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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Involução e ignorância: novos desafios em meio à crise de saúde


Sempre haverá mais ignorantes que sabedores enquanto a ignorância for gratuita e a ciência dispendiosa. Assim defendeu Marquês de Maricá, escritor, filósofo e político brasileiro que ainda em meados de 1800 foi capaz de traduzir a realidade contemporânea de centenas de países que tem de enfrentar, em meio à uma crise de saúde que tem ceifado milhares de vidas todos os dias ao redor do mundo, a ignorância de quem prefere a morte em favor da economia. Apesar de os direitos fundamentais inerentes a todo e qualquer cidadão garantir a liberdade de expressão e o direito de ir e vir, o isolamento social não coloca em xeque tais princípios, mas pelo contrário, estabelece e garante a saúde à todos, além de evitar que o vírus ganhe proporções maiores e siga destruindo vidas, sonhos e famílias.
Nesse sentido, a ciência tem exercido papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas para tratamento e prevenção do novo coronavírus (ou Covid-19), além de milhares de profissionais da saúde que tem abdicado de suas vidas e família para dar atenção e cuidados aos infectados pelo vírus e que muitas vezes tornam-se as próprias vítimas. Desse modo, percebe-se a importância da evolução do conhecimento científico na consolidação de métodos e na construção do saber verdadeiro, fundamentado na razão e na observação da natureza, que reflete-se nas metodologias de pesquisa utilizadas até hoje, seja em institutos, universidades ou até mesmo hospitais.
Entretanto, ainda há quem opte por contrariar a ciência e apoiar-se em ideias sem fundamentos científicos e que são incapazes de exprimir a realidade, desrespeitando o isolamento social e ignorando a proporção de contágio do vírus e seus sintomas que podem tornar-se mais graves em determinado grupo de pessoas, colocando em risco a vida. Assim, mesmo diante de dados concretos e pesquisas, o desrespeito as determinações da Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma realidade que atinge milhares de países, principalmente o Brasil, onde em meio a uma pandemia o Presidente da República, que deveria priorizar a saúde e o bem-estar dos cidadãos, defende o retorno das atividades em favor da recuperação e fortalecimento da economia e que tem influenciado milhares de pessoas a defender e compartilhar do mesmo pensamento.
Por fim, vale ressaltar que o direito a liberdade de expressão e o de ir e vir não devem extrapolar as medidas estabelecidas a todo um sistema vigente, uma vez que, confrontam determinações de saúde pública, da ciência e geram consequências irreversíveis a vida. Além disso, é valido a importância da evolução do conhecimento nesse sentido, que propôs metodologias e novas formas de desenvolvimento da ciência, que tem como objetivo principal a racionalidade, assim como apresenta-se ainda hoje nas pesquisas, em exemplo as pertinentes ao Covid-19. Assim, é preciso entender que não deve-se  ultrapassar os limites do outro e, inclusive, colocar em risco outras milhares de pessoas por mera ignorância e egoísmo, pois, assim como a ciência e a pesquisa possibilitam a iluminação das ideias, há quem prefira viver no escuro.


Ana Carolina de Campos Ribeiro – Direito matutino (1º ano)

Mais que um erro Crasso

     No dia 28 de fevereiro,cidades da Lombardia,apesar do baixo número de mortes,decidiram propor um isolamento social.Entretanto,o primeiro-ministro Giuseppe Conte decidiu derrubar tais medidas,afirmando que era essencial a manutenção do turismo local.No mês seguinte,em Março ,a Itália se encontrava com um crescimento exponencial do coronavírus.As notícias que vinham da Itália mostravam um cenário de terra arrasada,bem similar ao livro A Peste de Albert Camus.Nele não havia locais para ocorrem enterros ,como foi visto na Lombardia.                                                         Apesar do pésssimo exemplo do governante italiano,o presidente Jair Bolsonaro seguiu uma linha parecida,mesmo presenciando consequências catastróficas.Em um discurso ele afirmou que o vírus não passava de uma gripezinha e que a pandemia era muito mais fantasia.Essa tola contestação científica era um artíficio para manter as pessoas trabalhando e a economia seguir ativa.Entretanto,o presidente ignorou um direito humano e fundamental que é o direito a vida,uma falha medonha e de grandes proporções.                                                                                                                                                   Desse modo,fica evidente que esses governantes tiveram erros éticos gravíssimos , que afeta a a integridade física de milhões de pessoas e,provavelmente,entrará para história como conduta a não ser seguida.                                                                                                                                                                                                                                                                                                               JOÃO VITOR SODRÉ DIAS GALVAO- 1ºANO (DIREITO NOTURNO)                                                                                                                                                                                       

Mentiras disfarçadas de ceticismo; ignorância disfarçada de humildade

O tema para a elaboração desse texto, proposto em tempos de crise, era sobre o direito de confrontar a ciência. Em tempos mais mundanos, talvez eu escrevesse esse texto de um ponto de vista mais moderado, exaltando a importância da liberdade de expressão e do direito à dúvida e do direito de errar, mesmo diante da ciência como uma instituição, como importantes ferramentas no desenvolvimento do conhecimento e no desenvolvimento do próprio espírito humano, uma posição difícil de ser criticada, de ser desafiada. Mas não estamos em tempos mundanos, estamos em tempos de crise e esses tempos me lembram que não há nenhuma beleza inerente a uma posição moderada e neutra, nem ao discurso ideológico infalível mas inútil. Dado esse contexto, me encontro muito mais alinhado com a posição tomada por William K. Clifford em seu texto The Ethics of Belief, de 1877. Em especial no excerto a seguir:

"Um dono de navios estava prestes a enviar um navio de emigrantes para o mar. Ele sabia que o navio era velho, e que não tinha sido muito bem feito em primeiro lugar; que ele já tinha passado por muitos mares e climas, e frequentemente precisava de consertos. Dúvidas lhe foram sugeridas de que talvez o navio não fosse capaz de fazer mais uma viagem. Essas dúvidas assombravam sua mente, e o faziam infeliz; ele pensou que talvez ele devesse completamente reformar o navio, mesmo que isso viesse a um grande custo. Porém, antes do navio partir, ele conseguiu superar essas reflexões melancólicas. Ele se convenceu de que o navio já tinha conseguido fazer tantas viagens e sobrevivido tantas tempestades que era besteira pensar que ele não conseguiria completar essa viagem também. Ele iria confiar na providência divina, que certamente iria proteger de qualquer mal essas pobres famílias que deixavam sua pátria em busca de melhores oportunidades. Ele iria dispensar todas as rudes suspeitas sobre a honestidade dos construtores navais. Dessa forma ele adquiriu uma sincera e confortável certeza de que seu navio era seguro e capaz; ele o viu zarpar com o coração leve, e benevolente desejos de sucesso para os exilados em seus exóticos lares futuros; e ele coletou o dinheiro do seguro quando o navio afundou no meio do oceano, não deixando nenhum sobrevivente para contar a história.
O que podemos dizer sobre ele? Certamente isto, que ele é completamente culpado da morte destes homens. É verdade que ele sinceramente acreditava na segurança de seu navio; mas a sinceridade de sua crença não o desculpa de nada, porque ele não tinha o direito de acreditar nas evidências que ele havia produzido. Ele não tinha adquirido sua crença honestamente, a partir de uma investigação paciente, mas somente por ter silenciado suas dúvidas. E mesmo que no fim ele tenha sentido completa certeza, tal que ele não conseguisse imaginar o contrário, mesmo assim foi ele que conscientemente e voluntariamente se colocou em tal estado mental, e ele deve ser considerado responsável por isso."
Se Clifford já condena o consentimento da ignorância, ainda que desprovido de motivações maliciosas e apenas como um fruto do otimismo existencial humano e do desejo pelo conforto, o que dizer dos líderes das grandes nações neoliberais de hoje? Esses homens que se passam por céticos aspirantes a cientistas em público, mas em privado praticam como contar suas mentiras, mentiras que lhes são dadas pelas grandes corporações e que eles aprendem a seguir cegamente. Esses homens que defendem sua ignorância como um símbolo de sua humildade que os conecta ao homem comum, apesar de serem todos filhos de elites, que sempre dispuseram de conforto e de boas escolas e de todas as oportunidades para retificarem suas ignorâncias, e hoje dispõem de tantos especialistas quanto desejarem não só para lhes aconselharem mas para também lhes ensinarem. Esses homens que foram adestrados para consumirem e regurgitarem uma dialética egoísta, desprovida de empatia e de consciência coletiva, focada apenas em criar o ambiente ideal para consolidar o eterno abuso da população e do planeta nas mãos dos grandes vencedores do sistema capitalista.

Não tento negar as dificuldades sistêmicas e certamente intencionais de se tentar ser uma "pessoa bem informada" nos tempos atuais, mas por favor não depositem sua fé naqueles que foram eleitos para lhes abusarem. E se desejarem contestar as opiniões de infectologistas e virologistas, não o façam apenas para aliviar seu desconforto, e não o façam através do silenciamento das dúvidas, mas sim através de uma honesta e paciente investigação e estudo. E não, uma postagem em rede social ou uma manchete sensacionalista de uma imprensa sub-serviente aos interesses do mercado capitalista não são uma "investigação honesta e paciente", são apenas preguiça mental auxiliada e encorajada.

Thiago de Oliveira Lopes - 1º ano de Direito - Noturno

Infectados

Ao começar afetando o Ano Novo Chinês, o brasileiro, ou qualquer outro cidadão do mundo, jamais imaginaria que uma pandemia se instauraria e influenciaria no cancelamento, suspensão ou atraso de planejamentos previstos para o ano que se iniciava. Estávamos todos despreparados e equivocados.

Os primeiros passos seriam tão importantes quanto o resto dessa longa caminhada. Principalmente, as medidas adotadas por cada governo dizem muito sobre a vertente ideológica que os responsáveis possuem, alguns decidiram priorizar sua economia e não criaram um motivo de alarde na população, já outras localidades, como por exemplo a Coréia do Sul, que aderiram medidas que perduram e permitem um controle melhor da doença, são eles: a realização de inúmeros testes diários (ajudando ao governo na identificação no controle de pessoas infectadas), além de uma quarentena seguida à rigor e antes do previsto, tendo partido da própria população.

É notório que ambas as realidades são infinitamente distintas, apesar do Brasil apresentar um número elevado de leitos de UTI hospitalares e uma forte presença da busca por informação, primordial em tempos como estes. Entretanto, a disseminação de discursos que dão valor à um vírus totalmente desconhecido e extremamente letal ao de uma "mera" influenza merecem a devida atenção, pois são esses mesmos que influenciam uma massa a repensar teorias inválidas, reavendo do pensamento positivo, defendido por Augusto Comte.

Tal espírito positivo apresenta-se valendo da ciência e da lógica, instrumentos que antes eram descartados pelas autoridades da época, onde o espírito e pensamento teológico era a principal resposta para tudo o que se fazia. Claramente, numa situação como a que vivemos na atualidade, a chance de catástrofe seria, até mesmo, incalculável, dada a gravidade da situação. Por fim, podemos perceber semelhanças em discursos que obtém intenção de confundir ainda mais a mente daqueles que são tão leigos quanto, construindo inverdades e não cooperando com o progresso em razão da pandemia instaurada.

 GABRIELLE ALVES PINHEIRO - 1ºANO DE DIREITO (MATUTINO)


LUXO


Com 50 milhões de mortos, a Peste Bubônica, no século XIV, devastou cerca de um terço da população entre a Europa e a Ásia, explicitando que, num cenário pós-cruzadista do final do feudalismo, tensionado pelos dogmas católicos e avanços dos ideais burgueses, a ciência começa a caminhar em passos maiores, uma vez que o comércio incipiente do início da Idade Moderna financiou saberes que levaram ao Renascimento Cultural, junto à recente imprensa - vide Guttenberg -. Isso colocou em xeque a hegemonia do pensamento teológico.
Após esse marco, outras epidemias surtiram pelo mundo, como a Varíola, o Sarampo, a Tuberculose, a Cólera, a Gripe Espanhola, o Tifo, a Febre Amarela e a Malária. Com isso, o papel de compreensão e cura pela ciência tornou-se fundamental para a sociedade, e hoje, com a pandemia COVID-19, com âmbitos de poderes plurais, a ciência, embora aponte os caminhos para que os organismos continuem a salvo, esbarra-se com as falas de políticos e economistas para que os trabalhadores retornem ao trabalho, a salvar a economia.
Enquanto isso, 3,4 bilhões de pessoas, ou 46% da população mundial, vivem com menos de 5,50 dólares por dia, segundo dados do Banco Mundial em 2018. Mais uma vez, então, a ciência, com a "máxima" #FiqueEmCasa, choca-se contra a realidade miserável de meio mundo pois, certamente, a maioria dessas pessoas não possuem vínculos empregatícios. Assim, atitudes pela ordem a coibir o avanço da pandemia encontram obstáculos no quesito socioeconômico, em que, muitas vezes, ficar em casa significa literalmente morrer de fome.
Por outro lado, muitos governantes adotam políticas contraditórias, uma vez que têm como principais financiadores, corporações lucrativas baseadas, entre outros fatores, na exploração da mão-de-obra de seus trabalhadores. Além disso, nenhum "príncipe" quer a sombra do desemprego aliada à sua imagem. Entre virtú e fortuna, os governantes, num contexto extremamente maquiavélico, buscam fazer o melhor para si, para quem os mantém no poder e, vez ou outra, para a população. Logo, a tomada de decisões fica esmaecida, em que, ao salvar alguns, outros são expostos ao risco.
Junto a isso, no contexto técnico-científico-informacional, a informação, a técnica e a ciência são, junto ao capital, de fato, poder sobre nós, humanos como força produtiva. O que revela os interesses por trás da ciência, nos fazendo pensar sobre quem financia e quem a transforma, e até onde estamos seguindo ordens do interesse de quem?
Em ordem local, por sua vez, o Brasil, mantenedor da velha política de favores por séculos, encontrou, como todos, no covid-19, uma situação única, mas com bônus de um presidente complicado, que vem fazendo desse contexto mais difícil do que já é por si ao abalar o Ministério da Saúde, prejudicando a tomada de decisões, uma vez que instabilidades políticas nesse momento devem ser categoricamente evitadas, pois perda de tempo resulta e, perdas de vidas também.
Ficar em casa significa ter casa para morar e dinheiro suficiente para não sair ao trabalho por tempo indeterminado. Por isso, o confinamento é um luxo. É um luxo que salvará, talvez, bilhões de vidas, e deve ser apregoado aos sete ventos, uma vez que sejam arquitetadas maneiras para que ele ocorra, tendo em vista as pessoas em situações mais vulneráveis, para que o sistema de saúde não entre em colapso.
Assim, é fato que a fome sempre matou mais que qualquer epidemia, e é muito negligenciada por não atingir a elite, como o coronavírus, que é transmitido independentemente das classes sociais. Então, se todas as vidas importam, por que punir com multas e violência aqueles que necessitam transitar até o trabalho, como feito na Itália e na França? Medidas assistencialistas. quer queira ou quer não, são extremamente necessárias para que a proteção seja holística, abrindo mão da estabilidade econômica e, por vezes, colocando a garganta de políticos ao risco, contrariando ações liberais que, certamente, culminarão numa histórica crise econômica. Por isso, criticar não é negar, mas entender as contribuições científicas e econômicas e seus defeitos, para que políticas errôneas sejam desaprovadas.


Anita Ferreira Contreiras - Direito Noturno, turma XXXVII.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

O Anticientificismo Bolsonarista e a Covid- 19


Marquês de Maricá, célebre filósofo do período imperial do Brasil, em sua obra "Máximas, Pensamentos e Reflexões", citou: “sempre haverá mais ignorantes que sabedores, enquanto a ignorância for gratuita e a ciência dispendiosa”. Tal frase, embora datada do século XIX, é estritamente atual, principalmente, porque em pleno século XXI o pensamento científico tem sido banalizado por pseudo pensadores, tecnologias e até mesmo chefes de estado. A falta de crença em um ramo essencial para o desenvolvimento e preservação da população tem gerado resultados graves, entre eles, a proliferação em massa da covid-19. 

Hodiernamente, lidamos com uma gama de informações circulando por toda parte sem nenhum filtro, isto é, ao mesmo tempo em que se tem acesso a dados e notícias corretas, tem-se também o acesso a fake news e concepções especulatórias sobre temas que se baseiam em fatos e não em opiniões, principalmente ligados à ciência.  Isso traz consequências ao Estado Democrático de Direito na medida em que esse anticientificismo alcança esferas importantes de poder de decisão, saindo do âmbito de opiniões populares e chegando a pronunciamentos de autoridades de estado.

Desde o final de 2019, a Covid-19 vinha sendo pauta de noticiários e maiores estudos por parte dos pesquisadores. Neste ano, se tornou uma pandemia, afetando mais de 180 países, dentre eles o Brasil. No Brasil, particularmente, nota-se o fenômeno do anticientificismo bolsonarista, que liga a falta da crença na ciência ao populismo do presidente Jair Bolsonaro e suas alegações escrúpulas e sem embasamento. O Presidente da República, em diversas ocasiões, zombou e ridicularizou do papel da ciência na luta contra uma das maiores doenças do século, apontando que a mesma seria uma “gripezinha”, contrariando seu próprio Ministro da Saúde que alertava para a possibilidade de um colapso no sistema de saúde se nada fosse feito para conter o avanço da pandemia. 

Alegações e pronunciamentos, principalmente por parte de pessoas públicas e influenciadores sem embasamento entram em conflito direto com o Estado Democrático de Direito, uma vez que ele prevê a proteção e garantia dos direitos fundamentais como modo de proteção e respeito aos cidadãos. Quando determinadas figuras públicas, como o Presidente da República, líderes religiosos e famosos falam para a população ignorar os avisos, tal direito é violado e põe em risco a vida das pessoas frente uma pandemia. Relacionado a esse direito, existem ainda, diversos questionamentos frente à Covid-19 sobre o direito de ir e vir desde que a quarentena foi colocada em prática, todavia, deve-se entender que, ir contra uma medida de segurança nacional para proteção dos cidadãos fere o direito de outras pessoas e põe novamente em risco o a República democrática.

Além disso, sobre o quadro de propagação da Covid-19 diferentemente do que é propagado, a ciência atua como personagem principal na luta contra esse vírus alarmante, uma vez que, através de estudos, resultados e fatos ela, em uma busca frenética, procura salvar e cuidar da população. Os avisos e indicações por parte dos cientistas precisam ser seguidos rigidamente, porque diferente de muitos outros pronunciamentos, eles têm dados e comprovações. 

É preciso sempre relembrar a população que o domínio de um assunto vem de estudiosos e pesquisadores da área e não de líderes fanáticos e pessoas leigas no assunto. A ciência, principalmente em tempos de pandemia, deve ser exaltada e apoiada, oferecendo bolsas de pesquisa, ao invés de corta-las, incentivando o prestigio da área e não desmoralizando-a, pois como já citava Sócrates “A vida sem ciência é uma espécie de morte.”

Isabel Borderes Motta - 1° ano de Direito - Período Noturno 

A ciência como alvo


A ciência constrói-se a partir da existência da dúvida, como apresentado por Karl Popper “O espirito da ciência é o mesmo de Sócrates. É um espirito de dúvida, anseio pela verdade e humildade”. Logo a concepção de uma ciência fixa e certeira é irreal, uma vez que a ciência é um processo e não uma finalidade. Em decorrência disso pressupõem-se o direito de confrontar a ciência de formas não cientificas, como o achismo, a pseudociência, entre outras, que em meio a suas premissas está a suposição de verdade que se válida em si mesma ou no desconhecimento da realidade, resulta em uma leitura de mundo com seus fins, mas em um desconhecimento de sua constituição.
Portanto, o direito de confrontar a ciência sem mais ciência se resume a uma relação de desconexão com a realidade. Sendo assim a não difusão do conhecimento, mas sim sua imposição por vias de finalidade tem como resultado um indivíduo alienado uma vez que não possuindo reconhecimento do mundo em sua natureza, mas sim de suas finalidades passa por um processo de construção de falsas verdades para suprir as lacunas do desconhecido. Logo o fenômeno das “Fake News” e diversas outras manifestações que tem acontecido no Brasil e no mundo, ao exemplo dos graves ataques ao isolamento social e ao discurso de sobreposição da ciência frente a pressão econômica e política tem por base a concentração do conhecimento em uma elite intelectual em um mundo pautado no cientificismo. Com isso, o conflito com a ciência hoje se apresenta como uma anomia social segundo Emile Durkheim uma vez que existe um processo de desintegração das normas sociais e a busca por solidez em um “oceano” desconhecido resulta na aceitação de verdades verdadeiras por si só.
Com isso, o fenômeno contemporâneo de ataque a ciência deve ser observado como realmente é, um grito de desespero de pessoas que ao se depararem com o desconhecido utilizam mecanismos para suprimir a falta do processo para se construir a realidade.


-Rafael Bashiyo Baz
-Primeiro ano de Direito, Turma matutina

Prioridades

René Descartes defende que o bom-senso é inerente a todos os seres humanos, o que em outras palavras quer dizer que a capacidade de julgamento e de chegar a uma conclusão existe em toda e qualquer pessoa. O que o filósofo do século XVI não esperava era que no futuro (que conhecemos como hoje em dia) a liberdade de expressão seria dada a tantas pessoas, e que elas se concentrariam em um só lugar: a internet.

Não me entendam mal, não acho que a rede seja uma maldição para a humanidade, pelo contrário, ela deu luz a muitas descobertas, como a primeira foto de um buraco negro que aconteceu recentemente, e ainda permite a divulgação dessas maravilhas da ciência, o que fez a fotografia do buraco negro ser uma das mais compartilhadas. Em tempos de pandemia mundial, a facilidade de comunicação, compartilhamento e difusão de informação seria uma arma poderosa contra o vírus se não existissem aqueles que vão contra a ciência e insistem em dizer que os cientistas estão errados.

A frase “eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” (que graças a uma rápida pesquisa na internet eu descobri ser de Evelyn Beatrice Hall, biógrafa de Voltaire, e não do filósofo), demonstra como o direito a liberdade de expressão é importante e essencial para a estruturação da sociedade. Porém, diante das fake news e do mal que elas podem fazer ao mundo, ainda mais diante da doença que precisamos enfrentar no momento, a autonomia para dizer o que bem entender não é uma das prioridades.

Confrontar a ciência é importante, uma vez que toda grande teoria científica nasce de uma dúvida e de uma observação, mas fazê-lo sem pensar nas consequências e sem ter evidências reais daquilo que se está falando, é um erro que vem sido cometido por muitas pessoas e que como um vírus pode se espalhar rapidamente. Como escrito por George Orwell no livro 1984, “liberdade é a liberdade de dizer que 2+2=4”, o que em outras palavras quer dizer que a verdade é imprescindível para se alcançar a liberdade, tanto de expressão quanto para sair nas ruas novamente, sem risco de contaminação.

Referências: 
SOARES, Jéssica. Superinteressante, 21 de dezembro de 2016. Disponível em: <https://super.abril.com.br/blog/superlistas/8-frases-iconicas-que-nunca-foram-ditas/>. Acesso em: 16 de abril de 2020. 

Aluna: Beatriz Araújo Gomes - 201223066
Primeiro ano - matutino .

terça-feira, 14 de abril de 2020

A utilização do direito como mecanismo para confrontar a ciência diante do atual contexto pandêmico vigente

Definida como a garantia da livre manifestação de opiniões e convicções, sem qualquer tipo de represália ou retaliação, a liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais que sustentam qualquer Estado Democrático de Direito. Entretanto, a utilização dessa premissa torna-se inválida quando passa a ser utilizada por terceiros como mecanismo para exaurir as instituições desse sistema. Nesse contexto, diante da atual pandemia global de coronavírus (covid-19), deve-se examinar como o atual mandatário do Poder Executivo da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, sob a justificativa de estar assegurado pelo direito da liberdade de expressão, confronta o pensamento técnico-científico, utilizando fatos inverídicos para legitimar suas ações errôneas que, além de não possuírem nenhuma base epidemiológica evidente, nada são proveitosas para a superação da maior crise sanitária mundial do século XXI.

A princípio, constata-se que, da mesma maneira que uma parcela do ramo empresarial, o Presidente Bolsonaro está apenas preocupado com as futuras consequências econômicas que serão ocasionadas pela adoção do isolamento social por parte da população, principal medida de prevenção da doença,  proposta por notórios médicos infectologistas, bem como outros chefes de Estado, e como isso afetará sua tentativa de reeleição para o cargo que atualmente exerce, em 2022. Com o intuito de esmaecer tal recomendação, advinda de procedimentos científicos realizados por especialistas da área de saúde, e, dessa forma, favorecer seu projeto político, Bolsonaro, nas últimas semanas, tem feito afirmações infundadas acerca do coronavírus. A título de exemplo, no final de março, Bolsonaro declarou que a transmissão da covid-19 em lotéricas é impossível, visto que o vidro que compõe as mesmas é blindado. Calha outro exemplo: sem nenhum embasamento epidemiológico, no dia 12 de abril, o Presidente anunciou que “vê a covid-19 começando ir embora”, sendo que o pico de casos da doença, de acordo com profissionais do Ministério da Saúde, é esperado para o mês de maio a junho, estimulando que a população descumpra medidas de prevenção à transmissão do vírus orientadas por vários municípios e estados do país antes do momento correto para, assim, a paralisação econômica em curso ser interrompida.

Ademais, infere-se que, quando suas falas, desvirtuadas da verdade, são questionadas, por exemplo, pela imprensa, o Presidente Bolsonaro utiliza-se de garantias promulgadas pela Carta Magna, como a liberdade de expressão, para afrontar a ciência e validar suas inverdades. Quando publicações de Bolsonaro realizadas no Twitter foram apagadas pela própria rede social, por “propagar conteúdos contra informações de saúde pública de fontes oficiais e, assim, colocar pessoas em maior risco de transmitir a covid-19”, seus apoiadores, com auxílio do chamado Gabinete do Ódio, que atua dentro do próprio Palácio do Planalto, disseminaram que a respectiva empresa realizou atos de censura e que isso é inadmissível, segundo a Constituição Federal. Entretanto, nenhum cidadão, tampouco um chefe de Estado, pode usar dessa garantia para colocar a vida de milhões de pessoas em risco, o que enfatiza o uso ilícito do direito como procedimento para fasear o pensamento técnico-científico. Vale ressaltar que o emprego do direito como meio para enfrentar a ciência diante da epidemia vigente é um fenômeno que vem ocorrendo globalmente. No Turcomenistão, por exemplo, a utilização da palavra “coronavírus”  foi proibida no local, o que certamente dificulta a emissão de pareceres científicos acerca da patologia no referido país.

Com isso, torna-se evidente, além da notória ausência de bases epidemiológicas científicas na realização de ponderações errôneas, todo o cinismo de Jair Messias Bolsonaro ao utilizar o direito como ferramenta de propagação da desinformação. A propósito, a liberdade de expressão está sendo justamente o motivo pelo qual a Procuradoria-Geral da República tem arquivado pedidos de medidas contra Bolsonaro, o que salienta que, infelizmente, a utilização do direito como mecanismo para confrontar a ciência perpetuará até o final da pandemia, a não ser que as instituições do Estado Democrático de Direito finalmente exerçam suas obrigações constitucionais, com a instauração de providências para conter esses absurdos, como um processo de impeachment.

Luís Arquimedes Takizawa Albano - Direito Noturno

segunda-feira, 16 de março de 2020

Modelos sistêmicos em combate às arbitrariedades.


Na obra cinematográfica Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, um trabalhador é submetido a condições limítrofes de existência e de sobrevivência em uma fábrica. A coisificação desse indivíduo, oprimido pela produtividade, é representada e criticada pelas cenas nas quais ele é esmagado pelas engrenagens da indústria e pelos seus colapsos nervosos. Essa realidade pós Revolução Industrial é tanto causa quanto consequência da submissão dos indivíduos aos sistemas que os envolvem, com suas particularidades e ressalvas, desde o Antigo Regime: submissão aos senhores, aos monarcas, ao capital. Em concomitância, à Ciência foi atribuído cada vez mais o caráter mecanicista influenciado pelo método cartesiano de pesquisa: a maneira de se produzir conhecimento foi sistematizada com a análise separada de fenômenos para a posterior compreensão do todo. Contudo, essa dinâmica, herdada do século XVII, tornou-se obsoleta e incapaz de explicar muitos dos problemas estudados: não basta ter controle sobre os processos, mas é necessário compreendê-los. Covid-19; crises nos sistemas de  saúde; adoção de políticas econômicas neoliberais; histeria e desinformação. Esses são exemplos de como é necessária a adoção de modelos sistêmicos a fim da compreensão do todo para a resolução de problemas que nos cercam de maneira inteligente e eficaz.
  Sob outro ponto de vista, é possível analisar que da mesma maneira como os Estados têm controle sobre sua economia e sobre os seus sistemas produtivos, têm também sobre sua produção científica, vide o incentivo ao desenvolvimento de vacinas em momentos de epidemia que possam comprometer a produtividade ou ao desenvolvimento bélico dos países em situações de guerra, a exemplo dos infelizmente já conhecidos armamentos nucleares. Isso faz com que, assim como as máquinas industriais foram as responsáveis pela equalização dos operários em condições miseráveis em prol do enriquecimento da classe burguesa, a Ciência torne-se um novo fator de coisificação do homem e da transformação dele em mais do que uma máquina produtiva: em uma potencial máquina de destruição. Destarte, nota-se como os Tempos Modernos são, na verdade, a repaginação dos Antigos com o advento das máquinas e da tecnologia: a arbitrariedade foi transferida dos soberanos aos saberes científicos; é de grande interesse o desenvolvimento de novas tecnologias porque a aplicação delas nos sistemas produtivos faz das arbitrariedades com o povo não inexistentes, mas veladas e impessoais, o que garante a manutenção dos poderes e dos privilégios das elites. 

ciência: uma moeda de dois pesos

 É possível analisar, na atualidade, como os conceitos devem ser relativizados e como é complexo, se não abstrato, chegar a uma verdade absoluta. O filme "O ponto de mutação" deixa isso bastante explícito ao demonstrar os diferentes pontos de apoio do pensamento científico, a evolução da racionalidade ao passar do tempo e a distinção nos modos de ser e de pensar de cada personagem quando comparada a outra.
 Ao unir um poeta, uma cientista e um candidato a cargo político, o enredo demonstra a heterogeneidade da sociedade contemporânea, na medida em que estes tem ideais distintos e expõem seus pensamentos ao se unirem em diálogos acerca de assuntos do mundo moderno.
 A racionalidade e a experiência também entram em pauta, em forma de uma discussão que remete a conceitos discutidos há vários séculos: à mecanicidade ou não da natureza, à visão dos organismos como partes de uma cadeia complexa e indispensável, à posição da mulher perante a vida social e seu papel na ciência, aos interesses e desenvolvimentos dos governantes em prol de interesses específicos e aos sistemas, no caso como vigente o capitalismo.
 Ou seja, tal produção cinematográfica pode ser usada como ponto de partida para uma ampla análise acerca do mundo contemporâneo, o que abre inúmeras discussões e reflexões, que podem ser tidas como indispensáveis para a evolução do pensar e para a busca de respostas que, ao menos no momento, possam ser tidas como mais verossímeis.
 Assim, o que fica concluído é que, apesar de todos os avanços já encontrados pela ciência e pela razão, o mundo ainda pode ser tido como uma folha em branco, que aguarda por descobertas e avanços, como forma de, possivelmente, guiar melhor os atores sociais em suas ações e, gradativamente, à maior racionalização de seus grupos sociais. Isso só poderá ser alcançado com a defesa do pensar crítico e pela fome de mais e mais conhecimento, como um motor responsável por nunca trazer a estaticidade, de modo que fique claro que a ciência é como uma moeda de dois pesos: ao mesmo tempo em que traz respostas muito almejadas, passa a considerar equivocados ideais que foram tidos como absolutamente verdadeiros e irrefutáveis, muitas vezes, por séculos, e isso é uma relação em cadeia, o que foi considerado verdade agora, pode ser desmentido amanhã, e vice-versa, e que podem ser vistos como positivos ou negativos, dependendo de como são usados e de quem detêm seu poder.

Maria Paula Castro Gonzaga
1° Ano-Matutino

Escravidão-mor

A máquina trabalha
Até onde ela conseguir tolerar
Mas essa é uma verdade falha
Pois ela não vai suportar

Na ganância do consumismo
Nos colocamos acima de um bem maior
Tal como o etnocentrismo
Que demonstra que estamos na pior

Será que precisamos dessa cultura para sobreviver?
Ou ela tem como único objetivo nos fazer comprar?
A real é que estamos fadados a morrer
Caso essa realidade passe a permear

A natureza é escrava de toda uma sociedade
Refém daqueles que controlam os meios de produção
E eu pergunto, onde está a alteridade?
Mas nem todos renunciam dos seus desejos em busca da abnegação

A natureza trabalha
Até onde ela conseguir tolerar
Mas essa é uma verdade falha
Ela já não consegue mais suportar.

Cidmaicon B. de Jesus (1º ano - noturno)

A Mecanização e o Meio Ambiente

     De maneira geral, na história da humanidade é possível notar nas comunidades humanas tendência de padronizar, seja de costumes ou ações do dia-a-dia. Nesse sentido, a mecanização se dá como uma das consequências, na qual o homem passa a ver tudo como um produto/ coisa, mostrando o reflexo do sistema industrial capitalista e uma forma de perpetuação do mesmo. Porém, até que ponto a humanidade coisifica?
     Atualmente, uma das maiores preocupações da humanidade é o meio ambiente. Com o novo modo de governança global, os aspectos ambientais não são mais vistos de modo isolado, mas sem fronteiras. Isto é, a natureza está interligada, assim, acontecimentos na Amazônia, situada na América, pode afetar outros continentes como o euro-asiático. Dessa forma,  a utilização desenfreada dos recursos ambientais que se deu nos séculos XIX e XX, impactou o equilíbrio do ecossistema da Terra. É evidente que com a mecanização o homem deixou de se preocupar com as consequências futuras de seus atos e agiu a fim do objetivo: maior rendimento industrial.
     À vista disso, é notável que o homem é capaz que comercializar qualquer coisa para o próprio bem, negligenciando as consequências. Espera-se que a humanidade note que a natureza trabalha em perfeito equilíbrio e que somos nós que temos que nos adaptar a ela.

Gabriela Cardoso dos Santos
Primeiro Ano de Direito - Diurno

Modelo cartesiano e sua relação de analise da natureza


A crítica ao modelo cartesiano e sua relação com as diferenças de gênero no direito

No filme ‘’Ponto de Mutação’’ acontece, em um determinado momento, uma discussão entre um politico, um poeta e uma cientista sobre o funcionamento de um imenso relógio antigo, a cientista critica a maneira como os políticos enxergam a natureza, assim como descartes, que comparou a natureza e seu funcionamento a de um relógio, onde é possível separar todas as partes e assim, entender o todo.
Ela contesta que o mundo não pode ser repartido em pedaços para ser analisado, mas sim, entender o todo, já que se você remover o objeto de estudo de seu meio, o resultado encontrado não será o correto, pois o objeto e seu contexto estão totalmente interligados.
Por conseguinte, podemos levar a análise da cientista a outros âmbitos do cotidiano, já que muitas situações são entendidas de uma forma cartesiana, entretanto, a sociedade e suas diversas nuances não podem ser pesquisadas como um evento único, mas sim consequência de ações no passado e reflexo de seus habitantes do presente, fazendo com que a reflexão sobre as diferenças de gênero no direito, por exemplo, deva ser feita de forma a entender todas as suas particularidades.
Em suma, se formos analisar o privilégio masculino no mercado de trabalho, verificando somente se existe um percentual de contratação feminina ou uma lei que tenha como objetivo garantir essas contratações, o resultado mostrará que existe sim um percentual de contratação, e existe também um capítulo da Constituição Federal de 1988 que tem por objetivo a proteção do trabalho da mulher, porém, se analisarmos de maneira mais ampla, considerando além das variáveis apresentadas, também outros fatores, perceberemos que mesmo com todos os recursos atuais, a relação da mulher no mercado de trabalho é totalmente desigual se comparada à do homem.
Portanto, conclui-se que a cientista no filme, se mostra correta em questionar os métodos de avaliação dos políticos em relação a natureza, já que a mesma é uma forma orgânica, não uma máquina, e assim deve ser avaliada de acordo com sua especificidade.

Sociedade Global e suas ligações



Proposta por René Descartes, o discurso do método foi uma verdadeira revolução no pensamento científico do século XVII, de tal forma que até hoje é reconhecido e estudado nas escolas e universidades brasileiras. Nesta obra de grande relevância para a ciência moderna, é proposta uma nova maneira de observar os fenômenos, de forma objetiva, de maneira a evidenciar a racionalidade humana, o que posteriormente ficou conhecido como “lógica cartesiana”.


Embora todos os avanços conquistados através desta proposta de pensamento, boa parte da ciência levou - e leva até hoje - essa concepção como um fio condutor para conquistar novos espaços e conhecer o mundo ao seu redor. Entretanto, esse pensamento hegemônico pode e deve ser questionado. Por intermédio do filme “O ponto de mutação”, baseado no livro de mesmo nome escrito por Fritjof Capra, por meio do diálogo das personagens é possível entrar em contato com uma outra visão, entendendo o mundo como uma organização que está interligado em diversos sentidos, não só nas relações humanas. Isto posto, passamos a (re)pensar a forma em que vivemos. Tendo como exemplo o caso de pessoas buscando o título de cidadão refugiado. Uma pessoa que quer sair de seu país por diversos motivos, e chegar até outro onde teoricamente terá mais oportunidades de sobreviver e se estabelecer. Chegando a esse novo país, como ela vai se sustentar? Existem mais pessoas na mesma situação? A desigualdade social pode ser um fator determinante para essa mudança? Essas questões reforçam a ideia de que ao chegar nesse novo país, essas pessoas se ocuparão em subempregos (não que seja uma verdade absoluta), aumentando ainda mais a desigualdade que ali já existe e em casos muito mais extremo, ao trabalho escravo. No livro “Tráfico de pessoas para Exploração Sexual: Prostituição e Trabalho Sexual Escravo”, organizado pelo Prof. Dr. Paulo César Corrêa Borges, é citado a frase que resume a maneira como as sociedades estão organizadas: “As democracias nacionais são ditaduras internacionais” (Antonio Gonzáles - pag. 278), ou seja, de nada adianta buscar soluções pontuais para países com grande taxa de emigração, sem que haja uma análise global de tudo que pode influenciar a saída de uma pessoa de seu país. Portanto, além de todas os fatores que cercam, a desigualdade social ainda é a maior das mazelas da humanidade. Para existir um país rico, precisa que haja muitos outros pobres produzindo seus alimentos e suas matérias-primas.

Uma nova maneira de pensarmos a ciência e a realidade

No filme "ponto de mutação", adaptação da obra do físico Fritijof Capra, uma das discussões apresentadas se relaciona fortemente com o relógio. Esse instrumento mudou a maneira como a humanidade enxerga a própria natureza. Em um dos momentos do filme, a personagem Sonia Hoffman, interpretada pela atriz Liv Ullmann, explica que os seres humanos começaram a comparar o funcionamento desse instrumento com a natureza, chegando à conclusão de que os dois teriam funcionamento muito semelhantes. Essa visão mecanicista faz uma analogia entre o funcionamento mecânico de um relógio e os fenômenos naturais, na qual ambos podem ser “desmontados”, “reduzidos a um monte de peças simples e fáceis de entender”, e, logo após isso, passamos a entender o objeto estudado.

Esse comentário presente no filme traduz uma das bases do pensamento científico. Ele foi consolidado a partir da Revolução Científica, movimento intelectual ocorrido na Idade Moderna e que contou com forte contribuição de pensadores como Galileu Galilei, Francis Bacon e Descartes e que ainda ecoa na atualidade.

No entanto, a partir do século XX, um pensador francês chamado Edgar Morin passa a tecer fortes críticas a essa forma de pensar o mundo. De acordo com uma de suas conferências realizadas nos anos 90, conhecida como “Por uma reforma de pensamento”, o autor defende é preciso que conciliemos esse modo de pensar mecanicista com um sistêmico. A razão dessa união seria o desenvolvimento de um pensamento “complexo”, (palavra que vem do latim e significa “que é tecido em conjunto”), ou seja, um pensamento baseado da Teoria dos Sistemas, em que cada parte dialoga com outra e se percebe como parte de um todo impossível de se separar, necessitando que a análise seja feita sempre em conjunto.

O motivo seria o fato de que a maior parte dos fenômenos naturais estão intimamente conectados e que ao tentarmos separá-los, a analise será rasa e inverossímil, afetando seriamente a produção de um conhecimento confiável.


Portanto, é preciso que se desenvolva na atualidade um pensamento que una, ou seja, um pensamento complexo. É preciso globalizar e contextualizar, situar num conjunto se houver um sistema. Na opinião do autor, essa reforma deve se iniciar nas escolas primárias e em pequenas classes, por meio de uma reforma educacional que reforme primeiro os espíritos e depois as instituições. 

DIOGO PERES TEIXEIRA - 1º ANO  DIREITO MATUTINO

Perspectiva mecanicista e o meio ambiente

O filme “Ponto de Mutação” do diretor Bernt Amadeus Capra é baseado no livro de seu irmão Fritjof Capra. Nesse longa-metragem é abordada a discussão de três indivíduos, Jack- um político e ex-candidato à presidência que está procurando por inspiração, pois está desmotivado e quer ter suas próprias ideias-, Thomas- um poeta e professor de literatura- e Sônia – uma cientista e física que está pensando nas consequências de suas invenções na mão dos militares como a criação do raio-x que pode ser usada tanto para o bem como para o mal, assim como, ela quer propor uma nova maneira de ver o mundo. Juntos, eles analisam o método cartesiano e mecanicista, a ideia de analisar as coisas por partes para depois conseguir entender o todo – utilizado no filme como exemplo o relógio e seu funcionamento-, discutem e tiram suas conclusões sobre esse assunto.
No decorrer do filme, eles argumentam sobre o meio ambiente e a perspectiva mecanicista. Hodiernamente, não é possível estudar a natureza sem entender várias áreas do conhecimento como sua composição - fauna e flora-, população e economia. Um exemplo é o fato de o consumismo ser responsável por problemas ambientais. Você sabia que a produção de uma folha de papel sulfite gasta 10L de água? Uma xícara de café 130L? Uma barra de chocolate 1,7mil litros? Uma camisa de algodão 2,5mil litros? Uma calça 10 mil litros? Esses são apenas alguns dos itens que gastam grandes quantidades de água apenas na sua produção (calculado pela pegada hídrica) e muitas pessoas não possuem esse conhecimento. Tal fato foi parte do tema da redação da UNESP de 2018, na qual a frase de Descartes “Penso, logo existo.” foi reescrita para “Compro, logo existo.” e os vestibulandos deviam discutir sobre o consumismo ou, a de 2019, “O carro será o novo cigarro?” que reflete sobre as consequências da utilização do carro sob o meio ambiente. Logo, o consumismo é um dos fatores causadores dos problemas ambientais.
Outro exemplo é o uso dessas terras para a plantação de soja e cana, o avanço da fronteira agropecuária e a mineração que tem causado o desmatamento de grandes áreas. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) o desmatamento da Amazônia no mês de junho equivale a 100 mil campos de futebol. Além disso, o bioma Cerrado com sua abundância de espécies endêmicas é um dos hotspots, ou seja, sofre uma excepcional perda da sua biodiversidade e está em grande risco.
Dessa forma é possível concluir que o meio ambiente envolve várias áreas do conhecimento e não pode ser estudados por partes, tem que se entender o todo e as suas relações.

Maria Júlia Servilha Hasegawa- 1º ano- noturno

Coitada da moça

Coitada da moça

Coitada da moça,
Foi abusada
“Mas também,
Só passava de minissaia"

Lá vai o homem passando
Sem camisa
Quase nenhum pano
“Que engraçado!
Deve estar brincando”

Lá vai a mulher entrar na política
“Mas que burra!
Não viu o que aconteceu com a Dilma?”

Olha a mulher,
Quer trabalhar
“E se seus filhos ficarem doentes?”
“E se você engravidar?”
Minha querida,
Você tem 3 crianças pra criar

Ah, agora quer se divorciar?!
Mulher! Sou eu que pago suas contas!
Você não tem pra onde correr,
Nem lugar para ficar!

Ah mulher... quer mesmo fazer diferente?
Apenas 15% no Congresso...
A cada 2 minutos alguém te espanca...
Desiste
Como saber quando chegará no seu momento?

Angela S. Dos Santos - 1°ano matutino


Ciência enquanto dicotomia

Interiorizar o mundo é dar um passo ao desconhecido. Recolher impressões, nutri-las de pensamentos e então gradualmente construir uma visão única e redescoberta. Tudo parte de si e retorna ao mesmo ponto. É necessário visão quase inconclusiva e a certeza de que sentir é mais do que analisar. Encontro invariavelmente esse mundo e o contato é assustador, pois o tenho vivido eu mesmo, na verdade incorpórea e na busca sem fim.
A racionalidade é um tênue véu sobre a humanidade. A ciência é a tentativa de alcançar uma verdade e ultrapassá-la. Ciência inspira controle. Seu fim último é a submissão. Nos meus estudos físicos esgoto minha paixão. Quero controlar as ondas e os resultados experimentais. Quero achar o que busco. Mas nem dos resultados estou certo, esses podem ser usados diferentemente e para fins além de minha vontade. A ciência é eterna dicotomia, justamente por ser um fruto humano prático que serve a um propósito. Em um mundo tão confuso, o que é de fato a dissimulação? Assim é que muitas vezes a importância de algo tão grandioso é apenas material. Eu mesmo lido com alguns problemas de financiamento, e se alguém conseguir dar ao meu trabalho um teor rentável, terá maior êxito. Ah, a tão mundana ciência.
Capra alcançou áreas assustadoramente desconhecidas em mim. Fundou-me enquanto cientista e deu bases à minha pesquisa. Foi ele a mudança natural, o ponto de mutação para que me inspirasse a buscar fora de mim – uma verdade ao menos? Ainda não descobri. A física é construção a partir de abstrações e do encontro de perspectivas distintas. Questiono as bases que servem de apoio à apreensão da realidade. Sinto-as, mas explicá-las parece impossível. Como dar regra ao ilimitável? Há verdades de que todos sabem inconscientemente. O papel da ciência seria explicar o desconhecido, tanto na ruptura entre homem e natureza, quanto nas suas mudanças internas. O pensamento complexo de contextualizar, entender o todo, os sistemas em funcionamento. As peças agem sobre o todo e isso é recíproco. O conhecer vem evoluindo aos poucos. Capra inspirou a minha sistematização.
Mas sempre me desconheço. Estou inserido em contextos maiores, assim como uma simples árvore no seu ecossistema. Há na verdade grandes problemas a resolver, axiomas que aguardam uma conclusão, enquanto outros estão distantes demais. Cada mínimo passo é necessário, mas que antes se definam com prudência os destinos e os meios para alcançá-los. No mais, como uma discussão tão complexa, é certa a inconclusão.
A ciência deve impulsionar-se por ela, crescer alimentando-se da curiosidade e pautando-se na ética.

Lucas Rodrigues Moreira - Direito Matutino

A morte faz parte da vida

        No início do filme “Ponto de Mutação” uma guia explica aos turistas que o cemitério da cidade se  encontra no meio dela, por entre as casas, pois, “a morte faz parte da vida". Durante a longa caminhada dos três protagonistas, tal frase, ainda que de modo sútil, permeia diversos dos principais temas discutidos, principalmente no que tange a relação homem-natureza.
         Em uma primeira perspectiva, grande parte da dissociação feita pelo homem entre ele e os outros seres em geral vem da necessidade da compensar a sua mortalidade. Os diversos avanços da ciência proporcionaram aos seres humanos um senso de que somos superiores às demais formas de vida da Terra, o que torna a ideia de sermos tão mortais quanto tudo a nossa volta, algo revoltante. Graças à ciência podemos curar nossas doenças, explorar o espaço e o oceano, nos locomovermos com uma rapidez nunca antes pensada e, até mesmo, criar inteligências artificiais, o que passa a sensação de sermos onipotentes e também, desse modo, a convicção de que a natureza está aqui para nos servir. No entanto, também não passa despercebido que, assim como tudo vivo na Terra, nós também deixaremos de existir, porém, com toda essa nossa concepção egocêntrica de que somos sim mais avançados, lidar com o fato inevitável de que a morte faz parte da vida tornou-se algo insultante.
        Em uma análise mais aprofundada, outro motivo pelo qual a ciência contribuiu para a criação de um olhar mecanicistas e exploracionista das coisas foi a criação de armas de destruição em massa. Durante o filme, o poeta diz que a culpa de ninguém se preocupar com o planeta é dos cientistas, pois foram eles que inventaram a bomba atômica e, por isso, não fazia mais sentido cuidar de um planeta que poderia deixar de existir a qualquer segundo. Se vivemos em um planeta em que não só, em nossa concepção, existe para nos servir, mas também pode acabar a qualquer segundo, cuidar do mesmo deixa de fazer sentido, tal fato pode ser facilmente observado na insistência em um modelo de consumo exagerado que diminui o tempo de vida do planeta. Nesse caso, há uma banalização da morte do planeta, pois se esta é inevitável, acelera-la não seria um problema, pois o fim é o mesmo, o sentido da frase “a morte faz parte da vida” é, assim, levado ao seu extremo.

Isabelle Carrijo Mouammar - Direito Matutino - 1° ano

Inseparável mundo novo


     Muito tem-se discutido na antropologia atual sobre a importância da contextualização e interpretação dos fatos de maneira conjunta. Como oposição a isso, método cartesiano mantem-se em atividade, o que é motivo de discussões e complexas incertezas.
     O filme “Ponto de Mutação” trata sobre isso. Em um roda de conversa formada por um político extremamente pragmático, um poeta desiludido e uma cientista revoltada, são levantados, especialmente por parte desta, questionamentos sobre o modo com que a sociedade atual age perante ao desenvolvimento do mundo. A mulher, que coordena o ritmo da conversa, faz duras críticas ao sistrema capitalista e a forma com que as políticas lucrativas colaboram para a destruição do mundo, usando como exemplo a floresta amazônica. A engrenagem da conversa se dá por uma “disputa” intelectual entre ela e o político.
     O debate se da quanto ao método cartesiano aplicado em todo o mundo. Seria a separação de disciplinas algo colaborativo, ou um fator de descrédito para a humanidade? Convém dizer que Descartes viveu há séculos atrás, quando a ciência dava seus primeiros passos, e o conhecimento sobre o mundo ainda era muito incerto (se é que ainda não o é). Em razão disso, a separação do conhecimento em disciplinas colaborou muito para o avanço humano. Porém, no mundo atual, é necessário considerar que nada ocorre por si só, ou seja, há sempre influências diretas e indiretas de um acontecimento para outro, principalmente no mundo globalizado. Há exemplo temos o recente COVID-19, ou Coronavírus, que surgiu na China e hoje infecta todo o globo. Como já se sabe, o contágio não apresenta grandes riscos para a humanidade, no entanto, quando analisadas as consequências da fácil transmissão, e não apenas o modo de agir desse patógeno, percebemos que o potencial prejuízo vai muito além, pois devem ser considerados o número insuficiente de respiradouros nos hospitais (uma vez que a doença ataca o sistema respiratório), o respaldo econômico (com observadas grandes quedas nas bolsas) e o bloqueio de instituições de ensino, por exemplo.
     Em síntese, a contextualização é indispensável, o que acaba, de certa forma, por desvalorizar as ideias de Descartes, ainda que tenham contribuído muito para a construção da ciência moderna. É necessário compreender a importância do filósofo francês e, ainda assim, assumir que novos modos de busca do conhecimento são mais aptos para o mundo hodierno.



Gabriel Nogueira. Primeiro semestre, noturno.


O que se cala: conhecimento sob a perspectiva decolonial


       No filme “O Ponto de Mutação”, discute-se como o tempo, antes orgânico, passa agora a funcionar de modo mecânico, influenciando a percepção de como o universo e seus fenômenos se dão. A especialização, fruto da ciência moderna, é criticada por representar uma limitação do que o mundo vê em relação a seus objetos de estudo e observação. Para haver uma transformação nesse sentido, então, é preciso que se mude também o instrumental para ler o mundo.
Sob essa ótica, se insere o que a artista interdisciplinar, escritora e teórica, Grada Kilomba, demonstra em suas performances e em seu livro “Memórias da plantação”: no mundo pós-colonial, conhecimento, erudição e ciência estão intrinsicamente ligados ao poder e à autoridade racial. A pensadora demonstra isso por meio da identificação do espaço acadêmico como um espaço branco, onde o privilégio da fala é comumente negado às pessoas negras. Essas pessoas são colocadas num lugar de “Outridade” em relação à norma, ao que é dominante, ou seja, à sociedade branca. Assim, pessoas negras são feitas objetos de discursos estéticos e culturais predominantemente brancos, não lhes cabendo a posição de sujeito, isto é, de quem conta sua própria história, é ouvido e não tem sua fala desqualificada.
Nessa toada, Kilomba coloca os seguintes questionamentos: “o que é conhecimento?; Qual conhecimento está reconhecido como tal? E qual não?; Qual conhecimento tem feito parte das agendas acadêmicas?; Quem pode ensinar conhecimento? E quem não pode?; Quem está no centro? E quem permanece fora, nas margens?” E, analisando o contexto social em que vivemos, ela chega à conclusão de que “a ciência não é um simples estudo apolítico da verdade, mas a reprodução de relações raciais de poder que ditam o que deve ser considerado verdadeiro e em quem se deve confiar”, criticando exatamente o que a epistemologia moderna faz ao apontar para o que deve ser questionado e considerado quando se busca adquirir conhecimento.
Assim, conclui-se que o conhecimento universal e neutro não passa de um mito, pois, na verdade, todo conhecimento advém de escolhas políticas e de aspectos da historicidade, que refletem um modo de ver o mundo, qual seja, o modo da sociedade dominante (sociedade branca). Para enxergar verdadeiramente as várias facetas do conhecimento e haver um ponto de mutação no que se entende por conhecimento, acredito no mesmo posicionamento defendido pela autora citada: no âmbito da construção do conhecimento, deve-se adotar a perspectiva decolonial. Tal perspectiva busca utilizar-se do olhar do colonizado/a para entender os fenômenos sociais, transferindo essas pessoas da posição de objeto para a posição de sujeito, a fim de alcançar uma subversão do poder colonial, que tem ditado quais vozes podem e merecem ser ouvidas há tanto tempo.

Fabiana Gil de Pádua

Exploração delas

 A exploração da natureza na Idade Moderna, legitimada pelos ideais empíricos de Francis Bacon, foi consoante com a exploração do feminino. Caçada como uma bruxa, dela extraída o que os homens davam como útil, sugada e devastada, a natureza sofreu consequências do egoísmo humano em prol da satisfação pessoal na obtenção de lucros e consolidação e posterior manutenção das estruturas do capitalismo. Então, a ciência passou a ser um mecanismo de poder, dando aos usurpadores permissão para desenvolver suas vontades e mesclá-las à grande quantidade de dinheiro envolvida, resultando num sistema intransponível que consumia quase todos que tentavam enfrentá-lo.
 Hoje em dia, no entanto, a ciência se encontra segmentada, posto que seus dois principais objetivos são: 
I. Manter a velha política por ela mesma financiada;
II. Recuperar os danos feitos pela mesma.
 Por isso, no contexto técnico-científico-informacional, a informação, a técnica e a ciência são, junto ao capital, de fato, poder. O que revela os interesses por trás dela, nos fazendo pensar sobre quem a financia e quem a transforma. O Brasil, por sua vez, reconhecido mundialmente por ser um país agrícola, sofre com o desmatamento freneticamente desde a pré-colonização, e nada significativo é feito, uma vez que a poderosa bancada do boi é hoje responsável por grande parte dos PIB nacional, manipulando a ciência para a contiguidade dessa estrutura. 
 Além disso, tal atuação é vista também na obra do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina, em que o autor expõe a esterilização forçada de grupos de mulheres marginalizadas na A.L. por filiais de empresas estadunidenses em solo latino-americano, uma vez que o sub-emprego nessas companhias era a única maneira dessas mulheres conseguirem alimento para suas famílias, as colocando numa condição de submissão àqueles que continuavam a lucrar e fazerem o que desejavam, uma vez que detinham o poder sobre aqueles ausentes de conhecimento científico e riquezas. Isso tudo configurou a analogia entre a exploração da natureza e do feminino, exposta pelo filme Ponto de Mutação.
 Também, nota-se a dificuldade das ciências em passar por cima de tudo isso e desenvolver um saber ecológico, pois, mesmo que tenha ferramentas para isso, o financiamento dessas questões vão de encontro com as estruturas fraudulentas e avassaladoras que são mantidas financeiramente pelos detentores do poder. Assim, no mundo, além de "Saber é poder", "Dinheiro é poder" também, configurando num viés pessimista sobre os avanços da ciência sobre as questões humanas e ecológicas, pois o "EU" normalmente sobrepõe-se ao coletivo, assim como exprimido por A. Schopenhauer, que coloca o egoísmo como motor fundamental do homem, regendo o mundo como lema "Tudo para mim e nada para os outros", como um aval à exploração da vulnerabilidade alheia e obtenção de benefícios nisso.

Anita Ferreira Contreiras - Direito Noturno - 1º ano

A Velha Máquina Democrática


A Velha Máquina Democrática
A sociedade vem se desenvolvendo através dos séculos de maneira econômica, social, política, hierárquica...até alcançar o ponto atual onde se encontra, um sistema antigo e funcional que não se transforma em essência, mas há a troca constante de papéis.
No filme “Ponto de Mutação” (1991) temos uma discussão entre um político, uma cientista e um poeta a respeito de diversos aspectos sociais. São encontrados nessa conversa diversos problemas da sociedade, e embora estejam certos em muitos posicionamentos e argumentos, pouco se discute sobre uma solução real sobre as falhas encontradas.
Isso se deve ao fato de que as transformações em grande escala são feitas através do poder, entretanto este é de difícil detecção pois segundo a Constituição Federal no Artigo 1° parágrafo único “Todo o poder emana do povo”, mas a realidade não é essa. A política é escrava do senso comum, pois a elite intelectual é uma classe mínima no país e sem o voto das grandes massas não se chega ao topo, portanto sem a cultura de massas não se pode governar.
A grande questão é que o senso comum é facilmente influenciado. Os verdadeiros órgãos responsáveis pelos problemas sociais são produtores dos espetáculos que cativam o senso comum, criando as demandas que dele emanam. Assim a democracia tem funcionado por muito tempo. É a linda gaiola de ouro do poder popular.  

Pedro Américo Andrade de Almeida
Direito - Noturno - 1°Semestre
UNESP 

Por uma nova perspectiva na ciência.

A especiação da ciência contemporânea é capaz de solucionar os impasses modernos? O filme “ponto de mutação” baseado no livro de Fritjof Capra, traz a tona esse debate, buscando demonstrar os impactos da metodologia científica mecanicista de Descartes na sociedade hodierna.
Segundo a obra, a visão cartesiana de dividir o todo em partes, e estudar cada parte para no final entender o todo é ineficaz, já que os problemas estão interligados como em uma grande teia. Dessa forma resolver um caso específico seria somente uma medida paliativa e não resolveria a raiz do problema.
Visando a solução dessa ineficiência da ciência vigente, a obra propõe uma visão sistêmica, ou seja ver os problemas não somente como um fato isolado e sim como parte de um conjunto. 

Portanto, a divisão do todo em partes é ineficaz, uma vez que, como um organismo, as partes estão interligadas, e muitas vezes um determinado problema não passa de um sintoma de algo maior. Assim, a metodologia mecanicista precisa evoluir e adaptar-se para compreender todo conjunto e por conseguinte ser capaz de atuar nos alicerces das adversidades.
Luiz Miguel Morais Navarro - Direito Matutino - 1° ano

A ruptura com o relógio

O filme "O Ponto de Mutação" traz como ideia principal uma discussão acerca de métodos científicos. Inicialmente, é discutido o cartesianismo, método desenvolvido por René Descartes, que consiste em analisar uma parte separada do todo para assim entendê-lo, como se a natureza fosse mecânica, ou, metaforicamente, um relógio. Trata-se do modo de pensar mecanizado, que não considera a complexidade dos sistemas em sua análise. 
Por exemplo, muitos animais estão sendo extintos, mas há diversos fatores que causam essa extinção. Muitos pensariam apenas na caça, pois ela influencia diretamente na vida dos animais, mas não pensariam no desmatamento, que desequilibra sua cadeia alimentar e causa aquecimento global, que por sua vez gera desequilíbrio nos ecossistemas. Ou seja, resolver apenas o aspecto da caça não acaba com a extinção.
Tudo está interligado, portanto, ao pensar em um problema, não deve-se pensar apenas nele, mas em tudo que o engloba. Se tentar resolver apenas esse problema, ele pode aparecer novamente no futuro, pois não foi considerado que ele ocorre por outras razões, que outros fatores interligados causam-no.
O mundo não é uma máquina, que ao quebrar é necessário apenas trocar uma peça para que ela volte a funcionar, ele está em constante evolução e torna-se mais complexo a todo momento. Quanto maior a complexidade do sistema, mais complexos são seus problemas e as suas soluções. 

Bianca Vipiéski Araújo - Direito Matutino - 1° Ano


Cartesianismo no Ponto de Mutação

O filme "O Ponto de Mutação" traz consigo diversos diálogos críticos, tanto em relação à existência humana quanto sobre medidas políticas e científicas para um progresso equilibrado para o planeta.
Apesar de lançado há quase 30 anos, suas discussões ainda se caracterizam como atuais,como por exemplo a visão cartesiana de dividir o "todo" em diversas partes e as vezes ignorando o fato de que as relações sociais, econômicas e ecológicas funcionam em uma macroescala, e dependendo de inúmeros fatores para que exista uma condição de perpetuidade e funcionalidade.
No filme, a personagem Sonia critica em diversos momentos essa visão cartesiana dos políticos, cuja habilidade de ver o Estado e seus diversos problemas sociais e econômicos como um sistema que deve coexistir em harmonia, e seus problemas devem ser pensados como consequência de outros e causa para diversos que virão, está em desuso pois crescemos em uma sociedade cartesiana e, desde os primórdios, somos incentivados a enxergar o mundo como peças isoladas e não como uma máquina operante e funcional.
Portanto, ela insiste que, para o desenvolvimento de uma condição sustentável, devemos aplicar uma visão ecológica, cuja finalidade é de entender o mundo como um grande sistema, com diversas engrenagens que influenciam umas nas outras e que devem estar operando funcionalmente, em contraponto à visão cartesiana. E para isso, é necessário um esforço para mudarmos a percepção que sempre nos foi compelida a ter, e aceitar que fazemos parte de um conjunto imensurável e inseparável de relações.



Felipe Zaniolo de Oliveira - Direito Matutino - 1° ano

Relações como um todo, como um sistema


A temática do filme “Ponto de Mutação” de Fritjof Capra aborda a oposição entre o Mecanicismo de Descartes e a Teoria dos Sistemas. O Mecanicismo pressupõe a fragmentação de um determinado objeto de estudo, a fim de compreender suas partes separadamente; já a teoria sistêmica propõe a inter-relação entres as partes, de modo que ao separa-las perder-se-iam qualidades antes existentes e, assim, comprometer-se-ia o entendimento do objeto estudado.
Visto isso, vale ressaltar que a teoria mecanicista vigorou no pensamento da humanidade por vários séculos e de forma direta e indireta influenciou no desenvolvimento de nossa história até o presente momento. Ou seja, esse tratamento individualista atribuído na economia, sociedade e relacionamento com a natureza contribuiu para a manutenção das desigualdades sociais e políticas e para a grande degradação da natureza com fins econômicos.
Desta forma, o filme traz a visão sistêmica não como solução, mas como uma alternativa. De modo que não se pode solucionar problemas singulares, mas deve-se observar o mundo como um todo, averiguar as causas que levaram a tal realidade problemática, para que, assim, seja possível preserva-lo. Para ilustrar essa ideia de forma clara, Capra utiliza do exemplo do corpo humano, o qual apresenta sintomas patológicos e ao sessar apenas os sintomas não se elimina necessariamente a doença, por isso deve-se analisar o organismo como um todo, entender o que esta causando determinado problema e posteriormente preserva-lo de forma completa e não só com relação ao que acabou-se de solucionar.
Conclui-se, portanto, que a linha de raciocínio mecanicista se encontra defasada para analisar e lidar com o mundo atualmente. Assim sendo, a maneira mais efetiva de prosseguirmos como sociedade no que se refere ao relacionamento interpessoal e ao relacionamento entre homem e natureza é a visualização dessas relações como um todo, como um sistema.

Thales Goulart                                                                                     Direito- 1ano - matutino

Ponto de Mutação: O Pensamento Mecanicista

 No filme, Ponto de Mutação, 3 arquétipos diferentes conversam sobre a modernidade e os seus efeitos sobre a humanidade em geral. para discutir isso, o político, o poeta, e a cientista percorrem uma linha história sobre o que significa o pensamento cartesiano seus resultados na atualidade.
 O principal ponto que a cientista, Sônia, possui é que para ela a política continua operando através de uma lente de pensamento parecida com a que Descartes inventou 300 anos atrás e que, tal filosofia, não serviria para explicar o mundo globalizado e tornaria a solução de problemas apenas temporário porque não se considera as consequências de certas ações de maneira sistemática. Essa também é sua justificativa para se abster da política e não votar.
 Hoje, no século 21, quando o pensamento holístico está cada vez sendo mais aceito na ciência mundialmente (que, apesar disso, ainda se prende aos formatos que nasceram na modernidade), a visão de Sônia parece extremamente privilegiada e cega. Ela continuamente insiste que é preciso de uma mudança de perspectiva em escala mundial sobre a vida em geral. Para isso, ela vira a ecologia e como o pensamento sistemático funciona melhor para um mundo globalizado. Porém, toda vez que o político tenta propor uma solução para um problemática apresentada, ela retruca com os efeitos dessa própria solução e como as causas não são combatidas e, portanto, o problema não será solucionado.
 Uma metáfora usada no filme é a de um paciente com uma doença no fígado, que recebe uma cirurgia para a sua melhora. Sonia argumenta que o problema não está realmente solucionado porque o impacto que o processo cirúrgico tem no corpo do paciente é muito alto, criando outros problemas de saúde e evitando a fonte do problema na alimentação dele. Nisso, ela cita que há maiores gastos com a criação de corações artificiais do que com a melhoria da alimentação e qualidade de vida das pessoas gerais.
 Sonia, tecnicamente, não está errada: realmente os gastos para medicina preventiva são mínimos comparados aos gastos com a "cura" de certas doenças, e se criou um mercado que se beneficia com o adoecimento constante da população. Mas esse tipo de pensamento, ou filosofia, de Sônia é inerte. Ficar insistindo que é preciso uma mudança de perspectiva enquanto, ativamente, escolher não participar da política do seu país (que afeta o mundo todo) não é só hipócrita e contra produtivo, como extremamente irresponsável. Uma mudança de perspectiva radical não é possível sem precedentes históricos. Essa mudança é um processo, que precisa ser construído através de meios tanto políticos quanto científicos. Se abdicar de votar é como se uma médica se recusasse a operar o paciente na maca porque ela acredita que é preciso mudar sua alimentação.

Isadora Lima Ribeiro - 1° Semestre/Direito Noturno

O mecanicismo como parte da sistematica

  No filme "O Ponto de Mutação" baseado no livro de Frijof Capra de 1982, dialoga-se a dicotomia racional experimental da ciência moderna e seus impactos na modernidade. Sendo está temática parte do conflito entre concepções microscópicas e macroscópicas que são conhecidas respectivamente como mecanicismo e sistemática.
   Sendo a concepção mecanicista fundada por René Descartes baseada na racionalização da metodologia do conhecimento temos por resultado a fragmentação e especialização do saber, gerando um desconhecimento do conjunto e um "superconhecimento" da parte, resultando em uma alienação(na concepção marxista, uma vez que desconhecem o conjunto e seu papel na obra) ao diálogo externo à sua "caixinha".
   Em oposição a estrutura microscópica o filme apresenta a concepção sistêmica em que o conjunto de fatos e fatores não são separados, mas sim unidos, gerando um panorama geral da realidade. Logo um fato não é apenas um fator mas sim resultado de um conjunto. Portanto solucionar problemas, dúvidas e condições não condiz apenas à parte atingida mas sim ao conjunto de atores que os solucionam ou os causam.
   Em prol da concepção conflitante entre o mecanicismo e a sistemática ignora-se que a sistemática em sua conjectura abrange o conhecimento racionalista e o expande. Logo o relógio cartesiano não rege apenas o tempo, mas sim as relações por ele suplantadas, o armamento nuclear não é apenas uma arma mas um efeito no tecido social, etc. Em decorrência disso, a realidade distancia-se de pontos e contrapontos se tornando parte de um discurso amplo e expansivo em que os problemas são parciais e a solução total.

-Rafael Bashiyo Baz
-1º ano Direito - Matutino 

A Importância das Relações Complementares

O pensamento cartesiano representa um grande marco para a ciência, dado que esse sugere, pela primeira vez, a necessidade de seguir certa metodologia pra alcançar afirmações verdadeiras. No entanto, o caráter separatista do método cartesiano é alvo de muitas críticas na atualidade. Hoje, sabe-se que para obter conhecimento mais amplo é necessário não isolar o objeto estudado de seu contexto, adotando uma visão de mundo menos mecânica e mais sistêmica, onde cada parte contribui para o funcionamento de outra. Assim, deve-se considerar que todas as áreas do conhecimento estão interligadas e são igualmente importantes. Além disso, é imprescindível valorizar o conhecimento popular e cultural e não apenas o acadêmico. O autor Boaventura de Souza Santos explica isso por meio do conceito de “ecologia dos saberes” no qual relaciona o método cartesiano a uma monocultura. Nesse sistema, devido ao plantio de uma única cultura, há o empobrecimento do solo e menor rendimento. O mesmo ocorre se a produção de conhecimento se valer de apenas um meio, desconsiderando as interrelações com outras áreas e atores. Por fim, caracteriza a razão como indolente, por não enfrentar a complexidade de suas relações complementares.