Se Durkheim acordasse hoje
Assim que levantei da cama fui olhar na janela do hotel, perdi-me refletindo sobre a arquitetura urbana da capital, as vias planejadas de Brasília assemelhavam-se a vasos sanguíneos, com as avenidas sendo artérias, com um fluxo maior e mais rápido, cortadas por ruas como veias. Fiquei 5 minutos apreciando essa vista, e notei que a sociedade parece um sistema vivo, cada pessoa conectada vivendo e produzindo fatos sociais, os quais contribui para a coerção social.
Indaguei-me pensando onde essa lógica tem início, rapidamente conclui que é na educação, uma vez que ela molda o nosso ser social, anexando comportamentos de maneira que torne natural. Como por exemplo, quando sai do quarto e entrei no elevador, as 3 pessoas que já estavam nele apenas me cumprimentaram com um coro de “bom dia", após isso surgiu um silêncio respeitoso, como uma solidariedade orgânica.
Saindo do hotel, eu vi um homem furtando a bolsa de uma moça e rapidamente corri em direção deles para intervir na situação. Não consegui alcançar o indivíduo e infelizmente a bolsa não foi recuperada, quando os ânimos se acalmaram pensei: Por que tive essa reação instantânea de correr ao ver o furto? Na verdade, o ato se configurava em um crime não pela ação em si, mas porque a cultural social enxerga aquilo como errôneo, ferindo a consciência coletiva, e consequentemente, a minha.
Após isso, ver o espanto da mulher floresceu em mim um forte sentimento de vingança, desejando que o sujeito fosse pego e preso. No entanto, a sua punição não deveria ter a finalidade de suprir meu sentimento, em realidade teria que garantir o equilíbrio, reafirmando a moral para os “homens honestos”, evitando a anomia.
Phelipe Tarosso Maravilha - 1o ano Direito (noturno)
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