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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Cada ação é calculada

     
    Nascido em 1864, Marx Weber foi um economista e sociólogo alemão. Seus estudos foram focados com base na análise da sociologia para a compreensão do sentido da ação social. Weber  também acreditava que era preciso analisar a ação individual de cada um, mesmo em situações em grupo.
    Segundo o pensador, para cada ação tomada, há um processo complexo de escolha de valores baseados na conciência individual de cada um. Desse modo, dividiu a ação social em quatro tipos possíveis: ação racional com relação à um objetivo, ação racional com relação à um valor, ação afetiva e ação tradicional. Partindo dessa análise profunda por trás das ações de cada um, é preciso ter cautela ao julgar as ações dos semelhantes. Ao se basear em nossa cultura urbanizada e influenciada pelas grandes potências, julgamos os rituais de iniciação de tribos primitivas ainda existentes, por exemplo, como algo extremamente desnecessário. Isso por que tais rituais são processos extremamente dolorosos e para nós não representam transição alguma. Porém, ao partir do ponto de vista dos integrantes dessas tribos, tal transição através do ritual é vista como fator essencial da vida do indivído, podendo ser comparada como a única maneira de se adquirir a maioriade nas civilizações ocidentais. 
       É através do de um estudo maior dessa tal escolha de valores para  a ação, que podemos reverter diversos problemais atuais. Um exemplo, é o entendimento da mente dos criminosos, buscando descobrir como sob qual perspectiva suas ações foram realizadas e qual contexto de vida o levou a pensar de tal maneira. Não que haja uma justificação do crime, mas seria uma ferramenta a mais pra proporcionar a outros jovens o que faltou para aquele criminoso, de modo a se evitar que mais indivíduos entrem para o  crime.
    O pensador também fez uma crítica ao materialismo histórico, uma vez que o vê como uma justificativa para as ciências empíricas de proporcionar ideais obrigatórios que proporcionam normas prontas para a prática. Nesse sentido, ele também faz uma grande ressalva à concepção materialista da história. Isso pois Weber concebe como errada a pretensão de estabelecer uma sequência única e universal para a realidade. Nesse sentido, é interessante ver uma outra análise dos pensamentos de Marx por um outro pensador de enorme influência.
Sofia de Almeida Antunes - 1º ano Direito Noturno

A neutralidade weberiana e a inclusão social no Estado moderno

Buscando primariamente entender o sentido das ações humanas, Max Weber (1864 - 1920) definiu quatro tipologias de conduta social: ação afetiva, baseada em emoções e sem pré-motivação racional; ação racional com respeito a fins, aquelas em que a racionalidade se deriva da escolha de um meio para alcançar um objetivo; ação racional com respeito a valores, em que os valores (religiosos, éticos, morais etc) guiam a conduta racional humana; e ação tradicional, não dotada de racionalidade, baseada em hábitos e costumes enraizados na consciência social.
A interpretação weberiana sobre a conduta humana aponta o que viria a ser o grande marco da sociologia do autor: a racionalidade do mundo moderno. Essa racionalidade, quando aplicada à sociedade, é o que confere estabilidade e previsibilidade às ações humanas. E, quando adquirida, tal autonomia sobre as próprias ações garante ao homem, o sujeito atuante, a capacidade de prever as consequências e os efeitos destas no meio em que está inserido.
A partir daí, é possível analisar a concepção de desigualdade e inclusão na visão do autor de forma mais concreta. Para Weber, a desigualdade se dá por “oportunidades diferentes de participação na sociedade”. E como forma de corrigir essa disfunção, toda a sociedade (e não somente aqueles inferiorizados pela situação) precisa se organizar para maximizar a participação comunitária na distribuição dos bens sociais, efetivando a inclusão.
Por exemplo, o Brasil hoje possui mais de 45 milhões de pessoas que declaram possuir algum tipo de deficiência física ou mental. Todavia, os direitos da pessoa com deficiência só foram devidamente conquistados na Constituição Cidadã de 1988 e, mesmo assim, ainda há muito a ser feito para que exista, verdadeiramente, uma inclusão consolidada dos deficientes na nossa sociedade. Sendo o Direito de “caráter racional-valorativo por excelência”, vinculando a inclusão a este, a racionalidade tão exaltada por Weber garante maior efetivação da mesma, através da coerção legitimada.
As disfunções ainda tão presentes na vida moderna decorrem em grande parte do ideário da “neutralidade” que ainda se perpetua. Weber defendia a neutralidade axiológica, de fato, mas é imprescindível notar que ela deveria se aplicar essencialmente ao conhecimento científico. Em questões políticas, onde há a questão da desigualdade em pauta, o autor afirma que “neutro é quem já se decidiu pelo mais forte”.
Por isso, mesmo que o pensamento weberiano, apesar de pautar-se muito mais no indivíduo do que no coletivo, reforça a necessidade indispensável do mesmo na busca pela obtenção e consolidação da inclusão social.

“First they came for the Socialists, and I did not speak out—
Because I was not a Socialist.
Then they came for the Trade Unionists, and I did not speak out—
Because I was not a Trade Unionist.
Then they came for the Jews, and I did not speak out—
Because I was not a Jew.
Then they came for me—and there was no one left to speak for me.” ¹


¹ Martin Niemöller: “First they came for the Socialists...”. Holocaust Encyclopedia. United States Holocaust Memorial Museum. Disponível em <http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10007392>. Acesso em 9 ago. 2015.

Lívia Armentano Sargi
Direito diurno. 

A ciência é a verdade para todos que querem a verdade

Acostumados com as ideias difundidas pelos europeus e norte-americanos, nós “ocidentais” temos muitas certezas sobre culturas, religiões, sobre o certo e o errado. Ao vermos mulheres usando hijab pensamos no quanto estas estão sendo forçadas a fazerem algo que não gostariam de estar fazendo; ao ver o modo de vida e as tradições em sociedades indígenas pensamos “isto é um absurdo!”. 
Nas análises epistemológicas de Max Weber, o relativismo cultural é entendido como pontos de vista culturais diferentes que sempre serão cientificamente verdadeiros. Indo contra qualquer verdade absoluta, Weber defende a valoração de cada cultura em suas próprias peculiaridades, colocando que cada um é o único juiz daquilo que o diz respeito. 
O que parece verdadeiro, nem sempre o é. E o mesmo vale para todas as ações e ideias que nos parecem erradas. A influência norte-americana e europeia trouxe ao ocidente visões sobre, por exemplo, sociedade e religião que dificultam que nossa mente se abra ao distinto, ao que também é certo dentro de seu ponto de vista. Já perguntaram às mulheres muçulmanas como se sentem sobre o hijab? Alguém já questionou às tribos indígenas se estas acham absurdas as suas tradições? Aliás, alguém já se perguntou por quê tentar impor os valores ocidentais às tribos que habitavam aqui séculos antes? E, ainda sim, a visão ocidental insiste em querer impor seus métodos e sua cultura em cada canto por onde passa.
 
Julie Araujo
1º Direito Noturno 

Empreenda-te

Escultura: Self Made Man (bronze, EUA). Bonnie Carlyle.

Em suas análises sobre o capitalismo ao final do séc. XIX, Max Weber (1864-1920) distingue o empreendedor do burguês. O burguês propõe-se ao lucro, à acumulação, à exploração e a um propósito qualquer ou fugaz; o burguês é um tipo social com resquícios do período feudal. Já o empreendedor é fruto da sociedade capitalista; ele tem disposição para o trabalho, age com racionalidade e competência e atua de acordo com uma ética. São indivíduos específicos e determinados a desempenhar o papel do novo capitalista. 

Naquele momento, o empreendedor de Weber enfrentava as adversidades que o ambiente mantido pelos burgueses impunha aos que representavam qualquer ameaça ao status quo. A ameaça do empreendedor era a necessária reinvenção que o capitalismo exigia de todos. O empreendedor que insurgia e se estabelecia era elevado à categoria de herói. A ideologia clamava pelo engajamento ao capitalismo. 

A crise do Estado do bem-estar social trouxe uma valorização ainda maior da importância do empreendedor em um capitalismo de mercado. As supostas benesses do livre mercado estão envoltas em um discurso por um indivíduo autônomo, o self made man que, para Benjamin Franklin, é “quem tem caráter, trabalha, trabalha e trabalha, vence”, um tipo gerador de inovação e de riquezas. O discurso em prol do empreendedorismo é ampliado. 

A importância desse tipo especial de capitalista é tamanha que o próprio Estado estimula o engajamento das pessoas. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) busca fortalecer a cultura empreendedora no Brasil. Para isso, o seu discurso é pela ação do próprio indivíduo em busca da satisfação de suas necessidades. Para tanto, promove palestra que difundem a cultura empreendedora, dá consultoria a pequenos empresários e ministra alguns cursos como o Empretec, que nas palavras do próprio Sebrae consiste em: “metodologia que proporciona o amadurecimento de características empreendedoras, aumentando a competitividade e as chances de permanência no mercado”. 

A “permanência no mercado” atinge aquele trabalhador que está desempregado e não encontra mais realocação em um mercado de trabalho cujas relações estão cada vez mais desfavoráveis ao trabalhador. O Estado se nega a intervir nessa relação em prol do trabalhador, mas apresenta supostas soluções como se todos os indivíduos tivessem o atributo empreendedor latente, bastando “o amadurecimento de características empreendedoras”. 

Na abordagem atual, o empreendedor é o indivíduo que se torna empresa, sem distinção entre trabalho e sua vida privada no livre mercado. 

A Sociologia Compreensiva de Weber e sua aplicação no Direito.

          Max Weber, importante sociólogo e intelectual, consagrou-se como um dos principais fundadores de um método exclusivo que coloca as ações – sociais - do indivíduo como cerne da análise do comportamento humano dentro das ciências sociais. Separando as ciências sociais das naturais, Weber instituiu o método compreensivo, que busca entender a sociedade a partir da análise de cada ser humano individualmente, compreendendo as razões particulares que cada indivíduo confere ás suas ações.
           Destoando do Materialismo Dialético de Marx, que coloca os indivíduos como seres pertencentes à classes socais divergentes; e do Funcionalismo de Durkheim, que analisa o ser humano tendo como base um comportamento generalizado, a Sociologia Compreensiva de Weber estuda o ser social de um ponto de vista individual e não mais coletivo, como foi estabelecido pelas teorias anteriormente fundadadas, visando extrair os sentidos das ações e suas conexões com as relações sociais, compreendendo a sociedade de modo profundo, afastando-a da superficialidade.
         O método compreensivo de Max Weber apresenta, seguindo essa perspectiva, uma relevante importância para o entendimento das relações sociais, físicas e psicológicas estabelecidas dentro da estrutura da sociedade. A sociologia em seu papel compreensivo sustenta-se em fatos sólidos para analisar as ações sociais e assim desvendar os motivos decorrentes das mesmas.
             Por exemplo, tendo em vista o projeto de redução da maioridade penal, as ações sociais de cada menor de 18 anos que cometer um crime considerado passível de punição devem ser analisadas individualmente, levando em consideração os fatores que influenciaram a ocorrência de tais ações, fora do contexto coletivo da sociedade. O Direito, seguindo a lógica weberiana, pode ser considerado um instrumento de percepção das ações sociais e da sociedade como um todo, perdendo o seu ofício de mero positivador e impositor de normas e ganhando o papel de ferramenta de análise e compreensão da sociedade.
           Posto isso, é notável que a sociologia compreensiva de Max Weber é extremamente útil e importante para a análise da sociedade contemporânea e para a complementação do papel do Direito dentro da estrutura social, visto que, a partir dela, o ordenamento jurídico se vê hábil a julgar cada caso de maneira específica, fugindo da simples expressão da norma positivada nos códigos.
               
                Luís Felipe Oliveira Haddad
                1º ano – Direito Noturno

O indivíduo na sociologia

Max Weber nasceu na Alemanha em 1864, além de ter sido jurista e economista, é considerado um dos criadores da sociologia moderna, a compreensiva. Diferentemente de Marx e Durkheim que consideravam a vida em sociedade, ou seja, a coletividade mais importante que o indivíduo em si, Weber não colocava o coletivo acima do individual, rompendo com a sociologia de sua época.
Segundo ele, a função efetiva da sociologia é a busca da compreensão da ação social, dos valores que a agitam e seu sentido, sendo assim, sua sociologia compreensiva objetiva decifrar a ação social, que segundo ele é aquilo que é orientado para os outros e possui quatro classificações: ação racional com relação a um objetivo, ação racional com relação a um valor, ação afetiva ou emocional, ação tradicional.
Por exemplo, ao utilizar-se da sociologia compreensiva para fazer análise de um fato real, cotidiano ou existente, observar-se-ia as peculiaridades e o particular de um indivíduo para compreender alguma ação social, diferentemente do materialismo dialético de Marx, que explicaria o ato através do grupo em que esse indivíduo estiver inserido ou na luta de classes.
Infere-se, que a importância de Max Weber reside ao fato de ele ir além do coletivo, reconhecer os aspectos individuais e tornar-lhes importantes para a sociologia, pela primeira vez dentro dessa área de estudo.



Júlia Andrade Nunes Queiroz – 1º ano direito noturno

Os "diálogos" da sociologia compreensiva

        A sociologia compreensiva surge no século XX, com o alemão Max Weber, e busca entender as leis que movem a sociedade, a dinâmica, o conjunto; ou seja, como os indivíduos são engendrados nesse sistema que os supera.

       Utiliza-se, para isso, do individualismo metodológico, que analisa a ação humana segundo uma perspectiva individual. Nesta análise, cada indivíduo tem características próprias – valores, sentimentos, racionalidade e outros – e, a partir dessas particularidades, ações sociais iguais podem ter diferentes sentidos.

       É por esse motivo que a compreensão das conexões de sentido de cada ação não podem ser decifradas de imediato. É preciso, primeiramente, conhecer os valores do indivíduo e reconhecer que o sociólogo, investigador que busca os motivos da ação no autor, também possui valores; a partir do esclarecimento de que ambos, sujeito e objeto da pesquisa, possuem valores, pode-se tentar compreender quais dos valores do indivíduo (objeto) o levaram a praticar uma ação. Através desse método suficientemente racional seria possível, para Weber, o conhecimento universal.

        Max Weber é contra a simplificação, e é dessa característica de sua sociologia que surgem suas críticas e diferenças em relação a outros sociólogos.    Distancia-se de Durkheim, por exemplo, ao tratar da ação com foco no autor, e não na sociedade, como no funcionalismo; por afirmar a necessidade de reconhecer os valores do cientista social, enquanto Durkheim afirma a necessidade de negar-se a si mesmo para fazer ciência; e por, em sua teoria, o ambiente influenciar na ação social, mas não a determinar. E critica o materialismo dialético de Marx, que coloca a economia como único fator influenciador; Weber, apesar de reconhecer sua importância, percebe que, por exemplo, a luta não é apenas de classes e fruto da produção, é algo mais amplo, e pode envolver lutas como a ocupação do muçulmano em território cristão e a luta da mulher para inserir-se no mercado de trabalho.

         Os condicionantes da ação humana não são, assim, apenas funcionalistas ou capitalistas, são múltiplos, e a razão, o sentimento ou um ou mais valores prevalecem em cada ação. Essas ações, motivadas por diferentes fatores, formam uma teia, com várias possibilidades de conexões de sentido.

Relaciona-se à ação social, em que ao agir-se de determinada forma espera-se do outro uma reciprocidade, o Direito. O indivíduo, por costume ou pela legalidade, cumpre a lei e espera que os outros indivíduos também a cumpram, de forma a haver legitimidade; há, no entanto, diversas vezes em que por estranhamento às normas, indivíduos não as cumprem, agindo de maneira que conflitue com as mesmas, de modo a haver ilegitimidade. A sociologia compreensiva dialoga, nesse ponto, com o materialismo dialético, ao reconhecer a influência de uma classe na criação das normas; afasta-se de Marx, no entanto, pela percepção de que a dominação é apenas parcial e não total, já que há casos, como no Brasil, em que “as leis não pegam”, por falta de reconhecimento de grupos da sociedade, não havendo a legitimidade, como já citado acima, e havendo a necessidade de alteração da lei.

Letícia Solia
1º ano - Direito diurno

Max Weber e a Ação Social

Max Weber, intelectual alemão, é considerado um dos fundadores da sociologia. Para ele a função essencial da sociologia é a compreensão do sentido da ação social, que ele classifica em quatro tipos: 1) ação racional com relação a um objetivo 2) ação racional com relação a um valor 3) ação afetiva ou emocional 4) ação tradicional. De acordo com Weber, o indivíduo escolhe as ações e os valores a serem seguidos.

Defendendo a tese das ações sociais, Weber critica a ideias de determinismo, onde as ações dos indivíduos seriam completamente predeterminadas pelo meio e liberdade de escolha seria algo ilusório. Para Weber, essas ações dos indivíduos não podem ser predeterminadas pois depende da escolha de valores. Essa escolha de valores, porém, não é exclusivamente consciente, ela sofre influência das relações e do meio no qual o indivíduo está envolvido. Sofrer influência tem uma diferença muito tênue de ser determinado.

Essa escolha de valores descrita por Weber se ilustra muito bem na criminalidade. A concepção social acerca da entrada na criminalidade é de que o indivíduo tem plena escolha e consciência de entrar para uma vida de crime. Porém essa escolha não é puramente consciente e lúcida. Vejamos assim, um jovem de classe média e um jovem de periferia teoricamente tem as mesmas escolhas, ir para o crime ou estudar para conseguir um emprego. O jovem de classe média porém possui apoio familiar, estudou em uma boa escola e conseguiu entrar numa faculdade, é quase certo que ele vá conseguir um bom emprego, e por mais que encontre algumas dificuldades, tem todo o suporte e o caminho praticamente traçado para atingir seus objetivos. Quando para esse jovem se apresenta a escolha de entrar para o crime ou conseguir um emprego, a opção do crime se torna uma opção muito distante, pois ele sabe da imoralidade disso e não vê a necessidade dessa opção, já que a outra opção se apresenta como algo tão mais certo e seguro. Agora, para o jovem de periferia, as opções se mostram de forma completamente invertida. Pegando um exemplo de um jovem sem estrutura familiar, miserável, em condições de sobrevida, a opção que se demonstra completamente distante para ele é a opção dos estudos para conseguir um emprego, já que nunca foi apresentado a ele uma base segura para isso, é uma realidade muito distante; assim, a criminalidade se apresenta como uma opção muito mais viável, já que é aquilo que ele vê todo dia na sua realidade, e apesar de entender os riscos disso, é a opção mais certa para ele. Ambos os casos se manifestariam com uma ação social com relação a um objetivo, mas se manifestam de maneiras completamente diferentes e muito impulsionadas pela desigualdade social (http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-relacao-entre-desigualdade-e-criminalidade). Essa é a questão central da sociologia de Weber, analisar as ações sociais com as suas peculiaridades. É importante salientar que, mesmo com essa influência do meio e da situação que o indivíduo vive, nada impede que os indivíduos no caso escolham os outros caminhos, como inclusive vemos não raramente em nossa sociedade.

Relacionado as ações, Weber também elabora a utilização de um “tipo ideal” que seria uma ferramenta para análise do real, que generaliza e simplifica a realidade. A partir disso, analisa-se os fenômenos e identifica-se se eles se desviam desse tipo ideal.

O interesse de Weber com a sociologia não é encontrar regras gerais que expliquem e se apliquem as ações sociedade como um todo, mas sim analisa-la dentro de suas conexões de sentido, caracterizando a sociologia como algo que busca uma crítica ao mundo e não o domínio dele.

Caroline Setti
1º ano - Direito Noturno

Max Weber e poesia de Leminski

"Não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino."
                                                                          (Paulo Leminski)


  Analisando os versos acima dispostos à luz da sociologia de Max Weber é possível observar que, diferentemente dos deterministas e de outros autores, como Durkheim, Weber não acreditava que as ações humanas pudessem ser pré-determinadas por fatores externos ao homem. Nesse sentido defende que toda a ação humana é unicamente guiada pelos valores que cada um possui e opta por considerar naquele momento.
      Partindo desse pressuposto inicial, o destino, como descrito no poema, não é o responsável por conduzir a vida dos indivíduos e consequentemente, nenhuma situação existe, sem que se tenham tomado atitudes que conduzissem à ela. Assim, a maior preocupação de Max fora compreender quais valores os indivíduos mobilizam para agir, sejam eles culturais, religiosos, etc.

"[...] Já nem tudo nem sei
se vai saber a primavera
ou se um dia saberei
quem nem eu saber nem ser nem era."
(Paulo Leminski)

      Em outro trecho de sua obra, Weber defende que as ações humanas são incertas, instáveis e justamente por isso, não se pode prevê-las. Diante desse aspecto, as palavras de Leminski convergem com a visão weberiana, posto que o poeta também diz não pode prever nada do que o futuro será. Embora não haja um caminho a ser seguidos pelas ações dos indivíduos, para Weber elas são guiadas por quatro diferentes tipos sociais: o racional-objetivo, o racional-valorativo, o emocional e o tradicional.

[...] Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
(Paulo Leminski)

      Por fim, neste último poema, cita-se outra característica presente nos escritos do poeta e do sociólogo: embora as ações sejam individuais e cada um aja de maneira diferente do outro, as ações se convergem; nunca as ações dos seres humanos estão sós, pois elas constroem entre si uma teia de relações sociais complexas. 

Juliana Previato - 1º ano direito noturno

Obra autêntica

Olho para as diferentes cores
Amarelo, vermelho, azul
Azul da cor do céu, 
Mas hoje meu céu será verde

Não crio em cenários postos
Não crio apenas dentro das arestas

Minha história se forma
A cada cor escolhida
A cada movimento do pincel

E se transforma 
A cada vermelho e amarelo que vira laranja
A cada amarelo e verde que vira azul

Minha vida é obra autêntica
Sou artista do meu próprio quadro


Isabela Ferreira Sastre
1º ano Direito - diurno
Introdução à Sociologia - aula 9


Individualismo


Nascido em 1864, na Alemanha, Max Weber foi um jurista e economista considerado um dos criadores da sociologia moderna, conhecida como compreensiva. Os sociólogos de maior destaque que antecederam Weber foram Marx e Durkheim. Para esses dois autores, a realidade social era algo natural, ou seja, as formas de existência coletiva eram mais importantes que o indivíduo em si.
Uma das rupturas de Weber com a sociologia da época foi o fato dele considerar que o coletivo não é mais importante que o indivíduo. Além disso, a sociologia compreensiva busca entender e interpretar a ação social e também aceita que não é possível que um sociólogo faça uma análise completamente neutra, como defendiam Durkheim e Comte.
Para Weber, ação social é aquela orientada aos outros, sendo classificadas por ele em quatro tipos fundamentais: ação racional com relação a um objetivo, ação racional com relação a um valor, ação afetiva ou emocional, ação tradicional.
Utilizando a sociologia compreensiva para analisar um caso prático, é possível utilizar as particularidades do indivíduo para compreender alguma ação social, diferentemente do materialismo dialético, por exemplo, que irá explicar a ação através do grupo a que esse indivíduo pertence. Ou seja, no caso do ônibus 174, por exemplo, o viés compreensivo irá analisar toda a trajetória pessoal do rapaz que sequestrou para tentar entender o que o motivou a praticar tal ato. Enquanto o marxismo explicaria embasado apenas na classe social do garoto.
Em suma, a importância de Weber está no fato dele ter sido o primeiro sociólogo a reconhecer como os aspectos individuais de cada pessoa são importantes, ao invés de foca apenas do coletivo.

Luís André Vidotti -1º ano direito noturno

Lisístrata e a teoria de Max Weber

Cleonice – Então essa coisa que faz você se virar tanto deve ser o máximo!
Lisístrata - É sim, e a salvação da pátria depende do apoio das mulheres à minha idéia.
Cleonice – Das mulheres? Fraco apoio...
Lisístrata – Fique certa de que o destino do país está em nossas mãos. Se falharmos a pátria estará perdida, será destruída por tantas lutas fratricidas. Mas se nós, as mulheres, nos unirmos, as mulheres de todos os rincões da Grécia, o país estará salvo.”
Lisístrata, Aristófanes.

    A comédia grega Lisístrata de Aristófanes foi escrita em 411 a.C.. Nela, com a intenção de acabar com a guerra entre as cidades Estado, as mulheres se propõem a fazer uma greve de sexo e assim convencer os homens a dar fim ao conflito.
    Embora caracterizada por ser uma comédia e ter passagens que levem ao riso, Lisístrata possui uma enorme crítica social à guerra e também esclarecedora quanto a condição da mulher na Grécia Antiga, de algumas formas subvertendo o senso comum de que por não serem cidadãs, as mulheres não possuíam conhecimento. É uma peça na qual se faz valer e observar a interdependência de ações sociais, pois numa concepção weberiana, toda ação social é interdependente de outra ação social.
    A greve de sexo, por exemplo, nas palavras da própria Lisístrata, é a certeza de salvação da pátria. Ou seja, em sua ação social – social, pois tem como objetivo a resposta de outros indivíduos da sociedade – e nas das demais mulheres, há um motivo e um objetivo em vista, que têm como ponto de conexão, como agente social, as próprias mulheres. O motivo seria a guerra feita pelos homens e o objetivo, acabar com essa guerra. Fica evidente também a interdependência das ações, pois a ação social dos homens, o fazer guerra, o conquistar territórios, seria afetado pela ação das mulheres.
    O foco da greve de sexo não é, somente, apenas desagradar a vontade dos homens, mas também enfatizar a importância das próprias mulheres na composição do povo grego, seu empoderamento. Afinal, se não houvesse sexo, nem mulheres, não haveria gravidez e portanto, nenhum novo indivíduo que pudesse substituir os homens mortos na guerra ou nas cidades. A greve portanto, vai além e decreta a possibilidade de extinção do povo grego. O fim da cultura grega. São inúmeras etapas de composição de uma ação social, que reflete em inúmeras outras ações.
    Para Weber, o indivíduo age guiado por seus motivos, que podem ser os mais variados; sua cultura e suas tradições. E o cientista, por mais que tente ser durkheimianamente neutro, sempre adotará uma perspectiva em sua análise, e portanto, produzirá uma explicação parcial da realidade. Um mesmo acontecimento pode ter causas econômicas, políticas, religiosas; todas ao mesmo tempo. No caso da guerra entre cidades estado gregas, as mulheres não analisaram quais os motivos a levaram a acontecer, mas consideraram apenas sua existência e uma forma de finalizá-la.
    Há também outra passagem em Lisístrata, na qual as mulheres ocupam a acrópole de Atenas e se auto-instituem cuidadoras do Tesouro. Cuidando do dinheiro lá guardado, as mulheres tem por objetivo impedir que esse seja usado para fazer guerra, administrando-o e garantindo a segurança dos homens, mesmo contra a vontade deles. Essa ação pode ser configurada como uma ação racional com relação a fins, pois cuidar do dinheiro evitaria que ele fosse utilizado para a guerra. Também pode ser usada como uma ação afetiva, pois as mulheres rompem com a tradição a fim de impedir que a guerra continue e seus maridos e filhos morram. Weber acredita que as ações sociais são causadas por múltiplos fatores e que o indivíduo não age apenas conforme uma delas, mas conforme várias delas ao mesmo tempo, misturadas. Os homens participarem da guerra, por exemplo, é uma forma de ação tradicional e alguns cidadãos tentarem impedir que as mulheres ocupassem a acrópole, por exemplo, é um exemplo de ação racional em relação a valores, pois aos valores daqueles indivíduos, as mulheres não poderiam cuidar do dinheiro público (argumento rebatido por Lisístrata durante a peça).
    A comédia Lísistrata, portanto, pode ser analisada de diversos pontos pela teoria weberiana, inclusive os tipos de dominação. As relações políticas de poder e dominação, divididas em dominação legal, tradicional e carismática, são, por exemplo, expostas respectivamente na autoridade conferida aos ministros e comissários da peça, que argumentam com as mulheres para por fim à greve e à guerra; na passagem de episódios onde as mulheres relatam submeter-se às ordens dos maridos dentro de casa e na própria autoridade que Lisístrata assume durante a peça, convencendo mulheres gregas de diversas cidades-Estado a aderirem à greve.
    Aristófanes, portanto, através de (propositalmente) uma comédia, faz uma crítica à guerra na sociedade grega e expõe que por trás de um motivo aparentemente pueril há uma grande reflexão sobre o papel dos indivíduos na sociedade, a importância do pensamento reflexivo e a ação organizada com objetivos. Justamente por tais características, Lisístrata pode ser tão bem comparada à teoria weberiana, teoria esta composta essencialmente pela reflexão e ponderação sobre toda e qualquer ação social individual, que Weber acredita ser a concretização das normas sociais.

Mariana Ferreira Figueiredo
1º ano de Direito (Diurno)
Introdução à Sociologia - Aula 10
Noivas a caminho do Oriente

  (As adolescentes Shamima Begun, Amira Abase e Kadiza Sultana em aeroporto inglês antes de partirem para a Síria¹)

“Nossa querida Kadiza e as duas amigas acompanhando você. Nós, juntos, sinceramente rezamos e esperamos que esta mensagem chegue até vocês. Nós oramos para que nenhum mal aconteça a vocês, e que vocês estejam em segurança e com boa saúde (...). Em sua ausência, nós, como uma família, estamos nos sentindo completamente angustiados e sem entender por que você fugiu de casa” (tradução livre)².

O caso das três meninas de 15 e 16 anos que partiram de Londres em fevereiro de 2015 em direção à Síria, para se juntarem ao movimento extremista do Estado Islâmico (EI), é mais um dos tantos outros que têm ocorrido ao redor do mundo recentemente e têm deixado perplexos famílias, estudiosos e governantes. ‘Noivas do Jihad’ é como os tablóides britânicos denominam as mulheres que partem rumo ao Oriente Médio com o ideal de se casarem com os soldados e participarem da luta armada.

Assim como as três dedicadas estudantes de Londres, estima-se que 12 mil indivíduos, de 50 países, deixaram seus lares em lugares desenvolvidos como Reino Unido, Estados Unidos e Austrália, para lutar ao lado de grupos extremistas na Síria, é o que aponta o jornal The Guardian sobre dados do Departamento de Estado dos Estados Unidos³. Para Charlie Winter, pesquisador do grupo contraterrorista Quilliam Foundation, o recrutamento de pessoas decorre, em parte, da propaganda ostensiva do grupo EI, mas também da desconexão e do senso de inadequação que os recrutas em potencial sentem no país em que vivem. Perguntado sobre a diferença de comportamento entre alguns recrutas que aceitam seu papel no EI e outros que se arrependem e fogem de volta a seus países de origem, ele afirma que não há um perfil definido da pessoa que se junta ao EI, e sim uma variedade de pessoas, que fazem isso por motivos diferentes¹.

Parece ficar claro que uma compreensão mais profunda desse fenômeno social requer uma análise que vá além da perspectiva estrutural ou histórico-econômica da sociedade de origem dos indivíduos, alcançando o ser humano em si. Afinal, são pessoas provenientes dos mais diversos países e de diferentes núcleos familiares que deixam tudo para trás, rumando ao desconhecido, munidos apenas do seu ideal. Em uma perspectiva sociológica weberiana, tais ações seriam racionais, engendradas por valores próprios dos indivíduos. Tais valores, por sua vez, seriam influenciados por diversos fatores, e em diferentes medidas conforme o indivíduo, dentre eles a religião, a cultura, as relações sociais e a propaganda extremista.

Todavia, prever quais indivíduos escolherão esse caminho futuro não é tarefa simples. Os comportamentos em questão fogem à lógica padrão esperada daqueles que vivem em democracias ocidentais. Em termos da metodologia de Weber, equivaleria dizer que os fatos concretos apontam uma realidade bastante diferente do modelo hipotético (tipo ideal) construído com base nas prováveis ações racionais dos cidadãos de regimes democráticos. A “irracionalidade” parece desafiar a capacidade das autoridades de conter o fenômeno. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que planeja aumentar a revista em aeroportos e convocou as escolas para auxiliarem na identificação dos estudantes em risco de serem cooptados. Por outro lado, a ex-ministra Sayeeda Warsi, primeira muçulmana a integrar o governo britânico, alertou para o papel da internet na radicalização dos jovens muçulmanos e lembrou que “não se faz um terrorista em um dia”4.
   

Fernando – 1º Ano Direito Noturno (texto sobre Compreensão sociológica - Weber)

Referências:
1.       Notícias UOL. Desconexão com o próprio país motiva fuga para o EI, diz especialista. Disponível em:
2.       The Telegraph. Parents of three runaway British ‘jihadi’ brides beg them to come home. Disponível em:
<http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/islamic-state/11427093/Parents-of-three-runaway-British-jihadi-brides-beg-them-to-come-home.html> . Acesso em: 08 ago. 2015.
3.       Exame. Por que jovens ocidentais estão lutando pelo Estado Islâmico. Disponível em:
< http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/por-que-jovens-ocidentais-estao-lutando-pelo-estado-islamico#2> . Acesso em: 08 ago. 2015.
4.       O Globo. Adolescentes britânicas já cruzaram fronteira da Síria para se juntar ao Estado Islâmico. Disponível em:
<http://oglobo.globo.com/mundo/adolescentes-britanicas-ja-cruzaram-fronteira-da-siria-para-se-juntar-ao-estado-islamico-15410732> . Acesso em: 08 ago. 2015.

Metodologia Valorativa e Relativismos Culturais

               

                
        Em 11 de abril de 2010 passou a vigorar uma lei francesa que proíbe o uso de burcas em ambientes públicos estabelecendo uma multa de até 150 euros para quem infringi-la, sobre o pressuposto de que o papel da lei e do Estado é promover a laicidade e a igualdade de gênero. Posteriormente, em 1 de julho de 2014 essa lei foi validada pela Corte Européia de Direitos Humanos, levando a colisão de dois princípios: da liberdade religiosa e da dignidade humana.
           Se por um lado a burca representa uma vestimenta feminina cuja função se destina a atender a crença religiosa, de forma que todo o rosto todo é coberto, deixando visível apenas pequena rede na altura dos olhos, em contrapartida, numa perspectiva ocidental a burca é símbolo de opressão feminina, caracterizando uma situação de diminuição da mulher. Sendo assim, o Estado Francês adota uma postura universalista desconsiderando as formas morais escolhidas para a sociedade muçulmana sobre o pretexto de estar atendendo os direitos humanos.
        Segundo a metodologia compreensivista de Weber a análise da sociedade deve ser pautada pela objetividade buscando ver a realidade como ela se apresenta, sendo assim, os juízes de valor não deveriam ser extraídos de maneira nenhuma da análise cientifica, pois eles representam ideias subjetivas da consciência valorativa fazendo com que o indivíduo analise o assunto em questão por meio de uma cosmovisão pessoal. Porém Weber irá lidar com uma das principais dificuldades da sociologia: o fato do cientista social ser concomitante o sujeito e o objeto de seu estudo cientifico, nesse sentido, ele considera a impossibilidade do afastamento completo de valores. Logo, Weber acredita a análise social tem seu ponto de partida subjetivo (tipo ideal), feito a partir interesses do sociólogo, que acarretará em resultados objetivos.
           Dessa forma, a proibição das burcas por parte do Estado francês é decorrência de uma análise valorativa de caráter etnocêntrico, contraria a objetividade de Weber, de maneira que a análise social é pautada a partir de uma cosmovisão ocidental, desconsiderando as peculiaridades e o relativismo de cada cultura, impondo aos muçulmanos uma forma de se portar. Nesse sentido, a a análise de uma prática social toma uma carácter determinista tão criticado por Weber, uma vez que é imposta uma generalidade social, desconsiderando o fato de o objeto histórico, no caso a cultura, ser algo mutável, heterogêneo e dinâmico, de forma que todos os indivíduos são medidos pela mesma régua ocidental.

nome: Beatriz Santos Vieira Palma; Primeiro Ano Direito Diurno  

Humanização weberiana

Max Weber, sociólogo alemão, analisou a sociedade a partir da ação social, dividida por ele em: racional em relação a fins,  racional em relação a valores, emotiva e tradicional. Capazes de identificar e caracterizar os indivíduos, essas ações são responsáveis para o entendimento da sociologia compreensiva. Ao considerar que qualquer indivíduo dispõe de um conjunto de características peculiares, o alemão foge de receitas práticas dadas por outros estudiosos como Marx e Engels, uma vez que defende a individualidade do ser como ponto de partida para o posterior entendimento do coletivo. 
Posto isso, percebe-se, hodiernamente, um tema muito em voga e sempre existente na sociedade: os estereótipos. O conceito encaixa-se na sociologia weberiana por tratar-se de generalizações feitas muitas vezes cheias de preconceitos ao padronizar o comportamento do indivíduo. Este junta-se a outros tantos, sendo tratados com uma mesma perspectiva de análise, percebida primeiramente pelo valor coletivo, contraria o engendramento de ações sociais individuais propostas por sua ciência da realidade. Assim,  a análise aprofundada do indivíduo é de extrema importância, uma vez que Weber considera-o como agente da mudança social. 
Desse modo, quando desconsidera-se a individualidade, há o início do preconceito e por isso, a fim de exterminar esses julgamentos concebidos de maneira geral, deve-se entender o indivíduo como único, dotado de paixões, tradições, objetivos e valores próprios. Ao falar e tratar todo favelado como ladrão, homem que chora como homossexual e muçulmanos como terroristas, contribui-se cada vez mais para que novos preconceitos sejam inseridos no âmbito social, gerando conflitos de gêneros, étnicos e religiosos.
Por fim, conclui-se que por meio do "tipo ideal" - tratado como parâmetro para as diversas possibilidades tidas no mundo real - chega-se a verdade científica, sendo a comparação entre os fatos postos e essa idealização como fator determinante. Tal conclusão evidencia que as generalizações só valem na teoria, sendo impossível levá-las para a realidade, já que esta sujeita-se a uma rede indefinida e inconstante de relações sociais específicas.
Assim, o maior ensinamento sociológico empreendido por Weber talvez possa ser sintetizado pelo professor da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos (2003, p. 56):
Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.

 Leonardo Borges Ferreira - 1º Ano - Direito Noturno

Teatro Social de São Cunha do Pau Oco

Eduardo Cunha, presidente da Câmara, descobriu uma coisa capciosa: basta ser contra o governo para virar um herói da mídia. Cunha concede entrevistas, nestes últimos tempos, como se fosse um supercraque da Champions League. Ele é um personagem ubíquo em jornais, revistas e sites das grandes empresas jornalísticas.
Bater em Dilma e no governo e clamar, agora, pelo impeachment opera um milagre da transformação em seu perfil como personagem da mídia. Cunha agora aparece dando sermões sobre corrupção – ele que no A a Z da malandragem preenche virtualmente todas as letras.
É que ele passou a ser amigo da imprensa.
Um fenômeno parecido ocorreu, algum tempo atrás, com Joaquim Barbosa. Era visto com extrema reserva por ter sido indicado por Lula para o STF. Depois que passou a dar cacetadas no PT no Mensalão, virou manchete diária. Numa de suas capas já clássicas pelo bestialógico, a Veja o chamou de “o menino pobre que mudou o Brasil”.
Pausa para rir.
JB, está claro, não mudou nem a si próprio, ou o Supremo, ou o Judiciário — e muito menos o Brasil. No site da Veja, antes que Eduardo Cunha fosse promovido a aliado, ele foi incluído num levantamento chamado “Rede de Escândalos”. Ali você lê que ele é alvo de inquéritos no STF por crimes tributários.
Repare: crimes, plural, e não crime, singular.
Você fica sabendo também que ele responde a ações por crimes de improbidade administrativa, fora o levantamento, do jornalista Lauro Jardim, da seção Radar, informando que Eduardo Cunha é mentiroso.
“Eduardo Cunha andou falando que não conhecia o lobista Fernando Soares, o Baiano, citado por Paulo Fernando Costa em seus depoimentos. Admitiu, no máximo, ter estado com ele sem saber quem era. Elogiado até por adversários por sua memória prodigiosa, Cunha deve ter tido, sabe-se lá por que, um lapso. Baiano já esteve diversas vezes na casa de Cunha, no Rio de Janeiro, em companhia de outras pessoas.”
Cunha, se não fossem suficientes ao dados da Veja, agride a Constituição como dono de rádio. Político, diz a Constituição, não pode ter rádio. Mas Cunha, como tantos outros representantes do atraso, tem – mediante gambiarras jurídicas de moralidade abaixo de zero.
Era assim que ele era apresentado pela mídia enquanto era aliado de Dilma.
Hoje, ele parece Catão, o último reduto da moralidade romana, se acreditarmos nas jornais e revistas. O colunista do UOL Josias de Sousa, em sucessivos textos, vem tratando com reverência Cunha, e repercutindo prazerosamente suas previsões apocalípticas sobre Dilma, bem como suas palavras edificantes contra a corrupção.
Eis aí Cunha, o mentor dessa provável ação social, digamos, sem a intenção de ofender, weberiana, cujo sentido é fincar cada vez mais fundo as garras da corrupção na política brasileira, com a ajuda de deputados e empresários mercenários com o fim de auto enriquecimento influenciado pelo sistema do capitalismo selvagem.
Eis Cunha então como um quase santo, aos olhos da mídia.
Sua obra suprema para a beatificação: ser contra Dilma.

Uma salva de palmas à peça medíocre do teatro social São Cunha do Pau Oco.

Nome: Rafael dos Anjos Souza
Período: Direito Noturno/ Turma: XXXII

Comparação entre Weber e Durkheim

Max Weber, em seu texto, acreditava que a função essencial da sociologia é a compreensão do sentido da ação social, que seria aquela em que são inclusos valores ou sentimentos, ou seja, é aquela em que existe um sentido para agir.
Para o sociólogo existem quatro tipos de ações sociais: racional com relações a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional.
Lembrando que a ação social é sempre orientada ao outro, de acordo com Max Weber. No entanto, algumas ações coletivas não podem ser consideradas sociais. Neste ponto, existe uma diferença com o pensamento de Durkheim, que acreditava que a ciência deveria romper com qualquer noção pré definida. Ou seja, desde o momento que o sociólogo começa a estudar a sociedade, seus valores não podem influenciar em suas pesquisas. A neutralidade, a separação entre o sujeito que estuda e o objeto estudado, são extremamente necessários.
Já para Weber é diferente. Como a realidade é infinita, e quem a estuda faz um recorte a fim de explicá-la, o recorte feito é uma escolha de alguém por estudar tal assunto. Assim, não tem como haver tal objetividade buscada co Durkheim. Ou seja, os juízos de valores já aparecem no momento em que o assunto foi escolhido para ser estudado.
Além disso, outro fato que diferencia os dois teóricos é o objeto de estudo sociológico. Weber não se apoia nas ciências naturais para construir seus métodos de análise e nem acreditava ser possível encontrar leis gerais que expliquem a totalidade do mundo social como fazia Durkheim. O seu interesse é diferente. Ele caminha em busca de leis causais, que são suscetíveis a um entendimento a partir da racionalidade científica.

Caio Mendes Guimarães M Machado
1º ano Direito Noturno
 

Ação social como balança

A função essencial da sociologia segundo Max Weber é a busca da compreensão da ação social, dos valores que a movem e seu sentido.O sociólogo divide a ação social em quatro, sendo elas :racional com relação a fins, racional com relação a valores ,tradicional e afetiva.Ou seja , toda a ação individual parte de alguma dessas classificações, mas sempre partindo do particular para o coletivo.
Há uma certa influência das correntes filosóficas e sociológicas  no Direito brasileiro , porém a corrente predominante é claramente a positivista.Se o pensamento de Weber fosse inserido de uma maneira eficaz nas decisões judiciais , talvez a realidade legislativa e jurisprudencial seria muito mais justa.
Partindo da ideia de que toda ação social parte de umas das classificações já citadas , logo qualquer crime também é motivado por alguma delas .Sendo assim muitos crimes banais seriam amenizados , porém não relevados.Em casos como o de Mário Ferreira Lima que foi preso por roubar carne para alimentar seu filho , sendo que ele mesmo não comia há dois dias,ou como o do estudante Alex Santana dos Santos que foi preso por roubar 3 livros para poder estudar,as penas ainda existiriam , todavia os valores pelos quais os crimes foram cometidos entrariam como fator fundamental da decisão judicial.
Eric Kaoro Okino 
Direito Noturno

A ação carismática de Jim Jones

Foi o sociólogo Max Weber quem primeiro fez uso do termo carisma para descrever uma afeição irracional que seguidores muitas vezes demonstram por seus líderes. Weber expõe que os líderes carismáticos não têm poderes especiais, senão os atribuídos pelos próprios fiéis em sua crença. O alemão estreitou o termo, descrevendo este líderes que surgem como salvadores em um momento em que uma certa população se sente insatisfeita com sua posição social. Deste, modo, o líder assume o papel de messias, cuja tarefa é trazer a cura para todos os males que acometem tal população.
         São exemplos claros de líderes carismáticos Jesus Cristo, Adolf Hitler, Lula, Nelson Mandela, entre outros ícones políticos e religiosos. Entretanto, ressaltarei aqui um exemplo não muito popular, apesar de suas particularidades e alto valor sociológico, o pastor americano Jim Jones, responsável por um dos mais chocantes casos de suicídio em massa do século XX. Analisemos, antes, os antecedentes de tal episódio.
       Desde a juventude, Jim Jones mostrou grande inclinação ao misticismo e interesse por obras sócio-políticas. Simpatizava com o marxismo e com os movimentos negros. Simpatia, a última, que resultou em sua expulsão de um seminário metodista por pregar a igualdade racial.
         Em 1954, descrente com a segregação social e inclusive religiosa, Jones fundou sua própria igreja, o Templo dos povos: Igreja Cristã do Evangelho Pleno. O Templo, localizado em uma área etnicamente integrada de Indianápolis, cidade onde morava, teve importante papel na conquista de direitos igualitários para as minorias da cidade, fazendo com que pudessem ter isonomia em departamentos públicos, hospitais e restaurantes. Jones também pregava a construção de “famílias arco-íris”, com a adoção de órfãos de outras etnias. Com sua pregação de igualdade entre os homens, Jones reuniu, no auge de sua seita, 3 mil pessoas, das quais 2 mil e quatrocentas eram afro-americanos pobres.
         Contudo, Jim Jones é conhecido apenas por ter promovido, em 1978, o suicídio massivo de mais de 900 membros do Templo (incluindo ele mesmo) em seu recanto espiritual nas Guianas e por ter “causado” ainda o assassinato de um senador americano pelos membros de sua guarda pessoal, quando o congressista fazia visita oficial ao recanto.
         Jim Jones foi considerado pela opinião pública como um monstro, responsável diretamente pela morte de seus fiéis. Nota-se, então, certas inconsistências no julgo feito de sua pessoa, em contraposição ao de outros líderes carismáticos. No tribunal de Nuremberg, por diversas vezes se tentou usar, como argumento de defesa, que Hitler fizera a cabeça do povo alemão. Todavia, nunca foi considerada válida tal desculpa. De fato, há uma dominação carismática, mas ao contrário do que Durkheim colocava com o Fato Social, não há coação, apenas influência. Há discrepâncias de juízo inclusive dentro do próprio caso da seita: o membro da guarda de Jones responsável por balear o senador tentou usar como tática de defesa a argumentação de que estaria sob efeito de uma “lavagem cerebral” proporcionada por Jones. A justiça americana, entretanto, não deferiu tão justificativa, condenando o homem. Ora, se ao julgar o guarda de Jones os americanos consideraram aquele como capaz de tomar suas próprias decisões, apesar da influência do pastor, por que assim não o fazem ao se referir ao restante dos fiéis, não teriam estes escolhido, em livre arbítrio, pelo suicídio?
         É importante constatar, também, que Jim Jones proporcionou a essas pessoas, em sua maioria pobres, segregados e marginalizados, uma escapatória para a opressão social americana, oferecendo uma esperança. Não procede, então, o hábito de fazermos juízos de valor de Jones e de seus fiéis nos baseando apenas em nossa própria vivência e visão de mundo. Deveríamos analisar, portanto, cada pessoa individualmente, não generalizando todas como cordeirinhos incapazes de tomar decisões. Devemos evitar, por conseguinte, julgar essas pessoas: cabe apenas a nós, cientistas sociais, analisarmos essa rica ação social conjunta, sem banalizarmos as vontades individuais humanas.


Paulo Saia Cereda
1º ano - Direito (diurno)
Introdução à Sociologia (Aula Weber)

Weber, A Ação e o Indivíduo.

A ciência muito pretende entender o ser humano na sua essência, desde a personalidade de cada indivíduo até às suas formas de agir, mas assim como já afirmava Max Weber: “Uma ciência empírica não pode ensinar a ninguém o que deve fazer, só lhe é dado – em certas circunstâncias – o quer fazer”. De todo modo as pessoas sofrem diariamente influências que podem determinar na sua concepção de mundo, pois todo ser humano possui uma construção de valores e ideais, na qual pode divergir havendo uma luta  com outros ideais ou se aproximar existindo similitude com outras pessoas, portanto de há de se convir que “cosmovisões” não são frutos de um conhecimento empírico.
Weber dá a cada indivíduo a liberdade de poder compreender o mundo segundo a sua própria visão e percepção de sentido que lhe atribui à conduta, cabe a ele avaliar, ponderar, criticar e julgar conforme sua valoração. Cada sociedade é regida conforme seus costumes e juízos de valor, desta forma sociedades iguais conferem juízos semelhantes, mas quando estas sociedades possuem valores totalmente diferentes uma das outras, o horror pode saltar aos olhos da outra, pois são axiomas distintos.
Apesar de cada pessoa ser o elemento final de ponderação na escolha de determinada atitude, Weber é enfático ao dizer que não se deve negar a existência e a importância dos fenômenos sociais e a necessidade de se entende-las, visto as deficiências e motivações que lhe cercam que por muitas vezes estão tomadas por interesses materiais, estéticos, políticos  ou religiosos. Esses fenômenos possuem a cada indivíduo uma significação cultural que é esperado na sua coletividade  ser cumprido e obter-se de certo modo uma aceitação para o convívio.
Não se pode justificar as ações de um indivíduo devido ao meio que ele está inserido, todos podem se libertar dos grilhões que podem estar o prendendo, seria como dizer que o nazismo se deve somente a Hitler, se todo erro fosse atribuído a alguma instituição social. É dado a cada um uma escolha. Como nos ensina Weber a ciência pode proporcionar-lhe a consciência, mas no íntimo de cada um apenas um prevalece, a   auto-reflexão.
Lemuel Dias
Direito Noturno - 1 º Ano

Cada um com suas metamorfoses

Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha velha velha velha velha
Opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Raul Seixas

Nessa conhecida música do cantor brasileiro Raul Seixas, permite colocá-la a uma visão do sociólogo Max Weber e sua sociologia compreensiva. Então, Weber olha para os acontecimentos e objetos da sociedade portando-se em compreender as ações sociais de cada indivíduo. Este, pondera valores, objetivos, opiniões externas, em sua cosmovisão e consciência individual e estabelece ações diante da sociedade. O autor então diferentemente do que os outros pensadores sociais e coloca de forma separada os fatos que ocorrem com uma coação externa, assim, os indivíduos nessa "metamorfose ambulante" de consciência, objetivo e valor ao transmitir uma ação para a sociedade. Weber classifica tais ações em quatro características: a) ação com relação a um objetivo; b) ação com relação a um valor; c) ação emotiva; e d) ação tradicional. Com isso, "eu sou um ator", "eu vou desdizer", "eu prefiro ser" transparece nas composições das ações individuais perante a sociedade.

Ana Caroline Gomes da Silva, 1º ano Direito noturno