Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Individualismo vs. Durkheim


 Durkheim, autor do texto em análise, aborda o tema do coletivismo dentro do âmbito sociológico. Segundo ele o individualismo é exprimido para que a força do conjunto comum (fato social) tome lugar. Seu método é eficaz e funciona até os dias de hoje.
  Por mais que se tente fugir, toda instituição possui seus métodos e força coerciva para que se exerça a pressão suficiente capaz de continuar ativa. Mesmo o grupo mais distante dos padrões chamados de "normais" possuí suas próprias regras de conduta, excluindo aqueles que querer se individualizar entre os membros que se intitulam "diferenciados".
  Ao abrirmos mão de certas vantagens naturais entre homens, como a força de uns e a coragem de outros, estamos caminhando em direção ao que Durkheim chama de solidariedade. Essa que segundo o autor possibilita o convívio e a socialização do homem.
  Com a evolução desse convívio, surgem as instituições, como a família, igreja, polícia, etc. Estas que no entanto, mantiveram-se devido á mutação não de seus rituais, mas sim de seu significado para o publico da época, adquirindo diferentes conotações ao longo da história. Essa capacidade dos pilares fundamentais do fato social mudarem mostra a importância que o coletivo apresenta sobre o individual mais uma vez.
   É curioso de se pensar que, ao contrario da química, por exemplo, onde um conjunto de partículas magnetizadas irá resultar num corpo certamente magnetizado, na sociologia, a individualidade de opinião e pensamento não reflete necessariamente numa sociedade de acordo com a linha de cada membro, mesmo em casos majoritários. Um exemplo atual é a reflexão sobre a homossexualidade. Diversos homens pensam de maneira conservadora e até mesmo preconceituosa a cerca da união entre homossexuais. No entanto perante a opinião publica e "midialógica" a sociedade tende a aceitar essa união, como se esse pensamento fosse tomado por uma outra entidade, uma nuvem superior ao individual, mesmo que pautada nos indivíduos em sí como base.
   A conclusão que chego é, por mais coro que o individualismo tenha ganhado e por mais propaganda de produtos supérfluos dizendo que você é único em suas atitudes, você pouco controla suas ações dentro do grupo social, mesmo nos dias de hoje. Nós somos um reflexo daquilo que o todo passa, no momento conjunto de tempo e espaço. A corrente é maior que a marca de roupa ou pensamento que você use para se diferenciar. Chorem o quanto for, mas nosso individualismo é pouco ativo, mesmo com toda a liberdade que nos foi prometida.
 

ID

Hobbes, já no século XVII, afirmava que “homo homini lupus”, ou seja, o homem é o lobo do homem e, somente por um contrato social, poderia viver em paz com os outros. Assim, antes da sociedade, não haveria uma compaixão pelo próximo.
Durkheim, em seu texto “As regras do método sociológico”, afirma também que o amor paterno e filial, por exemplo, não são inatos ao Homem, surgindo de uma necessidade social. Assim, antes da sociedade, o ser humano seria como todos os outros animais.
Do contrário, não haveria necessidade da existência de diversas instituições, como a família, a igreja e a escola, que, ao longo de nossas vidas, nos ensinam como agir em sociedade, a não causar mal ao próximo etc.
O Homem traz em si um instinto de sobrevivência inerente a todos os outros animais, renegando esse impulso devido à consciência coletiva que, não diferente dos animais, também possui uma pulsão de sobrevivência.
Dessa forma, não passamos de marionetes, pois o social, em prol de sua perpetuação, suprime os impulsos do indivíduo e manipula sua consciência, lançando mão das instituições para lhe fazer uma “lavagem cerebral”. 


A partir do momento em que nascemos, somos inseridos na sociedade e em todo o seu esquema de funcionamento. Não porque escolhemos, ou porque seja algo que pode nos fazer bem, mas porque não devemos fugir do padrão. 
Desde os primeiros anos de vida, as crianças são forçadas a comer e dormir em horários regulares, a serem obedientes, a respeitarem o próximo, a seguirem regras e a não agirem de acordo com suas vontades individuais. Por muitas vezes as crianças são repreendidas pelo seu "excesso" de sinceridade, o que deveria ser considerado algo bom, se não ferisse outras pessoas e não mexesse com a ordem "natural" da sociedade.
Conforme crescemos, assimilamos os hábitos, os costumes, a moral, enfim, toda forma de lei não escrita que influencia a convivência do "grupo", pois sabemos que se assim não o fizermos, estaremos às margens da sociedade.
É o que Émile Durkheim afirma no capítulo V de seu livro "As regras do método sociológico". Os indivíduos, para ele, devem ser "solidários", no sentido de abrir mão dos desejos individuais para um bem coletivo. É como se cada um de nós fosse uma pecinha de uma máquina. Se alguma peça falha ou resolve cumprir outra função senão a sua, ela estará condenada a ser substituida em prol do funcionamento do todo.
E Durkheim acertou mais uma vez. Não podemos ser diferentes, não podemos discordar da maioria e muito menos discordar dos "superiores" a nós. Devemos  buscar nosso quase insignificante espacinho na máquina, procurando não falhar e não fugir do caminho, e nada além disso. O que é uma pena.
                      O conjunto das densidades, nos leva ao equilíbrio dinâmico.


Para  Émile Durkheim, a sociedade é regida pelos fatos sociais que não necessariamente se encontram atreladas às necessidades imediatas, pois estes fenômenos podem surgir de um acúmulo de tensões sociais, ou como o próprio autor relata, as ''causas eficientes''. Instituições como a Igreja ou até o Estado, podem sofrer mudanças no que diz respeito às funções executadas perante e a sociedade, todavia sua imagem permanece intacta. Este é um mecanismo que as instituições sociais utilizam para se adequar e atender aos anseios da população, um meio muito comum nas sociedades atuais.

O grande ator dos fatos sociais, é a consciência coletiva; grandes fenômenos sociais como a Revolução Francesa e a Queda do Muro de Berlim, surgiram da conscientização total do grupo, que abriram mão de interesses individuais em prol de um bem maior e comum a todos os cidadãos. É claro que tudo isso depende do momento histórico em que se está inserido e, principalmente do meio social interno, de onde se originam todos os processos sociais que podem causar grande repercussão ou não.

O grande fator que influencia e modifica o meio social é o conjunto das densidades, a dinâmica e a material. A densidade dinâmica se define pela padronização de uma conduta comum a todos integrantes da sociedade, contribuindo assim para igualdade do meio social. Já a densidade material, trata das pessoas, responsáveis por cada vez mais emergirem metrópoles e aumentar o fluxo econômico, técnico e informacional do país.

Observamos então, a transferência destas características gerais para o meio social particular da vida das pessoas, alguns podem chamar de alienação, porém penso que isto pode ser chamado de equilíbrio dinâmico da sociedade, onde todos os fatos estão interconectados e todos somos responsáveis pelas transformações e mudanças que os fatos sociais nos trarão no futuro.

Vítor Augusto Momma Portioli 



Bullying, um caminho para a coerção

  Ao prestarmos um pouco de atenção na sociedade, em suas situações corriqueiras, por exemplo, percebe-se um alto nível de estratificação, não só financeira, mas também ideológica. É justamente esse acamamento social que leva a interação social que, por sua vez, forma pré-conceitos. Dependendo do número de adeptos a estes, pode-se impelir ao esquecimento composições sociais e culturais autênticas. O pensamento coletivo coerindo o comportamento individual sintetiza o pensamento durkheimiano sobre o fato social, sendo este formado de pré-conceito que não vislumbram o bem comum.
      O Bullying é uma ferramenta de manutenção da coerção social, ao passo que impõe as determinações sociais àqueles que não se encaixam ou fogem às normas comuns. As pessoas que são submetidas a está ferramenta são vistas como disformes e a sociedade tratará de remodelá-la e assim reinserira ao meio comum.
      Jovens em geral são que sofrem com essa ferramenta, muitas vezes por mais que se queira chegar ao padrão, por maior que seja o sofrimento de ser uma vítima do bullying o jovem não consegue se moldar. O jovem sob pressão coletiva acaba não se aceitando e pode acaba encontrando como única saída o suicido. Essa fuga é inerente ao fato social, apontando-o como um grande fator de sofrimento humano. Mas afinal, seria a vida humana menos importante que a manutenção dos padrões sociais?

No Caminho da Alienação

Segundo Émile Durkheim, todas as sociedades funcionam por meio de uma mesma coesão interna, cuja finalidade é o cumprimento de determinadas funções sociais. A coesão é mantida por meio de punições como uma resposta do conjunto social, pois transgressões não são toleradas. Diante de uma certa ameaça à coesão interna o grupo deve encontrar e punir aquele indivíduo que a causou. Isso é permitido dentro de uma sociedade, porque os instintos individuais são apagados com a ajuda de determinadas instituições sociais.
Tais instituições surgem não como uma vontade individual, mas como vontade do corpo social para manter o equilíbrio do sistema. Como exemplo dessas instituições: a família, a escola, o trabalho, o Direito. O simples sentimento individual de não estar inserido em algumas dessas instituições gera um sentimento de angústia no indivíduo.
Analisamos o casamento como forma de reprodução da sociedade. A grande maioria das pessoas considera-o como uma forma de garantia do equilíbrio social, na medida em que une indivíduos de sexos opostos e possibilita a perpetuação da raça humana na Terra gerando descendentes. Contudo atualmente, tem-se encontrado alguns tribunais que estão autorizando o casamento de indivíduos do mesmo sexo. Muitas pessoas acham que este tipo de casamento é inconcebível, pois não há possibilidade de gerar descendentes e, portanto, há um desequilíbrio na manutenção da sociedade.
Não há como contestar que precisamos nos sentir inseridos na sociedade, os fatos sociais existem para essa finalidade, mas estamos perdendo demais nossa individualidade, a capacidade de pensarmos em agir por si próprio está cada vez mais diminuta. Este acontecimento é muito sério e merece especial atenção, pois pode nos levar à alienação, no sentido de perturbação mental, ocasionando a perda da personalidade individual.
Matheus da Silva Mayor

A consciência coletiva definitiva

A consciência coletiva da qual Durkheim fala não é um conceito inovador. Podemos encontrar um exemplo de tal fenômeno em todas as partes do globo, entre formigas ou abelhas, em diversos níveis. Por isso, não seria estranho imaginar a presença de tal fenômeno em nossa sociedade.
 Nossa sociedade é regida por uma série de ditames, de regras e normas que ultrpassam o âmbito individual para se tornarem um fato aceito pelos diversos membros constituintes de uma comunidade, ou de várias comunidades diferentes, como vem sendo o caso cada vez mais evidente em nossa realidade. Esse progresso em direção à criação de verdades universais, que de fato sejam acatadas e seguidas por todas as comunidades humanas do globo, abre espaço para várias estipulações acerca do futuro da humanidade.
 Será possível mesmo que o ser humano perca definitivamente sua individualidade em prol de uma maior homogeneidade com relação a seu próximo? Fato é que somos condicionados desde que chegamos ao mundo a pensar de uma forma que se encaixe nos moldes criados pelo coletivo. Somos instruídos a seguir determinados cursos que são concebidos pela maioria como corretos, ou desejáveis. Somos ensinados a viver em sociedade, a nos comportarmos de modos específicos diante de diferentes situações, de pensar de forma semelhante a nossos colegas de classe. Estabelecemos conceitos prévios acerca do que nos cerca e nos atemos a eles como forma de garantirmos nossa segurança e nossa imagem social.
 Nos tornamos massa de manobra para os poucos que se deem conta de tais fatos e ascendam ao poder. Através de meios de comunicação e propagação de informações, absorvemos informações cuidadosamente elaboradas, aceitamo-las como verdades, e agimos de acordo com elas, e de acordo com a valsa orquestrada pelos poucos que detém o poder.
 No caso apresentado, vemos o que se dá quando uns poucos forjam verdades e normas, e se valem dessas para manter seu poder. Contudo, o que seria da humanidade, se essa consciência coletiva que se torna cada vez mais predominante em nossa sociedade se tornasse absoluta? Não seria essa a chave para o progresso definitivo de nossa raça? Se todo individualismo fosse abandonado, se todo homem passasse a trabalhar para o bem da comunidade, não superaríamos, consequentemente, diversos dos problemas que nos afligem?
 Sim, seria uma realidade infeliz, a morte do individualismo, da propriedade tanto física quanto mental, mas é impossível ignorar os benefícios que tal realidade poderia trazer. Tal configuração da sociedade se daria través de um sacrifício imensurável, que de forma alguma poderia vir a ocorrer se levarmos em conta a natureza do ser humano e a diversidade presente entre os homens. Contudo, as proposições de Durkhiem me levaram a esses pensamentos, a imaginar o que poderia ser da raça humana se agíssemos de forma mais coesa.

A consciência coletiva e a robotização do ser social


     Os fatos sociais, nomeados na teoria de Emile Durkheim, estão ligados ao funcionalismo das instituições que se relacionam com o indivíduo. Sendo assim, são eles os responsáveis pela manutenção da organização interna da sociedade, regendo o comportamento dos seus integrantes e a relação entre eles. Tal manutenção é tão importante que tornou-se a principal função do Direito, uma vez que ele institui as punições para qualquer ameaça à quebra do equilíbrio da sociedade.
     Entretanto, as práticas instituídas pelos fatos sociais não são fixas, elas se alteram ao longo do tempo, com o surgimento de novos fatos sociais, únicos capazes de mudarem os primeiros. Isso é facilmente observado com a questão da aceitação dos relacionamentos homoafetivos: antigamente, era uma realidade distante, uma vez que, por não poderem gerar descendentes, eram considerados uma quebra da ordem interna e assim, condenados. Hoje, no entanto, são mais aceitos, como pode ser visto nos diversos países que já legalizaram o casamento homossexual e pela mudança na reação da própria sociedade, que está cada vez mais passando a encarar tal situação com normalidade. Existe ainda muito preconceito, mas o processo é de transição para que ele diminua cada vez mais: isso está acontecendo porque um novo fato social está combatendo o antigo.
     Assim, constrói-se a concepção de Durkheim, que a sociedade não é representada pela mera soma das consciências individuais, e sim é a representação da consciência coletiva. Esta configuração da sociedade traz a ela um grande problema, que é a padronização dos seus integrantes. Sendo que o fato social tem como função reger o comportamento dos seres, todos acabam se tornando robotizados, pensando e agindo das mesmas maneiras, julgando que possuem uma consciência própria quando, na verdade, são apenas levados a aderir à uma consciência já pré-determinada e imposta pela coerção social.

As amarras da Consciência Coletiva

  Segundo Durkhein a sociedade não representa a soma das consciências individuais, e sim da consciência coletiva. Sendo esta um conjunto cultural de ideias morais e normativas, padrões observáveis de pensamento em qualquer cultura. Sendo assim, os Fatos Sociais também independem da disposição individual do ser ou da psicologia. E isso se aplica também à Instituições ou práticas sociais. Ou seja, estas não existe se não para o ordenamento e manutenção da sociedade. 
  O que nos leva a constatar que o indivíduo é impulsionado à papeis que muitas vezes não condizem com sua vontade e natureza, como forma de manter a funcionalidade do sistema. As próprias escolas nos guiam para moldes socialmente aceitos, para que cresçamos como parte do coletivo, suprimindo posturas individuais. Crescemos com a noção clara do que devemos fazer, como devemos reagir, e como devemos pensar.
  Mas não seria esse um dos maiores problemas da sociedade atual? O excesso de coletivização e padronização de pensamento nos impossibilita de criar filosofias que trariam benefício social. Está claro que o modelo de pensamento atual está nos levando a degradação da saúde do planeta e dos homens. O grande problema é que mesmo aqueles que procuram se libertar dessas amarras e confrontar, mesmo que em pequenas doses, algo de errado na sociedade é suprimido e, o que eu acho ainda pior, desencorajado por aqueles que o cercam. Pode se observar isso em qualquer fase da vida: desde a infância, quando questionamos nossos pais sobre a opinião da "tia", professora, que não concordamos, e temos como resposta não questionar os ensinamentos da mesma. Até quando adultos, quando nos deparamos com um péssimo transporte público, e recebemos conselhos de se conformar e ouvimos frases como "confrontar não vai resolver, se acostume". 

Nicole Gouveia Martins Rodrigues

A Objetividade dos Fatos


No capítulo “Regras relativas à observação dos fatos sociais”, Durkheim enfatiza sua ideia de que a reflexão é anterior à ciência, porém critica o homem que, seguindo à risca tal preceito, passa a ver o mundo a partir daquilo que usa para compreender as coisas, e não vê o que elas realmente são em si, defendendo que os conceitos não podem substituir a essência das coisas. Para Durkheim, esse comportamento não é só intrínseco ao comportamento humano como também tomou conta do desenvolvimento da ciência natural.
Para ele, primeiramente é necessário ir até a coisa e, então, a partir daí, deduzir os conceitos. Para exemplificar, Durkheim afirma que, muitas vezes, aquilo que é tido como ciência não passa de pura arte, pois o cientista não se fixa naquilo que a coisa realmente é, mas sim nos conceitos passados a ele, numa ideia abstrata. Dessa forma, alguns conceitos como o de moral ou de leis econômicas não podem ser chamadas de naturais, mas sim devem ser tratadas como ‘conselhos de sabedoria prática’. Procedendo desta maneira, o cientista poderá chegar finalmente à verdadeira identidade dos fatos, objetivando-os. “O caráter convencional de uma prática ou de uma instituição não deve jamais ser pressuposto.”

Substituição do eu



Émile Durkhein afirma que existe uma consciência coletiva a qual ultrapassa a vontade individial e muitas vezes a domina. Tal fato pode ser percebido quando pensamos no que as pessoas fazem para serem mais bem aceitas fisicamente umas pelas outras no cotidiano.
Ínumeros são os casos de jovens que fazem operações sérias, em idades não tão aconselháveis, para ficarem mais bonitos e atraentes segundo um padrão pré-estabelecido, enquanto que raros são os indivíduos os quais distoam da multidão na rua, os quais vestem roupas inovadoras, até porque pode-se dizer que os grupos alternativos(punks, emos e etc) seguem uma regra de conduta também.
Tamanha é a força da coerção social sobre o homem, que é possível fazer a seguinte indagação: Até que ponto, com o advento da tecnologia moderna, o ser humano irá para ser bem aceito?
No filme “Os Substitutos”, a população não mais vive literalmente, cada um tem uma espécie de robô moldado a seu bel prazer o qual executa as tarefas desejadas. Será que é para isso que estamos caminhando? Será que, como na referida produção cinematográfica, esconderemos nossos corpos, nossas formas verdadeiras em casa para agir em sociedade de modo artificial? 
É importante criar mecanismos de defesa contra imposições sociais, afinal,  a realidade da mesma é dinâmica e portanto, passível  de manipulação: alguém que se dispuser a burlar a coerção da sociedade o conseguirá, agora o resultado desta atitude é outra história...




domingo, 20 de maio de 2012




                           Corpo macabro

             Não são raras as vezes em que, por coerção da sociedade, agimos como em um comercial de pizza: ainda que tristes ou cansados, esboçamos um enorme sorriso para a manutenção da ordem da coletividade. Nossos anseios e medos acabam por ser inibidos e, gradativamente, nossa essência se torna algo inacessível. Tornamos-nos modelos de algo que nem de longe somos.
            Além disso, somos constantemente atacados pelos padrões universais de comportamento. “Por que você faz (ou não faz) isso?”, “já passou da hora de fazer isso!”, “não sente vergonha disso?” e outras falas repressoras são intrínsecas ao cotidiano ao longo de toda a vida.
            Esse corpo macabro e seu organismo social estabelecem tudo vigente na sociedade e, em nome da ordem e da manutenção do todo, matam, devagar, a parte mais frágil e impotente desse conjunto: a pessoa como indivíduo.


Manda quem pode, obedece quem tem juízo!

Uma das coisas que mais me chama atenção em Durkheim é quando ele defende que a realidade social ultrapassa o individuo. A primeira vista é uma ideia muito interessante, no entanto percebemos que a realidade é assustadora.

O que consigo comprender disso é que há uma ditadura social que me impõe o que eu devo ou não falar , o que eu posso ou não fazer. Todavia, por mais que queira me libertar desse padrão eu não consigo, não posso, não devo ( mesmo que esse sentimento de liberdade não seja meu). Por exemplo, o que ocorre com o ensino público no país, onde desde o os primeiros anos até a formação superior, o seus pensamentos são moldados de acordo com a lógica do Estado e , não menos importante, da Economia. A história dos livros didádicos é a história que o governo quer contar. Nessas instituições, independentemente do grau, você encontra vários tipos de adversidades e injustiças, desde a falta de merenda e transporte adequados até problemas com a formação e o salário de professores. Contudo, não pode lutar contra elas pois já existiam antes de você( ja estão enraizadas) e se insistir em confrontá-las, as retaliações podem por em risco a sua formação. Os conselhos que mais recebe é "conforme-se", "acostume-se", seus pais te dizem: Faça o que eles mandam e sem reclamar.

Então você percebe que por mais que os modelos de ensino prezem pela criticidade, esta é apenas uma falácia e que aquele âmbito é apenas uma parte do todo.É o mesmo funcionamento.Durkheim ainda acerta ,mais uma vez, quando diz que o papel da educação é formar as peças da sociedade . Completo ,ainda, dizendo que formando os consumidores dessa economia capitalista. A corrupção se alastra por toda a sociedade dando suporte as mazelas socias, tais como a fome, a violência, a segurança e saúde pública entre muitas outras. E o que você pode fazer a respeito? Reclamar, criticar e revoltar-se?
Nada disso adianta, pois nesse momento você já é uma peça moldada,um alguem alienado que certamente não vai querer mover-se, sua vida está boa desse jeito, sente pelos mais oprimidos mas não há o que fazer. Você até identifica o problema, mas isso não te diz respeito. É mais fácil acostumar-se quando se tem o que comer, o que vestir e alguma perspectiva de futuro. Isso até parece individualismo, mas não é. Isso é a sociedade impedindo que você tome atitudes, deixando-a seguir seu rumo sem intervenções, para que possa continuar oprimindo, marginalizando, roubando e matando. Isso é a tal solidariedade: contentar-se com sua vidinha, desempenhar seu papel sem revoltas. Você é uma celulazinha, se começar a tornar-se cancerígena vai logo ser eliminada em benefício do todo.

(Cap V)

Consciência coletiva


Durkheim, em “As Regras do Método Sociológico”, apresenta-nos o seu funcionalismo social, o qual é baseado na negação dos instintos individuais para contribuir com o organismo social. Essa negação continua sendo ministrada pelas instituições; estas devem moldar o indivíduo para agir conforme a sociedade necessita.
Para o autor, as práticas sociais surgem dessas necessidades e estão vinculadas com o ordenamento social. Para manter essa ordem é preciso que haja sanções, pois aqueles que não cumprem o seu papel, que não agem da maneira correta devem sofrer penalidades a fim de manter a sociedade coesa.
Coesão, este é um ponto importante para Durkheim, pois a necessidade de se manter coesa é que produz o fato social e, para que ocorra essa condição, faz-se mister a inibição dos instintos. A sociedade é, portanto, baseada nestes dois aspectos que a condicionam. Por exemplo, a divisão do trabalho ocorre para que todas as necessidades da sociedade sejam supridas. Não é uma questão capitalista, é a solidariedade, segundo Durkheim. Essa solidariedade seria o “abrir mão” das suas vontades pessoais para atender às necessidades do coletivo, um encaixe perfeito do indivíduo conforme o papel que lhe é designado a fim de manter a harmonia, seguindo a sua função. As instituições podem sofrer modificações de suas funções conforme o passar do tempo sem que se modifique sua aparência.  A Igreja, por exemplo, mantém seus dogmas há séculos, entretanto, não exerce a mesma influência social desde a Idade Média.
Distanciando- se de Comte, mais uma vez, Durkheim coloca que a explicação dos fatos sociais não está na natureza humana conforme dizia aquele, mas sim na natureza da própria sociedade. As transformações sofridas são explicadas por outro fato social, anterior a esta mudança. Portanto, a sociedade representa uma consciência coletiva, não a soma de consciências individuais; somos um todo que age segundo os mesmos princípios, moldados pelas instituições, incapazes de romper o laço que nos une aos fatos sociais.

A Favor do Todo


Segundo Durkheim, os fatos sociais não podem ser explicados apenas pelas vontades pessoais dos indivíduos, pois eles contribuem para manter o organismo social contendo seus instintos e se disponibilizando a contribuir com o todo.
Esse modo de agir dos indivíduos justifica a funcionalidade social, ou seja, as instituições representando seus determinados papéis na sociedade para nao prejudicarem o sistema, pois qualquer falha dessas instituições e dos individuos que as compõem danificaria a funcionalidade social.
Por conta disso os indivíduos, na maioria das vezes, sao coagidos pela sociedade a cumprirem papéis que nao condizem com suas opiniões particulares. Os indivíduos, mesmo sem notar, são vítimas das pressões socias e agem pela necessidade de cumprir sua função social. Qualquer iniciativa que gere desequilíbrio gera punição em forma de exclusão social.
A sociedade é como um organismo vivo, uma corrente social levada pela vontade do povo mas mantendo-se coesa. Para esse organismo social nao basta a vontade das pessoas para a realização de um fenômeno, é necessário que hajam aplicações internas para tal.
Para Durkheim, há uma força maior imposta pela sociedade que move os indivíduos. Como, por exemplo, quando incomodados com um beijo gay, a grande maioria contem-se e utiliza da tolerância, fator imposto pela própria sociedade. Esse tipo de atitude mostra uma falsa aceitação da sociedade perante determinados temas.
Durkheim afirma ainda que a solidariedade do povo em agir de tal modo a favorecer a sociedade contendo seus instintos pessoais, torna-os indivíduos à disposição para atender vontades da sociedade dando origem a uma funcionalidade muito  maior.

Giovanna Cardassi S. Yarid

O corpo social

Na perspectiva de Durkheim, devemos analisar a sociedade como um corpo, como um todo, já que nossas ações não passam de reproduções que vão além do indivíduo, o meio que nós vivemos explica o nosso funcionamento; dentro dessa perspectiva encontramos o objetivo do corpo, que é o equilíbrio, conseguido através do cumprimento de determinadas funções pelos seus componentes, assim como o pulmão tem como função principal a hematose dentro do funcionamento do corpo humano e não terá a mesma eficiência caso o pulmão seja de um fumante, revelando Durkheim como um funcionalista.
Pensando a sociedade como um corpo podemos compreender quando Durkheim afirma que nossos comportamentos são motivados por comportamentos coletivos, o indivíduo pode até querer algo, mas a funcionalidade interna do corpo não permite, por isso a sociedade se sobrepõe ao homem; assim como não podemos analisar comportamentos individuais pensando que estamos analisando o comportamento coletivo, pois existe a necessidade de coesão. Do corpo doente entende-se que internamente algo não está exercendo sua função corretamente, no caso da sociedade Durkheim afirma que as instituições estão falhas, faltam regras, os órgãos paralisaram ou mudaram suas funções, dando o nome para esse estado de anomia.
O funcionalismo seria uma filosofia que tenta explicar as instituições como meios coletivos de resolver as necessidades individuais, tornando-se também uma maneira das instituições resolverem os problemas sociais. Buscando as causas profundas entendemos a função que determinada parte exerce no todo, sendo essa a perspectiva do funcionalismo, que propõe o entendimento dos acontecimentos não pelo valor moral, e sim pelo valor social que esse fato vai acarretar. 
A solidariedade aparece nesse contexto como um lubrificante para as engrenagens do todo, pois faz os homens negarem o que realmente querem em nome de um funcionalismo, sendo orgânica pois os homens se encaixam dentro do corpo. Sem a solidariedade a sociedade entraria em colapso, pois os homens deixariam suas funções, havendo nesse momento uma crítica a sociedade cada vez mais consumista e competitiva que a coloca em risco. As sociedades modificam-se ao longo do tempo, as visões mudam, os papeis também, o que não muda é a explicação de um fenômeno social sempre em outro.

Harmonia Artificial


Durkheim defende a teoria de que o homem, como individuo, é produto da sociedade, sendo coagido, desde o seu nascimento, a cumprir seu papel na sociedade, e assim, acaba por tornar-se um ser social. A sociedade cumpre seu papel sendo a ferramenta de padronização dos indivíduos e dessa forma, faz com que o homem saia de seu estado natural e passe a se comportar como ser social.    
  
  Nesse ponto, a sociedade acaba por inibir as diferenças, o que atenta contra a individualidade das pessoas, facilitando o controle social. Essa ferramenta social acaba, em nome da coesão, segregando os diferentes, marginalizando as pessoas que não se adequam ao padrão imposto pela sociedade. E mesmo as pessoas que atingem os parâmetros impostos pela sociedade acabam transformando-se em seres artificiais, moldados para manter a “harmonia” do sistema.
  
  No entanto, é necessária que se faça uma análise ponderada do fator social, ao mesmo tempo em que a sociedade coíbe as diferenças, ela exerce um importante papel garantindo a convivência entre as pessoas. Sendo assim, são as concessões feitas pelas pessoas, abrindo mão de algumas de suas particularidades, que mantem a o funcionamento da convivência em sociedade.






    Dando continuidade a sua obra, Durkheim expõe suas "Regras Relativas à Explicação dos Fatos Sociais" distinguindo, nesse ponto, sua concepção social da contribuição de Comte.
    Durkheim afasta-se das concepções psicológicas e individuais da sociedade procurando explicar seus fenômenos dentro da própria natureza da vida social, ou seja, por meio de outro fato social. Há, nesse contexto, a percepção da "consciência coletiva".
    Percebe-se que a sociedade não é o espelho da soma das vontades individuais como afirmam alguns contratualistas, mas vítima de uma consciência coletiva diferente, na maioria dos casos, daquela particular.
    Se pararmos para observar, é exatamente a isso, ou a algo semelhante, que estamos submetidos. Cada vez mais nos notamos padronizados. Convencidos a seguir ou buscar caminhos predeterminados calando aquela opinião possivelmente diferente.
    Tendo as diferenças como o motor para a busca de uma sociedade melhor, estamos cravados no abismo das tendências e cada vez mais facilmente governáveis, ou manipuláveis. E isso é um tanto perigoso.


                                                                                                                                           Renan Silveira

Durkheim e as formigas

     Na continuação de sua obra "As Regras do método sociológico", Émile Durkheim afirma no Capítulo V, que práticas sociais não surgem do nada, mas sim da necessidade gerada. Que não basta a necessidade dos indivíduos para uma prática ocorrer, mas que existam implicações internas que gerem tais fenômenos.     Contudo, essa visão não é muito coerente, pois ignora o poder do indivíduo e de toda mudança que apenas ele pode causar em uma sociedade. Falando assim, realmente Durkheim parece mais sensato, entretanto, não vivemos mais a mercê de uma sociedade que leva os rumos que bem entende. Existem líderes, obviamente nem sempre bem capacitados e preparados, mas eles existem, e nas mãos desses líderes existe um grande poder de mudança social, econômica, cultural e etc.
     Dependendo da vontade de um indivíduo, a mudança proporcionada por ele pode ser incontável. Não foi uma implicação interna que condicionou a mudança na sociedade hindu ao fim do século XIX, mas sim a atitude de Mahatma Gandhi que inspirou e proporcionou a mudança. Esse é apenas um exemplo, mas a História mostra como indivíduos, com seus ideais e concepções, proporcionaram grandes feitos por todo o mundo. Exemplos como Martin Luther King, Nelson Mandela, Joana D'arc, exemplificam essa ideia, ideias de um indivíduo proporcionou uma mudança que pode alcançar grandes proporções e alterar o rumo da história.
     Do mesmo modo que essa mudança pode ser grande, pode ser pequena e insignificante, uma celebridade lança um novo tipo de saia,e logo grande parte das adolescentes norte-americanas estará usando. Não há importância real nisso, mas serve para exemplificar como, novamente uma atitude isolada transforma determinada parte da sociedade.
      Durkheim trata a sociedade, portanto, como se fosse um formigueiro, nada que seja individual é relevante. Movida pelo coletivo, apenas forças maiores são passíveis de causar mudanças. A sociedade, não só a contemporânea, mas a moderna, a feudal, a antiga, e todas elas, não são, nem de longe, semelhantes a formigueiros. O coletivo é importante sim, ele permite mudanças, mas a ação individual tem sua devida importância. 
                                 

A interconexão dos fatos sociais, essencial para sua explicação, tem por objetivo a coesão do organismo coletivo. O coletivo, tem assim uma necessidade inconsciente  de manter essa coesão, e exterminar as patologias sociais .A coesão , baseia-se na mentalidade coletiva, que difere da individual; já que a coletividade não é composta da soma de indivíduos , mas sim, dotada de uma força de coerção externa a eles.

Quando novas células surgem, e são, muitas vezes, opostas a consciência do coletivo; para que o corpo não fique enfermo, ele próprio as  incorpora;  seja de forma parcial ou completa . O Estado, portanto, sendo a representação do coletivo, constitucionaliza essas novas células. Então, esse organismo encontra-se em permanente mudança, se adaptando as novas situações.

Um exemplo disso é o surgimento de novas composições no núcleo familiar protegidas pelo Estado; como a união estável heterossexual ou homoafetiva; união homem- mulher pelo casamento; família monoparental ou, ate mesmo, composta pelos avos, tios  e o filho, ou outros parentes.Tal composição se dá pelo surgimentos de novos fatos sociais; como a opressão de gênero (patologia ) e, o seu combate,através da  emancipação feminina( não que seja totalmente efetiva, pois ainda existe essa opressão e violência  de gênero); a violência contra os  homossexuais e, a consequente busca pela tolerância das pluralidades sexuais.Assim todos esses artifícios são necessários para manutenção  da coesão, mesmo que na realidade, as patologias sociais ainda ocorrem e ameaçam o equilíbrio social.

Jessica Duquini  

Todos iguais


 Na sociedade atual há mais que uma força coercitiva do coletivo sobre o individuo, como propôs o filósofo Émile Durkheim. Há na verdade, uma verdadeira padronização dos indivíduos. 

          Todos devem assistir ao mesmo programa de televisão, votar no mesmo candidato, beber o mesmo refrigerante, vestir as roupas da moda e até mesmo a aparência física deve ser igual, cirurgias plásticas, lipoaspiração, aplicações de botox, etc.
          Há uma verdadeira robotização da sociedade, em que todos tem a ilusão de serem livres, quando na verdade estão sendo coagidos a viver seguindo padrões e proibidos de pensar, tornando-se como sempre, facilmente manipuláveis. 

O lado sombrio da consciência coletiva

Existe uma enorme discrepância no que diz respeito a nossa individualidade e ao coletivo. Ao mesmo tempo em que cada indivíduo possui suas peculiaridades e difere de todos os outros seres humanos, a sociedade não deixa de ser uma massa, que opera de forma conjunta e é imputável pelas transformações que ocorrem no seu meio.
Ao longo da história da humanidade, esse sentimento de coletividade, ou a visão do homem como um ser coletivo foi responsável pelos principais acontecimentos históricos, tanto para bem quanto para mal.
Talvez a pessoa que decidiu jogar a bomba nuclear em Hiroshima e Nagasaki, matando assim a milhares de pessoas, não tivesse coragem de matar um indivíduo. Percebe-se assim como a concepção do coletivo pode ser perversa e sombria, ela facilita a quem tem o poder manipular o coletivo e decidir sobre ele com frieza, pois o coletivo exclui a ideia de intimidade e faz com que o conjunto se converta apenas em uma marionete, a qual pode ser movida ao bel-prazer de quem estiver no comando. Tomar decisões no âmbito coletivo é sem dúvidas uma empreitada muito mais fácil do que decidir sobre um único indivíduo.
E essa tendência é ainda facilitada pelo fato de que em qualquer grupo ou sociedade, notam-se formas padronizadas de conduta e pensamento. Padrões éticos, morais, de urbanidade e etiqueta, de concepções políticas e intelectuais caminham de mãos dadas na sociedade. Seguimos um mesmo rumo e qualquer elemento que destoe do todo orgânico é rejeitado e visto como um corpo estranho e prejudicial para manter a ordem do conjunto.
Nesse ponto, podemos então nos perguntar quão livre somos realmente para fazer nossas próprias escolhas. A sociedade já possui seus moldes de comportamento e muito dificilmente um indivíduo conseguirá ir contra esse sistema. O capitalismo, por exemplo, faz com que todos nós sejamos escravos do dinheiro, do trabalho para poder ter um lugar ao Sol e uma vida digna (se bem que essa vida digna é  padronizada na sociedade pelo próprio capitalismo, o famoso “american way of life”). Sendo assim, a sociedade não representa a soma das consciências individuais, mas sim uma única consciência orgânica que se estabelece nas consciências e modo de vida de cada indivíduo, moldando até quando esse indivíduo pode ir com sua liberdade de escolha e seus próprios desejos pessoais. 

                Liberdade. Como você define essa palavra? Terá a mesma definição para todos os indivíduos constituintes de uma sociedade? Não é preciso ir muito longe para se conseguir a resposta. Nada, nem mesmo o mais ínfimo acontecimento, possuirá uma só explicação. Como então definir o que é melhor para a sociedade visando à melhoria da mesma? Para tanto a vontade geral acaba como o caminho a ser seguido, mesmo que esta não represente a vontade individual dos integrantes daquele grupo.
               Sabendo que a vontade individual de cada integrante não será ouvida, resta o questionamento: O que é a vontade geral? A vontade geral não beneficiará um só grupo em demasiado, e da mesma forma não prejudicará um só grupo em exagero. Ela busca uma solução neutra, visando o bem comum em detrimento do bem individual. Resta ainda, no entanto, um obstáculo a ser combatido, convencer o indivíduo a colocar a sociedade em primeiro plano.
   Para tanto, a própria sociedade desenvolveu um mecanismo de uniformização de seus integrantes. Desde o começo de sua vida, o indivíduo é bombardeado com informações e valores prontos, aos quais deve se adequar e aceitar como seu. Muitos ainda conseguem, de algum modo, “escapar” disso, mas se vêem de tal modo coagidos pela sociedade a aceitar o que lhes foi imposto que se sujeitam a “vontade geral”.
   Mantêm-se a ordem sob o cuidadoso olhar da “vontade geral” que, apesar de geral, deve ser imposta e que, apesar de geral, não reflete integralmente a opinião de nenhum individuo. A sociedade deveria valorizar as diferenças e promover a união de seus indivíduos e não a robotização e sistematização de seus componentes.

Solidariedade orgânica na legitimação do pensamento capitalista.


  Diante da objetivação e esclarecimento do funcionamento do fato social e suas derivações dever-nos-íamos enxergar como impotentes sociais, como elementos transitórios de uma forma maior, de um fatalismo coletivista.       

 Falar de fatalismo no caso de Durkheim é analisar a sociedade moderna pautada na solidariedade orgânica (entenda-se solidariedade desvinculada da concepção cristã, e pautada nos laços que mantém os homens unidos).   

 Esta visão de sociedade racional e contemporânea recebe tal denominação por clara relação biológica de elementos divergentes nas funções sociais (órgão) na construção concisa por laços de interdependência de cada um dos organismos que a compõe (sistemática corpórea como um todo).  

 Tal concepção poderia claramente servir de apoio e justificativa na firmação do pensamento capitalista de sustentação das divergências nas classes sociais. Estar determinado a cumprir certo papel na sociedade, e pelo cumprimento do mesmo mantêm-se a ordem social, legítima as desigualdades com a máscara dos individualismos.  

 Acreditar que qualquer ameaça à essa ordem "organicista" deve ser amputada, evitando-se as possíveis anomias como esfacelamento social é negar a raça humana como elemento comum e compactuar com o antagonismo do miserável ao gozador monetário.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

adaptação: auto defesa social

   Na continuação de sua obra (regras do método sociológico), Durkheim afasta-se do pensamento de Comte e cria uma concepção baseada na atividade coletiva, que apesar de representar a vontade geral, não é igual ao somatório das vontades individuais daqueles que compõe esse agrupamento.
   A maioria das sociedades existentes hoje apresentam um padrão comportamental diferente daquele que as originou. Em especial, a sociedade ocidental, marcada desde antes da existência do pensamento grego até a colonização da América, sofreu profundas modificações desde a sua origem. Aquilo que era crime hoje é direito. Aquilo que era imoral hoje não é contestado. A Igreja influenciou nesse processo. A ordem estamental da sociedade influenciou nesse processo. Mas com certeza, essa mudança que engloba a nova vontade geral não é o somatório da vontade particular, que se alia ao psicológico do ser humano.
   Essas mudanças que acontecem na sociedade são resultado de uma auto defesa. É o organismo protegendo-se contra uma doença. Aquilo que antes era visto como errado e hoje é visto como certo (exemplo: homossexualismo) passa a representar valores diferentes na vida das pessoas. Caso esse valor não seja adaptado às normas sociais, temos uma sociedade doente. Então surge o contrato social, desvinculado da vontade individual do homem, sendo um mecanismo de defesa, para que a sociedade se recomponha e seja curada. É através dessa ferramenta também que a sociedade se protege de um recém-nascido, uma célula social sem conhecimento e preconceitos, portanto patológica. Engloba essa nova célula ao seu corpo fornecendo-lhe conhecimento e necessidades que ajustam seu modo de pensar àquela sociedade. fazendo com que se adapte ao meio social sem causar danos providos de um pensamento original.

Admirável gado novo



     Engraçado como podemos notar que em todos os regimes totalitários temos algo em comum. Algo que foge de um governo forte e autoritário, algo que foge de uma característica do Estado. Esse "algo" é a padronização da população.
     Seja no governo nazista alemão, ou no Stalinista russo, é impossível deixar de notar o efeito de padronização da população. Mesmas roupas, mesmas atitudes, mesma mentalidade, mesmo líder... Mas qual o motivo dessa padronização? Muito simples, claro. Essa padronização varia da maior facilidade em que podemos controlar e influenciar um grupo homogêneo. Já reparou o quanto é fácil de se "tocar", ou dar direção, ao gado? Nenhum membro do rebanho irá se revoltar, pois este se sente confortável no meio dos outros, e segue o rumo a que é coordenado.
     Agora vamos trazer essa realidade para nosso país, o ascendente Brasil dos anos 2000. Governo democrático, liberdade de expressão, liberdade de escolha, de imprensa... Parece que vai tudo bem, certo? Entretanto, já reparou em o quanto a população vem se padronizando? Todos assistem ao mesmo programa na TV, todos falam sobre os mesmos assuntos, e o mais impressionantes: todos, ou pelo menos a esmagadora maioria, não discorda de nada que lhe é apresentado pela grande mídia. São todos tocados, por um grande peão, montado em seu cavalo de raça, que move toda a massa na direção a que bem entende.
     Mas de onde vem essa omissão? Essa resposta, também, não demora a surgir. O homem está confortável no meio dos outros! Todos parecem estar se desenvolvendo, todos parecem estar no país do futuro, o país da Copa, o país da olimpíada! Povo marcado... Povo Feliz!