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segunda-feira, 25 de abril de 2022

O egoísmo positivista


O positivismo de Comte tem um objetivo essencial para a desenvoltura de seu pensamento: a ordem, para ele o progresso da sociedade só pode ser conquistado através da organização social. Ele constrói a sociologia como uma ciência exata, analisando e observando o que ele considera concreto e trabalha a partir dessas informações coletadas, utilizando-as para definir a organização social que o positivismo requer para evoluir. A partir disso, percebe-se o importante lugar que o ser humano ocupa no corpo social, pois - além de integrá-lo e torná-lo existente - é ele que tem a função de manter essa ordem, pois a organização buscada por Comte cria um padrão, que precisa ser seguido por todos para ter estabilidade.

Assim começam os conflitos. O padrão defendido pelo positivismo exige um comportamento normativo dos cidadãos de determinada civilização, um comportamento que por vezes não é compatível com todas as pessoas que integram a sociedade, mas que para o positivismo deve ser seguido mesmo assim. Uma sociologia como essa necessita de um apoio coletivo muito grande, ela requer que o homem coloque o bem-estar social acima do seu próprio, o que para Comte não deveria causar tantos conflitos de opiniões, já que a sociedade é anterior ao indivíduo e apenas ela deve importar, um posicionamento que me faz lembrar da definição de “amor próprio” de Jean Jacques Rousseau.

Rousseau trouxe um pensamento diferente de outros filósofos de sua época, pois também acreditava que a sociedade deveria vir em primeiro lugar, tanto que define que o sujeito que tem amor próprio é egoísta por fazer mais caso de si mesmo que dos outros, enquanto o que tem amor de si mesmo é o que preza por ele sem fazer descaso da humanidade, mas a ideia dele e a de Comte de individualidade fazem com que seus pensamentos se afastem em questão de semelhança. Enquanto Rousseau defende a soberania social de modo que crie um espaço mais igualitário - acabando com a propriedade privada, por exemplo -, Comte espera que os cidadãos mudem para se adequarem ao normativo.

Isso gera uma outra concepção de egoísmo. A defesa de que cada um ocupe um lugar pré estabelecido na sociedade que é inerente ao humano como pessoa leva-os a ter atitudes egoístas, pois ter características (que muitas vezes nascem com os homens) diferentes das consideradas normais faz com que a harmonia positivista seja abalada e manter essas características automaticamente torna-se egoísmo.

Essa é uma ideia que não está distante de nós, é visível que ela é muito presente na comunidade em que vivemos, já que, além da frase na própria bandeira do Brasil ser um ditado positivista, o condenamento que pessoas que não se adequam aos padrões sociais ocorre ininterruptamente. O não seguimento das expectativas investidas no indivíduo antes mesmo de ele nascer gera frustração coletiva, mas é injusto atribuir a culpa dessa frustração a quem fugiu das normas, pois não foi ela que criou noções irreais sobre o comportamento adequado ao cidadão.

Logo, é visto que a subversão dos papéis sociais incomoda, mas o egoísmo criado por tentar se ajustar a um local que não é seu continua existindo, afastando os ideais de ordem do positivismo e transformando a sociedade. 


Beatriz Moraes Rodrigues de Oliveira - matutino

O positivismo na prática

O positivismo é uma doutrina que prega a ordem e o progresso da sociedade humana e que, apesar de tentar acabar com a influência da teologia e da metafísica, é possível perceber que ainda pode ser muito defendida na contemporaneidade por não ter atingido toda sua complexidade como Comte esperava.
É possível perceber facilmente como a metafísica e principalmente a religião ainda tem espaço nas decisões da humanidade. Mesmo após 3 séculos das críticas positivistas a religião continua baseando diversas discussões no campo político, como em casos de casamento homossexual ou o aborto. Dessa forma, é possível perceber que apesar do positivismo ter ganho força, a racionalidade científica defendida por Comte só é usada em quando interessa para determinada parte da sociedade defender seu pensamento. 
Além disso, é também visto que o pensamento positivista reforça discursos autoritários, muitas vezes colabora para ignorar a situação que envolve os casos de crimes, muitas vezes realizados por necessidade, para enfatizar que a lei deve ser rigorosamente aplicada para manter a ordem, fazendo assim com que a situação se repita e consequentemente, como é o caso do Brasil, tendo uma superlotação de presídios.
Desse modo, apesar da ideia teórica promover o progresso da sociedade humana, na prática podemos realizar que não ocorre como esperado, pois ao ser usado de maneira arbitrária somente promove o caos e impede o progresso.

O Positivismo de Comte: Uma breve provocação.

 O Positivismo consiste em uma corrente ideológica que tem como seu criador o francês Auguste Comte, que também é considerado Pai da Sociologia. Durante o período da chamada primeira revolução industrial a sociedade passou por intensas e severas mudanças, como o advento da urbanização, o surgimento das fábricas e dos trabalhadores industriais, as modificações da sociedade de até então foram tamanhas que Comte viu a necessidade de criar-se uma nova ciência, a chamada Sociologia, com o objetivo de interpretar e compreender de forma mais profunda e detalhada a dimensão dessas transformações sociais, e intimamente ligado a esse ciência que estava surgindo, surgia também o chamado Positivismo. O Positivismo, nada mais é do que uma corrente ideológica que engloba os campos da política e da ciência, o qual defendia um tipo de doutrina para a ascensão e progresso da sociedade civil, e a ordenação e o avanço das ciências experimentais, segundo essa doutrina, seriam responsáveis pelo desenvolvimento social da humanidade como um todo, pregando, também, que somente a ordem política e o rigor civil poderiam retomar a estabilidade política que fora perdida com as turbulências político-sociais causadas tanto pelo revolução francesa, quanto pela revolução industrial.

 Outro ponto que é válido destacar é que, o Positivismo de Comte desenvolveu a chamada Lei dos Três Estados, na qual, para Comte, a humanidade culminaria em um estado mais desenvolvido e evoluído, sendo esses três estados: O primeiro é o estado teológico, que consiste no estado em que a humanidade responde aos acontecimentos com crenças e mitos, ou seja, a irracionalidade predomina; o segundo é o estado metafísico, que é o estado onde a humanidade utiliza a lógica e argumentos fundamentados para interpretar o mundo, portanto, o predomínio é o da racionalidade; e o terceiro é o estado positivo, no qual a humanidade busca respostas para interpretar o mundo não apenas em argumentos e em lógica, mas sim na observação rigorosa e metódica dos acontecimentos e fatos, visando assim o progresso da ciência e, por consequência da humanidade. Outro destaque a se ressaltar é que o Positivismo se caracteriza, também, pelas chamadas: Doutrina filosófica, que consiste no estudo de pensadores iluministas e de suas ideias como base do positivismo, e que prega que a educação, além de ter que ser para todos, é a única capaz de garantir o progresso da humanidade; Doutrina sociológica, que consiste no estudo detalhado, metódico e rigoroso do fenômeno social e do funcionamento da sociedade como um todo, sendo também a base para uma formação de uma moral relacionada ao progresso científico, tal que leve o homem a agir para o avanço do humanidade; e a Doutrina política, que afirma que a disciplina e a ordem são os meios necessários tanto individual quanto coletivamente para se alcançar o progresso da humanidade.

 Além de tudo isso, Comte também pregou que o avanço científico deve estar atrelado ao desenvolvimento tecnológico, ademais é válido destacar também a chamada religião positiva que, dentro desse conceito de positivismo e ao contrário das religiões tradicionais que sai baseadas em fé, mitos, lendas e divindades, deve ser estritamente baseada em fatos e em observações metodicamente realizadas pelo homem, sendo de cunho estritamente racional, sendo que nela o homem só deve acreditar naquilo que é capaz de constatar de foram 100% racional, sem a presença de Deuses ou qualquer coisa do tipo.

 Diante de todo o exposto até aqui, é possível constatar que o Positivismo de Auguste Comte é uma corrente ideológica que surgiu junto da Sociologia, e que prega acima de qualquer coisa a racionalidade e a razão, com bases apenas metódicas e de rigorosa observância, sem qualquer interferência não observável, tendo a intenção sempre de pregar pelo avanço das ciências e, com isso o avanço da humanidade como um todo.

Aluno: Otávio Aughusto de Andrade Oliveira
Turma: 1° Ano de Direito - Matutino

Desordem necessária

 É imperioso destacar a importância do positivismo como fonte pioneira em criticar os dogmas que regiam as sociedades antigas. Sociedades essas que eram comandadas por mitos, lendas, histórias religiosas ou pela total anarquia politica. Ao contrário disso, o positivismo se encaixa como doutrina que afasta todas essas crenças e busca apenas a verdade empírica pra nossa realidade. Segundo Comte, somente com essa busca incessante pela verdade resultaríamos em uma sociedade ordenada.

Contudo, é importante notar um erro na retórica positivista abordada por Comte, que é a busca a todo custo pela ordem. A ordem inegavelmente tem importância numa sociedade justa, mas Comte falha quando pressupõe que a mudança é negativa, e que o positivismo basta em si mesmo. É de grande negligência para com as classes menos favorecidas achar que devemos manter a ordem a todo custo e não devemos lutar por revoluções sociais. Claro que em sua geração as realidades eram outras e que seria um erro o julgar, mas o ponto que devemos nos preocupar é na propagação dessas idéias de comodismo social nos nossos tempos modernos. Chega ser engraçado ver como o próprio positivismo foi alvo de subversão, já que hoje os que buscam pela ordem são os mais influenciados por crenças.

Portanto, devemos apoiar o positivismo como idéia que desconsidera mitos e verdades inventadas, mas também é valioso não deixarmos cair em estabilidade política quando a mesma não se apoia na realidade dos cidadãos.


Vinicius Alves. Direito Matutino 1°ano

 Descartes e Bacon: pensadores atemporais


“Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar.”


A citação retirada do livro “1984”, de George Orwell, expressa um conceito inserido dentro das bases epistemológicas da ciência moderna que nasce com o objetivo de ser guiado pela razão. Nesse contexto, inegavelmente os autores René Descartes e Francis Bacon se destacam por suas proposições científicas que se tornaram marcas no entendimento do mundo moderno. 

Para Descartes, a dúvida metódica seria a chave no desenvolvimento de uma ciência, tendo também a clareza como critério da verdade. Já Bacon, por sua vez, além de não enxergar grandes colaborações por parte da filosofia grega, propõe um método conhecido como “cura da mente”, isto é, a regulamentação da mente por mecanismos da experiência. 

No livro, Orwell introduz aos leitores um conceito conhecido como “duplipensar”, que trata-se da ideia de aceitar duas crenças contraditórias ao mesmo tempo, mas sem saber que ambas não se completam. Nos tempos modernos, acredito que existam muitos exemplos desse fenômeno, visto que algumas pessoas confiam na busca pela essência da razão, por meio das experiências vivenciadas.

Em suma, é interessante analisar como fragmentos de ambas visões, mesmo que divergentes em alguns tópicos, perpetuam em nossa sociedade atual. Uma das principais lições que devemos carregar conosco é a existência e a alimentação de nosso espírito curioso, que nos questiona as fontes dos conhecimentos adquiridos ou sobre a procedência da rede de comunicação que levará aquela informação a outras pessoas.


Sarah de Jesus Silva dos Santos 

1º ano - Direito (Matutino)

 O Positivismo e seus impactos ao longo do tempo na sociedade brasileira


É de conhecimento geral que desde o início da colonização, e especialmente nos primórdios da república, a política brasileira sempre foi fundamentada em costumes e teorias filosóficas originárias da Europa, tendo como exemplo o próprio Positivismo. Essa influência pode ser analisada sob diversas perspectivas, em diferentes tempos históricos e em diferentes vertentes compositoras de nossa sociedade. 

Na literatura nacional destaca-se a “ironia machadiana” ao utilizar do Humanitismo como uma paródia do Positivismo, de Comte. Machado de Assis, em toda a sua genialidade, e na voz do fictício filósofo Quincas Borba, cria suas próprias fases (baseadas na filosofia Comtista) que constituem o Humanitismo: a fase do mito, a fase da filosofia e, a terceira fase, marcada pelo racionalismo. Nas duas obras em que a personagem aparece, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Quincas Borba”, é possível encontrar referências que evidenciam a visão do autor diante dessa transição de períodos, comumente acompanhado de seu típico tom sarcástico e crítico.

Através dessa análise, destaco a forma com que o surgimento de uma nova corrente de pensamento de tamanha importância como o Positivismo, normalmente causa polarizações e uma aceitação progressiva dentro de uma comunidade. Machado de Assis não era um apoiador dos postulados cientificistas, racionalistas e positivistas do Realismo-Naturalismo, e utilizava-se de seus romances para testemunhar sua indignação.

Hodiernamente, vivemos uma situação muito similar no sentido que práticas adotadas com o objetivo de promover maior liberdade pessoal e coletiva, bem como reivindicações por direitos considerados básicos a todos os seres humanos ganham cada vez mais força, mas continuam sendo taxadas como ações subversivas ou qualquer outro termo pejorativo. Assim como naquela época, essas exigências anunciavam rupturas radicais, e uma rede de cidadãos mais conscientes em relação aos seus direitos, o que posteriormente poderia resultar em promessas de substituição da forma de poder vigente por formas modernas de autoridade.

No entanto, é importante mencionar que teorias como essa costumam ser controversas pelo fato de apresentarem alguns furos ao, por exemplo, não englobar determinada camada da população em suas considerações essenciais. Por fim, à medida que a sociedade vai evoluindo, novas postulações que se sejam capazes de suprir as lacunas da realidade vivenciada tornam-se necessárias.

Sarah de Jesus Silva dos Santos 

1º ano - Direito (Matutino)

O positivismo e a sua miríade de problemas

O positivismo pretende sistematizar o estudo social, organizá-lo de forma metódica. Para isso, conta com uma série de atributos indicados por Auguste Comte. Tal corrente transfere à análise da sociedade os parâmetros da Ciência moderna, como definidos por Bacon e Descartes, os quais abrangem: o conhecimento fundado pelas experiências; a busca da neutralidade; a divisão em etapas; e o encontro de descobertas úteis e produtivas ao corpo social. A filosofia positiva faz uso de uma abordagem científica e empirista, a partir da qual consolida as Ciências Sociais. Em tal construção, Comte ressalta que a preocupação exclusiva está em obter “as leis efetivas” e as “relações invariáveis”. Ou seja, o pensador procura o que não é alterado, o padrão e as normas da realidade social, enquanto recusa o fundamento e a finalidade das coisas. Dessa maneira, o positivismo tenta originar preceitos inabaláveis e precisos, através do encontro do óbvio e dos laços mais evidentes.

Além disso, a positividade racional preconiza a dependência mútua entre a ordem e o progresso. Nesse sentido, o desenvolvimento técnico e intelectual, a melhoria civilizatória só são possíveis com a existência da estabilidade, do ordenamento das situações. Comte alega que a subversão, daqueles que colocam-se contrários, prejudica a progressão social. As obras dele ressaltam a contribuição da filosofia teológica à moral, por considerar valiosa a imposição de regras gerais ao comportamento, de forma a regular a existência tanto doméstica, pessoal quanto social. Que os modernos tenham se desligado disso é um ponto de frustração ao Comte, o qual acusa-os de possuir “Um cego ardor de emancipação mental” e “Utopias subversivas”. Outro aspecto de destaque do positivismo é o reforço dado ao predomínio da sociedade sobre o indivíduo. Isto é, a felicidade coletiva e a conduta bem regrada preponderam sobre os prazeres e interesses pessoais.

Críticas são com facilidade tecidas ao positivismo. Primeiramente, pode-se citar a depreciação de lutas sociais de cunho popular, que almejam modificar a sociedade a fim da distribuição mais igualitária de recursos ou de proporcionar a inclusão de setores marginalizados. Como tais embates resultam na alteração da ordem, a teoria de Comte as coloca como subversivas e degradantes, pois tentam superar posições sociais predeterminadas e buscam uma nova dinâmica de sociedade. Ademais, o interesse predominante na obtenção de leis inabaláveis e óbvias apresenta alguns problemas. Nesse aspecto, não há a procura pela razão profunda e contextual de uma situação, mas o contentamento com pontos superficiais, sem um raciocínio mais complexo sobre o que está por trás dos dados da realidade. Também não há o reconhecimento da dinamicidade da vivência humana, de que a convivência não é objetiva e imutável, como é repleta de conflitos e de processos de alteração.

Para melhor relacionar a problematização da filosofia positiva a uma situação concreta e prática, é interessante mencionar a Ditadura Militar brasileira. A própria instalação do Estado militar foi feita com base no repúdio aos movimentos e conquistas sociais da época, como as Reformas de Base, que eram ditos “subversivos”, ameaças à ordem e à honra do país. No Ato Institucional Nº 5, é afirmado que a intenção está “no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo”. Com isso, entende-se que segmentos divergentes do credo militar eram atacados por conter, na visão dominante, a ruína do progresso social e da moral. Outro ponto é o que de fato era compreendido como progresso. O Estado militar tinha a pretensão de levar a ocupação ao território amazônico, no entanto, tal feito proporcionou a devastação de zonas da Amazônia, com intenso prejuízo ambiental. Ademais, os povos originários, à percepção militar, tinham de ser incorporados à civilização “desenvolvida”. Tais concepções, que produziram danos severos ao país, possuíram uma base positivista em algum grau. Seja através da noção de progresso como apenas o europeu e industrial e o desprezo à interferência na ordem. Assim, o positivismo, apesar de ter sido o princípio das Ciências Sociais, contém um largo conjunto de problemas.

Alexandra Valle Goi - Direito Matutino - 1º Semestre

A chegada do Positivismo


 Todo degrau já avançado durante os séculos torna o modo de vida humano cada vez mais independente, apartado da natureza, rompendo as cadeias alimentares desde o momento que passou a mudar todo ambiente em volta de si e não adaptar-se como os demais, durante toda sua existência a espécie humana abalou todo o sistema a sua volta, das primeiras fogueiras aos gigantescos monumentos o acúmulo de conhecimento seria imparável em todas as civilizações.

As navegações e a eventual conquista de todo o redor do globo levariam o ser humano a buscar mais e mais informações sobre todo seu mundo .As forças misteriosas que o cercam,os animais,plantas e sons que inicialmente tiveram explicação religiosa passavam a surgir mesmo que de maneira rudimentar em uma nova visão.

A partir deste ponto , as civilizações ficaram maiores ,a população cresce e desenvolve e então quando entramos no contexto de revolução industrial surge o Positivismo. Por influências anteriores mas principalmente pelas mãos de Auguste Comte ,pai da sociologia e um dos principais autores da doutrina positivista. Já não mais se lutava pela sua sobrevivência e agora o foco se torna o entendimento completo , célula a célula, de cada fenômeno,o Iluminismo numa época semelhante já trouxe a valorização da verdade e importância de um pensamento guiado pela razão, o Positivismo traria agora uma abordagem mais materialista também focada no método científico e em como a ciência seria o único conhecimento real.

Como Comte teoriza em sua " Lei dos três estados" nos primórdios da espécie estávamos num estado Teológico ,onde utilizamos entidades para explicarmos nosso redor, deuses,espíritos ou qualquer outra magia era suficiente para aclarar dúvidas. Com os anos uma simples força divina já não era suficiente para que se entendesse a natureza e logo entramos num estado metafísico prezando pela razão e já cercado de um caráter mais realista, até filosófico, mas apenas quando o estado Positivo toma conta que o método científico brilha e temos como conhecimento exclusivamente o que pode ser comprovado.

A doutrina de Comte presa por um aprendizado sólido e altamente testado,inspirado pela revolução industrial e a crise social sua análise trouxe o método visto nas ciências da natureza para uma análise da sociedade, sua obra aborda também como o método Positivo se sobressai comparado ao Metafísico ou o Teológico.

A sociologia ( como seria chamada mais tarde) nascida em Comte mostrava a que ponto chegou o avanço da humanidade , ela já não mais deve voltar seus estudos apenas para criar mais alimentos ou otimizar suas construções, agora deve-se voltar estudos para otimizar a própria humanidade, suas crises criadas com todo o avanço tecnológico e a natureza humana em si , esse estudo é até hoje fundamental e devemos perpetuar e reafirmar sua importância independente das décadas que passem.


Fernanda Tiemi Razera 

1°ano Direito matutino 

Contribuições e complicações gerados por Comte

    O filósofo francês Auguste Comte foi essencial para as ciências humanas, através da criação da doutrina do Positivismo. Essa doutrina tem, inerente a si mesma, a valorização da ordem e do  progresso natural da sociedade, defendendo que ela evolui linearmente com o passar do tempo, de forma que a natureza se sobrepõe às ações humanas.

    No entanto, o positivismo é controverso. Ele foi sim, extremamente importante para dar início ao estudo da sociedade, marcando o início da sociologia e desenvolvendo um método de estudo das relações humanas, ao utilizar o mesmo método das ciências da natureza (com a razão e experiência). Contudo, apesar dessas contribuições, a doutrina também abre espaço para interpretação de absurdos: considerando que a sociedade evolui linearmente, e que todos os seus processos são naturais, seria então a escravidão natural da sociedade? Acontecendo independentemente das alternativas humanas? Evidentemente que não, mas era o que muitos positivistas defendiam.

    Da mesma forma, mais recentemente, o positivismo influencia o Brasil, e ainda de maneira negativa. Não só no "ordem e progresso", da bandeira nacional, como também na famosa frase do presidente Jair Bolsonaro "Brasil acima de tudo". Em ambos os casos o indivíduo é desconsiderado, valorizando-se apenas o todo (no caso o progresso social e o país, respectivamente), sem levar em conta as especificidades humanas e a origem de cada um.

    Assim, percebe-se que o positivismo tem seus pontos positivos reconhecidos, mas não se pode deixar de lado seus pontos negativos, que tiveram influência, inclusive, no nazismo, no contexto da Alemanha em que se considerava natural a superioridade dos povos germânicos. Revela-se, assim, a "faca de dois gumes" que até mesmo contribuições essenciais para a humanidade, podem vir a se tornar.

    

Fernando Alee Suaiden - 1°ano Direito matutino

Por que a extrema direita cresce no mundo?

 

Escrevo esse texto em 2022, e muito já aconteceu desde a eleição que garantiu à Jair Bolsonaro o cargo de presidente de nosso país e de muitas outras figuras ganharem espaço entre a população, como Donald Trump nos Estados Unidos e Marine Le Pen na França. Atualmente, são inúmeras as denúncias que esses governantes recebem. O leque é bem grande, tem-se denúncia de corrupção, de negligência durante a pandemia de covid-19, de desmatamento ilegal e muito mais. Entretanto, muitos cidadãos ainda os defendem fervorosamente, por quê?

O positivismo possui a resposta. Essa corrente científica filosófica surgiu com a intenção de criar leis que funcionariam no mundo social assim como as leis de Newton funcionam no mundo da física. Assim, o pensador dessa teoria August Conte a criou para controlar grandes mudanças na sociedade. Afinal, ele acreditava que era preciso uma certa “ordem” na sociedade para se alcançar o “progresso”. Ou seja, quando surge algum tipo de mudança da sociedade, a tendencia é reprimir. Agora, a questão é:  O que isso tem a ver com o crescimento da extrema direita? E a resposta é: Tudo.

Nos últimos anos no Brasil e no mundo, tem se observado uma luta por direitos até então renegados. O movimento por respeito e igualdade de pessoas negras cresceu muito, as mulheres cansaram de serem vistas como inferiores, as populações LGBTQIA+ passaram a exigir seu lugar por direito na sociedade e os povos indígenas levantaram de vez a bandeira pela preservação de suas terras. Com tudo isso acontecendo em países que possuem bases históricas racistas, patriarcais, heteronormativas e defensoras do “progresso”, uma parcela da população que era favorecida com a antiga norma social sente-se ameaçada pelo novo.

Nesse ponto, nenhum crime de Bolsonaro, Trump ou Le Pen é levado em consideração. O importante é que eles defendem a família tradicional composta por homens e mulheres, a religião cristã e outros valores antigos. Para muitos defenderem Bolsonaro significa defender uma ordem social que acreditam estar correta. É exatamente dessa maneira que o positivismo age, ele procura sempre proteger o status quo e proibir qualquer tipo de subversão as antigas tradições.

Portanto, quando muitos movimentos sociais surgem, eles criam uma fissura no status quo. E para se defender de uma nova ordem social muitos reagem fortemente. Em suma, apesar de todas as atrocidades vividas até agora, eu tenho esperança, afinal, se estão reagindo é porque o primeiro passo para a mudança já foi realizado.

Heloísa Salviano. 1° ano de direito-noturno.

Positivismo como limitador social

        A corrente filosófica positivista iniciou-se no século XVIII, mesmo período da ascensão de inúmeras revoluções, em destaque a Revolução Industrial. Tal movimento ocasionou um intenso êxodo rural para as cidades, levando ao agrupamentos de famílias - que até então estavam acostumadas a viver no campo, cultivando apenas para subsistência e convivendo somente com os parentes - em um território delimitado pelas indústrias, tendo de trabalhar e conviver em conjunto com suas divergências de crenças, criação e costumes.

Em virtude de tais diversidades, foi-se necessário a criação de uma lógica a fim de manter esta nova sociedade em ordem em prol do convívio social, desse modo August Comte instaurou o Positivismo. Corrente da qual tinha como objetivo organizar toda coletividade através dos princípios científicos, ou seja, usando a razão e o empirismo, com intuito de concretizar a ordem e o progresso do organismo social.   Mantendo esses novos cidadãos e trabalhadores padronizados para as fábricas e para a coabitação, a partir de dogmas e papéis representativos na sociedade. 

Primordialmente, as atribuições surgiram como meio de padronizar situações e pessoas, ocasionando a repetição de determinado comportamento e pensamento até que os mesmos se tornem uma norma a ser seguida socialmente, ao mesmo tempo que condiciona a comunidade excluir os que fogem desse conceito. Como exemplificação dos papéis sociais pode-se citar o ambiente de trabalho (do século XVIII e dos dias contemporâneos), onde há uma divisão e hierarquização explícita e um comportamento esperado do proletariado, que será refletido em seu cargo. Não deixando espaço para indagações e revoluções. 

Em suma, o positivismo surge como um meio de criar uma base para o convívio em sociedade, onde apesar das diferenças de criação, crenças e hábitos; Todos mantenham uma mesma linha de raciocínio e transferência de ideais para seus descendentes, não possibilitando grandes divergências no coletivo e evitando grandes revoltas, suscitando uma sociedade conservadorista, com receio da mudança. 


   oɐ̰ɔɐıɹɔ ɐ ǝ soɐɔ o

  No início, só havia o Caos: na mitologia grega, esse deus primordial representava a origem, a Criação; o princípio fértil e engenhoso da desordem. Essa alegoria do caos enquanto um mecanismo de renovação pode ser facilmente transposta para realidade quando se observa as subversões do ordenamento social provocadas pelas grandes revoluções ao longo da História: da Revolução Francesa à Revolução Russa, a desestruturação e ruína deram lugar a novas concepções e modelos de vivência, partindo do caos como princípio para a criação. Apesar desse conceito de renovação contínua da vida e da sociedade se manifestar das mais diversas formas ao longo dos séculos, essa ideia de quebra da ordem nem sempre é compreendida como natural ou adequada: Auguste Comte, filósofo da teoria positivista, parte do pressuposto de que a Humanidade deve reconhecer suas limitações e se contentar em definir a realidade a partir do empírico e verificável, construindo a partir disso um ordenamento sistemático e útil que deve ser preservado em uma busca pelo progresso

  Nesse sentido, faz-se necessário explorar a insuficiência dessa teoria em sua tentativa de explicação e definição do real. É evidente que tentar equacionar a Humanidade, definindo-a a partir de uma simples relação entre os fenômenos, de forma a encontrar “leis” gerais como nas ciências exatas, mostra-se de uma grande ingenuidade sob uma análise contemporânea. Essa visão limitada de estabelecer que tudo que não é aparente não deve ser levado em conta pode ter sido uma ferramenta funcional nos primórdios do desenvolvimento da sociologia, estabelecendo parâmetros práticos de ciências já consolidadas, mas mostra-se ineficaz na atualidade em compreender uma realidade complexa, de diversas demandas étnicas, sociais e de gênero das diferentes culturas que coexistem.

O problema central da questão explicita-se na permanência do pensamento positivista, ultrapassado em séculos, na gênese da sociedade brasileira. Com uma forte base positivista durante a formação do imaginário republicano nacional, há uma clara confusão entre moral e pragmatismo: o que é de mais simples compreensão a partir do ordenamento social estabelecido, representando apenas uma faceta mais evidente da expressão em sociedade, é considerado como um fundamento moral absoluto, do qual os desviantes são vistos como “subversivos". Essa visão preguiçosa e simplista da existência de uma realidade única reforça preconceitos e violências contra minorias e movimentos sociais diversos, em uma tentativa de reprimir o “desviante”. Assim, os problemas abundam: não se enxerga a instabilidade e insatisfação como uma oportunidade de melhora e renovação, mas sim enquanto um desvio ao que já foi consolidado e, portanto, uma ameaça ao progresso.

  Portanto, se a ordem pode ser castradora e um instrumento de repressão, o que é considerado subversão e caos pode, na verdade, conter uma semente de liberdade e criação. A simples existência de grupos minoritários e de movimentos que os defendem já indica avanços na questão de direitos e, portanto, na construção de uma sociedade mais igualitária. O simbolismo do caos, no fim, representa a renovação necessária e natural às demandas e às vivências humanas.


Isabella Neves- matutino, 1° semestre

domingo, 24 de abril de 2022

Comte e o Positivismo como influenciadores do conservadorismo brasileiro

 Comte e o Positivismo como inspirações para o conservadorismo brasileiro

Tema: Como o positivismo apresentado por Comte possui um papel de inspiração para o moralismo do movimento conservador no Brasil.

Com a ascensão dos movimentos conservadores e moralistas, tais ideologias ganharam certo destaque nas atenções de todos ao redor do mundo. Entretanto, será que as características mais sutis destes movimentos e as suas inspirações negativas advindas do positivismo comtiano recebem atenção na mesma proporção que os discursos de massas constantemente presentes nestes movimentos? 

A resposta para a pergunta colocada anteriormente necessita, primeiro, de uma análise á respeito de quais seriam essas influências comtianas no conservadorismo brasileiro. O positivismo de Comte, entre outros fatores, dá um destaque para a questão de moralidade e da ordem como pontos extremamente importantes para o triunfo do positivismo como física social, pontuando principalmente como a moral tem a função principal de manter a ordem, com contrário também podendo ser aplicado, e quando essas duas funções atuam de maneira harmônica, o progresso, sem se desfazer da moral e da ordem vigente, é alcançado, ou seja, a estaticidade de conceitos considerados considerados corretos moralmente é necessário para manter a ordem que em resultado levaria ao progresso. Assim, fazendo uma menção direta à própria bandeira brasileira e aos discursos amplamente difundidos Brasil afora, o discurso de ´´Ordem e Progresso´´ ultrapassa a esfera do discurso de Comte para estar presente na bandeira brasileira e na boca de muitos brasileiros. Entretanto, essa faceta moralista apenas esconde uma necessidade de muitos brasileiros em manter privilégios conquistados às custas de uma história nacional manchada com sangue de pessoas inocentes, mesmo que, ás vezes, de maneira automática e não consciente.

Portanto, existe uma grande influência do positivismo comtiano nos movimentos conservadores brasileiros, sendo que muitos dos conceitos positivistas presentes no conservadorismo brasileiro escondem a necessidade de manter os privilégios presentes na sociedade brasileira e, para responder a pergunta feita ao início do texto, percebe-se que essas características não recebem o mesmo destaque que os discursos de massa feito por ídolos destes movimentos, pois caso houvesse uma consciência á respeito da origem destes conceitos presentes nos movimentos conservadores e moralistas, provavelmente, muitos de seus seguidores que sofrem com tais ideologias pensariam duas vezes antes de manter a sua defesa á tal bandeira ideológica.

Nome: Pedro Henrique Cleis de Oliveira

Turma: Matutino


Positivismo no Brasil: mais de um século de efeitos

 

    A partir de Auguste Comte, a sociedade da época como um todo estava experimentando o nascimento de uma visão científica voltada para a ideia de progresso aliada ao pragmatismo humano. Foi inclusive essa visão que acabou inspirando em muito a construção do ideal de ciência na modernidade e posteriormente, na contemporaneidade.

    É possível encontrar na porta do Templo da Humanidade no Rio de Janeiro,  fundada no final do século XIX no Brasil como a “Igreja Positivista do Brasil”, a célebre frase: “os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos”. Além dessa, outras citações como “O amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim” demonstram exatamente como esse positivismo chegou a influenciar fisicamente (na construção do templo) e principalmente na formação do pensamento social.

    Em relação à frase da porta do templo, em que é montada uma ideia de perseverança da ordem, é possível notar como ela acaba se comprovando na atualidade: mesmo após a morte de Comte, anos após o surgimento do positivismo, é possível identificar um fenômeno de conservadorismo no mundo que ainda evidencia remanescentes do pensamento positivista. O comprometimento com a manutenção dos ideários tradicionais e o choque em relação às transformações que acontecem no mundo são alguns desses remanescentes que podem ser citados.

    Já a segunda frase, que inclusive inspira o lema da bandeira do Estado Brasileiro, a palavra progresso é trazida e relacionada diretamente com a ideia de ordem, no mesmo sentido de manutenção dos valores já encrostados na sociedade.

    No entanto, o pragmatismo e, na atualidade, conservadorismo do pensamento contemporâneo influenciado pelo positivismo entram em confronto com diversos trâmites que seguem para a melhora de condições de parcelas marginalizadas no ambiente social, simplesmente por não estarem de acordo com esses “valores” defendidos pelo conservadorismo. É aí que a ordem passa a ser questionada se é ou não real sinônimo de progresso.


Pedro Henrique Falaguasta Nishimura - 1º Direito Matutino

Ordem e progresso ?

 

Apesar do nome e do lema aparentemente progressista, o positivismo na realidade não se enquadra nessa característica. Inaugurado por Augusto Comte, o movimento prega que a ciência é um recurso para o progresso da sociedade, pois segundo ele o “o espírito positivo é mais apto que o espírito teológico-metafísico”, ou seja, o positivismo representa a superação da exclusividade da estática (ordem) regida pelo domínio teológico. Além disso, o positivismo busca leis invariáveis da natureza sem muita análise profunda.

 A famosa frase da bandeira do Brasil “ordem e progresso” deriva dessa época, porém apesar de interpretações erradas, não representa uma visão revolucionária. O positivismo representa o conservadorismo, predominando a visão de que as coisas devem se manter da forma que sempre foram de acordo com a ética e a moral, embora não vinculadas à visão cristã. Outro ponto dessa filosofia é o amor à sociedade, no sentido de que a sociedade é mais importante que o indivíduo e que o cidadão deve sacrificar suas vontades e suas crenças para manter a sociedade funcionando em ordem, sem intervenção de ideias revolucionárias. Essa linha de pensamento representa a atual situação do Brasil, a solidariedade social, de viver em razão dos padrões da sociedade e condenar tudo que saia disso.

Portanto, o Brasil atual mantém esse pensamento de conservar os velhos costumes da sociedade e critica as condutas que fogem do padrão, taxando de promíscuas e rebeldes as pessoas que não seguem essa filosofia, mesmo que muitas vezes apenas reivindiquem seus direitos. Nesse sentido, uma vez que comportem dessa maneira, a sociedade sai de seu “eixo” natural, rompendo assim com o progresso, no sentido de estar em um movimento contínuo, porém nunca para frente e sim como se fosse um ciclo. Em suma, para Augusto Comte devemos continuar com as mesmas posturas reacionárias para evitar uma desestabilização da sociedade.

Do novo ao velho

     Sob o contexto da proclamação da república e a implantação de um novo modo de governo, instaurou- se a necessidade de construir uma nova identidade para o Brasil. Visando a construção de uma unidade nacional, criou-se os símbolos da República, os figurativos, tal qual Tiradentes, e concretos, como o hino nacional e a bandeira, que contou com influência de uma grande corrente teórico filosófica: o positivismo.

    Representada pelo lema gravado na faixa central da bandeira nacional, a teoria desenvolvida por Augusto Comte prega exatamente o que foi escrito na ocasião, “Ordem e Progresso”, ambos coexistindo de forma a manter a estabilidade da sociedade em questão. Baseada na racionalização da moral, buscava- se um mundo guiado pela razão, ordem e progresso, no qual os indivíduos ocupariam seus “lugares sociais”. O que propagava-se como uma nova perspectiva e análise da sociedade, todavia, se instaurou como mantenedor de um Status quo elitista, excludente e segregacionista.

      Com o desenvolvimento do capitalismo e o crescimento de uma classe burguesa e operária ficou evidente as desigualdades entre as populações e os males que afligiam mais umas do que outras. Sob esse contexto, os movimentos sociais em busca de melhorias e reivindicações começaram a surgir, mas dentro do viés positivista propagado, tais passaram a ser considerados como “subversivos” e destruidores de uma organização social já vigente, o que não era positivo, uma vez que destruiria a ordem social e, consequentemente, minaria o progresso.


       O lema que buscava instaurar uma nova era na sociedade, dessa maneira, serviu de base para a manutenção dos velhos costumes, privilégios e discursos conservadores. Ignorando as necessidades, a racionalização da moral fez com que se perdesse a sensibilidade com aqueles que não podem mais permanecer em seus respectivos lugares sociais e com que não se enxergasse que, na verdade, as mudanças sociais são passos importantes tanto para a ordem de uma sociedade quanto para seu progresso.

Ana Laura Murari Silva
1o ano - Direito matutino

Como o positivismo é capaz resumir todo o espírito de uma era

 

O positivismo de Comte, nascido em meados do século XIX não podia melhor sintetizar a era que se iniciara algumas décadas antes e da qual ainda não demos conta de sair. A Europa do final do século XVIII era revolucionária; a das próximas décadas do século seguinte já possuía uma estrutura mais ou menos fixa, tendo atingido ao menos em parte os anseios dos revolucionários franceses e ingleses do século anterior, que derrubaram reis e entregaram o poder ao povo (ao menos à burguesia), o velho mundo já se estabelecia de um modo mais conservador, com pouco interesse de mudança. O mundo já estava em certa ordem.

É nesse momento que as ciências, em especial as naturais se desenvolvem de maneira impressionante, físicos, químicos, biólogos, astrônomos, todos eles descobrem fórmulas e leis gerais capazes de desvendar os segredos do universo, dominar a natureza e compreender racionalmente o mundo. As ciências humanas, por outro lado permaneciam no campo do que não era considerado propriamente científico, até que um filósofo francês propusesse uma ciência que estudasse, com o rigor do método científico de Descartes e Bacon, a sociedade. Assim nascia a filosofia positiva, um embrião da sociologia que mais tarde seria desenvolvida.

Comte sintetizou em sua filosofia todo o espírito de uma era – que ecoa até os dias de hoje e parece impregnada na consciência coletiva – racionalista, antropocentrista e, principalmente pragmática. As classes dominantes de meados do século XIX não eram apenas a aristocracia e a realeza, que, sempre tendo estado em posições favorecidas podiam se dar ao luxo de filosofar, de pensar nas coisas belas e nos problemas sem a menor intenção de propor soluções viáveis, muito menos de resolvê-los. Entrava agora em campo uma nova classe, que saída das camadas populares vinha ganhando poder econômico e consequentemente político. A burguesia não se importava como os nobres com coisas etéreas, imateriais e que não tinham uma finalidade prática que pudesse lhes gerar lucro, o que interessava aos burgueses eram soluções para seus problemas cotidianos. Ou seja, precisavam de uma filosofia pragmática e a de Auguste Comte serviu perfeitamente para isso.

O positivismo, como física social não se interessa em entender o “porquê” das coisas, basta saber como funciona e para o que serve e se não servir para nada, então não precisa existir. Assim surge um pensamento altamente pragmático e cercado de métodos (influências de Bacon e Descartes) para compreender tudo o que importasse na sociedade.

    Além disso, agora que a burguesia já tinha em suas mãos uma importante fatia do poder na Europa, ela devia tentar mantê-lo de todas as formas, ou seja, a classe que algumas décadas antes tinha decapitado reis e criado novas formas de governo era agora conservadora e precisava manter a ordem em que o velho mundo estava. Comte mais uma vez traz a base teórica para os novos poderosos: a ordem é fundamental para o progresso e essas são as características de sociedades modernas e civilizadas. Era exatamente disso que precisavam: manter a ordem em que as coisas estavam e conseguir mais e mais progresso para suas fábricas.

Assim, fica evidente que o positivismo não só descreve a Idade Contemporânea, abarcando todo o seu período, da Revolução Francesa aos dias de hoje, como também foi de suma importância para que essa ordem se estabelecesse globalmente até a atualidade.


Maria Júlia Magalhães Leonel, 1º ano direito matutino 

O positivismo é positivo?

 

Corrente sociológica surgida no século XIX baseada na aplicação de métodos científicos, surge com o avanço da Burguesia, tendo influências da Primeira Revolução Industrial como também do Iluminismo, em busca de conhecimentos verdadeiros sobre a sociedade.

Auguste Comte é considerado o pai do positivismo, tendo como argumentação que o conhecimento científico é o melhor conhecimento para identificar problemas sociais e compreender melhor a economia, educação e sociedade; em busca de alcançar a ordem e progresso através da ciência. Sendo assim considera que o estudo da sociedade deva ser rigoroso tão quanto as ciências naturais, surgindo de tal modo a sociologia que estuda a ciência universalmente válida, baseada na experimentação, explicação dos fenômenos sociais e apoio ao conhecimento científico.

O positivismo valoriza a ciência, tendo por objetivo fundar uma sociologia verdadeiramente científica; deixando de buscar a essência das coisas como ocorria ao decorrer da Filosofia Antiga. Agora ao relacionar fenômenos, tem como máxima a ideia Baconiana de que “Somente são reais os conhecimentos que repousam sobre fatos observados”.

Pode-se considerar o estado positivo como o último estágio da construção do conhecimento, sendo o primeiro o teológico voltado a explicação do mundo a partir da experimentação comumente relacionado a deuses e o segundo o metafísico relacionado a explicações relacionadas a elementos naturais. Dentre suas leis, se obtém na lei estática condições orgânicas de que dependem determinadas funções, podendo-se citar como exemplo normas, hierarquias, moral e a família (presididas geralmente pelo teológico). E a Lei dinâmica que se caracteriza como a marcha efetiva do desenvolvimento humano, ação efetiva. Sendo assim a filosofia positivista representa a superação da ordem estática do predomínio teológico, considerando ser a moral religiosa contrária a essência da vida social moderna, tendo por sociedade algo passageiro.

Ao contrário da moral católica o positivismo prevê a interferência da sociedade sobre o indivíduo, levando a uma moral propriamente humana, assim a felicidade associada ao bem público se sobrepõe ao individual de felicidade, sendo a solidariedade centro da organização social positiva. O trabalho então passa a ser considerado como expressão privilegiada da sociedade, sendo digno de reconhecimento, como se observa na doutrina Calvinista, adotada por uma maioria burguesa.

O positivismo pode ser observado dentre muitas situações a exemplo dos clássicos da literatura brasileira como em “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo, que passa a retratar a realidade como ela é despida de qualquer idealismo, como também na política tendo sua máxima no escrito “Ordem e progresso” encontrado na bandeira nacional do Brasil.  

Contudo há de se considerar que nem sempre se alcança o progresso através do positivismo visto que esse, apenas observa e relaciona fenômenos, não obtendo um papel crítico a cerca dos fatos ocorridos, portanto deve-se questionar se há necessariamente que haja ordem para que se obtenha progresso? Bem como se considerar o contexto em que tais falas se aplicam, visto que ideal possa ser relativo e segregador.

 


Clara Letícia Zamparo

Direito - 1° ano, matutino 



 

 

Comte como recepcionista das almas no submundo

     Augusto Comte trabalhava no pós vida. Assim como qualquer outra pessoa que, em vida, foi excepcional, influenciou vários povos e futuras gerações e mudou a visão da sociedade como um todo. Com seus estudos e teorias sobre o Positivismo, nada mais justo que o próprio tivesse esse direito. Seu emprego era, por falta de exemplos mais compatíveis, de recepcionista. Mas não qualquer um, pois ele era o recepcionista das almas dos mortos no Submundo. Já trabalhou como adestrador de cachorro para cuidar dos chacais de estimação de Anúbis, ajudante de Valquíria, que levavam as almas dos heróis até Valhalla, e até poleiro de pássaros, para que os corvos de Morrigan pousassem em seus braços depois de se esbaldarem em carniça. Hoje trabalhava para o próprio Hades, considerava uma evolução.  Nada mais satisfatório que provar suas teorias usando a si mesmo de exemplo, afinal, se todos aceitassem seus cargos, dados por seres superiores, e seus lugares sociais, como ele fez, suas existências seriam contempladas com algum favor dos deuses.

Era estranho pensar em criaturas divinas e, ainda pior, em um contingente de servos presos em um estágio teológico impossível de escapar, sem chance de progresso. Por sorte, Comte era um indivíduo evoluído e conseguia perceber as falhas daquela sociedade fantasmagórica. Tão evoluído que, um dia, seria um dos Grandes Juízes do Submundo, aqueles que decidiam para qual Campo as almas recém-chegadas iriam: de Punição, para pessoas impuras e impiedosas; de Asfódelos, um território neutro para pessoas insignificantes; e os Elísios, lugar apenas para os mais honrados heróis. Augusto gostaria de ser um Juiz, mas não teria ambições tão exorbitantes, faria o trabalho braçal com honra e aceitaria convenientemente o momento em que seu valor fosse reconhecido. Daqui uns séculos, talvez, os deuses o agraciariam.

Falando em Juízes, havia um julgando as últimas almas do recebimento mais recente do barqueiro Caronte. O positivista estava surpreso, fazia um tempo que não aparecia uma figura tão inusitada: uma mulher relativamente jovem, da pele negra e usando calças. Ela contava sua história, filha de pais pobres, lutava para conquistar um lugar em uma faculdade conceituada e morreu atropelada quando tentou salvar um gatinho no meio da rua. Seu destino foram os Campos Elísios, o que Comte considerou um absurdo. Como pode uma pessoa que renega seu papel social predefinido e colabora para uma situação de conflitos, impedindo a evolução de sua sociedade, ser tão bem contemplada? Uma mulher que estuda e trabalha? Quem cuidará da casa? Pobre que almeja grandes conquistas? A sociedade ficará desequilibrada, pois ninguém irá fazer o trabalho braçal. Uma pessoa deveras egoísta, nem um pouco solidária, pensando apenas na felicidade própria e mesmo assim ganhando tão grande recompensa.

         Aparentemente, o espírito do Juiz ainda não amadureceu, pois parecia incapaz de entender a falta de lógica e de ordem na situação. Antes que o recepcionista pudesse reclamar, um político cristão apareceu. O homem era um corrupto que utilizava violência para permanecer no poder, e foi banido para a punição eterna. Justo, para Comte, pois ele impedia o acesso da população à política, único poder que deveria ser acessível a todos, além de ser completamente imoral, corroborando um regresso social.

Após isso, veio outro homem, dessa vez um europeu, que utilizava seu poder econômico para levar o progresso às sociedades mais atrasadas no século XIX. Quanto mais ele falava sobre avanços tecnológicos, humanidade moderna e ordenada, com estruturas definidas e rigorosas, leis efetivas e relações invariáveis de sucessão e similitude, mais os olhos de Comte brilhavam. Quando a condenação foi o Campo de Punição, o brilho se apagou completamente. Era basicamente sua teoria em ação, uma sociedade desenvolvida, estudos sociais tão racionais quanto o da gravidade e o progresso sendo alcançado, não havia nada de errado. Depois, o positivista descobriu sobre como sua análise foi realmente utilizada, apenas como desculpa para interesses próprios, e lhe restou apenas rir de sua tolice, imaginar que algum dia um grupo de humanos seria tão perfeito quanto na teoria. No fim, levou cada alma para o portão de seu Campo destinado, sem pestanejar. Comte, então, decidiu passar o resto do pós vida apreciando e estudando as sociedades vindouras, pois elas tinham muito a ensinar. 



Micaela Mendonça Herreira - Direito noturno - 1o ano        



  

"Ordem e Progresso" expressão estampada em nossas bandeiras é também o lema do positivismo. O grande símbolo do Brasil que a cada dia vem perdendo sua força , para correntes religiosas e pelo misticismo, que por sua vez está impregnado nas raízes de nossa sociedade afetando assim a política.

  O estado Laico, um dos pontos mais afetados pelo enfraquecimento do positivismo, tem deixado sua marca na política e em vários aspectos da sociedade, como a saúde e a educação. Quando o ponto de vista religioso, que prega uma única opção de gênero e sexualidade como a correta e o mesmo toma à frente de assuntos como a educação, podemos observar diversas falhas na ideologia religiosa e quando alinhada com a educação resulta em muitos problemas sociais,  como a exclusão e a destilação de ódio que e sofrida por diversas minorias. 

 Nas questões ligadas à saúde,  temos alguns casos que deveriam ser apenas julgados pelo ponto de vista cientificista, como a distribuição de preservativos nas escolas e o aborto. Porém políticas que deveriam ser focadas somente na saúde pública acaba sofrendo a resistência de parte da população que colocam suas crenças à frente do bem público. Muitas dessas ideologias são apoiadas e perpetuadas por políticos de nosso próprio país,  que por sua vez se esquecem do verdadeiro significado positivista de nossa bandeira " Ordem e Progresso".


Gustavo Brunelli Esteves , 1° Ano Direito Diurno.

Positivismo, seu ônus e bônus

A corrente filosófica conhecida como positivismo fundada por Auguste Comte trouxe diversas inovações em sua época, ela quebrou com os paradigmas sociais ao romper com a ordem teológica e estabelecer o seu espírito positivo. Para Comte, ainda que a Igreja tivesse universalizado a moral, ela não se fazia correta pois aspirava algo sobrenatural, algo que vai contra o foco do pensador nas experiências terrenas baseadas na ciência. Baseado na vida em sociedade, Auguste acreditava que o progresso, ordem, o rigor e o empenho fossem essenciais para o avanço de uma organização social e assim, essa visão também passou a ser aplicada em assuntos das Ciências Sociais.

Essa visão de mundo se espalhou para todos os cantos do globo e certamente alterou a história da humanidade ao possibilitar um impulsionamento tremendo em tecnologia e industrialização. Porém, como tudo, o positivismo possui o seu ônus e seu bônus. Ao visualizar as relações humanas somente como fatos, números e aquilo que são no momento, sem pensar nas origens de certos comportamentos e situações, se descarta a tão essencial ponderação do por que e do como.

  Atualmente, o pensamento positivista ainda é bastante comum e, apesar de ser “bom” nas áreas tecnológicas, ele é nocivo na área social, visto que uma de suas características básicas é a ordem (palavra inclusive vista em nossa bandeira), algo que não raramente é quebrado em prol de mudanças importantes. O impedimento do chamado progressismo causado por esta visão pode ser visto, por exemplo, em casos que a fim de manter o que se considera ser a ordem, políticos e juízes se recusam a refletir e a auxiliar em causas significantes. Ainda mais claramente, pode-se citar o caso de juízes do estado de Pernambuco que se recusaram a participar de um curso antirracista.


João Pedro Menon
1º Direito Diurno

Progresso pra quem?

 



 
 

O positivismo se mostra uma ideologia que, embora pareça superada em algumas perspectivas, parte de preceitos que estão muito presentes no nosso cotidiano, principalmente no Brasil regido pelo bolsonarismo militaresco. A ideia de progresso positivista, finge abarcar a sociedade como um todo, no entanto, se mostra apenas uma forma de hierarquizar posições sociais a fim da preservação do status quo. Assim, tem por intuito manter grupos historicamente marginalizados em seus lugares “naturais”.

Quando observamos o governo federal com seu discurso “Brasil acima de todos” vemos praticamente o lema positivista transcrito. Seu intuito é mostrar que qualquer reivindicação daqueles que não se encaixam no seu ideal de Brasil, é menor, o questionamento de qualquer indivíduo à moral imposta deve ser subjugado em nome da pátria, em nome da ordem universal. 

Esse ideal de nação é problemático, pois é focado em noções hegemônicas que excluem o diferente, com apagamento sistemático de raça, classe e gênero. O positivismo se manifesta não só uma ideologia profundamente conservadora, como também, profundamente antidemocrática, dado que preconiza que a moral deve prevalecer perante o poder popular. Assim como o atual governo, que impõe a sua moral hegemônica e literalmente destrói e deslegitima os espaços populares de questionamento e de crítica à sua gestão, como universidades, setor cultural, imprensa, entre outros. Cabe a nós o questionamento, esse é o progresso que queremos? 

 

 

Luiza David F. Neves – 1 º ano Direito Matutino 

A INFLUÊNCIA DO POSITIVISMO PARA O MENOSPREZO DAS CIÊNCIAS HUMANAS

 A influência do positivismo pode ser vista em diversos lugares, mas um de seus principais pontos de influência se encontra no ramo das ciências associados com a ideia de avanço. Entretanto, “ciência” pode ser considerada um termo vicioso, uma vez que, na realidade, essa corrente corrente filosófica acaba gerando uma valorização apenas das ciências naturais e exatas. Desse modo é preciso entender as justificativas e as consequências desse tipo de viés nocivo.

Primeiramente é preciso entender como essa corrente promove essa ideia, tendo em vista que a principal forma desse preconceito advém principalmente do método positivista. Este, não  busca a essência das coisas, mas apenas a vinculação entre os fenômenos, o que dificulta a imposição das ciências humanas, as quais tem menos resultados “objetivos” quando comparada às outras áreas científicas. Tal diminuição também é acentuada devido ao espírito de conservação, o qual é uma forma de se manter certo “status quo” na sociedade, o que vai diretamente contra as ciências humanas e suas "balbúrdias" mediante certas desigualdades.

 Além disso, é preciso entender como essa visão de mundo promove medidas antidemocráticas. Isso porque, afirmar a inexistência do racismo nos dias atuais é reafirmar práticas preconceituosas contra essa população, o mesmo pode ser afirmado em relação às questões da mulher e dos indígenas, por exemplo. Ou seja, a manutenção de certas ideias impedem uma maior igualdade social.

Conclui-se, portanto, que a influência dessa filosofia , apesar de promover a ciência, promoveu a desvalorização das áreas de ciências humanas, principalmente de cunho social. Logo, é importante saber a forma como essa visão científica é enviesada. Apenas assim será possível entender certos retrocessos promovido por essa visão.



Paulo Henrique Illesca Da Costa - 1º ano de Direito (Matutino)