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segunda-feira, 5 de julho de 2021

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males

 Bem dito pelo teólogo Paulo de Tarso, a ganância pelos bens monetários é a principal característica do sistema capitalista vigente, onde tudo o que se pensa e se faz é objetivando o lucro, não importa se para efetivá-lo seja necessário poluir, desmatar e matar, se tornando assim a estrutura dos malefícios sociais. Um grande exemplo disso é o escravismo, exploração de matérias primas de forma desregulada, corrupção etc. Tais situações são nítidas em países capitalistas, como o Brasil, e é um forte contribuinte à concentração majoritária dos bens da nação estarem restritos a uma pequena parcela da mesma, formando assim, um dos países mais desiguais do mundo. 

No filme "ponto de mutação" é observado a preocupação de Sônia com os problemas ecossistêmicos perpetuantes no planeta Terra e acentuado após o advento das Revoluções Industriais. Nesse sentido, ela explica a Jake sobre eles de forma profunda, criticando o método cartesiano, que separa cada problema e disseca-os até chegar na sua raiz, ela trata os problemas na sociedade em conjunto, afirmando que os mesmos crescem juntos e um afeta o outro, portanto devem ser tratados concomitantemente. Dessa forma, Jake entende acerca desses imbróglios mas sabe que teria enorme resistência para solucioná-los, uma vez que o sistema capitalista o impediria justamente por tocar no seu bem mais precioso: o lucro.

O filósofo Francis Bacon defende que os fatos verdadeiros devem ser assim considerados após longas observações e experimentações reguladas pela lógica racionalista. Contudo, mesmo sendo de conhecimento de todos (através do empirismo e dados científicos) que os recursos naturais têm sido lesados pelo sistema capitalista a ponto de previsões assustadoras de caos futuros se avizinharem da realidade, a ambição e a ganância tapa os ouvidos e cega os olhos dos políticos e poderosos a ponto de encomendarem cada vez mais um ambiente hostil para a vivência humana em décadas vindouras, para satisfazer seus próprios interesses.

É notório, portanto, que infelizmente se vale de tudo em nome do dinheiro na contemporaneidade e que não há hesitação em crucificar civilizações e destiná-las a pobreza e condições desumanas e degradantes se existir lucro nessas práticas. Dessarte, é indubitável que o que preconizou Paulo de Tarso nas escrituras sagradas é muito evidente na sociedade hodierna. Ademais, é válido destacar que só há um meio para erradicar, ou ao menos coibir consideravelmente essa mazela e proporcionar vida digna a todos os cidadãos do mundo: o ser humano se abdicar de sua própria natureza gananciosa e egoísta para não colocar seus interesses e bem estar na desgraça e pobreza alheia, e isso não é nenhuma benesse, mas sim equidade e altruísmo.

Ética, crise ecológica e a ingenuidade dos seres

 “Penso, logo existo”. A célebre frase do filósofo francês René Descartes sintetiza o que passaria a caracterizar a essência do pensamento científico moderno: a valorização da racionalidade humana. Ambientada na transição da Idade Média para a Idade Moderna, essa nova corrente filosófica supera as crenças e superstições que contaminavam a produção de conhecimento durante o período medieval e passa a fundamentar seu pensamento sob a ótica do antropocentrismo, questionando não mais o que é a verdade, mas sim como é possível atingi-la, utilizando o racionalismo e o empirismo como as duas principais bases epistemológicas de orientação para o desenvolvimento de um método científico.

Nesse contexto, o filósofo racionalista René Descartes desempenha um papel fundamental na consolidação do pensamento científico moderno. Em sua obra “O Discurso do Método”, ele discute de que maneira a razão humana deve buscar o conhecimento sólido e a verdade irrefutável, adotando uma postura cética de crítica diante do dogmatismo da opinião. Desse modo, Descartes pontua a necessidade de tudo duvidar, colocando em questão, inclusive, a sua própria existência, pois, segundo ele, nossas crenças, nosso senso comum e, principalmente, nossos sentidos são capazes de nos enganar e tomar conta do nosso intelecto.

Além disso, é importante destacar o filósofo inglês Francis Bacon, outro importante propagador da ciência moderna e do empirismo como produção de conhecimento. Em sua teoria, Bacon propôs a existência dos ídolos, falsas noções e hábitos mentais presentes no intelecto dos homens - responsáveis por prejudicar o avanço da ciência e da racionalidade - daí a urgência de ultrapassar os erros e regular a mente humana através de um método indutivo baseado na observação precisa e minuciosa dos fenômenos da natureza, a experiência. Nesse sentido, infere-se que, apesar de representarem teorias com embasamentos distintos – racionalismo e empirismo -, os dois pensadores concordam no que diz respeito ao propósito da ciência moderna: a transformação da vida dos homens e a dominação da natureza.

À luz dessa ideia, a filosofia moderna traz consigo o conceito de que a ciência deve comportar-se como elemento voltado para o bem-estar dos seres humanos e a produção de conhecimento como atividade pública na luta contra a natureza. Todavia, uma leitura insensata desses princípios fez com que a racionalidade humana se desviasse dos critérios da ética e, por conseguinte, envaidecesse os homens a ponto de influenciar negativamente as relações do mundo contemporâneo.

Mudanças climáticas, aquecimento global, perda de vegetação nativa, extinção de espécies e destruição da camada de ozônio são alguns exemplos do que a dominação predatória da natureza foi e é capaz de refletir em toda vida existente na ecosfera. A antiga e comum concepção de que conhecimento é poder, quando erroneamente interpretada e aplicada é responsável por colocar os homens acima dos demais indivíduos, sob um viés autoritário que não busca a convivência harmônica com a natureza, mas sim a supremacia dos desejos dos seres humanos a qualquer custo.

Essa discussão ganha maior amplitude no longa-metragem “Ponto de Mutação”, no qual as personagens debatem acerca da relação homem-natureza, afirmando que, diferente do que diziam os filósofos modernos, os seres humanos e o planeta são, na verdade, um só, uma só realidade e uma só consciência. Em conformidade com esse pensamento, inúmeros movimentos de resgate da natureza vêm sendo disseminados na atualidade, como a proibição do uso de canudos plásticos, a diminuição do gasto de água e o descarte consciente de resíduos. Contudo, apesar de significarem o início de uma mudança, essas pequenas atitudes passam uma falsa ideia de restauração do planeta quando, na realidade, são insuficientes para reverter toda a destruição que foi feita durante todos esses anos.

Dessa forma, a ausência de uma análise mais minuciosa da realidade, como foi proposto pela própria filosofia moderna, faz a população esquecer o verdadeiro responsável por essa exploração que se instaurou. A maximização dos lucros que conduz o modo de produção capitalista tem por base a exploração, alienação e expropriação da força de trabalho juntamente com a deterioração da base de produção econômica – a natureza. Logo, a consolidação do capitalismo foi historicamente sustentada pelo domínio e transformação de tudo em mercadoria, estabelecendo uma contradição pois, tal postura destrói a base de acumulação desse sistema, tornando-o insustentável.

Em suma, a essência do pensamento moderno faz-se necessária ainda nos dias atuais, uma vez que a racionalidade humana e a investigação da realidade são indispensáveis para evitar que o senso comum e a negligencia de informações superem a produção segura de conhecimento. Em vista disso, a ciência deve ser utilizada para examinar cautelosamente a origem dos problemas, fazer questionamentos e transformar a vida dos homens sem comprometer sua existência e sua relação com os demais seres pois, como afirmou bacon, teoria e prática devem caminhar juntas; ciência e ética são faces de uma mesma moeda.

Giovanna Cardozo Silva - Turma XXXVIII - matutino

A importância da experiência no âmbito letivo e profissional

 

Na sociedade atual, é importante refletir sobre o porquê de a experiência ser considerada um status tão elevado nos currículos profissionais Com pouco ou nenhuma análise crítica, tem-se a ideia de que: o papel dos experimentos no âmbito profissional e no ensino é idêntico. Como consequência direta disso, muitas confecções do currículo contemporâneo, com ênfase naqueles que envolvem trabalho prático, acabam sendo confusos e de pouco valor educacional.

Dessa forma, deve-se levantar duas questões: Qual a importância da experiência para o currículo?  Qual é a importância da experiência para o ensino acadêmico? Esses apontamentos enfocam as maneiras sobre como os professores poderiam utilizar a prática a favor da aprendizagem, com o intuito de demonstrar a natureza do experimento e para entregar aos estudantes uma forma de fazer sua própria “investigação” sobre determinado assunto.

Francis Bacon, um dos representantes do empirismo, bem como o defensor de um novo caminho do conhecimento, através do método indutivo experimental, pode ser interligado a esse assunto. Bacon foi um dos fundadores do pensamento moderno, visto que expos de forma sistemática o método indutivo, contribuindo com o desenvolvimento da ciência moderna. Nesse âmbito, o filósofo assume uma função de orientador, por sua ação contra o senso comum e as falsas percepções de mundo, denominada ídolos. Tais ídolos dificultaram o objetivo de compreensão da realidade, em outras palavras, impedem a busca pela verdade, pois, segundo Bacon, “os homens não cessam de fazer abstrações sobre a natureza, até atingir a matéria potencial e informe; nem cessam de dissecá-la até chegar ao átomo. Tudo isso, ainda que correspondesse à verdade, pouco serviria ao bem-estar do homem.” (NO, p.29)

A tendência dos currículos escolares em reduzir a função da experiência a uma “verdade geral”, deixa de lado a ideia de que a experimentação é um fator para geração de conhecimento. Sendo assim, é incorreto sugerir que se aceite uma verdade sem antes comprová-la, pois, como exemplo, em campos menos desenvolvidos da ciência, é de suma importância que os pesquisadores se dediquem a experiências pré-teóricas para o desenvolvimento da conceituação.

Matheus Vinícius dos Santos Serafin - Matutino

A problemática da dominação ambiental para benefício humano

             No século XVII, René Descartes e Francis Bacon desenvolveram as bases epistemológicas da ciência moderna. Para ambos, a ciência deveria deixar de servir como mero instrumento de contemplação do mundo, e se tornar meio de transformação. Em sua obra “O discurso do método”, Descartes propõe a ciência como recurso voltado ao benefício do ser humano, a partir da busca de suas finalidades práticas, enquanto Bacon defende a dominação da natureza.

Essa interpretação da natureza é extremamente vigente na história humana, em que a extração de recursos para fins práticos ocorre recorrentemente. Vários benefícios para o homem foram alcançados dessa forma, desde a Antiguidade, a partir de invenções e tecnologias que melhoram e facilitam demasiadamente o cotidiano da população, como eletrônicos, medicamentos e meios de transporte modernos.  

Entretanto, no sistema capitalista, as transformações da natureza promovidas pelo ser humano estão ultrapassando o limite suportado pela mesma. No filme “O Ponto de Mutação", a personagem Sonia critica essa visão de Bacon de dominação do planeta, visto que o filósofo argumenta que a natureza deveria ser “torturada” em prol do homem.  Por conta dessa exploração desenfreada em busca do lucro, que na realidade beneficia desigualmente a população mundial, uma crise ambiental se instaurou na Terra. O aquecimento global, degradação dos solos, escassez de água, poluição de rios, perda de biodiversidade e acúmulo de lixo são apenas alguns indícios da gravidade da degradação ambiental atual. 

Assim, de certo modo, essa dominação da natureza não beneficia verdadeiramente a população, como era defendido por Bacon. A crise climática conduz um sério risco de extinção da vida humana e de outras espécies na Terra, em um futuro relativamente próximo. Ademais, o uso desenfreado de recursos favorece uma minoria privilegiada, às custas da exploração da maior parcela do contingente populacional, que sofre com a falta de acesso a serviços e tecnologias básicos. Portanto, a partir da análise da situação atual mundial, pode-se afirmar que a ciência moderna age como elemento de transformação, construção e destruição, simultaneamente. 


Sofia Garbarino Nogueira- 1º Período - Matutino - Turma XXXVIII

 

Sociedade Contemporânea: entre o saber científico e as Fakes News

   O mundo contemporâneo é responsável por transformar os meios de comunicação mediante à tecnologia. Nesse sentido, a globalização é responsável não só por facilitar o acesso à informação mas também por diminuir o exercício do pensamento crítico e racional, uma vez que a circulação de noticias falsas, isto é, as Fake News, compromete a capacidade de questionamento do homem a respeito da realidade. À exemplo disso é a negligencia no combate à pandemia pelo Governo Federal, a negação das vacinas e a insistência pelo tratamento comprovadamente ineficaz contra a covid-19.

   Em vista disso, surge como expectativa um despertar da comunidade científica a fim de divulgar a importância do combate às Fake News. Na prática, isso pode ser realizado mediante às bases epistemológicas da ciência moderna, uma vez que segundo Descartes, por meio da obra “Discurso do Método”, afirma que o desenvolvimento do raciocínio garante um maior poder de convencimento por intermédio do diálogo. Desse modo, surge como proposta de intervenção a divulgação dos dados de pesquisa, os debates e as dúvidas a respeito de uma comprovação científica a fim de promover o desenvolvimento do pensamento crítico daqueles que não estão inseridos nas instituições acadêmicas.

   Portanto, a ciência contemporânea dialoga com a acepção da ciência moderna, uma vez que ambas concluem que para que haja a compreensão da realidade, deve-se lançar mão da racionalidade e observação. Assim, no mundo contemporâneo, apesar dos novos meios de comunicação desestimular a busca pelo conhecimento, pode-se afirmar que a comunidade científica busca estimular o desenvolvimento do pensamento crítico do homem a fim de garantir o bem estar social.

 

Italo de Abreu Correia – Direito Noturno – turma 38

Os impactos de Descartes e Bacon no mundo moderno e contemporâneo

 

A influência de Descartes e Bacon na mente do homem moderno é inegável. Fascinados por esse novo método, que buscava uma finalidade prática da ciência, o homem moderno se viu abandonando a filosofia vigente, a filosofia dos gregos. Em resposta a isso, o pensamento humano deixa de lado o carácter contemplativo das ciências e prioriza o seu carácter utilitário. O objetivo da investigação científica agora é utilizar a razão e a experimentação para transformar, intervir e dominar a natureza.

Essa nova base epistemológica gerou inúmeras descobertas positivas nas ciências exatas e humanas, a nova maneira de pensar o mundo de Descartes e Bacon propõe uma análise até então nunca feita. Olhar todas as coisas com um olhar minucioso e questionador deu a ciência da época novos ares. Mas embora tenha tido seus resultados benéficos, trouxe também consequências terríveis, as quais o mundo vive até hoje.

Para Bacon e Descartes, essa nova e verdadeira forma de conhecimento faria do homem o senhor do mundo. Das grandes navegações à revolução industrial (as grandes vitórias do mundo moderno e contemporâneo), os eventos serão todos acompanhados de exploração dos povos e do meio ambiente. Essa concepção de que o homem poderia dominar o globo provocou o desmatamento, a poluição, aquecimento global e o abuso de vários pessoas e culturas. O novo método realmente transformou a realidade, para o seu bem e a sua ruína.

A importância da contemplação e reflexão dos clássicos gregos, tão criticada pelos iluministas, tem seu papel quando o assunto é o uso consciente dos recursos disponíveis à humanidade. É necessário entender a importância e o papel de cada elemento para saber usá-los com consciência e discernimento. A falta do cartesianismo foi essa, o olhar racional e especializado que desconsiderou os efeitos a longo prazo da forte intervenção do fluxo natural da vida.

A divisão da realidade em várias parcelas também fez com que os pesquisadores se esquecessem que toda existência faz parte de um grande sistema. Portanto, quando se interfere em uma parte, mesmo que pequena, desse vasto conjunto, vários segmentos serão afetados. Tendo como exemplo a revolução industrial, podemos ver que a mudança no modo de produção impactou: a economia, com o fortalecimento do capitalismo, a vida social, com o advento do proletariado e da burguesia industrial, no pensamento da época, com o surgimento das teorias de Marx, e até na demografia, com o êxodo rural.

Em suma, o racionalismo moderno proporcionou avanços significativos as gentes, avanços que facilitaram a vida cotidiana e deram conforto e segurança as pessoas. Contudo, não se pode ignorar os impactos nocivos dessa nova forma de interpretar o mundo proposta por Bacon e Descartes. O racionalismo e uma particularização exagerados, associado a desvalorização de uma filosofia contemplativa, fez os homens esquecerem que são componentes do planeta, não donos dele. O que o indivíduo moderno não entendeu, e o contemporâneo começa a compreender, é que quem afeta o meio em que se vive acaba afetando a si. E que a natureza é um grande sistema, do qual fazemos parte, e se mudarmos uma parcela se quer, todo resto será abalado.  


Laura Lopes de Deus Pires

Direito matutino

Novos Princípios e a Destruição do Planeta

   

    Por que fazemos o que fazemos? Como colaboramos para o funcionamento da Terra e a manutenção do sistema? Nascer inserido em uma realidade imediatista acaba  limitando nossa capacidade de percepção e compreensão dos eventos, devido a grande ocorrência e a velocidade dos mesmos.Por consequência disso, acabamos minimizando a natureza, reduzindo-a apenas na condição de provedora, também ignoramos a complexidade da sociedade em que estamos inseridos, onde cada parte da população fica responsabilizada por cumprir seu papel dentro da realidade capitalista. Como exemplo de tal minimização, podemos citar os hábitos de consumo majoritariamente insustentáveis que populações são induzidas a manter, devido a cultura de minimização das coisas, eventos e até mesmo da vida como um todo. Estrutura de consumo estratosférica, onde cada dia mais os princípios de produção e logística são postos a prova, não só desafiando o meio ambiente, mas também destruindo o mesmo.

   No filme "O Ponto de Mutação", o pensamento do filósofo racionalista  René Descartes é utilizado para justificar a estrutura do mundo contemporâneo através da concepção da Terra como uma máquina perfeita. Entretanto, quais seriam os objetivos desta máquina? Na contemporaneidade, os objetivos estão pautados nos interesses das grandes potências e dos detentores dos meios de produção. Nenhum país pode ser considerado irrelevante dentro dessa lógica, devido ao papel que cada um tem a cumprir. Exemplo disso são os países periféricos servindo até hoje como quintais para grandes potências imperialistas, que não necessariamente se aproveitam dos recursos naturais, mas também, infelizmente, da mão de obra precarizada e vulnerável onde até mesmo crianças fazem parte. Entretanto, é possível evidenciar que a percepção racionalista de Descartes acabou sendo distorcida ao longo do tempo, já que o método dúvida, por exemplo, não é repassado para a sociedade como um todo. Isso, talvez, alteraria a concepção do coletivo sobre a realidade,

  Além disso, em "O Ponto de Mutação", a percepção de Bacon sobre o uso da ciência como um objeto de tortura a natureza também é problematizada, já que atualmente  esta dissociação entre o ser humano e a natureza é usada como justificativa para a destruição em massa e sem precedentes da mesma. Na era de grandes progressos científicos, o filme questiona o real objetivo de tais motivações e evidencia que lamentavelmente nos últimos anos foi e é possível observar um redirecionamento da produção científica, que não se limita mais a ser promovida em prol de um bem maior, mas que se mostra atualmente como elemento essencial na manutenção do sistema vigente, não só desenvolvida para promover grandes lucros, mas também com grande potencial como poderio militar. Este ponto é levantado pela personagem Sônia, que mantinha  severa desilusão não só sobre sua profissão mas pelos avanços “positivos” da sociedade também.


Ana Beatriz Costa, 1° semestre de Direito - Turma XXXVIII






O fanatismo cega!

“Questionar as crenças religiosas não é falta de educação. Falta de educação é impor essas crenças como únicas, verdadeiras e inquestionáveis.” (Andrew Amaurick)

Na idade média a única forma de se obter conhecimento e comprovar pensamentos era a religião. Porém, no século XVII surgiram pensadores capazes de fazer a sociedade refletir sobre a forma que as pessoas da época adquiriam conhecimento. Como grandes exemplos podemos citar Rene Descartes e Francis Bacon, ambos contribuíram grandemente para a epistemologia da ciência na época, Descartes por meio do método cartesiano baseado na corrente Racionalista e Bacon por meio de seu Empirismo. Dessa forma, mudaram de modo extremamente positivo a busca pelo saber que agora procurava um conhecimento científico.

Descartes trás a reflexão de que se deve duvidar de tudo, menos da própria razão, que é o instrumento que auxilia o homem a encontrar o verdadeiro conhecimento. Além disso, vale lembrar o pensamento de Bacon de que “O intelecto humano não é luz pura, pois recebe influência da vontade e dos afetos, donde se poder gerar a ciência que se quer. Pois o homem se inclina a ter por verdade ou que prefere”.

Porém, com o passar dos anos, podemos notar que essas virtudes e o aprendizado obtido através dessas frases e pensadores se perderam. O negacionismo e o uso extremo da religião para obtenção de conhecimentos e a verificação de sua veracidade mostram que as grandes epistemologias da ciência moderna se perderam na contemporaneidade. Em plena pandemia do COVID-19 no Brasil, há quem diga que aglomerações em cultos e sem o uso de máscaras não pode fazer mal a ninguém porque Deus protege as pessoas, ou quem acredite em tudo que é dito na internet ou pelo pastor sem buscar uma confirmação ou apurar a veracidade das informações.

Portanto, pode-se dizer que a epistemologia, que estuda a ciência e a sua forma de obter e justificar os conhecimentos, criada na Idade Moderna, ao invés de ser aprimorada pela maioria da população, tem sido ignorada, o que gera um enorme negacionismo científico e uma sociedade facilmente manipulável pelas Fake News e influenciável pelas crenças populares. 

LUCCA ROMANO BIGESCHI, TURMA XXXVIII, 1º PERÍODO, DIREITO.

"Saber é poder" e poder se tornou destruição

 

A imagem que o homem tem de si mesmo diante da natureza mudou muito através dos anos: o ser humano já se viu como parte dela; como parte de um propósito divino; como seres superiores aos outros presentes no planeta Terra; entre outras visões. O homem moderno, por sua vez, compreendia a grandiosidade da natureza e sua independência em relação ao ser humano — mas, ainda assim, se julgava capaz de dominá-la pelo benefício da humanidade. Com a chegada dos tempos contemporâneos, o ser humano se deparou com o pior lado de si mesmo: os resultados de tanta procura por poder se manifestaram na Primeira e Segunda Guerra Mundial, e eles não foram bonitos — ao menos não para todos. 

Para entender como a sociedade tomou esse rumo, é necessário voltar à modernidade, anos que sucederam a Idade Média — em que o conhecimento científico estava praticamente estagnado e preso à tradição - e que a busca por conhecimento renasce na humanidade e, dessa vez, vem para ficar. A filosofia estudada até então era baseada na que foi produzida na Grécia Antiga (em sua maioria), época em que o homem via a razão como sua maior virtude. Em oposição a essa tradição filosófica, na visão do filósofo moderno Francis Bacon o experimentalismo também era importante na busca do conhecimento. Para ele, o conhecimento tinha que ter alguma aplicabilidade - pois com esse tipo de conhecimento o ser humano poderia aprender a entender a natureza e dominá-la, essencial para expandir os horizontes da humanidade. Nota-se em seu raciocínio o início da busca da dominação da natureza, que se concretizou como motivação do homem na procura do conhecimento, assim como Bacon disse que deveria ser.

Ainda na Idade Moderna, outro filósofo duvidava da tradição intelectual que guiava seu tempo - e não só dela, mas duvidava de tudo. Para Renée Descartes, era necessário duvidar para alcançar o conhecimento, e assim como Bacon ele duvidou daqueles que o antecederam. Na visão cartesiana, muito do que foi produzido anteriormente era inútil para a humanidade em termos práticos e era por isso que o ensino tradicional era falho — para ele, a ciência deve ser usada para o bem do homem, o que pode ser feito através da dominação da natureza. Aqui, nota-se a semelhança no pensamento de dois grandes filósofos modernos: a ideia de que a ciência é o instrumento pelo qual o homem irá dominar a natureza para se beneficiar.

Por motivos óbvios, Bacon e Descartes não viveram para ver o que ocorreu nos séculos seguintes: ficariam felizes ao ver que o homem realmente buscou conquistar a natureza através do conhecimento científico. Porém, gostaria de saber o que diriam se vissem os grandes desastres ambientais causados pela busca incessante do homem por poder, ou episódios como o de Hiroshima e Nagasaki que foram causados pelo mau uso do conhecimento atômico. No filme "Ponto de Mutação" uma das personagens discursa sobre esse assunto, dizendo que abandonou a vida científica ao ver o que era feito com sua pesquisa que poderia ser usada para a evolução da medicina, mas foi aplicada no campo bélico. É evidente que, nessa busca pela dominação da natureza, o homem se perdeu na própria ganância: entre ter poder e garantir um mundo adequado para as futuras gerações, a humanidade escolhe a primeira opção sem pestanejar, mesmo que ela signifique destruição.

Há alguns séculos atrás, como na época de Descartes e Bacon, essa busca incessante por poder sobre a natureza fazia sentido — a humanidade não conhecia os próprios limites, quem dirá os da natureza. Entretanto, ainda ver o mundo como algo a ser dominado e explorado pelo homem depois de assistir todos os acontecimentos desastrosos que se sucederam por causa do mau uso da ciência é negligenciar a ganância dos seres humanos e a necessidade que a vida humana tem de um planeta 'saudável' — pois se a raça humana inteira for extinta, a Terra continuará existindo por milhões de anos, mas se a Terra perecer (como está perecendo agora pelas mãos humanas) a humanidade não dura um dia.

Portanto, é evidente que o pensamento de Bacon e Descartes em relação à natureza foram muito úteis e revolucionários para sua época. Todavia, agora que o homem tem uma clara noção dos limites naturais e éticos-sociais que não podem ser ultrapassados, é estupidez agir como se eles não existissem e viver sob pensamentos de quatro séculos atrás — isso pode ser exemplificado com uma frase do filme Ponto de Mutação: "É tolo uma sociedade apegar-se a velhas ideias em novos tempos como é tolo um homem tentar vestir suas roupas de criança." Se não pela natureza e sua singularidade, o homem deveria ao menos pensar em si mesmo já que é o que faz de melhor: como vamos viver em um planeta que destruímos? 


Camilly Vitória da Silva, 1º semestre de Direito - Noturno (Turma XXXVIII)

A negação da ciência para fins políticos: Entre o retrocesso e a relatividade da verdade

 Uma pandemia de mentiras


Os Sofistas, na Grécia Antiga, atrelaram a verdade ao poder de convencimento baseado na retórica, algo condicionado pela circunstância que nega seu valor absoluto. A relatividade pregada pelos sofistas, muitas vezes atrelada aos interesses políticos daquele período histórico, ainda mostra-se presente em nossa contemporaneidade sendo capaz de gerar inúmeras chagas e feridas sociais, além de distorções no entendimento público sobre determinado assunto. 


Desta forma, narrativas que abdicam do uso da razão ao se escorar em relativismos ideológicos permeiam o inconsciente da população e atingem uma massa de pessoas que negam conquistas obtidas pela ciência moderna. Um exemplo prático destas conquistas são as vacinas e seu rápido desenvolvimento atual, graças aos avanços concebidos por décadas de estudos, pesquisas e dedicação, obtido do conhecimento científico por meio do uso da razão que nos fizeram superar doenças como Pólio, Hepatite A, Tétano e Tuberculose. 


Porém, o avanço da pandemia da Covid no Brasil e a dificuldade da população em aderir à vacina ou politizando sobre o tema, mostra-nos como tais discursos "Neo-sofistas" estão sendo difundidos e sustentados por retóricas simplistas que apelam para um senso comum, prejudicando anos e anos de avanço da ciência. Tal prática é observada facilmente em setores da sociedade brasileira, que além de prejudicar o combate da doença com discursos que a negam, acabam criando novos dogmas para assuntos supostamente já superados com o uso da razão, do conhecimento humano.


René Descartes, no século XVII, ganhou a alcunha de pai fundador da filosofia moderna por atribuir ao pensamento científico um método, através de uma dúvida metódica fundamental para todo o avanço científico posterior. Desta maneira, a humanidade abandonou a passividade diante das diversas doenças que assolaram nossa sociedade por séculos ao confrontá-las com uma nova forma de combate, algo conquistado somente com estudo, desenvolvimento, pesquisa e método. 


Todavia, a tecnologia desenvolvida através da vacina é desconhecida pela maior parte da população, algo que vem facilitando a manipulação de dados ou de fatos, gerando medo e receio por algo que deveria ser encarado como uma conquista. 


Uma metáfora do filme "O Ponto de Mutação" sobre como a Maré alta apaga nossas pegadas na areia, constata muito bem a efemeridade do mundo em relação ao que foi conquistado graças ao conhecimento científico, uma vez que serve de parâmetro para nós entendermos que todo avanço não é permanente, é algo que sempre estará sob as intempéries da natureza. 


Nossa tendência é desacreditar de uma possível mudança real, uma mudança verdadeira, mas não basta a ciência prover os avanços necessários para propiciar o desenvolvimento humano, a sociedade deve acompanhar e participar racionalmente, ou seja, ser ativo nessa mudança. Caso contrário, estaremos sempre propensos a conviver com os relativistas da verdade, os negacionistas do avanço e bem estar humano.


Claudio Marinheiro - Turma XXXVIII (Noturno)


O homem precisa da natureza,mas a natureza não precisa do homem

 Desde a primeira ideia de sociedade humana,há mais de sessenta mil anos,o meio natural sempre foi o maior aliado desse grupo.Isso é,a natureza sempre forneceu as “ferramentas” necessárias,para que o homem se desenvolvesse.Entretanto,houve um desequilíbrio na relação entre o ser humano e o meio ambiente.À medida que, com o progresso industrial,a natureza não conseguiu acompanhar o progresso humano,uma vez que estava sendo destruída para que isso acontecesse.Nesse sentido,apesar do avanço,o homem ainda não entendeu que para que exista vida humana na terra,deve existir harmonia entre meio e ser,já que os seres humanos humanos podem ser extintos,mas o meio ambiente irá se recuperar.

No filme “Ponto de Mutação'',de 1990,a cientista Sônia ressalta a visão do que é a natureza para o homem,ao citar Francis Bacon.A cientista cita Bacon,para explicar a visão,trazida pela ciência moderna,da natureza como submissa do homem “A natureza devia ser caçada posta para trabalhar,escravizada”.Nesse sentido,Bacon erra como pensador,ao defender o avanço da ciência por meio da submissão da natureza,quando deve-se existir algo harmônico.Tal raciocínio,explicita a fala de Sônia no filme. 

Além disso,ao longo do tempo houve uma concepção errada do propósito da ciência.De acordo com Descartes,existe a ideia de ciência como elemento voltado para o bem do homem,por isso a necessidade de se buscar bens práticos,como a transformação da natureza.Entretanto,a ciência não deve ser interpretada como elemento voltado apenas para o bem do homem,uma vez que os elementos que existem na terra,mantém uma relação de dependência.Portanto a ciência deve servir para o bem comum.Tal análise,explica o pensamento errôneo de Descartes

Em síntese,a natureza é o principal meio de sobrevivência para a sociedade e humana,por isso deve ser estabelecida uma relação harmônica entre homem e meio.  

Alda Victoria Oliveira da Rocha-1º Semestre-Direito Noturno

A atual face retrógrada contra a ciência


 Entre o empirismo e a razão. A busca pelo conhecimento verdadeiro é inerente ao instinto investigativo do ser. Desde os primórdios da sociedade, mais especificamente a partir da ascensão do pensamento filosófico, no período Clássico grego, a questão epistemológica encontra-se intrínseca à humanidade. Nesse contexto, inúmeros pensadores desenvolveram métodos para buscar o saber de forma mais fiel possível. Dentre eles, o filósofo francês René Descartes e o inglês Francis Bacon, que se destacam ao construírem métodos que revolucionaram o pensamento filosófico científico.

    Desse modo, Bacon, ao guiar a mente humana por meio dos sentidos, desenvolveu um processo totalmente empírico para obtenção do conhecimento, sendo considerado, por isso, o pai da Revolução Científica. O inglês valorizava a razão, entretanto, acreditava que ela só traria resultados pertinentes se vinculada à experiência, já que afirmava que só os sentidos levariam ao conhecimento, descartando o método indutivo de Aristóteles. A respeito dos números, Bacon considerava-os sujeitos a falhas, logo, deve-se valorizar sempre as experiências sociais para interpretar a humanidade. Como exemplo, consoante a Austin Rating, o Brasil ocupa a posição de 13° maior economia do mundo, com o 19° mais elevado PIB, todavia, ao analisar a realidade da população brasileira e a desigualdade socioeconômica enraizada no país, conclui-se que os dados representam um cenário irreal, que não condiz com a verdade da maioria dos cidadãos. Portanto, para Bacon, a experiência é a chave para a interpretação. 

      Por outro lado, seguindo a vertente racional, René Descartes desenvolveu seu método cartesiano. Assim, para o francês, diferentemente do pensamento baconiano, os sentidos podem enganar, desse modo, a experiência não constitui um caminho seguro para obtenção do conhecimento verdadeiro. Descartes afirmava que a verdade encontra-se nos números e que se deve duvidar de todas as coisas até atingir o conhecimento real. Para o francês, ao contrário do empirismo aplicado por Bacon, os sentidos humanos podem ser manipulados e influenciados por em “Gênio Maligno”, o que ocasionaria uma interpretação errônea do real. Por isso, a única forma segura de adquirir conhecimento é através da racionalidade.

     Destarte, ambos os pensadores desenvolveram, há quatro séculos, métodos, mesmo que distintos, científicos e profundos para obtenção do conhecimento. Contudo, no cenário atual, tais processos pela busca da verdade estão sendo negados, vivendo-se num mundo de pós-verdade, no qual a razão e a experiência estão sendo trocados por rasas opiniões e perspectivas do real, resultando em inúmeros conhecimentos falsos e na disseminação de informações equivocadas, simplesmente porque as mesmas são convenientes à quem as dissemina. Alastram-se as famosas “fake news”, que atualmente vêm ganhando uma dimensão tão grande que contribuem para a formação de movimentos negacionistas. Como por exemplo de tais movimentos, observa-se, em plena pandemia de covid-19, a ascensão de grupos antivacina que, ao negarem a ciência, prejudicam não só a si mesmos, mas à sociedade como um todo. Sendo assim, mesmo os métodos de Descartes e Bacon sendo  desenvolvidos há quatro séculos, a urgência para suas implementações na sociedade é mais atual que nunca. 


beatriz ferraz gorgatti - 1°ano de direito matutino


                    Uma breve análise sobre o pensamento científico.



Foi assistindo o filme ‘’Ponto de Mutação’’, que pus-me a refletir sobre a ciência e os papéis que tem desempenhado tanto para com a vida humana como para o ambiente em que estamos inseridos, analisando suas benesses e consequências encontrei-me diante de um dilema que pouca resposta consegui, porém de muita valia foi para abrilhantar minha visão sobre o mundo e a forma como nós interagimos com ele. Desde de tempos longínquos, milhares de pensadores se empenharam em achar respostas para os questionamentos que a natureza nos postulava, consequentemente abriu-se um debate milenar sobre qual deve ser a abordagem e a tratativa usadas para se chegar a tais afamadas respostas que aos olhos da contemporaneidade é inegável sua importância para o avanço civilizacional, de filósofos gregos até físicos modernos, todos buscando conseguir de alguma forma explicações para os questionamentos que o mundo nos impõe.


Dois pensadores que foram de grande importância para a composição do pensamento científico moderno são Descartes e Bacon, ambos referenciados no filme citado anteriormente pela personagem Sônia, uma física desiludida com seu trabalho que tece críticas aos pensamentos dos filósofos que segundo ela, tem um caráter muito metodológico e pragmático pecando assim pela padronização de suas concepções e carecendo de uma visão mais ampla do mundo o qual tanto questionam. Em discordância com o pensamento de Sônia, os outros personagens do filme contrapõe a crítica ao pensamento metodológico com a afirmação de que a sociedade evoluiu de forma bastante significativa por meio da revolução científica proporcionada pelo emprego dos pensamentos metodológicos e críticos dos filósofos, matemáticos e estudiosos das épocas subsequentes.


Descartes e Bacon discordavam na forma correta de se analisar o mundo, sendo Descartes um defensor do uso da razão e  consequentemente um opositor a utilização dos sentidos como meio para se chegar a conclusões, pois segundo ele os sentidos são facilmente ludibriados e portanto não sendo passíveis de aceitação como um meio legítimo de se analisar o mundo. Em oposição a ideia racionalista defendida por Descartes, Francis Bacon questionava se a razão era indubitável e não necessitava de um apoio por parte dos sentidos para que não fosse vítima de inverdades, como as apresentadas por ele na forma de falsos ídolos, os quais são, segundo Bacon os responsáveis pela desvirtuação da cosmovisão como também das resultantes advindas das pesquisas científicas. Analisando as divergências dos pensadores sobre o melhor método para se chegar ao conhecimento verídico observa-se uma postulação de um método que deve ser empregado sistematicamente e de forma quase padronizada para a obtenção de conhecimento julgado como verdadeiro, pois é nesta abordagem que se encontra, na minha visão, uma problemática no sentido de se mecanizar a construção de conhecimento fazendo com que deixemos passar várias partes de um todo bem mais complexo do que o abordado por este método pragmático.


Por fim, cabe a nós como sociedade nos questionarmos dos métodos utilizados para se abordar as ideias tanto no âmbito científico, como também no político, social, cultural, educacional, judiciário, e entre tantas outras áreas do conhecimento humano que muito podem estar perdendo por consequência do uso irracional e pouco abrangente que por vezes o pensamento científico sistêmico proporciona, visando assim que a sociedade não se torne tão somente uma máquina destinada a fazer unicamente o que foi desenvolvida para fazer, não havendo assim liberdade na construção do saber coletivo e perpetuando problemas que advém da visão fechada para certas partes que a visão sistemática não abrange.



Gabriel Bastos Borges - 1º ano Noturno

O anacronismo da produção

 

   Entre os séculos XIV e XV ocorreu o Renascimento Cultural e, com isso, uma grande crise no sistema medieval. A população, que antes sentia-se protegida por um modelo geocêntrico, no qual colocava o homem e a Terra na centralidade de um universo finito caia em terra com o surgimento do heliocentrismo de Nicolau Copérnico e, com isso, toda uma visão de mundo, levando a uma grande crise existencial. A existência já não mais era explicada e justificada pelos modelos existentes. Aquilo que era tido como verdade tornou-se duvidoso.

   Com isso, teve início duas correntes filosóficas, o Empirismo e o Racionalismo, as quais buscavam, por meios diferentes, um conhecimento verdadeiro; um conhecimento sólido, uma vez que as estruturas existentes já não eram suficientemente sólidas para sustentar a vida. Dois expoentes dessas escolas, Francis Bacon e René Descartes, respectivamente, reconheceram essa ruptura e buscaram métodos para tal resposta. Dessa mesma forma, Sonia Hoffman, cientista do filme “Ponto de Mutação” percebe que o sistema atualmente vigente, e oriundo do pensamento de Bacon, já não era sustentável para o mantimento do planeta

  A celebre frase de Francis Bacon “Conhecimento é poder” foi muito relevante no decorrer dos séculos, mudando a visão de ciência existente além de sustentar o ideário da Revolução Industrial. Segundo a visão boconiana, cabe ao homem, por meio da razão, submeter a natureza ao seu poder, levando a humanidade ao progresso. Todavia, essa visão não lavava em consideração as limitações do ecossistema. Justamente esse aspecto da natureza é colocado em discussão pela cientista, que enxerga a destruição causada por um sistema capitalista, arrogante e egoísta.

   Todavia, essa visão não se afasta muito da realidade atual. Recentemente, em diversas partes do mundo observou-se o desmatamento de grandes florestas equatoriais, vazamentos de petróleos; uma abrupta crise ambiental de modo geral e âmbito global. Pode-se perceber, então, a forte permanência do ideário beconiano e da primeira fase da Revolução Industrial, mesmo após três séculos.

   Desse modo, mesmo com uma forte revolução dos meios tecnológicos e científicos, há o mantimento dessa visão degradante de produção por meio do qual o mundo capitalista se desenvolveu e, mesmo havendo, nas últimas décadas, conferências a fim de solucionar e mitigar os malefícios ambientais, por meio de políticas, as quais algumas mostraram certo resultado, não é o suficiente. Isso, por sua vez leva o questionamento: as políticas adotadas por diversos países não demonstraram grande efeito pois são insuficientes ou a forma com que o modo de produção capitalista ainda se desenvolve de maneira insustentável?

   A resposta, na realidade, é a união de ambas as possibilidades. Da mesma forma que as políticas objetivadas não sejam suficientes para mitigar os danos causados por séculos de destruição ambiental na velocidade necessária devido à crítica situação na qual o ecossistema se encontra, os paradigmas pelos quais o mundo se desenvolve e produz já não condizem com a situação global.

   Mesmo com uma produção maior que qualquer outra antes já vista, com equivalente geração de lixo, é notável que o acesso a tais produtos está no controle de um seleto grupo privilegiado, sobretudo pertencentes a países desenvolvidos e, quando presente em países pobres, a desigualdade é ainda mais gritante. Dessa maneira, enquanto uns consomem exponencialmente mais do que necessitam, outros vivem em condição de indignidade e desnutrição.

   Portanto, tal qual defendido pela cientista do filme, para que haja a sustentação do mundo como o conhecemos, é necessário que haja uma mudança de referenciais; uma mudança da visão de mundo. Entretanto, isso deve ocorrer de modo unificado, em todas as camadas sociais e produtivas, isto é, caso ocorram de modo fragmentado, não haveria nenhuma mudança significativa, pois, o mundo e a vida social e econômica se sustentam e devem estar em consonância para que funcionem da maneira que deve, uma vez que “nenhum santo sustenta-se só”.


Vítor Salvador Garcia Lopes - 1º Ano Diurno 

LEMA CAPITALISTA: CONHECER PARA DESTRUIR

A evolução da ciência não é algo individual e instantâneo, sabemos que ela é coletiva e gradual. Sócrates dava “luz” às ideias através da prática discursiva e dialógica, estilo que ficou conhecido como maiêutica ou nascimento das ideias. Platão, discípulo de Sócrates, organizava os pensamentos filosóficos por intermédio de diálogos, já que em sua época era muito comum organizar as ideias em forma de poesia/versos, pois, Platão acreditava que através do diálogo seria possível chegar a um refinamento das ideias, método esse que ficou conhecido como dialética. Aristóteles definiu o ser humano como um “animal portador da palavra, que pensa”, isto é, “animal racional”. Para ele, a filosofia seria a atividade mais digna a ser escolhida pelos homens, uma vez que o homem, através dela, exercita sua faculdade racional, logo, a prática do amor a sabedoria. René Descartes, por outro lado, critica o pensar filosófico uma vez que atua apenas no âmbito subjetivo, não produzindo ações concretas para as resoluções das demandas sociais, o que chamou de esterilidade do saber, sendo aclamado como o grande fundador do racionalismo. Francis Bacon, pensador empirista, acreditava que só a razão não seria suficiente para fazer conhecimento, uma vez que a experiência sensorial se posicionava como imprescindível para o conhecimento real, mais fidedigno. René Descartes e Francis Bacon, são considerados os grandes fundadores do pensamento moderno e os pensamentos de ambos exerceram, e exercem, grande influência na constituição do conhecimento moderno. Dessa forma, maiêutica, dialética, filosofia, racionalismo e empirismo são concepções distintas, em alguns aspectos, porém, inegavelmente complementares e que contribuíram para a ciência moderna. No entanto, a relação do homem com a ciência moderna tem sido pautada pelo binômio conhecer para destruir, eis a grande verdade.

É notório a contribuição do racionalismo e do empirismo para o Método Científico e para o bem da raça humana, já que a intenção era que o conhecimento estivesse a serviço do bem da humanidade, mas uma percepção apenas mecanicista do conhecimento tem sido mais deletéria do que benéfica para a humanidade. O filme “Ponto de Mutação” - dirigido pelo diretor Bernt Amadeus Capra -  história que se desenvolve entre três personagens: uma física, indignada com o uso do conhecimento científico para fins bélicos; um ex-candidato à presidência dos EUA, buscando uma plataforma política para definir em um futuro pleito eleitoral e um poeta que sofreu uma desilusão amorosa -, filme cujo um dos conceitos apresentados é o pensamento mecanicista, pensamento este que é manifestado no filme através de um relógio, que nos permite fazer um paralelo de como percebemos o conhecimento científico, na qual focamos apenas nas partes, sem correlacionar todas as variáveis que possam interferir no resultado final de um conhecer científico, produzindo assim um conhecimento fragmentado, portanto, questionável do ponto de vista social. O filme faz oposição a esse pensamento e procura ver na realidade as relações existentes entre cada parte como um todo, faz uma visão sistêmica e holística do conhecimento, ou seja, é a partir de uma visão holística e expansionista que é idealizado o conhecimento. O filme relaciona o conhecimento construído com as mazelas do mundo, como o uso do conhecimento para construir bombas atômicas, poluição do ar, rios e refere-se explicitamente a destruição da Floresta Amazônica, mostrando que a ciência construída, considerando apenas o todo, tem refletido negativamente em todos.  

Vemos que a máxima “saber é poder” continua servindo para propósitos dominadores e exploratórios, uma vez que o conhecimento científico tem sido apropriado para a manutenção do poder do regime ditatorial neocapitalista. Ademais, a forma como percebemos as ciências, o próximo, a natureza e o mundo têm sido cruciais para explicar os “porquês” das atrocidades perpetradas sutilmente pelo regime capitalista. Estamos, aos poucos, perdendo nossa humanidade e esquecendo o verdadeiro propósito de Descartes e Bacon para o conhecimento científico. Essa “crise de percepção”, narrada no filme “Ponto de Mutação”, pela personagem Sônia, é explicada quando à personagem diz: "nunca nos ensinaram sobre ética e responsabilidade na faculdade", e acrescenta: "nunca nos ensinaram a sabedoria dos indígenas americanos, que tomavam decisões pensando na sétima geração"; estamos nos esquecendo de olhar para as futuras gerações; estamos perdendo a sensibilidade humana. Visão mecanicista, sistêmica, enfim, a humanidade esqueceu a essência da “razão” de fazer ciência, não compreenderam o que os filósofos pré-socráticos, socráticos e cientistas modernos como Descartes e Bacon nos deixaram de mais valioso, que era criar uma ciência orientada pela razão e pela experiência, livre de sentimentos, para auxiliar a vida. Entretanto, sucumbimos à religião dominadora do presente século, o capitalismo, com sua trindade terra, trabalho e capital; coloniza, domina, explora, usurpa e mata. A teoria mais apropriada para explicar a relação do homem com a ciência seria a de Nicolau Maquiavel, que certamente se regozijaria em ver sua "ciência" predominando, ou seja, a prática acima da ética para a manutenção do poder, a ditadura capitalista ama-o.

Por conseguinte, nossa percepção de mundo está corrompida, nossa humanidade está ameaçada. O cientificismo não é a salvação da humanidade; não isoladamente. Estamos vendo os pensamentos e trabalho daqueles que contribuíram para a ciência moderna sendo deturpados pela ganancia do capital. A luta pelos interesses individuais preconizadas por Adam Smith prepondera sobre os interesses coletivos, científicos e humanitários de Descartes e Bacon. Os antigos tinham uma visão contemplativa da natureza, nós, porém, utilitarista. Karl Marx estava certo.


Edson dos Santos Nobre - 1º semestre de direito noturno 

A pandemia, a vacina e o obscurantismo presente no atual governo brasileiro

           Até que ponto houve, de fato, evolução no ser humano?

Um dos grandes feitos da sociedade, durante sua evolução, foi o desenvolvimento científico. Isso se deve, em parte, a dois grandes filósofos iluministas: René Descartes e Francis Bacon. Embora sigam pensamentos distintos, já que Descartes se alinhava ao Racionalismo, enquanto Bacon acreditava no Empirismo, ambos foram essenciais para o aprimoramento da Ciência Moderna, configurando grandes feitos que são, até os dias atuais, importantíssimos para o conhecimento científico.

Dessa forma, a ciência passa, neste momento da História, a possuir uma perspectiva investigativa, na tentativa de entender o mundo e transformá-lo, assim como é retratado no filme “O Ponto de Mutação", no qual a personagem feminina representa a ciência, o saber, o pensamento crítico, que vai além do previsível e do óbvio.

Dentro de tais panoramas, é possível relacionarmos a questão sanitária que estamos vivenciando em todo o mundo e seus métodos para combatê-la. A pandemia do Covid-19 no Brasil enfrenta, desde o início, uma frente negacionista que é contra o uso de máscaras, de distanciamento social e faz parte do movimento antivacina, sendo o grande precursor de tais ideias absurdas o próprio Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Com a chegada da vacina e o início de sua aplicação, o número de pessoas contra tal campanha tem aumentado, sendo extremamente preocupante para a saúde pública. Percebe-se, desse modo, que a sociedade tem experienciado uma forte regressão aos avanços científicos, mesmo que as vacinas já tenham demonstrado, há anos, sua eficácia na prevenção de inúmeras doenças.  

Sendo assim, é de se indagar qual século estamos vivendo para presenciar essa forte negação à ciência? Mesmo com todo o progresso realizado por inúmeros cientistas, sendo Descartes e Bacon alguns dos mais importantes epistemólogos, ainda persistem ideais resistentes a essas ideias, assim como na chamada Idade das Trevas, ou Idade Média.

Assim, é possível dizer que a pandemia do Coronavirus evidenciou o pensamento conservador da maioria dos brasileiros, que resistem contra tudo que nos trouxe até aqui. Se não fosse o intenso avanço na Medicina, o mundo contemporâneo se pareceria muito com o mundo que viviam os filósofos iluministas, de modo que o homem teria ficado parado no tempo. Dessa forma, podemos concordar com os ídolos propostos por Bacon, que seriam falsas percepções de mundo que prejudicam o conhecimento seguro, sendo os eventos hodiernos uma clara demonstração dos ídolos do foro, com falsas teorias obtidas através de relações pessoais.

Portanto, após tal análise, é possível dizer que o ser humano não evoluiu tanto assim com o passar dos séculos, visto que o obscurantismo permanece na sociedade. Será que em breve estaremos queimando cientistas em praças públicas também, assim como no século XII? A única chave para parar esse movimento é a educação e a política, como já foi explicitado por Bacon com a frase “Saber é poder", que demonstra o poder do conhecimento, para além da ignorância e das trevas.


Bruna Pereira Aguirre - diurno - turma XXXVIII


As lideranças autoritárias e o negacionismo cientifico.

 


“Penso logo existo”. A frase mais conhecida de Descartes exerce um peso ainda maior na sociedade atual, uma vez que a população é controlada pela cultura de massa, fazendo com que se forme um grande rebanho de pessoas sem opinião própria, apoiando falsos líderes que exercem a necropolítica, onde a vida dos cidadãos não vale mais que poucos dólares.

Segundo  Francis Bacon, “ídolos são falsas percepções do mundo” esse pensamento é fundamental para compreender o rumo que alguns países tomaram ao eleger lideranças extremistas, como é o caso do Brasil. Esses falsos líderes conduzem a população a contestar a ciência e a afastar a educação, contribuindo para o aumento do negacionismo científico.

Ademais, para Descartes, a produção de conhecimento deveria ser pública e cumulativa, onde cada pessoa poderia contribuir de alguma forma. Tal atividade é de extrema importância, pois, seguindo essa linha de raciocínio, combater-se-ia a ignorância da população em relação à ciência. Desse modo, ideias retrógradas seriam esperadas, contribuindo para um avanço da humanidade.

Assim, fica evidente a importância desses pensadores que estimularam a busca pelo conhecimento para a sociedade. Através desse conhecimento adquirido, poder-se-á combater ideias extremistas, como as fascistas, que rodeiam a comunidade. 

Bruno Occaso Belizario Vieira 1° Semestre de direito matutino


O conhecimento e a sociedade atual

René Descartes antes mesmo de introduzir seu método em seu livro, destaca o aprendizado e enfatiza a importância das mais diversas áreas do conhecimento, porém ele também ressalta que deve-se estudar até as superstições mais falsas, para estar ciente das falhas delas e não se deixar ser enganado por elas. Em outro trecho de sua obra, ao citar o fato de ter viajado o mundo e encontrado diversos povos e nações, Descartes relembra a sua experiência de ter contato com as mais variadas culturas e ele percebe que as coisas que sua cultura considerava extravagante e ridículo, são bem aceitas e até difundidas por outros povos. A partir disso, o autor começa a questionar o que lhe havia sido ensinado e transmitido por sua cultura de origem, para que dessa maneira os obstáculos culturais que impediam uma visão sem juízo de valor desaparecerem e a razão pudesse guiar seus pensamentos e reflexões. 

Após a leitura da obra de René Descartes e assistir o filme “Ponto de mutação”, um questionamento a respeito da realidade pode ser visto em ambas as obras, pois fica evidente que o constante questionamento ao modelo de visão de mundo atual apresentado no filme e o pensamento de Descartes descrito acima, não prevalecem na sociedade atualmente. O filme nos aponta uma crítica, feita por Sônia, à visão mecanicista do mundo, pois como ela mesmo diz, o mundo não pode ser visto como uma máquina e suas peças como mecanismos isolados, deve-se ver o mundo como um todo. A física também menciona a distorção do conhecimento produzido, na qual os estudos que poderiam beneficiar a humanidade, são usados para criação de armas, totalmente o oposto do que era desejado pelos pesquisadores. 

Também é possível notar que o pensamento de Descartes mencionado anteriormente fica cada vez mais esquecido. Ao analisar a realidade em tempos de pandemia, pôde-se ver todo o impacto que gerou a falta de conhecimento de diversas pessoas na questão de outras áreas, isso resultou na morte de milhares de pessoas, pelo simples fato de negarem a ciência e não consultarem especialistas na área da saúde. Além disso, assim como o autor menciona o contato com outras culturas, houve uma crescente xenofobia no mundo devido a suposta origem da COVID-19, porém isso foi resultado novamente de uma falta de conhecimento por parte dos xenofóbicos e uma emissão de juízo de valor a partir de sua cultura, sem se dar conta dos valores e costumes da outra. 

Assim, concluo que ambas as obras destacam a importância do conhecimento e do questionamento, para que o conhecimento não seja utilizado de forma destrutiva ou imprudente e para que a ignorância não impere, pois ao estudar outras áreas e conhecer outras culturas a partir da razão, pode-se evitar mortes desnecessárias e o preconceito que atrasa muito a nossa sociedade, mas principalmente libertar o indivíduo das amarras da ignorância que o impede de refletir racionalmente por si próprio.


Guilherme Kazuo Rocha Ychibassi- 1° semestre direito/diurno

Ciência: vida ou lucro?

 

  Francis Bacon e Rene Descartes foram dois dos principais filósofos responsáveis pela formulação de uma ciência  primitiva, que, futuramente, se tornara a ciência que é conhecida nos dias atuais. Apesar de terem ideologias diferentes (que posteriormente seriam "unificadas" por Kant), ambos tiveram pensamentos próximos em relação a utilidade de um conhecimento metódico, o de melhorar a vida humana. Mesmo assim, com a fortificação da ideologia capitalista após a Revolução Francesa, a ciência passou a ser utilizada a favor não mais da sociedade em si, mas como um meio de gerar lucros acima de tudo, incluindo sua negação.

  A priori, é de suma importância compreender como a ciência passou a servir ao capital e não mais a sociedade. Com a ascensão das industrias manufatureiras (fomentada pela ciência)  na Inglaterra se inicia também uma grande separação de classes, a burguesia se tornava cada vez mais rica e o proletariado cada vez mais explorada, sendo obrigados a trabalhar em lugares insalubres por mais de 12 horas por dia. Não só isso, as consequentes revoluções industriais, baseadas nos avanços tecnológicos proporcionados pela ciência, fortificaram esse estigma, tornando o mundo um lugar de luta entre as classes, onde os mais pobres se tornavam mais pobres e explorados, enquanto os mais ricos se tornavam mais e ricos e exploradores. Desse modo, mostrando como a ciência fugiu de seus objetivos iniciais para se tornar ferramenta de um modelo político-econômico. 

  Além disso, se percebe um grande desdém do capital com a própria ciência, base se seus infinitos lucros. Visando ilustrar isso, basta olhar para o momento político-econômico atual do mundo, em que, mesmo com as sociedades sendo ameaçadas por uma pandemia mortal, os lideres de diversos Estados negam a periculosidade da doença e da eficácia das vacinas, visando apenas manter controle da economia. Tal fato mostra que o capital corrompeu os ideias da ciência, descartando tanto o empirismo de Bacon, como  o método racionalista proposto por Descartes a cerca de 4 séculos atrás e, consequentemente, tornando a humanidade escrava do lucro. 

  Outro ponto importante a ser destacado é a questão do destruimento da biodiversidade proporcionada pelo liberalismo. Em que, florestas são desmatadas, corpos da água poluídos, cidades  intoxicadas por gases nocivos , lixo sendo produzido em massa e muitos outros fatores que colocam em risco a natureza, que por sua vez coloca em risco a humanidade. A grande prova disso são os grandes acordos firmados por diversos Estados visando diminuir as consequências das atividades humanas no mundo, como o Protocolo de Kyoto (falhou), as conferências da ONU sobre o meio ambiente (que mostraram resultados desagradáveis) e, atualmente, o Acordo de Paris (que teve um inicio conturbado). Mesmo com algumas das grandes nações mostrando um interesse (apesar de mínimo), a Conferência de Estocolmo (1972) demostrou como o capitalismo prevalece em certas questões, pois uma das ideias discutidas foi o Desenvolvimento Zero, em que as nações mais ricas defendiam que não se poderia mais haver avanços industriais, desse modo, mantendo suas posições de países industrializados em detrimento da estagnação dos países subdesenvolvidos. Assim, obrigando a sociedade a se perguntar "afinal, qual é a finalidade da ciência? O bem do ser humano ou dos conglomerados?"

Diante disso, se percebe que a ciência se tornou não mais um meio de melhorar a vida humana, mas sim um meio de conseguir lucros e poder acima de tudo, inclusive da vida, da natureza e da própria ciência.  

A ilusão do conhecimento

 “O maior inimigo do conhecimento não é ignorância, mas a ilusão do conhecimento.”  

-Stephen Hawking


    O conhecimento nada mais é do que a interpretação de si mesmo e do mundo em que vive a partir de significados. É vital pois o ser humano, ao nascer, automaticamente é condenado a sobreviver através da compreensão e aprimoramento da sua realidade, proporcionando assim engrandecimento interno e evolução da sua espécie. 

   No filme “ponto de mutação” se estabelece uma crítica ao conhecimento ao expor a relação do político, do poeta e da cientista que dialogam sobre diversas temáticas e sempre são mostradas três percepções, a visão política, romancista e a científica. Destaca-se o conceito de pensamento mecanicista  (aquele que consiste essencialmente em reduzir todos os fenômenos da física, e mesmo da natureza, a sistemas de forças que atuam entre corpos materiais) representado na trama pelo relógio, que funciona como um paralelo a visão sob o pensamento científico, fragmentada, sem interligações e sem universalidade. 

   Inicialmente, Francis Bacon, filósofo e político inglês, defendia que devemos avaliar as circunstâncias em que um fenômeno ocorre (ou não), detalhando seus casos particulares, detalhes e circunstâncias para relacioná-los entre si, e só esse pensamento, através da “razão pura” levaria ao entendimento da natureza. No campo da ciência, Bacon fugia do tradicional que prega conclusões só através de experiências e defendia o racionalismo crítico. 

    Em adição, René Descartes, pai do racionalismo moderno, defende que o conhecimento humano já nasce com o ser e se amplia juntamente com os estudos, que viabilizam sua exteriorização, ou seja, a diferença entre o nível de inteligência de uns e de outros é o modo como utilizamos a racionalidade. Ele propõe também que o pensamento filosófico deveria basear-se em um método fundamentado e preciso, baseado no raciocínio dedutivo.

   É perceptível que apesar das divergências entre os pensadores, ambos defendem a educação crítica, racional, sistemática e ampla. Aplicando a ciência, por exemplo, a metodologia científica, tão decisiva para o progresso científico,  agora perde o seu valor fragmentado, em etapas, e passa a ser o conjunto de procedimentos não convencionais adotados pelo investigador, orientados por postura e atitudes críticas e adequados à natureza de cada problema abordado… é a forma crítica de produzir conhecimento científico, com proposições bem articuladas em sua verdade sintática, semântica e pragmática. Junto a isso, o conhecimento científico surge da posição ativa em que o ser humano ao explorar sua racionalidade através da crítica, descobre os princípios explicativos que baseiam a organização, classificação e ordenação da natureza a que pertence, com explicações concretas que possam ser testadas e criticadas. Logo, a realidade passa a ser observada sob o enfoque de um critério orientador que possibilita o entendimento das relações entre os fatos, coisas e fenômenos. 

Finalmente, o ideal da racionalidade proposto por Bacon, Descartes e criticado no enredo é  aquele que procura uma sistematização coerente presente em todas as leis e teorias do conhecimento, com um elevado nível de consistência lógica entre suas afirmações, além de uma visão universalista que capacita a percepção de inconsistências e as suas correções. Essa verificação consistente fornece os padrões que garantem a inexistência de ambiguidades, contradições lógicas e estabelecem se uma teoria é viável ou não para a comunidade científica. 

   Assim, há a criação e perpetuação do conhecimento embasado, analista e que trará uma devolutiva não apenas prática mas também intelectual para toda a sociedade, interrompendo a reprodução do conhecimento sem embasamento, crítica e comprovações, ou seja, ilusório.



Camilla Rosa - 1 ano - noturno