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segunda-feira, 15 de abril de 2013

A moldagem do indivíduo



Durkhein define fato social como um grupo de fenômenos que consistem numa maneira coletiva e geral de agira, pensar e sentir que são exteriores aos indivíduos, tais como crenças e tendências práticas, que são capazes de exercer um poder de coerção sobre os indivíduos.

Há fenômenos sociais que existem independentemente da vontade do indivíduo, este é fortemente influenciado desde a infância na sua maneira de pensar e agir, o que leva cada ser a reproduzir cópias de ideias, acreditando que as está criando.

Quando alguém tenta quebrar uma dessas regras pré-estabelecidas pela sociedade, sofre uma coerção direta ou indireta, podendo ser desde alvo de olhares maldosos a um ser excluído do restante da população. Começa, portanto, uma grande luta do “infrator” contra o restante, e mesmo que aquele consiga superar o conflito, ele estará constantemente em choque com a sociedade.

Logo, o indivíduo é, na maioria das vezes, um ser forjado pela sociedade, ele é manipulado de tal forma que a coerção que sofre se torna algo tão natural que adquire caráter de hábito, que o ser pratica por ser algo aprendido com a família, na escola, etc. Algo que ocorre comumente na educação das crianças, que são induzidas a raciocínios por outrem, obrigadas a serem obedientes, terem higiene, manterem o ambiente em que estão organizados, aos poucos a sociedade força aquilo que está incrustado de maneira cíclica e repetitiva em seus novos componentes, facilitando para que não surjam novas ideias, teorias, maneiras de se pensar. De tal modo que os seus membros tornam-se robotizados, incapazes de formular uma solução para os problemas sociais que tornam a aparecer.
Enfim, contribuem para que o sistema vigente continue vigorando, ignoram suas falhas, maquinizam o homem, destroem a capacidade que nos diferencia do restante do mundo animal.

Após a introdução da física social de Augusto Comte, na qual ele propõe a criação de uma nova ciência voltada para o estudo da sociedade. Emile Durkheim, como pai da sociologia, de fato cria esta.
Durkheim buscava a criação de uma ciência em que seu objeto de estudo é idêntico ao cientista. Por isso foi questionada a criação da sociologia. Era o estudo de algo em que o cientista faz parte dela. Como é possível analisar algo assim sem ser imparcial?
De acordo com sua metodologia é preciso analisar tudo aquilo que represente o condicionamento do individuo ao agir, o fato social. E como primeira regra, o fato social deveria ser entendido como coisa. Porque apenas desta forma o cientista poderia se distanciar das paixões, desejos, emoções e acabariam contaminando a análise do objeto. Serviria como forma de desvencilhar dos ídolos da mente, que são falsas percepções do mundo, de Francis Bacon. O sociólogo deverá partir da observação e da interpretação do real para que seja possível formular ideias e conceitos. Permitirá que o sociólogo tenha contato com a realidade de outras sociedades, e compará-las com sua própria sociedade. O cientista social buscará entender essas sociedades pelo que elas são, os papeis individuais de cada um, e a forma em que acontece a coesão social. Diferente da visão positivista de Comte, a qual buscaria integrar essas comunidades a dita civilização. Durkheim analisa a realidade pelo que ela realmente é, não aquilo que eu quero que ela seja.

Fatos sociais, imposições sociais!

Em sua análise, Émile Durkheim relata a existência de alguns fatos entre o indivíduo e a sociedade, que se interrelacionam. Segundo o sociólogo, existem crenças e costumes que regem e determinam algumas regras da sociedade. Dessa forma, podemos analisar como a originalidade e a exclusividade do indivíduo vem se deteriorando, num âmbito coletivo, uma vez que o cidadão está sujeito a várias penalidades, como o afastamento de outras pessoas, ser agredido verbalmente com práticas preconceituosas e exclusão social, apenas por não seguir ou apoiar os fatos e ideais defendidos pela coletividade.
Além disso, Durkheim também retrata a dificuldade do estudo da sociologia, já que
o sociólogo tem como objeto de estudo a sociedade do qual ele faz parte. Sendo assim, ele tem que tentar observar a sociedade sem se envolver, ou seja, tentar fazer uma análise imparcial dela.
Com isso, o autor define que toda a sociedade é munida de relações interpessoais, de maneiras de agir que exercem sobre o indíviduo coerção externa, ou seja, de fatos sociais, que definem e regulam o comportamento da sociedade.

Uma nova roupagem ao positivismo


Émile Durkheim dá início ao pós-positivismo, diferenciando-se de Comte por ser muito menos conservador, não pregando que cada indivíduo deve exercer seu determinado papel para a ordem social e o consequente progresso; ou seja, não prega a estabilidade social. A metodologia de Durkheim consiste em observar e analisar os fatos sociais como coisas; reconhecê-los e compreendê-los em razão da coerção que estabelecem sobre o indivíduo.  Desta forma, o que prevalece na análise do sociólogo é a sociedade, bem como na de Comte.
Durkheim sugere, entretanto, o tratamento de fatos sociais como coisas porque, para ele, nós, seres humanos, deixamos nossa passionalidade afetar o exame científico dos fatos. Sendo assim, a análise ideológica deve ir das ideias às coisas, e não das coisas às ideias. Ou seja, deve-se enxergar os fatos de maneira imparcial. Pré-noções acabam por obstaculizar a busca pela verdade científica, o que Bacon denominava como “ídolos da mente”, que deveriam ser combatidos, segundo ele.
A ideia de coisificar os fatos sociais, apesar de remontar a Comte, se diferencia pela noção metafísica que ele dava ao conceber o progresso como o sentido da História. Neste aspecto, Durkheim julga que Comte acabar por se distanciar da verdade sociológica, valorizando sua ideia sobre a História e não seus fatos em si.
Para Durkheim, a explicação do que é Estado, soberania, capitalismo, socialismo se assemelha às explicações da Idade Média. Sua visão, apesar de também ser positivista, é mais racional, pois tentando aproximar a Sociologia das outras ciências, Durkheim acaba por diferir em vários aspectos de seu antecessor Comte.

Steffani de Souza (1º ano Direito noturno)

A Revolução da Ordem

     Juntando-se a sociólogos do século XIX que revolucionaram a óptica tradicional das ciências, como Augusto Comte e Karl Marx, o francês Émile Durkheim apresenta novas formas de obrservação social pelo método científico, tenta desvincular definitivamente sua sociologia e experiência pessoal e explicita o polêmico mecanismo da "coesão social", um olhar de interdependência de nossas ações na sociedade, em um plano pequeno, até as ações de nações, em âmbito global. 
     Em sua grande obra, "Regras do método sociológico" (1895), propõe uma definição de "fato social", sendo esse, na verdade, o motivo de estudo com o qual a sociologia deveria se importar; e que observaria três princípios básicos: "Coercitividade" (imposição de padrões culturais), "Generalidade" (recorrência no social) e "Exterioridade" (são padrões que superam o prórpio indivíduo, são de maior força social). Assim, poderíamos elencar como "fatos sociais": uma norma jurídica, costumes, dogmas e tradições de fé, moral ou educação. Por fim, Durkheim deixa exposta a necessidade de nos abstermos de qualquer juízo de valor ao nos depararmos com o estudo de um desses "fatos", devemos observá-los com de acordo com o seu contexto histórico, quase que com um olhar Determinista aos moldes de Taine.

Eduardo Matheus Ferreira Lopes, Direito diurno.

Coisas em detrimento às paixões




Pai da sociologia, Émile Durkheim, analisa a sociedade de modo que sejam utópicas confecções de previsões ou julgamentos, sendo a maneira correta o que pode ser mais próximo da compreensão, em determinado momento da história. Enaltece-se, em sua visão, um olhar livre de envolvimentos, vínculos, moralidades e paixões, afim de que se obtenha um distanciamento do objeto estudado e, portanto, dotar de credibilidade a ciência da sociologia.
A regra de tratar o fato social como uma coisa diverge de um crivo de raciocínio kantiano, no qual se derivam das ideias as coisas, visto que, com Durkheim, derivam-se das coisas as ideias. Ademais, confronta-se a linha positivista de Comte, uma vez que este afirmava ser o progresso o destino da sociedade, isto é, faz uma interpretação pessoal da história, valorizando sua idéia, e não o que realmente é. O pai do positivismo tomou como sendo desenvolvimento histórico a própria noção que tinha a esse respeito. Dever-se-ia não esperar da sociedade o progresso, mas meramente compreendê-la, de maneira ímpar. Pode-se, nesse aspecto, fazer uma menção a Francis Bacon, à citação de que atrapalham nosso julgamento os ídolos da mente, ou seja, noções pré-concebidas.
No mundo hodierno, muito se aplica o pensamento de Durkheim, inclusive na ciência do Direito, almejando a um juízo adjacente à justiça e visando à imparcialidade para o cumprimento desse objetivo. Fatos tidos como negativos à nossa sociedade são ainda fatos corriqueiros com os quais o povo tem de “aprender a conviver”, contanto que não passem a serem consideradas patologias. Para ilustrar: uma assistente social tem que atender de maneira igual e imparcial o detento indiferente e um detento que acabara de estuprar a mãe desse assistente.
Assim, conclui-se que substratos passionais da nossa consciência afetam nossa análise crítica dos fatos, de modo a obstar a busca pela observação empírica e científica. Deve-se dar primazia às prioridades superiores como o intelecto e a racionalidade em detrimento de algo que não passe pelo crivo do raciocínio livre de juízos.

A objetificação do fato social


           Émile Durkheim foi um filósofo e sociólogo trabalhando na difícil tarefa de incluir a Sociologia como ciência na universidade em que trabalhava. Diante dessa missão, Durkheim procura desenvolver uma maneira de passar mais credibilidade ao estudo das ciências sociais e encontra uma técnica: tratos os fatos sociais como coisas.                        
            Essa técnica teria o objetivo de criar o afastamento necessário entre cientista e objeto de estudo. Como um homem analisando outro homem não teria grande valor; era importante criar uma maneira de distanciar o analista do analisado, além disso, para o autor, o fenômeno social não tinha diferente natureza dos objetos orgânicos, físicos e químicos.
            Pensado, então, o melhor método de analisar o fato social, Durkheim busca mostrar o que é o fato social em si e chega a conclusão de que é toda maneira de agir determinada por alguma coerção exterior, ou seja, tudo que o homem faz porque a sociedade o compele a fazer, ou ainda algo que ao fazer o homem se sinta envergonhado ou intimidado.

Texto relativo à aula 05
Carolina Paulino Fontenla - Direito diurno

A coercibilidade dos fatos


O individualismo versus o coletivismo para Émile Durkheim é uma questão na qual o autor opta pelo coletivo para poder analisar os fatos sociais, pois o comportamento do indivíduo é todo moldado pela  sociedade na qual ele nasce, cresce e vive.
Durkheim define os fatos sociais como os comportamentos referentes a um determinado grupo social e histórico, que representam sua cultura, forma de agir, de se expressar e de se relacionar. Estes mesmo devem ser visto como coisas e exercem função coercitiva sobre as pessoas. Essa coerção que o ser humano sofre está presente desde o nascimento, e é neste momento em que o mesmo nasce que ele é inserido na sociedade para o filósofo.
Pode-se afirmar que essa coercibilidade privou o desenvolvimento humano ao longo dos tempos, pois desde o nascimento se insere o homem numa sociedade com padrões prontos, linguagem estabelecida e conceitos de correto e errado formados. E o ser humano simplesmente absorve por osmose sem contestação ou tentativa de mudança desses fatos sociais. Seguir tendências a respeitos de literatura, arte, religião e moda são exemplos da ação da coerção dos fatos sociais sobre o indivíduo, afinal aquele que “ousar” inovar na forma de falar, de se vestir, pensar ou crer será friamente julgado pela sociedade.
Desde a época de Durkheim até os dias atuais o ser humano sofre com essa ação social, pois manifestação individual não é considerada um fato social e sendo assim não é aceita pela sociedade. É cômodo lidar com os que no é comum e igual, porém extremamente complicado assimilar o que nos é diferente.




Camila Gabriele Pereira de Faria1º ano Direito Noturno

Consciência coletiva


Determinar qual o objeto de estudo da sociologia e estipular os caminhos para analisá-lo foi um dos principais temas abordados pelas ciências sociais do século XIX. Coetâneo à Marx, Émile Durkheim inovou ao apresentar os mecanismos que regem a sociedade de forma a apresentá-la como fator-chave de sua análise, assim como Comte já o havia feito, permitindo-lhe classificar seu pensamento como pós-positivista ao remontar o filósofo francês.
Durkheim descreve o processo se socialização humana como fator primordial para a inserção dos indivíduos num meio comum, de forma que todos passem a absorver em seu cotidiano determinados preceitos pré-estabelecidos, a fim de orientar o comportamento dos homens. Tais preceitos são classificados como fatos sociais, que se referem a tudo que é exterior ao próprio indivíduo, mas que visa à determinação de certas regras sociais que têm por fim a formação de uma consciência coletiva. O individualismo é posto em cheque diante da generalidade, coercitividade e da exterioridade das regras impostas pela própria sociedade, que passam a constituir um fato social diante da impossibilidade de se fugir das mesmas. Como regras morais e condutas hereditárias, seja no modo de educação familiar, ou nos costumes de se vestir, alimentar e se relacionar, os fatos sociais atuam de modo a organizar o convívio entre semelhantes, sobretudo ao apresentar um caráter punitivo aos que tentam desrespeitá-los.
Com o desenvolvimento tecnológico característico do século XXI, a coercitividade encontrou meios mais eficazes de se efetivar, de modo que a generalidade fosse obtida mais rapidamente. A mídia representa hoje a via principal para disseminação de informações, que, ao introduzir padrões difundidos na população, garante a exterioridade para enfim constituir um fato social. Durkheim, porém, analisava os fatos sociais sob uma ótica positiva, como necessários para o estabelecimento da ordem e para o bom regimento da sociedade.  As regras morais defendidas pelo sociólogo no século XIX apresentam hoje constante contestação diante do vinculado pela indústria cultural, que frequentemente apresenta situações de desrespeito aos direitos humanos e aos valores morais. O combate aos falsos ídolos, já elucidado por Bacon, é elemento primordial na aquisição do conhecimento pleno e na fuga do falso. Para tanto, cabe à própria sociedade selecionar o verídico diante de todo o conteúdo midiático, impedindo que novos fatos sociais provoquem a massificação da consciência humana.  
Luisa Loures Teixeira - Direito Diurno

Aquele homem hipócrita




Émile Durkheim, filósofo francês e pai da Sociologia, afirma que “a consciência pública, pela vigilância que exerce sobre a conduta dos cidadãos e pelas penas especiais que têm a seu dispor, reprime todo ato que a ofende”.

A sociedade atual – nesse critério – não difere daquela da época de Durkheim: existe a exigência de certas normas e padrões a serem seguidos. Caso contrário, a pena é clara: olhares de reprovação, sussurros irônicos, sorrisos sarcásticos.

Imagine aquele homem. Aquele homem que acorda diariamente às 6h da manhã, toma café e dirige até seu local de trabalho; que discute com os advogados e fica inconformado com o tamanho da saia de sua nova estagiária; que almoça uma salada e vai para a academia; que liga para sua esposa que se encontra em Paris à trabalho e faz promessas de amor a ela; que ouve música clássica e que tem seu mundo girando em torno da pontualidade.

Esse homem é seu vizinho, seu marido, seu pai, seu colega de trabalho, seu amigo, seu irmão. Esse homem é um hipócrita; pois, assim que as portas se fecham, esse homem se transforma. E como não se transformar? A perfeição é exaustiva e os pedestais facilitam a queda daqueles que aceitam ser colocados em seu topo.



Ana Clara Tristão - 1º ano Direito diurno

Paternidade sociológica

Merecidamente considerado o pai da sociologia moderna, Emile Durkheim, contrariou sua tradição familiar religiosa ao investir na pregação do conhecimento científico. Aperfeiçoou o pensamento positivista dando inicio à construção da Sociologia - física social tão buscada por Comte.

Abordando aspectos particulares, como a definição de fato social, Durkheim estabelece pontos de partida para o estudo e a contemplação efetivos da sociedade, a fim de estabelecer um método capaz de estuda-la como ciência. Esse sociólogo, oferece como largada características do fato social, que segundo ele são maneiras específicas que o individuo pensa e/ou age e que respingam na sociedade ao seu redor. A exterioridade, a generalidade e a coercitividade são essas três características capazes de fornecer tamanho empurrão social.

Além disso, Durkheim reforçou a ideia de impessoalidade na hora de realizar estudos científicos e metodológicos a respeito da "física social". É essencial que o sociólogo ou cientista social seja capaz de separar-se de seu conhecimento prévio, entre esses crenças, valores e tradições, para apresentar uma verdade incontestável aos demais indivíduos. Percebe-se, então, que a maior dificuldade para a construção da sociologia permanece vigorando, uma vez que é consenso a neutralidade do pesquisador.

Assim, percebe-se que o Pai da Sociologia, não só complementou e concordou com filósofos pré-sociólogos, como também inovou linhas de pensamentos. Já que ele foi um dos pensadores que deu maior ênfase à uma das características fundamentais do direito: a coerção. Desde Durkheim essa forma de coação já vinha sendo estudada e trabalhada. Não por coincidência, somos moldados a seguir normas e regras que são exteriores à nós e que fazemos questão de impô-las às gerações futuras.

Dessa forma, torna-se inquestionável a paternidade dessa ciência social que, a medida que os séculos viram, só deixa mais evidente essa manutenção dos fatos, das expressões e das divisões de trabalho sociais; aspectos inicialmente apontados por Émile Durkheim.

Bárbara Andrade Borges - 1º ano - Direito Diurno.

            A existência está passível de sanção.             


 

  Somos levados a ser o que somos? Qual é o limite de nossa autonomia diante da sociedade? Somos meros reféns do que já existe? E nossa existência, qual o seu papel? Ao nascermos nos deparamos com um mundo pronto  regras sociais, cultura, língua,etc. No processo educacional familiar valores morais , religiosos ,etc. são-nos impostos para que ao sairmos do âmbito familiar possamos conviver em sociedade. Nesta há  regras de adequação, sendo o não cumprimento punido com diferentes formas de sanção.

  Dessa forma a personalidade do individuo é moldada  pela coercitividade  seja na infância , em que noções de certo e errado , permitido e proibido, são impostos ate que se internalizem, seja na sociedade  com suas leis morais e suas normas positivadas.        Chegamos num mundo pronto para nós, nas palavras de Shakespeare “ o mundo é um palco, no qual atuam homens e mulheres” a partir disso desempenhamos diferentes papeis, marido, filho, empregado, papeis que já existiam antes de nossa concepção.

Nessa problemática existe  a nossa autonomia, esta que é exercida pela metade visto os fatores citados anteriormente que impedem pré-escolhas, como quando e onde nascer...

  O exercício da autonomia ,quando vai de encontro ao que é considerado “normal” ,ou socialmente aceito, é punido com de alguma forma , exemplo : o assassinato é punido com a reclusão social, ou mesmo coisas simples como vestir-se diferente das pessoas do grupo ao qual pertence , que punem o “transgressor” com um isolamento.
  O exercício da autonomia , livre do peso social, pode trazer tanto problemas, como também benefícios, pois não devemos nos omitir perante o que nos foi imposto, por mais que tenhamos uma carga enorme de imposições assimiladas, temos a possibilidade de utilizar nossa existência para transpor o estabelecido. Como foi dito por Sartre a “existência precede a essência “ e desse pressuposto que  encontramos caminhos para atuar como atores mais independentes, contrariando o status quo ,mesmo que correndo o risco de sermos sancionados

Durkheim

Herdeiro do positivismo de Augusto Comte, Durkheim procurava acreditar que o sociólogo precisa ter certa distância de seu objeto de estudo, mantendo-se isento de sentimentos como paixão, desejo ou preconceito. A observação, a descrição, a comparação e a estatística eram o seu meio de conhecimento e pesquisa.
Seus estudos não se limitavam à ideia de uma estrutura formada pela união das instituições sociais. Para Durheim, os focos do estudo são as chamados fatos sociais, que explicam as ações coletivas e individuais como consequências de outros acontecimentos sociais, como o governo, a religião e a geografia. Assim, Durkheim teve como principais contribuições a definição dos conceitos de consciência coletiva e de consciência individual. Embora todos tenham valores individuais, no interior de qualquer grupo ou sociedade existem formas padronizadas de conduta e pensamento. Esse conjunto de ações que definem a moral vigente é a chamada consciência coletiva, cuja uma das variáveis é o nível de educação da sociedade. Quanto maior o nível, melhor o desenvolvimento, o sociólogo trabalhou temas que vão desde a emergência do indivíduo até a origem da ordem social, da moral, ao estudo da divisão social do trabalho.

Juliana Casagrande, direito diurno

domingo, 14 de abril de 2013

Apesar de Augusto Comte ser considerado o pai da sociologia, foi com Émile Durkheim que, considerando a metodologia utilizada contemporaneamente, seu estudo teve início. O teórico francês define o que é o fato social, como podemos reconhecê-lo e como se apresentam na sociedade em sua obra "As Regras do Método Sociológico".
Durkheim discorre também sobre como forças coercivas na vida em sociedade tem como consequência as diversas condutas dos indivíduos em suas diferentes realidades. Tal fenômeno pode ser interpretado como aculturamento ou a simples supremacia da coletividade sob a individualidade na vida em sociedade, ampliando as possibilidades de entendimento e estudo do comportamento de todas as sociedades como um todo.

Eles não viam as cordas


Certo dia ouvi que para compreender como a sociedade é de fato, eu deveria mudar completamente minha maneira de enxergá-la, livrando-me das noções já formadas em minha mente e de sentimentos que pudessem distorcer meu entendimento. Com toda sinceridade, achei que nunca conseguiria, mas, depois de várias tentativas, obtive sucesso. Infelizmente.
Agora eu podia vê-las. E aquilo me apavorou tanto que temi pela minha própria sanidade. Cada ser humano estava preso a cordas cuja origem se perdia conforme se entrecruzavam nas ruas da cidade. Porém, era extremamente perceptível que elas manipulavam cada movimento nosso como se fossemos marionetes, obedecendo a um titereiro invisível. Até mesmo pessoas e grupos que se denominam “diferentes” e “fora do sistema” estavam tão presas quanto os outros.
Percebi também que as cordas que manipulavam as crianças eram mais finas e em menor quantidade, mas aumentavam conforme a faixa etária e o contato com outros. Vi, por exemplo, um discreto fio surgir e amarrar-se a um garotinho que acabara de levar uma bronca dos pais por algum motivo desconhecido por mim. Foi uma enorme surpresa ao ver que alguns possuíam até mesmo enormes correntes que, mesmo aparentemente pesadas, não atrapalhavam de forma alguma seus movimentos. Talvez um dia até mesmo as cordas normais tenham incomodado, mas sua presença tornou-se um hábito e seu fardo agora é ignorado.
Eu vivenciava uma situação que Durkheim invejaria... Até o momento em que vi uma ação inesperada: uma pessoa se soltou rudemente das cordas que a prendiam, como se pela primeira vez tivesse notado sua presença. Porém, o mais assustador foi como as que prendiam os outros se moveram lentamente, fazendo com que todos se virassem e dirigissem ofensas e olhares reprovadores ao único ser livre, até que uma nova corda surgiu e amarrou-o novamente, trazendo de volta a “normalidade”.
Então, finalmente entendi. Nós criamos aquelas cordas. O titereiro invisível era a própria sociedade e suas regras, que passaram a existir independentemente da vontade de cada indivíduo. Não poderíamos fugir das cordas. Não deveríamos. Após esse episódio, tentei ignorá-las. Parei de vê-las, ou apenas não queria, mas ainda sinto que a cada movimento e a cada pensamento, há uma discreta força que me guia pra determinada direção.

O pós-posivismo de Durkheim


Émile Durkheim foi um importante filósofo e sociólogo pós-positivista do século XIX, uma vez que foi ele quem buscou definir o objeto e o método de estudo da Sociologia.
Consoante a Durkheim, o objeto da Sociologia é o fato social, o qual consiste em uma maneira de pensar ou agir que tem como características a exterioridade- fato social é colocado pela sociedade-, a generalidade - fatos são introjetados pelo indivíduo- e a coercitividade- são capazes de obrigar as pessoas a se comportarem de uma determinada maneira.
Dentro desse contexto, como pretendia fazer da Sociologia uma ciência racional e objetiva, Durkheim postulou como princípio fundamental do método sociológico que o fato social deve ser observado como uma coisa, assim como os objetos de outras ciências, criando um distanciamento entre o investigador e o que está sendo estudado. É mister o pesquisador se desprender de suas pré-noções- valores e crenças- para chegar em uma verdade absoluta. As coisas nos levam às ideias. Além disso, os fatos sociais devem ser compreendidos em razão da coerção que exercem sobre os indivíduos.
Essa perspectiva durkeimiana de fato social como coisa e de criar métodos de estudo para a Sociologia remonta a Comte. Entretanto, Durkheim critica a postura de Comte quando este concebe o progresso como o sentido de toda a História. Para aquele, cada estrutura social tem uma forma de funcionamento próprio, logo, devem ser estudadas dentro de suas próprias perspectivas a fim de não se distanciarem da verdade.
A atualidade da teoria durkheimiana é evidente, visto que alguns princípios por ela defendidos ainda são utilizados. A exemplo da problemática está a questão de observar os fatos sociais como coisas. Hoje, é fundamental que exista um distanciamento entre determinados profissionais- médicos, advogados- e seus objetos de estudo, os quais geralmente são pessoas, para que possam ser feitas análises racionais de seus casos. Vale ressaltar que o fato social explica as diferentes decisões que tomamos durante a vida ao propor que, muitas vezes, somos condicionados a agir de determinada maneira.

Marina Cavalli - direito diurno

Sociologia e a positividade das ciências



               É notável o avanço que a sociologia dá no seu processo de cientifização graças às obras de Emile Durkheim. O autor encara os problemas que a disciplina esbarrava e os toma como seus, dedicando seus esforços em superá-los.
                Neste sentido, destaca-se o grande recurso metodológico criado por Durkheim: ver os fatos sociais como coisas. Visto isso, é criada a importante e tão necessária distância entre o objeto de estudo e o cientista.
                Assim, ainda durante a descrição do fato social, deve-se ressaltar que o reconhecimento do fato social dá-se máxime pelo seu caráter coercitivo.
                Por conseguinte, conclue-se que em um momento que as pressões para a positivação das ciências nunca estiveram tão grande, a sociologia sofria em ganhar credibilidade no meio. Durkheim tem importância capital, tratando de questões centrais para o desenvolvimento inicial da disciplina.

Lucas Carboni Palhares - 1o ano diurno

A ampla visão de Durkheim


            Émile Durkheim, embora siga uma linha de pensamento parecida com a de Augusto Comte, adotando uma metodologia sociológica embasada em preposições ordenadas, lembrando muito o positivismo, caracteriza as sociedades de acordo com suas características próprias, de forma independente, sendo mais flexível, portanto, em relação à teoria Comteana.
            Sua principal crítica é direcionada à análise ideológica utilizada até então, que partia do mundo das ideias para as coisas e não de forma inversa. Segundo Durkheim, somente a observação do real leva à formulação de conceitos que possam ser utilizados pela sociedade de forma eficiente. O sociólogo ainda alerta para a influência dos sentimentos nos exames científicos, uma vez que, ao dar preponderância a essas paixões, o intelecto acaba sendo posto em segundo plano.
            Outro ponto que merece destaque é a associação que Durkheim faz entre sociologia e as ciências naturais, considerando o fato social, objeto de estudo da ciência mencionada, como uma coisa em si, colocando a objetividade no cerne desse estudo.
            Por fim, o organicismo é fator marcante do estudo Durkheimiano. Segundo sua teoria, o indivíduo deveria seguir um padrão social, abrindo mão de seu próprio valor individual em prol da coletividade. Para o sociólogo, a sociedade funcionaria como um corpo humano, uma vez que cada indivíduo desempenharia uma função específica, garantindo o perfeito funcionamento do corpo social. Isso desencadeia uma série de consequências, vistas até hoje no plano social, como a cada vez maior especialização do trabalho.

                                       Rodrigo Nadais Jurela - Direito Noturno

Comte e Durkheim - os idealizadores da sociologia

Augusto Comte, ao propor o positivismo enquanto filosofia e método científico, previu a criação de uma nova disciplina para estudo dos fenômenos sociais, a chamada física social. A física social de Comte é o princípio da ideia do que se conhece hoje por sociologia. No entanto, essa ideia só foi desenvolvida 53 anos depois, com a publicação de As Regras do Método Sociológico, de Émile Durkheim. Sendo assim, pode-se dizer que Comte é o idealizador da sociologia, enquanto Durkheim é seu primeiro desenvolvedor.
Durkheim aprofunda a noção de Comte sobre a separação do estudo da sociedade das demais ciências. Primeiramente, ele define o conceito de fato social, peça chave para o entendimento da sociologia durkheimiana. O fato social consiste em maneiras de agir e pensar que se apresentam sobre os indivíduos de maneira coercitiva - são de "caráter intrínseco" à própria organização social. O fato social é o objeto de estudo da sociologia.
Encontra-se aí uma dificuldade: como julgar um fato social, sendo que o próprio sociólogo está inserido nele? Para Durkheim, a resposta está em tratar o fato social como objeto, como coisa, distanciando-se dele o mais possível. É um ponto de vista já adotado por Bacon, que fala em "combate aos ídolos da mente".

Instituições e gerações


A manutenção da ordem em determinada sociedade é realizada através de instituições que possuem a finalidade de adequar o comportamento dos indivíduos à vida coletiva. De que modo esta ordem é transmitida com o passar das gerações?
Seja através de instituições de ensino que visam nos doutrinar à vida em sociedade ou do Direito que aplica punições àqueles “não doutrinados”, somos subordinados a uma realidade feita por todos nós, mas que ao mesmo tempo está fora de nosso controle, isto é, somos vítimas de algo que nos é exterior.
Deste modo, somos responsáveis pela manutenção de uma ordem que nos diz como pensar, agir; agimos e sofremos os efeitos de nossos próprios atos. Inconscientemente, passamos a educar as futuras gerações de modo que estas não perturbem a ordem, ou seja, esperamos que mantenham a mesma realidade.
Logo, pode-se dizer que por mais que ocorram algumas mudanças em nossa ordem, transmitimos nossa realidade e mentalidade, ou seja, possuímos a tendência de fazer com que o jogo não mude; há uma substituição dos jogadores, porém, de modo quase absoluto, as regras permanecem as mesmas.

O Primogênito Positivista 

 
 
       Emile Durkheim sociólogo que certamente se inspirou em Comte para a elaboração de suas teorias. Afinal aquele também é positivista, diria que mais racional e mais metodológico. Em sua obra Durkheim torna o objeto de estudo do sociólogo - o fato social - palpável, na tentativa de aproximar a sociologia das outras ciências. Desde a classificação à analise do fato social.
        Pela primeira vez um autor conclui que se o humano é o objeto de analise do sociólogo, então o cientista também é seu próprio objeto de analise. Porém Durkheim acreditava que mesmo com essa realidade diferente da sociologia, ela não deixava de ser uma ciência como todas as outras. Durkheim coisifica o fato social, para que ele se trone mais palpável. Também classifica tais fatos em: Fato social Normal e Fato social Patológico. Sendo o fato social normal simples atos humanos, como o casamento, comprar, o crime. O fato social patológico é um fato social normal que desorganizou o ordenamento social.
         Durkheim acredita na mudança do modo de formulação de ideias, pois das ideias derivam as coisas, para os cientistas. Porém Durkheim acredita no inverso, que das coisas se deveriam formular as ideias, observar para depois conceituar. Afinal a sociologia é uma ciência das realidades. Apesar de positivista Durkheim discorda em alguns pontos de Comte. Para Durkheim, Comte é muito metafisico quando conclui que o progresso como sentido da história, valorizando muito sua ideia sobre a história, se distanciando da verdade sociológica cientifica.
       

     Em sua obra “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim define o fato social, que segundo ele seriam os fatos ocorridos na sociedade relevantes e distintos dos demais fatos estudados por outras ciências. Para ele, o fato social não é identificado pela mera observância das ações humanas – o que transformaria todos os fatos em sociais -, mas a pela distinção de caracteres nítidos nestes fenômenos, tais como a existência dos mesmos fora das consciências individuais e a coercitividade exercida pelos citados fenômenos sobre os indivíduos submetidos a eles.
     Analogamente, é possível afirmar que o direito de ir e vir é uma noção individual e ideológica, mas torna-se um fato social quando passa a ser regida objetivamente pelo Estado através, por exemplo, de leis de trânsito que limitam a velocidade dos veículos, pagamento de pedágios etc. Da mesma forma, muitas vezes há costumes que, ainda que não possuam sanção legal, são vistos como coercitivos. Um exemplo do que se diz, ainda no âmbito da conduta no trânsito, é a prática de se diminuir a velocidade ao ver uma pessoa atravessando a rua mesmo fora da faixa, pois embora a pessoa não esteja cumprindo seu dever em utilizar a faixa de pedestres, é entendido que os motoristas devem dar preferência aos pedestres de maneira geral. Neste caso, o motorista que discordar em oferecer tal gentileza, ainda que esta discordância seja justificada, será considerado descortês.
     Assim, conclui-se que os fatos sociais, embora possam ter raízes em valores ideais e abstratos, estão ligados objetivamente a todos os aspectos da vida coletiva, e a imperatividade deles aplica-se a todos que tentam resistir às condutas consideradas aceitáveis, através de diferentes níveis de coerção.

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Emile Durkheim, em sua obra, procura de diversas maneiras explicar o que realmente são os fatos sociais, visto que o termo gera confusão. Assim, ele os apresenta como fatos que possuem características muito especiais, consistindo nas “maneiras de agir, pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude do qual se lhe impõem”.
            Para ele, os fatos sociais não possuem como substrato o indivíduo, mas sim a sociedade, e só existem onde há uma organização definida. Sendo, portanto, o domínio próprio da sociologia. Então, como método sociológico Durkheim propõe a análise dos fatos sociais como coisa, pois o distanciamento favorece a observação científica. Bem como compreendê-los devido à coerção que exercem nos indivíduos.
            Além disso, o filósofo inova ao fazer crítica à análise ideológica da sociedade. Na qual cria-se ideias e conceitos para depois analisar o meio social e não o contrário, como ele propõe.
            Em consonância com Bacon, primeiramente ele coloca que conceitos pré-formados na mente do cientista formam um obstáculo na busca da verdade científica. E, com Comte, ele concorda na ideia de fato social como “coisa”, mas discorda em se tratar da concepção comtiana de progresso como o sentido de toda a história.