
Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Paixões primitivas

O passado é agora
Durante a vida escolar sempre houve, há e haverá preferência por determinadas disciplinas em detrimento de outras por parte dos alunos. No caso da matéria História, muitos se já se questionaram a necessidade de se aprender sobre acontecimentos tão remotos como, por exemplo, a Antiguidade Grego-romana. Bem, uma das razões identificáveis para tal estudo é o de ser capaz de reconhecer e interpretar as influências do passado na contemporaneidade.
Émile Durkheim, ao desdobrar-se sobre o tópico da divisão do trabalho social, mais especificamente no campo da solidariedade mecânica, possibilitou uma base sólida de pensamento para o surgimento de novos exames sociais sobre a atualidade. Portanto, forneceu meios àquela capacidade histórica de identificação e aclaração aos sociólogos modernos.
Assim, entre outras ideias notáveis, Durkheim deixou-nos como herança a concepção de consciência coletiva, quando tratou extensivamente sobre a essência do crime e as características de sua devida sanção. Essa consciência deriva dos valores, representações e motivações sociais.
Dentro daquela concepção, nas sociedades ditas primitivas, Durkheim afirma que a consciência coletiva impera sobre o indivíduo, coagindo-o a se portar dentro dos padrões já determinados. Caso haja uma extrapolação desses parâmetros, haverá uma sanção, uma vez que o delito parecerá maléfico e a reação àquele expressa a forma pelo qual o crime é sentido no agrupamento social.
Em contrapartida, Durkheim previu que nas sociedades denominadas complexas, o individualismo – porém sem a inclusão nele do egoísmo e egocentrismo – avançaria nas pessoas e mudaria completamente o seu jeito de raciocinarem. Isso não foi de todo errado, pois a maior parte da humanidade realmente redirecionou seu ponto de vista e liberalizou-se nos comportamentos e costumes sociais.
Porém, pode-se notar que os assuntos polêmicos que hoje se apresentam – homossexualidade, aborto, experiências com células-tronco, adultério, laicismo, pedofilia, cotas raciais, entre outros – têm pontos em comum além do fato de dividirem populações em diferentes opiniões e argumentos. Eles expõem das sociedades complexas traços característicos de agrupamentos primitivos. Aqui está a atuação do pretérito no presente.
Ainda hoje, pleno século XXI d.C, julga-se, por exemplo, as opções sexuais e religiosas de cidadãos. Trejeitos primitivos enraizaram-se de tal modo que a consciência social continua sendo objeto para repressão e violação. A intolerância sempre existiu, mas Durkheim – muito infelizmente – enganou-se ao imaginar que a solidariedade orgânica reinaria sobre todos os seres sociais. Basta aos integrantes esclarecidos das sociedades mudarem esse quadro.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Fanatismos exacerbados
"LIBERDADE ACIMA DE TUDO"
A liberdade é algo que todos os cidadãos do mundo inteiro almejam ao longo da sua vida, entretanto, com o passar do tempo, percebemos que somos escravos de inúmeras coisas como do sistema econômico e da moral. Mas o que mencionarei ao longo do texto é sobre a liberdade de escolha de cada indivíduo, de fazer aquilo que achar mais pertinente na sua vida, aquela que nos permite agir de acordo com nossa vontade, sem interferência.
Essa ‘não-interferência’ é relativa, pois diariamente nos deparamos com a intolerância derivada de várias pessoas, grupos, classes e ate países. Sendo assim, se fizermos ou falarmos algo que ofenda a consciência coletiva, podemos ser acusados de CRIMINOSOS. E, conseqüentemente, seremos reprimidos a partir de uma pena.
Em 2009 uma estudante, Geisy Arruda, sofreu discriminação na faculdade em que estudava devido as suas vestimentas. E, segundo relatos de seus colegas de sala, ela sempre se vestia assim. Agora vem a pergunta: O que a roupa dela influenciou na vida dos outros indivíduos? Era necessário tal atitude perante a aluna, ganhando até destaque nacional ?
Sendo assim, percebemos uma contradição! Cadê a liberdade para escolher a roupa que quiser para se vestir ? Parece que fica em segundo plano e a intolerância tem maior importância.
O que me revolta mais, é o número de políticos corruptos que saem ilesos mesmo quando são denunciados em rede nacional em envolvimento de desvio de dinheiro público. Nessa situação, ninguém se organiza para reprimi-los. Por quê ? Não tenho a resposta exata, mas Durkheim, décadas atrás, mencionou que pena consistia numa reação passional, onde a função da pena é provocar e difamação e humilhação pública. Sendo assim, é muito mais fácil insultar uma estudante do que um político que tem ‘poderes’ maiores que o nosso. Pode até ser o mais fácil, não o mais correto.
E por fim, uma música do Charlie Brown Jr. onde a liberdade é constantemente suplicada.
Deixa eu ser como eu sou!
Deixa eu ser quem eu sou!
Se quiserem me internar não deixem
Deixem me exercer minha loucura em paz
Se quiserem me internar não deixem
Deixem me exercer minha loucura em paz
Porque eu nasci pra ser maluco
E te fazer a tradução
Do que é ser um bom maluco
Do que é ser um maluco sangue bom
Porque eu nasci pra ser maluco
E te fazer a tradução
Do que é ser um bom maluco
Do que é ser um maluco sangue bom
Yeah!
Deixa eu ser como eu sou!
Se quiseram me internar não deixem
Deixem me exercer minha loucura em paz
Se quiserem me internar não deixem
Deixem me exercer minha loucura em paz
Porque eu nasci pra ser maluco
E te fazer a tradução
Do que é ser um bom maluco
Do que é ser um maluco sangue bom
Porque eu nasci pra ser maluco
E te fazer a tradução
Do que é ser um bom maluco
Do que é ser um maluco sangue bom
Yeah!
Liberdade acima de tudo
De bem com a vida e de bem com o mundo
Liberdade acima de tudo
Yeah!
Se quiseram me internar não deixem
Deixem me exercer minha loucura em paz
Se quiserem me internar não deixem
Deixem me exercer minha loucura em paz
Porque eu nasci pra ser maluco
E te fazer a tradução
Do que é ser um bom maluco
O que é ser um maluco sangue bom
Yeah!
Primitivismo contemporâneo
Durkheim expõe o fato de, nas sociedades primitivas, a caracterização do crime como algo que ofende a consciência coletiva acabava por resultar na aplicabilidade da pena a atos que não afetavam consideravelmente a ordem social. Assim, seria comum que deslizes ao padrão moral tido como adequado apresentassem grande suscetibilidade à aplicação do direito, mesmo que a estrutura mecânica daquelas sociedades permanecesse inabalada.
A ciência passional
Durkheim talvez não imaginasse que, em pleno século XXI, ditames morais, com fundo religioso, ainda guiassem as consciências coletivas. Muito menos que fossem as próprias os trilhos sobre os quais o Direito caminharia. Para ele, a altura dos anos 2000, o Direito estaria apoiado apenas sobre bases racionais, e praticado por operadores que estariam preocupados mais em prezar pela ordem econômica do que pela ordem moral. Talvez em decorrência de uma ingenuidade ou pela crença em alguma forma de evolução da humanidade, cometeu um erro em ignorar a força que a moral exerce sobre os homens.
O que se vê é que as penas são aplicadas para satisfazer as paixões. São essas paixões, exprimidas pela sociedade mesmo que indiretamente, que orientam o sentido e a amplitude das penalidades. Não bastava aos estudantes, no caso citado acima, que a garota se trocasse e vestisse algo mais “decente”, mas desejavam prezar pelos costumes e pela moral vendo-a punida e humilhada perante todos para que recebesse uma “lição”.
É fato que o Direito é praticado, muitas e na maior parte das vezes, em acordo com a passionalidade que emana da sociedade. Passionalidade esta que visa descartar toda ameaça à ordem, ao funcionamento equilibrado do “corpo social”. São as paixões públicas que ditam as regras de conduta, que apontam o certo e o errado. O que resta do pensamento individual? Deveria o pessoal ser suprimido em favor do coletivo?
As individualidades, não se pode negar, têm ganhado espaço para serem expressas, assumidas. Ocorre que até condições até então que se consideravam isoladas, pessoais, tornaram-se hoje movimentos coletivos. É o caso do movimento homossexual, por exemplo. O homossexualismo, antes tão condenado, julgado até mesmo como uma característica pessoal desprezível e causa para um isolamento social, hoje é bandeira erguida (com orgulho) em movimentos que buscam efetivar a igualdade prevista na Constituição. No entanto, aquela paixão pessoal que permanece contida, aquela que não alcança identificação dentro da sociedade, acaba por ser guia de uma consciência apenas individual, por ser um critério de julgamento próprio daquele que a possui.
Cabe ressaltar que a ordem pela qual preza a consciência coletiva, para muitos é uma ordem subversiva. Pelo simples fato de que, nas palavras de Humboldt: “termina por criar na sociedade contemporânea uniformidades que sufocam a natural variedade dos caráteres e das disposições.” Os governos e as paixões públicas tendem a se contraporem à variedade individual, em concordância com a tradicional concepção orgânica da sociedade, que estima “a subordinação regulada e controlada das partes ao todo, condenando o conflito como elemento de desordem e desagregação social.” (BOBBIO, Norberto. “Liberalismo e Democracia”, p.27). Os contrários à teoria organicista defendem que a variedade “é benéfica e é uma condição necessária do progresso técnico e moral da humanidade, o qual apenas se explicita na contraposição de opiniões e de interesses diversos” (BOBBIO, Norberto. “Liberalismo e Democracia”, p.28).
É, de fato, difícil, senão impossível, desvincular o Direito das paixões. É por si só uma ciência humana e operada por seres racionais, porém subjetivos, movidos não só pela razão como pela emotividade. Certos ideais de condutas foram incutidos à sociedade ao longo de milhares de anos, o que dificulta a aceitação daquilo que foge a esses ideais, embora cada vez as novas gerações tenham sido, no geral, mais flexíveis e mais tolerantes aos “desvios”.
A Solidariedade Por Similitudes E A Consciência Coletiva
''O conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado que tem vida própria; podemos chamá-lo de consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não tem por substrato um órgão único; ela é, por definição, difusa em toda a extensão da sociedade, mas tem, ainda assim, características específicas que fazem dela uma realidade distinta. De fato, ela é independente das condições particulares em que os indivíduos se encontram : eles passam, ela permanece.''
Embate Cultural do Espírito Capitalista
O Espírito Capitalista descrito por Weber vai além da mera busca por dinheiro. Ele, antes de tudo, é uma ideologia de vida. Separa-se da simples busca e acumulação de capitais por uma atitude e utilização racional. É um formado por um conjunto de ideologias e atitudes, elas todas convergem na utilização dinheiro em busca de mais dinheiro.
O capitalista nato tem como objetivo final sempre gerar mais dinheiro, por isto, todo o que ele ganha é reaplicado na geração de mais. Pode parecer simples, entretanto isto atinge a vida deles de um modo sem volta. Ao adentrar nesse campo, dedicará o resto de seus dias a tal tarefa.
Todavia, antes o que hoje é visto como um dom, o de se dedicar e ter sucesso econômico, era visto como avareza e despojo com o mundo à volta. A ideologia cristã, por exemplo, pregava a usura como pecado. O espírito capitalista tem de antes passar por uma luta para começar a ser aceito.
O capitalismo, então, trava com a sociedade embates. Mudar a maneira de pensar se faz necessário, no ver de Weber, para se ter sucesso. Começar a valorizar o trabalho, trabalhar além do necessário, não consumir e reempregar o dinheiro, entre outros.
Torna-se um embate cultural entre o modo de vida capitalista e o do modo “normal”. O homem que busca conviver no tal modo de vida sofre um desprezo por outros setores da sociedade que o vêem como inimigo dos bons modos. Mas o sucesso daquele, com o tempo, transforma a maneira de ver e recoloca a atitude, antes vista como mesquinha, em lugar de destaque, transformando-a em um dom de poucos.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Capitalismo como embate cultural
O Capitalismo na Conduta Humana
Essa nova ética contraria o paradigma católico que prevalecia na Europa. Ao contrário do artesão que trabalhava apenas para prover suas necessidades, o capitalista visa ao lucro e toda sua conduta é pautada no acumulo de capital. Assim, o trabalho deixa de ser simplesmente uma forma de adquirir as necessidades materiais. Portanto, sob a ótica capitalista acumular riquezas, trabalhar arduamente relaciona-se com a ideia de virtude e eficiência e não a ideia de ganância e desonestidade.
A Igreja Católica sempre olhou o desenvolvimento capitalista com muitas ressalvas, uma vez que o lucro, a usura, eram considerados pecados por esta instituição. Dessa forma, a doutrina protestante ganhou terreno entre os novos capitalistas, pois na sua ética o trabalho era visto de maneira diferente do catolicismo e de acordo com os anseios dos novos capitalistas.
Frequente e erroneamente, confunde-se a ética capitalista com a ânsia por lucro. Erroneamente porque a ânsia por lucro está presente na sociedade desde a Antiguidade. O capitalismo traz consigo a ideia de racionalização. Racionaliza a economia; a ciência (utiliza e depende das inovações científicas); as relações jurídicas; e portanto racionaliza a humanidade.
Um exemplo desse fenômeno é o "America way ps life" desenvolvido nos Estados Unidos no século XVIII e produz efeitos até os dias de hoje. Sendo assim, nota-se que o Capitalismo não muda apenas o rumo econômico da sociedade, mas também a cultura, uma vez que interfere na conduta do indivíduo, nos seus projetos de vida, nos seus hábitos e costumes, e até mesmo na religião.
Weber, capitalismo, fé e a relação que move a sociedade moderna
No capítulo II, denominado “O espírito do capitalismo”, do livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber busca analisar o capitalismo e algumas de suas nuances, passando por aspectos do capitalismo tradicional e do capitalismo moderno.
Para definir o que seria a primeira feição deste modo de produção (a tradicional), o autor relembra alguns ensinamentos de Benjamin Franklin, tais como: tempo é dinheiro, crédito é dinheiro (juros), o dinheiro tem natureza prolífica e geradora, “o bom pagador é dono” ou “o bom pagador é dono da bolsa alheia”.
Por outro lado, contrastando com essa visão de simples audácia comercial e inclinação pessoal moralmente imparcial, aparece a figura do capitalismo moderno, do lucro entendido como que por si só, detentor de “um caráter ético de uma regra de conduta de vida”, como dizia Weber.
E esta segunda expressão do modo capitalista é justamente a de nossos dias. É o enriquecer por enriquecer, sem visar qualquer tipo de objetivo maior. É uma verdadeira obrigação imposta pelo coletivo, um poderoso fato social bastante difundido em nossa sociedade ocidental. Para Max, “do ponto de vista da felicidade ou da utilidade para o indivíduo, parece algo transcendental e completamente irracional”. Porém, uma análise mais aprofundada é capaz de mostrar que esta forma de geração de riqueza se constitui num “evidente guia do capitalismo”. Simultaneamente, Weber aponta o paralelismo entre este tipo de raciocínio com algumas ideias religiosas, como as da igreja protestante. Enquanto que a Igreja Católica pregava, e ainda prega, a condenação da usura, os protestantes entendiam o sucesso nos negócios como uma recompensa divina.
Em nossos dias, percebe-se uma intensificação dessa visão de premiação divina. Vemos a globalização cada vez maior, a comunicação em altíssimas velocidades, o dinheiro especulativo a cada momento mais voraz. A cada dia, há menos espaço para o entendimento religioso contrário aos objetivos capitalistas, ao passo que as crises econômicas mundiais são cada dia mais frequentes. É a crescente relação mutualística entre o capitalismo moderno e a fé, misturados e compreendidos dentro de um mesmo modo de pensamento, de estilo de vida moderno e de futuro completamente incerto.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Ética protestante: triunfo do capitalismo
Max Weber praticou uma sociologia que considerava a atuação do indivíduo no processo histórico e que tentava compreender a realidade a partir de conexões das mais variadas possíveis com o passado, não se pautando, portanto, em análises puramente econômicas, mas também culturais sociais e religiosas. Dessa forma, Weber buscou analisar o capitalismo.
Para Weber, o que diferenciava o capitalismo dos outros sistemas econômicos que surgiram ao longo da história era o fato de ele propor uma racionalização da atividade econômica, racionalização essa que tinha por finalidade a obtenção de mais lucro. Ou seja, a atividade econômica sem a finalidade única de satisfazer às necessidades dos indivíduos, mas de também fazer com que eles acumulem capitais.
Porém, apenas a racionalização do processo econômico não foi suficiente para transformar o capitalismo em um sistema hegemônico, pois, segundo Max Weber, a doutrina protestante se mostrou imprescindível no triunfo do capitalismo. Weber argumentou isso ao perceber que a ética protestante incentivava o trabalho e prosperidade econômica ao proferir que isso era um sinal de virtude divina. Isso foi constatado pelo sociólogo por meio de dados que comprovavam que os adeptos das religiões protestantes eram homens prósperos nos negócios.
O tradicionalismo cristão contrário ao lucro e a usura, portanto, encontrou na ética protestante um combatente a sua altura, pois ela foi responsável libertar os homens das amarras religiosas, que impediam o enriquecimento, e universalizou uma conduta antes condenada, conduta essa característica do capitalismo e que o tornou necessário e extremamente seletor ao ponto de eliminar da vida econômica aqueles que recusassem a fazer parte da lógica capitalista.
O Freeganismo contra o Espírito Capitalista
O espírito do capitalismo nos é apresentado no texto de Max Weber como um conjunto de preceitos que se relacionam com a ética protestante através das virtudes por esta defendida.
Para o capitalista, as virtudes são utilitaristas e buscam o lucro pelo lucro; o acúmulo cada vez maior de dinheiro, deixando de lado, se preciso, o próprio conforto para que se possa acumular mais.
Para o capitalismo o homem é virtuoso se trabalhar muito e gastar pouco.
A honestidade é tida como virtude, entretanto tem função prática e não só moral. O homem honesto honra as dívidas e isso lhe concede crédito quando necessário; A confiabilidade jurídica que sustenta o capitalismo deriva da ética protestante que prega a confiabilidade no pagamento de dívidas, e quando tal confiabilidade é ameaçada, crises podem surgir, como por exemplo a relacionada à aprovação de um pacote de medidas pelo governo americano para poder continuar pagando seus credores.
Max Weber afirma que o capitalismo não se implantou naturalmente e que teve de lutar contra a natureza humana, pois, segundo o autor, o acúmulo pelo acúmulo era visto como a mais vil avareza.
Recentemente um movimento social prega uma vida “anti-consumista” e afirma que o fim do homem não é o acúmulo de riqueza. Tal movimento é conhecido como “freeganismo”. O movimento adota práticas como a permuta de materiais, cultivo da própria comida, recuperação de objetos jogados fora e outras práticas que pretendem diminuir o consumo, se possível a zero, e viver de maneira leve e desprendida.
Muitos dos adeptos não trabalham, pois afirmam que o simples ato de trabalhar faz com que o homem se desvirtue de sua natureza, alguns trabalham por alguns períodos para acumularem o suficiente para subsistirem.
A ética do movimento é a representação máxima do “anti-espírito capitalista”. Mesmo que no passado tal espírito tenha sofrido repúdio , tenha sido visto como avareza e tenha conseguido superar tal visão, atualmente ele ainda repudiado por alguns pelos mesmos motivos.
A racionalização da fé a partir da reforma protestante
Com base em “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber, mais especificamente em seu segundo capítulo, é possível identificar a análise feita a respeito da forma com que o capitalismo foi tratado, principalmente quando se desvincula da moralidade católica e alia-se às novas visões da religião cristã.
Ao ganhar a religião como aliada, o capitalismo fortaleceu-se, pois passou a ser vista como meio para se conquistar a “graça divina”. A reforma protestante, portanto, criou terreno para que ocorresse a racionalização da fé, na qual a ideia de acumular capital liga-se à ideia de virtude.
Nasce, principalmente com o calvinismo, a ideia de salvação a partir do trabalho. Uma figura icônica que bem exemplifica o ideal “cultivador” do capitalista protestante é o Tio Patinhas. Típico “poupador”, o desenho influenciou a mentalidade de várias gerações e representa aquele que poupa dinheiro com o objetivo de ter mais.
Essa é uma mentalidade que domina os países anglo-saxônicos mas que não se restringem a eles somente. Historicamente, o modo de produção capitalista é diferenciado pela ideia de racionalização. As racionalizações são caracterizadas como: contábil, na qual há a separação entre empresa e economia doméstica; científica, em que o capitalismo depende das ciências; jurídica, na qual a racionalidade capitalista exerce função motora nas estruturas do direito e da administração; e do homem, em que a pessoa humana é parte do racionalismo econômico tanto quanto a ciência e o direito, por exemplo.
O capitalismo, portanto, a partir da reforma protestante, acabou racionalizando a fé por aliar o sucesso econômico com a busca pela aprovação divina. O “Deus ajuda quem cedo madruga” entrou no cotidiano mundial, e o espírito do capitalismo tomou forma própria, tomando parte não só do imaginário, mas da realidade daquele que quer enriquecer.
Nome: Jackeline Ferreira da Costa - 1º ano Direito Matutino
A busca pelo lucro
O acúmulo de capital, grande objetivo e grande pilar do capitalismo, para ser colocado em prática demanda um grande esforço do indivíduo unido de exímio determinação. Ou seja, para acumular capital o indivíduo deve abrir mão de vários confortos e prazeres em prol de um objetivo "maior", não momentâneo: o acúmulo, enriquecimento.
Entretanto este ato torna-se menos racional e mais fácil quando unido aos valores culturais. Países protestantes apresentam grande exito no meio de vida capitalista uma vez que tal religião engloba valores capitalistas e os justifica. O protestantismo ajudou a moldar o estilo de vida da população assim como sua cultura esta intimamente ligada com os valores e crenças dessa religião.
Sendo assim, mesmo que parte da população de um país protestante não siga tal religião ela convive com uma cultura moldada pelos valores provindos desta. Uma cultura que já leva as crianças a pensar em ter um "cofrinho" e cortar a grama dos vizinhos nas férias de verão por alguns "trocados". Tal cultura foi essencial ao capitalismo e ainda o é. Em adição, a reciproca também é válida, uma vez que o capitalismo incentiva o desenvolvimente e domínio daquela perante outras culturas.
A racionalização da fé: o lucro como ética pessoal e exigência divina
Uma observação inicial do autor diz respeito à associação que usualmente se faz entre anseio por lucro e capitalismo, abordado na obra em sua versão moderna. De acordo com Weber, o primeiro comportamento, comum às mais diversas espécies de ser humano e às mais incomparáveis épocas, jamais poderia ser relacionado ao modo de produção referido, que requereria um diferencial para poder assim ser denominado. Tal diferencial seria a atribuição à uma simples tendência de um “caráter ético de uma regra de conduta de vida” (Max Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo), ou seja, a racionalização de uma postura já anteriormente existente do homem, além da racionalização da produção, da administração empresarial e jurídica, entre outras.
Nesse ponto, então, Weber traz a discussão acerca da relação entre as filosofias das religiões católica e protestante e o possível desenvolvimento ou retração das práticas capitalistas modernas. Ao longo de toda a Antiguidade e Idade Média, a concepção dominante entre os homens era a de trabalhar o suficiente para que seus ganhos pudessem ser utilizados em sua subsistência, lazer e manutenção de qualidade de vida. A moral católica, então preponderante, servia também de alicerce a tal concepção, condenando lucros acima do necessário, como evidenciado, por exemplo, pela aversão à usura e pelos votos de pobreza. A partir do momento em que uma postura economicamente racional como a apresentada pelo capitalismo moderno ambiciona ampla aceitação e desenvolvimento, exige-se também uma libertação do espírito de humildade próprio da ética católica e a inserção dos preceitos protestantes de despojo e frugalidade visando a mera acumulação de capital, a ampliação dos limites do lucro.
A Reforma Protestante, vem, portanto, em um momento em que o advento capitalista pretende concretizar-se, assegurar não só a permissão não concedida pela Igreja católica, mas também a exigência religiosa e divina do progresso econômico, da desenfreada obtenção de lucro em detrimento do desfrute dos prazeres da vida. O ethos racional, inicialmente sustentado por tal fundamento religioso, serve, assim, ao surgimento dos princípios do capitalista moderno, até que, enfim, possa dessa base se desprender e tornar-se um pré-requisito para a permanência e ascenção no mercado, como hoje se configura.
It's evolution baby
Um paralelo interessante pode ser feito entre a teoria de Max Weber sobre o espírito do capitalismo e a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin.
Max Weber faz questão de analisar a ética protestante em sua obra, pois para ele tal ética constituiu o alicerce para a construção do espírito capitalista moderno. Após as publicações de Lutero, a doutrina que se desenvolveu deixava de ver a acumulação de bens como algo temerário ou avarento, mas passava a ver o sucesso na vida mundana como sinal de cumprimento de sua vocação. Ou seja, uma mudança de paradigma religioso fez com que uma nova igreja passasse a doutrinar crentes que tinham como objetivo (mesmo que não final, apenas intermediário, o cumprimento da vocação e a decorrente salvação eram os objetivos finais) o sucesso na vida mundana, ou, traduzindo em termos concretos para o caso dos comerciantes, tinham como objetivo o lucro em si mesmo, sem o despojo das riquezas acumuladas.
Max Weber continua sua análise afirmando que a ética protestante, que se adaptou tão bem ao capitalismo, podia surgir mesmo sem ele, reforçando seu ponto de que tal ética seria o espírito do capitalismo moderno, e não consequência do sistema econômico. Segundo sua análise, esse espírito não tinha nada a ver com a avidez por lucros, essa já existia há tempos, ele se diferenciava era pela avidez com que os que partilhavam dele trabalhavam, não só para manter suas condições de vida de modo que lhes fosse agradável, mas trabalhando incessantemente para acumular mais riquezas como um fim em si mesmo, algo que pode facilmente ser dito como irracional se não considerarmos o conceito de vocação do protestantismo. O autor também lembra que essa ética não foi de nenhum modo facilmente aceita na esfera moral da sociedade, sendo por muitas vezes considerada absurda, mas quando os produtos desses comerciantes chegavam ao mercado com um menor preço e em melhores condições do que os dos comerciantes do sistema tradicional, toda essa repreensão moral era esquecida (Tal qual hoje muitas vezes acontece no embate entre produtos com agrotóxicos x produtos orgânicos).
Weber conclui dizendo que após um número de comerciantes, mesmo que reduzido, começar a trabalhar conforme esse ética de frugalidade e de cumprir o seu dever, todo o resto deve acompanhar esse pensamento ou ser fatalmente passado pra trás no ramo dos negócios. E ainda faz um comentário importante, dizendo que após essa ética econômica ter sido estabelecida, mesmo que seus valores iniciais (vocação e salvação no protestantismo) se percam, ela continua vigente, pois se algum componente do mercado se recusar a praticá-la, outro que se sujeite a ela irá tomar seu lugar e também sua capacidade de se sustentar materialmente.
Agora observemos a teoria de Darwin: nos seus anos de isolamento nas galápagos, Darwin observou o formato dos bicos e os hábitos alimentares dos tentilhões. Com essas observações ele reuniu dados suficientes para desenvolver sua teoria da evolução, na qual ele dizia que os seres de cada espécie que tivessem características mais úteis em seu meio (no caso, a diferenciação de características se dava por meio de mutações genéticas) conseguiriam maior sucesso na busca de alimentos e mais chances de sobrevivência, teriam mais chance de procriar e assim passariam seus genes adiante, prevaleceriam.
Feitas essas considerações, podemos fazer o paralelo entre o embate cultural da ética protestante com a ética tradicional ou católica e a luta pela adaptação da teoria de Darwin. Como o modelo dos protestantes, devido a uma série de fatores peculiares (análoga a uma mutação), obteve mais sucesso no contexto capitalista, rapidamente o tomou ideologicamente e praticamente, tirando a base de sustento de qualquer outro modelo que tentasse combate-lo, o que acarretou no seu perpetuamento, tal qual uma espécie melhor adaptada.
Diferenças culturais formam o mundo e novas ideologias
Toma-se como exemplo a atual situação de vários países islâmicos, quem em virtude da defesa de sua soberania e seus costumes não admitem a entrada de exércitos ocidentais para ajudar a controlar o caos interno despertado principalmente pela revolta da população perante o autoritarismo dos ditadores. Analisando-se pela cultura ocidental, negar ajuda externa em um momento desse parece algo insensato porém deve-se analisar o rigor dos costumes destes países, e a grande repercursão que pessoas com costumes diferentes poderia causar na sociedade e na vigência de tais costumes.
O recente caso de Anders Behring Breivik traz a tona um embate cultural, vinculado a ideias capitalistas como "desenvolvimento" e "progresso". Anders assassinou uma série de pessoas na Noruega e justificou seus atos através de um documento, entre os seus argumentos foi fortemente contra a miscigenação pois conclui,por exemplo, que a “mistura de raças” do Brasil seria um dos fatores que geram a desigualdade social e o subdesenvolvimento do país.
A ação social de Anders ao ser analisada em um país miscigenado como o Brasil causa completa indignação, já ao ser analisadas por neo-nazistas alemães ou em todo o mundo pode condizer totalmente com seus valores.
É essas diferenças que Weber trata, a análise da ação social deve ser feita embasada nos costumes e valores do cidadão que a praticou e não do cientista que a está abordando.
Danielle Tavares, 1º noturno
Ao que bem lhe entender
Um Clero forte, influente, poderoso e mergulhado em grandes riquezas; uma população crente a não enriquecer, a doar, a ser generosa, a viver bem e dormir tranquila - e pobre. Antítese? Ainda pior, sabendo-se que era a própria Igreja Católica que impunha tais lógicas de vida ao seu povo.
Fé e Razão na base do Capitalismo
Em seu esteio usual de análise da ação individual, Max Weber, em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", busca relacionar esses conceitos na sociedade capitalista ocidental, em especial Alemanha e Estados Unidos. Seguindo sua crítica ao materialismo histórico de Marx, o autor pensa na religião como uma outra influência ao desenvolvimento do capitalismo além dos interesses econômicos.
A religião pertence ao âmbito das tradições, uma das quatro influências do agir classificadas por Weber anteriormente, daí parte sua influência na ação individual e, conseqüentemente, na coletiva. No caso das nações capitalistas ocidentais, o cristianismo protestestante, destacadamente o calvinismo, veio a estimular no povo um comportamento acumulativo, próprio do capitalismo, devido às suas doutrinas, mais voltadas à vida prática que as da Igreja Católica, cujo foco da vida está no transcendente.
Reforça a visão do sociólogo o objetivo dos cristãos protestantes pela riqueza em si, não tendo em vista o conforto, como a nobreza católica, uma vez que, apesar dos lucros, mantinham uma vida simples. Esse comportamento, que alguém poderia considerar contraditório ou até mesmo absurdo, condiz perfeitamente com uma prática religiosa e não com interesses econômicos.
Weber, além de priorizar o aspecto cultural do capitalismo, vem ainda adicionar a este um caráter racional. O calvinismo prega a prosperidade no plano imanente como sinal de predestinação à salvação da alma no transcendente. Sobre essa base dogmática, paradoxalmente erige-se uma racionalidade voltada à otimização dos lucros através da ciência. E a aplicação de tecnologia, por sua vez, contribuiu ainda mais para o desenvolvimento dessa racionalidade.