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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Influência socialista

Uma mesa. Por trás do materialismo tradicional, uma mesa é simplesmente apenas uma mesa. Mas para o materialismo histórico dialético há um grande processo em torno da construção da mesa: enxerga-se o mundo daqueles que trabalharam e se esforçaram para que a mesa fosse construída, distribuída e vendida à sociedade.


No desenrolar da Idade Moderna, a burguesia galgou grande crescimento econômico. No entanto, diferente do mundo atual, ter poder econômico não era sinônimo de poder político, até que então eclodiu a Revolução Francesa. Desde então, a burguesia, afirmou-se como detentora do poder político e econômico. Dona do meio de produção explorava a classe trabalhadora através da mais valia. É nesse contexto de “opressores” e “oprimidos” que nasce a teoria socialista no século XIX.
O mundo nunca experimentou o socialismo científico – aquele vislumbrado por Fredrich Engels e Karl Marx – o máximo que se atingiu foi o socialismo real – aquela vivenciado pela URSS. No entanto, segundo Engels um mundo socialista é uma fase inevitável a humanidade, uma consequência da história, no entanto porque essa fase ainda não se concretizou, se é que se concretizará? Uma das respostas é que o capitalismo da época de Émile Zola descrito em o Germinal foi reformulado, não que isso signifique que todos os operários da atualidade tenham uma vida totalmente digna, mas é certo que a condição de vida de muitos trabalhadores melhorou graças a leis que garantissem certos direitos trabalhistas. Ou seja, o capitalismo permitiu que as classes D, E, F também usufruíssem do “prazer consumista”. No entanto, não sejamos idealistas em não enxergar a massa dos que ainda são explorados fisicamente, sexualmente, economicamente.
Um outro fator interessante a ser discutido também é a dialética. Entende-se por dialética a existência de um fato - a tese - que em conjunto com a antítese (algo contrário a tese) formaria uma síntese. Um exemplo histórico é a existência de Roma (tese) que ao ser invadida pelos bárbaros (antítese) formou o feudalismo (síntese). Ou seja, o feudalismo é síntese dialética entre o militarismo, colonato, latim, direito e catolicismo romano com o militarismo, comitatus, política fragmentada e agricultura de subsistência bárbara.
É muita prepotência afirmarmos o que o futuro reserva, proferindo qual será o futuro sistema econômico. No entanto, algo é certo: há uma grande influência da teoria socialista na construção de um capitalismo reinventado, além do que, não se pode negar o peso que as ideias de Marx e Engels possuem nas rodas de discussão acadêmica. 

Pequena Análise dos Ideais de Marx e Engels, e crítica ao materialismo dialético.


É indiscutível a importância que as obras e ideias expostas por Marx e Engels causaram na história mundial. Através do pensamento desses dois grandes autores, os explorados nutriram sua alma do espírito revolucionário e mais uma vez confiram na Revolução. Como fica evidente segundo o jornal mural da 19ª Brigata Eusebio Giambone, dos partisans italianos (1944, apud PAVONE, 1991, p. 406): “Depois da Revolução Francesa, surgiu na Europa uma Revolução Russa, e isso mais uma vez ensinou ao mundo que mesmo o mais forte dos invasores pode ser repelido, assim que o destino da Pátria é realmente confiado ao povo, aos humildes, aos proletariados, à gente trabalhadora”.
         E, embora, a URSS não tenha concretizado as ideias propostas por Marx e Engels, e talvez por isso tenha falhado, é, portanto, de fundamental importância o estudo das ideias socialistas e comunistas para o entendimento do mundo de hoje e da época que ficou conhecida, graças a Eric Hobsbawn, como “Era dos Extremos”.
         Uma das grandes sínteses dessas ideias e também de como elas foram formadas está no texto escrito por Engels “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”. Nele entendemos como tais ideais foram conquistando os membros das classes operárias. Pois ao mesmo tempo em que ele reconquistava a esperança na revolução para atingir os ideais de igualdade e liberdade, que o Liberalismo havia destruído; possuía um caráter científico, através do materialismo dialético, que suscitava a possibilidade de ele não ser apenas mais uma utopia.
         Infelizmente é impossível saber se a proposta de Marx e Engels é utópica, pois ela nunca foi aplicada de maneira verdadeira. Mas podemos tecer duas considerações. A primeira é que a cientificidade do materialismo dialético fora negada por Karl Popper, pois o fato de a dialética se utilizar da contraposição de ideias com ideias, sem levar em consideração evidências, faz com que ela reduza todos os objetos ao antagonismo da antítese, e o método científico não se valida de antítese e sim de observações do objeto sem a interferência crítica ou especulação. E a segunda é justamente o fato de que, embora, essa crítica seja forte ela não prova que o modelo político proposto por Marx e Engels não seja melhor que os atuais. Portanto, o estudo desses autores ainda é extremamente válido, ainda mais, para o direito que vem agindo como importante ferramenta ativista nos últimos tempos em nosso país.

Socialismo, o fim da história?

     Os famigerados pensadores  Karl Marx e Friedrich Engels, usaram brilhantemente de seu  “materialismo histórico e dialético” para demonstrar que, primeiramente: o ambiente, os organismos e os fenômenos físicos moldam a sociedade e a cultura da mesma maneira que estas os influenciam; e, posteriormente, afirmando que tudo é fruto da luta de ideias e forças, que na sua oposição geram a realidade concreta. Criaram, com ambas estas afirmações, uma maneira revolucionária de se entender a história, que fugia do predominante idealismo, e mostrava uma maior fluides ante os fatos passados e presentes. Existe, porém, uma conseqüência não comumente observada desta realidade.
     Como, para este pensamento, a mudança histórica se dá baseada em uma realidade pré-existente, vinda de realidades anteriores que se seguem e que contém em si sua própria contradição, tendo em vista que a realidade existente não se modifica de maneira sobrenatural (segue determinadas leis), é possível inferir que todo o caminhar humano já está determinado, todo o destino está escrito e que, por tais razões, é passível de ser descoberto se houver suficiente conhecimento da realidade e das leis que a determinam. É aí que reside a importante questão: é possível conhecer tão profundamente a realidade, a ponto de dizer ao certo qual o destino final dos homens? 
      Nossos autores, ouso dizer que com certa pretensão, entenderam ter encontrado tais respostas e leis fundamentais. Para eles, há uma constante luta entre classes (definidas pelas relações econômicas da sociedade) e este é o 'motor' principal da história, que cessará em um sistema onde, com o fim da propriedade privada, estas classes deixem de existir. Não ficarei esmiuçando a concepção, já desgastada de explicação, a qual se nomeou Socialismo. É importante, porém, destacar tal distinção entre o método e as conclusões alcançadas, estas que causam tanta polêmica já a algumas décadas. Cabe ainda entender que possam haver fatores outros ou mais complexos que também operem o caminhar da humanidade e buscá-los, destacá-los, traze-los a debate. Enfim, será que o socialismo, como pensado por Marx e Engels, será mesmo o fim da história?

O SOCIALISMO CIENTÍFICO DE ENGELS


Friedrich Engels, em sua obra "Do socialismo utópico ao socialismo científico", traz o conceito de socialismo como ciência e não mais apenas como idealismo. Com isso, ele visa a aplicabilidade de seu modelo, ou seja, passá-lo do campo das ideias para o campo prático.
            Não obstante, Engels afirma que o socialismo é um percurso incontornável da história e não o resultado do gênio humano. Dessa forma, o socialismo desponta como a evolução do capitalismo e não como um modelo antagônico a este. A cientificidade  de seu método está em decifrar as constantes históricas e as contradições que o capitalismo traz em si.
            Em relação a esse último aspecto, o autor tenta explicar a situação da exploração a partir da razão pensante e não das condições históricas, isto é, a explicação nasce da interpretação dos fatos já ocorridos. É necessária, portanto, a compreensão das forças produtivas e, subsequentemente, do domínio e luta de classes com a finalidade de promover sua racionalização. É daí que nasce a cientificidade do método.

Dialética Marxista

       A dialética marxista é influenciada pelo Iluminismo, que tem como base a liberdade, marcada pela liberdade de mercado.
      A liberdade de mercado e as demais novidades trazidas pelo Iluminismo foram fundamentais para a ascensão e fortalemcimento da burguesia, sua concretização e fortalecimento como uma nova classe social dominante.
      A burguesia, até então, não era uma classe social dominante, sofrendo uma série de imposições e exploração por parte da nobreza, entretanto, passa de classe oprimida para classe dominante e portadora dos meios de produção que movem a economia da sociedade. É, a partir desse processo que o sociólogo Friedrich Engels afirma que o socialismo é um processo inevitável e incontrolável da história, porque tomando como exemplo o processo burguês, o proletariado, classe oprimida e explorada, assumirá o porder, tornando-se classe dominante, pois é a classe que move a economia, sendo seu trabalho braçal a base para o funcionamento da sociedade. Trata-se do curso natural da humanidade, de acordo com Engels, é o produto necessário da luta intre as duas classes formadas historicamente: o proletariado e a burguesia.
      Para Engels, o materialismo histórico é a luta pela vida presento em toda a historia da humanidade, pois a resposta para os males de qualquer época não está nas ideias, mas na própria história.
      O socialismo científico dos ideias de Engels e Marx foi fundado e criado como ciência e não a partir de idealizações e especulações, ao contrário da visão do senso comum.
     As experiências socialistas reais da sociedade se distanciaram da proposta original de Marx e Engels, e embora uma parcela da sociedade acredite e defenda o socialismo como sistema econômico ideal, a sua concretização na sociedade é utópica e inalcancável, pois o capitalismo é o sistema econômico concretizado e o único capaz de se reciclar, pois consegue englobar e conquistar o proletariado, sendo o maior exemplo a loja de móveis Magazine Luiza, um dos símbolos do capitalismo, que, atráves de seu sistema de crédito e financiamento, consegue promover uma "vida digna" ao proletariado, portanto, o capitalismo consegue conquistar sua classe rivel, o proletariado, se firmando como sistema econômico preponderante e interrminável, sendo seu fim uma ideia banal e infundada.

Realidades se superam


Uma das primeiras coisas que aprendemos é que toda ação gera uma reação e ponto. Paramos aí o nosso raciocínio, sem nos perguntar ou perceber o que será dessa reação. Para Engels a reação vira ação e assim sucessivamente, numa constante e incessante dialética. No entanto a dialética de Engels baseia-se no materialismo histórico.
  Talvez alguns “olhos treinados” consigam visualizar esse aspecto da teoria sociológica de Engels com mais clareza, por que não é tão simples no curto espaço de tempo que tem a vida humana observar todo o movimento dialético da história da humanidade. No entanto, hoje, na pós-modernidade, a realidade se apresenta como algo tão rápido e instantâneo que alguns desses movimentos podem ser notados com maior facilidade.
  Pode-se observar uma mudança de postura por parte de algumas instituições, as quais podem ser facilmente consideradas como rígidas e até mesmo estática por aqueles que nelas não estejam inseridos. O Direito, por exemplo, essencialmente na última década tem se transformado e mudado de “postura”. Com a crescente discussão acerca das liberdades e direitos individuais de forma latente na sociedade, o Direito tem sido buscado como forma de alterar a realidade vigente, como instrumento de afirmação de direitos.
  Os direitos conquistados por homossexuais, por transexuais, pelas mulheres, por negros e etc., mostram que, se antes o direito era usado para condenar, recriminar e discriminar essas minorias, hoje ele é usado para e na defesa dessas. Até 2001 as mulheres não tinham direitos em pé de igualdade com os homens no nosso Código Civil; desde de o inicio do movimento feminista e até hoje as mulheres adquiriram direitos e  o Direito foi adequando- se a nova realidade construída. E essa nova realidade não é restrita ás mulheres e nem é fixa. Afinal, toda situação gera uma determinada reação, para a qual sempre haverá uma reação’ e assim novas realidades, novos direitos, e sociedades repaginadas se superam.

Hegel e Engels, a inversão de um unico metodo


      Hegel e Engels baseiam seus pensamentos e analises na dialética através de tese e antíteses que os levam a respostas. No entanto, mesmo se utilizando de igual método acabam por obter analises inversas. De modo a Hegel acreditar que o real é uma mera projeção da ideia, ou seja, a realidade social é proveniente de nossas ideias- o mundo é egoísta pois assim o é o homem- sendo visto esse pensamento como idealismo Hegeliano. Já Engels acredita que as ideias são provenientes da dinamica e da luta pela vida, ou seja, mundo material torna o homem egoísta. Assim acredita que Hegel inverte a dinâmica e que isso leva a conexões falsas e artificiais. Contudo, as propostas se assemelham por ambas pregarem a superação da filosofia e metafísica, e por conseguinte a historia por acreditarem que os males da época estavam contidos nela.Desse modo, acredita-se que o materialismo foi gerado com a missão de desvendar as leis do desenvolvimento historico, fundamentando analises.
      A grande ideia socialista esta presente no pensamento de Engels que acredita que toda sociedade com duas ou mais classes esta em conflito permanente. Assim coloca a ideia de socialismo como a solução, pois acabaria com o conflito pondo fim a existência de classes, sendo para esse um processo incontornável da historia.  No entanto é utópico, pois mesmo que não haja diferença entre classes, há diferença entre as pessoas, como diz o ditado “ninguém é igual a ninguém”, mas não podemos chamar de inaplicavel. Utiliza-se da ideia socialista para curar as patologias existentes no devasso sistema capitalista.
     Logo, apesar de se utilizarem do mesmo método Hegel e Engels chegam a diferentes desdobramentos. Sendo o grande foco do pensamento de Engels o lado social de diluir os conflitos gerados pelo capitalismo pondo fim as classes sociais, sendo o seu pensamento de tom utópico, mas talvez aplicável.A pesar de muitos acreditarem ser impossível a superação do capitalismo essa ideia não é dispensável, afinal ninguém acreditava na superação do modelo feudal e esse foi superado. Ademais é uma tendência do ser humano superar mazelas atrasadas e que não condizem mais com as necessidades e objetivos da sociedade.

domingo, 27 de maio de 2012

"Científico"


Em “do socialismo utópico ao socialismo científico”, Engels apresenta as bases da ideologia defendida por ele e Marx no século XIX. Ele o faz com uma crítica da dialética idealista de Hegel e uma análise muito perspicaz da sociedade de sua época, análise essa que se adapta perfeitamente à realidade atual e põe em relevo as condições de sujeição de uma classe a outra e os tristes resultados da Revolução Francesa, que em tese defendeu a igualdade entre todos, mas redundou na tão conhecida situação de exploração burguesa do proletariado.
Com seu materialismo dialético, o autor constata que as condições do modo de produção capitalista logo se tornariam insustentável, devido à exploração da classe trabalhadora, que, ao chegar a seu limite, destruiria a ordem existente das coisas, implantando o socialismo. E este, ao contrário do que pareciam pregar os socialistas utópicos, não seria, portanto, uma verdade absoluta a ser revelada à humanidade, mas simplesmente a consequência lógica das condições históricas marcadas pelo capitalismo.
Nessas condições, a imposição da competitividade entre as empresas e a ambição constante pelo lucro levam à exploração cada vez maior da classe trabalhadora. Parece tentador dizer que essa competitividade decorre acima de tudo da ânsia de consumo da população em geral ( em geral porque percebe-se que até mesmo quem não tem condições de efetivar o consumo apresenta essa ânsia). Ou seja, ninguém precisa ter 20 pares de calçados para ter uma vida digna, mas devido a essa ilusão tão preponderante de que é preciso possuir muito para adquirir bem-estar, compra-se muito, e pra atender não à necessidade, mas à demanda da sociedade, as empresas querem produzir mais, mais rapidamente e com os menores custos, o que leva a essa superexploração. Se o próprio consumo em geral fosse apenas o necessário, a importância dada a esse processo de produção seria diferente; ao menos o número de fábricas com funcionários em condições deploráveis seria menor, então a atenção dada a esse modo de produção seria menor e a sociedade se basearia em outras fundações. Não que isso seja uma possível solução, de forma alguma. Essa suposição serve pra demonstrar que pode-se ver também na fraqueza de caráter da população em geral certa responsabilidade pela realidade observada.
E essa fraqueza de caráter leva a outra questão sobre as ideias de Marx de Engels. O que eles propõem é a tomada do poder pelo proletariado com o objetivo de extinguir as classes sociais, fundando uma sociedade igualitária. Acontece que nada garante que esse proletariado, ao chegar ao poder, não se tornará a nova classe opressora, uma “nova burguesia”. Porque em seus princípios, todas as revoluções ocorridas, como a Revolução Francesa ou ainda que não presenciada por esses autores, a Revolução Russa de 1917, visavam ao bem geral da população, e acabaram instituindo novas situações de opressão. Acreditar cegamente na boa-fé de uma classe só por ela ter sido oprimida, ignorando a possibilidade de ela também ter um instinto opressor não seria uma certa ingenuidade? Assim, apesar de toda essa análise impecável da sociedade capitalista feita por Marx e Engels, o futuro que eles declaram como certo e lógico talvez não seja assim tão óbvio, por mais que seja ainda possível que suas previsões se concretizem e o proletariado funde uma nova ordem social no mundo.

sintese x antitese


O socialismo surge como forma de solucionar as patologias do capitalismo. Pretendia erradicar as mazelas sociais, libertando toda a sociedade. E, ao contrário do que uma parcela significativa da sociedade acredita, é fundado a partir da ciência, e não de idealizações. E por ter bases científicas, parte de sua ideologia ainda é atual, como o materialismo dialético, tese socialista que prega que a sociedade está em constante movimento, em constante transformação. Para tanto, tais pensadores do século XIX, propunham que: um sistema, dogma ou tese vigente sempre terá contestações, estas contestações formaram uma antítese, e ao ser sintetizada se transformaram em uma nova tese, se afirmada. Este movimento dialético leva a evolução da sociedade, a qual em algum momento, evoluiria à uma sociedade sem classes sociais, sem propriedade privada, uma sociedade em que se enfatiza o bem estar social.
A ideia socialista, em um primeiro olhar, pode parecer utópica, todavia, seus desdobramentos tem relevância até mesmo na contemporaneidade. A dialética de Engels, por exemplo, abrange diferentes temas do cotidiano da sociedade. Por este motivo faz-se necessário uma revisão de preceitos, para que se abandone visões preconceituosas e deturpadas, e considerar-se a importância dos estudos do socialismo.

Marina Precinotto da Cruz, direito, diurno

A burguesia e o bicho


O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira

             Engels faz uma crítica a revolução francesa como revolução burguesa e que para ele deveria não apenas “abolir os privilégios de classe, mas de destruir as próprias diferenças de classe” (ENGELS,pg 1) objetivando assim a libertação de toda a humanidade, não apenas de uma classe.Pois, como o próprio poema de Bandeira ilustra a nossa sociedade é desigual, enquanto uns procuram entre detritos seu alimento outros usam das pessoas menos favorecidas como massa de manobra para conquistar o poder político que não irá dividi-lo.
               Uma analise interessante está presente no livro “Cárcere e Fábrica”,de Dario Mellossi e Massimo Pavarini , no qual explica uma artimanha da classe burguesa para manter a estabilidade social pós- Revolução Industrial. No livro deixa claro que naquela época, as condições de trabalho eram péssimas, com longas jornadas de trabalho, nenhuma garantia ao trabalhador e baixa remuneração, tudo isso teria que ser melhor que as condições vividas no cárcere, pois se não a grandiosa massa de desempregados cometeria atitudes ilícitas para ir viver lá e isso desestabilizaria a ordem social ameaçando a burguesia que estava no poder. Essa lógica apresentada no livro continua atual em muitas sociedades, e devemos refletir se o Brasil não é uma delas.
               Numa comunidade repleta de contradições, a abolição das diferenças de classe como propõe Engels, seria o socialismo primitivo. Essa abolição faria com que episódios como o do poema e o retratado na música Miséria SA do Rappa:: “Senhoras e senhores estamos aqui, pedindo uma ajuda por necessidade”, não ocorreriam já que todos teriam uma quantia pecuniária que bastaria para suprir suas necessidades básicas.

  
  
 
  

Os frutos de Engels

                Diferentemente da revolução promovida pela burguesia na França (a famosa Revolução Francesa) que procurou não só expurgar, mas também castigar a classe dos nobres, devido ao secular abuso de poder de que esses usufruíam, o socialismo primitivo propunha não a eliminação de uma determinada classe social, mas a destruição da diferença entre todas as classes, fazendo a assim a libertação da humanidade como um todo.
                Mas, para Engels, este tipo de socialismo, além de primitivo, mostrava-se utópico; a ideia deveria ser vista por uma nova ótica em que não se analisaria apenas o momento, mas o que ele traz de contradição e de mudança. Era preciso superar a própria filosofia e ir além da metafísica.
                Como todos os outros pensadores anteriormente estudados, Engels traz uma importante inovação ao modo de pensar e analisar a sociedade para a sua época. Ele não se preocupa somente em observar o fenômeno social, mas também com as consequências do mesmo. A defesa de um olhar mais prático mediante a sociedade de exploração e miséria em que vivia trouxe grandes mudanças no pensamento da massa trabalhadora da época e grande temor por parte da classe burguesa.
                A própria burguesia, ao notar que de fato a chegada do socialismo era uma realidade palpável, preferiu “perder os anéis a perder os dedos” e passou da intensa exploração do trabalhador ao conhecido “estado de bem estar social”.
                Ainda assim, algumas tentativas de implantação de um chamado comunismo/socialismo foram realizadas, como a União Soviética, Cuba e China; tais experiências, entretanto, se mostraram falhas por diversos motivos.
                Uma contradição encontrada hoje é o fato muitos trabalhadores que vivem em países capitalistas como Estados Unidos e Brasil possuírem condições relativamente boas de trabalho e uma variedade de direitos como férias, aposentadoria e décimo terceiro graças às ideias defendidas por Engels; enquanto países que se dizem comunistas como a própria China mantém trabalhadores em condições bem próximas àquelas da época em que Friedrich Engels vivia.
                Mesmo que a previsão de Engels sobre como a chegada do socialismo era inevitável não tenha se realizado, suas ideias trouxeram, mesmo que lenta e gradativamente, importantes mudanças nas então péssimas condições de vida dos trabalhadores não só da Alemanha ou Inglaterra, mas do mundo todo.
O porque de produtos chineses serem tão baratos.
Reportagem exibida no Jornal da Globo sobre a Apple e as condições de trabalhadores chineses em fábricas que participam da produção de seus luxuosos (e caros) produtos.

"Antitetizando" o Mundo


Fredrich Engels defendia a ideia de que a história percorria o caminho da dialética, em que se cria uma tese, a partir disso surge uma antítese, e tem como resultado uma síntese, sendo que essa síntese se torna uma tese, e dessa forma a sociedade evolui. Baseando-se nessa teoria, os problemas mundiais estariam encaixados de melhor forma em que posição?
                               Teses não faltam ao mundo, ideias são consideradas mercadorias na contemporaneidade, o que estimula a criatividade humana. As sínteses são incontroláveis, elas seriam o resultado prático da junção entre cada uma das infinitas teses com uma respectiva antítese, sendo que a mesma tese com a mesma antítese pode ter infinitas sínteses. Por outro lado, as antíteses são uma resposta, uma reação à tese, logo este é o fator que realmente podemos ter certo tipo de análise e controle.
                               É fato que, sendo a reação do homem às teses algo mais refletido e vivido, a antítese talvez seja o ponto em que o mundo pode chegar perto de ter certo controle sobre si mesmo, e falha. As opiniões surgem mais uma vez como algo essencial para uma evolução satisfatória do ser humano, já que trazem consigo ações, porém a mídia, mesma com toda globalização presente, tem o poder de manipular essas opiniões, criando antíteses ruins e resultando em sínteses piores.
                               Logo, os problemas mundiais encontram-se em grande parte na formação da antítese, da opinião, na resposta a todo esse bombardeamento de teses na atualidade. 



                                            Murilo Thomas Aires

Materialismo jurídico dialético


Ao pensarmos no socialismo, logo vem em nossas mentes propostas políticas utópicas ou um modo de produção ultrapassado. Afinal a queda do Muro de Berlim em 1989 não representou o seu fim? Ou o desmantelamento da URSS, em 1991, não representou de modo definitivo a consolidação do capitalismo?
Engels, em sua obra “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, foi muito além de uma mera ideologia política, compreendeu que o socialismo é indissociável do capitalismo, necessitando absorver os avanços desse para superá-lo e aprimorá-lo. Juntamente com Marx, desenvolvem o materialismo dialético, que não se limita a um mero conceito, mas concebe a sociedade como algo em constante movimento, no qual cada elemento que a constitui interage com seu oposto, transformando-se e resultando em progressivas contradições. Há sempre uma tese, elemento de dominação, que reluta com a sua antítese (resistência), resultando em uma síntese, tornando-se essa posteriormente uma tese que será refutada e assim sucessivamente. Um exemplo prático em nossa historia é o próprio capitalismo, manifestado como tese, tendo como antítese um combate à sua liberdade de mercado, soergue-se então em 1917, como síntese, a Revolução Russa.
De acordo com Engels e Marx, o materialismo possui a missão de desvendar as leis do desenvolvimento histórico. Os autores incessantemente buscam onde estaria a dialética na compreensão da história, e chegam à conclusão que a luta de classes é o motor desta, pois desde a Antiguidade havia a oposição entre proprietários e escravos; no feudalismo, senhores feudais e servos; e na época em que viviam, o intenso embate entre capitalistas e proletários.
Se Marx ainda estivesse vivo, ao deparar-se com a realidade jurídica brasileira nas últimas décadas, se surpreenderia, pois o direito passou a ser o instrumento central da dialética. Partindo-se da premissa que todo direito adquirido faz com que surjam grupos que almejem a anulidade desse ou que ajam de modo semelhante, percebemos que esse é o elemento impulsionador da dialética atualmente. Essa transformação é facilmente percebida pela proteção que os órgãos jurídicos estão oferecendo aos menos favorecidos e segregados socialmente. Um exemplo recente foi a aprovação pelo Supremo Tribunal Federal da política de cotas raciais nas universidades, no qual a tese é o critério de meritocracia, a antítese é a universalização do acesso,e a síntese essa lei. Essa análise não refuta a teoria marxista, apenas a complementa, pois como conceber o direito como um elemento da dialética nas sociedades teocráticas?
É de suma importância que as normas jurídicas possuam essa maleabilidade advinda com a dialética, pois assim estão em constante transformação, suprindo as anomias que possam surgir. Logo, a marginalização dos preceitos estabelecidos por Marx e Engels resume-se a uma grande ingenuidade, pois manifestam-se diariamente nos tribunais e fóruns como um materialismo jurídico dialético.

Utopia Científica

Marx e Engels ( a dupla mais famosa do socialismo) condenaram os socialistas utópicos por não leveram em conta as aplicações reais e concretas de suas idéias. Elaboraram o chamado "socialismo científico", que avaliava as relações de poder durante a história, a luta de classes, a mais-valia, e propunham uma tomada do poder por parte dos operários, que tanto sofriam nas mãos dos burgueses detentores dos meios de produção. Valeram-se também da Dialética Materialista para formular seus conceitos de modo científico.
Mas o resultado de tanta pesquisa, elaboração, revolta, formulação, análises, etc,etc, etc foi a consolidação quase que absoluta do capitalismo que existe atualmente.
Será que o motivo de o socialismo científico não ter tido sucesso e ser derrotado pelo capitalismo foi as falhas daquele ou a força deste? O fato é que vivemos, séc. XXI, num mundo CA-PI-TA-LIS-TA! Um mundo mcDonalds, Nike, Coca-Cola, enfim, de todas as maravilhas ( para os ricos) e desgraças (para os pobres) que só o capitalismo é capaz de oferecer.
Isso nos leva a concluir que a solução para todos os problamas de desigualdade, fome, miséria, péssimas condições de vida dos operários não era  o socialismo. Esses problemas continuariam a existir numa sociedade socialista pelo simprles fato de ser uma sociedade, de envolver pessoas. Não existe um modelo perfeito que exclua esses problemas sociais na prática, porque uma vez os operários no poder, quem sofreria seriam os burgueses. Sempre haverá os favorecidos e os prejudicados, e sempre haverá problemas sociais enquanto houver sociedade. Tentar fugir disso seria entrar na utopia, tão condenada.
O que se deve fazer é tentar atenuar e reduzir os problemas sociais, dentro do próprio modelo instalado, acreditar que mudar o sistema resolverá tudo é ilusório e ingênuo.

Sábia Mafalda!


                        Engels é muito feliz ao negar a dialética de Hegel, que, por sua vez baseava-se nos pensamentos, idéias. A dialética materialista proposta em  "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" busca superar o mencionado autor através de uma nova  linha de pensamento: o mundo material e a luta pela vida que determinam os vícios humanos.
                       Tendo em vista que a ciência configura-se pela compreensão e prática, o autor propõe a análise da sociedade concreta para compreender o que se afirma e, simultaneamente, o que se nega (devido a necessidade de superação dessa última). Em sua obra, enfatiza-se o sentimento de opressão compartilhada por toda a classe operariada (tese), e a suposta mudança possível (antítese). A partir desse método, chegava-se á uma mudança na situação inicial - fundamental para sua dialética.
                       Mas esse método proposto pode ser aplicado a muitas temáticas do nosso cotidiano. Um exemplo disso é o desequilíbrio econômico: é causado pela mais valia, característica do sistema capitalista, que, por sua vez promove a concentração de renda; com essa última, o consumo é restringido, e o consumo é essencial ao sistema capitalista; logo, ao equilibrar a sociedade economicamente (ato "socialista"), o consumo aumentaria, realizando a manutenção do sistema capitalista. Confuso, não?

Preço do sossego

"Neste mundo é mais rico, o que mais rapa / quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa/ quem menos falar pode, mais increpa / quem dinheiro tiver, pode ser Papa”
Gregório de Matos, adaptação por Zeca Baleiro


Grandiosa é toda a tecnologia que possuímos hoje, e que se desenvolve cada vez mais a cada segundo. Notável é o nível de produção que o homem alcançou nos últimos séculos, possibilitando uma vida cada vez mais confortável. Podemos sim dizer que esses avanços na humanidade são frutos do capitalismo, alcançados devido às necessidades do mercado e a constante competição. Porém, ao mesmo tempo que carrega a abundância como um de seus preceitos, essa mesma só pode ser usufruída por uma pequena parcela. O sistema carrega dentro de si a riqueza de uma classe em favor da miséria de outras.
Ele se mantém devido à força de trabalho operária, que põe as máquinas em movimento. Antes, o trabalho que era feito artesanalmente, cada um com suas ferramentas, aliando produção ao aprendizado, agora, é explorado pelo detentor dos meios de produção. Estes, pertencendo a um único dono, possibilitam uma grande divisão do trabalho, que afasta cada vez mais o produto final de quem realmente o fabrica. Dessa forma o trabalho é explorado em grande escala, pois o operário, alienado, é incapaz de perceber que parte realmente o cabe, e todo o trabalho que não lhe será pago torna-se lucro do patrão.
O sistema é opressor e se sustenta no abuso de outrem, subjugando a maior parte da população, que não pode gozar de seus frutos. Ele deverá então ser superado, não abalando totalmente sua estrutura, mas adaptando-a à um novo sistema mais igualitário. Os meios de produção deverão ser tornar de proveito de todas as classes. A abundância será repartida por todos, assim como a tecnologia também será utilizada para o bem geral, garantindo o conforto e bem-estar. Deve-se inverter o paradigma atual de Produção, pelo de Humanidade.


Zeca Baleiro - Eu Despedi o Meu Patrão

Socialismo, eterna utopia?


Marx e Engels foram os principais percussores do socialismo científico, antes deles o socialismo pregado era chamado de utópico, porque segundo esses dois principais autores, o mundo ainda não estava preparado para receber esse novo sistema de organização. O fato é que, para o mundo capitalista, qualquer tipo de socialismo é utópico, até mesmo o de Marx e Engels. O capitalismo prega a competição, o liberalismo e o consumismo.  As leis do mercado se tornaram mais importantes do que os valores éticos e morais. O mais próximo que o mundo já presenciou do socialismo foi a Revolução Russa em 1917, que resultou na criação da União Soviética, o primeiro país realmente socialista que teve a duração de 74 anos. O fato é que no fim, o capitalismo ganhou e esse imenso país não resistiu às pressões da Guerra Fria, sua economia ruiu e a maior parte da população foi prejudicada.
Segundo Marx, só seria possível implantar realmente o socialismo, se o mundo inteiro estivesse disposto a isso, porque enquanto houver o capitalismo os homens continuarão a se corromper. Isso é uma verdade plena, porque faz parte da natureza do homem essa competição e segundo o capitalismo a pobreza é necessária para o funcionamento da sociedade, a mais valia não é uma prática condenável. O modelo de vida atual proporciona luxo para alguns e miséria para outros, os que possuem condições de vida favoráveis não vão querer abrir mão disso por uma sociedade igualitária. É por isso que talvez o socialismo continue sendo uma ideia utópica durante muito tempo, há muito interesse em manter o atual sistema e derruba-lo não será uma tarefa fácil, talvez uma revolução mundial, mas até lá os interesses das grandes empresas se manterão acima de qualquer ideal humanitário. 

A luta de classes diária

   Independentemente das opiniões acerca do socialismo de Marx e Engels, é inegável a pertinência de alguns aspectos desta doutrina em nossas vidas. Na análise de Friedrich Engels em seu texto; "Do Socialismo útopico ao socialismo científico", são estabelecidas considerações históricas e sociológicas para se chegar ao que viria a ser a metodologia do socialismo.
   Aquela que sem dúvidas  é a consideração chave da teoria socialista, é a afirmação da presença da luta de classes durante toda a história da humanidade. É perceptível  desde  os primórdios da civilização que há  exploradores e explorados, os possuidores dos meios de produção e aqueles que vendem a sua força de trabalho.
   Outro elemento importante é o método marxista de análise da história; o materialismo dialético. A dialética é um conceito nascido da filosofia hegeliana e que consiste na descoberta da verdade atráves do embate entre duas ideias contrárias.No entanto, a dialética de Hegel afirma o permanente processo de evolução da humanidade impulsionado por "leis históricas",que são as diferentes ideias marcantes dos diferentes períodos, afirmando assim o seu caráter idealista. Já a dialética marxista se denomina materialista, pois se concentrava em desvendar as razões dessas tais leis do desenvolvimento histórico, ou seja, a resposta não estava nas ideias, mas na própria história.
    Estabelecendo uma relação da luta de classes e da dialética materialista com as nossas vidas percebemos que ela tem uma influência que vai muito além do óbvio. É claro que estamos presenciando a manifestação destes princípios quando há uma greve ou uma manifestação de operários , porém, o embate entre opressores e oprimidos está presente em várias outra situações.. A ditadura da moda, por exemplo, estipula como devemos nos vestir e como deve ser a nossa aparência. No entanto, são pouquíssimos os que realmente se enquadram nas imposições dos "ditadores da beleza" e assim a sociedade se fragmenta em uma pequena parcela considerada dentro dos padrões, e a avassaladora maioria excluída, que não está "na moda". Diante dessa situação, é perceptível que essa ditadura sem sentido pode acabar em um instante se os "fora da moda" pararem de sustentar esses padrões ao tentarem se enquadrar neles. O mesmo ocorre com o capitalismo, os operários sustentam o sistema que os oprime, sendo que apenas eles possuem a capacidade de destruí-lo. Comprovando assim a afirmação de que a classe opressora como um todo, alimenta o seu único rival letal.
    Utilizando um conceito da dialética; cada elemento carrega em si o seu contrário, e isso se aplica a quase todas as situações cotidianas. Logo, se há uma situação que nos incomoda, que vai contra os nossos ideais, é preciso lembrar que existe sempre o contrário disto . O importante é se coscientizar de que tudo pode mudar desde que haja vontade dos oprimidos de reverter o quadro, e isso se aplica tanto ao capitalismo , quanto a situações perturbantes do cotidiano.
   

Engels e a atualidade


Houve um tempo no qual a classe daqueles que trabalhavam arduamente para sustentar as outras duas não era valorizada. Essa classe exigiu de início maiores vantagens, e conseguiu, em troca de outros favores, certos privilégios. Basicamente, essa foi a burguesia antes da Revolução Francesa (1789), sem prestígio social e dependendo de acordos econômicos e políticos com o Rei e a nobreza. A Revolução, apesar de suas várias fases de liderança, engrenou a burguesia nos ditos e não ditos do país, e afirmou a auto confiança burguesa.

Século XIX, quando o mundo já estava aos moldes do capitalismo, o poder da burguesia tinha função essencial na economia do país, já que era dona dos meios de produção e aquela que comercializava interna e externamente. Inevitavelmente, os países adeptos dessa conduta cresceram, desenvolveram-se muito economicamente e politicamente, mas grande parte da população, a miserável, vivia sob péssimas condições, explorada por um sistema que não lhe dava saída se não trabalhar muito em troca de muito pouco. É baseado nessa realidade que Engels exemplifica a mais-valia, ou seja, o lucro produzido pelo trabalhador e absorvido pela burguesia. Consequentemente, a desigualdade social e econômica aumentou, e o lucro excessivo permaneceu nas mãos de uma parcela pequena da sociedade.

O homem, segundo Engels, saiu do reino animal e se tornou senhor consciente e efetivo da natureza, o poder concentrou-se na arte de transformar a natureza. As desigualdades, a hegemonia, talvez não seriam vencidas se o socialismo tivesse sobressaído no final da “luta de classes”, afinal, o socialismo seria concretizado no poder pela nova classe dominante, o proletariado. Seria o fim das desigualdades? Da dominação? Acredito que não...

Ao final, o que importa, independente do sistema em que se vive, é se o bem estar está sendo proporcionado à nação. Os lucros são de extrema importância para se aprimorar a produção e a infraestrutura, mas o reajuste de salário também é um investimento; a economia em crescimento, o descobrimento do pré-sal, são de extrema importância, mas uma boa e significativa porcentagem desses lucros destinada à educação, à saúde, ao social, é mais glorioso ainda. É custoso de início, é demorado e complicado, porém a melhor forma de crescimento e desenvolvimento é aquela que abrange toda a nação, ou que pelo menos visa ao bem estar social dela; não aquela que foca apenas na economia de mercado mundial.