Tu me dominas!
Com a lei, sem perdão.
Mas eu imploro e com razão.
Livro-me? Não.
Tu me dominas!
Por que não conheço tais coisas?
Por que não visto essas roupas?
Diz que não, mas me acha louca!
Tu me dominas!
Mas garante “vida” e “liberdade”.
E para além, também “segurança” e “propriedade”.
Eu recebo? Não, falhas na parte de “igualdade”.
Tu me dominas!
És instrumento da burguesia.
Por isso não vou contra a senhoria.
Pois sei que serei punida sozinha.
Tu me dominas!
Mas não há nada a se fazer.
Enquanto eles estiverem no poder.
O que me resta é ceder.
Ceder minhas escolhas enquanto caio na rotina.
Não existe direito para quem deve entrar na disciplina.
Me sinto definhando na desigualdade e em ruínas.
Tu me dominas!
Maria Eduarda - Direito Noturno

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