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domingo, 8 de setembro de 2013

Ao chão os moldes



Max Weber formou-se na área de Direito e foi um estudioso de diversas outras como a economia, administração, filosofia e ciência política. Um dos fundadores da sociologia quanto ciência social, ele buscava uma maior objetividade do conhecimento nela e na ciência política, num momento de consolidação e firmamento dessa ciência proposta.

Uma das suas maiores preocupações e pretensões quanto à sociologia era de que essa ciência, numa proposta objetiva, não se deixasse influenciar pelo posicionamento político do cientista ou pela situação econômica vigente. A sociologia seria uma ciência crítica, e, para tanto, não poderia se distanciar da realidade. Realidade, essa, plural e dinâmica, não baseada e oposta a leis sésseis. Nesse âmbito Weber faz uma crítica ao materialismo histórico proposto por Marx pelo seu caráter dogmático, que aponta a infraestrutura econômica como elemento dominante das estruturas sociais e culturais. Ao estabelecer um denominador comum, no caso a infraestrutura econômica, Marx estaria padronizando a atividade humana, o que seria um equívoco muito grande em tratar-se de uma ciência social moderna.

O pensador era contrário à adoção de um método explicativo fundado em preceitos de causa e efeito, semelhante ao utilizado pelas ciências naturais, às ciências sociais. Assim, propõe o método compreensivo no qual a ação social não seria fruto de uma relação de causa e consequência, mas, sim, carregada de sentido, e este, realizaria conexões com diversos outros, fundando o conceito de “conexões de sentido”. Sendo assim a ação social poderia se mover por valores plurais como o emotivo, religioso, tradicionais ou todos eles simultaneamente. Esses valores seriam desconhecidos para o cientista social e da mesma maneira como o sujeito da ação não seria o objeto da sociologia proposta. O objeto da ciência política é a ação social, sendo o sujeito um recurso metodológico para a maior aproximação com a realidade.  

Weber expõe, ainda, o conceito de “tipo ideal”, espécie de ferramenta metodológica para análise inicial. O tipo ideal, porém, deixaria de existir ao ser submetido a um estudo mais profundo, dando lugar a uma verdade científica advinda da comparação entre os fatos sociais e o tipo ideal.

A ciência proposta por Weber teria por objetivo ser uma ciência da realidade, livre de moldes e padrões não condizentes com a vida em sociedade, que é sujeita a transformações e que é múltipla, complexa e desigual em suas mais diversas nuances.


sábado, 7 de setembro de 2013

O FANTASMA DO MUNDO SOCIAL

                       

Assim como toda ciência, a sociologia de Max Weber pretende explicar totalidade do seu universo de pesquisa de como é a realidade social no quotidiano.E que, esta mesma sociedade, é feita de ilusão,na qual todo o individuo tem dificuldade em se relacionar,com os outro para o contributo de uma vida melhor.Por isso Weber vem com o objeto de estudo q a sociologia enquadra,os cidadão no ambiente de percepção dos seus sentidos,das suas ações humanas entre si.

A sociologia foi se mostrando presente em varias datas importante desde as grandes revoluções,desde lá cada vez foi mais fundamental a participação para a sociedade mundial e também Angolana.Desde o inicio,o Weber vem-se preocupando com a sociedade no seu interior, isto diz respeito,por exemplo,aos conflitos entre as classe sociais,existente em Africa, e a sociologia sofreu a influência dos Europeias e Americanas, na medida em que as suas preocupações passam a ser o subdesenvolvimento, ela vai sofrer influências das teorias marxistas.

Weber também fez uma analise sobre o capitalismo,onde ele teve a primazia de comparar diretamente ,entre, o capitalismo e protestantismo.Com a sua visão social, ele afirma que a maioria,dos lideres mundial são protestantes.Isto por que as suas ações tem sido contra a favor do movimento social e eles encaravam como oposição.


Entretanto, Max Weber,vem nos ensinar que devemos estar atento com as ações,e não se preocupar em julgar os outros,o q eles fazem,o que dizem sobre nós,assim é a vida social,no mundo e na visão de grande figura e filosofo ao mesmo tempo um dos percursor da sociologia.

Generalizações falhas

Generalizações falhas
“O que leva um menino a vida do crime,
Falta de opção, uma grande ilusão,
Trampando na boca pra virar patrão.

Aos 23 anos de idade assumiu a gerencia,
Por eficiência, e se arriscando ganhou experiencia,
Sua mãe decepcionada, não sabe o que faz,
Mas já é conformada com o acontecido,..[...]”

Analisando o trecho da música acima do cantor Mc Daleste, muitos de nós poderíamos chegar à conclusão como ponto de partida: todo morador de favela é marginal. Fazer uma afirmação dessa como ponto de partida, afirmando ser este o tipo ideal de pensamento em  uma pesquisa é um equívoco para Weber, pois este é o ponto de chegada para analisar o sujeito em questão e a partir disso, tirar conclusões a partir de suas ações sociais, sem generalizá-lo, pois no método weberiano o que importa é a ação individual, não coletiva. Pode-se afirmar então que o tipo ideal existe para deixar de existir, ou seja, para ser desconstruído sendo o meio para a análise mais densa.
Diferente do que Marx afirma, Weber acredita que o sujeito não é produto apenas de uma condição histórica e sim está sendo formado continuamente por suas ações sociais imprevisíveis. Em seu método de pesquisa, a ação social pode ser movida por engendramentos tanto econômicos, quanto culturais, religiosos, ou de classe, sendo sempre vários fatores interligados para determinar uma ação. Por esse motivo, Weber critica o materialismo histórico como única fonte de pesquisa, afirmando que está é só uma das mais variadas formas de entender a ação  social.
É importante ressaltar que Weber distingue ciência social de política, sendo assim, seu objeto de estudo é focado na compreensão da realidade e não na transformação da mesma. O autor critica a ciência nomológica pois, como ele mesmo afirma, “ Jamais pode ser uma tarefa da ciência empírica proporcionar normas e ideias obrigatórias, dos quais se deve derivar “receitas” para a prática.”P 109. O absoluto e a verdade weberiana podem ser desmontadas a qualquer momento, não sendo uma ciência perene.
Se fossemos analisar o exemplo citado apenas pelas leis, a afirmação de marginal estaria de acordo com as ações do autor da música, visto tráfico de drogas se  enquadraria no código penal, porém, pode-se afirmar por fim que as leis são apenas o 1º passo na análise dos objetos, pois depois deve-se analisar os fatores, as conexões exteriores para assim chegar a várias possibilidades de futuras ações sociais.


Giovanna Gomes de Paula - direito noturno

Corriqueiro Pensamento Weberiano

    “Não gosto das baladas de São Paulo. Lá todos vestem as mesmas roupas de marca que estão na moda, todos bebem a mesma coisa, todos querem chamar atenção e todos se comportam do mesmo jeito, parece até linha de produção. Mas mesmo assim eu fui.
    Sentei no bar e fiquei observando aquele bando. Deveria ter ficado em casa lendo, vendo um filme, mas aquele lugar me intrigava, todos agindo em uníssono. Eu sentia que sabia a próxima ação de cada pessoa. Olha lá, o gordinho levou um fora da menina bonita, e ela caiu nos braços do loiro de olho azul, como sempre...”

    A análise feita pelo personagem do texto constatou que o ser humano age dentro de certos parâmetros, como um estereótipo, quase de forma previsível. Entretanto, o próprio personagem não se encaixa dentro desses parâmetros, ele pensa de forma diferente.
    Max Weber pensou o agir social a partir da segunda afirmativa. Ele afirmou que traçar os parâmetros sociais é apenas o primeiro passo para o estudo sociológico, deve-se olhar além dos estereótipos e reconhecer o indivíduo e sua cosmovisão. O mundo seria completamente diferente, por exemplo, se pessoas como Gandhi e Hitler não tivessem exteriorizados seus pensamentos.
    Apesar do ser humano receber influências exteriores a ele, seu modo de agir e de mobilizar a sociedade não é fruto somente disso. Características intrínsecas do ser humano, como sua história e seu pensamento, também modificam a sociedade de forma geral.

Karina Barbosa de Lima - Direito noturno

A constelação de possibilidades do agir social centrada no individualismo particularista

            Max Weber, importante pensador do século XX, traz de volta ao cenário intelectual a visão de que a ciência social, que para o pensador possui a função elementar de compreender o sentido da ação social, não deve, a priori, sustentar-se em pilares político-ideológicos. Para a teoria weberiana, fazer pesquisa científica dentro das ciências sociais, utilizando de ideologias políticas, sejam elas revolucionárias ou conservadoras, é se valer de regras monológicas tal como o fazem as ciências exatas e biológicas. A problemática desse modelo é não convencer suficientemente o que motiva e desperta interesse no indivíduo, num primeiro momento, a tentar compreender os fenômenos sociais, se para ele esse conhecimento adquirido futuramente não servirá de maneira prática para atuar na sociedade; uma vez que a atuação social é praticada dentro do campo político e, portanto, caberia a outro indivíduo, que não necessariamente se valeria do conhecimento sob a mesma ótica e para os mesmos fins que o pesquisador, instrumentalizar esse saber.
            O individualismo metodológico de Weber prevê o indivíduo como elemento fundante na construção do sentido da mudança social e, dessa maneira, entender profundamente as origens, contradições e pluralidades da conduta de cada indivíduo seria a maneira ideal de entender a ação social como um todo. Diferentemente de Karl Marx, que acreditava que o determinante social é o modo de produção e reprodução capitalista, Weber não consegue prever um determinante social único, pois a realidade concreta é extremamente complexa, multifacetada e repleta de valores, que para ele são anteriores a qualquer modo de produção. É apoiado nesses ideais que Weber critica o método marxista do materialismo histórico dialético, afirmando ser esse um modelo dogmático, impositivo e determinista do tão variável agir social.

            Por mais que a teoria weberiana ensine que ampliar a teoria, focando no indivíduo e na constelação de possibilidades do agir, é o método mais adequado para que não seja ignorado nenhum elemento crucial na análise, o método de Weber se apresenta particularista, ideal e insuficiente para responder as questões mais profundas dessa sociedade tão complexa e contraditória que é a contemporânea. Focar nos valores individuais em busca de explicações mais profundas é relativizar demais o concreto, o material. É fechar os olhos para as injustiças visíveis - e até as não visíveis - que alguns atores sociais promovem materialmente sobre outros, como inclusive a implantação de valores e crenças, que num primeiro momento podem parecer primitivos do indivíduo, de toda uma classe sobre os indivíduos mais fragilizados da sociedade.

Amanda D. Verrone - 1º Ano Direito Noturno

Compreensão da Realidade

O intelectual alemão Max Weber, considerado um dos fundadores da sociologia, viveu em um período em que as ciências sociais começavam a se consolidar e diversos pensadores expunham seus métodos de análise da sociedade. Weber, visando tranformar a sociologia em um ideologia, afirmava que a sociologia deveria ser uma ciência da realidade; sua perspectiva é de buscar a realidade como uma crítica do mundo.

Para realizar essa crítica, o pensador propunha uma metodologia diferente daquelas até então propostas, a qual se baseava na compreensão do sentido da ação social. Desse modo, ao analisar uma coleitividade deveria se ter como foco a ação individual. Weber acreditava em conexões de sentido, ou seja, para ele toda ação é movida por um sentido, um objetivo. Assim, a partir dessa metologia, a percepção sociológica passa a ser um meio e não um fim, o objeto de estudo passa a ser apenas um fragmento da realidade utilizado para a compreensão da realidade como um todo.

Buscando complementar sua metodologia de análise social Weber define uma ferramenta que chama de ‘tipo ideal’, que seria a escolha de aspectos mais relevantes do obejto de estudo (a ação do indivíduo). 
Com essa ferramenta o pensador busca se aproximar de maneira mais eficaz da realidade objetiva.

Max Weber trouxe uma perpectiva inovadora à sociologia, se distanciando dos positivistas, que acreditavam que as ações eram imutáveis, fixas, e introduzindo a ideia de que as ações individuais variam de acordo com cada situação e são motivadas por valores e crenças pessoais.

Ana Carolina Nunes Trofino - Direito Noturno

“Sociocrítica” humana

Weber nos convida a racionalizar sobre a legitimidade da classificação da sociedade moderna. O sistema capitalista de produção influencia na formação de estereótipos sociais, mas será que ele age exclusivamente?
A realidade social analisada pelo pensador alemão vem “desrotular” o homem como fruto único da visão economista. A magia, o culto aos antepassados, a oferenda aos deuses, a divindade do soberano, o pagamento do dízimo, os credos, os rituais e a fé são alguns dos aspectos religiosos que também moldam a conduta humana em seu meio social. Isso sem considerar os valores culturais, os costumes e as emoções características da raça humana. Todos esses fatores influenciam na formação de sua individualidade.
Se na própria ciência tecnológica médica moderna é possível concluir que ninguém é idêntico ao outro, seja pela digital, pelo DNA ou outros aspectos físicos, não se pode afirmar que o homem perde a sua identidade pelo sistema econômico vigente.

A generalização não traduz por completo quem realmente são os membros que a compõem. A personalidade e o caráter íntimo de cada um é que formam o verdadeiro homem social, pois complexa e multifacial é a sua realidade sociológica. Assim, a sociologia para Max Weber não pode somente se fixar na perspectiva nomológica, em posicionamentos políticos ou econômicos, ela deve ser a ciência da realidade da ação social, para se compreender, para se tornar a crítica do mundo, no mundo, sobre o mundo.

A COMPREENSÃO DO SENTIDO DAS AÇÕES DOS INDIVÍDUOS

      Para Max Weber, o objeto da sociologia seria a captação da relação de sentido das ações humanas. Trata-se do método compreensivo que consiste em entender as causas, os sentidos das ações humanas e não os aspectos exteriores dessa ação. Se um indivíduo dá um papel a outro, tem-se que analisar os motivos que o levaram a fazer isso, ou seja, se o pedaço de papel for um cheque então o sentido da ação é saldar uma dívida. Caso o papel apenas fosse dado a outra pessoa e essa ação não fosse carregada de sentido, então ela seria irrelevante para um sociólogo.
     O sociólogo faz uma contraposição entre as ciências humanas e as ciências naturais, entretanto, ele não visa separá-las totalmente. Para ele, os fenômenos obedecem a uma regularidade causal que necessitam de um mesmo esquema de prova para ambas as ciências. Todavia, se as explicações causais são as mesmas, o mesmo não se pode dizer dos tipos de leis gerais que formulados por cada um dos dois grupos de disciplina.
     Max Weber defende a existência de “tipos ideais” que seriam um processo de conceituação que abstrai dos fenômenos concretos o que existe de individualizante. Os padrões individuais concretos (típico das ciências humanas), opõem-se ao conceito generalizante (típico das ciências naturais) que consiste em retirar do fenômeno concreto aquilo que ele tem de geral. O sistema de tipos ideais seriam então conceitos definidos por critérios pessoais, ou seja, trata-se de conceituações do que ele entende pelo termo empregado, de modo que o leitor entenda o ele diz.
     O capitalismo também foi analisado por Weber. Ele elaborou uma relação direta entre o capitalismo e o protestantismo. De acordo com sua análise das sociedades ocidentais e orientais, concluiu que os líderes dos negócios do mundo eram protestantes. Os protestantes teriam tendência para o racionalismo econômico.
     Compreender o sentido das ações humanas é essencial para entender o pensamento weberiano. É necessário analisar os fenômenos concretos de modo individualizante. A captação desse sentido não poderia ser feita apenas pela observação dos fatos. O sistema de tipos ideais também visa o entendimento do sentido da ação humana, dando a ela um caráter individualizante.

Virginia Barbosa Melo de Carvalho-Direito Noturno

                             A depressão do ideal imperfeito


  Na sociedade moderna, vivemos uma incessante busca para encontrarmos algo que seja sempre perfeito. Por conta da vida social em nossa atualidade ser sobrecarregada e o dia a dia ser uma complexa selva de pedra competitiva, o indivíduo, exausto de sua rotina massante, procura alcançar sempre um mundo ideal, ou seja, ter posse de uma vida pessoal que sempre lhe traga felicidade.
  Entretanto, a realidade não é esse "faz de conta" perfeito e o indivíduo, crente neste mundo ideal, se frusta ao perceber o real puro e imperfeito. Eis que surge então o mal do século XXI, a doença que atordoa multidões em torno do mundo: a depressão.
  De acordo com a análise dos estudos de Max Weber, pode-se entender porque acontece essa depressão causada pela frustração. Segundo Weber, os indivíduos desde os primórdios almejam uma vida repleta de contínuas satisfações. No entanto, nada é tão simples assim e então surgem as dificuldades. Para Weber, portanto, é necessário ao indivíduo se desfazer desse preceito de que tudo pode ser caracterizado como perfeito, pois segundo ele, a formação do tipo ideal seria apenas uma ferramenta metodológica para compreensão da realidade. Ao se imaginar o ideal, utiliza-se dele para constatar a realidade e percebe-se então que o real e o ideal são totalmente distintos. Eis que o conceito de ideal se dissolve e o individuo passa a conviver somente com o real. Quando esse desapego com o ideal não acontece, o indivíduo frustra-se e acaba adquirindo depressão.
  Para Weber, se faz importante também compreender o mundo real de uma maneira que não se generalize todas as ações sociais. Em qualquer ato da sociedade, por mais coletivo que seja é necessário se analisar os movimentos particulares de cada indivíduo, pois ao se ter uma compreensão generalizante perde-se pelo caminho riqueza de detalhes em ações com caráter de opiniões multifacetadas.
  É necessário portanto, deixar para trás todas as amarras de um mundo idealisticamente perfeito. O mundo tem suas desigualdades, seus impasses, porém cabe a cada um de nós, coletivamente ou individualmente, nos prepararmos para podermos fazer de nossas vidas o mundo ideal que pudermos conquistar, construindo sobre um defeito o nosso mundo imperfeito.


Ana Carolina Alberganti Zanquetta, 1º ano Direito Noturno

LIVRAI-NOS DE NOSSAS PAIXÕES, AMÉM!

              O desenvolvimento das ciências carrega consigo a busca por modelos. Em não raras vezes, notória é a procura, por parte dos que se lançam às pesquisas científicas, por leis imutáveis, carregadas de valoração explicativa a quaisquer fenômenos.
            O ser humano necessita de estabilidade. Andar por terrenos movediços traz insegurança, assim, inequívoco afirmar que o anseio por respostas a todos os fenômenos que envolvem a vida, explica-se pela sede de segurança que, neste caso, satisfaz-se pelo conhecimento.
            Quando falo em fenômenos, refiro-me aos naturais e aos sociais. Se no campo biológico, no qual o organicismo se expressa de maneira a propiciar repetições que favorecem a obtenção de fórmulas, teoremas, respostas aos questionamentos, talvez assim não o seja no âmbito das ciências sociais.
Esta hipótese foi muito bem levantada por Max Weber. O pensador revela ser preciso avaliar os fatos motivadores das ações sociais por vários âmbitos. O ser humano é plurívoco em seu interagir com a natureza e com seus semelhantes. Crer que um só campo da vida, de maneira unilateral, motiva a pessoa em seus atos, é pensar a vida minimamente.
E os atos de um grupo, além dos aspectos revelados no macro, para que sejam verdadeiramente entendidos, precisam ser estudados de maneira individual. Cada ser humano manifesta suas paixões de maneira individualizada no seu agir. Ainda que este agir possa ser explicado em âmbito coletivo, no estudo individual é que realmente encontramos respostas pautadas de maior certeza.
Além do âmbito individual, relevante é entender o pensamento de época de um determinado povo. As sociedades se destruíram e reconstruíram-se ao longo da história, e, ao se reerguerem, carregam lembranças e buscam agir de forma a não mais se derrocarem. Isto prova que o tipo ideal de convivência revela-se de maneira histórico-temporal: observando o que os homens anseiam no seu tempo, entendemos suas manifestações sociais.

Como nós hoje temos nossas paixões engrenadas com a tecnologia de nosso tempo, assim o era no passado, e o será no futuro. Tentando se afastar de seus princípios axiológicos, o mais possível, bem como estudando pormenorizadamente as atitudes individuais dentro dos grupos e os seus valores, é que o pesquisador social achará as concretas razões que determinam as ações sociais praticadas por aqueles.


Postagem referente à aula sobre Max Weber -
Antônio Rogério Lourencini - Direito Noturno.

Perspectiva de Max Weber para compreensão dos fenômenos sociais


Max Weber, considerado um dos fundadores da Sociologia, viveu em um período de grandes disputas sobre a metodologia das ciências sociais que começavam a surgir na Europa. Weber utilizou de um diferente recurso metodológico para tentar se aproximar cada vez mais da realidade, visando a  percepção sociológica como um meio e não como um fim. Para ele, a realidade significava algo tão complexo e multifacetado que ao partir de leis gerais para se chegar à realidade, isto é, a compreensão sociológica da ação individual, perdia-se todo o domínio do conhecimento.

Weber entendia a Sociologia como sendo uma ciência da realidade; dessa maneira, a investigação de seu objeto de estudo, o sujeito social, tinha tal finalidade a proporcionar. Para tanto, considerava que ao analisar entes coletivos, devia-se levar em consideração e como foco do estudo a ação dos indivíduos. Essa, portanto, seria a função essencial da Sociologia: compreensão do sentido da ação social.

Sendo o objeto de estudo apenas um fragmento da realidade, Weber desenvolveu uma ferramenta metodológica, para entender os fenômenos sociais, denominada tipo ideal. Esse meio de análise é feito a partir da escolha pelo cientista social dos aspectos considerados mais relevantes da ação do indivíduo.  Ou seja, se Weber fosse analisar um determinado grupo , por exemplo os moradores de rua, escolheria os principais elementos de um tipo ideal para avaliar o grupo. Dessa forma, poderia fazer os seguintes levantamentos desses elementos: indivíduos marginalizados, criminalizados pela sociedade, portadores de problemas físico-psiquícos, desamparados socialmente etc. A partir desses aspectos, Weber acredita que se possa chegar ao domínio do conhecimento e da realidade, a partir da compreensão sociológica da ação individual.

Ideias weberianas



Apenas rezar, realizar rituais e ir à igreja não é o suficiente para garantir um belo lugar no céu, assim os protestantes se deram bem na vida pois através da disciplina ascética, da poupança, da austeridade,do respeito ao dever e da propensão ao trabalho, conseguiram alavancar o capitalismo. Estas últimas características citadas são concomitantemente as bases do protestantismo e do capitalismo, embora , com o passar do tempo, eles tenham seguidos caminhos diferentes.

Destes caminhos opostos, Weber classifica como negativo o avanço do novo sistema,na medida em que há uma valorização extrema do material,do lucro e da razão em detrimento do espírito e do encantamento pela vida. Os indivíduos tornam-se mais frágeis e a educação, que possui como finalidades  transformar indivíduos em seres autônomos e estimular a participação política dos cidadãos, acaba sendo pouco aproveitada.

No entanto, o maior ou o menor estimulo a ela é feito de acordo com as diferentes sociedade, que geram diferentes culturas cujas formas de governo envolvem a burocracia, o domínio de um território e o controle da força. Este ultimo se subdivide em três categorias: carismático-líder envolve e guia seu povo através do seu carisma-, tradicional-o poder sucede-se pelo costume e pela tradição- e legal- em que as leis legitimam o poder do governante.

Dessa maneira foram apresentadas as formas de relacionamento entre o Estado e seu povo, no entanto Weber estuda também as microrrelações entre as pessoas: as ações sociais. Estas são caracterizadas por formarem uma conduta, com significado subjetivo, que visa orientar o próprio comportamento em relação a si e aos outros. Para exemplificar esse conceito, tomemos como base a piscadela: é uma ação social enquanto dirigida a outrem e com significado( como um sinal de paquera ou de mentira), no entanto deixa de ser um ação no sentido weberiano se for apenas um tique nervoso automático.

Para finalizar, é indispensável citar que Weber não acredita no fator econômico como maior influenciador das sociedades e que não há possibilidade de tratar  estas com total distância de forma a estuda-las como coisas, na medida em que somos seres humanos intrinsecamente influenciados por nossas culturas.
Marcela Helena Petroni Pinca - direito diurno

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Max Weber e o individualismo metodológico

Quando Max Weber iniciou seus estudos sociológicos, uma de suas principais preocupações  era a de que a sociologia se transformasse em uma ideologia. Desse modo, visava torná-la “digna” de credibilidade, ou seja, uma ciência da realidade empírica. Diferentemente da posição positivista, por exemplo, que partia do pressuposto que a realidade em si é pautada por ações imutáveis, tal qual feita no campo das ciências nomológicas, Weber introduz na sociologia uma perspectiva inovadora, segundo a qual seria a sociologia teria de ser pautada por meio de uma interpretação social das ações individuais, e não de estruturas(econômicas, por exemplo) que contêm uma dinâmica fixa, compreendendo para isso que a ação sociais é antes de tudo movida por valores, variáveis de acordo com a situação específica.
 
Max Weber classifica assim, a ação social em quatro tipos: a)ação racional com relação ao objeto; b) ação racional com a relação a um valor; c) ação efetiva;d) ação tradicional.
O que pode-se concluir desta sistematização  é que Weber visa usar delimitar critérios diferentes para definir um dado agir, aproximando-se desta forma o máximo possível da realidade objetiva. Parte dessa concepção explica sua crítica ao dogmatismo do materialismo histórico,que parte apenas da perspectiva econômica para explicar os fenômenos sociais, rebaixando, desse modo, a importância de valores culturais e éticos, por exemplo.
 
Pode-se concluir que, para a sociologia de Weber, os acontecimentos que integram o social têm origem nos indivíduos e cujo objetivo de tal ciência é compreender, buscar os nexos causais que deem o sentido da ação social, evitando-se para isso uma "cair" numa ideologia.
 

 

O perigo do modelo único

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie, em sua palestra denominada “O perigo da história única”, expressa o perigo de se  construir um  “padrão”, uma só história,  em nossas pesquisas, simplificando, através dessa unicidade, a complexidade e a  riqueza do mundo pesquisado.  Análoga e metaforicamente, pode-se construir uma semelhança  entre as ideias da escritora e das ideias weberianas.
 Vivemos sob a égide da “rotulação social”, em que se destacam modelos absolutos, dogmáticos e  constantes juízos de valores. Diante da perspectiva de Max Weber, tal padronização não pode ser  único caminho para chegar-se a teorias e à realidade, afinal novas teorias podem surgir, refutando, portando, as antigas.  
Max Weber, considerado um dos fundadores da sociologia moderna, evidenciava que o objetivo da ciência social era compreender o sentido da ação social. Ademais, por ser tal ação uma incógnita, não se deve analisá-la somente a partir de valores de classes, de julgamentos, ou por meio de modelos dogmáticos. Como exemplo disto, podemos destacar algumas características da padronização, feita por muitos, do proletariado: alienado,  obtém estranhamento a seu trabalho, dominado, ator da revolução(...). Tal visão baseada apenas no aspecto classicista e econômico, para Weber, não pode ser entendida como absoluta, deve ser apenas o ponto de partida para a análise, afinal não se pode perder as riquezas dos detalhes, cada indivíduo é movido por diferentes valores e são esses valores que impulsionam o sentido da ação social.

 O sociólogo, portanto, distancia o estabelecimento das ciências nomológicas e da formação de “moldes” para a busca da realidade. Nota-se, portanto, a evidencia do perigo do modelo único  na ideologia sociológica weberiana. 

Daniela Nogueira Corbi - noturno
Para Weber, o primeiro pressuposto para uma investigação científica é o afastamento dos juízos de valor da análise da vida social. Expressa, portanto, uma distinção entre a busca pela objetividade e o sentido da “valoração”. Mas ele ressalta que: “Sem dúvida, é verdade que
exatamente aqueles elementos mais íntimos da ‘personalidade’, ou seja, os últimos e supremos juízos de valor, que determinam a nossa ação e conferem sentido e significado à nossa vida, são percebidos por nós como sendo objetivamente válidos”. Ou seja, nossas ações estão, mesmo que inconscientemente, guiadas por nossos juízos de valor. O saber científico, racional e objetivo, busca ver a realidade como ela realmente é, excluindo os valores do observador. É necessário enxergar o que realmente está a sua frente, ver os fatos incômodos que muitas  vezes são ignorados quando há uma observação carregada de juízos. Isso ocorre, porque o juízo de valor é particular, inerente a cada ser.

Ademais, em sua leitura, fica claro que o autor não quer propor uma “receita” para a vida social, mas sim buscar uma compressão. E essa compressão nunca será completa, já que o conhecimento da vida social é infinito e além disse é impossível impor leis fixas, já que está em constante mudança.
Graziela da Silva Rosa- Direito Noturno

Estudo da sociologia


            Em seu texto, “A ‘objetividade’ do conhecimento na ciência social e na ciência política”, Max Weber explica a forma como deve ser estudada a sociologia, de forma que esta seja a melhor forma de informar a politica sobre as estruturas sociais naquele momento histórico em determinado lugar. Garantindo assim, um governo que possa desenvolver-se atendendo às necessidades da população.
Fugindo da linha pela qual caminhava o desenvolvimento da sociologia, Weber busca ir além da ciência que estuda as regras de funcionamento (contrariando vertentes da sociologia, como por exemplo o positivismo de Augusto Comte, que entende o estudo da sociedade como uma ciência precisa, com leis gerais que regem nossas ações). Este estudo cabe às ciências da natureza e às ciências exatas. A sociologia, no entanto, deve estudar o individuo, tentando entender suas ações, através de suas motivações, suas virtudes, seus sentimentos, sua cultura etc.
Nos dias de hoje, a Antropologia (estuda do homem, analisando, por exemplo, sua cultura) complementa os estudos feitos pela sociologia, que assumem muitas vezes o sentido proposto por Weber (estudar o individuo e suas ações). Recebendo, neste aspecto, cada vez mais destaque devido ao crescente contato e mistura de culturas.

Max Weber e a crítica à generalização

A mim parece que temos uma vocação, quase inata, para generalizar tudo. Frases do tipo “ah, mas tinha que ser de tal classe”,“ sabia que isso aconteceria, afinal filho de peixe peixinho é”, “os políticos todos pertencem ao mesmo balaio”, são extremamente frequentes. Na máxima marxista da divisão da humanidade em classes, acredita-se que todo proletário, por exemplo, apresenta uma “consciência de classe”, ou seja, se reconhece em seus pares e é tido com um revolucionário em potencial, uma visão generalizada. Weber vem desconstruir essa ideia de analisar a sociedade pela classe a qual pertence, evidentemente, ele não nega que essa seja sim uma etapa do processo, entretanto não é o fim. O fim, segundo ele, é a ação social, é o indivíduo em si. Para fundamentar essa visão, Max Weber explica que toda ação social tem um sentido, que é movido por valores, que podem ser variáveis de indivíduo para indivíduo. Assim, ele critica também a ideia de Durkheim dos “fatos sociais”, fatores externos que determinam o comportamento dos homens. Tão diversa pode ser a motivação e os resultados da ação social que ela torna-se uma verdadeira incógnita para o cientista social. Assim, Weber preocupa-se em desvendar a realidade de forma crítica e elástica, sem estabelecer leis fixas (próprias das ciências nomológicas) e tipos ideais imutáveis. Além disso, reconhece que nas ciências sociais e humanas torna-se missão difícil chegar à neutralidade, separar o homem de sua subjetividade, entretanto, merece ao menos um esforço por parte do cientista, que deve colocar-se no lugar do outro.



Webber questionava a construção de valores a partir de dogmas pré-existentes, à sua visão era imprescindível que se obtivesse um conhecimento sociológico de maneira objetiva e válida universalmente.

Segundo Webber, quando se estudasse determinado assunto sociológico, necessitava-se distinguir o juízo de valor e o saber empírico no decorrer do estudo. A “ciência” social representava para ele, pois, uma derivação de um método de estudo racional com vistas a se chegar a um resultado prático e objetivo, enquanto que uma posição política ou dogmática tendia para uma concepção de deveres e ideias pré-determinadas.

Webber enxergava a simplificação e a generalização da realidade como modelo ideal a fim de se construir um pensamento a respeito de um fato real.


João Paulo Gabriel Braga de Oliveira – Direito Noturno

A Inconstância Humana Vista por Weber

        


            Weber trata em um de seus textos - A Objetividade do Conhecimento na Ciência Social e na Ciência Política - da objetividade que se faz necessária nas Ciências Políticas e Sociais. O pensamento do autor se aproxima do de Durkheim ao considerar necessário - para que se possa falar em ciência social - o afastamento entre observador e objeto. No entanto, para Weber, a aplicação dos métodos usados no estuda das ciências da natureza não deve se difundir nas ciências políticas e sociais além desse ponto.

            O autor percebeu que as ciências ligadas ao homem não conseguem sobreviver sobre afirmações dogmáticas. As ações humanas e os fatos que ocorrem social e economicamente não possuem certeza matemática. Nas ciência sociais nem sempre dois mais dois são quatro. Aliás, raramente essa conta terá o mesmo resultado, independente de qual ele for já que um dos fatores a ser considerado é o homem - ser inconstante e passional por definição. 

            Sendo assim, Weber se afasta tanto quanto possível de Comte e sua física social porque se faz crente de que qualquer "lei" retirada da análise do resultado das ações humanas, seria falha.
            Cada época, local e pessoa influencia de maneira única nos resultados das "contas" ligadas à Ciência Social. São infinitas variáveis, principalmente se considerarmos - como Weber o faz - que as decisões tomadas pelos homens são frutos de juízos de valor e não há nada mais intrínseco do que isso.
        Logo, segundo o pensamento weberiano, é impossível retirar a subjetividade da Sociologia, já que aquela é, e deve sempre ser, um dos objetos de estudo desta para que seja possível alcançar, de fato, uma verdadeira compreensão da sociedade. 


Carolina Paulino Fontenla
Direito Diurno

          


A dinâmica de Weber

Afirmando ser uma ciência da realidade, Max Weber, em sua obra, declara que a Sociologia não deve seguir as ciências nomológicas, que buscam leis básicas que regem os fenômenos. Denominando-a de Sociologia compreensiva, ela deve compreender a ação social e criticar o mundo a partir da realidade observada, sendo, assim, inviável a busca de denominadores comuns nessas ações, pois, movidos por valores e sentimentos que variam de acordo com contexto, cultura, consciência de cada indivíduo, as ações se tornam inesperadas. Assim, não é finalidade dessa matéria prescrever uma situação, nem fazer juízo de valor, não devendo estar aprisionada a estruturas sociais.
Weber também realiza uma intensa crítica contra o materialismo histórico dogmático e sua aplicação forçada. Ele acredita que utilizando esse método como instrumento de análise de explicações causais de situações históricas, prejudica a real compreensão dos atos sociais, já que há a interferência de uma ideologia, levando a um contentamento por hipóteses mais frágeis.
No que tange a ciência e política, para o sociólogo, elas devem ser devidamente separadas, para que aquela seja suficientemente rigorosa em sua análise para informar bem esta. Além disso, deve-se levar em conta que as leis que regulamentam o sistema não devem ser levadas em conta como fim de uma análise, apenas como meio, sendo utilizadas como instrumento de interpretação para situações concretas.
Percebe-se então, a contrariedade do pensador em relação a ideias fixas. Para ele, deve haver neutralidade por parte do observador para então haver a compreensão da realidade, sendo ele capaz de reconhecer outras realidades diversas e aceitando ações sociais lá realizadas, já que são movidas por sentimentos e valores formados em contextos diferentes.
            Eu queria falar, não, eu não queria, mas precisava falar...
Minha mão se ergueu num ato que até a mim espanta. Habituado à vergonha que me acompanha desde os mais verdes anos de minha vida, falar naquela sala inundada em letargia e sanha entre dois seres tão esparsos. Sim, eu precisava falar...
            Um proferia que eles, tão distantes na sala, e os distantes somos nós, filhos da classe média alta, o amedrontavam como futuros juristas, pois como os riquinhos do interior ultrapassariam seus berços esplêndidos e enxergariam o brilho dos olhos fundos de quem guarda tanta dor, quiçá a dor de todo esse mundo?
            Já no oposto, o mais devasso filho da família Eulálio Montenegro d'Assumpção tentava, num escárnio, facejar como seu escritório, erguido com o mais nobre suor de seus antepassados, cujo nome conta mais de três séculos, acudiria tudo que é nego torto, errantes, retirantes, lazarentos, os quais ouvia boatos que existiam, mas certeza, nenhuma.
            Eu precisava falar... Eu sabia, sabia sim o que falar. Mas, se errasse, falando às paredes, aos conflitos que não tinham...
            Eu precisava falar.
            E falei... Despejei ali toda minha certeza de quem acredita nessas criaturas como são, e como são edificadas.
            Balbuciei palavras que já não são novas a esse mundo, mas que desmantelou a atroz sentença de meu algoz. Bradei a mais weberiana das escritas por Sartre. Não somos só filhos dessa classe média burguesinha, mas somos nós, e um pouco nós, um pouco eles... Quem sabe, não fazemos o que queremos?

            “Não importa o que fizeram de mim, importa o que eu faço com o que fizeram de mim.” (Jean Paul Sartre)

Marcus Vinícius de Faria, Direito Noturno.




Sociedade definida ou não definida?

    O início do texto "A 'objetividade' do conhecido na ciência social e na ciência", de Max Webber, trabalha com uma certa desconstrução da ciência ao analisar o quanto a fé pessoal e o juízo de valor de cientistas se confundem no entendimento e divulgação de pesquisas empíricas. Partindo desta ideia de Webber, de que a ciência estaria contaminada com certas visões políticas e religiosas que acabam por firmar dogmas e conceitos dentro da sociedade, saltamos para a sociologia e o homem da atualidade. Na atualidade, a necessidade de se prever, definir e conhecer as variáveis de um fato estão encerrando o homem em uma lata com um rótulo. É neste ponto que Webber torna-se assustadoramente atual ao criticar as velhas e pretensas tentativas da ciência, que são frutos do dogmatismo e do materialismo histórico, de tentar definir o ser humano e sua sociedade para dar uma dimensão exata do que se estuda. Tentando finalizar assuntos tão abrangentes, e com um vasto campo, como o próprio homem e sua sociedade, para se produzir uma definição que atenda a um padrão ou a um ideal. Algo que, segundo Webber, não existe.
    A partir desta crítica, e trazendo-a para a realidade, podemos observar que a ânsia para se determinar os rumos do mundo e da sociedade não nos deixam pensar sem um certo envolvimento no objeto no qual se concentra. Exemplos práticos disso são opiniões no âmbito da geopolítica que são expressadas de forma apressada, e no final demonstram ser apenas uma aposta errada. Ou podemos esquecer que o mundo praticamente bateu palmas para a Primavera Árabe, e depois percebeu que o show não era o que muitos venderam no início?
    Tais enganos ocorrem devido ao fato de se fazerem análises nos moldes que Webber contestava. Estes moldes consistem em partir de pre-supostos e dogmas para a análise de objetos. Assim, uma situação qualquer não é vista como algo novo e possível de variáveis desconhecidas, mas sim como uma situação que pode ser encaixada em algum contexto teórico e histórico que não possui outros pontos a serem apresentados. Assim, após "enlatar" e comparar esta situação com outra, tem-se a análise das combinações de fatores com conexões anteriores. Só observando os pontos predeterminados por esta análise excludente. Devido a fatores como estes, Webber chega a conclusão de que a ação de um indivíduo ou evento não tem nada predeterminado. Sendo complicado se encontrar um ator ideal, aquele membro de uma classe ou evento que possua todas as características que confirmem uma tese ou uma previsão.
    Por isso é imprescindível ter em mente que teorias, nas quais certas teses eram pré-moldadas, não podem ser tidas como absolutas em análises da sociedade e de fenômenos pela sociedade. Assim como novos valores e direitos podem nascer e serem defendidos todos os dias, também é possível que novas teorias nasçam e refutem antigas afirmações que eram tidas como dogmas. Situação assim que facilitaria na percepção de novos horizontes no âmbito da sociologia. Com muitas opiniões deixando de ser previsões ou definições enlatadas, para serem apenas opiniões que buscam entender novos pontos e situações de certas situações.

Leonardo de Morais Oliveira Lima - Direito Noturno

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Análises e explicações weberianas a respeito da inevitável subjetividade na ciência social.

            O ser humano não possui um modus operandi. Dessa maneira, uma ciência que se pressupõe estudante dos seres humanos e suas características não pode agir de maneira dogmática no seu elaborar de ideias e montar e concluir de pesquisas.
            Essa concepção sobre como deve ser uma ciência humana, responsável por analisar os homens e seus diferentes modos de pesar, agir e, principalmente, de ser é uma das bases da teoria de Max Weber, sociólogo e filósofo alemão. Nela, Weber nos deixa muito claro a real incapacidade de a sociologia, por exemplo, ter um caráter “objetivo” – mesmo que tal característica seja buscada e desejada pelos cientistas sociais através de uma análise suportada por um “tipo ideal”, ferramenta psicológica criada por Weber para ajudar na edificação de pesquisas empíricas mais neutras – em suas buscas sociológicas.
            Diferentemente das chamadas “ciências nomológicas”, atuais ciências biológicas – caracterizadas pela elaboração de leis que regem os fenômenos da Terra de maneira dogmática e absoluta, como é o caso da biologia, física, astronomia – as “ciências sociais têm como objeto de estudo o ser humano, que é inconstante em todos os seus âmbitos.
            Uma interessante explicação de Weber no que diz respeito ao por que da dificuldade de obtenção de uma “objetividade” do conhecimento na ciência social está no conceito de “individualismo metodológico”. Para o sociólogo alemão, um coletivo é analisado segundo a observação de suas unidades, isto é, para adquirir conhecimento sobre, por exemplo, um Estado, temos que ter um conhecimento sobre o que o compõe, ou seja, seus cidadãos. O indivíduo sente, pensa, age, vê, realiza, entende, enfim, existe. Assim, ao sabermos cada uma de suas características, podemos interpretar e criar características do que seria o coletivo desses indivíduos.
            Numa análise mais profunda sobre as ações dos seres humanos, vemos e nos é explicado que essas são carregadas de certo juízo de valor, ou seja, toda ação de todos os homens é movida por valores intrínsecos e pessoais. Disso discorre uma conclusão de Weber que, numa observação de um indivíduo em específico, vemos que, em seus diversos ciclos de convivência – como no núcleo familiar, de amizade, profissional, etc. – diferentes e novas maneiras de ser são utilizadas. Exemplificando, nos é nítida a diferença, num estudo pessoal, entre nossa maneira de agir e ser num núcleo de amigos e nossa maneira de agir e ser num núcleo profissional. Weber, através de exemplos parecidos com o utilizado acima, nos mostra que o mundo subjetivo é, portanto, um domínio do juízo de valor.
            Sabendo, então, dessa presente subjetividade da sociologia – ou qualquer outra ciência humana – Weber nos cria uma ferramenta: o “tipo ideal”. Funcionando como um tipo de parâmetro,

Um conceito ideal é normalmente uma simplificação e generalização da realidade. Partindo desse modelo, é possível analisar diversos fatos reais como desvios do ideal: Tais construções (...) permitem-nos ver se, em traços particulares ou em seu caráter total, os fenômenos se aproximam de uma de nossas construções, determinar o grau de aproximação do fenômeno histórico e o tipo construído teoricamente. Sob esse aspecto, a construção é simplesmente um recurso técnico que facilita uma disposição e terminologia mais lúcidas (WEBER, citado por BARBOSA; QUINTANEIRO, 2002: 113).

facilitando, portanto, a classificação dos objetos de estudo dessa inevitavelmente subjetiva ciência humana e social.

        

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desumanização


É muito comum que ouçamos a associação entre Marx e o Socialismo chamado Socialismo Real. Tal “análise”, ou talvez, seja melhor dizer, tal discurso tenta conectar a queda dos países do Leste Europeu com as ideias supostamente retrógradas de Karl Marx. Sob essa linha de pensamento, a inutilidade, ineficiência, a irrelevância ou ainda a não aplicabilidade das ideias de Marx ficam garantidas ante a queda de sistemas de Governo que não resistiram à utilidade, eficiência, relevância e pragmatismo do Capitalismo.
Uma leitura sem preconceitos de Marx pode nos levar a questionar tal percepção de coisas. Aquele pensador lança um olhar analítico, detalhista para a experiência real dos homens, e em especial da massa de homens que geram riqueza no dia a dia das fábricas. Ao relatar fatos visíveis como o trabalho – e dissemos aqui “trabalho” e não “trabalho excessivo” - de crianças, por exemplo, consegue relacioná-los inteligentemente com a demanda da máquina, com a demanda da técnica, com a demanda criada pelo uso impensado daquele que detém o poder econômico. É possível ver através de Marx a exploração que o ser humano pode provocar em seu par, quando norteado apenas pelo desejo de produzir mais, de competir, de ganhar mais. Diante disso, fazer uma conexão entre a queda de regimes que se firmaram colocando o Estado como senhor de uma massa de trabalhadores - que o serviam como súditos- e os textos que denunciam a exploração dos homens fica, de início comprometida. Uma coisa é um Estado proclamar que se apoia no Marxismo ao tentar justificar suas políticas de governo... Outra coisa é, de fato, tais políticas serem justificadas pelo Marxismo. Qual a diferença entre um trabalhador que tem sua criatividade roubada pela meios de produção pós revolução industrial do trabalhador que exerce seu papel numa sociedade controlada por um Estado onipotente e ditador? Tanto num como no outro, a natureza humana é sufocada.
Marx precisa ser lido, primeiramente como alguém que nos desafia a reconhecer o valor do Homem em TODOS os Homens, e a partir disto como uma mola que nos provoca a pensar meios de fazer valer a Dignidade do ser Humano para TODAS as pessoas. Marx precisa ser lido como um autor que nos impele a agir contra a desumanização, inclusive aquela proporcionada por Estados que, no senso comum, foram construídos baseados no seu pensamento.

                  Tema:“A indústria e o modo de vida: entre o rural e o urbano."


Grupo: Fabio Bozolan, Gustavo Lelles de Menezes, Mauricio Lopes, Yasmim Fortes, Cesar Ribeiro, Andre Cesar S.A Costa, Fernando Rezende e Caroline Castilho. 


Direito noturno.


Diário de um Wretch*

Venho manifestar aqui, neste diário, meu horror e minha repulsa à atual situação em que me encontro. Escrevo aqui para que gerações futuras possam ler isso e garantir melhores condições de vida e para que não parem nunca de lutar pelos seus direitos. Sou um operário na indústria de tecelagem e vivi todo esse tempo de transição entre o rural e o urbano.

No começo, eu e minha família trabalhávamos no campo com boas condições de vida. Vivíamos bem com máquinas para nos auxiliar, que, naquela época, eram movidas à força motriz animal, humana ou natural, como o vento e a água. Mas, com a vinda de máquinas a vapor, tivemos que largar o nosso trabalho no campo e migrar para a zona urbana para conseguir dinheiro para viver. Essa foi a nossa pior escolha e vou-lhes dizer o porquê.

Com essa vinda das máquinas a vapor, não era mais necessária a força muscular humana, surgindo a procura de crianças e mulheres para empregos nas fábricas. Só eu e minha esposa trabalhando não conseguíamos dinheiro o suficiente para nos mantermos e foi assim que tive que vender a mão-de-obra do meu filho para complementar a renda e mesmo assim vivíamos quase na miséria. Sentia-me muito mal por isso, por estar colocando meu filho inocente nessa realidade tão cedo, me sentia um verdadeiro traficante de escravos. Por causa disso, procurei o ópio e outras drogas para tentar, numa tentativa estúpida, esquecer os meus problemas. Vi colegas meus perderem seus filhos, porque não tinham tempo para cuidar deles, para alimentá-los, para dar carinho e afeto. Alguns me diziam que davam drogas aos filhos para acalmá-los para que ficassem “bem” sozinhos em casa.

O governo, numa tentativa ridícula de melhorar as condições de vida das crianças, introduziu a escola nas fábricas, porém ou os professores não tinham qualificação nenhuma para ministrar aulas ou os alunos ficavam tanto tempo sem ter aulas que, quando voltavam, já não se lembravam de nada que tinham aprendido antes de voltar a trabalhar. Tudo isso que conto é a verdade, não invento nada, apesar de assim o parecer. Entretanto, o que mais me incomodava e me despertava o ódio era a existência de abastados ociosos. Enquanto estávamos, literalmente, nos matando de tanto trabalhar, havia outros que ficavam o dia inteiro sem fazer nada e ainda lucravam muito com a exploração de operários.

Enfim, espero que isso não se prolongue por muito tempo, porque não quero que minha família continue enfrentando esse tipo de situação. Vejo meu filho enfrentar situações dificílimas de trabalho e ainda passar fome às vezes. Peço aos céus para que meus netos e bisnetos não sofram dessa forma, porque me arrependo muito de ter largado minha vida no campo para vir morar aqui na cidade.

*Wretch: miserável, termo que fazia referência ao trabalhador agrícola.

Grupo:
Dayana Dezena
Dianety Silva
Flávia de Paula
Isadora Ribeiro
Juliane Siscari
Micaela Amorim
Paola Yumi
Suzana Satomi

Tema: O homem e o modo de vida: entre o rural e o urbano.



O homem obsoleto: um infortúnio estrutural

Com os escritos de Marx podemos observar o desmedido desvencilhar entre o homem e a máquina que veio sendo intensificado de acordo com o passar do tempo, principalmente após o advento da Revolução Industrial, inicialmente na Inglaterra e depois no resto da Europa.

O filósofo econômico deixa claro que, no introito, o homem era responsável pela produção de forma integral, ou seja, não efetuava apenas uma atividade repetitiva ou construía apenas uma peça que comporia o resto do produto, mas compunha todo o produto sabendo, no final das contas, o que havia produzido. Entretanto, com o advento das máquinas, o homem foi substituído deixando de ocupar o papel central na produção e passando a ser uma ferramenta da própria máquina, já que esta tinha uma capacidade produtiva muito superior a do homem.

Nota-se que, a partir do momento em que o homem torna-se uma ferramenta da máquina este deixa de conhecer o fruto de seu trabalho, pois ele se torna apenas uma pequena parte de um sistema da linha de produção. Desta forma, o homem perde sua identidade com o produto final, já que não se encontra o reflexo de  suas características e expressões no produto.

Há também uma crítica de Marx aos economistas burgueses que tentam demonstrar que esta análise é uma crítica as máquinas, para tanto, este explica que as máquinas não são o problema, mas o uso capitalista destas que subjugam os processos de produção à impessoalidade e mecanicidade das máquinas e retiram de seus postos diversos trabalhadores.





Tema: Divórcio entre o homem e seu instrumento de trabalho

Grupo: Lucas Oliveira Faria
Luis Eduardo Simplicio de Lima
Giuseppe Falco
Tiago Trindade
Marcus Vinicius de Faria
Tiago Fernando Carvalho 
Renan Rosolem Machado
Fabio Augusto Ribeiro Abyazar