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segunda-feira, 10 de abril de 2023

Consciência Coletiva Contemporânea

 

A consciência coletiva é um conceito desenvolvido pelo sociólogo Émile Durkheim para explicar como os valores, normas e crenças compartilhados por um grupo social tornam-se parte integrante da identidade individual dos membros desse grupo. Segundo Durkheim, a consciência coletiva é um produto da vida em sociedade e é composta pelos valores, ideias e normas que são comuns a todos os membros de um grupo social.

Na visão de Durkheim, a consciência coletiva é construída a partir de práticas sociais repetidas ao longo do tempo, e é transmitida de geração em geração por meio da socialização. Ela é responsável por moldar as atitudes, crenças e comportamentos individuais, e por garantir a coesão e a estabilidade da sociedade. No entanto, Durkheim também argumentou que a consciência coletiva não é estática e imutável, mas sim dinâmica e em constante evolução. À medida que as sociedades mudam ao longo do tempo, a consciência coletiva também muda, e novos valores e normas são criados para refletir essas mudanças.

A consciência coletiva se manifesta no dia a dia de diversas maneiras, influenciando nossas atitudes, comportamentos e escolhas individuais. Como exemplo, tem-se os valores compartilhados, como a valorização da família, da honestidade, da solidariedade e outros que são influenciados com base no que é compartilhado pelo grupo social no qual se está inserido, além disso, também pode haver influência nos comportamentos coletivos, como as manifestações populares, as comemorações em feriados e outras ações que são compartilhadas por um grupo social. A consciência coletiva está presente em diversas áreas de nossa vida cotidiana, influenciando nossas ações, comportamentos, valores e identidade social.

Segundo Kilomba, a consciência no dia a dia se manifesta nas formas sutis de opressão que ocorrem em nosso cotidiano, muitas vezes de forma invisível ou naturalizada. Por exemplo, o racismo, o sexismo e outras formas de discriminação podem se manifestar em pequenos gestos, como um comentário ofensivo ou um olhar desdenhoso. É importante reconhecer e enfrentar essas formas de opressão no dia a dia, a fim de criar uma consciência crítica que permita transformar as relações sociais.

No filme americano “À Espera de Um Milagre”, é retratada a história de John, um negro acusado injustamente de ter violentado sexualmente duas meninas brancas. Por conta do estigma associado aos negros, John vai para o corredor da morte, com uma investigação negligente. Paralelamente, é perceptível que da mesma maneira que a opressão aparece de formas sutis, ela também surge de forma gritante, e muitos abstêm-se de agir e tentar, de alguma forma, mudar a realidade que está ao seu alcance. John era um inocente e toda a sociedade acreditou na história de que ele era o culpado por ser negro, enquanto o verdadeiro algoz estava livre.

Em suma, a consciência coletiva de cada dia é o conjunto de valores, normas e crenças que são compartilhados por um grupo social em um determinado momento, e que influenciam a identidade e os comportamentos individuais dos membros desse grupo. É necessário que ocorra a descolonização da mente para um processo de tomada de consciência e transformação.

O Racismo Estrutural como Fato Social

A intolerância racial tem sido uma constante na vida social do Brasil desde a época da colonização, mas nunca se havia falado tanto sobre esse assunto quanto agora. O que antes estava escondido sobre a fachada de um país unido e sem preconceitos tem sido revelado e discutido como a problemática que deve ser. Neste aspecto, o chamado racismo estrutural tem ganhado muito destaque: ao invés de uma violência explícita, o que se observa são pequenas ações e comportamentos que perpetuam preconceitos e justificam a discriminação de determinados grupos.


Pensando na teoria de Durkheim, o racismo se apresenta em nossa sociedade enquanto um fato social, ou seja, um mecanismo que busca manter os oprimidos na margem, fortalecendo as estruturas sociais que permeiam a sociedade. Este país, tendo sido construído sobre um sistema escravista e colonial, possui institutos sociais que se destinam a preservar as hierarquias de poder que surgiram a partir deste sistema (por exemplo, os grandes latifundiários e a exploração de recursos no topo e os povos originários na base). São comportamentos aparentemente inofensivos que delimitam pessoas negras e pardas a um determinado papel social (o de empregado, bandido, marginalizado) tendo em vista que, em uma estrutura de origem escravista, isto é tudo o que lhes compete.


Podemos observar como um jovem negro tem muito mais chances de ser abordado pela policia do que um jovem branco; como pessoas negras tendem a ser vigiadas mais de perto por seguranças dentro de lojas. Muitas vezes, para ter uma imagem de profissionalismo é necessário ter cabelos lisos, já que tranças e cabelos crespos passam uma imagem de “bagunça”. Todos estes são exemplos de como o racismo está incluído na vida cotidiana; mesmo que não se tenha a intenção individual de discriminar alguém, o fato social é geral, parte do coletivo para reprimir possíveis anomalias na ordem vigente.


Desta forma, mesmo quando algum indivíduo consegue romper esta estrutura, chegando a espaços que não lhe foram destinados, a sociedade como um todo o verá como uma ameaça a harmonia, um “corpo fora de lugar”, como diz Grada Kilomba ao falar de sua vivência enquanto parte de um grupo oprimido em meio acadêmico. A pesquisadora diversas vezes teve seus discursos invalidados por não serem “neutros”, por não seguirem os métodos estabelecidos pelos colonizadores para observar a realidade de um colonizado. Assim qualquer forma de se romper com este fato social, como, por exemplo, a questão das cotas raciais em universidades (que são discutidas com hostilidade por muitas pessoas por trazerem pessoas da margem para lugares de poder), sofre sanções da sociedade, visto que busca amenizar as desigualdades que justificam a organização da vida social.



Ana Paula de Souza


RA: 231221029


1º Direito matutino


O encarceramento e a consciência coletiva

Émile Durkheim definiu o funcionamento da sociedade como organismo independente e o conceito de consciência coletiva, que é um conjunto de crenças e sentimentos comuns aos membros de uma sociedade, que existe a fim de criar identidade e semelhança aos cidadãos para perpetuar a coesão social. Essa consciência coletiva é mantida por instituições que ensinam conceitos comuns e o internalizam nas pessoas, por meio da educação, nas escolas, por exemplo. Dessa maneira, são estabelecidos padrões comportamentais nos indivíduos. Se esses forem violados, tem-se os crimes e as devidas punições. 

Assim, o sistema carcerário e suas problemáticas são estabelecidos. A questão é que, dentro do encarceramento, as pessoas sobrevivem em condições precárias de higiene, alimentação e segurança, extremamente vulneráveis. Acontece, ademais, um processo de desumanização dessas pessoas, suas personalidades, individualidades, histórias são completamente ignoradas e viram apenas números para o sistema. Isso pode ser explicado também por Durkheim, uma vez que classifica a dinâmica crime e punição puramente como uma estratégia social utilizada apenas para perpetuação da moral e para servir como exemplo para as pessoas que não estão inseridas nas prisões, para não perturbarem a ordem social, já que teriam como consequência anos de reclusão. Portanto, aqueles que estão encarcerados não são verdadeiramente uma preocupação aos órgãos institucionais, a sua reinserção social e bem-estar durante o processo de punição não são atribuídos como elementos de importância para a sociedade, a relevância está em perpetuar a consciência coletiva e sua moral, apenas pelo visual de fora.

Desse modo, a negligência quanto ao sistema carcerário e as pessoas inseridas nele, a falta de reflexão e busca quanto aos acontecimentos internos perpetuam essa dinâmica e contribuem ainda mais para dar continuidade aos princípios e para a ordem social, ou seja, para a consciência coletiva.


RA: 231222645

Giovana Novaski Ducia - 1 ano direito noturno 

 


Crime e castigo: a consciência coletiva, a punição e a valorização do saber eurocêntrico nas sociedades modernas


O sociólogo francês Émile Durkheim, é considerado por muitos pai da sociologia por formular as regras do método sociológico e emancipar a Sociologia como uma ciência autônoma. Ele é um sociólogo funcionalista por compreender que os sentimentos, ações e pensamentos são exteriores ao indivíduo, ou seja, o ser é moldado por uma consciência coletiva e seus atos não podem ser isolados do corpo social. Além disso, o autor discorre sobre o conceito de “fato social”, no qual, segundo ele, seria todos os elementos exteriores ao homem, mas que coordena suas ações e pensamentos e, de acordo com o sociólogo, tais condutas são dotadas de uma força coercitiva. 


A priori, é importante ressaltar a coerção social como maneira de manutenção dos “fatos sociais”. O livro  “A letra escarlate”, escrito por  Nathaniel Hawthorne, retrata uma comunidade puritana de Boston do século XVII, na qual vive uma jovem chamada Hester Prynne que acaba gerando uma criança fruto de um relacionamento fora do casamento. Por se recusar a dizer o nome do pai da criança, a jovem Hester é julgada pela comunidade como adúltera e obrigada a andar com a letra “A” bordada em sua roupa, como forma de punição por sua atitude “imoral”. Apesar de ser uma narrativa ficcional, o livro se relaciona de forma análoga à sociedade atual, haja vista que todo ato fora da mentalidade coletiva é julgado e o indivíduo que o cometeu, muitas vezes é excluído do corpo social e os outros acabam encarando a situação como o que não devem fazer. Deste modo, o “fato social” acaba sendo “indestrutível”, pois ao mesmo tempo que ele diz o que deve ser feito, ele também cria na mentalidade da sociedade a necessidade de punição caso ele não seja seguido.


Ademais, é interessante analisar a ligação entre o pensamento de Durkheim com o de Foucault. Apesar de ser um filósofo do século XX, Michel Foucault relaciona-se com o pensamento do sociólogo francês, tendo em vista o seu livro “Vigiar e Punir”, no qual ele discorre sobre o conceito de “Microfísica” e “Macrofísica do Poder”, um poder exercido pelo o que ele chamou de “sociedade disciplinar”, ou seja, um poder realizado em pequenos núcleos ou por instituições sociais com o objetivo de transformar o indivíduo em um “corpo dócil”. As escolas, igrejas, fábricas, cadeias, os quartéis e hospitais seriam instituições disciplinares que aplicam a disciplinarização dos corpos. Além disso, nesse mesmo livro, Foucault discorre sobre a ideia da arquitetura de uma sociedade ser projetada de forma a vigiar todos os cidadãos e, dessa forma, punir qualquer desvio de conduta.  Nesse sentido, o autor dialoga com as ideias de Durkheim, já que segundo o sociólogo francês, os seres sociais têm suas ações guiadas por uma consciência coletiva e que o desvio desses “fatos sociais” é observado e punido pela sociedade. Além disso, Durkheim afirma que  o papel da educação é forjar o ser social, lhe incutindo visões e comportamentos aos quais não se chegaria espontaneamente, o que para Foucault seria função das instituições sociais. Assim, apesar de serem pensadores de séculos diferentes, é possível encontrar o posicionamento de Durkheim no pensamento de Foucault. 


Por fim, é necessário frisar o caráter dominador do “fato social”, ou seja, como os comportamentos de uma sociedade são guiados pelo pensamento das classes dominantes. Segundo a escritora Grada Kilomba em seu livro "Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, o pensamento válido nas universidades são aqueles formulados por uma lógica eurocêntrica, ou seja, quem dita o que é verdadeiro e valida o conhecimento são pessoas brancas. Nesse sentido, qualquer forma de saber que não se enquadre nessa ordem eurocêntrica acaba sendo rejeitado e, dessa forma, exclui pessoas negras das universidades, por não considerarem ciência a forma de enxergarem a realidade. Deste modo, é possível concluir que os “fatos sociais” e a maneira que a maioria das pessoas enxergam o mundo são derivados de uma percepção das classes dominantes e acaba tendo por fim a marginalização das minorias. 


Em suma, é possível perceber que a consciência coletiva é fator fundamental nas ações, pensamentos e sentimentos de cada indivíduo. Além disso, essa consciência atinge de forma mais severa as minorias sociais e acaba sendo uma ferramenta de dominação. Deste modo, apesar de Durkheim ser um sociólogo do século XIX, seu pensamento se encaixa na atualidade, haja vista o racismo estrutural, o patriarcalismo e outras estruturas dominantes que permeiam a sociedade atual e faz com que sejam reproduzidas de forma “natural” vários tipos de preconceitos.


Nome: Gabriela Cristina de Freitas Abreu

Primeiro no de Direito Noturno

RA: 231220278






A consciência coletiva e seus efeitos

       É a consciência coletiva um dos principais responsáveis pela manutenção da sociedade e seus valores. Ela consegue promover de forma muito eficiente a estagnação de tais, dado que funciona como objeto de repressão quando existe algum desvio por parte de um indivíduo, ou grupo de indivíduos, daquilo que é considerado a norma, afim de evitar a chamada anomia, definida por Durkheim como "deteorização  das regras que mantém a coesão social". 

     Durante o processo de colonização do território brasileiro, uma das maiores estratégias usadas para garantir a dominação dos portugueses sobre os povos nativos e os povos africanos traficados para cá foi a obrigatoriedade de conversão para a religião europeia, o catolicismo, além da proibição de qualquer outro culto religioso e imposição do idioma português. A consequência desse processo foi um apagamento das crenças e valores de sociedades que não a europeia, logo, a imposição de se submeter a uma consciência coletiva que não era sua originalmente. Tal fato apresenta enormes repercussões até hoje, como a desvalorização dos povos indígenas e a constante ameaça ao que resta de seus costumes e territórios, e também o racismo muito presente no meio social. 

     O Brasil passou recentemente por uma enorme onda de conservadorismo, que alegava a necessidade da manutenção da moral e dos valores cristãos, muitas vezes impondo tais valores de forma muito violenta e repressiva, através de comportamentos machistas, homofóbicos e racistas. O desejo pela ordem social e punição de qualquer um que ameace esta ordem foi praticamente generalizado, fazendo com que a consciência coletiva servisse como instrumento de perpetuação de preconceitos e agressões a tudo aquilo que se diferenciasse do considerado padrão. A ideia de que uma sociedade ideal é uma sociedade homogênea, sem diferenças de crenças e valores, serve somente para agravar tal situação, sendo preciso o entendimento de que a diversidade é um fator benéfico para a construção de um meio social justo e equilibrado. 

Catarina Domingues Galetti, 1° ano de Direito - matutino

Soberania, hierarquia e invisibilidade: a nova Divisão Internacional do Trabalho.

   Os séculos XX e XXI, e seus respectivos conflitos, representam de maneira enfática a dependência mútua entre países para se consolidar uma nova ordem geopolítica global. Marcada pelo amplo avanço das técnicas e tecnologias, somado a criação de diversos órgãos internacionais, como a ONU, o BIRD e o FMI, a sociedade contemporânea não pode ser entendida sem se questionar conceitos como soberania, hierarquia e invisibilidade, que denotam o processo de globalização já consolidado.

    O trabalho de Émile Durkheim, principalmente aquele referente ao "fato social", "solidariedade orgânica" e a noção de "crime", pode ser transposto para o âmbito macro político-econômico. Nesse sentido, todos os países são postos, uns mais que outros, de maneira coercitiva no mercado global existente: a noção de soberania se dilui quanto mais à periferia do capital o país estiver. Dessa forma, a nova DIT é por si só a própria ideia durkheimiana de organização da sociedade tal qual um corpo humano. Todo país assume uma posição e deve se manter nela para que a sociedade globalizada atinja a homeostase, o "pseudoequilíbrio" é, pois, a manutenção da lógica imperialista do capital vigente.

     O fato social continua, em um contexto mais amplo, tanto mais forte quanto maior a resistência contrária a ele. É nesta situação em que a noção de invisibilidade trabalhada pela autora Grada Kilomba pode ser ampliada para questões culturais relativas a diferentes países e não só entre diferentes pessoas. Por essa perspectiva, todo e qualquer sociedade (no sentido restrito) que respeitando sua própria condição histórica, cultural e social tente adotar um modelo próprio (contra hegemônico) é excluído das relações características da sociedade globalizada, a exemplo de Cuba. Assim, apaga-se sua presença nos meios de comunicação global, sanciona-se de forma conjunta sua economia, pune-se os "crimes" cometidos por estes países, de forma a torná-los símbolos e manter o funcionamento vital da sociedade orgânica globalizada.

    Por fim, o trabalho de ambos os autores, de maneiras diferentes, podem ser utilizados como base para se entender o papel da nova DIT na sociedade globalizada em que vive-se hoje. Cada qual com seu trabalho, a possibilidade de relacionar ambas as produções acadêmicas tanto de Durkheim quanto de Grada Kilomba torna ainda mais rica a análise do tema trabalhado nos parágrafos anteriores.

Giuliano da Cunha Massaro 

R.A: 231220235

1º ano de Direito (matutino)

Texto referente às ideias de Grada Kilomba e Émile Durkheim

Análise do comportamento social à luz da teórica de Durkheim

Para Durkheim, existe uma força, exterior e anterior aos indivíduos, que dita os comportamentos sociais. Tal força é nomeada de fatos sociais, isto é, ações, valores e princípios que foram ensinados a todo ser social desde o nascimento. Em cada sociedade, existem fatos sociais específicos que refletem os referenciais culturais do povo e que são transmitidos ao longo das gerações. Muitas vezes, o cidadão fica tão alheio da criticidade e com o comportamento viciado, que ele nem entende o porquê de estar agindo de tal forma. Entretanto, o “bem-estar social” provocado pela reprodução dos fatos sociais é privilegiado em detrimento da transgressão de tais fatores coercitivos.

Constata-se, também, que os transgressores da norma não são recebidos com muito agrado na sociedade. Se o fato social não possui peso jurídico – existe o direito consuetudinário, conjunto de costumes e práticas de uma sociedade que são aceitos como se fossem leis, sem que sejam formalizados pela escrita ou por processos legislativos -, ele possui o peso do julgamento social. Não foram raras as vezes que o linchamento social serviu como punição para aqueles que não agiram conforme as expectativas enraizadas no tecido que engendra a sociedade. O caso de Geisy Arruda, estudante que ficou conhecida por ter sido hostilizada e humilhada na faculdade em que estudava por usar um vestido curto, evidencia isso. A universitária não cumpriu com uma norma social que, apesar de não ter sido escrita, estava intrínseca ao que se esperava do código de vestimenta da universidade. Por isso, recebeu urros e xingamentos dos demais estudantes, tal como era feito durante a Idade Média, período em que havia espetáculos punitivos para que a população fosse doutrinada pelo medo. No espetáculo de Geisy, talvez não fossem todos os estudantes que nutrissem o desejo de humilhá-la. Para Durkheim, “cada um é arrastado por todos”, logo, existem correntes de pensamento comuns, fundamentadas nos fatos sociais, que persuadem os indivíduos a agirem de uma forma que, se eles estivessem apenas em sua própria companhia, não agiriam.

Além dessa face punitiva dos fatos sociais, é importante conhecer uma outra: a face exclusiva. Existe uma consciência coletiva, estruturada por preconceitos, que dita o que se espera de cada grupo social. O rompimento de tais expectativas é visto como “exótico”. O “Chavoso da USP”, rapaz periférico que estuda em uma universidade pública, relata em seus vídeos como recebe olhares e falas que denotam a surpresa por ele estar naquele local. Isso é extremamente prejudicial para a construção de um espaço democrático e inclusivo, pois a noção de pertencimento da pessoa “excêntrica” fica comprometida. Felizmente, existem acadêmicos que estudam para que tal quadro homogêneo seja diversificado, como a Grada Kilomba. Ela é uma psicóloga que escreve como a entrada na Academia foi dura, uma vez que, pela sua cor preta e pelo seu gênero feminino, não nutriam expectativas sobre conquistas dela para a construção do conhecimento, erroneamente. Mesmo durante a realização de seu mestrado, ela ainda enfrentava olhares racistas e misóginos que tentavam diminuir a sua potencialidade. Percebe-se, então, como a consciência comum reflete os interesses da classe dominante, a qual almeja continuar no poder e territorializar e personificar o conhecimento. Para romper com tal padrão, cidadãos como o Chavoso da USP e como a Grada Kilomba devem sair da posição de margem na sociedade para ocupar o centro, a fim de que tais vozes sejam ouvidas e potencializadas.  

Conclui-se, pois, que Durkheim entende a sociedade com vida própria, que cria padrões de conduta que se espalham para todos os indivíduos. A transgressão de tais normas acarreta sanções, sejam elas jurídicas ou sociais (como o afastamento e o riso). Além disso, a consciência coletiva pode ser reprodutora de preconceitos estruturais, o que prejudica a construção de uma democracia plena, inclusiva e diversificada.  

 

Aluno: 231224702 - Giulia Lopes Batista Pinto | Direito - Matutino

A Consciência coletiva de cada dia e o senso comum

 

A Consciência coletiva de cada dia e o senso comum

A Consciência Coletiva e o Fato Social, são ideias desenvolvidas pelo sociólogo francês Émile Durkheim, para explicar o comportamento humano. A primeira, é como um corpo social, que segue um conjunto de crenças e sentimentos comuns aos membros de certa sociedade, que agem de modo mecânico. E a segunda, segue a mesma ideia, porém, se trata da coisa em si, ou seja, dos fatos ou atos realizados mecanicamente pelos indivíduos, que aprenderam e foram coagidos por sua sociedade como agir e pensar.  

Deste modo, é possível dizer que a consciência coletiva está presente em todas as sociedades, e isso pode ser observado pela repetição dos mesmos pensamentos e atos em diferentes indivíduos que a compõem. Sendo assim, apesar de ser positiva, quando se trata da solidariedade social, também tem seu lado negativo: a persistência do senso comum na disseminação de preconceitos.

O senso comum é a combinação de saberes do cotidiano, que perpassam de hábitos, preconceitos, crenças e tradições, sem provas ou estudos científicos prévios, baseando-se em opiniões individuais. Assim, ele é facilmente passado de pessoa para pessoa, e é levado como verdade absoluta. Portanto, a consciência coletiva de Durkheim, é uma arma fatal, que pode percorrer o imaginário de toda uma sociedade, que se encontra suscetível a coerção exterior.

Logo, se um senso comum preconceituoso, como por exemplo, “pessoas mulçumanas são terroristas”, perpetuar numa sociedade, todo corpo social pode ser atingido e a Consciência Coletiva desenvolve uma aversão a pessoas mulçumanas. Isso é um grande problema, pois altera o pensamento coletivo de forma inconsciente e dissemina preconceitos.

 

Kamilli Gabrieli de Souza Teixeira 

1° ano Direito, Noturno. 

O  convívio e a imposição

A consciência coletiva, no ramo da sociologia, se refere ao conhecimento e ao entendimento da sociedade sobre as suas diferentes normas, costumes, valores e crenças. Tal conceito foi criado e desenvolvido por um dos grandes fundadores da sociologia moderna, Émile Durkheim. 

Segundo ele, essa consciência coletiva é formada pela interação dos indivíduos e a semelhança de experiências de uma determinada sociedade e tem o intuito de manter a ordem e a coesão social dentro dessa comunidade. O mesmo afirmava que os certos valores e tradições compartilhados por um grupo conseguem influenciar efetivamente outros comportamentos individuais, e assim, a direção da sociedade como um todo.

Já para Grada Kilomba, uma filósofa, escritora e teórica da contemporaneidade a consciência coletiva apresenta perspectivas diferentes. Para ela, esse conceito não é necessariamente proveitoso para a sociedade em geral, uma vez que é uma construção social que pode ser usada para enfatizar e efetivar as opressões e dominações presentes em questão, impondo tradições muitas vezes não desejadas por muitos cidadãos.

Assim, nota-se a importância e a variedade do conhecimento acerca da chamada consciência coletiva. Enquanto para Durkheim esta seja a ferramenta que garante a coesão social, favorecendo a convivência em sociedade; para Kilomba, a mesma é uma construção social que impõe e reforça certas dominações.


Aluno: Renato Mello de Paula  
Direito Diurno - 1 Ano

A educação como forma de manter ou de transformar a consciência coletiva

 De acordo com Durkheim, um dos principais sociólogos do século XIX, a sociedade determina maneiras de agir e de pensar nos indivíduos, uma vez que antes do nascimento dessa pessoa o corpo social já possuía regras e tradições, que são transmitidas aos novos integrantes, principalmente pela educação, como fatos sociais. Dessa forma, o fato social existe independentemente do indivíduo e o influencia, de modo que muitas vezes é internalizado e naturalizado, já que se trata de um padrão cultural coercitivo e que geralmente só é percebido como tal quando há oposição, pois, a pessoa que se opor pode ser constrangida pelas outras ou punida pela lei.

Nesse contexto, o conjunto desses fatos sociais, das crenças e dos valores compartilhados por uma sociedade formam a consciência coletiva, a qual estabelece padrões de comportamento e mantém a sociedade unida. No entanto, essa consciência pode excluir, oprimir e silenciar indivíduos e parcelas da população, uma vez que apesar de ser comum a todas as pessoas é mantida historicamente e controlada por grupos sociais que estão no poder, por meio de diversos fatores, como o governo, a escola, a mídia, as religiões, entre outros. Um exemplo de consciência coletiva, que está em transformação, mas que foi mantida durante algum tempo, é a ideia de que menina veste rosa e menino veste azul, um pensamento retomado recentemente pela ex-ministra dos direitos humanos Damares Alves, que em sua fala, uma posição de relevância política, limita as possibilidades, não apenas de vestimentas, mas também de outras maneiras de compreender a identidade de gênero, excluindo e marginalizando todos que não se encaixem na consciência coletiva, ou homem ou mulher. Assim, esses padrões, muitas vezes defendidos por pessoas em posições de poder, impostos aos indivíduos pela coerção da consciência coletiva excluem e silenciam quem não concorda, de maneira que ameaçam a pluralidade social.

Além disso, a consciência coletiva também está enraizada no modelo escolar e acadêmico, o qual se diz neutro e verdadeiro, porém, na realidade, contribui para manter o eurocentrismo e para limitar e silenciar grupos historicamente marginalizados. Para Durkheim, o processo de aprendizagem é a base da construção da consciência coletiva, uma vez que é por meio da educação que as regras e os comportamentos da sociedade são incorporados e naturalizados pelo indivíduo. Nesse sentido, a grade curricular desde o ensino infantil até o superior é extremamente limitada ao conhecimento europeu e do norte geográfico, que são mantidos como o único conhecimento correto e válido, de forma a excluir os grupos historicamente subalternizados desses espaços. Esse tema é tratado por Grada Kilomba, em seu livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, no qual ela demonstra o silenciamento sofrido pelas pessoas negras na produção de conhecimento acadêmico, e como esse apagamento reflete na marginalização cultural e social dessa parcela da sociedade.

 Portanto, a consciência coletiva une a sociedade, mas também oprime e exclui certos grupos do poder. Diante disso, como a educação é um dos fundamentos dessa coletividade, ela pode contribuir para a manutenção da opressão de grupos sociais marginalizados, ou, se for reformulada e construída de maneira plural, pode ser uma importante ferramenta de transformação social e de mudança da consciência coletiva.

Maria Eduarda Bergamasco Graciano 1° ano Direito Matutino 

A Consciência Exclusiva na Sociedade Contemporânea.

 

O funcionalismo é uma teoria sociológica que surgiu no final do século XIX e início do século XX, e um de seus principais representantes foi Émile Durkheim. Essa teoria tem como base a ideia de que as sociedades são compostas por diferentes partes interdependentes que trabalham juntas para garantir a estabilidade e continuidade social. Ele defendia que o papel do sociólogo era entender como essas partes se encaixavam e como funcionavam em conjunto, entendendo o fato social como uma “coisa”.

Por outro lado, Grada Kilomba, em sua obra, questiona a ideia de que as sociedades são homogêneas e coerentes, e argumenta que a experiência de pessoas marginalizadas e oprimidas muitas vezes é ignorada e excluída das narrativas dominantes. Ela defende que é importante ouvir e valorizar essas vozes marginalizadas para entender a complexidade das sociedades contemporâneas.

Na atualidade, podemos observar como as ideias de Durkheim ainda são relevantes em muitos aspectos da vida social. Por exemplo, podemos ver como a pandemia da COVID-19 afetou a estrutura social e econômica de muitas sociedades ao redor do mundo. A crise sanitária impactou diretamente o funcionamento de instituições como o sistema de saúde, a educação e o mercado de trabalho. Assim como, podemos ver como as ideias de Kilomba são relevantes em um contexto de crescente desigualdade social e violência estrutural. Ainda existem muitos grupos marginalizados que são excluídos dos benefícios e oportunidades da sociedade, e sua perspectiva pode nos ajudar a entender melhor as estruturas que os perpetuam.

Em suma, embora as perspectivas de Durkheim e Kilomba possam parecer divergentes, elas nos fornecem ferramentas complementares para entender a complexidade das sociedades. Ao combinar essas perspectivas, podemos ter uma compreensão mais profunda dos sistemas sociais e trabalhar em direção a um futuro mais justo e inclusivo.


Maria Clara Cabrera Gementi. 1° ano Direito Noturno. RA: 231220481.


A consciência coletiva e o sistema punitivista

    Ao desenvolver a teoria funcionalista, Durkheim apresenta três conceitos importantes para a compreensão da mesma e que possuem seus efeitos na sociedade até a contemporaneidade. São eles: a consciência coletiva (e, por consequência, a consciência individual), a solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica.

    A consciência coletiva seria um conjunto de crenças comuns a uma grande parte da sociedade que forma o sistema que vai reger a mesma, de tal maneira que a consciência individual passa a se confundir com a consciência coletiva quando se trata de pensar sobre a sociedade em que está inserido. Além disso, outro conceito é o da solidariedade mecânica que tem como função atingir a sociedade com determinado ato e não o indivíduo, ao contrário da solidariedade orgânica que tem como função manter a harmonia do todo social.

    Após tais definições e explicações, é de suma importância demonstrar como a teoria funcionalista se reflete na sociedade brasileira atual, mais especificamente a consciência coletiva, como ela se forma e como se demonstra no cotidiano.

    Pode-se utilizar como exemplo o sistema carcerário brasileiro e as diferentes formas de penalizar aquele que cometeu algum tipo de crime. Sobre isso, Durkheim afirma que “o castigo é sobretudo destinado a atuar sobre as pessoas honestas”, de modo que sua função aqui seria refletir seus efeitos sobre a consciência coletiva de maneira geral, fazendo com que fosse reafirmado para a população a problemática daquele crime – em conjunto com a punição que viria a seguir – e, assim, não fosse reproduzido, mantendo a coesão social intacta.

    Porém, o contrário também pode acontecer, o Direito ao invés de penalizar, restitui. Desse modo, escapa-se da consciência coletiva e predomina a solidariedade orgânica, tendo o Direito aqui como principal função manter a unidade do todo mesmo que com um grau de diferenciação dos indivíduos.

    Por fim, é possível notar os efeitos da teoria funcionalista com a existência da consciência coletiva na sociedade cotidianamente, para além do exemplo do sistema de julgamento e encarceramento. É importante que esta seja identificada, pois é ela que rege as pequenas decisões tomadas e a maneira de pensar como um corpo social constante.


Isadora Mendonça Brasil – 1º ano – Direito noturno

RA: 231220715

 

Tudo me foi passado (autoral)


 Em                         C

Nasci, cresci, vivi, morri

                D                           Em

E o que estou mudando por aqui?

Em                          C

Nasci, cresci, vivi, morri

                D                          Em

Em mundo que nunca me inseri         


[Refrão]

Em                                    G                                 C                               

Ninguém me perguntou nada, tudo me foi passado

                                             Am7        G

Talvez eu nem queira ser advogado (uh)

                                                               C

Quando cheguei aqui tudo já estava pronto

                               Am7                               G

Agora me vejo obrigado a tanto, me sinto tonto


[Fim do refrão]

Em                                           C

Como encontro o ânimo que perdi

                  D                                Em

Para lutar por quem não é visto aqui?

Em                                                          C 

De que adianta tantos pensamentos, enfim

            D                                          Em

Se me sinto alheio aos outros e a mim?


[Repete refrão]


[Ponte]

A7                                                               C      

No organismo do mundo me encontro no rim 

A7                                                                             C                 

Anomia do passado e presente, não há lugar para mim

A7                                                                C

Aquela pedra incômoda que causa desconforto

A7                                                                E

Não sou individual, não sou coletivo, me sinto torto


[Fim da ponte]


[Repete refrão]


Negrito = Acordes

Maria Eduarda S. Lago (Noturno)

231221037


 As diferentes faces do coletivo

Tema: As diferentes faces do coletivo

A consciência coletiva, para sociólogo francês Émile Durkheim, pode ser reduzida a percepções e conhecimentos com quais a sociedade absorve, compartilha e entende. Tais percepções não necessariamente estão atrelados a moralidade e/ou ética, mas sim com discursos culturais com qual tal sociedade se identifica e constrói. Podendo ser percebidos em todos os contextos sociais, mas principalmente em eventos coletivos, como em eventos abertos em praças de uma comunidade, nas igrejas, entre outros.

Para tanto o termo consciência coletiva não pode ser levado ao “pé da letra” / seu significado literal, uma vez que uma sociedade, por se enquadrar em padrões culturais e não necessariamente em padrões éticos/morais, como já dito, vem a cometer e reafirmar modelos de conduta terrivelmente questionais, como o retratado pela escritora e teórica Grada Kilomba, em seu livro MEMORIAS DA PLANTAÇÃO: EPISODIOS DE RACISMO COTIDIANO.

No mesmo, a escritora trata da “descolonização da mente”, sendo este o fato de mudar os holofotes históricos do colonizador e colocar as perspectivas no colonizado e nas atrocidades com qual até hoje se reverberam em seus sucessores. Entender que tais indivíduos também fazem parte da sociedade vigente e que não podem ter suas vozes e perspectivas apagadas e silenciadas é de suma importância para que a consciência coletiva, defendida por Durkheim, seja realmente total, aplicável e não enviesada.

Por fim vale a ressalva de que Durkheim e Grada Kilomba, não estão em conflito/ “Polos opostos” e sim que se complementam para um entendimento da sociedade e de suas diversas formas e facetas.

Aluno: Livia Helena Porto Silva

RA: 231224222

Turma: 1º ano - Direito – Matutino

O egoísmo em oposição à consciência coletiva

    O funcionalismo, primeiramente proposto por Émile Durkheim, consiste em uma teoria que se baseia em ideais biológicos para definir, explicar e exemplificar o funcionamento das sociedades, já que um organismo é composto por uma diversidade de órgãos que, funcionando juntos, mantém e regula a operação do corpo humano, o que também ocorre com as sociedades, as quais são compostas por indivíduos que as mantém funcionando. Paralelo a essa teoria, Durkheim também explica a respeito do fato social e sua função a partir de uma metodologia sociológica que tem como ponto de partida observar os fatos sociais como coisas.

    Nesse sentido, é possível constatar que os fatos sociais independem do ser individual e possuem como essência a ação dos homens em sociedade, o que se relaciona com a consciência coletiva dos mesmos, pois esses devem agir pensando na sociedade e no benefício dela como um todo, e não no benefício próprio em si. Entretanto, sabemos que as sociedades tendem a ser cada vez mais egoístas, pois muitas pessoas não se colocam no lugar do outro e preferem viver suas vidas sem a presença dos fatos sociais, pensando no bem comum da sociedade.

    Portanto, a partir dessas ideias, vê-se que a solidariedade social dos seres humanos, formada igualmente pela consciência individual e coletiva, está em declínio devido a ascensão do egoísmo e do viver individualista nas sociedades modernas. A exemplo desse fato, tem-se a ideia da “lógica de condomínio”, que consiste na mudança das pessoas com maior poder aquisitivo para lugares ainda mais privados com a intenção de se sentirem mais “seguras” e distantes dos locais públicos das cidades, como praças e parques.

Bárbara Vitória Gomes Bugiga

1º ano Direito - Noturno

RA: 231222203

A consciência coletiva de cada dia

 

O sociólogo Émile Durkheim, conhecido como o pai da sociologia, formulou a teoria conhecida como “Teoria dos fatos sociais”, na qual o autor afirma que deve-se entender primeiramente fatos gerais para que se possa explicar questões individuais. Assim, o conceito de fato social  se consolida sendo leis que regem a sociedade em sua maneira de se portar, pensar e viver. Tais fatos são maiores que o individual dos cidadãos e , por isso, formam o que o sociólogo diz ser a consciência coletiva, formada por aspectos que determinado coletivo de pessoas compartilha, como pensamentos e valores. O que na teoria, deveria ser algo benéfico para manter a ordem, por exemplo.

A autora portuguesa, de descendência angolana, Grada Kilomba descreve em seu livro “Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano”,  acontecimentos racistas presenciados por pessoas negras no dia-a-dia, além disso, a escritora faz um questionamento a seus leitores: “quem pode falar?”, mas não no sentido de quem realmente está autorizado a falar, mas quem de fato vai ser ouvido e reconhecido por isso. Dessa maneira, pode-se entender que o comportamento racista de parte da sociedade é devido a sua errônea consciência coletiva compartilhada.

Assim, quando acontecem casos como o de Vini Jr, jogador de futebol brasileiro que joga no time europeu Real Madrid, que foi hostilizado e chamado de “macaco” por suas comemorações nos jogos, pode-se dizer que as pessoas que o agrediram verbalmente agiram em nome de uma certa consciência coletiva, no caso, a da supremacia branca, a que somente reconhece pessoas brancas em lugares de destaque. Dessa forma, conclui-se que a consciência coletiva pode ser um entrave para o progresso intelectual da sociedade, visto que no século XXI, atitudes como esta não são mais aceitas, tanto moralmente como legalmente, já que o pensamento da sociedade se transformou ao longo do tempo.

Com isso, conclui-se que a consciência coletiva deve juntamente com a sociedade atualizar-se, adaptando-se a diversas situações que antigamente eram vistas com outros olhos e portar-se de uma maneira menos funcionalista e mais humanística.



Fernanda Oliveira de Sousa

1º ano de direito (noturno)

A consciência coletiva de cada dia

Émile Durkhein, sociólogo do séc. XIX, teorizou o Funcionalismo, que tinha como principal ideia o "fato social", no qual diz que a sociedade se sobrepõe ao indivíduo e que a mesma forja todas as condutas humanas. Durkhein acredita que a solidariedade social, seria a força que une os indivíduos, expressa por meio de uma "consciência coletiva", ou seja, esta "consciência" seria o conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade.
Entretanto, a consciência que persiste nos dias atuais é a consciência dos escutados, dos brancos. No livro "Memórias de Plantação: episódios de racismo cotidiano", de Grada Kilomba, a autora mostra que as pessoas brancas têm a "posse" da voz universal, visto que as mesmas detém maiores privilégios e são mais facilmente vistas e ouvidas em contraposição às pessoas negras, que acabam por ficar à margem da sociedade, sendo silenciadas por esse lugar de exclusão.
Em suma, não é difícil observar qual é a consciência que se sobrepõe em nossa sociedade atual. Enquanto notícias sobre caso Henry ainda são noticiadas, nada se fala sobre o caso da garota Ágatha. Duas crianças assassinadas, a diferença? Uma branca, outra negra. Uma morava em bairro nobre do Rio, enquanto a outra, em uma comunidade.

Lohane Rodrigues de Abreu
1° Direito - Matutino
RA: 231223251

Consciência coletiva e exclusiva

 

TEMA: A CONSCIÊNCIA COLETIVA DE CADA DIA.

 

Émile Durkheim foi um filosofo francês responsável pelo desenvolvimento do estudo em torno dos comportamentos coletivos em sociedade. Segundo Durkheim, entende-se o fato social como uma “coisa” que exerce força de coerção sobre os sujeitos, independente de sua vontade ou ação individual. O filosofo propôs também a teoria da consciência coletiva, que consiste em um conjunto de características e pensamentos de um corpo social, que faz com que os indivíduos ajam de forma similar.

                A escritora, Grada Quilomba expõe em sua obra: “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano” a persistência do racismo em forma estrutural, em que as vozes de indivíduos negros em âmbito acadêmico são dadas como questionáveis a todo momento. Sendo assim, as pessoas brancas são incorporadas na construção dos parâmetros sociais, pois são as que são dadas como válidas e absoluta, enquanto os negros são silenciados.

Desde modo, para Durkheim, a consciência coletiva independe do indivíduo. Ela existe antes do indivíduo e influencia esse em sua formação de consciência, dessa forma, a realidade exposta por Grada Quilomba (racismo estrutural) não ferir diretamente a consciência coletiva ao todo, coloca em questionamento o conceito da teoria filosófica, por não incluir os indivíduos marginalizados na construção da tese estabelecida por Durkhiem.

 

Rayla Pereira da Silva-  1° Ano - Direito (Noturno)

 

A consciência coletiva de cada dia

Laura Bittencourt Padilha – 1° ano de direito noturno

RA: 231223421

Têm-se como consciência coletiva ou consciência comum, de acordo com o filósofo e sociólogo Émile Durkheim, o conjunto de crenças e de sentimentos comuns à maioria dos membros de uma mesma sociedade. Ela é difusa em toda extensão da sociedade, completamente desligada das consciências particulares, produzindo sempre os mesmos efeitos àqueles reféns desta.

Antes mesmo de desenvolvermos nossa consciência individual, a consciência coletiva nos molda por instituições sociais e contatos gerais com a sociedade. Maneiras de agir, de pensar e de sentir são principalmente afetadas pelo pensamento coletivo por conseguirem existir fora das consciências individuais.

A exemplo de uma consciência coletiva, durante boa parte da história, canhotos foram vítimas de preconceito cultural, social e religioso. Isso pois, a simples predominância da coordenação motora na mão esquerda não estava presente na maior parte das pessoas da sociedade.  Como Durkheim afirma: esses tipos de conduta ou de pensamento não apenas são exteriores ao indivíduo, como também são dotados de uma força imperativa e coerciva em virtude da qual se impõem a ele quer ele queria, quer não.

Há presente no conjunto social uma pressão, que tende a moldar o indivíduo de acordo com os princípios de um coletivo, reduzindo, muitas vezes, o desenvolvimento de princípios individuais que transcendam o pensamento da maioria. Ao não se submeter aos pensamentos e ações comuns, mesmo as mais simples, como não se vestir de acordo com os costumes de seu país e sua classe, um estranhamento social é provocado e, muitas vezes, pode desencadear uma exclusão social daquele que não seguir à risca a consciência coletiva. Tal característica é presente da alegoria de Platão, ao representar que, quando um dos habitantes da caverna se liberta das correntes, que o prendiam e começa a enxergar a vida de forma diferente, é tomado como equivocado por aqueles que permaneceram presos à caverna e, assim, aos pensamentos coletivos que os limitavam de ver o todo.

Por meio de um poder de coerção e imposição, as consciências individuais são moldadas e estruturadas para seguirem o coletivo e sentir certa aversão por aquele que se enquadrar fora desse senso comum. No desenho Wall-e, da Pixar, percebe-se que as maneiras de pensar, de agir e de sentir dos indivíduos que habitam a nave espacial, onde a história do desenho se passa, são exteriores aos indivíduos. O desenho faz uma analogia à sociedade que tem seu comportamento modelado pelo coletivo e pela imposição de formas comportamentais através de uma força coercitiva.

Como Émile Durkheim afirma, um fenômeno só pode ser coletivo se for comum a todos os membros da sociedade ou, pelo menos, à maior parte deles. Em sociedades onde cada um é arrastado pelo todo, nas quais pensamentos enraizados na ideologia da maioria não podem ser descontruídos sem abalar o laço social que os construíram, a consciência comum se torna resultante da vida social, provocando a convergência de pensamentos individuais a cada dia que passa.

A consciência coletiva da censura individual

 


Émile Durkheim foi um sociólogo da filosofia moderna que moldou de certa forma a maneira de se analisar a sociedade. De acordo com as sua teoria “As regras do método sociológico”, a consciência coletiva seria o melhor jeito de se administrar uma cidade, sendo ela a soma de crenças e valores que a sociedade compartilha, tornando se ela um fator crucial pra a coesão social contribuindo segundo ele para uma manutenção da estabilidade coletiva.

Em síntese, é possível esclarecer que essa teoria se baseia em três pilares, coercitividade, generalidade e exterioridade. Desse modo, a sociedade seria baseada nesses elementos, sendo moldada a sempre priorizar a coesão e harmonia social, deixando de lado interesses e paixões individuais. Entretanto, o método também acarretaria em uma opressão e restrição de liberdade se fosse levasse de maneira extrema, já que somente pessoas que estivessem no poder poderiam controlar o que seria compartilhado e adorado pela sociedade, podendo ser censurado opiniões políticas, a cultura e entre outras coisas. Assim, vale ressaltar que a coesão social não seria estática, já que os valores, comportamentos e gostos de uma sociedade variam de acordo com a época em que vivem, ou seja, o pensamento das pessoas de uma comunidade fica em mudança constante.

Em contraponto a esse pensamento positivista, a socióloga Grada Kilomba acredita que esse pensamento não se encaixaria na prática em uma sociedade pós colonial, pois de acordo com ela esse pensamento esqueceria de pessoas que sempre sofreram e sofrem descriminação (pretas, mulheres, LGBTQ), pois essas minorias nunca tiveram oportunidade para criar crenças ou valores sem serem silenciados ou excluídos. Portanto, esse processo implicaria no  de reconhecimento de processos sociais que precisam de certa individualidade, como o movimento negro por exemplo, que só pode ser compreendido por pessoas pretas que vivem uma realidade discriminatória.

 

Maria Aparecida de Jesus Machado- 1ANO MATUTINO

RA: 231224923

Tema 3: A consciência coletiva de cada dia

Durkheim é um sociólogo que propõe que a consciência coletiva são sentimentos e crenças comuns a membros de uma sociedade. A consciência individual é algo que pertence e depende unicamente de cada ser. Entretanto, o quanto de coletivo há no individual? E o quanto do individual há no coletivo?

Vivendo em uma sociedade cercada por outros indivíduos e de coisas feitas por outros indivíduos é difícil separar a individualidade do coletivo, visto o quanto nascer em um país diferente pode te fazer sentir emoções diferentes, ter experiências diferentes, pensar diferente e etc. E como o coletivo não é feito pelo individual, se pessoas singulares conseguem crescer sua crença em outras pessoas?

Além disso, Durkheim também diz que o fato social são crenças coletivas que pesam sobre o indivíduo, mas para isso é necessário que seja algo que se impõe aos indivíduos em uma sociedade já organizada que caiba a um novo ser só aprender e que existam para toda uma sociedade.

A problematização acerca do fato social e da consciência coletiva é saber quem a criou. Quem foram as pessoas protagonistas no livro de história? É saber que a consciência coletiva pode ter sido criada em cima de vontades individuais que desrespeitam um grupo de indivíduos, continuar com crenças coletivas que invadem o individual ou não abrir mão de crenças ultrapassadas visto que há uma verdade atual provada que vai contra essa crença.

Solidariedade no Planalto - Crônica de Viagem (aula 04)

As minhas idas ao bairro Jardim Planalto, localizado na extrema zona Leste de São Paulo, costumam ter por único objetivo cortar o cabelo com minha tia (a melhor a cabelereira da Capital, na minha opinião) e visitar parentes, porém, dessa visita, em especial, saiu essa pequena reflexão sobre solidariedade.  O Planalto é uma favela com população não estimada pelo Censo, no entanto, a experiência aqui relatada não se refere a estudos demográficos ou socias, mas sim, sobre a qualidade das relações dos habitantes. 

Minha tia, que parece ser uma pessoa solidária por natureza, recebe com carinho qualquer amigo da comunidade em seu salão, neste dia em específico, chegou uma senhora que havia tido um AVC e sido abandonada pelo marido, depois de um tempo ali sentada a senhora começou a chorar, minha tia pediu que ela se sentisse á vontade para expressar as emoções e me mandou trazer-lhe um copo de água, depois de um tempo ela se sentiu á vontade para sair, não sem antes pegar o número da dona do salão para quando necessitasse.

Mais tarde, foi a vez de minha tia precisar de uma mão amiga, a resistência do lavatório do salão havia queimado, "quem saberia trocar a resistência disso?" pensei, logo que surge o pedreiro faz tudo do bairro apelidado carinhosamente de Bahia, resolvendo o problema em menos de 10 minutos sem cobrar nada. Tudo acabou sendo resolvido antes do almoço, oferecido com muito carinho pela vizinha e amiga, Dona Leda.

A solidariedade dos habitantes da comunidade do Planalto faz lembrar da "Solidariedade Orgânica" de Durkhein, que, presente em sociedades complexas, vem da interdependência das forças de trabalho. No entanto, não creio que o conceito da sociologia Durkheiniana seja suficiente para explicar verdadeiramente o Planalto, sem romantizar a pobreza e avaliando o censo de comunidade dos integrantes, vê-se uma vontade de ajuda ao próximo sabendo-se que se pode ser o próximo a precisar de auxílio, ou, muito melhor dito nas palavras de minha tia: "aqui é um pro outro".

Maisa Martins Alves - Primeiro Ano (Noturno)
RA:231222599




 

Estamos constantemente em guerra com outros mundos? - A realidade de apagamento dos povos indígenas brasileiros pela ótica do funcionalismo

A mais de quinhentos anos a guerra é um estado permanente para os indígenas, a desde 1500 essa população não possui trégua. A partir do primeiro contato entre os povos nativos e os europeus, criou-se uma ideia de humanidade atrasada versus humanidade civilizada, em que os “civilizados” seriam os europeus, de modo que se ignorou a perspectiva funcionalista de que é preciso olhar para cada sociedade como uma análise única, a partir do ambiente e do contexto na qual elas estão inseridas a fim de que se compreenda que cada povo possui seus próprios valores e crenças que projetam seus próprios fatos sociais. Dessa forma, a partir do contato entre essas duas humanidades distintas, iniciam-se várias guerras contra os povos nativos e a soma dessas guerras forma uma guerra ainda maior: a de tentar formar uma única humanidade civilizada.

Essa guerra justa foi se intensificando de tal maneira que foi necessário que os indígenas mostrassem sua resistência e lutassem por uma lei que de fato os protegessem, já que havia uma coerção social de que esses povos deveriam seguir os preceitos brancos, como por exemplo adotar o fato social coercitivo de que todas as sociedades devem ser cristãs e que só os cristãos são genuinamente bons. A Constituição de 1988, em sua teoria, reconhece a cultura dos índios e suas formas de organização, distingue que as terras indígenas são necessárias para a reprodução física e cultural dos indígenas. Entretanto, é preciso salientar que esses direitos foram conquistados a partir das guerras que os índios já estavam lutando e a partir da resistência desses povos. Tal resistência que se forma como uma tentativa dos diferentes grupos indígenas de contarem sua própria história e impedir com que a voz dos brancos seja colocada como a voz universal, numa tentativa de tirar a história dos povos originários de um lugar de silenciamento.

Essas lutas ainda não cessaram e a resistência dos povos indígenas continua como uma forma de sobrevivência. Em meio a esses conflitos surgem figuras que querem sair da margem e do silenciamento para que a produção de conhecimento deixe um local elitizado, branco e brando. São pessoas como Sônia Guajajara, a qual é professora e enfermeira, Tucumã Pataxó que é formado em gastronomia, Kaê Guajajara que é cantora e compositora e Maira Gomez, a qual é artista plástica. São vozes que querem mostrar que os indígenas fazem parte de toda a sociedade e atuam nela, que eles não precisam viver isolados em uma tribo na Amazônia para provarem que são índios, ou seja, buscam deixar o lugar de objeto de estudo e ir para o local de sujeito e de produtor de conhecimento.

Portanto, os povos indígenas atualmente lutam para resistir a coerção social imposta pela sociedade capitalista atual, sendo vistos como criadores de turbulência uma vez que saem da ordenação e das regras dessa sociedade vigente. Dessa forma, é preciso visualizar que os cidadãos originários do Brasil possuem suas próprias instituições culturais, crenças e valores que produzem uma coesão e uma estabilidade social própria e diferente de outras culturas ao redor do globo.

Ana Júlia Nogueira

RA: 231221819

1° ano Direito Matutino