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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desencantamento do Mundo


Weber entenderá a modernidade através do conceito da racionalização. Quanto ao direito não podemos falar somente da racionalização do ponto de vista cientifico, devemos falar da racionalização que tenha como pressuposto uma orientação prática e aquela qual o direito tem como mais intensa, a racionalização formal, que considera as ações e seus efeitos a partir do calculo racional.

A sociedade moderna pode ser chamada de sociedade do contrato. A racionalidade jurídica do contrato substitui toda uma gama de procedimentos “não racionais” (pactos de sangue, juramentos) pela forma jurídica racional, que não está interessada em dimensão outra do indivíduo senão aquela que estabelece o compromisso com o que prescreve o contrato, ou seja, a personalidade jurídica do indivíduo.

As ideias que temos de propriedade mudam, não existindo entraves que não os econômicos para seu acesso. A terra não tem mais perspectiva de produtividade social. Mesmo que permaneça na letra da lei uma ideia de função social da terra, é cumprida através do pagamentos de impostos, entre outros meios. Através dessa mesma “engenharia jurídica” que responde ao cumprimento de função social da terra é que o capitalismo pode prosperar e o mercado se dinamizar.

A doutrina filosófica do liberalismo que sucede ao capitalismo cederá a liberdade jurídica àqueles que detêm o poder econômico, não sendo mais necessário uma condição de sangue, mas apenas a condição econômica. Não existem mais obstáculos à liberdade do contrato, sendo que a modernidade expulsa quaisquer outras formas não econômicas dessa perspectiva.

domingo, 9 de setembro de 2012

Perpetuação

"Five lessons remembered from yesterday/ Easing my mind and seizing each new day /Beyond and back I'm still the same/ Kicked over some old trash but I still waste”
Swingin Utters


É possível perceber nas sociedades pré-modernas a presença de uma consciência coletiva a respeito do que fere ou não a normatividade e os padrões de conduta convencionais. Isso se dava devido a pouca diferenciação social que nelas ocorriam, o que possibilita mais facilmente a relação interpessoal estabelecida por impulsos determinados por uma autoridade maior, na maioria dos casos a religião, à isso damos o nome de solidariedade mecânica.

Contudo, mesmo com a evolução da sociedade é possível perceber que esses elementos não desaparecem, e continuam nas sociedades modernas tornando a sua organização mais complexa do ponto de vista das suas condutas e das relações sociais cotidianas, pois sobrevivem manifestações pretéritas e contemporâneas.

Nessas sociedades algumas manifestações, e não só as politico-religiosas, se revestirão do véu da religiosidade. A santificação de alguns elementos na sociedade pós-moderna, assim como se dava nas pré-modernas, se darão por estarem presentes no conhecimento de todos, sendo paixões e interesses enraizados, perpetuando assim os padrões do passado.

A consciêcia coletiva reprovará justamente aquilo que pode causar quebras à esses vínculos sociais, sendo então considerados crimes os esses atos que são reprovados por ela. A ameaça à essa coesão tem ação imediata, no sentido se preservação contra o "perigo". 



domingo, 19 de agosto de 2012

Um novo modo de vida

"One life to live, one life to waste/ one chance to make the most of everything you have/ one life to give, one life to waste/ a glorious dawn awaits for those who take the chance”
The Queenstons


Iniciando sua obra chamando a atenção para o caráter singular da criação do espírito do capitalismo no ocidente, Max Weber, em Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, reflete acerca da formação desse sistema, que vem engendrar uma natureza completamente nova na modernidade, tendo a capacidade de se universalizar, no sentido de que, algo que é de uma determinada cultura, passa a ser parte do viver, do pensar e do agir em todo o mundo.

A modernização capitalista necessita da racionalização, e sem ela essa cultura seria impensável. Há de se ter, portanto elementos éticos e de conduta que possibilitem isso. Traz então a chamada ética protestante a ser uma ética universal, assim o que era a princípio uma ética religiosa, desprende-se dessa condição particular e, já hoje, é algo inerente à vivência de todos nós. Torna-se então comum à todos os homens e mulheres, o espírito racional do capitalismo.

Essa nova ética tem como novidade que os homens passam a fazer na vida cotidiana aquilo que faziam vislumbrando a vida espiritual, dessa forma trazem para o mundo terreno um determinado padrão de conduta que possibilitará não apenas o vislumbramento da vida após a morte como também a dominação do mundo físico. O que essa nova ética produz é uma perspectiva de eliminação do dualismo religioso, não existindo mais diferença entre o que é mundano e o que é espiritual, fazendo com que muito do que antes seria anti-ético se adaptasse muito bem à essa nova maneira de pensar.



domingo, 24 de junho de 2012

Ação

"Point to the sky then point to the ground/ certain things can't be defined/ Scream at the gears that turn them around/ Can't escape pass all fallen time" 
Klippa


A formação de um indivíduo em uma sociedade é um processo complexo, visto que é ele produto de múltiplos valores que são nele engendrados desde seu nascimento. Todas as suas ações seriam então resultado dos valores a sua disposição. Para chegar à objetividade social Weber então desvendará todos os fatores que implicam na ação humana.
Preocupava-se com a ascensão da ideia marxista para estudos sociais, que aplicaria pré-noções e determinismos ante a pesquisa, o dogma do econômico. Dedicou-se portanto ao estudo das diversas dimensões do pensamento social, como a religião, a cultura, o direito, a sociologia e também a economia, para poder assim entender quais os valores que movem o indivíduo e combater o dogmatismo na ciência.
Esse combate se dá pois, ao atribuir-se um dogma, uma causa única a um fato científico, elimina-se também a necessidade de sua explicação. Não cabe à ciência ditar o que os atores sociais deverão fazer, mas somente a compreender os fatos que estão sendo analisados, sem neles interferir, buscando suas raízes mais profundas.
Concluirá em seus estudos que as ações de um indivíduo poderiam então se dar por diversas razões: influenciada pelas tradições locais ou culturais; tomadas em momentos de alta emoção, onde não cabe a racionalidade; relacionadas à algum valor que se possui ou que se quer defender; ou tomadas com vistas a determinado objetivo.

domingo, 27 de maio de 2012

Preço do sossego

"Neste mundo é mais rico, o que mais rapa / quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa/ quem menos falar pode, mais increpa / quem dinheiro tiver, pode ser Papa”
Gregório de Matos, adaptação por Zeca Baleiro


Grandiosa é toda a tecnologia que possuímos hoje, e que se desenvolve cada vez mais a cada segundo. Notável é o nível de produção que o homem alcançou nos últimos séculos, possibilitando uma vida cada vez mais confortável. Podemos sim dizer que esses avanços na humanidade são frutos do capitalismo, alcançados devido às necessidades do mercado e a constante competição. Porém, ao mesmo tempo que carrega a abundância como um de seus preceitos, essa mesma só pode ser usufruída por uma pequena parcela. O sistema carrega dentro de si a riqueza de uma classe em favor da miséria de outras.
Ele se mantém devido à força de trabalho operária, que põe as máquinas em movimento. Antes, o trabalho que era feito artesanalmente, cada um com suas ferramentas, aliando produção ao aprendizado, agora, é explorado pelo detentor dos meios de produção. Estes, pertencendo a um único dono, possibilitam uma grande divisão do trabalho, que afasta cada vez mais o produto final de quem realmente o fabrica. Dessa forma o trabalho é explorado em grande escala, pois o operário, alienado, é incapaz de perceber que parte realmente o cabe, e todo o trabalho que não lhe será pago torna-se lucro do patrão.
O sistema é opressor e se sustenta no abuso de outrem, subjugando a maior parte da população, que não pode gozar de seus frutos. Ele deverá então ser superado, não abalando totalmente sua estrutura, mas adaptando-a à um novo sistema mais igualitário. Os meios de produção deverão ser tornar de proveito de todas as classes. A abundância será repartida por todos, assim como a tecnologia também será utilizada para o bem geral, garantindo o conforto e bem-estar. Deve-se inverter o paradigma atual de Produção, pelo de Humanidade.


Zeca Baleiro - Eu Despedi o Meu Patrão

domingo, 29 de abril de 2012

Ponto de Vista



"'Cause I don't care where I belong no more./ 

What we share or not I will ignore./ 
And I won't waste my time fitting in./ 
'Cause I don't think contrast is a sin.
 
Millencolin


O grande desenvolvimento técnico-científico que existiu no século XVIII durante a Revolução Industrial e as consequentes transformações na sociedade decorrentes dele levou à concepção do cientificismo, que defende a utilização do método das ciências da natureza para todas as outras áreas do conhecimento. Comte, com sua filosofia positivista, instala, em detrimento da teoria do conhecimento, a teoria das ciências, classificando-as em: matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia, indo da mais simples e abstrata à mais complexa e concreta. Para ele toda forma de conhecimento agora adviria das realizações das ciências empíricas, alcançando até a religião.
A sociologia, da qual se diz fundador, é definida utilizando modelos da biologia, tratando da sociedade como um organismo vivo, onde cada órgão teria sua função definida e vital para o corpo. Nesse caso a vontade do indivíduo se perderia frente a vontade coletiva, pois esta última deveria prevalecer para que haja o bom funcionamento do todo.
Porém é impossível defender a objetividade e neutralidade das ciências, pois sendo produzida por humanos, está sujeita a impressões e paixões pessoais, marcadas principalmente pela ideologia do pesquisador. Pode-se observar dessa forma a filosofia de Comte como reação conservadora frente à Revolução Francesa, da qual tomou postura anti-revolucionista. Instituindo a ordem em todo o seu trabalho, desde a organização das ciências em hierarquia, até a justificativa da imobilidade e da estratificação social, exaltando um dogmatismo sem limites.
Não há como obter dados brutos da nossa percepção do mundo, da mesma maneira que não podemos traçar objetivos sem os influenciar, pois cada um dará uma significação ao seu objeto de estudo.



Millencolin - No Cigar