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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A hostialização de Marx



A dialética ascendente de Marx
expurgou os idealismos hegelianos e religiosos do espectro que circundava a Alemanha e
proporcionou a dialética hodierna entre os marxistas e os marxizantes.
Os primeiros, alçando o autor num pedestal, evangelizaram seu nome e suas ideias,
petrificaram-nas
e sem qualquer manutenção foram dadas, às hóstias, por infindos redutos que
trancafiados em séculos de conhecimento
não os adequam à realidade.
Ignorando a própria expressão de Marx quando lhe coube a frase
“(...) a realidade deve igualmente compelir ao pensamento.”,
discípulos marxistas,
mesmo escutando horas à fio da rebelião de seu timoneiro contra as religiões,
ópio do povo, segundo ele,
agora dão a ela uma nova roupagem com sua ideologia.
Travestidos marxistas, fanáticos religiosos.
Mais uma vez, quando Marx expõe o êxito da reforma luterana:
“não se tratava (...) da luta do leigo com o padre fora dele, mas da luta contra o seu próprio padre interior”,
contemporiza-se em seus discípulos atuais.
A petrificação de uma ideia e
a germinação de uma ideologia,
possibilitam que a transposição do ideário para a realidade não se faça.
A luta, então, por hora, é o desenraizamento,
é a briga de cada marxista atuante contra seu próprio interior.
Por fim, aos marxizantes,
os quais souberam amalgamar Marx,
unam-se.
A revolução só se dá pra quem se deu!

Leonardo Henrique de Oliveira Castigioni
1º Ano Direito - Noturno

Em Meio a Teses Antitéticas, Um Ônibus Atrasado e o Cerne do Mal

    O não mais tão jovem Tese acordou de bom humor. O sol entrava pela janela emitindo um feixe de luz que tocava graciosamente a escrivaninha, enquanto pássaros cantavam uma doce melodia. O mindinho passou longe do pé da cama e o café estava perfeito. Comodamente terminou de se aprontar e saiu do apartamento.  O mundo ali fora parecia estar diferente. Não lhe agradava. Não gostava de mudanças...
    Parado no ponto de ônibus, observava, sem ver, o mundo a seu redor, absorto pela melodia que radiava pelos fones no ouvido. Corpos padronizados passavam em sua frente e juntavam-se à espera, folhas de árvores passavam voando guiadas pelo vento em uma dança estonteante, um cachorro passava guerreando com um gato sagaz cuja astúcia e agilidade conferiam-lhe sempre a vitória. Tudo passava. Tudo, exceto o ônibus.
    E com o passar do tempo também esse pareceu parar de passar. Ergueu os olhos entediados e definitivamente sentiu o tempo parar. Aquele único momento em que as folhas pararam no ar gentilmente beijando o vento, e cão e gato se encaravam com algo que não parecia ódio nos olhos. Um único segundo que durara uma eternidade. E quando o segundo passou e foi por fim capaz de ouvir os ruídos emanando dos fones novamente, sentiu o chão deixar seus pés sem alicerce e a sensação de que cairia em meio àqueles olhos. Ela era estonteantemente linda.
    “Prazer. Antítese”- Ela disse, enquanto Tese tentava se recompor e forçava-se a parar de olhá-la como se fosse algum tipo de psicopata, ou talvez (e melhor descrevia) um “demente”. Retribuiu o cumprimento, buscando com dificuldade as palavras para se apresentar, mas conforme a conversa caminhava, mais facilmente as palavras lhe saltavam da boca. Não precisou muito tempo para perceberem que eram completos opostos. A conversa fluía e tudo estava bem, mas era visivelmente evidente o quanto eram diferentes.
    Passado mais um segundo, o ônibus apontava virando a esquina. O silêncio pairava em meio aos dois, que se encaravam, tal qual cão e gato, com algo que não era ódio nos olhos. Mais uma vez o segundo parou e ela o beijou. Durante aquele materialismo dialético, ambos perceberam a ironia da vida. Nem sempre ideias contrarias são danosas e prejudiciais. Muitas vezes o são, e dilaceram umas às outras sempre tentando se impor. Fazer valer a sua própria verdade, eliminando a concorrência. Mas o fato é que duas ideias convergentes nunca levaram a humanidade a lugar algum. O motor que move o mundo é conflituoso e independente de se o gato odeia o cão, o que importa é a presença do conflito. Ideias diferentes, lábios diferentes, se tocando gentil ou selvagemente, sintetizando um novo mundo.
    A tese do Capital parece odiar a antítese Socialista. Talvez seja hora daquele segundo duradouro paralisar o tempo, enquanto Capitalismo e Socialismo se encaram com algo nos olhos. Um toque gracioso de lábios e um entrelaçar de almas, sintetizando a eficiência capitalista com a filosofia ideal do bem social socialista. Mas talvez o homem seja ganancioso demais e prefira vencer uma guerra aniquilando um adversário a estabelecer um acordo com um aliado. Talvez seja otimismo demais pensar que ambas as teses sejam assim tão completamente diferentes. No final, tudo acaba se resumindo à natureza do homem. E um lobo faminto precisa comer.
    Um certo Marx acreditava que somente através da revolução armada seríamos capazes de evoluir (sob a perspectiva darwinista) enquanto sociedade. Mas feita a revolução proletária, realizado o aspecto braçal do serviço, quais mentes seriam responsáveis pela manutenção da sociedade instaurada? De uma forma ou de outra, acaba-se sempre dependente da boa-fé de um grupo seleto de indivíduos. Indivíduos por natureza corruptíveis e corruptos. O sistema capitalista se adaptou tão bem na sociedade hodierna porque reflete o espírito do ser humano: poder e violência. Não é o sistema capitalista, o monstro apocalíptico que precisa ser decapitado. O cerne de todo o mal que assola a humanidade, ontem, hoje e amanhã, sempre foi, é e será a própria humanidade.

Abner Santana de Oliveira. 1º Ano, Direito-Noturno
A MALEABILIDADE DO DIREITO


A superação, realizada por Marx, da dialética Hegeliana foi muito importante para a decorrente história do pensamento alemão haja visto que a dialética materialista de Marx se pautava na ideia de mudança daquilo que, com o passar do tempo, torna-se insustentável, isto é, para Marx a síntese não é um ente abstrato e diferente da tese e da antítese, como era para Hegel, mas sim um resultado da antiga ordem, sendo que este já estava contido de alguma forma na mesma.
O Direito se encontra em constante transformação, e esta pode ser analisada a partir da dialética marxista. O mesmo pode ocupar duas posições na dialética, a de tese e a de síntese, tal relação se dá justamente por conta de suas constantes transformações. O Direito em sua forma positivada e atual é a tese, mas a partir do momento que se encontra em choque com alguma antítese (essa podendo ser algum contexto econômico, movimentos sociais, demandas populacionais ou internacionais) passa por modificações e a nova forma que o mesmo vai adquirir é uma síntese, e quando essa se consolida, torna-se novamente uma tese.
Podemos analisar a situação do Direito Brasileiro, desde o governo petista até o atual governo Temer, a partir dessa dialética. Na época dos governos Lula e Dilma tínhamos um direito positivado (tese) com muitas restrições as demandas dos movimentos sociais, que foram vistos, pelo governo como principal antítese que deveria reorientar o Direito, e assim surgiram diversas sínteses, como a união homoafetiva, formalização do mercado de trabalho brasileiro, a criação de programas sociais inclusivos entre outras. Contudo, o atual governo de Michel Temer deixou de enxergar as demandas sociais como antítese principal do Direito, e passou e ver as demandas das oligarquias nacionais e o capital financeiro internacional como as essenciais para redefinir o rumo do Direito e tal situação tem gerado sínteses como a reforma da previdência, a reforma trabalhista, isto é, diversas medidas  de austeridade sobre o povo brasileiro.

Sendo assim podemos concluir, a partir da dialética Marxista, que o Direito, dependendo do momento e do contexto pode variar para abismos totalmente opostos e que, encontra-se, de certa forma, muito submisso aos interesses daqueles que detém o poder e logo torna-se inegável a grande instabilidade, relatividade e principalmente a maleabilidade do Direito, tal fato faz do mesmo uma ciência imprevisível, seja no contexto instável brasileiro, ou até no contexto mundial, flutuando entre teses e antíteses. 


Catherine Recacho Loricchio. 1° Ano, Diurno  

Bolsonaro: a construção de um messias

"Como haver democracia em uma terra onde seu próprio povo não respeita e venera seus heróis". Esta frase, dita por um oficial da Polícia Militar, representa uma maneira de ver o desenvolvimento histórico como consequência de ações de pessoas iluminadas, líderes que guiariam a sociedade para o progresso. Segundo esta perspectiva, a abordagem histórica nos apresenta um imaginário repleto de Darios e Alexandres, Getúlio e Castelo Branco. Omite-se, assim, os sistemas de poder dos quais estas figuras históricas são representantes. A figura de "herói" é idealização, os sistemas de poder formam a base material.
Com o materialismo dialético, Marx & Engels propõem um novo olhar sobre a história humana: ela é a síntese de relações de forças antagônicas (tese e antitese). Getúlio Vargas seria o representante de um grupo descontente com a política do café com leite, assim como Castelo Branco seria o representante de um grupo que estava insatisfeito com as propostas do governo de João Goulart. Esta percepção histórica pode nos ser muito útil atualmente ao nos depararmos com o fenômeno Bolsonaro, uma vez que podemos analisar as condições materiais que levaram ao crescimento da figura do Bolsonaro enquanto "herói". Ou seja, antes de nos atermos em criticar a figura do Bolsonaro, convém compreendermos o seu público, as pessoas com quem ele dialoga, pois é por causa deste público que o fenômeno Bolsonaro existe. Antes de criticar a idealização Bolsonaro, compreender e criticar a base material: seu público.
Assim, ainda que o uso do materialismo dialético enquanto metodologia de previsão histórica seja arriscado, o seu uso como ferramenta de compreensão da realidade é necessário e urgente.

Aluno: Luiz Henrique de Moraes Mineli (Noturno)

Será que eu to fazendo Direito?

Curso de Direito...
Eu tô fazendo direito?
Descartes, Bacon, já li,
mas cadê Angela Davis e Saffioti que eu não vi?
Tudo bem, não vou dar surto,
sei que o cronograma é curto...
E mais ainda pra dar voz a quem nunca teve.

Materialismo histórico:
Capitalismo, capitalismo...
E machismo, racismo?
Os outros “ismos” que ninguém deteve?
Estão aí fora até há mais tempo
Também são contratempo da evolução.

Em nome dessa aí, fizeram um gesto:
O Estado burguês de Direito moderno...
...que tá mais pra inferno.
A tal social-democracia...
Preferia que fosse Anarquia!

Caro Sr. Dr. Jurista,
grande especialista,
fica pisando em ovo,
até a linguagem te afasta do povo.
Precisa folhear dicionário pra escrever texto?
Ou é pretexto pra mascarar sua insensatez?
Mas óh, quero voz dessa vez...
Eae Direito? Cê serve a quem mesmo?
Haha... Cê serve aquém mesmo.

São muitos anos na caverna.
Acende a luz aí.
Vamo acabar com essa baderna.. 
Moderação? 
Vish, esquece...
Eu quero mesmo é revolução!

Lauriene Ellen Borges de Bem- 1º Direito ( Noturno)

A custo de quê?


No atual modelo de sociedade ocidentalizada e capitalista temos o mundo funcionando tal como uma máquina, de maneira que cada individuo acaba por se tornar uma simples peça, podendo ser facilmente substituído a qualquer instante. O trabalho tende a se transformar o centro de toda sua vida, fazendo com que a vida pessoal e suas opiniões apenas orbitem em torno de seu emprego. Mas será que todo esse sacrifício atrelado ao trabalho realmente vale a pena? Vemos o crescimento do subemprego, vemos pessoas abrindo mão de seus direitos e trabalhando horas seguidas em condições desumanas a custo de quê? Essa massa trabalhadora recebe em troca de todo seu esforço um salário que não corresponde ao que produz. Nesse ponto, podemos citar conceito de mais-valia de Marx, que afirma que quem produz a riqueza é o proletário, porém quem a detém é a classe dominante: a burguesia, uma minoria poderosa.

É evidente que o capitalismo não é um sistema justo. Essa contradição decorrente da mais-valia gera sempre uma desigualdade muito grande, onde uma minoria concentra sob si todo o lucro enquanto a maioria padece do essencial. Obvio que em vários momentos esse sistema se torna insustentável, justamente por causa dessa diferença entre lucro e poder de compra da maioria. É nesse momento que surgem as crises, a margem de lucro cresce constantemente enquanto o poder de consumo da massa está em detrimento. Como exemplos não podemos deixar de citar a crise nas economias industriais europeias que se iniciou em 1876 e a crise de 1929 nos Estados Unidos.

Podemos concluir que sãs crises são inevitáveis no sistema em que vivemos, por esse motivo as guerras acabam surgindo, sendo vistas por muitos como um mal necessário, uma vez que absorvem toda mão de obra desempregada e assim elimina essa grande massa excluída. Aí fica claro o quanto a vida humana se torna descartável no capitalismo, as pessoas se tornam coisas, produtos que quando não são mais uteis podem ser jogados fora.


Érika Luiza Xavier Maia- 1° ano Direito Noturno


Socialismo Utópico e a ameaça à hegemonia Capitalista



O mundo contemporâneo tem sido marcado pelo predomínio do  modo de produção capitalista. O que gera como consequência que as mazelas do mundo sejam quase todas análogas às desse sistema ou até mesmo que sejam causadas pelo mesmo. Realidade que cria, crescentemente e com o decorrer das eras, uma aversão à essa ordenação produtiva vigente.
Um dos maiores problemas desse sistema é o seu apego  ao individualismo. De maneira que ele suprime os ideais coletivos, gerando mais exclusões, sejam elas sociais, físicas, psicológicas, e menos inclusões. Gerando, numericamente, uma parcela de indivíduos excluídos majoritária em relação às demais dentro da população.
            Em meio a esse panorama que surge a maior ameaça à hegemonia do sistema capitalista : o socialismo científico. Por sua vez, ele ataca os maiores erros e injustiças do outro sistema, defendendo a grande maioria da população : o proletariado. Justificando-se pelo fato de esse setor ser a base de uma sociedade, responsável pela produção de todo e qualquer produto a ser usado interna e externamente.
            O socialismo utópico ainda acrescenta, através de um de seus idealizadores, o filósofo revolucionário alemão Friedrich Engels, como a obsessão pelo lucro e individualidade cegam o capitalismo. Cometendo injustiças, uma vez que “obcecados pelas árvores, não conseguem ver os bosques” (ENGELS, Friedrich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico).
            Devido à esse toque na ferida, na injustiça capitalista que o socialismo tem ganho cada vez mais adeptos por todo o mundo. Sua promessa de revolução, de alteração nas desigualdades faz com o movimento ganhe cada vez mais força, ao ponto de ser considerado ameaça à própria hegemonia capitalista. Causando medo e repúdio, levando a alterações políticas repentinas como a que houve no Brasil em 1964.

Aluisio Ribeiro Ferreira Filho - 1°Ano Diurno

Dicotomia capitalista


 
 
 





V. nasceu condenada

Pobre, negra e com pais drogados

Fadada ao determinismo

Oprimida e marginalizada

Não estudou, trabalhou

Seus sonhos foram contidos

Em uma fábrica encontrou abrigo

Refém de um sistema excludente

Produz sistematicamente

 

Já Joana Sarti não nasceu, estreou

Rica, branca e com pais letrados

Fadada ao sucesso

Enaltecida e vangloriada

Estudou no exterior

Seus sonhos foram incentivados

Em uma loja encontrou abrigo

Algoz de um sistema excludente

Consome sistematicamente

 

 

Isadora Mussi Raviolo - 1º ano Direito Noturno
 
Minha filosofia, minha vida

Por muito tempo a filosofia permaneceu como instrumento dos poderosos, sendo utilizada para convencer as massas de seu papel social e econômico, sendo extremamente passiva. Entretanto com Marx e Engels esta deixa de ser uma mera explicação do mundo para tornar-se a justificativa de mudanças estruturais.
Apesar da grande comoção que tais ideias possam causar, inspirando discursos inflamados e discussões acaloradas, as mesmas se destacaram primeiramente por seu teor racional. A dialética marxista, ao desenvolver o materialismo histórico, permitiu a análise tanto da história como da sociedade atual sob um viés diferente daquele antes usado. Sua lógica (simplificada) é a seguinte: o modo de produção funciona como base da ordem social. Por exemplo, quando a atividade econômica é baseada prioritariamente na agricultura a tendência é de que os culto religiosos girem em torno dos plantios e das colheitas, educação precária daqueles que moram no campo, maior valorização dos laços familiares, etc.
Deste modo a dependência dos trabalhadores em relação aos meios de produção torna-se óbvia, visto que deste depende seu sustento e sobrevivência, e sua dependência em relação aos donos destes meios demonstra-se perigosa. Em sistemas liberais algumas famílias tem em suas mãos o destino de centenas de milhares de outras menos afortunadas, abrindo-se brecha para a exploração sem comedimentos.
Logo, nas mãos de Marx e Engels, a filosofia complacente dá lugar a uma outra enérgica e transformadora, capaz de convencer tanto as massas proletárias quanto uma elite intelectualizada, estabelecendo uma máxima universal que incentiva revoluções por todo o mundo.


Aline Ferreira do Carmo    1 ano Direito- Diurno

domingo, 10 de setembro de 2017

Seu preço

Maria nasceu
Pobre
Marginalizada
Oprimida
Sem oportunidades na vida
Trabalhou e se de esforço o máximo que pode
Mas o Brasil está em crise!
Patrão a demite, mante-la pode fazer com que não consiga pagar seu cruzeiro final de ano, seria um absurdo!
Ela procura outro emprego, não tem sucesso
Filha chora de fome
Maria chora de desespero
Filho adoece, precisa de remédios
Desespero aumenta
Maria se vê sem opção
Vai para o caminho da prostituição
Foi obrigada a se vender
A vender sua decisão de escolha
Pessoas colocam sobre ela um preço
Que sistema é esse onde pessoas viram objetos?
Onde o rico explora o pobre se justificando : “ você teve sua chance, somos todos iguais perante a lei, somos todos igualmente livres para tomar nossas decisões"
Que sistema é esse onde o explorado pensa que tem culpa de sua condição?
Maldita seja a falácia da  meritocracia

Brenda Schiezaro Guimaro - Diurno

Minorias são o novo “preto”’

Vive-se uma sociedade em que ativismo social na mídia se tornou rentável, uma maneira que a burguesia encontrou de manipular as massas para manter o seu status quo e como previsto no manifesto comunista, os grandes industriais modelam um novo meio de família tradicional para lucrar em cima disso, a partir dos desejos de movimentos sociais e assim abafar o quê realmente ocorre na exploração do mercado sobre o proletariado.
            Trazendo visibilidade a temas como os de gênero, pautas LGBT+ e raciais, mas essa visibilidade só ampliou o mercado consumidor que versa Marx em sua obra, houve a saturação de certos padrões de beleza eurocêntricos que inflaram o mercado mundial, fazendo com que houvesse a necessidade de expandir para novos mercados, no caso o das minorias, apesar da visibilidade nestes ambientes serem de extrema importância no combate a ignorância contra tais assuntos,  estas propagandas e produtos ainda assim não são acessíveis a uma grande parte da mão de obra que constrói esse mercado.
            E temas de cunho social deveriam ser pautas do Estado para regular e educar a população como detentor do poder Supremo junto a lei, mas por conta do sistema atual em que os Estados vivem, o Mercado e o Estado tornaram-se intrínsecos, fazendo com que uma tonelada de pessoas batam palmas para indústrias que possuem maior renda que o continente africano e mesmo assim não consigam adquirir tais produtos por conta da desigualdade salarial daqueles que os empregam, junto a uma conivência silenciosa do Estado sobre os abusos os quais este participa.
            Uma constante busca pelo sonho americano de liberdade e consumo, bombardeados de forma sonora e visual, incluindo a pressão social que acabou-se criando nas sociedades modernas por conta dessa cultura comercial que é implantada nas mentes mais jovens, novamente a obra O Manifesto Comunista trata de como a cultura de determinada localidade é utilizada como meio de alienação e consumo, como se fazem hodiernamente discussões sobre a cultura negra, comercializando cremes para cabelos crespos e cacheados, venda de lenços para turbantes e roupas com estampas tribais. Esta exploração cultural não é para exaltar os negros e seu legado, mas apropriar-se deste movimento, expandi-lo, vende-lo e satura-lo, esvaziando toda a sua carga cultural e tornando-o mais um produto fútil e adestrando o povo como verdadeiro gado.
            Como foi feito com o movimento hippie nos anos 70, este grupo que pregava a liberdade sexual, amor a natureza e aos seres, um verdadeiro contraponto a política opressora americana que guerreava contra o vietnã, utilizavam de bandanas e festivais para propagar seus ensinamentos de forma sútil e compromissada com os ideais. Entretanto, após alguns anos, o movimento político foi reduzido a festivais de músicas caríssimos, bandanas que são propagandeadas em videoclipes para adolescentes, e todo aquele amor a natureza foi transofrmado em roupas que utilizam de couro animal e petróleo, não passando de um câncer, uma hipocrisia ambulante que se paga muito, para ter um look vintage e na moda.
            Exatamente por estes fatores que na obra o autor verifica a inevitabilidade das crises no sistema capitalista-burguês e gera constantemente a irritabilidade do operário, pois sua cultura é amassada, usada, cuspida e reduzida, enquanto que suas vidas não saem da lama social em que são cada vez mais puxados para baixo por meio de dívidas e hipotecas para manter a busca pelo sonho americano e padrões de primeiro mundo, isso se acumula e implode numa luta entre classes que se torna futuramente no comunismo após a ditadura do proletariado.



 Alexandra de Souza Garcia 1° Direito/noturno

É "dois pesos e duas medidas" que fala, né?

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (...)"Constituição da República Federativa do Brasil (1988).

A Vera trabalha na minha casa há mais de 10 anos. Me viu crescer, me ama como filha, fazia tranças no meu cabelo antes de me colocar na van para a escola e quando eu volto para a minha cidade, já na faculdade, ela faz a macarronada que eu adoro e diz que a casa fica vazia sem mim. Ela mora em um bairro relativamente perto do meu e que, nem de longe está entre os mais perigosos e marginalizados da cidade, tem sua casa própria, reformou a cozinha e o quintal esses tempos atrás, possui carro e moto.
A Vera tem uma irmã e essa irmã tem uma filha, a Luana. Luana foi morar junto com um cara, e ele estava envolvido com tráfico de drogas. Falando assim parece um negócio barra pesada, de gente ruim. Meio Pablo Escobar. Na real ele vendia maconha, nada demais, e definitivamente nada novo sob o sol. A Luana e o namorado foram presos. Agora ela já saiu, pegou 6 meses porque era ré primária. Ele, por ser reincidente, pegou 5 anos de prisão. 
Eles estavam com 1,8kg de maconha.
Eu poderia dar o exemplo de qualquer playboy filho de emprésario/político/ator/médico/advogado que foi pego com mais droga que isso, com drogas muito mais pesadas do que essa e tão ai: livres, leves e principalmente soltos. Mas acho que vale a pena falar do famigerado caso do helicóptero do Aécio Neves - aquele que custava 2 milhões de reais e transportava 450kg de cocaína. 
O cara se candidatou à Presidência da República - e quase ganhou.
Ainda teve gente colando adesivo de "a culpa não foi minha, eu votei no Aécio" no carro.
É muito fácil e muito cômodo ser branco, nascido em família rica e neto de ex-Presidente (mesmo que por poucas horas). O mundo foi feito pra te ajudar, moldado para te atender. Até as instituições que se dizem imparciais, como a Justiça.
Se fosse eu numa situação dessas, era capaz que eu me desse bem. Branca, classe média alta, portadora de um sobrenome de origem europeia e de família de fazendeiro, filha de servidores públicos federais e sobrinha do médico legista chefe da região. Acho que eles aliviariam um pouco para o meu lado. 
É lindo estar na Constituição o princípio da isonomia. Agora, experimenta nascer pobre, negro e filho da irmã da Vera, uma empregada doméstica semi-analfabeta, ou filho da mãe do namorado da Luana, uma ex-prostituta soropositiva, pra você ver se ele é aplicado na prática. 

Lara Estrela Balbo Silva
1º ano - Direito Noturno

Exploração, ganância, desigualdade e demais males do sistema capitalista

Do início das civilizações, desde os tempos mais longínquos, uma característica marca as sociedades: seu formato estamental, em forma de pirâmide, onde muitos possuem pouco e poucos possuem muito. Não importa qual civilização, sempre existia os exploradores e aqueles que eram explorados, apenas muda-se os nomes. Nas sociedades antigas, como na Roma antiga, existiam os Patrícios e os escravos, na Idade média existiam os Senhores feudais e os servos, e no desenrolar da Idade Moderna, com a implementação do capitalismo e do modo de produção industrial, surgem os Burgueses e os proletários.
Conforme dito na música “Savages” de Marina and the Diamonds:
“É a sobrevivência do mais apto
Ricos contra os pobres
No final do dia
É uma característica humana
Escondida bem no fundo do nosso DNA
Por trás de tudo, nós somos apenas selvagens
Nós somos apenas animais ainda aprendendo a engatinhar”
Porém, discordo de um ponto. Animais procuram usufruir apenas o necessário para sua existência. Estando na natureza, todos são igual e convivem de forma equilibrada, cada um exercendo sua função. O homem primitivo viveu durante muito tempo da mesma forma que os animais, no período pré-histórico, alimentando-se do que achava no solo, colhendo, e trabalhando pelo seu próprio benefício. Com o tempo, a percepção, que o convívio coletivo e a instauração de comunidades e famílias facilitariam as atividades cotidianas. De qualquer forma, todos trabalham, e o fruto deste trabalho era repartido igualmente entre todos. Com o desenvolvimento das técnicas de plantio e pecuária, o homem passa a fabricar além daquilo que precisa, o excedente começa a ser cobiçado. Conflitos e guerras dão origem a desigualdade e a exploração do homem pelo homem, fenômeno existente até os dias de hoje.
Com a invenção da moeda, materiais e produtos deixam de ser trocados e passam a ser vendidos. Com a maquinização dos processos, os artesãos ficam para trás e são obrigados a vender sua própria força de trabalho para sobreviver. Enormes indústrias são criadas para fabricar a maior quantidade no menor tempo, vendendo produtos por um preço bem maior que seu custo real, centralizando todo o lucro nas mãos dos grandes proprietários, e dando para os trabalhadores (que são os que realmente produzem) o mínimo, do mínimo para sobreviver.
Durante anos e anos, pessoas trabalharam exaustivamente durante quase o dia todo, mulheres grávidas e crianças, em indústrias fechadas, sem descanso, sem condições de higiene e sem direitos. Pessoas sofriam acidentes, perdiam partes do corpo, mas a produção não podia parar. E o resultado: os ricos apenas se tornavam mais ricos e os pobres, mais pobres.
Com movimentos sindicais dos trabalhadores, muitos direitos (que deveriam sempre ter existido) foram conquistados e o proletariado passa a ter melhores condições. De qualquer forma, o burguês sempre arranja uma forma de continuar explorando, como no exemplo da “mais valia”, fenômeno estudado por Marx que demonstra a expropriação do valor do trabalho do proletário pelos donos dos meios de produção, que sempre acabam ficando com o lucro, e pegando ao trabalhador, menos do que o mesmo deveria ganhar.

Essa ambição, mesquinharia e egoísmo sem fim é o que tornou o mundo tão desigual. Homens colecionam mansões enquanto outros vivem debaixo de pontes. Do que adianta uma legislação que diz que todos têm direito a um lar, a saúde, educação e lazer, se quando eu olho para a realidade, vejo que isso de fato não acontece? Até quando países mais pobres vão ter sua matéria prima explorada, e seus trabalhadores serão obrigados a trabalhar em regime de escravidão (como o exemplo da marca de roupas ZARA) para que outras pessoas ostentem produtos caríssimos, fabricados sob o suor não-remunerado de seres humanos, assim como eles? Até quando pessoas morreram de fome, enquanto toneladas de alimentos são desperdiçados diariamente em shoppings e grandes estabelecimentos? Até quando pessoas morrerão nas filas de hospitais públicos que não possuem verba para comprar materiais simples como luvas e seringas enquanto milhões são desviados para o bolso de políticos corruptos? Sintetizando, até quando a ganancia irá sobressair a compaixão e empatia pelo próximo? Está é uma pergunta de uma importância tremenda, que com pesar, não sei responder.


Yan Douglas Alves Teles - 1ºAno - Direito/Noturno

Análise objetiva do papel burgues na transição entre as Idades média e moderna e suas críticas pelos autores estudados.

Ainda na Idade Média, surge na Europa Ocidental a classe que seria a responsável pelo fim do sistema feudal e inicio do que conhecemos como Idade Moderna. Isso aconteceu quando moradores de burgos, cidades geralmente muradas e autogovernadas, intensificaram a prática mercantil, fenômeno conhecido como renascimento comercial e urbano. Tal classe, a burguesia, quebrou o status quo quando passou a ter importância política mais relevante que a nobreza, visto que aquela passou a acumular dinheiro, enquanto esta dependia dos titulos que ganhava muitas vezes sem mérito.  
Em 1789, na França, essa mesma classe executou um rei e, com ele, o Antigo Regime; mais tarde seria a responsável pela revolução industrial, evento que mudaria drasticamente, entre outras coisas menos interessante pra minha análise, a situação da população em termos de qualidade de vida.  
Nesse contexto, muitos estudiosos passaram a criticar e buscar soluções para os rumos que tomava o sistema capitalista nessas condições, é ai que surge Karl marx e Friedrich Engels. Inspirados na noção de dialética do filósofo Georg Hegel, sugeriram que a disputa de classes era o motor da história humana, sendo a burguesia apenas uma das classes que viria a ser sobreposta por outra, no caso o proletariado. 
Essa sobreposição era, para os autores, inevitável devido às condiçoes de exploração pressupostas no sistema mercantil moderna – destacando ferramentas como a mais-valia. Além disso, acreditavam que a alienação do trabalhador, pautada em ideologias, era a base para o sistema capitalista e o motivo de o proletário não se revoltar com sua situação.
Gabriel Nagy Nascimento, Direito Noturno. 

Liberdade para quem?!


 Sendo a liberdade um dos valores mais proclamados pela burguesia durante a derrocada da sociedade feudal, e esta ligada principalmente à propriedade individual e à liberdade de comércio, tem-se ainda uma falsa ideia de que na sociedade burguesa moderna possuímos liberdade de um modo geral, porém, a mesma é ilusória e privilegia somente os interesses da classe dominante. 

 Por exemplo, um vendedor de uma loja de calçados encontra-se condicionado a cumprir uma meta diária de vendas imposta por seu patrão, sob pena de ser demitido caso não atinja uma quantidade "x" mínima de sapatos vendidos ao final do expediente. Deixam de viajar, comprar coisas que gostariam porque precisam pagar as contas no final do mês. As pessoas estão se tornando cada vez mais ansiosas, frustradas e insatisfeitas com seu padrão de vida devido à tamanha pressão social exercida sobre elas. 

 A mulher não se encontra menos privada de sua liberdade dentro da sociedade capitalista. Ela não possui voz política, muito menos representatividade dentro de um sistema patriarcal. Ela ainda possui um salário menor comparado com o do homem mesmo trabalhando no mesmo cargo. Ela possui regras de conduta moralmente aceitas pela sociedade. Sua sexualidade desde cedo é reprimida, e se a mesma se atrever a burlar padrões e regras sociais já é vista com maus olhos por todos à sua volta. Sem falar no medo diário de andar desacompanhada pelas ruas à noite, ou de usar determinada roupa por medo de sofrer assédio. A liberdade nunca foi um privilégio da comunidade feminina na sociedade burguesa, e está longe de ser. 

 A luta de classes se expressa na visível desigualdade socio-econômica em uma grande metrópole urbana, como a cidade de São Paulo, onde de um lado da rua se encontram condomínios luxuosos e do outro moradores de rua, mal possuindo dinheiro para suas próprias condições de subsistência. 

O Direito, tomado como fonte da liberdade e felicidade geral, deve ser acionado a fim de se remediar essa terrível moléstia social, privilegiando as classes menos favorecidas e gerando oportunidades iguais para todos. Ele deve ser tido como um instrumento de luta contra toda forma de opressão de uma maioria por uma minoria. 





"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido." - Dalai Lama

Juliana Beatriz de Paula Guida - 1° ano - Direito Matutino


Operário, ontem e hoje

Apesar de nascido sob a tutela do modo burguês de produção, não é considerado burguês em condição. Não detém a posse da propriedade ou dos meios de produção, e assim, vende seu trabalho braçal a um burguês real.

Operário, explorado e extorquido. Dele lhe são tiradas horas de produção - as quais não são contabilizadas em seu mísero paga-pão. Essa é a mais-valia, que mais lhe valeu o suor de seu esforço, convertido em capital oriundo de sua serventia.

Capitalizado, o proletário tornou-se mercadoria. Subjugado ao seu superior - não como outrora fora no regime feudal - perpetua sua existência no labor industrial. Como mero objeto, não importa a idade ou sexo, mas sim sua contribuição à economia.

Capitalismo paradoxal: ora ciência e técnica, ora desigualdade brutal. Mas sozinho não está o operário, seus antepassados fazem parte da história, dessa inexorável história movida por lutas de classes. Luta contra aqueles que lhe deram as armas e lhe tiraram o chão.

"Quebrem as máquinas!" uma vez clamaram. Unidos, independente da maioria e pela maioria, marcham para derrubar a burguesia. Marcham contra a concentração de riquezas, contra a opressão e a supremacia.

Hoje, dia 10 de setembro de 2017, a luta proletária persiste. Não mais sob os moldes do comunismo, pois a propriedade privada prevalece e cresce a cada dia. Em meio a crise econômica e política, o proletariado toma as ruas e clama pelo fim das reformas trabalhistas que lhes são coagidas.

O que lhes resta é: unirem-se!

Bárbara Gomes Brandão - 1º ano de direito (diurno)


Dinheiro constrói?

“Opressor e oprimido”
Relação sempre presente
Desde a primeira civilização
Mas por que, então
É tão nociva?
Por que?
Porque ela corrói
Corrói a humanidade
Eis que na atualidade
Toda pessoa tem lá no fundo
A ganância que ela impõe
Mesmo sem querer

Ah! O capitalismo!
Tão belos aqueles prédios de vidro!
Mas como foi que esses prédios
Assim, subiram?
Tão belos aqueles carros de luxo!
Mas como foi que esses carros
Assim, criaram?
O capitalista diz:
“Com dinheiro, óbvio! ”
Mas o dinheiro também constrói?
Achei que fosse uma mera folha de papel...

Emily Caroline Costa da Cunha - Direito - 1° ano (diurno)

A permanência do pesadelo

  "E a boca que beija vai te difamar". O poder ambíguo da boca expressa na música Leviatã, com uma força ainda maior, encontra-se no capitalismo, pois, se por um lado este é o promotor da fartura e da alegria, por outro é o responsável pelo medo e pela fome e, de uma forma mais trágica do que ao primeiro olhar pode parecer ser.
  No capitalismo, defendido com todas as forças pelos poderosos e por seus demais cegos seguidores, o rico não é o que trabalha, mas sim aquele que explora o trabalhador, que, por sua vez, do capitalismo só colhem o fruto de uma vida indigna frente ao tamanho de seus esforços. Infelizmente há inúmeros exemplos dessa realidade, como os trabalhadores de famosas redes de fast food, que são submetidos a passar horas vendendo sua força de trabalho para conseguirem a mínima remuneração necessária para sobreviver, enquanto os donos dessas redes ou franquias, nem ao menos se dão ao "luxo" de passar alguns minutos fazendo os trabalhos que exigem de outrem, todavia apenas recolhem a maior parte do dinheiro proveniente do trabalho alheio.
  Desses lamentáveis fatos encontra-se a compreensão da diferença entre liberdade para Marx e para Hegel, por que, enquanto este acreditou que todos eram livres, aquele a definiu como diretamente proporcional aos meios materiais que cada indivíduo tem, o que, ao olhar para a desigualdade existente desde a tempos passados, é possível verificar que, embora todos são livres para tomar decisões, para cada um estas tem pesos diferentes, como por exemplo para o trabalhador de uma rede de fast food, que se optar por não ir no restaurante em um dia terá como punição o desconto de um valor monetário necessário para sua subsistência, e para o dono de uma dessas redes, que optando em não comparecer a um dos restaurantes da sua rede não terá nenhuma consequência significante em sua vida.
  Assim, frente a realidade de sua época e prevendo as tragédias futuras, Marx lutou para conscientizar os proletariados sobre suas condições e sobre a importância da união entre todos eles para que assim tivessem forças para enfrentar os burgueses, entretanto, por diversos fatores, como vontade de se tornar um dos burgueses e acumular mais propriedades privadas, ainda hoje essa união não se concretizou, fazendo com que o pesadelo permanecesse.

Aluna: Izabelle de Freitas Custodio- 1º ano direito noturno

Quanto vale o seu show?



Quem nunca ouviu reclamações sobre o salário de jogadores de futebol, cantores, ou atores? Acho que todos nós. Quem nunca quis ser um deles também? Fama, dinheiro, facilidades são muito atraentes, né? Mas como dizem, o sol não sorri pra todos... ou melhor nem todos nascem com talento, e conseguem vencer. Nesse levante dos que não saíram da mediocridade, as críticas sempre vem acompanhadas de um “ tanto dinheiro só pra jogar futebol?” Recentemente, com o sucesso dos chamados Youtubers também, “isso nem é profissão”. Mas você, que critica o valor atribuído as pessoas, venderia quantas camisas com o seu nome nas costas? Levaria quantas pessoas para te ver cantar? Bateria quanto no ibope uma novela em que você estrelasse? Quantas visualizações um vídeo seu daria?

Segundo Karl Marx, as coisas têm um “valor real”, atribuído de acordo com a quantidade de trabalho depositado nelas. Então tece-se a crítica do valor subjetivo, aquele exemplo “batido” do “quanto vale um copo d´água numa praia, e quanto vale o mesmo copo no Deserto?” Assim endosso as refutações ao Karl Marx. As coisas não possuem um valor próprio, fixo, regrado, elas têm o valor que damos pra elas.

Quanto não foi falado nos últimos da transferência do Neymar para o PSG, 222 milhões de euros, o equivalente a 820 milhões de reais. Achou absurdo né... E se eu te falasse que o valor do clube (PSG) passou de 1 bilhão para 1 bilhão e meio de euros assim que o contratou, que foram vendidas 1 milhão de euros em camisas do jogador em um dia, que o PSG teve um aumento de 10% de seguidores em três redes sociais (Twitter, Instagram e Youtube), que o site oficial do PSG aumentou sete vezes seu número de visitantes, que cerca de 200 jornalistas tentaram se cadastrar para acompanhar a estreia dele, que Neymar em uma semana vendeu mais camisas que o principal destaque do time na temporada passada em um ano, essas informações o fariam mudar de ideia? O fariam perceber que ele vale tudo isso porque tem gente (e muita gente) que dá audiência pra isso? 

As pessoas se acostumaram a criticar e diminuir quem promove entretenimento, não ouço muitas críticas aos salários dos juízes, por exemplo... Se eu sou contra algumas pessoas ganharam muito por explorarem seus talentos? Não, eu sou contra muitas pessoas ganharem “nada” por terem empregos considerados comuns...

Luiz Felipe Fermoselli Andreotti, Direito 1º Ano (Noturno)

Transformações históricas em uma venda qualquer

Baixa idade média, em uma vila da Europa ocidental acontecia uma transação comercial, um mercador, membro de uma guilda e morador do burgo em que estavam trocava seu produto com o cliente. A história marcaria pra sempre aquele ato e aqueles homens, irrelevantes em sua singularidade e fundamentais em suas atitudes, tratava-se da classe social que séculos depois revolucionaria o mundo derrubando reis e impondo novas formas de produzir e de fazer trocas, burgueses que transformariam a política, a cultura e a sociedade.
            A troca, a venda, o burguês, o cliente, o burgo, o valor, o trabalho. Já constatado a importância que tiveram para promover a mudança da idade média para a era moderna e o fim do feudalismo até culminar com o capitalismo industrial contemporâneo, agora procura-se saber onde estava inserida a força transformadora existente naquele momento capaz de proporcionar tudo isso. A ideia ou o material. Congelando a imagem estudada, trazemos a busca de onde se esconde o que mudou tudo: a forma de produzir os bens ali vendidos e toda a força humana por detrás, ou as idéias humanas, conceitos e discursos presente na consciência e dos homens ali postos e nas relações em que estão inseridos.
            Vemos o embate da teoria de Hegel e da teoria de Marx e Engels com ambos estudando o curso da história e as mudanças que nela acontecem e onde o homem se apresenta nesse espetáculo. Óticas opostas, um vê o mundo das ideias e o outro o mundo material, afirmando seus posicionamentos se era a mente abstrata, ou a mão concreta, que a muda o mundo.


Daniel Chaves Mota - 1º Ano, Direito (noturno).

Um jogo sem fim: Capitalismo

Nos jogos eletrônicos, sejam de aparelhos celulares, videogames ou computadores, há, frequentemente, um elemento que o movimenta e traz propósito ao "continuar jogando": uma moeda. Seja para melhorar aspectos do personagem ou de mecânicas do jogo, possibilitando evolução, ou apenas para comprar acessórios e regalias dispensáveis, o dinheiro se torna um objetivo presente durante toda a sua experiência com o jogo. Por um lado, esses sistemas monetários permitem a sensação boa de que o esforço do jogador foi recompensado. Por outro, sempre há limites; inevitavelmente chegará uma hora em que tudo que poderia ser comprado já o foi, e não há mais nada a se aproveitar do jogo em questão.
Transportando isso para o "mundo real", o dinheiro é um elemento presente desde o nascimento do ser humano na sociedade capitalista. É a força motriz do crescimento e desenvolvimento de todos. Estuda-se para entrar em uma boa faculdade. Entra-se em uma boa faculdade para obter um bom emprego. Trabalha-se para estabelecer renda, constituir família e proporcionar bom padrão de vida para os filhos.
No entanto, embora seja debatível que, assim como nos jogos, o dinheiro é a recompensa de um esforço (no caso, o trabalho), muito dificilmente alguém "comprará tudo o que pode ser comprado". Diferentemente dos jogos, o capitalismo sempre proporciona inovações que atualizam o "menu" do que pode ser comprado. A vida e o capital formam um ciclo sem fim para a existência, onde obtêm-se mais dinheiro e gasta-se esse dinheiro, até a morte. E é difícil decidir se o que atualmente ocorre é mais cruel do que se, de fato, houvesse um fim para esse ciclo; pois dessa forma, toda a existência teria se provado inútil.
Para Marx, esse ciclo sempre crescente e aprimorado das relações de mercado garante poder e autoridade à burguesia, às custas de todos os outros. Inclui o mundo inteiro e, para que seja superado, necessita da urgente intervenção do proletariado. Contudo, o próprio proletariado está se acomodando com o pouco que o capitalismo os proporciona. Por conta própria, está entrando no jogo sem fim do mundo real. O que muitas vezes é pobreza generalizada passa a se confundir com humildade e torna-se motivo de orgulho por parte dos próprios afetados. Será que algum dia seremos libertos do ciclo, ou para sempre seremos os pobres jogadores do capitalismo?


Tiago Nery Constantino - 1º ano Direito Matutino