Total de visualizações de página (desde out/2009)

domingo, 29 de setembro de 2013

Racionalização nascida da reforma protestante



Weber através de sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo” analisa a reforma protestante considerando-a uma das principais revoluções da humanidade, mudando o modo de agir do mundo. A ética protestante surgiu entre os calvinistas e se irradiou para o resto da sociedade, porém de forma mais desprendida do sentido religioso, possuindo uma natureza diferente. Weber alegava que a religião foi um dos fatores responsáveis pelas diferenças de desenvolvimento das culturas entre o ocidente e o oriente, buscava compreender a singularidade do ocidente. O sociólogo considerava o protestantismo ascético como a efetiva revolução moderna, pois modificava a consciência dos indivíduos e, por conseguinte a consciência externa, levando, assim, ao nascimento do capitalismo e do estado racional nos países ocidentais.
Weber menciona o processo de racionalização visando dominar o mundo e não acomodar-se a ele, pois o racionalismo nasce após a reforma protestante, em que quanto mais se prospera (crescimento econômico) maior é a salvação, ou seja, o espírito do capitalismo não está no sentido de “aproveitar a vida”, mas sim no sentido de despojo, de trabalho árduo, valores pregados pelo ascetismo protestante. A ética racional é entendida como padrão de conduta e se liberta das origens religiosas, esta ética pega o não consumir, mas investir, acumular capital, racionalizar o capital. A análise da racionalização é dividida em contábil, jurídica, científica e do homem em que o que diferencia é a disposição de conduta, em que o homem é visto com estranheza em adotar certos tipos de conduta.
É válido ressaltar que Weber não quer apenas se antepor ao materialismo histórico de Marx, apenas inverte-se as premissas do marxismo, pois para Weber o espírito da acumulação gera o capitalismo, este espírito foi o fator de desencadeamento e o que lhe antecedeu, como exemplo as colônias do norte dos EUA fundadas por pequenos burgueses, já existindo então um início da acumulação (“O capitalismo se origina a partir do modo de vida de um grupo de homens”).


Emmanuelle Nasser Dias e Silva- 1º ano Direito Noturno


Do pecado à salvação

Max Weber, em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo“ busca compreender  as mudanças do agir e pensar dentro de uma estrutura social em que havia predominação de camponeses, busca entender, portanto, a partir do agir social como ocorre a  concretização de tais mudanças e como a ética protestante possibilitou o avigoramento do espírito capitalista e para isso, recorreu às seitas protestantes.
A lógica espiritual dos Calvinistas embasava-se pelo acúmulo de riquezas e isso significava, para esses, sinais de predestinação e salvação. Weber contrapõe-se a Marx e evidencia o capitalismo como produto imutável do “espírito do capitalismo”, e destaca, ademais, que a ética protestante foi essencial para a universalização do capitalismo, o empreendedor calvinista obtinha sucesso no âmbito dos negócios e acumulava riquezas, possibilitando, portanto, a ascensão do capitalismo e seu futuro sucesso. Ou seja, o  Calvino, por sua crença de predestinação cria o “espírito do capitalismo” e este, acarretará mais tarde no capitalismo, que para Weber é muito mais do que pura acumulação do dinheiro, é tido como a racionalização do mundo, da ciência.
 Weber também afirma ser a ética calvinista uma ética de dominação, e a partir dessa dominação alimenta-se a cultura do protestantismo. A reforma protestante, para o autor, possui um caráter revolucionário, e de rupturas, afinal a lógica do acúmulo de riquezas e do novo comportamento gerado pela Reforma não era condizente com a cultura catolicista vigente. Tal mudanças, evidenciadas pela Reforma Protestante foram gradativamente perdendo o caráter religioso,  disseminaram-se por todo o globo e acarretaram em uma universalização, uma revolução dentro da história do Ocidente, entretanto é palpável que tal aspecto teve grande importância para uma das maiores transformações da atividade econômica do globo, em que ações capitalistas tidas como pecados passaram à ser significado de salvação.


Daniela Nogueira Corbi – Direito noturno

Religião e Ordem Econômica: Uma Possível Simbiose.

        É interessante observar como Weber analisa a influência religiosa sobre o complexo de fatos econômicos. Atem-se, na obra em estudo, mais precisamente sobre a influência exercida pela ética protestante. Utiliza como referência um dos mais homens mais notáveis e conhecidos da história dos EUA, Benjamin Franklin, que moldou uma linha de pensamento a qual até hoje recebe aplausos, e que se encontra bem expressa em sua autobiografia. 
        Franklin viveu segundo rígidos conceitos calvinistas, os quais, como se sabe, são voltados a impulsionar ao homem para o trabalho.  Ora, a religião é uma face da natureza humana que irradia seus efeitos fortemente sobre a conduta pessoal. Se molda o homem para uma cultura de trabalho e acumulação, como o faz o calvinismo, vê-se que o aspecto religiosos exerce influência direta e poderosa também sobre a ordem econômica. 
        Exemplo evidente e francamente ilustrativo de tal colocação temos no contraste entre a própria história do desenvolvimento econômico dos EUA frente ao Brasil. Aquele país teve grandes vantagens econômicas advindas do predomínio de uma religião voltada para o trabalho árduo e progresso material, enquanto em nosso país tomou lugar a religião católica, francamente desfavorável a um intenso desenvolvimento econômico, embora isto hoje já não seja tão evidente quanto antes, visto a óbvia diminuição da influência religiosa. Mas, os reflexos de tais diferenças - perniciosas para nós - perduram. Pode-se dizer, por isto, que da relação entre religião e ordem econômica podem advir consequências nefastas ou benéficas para o desenvolvimento de um povo. Quando benéficas, teríamos o que se pode chamar de uma simbiose entre religião e economia, uma em proveito da outra.
        Por outro lado, posta à parte a discussão acerca da manifestação religiosa sobre a esfera econômica, Weber faz uma análise geral acerca daquilo que denomina espírito do capitalismo, o qual, segundo ele, manifestou-se ao longo da história nos mais diversos lugares. Espírito esse que rege-se basicamente pela auri sacra fames, tão evidente antes quanto hoje. Quer dizer, o homem, em todos os tempos, sempre orientou-se no sentido de acumular, até porque, numa análise mais biológica do que econômica, toda forma de vida é irresistivelmente apegada ao impulso de sobreviver, e o homem, desde o momento em que nasce, percebe que a matéria lhe proporciona viver. Sendo assim, por instinto, acumula.
        Entretanto, e Weber nota isto, ao fazer certo contraste entre o tradicionalismo e o capitalismo moderno, este deturpa o sentido de acúmulo material destinado tão somente às necessidades mundanas, porque racionaliza a ordem econômica de tal maneira que o objetivo já não mais é garantir a sobrevivência (e o prazer de viver), mas sim o lucro. Daí surgirem sempre processos destinados a otimizar o trabalho tendo em vista lograr sempre maiores retornos sobre o capital investido, como é próprio da economia moderna.

Marcos Vinícius Canhedo Parra

O novo agir social frente ao capitalismo

              Em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber procura analisar a influência que o padrão de comportamento surgido com o protestantismo, a ética protestante, tem sobre o modelo capitalista e o impulso que essa nova conduta deu para esse modelo econômico.
              Weber afirma que a ambição pelo acúmulo de riqueza sempre esteve presente em toda a história da humanidade, entretanto, ele ressalta que vai ser a partir do capitalismo que haverá uma racionalização no acúmulo dessa riqueza e, nessa perspectiva, tem-se a racionalização contábil, do Homem, jurídica e científica. Desde então o homem vai passar não só a acumular, mas também vai procurar dinamizar os investimentos para que a partir da fortuna gerada seja possível obter novos capitais para realizar novos investimentos, construindo um ciclo onde cada vez mais os rendimentos são multiplicados.

              Dessa forma, Weber afirma que o protestantismo foi elemento importante para essa dinamização do investimento, pois ele pregava que o enriquecimento vindo por meio do trabalho, da prosperidade econômica, é um sinal da predestinação, e isso proporciona força para que o capitalismo se desenvolva constantemente e com maior intensidade. Assim, Weber elucida que os homens passam a agir de forma diferente em relação ao mundo, com uma nova ética, para se enquadrar nessa predestinação contribuindo para a explosão do sistema econômico capitalista.

Cultura geradora de um novo modus operandi

            Na introdução de sua obra, Max Weber nos mostra diversos exemplos de como a cultura ocidental, no que diz respeito à evolução, desenvolvimento e edificação de seus pilares, é dominante à cultura oriental, mesmo que, muitas vezes, em diversos aspectos, sobre diversos ramos, a primeira tenha se utilizado da segunda como seu compartimento. Exemplos como conhecimento na Arquitetura, Música, Ciência, maneira como o Estado se organiza e se expõe na sociedade regida, etc. são os principais utilizados pelo autor para nos mostrar essa dominação.
Como maneira a introduzir-nos no assunto do capitalismo, Weber também nos explicita sua interpretação de realidades tangidas por esse sistema econômico-financeiro. É-nos dito que, primeira e diferentemente do que o senso comum pensa ser, o capitalismo não é o responsável pelo nascimento de um ímpeto irrefreável por lucro. O capitalismo é, na realidade, a limitação da ganância irracional do homem. Segundo Weber, a ação econômica capitalista nada mais é do que a possibilidade de lucro, ou seja, de maneira pacífica e racional, a esperança pela obtenção do lucro.
            Dentro da lógica capitalista, segundo Weber, temos que, caso um trabalhador de trocas e vendas não se adapte à lógica capitalista, será eliminado da sociedade mercadológica, pois, sabendo que, como supracitado, o capitalismo nada mais é do que uma esperança por possibilidades de lucro, uma vez que o comerciante não visa essa balança favorável de seus negócios, não há, para o sistema capitalista, a base fundamental e primeira do motivo pelo qual ele se tornou comerciante.
            Numa análise sobre a modernidade do capitalismo, Max Weber nos mostra a existência de uma profunda influência da religião. Para a edificação do capitalismo moderno, as doutrinas religiosas, como a crença protestante, faz surgir um modus operandi das relações sociais.
            Quando se diz “influência de religiões” para o desenvolvimento do capitalismo, tem-se que se ressalvar que a religião pioneira nessa conjuntura foi o calvinismo, a chamada religião protestante. Ao analisarmos mais profundamente a influência do catolicismo na desenvoltura aqui explicada e analisada, vemos que este é responsável pela criação da mentalidade de que a usura é pecado, ou seja, o excedente de capital tanto necessário para existência das relações comerciais e, portanto, das relações capitalistas, é considerado algo inapropriado para a evolução dos laços sociais. Assim, se houve alguma influência do catolicismo no capitalismo moderno, pode-se dizer que essa influência foi, de certa maneira, negativa.
            A cultura mundialmente espalhada católica modificou-se com o advento do protestantismo. A salvação divina, que, segunda a Igreja Católica, era negada com a existência de usura, na Igreja Protestante era conseguida com a obtenção de mais e mais lucro, este que era visto como uma predestinação.
               Assim, pois, a cultura, segundo Weber, detendo as práticas da sociedade, é geradora de todos os possíveis novos costumes que, mesmo sem a finalidade de quebrar dogmas e estabelecer uma nova ordem econômica, no caso de uma análise socioeconômica de uma sociedade, passa a sustentar o sistema capitalista.

TORTURA MENTAL





                   Estamos, perante uma realidade social, e histórica da vida em sociedade,onde o homem vem,transparecer o seu sentimento para com o outro de um modo muito claro e tranquilo na sua convivência em comunidade. Indo mais longe podemos observar que as movimentações comerciais não são fruto do capitalismo ou de uma classe burguesa, mas sim desde o surgimento do próprio homem na face da terra.

                    Max Weber, na sua obra ''A Ética protestante e o Espirito Capitalismo,ele discorre de uma forma muito importante, em que, o próprio homem aparece como ponto das atenções do mundo social em que se encontra. Isto, porque a liberdade de pensamento aparece em cada momento do ser humano, devido a maneira de raciocinar do homem atual, em que, não só julga, como também procura entender o porque das coisas,e o que li levou a fazer tal coisa.Weber quanto a racionalização do trabalho, fez um levantamento positivo isto perque foi o ponto de partida do protestantismo no equilíbrio do mundo social de uma de terminada sociedade.

                     Em suma a visão de Weber na ética protestante e o espirito capitalista ajudaram a manter mais farte o capitalismo,onde o a cumulo de bens ou riqueza, tem sindo muito importante entre os homens.Estes fenômenos da transição das riquezas levaram a Weber a saber quando é que estes acumulo tem inicio e por onde podem chegar,e causando uma revolução continua na busca da capital para o seu enriquecimento material,e saber se posicionar na sociedade.

sábado, 28 de setembro de 2013

“A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber analisa a história do ocidente no tempo em que se deu a Reforma Protestante, a qual responsável pela alteração do pensamento, então vigente, promoveu a idealização de novos valores religiosos que fomentaram o Capitalismo. O modo de produção à época alterou-se gradativamente em função não da sede pelo capital, mas ao passo de uma progressiva mudança cultural e, somando se a isso, os novos valores morais iam surgindo sob a proteção de preceitos religiosos que justificariam a nova ordem econômica.

Vê-se a partir da análise de Weber, portanto, que a nova mentalidade surgida, em razão do Protestantismo, desviou-se do conceito de que o lucro e o acúmulo de capitais, por exemplo, fossem imorais. De modo que o trabalho à luz da ética protestante permitiria ao homem exteriorizar sua própria graça, assim a sua ascensão justificar-se-ia pela sua predestinação.

Para Weber, o pensamento com relação ao capital que surgiu nesse momento da história estimulou inclusive a transformação do Direito. Este passa a ser uma ciência muito próxima da economia, sendo atuante na garantia dos frutos capitalistas nascentes e em questões a ele relacionadas.

Evidencia-se na obra que para o Capitalismo a riqueza era uma meta a ser sempre conquistada, ou seja, acumular capitais segundo o esforço do trabalhador sem que ele se atentasse à vontade de desfrutá-los. A ostentação, pois, seria algo inconcebível, e o lucro, instrumento a fim de se aumentar a produtividade do modo de produção.

João Paulo Gabriel Braga de Oliveira - 1° ano de Direito Noturno.

Capitalismo como tinta


Em sua obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo", Max Weber contraria a visão marxista e realiza uma análise mais abrangente do capitalismo, não puramente em seu aspecto econômico. A partir dessa análise, Weber constatou o embrião do pensamento capitalista: a ética protestante. Segundo tal ética, essa valoração do "trabalho pelo trabalho" não se derivava de uma ambição pura e simples, mas de um ordenamento divino, como se o sucesso econômico em terra comprovasse a predestinação do indivíduo. E a essência da burguesia de Weber baseia-se não na ostentação, mas no comedimento. A "revolução capitalista" seria, então, uma revolução da mentalidade e em segundo plano uma revolução econômica.

E apesar de ser fator originário do capitalismo, a religião vai gradualmente desprendendo-se até se tornar nula, quando se cristaliza na “ética capitalista”. Numa analogia, o pensamento capitalista seria como tinta; o Protestantismo como a água; e a sociedade, a parede a ser pintada. A água constitui em uma base para a tinta que, no entanto, vai gradualmente evaporando e abandonando a parede, de forma que os pigmentos fixam-se na mesma, colorindo-a. Ainda utilizando-se dessa analogia, as sociedades ocidentais seriam como uma parede que inexplicavelmente teria aptidão natural para fixar o pigmento colorante da tinta.

Ainda que não possuam a mesma aptidão para fixarem a tinta verde do capitalismo, as outras sociedades se veem numa situação de obrigatoriedade de moldarem a ela, de forma que também consigam receber sua pintura para não sucumbirem à concorrência das sociedades capitalistas. Sendo que nesse ponto, o pensamento weberiano coincide com o marxista, que acreditava que o capitalismo já nasce com uma prerrogativa global devido ao espírito de competitividade.

O espírito capitalista constrói-se em cima de um paradoxo: o da negação da sua riqueza para a geração de mais riqueza. Assim, como para Comte seria a “negação do eu” que levaria a prosperidade social, para Weber, a negação da riqueza levaria a prosperidade econômica, pois o indivíduo deveria ignorar sua riqueza acumulada para continuar trabalhando para acumular ainda mais. O espírito capitalista destrói a sociedade subsistente feudal, sendo que tal espírito ainda encontrava-se enraizado nos indivíduos, o que foi combatido com a política dos salários baixos, que segundo Weber não era fruto meramente da sede por lucro, mas um modo de aumentar a produtividade, já que o trabalhador contentava-se com determinado valor “x” e não buscava aumentar seu salário.

Suzana Satomi Shimada - Diurno

Profissionalização da personalidade

  A ética protestante veio revolucionar o modo de vida não só burguês, mas humano. Ter como filosofia de vida, o trabalho por si mesmo, orientou a conduta ocidental e ulteriormente mundial. “Despersonifica-se” o ser humano, para “coisificá-lo” em trabalhador. O homem deixa de ser O José que trabalha como pedreiro, para se tornar somente O pedreiro. Abandona-se o caráter humano com suas peculiaridades e sua própria personalidade, para adotar uma postura profissional.
  Racionalizar o trabalho foi a questão chave do protestantismo. Crescer, acumular e ter ambição fazem parte do espírito humano, de qualquer nacionalidade ou época histórica. Mas considerar-se predestinado pelo acúmulo de capital retido, sem usufruí-lo é o que inovou nesta nova era da humanidade. Dominar o mundo é construir nele, é saber fazê-lo crescer e desenvolver economicamente, sem se acomodar ou se conformar com sua condição financeira medíocre.
  O capitalismo prioriza a dinamização racional do investimento, racionaliza a circulação da moeda, desejando manter a riqueza durante o tempo, criando uma estrutura imobilizada do capital. Weber quer entender quando é que este fenômeno se inicia, quando que o burguês começa a ser burguês. O processo é contínuo e ágil causando uma revolução moderna efetiva, que regulamente todos os aspectos da conduta humana, seja de sua vida pública ou privada.

Gastar hoje, ou gastar amanhã?

    Na atualidade, a forma do capitalismo e suas influências sobre a sociedade são tão grandes que é praticamente impensável que tal forma de economia/viver foi implementada com a ajuda de uma doutrina religiosa. Tal ideia parece infundada pois, na atualidade, o capitalismo ganhou um força tão grande que, em certas ocasiões, engloba a própria religião em seu meio. Contudo, o "suporte" que o capitalismo teve da ética protestante foi algo essencial para que esta doutrina econômica tivesse sucesso no mundo.
    Pautando pelo lado explicativo, a ética protestante ajudou na consolidação e fortalecimento do capitalismo ao oferecer, para este, uma base sólida na qual ele poderia erguer e fortalecer seu espírito: a base da predestinação. Segundo a ética protestante, o principal indício da predestinação de um indivíduo (algo que indica que aquele homem é um escolhido de Deus) é a sua riqueza. Quando mais um homem externalizar os indícios de sua graça, mais abençoado, na tese desta ética, ele seria. Ou seja, o capitalismo encontrou na ética protestante um suporte para conciliar o fato de que o trabalho a esmo, para o acúmulo de capitais, não era algo sem sentido. Era algo que poderia até salvar um indivíduo e demonstrar o quanto Deus considerava este homem abençoado.
    Assim, a ética protestante mudou o enfoque e a forma como se observava o acúmulo de riquezas. Enquanto no cristianismo o acúmulo de riquezas é visto como algo ruim, e que barra a entrada dos homens no reino do céu, no protestantismo a ideia era basicamente o contrário: a riqueza era um sinal de que Deus tinha escolhido e predestinado aquele sujeito. Ou seja, para o cristianismo a salvação estava no futuro, estava em "gastar" suas riquezas amanhã, no reino dos céus, e não "hoje" no reino dos homens.
    Mas como que tal ética ajudou tanto no fortalecimento do capitalismo? Como uma simples doutrina religiosa foi o ponta pé inicial para que um grande sistema econômico englobasse toda a sociedade? Simples, por meio da racionalização do trabalho.
    Como que é possível externar a graça e a predestinação se um homem não trabalha? Como é possível acumular capital se este mesmo homem perde três, quatro dias, trabalhando para a Igreja? Como é possível ser um homem predestinado, se este mesmo homem perde tempo, fora de seu trabalho, resolvendo assuntos que não ajudam em seu trabalho? Foi colando estas perguntas, que são utilizadas até hoje, que o capitalismo conseguiu absorver, e se utilizar da ética protestante, para o fortalecimento de seu espírito.
    A ética protestante forneceu "fôlego" ao capitalismo quando "apoiou" uma doutrina tão embrionária e frágil frente a ordem social da época. Fornecendo a esta doutrina a "arma" que viria a ser seu maior trunfo frente todas outras doutrinas econômicas passadas: a racionalização do trabalho. Esta arma foi o ponto de partida para que o capitalismo, e sua força na sociedade, conseguissem quebrar barreira e irradiar para o mundo. Fazendo com que o modelo econômico do ocidente interferisse em todo o mundo, e que, mais tarde, possibilitasse uma emancipação do próprio capitalismo da ética protestante. Colocando a racionalização do trabalho como seu maior bem e maior força na atualidade.

Leonardo de Morais Oliveira Lima - Direito Noturno - Unesp  

O Início do Capitalismo

Na obra “A Ética Protestante e o Espírito Capitalista” de Weber, o pensador discorre acerca da mudança de pensamento econômico ocorrida a partir da Reforma Protestante. Antes da reforma, a soberana Igreja Católica impunha sua forma de pensamento, que consistia em total abstenção de coisas mundanas e materiais e, inclusive, condenava o lucro, considerando que o fruto do trabalho deveria ser apenas o necessário pra sobrevivência.

Com o surgimento do Protestantismo dos Calvinistas, no entanto, essa lógica mudou. Essa ceita religiosa valoriza coisas terrenas, a economia e, assim, o lucro. Dessa forma, as pessoas, principalmente os burgueses, passaram a não mais aceitar as imposições do capitalismo e a investir mais em suas fontes de renda, buscando o lucro – que não era mais considerado pecado – e dando impulso ao Capitalismo.

Segundo Weber, um fato crucial aconteceu para a consolidação da relação entre Protestantismo e Capitalismo: a racionalização do indivíduo. A partir disso este deixa de ser passivo e passa a buscar o que é melhor pra si, sem considerar a coercitividade da Igreja. Neste sentido Weber fala ainda em contabilidade racional, que consiste em separar sentimentos dos negócios, visto que para que o negócio tenha sucesso é preciso se desvenciliar da influência de sentimentos abstratos.


De modo geral, como afirma Weber, o Protestantismo quebrou barreiras impostas pela Igreja Católica e colaborou para a consolidação do pensamento e da sociedade capitalista.

Ana Carolina Nunes Trofino - Direito Noturno

Capitalismo: de selvagem a divino


  Em épocas passadas, nas quais a Igreja Católica se portava como a instituição mais influente e poderosa, o lucro era considerado pecado e as possíveis ações capitalistas eram impedidas por conta do medo das consequências de se cometer tal perversão.
  E então, surge uma nova linha de pensamento religioso que dará origem ao Protestantismo, que diferente do Catolicismo, atribui importâncias às coisas terrenas e exalta as ações econômicas. Ao valorizar a economia, valoriza o lucro e acaba impulsionando a iniciante burguesia a investir cada vez mais em seus comércios, pois sob essa nova ótica protestante, tal fato não era mais considerado pecado e se, caso um burguês prosperasse em sua atividade profissional, seria um sinal de sua predestinação divina em ser economicamente vitorioso.
  Nessa relação entre ética protestante e espírito capitalista, houve um motivo importante para tal prosperação deste sob a luz daquele, segundo Weber: a racionalização do indivíduo. Ele passou, então, a querer transformar o mundo e não apenas se acomodar a ele e isso foi crucial para a dinamização das relações econômicas.
  Essa racionalização do indivíduo e posteriormente da economia, acaba resultando na dinamização do investimento, ou seja, a riqueza adquirida deveria ser movimentada para gerar mais riquezas e não apenas ser acumulada como forma de ostentação. Possuir riquezas passa a ser caracterizado pelos altos investimentos e não pela grande acumulação.
  Enfim, não se sabe ao certo se foi o protestantismo que assegurou o capitalismo ou se foi as necessidades do capitalismo que fizeram com que surgisse a ética protestante. O que se pode conhecer, no entanto, é a estreita ligação entre ambos os fenômenos e atribuir à essa relação uma das maiores transformações das atividades econômicas já vividas. E com isso, as ações capitalistas passaram de pecadoras à divinas, ultrapassando os tempos, as crenças e até, para quem acredita, o próprio Deus.


Ana Carolina Alberganti Zanquetta, Direito Noturno

Racionalização em Weber



Na obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” Max Weber busca atribuir uma explicação para o surgimento do modo de produção capitalista. Para isso realiza um extenso estudo comparativo entre as sociedades do mundo oriental e do ocidental, berço do Capitalismo, e, partindo daí, foca sua análise sobre a religião protestante.

A ética protestante surge em determinado grupo social – entre os protestantes, especificamente os calvinistas – à luz de norteamentos morais com o objetivo de atingirem-se apenas fins religiosos: a salvação. O trabalho seria uma dádiva Divina, razão pela qual é considerado a própria finalidade da vida e um “fim absoluto por si mesmo’’. Nas palavras de Benjamin Franklin: “Lembra-te de que tempo é dinheiro”, “Lembra-te de que o dinheiro é de natureza prolífica, procriativa. O dinheiro pode gerar dinheiro e seu produto pode gerar mais, e assim por diante (...).” Cabe dizer que os valores adotados pelos protestantes como o trabalho e a sobriedade foram convertidos em causas do fato social na teoria weberiana. Os recursos empregados pelos calvinistas para a conquista da salvação foram também as causas do seu êxito como empreendedores.

A “ética” que se irradiou perdeu sua natureza religiosa para adotar um caráter secular, leigo e desenraizado de sua expressão eclesial. A esse processo Weber denomina “racionalização”, que detém um caráter universalizante – inerente ao Capitalismo – e possui aspectos próprios que o diferencia das demais perspectivas racionalizantes: a racionalização pós Revolução Protestante guarda em si um enorme ímpeto expansivo, multiplicativo e dominativo do mundo. Ela se vale de novos padrões de conduta e operacionaliza a perspectiva empreendedora do tentar, do por em ação o novo, do lançar-se a novas ideias e iniciativas.

Em Weber, portanto, são os valores culturais capazes de determinar a economia. Embora diversos outros pensadores tivessem tentado estabelecer elementos que contribuíssem ou ocupassem o fator econômico na teoria marxista, a weberiana se sobressaiu, consagrando a obra “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” o mais importante escrito teórico do século XX. Max Weber procura expor que aquilo posto por Marx no “ingênuo materialismo histórico” como causa é, na verdade, um efeito.

Gabriela de Aguiar Watanabe - Noturno

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ENCAIXE INDUZIDO

O homem é incapaz de viver sozinho, já dizia Aristóteles. E se assim o é, as relações humanas existem desde que o primeiro existe. Indo mais além, podemos observar que as interações comerciais não são fruto de uma invenção capitalista-burguesa, mas de uma lógica racional que acompanha o ser humano sempre que a liberdade o permite isso realizar.
            Por esse viés, forte sentido ganha a afirmativa weberiana no sentido de que o capitalismo não se traduz pelo simples almejo de lucro. Afinal, até mesmo os senhores feudais obtinham rendimentos e proveitos dos que lhes eram subordinados. Ou seja, a acumulação de bens e a astúcia para obter vantagens estão com o homem por todos os tempos em que ele habita a Terra. O que diferencia o capitalismo das demais formas de relações comerciais é o racionalismo integrado que ele exige de quem o pratica.
            Para que esse racionalismo seja possível, necessário se faz um pensamento unilateral em relação há certas estruturas sociais. Isto porque as paixões humanas podem atravancar o agir e impossibilitar a concreção de uma ideia que precisa de um número global de adeptos para se manter e se solidificar.
            Neste sentido, sensível percepção teve Weber ao relatar a abertura dada pelo protestantismo ao avanço capitalista. Tamanho avanço, que até a Igreja Católica, que era antagônica ao lucro, teve que se flexionar no decorrer da história, pois o racionalismo do capital seduziu e atraiu fieis católicos aos milhares.

O mundo ocidental universalizou o desenvolvimento graças ao seu modo de pensar, e, a despeito das mazelas (que acredito existam em qualquer sistema econômico), levou aos quatro cantos a luz da possibilidade de emancipação humana por meio da ciência e da dinâmica social. Se a teoria justifica a prática, ou vice versa, pode não haver consenso, mas negar que os caminhos do pensamento humano por demais evoluíram com o espírito competitivo do modelo econômico ocidental, e que os benefícios concretos disso são incontáveis, é não enxergar a luz da saída do limbo mais escuro.

Texto da aula 1 - 2º semestre.

O rompimento de amarras

Weber em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo” é marcado pelo estudo da transformação na forma de pensamento econômico a partir de estruturas mentais e padrões de conduta que concretizam a mudança na forma de produção levando a racionalização do capitalismo. Tal mudança se iniciou a partir da Reforma Protestante na qual o calvinismo desencadeia uma nova forma de pensar, sobre a justificativa de predestinação do indivíduo segundo o acúmulo e dinamização de bens materiais. Esta nova visão da ética protestante se afasta de seu sentido religioso e cria um sentido voltado à racionalização do trabalho.
Desta forma, a mudança de conduta segundo o pensamento religioso foi fator determinante para o surgimento do capitalismo, além de sua universalização e racionalização. Esta racionalização pertencia a uma perspectiva de dominação, na qual o ocidente serviria de modelo para o restante de mundo.
Contudo a alteração do pensamento vem antes  da mudança nas formas de produção. O capitalismo como forma de racionalização altera a estrutura social do pensamento da época, que vai desde a visão jurídica até a disposição do próprio homem em adotar certos tipos de conduta racional, este então passa a ver o mundo como algo a ser empreendido e transformado.

Portanto, a ética protestante levou o homem a se libertar das amarras religiosas que o impediam de visar o lucro, enriquecimento e a ostentação. Isto fez com que se criasse uma nova visão de mundo e um novo homem que busca a sua consagração terrena ao invés de apenas vislumbrar o paraíso.


             Por meio de seu método, Max Weber buscava entender a partir do agir social como se concretiza as mudanças. Buscava entender como os homens passam a pensar diferente. Porque essas mudanças na forma de pensar?
Mediante suas pesquisas, Weber irá chegar aos calvinistas.  Através da reforma protestante, que representou esse novo modo de agir, a ética calvinista buscava transformar o mundo e construir sinais de vigor econômico. Ela motiva a mudança de mentalidade que o capitalismo precisava e provoca as transformações ocorridas no mundo, e se os outros grupos sociais que não a aderirem a essa ética estarão fadados ao fracasso. Ela é responsável por dinamizar aquilo que era embrionário, impulsionando a burguesia a se tornar uma classe com poderes econômicos, e em seguida poderes políticos.
                O modo de produção capitalista busca racionalizar o investimento, ou seja, gerar mais riqueza. Esta racionalização é sustentada por quatro pilares: o pilar contábil irá separar o capital da empresa dos bens do indivíduo; o segundo pilar, o científico, é o instrumento que tornar possível o burguês transformar o mundo; o terceiro é o jurídico que será uma forma do indivíduo tenha garantias da posse de um determinado bem por aquele tempo; e por último o próprio homem, pois é preciso que a nova consciência burguesa se irradie para as outras classes e outros territórios.
A partir desse ponto que irá surgir uma ruptura diferenciando a história do ocidente. O racionalismo de dominar o mundo é forma de externalizar os sinais da graça divina, isto é, quanto mais se prospera, maiores são os sinais da predestinação. Surge o processo de ocidentalização do mundo, ou melhor, a universalização de um modo de vida.

"Amigos, amigos, negócios à parte"

         "Amigos, amigos, negócios à parte". É se não, nada mais que isso, a visão weberiana sobre a separação do trabalho e da vida particular, daquilo que ele chama de racionalização contábil, ou contabilidade racional.
         Livrar-se das paixões, em meio a negócios, nem sempre é fácil, sentimentos envolvidos podem enfraquecer a estrutura empresarial, e acabar danificando a própria estrutura familiar. Weber portanto, e para tanto, propõe a separação dos bens da empresa dos bens do indivíduo, a quem, agora indiretamente, pertencem os bens empresariais.
         Quando analisada atualmente, a sociedade, em diversos pontos, não possui, ou não adota a contabilidade racional. Olhemos o nosso Senado Federal, a nossa Câmara dos Deputados, nossas diversas câmaras de vereadores, prefeituras e instituições públicas, onde dezenas, centenas, se não milhares de casos de nepotismo acontecem. E o que seria o nepotismo, se não um caso de irracionalidade contábil, aos padrões weberianos.
         É o dono da mercearia, que abre o caixa e entrega o dinheiro diretamente ao seu filho que está saindo. É o dono da padaria que leva pão diretamente, sem devido registro, para sua casa. É a dona do restaurante, que não cobra o consumo de seus irmãos. Não há, em nenhum desses casos a devida racionalidade contábil, a contabilidade racional. As paixões falam mais alto que os negócios.
         Para Weber, as relações profissionais deveriam ter outro destino. Se amigos, amigos, seus negócios à parte.



A dinâmica capitalista

Na Era Moderna, o Ocidente veio a conhecer a organização capitalística racional, a qual era assentada no trabalho livre e valorizava aspectos como o lucro, o culto ao trabalho. Dentro desse contexto, Weber, em sua obra "A Ética protestante e o espírito do Capitalismo", procura compreender como e quando o Ocidente passou a agir dessa maneira. Isto posto, o sociólogo conclui que essa atitude tinha um caráter religioso: calvinistas buscando exteriorizar o sinal da predestinação.
A ética protestante, integrante do pensamento calvinista, compreende a ética como um padrão de conduta. Segundo essa concepção, trabalhar e prosperar são ações muito importantes, visto que representam sinais da graça divina e, por conseguinte, da salvação por Deus.
 No decorrer da historia, principalmente na Europa, essa ação social – a ética- protestante se racionaliza e se universaliza para além da religião. Dessa forma, ela foi fundamental para a expansão das ideias de economia e de sociabilidade capitalista. Assim sendo, o capitalismo tal como hodiernamente se apresenta, só tem início quando ocorre a racionalização da ética protestante. Essa racionalização, por sua vez, pode ser: contábil, científica, jurídica e, sobretudo, do próprio homem.
Em suma, o protestantismo foi, para Weber, a efetiva revolução moderna, uma vez que ele trouxe uma mudança na consciência dos indivíduos, os quais deixaram de se conformar com o mundo e passaram a querer dominá-lo e transformá-lo.

Marina Cavalli – direito diurno
     


Uma nova mentalidade


O capitalismo encontra-se atualmente em uma nítida expressão de sua força e abrangência. A maioria dos países do globo, com exceções de determinadas economias, aderem em sua totalidade o sistema capitalista e um modo de produção que almeja, sobretudo, o lucro. Essa é a lógica que norteia as diretrizes do capitalismo e que, por conseguinte, também afeta e interfere diretamente nas peripécias sociais.
Contudo, para que o capitalismo atingisse o seu aspecto e seu ânimo atual, um longo processo de formação e, principalmente, de mudança de mentalidade foi necessário. A proposta de Max Weber no texto “A ética protestante e o espírito do capitalismo” consiste em buscar entender e estabelecer como se deu essa transformação de um pensamento clássico-medieval para um pensamento capaz de impulsionar e de irradiar a força capitalista para o mundo.
Desse modo, para Weber, a mudança de mentalidade antecedeu até mesmo a mudança no modo de produção, do tradicional para o capitalista. Ela foi imprescindível para sustentar e gerar as transformações econômicas que estavam surgindo. Foi capaz de racionalizar a maneira de se produzir, com o intuito de dominar o mundo e não apenas contemplá-lo.
Essa nova mentalidade encontra seu cerne nos dizeres da religião protestante. Por um grande período da história, a usura, o acúmulo de capital, a cobrança de juros eram ditos como maléficos à vida humana, considerados erros perante a ética moral e religiosa que vigorava até então. Com a Reforma Protestante, o trabalho honesto e íntegro recebe grande destaque, possibilitando ao homem um progresso e sucesso pré- destinados.
 Com isso, gradativamente, essa nova mentalidade passa a ser intrínseca ao modo de agir da sociedade, tornando-se uma ética. Assim, tem seus primórdios na religião protestante, mas irradia-se para o mundo sobre diferentes perspectivas. Um nítido exemplo em que é possível verificar a presença dessa nova mentalidade, capaz de impulsionar e fortalecer o capitalismo, encontra-se nas intenções e nas peculiaridades do American Way of Life.
O American Way of Life foi um novo “estilo de vida” difundido pelos Estados Unidos durante o período da Guerra Fria e que se pendura até os dias de hoje. A expressão tinha a função de acentuar ainda mais a dualidade existente entre o bloco de países capitalistas e socialistas, exaltando a supremacia norte-americana e o seu modo de vida. O American Way of Life possui muito do discurso da ética protestante e, sobretudo, do capitalismo ao defender que qualquer cidadão com determinação e que trabalhe arduamente possui plenas condições de obter glória e sucesso.  Não há como negar, que dizeres como esses são capazes de impulsionar e de fortificar o progresso do capitalismo, mantendo-o o rígido e intenso até os dias atuais.


Juliana Galina - Direito diurno.

 

Modo de vida se torna modo de produção

          Na obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo", Weber analisa de forma crítica e criteriosa o desenvolvimento do capitalismo moderno e as influências sociais decorrentes deste - em específico as condições colocadas por uma racionalização da religião, para o avanço capitalístico na sociedade moderna.
       Tradicionalmente, na Igreja Católica Romana, a devoção religiosa estava normalmente acompanhada da rejeição dos assuntos mundanos, incluindo a ocupação econômica. Tais conflitos eram baseados na não valorização do corpo e desprendimento material. No protestantismo, por sua vez, o modo para alcançar a salvação era o trabalho rigorosamente planejado, ou seja, tal religião orientava a conduta de empresários e empreendedores, afirmando que aqueles que alcançavam o sucesso financeiro eram abençoados. 
         Assim, o protestantismo define o espírito do capitalismo como as ideias e hábitos que favorecem, de forma ética, a procura racional de ganho econômico. Weber afirma que tal espírito não é limitado à cultura ocidental, mas que indivíduos de outras culturas não tinham podido por si só estabelecer a nova ordem econômica do capitalismo. “O Ocidente (...) veio a conhecer, na era moderna, um tipo completamente diverso e nunca antes encontrado de capitalismo: a organização capitalística racional assentada no trabalho livre (formalmente pelo menos).”

Carolinne Leme de Castilho - Direito Noturno 

A nova perspectiva analítica de Weber


      O autor alemão Max Weber rompeu com os marxistas e anti - marxistas da sua época. Assim,esse autor foi além da mera crítica ou seguimento da obra marxista. A obra "A Ética protestante e o espírito do Capitalismo", demonstra isso, ela foi um marco de uma nova perspectiva para o estudo dos fenômenos sociais e da história, colocando Marx Weber, com honra, nos clássicos das ciências humanas . 
      Esse monumento escrito por Marx Weber  teve como pressuposto a tentativa de se absorver e entender o espírito embrião e formador da ética predominante do capitalismo, como , por exemplo, o lucro, o culto ao trabalho e a sede pela acumulação de capital; valores, estes que estariam ausentes ou em quantidades pequenas em outros momentos da história.Deste modo, Weber correlaciona as seitas e comunidades  de calvinistas e protestantes(grupos que propagavam esses valores), com o avanço do capitalismo na Europa. A partir dessa relação o pensador alemão evidencia uma notável similitude nesses dois fatores. Portanto, para Weber o avanço do pensamento protestante pela Europa foi um fator crucial para a formação do capitalismo e de sua Ética, estando essa impregnada na cultura de uma dada sociedade.
     Deste modo,  a perspectiva analítica e metodológica do alemão Marx Weber  demonstra-se inovadora para sua época, a qual era permeada de pensadores marxistas ou críticos desta escola, levando em consideração a cultura formadora de uma "Ética e Espírito" do sistema de produção vigente numa dada sociedade e tempo histórico. 
     
André César S. A. Costa 
Direito Noturno

Um novo molde para a humanidade

O surgimento da ética protestante dos calvinistas foi o impulso que faltava para o capitalismo se universalizar. A partir de um novo modo de pensar, Weber tenta entender todas as mudanças ocorridas da sociedade da época até o surgimento de um novo modo de produção. Por esse motivo, Weber afirma de a reforma protestante foi uma das principais revoluções da humanidade, pois mudou o modo de agir do mundo todo.
Esse momento de disseminação da ideia protestante é marcado como o início da “ocidentalização” do mundo que ocorre até hoje com ainda mais força do que antigamente, totalmente desprendida do viés religioso. A singularidade que permitiu que esse novo modo de agir vigorasse mais que os outros da época se dá por ser um momento de racionalização que provocou grande ruptura por ter como característica o aspecto da dominação do mundo ao invés de acomodação do mesmo, sendo que nesse caso, o sentido de dominação aproxima-se do aspecto de transformar, empreender, enfim, construir o novo, como podemos ver que ocorreu e ainda ocorre com muita intensidade nos dias atuais.
O contexto de ascensão da burguesia, mesmo que ainda como classe dominada na época, faz crescer a adesão a um pensamento que santifica o acúmulo de bens para garantir a salvação concretamente no reino de Deus, ao contrário do cristianismo, que além de crucificar a ostentação de riqueza (“ mais fácil um camelo passar por uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”) , ainda não possui uma “fórmula concreta” que garanta que o indivíduo consiga entrar nas portas do céu.
                A busca por lucro sempre existiu na história, por isso, o que diferencia a ética protestante é sua disposição de conduta. A análise da racionalização dividida em contável, científica, jurídica e do próprio homem evidencia esse novo padrão de pensamento e mostra que o homem consegue prosperar mais se divide a casa da empresa, se tem ajuda da ciência, como Bacon já dizia, ‘saber é poder’ e por fim, se tem a ajuda do direito para concretizar as conquistas e manter o investimento da propriedade ao dono.

É importante ressaltar que ao analisar o protestantismo como estopim para a mudança do modo de produção, Weber não está tentando criticar o materialismo dialético de Marx, apenas tentando entender de onde surgiu essa nova dinâmica capitalista mesmo que para isso haja uma contraposição de ideias entre os dois pensadores, pois como ele mesmo cita “O espírito de acumulação não é uma superestrutura do capitalismo mas seu fato de desencadeamento, pois lhe antecedeu.”

Giovanna Gomes de Paula - direito noturno