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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Durkheim e a Dialética hegeliana: o desenvolver social


A teoria do Fato Social tem claros traços da dialética hegeliana, isto é, sob o princípio da tese e antítese formando uma síntese que, na sociedade, poderia ser entendida como o status quo em vigência em determinada época. Sob essa dinâmica, Durkheim poderia ler a sociedade atual composta por um status quo conservador e repleto de fatos sociais que assegurariam a estabilidade dessa cristalização social. Logo, a visão acerca da dialética social que teria Durkheim poderia se a de uma sociedade com instituições rígidas, porém repleta de cidadãos anômicos, os quais desrespeitam intensamente os fatos sociais estabelecidos.

Por outro lado, o que veria Friederich Hegel na síntese social hodierna, seriam apenas teses e antíteses moldando a eterna síntese dialética. Isto é, para ele os “anômicos” teriam uma pressão dialética de contraposição ao status quo. A síntese, sem julgamento de valores, seria aquele que maior potencializasse sua pressão dialética.

O que errou Durkheim foi não considerar a antítese grande força benéfica para a sociedade. Ele realmente admite um gradual, lento, e quase burkeano, desenvolvimento da sociedade. Mas ao mesmo tempo em que aponta isso como um “mal inevitável”, traz o fato social como a principal ferramenta para evitar essa evolução. Desta forma, entende-se que a dialética hegeliana é mais democrática que o fato social de Durkheim.

Sem julgamento do que seria bom ou ruim, Hegel teorizou as forças contrapostas, como já dito aqui, que gerariam algo novo. Porém, os resultados desse diálogo poderia ser devastador ou construtivo, a quem cabe então determinar se uma, nas palavras de Durkheim, anomia social seria em longo prazo a raiz de uma sociedade mais democrática e benéfica?

Muito difícil é tal questão quanto observada de modo quantitativo, uma vez que a História apresenta duas tradições distintas, ambas com incontáveis perdas humanas, mas ambas podendo ser apresentadas como exemplo de democracia hoje. Inglaterra, por um lado, adotou uma política conservadora e com um lento e gradual avanço no sentido de direitos. Tal política foi, de fato, responsável por condições inumanas aos operários em fábricas, às minorias sexuais (que somente obtveram seu direito de existir em meados do século XX!), às mulheres sufragistas, e tantos outros exemplos. A França por outro lado, de regime em regime passou por mais de dez constituições em menos de três séculos, o que demonstra grande instabilidade fruto das referias anomias sociais, com mortes incontáveis nas Revoluções Francesas, mas que, hoje, é considerável um dos países exemplo da dinâmica de Estado Democrático de Direito.

Portanto, não sou capaz no momento de responder tão forte questionamento. O que posso ver, porém, com os recursos que tenho hoje é que o fato social é, em essência, uma ferramenta ideologica utilizada para alimentar o status quo e o desenvolvimento humano de forma conservadora e desigual.

Vinícius Henrique O. Borges
1º ano Noturno

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