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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A contemporaneidade do pensamento marxista



    Karl Marx, filósofo e cientista social prussiano nascido em 1818, acreditava na possibilidade de uma sociedade com justa distribuição de renda, portanto, era defensor das ideias comunistas. A teoria de Marx se atentou, entre outras definições, em explicar dois conceitos essenciais, o de infraestrutura e superestrutura. A infraestrutura é a parte econômica de um regime, ou seja, a organização do trabalho em uma sociedade, e o conjunto que garante a funcionalidade de tal área, o que não está separado do conceito de superestrutura, que diz respeito aos conhecimentos científicos de uma civilização. Sendo portanto dois conceitos intrínsecos na prática, que possuem certa separação apenas na análise teórica. Marx demonstrou em seus estudos a existência de uma contradição entre o direito de propriedade privada de um indivíduo e o desenvolvimento das forças de produção. No capitalismo moderno, o crescente número de sociedades mantidas por ações anulou o direito de propriedade, de modo com que este perdeu relevância. Concomitantemente ao  desenvolvimento das forças de produção, se dá o surgimento de novas relações de produção, mas isso não anula as já existentes, como o direito a propriedade privada, apenas dividindo espaço com novas relações de produção, como as sociedade acionistas.
    O pensamento marxista, conta com alguns elementos formadores do regime da época, como o estados das forças produtivas, as relações entre classes, e as formas de propriedade. Na visão de Marx, a luta de classes é extremamente justificável, assim como inevitável pois a partir do momento em que se dá o desenvolvimento das forças produtivas tem-se o natural esgotamento e insustentabilidade do modo de produção capitalista, e a forma como se aplica esse regime. A análise do comportamento social, e sua classificação a partir de uma série de fatos é interessante para que se compreenda uma sociedade e suas relações, sendo portanto, a análise marxista uma visão legítima, desde que não usada de forma crítica, apenas analítica, pois Marx elaborou sua teoria em um contexto histórico que não corresponde mais a atualidade, portanto, outros fatores devem ser levados em conta para uma análise contemporânea da sociedade. 

Tawana Alexandre do Prado - 1º ano - direito noturno

Vida vendida

Karl Marx e Friedrich Engels foram dois filósofos que muito criticavam o idealismo hegeliano, pois o consideravam abstrato, negando o pensamento puramente metafísico, e trazendo uma abordagem mais real, que ficou muito conhecida como Materialismo Dialético, que considera que as respostas para os problemas de uma época não estão simplesmente nas ideias, mas sim em toda a história, buscando uma resposta na experiência histórica. E, para os filósofos, esse novo modo científico, seria formado por uma tese, afirmação, uma antítese, negação, que resultariam em uma síntese. 

E devido a esse novo modo de pensar, Marx e Engels criticavam os primeiros socialistas, que queriam colocar o socialismo como ciência, pois assim se teria uma fragmentação dos objetos para se obter clareza, ou seja, um isolamento causando uma tese sem espaço para a antítese, que seria no mais, a própria negação da dialética. Dessa forma, eles assemelham a dialética como o espelho da natureza, pois, devemos olhar para o todo, para que assim compreendamos melhor os fenômenos, não basta que olhemos árvores, temos que nos ater ao bosque, para podermos entender o que ali está sendo construído.

Os pensadores ainda trazem uma reflexão a cerca de que o modo a maneira como enxergamos algo é determinada pela forma como vivemos, pela forma como trabalhamos. E se trouxermos essa assertiva para o século XXI poderemos compreender que se faz real, pois a forma como quem nasce no Ocidente, que em geral são formados por capitalistas individualistas com um estado laico, enxerga as populações Orientais, que em parte apresentam um estado com influencias religiosas, ou ainda que apresentam países comunistas, que vivem estados totalitaristas, é uma forma preconceituosa, pois para os ocidentais uma vida pautada nesse tipo de estado e nessa forma de produção não faz sentido, e o inverso também é verdadeiro, ou seja Marx e Engels estavam certos ao afirmarem que o nosso meio de produção influencia o nosso meio de enxergar a vida. Ou seja, a vida real nada mais é do que a expressão da vida material.

E isso se faz real a cada dia mais, pois os indivíduos influenciados pelo capitalismo, dão muito mais valor as horas de trabalho, ao valor numérico que aparece em suas contas todos os meses, ao que podem oferecer para seus sucessores para que possam estar melhor preparados para enfrentar o mundo capitalista, ou seja, toda a vida humana foi forjada para que o capitalismo sobreviva, o dia a dia de cada pessoa nada mais é do que a expressão do nosso sistema, a vida deixou de ser vivida para ser vendida. 

Aluna: Pietra Bavaresco Barros - 1° ano Direito diurno 

Ditadura do proletariado: um fim necessário


A obra de Marx e Engels se inicia no materialismo dialético, método científico de análise da sociedade oposto ao idealismo dialético de Hegel. Este último defendia o pressuposto de que a explicação do mundo está nas ideias, na razão, e apenas o que é racional é verdadeiro. A partir dessa teoria, Hegel e os demais idealistas alcançavam falsas percepções da realidade, porque não investigavam o cerne do problema – a causa e as condições históricas, como faziam Marx e Engels.

            Mais tarde, Marx e Engels partem para a análise do Capitalismo, e, embora a obra esteja carregada de ideologias particulares, trata-se de uma análise científica de todo um processo histórico que culminou na ascensão e dominação burguesa. Uma classe inicialmente revolucionária, responsável por romper as amarras do feudalismo e impor a liberdade acaba tornando-se, mais tarde, a própria figura da exploração. A burguesia, em escala muito maior do que o feudalismo europeu, conseguiu instaurar a dominação de classe em perspectiva global. Em todos os cantos do mundo passou a existir a polarização burguês-proletário, o que justifica a máxima marxista “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, pois, de acordo com a obra “O manifesto comunista”, somente o operariado seria capaz de superar o capitalismo, pois constitui a base dele: sem a força de trabalho, a base burguesa quebra. O social-comunismo é, então, um fim necessário, fruto da luta de classes e não mera criação da razão humana


Maria Eduarda T. S. Léo - diurno

Racionais, Rap e Marx

             Racionais MC’S em sua musica Capítulo 4 Versículo 3 apresentam  “Juiz ou réu, um bandido do céu/Malandro ou otário, quase sanguinário/Franco atirador se for necessário/Revolucionário, insano ou marginal/Antigo e moderno, imortal”, que tinham como objetivo expressar a realidade da comunidade das periferias de São Paulo, usavam como demonstrado no trecho presente o materialismo dialético pata interpretar o concreto por meio  de teses e antíteses. Mesmo que com interpretações por vezes abstratas, se referiam a casos concretos presentes em sua classe, logo se apropriavam do método de Marx e Engels.
            O rap inicialmente nasceu para que a periferia pudesse se expressar, mas vê-se no caso dos Racionais uma forma de união da classe dominada para a busca de direitos negados pela classe dominadora, mostrando também o desenvolvimento histórico elucidado no materialismo dialético e apresentando a luta de classes. E talvez, os Racionais, por trazerem em suas letras todas essas questões como a de o capitalismo ser um sistema da classe dominadora, o mercado reger a sociedade e as teses e antíteses que formam a síntese da nossa sociedade, conseguiram concretizar que a modernidade fica a favor do proletariado para centralizar as lutas sociais existentes.

            Porém ,como antítese desse texto, apresenta-se a apropriação da classe dominadora do rap, hoje encontra-se artistas no meio desse ramo da musica que seguem o caminho contrário dos Racionais, pregando musicas burguesas que apenas consolidam a dominação. Entretanto o rap, em muitos casos ainda é usado para a expressão da periferia e apoio as lutas sócias. Formando como síntese desse texto que o Rap ainda expressa a realidade das comunidades e se utilizam do materialismo dialético para consolidar seus direitos, todavia quando não o fazem consolidam a dominação burguesa no modo de produção  capitalista , assim como outros tipos de arte eram usadas nos modos asiático e feudal .

                                                     Lucas André Silva- 1º ano de Direito(Noturno)
A revolução frente ao atual cenário político brasileiro

Karl Marx explica as mudanças na história através do materialismo dialético e da luta de classes. O feudalismo passava por uma grave crise entre os séculos XIII e XVI, causada pelos defeitos do próprio sistema, e nesse momento ocorre o renascimento urbano e comercial, dando origem a uma nova classe: a burguesia. Assim, tese e antítese se confrontam, dando origem a uma nova organização política e econômica. A mesma linha de raciocínio guia a ideia marxista sobre a revolução do proletariado, que causaria o fim do capitalismo e surgimento do comunismo.
A conjuntura política do Brasil apresenta uma nítida bipolarização: a esquerda representada pelo Partido dos Trabalhadores e a direita representada pelo Partido da Social Democracia Brasileira. Nos últimos tempos, porém, percebemos que não há tanto distanciamento entre ambas as partes. A esquerda tem se aproximado de partidos de ideais contrários aos seus na tentativa de manter-se no poder e de garantir a governabilidade. Além disso, após cerca de 13 anos de governos de esquerda, a então presidente Dilma Rousseff é afastada do cargo.
O enfraquecimento da esquerda na política brasileira poderia significar a diminuição dos ânimos de uma possível revolução e, consequentemente, afastar a realidade das ideias marxistas. Entretanto, segundo Marx, enquanto a sociedade de classes existir, enquanto a relação opressor e oprimido não for interrompida, haverá certa atualidade na revolução. Mesmo aqueles que não defendem o comunismo como alternativa ao capitalismo passam necessariamente pelos estudos de Marx para propôr um novo sistema.


Gabriela Fontão de Almeida Prado (diurno)

O marxismo e o materialismo dialético

 Marx e Engels foram os primeiros a se usar do materialismo dialético como método científico. Utilizaram esse método para analisar criticamente a sociedade e sua evolução, e chegaram a conclusão de que o estágio final da sociedade é o comunismo.

 O método é chamado de materialismo pois parte do real, tentando fugir do ideal utilizando-se de exemplos cotidianos e históricos. Segundo este método, a realidade não parte de uma ideia abstrata, ela deve ser interpretada segundo ela mesma.

 Utilizando-se deste método de pensamento, Marx e Engels enxergaram na sociedade, ao longo da história, a luta de classes. O motor da sociedade segundo eles. Aquilo que movimentaria a evolução social trocando a classe dominante até essa deixar de existir no comunismo.

 Marx e Engels também pensaram a estrutura e superestrutura da sociedade. A superestrutura sendo a que define a estrutura. A ideologia da classe dominante que define como o mundo e a sociedade devem funcionar. Define quem tem os meios de produção e quem tem que vender força de trabalho.


 Marx e Engels foram revolucionários no pensamento social. Uns dos primeiros a contestar o liberalismo econômico pensando em uma nova alternativa, e a entender esta fase como apenas provisória na evolução social.

Péricles de Freitas Nogueira 1° ano Direito Diurno

O concreto como algo mutável

O materialismo dialético como método científico promovido por Karl Marx e Friedrich Engels tem como uma das características a perda da visão do todo. Isso quer dizer que nesse método de análise, o cientista vai além do instantâneo, além do que os olhos enxergam. Dessa maneira, infere-se que o cientista pensa da história do objeto em análise, pensa em todas as ações que levaram tal coisa a ser daquela maneira. 
À síntese das várias ações que levam algo ser de tal maneira, dá-se o nome de concreto. Nesse aspecto, por exemplo, Marx se contrapõe a Comte e Durkheim, os quais apenas consideram o fato, aquilo que se apresenta diante dele. Um exemplo: uma pessoa moradora de rua, usuária de drogas, mata outra. Para Comte e Durkheim, essa pessoa é vista apenas como uma assassina, uma drogada. Já Marx analisaria toda a história da pessoa que cometeu o homicídio, concluindo que ela é a síntese de múltiplas contradições, sendo uma delas a incapacidade do indivíduo se inserir no mercado e acabar morando nas ruas. 

No marxismo, o concreto não é algo imóvel, isto é, de um dia para o outro o concreto pode se desfazer. Exemplo disso na atualidade é o retrocesso da conquista de direitos, usando a PEC 241, aprovada no Congresso Nacional no dia 10/08/16, a qual estabelece um novo regime fiscal, proposto pelo presidente interno, Michel Temer, e pelo ministro da fazenda interino, Henrique Meirelles, que visando diminuir a interferência estatal na economia, determina que por 20 anos não será investido dinheiro algum na educação, saúde e assistência social.  Ou seja, passa-se por cima da lei sancionada por Dilma Rousseff em 2012 que fixa gastos mínimos em saúde, por exemplo, ficando claro a assim, o retrocesso e a mudança do concreto. 

Stella Cácia Bento Schiavom - 1º ano de Direito (noturno)

O sorriso do operário no mar

O poema “Operário no mar” de Drummond deixa claro um afastamento entre o narrador e o operário por ele descrito. Um homem misterioso, cansado pelo seu trabalho, com marcas sob o corpo, caminha em direção ao mar, deixa a fábrica para trás, e ao se molhar exprime um sorriso, o sorriso que chega a trazer esperança de compreensão ao narrador. As passagens do poema podem ser interpretadas de diferentes maneiras. Algumas delas demonstram a nítida separação de classes, a separação entre o operário e o burguês, como na passagem: “Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza.... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. ” O poema vai além da descrição do narrador, se referindo a um movimento histórico no Brasil, a Era Vargas e a consolidação dos operários no Brasil. A literatura da época traz consigo uma função social de criticar a realidade e conduzir uma consciência da mudança.
Esse operário que sofre pela exploração capitalista, que é marginalizado pela sociedade, descrito no poema de Drummond, dialoga com as teorias marxistas do modo de produção, abordando um dos temas centrais de sua obra: a luta de classes. Marx e Engels acreditam no real para a análise científica, um olhar para o homem e sua história, trazendo assim o materialismo dialético que difere do idealismo hegeliano. Os autores trazem então a história humana como a história da luta de classes, sendo que o modo de produção capitalista nos leva a uma nova luta de classes , entre burgueses e operários. A marcha da história conduz a revolução que gerará então uma nova ordem social.
Assim, esse operário que caminha ao mar e que representa a figura de tantos outros operários possui a força para uma emancipação social, subvertendo a ordem e o distanciamento mostrado com o narrador. Drummond descreve: “Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão.” Ao caminhar deixando a fábrica para trás e sorrir quando está no mar, o operário traz essa esperança da distância entre as classes se minimizar.

Gabriela Guesso Pereira
1º ano Direito diurno
A eterna luta de classes

Karl Marx era considerado um materialista, ou seja, seu pensamento era baseado na realidade prática. Suas ideias se contrastavam com as de Hegel, já que este possuía uma visão idealista do mundo, partindo do principio de que a sociedade obedecer as regras do Estado seria uma coisa natural, inquestionável.
Marx se utiliza da dialética (tese + antítese = síntese) para explicar seu raciocínio, aplicando-a as relações de produção, que seriam as relações entre o proletariado e a burguesia (levando em conta o capitalismo).
O comunismo, para Marx, seria a etapa final dos sistemas econômicos, já que haveria a erradicação das classes sociais, chegando-se então a uma situação de “estabilidade”. Em uma frase muito relevante, Marx traduz tal pensamento: “Os homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção que são correlativas a determinado estágio de desenvolvimento de suas forças produtivas”. Portanto, para ele, o que define a situação social do individuo não é a lei, mas sim a esfera econômica.
Marx também faz uma distinção entre Infraestrutura e Superestrutura. Infraestrutura é a base da sociedade, as relações econômicas entre os indivíduos, ou seja, a economia em si. Já a Superestrutura é reflexo da infraestrutura, são todas as demais relações que existem na sociedade (política, direito...). Portanto, com relação a desigualdade, por exemplo, se na infraestrutura, que é a economia, a base da sociedade, ela está presente, em seus reflexos (superestrutura – direito, política...), ela continuará existindo.
Com relação ao conceito de mais-valia, Marx diz que todo aquele que vende sua força de trabalho em troca de um salário para sua sobrevivência (proletário) se encaixa em tal definição, já que o salário nunca vai ser completamente coerente com o trabalho produzido. A mais valia seria a diferença entre o produzido pelo proletariado e o valor de seu salário, sendo que essa diferença vai para o burguês, gerando a dominação do “rico” sobre o “pobre” e consequente alienação do trabalhador.
O processo revolucionário nos ideais de Marx e Engels, precisaria inicialmente de uma conscientização coletiva de tal alienação do proletariado e de sua situação de “explorado”. Defendiam a ideia de que a classe operária deveria se unir e introduzir, com base no uso da força, revolução, uma nova forma de organização: a “Ditadura do Proletariado”, na qual essa classe mais baixa tomaria o poder durante um certo período de tempo, possibilitando futuramente a adoção do socialismo e comunismo.

Helena Lamante Scotton - 1° ano - Diurno

O método científico marxista

Karl Marx, um filósofo, sociólogo, jornalista prussiano e Friedrich Engels, teórico revolucionário alemão, foram os autores do materialismo dialético como método científico, usando para a análise crítica da sociedade e assim o entendimento da necessidade e forma como deveria ser realizada uma revolução do proletariado culminando no socialismo.
O materialismo dialético se dá pela oposição entre uma tese e antítese, sintezando uma síntese da problemática. Esta de materialista, pois parte da análise daquilo que é real, situações apresentadas no cotidiano, buscando a causa, podendo ser por exemplo a experiência histórica, contudo não a simples explicação racional. Portanto esta forma de materialismo supera a filosofia tradicional, possibilitando uma interpretação mais complexa da realidade, uma vez que não parte da ideia de que a realidade é uma projeção de uma abstração universal dela, assim entende-se ela como um todo, um processo que tem como resultado uma consequência concreta.
Como método científico, o materialismo é usado na criação de um raciocínio lógico baseado na realidade, fatos observados no cotidiano que se correlacionam. Tem-se como exemplo prático o racismo na atualidade brasileira. Analisado por uma perspectiva empírica, este é parte da realidade, simplesmente pelo fato de ser, como um episodio isolado do todo. Já pela perspectiva marxista o racismo é consequência da escravidão e degradação da condição do negro durante o processo histórico mundial, mas especificamente o brasileiro.

Toda a sociedade pode ser analisada através do método do materialismo dialético. Assim fez Marx e Engles determinado que o eixo principal dela é a produção e acumulo de capital. O papel da burguesia é maximizar este acumulo, através da compra da força de trabalho do proletariado, único bem que o último detêm. Como forma de sua manutenção no poder a burguesia, dona dos meios de produção, usa do aparato estatal, bem como dos meios de comunicação para disseminar sua ideologia e assim mais facilmente submeter a classe operaria, mantendo a coesão social do sistema capitalista. Para o rompimento desta coesão é necessária a conscientização da classe proletária para assim haver uma cooperação eficiente entre ela e a tomada dos meios de produção, e consequente rompimento do sistema.

Júlia Barbosa - 1°ano Diurno

A Roda de Marx

           A música Roda Viva, interpretada por Chico Buarque de Holanda na década de 1960, faz uma menção do ciclo social, comparando-o com rodamoinho, pião e roda-gigante. O movimento de rodar resulta em coisas novas, mas, ao final da volta, conduzem ao mesmo ponto (início da roda). Também é possível notar as súplicas de uma classe oprimida (censurada pela ditadura) por liberdade.

            Há uma clara utilização do pensamento marxista na letra de Chico Buarque. Segundo Marx, a luta de classes é o motor da história, que movimenta a “roda” da dominação social. Sempre que uma classe derruba outra classe dominante, essa assume o papel de dominante, guiando a sociedade conforme seus interesses. Atualmente, podemos dizer que o proletariado é a classe dominada. Seguindo o pensamento marxista, os operários devem realizar a revolução armada contra a burguesia para conseguir a soberania política, social e econômica. Mas a derrubada da burguesia será uma forma de dominação, o que confirma esse ciclo interminável de dominação. 

João Raul Penariol Fernandes Gomes - 1º ano Direito Noturno

Momento Reflexivo: Sobre o olhar da transformação

Agora não mais focado nos idealismos hegelianos, não mais preso em realidades mentais que surgem através de uma construção do inconsciente, finalmente focado na ação humana, do agir, do já e explorando como tudo ao redor do homem se relaciona com sua forma de pensar. Colocados os pés no chão, avista-se camponeses, proletários e burgueses, buscando a sua emancipação,  esta construída por tempos de transformações sociais e percorrendo uma longa trajetória, com a análise desde a  origem ao resultado, é nítido que as conquistas humanas fogem muito do ideal de merecimento para ser uma conquista necessária pela luta. Assim como atletas não esperam menos que o reconhecimento de suas habilidades em grandes competições, o homem espera que a história avance uma vez que ele trabalha para muda-la.

O real modela o futuro, não só o ideal da razão. Dessa forma o materialismo dialético busca o espaço de luta social para a mudança de uma dada ordem, apresentando-se através três aspectos: a tese, a antítese e a síntese, um exemplo clássico seria a ideia da meritocracia como tese, sua antítese seria a luta entre os que se beneficiam contra os prejudicados pelo conceito meritocrático resultando finalmente na sínteses que traria implantação de cotas que insere os vários estratos sociais em um mesmo espaço complementando e transformando ele. Assim é posto que o método dialético reforça a busca por determinações originais do ser para moldar a sociedade, tudo que circula no real humano influencia diretamente em suas ações e também constrói o seu modo de agir, com isso nada pode se resumir a uma primeira impressão, porque tudo é fruto de uma construção complexa. Tudo muda como através da ação humana e não só de ideias que fundamento o pensamento da sociedade.


Nathália Galvão
Direito Noturno 

O Mercado determina

Materialismo dialético de Marx e Engels
Dialética idealista de Hegel
Naquele, do material para o pensamento
Neste, do pensamento para o material

Tese, antítese, síntese
Burguesia, proletariado, sociedade sem classes
Do capitalismo
Para o socialismo, percurso natural da história
E por fim, o comunismo

E por que Marx é tão atual?
E a luta de classes?
Sociedade capitalista
Muitos com nada
Poucos com tudo
Mercado determinando o indivíduo
O que é aceito pelo Mercado e o que não é
O que é certo e o que é errado
O que vive e o que morre
E o tamanho do seu sonho?
O Mercado determina


Ana Paula Mittelmann Germer- Direito noturno

O materialismo dialético e a desvinculação entre a utopia e a ciência

As obras “Do socialismo utópico ao socialismo científico” cujo autor é Friedrich Engels e “O Manifesto Comunista” de coautoria deste e Karl Marx são essenciais para compreender como este regime funciona e quais são seus objetivos. Ao analisar a história econômica da humanidade pelo viés do materialismo dialético, eles desenvolveram o estudo mais minucioso do capitalismo em todos os tempos, pois apenas conhecendo-o fio a fio para destruí-lo por completo. O erro dos primeiros teóricos e pensadores da doutrina socialista foi deixá-la apenas no plano utópico, contestando sem importar-se na maneira como iriam por um fim ao sofrimento dos proletariados. Essa falha foi consertada por Engels e Marx quando passaram a investigar as minúcias desse sistema e adaptaram-na à realidade dos povos.
A descoberta da mais-valia foi de grande utilidade à luta proletária no sentido de encaminhá-los a consciência de sua situação dentro da dinâmica econômica capitalista. Os Estados burgueses temiam o comunismo, pois sabiam que não era uma ideia sem pé nem cabeça, seus fundamentos são tão reais quanto o ar que respiramos. A superestrutura relaciona-se à exploração de minorias e às infraestruturas, uma vez que a desvalorização entre trabalhadores de idades e gêneros distintos cria um ambiente propício ao capitalismo e à acumulação de capital; até mesmo as famílias deixaram de lado o sentimentalismo e renderam-se às relações monetárias, quando os filhos e a esposa emergem no mercado de trabalho a salários irrisórios por pressão do patriarca.
É contraditório imaginar que hoje somos capazes de produzir bem mais alimentos que há mil anos trás e, todavia, ainda não cessamos o problema da fome mundial. Crises como essas estão relacionadas à superprodução e sua má distribuição entre aqueles que trabalham para produzi tal quantia. Por essa e outras que o comunismo não deveria assustar quando preconiza a extinção da propriedade privada, pois um bem-estar social será alcançado quando a maioria vive bem, em contraste com a situação atual.
Em suma, dos ensinamentos apreendidos da leitura de seus textos, quando alcançarmos tal patamar, a qualidade de vida melhorará e as lutas de classe não mais haverão de existir por falta de conflitos econômicos relacionados à exploração de seus iguais. Aqui, todos trabalham em prol da otimização de suas vidas, não de seus lucros. Um aproveitamento melhor de nossa passagem na Terra pode ser bem mais prazeroso quando comparado a horas dentro de uma empresa à qual odiamos e nos prendemos apenas pela nossa subsistência. 

Letícia Felix Rafael, 1º ano - Direito (noturno) 

domingo, 21 de agosto de 2016

A contradição do capitalismo

Marx e Engels criaram um novo tipo de analise dos fatos sociais, uma analise que consistia no material, no real, na prática, em suma, no que existe. Essa forma de percepção da realidade é nomeada de Materialismo Dialético. O materialismo dialético consiste em uma superação da antiga filosofia, em especial a Alemã, que coloca as ideias acima da razão. Um dos principais filósofos que Marx e Engels criticam é Hegel. Hegel afirma em sua filosofia que só existe conhecimento no campo das ideias, e os marxistas discordam dizendo que o campo material traz o conhecimento ao campo das ideias.
Na busca para um socialismo concreto, Marx e Engels combatem o socialismo utópico e sua fragilidade – é extremamente idealista a teoria de que os burgueses irão abrir mão de seus meios de produção. Para isso, ambos criam uma teoria para compreender a sociedade capitalista, e através de seus livros, falam sobre a mudança do concreto, sobre uma revolução. Os pressupostos para a sua teoria são os mesmos de quaisquer teorias, eles analisam as situações e montam hipóteses e a partir destas, tentam confirmar ou negar. Para eles, o ponto mais importante é a compreensão do real. Para isso, eles usam uma analise de toda a trajetória histórica e não somente do “momento”, eles veem todo o caminho percorrido e tentam tirar disso a fragilidade do sistema e como ele funciona.
Nisso, se vê que a sociedade capitalista é repleta de contradições que a sustentam e a destroem ao mesmo tempo. Um exemplo é que o trabalhador que produz e deve viver em condições miseráveis para o lucro do patrão, é o mesmo que consome. Ou seja, a partir do momento que o trabalhador não tiver como consumir, o patrão não tem como vender e lucrar sobre. Nisso, a sociedade burguesa se expande e se limita exatamente como previram.  

Ambos analisam como a história é uma constante luta de classes, entre o senhor do feudo e o servo, entre o proletário e o burguês, e por assim vai. Eles veem que a saída para essa sociedade é a Revolução do Proletariado, que vai acontecer em algum momento da história, já que o sistema capitalista é marcado por contradições que podem e vão ruir em algum momento. 

Barbara Moreira Ortiz - 1º Ano Direito Matutino.

Combate ao Idealismo

Ao falarmos das teorias de Marx e Engels, é quase que inevitável cair no lugar-comum do adjetivo "revolucionárias". É uma relação que se estabelece naturalmente com estes autores. Porém, não se pode ter em mente que a revolução nesta doutrina reside apenas nas relações sociais e políticas. Muito pelo contrário: grande parte da inovação destes pensadores reside no método empregado para entender o mundo.
Tendo em vista o título desta postagem e a breve introdução supracitada, cabe agora apresentar o método empregado por Marx e Engels em sua ciência - o Materialismo Dialético.  É intuitivo contrapor o materialismo ao idealismo. Grande parte da "novidade metodológica" está neste antagonismo. Marx, em uma célebre frase, afirma que bastava de interpretar o mundo (como faziam os seus precedentes). Era hora, pois, de transformá-lo. Para tal, Marx e Engels rejeitavam o pensamento baseado no plano das ideias, promovendo forte crítica ao idealismo hegeliano, baseando-se no pressuposto de que tal filosofia não seria útil para a transformação efetiva do mundo.
Assim, sendo, propunham-se a realizar uma análise transformativa do que é concreto na sociedade. Para alcançar este objetivo, os dois autores traçam uma relação entre os fenômenos materiais e os acontecimentos sociais. Segundo esta corrente, ocorreria uma transformação mútua entre os dois fatores acima. Esta relação de transformação simultânea entre dois fatores confere à ideologia de Marx e Engels a característica de "dialética".
Por fim, reitero que a revolução estabelecida no campo metodológico foi, sem dúvidas, de extrema importância para a ciência como um todo. O Materialismo Dialético realmente alterou a forma de estudo das coisas, passando a valorizar devidamente o concreto, o físico, o material.

O capital como base de valores

Marx e Engels não analisam as ciências sociais como é analisado as ciências naturais. É nessa perspectiva que diferem de Hegel, mesmo usando o mesmo método dialético, para Engels o idealismo de Hegel leva a conexões falsas e artificiais, pois parte do pensamento,  da imaginação dos homens pelo método da dialética . "Ao contrário da filosofia alemã  (Hegel) que desce do céu para a terra, aqui é  da terra que se sobe ao ceu. Não partirmos do que os homens dizem,  imaginam e representam, tampouvo do que eles são nas palavras, no pensamento, na imaginação e na representação dos outros."
Marx se contrapõe também a Durkheim e a Comte, pois esses analisam as ciências  sociais pela realidade, de fato, como ela é, ao contrário de Marx que analisa de forma histórica e sintética.
Marx começa sua teoria partindo do princípio de que o Socialismo era uma teoria profunda baseada em um método científico, analisando a forma como o capitalismo oprimia e definia as relações sociais entre os indivíduos, seria essa a relação entre a burguesia e o camada proletária.
O socialismo parte do que chamamos de socialismo utópico, e ele torna-se utópico pelo fato de existir claramente uma burguesia que impede seu desenvolvimento. A partir disso, comeca a se desenvolver o socialismo científico. Para Marx e Engels, o socialismo é  a teoria através  ds qual deve-se analisar a sociedade burguesa e o capitalismo para, então, colocar o socialismo em prática.
Marx e Engels analisam as coisas concretas através do método dialético, e afirmam que elas estão em constante conflito (tese e antítese), tal como no Direito, os processos e conflitos para a democracia.
Marx se aprofunda no conceito de mais valia, que seria a melhor forma de exploração da camada proletária no sistema capitalista. O capital controla o modo como as pessoas se relacionam socialmente. Entende-se como controle das relações interpessoais a forma depreciativa como é tratado, por exemplo, os desempregados. Um desempregado perde sua "função" no sistema, e é oprimido por ele.
A síntese da dialética, para Marx e Engels, é o resultado do presente, é  o que temos agora, o que o sistema acarretou, os valores são diferentes e baseados ana função social que o indivíduo desempenha, o quão útil ele pode ser para a sociedade. E para Engels e Marx, a única forma de mudar isso é mudando a forma de produção, e implantando o socialismo, o que mudaria também as noções  de valores na sociedade.

Fernanda da Silva Miguel - Direito Noturno - 1o ano

Vida regida pelo conflito


        A partir do estudo do contexto o qual engloba o que leva à concretização de um fato, Marx e Engels chegam à dialética, o espelho da natureza, formada pela tese (afirmação), antítese (negação) e síntese (o resultado desse conflito). Consequentemente, eles rompem a filosofia de que a ideia vem antes do real, crítica a Hegel, segundo o qual as coisas existem no pensamento e vão do concreto pensante para o concreto real, e a filosofia do socialismo utópico, regida pela emoção por uma mudança igualitária na sociedade, emerge-se então a análise sociológica científica, com hipótese e conclusão, refutando ou afirmando uma hipótese.


      Consequentemente, ocorreria uma mudança natural na sociedade capitalista. Esse modo de produção vigente já possui sua própria contradição e crise, porque a capacidade de consumo não absorve o excesso de produção, dessa forma, o capitalismo deixa de se retroalimentar e surge a necessidade de uma reforma estrutural. Através da tese, a burguesia, e a antítese, o proletariado, o conflito, as lutas de classes, esse conflito entre ambos resultaria na síntese, o socialismo.  Uma sociedade em que as classes não são exploradas e os homens não são usados como meio para alcançar um fim de terceiro. 


Lorena Maria de Lima Melo-Primeiro ano do Direito noturno

Método científico e a análise social

Karl Marx e Friedrich Engels inovaram com um novo tipo de socialismo, para isso realizaram um exercício de reflexão sobre as relações humanas e as instituições que regulamentavam a sociedade, concretizando assim, o socialismo científico.
Marx acreditava que a existência do sistema econômico capitalista era a causa das desigualdades sociais, segundo ele somente a ditadura do proletariado levaria ao socialismo que acabaria com a existência de classes sociais. Marx se apropriou do conceito dialético proposto por Hegel, mas o adequou segundo sua linha de pensamento, seguindo assim o conceito de Materialismo Dialético.

Marx e Engels buscaram compreender a realidade social, analisando os mecanismos políticos, econômicos e sociais do modo capitalista. As escolas são umas das partes integrais do sistema capitalista. Marx propõe uma prática educacional transformadora onde a escola acabaria com as relações de dominação e exploração, infelizmente os princípios estabelecidos por Marx não têm sido utilizados, pois o modelo educacional que vivenciamos no Brasil é altamente discriminatório e exclusivo. Apenas com a reforma do sistema político e econômico o ensino poderá ter algum efeito na emancipação dos menos favorecidos.
Talita Santos Lira - Direito diurno

Pensamento na lanchonete



Algum tempo atrás fui, com mais dois amigos, a uma lanchonete, pertencente a uma grande franquia internacional, nada que eu não tenha feito antes.
Ao fazer meu pedido notei que o atendente estava cansado, fiquei perguntando-me o quanto ele devia está trabalhando.  É falta de educação falar do salário alheio, mas espero que seja mais aceitável pensar, será que esse funcionário está recebendo hora extra? Pensando melhor será que ele recebe decentemente pela carga horária normal? Caso a resposta fosse negativa seria ruim, mas não uma surpresa.
Alguns pensadores, de caráter marxista, além de relatarem a exploração do trabalhador também questionariam a diferença do salário recebido por ele e do lucro da empresa. Caso não esteja enganado o termo usado “mais-valia”.
Pegamos as bandejas e fomo-nos sentar em uma das poucas mesas que não estavam ocupadas. O hambúrguer estava dentro do esperado, era bom, mas nada de espetacular. Cada mordida era uma ideia diferente, de onde veio àquela carne? Eu já sabia para onde ela estava indo. Poderia ter vindo de uma agro fazenda, com grandes rebanhos e maquinários. Quem sabe viesse de uma fazenda mais rústica, talvez de em uma área desmatada da Amazônia. Os produtores quiseram economizar e não vacinaram o gado? Armazenaram o produto de forma correta? Exageraram no conservante?
Seria mais fácil comer e ir embora, mas o que posso fazer? É mais forte do que eu. A origem e o fim da mercadoria são tão importantes quanto o seu consumo.
Não da para deixar de falar das batatas fritas, 99% óleo, mas aquele 1% esperava que fossem batatas.
As batatas não foram parar por mágica na mesa, alguém teve que plantá-las. Elas poderiam ser importadas ou de um pequeno produtor brasileiro. Esse produtor poderia está vendendo a baixo preço por pressão dos seus clientes ou está em uma cooperativa negociando a preços mais justos. Provavelmente esse produtor não colhe sozinho, deve ter auxílio de funcionários, ele os trata melhor ou pior que os proprietários dessa lanchonete? Elas são transgênicas?
 Passaram-se alguns minutos, tinha esquecido que estava acompanhado de Guilherme e Victor.
Conhecíamo-nos, saíamos, mas agora parando para pensar nunca tinha me perguntado qual a história deles, o que eles nunca contaram?
Deveria existir algum motivo para serem o que são, somos síntese de um contexto. Influenciados por forças que nem sabemos que nos afetam. Apesar desses anos que levamos para sermos moldados nada garante que estaremos aqui amanhã, seremos deteriorados ou quem sabe mudados pelo novo contexto.
A força do capital é impressionante, a mesma que permite a explosão de trabalhadores garante que desfrutemos dessa refeição. Esse espírito molda nossas relações sociais, não sou vidente, mas arrisco dizer que meus amigos tiveram um passado (e quem sabe até um futuro) mais parecido com o meu, do que o atendente, do começo do texto.
Enfim, não tinha muito mais o que fazer quem sabe na próxima pegue um lanche maior para falar mais. Levantamo-nos e fomos embora.

João Pedro Costa Moreira – 1º Ano Direito Noturno

Marx e Engels: do método à prática

Certamente, se vivessem em pleno século XXI, Karl Marx e Friedrich Engels se surpreendereriam profundamente com as novas realidades - ou com as novas sínteses, como talvez eles ainda chamariam segundo o método dialético - geradas ao longo desses mais de 100 anos. A situação marginal dos negros, por exemplo, tomada como tese em pleno século XIX alterou-se drasticamente após décadas de lutas e movimentos, os quais, ao constituírem uma antítese àquele cenário, passaram a integrar uma nova síntese, ou seja, um novo contexto de conquitas sociais e combate à discriminação, ainda que de forma parcial e inacabada.

Nesse sentido, Marx e Engels, ao defenderem o materialismo dialético e criticarem a metafísica, consideravam, na vida real, na prática, no uso da ciência positiva, o pressuposto perfeito para o desenvolvimento de seus ideais. Para eles, o socialismo, de acordo com essa ótica, constituiria um estágio inevitável das transformações da sociedade; ele seria "uma verdade a ser revelada pela visão de alguns homens especiais". Todavia, no momento em que se dava, tal revolução ainda era vista como utópica, dado o panorama da época de avanço ascendente da burguesia industrial.

Quando comparados a alguns pensadores clássicos, entretanto, os dois apresentam, em seus pontos de vista, algumas discordâncias que serviriam como fundamento necessário para o estudo comparado do pensamento sociológico moderno. Em relação a Hegel, por exemplo, o principal embate se dá no instante em que Marx e Engels criticam o universal puro, ou seja, a generalização de determinados fatos, valorizando os ideais de maneira particular, distinta. Já em relação a Durkheim, o entrave existente tange a possibilidade de influência de acontecimentos passados e de suas determinações nos fatos atuais; enquanto Marx e Engels admitem essa possibilidade, Durkheim a condena.

Posto isso, pode-se dizer que o estudo de Marx e Engels sobrepunha a simples análise empírica dos fatos e considerava todo um método complexo para a concretização de seus conceitos. Via-se o ser humano como um ser contraditório, em constante transformação. A exploração da burguesia sobre a classe proletária - por meio de diversas formas, como a mais-valia - evidenciava essa necessidade de mudanças estruturais, mas que, por diversos fatores, deveria ocorrer gradativamente num futuro incerto.

Bruno Medinilla de Castilho - 1º ano - matutino

A dialética e o alinhamento da esquerda

O materialismo histórico dialético integra o conjunto de mecanismos e ideias utilizados por Marx e Engels para analisar e compreender a realidade concreta. Composto de tese, antítese e síntese, que representa o resultado do choque dos outros componentes, é um método que merece sua devida atenção, e dessa forma, cabe a nós, por meio de um recorte, transportá-lo para uma situação atual.
Vive-se hoje um momento complicado em relação às forças políticas no Brasil. A esquerda esta sendo forçada a se alinhar a um partido que se distanciou da mesma, mas que agora significa a representação, em grande porte, de toda uma classe ideológica. É necessária a união de todos os que compactuam com ideologias ameaçadas pelo governo interino, haja visto que o avanço do governo Temer já mostrou que significa retrocessos. Dessa forma, a dialética presente no mundo político se dá pelo choque entre as forças de esquerda e de direita, que se acirrou com os últimos acontecimentos.

A visão que apresentamos não se compreende mais nesse século, ela foi buscada ainda no século XIX, mas é interessante olhar para Marx e Engels e perceber que atualmente, no Brasil, “uni-vos” é de extrema importância para que a esquerda não seja engolida pelo avanço da direita em toda a América Latina. Identificar isso, e associar com o movimento dialético proposto pelos autores completa nossa dissertação, obtendo uma visão aprofundada sobre a temática.

Guilherme Araujo Morelli Costa 1° Direito Noturno