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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Tipos Ideais e a Ética Protestante

 O “Tipo Ideal” é um termo criado por Max Weber. A teoria foi idealizada para tornar possível a criação de conceitos hipotéticos. A razão de sua criação se deve à impossibilidade da representação da realidade em sua totalidade para a mente humana. A realidade tem variáveis praticamente infinitas e por isso é criado o Tipo Ideal. O Tipo Ideal não existe na realidade mas ele mantém a essência do objeto estudado. Tornando assim possível estudá-lo. 

Weber utilizou dessa ferramenta para estudar a Ética protestante. A doutrina protestante da sola gratia sustenta que a salvação foi um presente de Deus. Os protestantes pensavam no trabalho como uma responsabilidade confiada a eles, pois acreditavam que a salvação é pela Graça de Deus. Os protestantes, portanto, não consideravam o trabalho como um meio de obter a salvação, mas sim como uma maneira de ajudar os outros. Trabalhar duro era um sinal que a pessoa era abençoada. Os protestantes foram, portanto, atraídos por essas características e esperava-se que trabalhassem para alcançá-las.

 Nesse trecho vemos que o Tipo Ideal dos protestantes era crer que a salvação era um presente de Deus, e também sua característica de trabalhar muito. E que por causa disso eles trabalhavam bastante; para exibir os sinais que eles eram salvos. Usando esses Tipos Ideais Weber concluiu que uma das razões do capitalismo ter se tornado forte em países protestantes foi a Ética Protestante.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Materialismo Histórico-Dialético

 

O materialismo histórico-dialético de Marx e Engels, surgiu como uma crítica à dialética Hegeliana. A filosofia de Hegel é chamada de idealismo dialético, e ele faz parte de um grupo de filósofos conhecidos como os idealistas alemães. A dialética hegeliana costuma se apresentar em três etapas: uma tese que provoca uma reação; uma antítese que contradiz ou nega a tese; e uma síntese que resolve a tensão entre os dois e toma para si elementos de ambos.

A crítica de Marx a Hegel afirma que a dialética de Hegel é falha porque lida com ideias, focando-se apenas em conceitos. Marx, por outro lado, argumentou que a dialética deveria se concentrar no "mundo material", ou no mundo da produção e outras atividades econômicas, em vez do mundo mental das ideias. Essa foi uma mudança significativa, pois permitiu que a dialética da formação da filosofia fosse aplicada para o estudo das interações sociais baseadas no “mundo material”.

A teoria histórica de Marx baseia-se em um aspecto fundamental da existência humana: a necessidade de trabalhar para manter nossa sobrevivência física. Como resultado, o trabalho humano serve como base materialista para a sociedade e é central para a explicação histórica de Marx. Assim, há uma condição imposta pela natureza para a existência humana, que obriga os humanos a se unirem socialmente para produzir seus meios de subsistência ao longo da história, em todas as sociedades e modos de produção, desde os primeiros caçadores-coletores paleolíticos até as sociedades feudais e modernas economias capitalistas.


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Fatos Sociais e o Suicídio

 

A princípio o suicídio aparenta ter causa individual, mas é possível analisa-lo como fato social. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, para analisar os fatos sociais de forma objetiva é necessário o tratamento desse fato como coisa, ou seja, é necessário que não haja pré-noções, preconceitos e subjetividades. Dessa forma é possível analisar um fato social de forma acurada.

Para Durkheim o suicídio pode ser entendido como fato social porque, assim como outros fatos sociais, o suicídio existe independentemente da vontade de um indivíduo, e é causado por outros fatos sociais; como leis, coerção e isolamento social.

Existem várias causas para o suicídio:

Uma delas é o suicídio egoísta, ele pode ser visto como um problema na socialização do indivíduo; quando a pessoa não tem laços fortes com grupos sociais, ou os laços foram cortados. Um exemplo disso é quando uma pessoa se divorcia e devido aos laços cortados e isolamento, tira a própria vida.

Há também o suicídio altruísta, onde os laços do indivíduo com o coletivo são tão fortes que a pessoa escolhe sacrificar a própria vida, em pró de sua causa. Exemplos disso são os kamikazes japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, e também os homens bomba muçulmanos.

Outra forma de suicídio é o anômico, ele se caracteriza pelas drásticas mudanças na sociedade, onde as normas anteriores foram perdidas e há um certo caos social. O indivíduo se vê desamparado diante da nova situação se mata. Exemplos disso podem ser os suicídios cometidos pela quebra da bolsa de Nova York, onde muitos perderam suas fortunas.

Suicídio fatalístico é outro tipo de suicídio, ele ocorre pelo excesso de regulação da sociedade e sua natureza opressiva de coerção, onde a pessoa não vê saída e acaba se matando. Um exemplo clássico é o suicídio de escravos. Pode-se também classificar o suicídio de pessoas trans nessa categoria, pois não atendendo as expectativas de gênero da sociedade, e sem perfectiva de mudança acabam tirando suas vidas.

Como foi visto é possível classificar o suicídio como fato social, pois carrega consigo o princípio da generalidade, ou seja, acontece em todas épocas independente de culturas. Também a exterioridade, relação em que o homem constrói com sua coletividade independente de construção individual própria. E por último a coercitividade, a imposição da sociedade em nossa conduta.

 

 

 

Guilherme Ducca Mello

1º ano de Direito - Noturno