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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Tudo remonta a Descartes e Bacon

          No filme Ponto de Mutação, um poeta, um político e uma cientista encontram-se em uma ilha e terminam por discutir questões da vida e da sociedade. Esta afirma que os problemas atuais se devem a visão de mundo mecânica apresentada inicialmente por René Descartes, segundo ela a sociedade procura sempre fazer reparos pontuais ao invés de fazer mudanças no processo para que não seja necessário "substituir as peças do relógio", exemplo que ela utiliza no filme. 
           A cientista ainda afirma que Francis Bacon condenou mulheres no reinado de Jaime I por praticarem magia, ou simplesmente, por agirem peculiarmente. Segundo ela Bacon seria a favor da tortura e as crueldades da humanidade remontavam a ele e a Descartes, e torturar o planeta foi tudo que a humanidade fez. A esse argumento, o político rebate, para ele a violência e a exploração independem da percepção humana e são muito anteriores a estes filósofos. 
             A discussão dos personagens é extremamente relevante na atualidade pois problematiza a sociedade e sua maneira de pensar, além dos meios pelos quais a humanidade chegou ao estado atual e a degeneração que provocou ao planeta. Ponto de Mutação induz a reflexão sobre o mundo e sobre o futuro da humanidade. 

Ana Flávia Rocha Ribeiro - 1º ano Direito Diurno 

A necessária busca pelo início

Em Ponto de Mutação (filme de Bernt Amadeus Capra- 1991), temos um intenso debate intelectual entre uma cientista, um poeta e um político. Todos com problemas pessoais e em crise existencial, passam divagar sobre nossa percepção do mundo e os atuais problemas que o atingem.
A partir do ponto de vista da cientista, podemos perceber como todos esses problemas são fortemente conectados e que para o sucesso de qualquer solução, é necessário que ela englobe todos os problemas de uma só vez. Contudo, como é possível encontrar tal solução se nem mesmo todos conseguem compreender essa percepção e se disporem a agir a favor dela? É esse o papel do político, mostrar que, para conseguirmos amenizar os problemas globais, é extremamente necessário agir de forma a convencer toda população a participar dessa missão.
Infelizmente, esse processo é de imensa complexidade. Como alertar uma sociedade de, aproximadamente, 7 bilhões de habitantes de que para tornar o mundo melhor, precisamos renovar nossa percepção dele? Como convence-la de que o método cartesiano, pelo qual a maioria baseia suas ideias, não só está ultrapassado, como também precisa ser urgentemente substituído? Como conseguir superar a mentalidade capitalista, estruturada em ambição e individualismo, e agir em pró de todos?
Pode parecer impossível, mas desistir só pioraria as coisas. Acredito que esse seja o objetivo do filme; não só expor a ideia do autor (baseado no livro de Fritjof Capra) sobre como é necessário mutarmos nossa percepção do mundo, mas também nos fazer reconhecer que é preciso melhorar nossa postura diante dos problemas que atormentam o planeta, e começar desde já.

Porém, recorro ao tão citado, no filme, Descartes, e assim como ele, acredito que é preciso fragmentar um problema para encontrar sua solução. É essencial encontramos um início para termos um fim, ou seja, para resgatar o mundo da bola de neve que os problemas sócios ambientais estão se tornando é preciso ter um ponto inicial, seja para agir, seja para focar. Somente assim, podemos parar de buscar um mundo utópico e melhorarmos o real.
Isabela Gonçalves Alcântara- Diurno.

Crise de Percepção 

O filme "Ponto de Mutação", baseado no livro de Fritjof Capra, retrata um diálogo entre três personagens (uma física, um político e um poeta) e tem como cenário um castelo medieval no interior da França. Toda a conversa gira em torno da visão mecanicista desenvolvida pelo filósofo René Descartes na obra "Discurso sobre o método" do século XVII. A cientista tece algumas críticas a concepção criada pelo autor, que revolucionou seu período ao romper com ideias conservadoras, pois segundo ela os problemas enfrentados atualmente decorrem do fato de que o homem sofre com uma crise de "percepção". Descartes aponta em sua obra para a necessidade de analisar as coisas em sua menor parte possível, enquanto a personagem acredita existir uma insensibilidade do homem em perceber a interrelação entre os problemas globais pois ela afirma que tais problemas não ocorrem de maneira isolada "See, you can not look at one single of global problem in isolation trying to understand it and solve it. Of course you can fix a fragment of a piece but it will deteriorate a second later because what it was conected to it was been ignored.". Por isso ela alerta veemente a necessidade de alterar a forma com que enxargamos o mundo e que apenas assim poderemos solucionar problemas todas as escalas.
Outra forte crítica contida no filme é que as descobertas científicas perderam sua essência que em tese seria colocar o bem comum como algo a ser alcançado. Todavia essas descobertas estão carregadas de interesses políticos e econômicos que trazem consequências terríveis para a sociedade. No filme é citado a arrependimento de Oppenheimer ao desenvolver a bomba atômica, essa que posteriomente ocasionou a destruição das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki e a morte de milhares de pessoas durante a segunda guerra mundial.


Matheus Vital Freire dos Santos - primeiro ano - direito noturno

Divagações da madrugada

  Foco. É disso que eu preciso agora. Foco. Mas o que fazer quando a sua mente continua a divagar? Indo até as mais diversas questões do mundo, tanto do passado, quanto do presente e do futuro. Ao deitar minha cabeça no travesseiro, todos os problemas, não só os meus , mas os do mundo também me assolam e preocupam, levando-me a tentar encontrar soluções para esses, entretanto, eu não as encontro. E perguntas continuam a me consumir: Como encontrá-las? Uma única pessoa pode acabar com esses problemas? Quantas pessoas são necessárias para mudar o mundo?
  É necessário ajuda, mas de quem? Os pensadores do passado sempre pareciam ter ideias e métodos para solucionar problemas, talvez eles pudessem me ajudar com todas essas questões. Descartes e Bacon, com seus métodos, enfocando o racional e a experiência, estudariam cada face de um problema por vez, mas me pergunto se por esse modo chegaria um dia em que os problemas estariam resolvidos ou se isso é só uma solução temporária, com esses problemas voltando para nos assombrar.  
  A ajuda também pode vir de pensadores modernos, um exemplo é Fritjof Capra que em sua obra O Ponto de Mutação nos apresenta um pensamento mais recente, que, ao contrario da visão cartesiana e mecânica, foca no todo e em todas as relações existentes. Por meio desse pensamento, os problemas não seriam analisados uma parte por vez, mas tentaria se achar uma solução que englobasse todos os problemas. No filme de mesmo nome, há a presença de uma física que ao defender esse modo de pensar discute que, para que esse método entre em prática, seria necessário mudar a percepção de todos.
  Depois dessas minhas divagações, mais perguntas surgem à mente. Qual o melhor método para melhorar o mundo? Existem outros métodos? Como utilizá-los? Eles irão funcionar qualquer que seja? Assim, o sono fica ainda mais difícil de ter e as ânsias e preocupações não se acalmam. Talvez as respostas para essas perguntas nunca cheguem a mim, mas não significa que pararei de tentar achá-las. E assim a minha vida segue cheia de questionamentos, mas sempre ganhando conhecimento no caminho. 

Paula Santiago Soares
1º ano Direito - diurno

Máquina do Mundo

Nenhum homem é uma ilha?
Pois eu digo que são todos ilhas,
moldados pelo tempo,
devastados pelo relógio,
como por um tsunami ritmado.

E por Descartes.
Principalmente por Descartes e Bacon.
Estúpidos cienficistas!
Com toda essa crença irracional
na verdade da razão.

Tanto bem fizeram! Tanto mal causaram...

Pois se antes eu confessava e comungava,
hoje eu engulo Sertralina.
Se antes eu procurava a paz,
hoje eu procuro a Ritalina.
Se antes eu convalescia,
Cadê meu Dorflex??

Eu sou uma máquina no mundo.

https://youtu.be/VHpjP9bQVhY

Prontos para uma mutaçao

  O filme 'Ponto de Mutação' aborda um dialogo entre três americanos que fazem parte de núcleos sociais diferentes. Um politico, um professor de literatura e uma cientista. A discussão começa em uma sala que abriga um imenso relógio antigo, que se torna o motivo de reflexão e uma dura critica da cientista sobre a maneira cartesiana com que os políticos vêem a natureza, como um relógio, onde é possível reduzir ao monte de peças, o qual analisando cada parte é possível entender o todo. Para ela, essa idéia é ultrapassada e devemos mudar essa visão de mundo através das relações existentes entre cada objeto que compõem a natureza de maneiras distintas e complementares. Não se pode olhar separadamente para os problemas globais, assim como sugeria o método cartesiano (analisando e colocando em ordem as ideias) e sim entender as conexões entre eles.

   Talvez, dessa maneira, pode-se pensar em um mundo sustentável com melhores condições para todos, entendendo de onde vem os conflitos. Se mudarmos nossa maneira de ver o mundo de forma anacrônica e egoísta, não vendo o planeta Terra apenas como um instrumento para a realização de nossos interesses, conseguiremos atingir um crescimento positivo em diversos âmbitos (social, econômico, educacional, etc.). Com o tempo e o avanço positivo da tecnologia, passamos a conceber algumas ideias sustentáveis e, principalmente, passá-las para a prática (combustíveis renováveis, por exemplo) ,o que é um passo absolutamente significativo. Ainda não saímos da situação exploradora ilustrada na música “Homem Primata” da banda Titãs, mas, uma nova perspectiva de mundo, pautada na sustentabilidade, emergiu e começa a alterar a faceta que conhecemos da sociedade contemporânea baseada no sistema capitalista da globalização e competição. 


Mariana de Arco e Flexa 
Direito Noturno, primeiro ano

Fragmentação ou Integração dos Fenômenos?


René Descartes é, indubitavelmente, um dos filósofos, físicos e matemáticos de que mais se fala na atualidade – o método cartesiano é notável, considerado uma grande inovação para a produção científica, uma ruptura de extrema importância. Não é sem razão, portanto, que o cartesianismo tenha conquistado tão grande espaço nos sistemas sociais por todo o mundo – as pessoas se acostumaram a sistematizar suas vidas, o mundo ao seu redor, as questões que se apresentam a elas.
A lógica cartesiana não pode, de forma alguma, ser desprezada ou repelida. Mas seria ela a melhor forma de atualmente se pensar o mundo? Seria através da visão mecânica a maneira ideal de se conduzir uma sociedade? É sobre isso que Fritjof Capra discorre em sua obra Ponto de Mutação, de 1983. Em uma contextualização, o autor evidenciará os perigos de se compreender e governar o mundo pela mecanização – os líderes tratam os problemas de forma fragmentada, visando apenas o controle e a confirmação de suas negociações, sem considerar as implicações humanitárias de suas decisões.
É possível inferir a partir de sua obra que o sistema lógico cartesiano deve abrir espaço para os sistemas vivos, ou seja, aqueles que lidam com seres vivos. Esses devem ser tratados como um todo, levando-se em consideração as relações que cada componente estabelece com todos os outros, e não visualizando cada um deles como ímpares e independentes. Tal postura seria crucial para que se estabelecesse uma situação de equilíbrio entre os homens, e entre os homens e a própria natureza.
Assim, é possível concluir que, como Fritjof Capra demonstrou em sua obra, o pensamento humano precisa, acima de tudo, ser renovado, libertando-se das antigas convicções que, apesar de serem muito válidas no sentido de conhecimento e contribuição, não são mais adequadas ao contexto em que se vive. É necessário que se abandonem os preconceitos às novas possibilidades, considerando-se uma lógica conectiva e de entrelaçamento, e não de segregação e fragmentação. Essa mudança de pensamento seria o caminho mais adequado para o homem atingir o equilíbrio, de forma humanitária, embasado pelo desenvolvimento sustentável.

Heloísa Ferreira Cintrão
1º Ano - Direito Diurno


A mutação 


O filme " Ponto de Mutação" , baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, parte de uma ilha paradisíaca no norte da França, no castelo Le Mont Saint Michel, onde se encontram três personagens : um político, um poeta e uma física. Esta ao ver um relógio, inicia uma discussão sobre como a fragmentação feita por Descartes corrompeu e mecanizou  o pensamento moderno e sobre a necessidade de um novo modo de pensar, visando entender as relações existentes na natureza.

Esse novo paradigma, defendido pela cientista,  afirma que deve se olhar para o todo e não somente para as partes, ou seja,  tem de se observar a princípio as relações entre os fatos na natureza para poder compreender o mundo . Segundo ela , como tudo na natureza está conectado, deve se olhar para os modelos sistêmicos ao invés dos reducionistas e mecânicos,como o cartesiano.

Esse raciocínio é considerado errado por ela, pois ele considera que as partes agem em separado para formar o todo, quando o observado na natureza é a relação entre os acontecimentos ,o que é defendido pela Ecologia , a qual afirma que todos os seres estão interligados. Para ela, essa noção de interligação é essencial para um convívio equilibrado.

Enfim essa visão de mundo  não vê a natureza como objeto , mas nos enxerga como parte integrante dela e por isso critica a fragmentação e mecanização atuais. Sendo a mudança de modelo lógico o ponto de mutação necessário para se viver em harmonia




Tudo é uma questão de ponto de vista

Paulatinamente o homem questiona-se sobre tudo o que lhe impacta: profissão, relacionamentos, qualidade de vida, interesses, objetivos e experiências são alguns dos aspectos que causa certa preocupação e curiosidade em conhecer o que é verdadeiro e satisfatório durante toda uma existência nesse mundo.
Mediante a isso, filósofos e pesquisadores que se aprofundaram nesses  questionamentos, relataram diversos modos diferentes de conhecer a verdade e preencher esses “buracos” tão perspicazes. Mas será que algum modo é eficaz e retira essas dúvidas? Será que todos são capazes de enxergar o mundo da mesma forma? Ou cada um é diferente exatamente para propor novos caminhos, e nunca descobrir a melhor forma de saber das coisas?
 Fernando Pessoa, não conseguiu entrelaçar-se a um só caminho de pensamento e criou seus heterônimos, aí está sua tamanha contribuição tanto nos parâmetros da literatura como no ato de construir pensamento. Álvaro de Campos relatava suas visões por um âmbito futurista, a angústia e tédio em meio ao mundo moderno que o ilude como pessoa e profissional.  Ricardo Reis atenta-se para a natureza, a simplicidade das coisas, porém se vê na decadência de tudo isso. E por último, Aberto Caeiro com uma visão atrelado ás sensações e os pensamentos e a essência humana pactuada com a simples natureza.
 Analogamente, o filme Ponto de Mutação retrata essa oposição de pontos de vista e a dúvida constante no que se refere à melhor forma de ver e compreender os sistemas do mundo, a cientista do filme desiludida como Álvaro de Campos acredita na necessidade de uma composição de visões, que é preciso entender o bater de asas de uma borboleta em um determinado local e tempo para assim ver seu efeito e não mais situar-se no cartesiano.
 Novamente põem-se a questão: será que se encontrará a melhor forma do saber ou permutará essas barreiras as quais podem ser aí a graça de existir como racionais? Tudo depende do ponto de vista.

Ana Caroline Gomes da Silva, 1º ano Direito noturno





Mundo dividido

O filme “Ponto de Mutação” ,baseado na obra de Fritjof Capra, retrata uma discussão sobre a existência e os propósitos da vida humana. Três personagens, um político, um poeta e uma cientista se encontram na ilha de Saint Mitchel, lugar de relativa paz e tranquilade, e logo iniciam  uma extensa discussão sobre os rumos da sociedade atual, tendo em conta o desenvolver do pensamento ao decorrer do tempo.
Para a cientista Sonia, o mundo vive uma crise de percepção influenciada drasticamente pelo pensamento de Descartes. O filósofo propõe a separação do todo  em diversas partes, estudando-o de maneiras separadas, assim como o fazem hoje os políticos. A cientista vê isso como uma incapacidade dos governantes de enxergarem os problemas como algo único, interligados. Assim, ao procurarem resolvê-los separadamente acabam não atingindo o sucesso. E esse fracasso, gerado pela cultura extremamente capitalista, se perpetuado, acabará por proporcionar o fim da humanidade nas próximas gerações.

Portanto,  a obra pode servir como um aviso sobre o rumo que estamos tomando. Até que ponto poderemos persistir nessa mentalidade de consumo exacerbado, convivendo com tantas crises mundiais como as doenças, a fome, a desigualdade. Até que ponto poderemos trata-las como se fossem ideias distintas, sem nenhuma relação entre si? Essa é a resposta que “ Ponto de Mutação” busca nos dar, propondo uma nova visão de mundo para que esse velho mundo, com velhas ideias não atinja seu estágio terminal.

"O homem é uma ilha?"

O filme O Ponto De Mutação(The Turning Point –Mindwalk-)  é baseado no livro de mesmo nome de Fritjof Capra publicado em 1983. A obra narra a história do encontro de três pessoas, uma cientista ,um poeta e um polítco,que discutem temas interessantíssimos e altamente reflexivos em um castelo numa ilha francesa até serem impedidos de continuar o diálogo pela subida da maré. No meu ponto de vista, esse pequeno detalhe já possui um significado muito expressivo: remete-se ao tempo, à velocidade da vida, dos negócios, dos compromissos que, agem como a maré, e frustram momentos importantes para o homem, como o lazer, ou até mesmo uma atividade intelectual, como no filme; o que colabora para gerar indivíduos competitivos, sem senso crítico, estressados e doentes, mental e fisicamente.
Em outra passagem do filme, a cientista critica Descartes no que tange à sua visão mecanicista, segundo a qual a natureza deve ser analisada tendo como foco as partes a fim de formar o todo; o que pode ser comparado às engrenagens de um relógio. A cientista,sugere,então,que a natureza deve ser compreendida em sua totalidade, baseando nas relações complexas e interligadas de tudo o que a compõe. Na minha análise, considero que esse pensamento seria uma influência para o “desenvolvimento sustentável” em voga nos dias atuais. Acredito que se as pessoas tivessem a consciência de que fazem parte da natureza e que assim como  precisam dela, ela também precisa de nós, de forma que essa ligação é recíproca e vital, haveria  uma respeito maior ao meio ambiente e o aparente paradoxo entre desenvolvimento econômico e preocupação ecológica seria resolvido. No entanto, o mundo capitalista, pós-revolução industrial com sua visão individualista e egoísta, está longe de atingir tal postura infelizmente.Hoje,adota-se a visão baconiana de “saber é poder”,e isso resulta na dominação e posterior devastação dos recursos naturais.

Nesse ínterim,retomando a ideia de parte/todo, percebemos que na sociedade atual, as pessoas comportam-se como partes individualizadas e independentes das outras. Nesse contexto, há a pergunta crítica do filme “o homem é uma ilha?”. Lamentavelmente, no mundo globalizado atual o homem comporta-se como uma ilha,o que acirra as disputas e faz o altruísmo desaparecer.Em suma, se o homem perceber de que “não evoluímos no planeta,mas com o planeta”, como propõe o filme, a consciência ecológica se consolidaria e homem passaria,enfim,a viver em maior harmonia com seu semelhantes e com o meio ambiente.No entanto,a pergunta que se faz é a seguinte:quando o homem atingirá esse ponto de mutação?

Direito Noturno-Victória Afonso Pastori
Primeiro ano.

Permanentemente mutável

Um aspecto importante do filme "O ponto  de mutação", baseado no livro de  Fritjof Capra, como já afirma o próprio titulo, é a busca por algo novo, por romper com ideias velhas e com os paradigmas, como o newtoniano-cartesiano, que parte do pressuposto que para se conhecer as coisas é necessário fragmentá-las - a "mutação'. No filme, nota-se que este paradigma não é mais válido para se entender o mundo atual.

A obra cinematográfica narra a historia de  um poeta, um político e uma cientista  que relacionam assuntos como filosofia e política com o mundo atual e com a natureza a partir de seus diálogos. Os assuntos abordados trazem dúvidas, muitas sem respostas, sobre a vida e sobre a própria existência humana.

"O ponto de mutação" defende que o método de percepção de mundo mecanicista e fragmentado, baseada em paradigmas antigos, deve ser  revolucionado para a própria sobrevivência humana e para uma visão mais crítica da realidade a partir da conexão e da relação humana, em contraposição aos costumes materialistas e individualistas da sociedade de consumo.


Pode-se interpretar a obra como um alerta para os rumos que a sociedade atual está tomando em relação a busca pelo entendimento do mundo. Nela encontra-se diversas  metáforas e estímulos a quebra de paradigmas em função da sociedade permanentemente mutável em que vivemos, e pode ser vista como uma análise do pensamento multifacetado do mundo.

Alexandre Bastos
1º ano - Direito diurno
Introdução à Sociologia - O Ponto de mutação

Política do Impossível

No filme Ponto de Mutação, o político americano Jack Edwards, candidato à presidência dos EUA, viaja ao encontro de seu amigo poeta e redator de discursos Thomas Harriman, e assim partem para a ilha do castelo de Le Mont Saint Michel, na França. La se deparam com a cientista Sonia Hoffman. Então, o trio, político, poeta e cientista dão início a um longo diálogo acerca dos mais variados pensamentos e maneiras de se enxergar o mundo e as relações que o homem possui com as coisas da natureza ao seu redor.

 É possível notar uma constante contestação, um duelo interminável de argumentos, buscando uma resposta para as inúmeras perguntas e questionamentos da vida. A crise de percepção intrínseca na sociedade, a qual em sua maioria procura uma maneira mais mecanicista de enxergar o mundo, como o proposto por Descartes, o qual propõe que para chegar ao conhecimento verdadeiro devemos analisar por partes e não pelo todo.

A cientista propõe um novo modo de ver o mundo, partindo do princípio que tudo está conectado com a natureza, todas as coisas do mundo estão interligadas, logo, devemos analisar as coisas como um todo, pois tudo que é feito tem um efeito não somente como esperado, mas também um efeito secundário. Como por exemplo, a produção de energia por uma usina nuclear, que por consequência pode poluir a água do mar, que pode causar mal aos seres marítimos, afetando nós humanos que nos alimentamos deles.

Além disso, podemos contestar Francis Bacon, que propunha a experiência e uso da natureza para obtermos a verdade, colocando-a para trabalhar a nosso favor, porém, de acordo com a cientista devemos perceber que a natureza não é nossa escrava, mas que somos parte desta.

O político possui uma visão cética do mundo, analisando o mundo e as coisas como elas são, procurando soluções práticas para todas as ideias e desejos de um mundo ecologicamente correto e melhorado proposto pela cientista, que analisa o mundo como ele deveria ser, apontando seus problemas, porém sem uma resposta pronta, mas sempre procurando alcança-la.

Enfim, a conclusão a que este filme leva é que o mundo necessita de um novo modo de analisar o mundo, não se apegando aos modos e maneiras únicos e fixos que nos levam sempre ao mesmo ponto. Para chegar ao verdadeiro ponto de mutação, não basta uma bela iniciativa política ecológica e humanizada, mas uma iniciativa de toda parte, das grandes empresas, das grandes universidades, enfim, todos devem estar dispostos à mudança, mesmo que para isso seja necessário abandonar o interesse pessoal, para dar lugar a um interesse global. Como mencionado no filme, essa é a política do impossível.




Gabriel Magalhães Lopes
1º ano Noturno
Filme: Ponto de Mutação

Superação do Método Cartesiano

O filme Ponto de Mutação, de Bernt Capra, tem como foco o diálogo, que se passa em um castelo medieval na França, entre um político que havia perdido as eleições presidenciais nos Estados Unidos, um poeta vivendo uma crise existencial e uma cientista desapontada com os fins de sua pesquisa para uso militar.
Um dos aspectos mais relevantes do filme é a abordagem do pensamento global em oposição ao pensamento mecanicista e ao racionalismo exagerado sugerido por Francis Bacon e René Descartes.
Bacon defendia a racionalização juntamente com as experiências empíricas do cotidiano para alcançarmos um conhecimento verdadeiro, ao contrário de Descartes, o qual defendia o modelo cartesiano, baseado apenas na razão inata a natureza humana, em que dividimos o todo em partes para que estudando e compreendendo cada uma, possamos entender o todo.
Os políticos, segundo a crítica feita pela cientista do filme, descrevem a natureza assim como Descartes e afirma ser essa ideia antiga e ultrapassada. O mundo deve ser visto como um todo através das relações existentes entre cada objeto que compõem a natureza e que fazemos parte dessas relações. É impossível olhar os problemas globais separadamente, quando estes possuem um contexto econômico, político, ambiental ou social, tentando entendê-los e resolvê-los, mas devemos antes compreender as conexões entre eles para depois solucioná-los. Desse modo, é possível pensar em um mundo com crescimento sustentável e melhores condições de sobrevivência para todos.
Atualmente, os líderes, as pessoas que aceitamos como condutores, pensam somente de uma forma mecanicista, aplicando o modelo cartesiano de Descartes, acarretando em uma supervalorização das ciências, que nem sempre produzem respostas concretas, já que estão em constante evolução graças ao advento do mundo tecnológico, mas, ainda assim, devem possuir limites éticos e não sendo interpretada pelos homens como uma verdade imutável e nem como fonte de "caminho para a felicidade".
Segundo filme, devemos mudar nossa maneira de ver o mundo, deixando o mundo das ciências racionais e exatas um pouco de lado, para melhor entendermos o contexto social-global em que vivemos e, assim, produzirmos um melhor ambiente de sobrevivência para as futuras gerações.

Thais Amaral Fernandes
1 ano Direito Diurno

Adiar até quando?

Revolucionário em sua época, Descartes desconstruiu a visão medieval comandada pela Igreja e seu método foi de grande valia para grandes descobertas científicas posteriores, tais como as leis de Newton, base da física mecânica. No entanto, o passar do tempo pôs em dúvida a validade de um modelo tão mecanicista: hoje, estamos rodeados de máquinas. A ânsia por investigar e explorar a natureza tão em voga no período renascentista, trouxe a atualidade uma gama de problemas.
No filme “Tempos Modernos” eternizado por Charles Chaplin o pensamento mecanicista é duramente criticado. O homem passa a ser uma própria máquina, moldada para realizar a mesma função o dia todo. Nesse momento, o pensamento cartesiano havia chegado ao limite: era necessário mudança. Isso é criticado ao longo do filme “Ponto de Mutação” no diálogo entre três personagens, cada um representando uma classe: a política, a arte e a ciência. A discussão revela os problemas de um mundo doente e a necessidade de mudar a visão mundana considerando suas conexões.
Analogamente, temos universo linguístico como sendo o mundo. Para que haja harmonia textual, sabe-se que é necessário usar os conectivos de maneira correta a fim de ligar as frases e dar significado ao texto. Da mesma forma ocorre com a natureza, já que ela compreende uma série de conexões interdependentes, sendo estas essenciais para compreensão do todo. O que seria do relógio sem as engrenagens? O que seria da palavra “casa” sozinha?
Por isso, os personagens do Filme “Ponto de Mutação” pretendem buscar uma solução. O que se percebe é que há a necessidade de compreender o planeta como um todo de relações, isto é, ao realizar uma determinada ação, há consequências. Estas podem não ser imediatas, mas devem ser consideradas. Há então, uma ausência de preocupação em prevenir. Tal situação é confirmada hoje, exemplificado pelo descaso com a água - um dos bens mais preciosos existentes – não tratada com seu devido valor, visto que os indivíduos apenas remediam, a fim de adiar ou atenuar a questão e não solucioná-la. Assim, as diferentes percepções dadas aos personagens do longa enriquecem a discussão e desmitificam vários conceitos, além de ajudarem na superação do método cartesiano, trazendo soluções intrigantes e ambiciosas.

Leonardo Borges Ferreira - 1°ano Direito Noturno
Sobre o filme "Ponto de Mutação"

Ponto de Mutação-Ciência,política e poesia

   O filme possui um enredo simples, perpassado por diálogos desenvolvidos principalmente por três personagens: Sônia (cientista) , Jack (político) e Thomas (poeta). Cada um dos personagens passa por um momento de súbita mudança em suas vidas e discutem o mundo de acordo com suas perspectivas.
   Sônia defende que os políticos são dominados por uma visão mecanicista que objetifica a natureza e o homem , comparando-os ao relógio ,que é o plano de fundo do inicio da conversa , e defende que isso não ocorria antes do pensamento introduzido por Decartes.Para enfatizar seu ponto de vista , a cientista comenta sobre as 40 mil criancas que morrem por dia no mundo e sobre o desmatamento da Amazônia , alegando que nenhum problema deve ser visto ou resolvido isoladamente , mas em conjunto , pois um se conecta ao outro.
    Entretanto, para Jack a visão mecanicista a principio não pode ser de todo descartada.Ele alega que o que vem ocorrendo atualmente na natureza pode ser algo sistemático que já ocorria em outros tempos , como a destruição da camada de ozônio por exemplo a qual a natureza sobreviveu e as enormes catástrofes , maiores do que as que ocorrem hoje.
     Para convence-lo , a cientista faz uso de uma pergunta marcante que por fim convence o politico da sua forma sistêmica de pensar
:''A evolução é uma dança em progresso, uma conversa em progresso. 'Não evoluímos no planeta, evoluímos com o planeta'. Então, não seria extraordinário e poderoso se pudesse introduzir só essa idéia no diálogo político?''
    A certeza disso nos consome.

Beatriz Carvalho
1ano - Direito Noturno
   

"A dinâmica evolutiva básica não é a adaptação, é a criatividade."

O filme Ponto de Mutação narra um debate entre 3 personagens: Sonia Hoffman, uma física desmotivada com seu trabalho; Jack Edwards, um político recém derrotado nas eleições para presidente dos Estados Unidos; Thomas Harriman, poeta que está enfrentado uma decepção amorosa. Durante o debate, assuntos como política, filosofia, música e até mesmo física quântica são discutidos. Entretanto, o foco principal da discussão é o embate sobre como o pensamento Newton-Cartesiano não corresponde mais como método de se estudar a sociedade contemporânea e seus problemas e dificuldades.

Como diz Descartes, "O corpo humano não passa de uma máquina". Essa visão de o mundo como um mecanismo, ou como mostrado no filme, um relógio, defende a teoria de que para se analisar ou solucionar um problema é preciso, apenas, retirar essa peça e substitui-la por outra em melhor estado. Bacon defendia algo parecido, na sua teoria a natureza deveria ser estudada por meio de inúmeras experiências, sendo “torturada” até revelar seus “segredos”. Tais teorias são vistas como o motivo da má situação em que a humanidade se encontrava durante o contexto do filme, e que se prolonga até hoje. Na opinião da “física”, é preciso uma mudança de percepção de como o mundo funciona, é preciso parar de se considerar que cada ato político, econômico, cultural e social que ocorre em um determinado país é motivado e ocorre isoladamente de outras partes do mundo.

  "Somos todos partes de uma teia inseparável de relações”. Essa frase sintetiza a teoria defendida por Sonia Hoffman, a teoria dos sistemas vivos. Nela é defendida a ideia de que tudo e todos estão conectados com o planeta. Não é possível concertar uma peça isoladamente, pois essa faz parte de toda crise e, portanto, mesmo concertada quebrará eventualmente, como o mecanismo de um relógio. Como exemplo, temos a evolução no tratamento medicinal. Apesar de um avanço,  seria melhor investir em uma melhor alimentação, como sugerido no filme, que, por sua vez, demandaria um maior cuidado com o meio ambiente para que em vez de tratar a doença fosse possível preveni-la.


   Portanto, o sistema não encoraja a prevenção, apenas a intervenção. Não devemos procurar meios de nos adaptar aos problemas surgidos no nosso tempo. Devemos inovar. Mudar nossa perspectiva e visão de mundo para que seja possível uma interpretação da vida como algo mais complexo que uma simples máquina. É preciso ver o mundo de uma maneira interligada e criativa, já que a vida e a matéria são apenas conjuntos de probabilidades de conexão.

Eric Felipe Sabadini Nakahara

1˚ ano - Direito (diurno)
Introdução a Sociologia - O Ponto de Mutação

Uma nova percepção

    O filme "Ponto de Mutação' baseado no livro de Fritjof Capra mostra um diálogo entre três personagens: uma física, um político e um poeta. Eles se encontram numa ilha no norte da França onde existe um castelo medieval chamado Le Mont Saint Michel.  Os três iniciam sua discussão ao contemplarem um velho relógio, onde a cientista defende que as pessoas passaram a tratar a natureza como se essa fosse um relógio, que pode ser desmontado para ser estudado e compreendido individualmente, apresentando assim uma visão mecanicista desenvolvida a partir de Descartes, que reduziu o funcionamento da natureza ao de ma máquina, onde o estudo deve ser feito a partir das partes, logo, o todo ocupa um papel secundário.
     A física, no entanto, conclui que a teoria cartesiana é ultrapassada para o tempo em que vivemos e por isso devemos buscar uma nova forma de compreender o mundo.  Esta seria passar a ver o mundo de uma forma sistêmica, como um todo composto de relações, conexões. Por exemplo, os problemas globais fazem parte de um sistema, sendo lingados, conectados um ao outro, portanto, para resolvê-los de forma duradoura é fundamental considerá-los como tais.
      A necessidade dessa nova percepção tem por causa intima a destruição que as ações humanas causaram no mundo, este encontra-se doente, pois foi dominado, explorado, poluído pelo comportamento capitalista e individualista da sociedade. O planeta está em crise tornando-se de extrema importância uma mudança, uma transformação, uma mutação no pensamento da humanidade, para que esta passe a ver que devido ao fato de tudo estar conectado a ação de cada um reflete e tem consequências para todos.Ponto de Mutação seria então o limite onde se faz fundamental uma nova visão do mundo, para que este possa finalmente ser curado,rompendo com as ideias operantes até então.


                                                                                                                   Mariana M. Carneiro
                                                                                                                            1ºano- Noturno

Muito além de Descarte

O filme ‘’ ponto de mutação’’ dirigido por Bernt Amadeus Capra e inspirado na obra de mesmo nome do escritor Fritjof Capra, seu irmão, acompanha a discussão de três personagens: uma cientista, um politico e um professor de literatura (poeta) acerca da construção cartesiana do conhecimento. A partir de diversos pontos de vistas, o filme transmite para o espectador sua mensagem a respeito do pensamento cientifico desenvolvido pela humanidade desde Descartes no século XVII até o presente e mostrando seus reflexos na atualidade.

Dessa maneira, Sonia Hoffman (Liv Ullmann) uma cientista desiludida com seus trabalhos acadêmicos que acabam sendo usado para fins bélicos, Jack Edwards (Sam Waterston), um politico americano recém-derrotado na eleição para candidato a presidência dos Estados Unidos que se encontra em conflito com seus próprios ideais e sua noção de mundo e de si mesmo. E por último Thomas Harriman (John Heard), um poeta que passa por uma crise de meia idade e por isso se isola do mundo urbano (Nova Iorque) para uma ilha francesa o Monte Saint-Michel. Nesse espaço, o politico convidado pelo poeta a passar uma temporada em sua casa encontra com a cientista, travando, nesse contexto, o dialogo reflexivo que permeia toda a ideia central do filme.

Em uma das cenas do filme, a cientista critica a postura cartesiana de enxergar o mundo. Para ela, separar o problema em diversas partes, e analisar os fatos dos mais simples aos mais complexos é uma forma equivocada de se pensar e resolver problemas cientificamente. Ela acredita que não podemos nos distanciar do objeto de análise, já que estamos inseridos na dinâmica de estudo, pois somos parte da natureza e por isso influenciado pelas relações nela existentes. Há uma conexão entre os problemas, resolver um pode provocar o surgimento de outro.Para isso, compreender essas relações e conectar aos fatos envolvidos é de extrema importância para a resolução de nossos problemas. Enfim, pensar diferente é também pensar em um mundo completamente novo, sem restrições cartesianas.

Portanto, o filme nos evidencia os dilemas e as consequências do pensamento de Descartes e como seus posicionamentos filosóficos influenciam até hoje a cultura ocidental moderna. No final do filme, percebe- se a despedida de todos os personagens, cada um seguindo seu rumo, pensando e analisando as questões ali discutidas, porém sabendo que a vida é muito mais profunda e intricada que Descartes imaginava ser.

Arthur Resende
1º ano - Direito noturno

Introdução à Sociologia

terça-feira, 5 de maio de 2015

Realidade Necessária

     O filme "Ponto de Mutação", baseado na obra homônima do físico Fritjof Capra, apresenta a discussão entre uma física, um político e um poeta. Durante o debate, um dos personagens tem a seguinte fala: "A realidade... Quem precisa dela?".
     Contudo, percebe-se que para vários filósofos, a realidade é o ponto de partida de seus estudos tomando como base a análise desta. Tanto que Descartes afirma que a razão é a capacidade de apreender o que estamos observando pelo pensamento, ou seja, a aptidão de captar a realidade por meio do pensamento é o que define a razão.
    Enquanto que Bacon reconhece a importância da razão, porém defende que a experiência, a observação são essenciais para o alcance da razão. Dessa forma, apreende-se que a realidade é o fator chave que conduz à razão demonstrando a tamanha relevância daquela.
    Logo, o poeta, presente no filme "Ponto de Mutação", ao proferir a referida fala, desconsiderou os pensamentos de diversos intelectuais, tais como Bacon e Descartes. Entretanto, ao analisar o contexto da fala, pode ser percebido um tom irônico dito pelo personagem uma vez que os outros dois protagonistas, a física e o político, estavam em uma discussão filosófica acalorada com crescente tensão. Com isso, o poeta declarou a fala como uma descontração. Se for analisado, com teor literal, pode ser percebida uma dúvida de quão realmente é necessária a realidade, respondida por Bacon e Descartes.
     Em suma, a realidade composta pela sociedade em que vivemos, pelo contexto histórico etc., tem fundamental importância para diversos filósofos visto que a observação desta é relevante para elaborar ideias e para guiar-se à razão.


Camila Migotto Dourado
1º ano - Direito diurno
Introdução à Sociologia

Ponto de mutação


   A visualização de "Ponto de Mutação" gera, sugere e retoma dúvidas sobre nossa imagem de mundo -natural e humano. Os temas que se apresentam no filme variam desde a visão do tempo a da matéria, como estes dois núcleos interagem entre si e dentro de seus sistemas. 
     As ideias de Descartes e Bacon, consideradas atrasadas, são questionadas: o ideal mecanicista de mundo e intervencionista do homem são debatidas com a ideia do mundo como sistema (Hipótese Gaia), em que não se deve olhar para o particular sem dar valor ao geral (se tratando de recursos materiais, por exemplo). Mesmo assim, admite-se que essas ideias ainda vigoram no pensamento humano, e por isso devemos mudar nossa "perspectiva".
    Os diálogos são protagonizados por três figuras distintas e elementares: a terra, o ar e a água; representados, respectivamente, pela cientista, pelo poeta e pelo político. São assim designados porque Sonia Hoffman, Thomas Harriman e Jack Edwards mostram no início do filme características que lhes aproximam a tais elementos: a física, ligada ao pensamento de eco-sustentabilidade, às causas humanas e físicas/naturais; e, principalmente, à Hipótese Gaia se condensa na representação terrestre. O poeta, dos devaneios e ares filosóficos, se instaura como o ar. E por último, o político, factual que se insere nos meios e por esse é moldado, como a água,nos recipientes. Este que apresenta uma clara mudança na maneira como interpreta o mundo.
    A "disputa" entre essas personagens busca, não apenas as respostas e perguntas (certas ou melhores) mas, olhando mais profundamente, o equilíbrio ("mudança estrutural contínua, mas estabilidade nos padrões de organização do sistema").    





                                                                Roan Dias
    1º ano - Direito diurno
                                       

Sentindo o mundo


Com o tempo mecânico, veio a separação
da relação entre homem e natureza
Veio Descartes com sua comparação:
mundo e relógio.

Para ele ao analisar
as simples peças de uma máquina
seria possível entender
a complexidade do todo.

O sonho cartesiano previa
o mundo como máquina perfeita.
Ele veio consumado, assim
com as leis finais da natureza.

Em oposição ao método científico,
o pensamento ecológico surge então,
um novo modo de ver as coisas,
tentando superar a crise de percepção.

Vem também a teoria dos sistemas vivos
e seus princípios de organização.
Somos todos parte de um sistema,
sistema de conexões.

Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino
Introdução à sociologia – Filme “Ponto de mutação”

O relógio, a ilha e o pensamento cartesiano sob nova perspectiva

           Para compreender o filme Ponto de mutação é necessário entender como seus elementos se relacionam. Em primeiro lugar, é preciso entender o significado da palavra mutação, ou seja, mudança, evolução, transformação, que não necessariamente precisa ser para melhor, mas apenas uma forma de adaptação que supra as necessidades de uma determinada época. Dessa forma, o longa discorre sobre a superação dos pensamentos cartesianos, que apesar de terem sido de extrema importância no passado, não mais contribui para a sociedade atual.
            Além disso, por que uma cientista, um político e um poeta foram escolhidos para dar vida a essa reflexão? Ora, a resposta parece óbvia. Porque possuem percepções, visões, perspectivas diferentes do mundo. Mas, mais do que isso, eles dão vida às diferentes teorias utilizadas para interpretar o universo: a teoria dos sistemas (tudo está interligado, e portanto, deve ser observado e interpretado dessa forma), a teoria cartesiana (na qual é possível fragmentar o conhecimento de maneira a se aprofundar cada vez mais em cada assunto) e a teoria emocional (onde tudo pode ser descrito em um poema e percebido pelas emoções).
            O cenário também possui papel importante na composição do enredo. É preciso entender que o homem não é uma ilha, pois está constantemente interligado com outros indivíduos na sociedade, trocando energia com o meio, se renovando a todo instante. O político, assim como Descartes, acreditava que poderia fragmentar os problemas sociais de sua nação e assim resolvê-los um a um. Entretanto, se uma peça do relógio for consertada e o resto ignorada, o relógio voltará a apresentar problemas. Ou seja, não se pode ignorar que a sociedade atual vive em um momento de globalização, onde uma decisão tomada em alguma parte do globo afeta todo o resto do planeta. A cientista cita como exemplo a alta mortalidade infantil em alguns países, que poderia ser diminuída se as nações pudessem investir mais na nutrição destas, ao invés de precisarem cortar gastos para pagar seus empréstimos externos.
            O filme termina com uma metáfora, que dá vida ao ponto de mutação em si. Quando a água sobe, engolindo a terra, há a mudança de um material sólido, rígido, para um mais fluído, maleável. Dessa forma, as ideias estáticas da teoria cartesiana poderiam ser substituídas por pensamentos mais dinâmicos, que acompanhe o ritmo de transformação da sociedade atual.


Luiza Macedo Pedroso
1º ano Direito diurno
Introdução à Sociologia - filme "Ponto de Mutação"

Descartes sob uma percepção contemporânea

Ao fazer uma crítica ao método cartesiano, proposta por René Descartes, que afirmava que além do uso único da razão para se chegar à verdade, deve-se fragmentar o todo para melhor conhece-lo, o filme “Ponto de Mutação” retrata exemplos e argumentos sistematizados contra essa teoria. Segundo o filme, não se pode olhar isoladamente para uma problemática, quando ela esta envolvida num contexto econômico, social, politico ou ambiental, pois mesmo que, metaforicamente, concerte-se essa peça, quebrará em um segundo, pois se ignorou o que está conectado a ela.

Um exemplo esclarecedor a ser citado proposto pela física Sonia, protagonista do filme, é o problema da superpopulação no mundo. Este não está relacionado, isoladamente, com o uso de pílulas contraceptivas, mas com questões econômicas e sociais. Assim, nos países subdesenvolvidos, de terceiro mundo, principalmente, milhões de crianças morrem de desnutrição e doenças que já possuem cura, reduzindo a população.

Porém, é discutido, na obra, um grande empasse.  Se tudo esta relacionado, conectado, por onde começar a resolver as conexões? E a resposta dada é que se vive numa crise de percepção. É preciso mudar a maneira de ver o mundo, deixar de analisa-lo sob uma perspectiva cartesiana. Necessita-se de uma ciência de novo tipo, que em vez de analisar os fragmentos, visa olhar o sistema como um todo entendendo que cada um é obra de tudo.


Não obstante, é necessário perceber as possibilidades do amanhã, pois antes de tudo o homem é o único responsável por suas descobertas, suas palavras, suas ações, e os reflexos das mesmas no universo em que está inserido.


Heloisa C. Leonel
1º ano Direito Diurno 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Nenhum homem é uma ilha

     O filme "Ponto de Mutação", baseado na obra de mesmo nome de Fritjof Capra, aborda uma crise de percepção do mundo, a qual a personagem principal, Sonia Hoffman, se encontra e explica ao longo das discussões. Ao fazer uma crítica ao método cartesiano e à escravização da natureza proposta por Bacon, ela propõe que as tendências de forças políticas, sociais e econômicas devem convergir em um só ponto.
     Essa mutação do velho para o novo se dá através da mudança do nosso modo de ver o mundo. Como há conexão entre tudo na natureza, a cientista afirma que deve-se abrir horizontes para os modelos sistêmicos em oposição ao pensamento reducionista e mecanicista. Este é ultrapassado para as necessidades da sociedade atual e para um maior desenvolvimento científico e tecnológico. Aquele abre margem ao desenvolvimento sustentável.
     Assim, uma das maiores preocupações presentes no filme é a questão ambiental e o desenvolvimento econômico. No filme é citado o desmatamento da floresta amazônica como parte de um ciclo que promove a destruição da natureza pelo homem, e que mesmo que fosse resolvida essa parte do problema, o resto ficaria em pendência. Através desse mesmo exemplo, podemos verificar a reação em cadeia de uma ação, mostrando que tudo está interligado.
     Enfim a visão holística, vendo o todo como indissociável, não vê a natureza como instrumento a nosso favor, mas como nós somos parte integrante dela. A relação entre os seres vivos e o meio como um todo. Essa a mutação necessária apresentada por Capra.

Marina P. Diniz
1º ano Direito - diuno

O poeta, o político e a cientista

“Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável...” – Pablo Neruda

Um fluxo de indagações. Assim se passa o filme Ponto de Mutação de 1990, dirigido por Bernt CapraPersonagens que se encontram em um momento de escolhas e indecisões, partilham do conhecimento, fraquezas e dúvidas sobre mundo.
Jack Edwards, um político candidato a presidência dos Estados Unidos, vai com seu antigo redator de discursos, o poeta Thomas Harriman à Mont Saint-Michel, na França. Durante a estadia, encontram a cientista Sonia Hoffman, esta que, surpreendentemente, conhece o poeta, mas não é tão ciente da influência que Jack tem. Com uma série de perguntas sobre a vida, a história, o passado, os três personagens passam o filme sob a luz da busca de conceber respostas sobre diversos assuntos e obter a verdade em seus argumentos sobre discursos atuais, como uma visão mecanicista sobre o tempo e o homem, utilizando metáforas e argumentos embasados em grandes filósofos e escritores como Descartes, Bacon, William Blake e Pablo Neruda, por exemplo.
A complexidade desses argumentos mascara a simplicidade das questões abordadas, pois estas se voltam contra nós mesmos todos os dias, e há essa incessante batalha em se decifrar e determinar tudo o que ocorreu e ocorre ao nosso redor. Assim como Kit, a filha da cientista, revolta-se com o alheamento da mãe, esta que apenas fala dos problemas do mundo com base nos próprios problemas, nós temos essa tendência em observar a sociedade com o olhar que a vida nos molda. Seria o ceticismo do político a forma certa de ver o mundo? Seria a visão analítica da cientista a correta? Ou seria a visão poética do escritor? É impossível afirmar uma verdade sobre qual é a melhor visão, pois todas elas se entrelaçam e fazem com que haja uma disputa devido à disparidade dessas visões. Assim como “nenhum santo sustenta-se só”, essas visões não existem separadamente, coexistem, necessitam uma da outra para existir, pois a vida é maior que tudo isso, “a vida sente a si mesma”. Desse modo, os personagens ajudam-se mutuamente ao expor seus pontos de vista, fazendo o outro sair da zona de conforto e buscar a confrontação, algo que na atualidade as pessoas não almejam, pois preferem se restringir na comodidade do bem comum a defender seu argumento fervorosamente.
O Ponto de Mutação, além de filme é a experiência se expressando na arte, é a dúvida que persiste na consciência dia após dia, é a metáfora da epifania do poeta, do político e da cientista, é a epifania de todos nós. É a vida.


Lara Costa Andrade
1º ano de Direito(Diurno) – Filme: Ponto de Mutação

Mindwalk - Ponto de Mudança

As reflexões após assistir o filme Mindwalk (Ponto de Mutação, em português), revelam o quanto duas concepções diferentes de filosofia, política e ciência, podem se entrelaçar e ser desvendadas pelos mesmos meios. A teoria dos sistemas exposto pela física Sonja realça toda uma nuance de assuntos que se encaixam e se interpolam em diálogos extensos, porém geniais. Indo de ecologia a guerra,é possível perceber, pela argumentação engendrada das personagens, o quanto tudo o quê está na realidade em si está conectado, fazendo-nos questionar uma vasta gama de preconceitos já formados. São justamente esses preconceitos, o chamado senso comum, que aproxima o filme e o livro dos textos de Descartes e Bacon, uma vez que estes argumentaram incessantemente para quê a realidade fosse enxergada integralmente, sem conceitos pré-concebidos. Portanto, pode-se dizer que, entre todos os outros assuntos discutidos, esse filme aborda a construção da noção contemporânea de realidade, usando pontos de vista tanto metafísicos quanto científicos.

Canto do Sentido

Busca a razão a natureza
Dominar. Vencer. Moldar.
Crê de um deus ter o tocar
Mas corrói da vida a Beleza

Sempre acha a boa Natureza
De vencer as vãs ciências
Elementares maneiras
Na calma, alegre, incerteza

A ciência no incerto
Perde a busca e a clareza
Já a Poesia vê beleza
No confuso a brandir vento

O cientista tem o fim
O poeta tem o início
O Sentimento tem comício
E tem a morte a razão

Octavio Coloza Berganholo
1º Ano, Direito Matutino
Introdução à Sociologia

O mecanicismo e a perda do dionisíaco

     O método proposto por Descartes em seu Discurso do Método trouxe uma visão de mundo completamente nova, dando início ao que hoje é chamado de "mecanicismo cartesiano". Esse mecanicismo consiste numa percepção puramente racional do universo, considerando o mesmo como uma máquina, um relógio. Ainda hoje, tal visão é muito adotada por cientistas.
     No filme Mindwalk, é feita uma abordagem acerca do tema, quando uma cientista pontua que, apesar da importância de Descartes em seu tempo, o mundo precisa de uma nova percepção. Segundo ela, o mecanicismo cartesiano tem transformado as relações humanas e, principalmente, a relação do homem com a natureza. Enfim, a ciência hoje menos tem trabalhado a favor da natureza do que prejudicado-a.
     Nesse sentido, o tema do mecanicismo cartesiano e a racionalização do mundo dialoga com Nietzsche, quando o alemão fala em apolíneo e dionisíaco. O apolíneo representa principalmente o racionalismo e o individualismo, enquanto que o ímpeto dionisíaco nasce da violação deste princípio de individualização. Ocorre que, hoje, há uma perda da proximidade com a natureza, decorrente dessa ciência que trabalha com fins econômicos.
     Dessa forma, percebe-se que o homem perdeu a habilidade de ver a vida como parte de uma realidade mais ampla. A natureza, nesse contexto, é vista como mera fonte infinitamente produtiva de uso, perdendo seu valor intrínseco. Enfim, é preciso substituir esse modelo mecânico de mundo por uma nova percepção que compreenda o universo não só como mera máquina, mas como um universo de conexões e interdependências. Um sistema vivo. Um organismo vivo.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno