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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A destruição




Resultado de imagem para destruição do capitalismo

Civilização global,
De onde vem?
Em defesa de quem?
Quem é esse tal de Capital?


Deixa sem casa
e com sede sem igual,
hoje já são 2 bilhões.
Milhões que vivem na miséria
para que você encha a barriga
Senhora Civilização global.


Já dizia Moraes:
“ De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?”


Talvez ele entendesse
por sua força ser mercadoria,
explorada a mais-valia
E o que lhe resta?


Esse trabalhador sabe:
Pensar
Reconhecer
Unificar
Agir
E quem sabe até te destruir
Senhora Civilização global
Amiga do Capital.



Raphaela C. S. Maringoli - 1º Direito ( NOTURNO)

Um Conto sobre o Fetichismo da Mercadoria

Adriano buscou Elise às 9h do sábado. Estavam felizes por que iriam escolher os tipos de doce que seriam servidos no dia de seu casamento. A cerimonialista os acompanharia, já que a escolha dos doces determinaria a elegância da festa, ou não, e eles não deveriam deixar passar tal oportunidade de tornar sua festa de casamento algo inesquecível para todos. Chegaram à cozinha industrial do buffet que escolheram e foram recebidos pela proprietária do mesmo, com muita simpatia. E lá vieram os doces! Elise e Adriano ficaram encantados... coloridos, com confeitos diferentes, de diversos formatos e tamanhos. E começaram a provar. A proprietária do buffet e a cerimonialista indicaram que eles deveriam escolher sabores alternados, azedos, doces e neutros, pois isso não saturaria o paladar dos convidados. O casal de noivos se espantou com a enorme variedade de sabores. Ambos haviam crescido comendo brigadeiro e beijinho caseiros, feitos por eles mesmos na cozinha de casa, ou por seus familiares. No máximo, comprados na padaria da esquina. Mas ali no buffet, resolveram seguir as dicas das experientes profissionais, pois depois de tantas provas, não tinham qualquer certeza. E se escolhessem errado? O que diriam os convidados? Ficariam ofendidos por esse descuido? Esse doce era elegante? E aquele era azedo o suficiente? E a textura? E as cores? Depois de definirem cinco tipos diferentes, foi necessário aguardar os cálculos de quantidade feitos pela simpática banqueteira. Afinal, se fossem em quantidade inadequada, eles poriam tudo a perder. Ao terminarem, se deram conta de que já eram 12h. Haviam passado toda a manhã de sábado no buffet! Mas tinham feito planos de caminhar na praça, dar banho em seu cachorro e passar na casa de amigos para conversar um pouco. Tudo fora tão detalhista e difícil, que o tempo voara! Elise comentou com Adriano que ela estava muito satisfeita com a escolha, mas que tinha a impressão de que esquecera algo. Adriano espantou-se. E disse que tinha a mesma percepção, mas não conseguia discernir o que podia estar errado. Afinal, a cerimonialista e a proprietária do buffet haviam sido excelentes. Talvez fosse o longo tempo passado longe da manhã de sol. Nada mais. Ou talvez o valor elevado dos doces, que havia surpreendido o casal. Somente em doces, eles já estavam ultrapassando o orçamento previsto. E ainda faltavam tantas coisas! Ambos percorreram o caminho de volta para a casa, calados. Ao chegarem, almoçaram e foram, ambos ao mesmo tempo, preparar um delicioso brigadeiro de colher, que comeram com grande prazer, e que diluiu um pouco a estranha sensação daquela manhã...

Realidade enevoada.


Em meu sonho, as operárias nunca paravam porque sempre trabalhavam. Não podiam conversar ou divertir suas colegas pois a produtividade dependia da impessoalidade e sincronia dos membros daquela colmeia.

Preste atenção agora, pois eu vi um mundo distante no qual as abelhas desenvolveram capacidade racional, muito embora isto não tenha garantido o fim da selvageria e crueldade nas relações sociais. Ao perceberem-se racionais, o exercício desta habilidade levou ao que ficou conhecido como “apicentrismo”, uma forma de pensar que tinha como foco a própria abelha, de maneira a contrapor, portanto, o culto exagerado à Rainha e seus zangões, ambos sustentados pelo trabalho alheio. O sistema de castas foi, enfim, abolido. Contudo, aquelas que outrora lideraram a revolução foram as mesmas que apontaram ser necessário dividir a produção dentro da colmeia em fábricas, e estas em setores. Assim, todas elas trabalharam na construção de quatro fábricas: Própolis, Cera, Geleia Real e Mel. Foi quando quatro abelhas idealizadoras do projeto, embora não tivessem construído sozinhas, reivindicaram cada qual uma fábrica como sua por “direito”.

Curioso notar que, apesar de terem abolido os altos impostos antes cobrados pela Rainha, as condições das operárias continuavam difíceis, não podiam simplesmente usufruir o que produziam, alguém as convenceu que sem um elevado esforço perpétuo não há recompensa e que importante era realizar comércio com outras colmeias do mundo. Esse modo de vida era justificado por fraseologias constantes, mas um grupo que se denominou “comunista” optou por entender a realidade a partir do concreto e da experiência histórica, superando a simples explicação racional. E essa foi a conclusão que ressoou pelos setores da colmeia:

“ Operárias! Porque vendem seu trabalho aos meios de produção? O que produzem é apenas cansaço e uma quase escravidão! Todas vocês devem se unir, só assim a luta de classes pode se extinguir. Para aquelas que lá estão no andar de cima, não é interessante olhar pra trás e vislumbrar nossa classe oprimida. Se a propriedade privada é a base da desigualdade, como poderíamos, todas, ter prosperidade?! Dominação e exploração não é liberdade, nem se resolverá a diferença com falsa caridade. Atenção! O Mel, hoje, tem caráter de classe. Amanhã, será propriedade comum! Saibam que nosso partido cuida de ‘despertar’ nas operárias ‘uma consciência clara e nítida do violento antagonismo que existe’ em nossa colmeia. Proclamamos abertamente que nossos ‘objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente’, pois uma interpretação científica da sociedade demonstra que urge transformá-la. Operárias de todas as colmeias, uni-vos! ”

Acordei e não pude ver a revolução das operárias. Porém, foi possível deduzir uma esperança: superar a especulação e fazer do Direito um instrumento de transformação.


Diogenes Spineli Soares Filho, 1º Ano, Direito Noturno.

domingo, 3 de setembro de 2017

Os ombros do operário

Pra onde vai o operário?
O poeta uma vez perguntou.
A eterna luta é seu cenário,
A dialética o retratou

A fome demanda
O alimento que nunca brota
Ele anda
Mas sem nunca saber a rota

Atípico seria se naquela mesa,
Sentasse o mais sujo
No leme, outro marujo
Ao mar de incerteza

Teus ombros suportam o mundo desumano
E o mundo só é leve para quem dorme bem.
Mas o velho manifesto calou seu desengano,
Quando ele soube do poder que tem.

Gustavo Lobato Del' Alamo - 1º Ano - Diurno

A Reinvenção do Capitalismo a partir de uma Concepção Marxista


A Revolução Capitalista, na transformação da indústria, iniciada por meio da cooperação simples e da manufatura cujo princípio é a concentração dos meios de produção, até então dispersos, em grandes oficinas, com o que se convertem de meios de produção sociais, metamorfose essa que não afeta, em geral, a forma de troca. Ficam de pé as velhas formas de apropriação, entretanto aparece o Capitalismo.  Assim, em sua qualidade de proprietário dos meios de produção, apropria-se também dos produtos e os converte em mercadorias. A produção transforma-se num ato social; a troca e, com ela, a apropriação continuam sendo atos individuais. O produto social é apropriado pelo capitalista individual. Contradição fundamental, da qual se derivam todas as incoerências em que se move a sociedade atual e que a grande indústria evidencia claramente.
 Primeiramente, temos de definir que o proletariado tem de se identificar como tal, parece uma bobagem, mas as transformações ocorridas após as grandes revoluções, Francesa e Industrial, fizeram com que o homem mudasse suas relações com o principal bem, que é intrínseco historicamente, no caso, o trabalho. Com o surgimento do Capitalismo, as ideologias produzidas por essa nova fase na vida do homem vão transformá-lo também em uma mercadoria, pois a partir do aparecimento do Capitalismo, o homem vende sua força de trabalho e passa a ser incorporado à mercadoria, a burguesia, que detém os meios de produção, compra a força de trabalho e se apropria do excedente produtivo, transformando o trabalhador em uma peça dessa engrenagem produtiva. Sendo assim, o “proletariado existe porque luta,” identificando seu principal valor e se apropriando da sua importância no processo produtivo ele se identifica como proletário, ele considera que a força do seu trabalho é que é  responsável pela produção da mercadoria e, sem ela, a cadeia produtiva não avança, o proletário também enxerga que existe uma divisão e quanto a quem produz e quanto a quem é o dono dos meios de produção. Neste momento, começa a se pensar na divisão social do homem e isso se chama divisão de classes; proletário que vende sua força de trabalho e a burguesia, que é dona dos meios de produção.
A burguesia, ao longo dos séculos, cria mecanismos cada vez mais eficazes de apropriação do excedente produtivo. A mais valia, para o capitalista, é o motor precursor para se criar novas ideologias e cada vez mais afastar o homem do seu bem inerente: o trabalho. A alienação e o fetichismo têm o papel de dar um novo significado para o consumo de mercadorias, já que antes o valor embutido na mercadoria era o de uso e de troca. Com a criação da mais valia, necessidade de se pensar a mercadoria como um bem de uso, de venda e de “status”, cria-se a necessidade cada vez mais de consumo.
O trabalhador que se identifica como proletário sabe que nas suas mãos, “nem uma lâmpada se acenderá, se não houver a mão de um trabalhador envolvido”. A grande questão é que ao longo dos tempos, o Capitalismo vem criando mecanismos de coesão, o próprio aparecimento de uma Ciência que estuda a vida em sociedade, a “Sociologia”, no século XIX, traz consigo questionamentos e necessidades desta nova sociedade, pensadores como Auguste Comte e Émile Durkheim trarão em seus estudos revelações de como essa nova sociedade terá de se comportar em relação ao homem e ao trabalho e das relações dos próprios homens em sociedade. Destarte, seus ensinamentos serão de grande utilidade para a manutenção e aprofundamento do capitalismo no mundo.  


Luciana Molina Longati  - Turma: XXXIV - Noturno

Dialética de classes


A dialética é dos conceitos mais importantes para compreender a luta de classes, a forma de como surjem as transformações sociais, e ideia de tese e antítese, criando uma síntese mais complexa e que compreende os dois lados da discussão. Para que a dialética funcione é necessário algo que conserve as condições, o direito é o novo campo de batalha, entre elite e povo, o direito passa a ser o objeto de tensão entre as ideologias. Por exemplo, a burguesia em seus primórdios, não tinha poder real, apoio do exercito basicamente, encontraram no direito um modo possível de ascender. Quando começaram a atuar no direito seu objetivo principal era uma igualdade formal entre as pessoas e liberdade. Uma antítese seria a de que o direito também é palco, posteriormente, da garantia dos direitos sociais, ou seja o direito é sempre o alvo da luta por condições materiais, das ambições. Mais um exemplo dessa luta de classes real, pode ser vista nas leis trabalhistas, os liberais desejam uma liberdade maior para negociar salários, já os de viés socialista mais garantias concretas e delimitadas desse salário, a síntese disse é a lei de salário mínimo, que ao longo do tempo, e pelas mudanças sociais varia seus números regularmente.
A lei é o meio dessa constante luta, mas há quem diga que essa constante luta nunca foi, e não será balanceada, so um lado ganha, o que muda é só os valores. E que a solução para tal é uma extinção dessa tese, uma extinção da luta de classes. Uma revolução traria o surgir de uma única classe e a extinção das outras anteriores. Sou parte dos que acreditam que a luta sempre vai existir, e que os avanços conquistados por meio do direito são a melhor e mais formidável forma de garantir.

Lucas Luiz Cavalcanti 1º ano Direito Diurno

Movimento

Desde que o homem é conhecido na Terra há o instinto e necessidade de haver dinamismo na sociedade. Seja o nomadismo para a sobrevivência num primeiro momento, sejam as viagens comerciais no feudalismo para as trocas, seja a velocidade da Internet para propagandas e compras online atualmente: tudo se resume em movimento.
Esse movimento constante não para nessas definições e vai além: a história da luta de classes. Marx e Engels propõem um ciclo dinâmico que sempre esteve presente nas sociedades: opressor e oprimido lutam, um para manter a ordem, o outro para transformar. Porém, com essas lutas mesmo o lado que tenta manter vai ser obrigado a mudar de alguma forma. Ou seja, a “ciranda” permanece.

Revolução Industrial. Surgimento das máquinas modernas. O que se movimenta mais do que engrenagens de uma máquina? A classe oprimida vai perdendo a autonomia: sua vida depende do “bater de cartão”, é preciso trabalhar, é preciso ganhar dinheiro, é preciso apertar um prego... A esteira leva... é preciso apertar outro prego... A esteira leva... O que estou produzindo mesmo? Movimento. E o indivíduo passa a ser aquilo que produz, pois, o trabalho torna-se especializado e contraditoriamente parado. O indivíduo estagna para produzir movimento e no fim fica o questionamento: Você é “quem” ou o “que”?

Rayra Faria 1º ano Direito

Prezado

Prezado Karl Marx,

Tenho estudado sua obra – queiram, ou não, ela mostra-se capital para entender qualquer evento de nossa história recente – e, no momento, confio modestamente ter me deparado com alguns desacertos em suas teses – consciente de que posso tão-só não ter bem compreendido suas pressuposições, temendo assim cometer uma famigerada “deturpação”. Por isso, creio ponderadamente poder sanar alguns questionamentos com o senhor e ainda lhe trazer boas novas do mundo atual.
Chamou-me a atenção o “valor real” dos produtos, que seria exclusivamente determinado segundo a quantidade de trabalho da sua produção, tendo o preço uma espécie de caráter intrínseco a eles. O senhor não acredita que isso seja um tanto generalizante? Digo, não seria de bom tom levar em conta o valor subjetivoapitalista idoapitalista rainha Elisabeth bens necessarios ou etiva prosperidade, apesar das crises atuais.  derivado do grau de utilidade e serventia que o referido produto virá a ter para a comunidade? Levando-se em conta apenas a “quantidade de trabalho” não teríamos aberrações como uma fábrica de gelo construída no Alaska valendo o mesmo que uma no deserto do Saara? Ainda, acresço, rejeitar as variáveis de um preço não seria absurdamente afiançar que não existem diferenças entre valor presente e valor futuro? Por mais que um pouco de ouro tenha valor absurdamente maior do que um copo de água no momento presente, em um futuro hipotético e trágico em que falte água, essa situação poderia se dar distintamente, não? 
Ainda no seu método, permita-me continuar: sob a ótica do explorador e explorado, capitalista versus proletário, como abarcar um humilde vendedor de algodão doce que, ao ter um aumento em sua demanda – fruto de seus esforços, bons serviços e iniciativa −, porventura contrate um assistente para ajudá-lo? E um diretor assalariado da mais alta cúpula de uma multinacional petrolífera? O primeiro, enquanto capitalista, estaria sendo explorador; o segundo, enquanto, proletário, o explorado? Outro, a mais-valia também não acaba por não levar em conta os riscos dos investimentos que o empreendedor dispõe inicialmente? Em miúdos, o empreendedor paga – capital esse que poderia usar para consumo ou investimento seguro − aos trabalhadores, de antemão, com bens presentes em troca de auferir bens no futuro, correndo o risco de não recebê-los, sendo o lucro uma recompensa ou incentivo desse sacrifício de reserva. Parece-me natural, não? Ninguém o faria gratuitamente, penso.
Expostas algumas imprecisões iniciais, não poderia mantê-lo aquém dos eventos por aqui. Sem me alongar, em síntese, o projeto socialista ou comunista acabara não rendendo bons frutos por aqui, não. Acharia desairoso e pretencioso atribuir-lhe todo o fracasso dessas experiências, contudo, não posso me privar de opinar que alguns de seus enunciados, como “cada país deva, antes de tudo, liquidar sua própria burguesia”, “derrubada violenta da burguesia”, “descrevemos a história da guerra civil”, “a burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros”, “violação despótica do direito de propriedade” acabaram possivelmente por engrenar projetos ditatoriais e totalitários – como disse Bakunin “O teu sistema vai se tornar ditadura!”. Lenis, Stalin, Mao, Kim ll-sung, Ceausescu, Che, Fidel, Ho Chi Minh, Pol-pot acabaram por praticar não mais do que atrocidades e genocídios. Entre seus feitos encontram-se reiteradamente as mais repressivas perseguições políticas, campos de concentração, pelotões de fuzilamento − contextualizados em inevitáveis cenários de fome, miséria e barbárie. Pol Pot, por exemplo, em apenas 3 anos, dizimou 24% da população do Camboja. Stalin foi responsável pela morte de cerca de 5 milhões de ucranianos, somente no chamado Holodomor – o Holocausto Ucraniano. Os cubanos são subjugados pela dinastia dos irmãos bilionários Castro – Fidel chegou a alcançar o posto de 7º governante mais rico do mundo, superando inclusive a rainha Elizabeth do capitalista Reino Unido − há mais de 50 anos; e outro país, a Venezuela, aqui da América Latina, tem lamentavelmente ido para a mesma direção despótica.
Chegando ao fim, gostaria de reiterar toda sua importância para a compreensão do mundo atual e já me desculpar pelo excesso de questionamentos e pretensões. Por último, para confortá-lo – assim almejo −, posso abalançar que o mundo moderno tem começado vagarosamente a entender o valor da liberdade. Conseguimos, por ora, apartar-nos um tanto dos vastos ensaios totalitários, que conclamam conforto e prometem caminho fácil para reduzir a miséria. Ajuízo que quanto mais se peregrinar nesse sentido da confiança nas próprias seivas e iniciativa − e buscar-se a real libertação −, mais longe possível do aparelho defeituoso, arbitrário e coercitivo estatal, poderemos almejar uma relativa prosperidade, afastando-nos inclusive das crises atuais. Aliás, outra boa nota: seu receio apocalíptico quanto ao desemprego estrutural decorrente das máquinas não tem se confirmado, viu? Com todo avanço tecnológico assistido desde o século XIX, a população mundial cresceu em 6x e a expectativa de vida mais do que duplicou.

Espero ansiosamente as respostas,
De um partidário das liberdades e do indivíduo livre de fato e de direito,
João Vitor Penteado




















Meus heróis morreram de overdose, os meus inimigos estão no poder

A classe burguesa toma papel principal, indispensável e muitas vezes heroico nas relações históricas. A tomada do poder das mãos de nobres absolutistas, a democratização social, a liberdade humana, exemplos de sua “superioridade cultural”. A ascensão burguesa proporcionou incríveis cumes de tecnologia e conhecimento, coisa que nenhuma outra classe em qualquer outra era foi capaz de realizar. A sociedade, após o ápice do poder burguês, finalmente é livre para se organizar como quiser, cada cidadão é livre para fazer o que quiser segundo a lei universal. Livres? Seríamos realmente livres?
Assistindo o meio social com lupas para a problematização carcerária e jurídica, consegue-se ver que a prisão, método atual de reparação da criminalidade, se deu somente pela ascensão dos burgueses. Reparação. Reabilitação. Falácia. O autor Michel Foucault apresenta que a finalidade da prisão, na verdade, nunca foi reabilitar e ressocializar o delinquente. E sim excluir, vigiar e punir. E assim acontece ainda nos dias atuais. Mesmo com toda a forma de suplício ocorrida nas cadeias brasileiras, como superlotação, violência nas celas, estupros, fome, pessoas vivendo na sujeira, sendo tratadas como lixo, propícias a todos os tipos de doença, mesmo com tudo isso, ainda legitima-se o método, defendendo que é o necessário para o delinquente. Necessário para quem? Para a reeducação social do ser humano ou para a exclusão deste do meio social do burguês opressor que pensa nos seus bens materiais acima da racionalidade humana?

Apenas um fato social que apresenta a alienação nossa de cada dia. Aquele que é capaz de torturar desumanamente o homem que invade sua propriedade, seria capaz de deixar o restante da plebe livre? Seríamos realmente livres? Um obrigado pela liberdade concedida por nossos heróis.

O materialismo histórico e suas aplicações



Marx e Engels se destacaram, entre outros motivos, por atribuírem um método inovador de interpretação da sociedade, estabelecendo uma ciência baseada no socialismo e no que ficou conhecido como materialismo dialético. Para tanto, propuseram a superação da filosofia de especulação sobre o mundo, dando lugar à explicação deste estruturada pelo capital. Afinal, a ciência só teria início com o fim da especulação. Nesse sentido, condenam uma corrente de pensadores conhecidos como socialistas utópicos, segundo os quais o socialismo é uma verdade absoluta a ser revelada, expressão da razão e justiça. Esse voluntarismo para transformar a ordem seria uma utopia na medida em que desconsidera a sistemática e a complexidade de uma sociedade capitalista na qual os meios de produção determinam as relações sociais. Tais pensadores se viam como homens iluminados e tomavam como base apenas a razão pensante, o que impossibilita a noção do todo, das relações e da multiplicidade da dinâmica social.
                  Contrapondo-se a essa tendência, Marx e Engels desenvolveram o materialismo dialético, um método científico que toma como base as condições históricas para explicar as dinâmicas sociais e interpretar o mundo. Compreende-se, assim, o socialismo como ciência ao situá-lo na realidade, o que explica a crítica marxista à análise metafísica. Esse método procura decifrar as leis históricas e as contradições inerentes do capitalismo, buscando a causa das coisas a partir da experiência histórica. Dessa forma, entende-se que a evolução do conhecimento fornece o embasamento para fundamentar as análises, as quais devem ser feitas sempre através de uma visão do todo. Para compreender o desenvolvimento humano, sua complexidade, seus avanços e retrocessos, é preciso adotar uma perspectiva que analise as condições históricas e, com isso, interprete as transformações pelas quais a sociedade passa constantemente.
                  O método empregado por Marx e Engels pode ser aplicado em uma série de situações da atualidade. Um discurso que ganha muita força é aquele que procura premiar os indivíduos com base em seu mérito e competência própria. Sob uma perspectiva meritocrata, é possível ilustrar o materialismo histórico através de um exemplo prático: um jovem de 20 anos, branco, filho de um promotor de justiça e que sempre teve tudo em abundância na vida e outro jovem de mesma idade, mas nascido na periferia, que trabalha desde pequeno para ajudar a família. Se os dois almejarem um cargo de juiz federal, é evidente que as chances de o primeiro ser bem-sucedido é infinitamente maior que o segundo. Nesse sentido, a meritocracia não pode atribuir ao que tiver maior “dedicação” e “empenho” o merecimento. O materialismo histórico de Marx, nesse contexto, analisaria as condições a que os dois foram submetidos ao longo de suas vidas, assim como as oportunidades a que tiveram acesso. Afinal, situações como essa estão inseridas em condições materiais que determinam a estrutura social e o futuro dos indivíduos, sendo tais condições favoráveis aos detentores dos meios de produção em uma sociedade capitalista.
                  De maneira semelhante, o método do materialismo histórico pode ser aplicado em julgamentos criminais. Um crime não pode, segundo a ideologia de Marx, ser analisado isoladamente, visto que uma série de circunstâncias e aspectos devem ser levados em conta para explicar o ato cometido. As condições históricas que circundam um comportamento desse devem ser apreendidas para que a atitude seja interpretada. Isso deve ser feito não com base na razão, mas no método do materialismo dialético. O modo de produção na sociedade capitalista representa a base da ordem social e se mostra responsável pelas transformações constantes às quais a dinâmica social está submetida. Conclui-se, assim, a possibilidade de se aplicar o método de Marx e Engels em problemáticas atuais, as quais demonstram a presença de leis dinâmicas em constante transformação e a necessidade de analisar os fenômenos a partir dos fatos existentes e das condições históricas.

Ecce Homo ou O desafio de escrever sobre Marx sem usar a palavra Capitalismo


Somos frutos do passado. Frutos de uma flor anterior, uma árvore antecedente, uma germinação passada. Somos aquilo que foi possível ser. A história como principal agente determinante da condição humana, também se apresenta como ferramenta primeira para transformar a realidade. O conhecimento do passado, dos erros e dos acertos, das teses, antíteses e sínteses, possibilita projeções do futuro, corresponde no poder do homem sobre o real. O desafio principal do empoderamento do homem sobre a história está nos mecanismos reformadores da ordem social. A dificuldade em encontrar a substância, e tomar consciência de todo a sua forma, está presente na luminescência do falso Apolo, o falso guia da humanidade, aquele que admira as estrelas e ignora as misérias do mundo material. A vida real está expressa na vida material, no tangível, no existente. A fome e a pobreza, a abundância e a fortuna, os excessos e as modéstias, o tudo e o nada, a dialética materialista despe o homem da cegueira idílica e nos remonta à frase do grego Píndaro: genói hoios essí.
Quando saímos do idealismo e nos deparamos com a triste realidade miserável, ou seja, quando nos tornamos aquilo que somos, apreciamos mais uma armadilha: o trabalho. Benéfico para uns e massacrante para outros tantos, vital para muitos e desprezível para alguns, o trabalho é ao mesmo tempo a máxima e a mínima expressão do homem no universo materialista. Quanto maior a produção e qualidade do trabalho do indivíduo, maior e melhor é a sua reputação. Mesmo que sonegue impostos, cometa adultério, espanque seus filhos, a sociedade há de dizer: Oh, como é honesto. O homem que não trabalha, cuida de deus filhos, sua esposa e sua horta, a sociedade há de dizer: Vagabundo! O trabalho, a priori, caracteriza e valoriza a espécie, o melhor dos homens é o que mais trabalhou em sua vida, o que morreu do trabalho, no trabalho: Santificai, oh senhor, tão bom homem, para que sirva de exemplo aos outros tantos que estão perdidos. Por fim, o trabalho se transforma em ídolo, um Hércules, protegido pela imaculada pele do Leão de Nemeia, um aspecto idealista. Somos novamente atraídos a olhar para as estrelas e ignorar o chão.
A realidade materialista e a idealista se contrapõem de maneira tão sublime que os frutos dessa colisão são elas mesmas, um eterno ciclo substancial e imaginário, divino e carnal, apolíneo e dionisíaco. O manto do irreal, ao mesmo tempo em que cega, protege o homem da frieza da existência. A nudez da realidade refresca e revigora o homem, lembra de seu propósito e daquilo que ele realmente é, um ser dialético, um eterno conflito entre duas forças. Forças que se usadas com sabedoria, engendram transformações úteis, de enriquecimento imaterial e de modificação estrutural da substância e da história. É preciso que olhemos para o horizonte, que avistemos as estrelas e as montanhas.   

Rafel Pedro - 1º ano Direito - Matutino 

Quem sou eu?

Sou artificial
Vendo-me para sobreviver
No mercado sou mais um entre tantos
Graças ao salário consigo ter relações sociais
Sinto-me como um trem bala em uma ferrovia
No sentido de circular para gerar
Consumir para ser
Ser para consumir

Desde pequeno fui disciplinado pela
Repetição, mecanização, competição
Rivalidade, meritocracia, comparação
A educação ensina a produção da vida social

O trabalho é livre, eu não!
Trabalho é mercadoria
Trabalho te define como pessoa
A sua posição na sociedade

Relações sociais mercantilizadas
Geram mais pobreza, desemprego e desigualdade social

Mais-valia a minha vida
Do que o lucro.


Quem sou eu?

Eu sou uma pessoa-mercadoria.


Brunna Aguiar da Silva    1º ano Direito diurno

sábado, 2 de setembro de 2017

Engrenando a vida moderna

Sobre a ruína da muralha feudal,
Construído novo motor da história,
Degrau por degrau o operário vê o final;
Longe da terra, agora a rotina diária.

Pelas chaminés a fumaça volatiza a energia,
Da inovação? Ou do homem, da mulher, da criança?
Fumaça que atinge em escala global uma Cia
E Exploração que coloca uma camada social na dança.

No fim do turno parece surgir um livro;
Um manifesto, não! Uma legislação.
O Direito vem para defender a sociedade:

Direito de demandar e de lutar.
Espera! Mas e o direito de pensar?

Ah! Esse...perdeu
-se
nas
engrenagens...

Obra "Operários"(AMARAL, Tarsila, 1933)

Betina Rodrigues Yagi - 1º ano Diurno

Comunismo versus Capitalismo: o motor das sociedades

     Comunismo e capitalismo, dois modos de viver e pensar antagônicos e que por dezenas de anos estão , ao que parece, fadados a um conflito direto permanente. Não que essa situação seja ruim, na verdade, o confronto constante entre comunismo versus capitalismo trouxe diversos avanços sociais e econômicos, dependo de intensidade de nação para nação. Mas quais avanços seriam esses frutos deste conflito?
    Diversos exemplos podem ser citados, como no auge da Guerra Fria, em que ambos EUA e a antiga União Soviética disputaram ferozmente a hegemonia ideológica e espacial, em razão disso, foi possível desenvolver e adquirir conhecimentos até nunca antes imaginados, como, por exemplo, o aprimoramento da computação e das comunicações e a utilização da ciência nuclear na medicina e na produção de energia, frutos da corrida espacial e armamentista, além de uma grande eferverscência cultural e politica , ocorrida principalmente nas nações ocidentais.
   É certo que em países predominantemente capitalistas, os avanços científicos, especialmente aqueles ligados a produção de bens e de lucros, são melhores e mais eficientes, o que gera uma enorme riqueza material e intelectual. Porém, tais avanços e riquezas não são compartilhados com todas as camadas sociais na mesma eficiência e abundancia, principalmente com as camadas consideradas mais pobres e baixas. Ao mesmo tempo, os países comunistas apresentam um compartilhamento maior das riquezas, embora estas sejam bem menores, além de que em diversos países ditos como comunistas ocorrerem perseguições politicas e de liberdades.
     O capitalismo proporciona a riqueza, e o comunismo a sua socialização, pelo menos no mundo das ideias; ideias que juntas ou em oposição direta geraram direitos, sendo o melhor exemplo, em que os ideais comunistas de socialização das riquezas e do capitalismo de produção entraram em choque e geraram o atual estado de bem estar social (Welfare State) europeu, que detém alguns dos mais altos índices de desenvolvimento humano do mundo.
   Assim, o atrito ideológico entre capitalismo e comunismo gerou um processo constante de  extinção e criação de politicas e direitos tanto sociais como econômicos, movimentando o desenvolvimento das sociedades humanas.    
      
                                                                           Augusto Fávero Merloti, Direito 1 ano - Noturno       

Deterioração do bosque


Marx foi herdeiro de um mundo que passa a ver o individualismo burguês, sua exploração econômica e alienação social, por isso em suas obras ressalta as representações falsas que o homem faz de si mesmo e como essas representações trazem ideias que exercem domínio sobre o homem.
Dentro dessas falsas representações, Marx destaca a metafísica na obra “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, não há maneiras de analisar a sociedade como um todo fragmentando os objetos para obter clareza, “obcecado pelas árvores, não consegue ver o bosque” (p. 6 e 7).
Claramente o autor utiliza essa frase no sentido figurado, mas podemos fazer um paralelo com acontecimentos reais. O presidente brasileiro, Michel Temer, está buscando extinguir reserva na Amazônia para ampliar exploração mineral, “O Brasil precisa desapegar de certas coisas, como reservas ecológicas e indígenas”, disse um de seus ministros.
Temer, obcecado pelo retorno em capital que pode ter, não consegue ver quantos retornos negativos essa atitude pode trazer ao mundo. Mostrando assim o individualismo burguês fortemente presente em seu governo.
O governador brasileiro, com essas ações, se torna também um grande exemplo de falsa representação. Em 2015 o povo brasileiro, guiado pelo domínio que o senso comum traz, saiu às ruas para pedir o impeachment de Dilma achando que com isso o país iria melhorar. Todavia, agora 94% da população desaprova o atual governo (de acordo com o Jornal Brasil), mostrando o perigo da alienação social.


Vinícius Campos - 1° ano direito diurno
A inversão do Pensamento Hegemônico

     Para um dos filósofos mais influentes na carreira de Marx, Hegel, dialética é uma forma de pensar a realidade em constante mudança por meio de termos contrários que dão origem a um terceiro, que os concilia. No entanto, este pregava uma dialética meramente filosófica que, segundo aquele, não possuía capacidade de modificar o mundo material.
     Partindo do materialismo, ou seja, do mundo real, a dialética compõe-se de três termos: tese, antítese e síntese. A Tese é uma afirmação; a antítese, é uma afirmação contrária, e a síntese é o resultado do embate entre as duas primeiras. Marx escreveu sua célebre frase: "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de várias formas; cabe transformá-lo”. Dessa forma, exporei uma teoria que venho elaborando, claro que informalmente, sobre os conflitos entre as ditas maiorias e minorias sociais.
     Analisando pela ideia marxista, sem realmente perceber que dela estava utilizando, percebi – por meio de inúmeras conversas com minha família, a qual afirmo conservadora – que o conflito entre a tese (forma de pensar dominante) e a antítese (forma de pensar reacionária) é algo inevitável socialmente.
     Tomemos um exemplo: o conflito entre aqueles que são contra o paternalismo estatal frente às minorias (tese) e os que são a favor (antítese), gerará uma nova forma de segregação, racismo, entre outros termos que o leitor deseje usar (síntese). Afirmo isso, pois acredito que com tamanha assistência estatal às minorias, a lógica de pensamento se reverterá, por exemplo, transformando em maioria racista não mais o branco contra o negro, mas sim o contrário, ou então em heterofóbico aqueles que sofreram com a homofobia. Estou ciente de que o caro leitor estranhará esta maneira de lidar com os embates calorosos da atualidade, no entanto, um sábio professor um dia me disse: “Quem imaginaria que a Burguesia ganharia força para desmantelar o Antigo Regime? ”. E digo mais, que senhor de engenho, no auge da escravidão, imaginaria que um dia os negros ousassem conquistar direitos e tornar-se parte componente da vida civil?
     Assim, termino minha reflexão afirmando que creio na inversão de formas do pensamento hegemônico – claro que com uma duração de séculos, talvez milênios – ao qual nos dominará, enquanto raça humana, tornando, o que hoje é tido por grande parte da população como algo inaceitável, em “normal” no futuro.


Gabriel Marcolongo Paulino – 1°Ano Direito/Noturno
Somos todos proletários
Desde pequenos
Ensinados aos moldes capitalistas de produção
Estude
Trabalhe
Enriqueça
Mas não questione
Desde pequenos ensinados a ser burgueses
Meus brinquedos
Minha casa
Meus amigos
Tudo meu, nada nosso
Quando na realidade somos proletários
Pague pelo conhecimento
Trabalhe para os outros
Enriqueça na custa de outros
ou com outros enriquecendo mais ainda na suas custas
Mas não questione
Não questione e também não aprenda
 o conhecimento pode te mostrar que é explorado q
que é um proletário
que sofre a mais valia
E isso o sistema não quer
O conhecimento geraria o fim
O fim de um sistema que te faz ser burguês
Quando é apenas
Mais um proletário

 Marina Domingues Bovo - 1º ano Direito Matutino

O consumo é o ópio do povo


Marx e Engels trouxeram à visão Socialista um viés científico e realista, mas isso em comparação ao que tinha sido desenvolvido antes ou em épocas próximas. Por mais que a dialética Marxista seja extremamente sólida e coerente em vários pontos, sendo adotada por diversos intelectuais, não é possível hoje se pensar em uma revolução do proletariado. O capitalismo e a cultura do consumo são tão intrínsecos à sociedade contemporânea que é nítido na grande massa uma busca de adaptação e não de questionamento ou levante.
Hoje o capitalismo está consolidado e é quase absoluto no mundo, dessa forma é crescente a criação de necessidades e a obsolescência, que levam ao consumo exacerbado. O povo, os proletários, que para Marx são quem deveriam fazer a revolução, estão inseridos tão fortemente na lógica do mercado que antes de pensar em uma revolta estão pensando em ser (ter) no capitalismo e usufruir de seus produtos, mesmo quando de maneira absurda e desmedida. Um exemplo foi o lançamento no meio do ano da coleção “Supreme x Louis Vuitton”, onde jovens chegavam de madrugada na fila para obter peças com preços absurdos, e as notícias mostram até mesmo o relato de um jovem que largou a escola e foi trabalhar para poder comprar esses produtos.
Por mais bem construídas que sejam, as ideias de socialismo, comunismo, revolução, entre outras, acabaram ficando restritas nas teorias de uma pequena elite intelectual. Muitas vezes não só ignoradas, como repudiadas pelo povo. Hoje o ópio do povo não é mais a religião e sim o próprio consumo.