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quinta-feira, 18 de junho de 2015


Aplicabilidade das teorias durkheimianas
     O sociólogo francês Èmile Durkheim em sua obra As Regras do Método Sociológico” expõe conceitos acerca dos fatos sociais, que são caracterizados como gerais, externos e coercitivos. Além disso, aborda não somente o significado, mas também explora mecanismos para explicar sua origem e sua função na sociedade. Dessa forma, a função assumida por ele pode ser definida por manter a própria causa da qual deriva, e ainda, está relacionada com o organismo social como um todo, e não apenas com um indivíduo.
        As causas sociais podem ser explicadas como um elemento que explica os fatos sociais a partir das funções que estes exercem no meio social. Com isso, tem-se como exemplo um crime com sua respectiva punição.       
       A partir da leitura das teorias durkheimianas tem-se que alguns elementos são permanentes, como práticas e instituições que estão enraizadas nos indivíduos compondo a sociedade. Sob esse aspecto, o caráter conservador - no que se refere à interpretação desse termo na história brasileira- embora alguns desses “costumes” possam ter mudado seus aspectos externos, seu conteúdo permanece o mesmo. Assim, o racismo ou a discriminação contra o negro decorrente dos humilhantes anos da escravidão, não pode ser visto de forma isolada, mas considerando a ideia de que um fato social está sempre atrelado a um anterior. No caso, tal preconceito mesmo que tido como oculto, ainda persiste.
                                    
http://centraldastiras.blogspot.com.br/2010/10/mafalda-preconceito-racial.html
      O ponto principal do estudo de Durkheim acerca dos fatos sociais que sempre de forma persistente ao longo da evolução humana é a coercitividade do meio sobre ele mesmo. Vivem-se sobre ditames impostos, como exemplo o casamento, que tornou-se algo implícito mesmo que contra princípios pessoais que abominem tal instituição. Cria-se um plano de vida tal qual um fluxograma, isto é, os pontos “passo a passo” para elaborar um projeto final. Como Quino retrata na seguinte tirinha:                                                                                                                                             

          Dessa forma, a aplicabilidade dos conceitos difundidos por Durkheim na atualidade é um mecanismo para interpretar determinados atos humanos, como indivíduo ou como um organismo social.


Gabriela Cabral Roque
1º ano- Direito diurno
Introdução à Sociologia


Carta aberta à Émile Durkheim

  Ah, a liberdade! Ela que me permite sair por aí, em minha cabeça. Mas é ela que me prende firme ao chão, duro e rasteiro, o qual me faz cair quase sempre. Uma queda doída, mas saudável, que fortalece, que joga “fermento” e me faz experiente. Essas quedas que deixam marcas e me fazem entender o que você me disse. Eu agora entendo a vida social, eu acho. São tantas cabeças pensantes, em tão perfeita sincronia que resulta nessa esfera de julgamentos em série: a sociedade. Mas mesmo entendendo, Émile, vou embora. Vou dar adeus a toda essa coerção social que me prende a esse limbo de não lutar contra a maré, que além de tudo, sufoca-me. Adeus a toda essa coletividade que diz ser solidária, mas aniquila todo meu “eu”, meu ego, minha história. Desde que nasci, fui sumindo pouco a pouco, de forma que quando já estava na adolescência, eu era apenas uma pessoa igual à outra andando junto à multidão. Eu era apenas um produto em série da Ford. Eu desisti de ser diferente, pois isso era como um “câncer” na família. Eu era o desequilíbrio que todos evitavam. “Isso é apenas uma fase”. “Não, não é”. Sim, foi uma fase, mas a ideia permeou em minha consciência por mais de 30 anos, e me fez, ainda que pouco, lutar contra essa sequência da vida que se auto-intitula obrigatória: de nascer, trabalhar, procriar e morrer. Aqui estou, sem filhos, pois como Brás Cubas, não transmiti a miséria da humanidade à meus filhos, não os submeti ao poder do julgamento social, porque sei que eles seriam como eu. Então cá estou velho, mas tão lúcido a ponto de saber que sou um fato social e a própria causa eficiente. Sei que sou um sintoma de um estado social que tende a fugir dessa coerção, de chegar a um ponto tão extremo para romper com ela.
  Sim, Durkheim, penso que você deve ter entendido a mensagem. A ideia está implantada em minha consciência e não tente enquadrar minha morte como algum tipo de “suicídio melancólico”, porque eu sei muito bem que eu tenho a plena autonomia para tirar minha própria vida, eu sei que me enquadro nessa classe de pessoas que não se encaixam de forma alguma. Seria cômico se não fosse tão trágico. Entretanto eu tenho plena consciência desse funcionalismo. Minha aquiescência pessoal é saber que eu tentei. Tentei de todas as formas possíveis, mas nada que realizei na vida foi concretizado verdadeiramente. As minhas inquietudes sempre se voltavam contra mim, mas eu as calava prezando a ordem que a sociedade me reivindicava. Ela reivindicava demais...e eu fui cedendo, até o ponto de me esgotar por completo, de chegar a minha própria anomia. Cheguei ao ponto de me tornar somente uma reprodução de tudo aquilo que me impuseram para ser. Até o momento em que recuperei a sanidade e assim, utilizarei dela para libertar-me.
  Então, Émile, adeus. Você foi uma amigável companhia em meus dias sombrios e solitários que mais pareciam noites sem fim. Eu agora serei apenas uma estatística em seu livro. Preso ao chão, mas de alguma forma, livre de tudo isso.


                                            O resquício de um ser social

Lara Costa Andrade – 1º ano de Direito Diurno

A individualidade já não existe mais

     Nada do que você pensa, sente, faz, imagina ou acredita é fruto de sua própria consciência. Nada é individual, único ou extraordinariamente singular. O que somos, pensamos e como agimos são apenas imposições sociais colocadas em nosso ser desde o dia em que viemos ao mundo e choramos pela primeira vez. Disso já nos alertava Émile Durkheim há tempos.
     Desde o momento em que nascemos a sociedade nos inunda de pensamentos, crenças, orientações. Logo nos primeiros momentos da vida já somos impelidos a distinguir o que o meio social definiu como certo e como errado sem que possamos questionar. Engolimos a seco, desde crianças, as regras sociais pois sempre que tentamos confrontá-las somos reprimidos pela simples frase “ é assim porque é”. As crianças são “chatas” por perguntarem os porquês das obviedades da vida aos pais e,nesse momento em que se corta a possibilidade da duvida,se mata todo e qualquer possível tipo de especificidade que o ser humano pode ter. A indagação é freada e nadamos com a maré a favor da correnteza, acomodamo-nos às regras e passamos a acreditar que alguns de nossos sentimentos são frutos de nossa própria formulação.
     Contudo, as formas que se expressam nos indivíduos nada mais são do que um conjunto de modos de conduta imposto pelas normas. Nós somos frutos do que absorvemos, do que já pré existe e não daquilo que criamos, somos um amalgama de influencias que vem de todas as direções, e nos diferenciamos apenas quanto ao que é assimilado por nós e não é pelos outros, e o que é assimilado pelos outros e não é por nós. Assim, pode se dizer que todos temos pontos comuns, somos filhos biológicos de mesmos pais e mães sociais,temos as mesmas condutas,seguimos os mesmos padrões,somos iguais até em nossas diferenças.
    Essa perda da individualidade gera uma sociedade fria e robótica. O fato social é coercitivo e não perdoa ninguém. Está em todos nós, precisa ser aceito, digerido, assimilado, reproduzido e não admite que algo ou alguém não se adeque a ele. É daí que vem o suicídio, a solução fatal para o fato social, o ato extremo da coerção dos fenômenos da sociedade: aquele que não se integra se exclui.
     E assim cada vez mais essa ideia de que a individualidade não mais existe é disseminada entre os homens, cada vez mais o seres passam a aceitar que não precisam ser únicos, cada vez mais as imposições são admiradas, cada vez mais as particularidades se tornam anomalias, cada vez mais o ser humano perde sua essência e se torna bando. Tudo o que somos é coletivo. Tudo o que pensamos é coletivo. Tudo o que fazemos é coletivo. Inclusive a ideia de que tudo é grupal e nada é individual é um pensamento coletivo.
    Será que Durkheim tinha razão? Ou será que essa ideia se irradiou, tornou-se senso comum e fez com que as pessoas deixassem de se preocupar em questionar e particularizar? Será que realmente não somos seres singulares e nossas ações não partem de nós mas sim da coerção social?

As respostas? Essas deixo para a individualidade do leitor.

Durkheim: a explicação dos fatos sociais

Vivencia-se atualmente algumas vitórias da chamada “bancada da bala” no cenário politico brasileiro. À luz da teoria de Durkheim pode-se dizer que isso é um fato social. E para compreender sua função deve-se buscar para que eles servem e que papel desempenham, e além disso sua relação com os outros fatos sociais.
Nesse contexto, cita-se a seguir a afirmação do deputado João Rodrigues (PSD-SC): "A indonésia tem 130 pessoas no corredor da morte pelo tráfico de drogas. O índice de homicídios é infinitamente menor que no Brasil. Crimes cometidos por menores são quase inexistentes. Vamos decretar pena de morte no Brasil? Inevitavelmente, é disso que falaremos no futuro"
Diante dessa exemplificação do processo que passamos, se questiona qual a motivação para que ele, assim como alguns de seus colegas políticos estejam se articulando nesse sentido. Pois bem, em entrevista, foi realizada ao diretor de cinema José Padilha a pergunta: "O que dá mais vergonha do Brasil neste momento?”, e ele respondeu: O Brasil perdeu a sensibilidade para o absurdo. A cidade do Rio de Janeiro é a barbárie.”. Ele desenvolve seu raciocínio se referindo ao assassinato de um médico à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas enquanto andava de bicicleta.
Fica evidente então que existe uma demanda da sociedade, em um caráter coletivo, que seguindo uma lógica de “causa eficiente” espera que aqueles que não estão de acordo com a conduta considerada aceitável sejam punidos de maneira exemplar, irradiando os valores e o comportamento que devem ser respeitados.
Desta maneira é constatada a validade da teoria de Durkheim em nossos dias, pois a explicação de um fato social está sempre noutro fato social, nunca em disposições individuais, psicológicas.

Jansen R. Fernandes
1° Direito Diurno
Introdução à Sociologia

Causa Eficiente e Comoção Social

               Émile Durkheim é certamente considerado o percursor do estudo profundo acerca dos efeitos da sociedade sobre os indivíduos. Em sua análise acerca do tema, o fato social é considerado o fundamento básico de compreensão e desenvolvimento; aquela regra coercitiva que condiciona os indivíduos a agirem em referência a padrões. O âmago da questão reside na informação contida na teoria de Durkheim: o fato social, acima de tudo, enlaça os indivíduos e, mais do que isso, muitas vezes até esmaga e asfixia qualquer comportamento que a ele se oponha.
                A teoria durkheimiana ainda se destaca pelo aspecto funcionalista que assume – a caracterização pela função se apresenta como um dos métodos mais eficientes para que se compreenda inteiramente o fato social e como ele rege o funcionamento da sociedade. Especificamente, a essa função, em sua teoria, Durkheim dá o nome de causa eficiente, ou seja, o elemento que explica o agir social, aquilo que explica a ligação de um fato, de um tema ou de um acontecimento ao todo, à sociedade, e não a apenas um indivíduo de forma específica.
            Tomemos como exemplo uma situação que causou comoção social no Brasil: no final do mês de maio de 2015, no Piauí, quatro adolescentes foram estupradas coletivamente, enquanto espancadas, apedrejadas e amarradas. Por fim, as adolescentes foram jogadas de um penhasco. Uma delas não resistiu e acabou falecendo. A mobilização social e coletiva ao redor do caso está sendo imensa – os detalhes do caso seguem em segredo de justiça, e a população não cessa a pressão sobre as autoridades para que sejam identificados os culpados e punidos proporcionalmente ao crime horrendo que cometeram. Essa é uma situação que se ajusta perfeitamente à teoria de Durkheim.
Observa-se um fato social, que é o crime cometido, na iminência de gerar outro fato social, uma punição. Concentrando o interesse no fato social que é a pena, que é a punição, é possível que se questione, sob a perspectiva durkheimiana: qual a causa eficiente desse fato? Pode-se pensar, em um primeiro momento, que o elemento que explica o agir social que é a penalização é o “simples castigos aos criminosos”. No entanto, o que explica a ligação desse fato ao todo é algo muito mais coletivizante: a transmissão da mensagem de que os delitos são punidos com penalidades, de forma que essa ideia se irradie pela sociedade e tranquilize a consciência coletiva, que tem, em casos como esse, reações enérgicas. 

            Com isso, pode-se perceber que o funcionalismo adotado por Émile Durkheim para enriquecer sua teoria aplicou-se perfeitamente sobre os conceitos de fato social e causa eficiente. O sociólogo buscou, por meio dessa análise finalista explicar a origem dos fenômenos sociais, a causa maior deles, aquilo que fazia com que se relacionassem a uma generalidade de pessoas, de forma a obter um entendimento geral acerca das opressões e coerções sociais, para que esse conhecimento pudesse ser aplicado, com credibilidade, de forma a modificar a o sociedade. 

Heloísa Ferreira Cintrão
1º ano - Direito Diurno

Finalidades orgânicas

Homoafetividade legalizada para desmarginalizar
Aborto descriminalizado para a saúde resgatar
Educação para capitalizar
Causa eficiente para funcionalizar

Indivíduo é digerido
Da massa é nutriente
Arrastado por ela, sua originalidade impotente
Ainda assim acredita ser expoente
Mesmo que ilusoriamente.

Atado ao equilíbrio
Em uma sociedade de mão dupla
Tradição é conservadorismo
Revolução é perigo
Mesma moeda, dois lados
Para a escolha do indivíduo
Se ficar o bicho harmoniza
Se correr o bicho “anomializa”?

Quanto a certezas, uma única: o vácuo do pensamento original.
Durkheim abre crateras nas estradas sinuosas
Em que a coerção é obstáculo essencial
Presos aos buracos somos sugados pelo fato social
Sua onipresença nos faz, coadjuvantes na esfera vivida
Nossa percepção de tal condição é, infelizmente, desvalida.

Homofobia para preservar
Criminalizar o aborto para moralizar
Reduzir a maioridade para punir
Valorar para valorizar
Causa eficiente para funcionalizar

Ana Flávia Toller - 1º ano Direito (diurno) - Introdução à sociologia - Aula 07

O crime e sua função nos tempos modernos

      Em sua obra As regras relativas a explicação do fato social, Durkheim afirma que a função de um fato social pode ser explicada a partir da relação que o mesmo mantém com algum fim social. É possível concluir, dessa forma, que o exemplo punitivo do crime deveria direcionar a conduta humana a sempre obedecer as leis. Contudo, hoje, vemos que essa funcionalidade da penalização está cada vez mais fraca, pois ao invés de reduzir a criminalidade, há um aumento dela e do índice de reincidência, que no Brasil pode chegar até 70%.

       O que há de errado com a sociedade moderna? Como reduzir, então, a criminalidade? Tais questões podem nos reportar às mudanças que o desenvolvimento econômico acarretou e se realmente somos mais ''evoluídos'' que as sociedades primitivas... Isso porque em tais sociedades, as punições aos seus transgressores priorizavam muito mais a reintegração social do que hoje em dia, fazendo uma ''justiça restaurativa''. Nas sociedades modernas, o crime e suas sanções servem para mais para impor o medo aos outros indivíduos. Logo, vivemos um ciclo vicioso em que os marginalizados, que muitas vezes tem que recorrer a meios ilícitos (como o crime e o tráfico) para conseguir sobreviver, estão constantemente desrespeitando a ordem e sendo punidos.

        É necessário rever, portanto, se as medidas punitivas adotadas ainda são efetivas para a questão da criminalidade. Pois mesmo com prisão perpétua e pena de morte, exemplos extremos de punição, o problema do crime persiste na sociedade, e só a funcionalidade da punição e do medo não são suficientes para desencorajar os indivíduos. Acredito, sendo assim, que  a funcionalidade do crime já não se encaixa em nossa sociedade moderna, e é cada vez mais preciso tomar medidas sociais que visam solucionar as causas do crime do que só punir aqueles que o praticam.

Isabela Gonçalves Alcântara
1º ano- Direito Diurno
               Um dia quase arruinado por um fato social.

 “Comissão especial aprova redução da maioridade penal em crimes hediondos”. Quarta-feira começa com essa notícia. Que café da manhã mais triste foi o meu, o site de notícias da câmara me dá um banho de água fria e realidade. De onde surgiu a ideia da necessidade da redução da maioridade penal?
    Com esse questionamento em mãos, vou tomar o ônibus...é inevitável olhar em volta e pensar nos jovens que me rodeavam, será que eles realmente merecem ser punidos como adultos? Infelizmente a voz social se sobrepõe a minha e responde: SIM. E essa resposta me incomoda: fico impressionado como o discurso da maioria ou senso comum pode ser forte, arrebatando a tudo e a todos. Eis aqui um belíssimo exemplo de fato social.
           Contudo, fato social ou não, eu me nego a aceitar tranquilamente essa imposição do senso comum. O que esse senso parece não perceber é que a sua justificativa para tal ato é totalmente infundada, só fazendo sentido na coletividade. Se acredita que reduzindo a maioridade se terá uma sociedade menos criminalizada, já que os jovens infratores serão retirados desta para depois serem ressocializados. O que não se percebe é que colocando jovens infratores na cadeia comum, estas crianças estarão em contato direto com o crime organizado e, portanto, sua iniciação neste se torna muito mais facilitada que em uma casa de correção para menores infratores.
“Depois de dez anos à frente da Fundação Casa, convivendo diariamente com adolescentes [infratores] e estudando cada vez mais o assunto, o que eu posso frisar é que a redução [da maioridade] não vai levar à diminuição da prática de atos infracionais por adolescentes. O consenso de que reduzir a maioridade vai reduzir a criminalidade não é verdadeiro” Afirmação esta feita por Berenice Maria Gianella, presidente da Fundação Casa de São Paulo, em uma entrevista.
            É difícil escapar da consciência coletiva já imposta, o próprio caso que perturba tanto me quarta-feira demonstra isso. O arrebanhamento da sociedade se torna cada vez mais destacado quando se tenta a ir contra ele e talvez, pensando em uma perspectiva mais hegeliana, desse embate de fatos sociais seja sintetizado outro fato social e dessa forma caminha a sociedade, permeada por fatos sociais em combate que a renovam constantemente.
Finalmente, minha quarta-feira não foi tão péssima assim,quem diria que um pouco de reflexão dentro de um ônibus poderia salvar o dia?!

Tiago de Oliveira Macedo- 1º ano Direito diurno- Aula 6

Causa Familiar

     Algo comum entre as famílias brasileiras é reunir seus membros para almoçarem juntos no domingo. Entretanto, isto não é unânime, ou seja, não são todos que se reúnem regularmente com os parentes. Desta forma, há uma divergência no modo em que os indivíduos encaram suas relações familiares estabelecendo a pluralidade de vínculos entre parentes, contudo permanece constante o papel exercido pela família na formação do indivíduo.
    Segundo o filósofo francês Émile Durkheim, a família é um dos pilares responsáveis pelo equilíbrio da ordem social sendo uma célula de reprodução do tecido social. Por conseguinte, o núcleo familiar é responsável pela transformação do indivíduo em sujeito social de modo que este passa a estar apto a se adequar aos fatos sociais integrando a sociedade.
     Logo, a família ultrapassa a concepção de laços consanguíneos e adquire perspectivas sociológicas de forma a influenciar diretamente a comunidade. À vista disso, Durkheim suprimi a ideia  da essencialidade de analisar apenas a finalidade de determinado assunto, no caso em questão: a família. 
     O intelectual defende a percepção da causa eficiente para a investigação do objeto de estudo, isto é, procurar pela explicação que remete o estudioso à ideia geral evitando-se a limitação de se estudar apenas determinados aspectos. Assim, o exame da família iria além do que analisar qual a sua finalidade na sociedade em que está inserida.
     Em suma, o exemplo da família demonstra como esta atua sobre a formação do indivíduo e sobre o papel que este deve desempenhar em sociedade. Todavia, o filósofo Durkheim defende que o estudo desta e de outros objetos pertinentes à Sociologia deve ir além dos finalismos de modo a explorar outras dimensões também necessárias a análise dos fatos sociais.

Camila Migotto Dourado
1º ano Direito - Diurno

Pedidos de Natal

Maria era uma garota comum. Ela tinha uma família unida e apesar de pequenos desentendimentos, todos possuíam uma convivência agradável. Ela terminou seus estudos e tinha um bom emprego, seu salário era suficiente para se sustentar, ter uma vida boa e confortável.
Maria porém, assim como a maioria das pessoas, não estava satisfeita com sua vida. Ela queria sempre mais, cada vez que conseguia algo novo ela queria mais e mais, suas realizações nunca eram suficientes para ela e ela não se achava boa nem capaz o bastante. Ela queria ganhar mais dinheiro, comprar um carro, arrumar um namorado, viajar, emagrecer, entre outras coisas.
Um belo dia Maria decidiu que realizaria todos os seus desejos de uma vez por todas, e foi assim que ela teve uma brilhante ideia: já que Maria havia sido uma boa menina e o fim do ano se aproximava, ela decidiu fazer uma lista para o Papai Noel com todos os seus pedidos.



Ao analisarmos a história de Maria com um olhar Durkheimiano, é possível notar que sua ideia não poderia se concretizar, não seria possível que seus desejos fossem realizados dessa maneira, num piscar de olhos.
Isso ocorre devido ao fato de Durkheim afirmar que para que os indivíduos realizem seus desejos, não basta que eles simplesmente queiram, é necessário uma causa eficiente. Mas o que exatamente seria essa causa eficiente? Para Durkheim, causa eficiente é tudo aquilo que projeta, que delineia, que explica e remete o funcionamento geral da sociedade, é aquela ordem de eficiência para o conjunto social. Sendo assim, as práticas sociais não surgem do nada, mas sim das necessidades, portanto, não basta que o indivíduo queira, é necessário que haja implicações internas para o condicionamento dos fenômenos.

Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino
Introdução à sociologia - Aula 07


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Padrão de Conduta

     David Émile Durkheim  foi um importante sociólogo, filósofo e psicólogo social francês. Ele formula a teoria do Fato Social.
    O fato social se caracteriza pela coerção social, generalidade e exterioridade, ou seja, o indivíduo é levado pelo meio social em que está inserido a seguir certos padrões de conduta para se encaixar nesse meio. A coerção pode ser tanto jurídica, como moral, cultural, religiosa entre outras. A cantora Pitty em sua canção Admirável Chip Novo, fala justamente sobre essas regras impostas pela sociedade.


"Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluido em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste, viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Não, senhor, sim, senhor
Não, senhor, sim, senhor"

     Essa música nos mostra como somos influenciados pela sociedades,que nos dita regras , e nos faz repensar até onde vai nossa individualidade.

Juliane P. Motinho
1º ano 
Direito - noturno 

Em função da sociedade


    Escritor de “As regras do método sociológico”, o professor francês Émile Durkheim acreditava que a sociologia não deveria ser associada à ideologia e sim à ciência.
    O fato social, que nada mais é que toda maneira de agir suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coeção exterior, deveria ser estudado como “coisa”para Durkeim. Este também acreditava ser necessário entender o fato social em razão da coerção que exerce sobre as pessoas. Nesse sentido, vale notar que a prevalência da sociedade é o fator mais importante  nos pensamentos de Durkheim. Daí vêm as chamadas regras sociais: costumes impostos ou através do direito ou simplesmente devido `a impossibilidade de fugir a eles. E é o mecanismo da coerção que impede a fuga à tais regras.
   Em sentido amplo, o uso de vestimentas em público, por exemplo, é uma regra social. Um outro exemplo, é a emissão de uma opinião por um governante que vai de encontro aos valores de seu partido político. Tal pensamente seria rapidamente reprimido para se conservar a ordem do coletico.
   Além disso, para Durkheim, as formas de comportamento, mesmo que expressas por cada pessoa, nada mais são que hábitos forjados na dimensão do coletivo.  Os pensamentos que parecem ter caráter comum devido à soma das percepções da população, na verdade são apenas fruto de uma coerção social que os guia dessa maneira. Um exemplo disso são as opiniões geradas pelo senso comum.
Sofia de Almeida Antunes
ano Direito noturno

Durkheim e a Educação

Pais escalam escola para passar cola a filhos. 
Fonte: AP Photo/Press Trust of India.

Em março deste ano, na cidade de Hajipur, Índia, pais foram flagrados passando cola para filhos durante o exame final nacional do ensino secundário. Pelas fotos que circularam pelo noticiário internacional, nota-se que os parentes não mediram esforços nem riscos na tentativa de garantir a aprovação dos estudantes; o episódio se repetiu em várias cidades do país. Boa nota dá a esperança de o aprovado continuar seus estudos e, quem sabe, melhorar sua condição de vida. A trapaça evidencia como o ensino atual, independentemente do país, se distanciou do modelo de escola vislumbrado pelo sociólogo francês Émile Durkheim, que reuniu seus pensamentos sobre a função do ensino na obra Educação e sociologia, de 1922. 

Para Durkheim, a vida em sociedade prospera desde que seus indivíduos pensem no coletivo. O indivíduo socializado permite a manutenção do conjunto coeso. A socialização ocorre a partir da família; mas é na escola que a criança é capturada pelos mecanismos que transmitem os fundamentos do viver coletivamente e que permitem, assim, a formação da base para que ela viva em sociedade. A inserção de cada uma ao grupo reforça a homogeneidade da sociedade e garante sua perenidade. A família é o primeiro e inevitável estágio da socialização. A escola, para Durkheim, é a “sistematização da socialização” para a posterior inserção do indivíduo disciplinado ao conjunto. Cidadão educado de acordo com valores e instrução necessários para que tenha sua função no coletivo, sob pena de ser e de se sentir excluído do grupo. 

A educação é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais (...). A educação consiste em uma socialização metódica da jovem geração.” (Educação e sociologia, p. 51). 

Na concepção de Durkheim, o homem se realiza na vida coletiva e, para isso, além de pensar no grupo, ele deve respeitar regras impostas pela sociedade para controlar seus instintos. Há, nessa visão, mecanismos de integração, que promovem a solidariedade entre os homens, e mecanismos de regulação, que mantêm a ordem entre eles. A escola tem duplo papel: disciplina e integra a criança à sociedade. A rotina escolar embute na criança a regularidade e o respeito às normas para o imprescindível equilíbrio individual; como recompensa, o indivíduo terá os meios para buscar a realização na coletividade. 

O fato ocorrido na Índia reforça a percepção geral de que não transmitimos mais às novas gerações os princípios que mantêm a integração social. Para os pais e estudantes indianos, a trapaça da cola se justifica pela possibilidade de ascensão social decorrente de mais anos de estudo no currículo. O que não deixa de ser verdade em uma sociedade que valoriza, sobremaneira, o espírito individualista ao invés do coletivo. Nessa arena de competições, o indivíduo se sobrepõe às normas. Apesar das deficiências do ensino, podemos vislumbrar algum progresso quanto à instrução formal dos adolescentes aprovados. Mas não podemos nos enganar quanto à impossibilidade de disciplina e de integração desses jovens à sociedade via sistema educacional. Os valores da sociedade para o convívio funcional e harmônico entre os indivíduos se converteram em busca por benefícios próprios. A realização dos homens se transfere da vida coletiva para a ilusão individualista. 

Referências: 

DURKHEIM, E. Educação e sociologia. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975. 

Vídeo sobre Émile Durkheim da UNIVESP TV. Estudo da doutora em Filosofia Raquel Weiss: o menor município do Brasil, Águas de São Pedro, como “laboratório” para observação das relações sociais. Participação do sociólogo Gabriel Cohn, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 



Funcionalismo - Durkheim

Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia e também um dos responsáveis por torna-lá matéria acadêmica como a ciência social. Estudioso publicou obras de relevância social, religião, crimes, educação e até suicídio.
Podemos destacar deste grande sociólogo estudo a respeito do funcionalismo, a qual trata a sociedade como algo funcional e interligado,  procurando atribuir a cada instituição da sociedade uma tarefa, ou seja, uma função desta forma,  cabe a cada um cumprir aquilo que lhe foi designado para que caminhe progressivamente.
Este modelo de sociedade pode ser considerado semelhante a um organismo vivo, pois cada órgão, organela, tecido e seus afins têm a sua função na vitalidade do organismo, mas devemos destacar que existem aqueles que desempenham funções mais importantes que  outros, ao passo que, sem este poderia não haver a necessidade daquele, por isso este conceito de comparação é muito criticado.
Em uma análise mais profunda, percebe-se que a sociedade é algo tão complexo que não se pode resumir em apenas funcionalidades entre seus componentes, pois o elemento principal que é o ser humano é o mais complexo e incompreensível ser que existe desta forma o estudo da convivência em coletividade e seu modo de funcionar vai além de meras engrenagens interligadas para que nos toleremos entre si.



                    Lemuel Dias - Noturno 1 ano

O fato social e o pensamento sociológico de Durkheim

Durkheim foi um importante filósofo social francês conhecido principalmente por sua teoria sobre fatos sociais. Para ele, fatos sociais devem ser analisados como coisa. Segundo Durkheim, o fato social está intimamente relacionado às motivações que levam o indivíduo a tomar atitudes dentro da sociedade, sendo portanto um fenômeno resultante da vida comum.
O Homem, para se comportar diante do grupo, precisa agir de acordo com as normas sociais adotadas pelo grupo em que está inserido. Estamos presos a pensamentos, ações e hábitos exteriores à nossa individualidade devido à coerção estabelecida pela sociedade. Os problemas individuais podem ser explicados se levarmos em conta os reflexos da coletividade no indivíduo.
As instituições sociais estabelecem um conjunto de regras padronizadas socialmente, buscando manter a ordem. Considerando isso, é possível afirmar que Durkheim foi um sociólogo conservador.

Juliana Novaes - Direito Noturno

Durkheim e o fato social

          Émile Durkheim foi um filósofo, psicólogo social e sociólogo. Nasceu em 1858, na França. Sua principal forma de estudo era a observação e a análise dos fatos sociais como coisas. Dessa forma a conclusão de seus estudos estaria menos cheias de ideologias pessoais, que poderiam comprometer o exame científico dos fenômenos sociais. Por querer tratar os fatos sociais como “coisa”, foi dado a Durkheim uma característica errônea de preconceituoso.
          Dessa forma, Durkheim, define fato social sendo todo aquele que independe do indivíduo e tem como conclusão o agir da sociedade, de acordo com suas regras. A coerção que os fatos sociais exercem sobre os indivíduos é uma característica intrínseca desses.

          A moral é um fato social presente em todas as sociedades, mesmos nas mais inusitadas como dentro de um presídio. Este é um local onde estupradores e certos tipos de assassinos têm que ficar em celas separadas dos “presos comuns”, caso contrário, sofrerão as consequências que são ditadas e executadas pelos próprios presos. Além disso, os presos novatos têm que respeitar a hierarquia e as regras gerais impostas pelos líderes daquele presídio ou daquele bloco do presídio. A coercitividade da moral nos presídios toma uma dimensão física, isso por que eles agem de forma violenta. Essa é uma diferença da execução da moral nessa sociedade e das outras. 
Desirrè Corine Pinto
1º ano Direito Noturno

Durkheim e o Fato Social



      Durkheim toma como base do estudo da sociologia os fatos sociais. Mas o que são os fatos sociais? Primeiramente, pode-se analisar pela própria expressão que não se trata de algo individual, portanto o fato social consiste em fatores externos ao ser, ou seja, seu modo de pensar, agir em sociedade. Para Durkheim, o fato social deve ser considerado como "coisa" e deve estar de acordo com as regras sociais, que são comuns a todos. Além do que, os fatos sociais são primordiais e essenciais para o estudo da sociologia, sendo estudados para facilitar seu próprio estudo e compreensão.
      Em sua obra “As Regras do Método Sociológico”, ele explica: 
          "Um fato social se reconhece pelo poder de coerção externa que exerce ou é capaz de exercer sobre os indivíduos; e a presença desse poder se reconhece, por sua vez, seja pela existência de alguma sanção determinada, seja pela resistência que o fato opõe a toda tentativa individual de fazer-lhe violência. Contudo, pode-se defini-lo também pela difusão que apresenta no interior do grupo, contanto que, conforme as observações precedentes, tenha-se o cuidado de acrescentar como segunda e essencial característica que ele existe independentemente das formas individuais que assume ao difundir-se."

Julia Helena Tury Blumer
1o ano Direito Noturno

O Fato na Realidade

Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia, discorreu sobre a composição da sociedade como uma organização de instituições que desempenham funções específicas e assim proporcionam o equilíbrio. Nesse sentido, os indivíduos estão condicionados a agir quase que mecanicamente para garantir tal estabilidade.
No dia 12 de junho de 2015 veio à tona um assassinato realizado no município de Leme, SP, que exemplifica esse funcionalismo, o marido revoltado com uma suposta traição, uma suposta deserção da função, executou a esposa. Aos olhos de Durkheim, uma coerção externa, um fato social, provocou o crime, uma vez que durante a formação do caráter humano pode ter ocorrido um "bombardeamento", através da mídia, da tradição e do convívio, de tal intolerância ao adultério. Assim, não sendo um sentimento natural e sim um regramento do modo de agir para algumas sociedade.
Ademais, tratando-se do mesmo caso, é possível que uma parcela da população ficasse espantada caso o crime não fosse consumado. Do mesmo modo que ocorreu a coerção imperceptível sobre o marido, outros fenômenos são impostos e determinados por fatos sociais, como andar com roupas, ir à escola e respeitar a hierarquia familiar. Esses, em suas respectivas sociedades, se são enfrentados provocam sempre uma resistência seguida por uma reação.
Victor Lugan- 1ºano de Direito- Noturno

                              Ditadura Social

“E é meio engraçado como você acha que fez uma escolha que te exclui da indústria da moda, quando, na verdade, você está usando um suéter que foi selecionado para você pelas pessoas nesta sala entre uma pilha de coisas.” 
(O Diabo Veste Prada)

   Segundo Durkheim, fato social “é todo aquele que independe do indivíduo e tem como substrato o agir do homem, de acordo com as regras sociais.” Assim, o homem é instruído a reproduzir um modelo coletivo de comportamento através de regras sociais coercitivas e que, caso sejam desobedecidas, trazem-lhe sanções dentro de seu meio social. Exemplo disso é a indústria da moda, que dita padrões coletivos e exclui a possibilidade de individualidade entre aqueles que desejam ser aceitos dentro da sociedade.
   Diariamente, padrões de estética, roupas e modos adequados de comportamento são criados, forçando homens e mulheres a aceitá-los caso queiram receber uma aprovação dentro de seus grupos sociais. Exemplo disso é colocado no filme “O Diabo Veste Prada”, em que a personagem principal transforma sua aparência e seus hábitos para se adequar ao meio e acaba perdendo sua essência, o que a transforma em apenas mais um produto da ditadura social. Esta, além do mundo ocidental, mostra-se presente em diversas culturas, como a muçulmana, por exemplo, em que as mulheres vestem-se de modo padronizado para demonstrar respeito à religião praticada e pela imposição que lhes é acarretada de acordo com as leis de cada país.
   Há, contudo, aqueles que se arriscam e decidem viver de maneira autêntica e livre de imposições. Estes, rapidamente, transformam-se em párias. Caso esse o da universitária Geisy Arruda, estudante universitária que ocasionou um furor dentro do estabelecimento de ensino ao utilizar roupas consideradas inapropriadas, sendo hostilizada e,futuramente, expulsa da própria universidade.Com isso demonstra-se a força do fato social,que estabelece medidas punitivas em prol de restabelecer a norma.  
  O fato social está, portanto, presente na sociedade de uma maneira tão enraizada que é improvável que se lhe escape. O caso da moda e de outros padrões comportamentais são exemplos nítidos desse fato, ao reproduzirem um modelo que visa à sincronia das ações levando ao “estado da alma coletiva”, citado por Durheim. Isso, porém, demonstra ser algo perigoso, pois dentro dessa ditadura não se admite diferenças, o que leva facilmente ao ódio e a exclusão social.

Análise do fato social em Durkheim e fenomenologia


       Com o intuito de categorizar e explicar aquilo que viria a ser o "fato social",o sociólogo Émile Durkheim traz,com uma perspectiva diferente da então preponderante física social comtiana,o que viria a ser a sociologia e qual é o seu intuito como conhecimento.
       Ao contrário de uma sistemática rígida e análise superficial precipitada dos acontecimentos,Durkheim é o primeiro sociólogo que sugere uma explicação tão prática quanto a de Comte,mas que não confie tanto no primeiro olhar,buscando aprofundamento e levando em conta a carga axiológica transmitida por aquele que examina,sendo essas cargas oriundas de três fontes:A cristalização das normas de conduta próprias de cada sociedade,as pré-noções com base em precedentes e associação lógica.Para Durkheim,a dinâmica social é responsável por cristalizar tais normas de conduta,sugerindo que aos membros de um grupo social não cabe intervir na dinâmica normativa,apenas aceitá-la.Aos que a transgridem,a pena.
       A preocupação com as pré-noções trazidas pelo precedente e por outros conhecimentos atrapalhando a análise científica dos fenômenos é defendida por uma corrente epistemológica que se desenvolveu no início do séc XX :a fenomenologia.Para a fenomenologia,as concepções prévias e análises dos acontecimentos com base em comparações históricas,psicológicas e matemáticas eram exercício de enganação,sendo a análise do fenômeno a única maneira de atingir a ciência verdadeira.
        Denunciando os excessos axiológicos em Comte,Durkheim expicita em sua obra que a Sociologia não pretende transformar o mundo,mas informar sobre ele.E para informar adequadamente,deve ser verdadeira.


Diego Franco Veloso
1ºAno -Noturno

Durkheim (texto 1)

Durkheim surge como sociólogo dando destaque, assim como Comte, á sociedade, que é para ele peça-chave de sua análise; porém, este difere daquele, pois busca entender o que esta sociedade faz para se manter e não apenas determinar sua dinâmica.  O pensador se aprofundou tanto em sua interpretação, que muitos afirmam ser ele o pai da sociologia como ciência - salvo as controvérsias diante desta afirmativa, é seguro afirmar que Durkheim deu uma nova forma ao pensar sociologia e ao se analisar sociedade.
O sociólogo inicia fazendo uma separação clara de que elementos se tratavam a sociologia  e quais elementos poderiam ser estudados por outras ciências como a biologia e a psicologia – nem todas as atividades corriqueiras sejam elas em pensamentos, sentimentos ou ações poderiam ser considerados objetos de estudo da sociologia, pois se assim fosse, a própria sociologia não poderia ser um estudo, uma ciência, pois não existiria acontecimento humano que não fosse social e assim se daria uma confusão entre esta ciência e as outras citadas.
Tendo posto isso, Durkheim classificou aquilo que poderia ser chamado de Fato Social – ações e representações presentes no âmbito da sociologia; em seguida, ele caracterizou o Fato Social com suas duas principais características – existir independentemente da consciência individual (o indivíduo não é obrigado a agir conforme os fatos sociais, como falar o idioma do seu país, mas caso não o faça, sua vivencia seria praticamente impossível) e possuir um caráter coercitivo imperativo (toda ação fora da normalidade é passível de algum tipo de pena). Alguns exemplos de fatos sociais são as regras jurídicas e morais, os dogmas religiosos, os sistemas financeiros, e até mesmo a vestimenta de determinada pessoa em determinado ambiente e época (moda).
As características do fato social proposto por Durkheim merecem destaque, pois revelam uma das constatações mais polemicas e importantes do autor. Ao afirmar que nossas ações sociais são todas caracterizadas como fatos sociais e todo fato social é guiado por uma força externa coercitiva maior, ele mostra que todas as ações em sociedade não são de total espontaneidade. Ou seja, uma pessoa nunca age conforme totalmente quer, mas sim, guiada por costumes e dogmas já impostos e incrustrados em seu ser, desde que nasceu (isso de certa forma tira a individualidade e por tal foi criticado fortemente pelos individualistas extremos). Além disso, Durkheim propõe que todo fato social que não siga o padrão terá uma punição, seja ela jurídica, seja ela apenas moral, mas nenhuma ação “diferente” é poupada.
Dito isso, pode-se afirmar que Durkheim esquematizou a sociologia dando forma concreta a seu objeto de estudo e, mais, deixou explícita a forma como as pessoas são coagidas a participar de um sistema onipresente, que vive sozinho e trabalha fortemente regulando tudo que os indivíduos são (tudo que pensam, sentem, agem – tudo aquilo do que gostam, tudo aquilo do que sabem), e que esta atento á qualquer deslize, julgando e condenando de diferentes e graduadas formas. 

Stephanie Bortolaso
Direito Noturno

A parte pelo todo; o todo pela parte

“O todo sem a parte não é todo
A parte sem o todo não é parte
Mas se a parte o faz todo, sendo parte
Não se diga, que é parte, sendo todo”
Com esta estrofe, Gregório de Matos expressou uma ideia confusa e magnífica, cuja essência podemos associar brevemente a uma das teorias defendidas por Émile Durkheim, importante sociólogo francês, considerado por alguns como o pai da sociologia.
Um de seus ideais aponta que a sociedade prevalece sobre o indivíduo e que cada um deles é arrastado pelos demais, de modo que a vida em comum determina a sincronia das ações de todos. Desse modo, o comportamento humano, ainda que expressado individualmente, traduz os hábitos construídos na dimensão do coletivo.
O poema de Matos, analisado juntamente com esta teoria de Durkheim, nos permite refletir sobre a seguinte questão: um único ser, em sua individualidade, faz parte de algo maior que é a sociedade e esta, por conseguinte, se constitui a partir do conjunto desses indivíduos. Além disso, partindo dessa premissa, veremos que a coletividade sem o sujeito deixa de se definir como tal; o sujeito, por sua vez, fora do convívio social, também perde a necessidade de se definir de tal forma.
Após esta análise de Durkheim sob a perspectiva do poema de Gregório, chegaremos à conclusão de que a sociedade – todo – e o indivíduo – parte –, separadamente, ou seja, um sem o outro, perdem a razão de ser.

Gabriela Melo Araujo
1º Ano - Direito Noturno
Introdução à Sociologia

O Fato Social Durkheimiano na contemporaneidade.

Émile Durkheim, nascido na França em 1858, foi um importante sociólogo e pensador. Criador de várias correntes teóricas, Durkheim foi pioneiro na busca de regras para o método sociológico, garantindo assim, para a sociologia, uma posição de conhecimento científico. Em sua obra “As regras do método sociológico”, o autor apresenta a teoria do “Fato Social” que, segundo ele, “consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude do qual se lhe impõem.”
Definido como o objeto da sociologia, o fato social consiste em modos de pensar, agir e sentir que realizam uma força coercitiva sobre os indivíduos, fazendo com que os mesmos se adaptem aos preceitos da sociedade em que vivem. Portanto, para Durkheim, as ações de cada indivíduo são influenciadas pelo meio social em que ele está inserido, levando o fato social a caracterizar-se como um ditador da maneira de pensar e agir em sociedade, conduzindo o indivíduo a moldar-se, mesmo inconscientemente, de acordo com os padrões estabelecidos pela sociedade.     
       Como exemplo, pode-se citar a padronização estabelecida pelo “mundo da moda”, que conduz o corpo social como um todo a vestir e consumir produtos de acordo com o que é ditado pelas grandes corporações influentes neste âmbito, sem contar a grande influência exercida pela mídia em tal questão. Em sua obra “As regras do método sociológico, Durkheim diz o seguinte: “Se não me submeto às convenções mundanas; se, ao me vestir, não levo em consideração os usos seguidos em meu país e na minha classe, o riso que provoco, o afastamento em que os outros me conservam, produzem, embora de maneira mais atenuada, os mesmos efeitos que uma pena propriamente dita”.
Portanto, nota-se a relevância que o pensamento durkheimiano apresenta na construção de uma consciência coletiva no mundo contemporâneo. Apesar de suas ideias e teorias terem sido formuladas no século passado, é perceptível a atualidade da obra de Durkheim e a sua relação com a resolução de diversas problemáticas presentes na sociedade atual.
                                                        

                                        Luís Felipe Oliveira Haddad

                                       1º ano - Direito Noturno

Coerção Social


É possível identificar na tirinha do cartunista Quino, fazendo referência aos dizeres de Durkheim, o comportamento coletivo quando há um indivíduo possuidor de algo que o difere dos demais, ou seja, parte-se do pressuposto de que a sociedade apenas se mantém coesa quando, de alguma forma, compartilham sentimentos e crenças comuns. Para tanto, o grupo (e a consciência do grupo) exerce pressão (coerção) sobre o indivíduo, sendo assim, as consciências individuais são formadas pela sociedade por meio da coerção, tanto é que na iconografia verifica-se na fala do personagem que ele não queria a divulgação de seu desgosto musical, pois provavelmente sabia que sofreria pressão por parte de seus colegas, e seria colocado separadamente da turma por não se enquadrar, neste caso, na preferência musical coletiva.

Juliete Araujo Zambianco
1° ano Direito – Noturno
Introdução à Sociologia – Aula 06

Grilhões

"O homem nasce livre mas em toda parte encontra-se a ferros". Com esta frase, Jean-Jacques Rousseau abre sua obra "Do Contrato Social", no qual trata sobre o abandono da liberdade individual de cada cidadão em virtude da inserção no meio social e, consequentemente, da obtenção da liberdade civil. De fato, o homem nasce livre mas encontra-se, na coletividade, preso aos ferros de uma liberdade condicionada a valores, preceitos e normas que lhe são impostas através das instituições sociais. Os atos de um indivíduo inserido em uma determinada sociedade refletem muito desta mesma sociedade, justamente porque estes atos são o reflexo das imposições e influências que este indivíduo sofre, como a cultura, os costumes e o próprio Direito, e também refletem nesta sociedade, uma vez que o homem é um zoon politikòn, um animal político, e cada ação tomada terá, de alguma forma, uma implicação no todo que é o corpo social.
Podemos chamar, portanto, de fato social, todo aquele que independe do indivíduo, ou seja, que não seja um ato isolado e "espontâneo", mas que obedeça ao apontamento supracitado: que seja um reflexo das características da sociedade no qual está inserido e que reflita, de alguma forma, nesta mesma sociedade.
Desta forma, podemos destacar aqui um fato social patológico e recorrente que jamais envelhece ou torna-se dispensável um discurso sobre ele: o meio-ambiente. Os hábitos globais globalização de utilizar produtos descartáveis e não seu descarte indevido (fato social) foram adquiridos com a revolução industrial e a globalização (origem) e são reflexo de uma sociedade inconsequente e egoísta que já está gerando grandes impactos na natureza e comprometendo nossa estadia terrena (implicações no meio social). Muitos atos tomados por indivíduos em seu cotidiano podem exemplificar, além do mau uso dos bens de consumo, estas características da geração contemporânea, como a chamada "doença do século", a depressão, o que seria um bom tema para uma abordagem futura.
O estudo sociológico dos atos tomados individualmente que refletem a e na sociedade é de extrema importância para garantirmos que haja um futuro que seja agradável a nossos olhos. Os antigos gregos preconizavam: nosce te ipsum ("conhece-te a ti mesmo"): é preciso conhecer para poder transformar. Daí, a necessidade de um método científico que entenda, explique e proponha soluções para manter unidos os grilhões que nos acorrentam uns aos outros e que mantêm a estrutura social na qual estamos inseridos.

Hiago A. Cordioli
1° ano Direito - Período Noturno

Émile Durkheim e o fato social

    Posterior a Comte,Émile Durkheim foi um sociólogo que se preocupou com a aceitação da sociologia em meio as outras ciências.Para isso,apresentou um novo método para se compreender a sociedade,método esse que propunha analisar ações humanas na sociedade como coisas,da mesma forma que um físico analisa um fenômeno,por exemplo,o explicando sem que suas crenças interfiram na elaboração da tese.Para Durkheim,o positivismo utilizava valores,o que não poderia ser usado em uma ciência.
    “Em suma, COMTE tomou como sendo o desenvolvimento histórico a própria noção que tinha a este respeito” - Émile Durkheim em As Regas do Método Sociológico

     Uma das maiores inovações de Durkheim é a ideia de fato social,para Durkheim a maioria das atitudes humanas independe do indivíduo,sendo este forçado a agir de acordo com as regras sociais para se adequar a sociedade.A ideia que parece pode nos parecer bastante incômoda,quebrando a ideia de liberdade e individualidade,pode ser facilmente notada quando confrontamos as normas sociais já estabelecidas,sejam elas estabelecidas por leis,como o Direito,sejam elas estabelecidas pelos costumes,ao confrontarmos uma norma,a qual pode ser simples,como se vestir com um traje inapropriado a um evento,por exemplo,sofremos sanções para que voltemos a nos agir conforme a sociedade espera.Essa força coercitiva sempre existiu,bastou-se desafia-la para que ela se tornasse explícita.
      Ao se tomar consciência as forças coercitivas que pautam as ações do indivíduo,o fato social,percebemos que a maior parte das ações de uma pessoa são formadas exclusivamente pela sociedade a qual está inserida,sendo a liberdade de escolha muito mais limitada do que se imagina.