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domingo, 9 de agosto de 2015

"Ciência do imponderável"

Max Weber é um dos mais famosos expoentes da sociologia compreensiva. Como o próprio nome sugere, essa escola busca obter um conhecimento rigoroso, distanciando-se da metafísica e da aceitação passiva da realidade. Weber propõe a objetividade científica pautada na subjetividade, ou seja, ele visa analisar indivíduos diferentes em sua especificidade. Isso torna sua filosofia extremamente atual, haja vista, o contexto atual de afirmação dos Direitos Humanos voltados às minorias.

Reiterando a vertente “compreensiva” da concepção weberiana, destaca-se que a ciência social, na visão do autor, objetiva entender o sentido que o indivíduo dá a ação social, ou seja, busca compreender os valores, as relações, as circunstâncias, nas quais os indivíduos estão inseridos que influenciam na sua ação social em determinado momento. Nisso se encaixa a polêmica questão da redução da maioridade penal. Em uma analogia a Durkheim, Weber acredita que a neutralidade é de grande relevância na análise da ação social. Trazendo para os dias atuais, por exemplo, ao examinar a questão da maioridade penal, será que não devemos nos despir de nossos valores e preconceitos de classe média e estudar esse assunto fora dos condomínios fechados, dos shoppings de luxo? Será que o senso comum ao considerar que uma simples diminuição da maioridade penal resolveria o problema da criminalidade sem se atentar às complexas circunstâncias que a envolvem não é uma postura parcial e arraigada de preconceitos?

Ademais, destaca-se que Weber considera legítima a sociologia que se propõe a compreender os fatores e sentidos que levaram o sujeito da ação a realizá-la, portanto, para ele uma sociologia rigorosa está longe de se pautar nas opiniões de cada um possui sobre determinado fato.  Se as pessoas se atentassem para o quão válida e inovadora é essa concepção weberiana, talvez não julgariam como justos os casos de linchamentos, que estão em crescente aumento pelo país.

Para Weber, a ação social é todo agir humano em relação a outro indivíduo. No entanto ele refuta a compreensão marxista que coloca como a origem e causa das todas as relações, as vinculações econômicas, uma vez, que o filósofo acredita que as ações sociais são muito mais complexas e que essa postura “cega” e obcecada de Marx pelas relações econômicas torna-se uma ideologia. Isso é reafirmado, quando Weber assinala que a sociologia é a “ciência do imponderável”, pois as ações humanas, segundo ele, possuem os mais diversos sentidos ao se pautarem nos mais variados valores. O que torna mantém atual a obra de Weber é o fato de ele conceber que, especificamente, o que têm relevância é o sentido da ação do próprio sujeito que a realiza.


Por fim, se mostra de suma importância a compreensão de Weber acerca do Direito: para ele, Direito é racionalidade, mas algumas ações dos homens se dão no sentido de contornar isso, tendendo à irracionalidade. Portanto, brilhantemente, Max Weber conclui que o Direito é, sim, um tipo ideal.

Victória Afonso Pastori
1º Ano-Direito Noturno

Uma Questão de Ponto de Vista

Sou uma casa construída pelo mundo
Onde cada valor meu, um tijolo
Para me conhecer melhor, vai a fundo
Ignorar o individual é ouro de tolo

Sou mais uma gota do oceano
Mas não sou levado pela maré
Não me levem a mal, entenda o porquê
Eu não sou igual a você

Minha vida, meu ponto de vista
Não me encare como uma aberração
Frustração máquina de fazer vilão

Os tolos gritam com as instituições
Mas o governo é feito pelas gotas
Então devemos cuidas de nossas ações


Cauê Varjão de Lima
1º Ano Direito-Noturno

Max Weber: teoria ou adaptação?

O alemão Max Weber, um dos mais discutidos sociólogos de todos os tempos, foi um dos fundadores da chamada sociologia moderna. Em alusão a seu pioneirismo, nota-se nos escritos de Weber um método distinto de análise: ao invés de o sociólogo fundar uma linha lógica de pensamento totalmente nova para o estudo das ciências sociais, como poderia ser esperado, seu raciocínio partiu das teorias elaboradas por seus antecessores – dos quais as ideias eram então vigentes na Europa – aproveitando para tecer-lhes críticas e fazer modificações conceituais.
Para tanto, os principais alvos eram naturalmente Karl Marx e Émile Durkheim. Weber considerava as teorias de ambos bem embasadas, porém incompletas, e portanto não totalmente eficientes para o estudo da sociologia. Como se percebe em leitura da obra  “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, a crítica de Weber ao materialismo dialético de Marx reside no fato de que, para Weber, a essência do capitalismo não tinha raízes em um  fator essencialmente econômico, como defendido pela lógica marxista, e sim em um elemento cultural.
Com relação à Durkheim, o diferente posicionamento de Weber se dava primordialmente no quesito do método empregado para os estudos das ciência sociais. Enquanto Durkheim se concentrou na busca por regras universais e explicações dos fenômenos sociais, Weber priorizou a busca pelas leis causais, responsáveis pelo movimento da sociedade. Além disso, a teoria funcionalista e o fato social de Durkheim eram, na concepção de Weber, infelizes na compreensão da sociedade por olharem somente para a coletividade, deixando de lado o indivíduo e os valores complexos que contribuem para a sua formação como parte do todo.
Com esse pensamento, há o reconhecimento pela parte de Weber da importância das ações individuais na condução e formação dos entes que preenchem a sociedade, levando ao surgimento da ideia weberiana de individualismo metodológico, cerne do pensamento social de Weber. Tal princípio centra seus estudos no indivíduo ao prever que são as ações humanas as formadoras de organismos coletivos – tais como grupos, Estados e nações – que tendem a ser supostos como permanentes, sendo que são volúveis.
Intrínseca à ideia de individualismo metodológico, encontra-se a concepção de ação social, a qual é definida como a ação orientada ao outro. É quando existe portanto a vontade comunicação com o outro ou com o restante das pessoas, refletindo assim no aspecto coletivo. São divididas em quatro tipos: ações racionais com relação a valores, ações raconais com relação a fins, ações afetivas e ações tradicionais.

A atualidade de Max Weber se deve à facilidade de aplicação de sua teoria. As ações sociais, segundo sua definição, ainda que imprevisíveis, estão presentes em situações que detém os mais variados graus de complexidade. Pode-se dizer que Weber inaugurou à sua maneira um novo conceito de estudos sociais, analisando em retrospecto os entremeios que constroem os indivíduos para promover um estudos mais abrangente das dinâmicas sociais, destacando-se assim notória e justificadamente no âmbito da sociologia.


Nicole Vasconcelos Costa Oliveira
1o ano Direito Diurno
Introdução à sociologia

Exercício de Compreensão: A Redução da Maioridade Penal

   Conhecido por sua sociologia compreensiva, Max Weber toma  uma perspectiva revolucionária ao ser transportado para os dias atuais, ao propor uma análise dos fatos livre de julgamentos e noções pré-concebidas, libertando, assim, da estereotipação e de preconceitos, que tanto atingem a sociedade atual e que infeccionam todas as disputas e notícias mais marcantes da mídia, como a questão da redução da maioridade penal.
   Muitas pessoas consideram os “menores infratores” somente pelo âmbito do banditismo e da penalização, ou seja, discorrem somente pela óptica do fato de eles cometeram crimes e, por isso, o dever de sere  punidos, independentemente de qualquer análise do seu contexto, sua vida, passado, histórico, condições econômicas e familiares, entre outros fatores que podem ter influenciado suas vidas.
   Longe desta perspectiva, para o sociólogo não deve haver julgamento, porque na ação social as conexões são imponderáveis, uma vez que estas dependem de circunstâncias, estratégias e condições diversas. Dessa maneira, não é possível compreender o sujeito social com base em nossos valores, mas sim, dever tentar entender os valores que os moveram para tal ação. Ou seja, os fatores e os sentidos do próprio sujeito que o abalaram e o levaram a cometer tal delito. O que se deve ter em mente é que  existem as mais diferentes ações, tendo em vista as mais variadas cargas de valores, uma vez que o juízo de valor é o ponto de partida para cada ação social. E, diferentemente de Durkheim, o qual acredita que a sociedade exerce uma coerção ao individuo, Weber se orienta na ação do ser individual em relação á sociedade.
   Dessa forma, tal filosofia proporcionaria uma visão mais ampla acerca da questão da redução da maioridade penal, de forma a não julgar os indivíduos com base em subjetivismos, e sim analisando cada ação social como movida por valores próprios e independentes, como já anunciado pelo sociólogo-um exercício de compreensão, de fato e não de simples julgamento.

                           Maria Izabel Afonso Pastori- 1º Ano- Direito Noturno.

O caso Playboy à luz de Weber

Celso Pinheiro Pimento, de alcunha Playboy, era um dos mais procurados traficantes do Rio de Janeiro,  ele era um dos chefes do Morro da Pedreira e tinha uma recompensa de mais de 50 mil reais, é de se esperar que um criminoso como esse fosse totalmente sem princípios, essa ideia no entanto cai por terra com a recém divulgada entrevista em que o traficante diz ser um ser humano comum que tentou ser trabalhador mas foi impedido pelas circunstâncias. Nessa fala, mostra-se claramente a existência dos dois valores naquela comunidade, mesmo levando se em conta as difícies  condições da região.
Isso atua em completa consonância com a teoria social weberiana, a qual contraria as ideias de Marx e Durkheim , o primeiro com o pensamento de classe e o último com os fatos sociais; já em Max Weber a ação e o pensamento do indivíduo não se limitam a uma única influência, eles se formam por conta de uma multiplicidade dessas , sendo a pessoa capaz de preferir um valor a outro. No caso do Playboy, existiam naquela comunidade os valores trabalhadores e criminosos, ele por conta própria escolheu o último, é esta a razão de num mesmo local com as mesmas condições existirem pessoas que seguem caminhos tão diferentes.
Apesar de defender a liberdade de escolha individual, Weber afirma que as ideias presentes em um determinado momento agem como "guia-mestre" das ações sociais , no caso em discussão a noção poderia ter levado o traficante a seguir tal caminho é a ética protestante, o chamado espírito do capitalismo.Segundo ele, o sucesso econômico seria um dos indicativos de que uma pessoa vai ascender ao céu, na modernidade isso foi traduzido como uma necessidade de ser bem sucedido, isto é,  o único modo de se atingir a felicidade seria atingindo a riqueza , essa ideia quando transportada para as regiões carentes seria a principal causa, mesmo existindo diversas outras, da criminalidade.
Esse caso, portanto, é uma mostra da liberdade de escolha do indivíduo e da influência dos ideais da atualidade nessa escolha.Isso é visto na música " A vida é desafio" dos Racionais MC's que diz o seguinte: " Porém, o capitalismo me obrigou a ser bem sucedido.Acredito que o sonho de todo pobre é ser rico.Em busca do meu sonho de consumo procurei dar uma solução rápida e fácil pros meus problemas: o crime".

Aluno rafael oliveira de miranda 1 ano diurno

A ética protestante e o espírito do capitalismo: Weber poemizado


Trabalhe, disse o pastor,
Trabalhe como trabalhou José,
pai de Jesus,
Jesus que morreu na cruz,
Jesus de Nazaré.
Trabalhe, diz o irmão,
Trabalhe como trabalharam os judeus;
O trabalho edifica o homem
Trabalham os homens de Deus.
Do lucro -
O dízimo,
Do dízimo ao reino dos céus:
Sagrado como o Santo Sepulcro,
Sagrado como de Maria os véus.
Trabalhe, diz-se no Culto,
Trabalhe sem cessar;
Trabalhe porquanto em vida,
Para no Céu descansar.
E assim a Igreja justifica a riqueza
Assim justificam os pastores o acúmulo
Só não justificam enfim a pobreza
Que leva o pobre ao túmulo.


Gabriella Di Piero
Direito (diurno)

Introdução à Sociologia

Sociedade de influência

“Uma transformação lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida.”                                                               
AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço

     Em O Cortiço, escrito no século XIX enquanto vigorava o pensamento naturalista e determinista, o personagem Jerônimo passa por uma notável transformação quando chega ao ambiente em que todos os instintos são aflorados.
     Max Weber discorda disso, ao afirmar que o meio não determina, mas influencia as ações do indivíduo, ele foca na atitude do ser humano, mesmo que o foco esteja na coletividade, ou nas instituições.
     Segundo ele, deve-se analisar os atos das pessoas levando em consideração o ambiente em que vivem e em que foram criados, pois esse formaria e consolidaria sua moral e seus costumes, e estes definem como se pensa e se age em sociedade.

     Os valores transmitidos pela família moldam o ser, por isso devem ser considerados seja qual for a situação analisada. O psicológico, as experiências e as paixões humanas contam muito mais do que aparenta. Por isso a crítica ao materialismo histórico em que tudo relaciona-se apenas ao econômico, o que tornou o marxismo uma ideologia, daí a crítica ao dogmatismo dessa teoria, que passou a afirmar que o capitalismo seria a única força de coerção sobre os indivíduos e não apenas uma destas. 

Ana Flávia Rocha Ribeiro
1º ano Direito Diurno 
Aula 9






Fato Ideal

Ele fez aquilo e o tempo parou.
Qual o motivo daquilo?
Quero pensar no que houve.
Será que...?

Passado...
Futuro...
Será...?
É possível que seja.

Espero que seja isso,
Pois assim tudo faria sentido.
No entanto não somos objetivos,
Não somos tão simples.

Provavelmente não é,
É valorativo, é sentimento.
O ideal não é o fato,
Mas ainda assim posso compreender.

Posso sim.

Iago de Oliveira Taboada
1º Ano de Direito Diurno

Os lados de uma mesma moeda

“Elas nasceram na favela, o pai era traficante. Hoje, são medalhistas do Pan” é o que diz a notícia no site da Uol sobre Lohaynny e Luana Vicente, irmãs que nasceram no Morro da Chacrinha, uma favela no bairro do Jacarepaguá no Rio de Janeiro. O pai morreu em 2000, era o chefe do tráfico do local e sofreu uma emboscada. Hoje, 15 anos depois, elas são a prova de que é possível, sim, sonhar com um futuro diferente mesmo quando você nasce em um lugar em que as oportunidades raramente aparecem.
Por outro lado, também no site da Uol, temos Fernandinho Beira-Mar, considerado um dos maiores traficantes de armas e drogas da América Latina. Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, não conheceu o pai, foi criado pela mãe, uma dona de casa e faxineira falecida em 1992. Pobre, como a maioria dos meninos da Baixada, Luiz Fernando Costa encontrou no Exército uma opção profissional e uma forma de fugir da miséria. Mas não foi a profissão que o tiraria da pobreza, e sim o crime, onde entrou quando tinha entre 18 e 20 anos.
Como é possível pessoas que cresceram em situações semelhantes seguirem caminhos tão distintos? Seriam as oportunidades? As influências? As escolhas?

“Ele [o indivíduo] pondera e escolhe, entre os possíveis valores em questão, aqueles que estão de acordo com sua própria consciência e sua cosmovisão pessoal.” (MAX WEBER)

Max Weber faz uma crítica à ideia determinista da ciência e afirma que os fins não podem ser determinados pois o indivíduo na sua ação podem seguir outros caminhos, ou seja, os indivíduos em sua ação escolhem os valores que serão seguidos. Ele acrescenta que a escolha de valores, ou seja, a decisão para a ação, nem sempre é intencional e consciente. É necessário, portanto, tentar entender o outro a partir do ambiente em que ele vive, compreender seus valores a partir dessa análise. As conexões de sentido, as ações do indivíduo, por conta disso, não podem ser anteriormente previstas.
Além disso, Weber defende a utilização do tipo ideal, um recurso metodológico para análise do real. É a construção de uma ideia acerca de um objeto que será utilizado como parâmetro para a realização da pesquisa e idealização do tema.


Notícias:
http://pan.uol.com.br/noticias/2015/07/15/elas-nasceram-na-favela-e-pai-era-traficante-hoje-sao-medalhistas-do-pan.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/drogas-beira_mar-perfil.shtml


Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino
Introdução à sociologia - Aula 09

Poderia o Bitcoin melhorar a sociedade em que vivemos?

Assim que Satoshi Nakamoto publicou um artigo descrevendo a sua criação no longínquo ano de 2008 — era um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer (ponto a ponto, em tradução literal) —, poucos foram os que lhe deram atenção. Nem mesmo os especialistas em criptografia acreditavam que o projeto tinha alguma chance de sucesso. A ideia de um dinheiro digital não era novidade; alguns já haviam tentado desenvolver uma moeda para a era da internet, mas nenhuma iniciativa tinha conseguido decolar. Há aproximadamente seis anos atrás, quando a rede começou a ser construída por um pequeno grupo de programadores voluntários, ninguém poderia imaginar que hoje o Bitcoin alcançaria o status de maior projeto de computação compartilhada do planeta, com força computacional que supera em 200 vezes a capacidade dos 500 supercomputadores mais potentes somados. O que antes parecia apenas ilusão de um ambicioso projeto de computação hoje é a realidade. Atualmente, a moeda digital inspira soluções criativas para os problemas econômicos da Grécia. Embora o Bitcoin não seja uma solução aos apuros fiscais do governo do país, o Bitcoin vem servindo como refúgio genuíno para o povo grego, impossibilitado de transferir dinheiro ao exterior e refém de um possível confisco ou retorno ao antigo dracma. Hoje, empresas do calibre de Dell e Microsoft aceitam bitcoins como forma de pagamento. Consultorias como a Deloitte testam a utilização do blockchain — o grande "livro-contábil" do Bitcoin — para processos de auditoria. O governo de Honduras estuda um projeto-piloto para registrar a titularidade de terras no blockchain. Mas afinal, o que é essa tecnologia exatamente? Na sua essência, o Bitcoin é uma descoberta revolucionária, contudo, ele não passa de um simples protocolo, um conjunto de regras pelas quais se comunicam computadores conectados à rede peer-to-peer (ponto a ponto) do sistema. Não há um servidor centralizado, monitorando o cumprimento das normas. Isso acaba por incentivar um comportamento honesto, uma vez que todos são monitorados por todos. Essa sensação de confiança e de segurança são alcançadas de forma descentralizada, graças ao uso engenhoso da criptografia moderna, e sem que seja necessário conhecer a identidade dos participantes. As ações sociais de todos os indivíduos em conjunto, constroem a base dessa moeda. As relações peer-to-peer (ponto a ponto) entre aqueles indivíduos acabam por criar uma espécie de cultura honesta, onde há o cumprimento de regras estabelecidas pela própria comunidade. Ao escrever "A Ética Protestante", Max Weber tentou aplicar a construção do pensamento religioso protestante ao surgimento do capitalismo industrial e financeiro contemporâneo. Da mesma forma, podemos tentar compreender a construção de um geist, uma cultura de respeito e moderação em volta daquele protocolo revolucionário na construção de um novo capitalismo, mais descentralizado e mais livre de influências políticas e ideológicas. O Bitcoin não é apenas uma proposta de evolução da própria internet, mas também uma evolução do dinheiro como o conhecemos. E, assim como a internet transformou a troca de informações no mundo todo, o invento de Satoshi Nakamoto tem o potencial de revolucionar o conceito de troca de valores como o conhecemos. Túlio Tito Borges - Direito Diurno

José, qual será seu futuro?

   Weber não estava a procura de leis efetivas e universais, para ele deveria ser levado em consideração o juízo de valor, ou seja, as pessoas vão escolher fazer determinada ação social a partir de um determinado valor presente na sua consciência. Como não conhecemos qual valor o individuo escolherá com certeza, o estudo da sociedade deve vir depois que a ação social foi feita, pois assim será possível observar qual valor foi predominante, levando-se em consideração que o meio social tem certa influencia, mas não é o principal. Para Weber, dentro do tipo ideal, existem quatro tipos de ação social:

Ação racional com relação a um objetivo: José, jovem, negro, católico, com dezoito anos e da periferia. Frequentou a escola todos os dias, tentou se manter o mais longe possível do tráfico que estava levando todos os seus colegas; já no ensino médio começou a trabalhar para ajudar a sustentar a família. Depois que se formou no ensino médio conseguiu entrar em um cursinho pré-vestibular e continuou a trabalhar, no final, conseguiu entrar na tão querida universidade pública.
José agiu desde sempre com o foco em um objetivo, que conseguiu alcançar.

 A ação racional com relação a um valor: José, jovem, negro, católico, com dezoito anos e da periferia. Em seu tempo livre sempre ia à missa, achava tão bonito os rituais e o que se pregava: amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas. Achava incríveis as ações de Jesus, como ele sempre ajudava aos outros, como ele sempre dava a outra face, como ele aceitou morrer pelos pecados de toda a humanidade. Achava que onde morava todos precisavam agir conforme Jesus, aprender o que Deus tinha para ensinar. José poderia ter ido em direção ao tráfico, ter ido fazer uma faculdade ou continuar trabalhando no mesmo emprego de sempre. Mas não, José entrou pra o seminário, decidiu levar a palavra de Deus para todos que precisassem.
José agiu levando em consideração um valor religioso.

Ação afetiva: José, jovem, negro, católico, com dezoito anos e da periferia. Um dia viu seu irmão, que estava brincando na rua, ser morto pela polícia, sem nenhum motivo real, disseram que ele parecia armado. Mas como um menino de sete anos, que estava brincando de pega-pega, parece estar armado? Foi a partir desse momento que José sentiu raiva de verdade, aquele tipo de raiva que leva você a matar alguém. E foi o que aconteceu alguns anos depois, quando José conseguiu uma arma com o “chefe” da área em que morava e descobriu quem foi o policial que atirou em seu irmão.
José agiu de acordo com sentimentos de raiva e vingança.

Ação tradicional: José, jovem, negro, católico, com dezoito anos e da periferia. Desde pequeno brincava de policia e ladrão, sempre aprendendo que os policiais é que eram os vilões Desde pequeno também observava as benfeitorias que o “chefe” fazia para toda a comunidade, via como este sempre tinha todos os objetos que desejava, e como ele mandava e desmandava por ali. José entrou para o tráfico, assim como a maioria de seus amigos e colegas, já que todos desejavam aquela vida de "chefe". 
José agiu de acordo com aquilo com que sempre aprendeu e foi ensinado, sem tentar se desvencilhar de todos aqueles hábitos. 

Paula Santiago Soares
1º ano de Direito - Diurno

A relação indivíduo-sociedade para Durkheim e Weber

Émile Durkheim: na natureza da coletividade é que se encontram os elementos determinantes da ação individual.


Max Weber: "ele pondera e escolhe, entre os possíveis valores em  questão, aqueles que estão de acordo com sua própria consciência e sua cosmovisão pessoal” - nas ações individuais é que se encontram os elementos que levam à formação da coletividade.


Heloísa Ferreira Cintrão
1º Ano Direito - Diurno

Uma questão de ponto de vista individual

O intelectual Max Weber introduziu na Sociologia uma nova forma de compreender e analisar a sociedade rompendo com a ideia que estabelece o molde do indivíduo conforme uma estrutura. Nesse sentido, criou o método da Sociologia Compreensiva na qual a “Ação Social” do indivíduo é capaz de condicionar a Estrutura através de valores escolhidos por sua consciência e cosmovisão.

Em tal lógica, o individualismo está presente e não existe um único cabedal de valores como uma receita daquilo que se deve ou não fazer. Dessa forma, o que há é um sistema heterogêneo onde as pessoas podem escolher ser corruptos, criminosos ou trabalhadores de acordo com as informações lhe são expostas.

Neste sábado, 8 de agosto de 2015, Celso Pinheiro Pimenta, traficante conhecido pelo codinome “Playboy”, foi assassinado durante uma operação orquestrada pela polícia do Rio de Janeiro e junto com sua morte veio ao conhecimento do público um desabafo dado durante uma entrevista para a revista Veja”. Nele o traficante dizia ser "um ser humano que tentou ser trabalhador, mas as circunstâncias não permitiram".

Na visão Weberiana é possível afirmar que Celso em sua adolescência se deparou com dois valores, um destinado ao trabalho e outro à vida do crime. No entanto, os entraves que foram apresentados ao primeiro despertou uma escolha pessoal sobre o segundo valor, mais arriscado porém mais recompensador.

Da mesma forma, temos os corruptos, que tem a opção de seguir a lei mas escolhem roubar pela facilidade e impunidade, e temos os membros do ISIS, que agem de acordo com a forma como eles enxergam o melhor para o Mundo.
                                Victor Lugan-  1ºano- Direito- Noturno

Unívoco

Tão pequeno diante de tão grande mundo
Tão perdido em um caminho tão obscuro
Vê-se o ser humano num dilema confuso

Porque aqui estou e porque assim sou?
A racionalidade falha busca a resposta
Sua fraqueza explica-se por absolutos

Deuses, mitos, entidades, crenças
A vida explicam com respostas 
Plenas, a ciência, empírica, pura
Por vezes cai no mesmo descuido

Tortuosos porquês que no todo
Veem o mesmo, no individuo
Enxergam o todo e através do 
Absoluto não percebem o erro 

Weber : Sociologia Ampliada

Max Weber, considerado o pai da Sociologia ao lado de Durkheim,  foi um dos autores mais influentes no estudo do surgimento e funcionamento do capitalismo e da burocracia. Sua obra marca uma das principais  tendências das ciências sociais, orientada para a compreensão do sentido da ação humana. O objeto da sociologia, para Weber, é o sentido da ação individual, que deve ser buscado pelo método da compreensão ou apreensão da totalidade de significados e valores. Defendia a neutralidade cientifica, porém, não  sendo possível  alcançá-la,  reconhecia a parcialidade do observador em relação às premissas, mas  a exigia   quanto à análise e conclusões. Nega a existência de uma só causa para o  entendimento, interpretação e explicação dos fenômenos socais, pois destaca a convergência da ação em  duas ou mais das esferas que compõem  o todo social- econômica, política cultural religiosa, e outras .Estendia este  pensamento a toda ciência , uma vez que compreendia não ser o cientista (observador) capaz de apropriar todos os fatores que influenciam na compreensão de um fenômeno social ou natural, sendo ,assim, sua conclusão suscetível de ser refutada ou aperfeiçoada por outro cientista.Várias são as obras de Weber,destacando  os mais diversos  campos da vida social.
Em “Economia e Sociologia”, entende que as formas coletivas devem ser analisadas  a partir de bases individuais,opondo-se ao holismo metodológico.Para ele a ação é comportamento humano com significado subjetivo; ao ser esta ação realizada em relação a outro indivíduo passa a ser ação social.São quatro as ações sociais: as relacionadas a objetivo e valor e as ações afetiva e tradicional.Na visão de Weber , a Sociologia é essencialmente interpretativa( hermenêutica) ,buscando  compreender o significado dos motivos que os próprios indivíduos atribuíam as suas ações.
Ele estudou e comparou  as diferentes religiões do mundo, proporcionando a descoberta da especificidade do racionalismo moderno,desvendando suas origens e características,bem como destacando o papel das religiões neste processo.Em “ Ética Protestante e Espírito do Capital”, Weber mostra o capitalismo como uma ética de vida, uma orientação na qual o indivíduo tem na dedicação do trabalho e na busca  metódica da riqueza um dever moral.Ainda desenvolvendo seus estudos sobre o capitalismo, Weber  o insere num amplo processo de racionalização da cultura e da sociedade,  como uma das expressões da racionalidade da vida moderna no Ocidente, assim como a política , o direito , a ciência, etc. Na Política, Weber teoriza sobre dominação e seus  3 tipos : o legal, o carismático e o tradicional.Ao preconizar que o exercício do poder envolvia a necessidade de  legitimação da ordem política, com sua institucionalização por meio de um quadro administrativo,Weber lançava os fundamentos da Sociologia Política contemporânea .No Direito, sua apreciação do setor jurídico na vida social se estendeu também  à ordem política e à ordem econômica , destacando que a evolução do direito formal foi essencial para a burocratização do Estado, bem como para a consolidação de uma economia de mercado.Weber foi um dos precursores do direito positivista.
Ainda que semelhante ao pensamento marxista de que as lógicas da   produção ,do trabalho e da riqueza envolviam o mundo moderno numa jaula de ferro, tornando  os homens em especialistas sem espírito  e gozadores sem coração, Weber era contrário à   ideia  de que as desigualdades sociais  derivassem  apenas  de fatores  econômicos, defendendo  que as hierarquias e distinções sociais obedecem a lógicas diferentes nas esferas econômica, social e política. Sob o aspecto econômico,  as classes sociais seriam  diferenciadas consoante as oportunidades , escalonando os indivíduos em grupos positiva ou negativamente privilegiados. No aspecto social, indivíduos e agrupamentos sociais seriam  classificados  de acordo com  atributos de valor,  originando  grupos de diversos  status. E por fim ,na lógica do poder,  os indivíduos  se agregariam  em diferentes partidos políticos .Cada um deles, portanto, criando diferentes tipos  de ordenação, hierarquização e diferenciação social.

Max Weber foi, dentre os autores fundadores da sociologia,  um dos      que mais abarcou  reflexões  às  mais diferentes áreas da vida social. Tratava  de temas tão distantes como a música e  relações agrárias,  condições psicofísicas do trabalho e  bases do imperialismo,  papel da ciência no mundo moderno e  origens do capitalismo,  papel dos profetas e dos mercados e outros. Somente em sua  obra póstuma Economia e Sociedade, apresenta uma  enorme erudição ao  dissertar ,com densidade, assuntos como  metodologia, economia,  política,  direito,  religião,  estratificação social,  nacionalidade,  cidades e  grupos sociais, ampliando, sobremaneira ,os horizontes da Sociologia.

A clitoridectomia e suas compreensões

 Em várias partes do mundo, como na África, Oriente Médio e sudeste asiático, a clitoridectomia é praticada há mais de 2 000 anos. Esse ato se constitui pela retirada de parte ou todo o clitóris feminino, geralmente entre as primeiras semanas de vida e os 14 anos de idade. O objetivo desse ritual é de, essencialmente, evitar que as mulheres tenham prazer sexual.  
  Para aqueles que nasceram e foram criados segundo os valores ocidentais esse ritual seria uma atrocidade. No entanto, de acordo com Marx Weber, a compreensão dos indivíduos vai muito além dos referenciais particulares e deve ser feita levando-se em consideração os referenciais de cada um, ou seja, a partir de suas ações sociais devemos buscar as conexões de sentido do valor do próximo. Dessa forma, o teórico defende que o juízo de valor é o ponto de partida para ação social de cada indivíduo, visto que "ele pondera e escolhe, entre os possíveis valores em questão, aqueles que estão de acordo com sua própria consciência e sua cosmovisão pessoal”. 
   Levando em conta a teoria weberiana, temos que ter em vista os valores que levam ás ações sociais  das sociedades que praticam a clitoridectomia. Para as mulheres que passam pela circunscrição, isso é normal, faz parte da sua cultura há milênios. Além disso, as ações tradicionais que tanto as mulheres, como os homens dessas tribos praticam, engendram relações sociais em que a submissão feminina ao sexo masculino é totalmente aceitável e legítima. 
  Portanto, a conformidade com a clitoridectomia é fruto da sujeição da mulher  aos homens, fato que, dentro da densa teia de ações sociais, leva ao atrito, ou seja, ao não reconhecimento entre valores ocidentais e orientais/africanos.
  Por exemplo, nos seguintes comentários é possível perceber esse atrito de forma bem clara expresso pelo Hate Speech (discurso do ódio). Dessa forma, os autores levam em conta  apenas seus próprios valores que foram engendrados pelas relações sociais que possuem e fazem claros julgamentos da prática da clitoridectomia, sem nenhum senso de relativismo cultural.






É importante ressalvar que o objetivo de Weber não é justificar e nem julgar os valores e as ações sociais de cada indivíduo, como no caso da prática da clitoridectomia, mas sim compreender seus sentidos e, assim, compreender a sociedade.
Mariana M. Carneiro
1º ano de Direito Noturno

Ações afetivas, porém, ofensivas!


Max Weber, em sua obra, estuda a compreensão das ações sociais, isto é, são ações praticadas em sociedade, levando em conta  os outros, o meio social. O sociólogo a divide em quatro tipos: racional com relação a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional.
No Brasil, podemos ver claramente a adoção de diversas ações sociais afetivas e tradicionais. Por exemplo, na política, a extensa maioria do eleitorado brasileiro não vota em partidos ou na ideologia de cada um e sim pelo simples fato de gostar do candidato, de achá-lo engraçado, carismático, de "ir com a cara" da pessoa.  Além disso, o voto também é destinado à opções individuais dos políticos, por exemplo, muitos candidatos que manifestam sua fé católica ou evangélica recebem apoio em massa de diversas camadas da população. Essas pessoas não conseguem diferenciar religião de política, ignoram o princípio da laicidade do Estado, utilizando de uma ação social tradicional e afetiva.
Podemos comprovar essa situação ao perguntarmos às pessoas as principais propostas de seus candidatos. Provavelmente,  não receberemos a resposta concreta ou receberemos ideias rasas, sem nenhum embasamento político. É assim que a atualidade de Weber se evidencia, ao notar que, em pleno século XXI, no auge da rapidez e acessibilidade  das tecnologias de comunicação, a "ignorância", que deveria estar sendo erradicada, não está.

Isso é um grande risco a jovem democracia brasileira, que vai fundamentando sua base e história em atores políticos sem nenhuma estrutura ideológica e política para governar um país de território e pluralidade gigantescos.  Assim, a crença de que "todo político é ruim/corrupto" vai se "legitimando" aos olhos da população, ao passo de que pode haver candidatos com ótimas ideias, com planos saudáveis à população que são constantemente ignorados por não possuir a tal carisma ou não se submeter aos grupos de pressão.

Fernando Augusto Risso - direito diurno

Charlie Hebdo e a teoria weberiana

          
             No dia 7 de janeiro de 2015, fundamentalistas islâmicos invadiram o jornal francês Charlie Hebdo, na capital Paris, e mataram 12 pessoas. Os responsáveis pelo ataque queriam se “vingar” de autores de charges que faziam piada com o profeta Maomé, mensageiro de Deus para o islamismo.
            Devido a esse atentado, as ruas de cidades do mundo inteiro foram invadidas por milhares de pessoas, que exigiam liberdade de expressão e imprensa. Entretanto, apesar de válidas as reivindicações, é preciso ir mais a fundo para entender as implicações desse trágico acontecimento.
            Segundo Max Weber, o conhecimento deve ter caráter universal, “do modo que um chinês (...) deva reconhecer a validade de um certo ordenamento conceitual da realidade empírica”. No entanto, o que ocorre é a imposição de um “racionalismo ocidental” que nem sempre respeita o relativismo cultural de outros povos que habitam esse planeta, entre eles, os povos islâmicos.
            Apesar de não ser proibida pelo Corão, a intolerância à representação de Maomé tem origem histórica, no episódio em que o profeta destrói, em Meca, os ídolos celebrados em na Caaba. Essa tendência de não representar seu profeta evidencia um forte respeito pelo sua figura.
            Ao publicar charges mostrando a figura de Maomé, o Charlie Hebdo não considerou os valores dos mulçumanos, apenas os valores do cristianismo, no qual não existem grandes problemas em representar a figura de Jesus Cristo. As publicações foram recebidas por aquele grupo como uma grande afronta e, dessa forma, “o profeta deveria ser vingado”. Seria dessa forma que Max Weber, na sua “sociologia compreensiva” interpretaria esse acontecimento.
            A teoria weberiana também afirma que, a atitude do jornal poderia tomar diversos caminhos na grande e densa rede das ações sociais: as ações sociais que se entrecruzassem com as do jornal causariam reconhecimento, as que não se cruzassem, resultaria em uma atitude de “não reconhecimento”. Os grupos islâmicos não reconheceram aquela ação, e, portanto, reagiram de forma a exaltar seu descontentamento.

            É claro que o atentado ao jornal Charlie Hebdo foi uma grande tragédia e que de forma alguma pode ser justificado, mesmo pelo o que foi exposto acima. Entretanto, esse fato deve ser interpretado de várias maneiras, e não apenas pelo ponto de vista ocidental, mas também levando em consideração os valores daqueles que se sentiram ofendidos.

Canto da Compreensão

Molda o Ser a Sociedade?
Molda a Sociedade o Ser?
Não há o decreto do Dever,
Tal não é a vil realidade?

E compreende o homem quê faz?
Quais Valores são reais?
São as ações individuais?
Não há reais comuns certezas?

Real não é só o belo empírico
Real não é o puro racional
Real é o fato pessoal
Real é o Social Marco

Octavio Coloza Berganholo
1º Ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia

sábado, 8 de agosto de 2015

Valores: os meus, os seus e os nossos

 Para sociologia compreensiva de Max Weber, o ponto principal de cada ação humana é o juízo de valor que apresenta. Para o pensador, antes de agir, o individuo pondera e escolhe entre os "possíveis valores" os que estão de acordo com sua consciência. É incrível como numa mesma sociedade, ao mesmo tempo, podem existir valores tão diferentes e tão opostos, e ainda outros que permanecem, independentemente da época. Seja no campo político (esquerda x direita), econômico (miséria x luxúria) ou cultural, sempre existem visões e posturas antagônicas.
 Hoje, com o fortalecimento da liberdade de expressão, a contradição de valores está cada vez mais explícita, chegando até mesmo a se tornar um "hate speech" (discurso de ódio). A expressão designa a oposição a elementos culturais diferentes. Assim, através de violência e discriminação, as minorias étnicas são perseguidas, excluídas, insultadas e até mesmo privadas de seus direitos humanos. Tudo isso por elas apresentarem valores diferentes de religião, orientação sexual, condição física ou biológicas, como raça e gênero.
 Mesmo com tantas diferenças ainda temos valores que nos regem desde a formação de sociedades primitivas. Amor, bondade, felicidade, respeito, liberdade, sucesso, prazer, integridade, entre outros, são valores presentes em praticamente todas as culturas que determinam e impulsionam o juízo de valor individual, e como ele vai se expressar em cada um com o fortalecimento das ideias de família, trabalho, amizade, ou religião.
 Ainda temos as relações sociais que, condicionadas por grupos de indivíduos com valores em comum, são capazes de influenciar outros já formados. É inacreditável o o quanto somos moldados pelo nosso circulo social. Quando avaliado sozinho, o individuo age de forma bem distinta da se estivesse com sua "tribo". Vale ressaltar, que também depende do grupo em questão. Dependendo se estiver com amigos, colegas, desconhecidos ou família, nossos comportamentos podem completamente diferentes. Isso por quê nossos valores estão em constante transformação? Acho que na verdade, o termo mais apropriado seria adaptação. O homem apresenta diversos valores que vão condicionar suas ações durante a vida, mas eles sempre vão mudar conforme o tempo e a ocasião. É muito comum a construção e desconstrução de ideias e posturas com o passar do tempo ou contato com outros grupos e ideias.
 Sendo assim, o ser humano seria um conjunto valores pré-existentes, valores próprios e valores adquiridos. A necessidade de participar de um grupo social ainda fortalece a influencia da relações pessoais nessa formação de juízos individuais, sendo muito mais coercivas do que aparentam ser. Isso porque a maioria das pessoas apenas seguem sua tribo. Mesmo que internamente mantenham algumas ideias diferente das do grupo, frequentemente aceitam opiniões diferentes como suas, por elas parecerem ser sólidas e corretas, ou por simplesmente idolatrar o autor delas. 

                                            

Os valores Manchados

Pretende-se com este texto analisar, sob a ótica do sociólogo Max Weber, o sequestro do Ônibus 174, para assim ser possível compreender como Weber vê a construção da ação por parte do sujeito. E, por fim, classificar essa ação social segundo a perspectiva do estudioso alemão.
Antes de mais nada, cabe aqui um breve relato biográfico, para que seja possível situar o pensamento produzido pelo alemão historicamente. Weber é considerado um dos pais da sociologia moderna, juntamente com: Comte, Durkheim e Marx. Nascido na Alemanha em 1864, presenciou as grandes mudanças ocorridas entre os séculos XIX e XX, que influenciaram explicitamente não só o pensamento de Max, como também dos demais estudiosos contemporâneos à ele.
Posto isso, como objetiva-se através deste texto analisar um fato pontual, o sequestro do ônibus 174, faz-se necessário, destarte, uma  explanação sobre o evento ocorrido em 12 de junho de 2000 e, além, um esboço sobre a vida do personagem-chave desse crime, Sandro Barbosa do Nascimento.
No dia 12 de junho de 2000, por volta das 14 horas, um sujeito chamado Sandro adentra em um ônibus no Rio de Janeiro, mais especificamente na linha 174, como intuito de assaltar os passageiros. Não obstante, a tentativa de assalto foi frustrada e formou-se ao redor do ônibus fechado cerco policial. Dessa forma, o infrutífero assalto transfigurou-se numa situação com reféns, sitiado dentro do veículo com dez reféns, Sandro permaneceu por algumas horas, nas quais todo o país acompanhou o cenário angustiante até sua trágica conclusão.
Como foi dito, o objetivo primeiro deste texto é relacionar o ideal de ação, mais especificamente, os elementos levados em consideração na tomada de decisão para ação, segundo Weber com o episódio do crime. Para tanto, deve-se conhecer o passado de Sandro, conhecer, com isso, como o garoto Sandro desenvolveu-se. 
Sandro Barbosa do Nascimento nasceu no Rio de Janeiro. Antes de seu nascimento foi abandonado pelo pai. Assim, a violência, a miséria e a marginalização, sempre presentes no seu cotidiano, passam a imperar em sua vida quando Sandro é testemunha do violento homicídio de sua mãe. Após a morte de sua mãe, o garoto passou a morar nas ruas da cidade, onde ganhou o apelido de "Mancha". Vale ressaltar que Sandro presenciou o conhecido "Massacre da Candelária", outro espetáculo sangrento na vida do garoto Mancha.
Depois das apresentações necessárias para o início da análise, chega, por fim, o momento de relacionar a perspectiva weberiana sobre ação e o caso de Sandro. 
Para Max Weber o início de qualquer ação, por óbvio, é a sua decisão. No entanto, para que isso ocorra o sujeito se depara com uma sorte de valores, que serão avaliados pelo próprio indivíduo e , por fim, julgará válida ou não tal ação. E mais, Weber demonstra que o juízo de valor de cada ação é fundamentado  por valores presentes na "consciência" na "cosmovisão" do homem. Contudo, pode-se dizer que os valores sugeridos por Weber são universais e absolutos?
Tal indagação é pertinente e suscita discussões. Considerando o caso menino Mancha, percebe-se que o nicho social no qual ele se desenvolveu, promoveu no mais das vezes a banalização da violência e a marginalização imposta ao garoto ,desde o alvorecer de sua infância, permitiram ao Sandro contatos com valores torpes. Assim não se trata apenas de um processo de juízo de valores, mas de um processo de formação de valores e, principalmente, conceituação de valores.
Por fim, fica claro que o sequestro do ônibus 174, além de ser situação trágica, mostra a claramente a dialética social: a violência com produto da própria violência. E mais, a sorte de valores e, fundamentalmente, a relevância dada a cada valor é construída a partir da vivência do indivíduo e , com efeito, da conjuntura social na qual o sujeito foi inserido. Portanto, acreditar que um garoto que viva a realidade de Sandro, possua, de forma geral, os mesmos valores e metas de outro indivíduo incluído no meio social é convicção pueril e tola.

Lucas Rezende de Melo - 1º ano Noturno

Sobre Badiou, Subjetividade e Weber



“Não há sempre sujeito, ou sujeitos. Digamos que o sujeito é tão raro quanto as verdades”. Conforme discutido pelo filosofo A. Badiou, o homem contemporâneo tornou-se objeto, objeto de uma sociedade coercitiva. Porém, é incapaz de perceber que não está mais a frente de suas decisões. O resultado disso, é um sujeito esvaziado de sentido pessoal, que flutua ao sabor das notícias, programas, opiniões e teorias do momento.

Conforme, ainda, discutido pelo sociólogo Max Weber, mesmo quando analisa-se entes coletivos como o Estado, deve-se considerar a ação dos indivíduos, que é transformada de acordo com a sociedade em que vivem. Vale ainda ressaltar, a opinião do psicólogo social Kenneth Gergen, que se refere a esse processo através do termo “multifrenia”, que é caracterizada por ser uma síndrome normal da pós-modernidade caracterizada pela dissociação do indivíduo numa multiplicidade de investimentos. Dessa forma, a identidade já não é vivenciada como una e estável, mas sim sujeita a uma multiplicidade de manifestações, por vezes díspares e inusitadas aos olhos de um observador externo.

Enfim, já não existe mais uma essência individual à qual a pessoa permanece fiel ou comprometida. A identidade é continuamente emergente, reformada e redirecionada na medida em que a sociedade deseja.


Contudo, a fim de solucionar o problema da débil e frágil subjetividade do homem do século XXI, são necessárias reformas na educação  à época da formação da personalidade de jovens e crianças. Além disso, é preciso “nadar contra a maré” da sociedade, mesmo que seja árduo e desafiador. Assim, sujeitos não serão mais tão raros, como afirma Badiou, ou arrastados pela sociedade, como discute Weber, mas sim, a maior parcela populacional da sociedade contemporânea.


Heloísa C. Leonel
1º ano Direito Diurno  

Entre a Sociologia Weberiana e o Funcionalismo

          As correntes sociológicas desenvolvidas por Émile Durkheim e Max Weber são essencialmente divergentes, da metodologia empregada até a própria ideologia que embasa a teoria. Se para Weber a sociologia deve desvendar o sentido (nexo causal) da ação social, para Durkheim ela deve explicar a própria sociedade a fim de trazer-lhe respostas. Dessa forma, o foco para o primeiro pensador está na ação social; para o segundo, está no fato social.
          A ação social é toda aquela tomada por um indivíduo num processo comunicativo com outrem; uma conduta humana que possui um sentido e um objetivo pré-definidos. A sociologia, weberiana, pela primeira vez coloca o indivíduo como foco da análise sociológica - em contraposição a ideia funcionalista, retratada no próprio fato social: é todo aquele que independe do indivíduo e advém de alguma forma de coerção social. Se para Weber o indivíduo deve ser analisado em sua individualidade, mesmo estando envolto do meio social, para Durkheim há pouquíssimo espaço para a ação individual, que é inevitável e irreparavelmente motivada pelo fato social.
          Cria-se, portanto, na sociologia funcionalista a noção de uma "consciência coletiva" que não é a soma das consciências individuais, mas anterior aos próprios indivíduos. Já para Weber, cada caso deve ser analisado em suas particularidades. Ele concorda com Dukheim e Marx que o meio exerce influência sobre o indivíduo, mas postula que não se pode ignorar a formação individual, própria de cada indivíduo, não deixando que se reduza a realidade social a relações econômicas. Não se trata propriamente de uma refutação, mas de um complemento das correntes funcionalista e marxista.
        Seguindo essa linha, as relações sociais para Weber advém do sentido das ações sociais entre grupos e indivíduos, que encontram-se coordenados na vida em sociedade. Por essa razão,  Por outro lado, Durkheim as considera meras consequências do tipo de solidariedade de determinado grupo (podendo ela ser mecânica ou orgânica).
          Outro ponto de disparidade metodológica diz respeito a postura do próprio sociólogo. Como Durkheim visava a introdução da sociologia no meio acadêmico, enquanto disciplina, a noção de neutralidade científica lhe era bastante cara; daí também decorre a importância de ver o fato social como coisa e o afastamento do observador. Weber, por sua vez, inaugura uma linha sociológica que admite a impossibilidade da neutralidade, mas, a fim de perpetuar a sociologia enquanto ciência, defende a objetividade de seu estudo.
            Portanto, a diferença central entre Weber e Durkheim é a relação entre o indivíduo e a sociedade: o primeiro leva em consideração a individualidade, seu desenvolvimento psíquico-social, além das condições externas, diminuindo o elemento determinista que marcou a sociologia até o século XIX; o segundo não trata o indivíduo, mas dele imerso em um inescapável meio social, tratado como um organismo que passa por seu próprio processo evolutivo.


Heloisa de Maia Areias
1º ano de Direito diurno

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A ação social nos faz maestros


O Maestro guia a melodia. Os espectadores se emocionam. O coral encanta. Assim é a vida, o amor e a profissão do Maestro Bertolazzo, guiando a melodia por toda a Europa, vez ou outra é convidado para se apresentar na casa de ópera de Nova Iorque. Os amigos íntimos conhecem sua história, infância sofrida e pobre, abandonado, ainda com 3 anos, nas ruas de Verona, na Itália, onde acabou tendo que se virar por um bom tempo. Foi atraído pela Igreja, e lá conseguiu ser letrado por um padre, que era na verdade um bom amigo, e com ele descobriu a música, rapidamente demonstrando ter talento e dedicação.
Não foi a infância difícil que determinou seu caminho, não foi a pobreza e o abandono atribuídos ao capitalismo que determinou a que classe ele pertencia. Afinal, ele considera que nunca pertenceu a classe alguma, não crê nesse tipo de identificação limitada. Pode não ter sido o fato social de Durkheim que definiu o seu agir e nem os meios de produção que definiu o seu destino, talvez, seja apenas a sua própria decisão junto à participação daqueles que passaram por sua vida levando a desenvolver suas próprias ações.
Independentemente do resultado de nossas ações, não é o exterior, mas sim nosso interior individual que nos leva a decidir como agir, de acordo com a sociologia compreensiva de Max Weber. Qualquer outra pessoa, nas mesmas situações que o maestro e recebendo o mesmo contato com as mesmas pessoas poderia conseguir resultados diversos em sua vida, o exterior não a determina.
Para Weber, a sociologia deve estudar a ação social dos indivíduos e seus sentidos. A ação social divide-se em 4 tipos. A ação racional com relação a um objetivo que é puramente racional em busca de realizar algum objetivo, como, por exemplo, as ações que Bertolazzo tomou para se tornar um maestro, que passou a ser seu objetivo após a descoberta da música. A ação racional com relação a um valor que pode ser ético, religioso ou político, dentre outros, como o padre que considerando os valores altruístas de seu ser e de sua fé decidiu ser um tutor para o garoto. Temos também a ação emotiva que é guiada por sentimentos e paixões, como a decisão de Bertolazzo de ajudar crianças carentes e abandonadas na esperança de que não sofram como ele sofreu. Já a ação tradicional é aquela que é guiada por hábitos e costumes, como a ação tomada diariamente pelo maestro de como organizar sua apresentação. Cabe ressaltar que os seres humanos, em suas ações, não se baseiam em um único tipo de ação social, mas em vários.
As sociedades e os Estados não são nada mais de que os reflexos das ações sociais dos indivíduos que os compõem. A reciprocidade, resposta e conjunto de ações social formam as relações sociais. Dessa forma fica impossível determinar e fazer previsões sobre o que acontecerá no futuro, o que marca a sociologia de Weber, que vai totalmente contra o determinismo, o dogmatismo do denominador comum e a aplicação forçada do materialismo histórico, que além de diminuir o indivíduo, diminuem a importância das outras causas que guiam o comportamento humano. Ou seja, cada ser é um maestro e age sempre de forma a comandar a melodia de sua vida, independente do público ou do palco em que se apresenta.
 
Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
Introdução à Sociologia - Aula 9
1º ano Direito diurno

Benjamin Franklin e a ética capitalista de Weber

Max Weber é, possivelmente, um dos últimos grandes clássicos da Sociologia e uma das matrizes do pensamento sociológico com métodos estruturados. Em seu livro mais conhecido e, talvez, o mais importante, A ética protestante e o espírito do capitalismo, aborda o surgimento desse modo de produção e do que ele se trata – vale ressaltar que a concepção weberiana de capitalismo foge à concepção marxista a que estamos acostumados, de modo que, para ele, o sistema não é uma busca incessante por lucro, mas uma racionalização da sociedade.
            Weber aponta que o calvinismo desenvolveu o espírito capitalista e, por conseguinte, o capitalismo. Ao falar da ética capitalista, o autor se utiliza de um texto de Benjamin Franklin chamado Time is Money, em que o autor abarca o “Utilitarismo ético” que, em suma, critica o ócio, incentiva o acúmulo de bens e a poupança. Em um de seus trechos indica: “nunca se permita pensar que tem tudo de que precisa”.
            Posto isso, a ética utilitarista afirma que o indivíduo deve pagar suas contas em dia, não porque é o certo a se fazer, mas porque isso é crucial para que ele consiga novos empréstimos, atraindo mais dinheiro. Além disso, esse sistema faz com que o homem se sinta na obrigação de reinvestir seus ganhos para fazer crescer seus lucros.
            Com essa perspectiva do comportamento humano, é possível fazer uma análise de como a rotina dos indivíduos se tornou auto-exploradora. É certo que o proletariado oprimido descrito por Marx convive em situações complicadas de trabalho, condicionadas pelo sistema do capital; todavia, a ética capitalista descrita por Franklin e Weber nos mostra que até mesmo os burgueses são dependentes do sistema que eles próprios impuseram.

            O ócio que antes fora considerado próspero, hoje é considerado como a perda da prosperidade. A expressão “tempo é dinheiro” define aquilo que a sociedade se tornou, dependente de sua própria ambição, viciada em aumentar progressivamente seus lucros, deixando de lado a própria qualidade de vida e os momentos essenciais de lazer.
Gabriela Melo Araújo - 1º Ano
Direito Noturno

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ônibus 174

O documentário "Ônibus 174", de 2002, dirigido por José Padilha, tem uma construção nitidamente weberiana. A preocupação do filme é mostrar os fatores que levaram à situação de reféns em um ônibus ocorrida no Rio de Janeiro e seu trágico desfecho em 2000.
Por meio de entrevistas com policiais, vítimas, antropólogos e conhecidos do sequestrador, o documentário aponta as motivações e os fatores que levaram Sandro, o autor do crime, a realizar tal ato que abalou e prendeu o Brasil na frente dos televisores. Nascido e criado na favela, seu pai abandonou sua mãe ainda quando estava grávida. Mais tarde, com 8 anos de idade, Sandro presenciou o assassinato da própria mãe. Passou a viver na rua com outros garotos, onde tomou contato com as drogas, tornando-se viciado em cocaína. Foi um sobrevivente do chamado "Massacre da Candelária", onde várias crianças e jovens foram mortos pela polícia.
Assim, perturbado pelas experiências de vida e alucinado pela cocaína, Sandro viu no sequestro uma oportunidade de chamar a atenção para si - antes, uma vítima qualquer da vida, apenas mais um morador de rua sem qualquer amparo familiar - e conseguir um "momento de glória", na falta de uma expressão melhor. Era notável a grande euforia do rapaz ao observar a crescente repercussão que estava causando no país inteiro. É o que Weber chama de "ação racional com relação a um objetivo", apesar de Sandro não estar com suas faculdades mentais em bom estado, devido a seus traumas e seu uso frequente de entorpecentes.
Um fato constantemente abordado no documentário é o despreparo policial. Já logo no início temos a declaração e que os policiais do Rio de Janeiro são pessoas que não conseguiram outro emprego e que não têm uma preparação física e psicológica para enfrentar situações especiais como as do sequestro do ônibus 174. Estes fatos explicam a ação impulsiva e inconsequente do policial ao tentar atirar em Sandro quando este deixou o ônibus segurando uma refém, o que causou a morte desta ao que o sequestrador usou dela como escudo.
Podemos notar a análise sociológica-compreensiva de José Padilha ao caso do ônibus 174 ao construir a imagem da força policial do Rio de Janeiro e do sequestrador Sandro conforme decorre a história do sequestro, do começo ao fim. Acabamos por compreender que dentro daquele criminoso estava um jovem com muitas cicatrizes deixadas pela vida, desprovido de valores por faltar-lhe uma figura familiar que lhe instruísse moralmente, cujo único consolo era a droga, e com uma cosmovisão pessoal limitada a si mesmo.
A crítica que Weber faz é justamente a que Padilha procura deixar em seu documentário: uma simples análise do fato social leva a interpretações errôneas e muitas vezes estabelece, equivocadamente, um "dever-ser". Sandro foi julgado e executado no próprio local pelos policiais, movidos por um forte sentimento vingativo que aflorava de toda a nação. Sentimento este que ainda é causa de muitas barbaridades como a justiça popular (linchamentos) e o forte clamor pela redução da maioridade penal. É preciso combater as causas e não os efeitos. 

Hiago A. Cordioli
Período Noturno
Max Weber

O Tipo Ideal: Super Vênus




Supervénus, no original, é um curta metragem em animação produzido pelo cineastra francês Frédéric Doazan, que (embora todos os exageros à parte, afinal a intenção é trazer à tona a perplexidade) mostra as mudanças sofridas pelo corpo feminino em busca da perfeição. 

Foquemos no indivíduo. Na ação social. Por mais que a sociedade possa influenciar no comportamento de determinado sujeito, tendo a mídia e instituições clínicas, por exemplo, papel principal nessa influência (perdoe-me Weber por não seguir à risca a sua rigorosidade metodológica de neutralidade, prometo me esforçar ao máximo), ainda assim, a ação final é de responsabilidade do próprio sujeito. Seus valores e seus princípios são levados em conta no momento em que ele toma sua decisão. A decisão final é responsabilidade sua. Utilizando a animação como parâmetro (tipo ideal) para analisar a gama de possibilidades que expliquem esta realidade, proponho alguns levantamentos.

O que leva, no caso específico do vídeo, a procura do gênero feminino a esses procedimentos? A ação emocional é um ponto essencial na análise dessas decisões? Elevar a autoestima é o principal fim? E quando não se consegue pagar por tais técnicas? Por que ceder a um açougueiro a sua vida, quando é iminente o risco à graves sequelas? A cirurgia usada de modo constante vicia? A saúde da mulher é realmente levada em conta? Ela é o fim de ao menos uma cirurgia plastica realizada no mundo?

Tais perguntas poderiam conduzir a uma explicação para esta realidade de fato. Além de outros, um dos próprios questionamentos citados podem servir de explicações plausíveis para esta realidade. Entretanto, contento-me apenas a proporcionar esta reflexão a todos.