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segunda-feira, 27 de abril de 2026

A peça que queria ser outra coisa

Era uma vez, em um lugar muito distante e isolado, uma biblioteca enorme, um lugar que mistura a arquitetura gótica com um grande escritório repleto de arquivos importantes e livros altamente conservados, e vários papéis que chegam todas as semanas para serem revisados e carimbados pelos funcionários. Havia uma sala somente para armazernar todas ad tintas com as cores vermelho, azul e preto. A escrita era de suma imporância já que com elas que eram escritas todas as ações e atos do mundo vizinho, pois a biblioteca era como um único mundo, sem vista para fora, quem habitava ali não poderia sair porque não havia saída, mas também a função de quem ali estava não implicava em se retirar de lá, logo não haveria necessidade de portas para se retirarem, as paredes não tinham um fim. O barulho constante de carimbos e o folhear das páginas eram intermináveis. 
Lea era uma escrivã de destinos, seu trabalho juntamente com o de mais pessoas consistia em receber as folhas do mundo vizinho e válidar as açoes do indivíduo em especifíco como "solidariedade", para o vizinho que ajudou alguém, e "patologia" para quem cometeu algum crime. Em minutos ela carimbava dezenas de papéis, suas mãos já não eram controladas por ela mesma, agora era uma espécie de motor, algo automático. Certa vez, a reposição de tintas de Lea estava acabando, ela se viu encurralada a ir na sala de tintas, mas ainda assim ela não parou de usar as tintas restantes. Até que sua tinta acabou, suas mãos pararam. Ela levou um susto, nunca havia parado de escrever sem que desse o horário de final do expediente. Ela olhou ao seu redor e viu todos concentrados e agindo todos em um mesmo movimento. Então Lea percebeu que suas mãos eram como a deles: Elas agiam sozinhas. Ela não escrevia o que queria, mas o que a caneta guiada pela vontade da biblioteca esperava, uma espécie de programação. No fim do dia, Lea chegou a comentar sobre está percepção com seu amigo Caleb, mas com bastante discrição. No entanto, ele disse: 
- Você está louca Lea, essa é nossa função. 
- Mas quem escolheu está função para nós Caleb? - dise ela. Mas não obteve resposta.
No dia seguinte, Lea estava em seu posto, anotandando os registros dos indivíduos vizinhos. Até que ela recebe uma folha em branco. "Como poderia isso acontecer?", pensou ela, é como um bug no sistema. Então ela percebe que a ficha está em branco, mas tem seu própio nome, assim ela encara a folha não mais com estranheza, mas como uma oportunidade para talvez escrever seu destino. "Lea decidiu ser artista...", ela transcreve ao papel estas palavras, mas assim que finaliza, ela vê que atinta não se fixa no papel. A biblioteca rejeita qualquer texto que não tenha sido "aprovado" pelo custume social dali, Lea não podeira ser tal coisa pois esta não seguia o ritmo de seus colegas. Contudo Lea não desiste, ela escreve novamente, tentando reverter o destino que lhe imporam para escrever um ao qual sua vontade seja exercida, mas de novo a tinta sai, como uma mágica. E tenta de novo, e de novo, mas nada ocorre, sempre o mesmo resultado. Já cansada, Lea não tem mais esperanças, assim, ela decide fazer algo irrepudiável, ela rasga a própia ficha. No momento em que ela rasga o papel, o silêncio na biblioteca se torna ensurdercedor. Todos os outros escrivães olham para ela. É a vigilância social em seu estado puro. O cenário começa a se desfigurar, as gavetas começam a se abrir sozinhas, expelindo papéis, sem a classificação do papel rasgado, o setor inteiro entra em anomia. Até que Lea se levanta rapidamente e tenta ir de encontro com a saída da biblioteca, mas ela não a encontra, ela percebe que não era apenas uma empregada da biblioteca, mas parte dela, se ela não for a escrivã, ela não é nada. Então seus amigos assustados também sentem vontade de se levantarem, mas não conseguem parar de escrever e carimbar, é mais forte do que eles. Em um certo trecho do caminho Lea se depara com o Grande Bibliotecário, com o rosto coberto, um indivídio alto e forte, mas sem identidade definida, ele diz em alto bom som como se fossem a voz de mil pessoas falando ao mesmo tempo: 
- Você não é a autora da sua história Lea. Você é apenas a tinta que a sociedade usa para escrever a dela.
Assim, ao ouvir essas palavras, instantaneamente Lea volta para sua cadeira como em um truque de mágica, ela se sente estranha, como se tudo aquilo fosse um sonho, mas ela sabia que foi real. As regras da biblioteca estavam lá antes dela nascer, isso era inegável e não se podia ir contra este fato. 
Seu amigo Caleb olha para ela e diz: 
- O que foi isso Lea? Todos ficaram olhando para você, não sentiu vergonha? Achei que você iria fazer uma revolução, não disse que aquela ideia era maluca? Vamos, volte a escrever, coloquei mais tinta ontem à noite para você aí do seu lado. 
Lea frustada, voltou a escrever, sem esperança alguma, passando sua vida na grande biblioteca, um cimitério de sonhos e escritora de destinos. 

Ariane Martins| 1°ano de Direito-Noturno

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