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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Einstein na torre de marfim

   Albert Einstein, certa vez, em carta a um amigo cientista, disse: “Todo nosso progresso tecnológico é como um machado nas mãos de um demente”.Tal carta, com os mesmo dizeres, certamente, poderia ser enviada à cientista Sonia, aquela lá que mora no castelo feudal de Saint Michel, sabe? Pois é, se Einstein a tivesse conhecido nos corredores do castelo, provavelmente, teriam muitas experiências e conhecimentos para compartilhar.
    Porque aquilo condizia muito com o motivo que a fez mudar para aquela ilha. Na qual estava em recesso semipermanente, pois, em um certo momento, cansou de ver todo o seu trabalho e pesquisa serem convertidos em material de guerra. Enquanto sua expectativa era transformar o seu trabalho em uma aplicação na área médica e contribuir, assim, para a cura de muitos enfermos.
   Diante disso, Einstein compreenderia essa angústia acrescentando que havia passado por algo semelhante. Uma vez que, em certa época, esteve envolvido nos estudos da energia nuclear, nos quais desenvolveu o que tinha plena certeza: a enorme quantidade de energia liberada da fissão nuclear de núcleos atômicos. Ao contrário de Sonia, esse renomado cientista tinha uma certa consciência de que tal conhecimento poderia ser utilizado para fins militares. Visto que, tais estudos foram bancados pelo Ministério da defesa americano, o qual estava empenhado no Projeto Manhattan. Só que o inesperado ocorreu: a utilização de bombas atômicas no fim da Segunda Guerra Mundial.
  Isso, além de ir de encontro com seu caráter pacifista, promoveu, em si, um sentimento de culpa profunda. Partindo disso, adotou uma medida mais ativa do que um retiro intelectual, enviou uma carta ao presidente Franklin Roosevelt alertando que os ataques nucleares representariam o fim da humanidade e, também, procurou estimular outras pessoas a fazerem o mesmo. Ademais, segundo sua visão, os esforços mais consideráveis deveriam ser empregados no sentido de que a herança dos cientistas se torne, para a humanidade, não uma catástrofe, mas uma oportunidade.

  Assim, tomada por essas e outras coincidências, Sonia, que, certa vez, ficou comovida ao tomar contato com as consequências da destruição em Hiroshima, convidaria Einstein para passar uns dias com ela na torre de marfim. Pois, apesar do isolamento, ela demonstrava um contentamento demasiado em compartilhar seus conhecimentos com outrem. Ao caminhar pela ilha, então, refletiriam juntos sobre a visão mecanicista de Descartes e como o pensamento ecológico seria mais benéfico para a sociedade como um todo. Também poderia conhecer mais afundo a teoria da relatividade. E, sobretudo, buscariam uma forma para que uma posição moral nunca sucumbisse diante dos progressos técnicos. De forma que outros cientistas não viessem a passar pelo mesmo que eles.


Yasmin Commar Curia
Primeiro ano do Direito- noturno

Um sopro de vida

Um poeta tem o poder do mundo na melancolia de suas palavras. Flexibilidade – o traçar de seus pensamentos o dá. É livre: livre de concepções perpétuas, livre de imposições ideológicas; livre, principalmente, para pôr em exercício a melhor maneira de escapar da realidade. E o poeta foge. O poeta foge, pois a ele é dada a liberdade de romantizar toda e qualquer expressão e, assim, depreende a carência de perspectiva no mundo.
Não obstante, existe quem, corajosamente, dedica-se ao setor público. Aquele que vê a vida como uma coletiva de imprensa sempre à espera de sua opinião. Teria o político a máscara pública e nada mais? O verdadeiro homem é a fachada, ou por trás do calculista há um inocente? Há quem diga que, na tentativa de atingir uma mudança efetiva, acaba por renegar seus princípios morais, inserindo-se no sistema. Mas o político... O político discorda! É sua essência, diz: nenhum santo sustenta-se só. Um sistema fundado em pessoas em que o necessário é garantir o acordo sobre determinadas ações; se derem certo, a ventura prevalece. Justifica que, do quadro geral, a sociedade só possui fragmentos – deve-se extrair uma realização dos pontos cruciais, protelando o restante. Tal simplicidade rege a esfera política: o que funciona é bom. E ponto final.
Somando-se ao campo da escrita e da administração governamental, aparece o campo das ciências. Neste caso, a especialista possui uma relevância particular. Vejam o porquê: a cientista, ensinada a produzir o conhecimento puro e seguir o ideal da pura verdade, não questiona os princípios éticos, os valores morais – mecanismo de sucesso, visto que o não questionamento de seu trabalho e a percepção social de deixar o destino nas mãos de quem, aparentemente, detém tamanho poder é de consentimento geral. Porém, esta cientista confronta tais fundamentos, estando – inclusive – em uma espécie de recesso, fazendo moradia em sua torre de marfim. A problemática do mundo é uma crise de percepção: para seu desespero, os sistemas atuais só encorajam o intervencionismo. Prevenção! A resposta está na prevenção! Qual mal cegou a todos diante desta solução?
Um poeta, um político, uma cientista. Cada qual com uma análise distinta, moldada de acordo com a experiência de anos e anos transcorridos, na procura da mais simples aspiração do ser humano: um mundo melhor. Por onde começar? Pensamento ecológico, afirma a cientista. Sendo o universo feito de harmonias, de relações e conexões, é preciso compreender o quadro geral.
Perplexo está Descartes, em algum lugar na dimensão espaço-tempo. Ora, esqueceste tu quem primordialmente incorporou a visão do mundo, da natureza, como um relógio? Desmonta. Reduz a várias peças simples e de fácil entendimento. Analisa. Decifra o todo. E então, uma especialista das ciências irrompe a ideia de que o método é limitado? Errado? Nocivo? O político faz-se advogado do filósofo em um primeiro momento. Quem dirá às pessoas o que é melhor para elas? Tu? Mas o pensamento ecológico se sustenta na mente criadora. O homem seguiu o pensamento de Bacon e torturou a natureza! A realidade carece de uma compreensão mais firme. A essência da vida é a auto-organização e a autotranscedência; um sistema vivo se mantém, se renova e se transcende sozinho.  
A cientista propõe uma nova percepção para a humanidade. O político reflete como colocar as ideias no plano da realidade. O poeta questiona qual o lugar das pessoas reais, com seus desejos, suas qualidades e fraquezas.
Os cientistas dizem quais as metáforas para a vida. Os políticos dizem de que forma deve-se viver. Os poetas sabem que a vida sente a si mesma.
Isabelle Elias Franco de Almeida
1˚ ano - Direito (noturno)
Introdução a Sociologia

Necessário para solucionar, prioritário para evoluir

O Filme “Ponto de Mutação”, dirigido por Fritjof Capra, tem como foco principal a argumentação de um candidato à presidência dos Estados Unidos, um dramaturgo e uma cientista acerca da percepção de mundo que o homem possui, proporcionando um questionamento sobre a interferência que uma ação provoca em relação ao meio ou a outrem.
Nesse sentido, a cientista, Sônia, expõe suas ideias buscando refutar o método cartesiano, mecanicista, desenvolvido por Descartes, no qual as ações humanas são analisadas minuciosamente e fragmentadas, sem uma interligação. Dessa forma, Sonia utiliza sua experiência no ramo da Física e discorre sobre a necessidade de analisar o objeto de estudo como um todo e considerar que tudo aquilo que o homem faz desencadeia uma consequência na sociedade.
Como exemplo básico existe a questão da subsistência encontradas em países não desenvolvidos. Tal situação ocorre não apenas por uma questão de incapacidade do Estado em fornecer os recursos básicos para o desenvolvimento, visão possivelmente suscitada na concepção mecanicista, mas analisando o problema como um todo é possível indicar a presença de dívidas externas com países ricos, capazes de impedir o investimento na infraestrutura.  
Assim, a fragmentação dos fenômenos, incentivada por Descartes, expõe a consequência dos problemas, impossibilitando a extinção deles. Portanto, deve-se buscar uma solução analisando as verdadeiras causas, fato que só será possível através de uma análise do corpo total que compõe a problemática.
                                Victor Lugan R. Chen - 1º ano de Direito- Noturno
A trajetória humana no ponto azul

As pedras são testemunhas do poder soberano da natureza. Com paciência ela evolui, arrastando todos os seres desse planeta, até mesmo os mais rebeldes, para um destino inevitável. O tempo desse percurso, no entanto, não é certo.
Olhem de novo esse ponto.
É aqui, é a nossa casa, somos nós.
Em seu progresso, cada vez mais acelerado, o homem 
aprendeu a olhar de forma científica, a abstrair do todo aquela parte de interesse particular e a solucionar suas questões de modo local, com raciocínio linear.
Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece,
qualquer um sobre quem você ouviu falar,
cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas.
O sucesso dessa abordagem obscureceu a visão humana.
O interesse econômico e a satisfação de necessidades imediatas,
jogam para segundo plano os efeitos de políticas que
desconsideram a bem conhecida
escassez de recursos naturais.
O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento,
milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes,
cada caçador e coletor, cada herói e covarde,
cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês,
cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, 
criança cheia de esperança,
inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto,
cada "superestrela", cada "líder supremo", cada santo e pecador
na história da nossa espécie viveu ali - em um grão de pó
suspenso num raio de sol.
Mas isso tem um preço.
O tempo tem mostrado que os ganhos tecnológicos
não são suficientes para compensar as disputas dentro da própria espécie humana,
os malefícios da abundância excessiva
ou da escassez miserável.  
A Terra é um cenário muito pequeno
numa vasta arena cósmica.
Pense nos rios de sangue derramados
por todos aqueles generais e imperadores, para que,
na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos
de uma fração de um ponto.
Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
A natureza é clarividente,
ela sempre teve uma saída às implosões do planeta.
Mas o homem é novo
e caminha às cegas.
As nossas posturas,
a nossa suposta auto-importância,
a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo,
são desafiadas por este pontinho de luz pálida.
O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.
Um olhar universal e global
é o radar na necessária mudança 
de percurso do homem.
A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.
Só assim para ele não agonizar como o imponente narval,
no fim de sua escolha fatal.
Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o "pálido ponto azul",  o único lar que conhecemos até hoje.

(Carl Sagan – Pale Blue Dot - disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1lido_Ponto_Azul)

Fernando - 1º ano Direito noturno (filme: O Ponto de Mutação - Bernt Capra)
                           A Visão Mecanicista de Descartes e a Maioridade Penal     

     O filme “Ponto de Mutação” de 1990, dirigido por Bernt Amadeus Capra, é baseado no livro de mesmo nome escrito pelo cientista Fritjof Capra. O filme se desenvolve através de três personagens: Sonia, uma cientista, Jack, um politico, e Thomas, um poeta. Os três personagens passam por crises, cada uma com suas peculiaridades. Jack e Thomas visitam um castelo medieval na França quando encontram com Sonia, e ao iniciarem uma discussão sobre um relógio antigo no castelo convidam Sonia para participar da conversa.
    A cientista logo inicia uma crítica ao filósofo Descartes e sua visão mecanicista do mundo, que funcionava na época de Descartes mas é ultrapassada nos dias de hoje. Descartes descreveu o mundo como um grande relógio, onde desmontando-o e analisando cada uma de suas peças isoladamente seria possível entender o todo. Sonia critica essa visão, alegando que é necessário conhecer o todo, pois nada funciona isoladamente, tudo no mundo possui suas conexões. Basicamente, o filme apresenta uma crítica a política, que, continuando mecanizada, não consiguirá resolver os problemas do mundo.
    Trazendo a discussão do filme para o cenário atual da política brasileira, nos deparamos com a discussão sobre a redução da maioridade penal, colocada em pauta por um Congresso ultraconservador. O projeto pretende diminuir a maioridade penal de 18 para 16, contrariando recomendações de órgãos como a ONU (que recomenda maioridade penal de 18 anos). Aparentemente, a maior parte da população brasileira aprova a redução da maioridade com um princípio de diminuir a violência. A questão, porém, é muito mais ampla e complicada do que acham.
    A redução da maioridade penal não reduziria a violência. É uma falácia acreditar e propagar essa ideia. A resolução da violência no Brasil vai muito além do que encarcerar o jovem. A violência é fruto do meio social que o jovem de periferia vive, sem acesso à educação, à oportunidades, jogado à margem da sociedade, ele é inserido muito cedo no mundo no crime, sendo que esse meio se configura para ele como o único meio de conseguir dinheiro. É errôneo e completamente fora da realidade o discurso de que o jovem de periferia conseguiria sair desse meio de criminalidade se assim ele quisesse e se esforçasse para isso. Muitas vezes o jovem nem sabe que possui outras opções, a concepção de estudar para futuramente conseguir um emprego é longe de sua realidade. A educação pública é precária, as oportunidades são mínimas, mas a necessidade de conseguir dinheiro é urgente, e a criminalidade se apresenta para o jovem como a solução para essa necessidade.
     Adultos aliciam crianças para o crime. Se com a maioridade penal fixada em 18 anos, o jovem de 16 e 17 é aliciado para o crime, diminuindo a maioridade para 16, o jovem de 14 e 15 anos passará a ser aliciado. É ingênuo pensar que a violência ou o aliciamento de menores cessaria com a diminuição da maioridade. Seguindo a mesma linha de raciocínio da personagem Sonia no filme “Ponto de Mutação”, a violência não é algo que pode ser resolvido isoladamente, como as peças de um relógio. Existe uma série de outros problemas e aspectos que devem ser analisados para resolver esse problema, mas infelizmente, tomando as palavras da personagem Sonia, “os sistemas não encorajam a prevenção, só a intervenção”. Uma ação imediata como a redução da maioridade penal poderia até resolver o problema por um tempo, mas logo se desencadearia diversos outros problemas quiçá maiores do que os anteriores. O problema da violência na juventude precisa ser visto de uma percepção mais ampla, analisando todas as suas conexões, deve-se abandonar a visão mecanizada do mundo, não só pra esse, mas para todos os outros problemas a serem resolvidos.

Caroline Setti
1º ano - Direito Noturno

Cartesianismo nas escolas


    O filme "Ponto de Mutação" apresenta um amplo debate de ideias entre as personagens da trama e possibilita uma extensa discussão a respeito de diversos temas atuais, um bastante interessante, que possui conexão com o método cartesiano questionado no longa, é sobre a forma que as matérias escolares são abordadas em sala de aula.
    Somos criados a acatar tudo o que nos é imposto, principalmente quando o assunto é educação. Mas afinal, qual o intuito de existirem tantas disciplinas na grade curricular de uma escola?
    Esse questionamento pode ser explicado por meio da metáfora do relógio desenvolvida por Descartes e discutida no filme "Ponto de Mutação". Segundo esse pensador,  a natureza é como um relógio, complexo quando examinado por inteiro, mas de fácil compreensão quando desmembrado. É certamente desse conceito que houve a separação das matérias, e posteriormente por uma questão "didática" aconteceram as fragmentações dos assuntos abordados em cada disciplina. Por exemplo, a física é subdividida em mecânica, elétrica, dinâmica, etc. e o mesmo acontece com as outras matérias.
    De acordo com muitos colégios e cursinhos, esse método do desmembramento é um dos melhores para a apreensão do conhecimento, no entanto, há controvérsias, uma vez que se o aluno não consegue enxergar o enlace entre as disciplinas, a visão se torna fragmentada e a correlação entre os objetos de estudo, quase impossível. É por essa razão que seria necessário uma avaliação do uso do método cartesiano no que diz respeito ao sistema educacional brasileiro.
    Não podemos, é claro,  desconsiderar todos os avanços que o método desenvolvido por Descartes possibilitou,  contudo, no âmbito educacional não é o mais efetivo, haja visto que o aluno não consegue ter uma visão do todo, para tanto, com o intuito de evitar a visão fragmentada do ensino, é fundamental uma ponderação acerca do cartesianismo, a fim de que haja uma diminuição do uso desse método mecanicista e se amplie a concepção do saber. 


Ariane do Nascimento Sousa
1º ano- Direito Noturno
Introdução à Sociologia
Filme:"Ponto de Mutação"

Mutação na metodologia Científica.

     No filme ''Ponto de Mutação'' de Bernt Capra, há uma discussão muito pertinente na contemporaneidade. Este é centrado em uma conversa que promove o aquecimento dos ânimos de muitos defensores do Discurso do Método de Descartes e da obra de Francis Bacon. Baseada em suas diferentes atividades profissionais três indivíduos com distintas visões e opiniões acerca da vida e sobre o conhecimento científico capturam importantes pontos ao qual se deparam os espectadores ao assisti-los. Nos são apresentados ,como: Sonia, cientista graduada em física, Tom um poeta e Jack ex-candidato a presidência dos EUA. Sonia tenta quebrar os paradigmas e modos de se pensar cartesiano-newtoniano-baconiano que Jack mostra possuir e que muito se vincula a sua atividade política que exige ações positivistas e bem vistas pela sociedade.Sonia crítica a política bem como a visão predominante nos meios acadêmicos e intelectuais ao fazer a analogia  da ciência como uma máquina de relógio, em que ao sistematizar dois períodos na história da humanidade,sendo estes pré-cartesiano e pós-cartesiano, ela nos expõe a questão de como naquela se enxergava o tempo e a natureza de modo orgânico e vivo e nesta é vista apenas  como uma máquina tal como a do relógio, em que é possível fragmentá-la e entendê-la de forma isolada e específica, bem como compreender o tempo não em uma lógica natural , e sim mecanicista.
    Assim que a teoria cartesiano se firmou no mundo como forma correta de pensar e como metodologia científica, para Sonia se perdeu grande noção da estrutura do cosmos que nos envolve,pois se instalou uma crise de percepção da realidade, em que nos limitamos ao pensar nas questões das mais diversas magnitudes,desde ecológicas a socias e globais de forma fragmentada, quando de acordo com ela é necessária uma nova forma de se observar tais enigmas, não como fragmentos específicos e de maneira isolada, mas sim como peças de um todo em uma relação de interdependência e com princípios de organização. Ela simplifica suas ideias a respeito desse assunto na '' Teoria dos Sistemas Vivos''.
    Conclui-se na obra cinematográfica, que se baseia principalmente neste intrigante diálogo, a necessidade de uma ''mutação'' de cunho intelectual em âmbito internacional a respeito do que é ciência e do seu objeto de estudo. Em um mundo calcado cada vez mais no imediatismo, em que não se visualiza o futuro das próximas gerações, em que não está perceptível as relações de mutualismo dentre as grandes questões mundiais,sejam elas sociais ,econômicas ou politicas, pouco se pode esperar em matéria de mudanças e evolução da humanidade,seu conhecimento e sua sabedoria  na visão que o filme tenta propagar.
                                                                                                                           Rafael Cyrillo Abbud
                                                                                                                                 1º Ano               Direito  Noturno .  
O convite ao novo

O filme “Ponto de Mutação” se trata da adaptação cenográfica da obra de Fritjofra Capra que se delineia a partir da conversa entre uma cientista, um dramaturgo e um candidato à presidência; um dos aspectos mais marcantes desse filme é que diferentemente de exemplares de origem “hollywoodiana” - onde a ação é um elemento frequentemente presente- neste longa do diretor austríaco, o dialogo filosófico e acima de tudo bem elaborado ditam o ritmo do filme.
Durante este dialogo são versados de forma geral aspectos pelo qual o homem é influenciado ou influenciador, por exemplo, as condições físicas da terra ou a relação entre os homens. O interessante dentro dessa conversação é que a argumentação dos pontos de vista referente a cada tema leva em consideração preceitos da filosofia e de pensadores modernos e antigos, criando quase uma oposição comparativa entre as duas épocas.
A filosofia de Renne Descartes, por exemplo, é abordada pela cientista que, apesar de reconhecer a importância da teoria do mesmo, a luz da época em que foi escrita, acredita que atualmente essa tese seja um tanto quanto “danosa”. Isso porque faz com que as pessoas enxerguem a parte e não o todo, que tenham, portanto, uma visão fragmentada, uma maior relevância do pensamento micro em relação ao macro.
De fato, um dos prováveis desdobramentos desse tipo de pensamento na sociedade atual é a forma extremamente individualista que se conduz as relações com o mundo em que habitamos: a forma em que os estudos acadêmicos são dirigidos, nossa posição ambiental, a falta de consciência coletiva, a ideia do “self made men”, dentre diversos outros aspectos.
Portanto, um dos “legados” que o filme deixa é um convite a reflexão - por meio da evocação dentro do dialogo de Descartes, Eistein, da política, ecologia etc- dos valores atuais e também, consequentemente, a uma nova e diferente visão de mundo.

Ana Paula De Mari Pereira
1º ano de Direito - Diurno



Mudança de percepção

    Lançado em 1990, o filme "Ponto de Mutação " conta a história de três pessoas com diferentes profissões  e, portanto, visões de mundo distintas. Uma delas é um senador e ex candidato à presidência dos EUA, que se encontra em crise com a sua profissão pela falta de participação real que possui no cargo, uma vez que seus discursos são todos escritos por terceiros. A outra é um professor de literartura e escritor que se encontra na crise da meia idade. A terceira é uma cientista que está em conflito com sua profissão devido à motivos éticos.
    As comparações entre as várias áreas do conhecimento são de grande presença no filme. As partículas subatômicas não tem natureza independente para os estudiosos, mas estão conectadas e vistas como um todo na física atômica. Assim também devem ser analisadas as relações interpessoais e o universo como um todo. Um importante paralelo também feito por Sonia é do modo que a ciência via os homens e animais após Descartes: apenas como máquinas que deviam ser analisadas fragmentadamente . Para ela, há a necessidade de mudar a maneira como vemos o mundo.
   Há também uma observação do lado social e os efeitos de estar analisando o universo constantemente. Vemos os problemas de convivência entre mãe e filha, além de o julgamento feito pelo Senador em relação à Sonia, ao perguntar se aquelas idéias apresentadas foram boladas por ela e se outras pessoas também crêem nelas. Ou seja, vale notar a impressão de loucura que, infelizmente, é dada às pessoas que muito analisam o mundo.

Sofia de Almeida Antunes
1º ano Direito noturno


A evolução necessária

O filme "Ponto de mutação", inspirado na obra literária do escritor australiano Fritjof Capra, é basicamente uma conversa com grande essência filosófica entre três pessoas: um político desmotivado que concorreu à presidência dos Estados Unidos, um poeta que pensa estar em uma crise de meia-idade e uma cientista que sentia-se aborrecida pelo fato de sua pesquisa ser usada para fins malignos.

Em grande parte do filme o tema central da discussão baseia-se nas idéias do pensador René Descartes. Para a cientista, o método cartesiano para a obtenção de conhecimento é equivocado e falho, diferente da concepção do político, que concorda com tal ideia do filósofo. Essa oposição de ideias gera uma boa discussão acerca do tema.

Sonia Hoffman acredita que esse método não é vantajoso e até mesmo prejudicial ao desenvolvimento do ser humano. Para ela, a análise do mundo deve ser feita analisando o todo, e não separando em partes para depois chegarmos a uma conclusão. Ou seja, deve-se entender as relações para depois resolvermos os problemas. Baseando-se no modo de pensar dela, pode-se pensar mais facilmente em um mundo com crescimento sustentável e com melhores condições. E mais interessante ainda, conciliar duas coisas muito importantes, o desenvolvimento econômico e sem comprometer as gerações futuras. Para isso, uma revolução na educação com o rompimento dos modelos clássicos é necessária.

Finalizando, o filme passa a ideia central de que precisamos sempre evoluir, como neste caso da educação, por isso ele se chama "Ponto de mutação".

Caio Mendes Guimarães M Machado
1º ano - Direito noturno


Hoffman contra o mecanicismo

Em Ponto de Mutação , filme de Berntfundou Capra, ocorre um interessante debate entre as três personagens(um político deprimido,uma cientista em crise existencial e um poeta em crise de meia idade) acerca dos efeitos que as ações dos humanos causam para o mundo e para si mesmos.Cada personagem possui uma visão relacionada a sua ideologia e em alguns momentos sua ideias se assemelham e em outros se divergem.
Em certo momento Sonia Hoffman ,a cientista,critica a visão mecanicista de René Descartes e afirma que ela é prejudicial ao desenvolvimento do ser humano.Porém tal maneira de se estudar o mundo pode ser muito mais produtivo do que ela pensa.Uma das maiores preocupações da discussão é a questão ambiental, que por ser muito complexa ,deve ser estudada , analisada e resolvida parte a parte , ``peça´´ a ``peça´´.
Sendo assim o Método Cartesiano é a melhor maneira de se compreender e melhorar o mundo no sentido ambiental.Cada pequena parte do todo deve possuir um dedicação especial e individual para que , ao final do processo, todas tenham sido estudadas e resolvidas .Com isso a questão ambiental poderia ser finalmente resolvida.
Porém vale lembrar que isso não se aplica apenas a essa questão , mas sim a qualquer problema ou objeto de estudo que, por ser complexo demais, está sujeito ao estudo pelo mecanicismo.
Eric Kaoro Okino
Direito Noturno

Mundo em mutação

        Seria possível aplicar o método cartesiano em nosso mundo atual? É a essa pergunta, inclusive, que o filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, tenta responder através da discussão de seus personagens. Contestando filósofos e pensadores consagrados, Sonia, uma cientista, acredita que a visão de mundo atual precisa mudar, visto que ela foi concebida há muito tempo, principalmente por René Descartes, com seu método científico.
         O filósofo via tudo a seu redor, cada indivíduo, os problemas mundiais, como peças, fragmentos (por isso é chamado de mecanicista), os quais poderiam facilmente ser mudados, solucionados. Por conseguinte, ele não tinha a visão de conexão entre todas as coisas, em que um fato leva ao outro. Dessa forma, o obstáculo como um todo não seria solucionado, acarretando na persistência de erros, ao arrumar somente uma parte do problema.
         Portanto, tudo é questão de percepção. Ao não enxergar crises globais da maneira adequada (ou seja, realmente globais), a solução jamais será encontrada, pois os sistemas atuais, segundo o filme, prezam pela remediação, e não pela prevenção. O resultado é a degradação da ciência, que se tornou banal e exclusiva ao não se preocupar com os valores transmitidos e com a responsabilidade daqueles que para ela trabalham. 
        A dificuldade em aplicar o método proposto no filme é que essa aplicação poderia resultar no fim do sistema conhecido hoje, pois traria grandes transformações econômicas e sociais. A sociedade ficaria extremamente temerosa em aceitar essas mudanças, prejudicando sua efetividade. Como exemplificado pela obra, ao diminuir o consumo de carne vermelha para prevenir doenças cardíacas e poupar dinheiro gasto na saúde pública, a economia de determinados países, como o Brasil, por exemplo, entraria em colapso, pois dependemos fortemente da agropecuária. Esse método, assim, poderia privilegiar alguns mais do que outros, devendo passar por análise mais profunda.
      Com uma visão contemporânea do mundo e apontando os problemas dos pensadores clássicos, “Ponto de Mutação” apresenta uma nova forma de ver as relações que nos cercam, sejam elas entre os seres humanos ou desses para com o universo, provocando profunda reflexão sobre o papel que desempenhamos na sociedade e no planeta, apesar de necessitar de maior aprofundamento em suas teses.

Arthur Augusto Zangrandi 
1º ano Direito noturno

Mudança de concepção

O filme ‘’O Ponto de Mutação’’, de Bernt Capra, se passa nos anos 90 na França, próximo ao Canal da Mancha e retrata a discussão de três pessoas, um poeta, um político e uma cientista que debatem diferentes pontos de ser entender e explorar a vida.
No filme, a cientista Sonia exemplifica a visão mecanicista de René Descartes através de um relógio, essa que entendia o mundo como uma máquina e defendia que o objeto de estudo deveria ser repartido para ser melhor explorado e compreendido. Ela critica essa visão e afirma que através desse pensamento a sociedade sempre fazia reparos pontuais e não verdadeiras mudanças. Estas que eram essenciais para a evolução da ciência e do pensamento sobre a natureza e sociedade.
A personagem defende que esta visão mecanicista, por ser reducionista e investigar as ações humanas separadamente, é o fruto dos problemas existentes na sociedade, devido ao fato de ser uma errada percepção de mundo, esta que é patriarcal, cartesiana e newtoniana. Com isso era necessário um pensamento mais abrangente, como o da Teoria dos Sistemas Vivos, o qual propõe uma visão de mundo unificada, em que não haja a repartição do objeto de estudo e a qual estuda a organização dos objetos e os seus sistemas conjuntamente.

Com relação a isso, tem-se no filme a metáfora da praia, a qual a areia representa as antigas percepções de mundo que no andar do filme é preenchida pela água do mar, essa como representação do novo, da concepção mais abrangente e fluida. Resumo do que é defendido no filme. Portanto, podemos concluir que o filme ‘’O Ponto de Mutação’’ procura romper com paradigmas antigos e propõe a busca de novas percepções de mundo. 

Mutação de Pensamento

                          
Ao promover uma reflexão sobre o efeito da percepção humana no entendimento e na estruturação do mundo, o filme O Ponto de Mutação, baseado no livro de mesmo título, de autoria de Fritjof Capra, desmistifica modelos sistêmicos de pensamento vigentes até então, como o Mecanicismo de Descartes, relevante principalmente na área do conhecimento cientifico, e propõe uma nova visão sobre a integração dos mecanismos que regem a natureza.

Como símbolo metafórico da alienação do pensamento, a ilha de Saint Mitchel, isolada temporariamente pelas marés, atua como cenário do debate entre as três personagens principais. Cultiva uma atmosfera propícia ao desenvolvimento do enredo, que propõe uma nova maneira sistêmica de pensar, onde não mais ocorre a divisão do todo em partes, porém a compreensão de uma teia de relações onde a conexão e a interatividade entre as partes é essencial na busca do equilíbrio e do desenvolvimento sustentável.

Por fim, ao defender a cegueira humana como uma falta de abertura para o novo, sendo a abertura uma forma de enxergar o todo, compreendendo sua integração, sem antes fracioná-lo, a seguinte questão é proposta: se o mundo é e se faz de acordo com a visão particular que cada um cultiva dele, e se a visão atual do mundo não é satisfatória, por que não modificar a forma de enxergá-lo?


Alice Rocha - 1° ano Direito Noturno

Ciência e o progresso

Os filósofos Descartes e Bacon criticavam a filosofia antiga por terem uma visão mais contemplativa da natureza, defendendo que esta deveria ter um fim útil para vida do homem. Assim, a natureza passara a servir os interesses do ser humano, que, com o passar do tempo e aprimoramento da ciência e tecnologia, transformara o cenário mundial de forma a contrastar calamidade e sucesso.

Essa dualidade fica bastante expressa nas reflexões feitas pelos personagens do filme Ponto de Mutação, principalmente no momento em que a física Sonia questiona, de certo modo, os valores vigentes no mundo capitalista, além de afirmar que os problemas do mundo estão interligados, e que não era possível apenas visar particularidades de cada adversidade no planeta, tal como o pensamento cartesiano pretenderia.

 Ademais, pode-se notar também uma crítica a experimentação proposta por Francis Bacon, uma vez que homem passara a usar dela excessivamente para obter “os segredos da natureza”, desse modo, tentando controlar um macro sistema no qual ele está inserido com a finalidade de se atingir o que seria o “progresso”, tal como sugere o político Jack durante a conversação da qual se baseia o longa-metragem.


Assim, por essas indagações e pensamentos, Ponto de Mutação desconstrói algumas ideias vigentes na época de seu lançamento, 1990, e que transcorrem até o momento atual em que o capitalismo e suas promessas de modernidade se solidificaram na maior parte do globo.

Gabriel G. Zanetti - Direito Noturno
Novas perspectivas

Ponto de Mutação, adaptação cinematográfica derivada do livro “The Turning Point”, do físico austríaco Fritjof Capra, traz uma forte crítica a visão de mundo mecanicista que se reflete na atual condição humana.
Seus personagens, por meio de diálogos bem construídos, trazem máximas que levam a concluir a existência de uma percepção humana distorcida – a cultura, construída pela ideologia dominante, realiza ações egoístas que colocam em risco a própria sobrevivência do ser humano. A ciência moderna, tendo por ponto inicial as ideias de Descartes, transformou o universo na “metáfora do relógio” – fragmenta-se tudo e pensa-se, que a partir das partes é possível entender e definir realidade. Esquecendo o conjunto, logo, consolidou-se uma filosofia baseada no individualismo e no separatismo, no qual as ações de uns não interferem nas de outros. E partir disto derivam-se os problemas contemporâneos vividos.
Por fim, o filme engendra a reflexão que se faz necessário uma nova visão de mundo, baseada em valores mais fraternos, que evitem a destruição humana.

João Victor Ruiz
1º Ano – Direito Noturno

Filme “Ponto de Mutação”
No filme Ponto de Mutação, de Berntfundou Capra, debate – se as relações entre os pensamentos e as ações humanas de diversas perspectivas, bem como o alcance dessas ações. Nos diálogos entre as três personagens, é possível observar fatos a partir de diferentes pontos de vista – político, físico e literário.
Essa interligação feita entre as diferentes visões tem como objetivo demonstrar a importância da interligação entre as diferentes formas de conhecimento. Consoante a crítica do filme ao método cartesiano, é possível fazer, nesse aspecto, um paralelo com a teoria de Comte: na filosofia positivista, seria buscado o conhecimento único, sendo as separações meramente artificiais, diferentemente do sistema de ensino europeu que trata o conhecimento de forma modular.
Esse problema fica evidente no sistema educacional atual, no qual os programas interdisciplinares são raros e geralmente mal compreendidos. No filme, a "Teoria dos Sistemas" corrobora com a filosofia positivista de Comte, defendendo um sistema todo interligado de conhecimento - na contra mão do que propunha Descartes, segundo o qual o objeto de estudo deveria ser pormenorizado para que fosse compreendido.
É importante ressaltar que a contraposição entre as visões de Descartes e Comte não traz como consequência uma ideia vitoriosa. Considera - se que o pensamento cartesiano não se adequa mais para a compreensão do mundo moderno, mas o valor de sua teoria para o desenvolvimento do racionalismo em pleno século XVII é inestimável - em sua obra, o próprio Augusto Comte elogia Descartes ao falar em sua abrangente contribuição para a matemática com o Plano Cartesiano, gerador também de teorias filosóficas. Da mesma forma, é perigoso tomar as teorias positivistas como verdades absolutas, mesmo considerando a pertinência da defesa de Comte acerca da educação.
Com o filme é possível concluir que a modularização do conhecimento não só é prejudicial, como puramente teórica: não é possível aplicar um conhecimento sem considerar suas relações com as demais formas de conhecimento, sendo todas elas instrumentos entre si. 

Heloisa Areias
1o. ano de Direito diurno.

Transgênese

A tempos não sou eu mesma. Alterada profundamente em meu cerne. 
Meus inimigos não mais me reconhecem.
Fui  cortada por uma máquina. Separada. Sequestrada.
Não conseguia ver a luz do Sol. Me perguntava sobre ele. Me perguntava sobre o Sol.
Fui trancafiada. Fui despejada.
Rostos pairavam sobre mim. Rostos enormes. 
Sentia o toque do ar quente. Sentia meu medo que crescia e crescia.
Fui triturada. Fui fragmentada.
Meu eu tão irreconhecível achou um novo refúgio. Passei a fazer parte de um novo ser.
Fui liquefeita. Fui dissolvida na vastidão do branco.
Meu eu tão irreconhecível achou um novo refúgio. Passei a fazer parte de um novo ser.

De quem seria a culpa?
Dos financiadores da minha transformação ou daqueles que me transformaram?
Fruto da ciência. 
Fruto da razão?

A tempos não sou eu mesma.
A tempos não sou a soja. 


Isabela Ferreira Sastre
1º ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia - Filme: "Ponto de Mutação"

O Efeito Borboleta

"O bater de asas de uma borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez, provocar um tufão no outro lado do mundo". Esta frase da cultura popular define o chamado "Efeito Borboleta" que, em resumo, define a ação que uma pequena ação de uma parte do todo pode desencadear uma ação gigantesca. O pensamento sistêmico pode ser relacionado com esta teoria: todo sistema é composto por partes, e estas partes relacionam-se direta ou indiretamente, cada uma exercendo influência sobre as demais.
Nós, seres humanos, somos uma pequena parte da grande teia formadora do grande ecossistema terrestre. Apesar de sete bilhões ser um número assustador para muitos, não se equipara, por exemplo, ao número de insetos existentes. Não resta dúvida, para os cientistas, de que estes animais - que apresentam de 5 a 10 milhões de espécies -, representem, por si só, um número de indivíduos superior ao de nossa própria espécie. 
É um pensamento extremamente egoísta acharmo-nos donos deste planeta e ignorarmos nossos parentes que coabitam conosco esta grande Casa e fazermos dela o que bem entendermos. É muita mesquinhez olharmos somente para nosso desejo de consumo desenfreado sem olharmos para as pegadas ecológicas que estamos deixando nesta rápida caminhada sobre o solo terrestre. Somos borboletas, e isto é certo. Contudo, nosso bater de asas está balançando toda a teia ecológica de nosso planeta.
Contemplemos o todo. Sintamo-nos parte deste todo. Mudemos nosso pensamento e ajamos antes de termos de remediar. Nossa cultura de descarte ensina-nos a usarmos tudo indevidamente pois o desperdício é fácil e cômodo. Lembremo-nos que somos parte - ainda que pequena - do grande Ciclo da Vida. Nossos filhos e netos também serão parte e usufruirão do que deixaremos de herança. 
É chegado o Ponto de Mutação, em que mudamos nossa maneira de enxergar, compreender a realidade à nossa volta, sentindo-nos parte, e não todo, e assumirmos nosso papel neste mundo, agindo de forma a garantir nosso futuro, bem como o da nossa grande teia de interdependência.

Hiago A. Cordioli
Texto sobre "O Ponto de Mutação"
1º Ano de Direito - Período Noturno

A teoria e seu fim

  O filme Ponto de Mutação, lançado em 1990, derivado do livro de mesmo nome de Fritjof Capra, é construído no desenrolar de um diálogo entre Sonia Hoffman, uma cientista norueguesa, Jack Edwards, político estadunidense, e o poeta Thomas Harriman. No decorrer desta conversa Sonia contesta a visão cartesiana, newtoniana e patriarcal do mundo e argumenta em prol a uma teoria sistêmica, ou seja, um olhar que enxerga tudo como algo único, relacionado e interligado.
  Ao tentar desconstruir a percepção mecânica inicialmente defendida pelas outras personagens Sonia aponta como erro a tentativa de desmembrar o objeto observado e entender suas partes para depois coloca-lo como um de novo e, a partir dai, tentar entende-lo como um todo. Ela defende que há relações e conexões entre tudo que compõe nossa realidade, assim, tornando essa um único sistema não passível de cortes, quebras e desmembramentos, pois, ao entender algo solitário desse meio seria desconsiderado as ligações deste com o todo, portanto, o conhecimento alcançado seria incompleto e parcial.
  Após longa discussão de suas teses, as quais defendem, no cunho social, a remodelação do pensamento (para prevenir problemas em potencial)  e não a intervenção (sanar os problemas após ocorridos), Jack questiona: suas ideias podem mudar a lógica social? Elas são práticas e aplicáveis?
E este é o ponto crucial, em minha visão, de toda a trama do filme, pois, sim há o que mudar, renovar e repensar na sociedade e é a ciência (entenda-se incluído no conceito de ciência a filosofia e sociologia) o meio pelo qual novas teorias e concepções apresentam-se, porém, se tais propostas não são viáveis e aplicáveis na sociedade, ou seja, são apenas ideais utópicos que tentam de maneira irreal transformar a lógica social, qual o fim deles? São eles de alguma importância real?
  Ao defender a mudança do habito alimentar e a diminuição da produção de carne vermelha, por exemplo, Sonia explicita ideais que possuem fundamento lógico: com a diminuição do consumo de carne vermelha e a reeducação alimentar vários problemas de saúde tornariam-se menos incidentes; entretanto, o mundo capitalista contemporâneo dependente da produção em larga escala para sua sustentação e manutenção, logo, tal proposta demonstra-se vazia, pois, não há a possibilidade concreta de que numa visão sistêmica, ou seja, da interligação de tudo e todos, de tal acontecimento e outros de mesma natureza, realizar-se sem a quebra do mesmo, porque, ao romper alguns conceitos baseados nessa lógica (de prevenção e não intervenção) romper-se-iam inúmeros outros devido a ligação entre todos eles causando, assim, em algum momento a dissolução da atual lógica social.
  Portanto, a teses pregada pela cientista não é aplicável, não que seja errônea ou ruim, mas apenas não concretizável na sociedade ocidental atual, devido à lógica a qual aquela funciona, pois não é sensato crer que uma organização direcionaria-se para práticas as quais resultariam em seu fim.