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sábado, 16 de maio de 2015

A superficialidade da visão positivista



Mariana F. Figueiredo
1º ano de Direito (Diurno)
Introdução à Sociologia

A Física Social e a crítica às suas mazelas



Com o advento da Revolução Industrial, as transformações sociais operadas na Inglaterra e em toda a Europa foram visíveis e tiveram consequências drásticas. Entre elas, tem-se a formação de uma nova classe social muitas vezes esquecida pelo sistema: o proletariado. Junto com essa classe, surgiram também diversos problemas sociais como a falta de saneamento básico entre os trabalhadores das indústrias, más condições de trabalho e a exploração da mão-de-obra infantil, que incitaram pensadores como Augusto Comte a construir uma nova ciência que tinha como objeto de estudo a própria sociedade e que foi chamada de Física Social.
Com a criação da Física Social, Comte afirma em sua obra “Curso de Filosofia Positiva” que todas as instâncias do conhecimento humano seriam abarcadas, finalmente, pela Filosofia Positiva. Em outras palavras, é de notória percepção que nas quatro principais categorias de fenômenos naturais – astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos – há tempos que o pensamento positivista é aplicado, tendo substituído o estado teológico e o estado metafísico, respectiva e gradualmente. Tal notoriedade é exemplificada pela Lei da Gravidade (um fenômeno físico) - já que sempre foi um questionamento humano entender por que os corpos “caíam” - que primeiramente foi explicada como um fenômeno “divino” (estado teológico), posteriormente como um fenômeno de causas racionais, interpretado por abstrações (estado metafísico) e, finalmente, como uma Lei Universal, chamada de Lei de Gravitação Newtoniana (estado positivo).
Da mesma forma, Comte também compara o próprio desenvolvimento humano com os três estados pelos quais passam o conhecimento, sempre buscando o fim que é o amadurecimento intelectual: a criança é a representação do princípio teológico, em que, diante da necessidade de uma explicação qualquer, capaz de ligar os fatos perceptíveis pela observação, mas na impossibilidade de criar teorias, desenvolve espontaneamente concepções teológicas; o adolescente é a fase de transição, assim como o estado metafísico, já que é impossível a passagem direta entre a criança e o ser adulto; e o adulto é, por fim, o princípio “viril”, pronto, definido, palpável e normativo como o adulto e como o Positivismo.
Há também a correlação entre a História da Humanidade e as três etapas do conhecimento propostas por Comte, em que os homens teriam passado pelo estágio teológico no período Medieval, doutrinados pela Igreja Católica; posteriormente substituído pelo conhecimento metafísico durante o Século das Luzes, no qual prevalecia o culto à razão; e, finalmente, atingido o estágio Positivo, em que a maior preocupação tornou-se o progresso científico e tecnológico, advento da Revolução Industrial. É, portanto, contraditório perceber que o estudo da Sociologia nasceu das consequências trazidas pelo momento mais positivista da história humana e, no entanto, não adquire nenhuma função de mudança desse contexto social. A função da Física Social seria, então, a simples análise das relações e integrações sociais, com primordial distanciamento de seu objeto de estudo: a própria sociedade.
Assim, é essa a crítica feita à Sociologia de Augusto Comte, somando-se o fato de que, preocupada com a ordem e o progresso da sociedade, defende a correção de anomalias sociais sem, no entanto, verificar e evitar as causas reais da desigualdade social e, ao mesmo tempo, estimula o progresso que tem por resultado o agravamento dessas disparidades. Por essa razão, muitos enxergam semelhanças entre o Positivismo e o Liberalismo como indiferentes diante das mazelas sociais. Afinal, parece pouco produtiva a criação de uma nova ciência que analisa e diagnostica as relações e fatos sociais sem averiguar suas causas e resoluções tão urgentes na época e até hoje.


Sempre visando o progresso

  Descartes e Bacon ao darem origem à Ciência Moderna, com seus métodos racionais e maquinistas, contribuíram para a formação de uma nova filosofia, a filosofia positiva, que criada por Augusto Comte, tem como principal característica o estudo dos fenômenos sociais e suas relações, mas de um modo neutro, sem buscar suas causas.
  Mas Comte, ao contrário de Bacon, não despreza a filosofia antiga. Na verdade, para ele, ela foi muito importante no caminho para se chegar à ciência positiva, pois sem os estágios teológico e metafísico do conhecimento humano, não se poderia ter feito observações que levaram às concepções e teorias que são o fundamento dessa ciência.  Assim, o pai do positivismo aceita as influências desses estágios anteriores, em razão de contribuírem para o progresso, que é um de seus principais objetivos.
  Outro fato importante da filosofia positiva é a classificação e ordenamento que faz das ciências fundamentais de acordo com a subordinação que existe entre elas: matemática, astronomia, física, química, fisiologia (biologia) e física social. Sendo essa última, a mais importante e complexa de todas, que estudaria e reestruturaria as relações sociais, sempre visando ao progresso.

  E para se ter noção da importância dessa nova ciência, basta somente observar a influência que ela teve e ainda tem. Foi a partir desse positivismo filosófico de Comte, que adveio o positivismo sociológico (Durkheim), o positivismo histórico (Leopold Von Ranke) e o positivismo jurídico (Hans Kelsen).  Além disso, o positivismo também influenciou a política como no caso do Brasil República, em que se instaurou na nossa bandeira o lema “ordem e progresso”, de cunho totalmente positivo, pois para este ordem é condição necessária para o progresso. 

Paula Santiago Soares
1º ano de Direito - Diurno

Será Comte um imcompreendido?

     "Como a sociedade contemporânea  poderia voltar a ser a mesma após o positivismo? Os Deuses dos homens deviam ser taxados como sinais de imaturidade. O pensamento, que, assim como um pássaro, alcançava várias alturas e mal colocava os pés no chão devia entrar em uma gaiola. O que nos restava? O conhecimento científico verdadeiro."
     Augusto Comte entrou para a lista dos pensadores controversos e, principalmente, mal entendidos da humanidade graças à veracidade de sua filosofia positiva. Após a Primeira Guerra Mundial, o positivismo passou a decair por ser considerado uma das correntes do século XIX que contribuíram para as justificativas do neocolonialismo. Isso ocorreu devido a afirmação de Comte que as sociedades estavam sempre progredindo para tentar alcançar o Estágio Positivo, onde se encontra o verdadeiro conhecimento. Porém, para alcançar esse estágio o homem deveria amadurecer, passando pelos estágios sociológicos e metafísicos.
     Alguns povos, principalmente a sociedade europeia, passaram a crer que haviam alcançado o Estágio Positivo e juntando essa crença às deturpações do evolucionismo de Darwin, onde a "raça" branca estava em um "estágio maior de evolução", e à falácia de que o homem branco deveria levar a civilização para os povos ditos inferiores, chegamos às justificativas do neocolonialismo. Mas será que quando Comte estava escrevendo ou formulando o positivismo, ele imaginava o quão longe seu pensamento poderia chegar e o caos que ele traria e poderia vir a trazer?
     Embora seja impossível deduzir precisamente o motivo das pessoas criarem correntes filosóficas e científicas, vem sendo altamente comum vermos críticas a esses pensamentos baseadas na utilização que a humanidade dão a eles. Podemos ver que Comte, ao lado de grandes nomes como Júlio César, Maquiavel, Hobbes, Darwin, Nietzsche e Freud, dentre outros mais, são altamente criticados por terem marcado a história com alguns ideais, sejam ideais políticos, científicos ou filosóficos, que de certa forma, são considerados por alguns como negativos ou prejudiciais à sociedade.

Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
1º ano Direito- Diurno
Aula 04 - Comte e o Positivismo

O esqueleto quebrado de Comte

 Embasando-se nos estudos de Descartes e Bacon, Auguste Comte formulou seu pensamento positivista para explicar as formas de conhecimento sobre a vida. Em uma época que se buscava principalmente a origem de todas as coisas, o filósofo francês discorreu sobre a associação de fenômenos e não a essência deles, como se o positivismo fosse o estágio mais avançado- sendo antecedido pelo estágio teológico e o metafísico- de razão e de conhecimento que o homem poderia alcançar, pois, consequentemente, a sociedade progrediria devido à ordem.
 Mesmo Comte formulando seus estudos antes de Darwin, justificou o darwinismo social, pois afirmou que existem papéis sociais determinados, fundamentando a meritocracia e a desigualdade na sociedade, como se uma pessoa devesse se negar em prol dos outros, ou seja, estabelecendo a consciência coletiva. A subversão desses valores com adoção de políticas públicas voltadas para sanar a desigualdade causaria, para o francês, a anormalidade. Assim, nota-se um caráter determinista na visão comtiana. Citando um exemplo da literatura brasileira, o personagem de Monteiro Lobato, Jeca Tatu, seria um exemplo da anormalidade quando sua condição existencial sofre uma significativa melhoria.
 O caos e a desordem funcionam na sociedade como o efeito do álcool e de outras drogas no corpo: o desequilíbrio, assim Comte almejava superar esses problemas propondo conhecer a sociedade e estabelecer metas para alcançar a ordem, que seria a solução, sendo a sociedade regida pelas leis da estática e da dinâmica, como se estas resolvessem todos os problemas. Fazendo uma analogia com o Isaac Newton, a sociedade se organizaria como o sistema solar, tendo sua dinâmica estabelecida pelas leis constantes, estas que seriam o esqueleto do pensamento positivista.
 O imediatismo visto nos estudos de Comte sucumbe, sobretudo, na análise superficial dos males sociais, não resolvendo o problema de forma mais profunda. Com isso, é notável a preocupação do filósofo apenas como o tempo presente e não com o futuro. E essa é a crítica feita por outros filósofos, pois o positivismo não resolve os problemas devidamente, causando mais dano do que benefício, mesmo resolvendo-os temporariamente. Essa seria a falha, a fratura no esqueleto da filosofia positivista, pois a ordem e progresso estariam na superfície, mas em seu cerne estariam a miséria e a estagnação. Assim, “Jecas Tatus” seriam sempre doentes.

Lara Costa Andrade- 1º ano de Direito (Diurno)- Introdução à Sociologia


Soneto aos insanos positivos

Tenho pena do francês desequilibrado
Cuja intranquila alma não se deixou lograr.
Não conformado com porte desassisado
quis a insana psique humana pressagiar.

Unicamente no que diante é passado
da visão é fidedigno assegurar -
deixou tal francês gravemente registrado,
por finalidade-mor de a ordem resguardar.

Por certo, indagas a essa altura qual motivo
da comiseração por tão nobre gaulês.
Reconhecer-se parvo, apatetado ou tolo

antes, do que ter gênio racional lascivo
cuja ação demasiada provê por revés
desatino, demência e ausência de miolo.

André Rodrigues Pádua
1º ano Direito diurno

Canto do Positivo

Como pode haver progresso
Em ordenados caminhos?
Os homens, tais, são caóticos
Não há ordem, revolução e avanço!

Não há pétreas ciências
Ao mutável existir
O homem tem confuso agir
Nas nuances mais profundas

Os bons caminhos caóticos
Formam as justas belezas
As vis concretas certezas
Fecham dos homens os olhos

Octavio Coloza Berganholo
1º Ano Direito Vespertino
Introdução à Sociologia

“Suma ciência X Suma potência = Suma felicidade”: Não para todos.

"A felicidade dos indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da mecânica e da erudição".
(Jacinto de Tormes, em A cidade e as serras)


         Augusto Comte, inserido em um contexto de intenso desenvolvimento tecno-científico no século XIX pós revolução industrial, dedica-se ao estudo dos fenômenos sociais e dos mecanismos de suas interrelações, exercício que denomina de “física social” - uma verdadeira forma de ciência da sociedade humana que lhe atribúi o reconhecimento como “pai da sociologia” por toda a posteridade. Como não poderia ser diferente, dada a época histórica, a revolução intelectual na ciência moderna iniciada por René Descartes, em seu Discurso do Método, e Francis Bacon, com o Novo Organum, é assimilada e reproduzida também por Comte em seu pensamento, ou seja, os fundamentos e métodos da ciência prática são transpostos ao plano dos estudos sociológicos e aprofunda-se a utilização da razão de forma pragmática; como instrumento de controle da natureza e dominação social.
         A análise comtiana da humanidade e suas reflexões são indissociáveis, desta forma, da majoritária mentalidade burguesa-industrial à época: a simples observação da própria conceituação do pensador em sua teoria positivista permite perceber a perspectiva de que o cientificismo e os avanços tecnológicos seriam demonstrações claras do que representaria o progresso em uma sociedade. Tal fato também explica a rápida adoção do positivismo por parte de toda a elite europeia no século XIX, que se expressa na disseminação deste no campo das ciências naturais, jurídicas e também na arte - como exemplo, têm-se a obra literarária “A cidade e as serras”, do então contemporâneo escritor Eça de Queirós, a qual aborda em sua primeira parte justamente o positivismo presente na alta burguesia de Paris e manifestada na figura do personagem principal, Jacinto, muito apegado às tecnologias que a era industrial o permitia possuir e criador da “fórmula” fortemente carregada de teor positivista “Suma ciência X Suma potência = suma felicidade”.
Essa perspectiva cientificista serve de base para toda a estruturação do método positivista de análise social, a saber, a hierarquização das sociedades feita por Comte embasa-se na classificação destas em três estágios de desenvolvimento: o primeiro e mais primitivo, o estágio teológico, seria aquele em que os indivíduos explicam os fenômenos por mitos e organizam seu Estado teocraticamente; o segundo e superior na escala de evolução social é denominado estágio metafísico, no qual prevalece o uso da razão e do raciocínio argumentativo por meio da filosofia empírica e contemplativa do mundo; e, por fim, o terceiro e último na ordem de superoriedade: o estágio positivo propriamente dito, caracterizado pela presença predominante da ciência como prática recorrente e pela organização sistemática e pragmática do pensamento e da sociedade em si.
         No entanto, a adoção da postura positivista de que a finalidade última de uma sociedade é o progresso e que esse progresso está restritamente figurado nos avanços tecnológicos e adventos industriais justifica e dá margem para o surgimento de práticas internacionais abusivas, desde o pós revolução industrial até os dias de hoje, como o neocolonialismo. Assumir que países africanos, por exemplo, eram subdesenvolvidos e, portanto, deveriam “progredir” possibilitou aos europeus justificar sua exploração desmedida de recursos naturais nesses países, forçando uma industrialização desordenada e agravando as animosidades étnicas pré-existentes no local através do fornecimento de armamentos para certas tribos e da definição de fronteiras territoriais que antes não eram delineadas - pode-se citar aqui como exemplo todos os casos de descolonização ocorridos após a Partilha da África na Conferência de Berlim de 1885; com destaque para o famoso caso ruandês, do qual trata o filme Hotel Ruanda (2004), em que a intervenção belga no país provocou um verdadeiro massacre entre as etnias tutsi e hutu.
Conclui-se disso, portanto, que o positivismo, ao hierarquizar o estado de “evolução social”; só serve aos interesses do capitalismo selvagem que avançava cada vez mais hostil aos divergentes após a Revolução Industrial; trata-se, assim, de uma metodologia científica e teoria sociológica que ignora as diferenças culturais e os valores que não os estritamente difundidos pela Europa a partir do século XIX – tem-se como finalidade última o progresso em níveis superestruturais (diga-se, a sociedade industrial) mas, como mostram claramente os exemplos históricos, não a harmonia e a igualdade.


Gabriella Di Piero
1º ano de Direito - Diurno

Introdução à Sociologia

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A consolidação do positivismo e suas influências

Em 1848, a chamada Primavera dos Povos marcou a Europa – a disseminação de uma série de movimentos revolucionários liberais pelo continente caracterizou um momento de puro fervor social. Na época, não existia qualquer ciência que fosse responsável pelo estudo do comportamento da sociedade e, por esse motivo, não havia maneiras práticas de compreender ou interferir nesses acontecimentos. Foi diante de tal constatação que Augusto Comte, filósofo francês, criou as bases da física social, uma ciência positiva fortemente embasada na análise da sociedade real, tal como ela era.
            O positivismo, forma como é conhecida essa ciência social, foi amplamente disseminado pela Europa e pela América – pela primeira vez a sociedade era foco de estudo e análise formal e racional. A grande aceitação às ideias de Comte ocorreu também devido a um ideal contido em sua proposta: progresso. Tal progresso, segundo o pensador, só poderia ser atingido por meio da obtenção da ordem social – ou seja, seria preciso que a coletividade estivesse em harmonia e equilíbrio para que progredisse. Em um período de pleno fortalecimento do capitalismo, era tentadora a ideia de fazer uso de instrumentos sociais que pudessem sempre conduzir a sociedade ao amplo desenvolvimento, especialmente no sentido industrial.
            A grande questão é que Comte possuía uma concepção amplamente meritocrática da ideia de ordem. O positivista acreditava que para que a sociedade estivesse em pleno equilíbrio e harmonia e pudesse, portanto, seguir rumo ao progresso, ela deveria ser rigidamente hierarquizada, no sentido de que cada indivíduo cumprisse o papel social que lhe cabia. Isso significa que, para o positivismo, seria essencial que sempre existissem aqueles que exercessem as funções intelectuais e aqueles que exercessem as funções técnicas - caracterizando o darwinismo social, a ideia de que alguns indivíduos, por serem mais capacitados, devem atuar em atividades de maior destaque do que outros, que seriam menos capacitados.
            Por tratar do progresso sob tais perspectivas, o positivismo acabou por influenciar até mesmo o neocolonialismo – a justificativa de que se levava racionalização e desenvolvimento aos povos explorados foi, afinal, abundantemente empregada pelos países exploradores, embasada pela ideia de superioridade étnica. Ainda atualmente, dada sua grande incorporação, a ciência positiva comtiana está ativa na sociedade – o Direito positivado, por exemplo, restringe sua atuação às normais e leis, despindo-se da observância dos valores e causas profundas.
            Com isso, é possível concluir que a racionalização da sociedade proposta por Comte foi extremamente influente à época, como ainda o é nos dias atuais – apesar de admitir-se que o positivismo foi interpretado de muitas maneiras controversas, e nem sempre éticas ou justas, não se pode negar a imensa contribuição comtiana para as ciências sociais e humanas, para a concepção dos homens como seres sociais, para processo de emancipação do conhecimento e o desenvolvimento das sociedades contemporâneas.


Heloísa Ferreira Cintrão
Direito Diurno - 1º ano.

Positivismo e Brasil

O pensamento positivista teve grande influência na história brasileira, tanto que bandeira de nossa nação possui o lema “Ordem e Progresso”, ideias presentes na teoria de Augusto Comte. Mas quais seriam as consequências dessa inspiração?
O que pode ser considerado benéfico foi a revolução política que esse pensamento causou. Isso porque uma de suas ideias inovadoras é a de que as ciências humanas, a semelhança das exatas, precisam trazer soluções práticas para a sociedade. Isso deve ocorrer a partir da observação e formulação de regras gerais que regem o mundo, considerando o que é normal, e portanto passível de regulamentação. Esse caráter extremamente descritivo também deveria ajudar na formulação de mecanismos de controle da sociedade. Essa nova abordagem rendeu frutos: motivou muitos a lutarem pelo fim da monarquia no Brasil, por acreditarem que isso seria melhor para a sociedade.
Por outro lado, o caráter pragmático que essa filosofia possui acaba por ignorar a essência dos fenômenos, algo que pode ser muito mais importante e eficiente na resolução dos problemas da humanidade. Com essa premissa, há brechas para a sustentação de regimes autoritários como a ditadura militar, visto que a manutenção da ordem passa a ser uma justificativa para a repressão.
Assim sendo, a obra de Comte deve ter seu valor reconhecido, ainda que alguns grupos atuais critiquem veementemente seu conteúdo, e a existência da Igreja Positivista não ajude a exemplificar a importância desse pensamento.


Jansen R. Fernandes
1° Ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia

O positivismo na história do Brasil

Baseado no pensamento de Augusto Comte, matemático que trabalhou intensamente na formação de uma filosofia positiva, conferimos que a construção de conhecimento ocorre em três etapas. O primeiro estágio é o teológico, onde os fenômenos são interpretados como produto da ação direta de agentes sobrenaturais; o segundo estágio é o metafísico, em que os agentes sobrenaturais do estágio anterior são substituídos por forças abstratas; o terceiro e último estágio é o positivo, onde o espírito humano busca descobrir as leis gerais do universo a partir da razão e da observação. A filosofia positiva marca então o amadurecimento da razão humana, sendo a última e mais avançada das ciências.
Assim sendo, o ideal positivista acreditava que considerando a sociedade como um organismo em constante evolução, bastava conhecer os mecanismos que a regulam, para assim organizá-la. Dessa maneira, a sociedade deve se assentar sobre determinados fundamentos (como a ética, a moral, as instituições, os valores) para garantir sua ordem, equilíbrio, coesão, acabando com a instabilidade. O objetivo positivista é acabar com essa anormalidade da sociedade, a partir da ordem (estática – aptidão para agir) e do progresso (dinâmica – ação efetiva) - que estão estritamente ligados - já que em meio à desordem não é possível evoluir.
Comte defendia o determinismo e assegurava que os papéis e lugares sociais são determinados, onde todos contribuem cumprindo funções diferentes para manter a normalidade e o equilíbrio do universo, obedecendo e respeitando as normas da sociedade para contribuir com o seu progresso.
É inegável que Comte e seus ideais positivistas influenciaram todo o decorrer da história do Brasil e da política nacional, onde sua atualidade é concreta. Observamos isso facilmente ao analisar o lema “Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil, que possui forte relação com a máxima positivista “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. Outro momento que claramente teve influências positivistas foi, em 1964, quando os militares tomaram o poder e instauraram a Ditadura Militar no país, onde à população brasileira era necessário respeitar e aceitar as regras impostas pelo governo, que devia manter a ordem interna independente dos meios usados para atingir esse feito (incluindo a repressão violenta). Nesse mesmo período, a população não tinha voz, e era obrigada a aceitar sua posição e lugar na sociedade, sendo que qualquer protesto ou discordância era visto como “atraso” ao progresso do país.


Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino

Introdução à sociologia - Aula 04

A filosofia positivista e a sociedade moderna

Em Curso de Filosofia Positiva e Discurso sobre o Espírito Positivo, Augusto Comte desenvolve toda uma tese sobre uma nova filosofia capaz de reorganizar a sociedade e encaminhar as pessoas a um estado ''viril'' da inteligência. Com o objetivo de criar uma nova forma de compreensão e controle da sociedade, a filosofia social de Comte busca compreender o mundo para assim poder altera-lo.  
Até hoje, essa filosofia apresenta grande influência em meio a tantas desigualdades sociais. Ela entra como meio termo ao liberalismo econômico e ao marxismo, sobre como restruturar a sociedade. Graças a esse método podemos ter uma visão mais acessível de como melhorar os problemas sociais. Não pretendo afirmar que ele seja o melhor caminho a seguir, mas sim o mais adequado frente aos extremos tomados pelas outras duas correntes econômicas.
Por que? Pensando na urgência de problemas sociais, como a fome e a miséria, a corrente positivista pretende não só resolve-los como também instaurar mecanismos para que ''livre concorrência'' possa funcionar de forma mais justa. Dessa forma, aqueles que passam necessidade podem ser ajudados. mantêm-se os papéis sociais e os que menos contribuem para o funcionamento da sociedade ganham menos, mas sem viver, como ocorre atualmente, em condições sub-humanas. 
Dessa forma, tendo a solidariedade como ordem social, a diferença entre as classes se basearia apenas nos papéis sociais exercido por cada um. Diferentemente do marxismo que emprega uma igualdade econômica, o positivismo propõe uma remuneração salarial de acordo com a contribuição de cada um à organização da sociedade. Nada mais justo aquele que teve que dedicar anos de sua vida estudando e desenvolvendo seu intelecto para ajudar a sociedade ganhar mais do que aquele que bem menos o fez. 
Contudo, é essencial ressaltar que para isso seja legítimo também é necessário que essa oportunidade de escolha, entre ajudar mais ou menos, seja a igual para todos, ao contrário do que acontece, hoje em dia, no neoliberalismo, quando uma classe de privilegiados monopoliza todo o sistema educacional e exclui todos aqueles de menor poder aquisitivo, tornando muito mais difícil sua ascensão econômica, e até mesmo impossibilitando sua evolução intelectual.
Social positivismo
Constantemente ouvimos de nossos professores o discurso de que um jurista é muito mais que um aplicador da norma, ele não deve se basear somente nos códigos e ter uma visão somente positiva (pautada nas leis positivas, efetivadas, transcritas) do Direito. Porém, é muito difícil nadar contra a corrente, principalmente quando se considera a lógica capitalista que pauta a vida mundial hoje e que força a universidade a preparar seu graduando para o mercado de trabalho e infelizmente esse mercado exige trabalhadores que não saibam contestar, que não tenham uma opinião crítica e que por fim se atenham basicamente ao lado positivo do ensino jurídico.
               Num grupo de extensão da UNESP Franca, foi proposto como pauta de estudos desse semestre o ensino jurídico. A partir dos poucos encontros/discussões que tivemos, além dos textos que nos foram propostos, pude concluir o quanto ainda somos encaixados nesse tipo de ensino e de certa forma forçados a ainda se ater a esse lado mais positivista do Direito, mesmo tendo maior espaço para disciplinas propedêuticas. Dessa forma, para nós, que já estamos considerando o Direito como algo muito maior que a norma, se torna essencial a busca por grupos de extensão que fomentem discussões como a proposta acima.
               Ainda, durante uma palestra com ex-alunos que tivemos (essa quarta-feira, dia 13 de maio), todos presentes reforçaram a ideia de não se deixar esvaziar essa nossa visão “propedêutica” da matéria; essa visão mais social, que trata do Direito não como uma física social ou puramente como uma ciência, com outras palavras nos foi pedido para aliarmos ao método rigorosamente científico a visão do ser humano, a visão social e assim conseguir enxergar de forma mais completa as normas e poder de forma crítica analisá-las e até quem sabe mudá-las, procurando dar mais voz e importância a uma parte ignorada pela maioria dos juristas e universidades atuais.


Tiago de Oliveira Macedo – 1º ano Direito diurno – aula 4 

Sobre Moluscos, Conchas e Beleza

Nasce, em meio ao “fervilhamento social” da “Primavera dos Povos”, em 1830/1848, uma ciência que almeja compreender a sociedade do jeito que ela é: o Positivismo ou Física social, de Augusto Comte. Com o principal objetivo de compreensão e intervenção social, essa nova ciência, da qual Descartes e Bacon foram precursores, visa mecanismos para conter os ânimos sociais da época, afim de estabelecer o equilíbrio, a normalidade e a coesão. 

Assim, com um viés extremamente pragmático, o Positivismo discute que cada elemento tem uma função na sociedade, e quando alguém deixa de exercê-la ocorre uma convulsão, um verdadeiro caos. 

Porém conforme discutido, por Rubem Alves em “Sobre Moluscos, Conchas e Belezas”, pode-se notar que a natureza e a sociedade não são essencialmente pragmáticas, mas sim verdadeiras artistas. Isso demonstra que muitas de suas obras são dignas de observação, são belas e “alimentam a alma”, não exercendo nenhuma função social. 

Vale ainda ressaltar que na obra Memorias Póstumas de Brás Cubas, quando Brás no fim do livro conclui que foi a óbito com um “saldo positivo” com a vida: por não ter filhos, não transmitiu a ninguém o legado da miséria humana, o autor adota um viés positivista, uma vez que espera que a vida tenha um saldo, tenha uma função.

Porém, a vida, diferentemente do Positivismo de Brás não tem que ter um saldo calculado, uma função a ser atingida. Mas sim, não medi-la, não criar categorias para avalia-la. Deve-se, segundo discutido por Rubem Alves, aproveitar todas as experiências, boas ou más, pois essas, contribuem para a formação da essência de cada um.




Heloísa C. Leonel
1º ano Direito Diurno

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Comte, Darwin e o imperialismo

            Num primeiro momento, talvez seja difícil observar a relação entre a obra A Origem das Espécies, de Charles Darwin, e Curso de Filosofia Positiva, de Augusto Comte. A obra do naturalista inglês discorre sobre a evolução das espécies a partir das observações feitas durante uma viagem, que durou cinco anos, a bordo do navio Beagle, que navegou pela costa do Pacífico e da América do Sul. Já o filosofo francês foi responsável pela criação uma nova corrente filosófica, o positivismo (sendo que, para se chegar ao pensamento positivo, também era preciso passar por uma evolução de estágios de construção de conhecimento, sendo o primeiro o teológico e o segundo, metafísico), e também foi o precursor das ciências sociais. Mas qual a relação entre ambos?
            Para Comte, o homem é produto do seu meio social. Para Darwin, o meio é agente selecionador dos indivíduos mais aptos. Ou seja, tanto um quanto o outro consideram o meio como protagonista das relações, sejam sociais ou naturais. Foi dessa relação entre ambos que fez surgir a expressão darwinismo social. A divulgação dessa teoria serviu para justificar o imperialismo europeu no século XIX.
            O darwinismo social prega que as sociedades evoluem de estágios inferiores para estágios superiores, nas quais as organizações sociais são mais complexas. Dessa forma, era dever do “povo civilizado” (nesse caso, os europeus) ocupar, dominar e explorar as regiões “mais atrasadas” (África e Ásia), levando esses povos de “culturas primitivas” ao desenvolvimento tecnológico, progresso e avanço social.

            Certamente, nem Comte nem Darwin imaginavam as consequências que suas teorias trariam. Mesmo porque, ninguém ainda tinha consciência do como o capitalismo era capaz de deturpar ideias brilhantes para sua consolidação e beneficio próprio.

Luiza Macedo Pedroso
1º ano de direito diurno
Introdução à Sociologia - aula 5

Gradação dos Métodos

     Augusto Comte, filósofo francês, defendia o emprego de três métodos de filosofar durante as investigações feitas pelo espírito humano. O primeiro seria o estágio teológico que defende a atuação direta de agentes sobrenaturais na produção dos fenômenos de modo a explicar as adversidades presentes no universo. Em seguida, vem o método metafísico que, basicamente, seria uma simples mudança no estado antecedente. Por fim, o pensador afirmou que o método positivo explica que a conexão feita entre os vários fenômenos particulares e alguns fatos gerais como esclarecimento do real.
    Simploriamente, pode-se relacionar os estágios propostos por Comte com a divisão do ensino desde a infância à vida adulta uma vez que o primeiro método é considerado o ponto inicial da investigação sendo essencial ao desenvolvimento da inteligência humana, o segundo método serviria como uma fase de transição e o terceiro método seria seu estado fixo e definitivo. Desta forma, há uma analogia entre o primeiro estágio e os Ensinos Infantil e Fundamental visto que ambos servem como uma iniciação do homem; no caso, do filósofo; ou do estudante; no caso, da escola; ao pensamento científico e ao estudo do universo e suas particularidades.
     Enquanto que o segundo estágio corresponderia ao Ensino Médio dado que ambos são considerados um período de trânsito entre uma fase de maturação intelectual e ingresso no pensamento científico. Por último, o terceiro estágio pode ser considerado equivalente, com ressalvas, ao Ensino Superior posto que ambos apresentam um maior acúmulo de conhecimentos pautados pela razão.
     Logo, percebe-se que os métodos propostos por Comte que seriam empregados pelo espírito humano em todas as suas investigação formam uma gradação em que a partir do desenvolvimento do pensamento, avança-se um estágio até alcançar o último estado considerado o ideal.


Camila Migotto Dourado
1º ano Direito - Diurno

Zoom

segunda-feira, 11 de maio de 2015

  A Realidade de Bacon      

Amparado  na teoria de Demócrito, a quem  julgava ser mais importante que Aristóteles e Platão, Bacon preconiza a interpretação do mundo pela experiência, a utilização da ciência para fins práticos, criticando a ciência como simples exercício da mente.Assim como Descates , tinha seu método a finalidade de dar ao homem poder sobre a Natureza, fazendo desta “uma simples provedora de matéria prima “  para a elaboração de bens e serviços benéficos ao  homem.
Embora com finalidades iguais, Bacon defendia o método indutivo, baseado no empirismo, no qual apenas através da investigação metódica e sistemática da realidade se poderia  alcançar conclusões.Contrariamente, Descartes defendia as premissas-verdades gerais já afirmadas- como base da obtenção de novos conhecimentos ( método dedutivo).
Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, com Bacon o método ganha projeção, amplitude e eficiência (ciência da utilidade).
O método indutivo foi extremamente importante para o avanço das ciências e se tornou ainda mais contemporâneo do que o dedutivo de Descartes, porém a  simples observação da disposição ordenada feita nas três tábuas de seu método não poderia levar sempre a hipótese correta  ,além de que Bacon não pode prever que  as deduções matemáticas  seriam fundamentais  para o avanço das ciências modernas.
Bacon, em  seu antropocentrismo arrogante, desconheceu o fato, como bem aponta o filme Ponto de Mutação , de que o homem é como um órgão, unidade participante e interdependente com outros órgãos  de um complexo sistema;Natureza.
Não há como um órgão sobreviver enfraquecendo outros órgãos de um sistema cuja sobrevivência é causa da sua própria.

Eduardo Guercia- Direito Notuno
O empirismo Baconiano

A forma de criação de conhecimento próximo do qual é feita a ciência hoje em dia, em grande parte vem das ideias e conceitos de Bacon e de seu método, conhecido por método empírico endutivo. Esse método é importante, pois coloca a experiência como critério da verdade. Através de suas obras Bacon faz considerações importantes: o “Novum Organum” é uma crítica à obra de Arístoteles (ou “o organum”) e, por meio da reinterpretação dos conceitos Aristotélicos cria uma proposta de nova configuração da verdade e “The Advancement of Learning”  que mostra o comprometimento de Francis Bacon com a evolução da ciência buscando sempre o progresso através do domínio da natureza, e com intuito de desenvolvimento social.
Bacon rejeita o conhecimento metafísico, de mundos imaginários e na sua concepção os grandes filósofos antigos se perderam em meio a essa subjetividade, tornando o conhecimento pouco prático, pouco objetivo e pouco lógico. Mas apesar de defender o conhecimento empírico, Bacon cria a Teoria dos ídolos baseado no argumento de que a ciência que pode ser conhecida pelo homem tem um limite, para ele, os ídolos são distrações que podem prejudicar o processo de conhecimento do método empírico indutivo.

As ferramentas do método empírico indutivo são a experiência, observação, regularidade, análise e generalização, ferramentas essas que até hoje baseiam a ciência moderna.


“O conhecimento deve ser obtido para gerar o controle sobre a natureza”

“Saber é poder”

Débora Rayane Brandão Filadelfo, 1º ano Noturno - Direito

ídolos na Atualidade

     Francis Bacon foi um filósofo, ensaísta e político inglês. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum, nesta obra Bacon critica os métodos de Aristóteles que prioriza o pensamento ao invés da experimentação, para Bacon o conhecimento vem da experimentação. Podemos notar a crítica a Aristóteles na citação a seguir : " Pois Aristóteles estabelecia antes as conclusões, não consultava devidamente a experiência para estabelecimento de suas resoluções e axiomas. E tendo, ao seu arbítrio, assim decidido, submetia a experiência como a uma escrava para conformá-la a suas opiniões."


     Bacon denomina dois métodos o da Antecipação da Mente( método aristotélico, do conhecimento contemplativo) e o da Interpretação da natureza (método da experimentação). Na Antecipação da mente ele cita as falsas percepções do mundo que ele chama de ídolos. Os ídolos podem ser divididos em quatro grupos, os ídolo da tribo, os ídolos da caverna, os ídolos do foro e os ídolos do teatro. O primeiro se refere as distorções que vem da própria mente humana , como a incompetência dos sentidos, o segundo se refere as relações estabelecidas entre o homem e ambiente em que vive, o terceiro as relações interpessoais e o quarto as representações equivocadas e teatrais.
     
    Esse conceito dos ídolos se mantem atual e mostra a base do senso comum, mesmo em pleno século 21 nos deparamos com preconceitos que se perpetuam por gerações, ideias plantadas pela mídia na mente da população. Devemos abandonar esses conceitos e buscar nosso próprio conhecimento, para sair do senso comum e nos tornarmos seres críticos.


Juliane P. Motinho  1° ano , Direito - Noturno
  

Apoderamento do Homem

      A Ciência Moderna era composta por dois pilares, o da Razão e o da Experimentação – já que o primeiro levava a dedução e o segundo, a comprovação – Descartes é um grande representante do primeiro pilar, ao passo que o segundo se vê muito bem ostentado por Francis Bacon.  Bacon surge trazendo á filosofia da Era Moderna a teoria do empirismo, sendo ele próprio o maior representante desta, que propõe uma análise do mundo baseada em  interagir com o mundo de forma experimental.
Ao propor o empirismo, o filósofo retira poder de áreas que possuíam grande influencia na época, como a astrologia, a alquimia e a religião, pois julga tais áreas como místicas e sem conhecimento comprovado. Criticando também a ciência como mero exercício da mente e que estava sujeita á influencias da razão, que poderiam “prejulgar” um fato, ou este fato ser distorcido pelos sentidos,    
      Bacon propõe um novo método de análise filosófica, chamado por ele de A Cura da Mente – e este era divido em duas fases: a antecipação da mente (conhecimento contemplativo) e a interpretação da natureza (conhecimento por exploração e experimentação).
      Tendo posto seus conceitos e métodos, Bacon define a ciência como a mais alta representação do mundo, diz que tudo que é digno de existir, é digno de ciência. Esse tipo de ideia revolucionou sua época, pois mudava a forma de se pensar o mundo que passou a ser visto como o que há de mais racional e dele as conclusões científica poderiam ser tiradas, o mundo como uma máquina.  Além disso, ele deixou fortemente explícito que Saber é Poder e a exploração da natureza é a única forma de compreende-la, e mais do que isso, de vencê-la – para ele, o homem deveria se sobrepor a natureza, conquista-la a ponto de usá-la a seu favor e não ser vitima de seus acasos.
      Embora a visão mecanicista e de sobreposição á natureza tenham sido importante para apoderar o homem moderno, como visto no filme Ponto de Mutação, estes conceitos se tornaram tão fortes que sobrevivem e dominam até hoje e acabaram por destruir muito do que é essencial e provém da natureza. O principio masculino de Bacon, continua a levar o homem cada vez mais perto do esgotamento de recursos naturais, da destruição do planeta e á submissão de outras pessoas e até mesmo países inteiros (os chamados terceiro mundo, por exemplo); pode-se dizer também, que o conceito de Bacon é visto hoje mais presente no mundo empresarial, pois o cunho dominador, avarento, se sobressai.

      Sendo assim, é preciso a consciência de que a visão de Bacon foi inovadora numa época impregnada de misticismo, na qual o homem ficava a deriva de catástrofes naturais, doenças, da Igreja; suas ideias mudaram a forma de ver e principalmente de interagir com o mundo, dando autonomia a humanidade. No entanto, mais de quatros séculos após o filósofo ter falecido, é hora de adaptar suas concepções, de ver que o mundo não é apenas uma máquina, mas sim um organismo vivo (assim como diz o filme Ponto de Mutação) e que cada ação afeta milhares de pequenos ecossistemas ligados á outros maiores. É necessária uma mudança no conceito de Bacon, uma reavaliação da postura humana quanto ao meio em que vive, para que, á longo prazo, não acabemos por nos destruir, destruindo tudo á nossa volta. 

Stephanie Bortolaso
Direito, noturno. 

Meus, Seus e Nossos Ídolos

O inglês Francis Bacon (1561-1626) rompe com a perspectiva escolástica – corrente de pensamento cristã apoiada pela Igreja até a Idade Média – e revoluciona com um novo método de pesquisa. Aquela doutrina imposta pelo clero conferia um caráter filosófico aos princípios religiosos e embutia um ideal de “providência”: Deus governa todo o universo. Para Bacon, o labor dos filósofos antigos se assemelhava ao das aranhas: magníficas teias de saber, mas sem proveito para o homem. O predomínio da fé em detrimento da razão impedia o progresso da ciência, pois essa perspectiva imaginária não resistia à experimentação. 

Em 1620, com o livro Novum Organum (“Novo Instrumento”), Bacon marca oposição às obras sobre lógica de Aristóteles, reunidas sob o nome Organon. Para o filósofo inglês, a essência do conhecimento seria alcançada pela observação dos fenômenos da natureza a partir do método empírico indutivo. A contemplação, meditação e divagação dos antigos dariam lugar à análise, investigação e contestação do “Novo Instrumento”. Assim, Bacon estabelecia as bases para a ciência moderna e submetia o conhecimento humano ao bem estar do homem. 

O ingresso nessa nova ciência se daria afastando a fixação pelos conceitos vigentes, que mascaravam e deturpavam a realidade. Para Bacon, essa falácia intelectual podia ser classificada em quatro grupos, que ele chamou de “Ídolos”. Ou seja, noções falsas que idealizamos e que bloqueiam o conhecimento objetivo e útil. 

Os “Ídolos da Tribo” sujeitam os homens à generalização e ao viés dos eventos favoráveis. Confraria de pensadores que se fortalece corroborando as mesmas ideias e percepções dos integrantes do grupelho. Para Bacon, “o intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe”. 

Os “Ídolos da Caverna” resultam da própria educação e da influência dos costumes à época, implicando em uma ótica extremamente particular. Fatos diversos oriundos de exames alhures são acidentes, jamais identidades. Os pensadores se tornam prisioneiros da escuridão da caverna e refratários às manifestações de outras análises. Bacon recorre a Heráclito, para o qual “os homens buscam em seus pequenos mundos e não no grande ou universal”. 

Os “Ídolos do Foro” vinculam-se às distorções no uso da linguagem. Seus adeptos insinuam-se no intelecto graças ao linguajar técnico e à deturpação dos significados; fundamentam-se na adjetivação dos fenômenos e se acobertam na ambiguidade gerada. Na concepção de Bacon, “as palavras, impostas de maneira imprópria e inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto”. 

Por fim, os “Ídolos do Teatro” amparam-se às teorias em voga sem contestá-las. Os adeptos mesclam sua filosofia com a teologia e a tradição amparada pela fé. Bacon assevera: “não pensamos apenas nos sistemas filosóficos, na universalidade, mas também nos numerosos princípios e axiomas das ciências que entraram em vigor, mercê da tradição, da credulidade e da negligência”. 

A seu tempo, Bacon fundou os alicerces da ciência moderna, mas até hoje nos deparamos com esses “Ídolos”. Seja no próprio desenvolvimento intelectual ou na investigação das teorias alheias, tendemos a eleger nossas crenças. Disposição orgulhosa que afeta nosso intelecto e tardia o progresso da humanidade. Derrubemos nossos “Ídolos”.

Sobre a crítica de Bacon aos filósofos gregos

Em 1620, Francis Bacon publicou a sua obra intitulada "Novum Organum", revolucionando a ciência de sua época, reverberando até os dias atuais. Bacon pretende, por meio deste livro, relatar uma nova forma e, segundo o autor, correta para buscar e produzir ciência. Para tanto, o autor faz críticas pungentes à filosofia grega.

Desse modo, Bacon afurma que a filosofia clássica não serve ao bem-estar do homem, para ele as abstrações sobre a natureza "[...] ainda que correspondesse à verdade, pouco serviria ao bem-estar do homem."(p.29). Todavia, o autor não leva em consideração as reflexões produzidas pelos que gregos. As reflexões que os filósofos gregos propunham não se objetivava na melhoria da condição humana, porém ao inquirir sobre as mais variadas sortes de temas os gregos retiravam seus ouvintes e leitores do conforto de suas certezas e os inundavam de dúvidas e incertezas, ocasionando,pois,evolução intelectual.

Francis Bacon ainda afirma que a sabedoria grega é farta em palavras, mas é estéril de obras. Essa é uma afirmação infundada uma vez que a filosofia grega foi a base para grandes descobertas produzidas posteriormente. Deve-se considerar que descobertas científicas complexas eram irrealizáveis pelos filósofos antigos, devido á baixa especialização de seus instrumentos. Não obstante, as abstrações e as reflexões foram bases para estudiosos,que dotados de mecanismos mais tecnológicos proporcionaram grande avanço para a humanidade.

Em suma, ao negar á importância do pensamento do filósofos clássicos, Bacon não considera as bases do pensamento ocidental e as grandes obras produzidas pelos gregos.

Lucas Rezende de Melo 1º ano- Noturno


Francis Bacon e a Educação

Em sua obra, Novum Organum, Francis Bacon discorre sobre o fazer científico e os problemas que o envolvem. Analisando o livro, é possível não só encontrar similaridades com a atualidade, como também inserir diversas observações no ambiente educacional, principalmente universitário. Nesse texto, me proponho a expor duas dessas aplicações.
Em sua crítica aos filósofos gregos, Bacon afirma que o conhecimento produzido na filosofia clássica de nada servia para os homens, pois não possuía aplicação na realidade. Uma maneira de enfrentar esse problema na universidade pública foi a realização de grupos de extensão, que permitem que o conhecimento adquirido e produzido em ambiente universitário não se restrinja a esse círculo e que, de alguma forma, influencie positivamente na vida em sociedade.
Além disso, Bacon fala sobre os "ídolos do teatro": "ídolos que imigraram para o espírito dos homens por meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras viciosas da demonstração" (p. 14). Relacionando esse conceito com a educação atual, nos deparamos com as diversas doutrinas e pontos de vista que são ensinados aos alunos como verdades universais, não passíveis de questionamento.
Logo, a filosofia de Bacon se mantém atual graças ao seu novo método de fazer ciência, mas os problemas que o filósofo expõe e se propõe a solucionar continuam dificultando o a prosperidade no meio acadêmico.

Gabriela Alves Fontenelle
Direito - noturno

O novo instrumento

Nascido em Londres no século XVI e considerado fundador da ciência moderna, o pioneiro da filosofia empirista, Francis Bacon, expõe em sua obra mais conhecida – Novum Organum – que a verdadeira forma de se obter conhecimento seria através da experimentação. Bacon buscava um novo método de investigação que substituísse o modelo de Aristóteles e outros filósofos clássicos, pois afirmava que estes chegavam a conclusões sem antes colocarem suas teorias em prática, o que para ele era inválido.
Bacon exemplificava seu pensamento com a ideia de que ídolos são percepções falsas que temos sobre o mundo, que bloqueiam a mente humana de obter conhecimento, e propunha a não entrega ao senso comum e às deduções formadas pelo cotidiano e pelos costumes. Ele divide os ídolos em ídolos da tribo – que se refere à mente humana que através de suas percepções e paixões defendem o que lhe agrada – do foro – que é a influência familiar e social – da caverna – que é a influência da educação e da classe social do homem – e do teatro – que vincula-se às representações teatralizadas e impregnadas de equívocos e superstições (como a religião e a astrologia).

O mais interessante da obra de Francis Bacon é a sua atualidade, pois mesmo após mais de quatro séculos desde a formação de suas ideias, os ídolos atuam e influenciam na sociedade atual, na tomada de decisões e na vida de forma geral.

Julie Araujo
1º ano Direito
Noturno

Francis Bacon e seu legado.

      A obra de Francis Bacon  é um  de suma importância para se entender o desenvolvimento das ciências naturais no período histórico posterior a este . Autor do livro '' Novum Organum'',  cuja tradução significa ''novo instrumento'',  Bacon faz árdua crítica a respeito de temas como a filosofia grega e das escolas contemporâneas de seu tempo, tal como a escolástica. Defensor sincero de um novo método para se fazer ciência, Francis  propõe e introduz ao mundo de seu tempo o método empírico científico, na qual expõe que a verdadeira maneira de se criar conhecimento concreto seria através da experimentação, e nao através do racionalismo, segundo o qual era  em seu tempo  o carro-chefe da ciência, em que chega a afirmar que  o experimento seria escravo da razão. Para Bacon , a filosofia e os filósofos não tinham se encarregado de produzir utilidades para o bem estar e progresso da humanidade, fazendo conhecimento aplicável e verdadeiro, mas   haviam se preocupado em debater questões metafísicas em que os reais engimas das sociedades permaneciam sem resposta e interesse por parte destes. Ele chega a afirmar que muito do que se fez na filosofia era embasado na vaidade  da retórica e não se relacionava com teorias concretas
     Dimensionar a magnitude da obra de Bacon atualmente  consiste em observar  o mundo tecnológico e integrado que vivemos; um mundo em que diariamente surgem novas descobertas no meio acadêmico;  um ambiente  em que a medicina é uma ferramenta de constante atualização e médicos precisam igualmente se atualizar, um ambiente em que as normas jurídicas vigentes são  modificas ,debatidas e repensadas. Tais exemplos devem ser usados pois mostram algo que legamos de Bacon: seu método inovou o modo de se criar ciência  e as novas tecnologias,o Direito e a Medicina, se hoje aparentam grande avanço em suas utilidades, devemos em grande parte a este pensador que ao usar do empirismo como fundamento para a realização de ciência e geração de uso prático na sociedade , propiciou as grandes mentes posteriores se fundamentarem nao apenas na razão , mas também no experimento. 
                                                                                                                Rafael Cyrillo Abbud
                                                                                                           Direito noturno./ 1º ano.

domingo, 10 de maio de 2015

Sobre “Ponto de Mutação” e Descartes
         D bras uma verdade absoluta e incontestável. A razão cartesiana tinha como princípio duvidar de todo o conhecimento acumulado anteriormente para que se possa chegar a novas conclusões.
O filme “Ponto de Mutação retrata o diálogo entre três pessoas com diferentes perspectivas  sobre a vida e a sociedade. Um deles é um senador frustrado com a política, o segundo é um professor de literatura e a terceira é uma cientista da físca. Juntos, os três discutem, oferecendo seus dferentes pontos de vista sobre aspectos físicos da Terra, traçando um paralelo com a organização política da sociedade.
A partir do filme, é possível observar uma crítica a Descartes por parte da cientista, que afirma que os políticos enxergam o mundo segundo as teorias de Descartes, afirmando serem ultrapassadas e que o universo possui uma sistemática única e portanto não podemos encarar os problemas do mundo indivdualmente e sim tratá-los como parte de uma conexão global.
O diálogo do filme propõe diversos questionamentos a respeito do mundo que não são respondidos durante o filme, mas que devem ser pensados e analisados sob uma perspectiva da ciência política e da sociologia, de modo a tentar encontrar respostas ou ao menos relacionar esses questionamentos com os dos grandes pensadores da história humana.
Juliana Novaes Bueno de Camargo

1º ano -  Noturno