Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
Total de visualizações de página (desde out/2009)
segunda-feira, 28 de março de 2011
O racionalismo cartesiano.
As raízes do rigor racionalista de Descartes
O objetivo de Descartes era de abranger numa perspectiva de conjunto unitário, todos os problemas propostos na investigação científica, sendo que a evidência da própria existência traz uma primeira certeza. A razão seria a única coisa verdadeira da qual se deve partir para alcançar o conhecimento.
Com isso, a ciência, que até então se baseava em qualidades obscuras, a partir do século XVII, torna-se capaz de reduzir o universo a mecanismos mensuráveis, que a geometria pode explicar, eliminando qualquer influência com característica mitológica. Hoje, mesmo que sua visão de mundo apresente sérias limitações, o método que Descartes idealizou, ainda é muito útil na abordagem de problemas intelectuais, possibilitando uma notável clareza de pensamento, o qual proporciona questionamentos sobre a própria origem e visão de mundo.
Cesse tudo que a musa antiga canta
O legado cartesiano
Em tempos de conhecimentos sustentados por aspectos religiosos, místicos e mágicos, René Descartes, em Discurso do Método, evidencia a necessidade dos métodos científicos para a construção do conhecimento, só sendo possível alcançar conhecimento por meio da razão.
Para isso, o filósofo partiu do princípio da fragmentação de conceitos e ideias, com a intenção de atingir verdades primordiais que funcionassem como alicerce para outros pensamentos e verdades. Não satisfeito com os resultados desse pensamento, Descartes fez o oposto. Decidiu que deveria rejeitar tudo aquilo que pudesse propiciar a menor dúvida, com o intuito de ver se, depois disso, restaria algo que fosse completamente incontestável. Porém, diante de tantas indagações sem resposta, julgou todo esse incansável ato de pensar como a única certeza sólida e correta, criando então o seu primeiro princípio com a máxima: ‘’penso, logo existo’’.
Com isso, sempre pensando, Descartes criou o hábito da dúvida e passou a questionar ainda mais o mundo e as suas verdades, de forma que o conhecimento se deparava nos mais diversos labirintos. Refletindo daquilo que duvidava, percebeu que o conhecer era mais perfeito do que o duvidar e, se foi possível que chegasse à essa conclusão, concluiu que havia algo mais perfeito que possibilitou à ele tal conhecimento. Conhecimento esse, que só poderia ter sido colocado nas ideias do filósofo por uma natureza que fosse, de fato, perfeita. À essa natureza, Descartes denominou ‘’Deus’’.
E foi assim, defendendo a busca por conhecimentos sólidos embasados na razão e em conceitos concretos e, ao mesmo tempo, considerando uma natureza superior que orienta o nosso pensamento - Deus - que, de forma antagônica, o pensamento cartesiano sustentou suas ideias e proporcionou o advento da evolução da ciência e do homem.
Além disso, assim como Descartes se utilizou do pensamento socrático durante os seus questionamentos, ao negar tudo aquilo que pudesse propiciar dúvidas -‘’só sei que nada sei’’- é fundamental que o mundo contemporâneo se utilize do legado cartesiano, pois muitos dos entraves atuais poderiam ser trabalhados com os conceitos desse filósofo. Em época de tantas diferenças e heterogeneidades, da mesma forma que Descartes concluiu que a fé e a ciência não são opostos, mas se completam, os conflitos e as diferenças da atual conjuntura deveriam seguir essa mesma perspectiva, possibilitando o desenvolvimento não só da ciência, mas também das relações humanas.
"A velocidade é irrelevante quando se vai na direção errada"
Segundo René Descartes, “os que andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam”. É assim, que o filósofo francês, conduz “O Discurso do Método”, orientado pela razão como forma de superar a superstição, a magia e a alquimia na construção do conhecimento.
Para compreender a fundo sua obra é indispensável levar em consideração o contexto histórico no qual ela foi escrita. Um período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, onde a ciência e a razão ganhavam força em uma sociedade marcada pelo predomínio da Igreja e a exaltação da fé.
Acreditando ser a razão a única coisa que diferencia homens de animais, Descartes busca verdades e princípios de caráter absoluto e imutável dentro da ciência. Descrente do ensino tradicional, bem como da filosofia baseada na tradição clássica, o filósofo sugere um método quase matemático para conduzir o pensamento humano, acreditando ser este um alicerce firme para a construção de algo sólido. Assim, construir-se-ia tudo, do mais simples ao mais complexo, articulando todas as partes, de forma clara, embasada na razão.
Apesar de sua crítica ao ensino da época, exaltava a aprendizagem das línguas, pois as considerava necessárias ao entendimento dos livros antigos, que eram como conversações com as pessoas mais qualificadas dos outros séculos. Descartes reconhecia assim, a importância da leitura para estimular o espírito, fazer crescer, formar juízo de valor e estimular virtudes. Seu método trouxe inúmeros benefícios para a física, a matemática, e é claro para a filosofia.
Descartes criticava também o conhecimento sobrenatural e duvidava de tudo aquilo que era inculcado pelo hábito. Julgava a dúvida como o princípio fundamental do novo método científico. E em oposição aos outros filósofos, acreditava que a razão era superior aos sentidos na busca pelo conhecimento. Tendo por fundamento o princípio “penso, logo existo”, adotou a clareza como critério de verdade.
Em contraposição à busca do racionalismo como caminho para verdade, segundo Descartes Deus continuava sendo o referencial último do conhecimento, considerado um “ser perfeito”. Assim, caminhando devagar, mas no caminho reto, Descartes lançou as bases do racionalismo, sem romper com a fé cristã, tendo como explicação última do método científico uma fundamentação subjetiva, apoiada em Deus.
O Império do Saber
As idéias teocêntricas e antropocêntricas, comumente analisadas como opostos, formam, na verdade, um elo a partir do Discurso do Método de Descartes. O pensador propõe a soberania do saber, da ciência, do conhecimento, não rejeitando, todavia, a existência de um Deus perfeito.
Para que isso fosse possível, era preciso abolir os pensamentos supersticiosos e mágicos da época, como a Astrologia e a Alquimia. Afirmava que a razão científica era essencial, e que a sua verdade era obtida a partir das dúvidas dos seres humanos, o que alimentaria a sede pelo descobrimento de novos conhecimentos, e tornaria claro, assim, verdadeiro o que há, de fato, os cercando. Adicionalmente, era contrário ao pensamento filosófico, que julgava como verdade o que já havia sido percebido pelos sentidos, se opondo, assim, à existência de Deus.
De fato, Descartes trouxe à tona algumas das formas de percepção vistas até hoje, visto que grande parcela da população acredita fielmente na, hoje, chamada ciência, mas não se desapega à existência de um Deus, não perde a fé, e segue doutrinas religiosas.
Diante de tudo, uma conclusão (aos olhos de Descartes) pode ser tomada: a ciência e seus métodos de busca de conhecimento se fazem indispensáveis, e não podem ser influenciadas por conhecimentos alheios à clareza da verdade ou a crenças religiosas. Contudo, a existência da perfeição, ligada substancialmente a Deus, não deve ser contestada, apesar de os seres humanos tentarem alcançar, sempre, e até hoje, tal feito.
Descartes e seu Método
Em seu Discurso do Método, René Descartes vai demonstrando como ia utilizando de forma prática e objetiva (matemática) o seu modo de buscar o conhecimento, através do raciocínio dedutivo. Partiu das dúvidas iniciais sobre a existência do homem e depois, de Deus. "Penso, logo existo" é uma frase célebre de seu trabalho. Marcou de maneira decisiva o caminho que a Ciência adotaria após sua morte.
Em seu trabalho é importante notar que apesar da constatação do homem como corpo e espírito, ele descarta o uso da emoção na concepção do conhecimento. Além disso, o seu método pode ser tido como oposto ao Empirismo, defendido por seu contemporâneo Francis Bacon e que se baseia no raciocínio indutivo. Isso nos leva a perceber que seu método pode fracasssar diante de algumas situações cotidianas. Inclusive o próprio Descartes nos previne em sua obra de que o seu método não é um modelo, que pode ter falhas e isso acaba o eximindo de culpa.
Por fim, embora haja muitas correntes que discutem a produção de conhecimento, o Método ainda hoje é amplamente difundido por conter ricas ideias sobre o bom senso, por exemplo, e sua contribuição para o desenvolvimento da Ciência, a qual denominamos Moderna, é consagrada na História do Homem.
domingo, 27 de março de 2011
A luz da modernidade
Não sei, logo duvido. Duvido, logo sei.
Cartesianismo na sociedade contemporânea
Amanda Rufino Leite, 1º ano direito noturno.
Introdução ao pensamento filosófico moderno
Do Idealismo ao Realismo
O Discurso do Método, publicado na França em 1637 por René Descartes, é considerada a principal obra de ruptura cultural que dá origem à Filosofia Moderna. O texto propõe um modelo sistemático para conduzir o pensamento humano, usando a matemática e o empirismo como bases concretas para se alcançar a verdade. O racionalismo é, para Descartes, a única forma de se combater a superstição, a magia e a alquimia, além de todo o conhecimento duvidoso transmitido pelo hábito.
Nos séculos seguintes, a difusão do pensamento racionalista fez com que a ciência se desenvolvesse de forma muito técnica e, hoje, como um reflexo da utilização indiscriminada de tal método e raciocínio, a nossa sociedade vê essencialmente tudo de forma quantitativa e não mais qualitativa. É devido ao excesso de racionalismo que até mesmo as relações sociais podem ser quantificadas e adaptadas para satisfazerem as necessidades humanas, se o termo ainda for cabível.
Certamente a contribuição do pensamento de Descartes foi enorme e, a partir de seu método, áreas como a medicina e a engenharia no geral são capazes de nos proporcionar uma maior qualidade de vida, bem como longevidade. Porém, ao aplicarmos o método racionalista em todos os aspectos da vida humana, deixamos de lado o romântico idealismo e assumimos o realismo absoluto, desencantando o mundo.
Racionalismo bidimensional e Paradoxo divino
René Descarte, em seu “Discurso do Método”, expõe seu racionalismo ao submeter todas as questões que regem a vida do homem à razão. Para tal, toma por princípio a dúvida, negando, portanto, todas as coisas até terem sua veracidade comprovada pela ciência.
A partir de seu método científico, foi criado o Plano Cartesiano – um sistema de coordenadas capaz de comparar todas as relações humanas através de dados. Porém, tal método seria capaz de considerar todas as implicações e sentimentos decorrentes dessas relações?
O olhar objetivo de Descartes não é o único modo de encarar os fatos do mundo. Tomemos como exemplo o número de divórcios nos últimos anos. Muitos diriam que esse número cresceu devido à menor pressão moral em pedir a separação legal do cônjuge do que na década passada. No entanto, cada caso é singular: adultério, infelicidade, contexto histórico, impulsividade ou monotonia... muitas são as razões para as quais um casamento pode vir a acabar e nem todas são aplicáveis aos eixos x e y.
Quanto a Deus, Descartes, inserido em um momento histórico ainda muito apegado à religião, defini-O como um ser perfeito e completo que deu ao homem o privilégio de pensar e desvendar todos os mistérios a fim de se equiparar a Ele. Quando conceitua Deus, Descartes parte de um princípio não comprovado por ciência alguma além de sua fé; aqui, portanto, há um dilema entre sua crença e seu “método”, que prega a dúvida e a desconfiança. Além disso, se o objetivo humano é a perfeição através da busca do “conhecimento através do conhecimento”, chegará uma hora em que não será necessário Deus, o homem seria auto-suficiente.
Quando o homem se considerar perfeito, porém, será uma prova de sua prepotência e de que muito falta para atingir o status celestial. A acumulação de conhecimento prova que as relações não são estáticas e que o objetivo humano é a insatisfação de nunca alcançar seu objetivo... Eis aí a ironia divina.
Nome: Jackeline Ferreira da Costa – 1º ano Direito Diurno
A Evolução do Racionalismo
Desvendar o mundo cartesianamente
A incompletude cartesiana
Em sua obra “Discurso do método”, René Descartes propõe uma nova base metodológica que viria a sustentar as estruturas da dita “ciência moderna”. Através do racionalismo, muitos mitos responsáveis pela explicação do mundo são rejeitados, além de haver evidente quebra de paradigmas alçados no bom senso humano. Entretanto, é possível presenciar certas lacunas em tal pensamento, a começar pela fragilidade de um construir científico que desconsidera a experimentação. A crença cartesiana no possível engano dos sentidos reduz a razão a um mero jogo metafísico, permitindo a validade absoluta de questões inconclusivas.
Dessa forma, pode-se reconhecer que a ciência praticada nos dias atuais não é a mesma verificada nos postulados de Descartes, cujo teor é mormente filosófico.
A despeito da incompletude da obra, seu caráter revolucionário certamente não deve ser ignorado, pois permitiu uma total mudança no pensar ocidental a ponto de influenciar nossas decisões até hoje.
O método para a conquista do saber
A controversa coexistência entre ciência e religião
O Fundador da Filosofia Moderna
A razão como guia do pensar
Bases do pensamento científico moderno
Desde a dúvida até a verdade
Partindo da investigação, instigada pela desconfiança, de fatos tidos como verdadeiros é que Descartes elabora a obra “O Discurso do Método”. Almejando encontrar o que realmente é ciência, portanto, verdade, o autor traça um caminho sistemático a fim de desvendar os erros cometidos pela aceitação de hábitos ou pressupostos.
Este novo caminho é denominado “método” e consiste em executar ações em determinada ordem visando suprimir lacunas ou solucionar dúvidas relacionadas ao objeto estudado. Entre essas ações encontra-se em primeiro plano a recusa de algo considerado verdadeiro sem ciência total desta condição, isto é, a suposição de que tudo pode não ser verdadeiro até que fique evidente, pela razão, sua veracidade. Em seguida, é proposta uma fragmentação do que surgir como “não confiável” a fim de esclarecer tal problema. Após esta divisão é feito um estudo racional dos pensamentos, iniciando-se pelo mais simples a fim de atingir um raciocínio mais complexo. Então, checa-se o caminho percorrido, metodicamente, para certificar-se de que alcançou a verdade.
Ao relacionar esta obra com a atualidade é notória a utilização de sua essência em diversos âmbitos, desde trabalhos científicos, conforme proposto por Descartes, passando por parte do modelo de assimilação de conteúdo no processo de educação, até a aplicação em rotinas produtivas. Assim, a valorização da razão somado ao processo de conhecimento e ao método de Descartes resulta na condução do pensamento humano de maneira a alcançar as verdades de fato. Isto é, iniciando pela busca clara da verdade são esclarecidas as dúvidas e lacunas durante o processo sistemático, denominado “método”.
O verdadeiro conhecimento
O filósofo defende que no lugar da filosofia especulativa,ensinada nas escolas, o conhecimento dos elementos da natureza deveriam ser aprofundados pois assim seria possível usufruir de seus frutos para o benefício da humanidade. Assim ele nos mostra a ciência como um canal para o bem do homem.
Ao Refletir sobre o que realmente existe, Descartes conclui que o fato de ele pensar em duvidar da verdade das outras coisas faz com que sua existência seja verdadeira, afinal, se ele pensa ele existe.
Outra conclusão a que o filósofo chega é a existência de Deus, pois se ele consegue definir imperfeições alheias e de si mesmo é porque conhece a existência de um ser dotado de perfeição absoluta, pois só com esse conhecimento ele saberia as perfeições que lhe faltam. Além do que , ele não admite o fato de toda a verdade, perfeição e até imperfeições originarem do nada, sendo assim a ideia de um Ser Perfeito é indispensável.
No relato de uma de suas ideias, vê-se a preocupação do autor, que falta aos homens do tempo presente, com o futuro. Segundo ele, nossos cuidados devem se estender para mais longe que o tempo presente. Se o homem atual conseguisse entender a importância de tal atitude difundida por Descartes, o mundo estaria em melhores mãos.
Com estas e outras divulgações em sua obra creio que o filósofo cumpre um dos que era seu maior propósito: colaborar com as ideias de seus leitores após a sua morte. Em sua obra encontramos curiosidade, interesse e cuidados que faltam a grande parte dos homens do mundo atual. Termino a relatação de sua obra citando uma de suas frases, a qual deveria ser incorporada às nossas ideias e objetivos, principalmente no âmbito profissional: "(...)é propriamente nada valer e não ser útil a ninguém.(...)".
Razão, dúvida e verdade
Razão: Sentido Obrigatório
O Discurso do Método, de René Descartes, propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano, uma vez que a matemática tem por característica a certeza, a ausência de dúvidas. Segundo o próprio Descartes, parte da inspiração de seu método deveu-se a três sonhos ocorridos nos quais lhe havia ocorrido “a idéia de um método universal para encontrar a verdade.”
Em toda a obra permeia a autoridade da razão, conceito banal para o homem moderno, mas um tanto novo para o homem medieval (muito mais acostumado à autoridade eclesiástica). A autoridade dos sentidos (ou seja, as percepções do mundo) também é particularmente rejeitada; o conhecimento significativo, segundo o tratado, só pode ser atingido pela razão, abstraindo-se a distração dos sentidos. Uma das mais conhecidas frases do Discurso é Je pense, donc je suis (citada frequentemente em latim, cogito ergo sum; penso, logo existo): o ato de duvidar como indubitável, e as evidências de “pensar” e “existir” ligadas. Além dessa conclusão, Descartes também prova a existência de Deus, especifica critérios para a boa condução da razão e faz algumas demonstrações.
O Método, em seu aspecto de dividir, ordenar e classificar, é a base de muitos conceitos científicos que vieram a ser desenvolvidos nos anos subseqüentes, de grande importância para a humanidade: o sistema de coordenadas cartesiano, o cálculo, a geometria analítica e a disposição estatística em histogramas.
Descartes e a Pós-Modernidade
A aplicação do conhecimento
René Descartes, em o Discurso do Método, tem como objetivo apresentar o método usado por ele para conduzir a sua própria razão. A razão é comum a todos os homens e o que os diferencia é o modo de conduzi-la por cada um.
Ele propõe que haja critérios rigorosos, através da racionalidade, para o pensar humano e que esse conhecimento obtido transcenda o pensar, tendo sentido para aplicação na vida cotidiana.
Independentemente do modo a se obter o conhecimento, o que atrai a minha atenção é a aplicação do conhecimento obtido, é a forma como dirigimos os nossos pensamentos. Atualmente, de modo geral, há na sociedade certa acomodação em que as pessoas não priorizam mais o pensar humano e nem a aplicação do mesmo em suas vidas. Sabemos o quanto é necessária a busca contínua do conhecimento para tentarmos transformar as coisas ao nosso redor. Eu sugiro que gastemos uma parte do nosso tempo refletindo sobre a sociedade e o que podemos fazer para tentar melhorá-la.
Descartes em sua obra o “Discurso do Método” tenta comprovar a existência de um Ser perfeito e sobrenatural, Deus. Para isso, ele inicia seu raciocínio indicando perfeições no mundo real, como por exemplo, a esfera na geometria. Por dedução, Descartes conclui que a existência de algo perfeito no mundo sensível é um indício que há um Ser perfeito no metafísico.
Embora, Descartes seja um hábil defensor da razão, em sua obra ele comunga razão e religião, ao argumentar que existe um Deus que está por trás de toda a ciência feita pelo homem, ou seja, toda a verdade encontrada pelo homem é proveniente de um Ser perfeito.
Com vista no pensamento de Descartes, pode-se dizer que conflitos seculares entre Religião e Ciência, que até hoje fazem parte da sociedade, poderão apenas ser respondidos com a conciliação de ambos os lados. É necessária a aliança da razão e do sobrenatural.
A razão na busca da verdade científica
Além disso, outro ponto que nos chama a atenção é o modo praticamente matemático como o autor consegue tratar assuntos filosóficos e abstratos como alternativas de busca do conhecimento. Não é à toa que até hoje haja o "plano cartesiano" na área matemática, meio pelo qual a organização de dados facilita a visualização dos resultados e as consequentes conclusões.
Deixando de lado a alquimia, a magia, e a intuição no sentido de defender algo cuja existência não tem prova baseando-se apenas na suposição ou especulação de algum pensador, Descartes ganha seu papel iniciando um novo método de pesquisa e busca do conhecimento. A racionalidade e a razão devem a ele sua valorização em uma época na qual a religião possuía fortíssima influência nos pensamentos. Separando um e outro (justamente ao provar Deus, crê-se a liberdade de o filósofo propor seu método) o saber, que foi-se acumulando, conheceu novos caminhos com princípios consistentes que propiciaram tantas descobertas em prol de informações úteis à sociedade.
O método como instrumento na busca da veracidade dos fatos
A razão como único fundamento que nos diferencia dos animais, é o grande instrumento que constrói o método científico, permitindo a elevação do conhecimento. René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, analisa em sua obra “O Discurso do Método” o caminho na busca da verdade dentro da ciência através da razão. Utiliza o método como meio de superar as superstições, criticando o “conhecimento sobrenatural” e o que foi adquirido apenas pelo hábito ou por exemplos.
A observação e os questionamentos são princípios fundamentais na construção de método científico e os fatos indiscutíveis, claros e confiáveis, sem nenhum tipo de suspeita, são os critérios da verdade. Descartes, devido a esse caráter claro e absoluto, propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento do homem.
O autor evidencia também a existência de um Ser perfeito e soberano, que possui tudo o que dependemos e de quem recebemos tudo que possuímos. Esse ser é Deus, e sua existência é indubitável, e nós somos sua imagem imperfeita. Dessa maneira o autor cria certa contradição, visto que, apesar de seu caráter completamente racional, e de não acreditar em valores místicos, acredita piamente em Deus como ser superior.
Para Descartes, o que se diz pensante evidencia a própria existência, remetendo assim ao princípio filosófico “Penso, logo existo”. Visto que, não pode, ao refletir se os seus pensamentos são reais, negar que esteja pensando, pois a mente pode raciocinar sobre coisas de sonho e reais. Portanto, concluiu que tudo deve e pode ser posto em dúvida, exceto o fato de que pensa. É através do pensamento que a racionalidade origina os métodos que evidenciam a veracidade de seus argumentos.

