afirma que o Direito não provém da concepção do que é mais justo e sim da necessidade das relações capitalistas, por exemplo, o escravagismo é considerado inaceitável para a lei, mas, a exploração do trabalhador desde de que exposta em contratos é aceitável, legal e justa. 


“A Justiça não é cega, ela escolhe um lado que quer ver. Ela está quase sempre a serviço do Estado, dos interesses dos detentores de capital e de poder.  “(CARNEIRA, 2017) 


Anny Barbosa-1º semestre de Direito Noturno.