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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Tu me dominas!


 Tu me dominas!


Mas não me livra: me impede.
Me limita… me protege?
Não, és herege.


Tu me dominas!


Com a lei, sem perdão.

Mas eu imploro e com razão.

Livro-me? Não.


Tu me dominas!


Por que não conheço tais coisas?

Por que não visto essas roupas?

Diz que não, mas me acha louca!


Tu me dominas!


Mas garante “vida” e “liberdade”.

E para além, também “segurança” e “propriedade”.

Eu recebo? Não, falhas na parte de “igualdade”.


Tu me dominas!


És instrumento da burguesia.

Por isso não vou contra a senhoria.

Pois sei que serei punida sozinha.


Tu me dominas!


Mas não há nada a se fazer.

Enquanto eles estiverem no poder.

O que me resta é ceder.


Ceder minhas escolhas enquanto caio na rotina.

Não existe direito para quem deve entrar na disciplina.

Me sinto definhando na desigualdade e em ruínas.


Tu me dominas!


Maria Eduarda - Direito Noturno


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