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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A compreensão sociológica e o lugar da ação social

Segundo Max Weber, o objeto da sociologia envolve uma reconstrução do sentido subjetivo original da ação e o reconhecimento da parcialidade da visão do observador, baseada em um juízo de valor. Seu método principal consiste na elaboração de “tipos ideais”, isto é, elaborações conceituais do objeto examinado, que permitam comparações e a percepção de semelhanças e diferenças com os fenômenos estudados. Seu objeto de investigação é a ação social, que é todo comportamento cuja origem depende da expectativa ou reação da parte receptora da ação. Por exemplo, a ação social se manifesta quando alguém escreve uma carta, esperando que outro a leia.

Diferentemente do discurso positivista, em que a ordem social se impõe sobre o individuo como força exterior e coercitiva à ele, o individuo de Weber age levado por uma motivação, que se torna social na medida em que leva em conta outros indivíduos.

Embora insistisse na metodologia rigorosa, Weber também rejeitava a fé positiva de que a ciência social pudesse alcançar o empirismo das ciências naturais. A realidade social, criada pelos atos humanos e pelos significados que os seres humanos a eles atribuem, é complexa e imprevisível demais para ser explicada de maneira adequada, ou mesmo plenamente compreendida.

A Racionalização da Fé

Tema escolhido: Capitalismo, a racionalização da fé?

Quando analisamos a obra “A Ética Protestante e o Espirito do Capitalismo”, de Max Weber, sobretudo o segundo capítulo desta obra, “O Espírito do Capitalismo”, percebemos claramente a associação de tal sistema à religião protestante, demonstrando um processo de racionalização da fé.

Ao longo da história, pudemos perceber a pregação da Igreja Católica a favor da ideia de que as pessoas levassem uma vida simples e modesta, trabalhando apenas para suprir suas necessidades materiais básicas, sem se preocupar com a obtenção e o acúmulo de bens. Na verdade, a aquisição de lucros e riquezas sempre foi considerada uma imoralidade pelos católicos. Os juros, por exemplo, eram condenados e, até mesmo, um pecado capital, a avareza, foi instituído para expressar o descontentamento da Igreja em relação ao acúmulo de “divisas”.

No entanto, esta pregação acabava por revelar uma hipocrisia que crescia no seio de tal religião: ao mesmo tempo em que o acúmulo de bens era condenado, este era almejado pelos próprios pregadores católicos. Padres, bispos e outros se valiam de muitas práticas, até mesmo, imorais para obterem riquezas. É neste contexto que podemos entender a simonia e a venda de indulgências, por exemplo. Além da hipocrisia supramencionada, é de fundamental importância que destaquemos que os preceitos católicos eram contrários a muitas das ideias de uma nova classe que emergia no contexto das Grandes Navegações e do Renascimento: a burguesia. Diante deste quadro de crise da Igreja Católica, nasceu, então, com o Renascimento Religioso, uma nova maneira de se pensar a fé: o Protestantismo.

As igrejas protestantes acabaram com a ideia de que a riqueza e o acúmulo eram imoralidades. Elas passaram a pregar que a obtenção de bens e a poupança destes eram, na verdade, demonstrações de virtude e eficiência. Começaram a valorizar muito o trabalho e o crédito, estendendo o controle da religião a todas as instâncias da vida cotidiana. Tínhamos, portanto, como pode ser demonstrado pelos preceitos protestantes anteriormente mencionados, uma nova religião que atendia, quase plenamente, aos interesses de crescimento e de prosperidade da burguesia.

Assim, além da racionalização contábil, que dissociava os bens da empresa dos bens individuais; além da racionalização científica, que associava o capitalismo aos avanços das Ciências Exatas e Naturais; além da racionalização jurídica, que ligava os ideais capitalistas ao Direito e à Administração; e além da racionalização do homem, que buscava neste uma nova mentalidade, o capitalismo passou a contar também, graças à Reforma Protestante, com a racionalização da fé. Um novo tipo de racionalidade vinculada ao capitalismo e traduzida por preceitos protestantes.

Fonte: Disponível em < http://iveraldopereiragmail.blogspot.com/2011/05/fe-e-razao.html>. Acesso em: 15 ago. 2011.

Diante do exposto, fica fácil percebermos que a razão e a fé deixaram de seguir caminhos completamente opostos, contrariando a imagem exposta acima. O capitalismo, ao influenciar as ideias protestantes, “conseguiu a façanha” de racionalizar a religião, de racionalizar a fé, de fazê-la se desvincular um pouco dos ideais referentes somente ao “mundo sobrenatural”, voltando-a também para a sustentação dos interesses racionais e materiais da vida em sociedade.


Another Brick In The Wall


Uma linha de desenvolvimento de valores universais, a internacionalização de ideias, a interdependência comercial, o alastramento maciço de cultura e notícias, a especulação generalizada e racional de tecnologias mundiais. É este ciclo de ações cosmopolitas que chamamos de capitalismo. Muito além da exacerbação econômico-financeira e da ambição pelo lucro.

É sempre conveniente à expansão capitalista que os seus receptores se tornem parecidos uns com os outros a ponto de possibilitar que o alastramento do mercado aconteça e que os problemas humanitários se solucionem de forma a satisfazer a maior parte do globo e também a sua demanda.

Entretanto, não vivemos em um mundo padronizado, dessa maneira frequentemente nos deparamos com culturas e crenças diversas e ate mesmo opostas àquela pregada pelo capitalismo e aos tão propagados direitos humanos. A pressão capitalista nos leva a um choque cultural que não pode ser superado sem o devido distanciamento do observador e respeito mutuo, mas esse é um tipo ideal de tratamento, e de idealismo não ser sustenta a racionalidade.

A produção em série do pensamento ocidental, caucasiano e capitalista tende a sobrepor seu poder em detrimento das culturais “mal localizadas”. Países mais fechados, como os islâmicos, entre outros, não geram talvez grandes problemas para o desenvolvimento do globo, mas estão sujeitos se manter a margem do capital internacional. O uniforme esta feito, quem deseja fazer parte do time tem que vestir a camisa.

Enfim: “Somos quem podemos ser, somos o que podemos ter” disse Humberto Gessinger. Somos então severamente convidados a fazer parte dessa grande obra, libertos a alcançar todo o lucro que conseguirmos e engessados sobre os trilhos já definidos do capital. Somos mais uma peça no edifício, ele é real, e a cultura, por vezes, um empecilho complicado. Avante! A obra não vai parar!

A religião e o êxito profissional

A relação entre o capitalismo e a religião começa com o advento da Reforma protestante, que introduziu uma nova forma de conceber a economia. Inicialmente, essa nova visão não se manifestava diretamente por meio do protestantismo de Lutero ou Calvino, mas veio a se formar posteriormente. Weber mostra, pois, que a introdução do capitalismo não seguiu os motivos econômicos, mas sim religiosos; veio de algo externo à economia.

A racionalização da vida é um dos temas principais de Max Weber e o capitalismo contribuiu de forma muito significativa para sua introdução na sociedade. Esse processo teve seu inicio no contexto religioso, desenvolvido nos mosteiros e, posteriormente, herdado pelos protestantes, majoritariamente pelos puritanos. Eles concebiam sua fé alegando que o homem existe para Deus, pois por Ele foi criado, e deveriam manifestar sua glorificação nos atos do cotidiano, sobretudo no meio profissional. Alia-se isso ao fato de que o destino de cada um já estava predestinado, segundo Calvino, e a racionalização se faz.

A angústia causada pela predestinação fez com que se formulassem condições para que a eleição por Deus fosse quase uma certeza, entre elas o sucesso no trabalho. O êxito profissional garantia a salvação. Uma passagem do texto que ilustra bem essa afirmação é:

“Vês um homem diligente em seus afazeres? Ele estará acima dos reis”. (Provérbios 22; 29). O ganho de dinheiro na moderna ordem econômica é, desde que feito legalmente, o resultado e a expressão da virtude e da eficiência em certo caminho; A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo - Max Weber, pag. 21

Desta forma, os primeiros artesãos acabavam por empregar seus companheiros de templo em consonância com a expansão de seus negócios, contribuindo de forma expressiva com o desenvolvimento de um capitalismo primitivo, animados pela convicção acerca do trabalho.

Portanto, é possível afirmar que o capitalismo veio das modificações na religião, tornando-a mais racional. Essas modificações produziram diversos resultados, tanto no plano da teologia quanto no da ética e, finalmente, no da economia, desde que a maneira de conceber o trabalho influencia a economia.

Capitalismo: a racionalização da fé?

Na obra “A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, Weber investiga a origem da acumulação do capital por parte dos calvinistas. Aponta que isso ocorre devido às convicções religiosas divergentes. Enquanto que para os católicos o que é valorizado é o desapego às coisas materiais, para os calvinistas a acumulação de capital é vista como um dom atribuído por Deus e que deve ser valorizado. O trabalho duro, a prosperidade, a moderação e a autonomia são sinais da graça divina. Os filhos das famílias protestantes eram criados para atividades que visavam à obtenção de lucros, em oposição ao ensino católico, contemplativo e baseado na renúncia do ritmo de vida em que tempo é sinônimo de dinheiro. Para o protestante, o trabalho é uma vocação, cujos ganhos não são voltados para os prazeres materiais, e sim para o contínuo crescimento.

A civilização Ocidental ruma à racionalização do progresso, abrindo caminho para a ascensão e o crescimento do capitalismo. Essa racionalização econômica, segundo Weber, é liga-se à virtude e eficiência, e não à ganância, desonestidade ou desvio de caráter que marcam o capitalismo neoliberal de hoje, controlado pelo mercado financeiro especulativo. O capitalismo separa os bens da empresa dos bens do individuo, além de promover o surgimento do direito e da administração e o avanço das ciências técnicas e exatas.

Diversamente de Marx, que atribuía a ascensão do capitalismo ao determinismo econômico histórico, Weber critica essa ação determinista, pois o capitalismo resultava das condições da organização social e de uma base extremamente racional. O status e no poder não decorriam da situação econômica do individuo.

Weber e o foco no econômico

Weber analisa a sociedade capitalista nascente como fruto de um contexto permeado por processos de racionalização nos mais diversos âmbitos seja relativamente a bens materiais, a desenvolvimento científico-tecnológico, estruturas juridico-administrativas e até mesmo do homem em si, que talvez inconscientemente, absorveu certas condições de comportamento e padrões de ação conforme a conjuntura lhe demandava. É nesse cenário que se configura, sim, a racionalização da fé. A racionalização, sendo uma tomada de aspectos morais, éticos ou, como nesse caso, religiosos, atribuindo-lhe uma interpretação exclusivamente racional, era considerada por ele, essencial para o avanço do processo civilizatório. Mas será que tratando-se da fé, ela de fato representou um avanço?
Nasce, concomitante à efervescência do protestantismo em face do Catolicismo, uma ética do trabalho. Segundo Weber, os princípios protestantes ajudaram a firmar essa conduta social relativa ao econômico, pois trazia a ideia de produção de riquezas visando sua acumulação e não seu consumo, o que estava fortemente vinculado ao capitalismo moderno, que, por sua vez, tinha uma perspectiva de longo prazo relacionada à possibilidade de investimentos e da dinamização do capital. Um comportamento assim era visto com bons olhos, pois indicava a eficiência da pessoa, suas virtudes e seu comprometimento com o trabalho. A fé entra nesse cenário no papel de legitimadora, a defensora do protagonista - o capitalismo em avanço -, lutando contra o alheamento dos católicos no tocante aos empreendimentos materiais.
Essa análise tão fria desconsidera o papel principal da Reforma Protestante, ou pelo menos, a sua intenção verdadeira. Não duvido que, ainda àquela época, já houvessem capitalistas mais perspicazes que tenham apoiado a Reforma já visando de que forma poderiam dela se aproveitar futuramente para pregar o que era de seus próprios interesses. Mas de semelhante forma acredito que tem se deturpado muito, a partir dessa análise, por exemplo, o papel das religiões na História - seja a protestante, a católica ou quaisquer outras. Weber discordava de Marx quando este dizia que o fator econômico se sobrepunha aos outros, mas ele próprio se basta a discorrer sobre a religião no que concerne às suas implicações relativas justamente a aspecto. Não teríamos aí uma contradição?
Não nego que de alguma forma a Reforma possa ter funcionado como incentivo a princípios implícita ou explicitamente capitalistas. No entanto, a racionalização da fé, acabou por excluir o que nela há de mais importante, que, justamente, independe de explicações lógicas ou comprováveis.

O importante é ter mais dinheiro que Deus, a não ser que Ele venha e acabe com tudo.

No capítulo "O Espírito do Capitalismo", da obra "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Webber, é possível observar suas análises sobre o sistema de produção vigente mergulhadas nos ideais de compreensão da ação social do autor, relacionando a existência e a prática do capitalismo ao protestantismo, à ética protestante, ao uso do direito e tornando possível observar traços de embate cultural.
Para começar, para Webber, a ânsia pelo lucro não gera o capitalismo em si. Essa ânsia ocorre desde tempos mais antigos, em pilhagens e explorações com função de ganhos por exemplo. O que torna o capitalismo o que é, desde seu surgimento até os dias atuais é o caráter de o dinheiro ser como fim em si mesmo, ou seja, em mais dinheiro. Esse contexto preza por quem busca o dinheiro, a produção, e para o autor, esse comportamento seria mais difícil nas sociedades onde predominassem o catolicismo.
Por séculos, a usura foi condenada pelos católicos. Até os dias atuais a religião católica prega votos de pobreza e negação à avareza, por exemplo. Está embutida na ética católica a aversão ao excesso. Já para os protestantes, como pode ser observado nas citações de Benjamin Franklin utilizadas no texto, essa acumulação de bens é vista com bons olhos. É sinônimo de virtude, de eficiência. O crédito e a multiplicação do dinheiro são exaltados positivamente. Tais valores são os mesmos apreciados pelo capitalismo.
Diante disso, Webber conclui ter sido extremamente importante para o capitalismo a reforma protestante. Ainda que os protestantes continuem com a crença forte em Deus, acreditando Nele como mais poderoso que tudo e todos (inclusive mais importante e poderoso que o dinheiro), para eles o acúmulo é forma de demonstrar virtude e até louvor a vida e a Deus. E mesmo não tendo sido o capital o único motivo para o protestantismo, este foi extremamente importante para o desenvolvimento do capitalismo, mesmo sendo fator religioso. E o fator religião não é meramente econômico, é fator cultural. É fator que demonstra embate cultural e não uma questão econômica que seria o argumento de um marxista para o sistema. É a "superestrutura mudando a estrutura".
Outro fator citado é o Direito. O Direito pode ser visto como mola-mestra do capitalismo, pois garante a manutenção do direito de propriedade, o cumprimento de contratos e as regras para os investimentos, ou seja, regula as relações e dá garantias ao modo de produção para que ele continue a existir sem enfrentar grandes problemas para sua existência (desconsideram-se as crises do capital neste caso, que são outro assunto). É mais um caso cultural se for observado que o Direito é reflexo da sociedade onde ele é aplicado e que as sociedades com o Direito mais próximo do que deseja o capitalismo tendem a se sair melhor na prática do capitalismo e vice-versa.
Portanto, enquanto Marx se apoia no caráter econômico das mudanças e na luta de classes, Webber se apoia no embate cultural.
Concluindo, ao ler a obra de Max Webber é possível notar os ideais de análise do pensador, a relação da prática do capitalismo com um embate cultural onde está presente o Direito como uma ferramenta do modo de produção e o protestantismo como importante motor para o desenvolvimento deste em virtude de sua ética protestante de acumulação e temporariedade se opor à pregação católica de aversão ao acúmulo e de importância maior da vida após a morte.

A Ética do Trabalho e o Espírito do Cristianismo

Max Webber, em sua obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, mostra uma visão diferente da até então aceita, de Karl Marx. Este dizia que a grande inovação do capitalismo é seu caráter revolucionário, em que os meios de produção se renovam constantemente, sem que haja transformação nas relações produtivas. Webber, agora, diz que o grande diferencial do capitalismo é sua racionalização da vida, dos relacionamentos... e, até mesmo, da fé!


Max diz que a reforma protestante traz uma nova realidade, pessoas que não veem o lucro como pecado, que não acreditam que devam pagar para receber perdão e gostam de trabalhar. Pessoas que, de acordo com Webber, preferem conquistar seu sustento e conforto através de trabalho árduo.

Para o protestante, não se trata apenas de uma moral, uma ética para os negócios. A grande chave é que, para este, é uma ordem divina. Ele deve se esforçar em tudo quanto fizer, pois não é para si ou para outro igual, porém uma obra para o próprio Deus. A “ética protestante” é o caminho que se deve seguir. Aquilo que fugir disso lhe será cobrado. Para o protestante, a vida é mais do que sua simples vontade. Ela possui um objetivo maior, que transcende o homem que a vive. Todo o lucro e sucesso profissional que vierem (caso venham) são consequências de uma vida reta. Nem sempre o sucesso virá, mas independentemente disso, é um padrão a ser seguido.

Webber considera tudo isso como sendo justificativas. “A circunstância a que ele atribui seu reconhecimento da utilidade da virtude a uma revelação divina que queria encaminhá- lo na trilha da retidão, mostra que algo mais que mera ornamentação de motivos puramente egocêntricos encontra se as envolvida” (A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Webber). Ele diz que a ânsia por lucro não é característica exclusiva do capitalismo, mas pertence ao espírito do capitalismo seguir um determinado padrão de conduta a fim de alcançar tal lucro. Os protestantes seriam aqueles que seguem tal padrão de forma mais disciplinada. Se formos analisar, a reforma calvinista ocorreu na Suíça; os Estados Unidos (maior economia do mundo) surgiu como nação a partir de colonos puritanos; a Coréia do Sul, de maioria presbiteriana, é uma nova potência asiática graças à dedicação de seu povo. Quando se fala em acúmulo de capital e trabalho intensivo, estes, e outros países de maioria protestante, provam tal teoria. No entanto, nos escapa um detalhe.

“Em parte, por causa desta postura bem-pensante, todo o movimento evangélico frequentemente foi condenado pelos progressistas como reacionário, míope, irracional e até mesmo imoral. Entretanto, esse menosprezo casual é profundamente injusto, se considerarmos o movimento como um todo. Ele reflete um tipo de intolerância às avessas, às vezes um fanatismo às avessas, dirigido contra dezenas de milhões de pessoas que na realidade se envolveram cada vez mais na luta contra a pobreza e na defesa da justiça global.” (NICHOLAS D. KRISTOF, The New York Times).

Avaliar uma comunidade como avarenta, presa ao mundano e material, simplesmente por seu esforço e dedicação, é analisar de forma rasa e pouco relevante; é menosprezar o maior trabalho beneficente entre indígenas, a Missão Caiuá; é fechar os olhos para hospitais, escolas e trabalhos sociais mantidos por Igrejas reformadas. Não se trabalha apenas em causa própria. O trabalho se tornou importante em si mesmo, e isso é dito pelo próprio Webber. Não se trabalha mais para viver, mas vive-se em prol do trabalho.

Racionalização da fé? Realmente aconteceu, inevitável! As pessoas passaram a ler a Bíblia, que foi traduzida do latim, primeiramente por Lutero. A missa não precisa ser um ritual em uma língua que poucos entendem, mas um momento de reflexão. Minha fé não está mais sobre o padre, que me diz o que devo orar; nem sobre as tradições, que não se sabe de onde surgiram exatamente. Eu deposito agora toda a minha fé em Deus. Não aquele de quem eu ouço falar, mas aquele que eu mesmo conheço através das escrituras. Minha fé não é mais uma crença cega. Hoje eu posso estudar e obter conhecimento diretamente com a fonte. Racionalização, sim. De acordo com Laurentino Gomes, em sua obra 1822, nos Estados Unidos da América, colônia protestante, o analfabetismo era combatido inclusive entre os escravos; enquanto no Brasil, no mesmo período, apenas 1 em cada 10 habitantes sabia ler. Ler, estudar aprender, crescer. Verbos comuns para os reformadores.

A Confissão de Fé de Westminster é o grande marco teológico da reforma protestante. Webber em sua obra cita algumas de suas passagens, mas não ressalta sua importância. Não se trata apenas de um documento histórico, mas de uma síntese de toda a fé reformada, feita pelos homens mais instruídos da época. Nela se estabeleceu um padrão, uma visão bíblica comum a todos que diziam pertencer a linha Calvinista. A Confissão de Fé prova que a reforma não ocorreu por uma luta política com o Vaticano, ou um pensamento econômico divergente do pensamento papal. Trata-se de uma divergência teológica, interpretativa. Através dela, buscou-se libertar toda a antiga fé católica das tradições e rituais alheios às escrituras.

Agora sim, boa noite!

Max Weber, por meio da ética protestante, intenta em explicar o espírito do capitalismo. É sabido que a doutrina católica condena a usura, dessa forma, é notório que o pensamento predominante na Europa nessa época é herdeiro dessa moral cristã. Logo, embora a Reforma Protestante tenha obtido um alcance significativo, seria tão provável que em alguns anos ela fosse capaz de transformar uma mentalidade milenar?

O capitalismo não nasceu ou se beneficiou do advento do protestantismo, visto que a causa deste foi de caráter religioso. A explicação mais plausível é que o europeu começara a mudar suas concepções e, consequentemente, o capitalismo começara a se desenvolver. Weber traz um exemplo de um produtor que comprava tecidos de camponeses e vendia os produtos a intermediários, os quais os revendiam aos consumidores. Tempos mais tarde, os produtores, para aumentar os lucros, mudaram o método de comercialização: transformaram os camponeses em operários, dispensaram o serviço dos intermediários e forneciam diretamente os produtos aos fregueses conforme seus gostos e necessidades. Para tal transformação, fez-se dispensável a ética protestante como princípio explicativo.

Como fora citado anteriormente, a moral católica condena a usura, entretanto, de forma alguma se opõe ao enriquecimento proveniente do trabalho honesto e digno. Não é verdade que o católico prefere "dormir sossegado", pois uma vez que também é capitalista, irá racionalizar seus investimentos. A mentalidade do europeu passou por uma transformação durante a decadência do feudalismo e o surgimento do capitalismo comercial, quando a economia de subsistêcia deixou de ser predominante em detrimento do lucro.

É inconcebível dissociar o protestante do católico, pois segundo o próprio Weber afirma " O fabricante que se opuser por longo tempo a essas normas será inevitavelmente eliminado do cenário econômico, tanto quanto um trabalhador que não possa ou não queira se adaptar às regras, que será jogado na rua, sem emprego." O espírito do capitalismo está além da ética protestante, caso contrário eu ( católica) preferiria dormir sossegada a discutir esse assunto a essa hora da madrugada.

Adequando religião ao modo de produção

As Reformas Religiosas do Século XVI, das quais surgiram as linhas protestantes tem suas causas e êxitos pautados em interesses de burgueses (encontrar uma religião que apoiasse o acúmulo de capital, a valorização do trabalho...), nobres (queriam tomar as terras da Igreja Católica), e reais (Igreja submissa ao Estado). A análise sociológica presente em"A ética protestante e o espírito do capitalismo" de Weber nos alerta para o fato de que os homens nem sempre se movem pelos valores da classe social que fazem parte, há elementos dos mais variados que estão impregnados nos indivíduos e que os dispõe a agir de um ou de outro modo além do fator econômico,sendo este apenas uma dessas dimensões, assim como a cultura, a tradição e a religião, porém aquele que combina seus valores às conveniências do modo de produção inserido obtem maior probabilidade de glória.
Ao comparar as sociedades católicas e protestantes sob a égide do capitalismo, Weber conclui que as últimas introduzem-se melhor nessa realidade e deselvolvem-se mais; na medida em que a moral católica condena a prática da usura, afirma que somente através da fé e de boas ações se alcançará a salvação, faz apologia a pobreza, ao sofrimento"dos fracos e oprimidos é o reino dos céus", à culpa "essa é a cruz que eu carrego", nega a vida presente em nome da futura....Enquanto que a moral protestante assegura que a vocação é a providência divina, que é através do trabalho que se atinge a realização pessoal e a salvação, glorificando-se à Deus, sustentando práticas capitalistas...logo a religião agrada e se conforma de acordo com interesses políticos e sociais.



domingo, 14 de agosto de 2011

A fé desenvolvendo a economia

TEMA: CAPITALISMO – A RACIONALIZAÇÃO DA FÉ?

A Reforma religiosa introduziu uma nova forma de conceber a economia, cuja importância os próprios protestantes não perceberam imediatamente, sendo hoje o que se chama capitalismo. A análise de Weber mostra que esta introdução do capitalismo não obedeceu inicialmente a uma motivação econômica, porém religiosa, ou seja, o desenvolvimento da economia não depende necessariamente de transformações internas a ela, mas estas podem ter uma fonte externa.

É relevante observar que naqueles tempos os valores religiosos eram predominantes, sendo que eles não determinaram apenas a ética, mas também a conduta prática da vida em todos os domínios, inclusive no da economia.

Sabe-se que a crescente racionalização da vida é um dos temas centrais do pensamento sociológico de Max Weber. O capitalismo introduziu essa racionalização na vida econômica. Com efeito, as convicções religiosas são determinantes no estilo que inauguraram na economia.

Weber estabelece uma relação entre a crença religiosa protestante e a prática de um racionalismo econômico, e a partir disso vai construir o que denominou de espírito do capitalismo, através do qual busca explicar o caráter racional da economia capitalista.

No protestantismo, a relação da religião com o mundo terreno é profundamente modificada e a salvação vai ser centrada na intensidade da existência do indivíduo nesse mundo. Assim, nessa nova religião, a partir de Lutero, e na versão desenvolvida por Calvino, ela passará a encorajar um comportamento econômico particular: a profissão torna-se, perante Deus, um dever, uma vocação, uma prova de fé. Tal modo de viver difunde-se ao longo de toda a Europa e América do Norte pregando um comportamento de busca do lucro.

Em outras palavras, Weber quer explicar o processo de racionalização principalmente como um desenvolvimento de uma orientação religiosa única e particular ao mundo de Lutero e Calvino. Esse conceito na concepção do pensamento social de Max Weber, uma vez que na obra desse autor, a racionalização ocupa um lugar central, sendo, portanto, um dos conceitos mais importantes para a compreensão de sua sociologia.

Economia superando a religião

Em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Max Weber, propõe-se a relação entre essa nova vertente religiosa e a nova proposta de sistema econômico.

Com o fim da Idade Média, a moeda passou a ter sua circulação aumentada gradativamente no ocidente. A diferença consiste no modo de ver o dinheiro. Com o passar do tempo, o dinheiro, para muitos investidores, passou a ter um único fim: produzir mais riquezas. Entende-se que para o autor, assim a união citada acima foi essencial.

Antes, com o domínio do pensamento católico, os burgueses eram acusados de cometer a usura [por exemplo, ao cobrarem juros em empréstimos estariam valorando o tempo, apesar de este não pertencer a ninguém. Aqueles que emprestaram o dinheiro, contudo, argumentavam que cobrariam apenas o que poderiam ter obtido caso houvessem investido o valor emprestado]. A chamada "ética protestante" teria sua importância ao não condenar o pensamento de acúmulo, pelo contrário, este é considerado uma virtude. Trabalhar é o meio da salvação e gastar o mínimo possível para juntar cada vez mais seria uma meta.

Esse ganhar mais e mais presente por onde se fosse vai, aos poucos, parecendo não só natural como essencial, ao que o autor diz na página 21: "É uma obrigação [dever do indivíduo em relação à carreria] que se supõe que o indivíduo sinta em relação ao conteúdo de sua atividade profissional (...)". A economia moderna capitalista mostrar-se-ia " como uma ordem de coisas inalterável, na qual ele [o indivíduo] tem de viver" e, aquele que se opusesse seria "eliminado do cenário econômico".

Ao dizer que "o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto", não pude deixar de pensar em darwinismo econômico. Seriam os protestantes os mais aptos nessa história?

Começaria a pensar na supervalorização da religião em questão para a sobrevivência do capitalismo. Ao falar do tradicionalismo com o exemplo de aumentar o preço pago por tarefa realizada, na página 24, podemos ter inicialmente uma visão negativa: "o homem não deseja 'naturalmente' ganhar mais e mais dinheiro, mas viver simplesmente como foi acostumado a viver e ganhar o necessário para isso". Poderíamos pensar em qualidade de vida - se já temos o necessário para sobreviver, para quê continuar trabalhando em demasia e deixar de curtir o lazer, a família? Seria uma "teimosíssima resistência desse traço orientador do trabalho pré-capitalista. E ainda hoje encontra, e por mais atrasadas que sejam as forças de trabalho (do ponto de vista do capitalista) com que tenha de lidar".

Conversar com adeptos de diferentes religiões me fez questionar a crítica pura ao catolicismo, em especial esse medieval, elogiando apenas o protestantismo com a importância ao trabalho. Entretanto, o possível extremismo entendido pode ser positivo justamente por atrair a atenção e buscar reflexão. Porém, não podemos generalizar e entender que católicos não querem enriquecer e que todos os protestantes são os defensores do capitalismo, contribuem para o avanço deste, mas evitam gastos tanto quanto possível.

Ainda seguindo o que pensava, a aversão à obtenção do lucro fora resolvida, o que interessava ao ideal burguês, e por isso o protestantismo merece destaque na superação do pensamento condenatório, permitindo com que chegássemos ao capitalismo atual independente da religão - ou perguntamos qual igreja o dono da loja frequenta ao comprar?



imagem extraída de: http://www.hermesfernandes.com/2009_02_01_archive.html; acesso: 14/08/2011 às 23h20

Integrados? Acho que não!!!

Max Weber expõe na obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” que a criação e afirnação do Capitalismo deve-se a forma como novas religiões tratavam esse recém criado movimento econômico e lidavam com a fé e com o materialismo. Tais religiões derivavam do Protestantismo e firmavam suas teses no lucro e no bem estar social e do corpo material. Dessa forma, inicio minha crítica expondo de maneira rápida o assunto. Weber diz que a racionalização do homem alterou sua visão no âmbito religioso e por isso a melhor aceitação a acumulação do dinheiro e que aqueles, do Ocidente, que se arraigaram às questões protestantes “comiam bem” ao invés de “dormirem sossegados”.

Essas são visões puramente científicas ao meu ver, de modo que não concordo com a maioria das pregações do autor. Posso, por vez, ter minhas ideias levadas pela religião Católica, a qual fui criada, mas penso que não há exceções entre nós.

Católicos preferem a pobreza e o reino dos céus, enquanto os Protestantes preferem suas moedas e fartura terrena? Creio que não. Misturar religião e economia pra quê? São coisas extremas e que não são dependentes uma da outra. Sou católica, defendo o capitalismo e nem por isso conflituo os dois na minha vida. Não faço voto de pobreza, não me abstenho de bens materiais, mas ajudo minha comunidade da maneira que posso. Acredito naquilo que me fortalece, não misturo racionalismo com fé. Meu Deus é real pra mim e vive no meu consciente e inconsciente, independente daquilo que outros pregam e combatem. Independente, principalmente, se sigo ideais capitalistas ou comunistas.

Além disso, muitas pessoas que seguem religiões de bases protestantes, posso afirmar de maneira convicta, não pregam somente o lucro ou a acumulação de bens materiais. São pessoas religiosas, que creem fielmente naquilo que independe da razão.
Acredito que aqueles que pretendem acumular mais e mais ou procuram riqueza na frugalidade da vida são a hiprocrisia do mundo... “Sou ateu, graças a Deus”.

Talvez eu possa estar errada em algumas partes ou então ser interpretada como “quem é você pra combater Weber?”. Mas minha “ira” se baseia naquilo que pregam mediante pesquisas que não se encaixam com o objeto estudado. Religião e racionalismo são antagônicos. Posso respeitar as opiniões alheias sobre o Catolicismo ou o Protestantismo, mas generalizar seus seguidores e caracterizá-los de acordo com o sistema econômico são maneiras desprezíveis de opinar sobre o assunto.

Podemos ser a favor de qualquer sistema econômico e pregar e seguir qualquer religião... Ser Protestante não significa ser ganancioso. Da mesma forma que ser Católico não significa ser beato.

Dinheiro em detrimento da fé?


Antes de entrar na discussão de fato a respeito do capitalismo, Weber diz que é imperioso levarmos em conta a realidade histórica e social da época investigada para assim entendermos o real significado do ''espírito do capitalismo''.A descrição desse espírito é feita a partir de um documento no qual constam famosas frases capitalistas, como a máxima ''tempo é dinheiro''.Além disso é notável a presença da religião e do questionamento sobre a fé na obra de Weber, comumente relacionando-as com o sistema capitalista e suas influências e comparando-as com esse sistema.

Nessa nova era capitalista vivida pelo autor, a ética ''da moda'' era ganhar mais e mais dinheiro-o summum bonum- independentemente do modo, classe ou instituição e dessa forma o homem passa a ser um fantoche do dinheiro e possuí-lo seria sua única finalidade na vida.Nesse contexto nem a Igreja estava imune aos atos e influências capitalistas, ora cobrar enormes quantias pela salvação é prova disso, portanto é questionável o verdadeiro intuito dessa instituição: visa ao bem social ou à arrecadação para o próprio bem individual e capitalista?É óbvio que o autor não pondera tal assunto diretamente-até porque em sua época tal fato seria suicídio devido ao poder eclesiástico-, porém relaciona o capitalismo à perda de poder e fiéis por parte da Igreja e tal fato ocorre pois, na visão de Weber, as pessoas imbuídas do espírito capitalista tendem a ser indiferentes à Igreja, e isso nada mais é do que o capitalismo em detrimento da fé.

Ao longo do texto o capitalismo parece crescer e tomar forma, acarretando no final a afirmação de que o sistema não precisa mais do suporte de qualquer força, seja ela política, religiosa,...enfim, ele torna-se independente como uma criança que aprende a andar.O capitalismo passa então a querer ser o centro das atenções-como um adolescente- e quem não se adapatar ao seu modo de vida e às condições de sucesso será marginalizado, sobrepujado: ''o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto'', teríamos aí uma relação de Darwin e capitalismo, o que parece extremamente plausível-o mais apto sobrevive.

Por fim, o capitalismo mudou drasticamente a vida de toda uma sociedade, alterando hábitos familiares e de trabalho, tornando a aquisição e o lucro a satisfação social e não mais a fé.Podemos dizer que com sua ascenção o capitalismo desbancou a supremacia da Igreja - por alterar condutas e pensamentosao redor do mundo- e por conseguinte a fé também diminuiu, chegando ao ponto da indiferença com a Igreja e da submissão ao dinheiro.Ainda hoje o capitalismo reina, e apesar de sua crises cíclicas não parece estar perto de sua morte, logo ele é o adulto que governa hábitos, culturas e todo o planeta, pois praticamente inexiste quem não esteve, esteja ou vai estar sob sua grande influência.